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85 — É para onde nós vamos. — Grimalkin ficou de pé, me olhando. — Não muito longe, humana. Mantenha seus olhos em mim, e tente ignorar todo o resto, não importa o que se passe com você. Custaram—me três tentativas para me levantar, mas finalmente consegui me levantar e ter equilíbrio suficiente para poder dar um passo. E depois outro. E outro. Segui Grimalkin por milhas, ou assim pareceu. Depois que a primeira árvore me alcançou, agitando seus galhos, eu achei difícil me concentrar. Quase perdi Grimalkin várias vezes, enquanto a paisagem se transformava em assustadoras versões de si mesmo, tentando me pegar com dedos de galhos. Figuras distantes faziam sinais pelas sombras, chamando meu nome. O terreno tornou-se uma massa retorcida de aranhas e centopéias subindo pelas minhas pernas. Um veado parou no meio da estrada, levantou a cabeça, e me perguntou a hora. Grimalkin parou. Saltando em uma rocha, ignorando os gritos indignados da pedra para que descesse e me olhou na cara. — Você está sozinha a partir de agora, humana. — Disse, ou pelo menos é o que eu ouvi sobre os gritos da rocha. — Apenas continue andando até que ele se mostre. Ele me deve um favor, mas também tende a desconfiar dos humanos, por isso as chances de ajudá-la é como 50% — 50%. Infelizmente, ele é o único que pode curála agora. Eu fiz uma careta, tentando entender suas palavras, mas como as moscas zuniam eu não conseguia entender. — O que você está falando? — Perguntei. — Você saberá o que quero dizer quando encontra-lo e se encontra-lo. — O gato levantou a cabeça e me deu um olhar observador. — Você ainda é virgem, certo? Eu decidi que esta última parte era resultado do delírio. Grimalkin fugiu antes que eu pudesse perguntar algo mais, deixando-me confusa e desorientada. Afastando com a mão um enxame de vespas que estavam circulando pela minha cabeça, tropecei em busca dele. Uma videira me alcançou e se agarrou no meu pé. Eu caí, rompendo direto para o chão, aterrissando em um leito de flores amarelas. Elas voltaram suas pequenas faces para mim e gritaram, enchendo o ar com pólen. Sentei-me e encontrei-me em um bosque iluminado pela lua, o chão atapetado de flores. As árvores dançavam, as rochas riam de mim, e pequenas luzes moviam-se rapidamente através do ar. Minhas pernas estavam dormentes, e de repente eu estava muito cansada. A escuridão penetrou na periferia da minha visão. Recostei-me contra uma árvore e observei as luzes que ondulavam pelo ar. Confusamente, alguma parte de mim, percebeu que tinha parado de respirar, mas o resto de mim realmente não se importava.

Iron Fey - Livro 01 - O Rei de Ferro (Iron King) - Julie Kagawa  

Meghan Chase nunca se encaixou em sua escola de cidade pequena, e agora, na véspera de seu aniversário de 16 anos, ela descobriu porquê. Qua...

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