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(entre)laรงos

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Maria Taemi Franco Hayashi Mariana Gomes Semedo Mariana Matheus Tinoco Argondizio Matheus Duarte Sophia Maria Gomide Luz Thais Bóbbo Vanessa de Mendonça Mansur

Orientadora: Ana Cecilia M. de Arruda Campos Banca Examinadora: Prof. Ana Paula Giardini Pedro Prof. Isabela Sollero Lemos

Trabalho Final de Graduação 2018 Pontifícia Universidade Catolica de Campinas Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologia Faculdade de Arquitetura e Urbanismo

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Agradecimento

Agradecemos, primeiramente, às nossas famílias; àqueles que nos deram o privilégio de estudar em uma universidade tão boa como a PUC Campinas, que forneceram todo apoio, conforto e carinho durante o período intenso de pesquisa e produção. Agradecemos à nossa querida orientadora Ana Cecília de Arruda Campos, que guiou nossos passos finais com maestria para nos tornarmos profissionais competentes e livres. Livres nas escolhas, livres na percepção, mas, principalmente, livres para sermos arquitetos e urbanistas. Nosso muito obrigada como, finalmente, colegas de trabalho! Agradecemos aos professores Antonio Fabiano Jr. e Vera Luz, que tão sabiamente acompanharam todo o processo projetual e aguçaram nossas percepções sobre nosso próprio trabalho.

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RESUMO 9

Índice

1. REGIÃO METROPOLITANA 1.1 REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO 1.2 REGIÃO METROPOLITANA OESTE E A CIDADE DE SÃO PAULO 1.3 DADOS REGIÃO METROPOLITANA OESTE 1.4 MOVIMENTOS PENDULARES DA REGIÃO METROPOLITANA OESTE

11 12 15 18 23

2. SUBPREFEITURA DA LAPA 2.1 EXPANSÃO URBANA 2.2 DADOS CENSITÁRIOS

25 26 28

3. HISTÓRICO DO BAIRRO JAGUARÉ

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4. O JAGUARÉ 4.1 TRANSPORTES E (DES)CONEXÕES 4.2 DADOS SOCIOECONÔMICOS E AMBIENTAIS 4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

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5. UNIDADES DE PAISAGEM

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6. O PROJETO (ENTRE)LAÇOS 6.1 DIRETRIZES PROJETUAIS 6.2 ENTERRAMENTO LINHA FÉRREA (CPTM) 6.3 ADENSAMENTO 6.4 COTA DE SOLIDARIEDADE 6.5 TIPOLOGIA DE QUADRA

69 70 74 75 75 76

7. ÁREA DE REPARCELAMENTO

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8. PROJETOS INDIVIDUAIS

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9. REFERÊNCIAS

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Fonte: Arquivo Pessoal


Resumo Situado na cidade de São Paulo, o projeto “(Entre)Laços Jaguaré” propõe um redesenho urbano em uma área onde coexistem diversos desafios. Sua localização na Região Metropolitana de São Paulo foi historicamente estratégica: região próxima aos rios, à malha ferroviária e ao centro da capital. Projetado para ser um distrito industrial na extremidade oeste do município, Jaguaré passou por um processo de expansão que incentivou a vinda do proletariado com a implementação de loteamento industrial nas áreas planas, associada a loteamento residencial operário nas colinas em sua época de criação (1930). O papel do proletariado foi fundamental não só para o distrito como para o município de São Paulo. Porém, desde o início houve forte segregação dessas pessoas, tendo em vista que a cidade não privilegiava a existência destes cidadãos para o processo de crescimento urbano. Sendo assim, o desafio do projeto é criar laços de conexão com o entorno atual do bairro, a fim de resgatar sua memória histórica e ambiental e, ainda, excluir os diversos tipos de barreiras constatados na área. Os fatos apresentados, do entorno (imediato ou não), exercem forte influência na região como um todo. A existência dos Rios Pinheiros e Tietê e a posterior

construção de suas respectivas marginais rodoviárias; ferrovias que conectam o interior ao litoral e passam pela capital; a instalação de diversas indústrias; o consequente rápido adensamento e; importantes universidades (formação e pesquisa). Esse conjunto todo fez de São Paulo o que é hoje: uma cidade extremamente adensada e de concentração de capital econômico e cultural. No entanto, essa concentração populacional ocorre de maneira heterogênea pelo território, gerando áreas desconectadas de infraestruturas e segregadas territorialmente e socialmente Por fim, o contexto da área em que o projeto está inserido foi o que justificou a escolha para a concepção deste novo programa urbano. O Jaguaré se caracteriza como uma periferia central, devido à sua proximidade com o centro expandido de São Paulo e com a cidade de Osasco, contudo encontra-se desconexa de ambas as partes em questões geológicas, físicas e sociais. A intenção é, diferentemente do que ocorre na atualidade, priorizar o pedestre e trazer qualidade de vida a esta zona, tornando o que antes era um distrito operário e, propositalmente, distante, em uma proposta modelo de traçado urbano integrado com o município de São Paulo e seus arredores.

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Fonte: Arquivo Pessoal


1.

REGIÃO METROPOLITANA 11


1.1 Região Metropolitana de São Paulo A Região Metropolitana de São Paulo é composta por 39 municípios, sendo eles: São Paulo, ao centro; Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã, ao norte; Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano, a leste; Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul, a sudeste; Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista, a sudoeste; Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba a oeste. A região é considerada o maior polo de riqueza nacional, com 17,63% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e 54,48% (mais da metade) do PIB paulista, em 2015. Nesse território vivem quase 50% da população do estado de São Paulo, aproximadamente 21,4 milhões de habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2017. - fonte: IBGE e EMPLASA Com relação ao suporte biofísico da RMSP está

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localizada levantamos alguns maciços arbóreos, parques e serras que possuem importância regional, como a Serra do Mar, a Serra do Japi (já em Jundiaí) e a Serra da Cantareira, onde se localiza parte do sistema de abastecimento de água da região. Além desses, destacamos o Parque Estadual de Juqueri, no qual possui uma parte da drenagem da represada da Serra da Cantareira, o Parque Ecológico do Tietê, que além de preservar fauna e flora da várzea do rio Tietê, proporciona uma série de atividades culturais, educacionais, recreativas, esportivas e de lazer, atraindo 330mil visitantes por mês, o Parque do Carmo, que preserva a mata atlântica e tem uma estrutura completa com o Museu do Meio Ambiente, um anfiteatro, aparelhos de ginástica, campos de futebol, ciclovia, pista de cooper, playgrounds, entre outros e por fim Parque Estadual das Fontes Ipiranga no qual, é o maior fragmento da Mata Atlântica inserido na área urbana da RMSP que cumpre um papel importante no equilíbrio climático e na qualidade de ar do seu entorno.


Após analisarmos as áreas verdes, mas ainda falando das questões geobiofísicas, indicamos os rios principais da região, sendo eles o Rio Tietê, Pinheiros e o Tamanduateí e as represas Billings e Guarapiranga que foram criadas no século 19 para armazenar água para a produção de energia elétrica e cumprindo função de abastecimento. Analisamos também os meios de transportes de pessoas e de cargas que impactam a Região Metropolitana de São Paulo. Identificamos os trens da CPTM que conectam São Paulo com o resto do Brasil – interior de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santos. Hoje, as linhas de trem transportam carga durante a noite – que na maioria das vezes o destino não é São Paulo - e pessoas durante o dia, trazendo algumas complicações no dia-a-dia, como os atrasos para começar o transporte de pessoas. Para isso, já existe uma solução, proposta de construção de um ferroanel contornando a RMSP, assim todas as cargas não passariam dentro de da região. Além disso, identificamos 9 (nove) Rodovias que

chegam em São Paulo sendo elas: Rodovia Bandeirantes, Rodovia Anhanguera, Rodovia Presidente Dutra, Rodovia Ayrton Senna, Rodovia Anchieta, Rodovia Imigrantes, Rodovia Regis Bittencourt, Rodovia Raposo Tavares e a Rodovia Castelo Branco. Localizamos também 2 (dois) anéis viários, o Rodoanel que conecta todas as rodovias no qual, ainda está em construção e o minianel viário criado no plano Prestes Maia envolvendo, hoje, o que chamamos de centro expandido. Por fim, além de todas essas conexões São Paulo possui três aeroportos de grande importância, Aeroporto de Guarulhos (internacional), Aeroporto de Congonhas (voos internos Brasil) e o Aeroporto Campo de Marte que foi o primeiro terminal aeroportuário de São Paulo, mas que hoje comporta somente aviões de pequeno porte e helicópteros. Com todos esses levantamentos, podemos concluir que a Região Metropolitana de São Paulo é uma região estratégica e conectada com todo o Brasil e o mundo, tendo áreas verdes com grande importância regional e sendo um polo atrativo internacional.

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Região Metropolitana de São Paulo 14

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe


1.2 Região Metropolitana Setor Oeste e a cidade de São Paulo Os municípios situados no Setor Oeste da Região Metropolitana e alguns do Setor Sudoeste (Itapevi, Jandira, Carapicuíba, Osasco, Barueri, Santana do Parnaíba,Pirapora do Bom Jesus, Cotia, Embu e Taboão da Serra) se desenvolveram a partir das Rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares, por meio de uma expansão linear ao longo delas, de forma a criar espaços vazios em suas áreas periféricas, com exceção de Osasco, que já é totalmente consolidado sem uma área rural. A grande área sem mapeamento de dados em Cotia é devido à Localização da Reserva do Morro Grande, de conservação de mananciais. Essas cidades possuem populações de caráter diverso, de maneira que há uma grande concentração de renda nos municípios de Santana do Parnaíba e Barueri, devido aos condomínios Alphaville e Tamboré, e em Carapicuíba, Jandira e parte de Cotia, devido ao Granja Viana e outros condomínios. Essa população busca uma melhoria de qualidade de vida e uma forma de morar distante da “grande cidade”. As cidades

possuem suas próprias centralidades, de forma que há uma migração mais intra-regional para suprir as necessidades de seus moradores. Ao mesmo tempo, devido ao preço da terra de São Paulo, muitas pessoas migram para as cidades vizinhas, Taboão da Serra, Cotia, Embu e Itapevi, realizando esse deslocamento pendular para São Paulo diariamente, sendo caracterizado por uma população mais jovem, buscando trabalho e educação. No próprio município de São Paulo a concentração de alta renda ocorre principalmente na sua porção central, mostrando grande discrepância entre as demais regiões. O município tem uma densidade populacional tão grande que distorce as demais cidades, de forma que as demais cidades quase desaparecem, enquanto o centro de São Paulo se destaca. Somente Osasco se funde em meio à densidade presente em São Paulo, devido à sua ausência de àrea rural e pouca quantidade de vazios urbanos.

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Renda Média (salários mínimos) 16

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: IBGE - Censo Básico de 2010


Densidade Demográfica (hab/km²)

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe 17 Dados: IBGE - Censo Básico de 2010


1.3 Dados Região MetropolitanA Setor Oeste Devido a proximidade física do Distrito de Jaguaré com os municípios da Região Metropolitana a Oeste, fizemos algumas análises comparativas para entender aspectos demográficos, sociais e econômicos. No caso da densidade demográfica, Osasco e Carapicuíba aparecem com os números mais altos do que a capital São Paulo e território 100% urbano, que ocorre pelos seguintes motivos: Osasco (Dd=10.264,8 hab/km², censo 2010 | extensão territorial = 65km²) é um território predominantemente urbano, não composto por área/zona Rural, o que acarreta em uma maior ocupação da cidade em termos de área construída e habitada; no território de Carapicuíba (Dd=10.698,32 hab/km², censo 2010 | extensão territorial = 34,5km²) encontra-se parte do Condomínio de alto padrão Granja Viana, que acaba por elevar a densidade demográfica, tornando-a visível no mapa quando comparada à São Paulo e caracteriza uma centralidade da região; e, além disso, a cidade de São Paulo (Dd=7.398,26 hab/km², censo 2010 | extensão territorial = 1.521,11km²) apresenta um território muito heterogêneo, equilibrando um pouco sua dimensão territorial com sua população e, curiosamente, possui 99% do território urbano. Em contrapartida, percebe-se que o menor Crescimento Demográfico são das cidades com maior densidade demográfica (como citadas anteriormente:

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Osasco e Carapicuíba), talvez por já possuírem o território urbano mais consolidado. Entretanto, cidades de menor densidade demográfica como Santana de Parnaíba (Dd=604,96 hab/km², censo 2010 | extensão territorial = 179,95km²) têm um crescimento muito alto, fato que se deve ao deslocamento permanente de moradores da capital que buscam outro estilo de vida, encontrado nos condomínios de alto padrão - no caso, Alphaville. Devido à proximidade com São Paulo, essas pessoas, em sua grande maioria, continuam com o trabalho na capital, porém com a vida familiar em um lugar pouco, mas suficientemente afastado do caos da capital paulista. Em relação aos comparativos socioeconômicos o município de Osasco destaca-se pelo PIB, que é consideravelmente o maior da Região Metropolitana a Oeste e o 5º do Brasil, muito devido a Sede da Fundação Bradesco, instalada na cidade. Entretanto, é notável que o IDH não “acompanha” o desenvolvimento de seu PIB, estando abaixo de muitas cidades, principalmente em comparação a Santana de Parnaíba que tem um IDH até maior do que São Paulo, em função dos condomínios de alto padrão citados anteriormente, que concentram grande parte da renda destas regiões e atraem infraestruturas como equipamentos de saúde, educação, comércio e serviços.


Densidade Demográfica (hab/km²)

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe 19 Dados: IBGE 2013


PIB (R$) 20

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: IBGE - Censo Básico de 2013


IDH

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe 21 Dados: IBGE 2013


Crescimento Demográfico (%) 22

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: IBGE - Censo Básico de 2013


1.4 Movimentos Pendulares Região Metropolitana Oeste

A análise socioeconômica nos leva a caracterizar as cidades metropolitanas a Oeste em função dos movimentos pendulares, descrevendo-as como cidadesdormitório. Porém, este não é o caso de Osasco, que, devido ao seu Produto Interno Bruto (PIB) considerável (equivalente a R$54.335,00 - sendo a média dos demais municípios cerca de R$5.500,00) e a alguns equipamentos de grande porte, caracteriza-se como uma forte centralidade. Por outro lado, as cidades com maior índice de crescimento tendem a ser as caracterizadas por esses movimentos pendulares. Devido à oferta de terras mais baratas que as de São Paulo e, consequentemente, imóveis mais baratos, tornam-se atraentes para estudantes e trabalhadores da metrópole, que apenas

utilizam o serviço de moradia. Não se faz necessário, então, o investimento em grandes infraestruturas, porém, há um grande crescimento de pequenos serviços locais, que geram o crescimento. O grande motivo para a existência desse deslocamento é a busca por uma qualidade de vida melhor. Os movimentos pendulares não ocorrem apenas de cidades do interior para São Paulo, mas também para outras regiões metropolitanas ao redor, ainda que em menor se comparado a São Paulo. Toda essa análise socioeconômica nos leva a caracterizar os municípios de Cotia, Embu das Artes e Taboão da Serra como as principais cidades-dormitório localizadas na RMSP, que ocasionam os maiores movimentos pendulares.

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Movimentos Pendulares (%) 24

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: IBGE - Censo DemogrĂĄfico de 2000


2.

SUBPREFEITURA DA LAPA 25


Expansão Urbana 26

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Infocidade


2.1

Expansão Urbana

Adentrando no recorte do município de São Paulo, o distrito do Jaguaré se encontra na Subprefeitura da Lapa, junto aos distritos da Barra Funda, Perdizes, Lapa, Vila Leopoldina e Jaguara. Ao compararmos esses distritos vimos que a Barra Funda, cujo histórico industrial é similar ao de Jaguaré, está passando por um processo de verticalização, com poucas indústrias remanescentes. Jaguaré, por sua vez, é caracterizado por uma alta densidade demográfica, mesmo com muitas indústrias remanescentes e apesar de não ser altamente verticalizado. Tal fato se justifica pelos Núcleos de habitações irregulares e comunidades que se instalam no bairro. Dessa forma, existem áreas industriais com densidade muito baixa, contraposto com áreas de núcleos residenciais com densidades extremamente altas. Outro ponto importante a ser considerado no Jaguaré, é sua taxa de crescimento demográfico, que só fica abaixo da Vila Leopoldina, ou seja, mesmo com uma densidade demográfica considerável, o distrito ainda apresenta uma tendência de aumento populacional. No caso da Vila Leopoldina, a alta taxa de crescimento demográfico se dá pela predominância de edifícios multifamiliares com gabaritos em torno de 20 pavimentos, uma tendência que pode atingir o Jaguaré.

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Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Infocidade


2.2

Dados Censitários

Vale ressaltar que mesmo a população de Jaguaré sendo consideravelmente alta, assim como sua densidade, apresenta a segunda pior renda da Subprefeitura, estando abaixo apenas do distrito Jaguara. E, se comparada à renda de Perdizes, por exemplo, é 6 vezes menor. Isso ocorre não somente pelas questões de vulnerabilidade social, mas também por conta dos vazios gerados pelas quadras industriais, de forma que a renda gerada por essas indústrias não é revertida para a população residente. O distrito de Jaguaré possui, atualmente, uma população de cerca de 50.000 habitantes e sua densidade populacional é maior quando comparado a outros distritos da Lapa, como Alto de Pinheiros e Vila Leopoldina. No entanto, este número é uma média que na verdade revela uma discrepância na distribuição da população pelo território do distrito. Os assentamentos precários, correspondentes a 5% da área do Jaguaré, apresentam 30% da população total do distrito, enquanto as áreas industriais, responsáveis pela ocupação de 25% do território, representam um vazio populacional. Ainda, o IDH e Renda em Jaguaré são menores que os dos outros distritos da Lapa, o que caracteriza uma vulnerabilidade do território.

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A área de recorte do estudo está inserida em um quadrante definido por vias, ferrovias, hidrovias e rodovias de grande porte e importância metropolitana. A norte, o rio Tietê, ferrovia CPTM (linhas Diamante e Esmeralda) e rodovia Castelo Branco; a leste, o rio Pinheiros - e sua respectiva marginal; a sul, a rodovia Raposo Tavares; a oeste, o Rodoanel Mário Covas. Os meios de transporte rodoviário e ferroviário, atualmente, são os principais responsáveis pela conexão e interligação municipal e regional. Como é possível observar através dos mapas, existem muitas vias arteriais de conexão norte-sul, porém há uma carência de conexão leste-oeste, (em parte) pela existência física do rio Pinheiros. Sendo poucas as pontes que transpõem um lado ao outro do curso d’água, o rio torna-se uma barreira a ser superada no estudo.

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Em relação ao transporte ferroviário, existem estações de trem próximas a área que servem tanto à CPTM como à linhas do metrô, o que facilita o acesso rápido à outras tantas regiões da cidade de São Paulo e adjacentes. No entanto, algumas dessas não são de fácil acesso e encontram-se distantes de maiores centralidades do bairro, revelando uma carência de conectividade intermodal. Nota-se, ainda, a presença de ciclovias na área, porém em pouca quantidade e, por vezes, sem função de deslocamento real - mesmo em pequena quantidade, São Paulo ainda possui mais ciclovias do que Osasco. Novamente reforçando a importância da possibilidade de travessia do rio, a limitação desta ação torna-se um foco para o novo desenho do projeto.


3.HISTÓRICO DO BAIRRO JAGUARÉ 31


Cerca de 1860, a produção do vale do Paraíba cresceu tanto o cultivo de café que a província de São Paulo passou a ser o principal centro produtor de café do país. A partir de então, o café ganhou importância crescente na economia brasileira, fazendo com que as velhas regiões agrícolas do Norte ficassem em segundo plano diante das mais recentes no estado de São Paulo. Com a grande necessidade de conexão entre o porto de Santos com o interior Paulista, em 1868 foi fundada a estrada de ferro São Paulo Railway, para escoamento da produção. Assim, surgiram várias estradas de ferro, como a Sorocabana (1872), a Mogiana e a Ituana (1872). Nas terras planas da várzea do Tamanduateí foi construída parte da Estrada de Ferro São Paulo Railway e junto à ferrovia foram sendo instaladas algumas indústrias, transformando o eixo do rio um dos locais mais modernizados da industrialização paulistana na época. Em 1912 foi realizada a retificação do rio Tamanduateí, em prol do crescimento urbano que estava acontecendo na região. Em 1920, começaram as imigrações de europeus e alemães que se instalavam nas fazendas, sítios e chácaras, principalmente próximo ao Jaguaré, onde o preço da terra era mais barato comparado às da Lapa e apresentava uma ocupação incipiente, visto que os meandros do rio Pinheiros, com suas várzeas sazonalmente alagadas, ainda desestimulam a expansão imobiliária nessa direção.

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Com o crescimento urbano, em 1928 iniciou-se a retificação dos rios Tietê e Pinheiros, interessando a chegada das indústrias para a zona oeste de São Paulo. Em 1930 foi construído o Complexo Viário Heróis, também conhecido como “Cebolão”, que fazia a conexão por pontes e viadutos entre as margens do Rio Pinheiros e do Rio Tietê. Em 1935, a S/A Imobiliária Jaguaré, pertencente à família Dumont Villares, reuniu uma área de 165 alqueires, para dar início a um distrito industrial, com a implementação de um loteamento industrial nas áreas planas associada a um loteamento residencial operário nas colinas. Tinha como ideal a oferta de emprego para os trabalhadores e o incentivo para a entrada das indústrias. Dada a escassez de solo urbano e sua valorização nas áreas centrais, houve um estímulo para crescimento industrial nas áreas periféricas. Com isso, o Jaguaré foi escolhido para o desenvolvimento do projeto, principalmente devido à proximidade à Estrada de Ferro Sorocabana e aos bairros proletários da Lapa e de Pinheiros. Com o incentivo do Plano de Avenidas de Prestes Maia, em 1957 foram iniciadas as obras de construção das marginais Pinheiros e Tietê, e para uma maior conexão do bairro Jaguaré com o restante da cidade, foi construída a Ponte Jaguaré em 1942, facilitando o escoamento da produção das indústrias e trouxe as primeiras empresas de ônibus para o bairro em 1943.


O projeto de Villares contava com a consolidação do bairro principalmente pela população trabalhadora, porém também atraiu famílias em busca de lotes a preços acessíveis, onde pudessem construir suas moradias. Em meados de 1960, apenas 20% das indústrias estavam ativas e o restante do bairro começava a ter um ocupação desordenada devido a baixa atividade industrial, juntamente com a crescente demanda da terra por preços acessíveis. No mesmo período Osasco de emancipa. Com a chegada do CEAGESP em 1969, houve a atração de muitas pessoas para trabalharem, intensificando ainda mais sua ocupação no distrito de Jaguaré, dando início a comunidade Vila Nova Jaguaré com 340 barracos. As áreas planificadas pela retirada de solo, aquelas onde a vegetação havia sido retirada, com menor declividade e cotas mais baixas foram as primeiras a ser ocupadas. Devido à grande procura por moradia houve a primeira intervenção municipal na favela pela COHAB (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo) realizando o reassentamento de várias famílias na área em decorrência de um programa de desfavelamento de outros assentamentos precários próximos. Devido a ausência de áreas livres na Vila, na década de 1990 deu início de um processo

de adensamento populacional caracterizado pela verticalização. Por meio do Programa de Urbanização de Favelas com Verticalização, em 1997 foi iniciado o projeto Cingapura. Os conjuntos habitacionais foram implantados próximos à Marginal Pinheiros, por conta da grande ocorrência de novos deslizamentos na Nova Jaguaré, foram construídos dois conjuntos Cingapura dentro dos limites da área, ambos próximos a grandes avenidas. Em 2003 , foi criado o Programa Bairro Legal, que visava a requalificação urbana de áreas precárias do ponto de vista habitacional e urbano, garantindo a regularização de favelas e loteamentos, implantação de equipamentos e atuava de forma integrada com programas sociais de geração de emprego e renda. Os projetos realizados foram: Conjunto habitacional Alexandre Mackenzie, Conjunto habitacional Kenkiti Simomoto, Conjunto habitacional Nova Jaguaré, elaborados por Boldarini Arquitetos Associados. Para a realização dos projetos foram removidas 1.879 famílias e 1.012 unidades habitacionais, sendo regularizadas no final 3.500 moradias na comunidade. Com isso, a Favela Vila Nova Jaguaré ganhou sua atual designação frente ao poder público: Núcleo Urbanizado Vila Nova Jaguaré.

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Fonte: http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/mapas/1898usiSPR.shtml (Data: 19/03)

Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-AY6vj1EhTw _ /TsrSJg0H-1I/AAAAAAAADWw/ xh14_ 6rFqdI/s1600/Rio%2BPinheiros%2Bno%2BJaguar%25C3%25A9.jpg 34 19/03) (Data:

Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-AY6vj1EhTw _ /TsrSJg0H-1I/AAAAAAAADWw/ xh14_ 6rFqdI/s1600/Rio%2BPinheiros%2Bno%2BJaguar%25C3%25A9.jpg (Data: 19/03)


São Paulo: Apogeu da economia cafeeira

1860 Fundação da estrada de ferro São Paulo Railway & Co Ltda

1867 Fundação da estrada de ferro E. F. Sorocabana 1895 (Osasco):Estação Ferroviária

1872

Retificação do Rio Tamanduateí

1912

Pequenas propriedades rurais a ser loteadas, atraindo - começaram a crescente massa de imigrantes

1920- - jaguaré

Retificação do Rio Pinheiros e Tietê - The SP Trainway/Light

1928

A ferrovia incentivou o surgimento das primeiras das primeiras indústrias da região

1930 1932

Complexo viário Heróis (Cebolão) pontes e viadutos 35


Fazenda adquirida pela Sociedade Imobiliária Jaguaré. O dono era o engenheiro agrônomo Henrique Dumont Villares. Projeto urbano para transformar a área em um Centro Industrial Criação da USP

1935 Início da implantação do Plano de Avenidas

1937

1942

Início da construção da Marginal Pinheiros e Tietê

1957

Grandes problemas inundações nas marginais

1960 Primeira ocupação irregular de barracos no parque público Osasco de Emancipa

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com

1962 Jaguaré começa a ser ocupada por uma favela (Vila Nova Jaguaré) Início: 340 barracos

1968 Fundação do CEAGESP Asfaltamento de ruas

Inauguração Antiga Ponte do Jaguaré e Inauguração da Rod. Anhanguera Primeiras empresas de ônibus que serviam o bairro do jaguaré 1943: Mirante Jaguaré

e

1969


Fonte: https://br.pinterest.com/pin/564849978249208854/ (Data: 19/03)

Fonte: Fonte: https://br.pinterest.com/pin/564849978249208854/ (Data: 19/03)

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1968

1977 Freire 2006

1973

2000

A: Projeto Cingapura realizado B e C: NĂŁo realizados 38

Fonte: http://www.favelasaopaulomedellin.fau.usp.br/wp-content/uploads/2015/07/fD _ issertacao.Miguel.NAZARETH-comp.pdf


Primeiras intervenções municipais na favela - COHAB Reassentamento de famílias Muitos deslizamentos ocorrendo no morro 1978- Inauguração Rodovia dos Bandeirantes

1970

Barragem móvel no Cebolão entra em operação

1989

Projeto Cingapura - 260 unidades distribuídas em 13 edifícios

1997

Obras de contenção de águas pluviais por conta dos grandes deslizamentos Grandes deslizamentos nas áreas mais precárias

2002 Programa Bairro Legal: Eliminação das áreas de risco Regularização fundiária Infraestrutura Inclusão

2003

{

2006

Programa Urbanização de Favelas

2011

Remoção de famílias para realização do Bairro Legal Conjunto Nova Jaguaré Remoção de 1872 famílias e 1012 unidades habitacionais Regulariza no final 3,5 mil moradias na comunidade Faixas exclusivas para ônibus

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4. O JAGUARÉ 41


Hierarquização de vias e transporte Público 42

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Google Earth dados de 2017 e MTU


4.1 Transportes e (Des)Conexões

Quando se tratando do transporte público rodoviário, encontra-se o maior problema. Existem diversas linhas metropolitanas (EMTU) e circulares internas. No entanto, há uma falta de conectividade com o terminal Metropolitano que localiza-se quase na divisa de São Paulo e Osasco. Um terminal cuja localização supõe tal função e, na realidade, não ocorre. Importante destacar a ligação com a estação de metrô do Butantã e a chegada até os Distritos da Lapa e Pinheiros.

Considerando todos os levantamentos sobre transporte, incluímos na análise a existência do projeto Metrópole Fluvial, estudo em andamento realizado pela FAU-USP como alternativa para a mobilidade urbana. Tem como proposta a transformação dos rios em uma rede de vias navegáveis, formada pelos rios Tietê, Pinheiros e represas Billings, Taiaçupeba e Guarapiranga - integrando uma rede com mais de 170km de hidrovias urbanas e cortando 22 dos 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

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4.2 Dados SocioEconômicos e Ambientais

Em comparação aos demais distritos da subprefeitura da Lapa, ao distrito de Rio Pequeno, Alto de Pinheiros e Butantã, a área de recorte escolhida é pouco adensada, devido à sua predominância de indústrias e de habitações horizontais de baixa densidade, à exceção das favelas e alguns prédios, estando concentrados nos setores que se destacam. Em Osasco, a população de maior renda concentrase próximo à divisa de São Paulo. No distrito de Jaguaré, essa concentração maior ocorre no Jardim Continental, sendo de uma renda média-alta, contrastando com o restante do distrito cujas áreas industriais e favelas apresentam uma renda média menor que um salário mínimo. No entanto, essa concentração é ainda maior no Alto de Pinheiros, por exemplo, próximo ao CEAGESP. Em relação à educação e a saúde, a quantidade de

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equipamentos não supre a necessidade da área devido a sua alta densidade, comparando com o outro lado do rio, no qual possui uma concentração de equipamentos, como mostra os dados de vulnerabilidade e renda. As áreas de contaminação que afetam o Rio Pinheiros e Tietê, seja diretamente ou indiretamente, contido nas proximidades de nosso recorte, tem como característica serem ou relacionados à indústria (com indústrias farmacêuticas. de cosméticos e relacionados à produtos para a ferrovia) ou ligados a áreas residenciais mais precárias, de ocupação antiga. Esses focos de esgoto jogado no rio se concentram mais em Osasco atualmente. Em questão da contaminação do solo urbano, há uma quantidade expressiva de contaminações na área do CEAGESP por resíduos sólidos e no Jaguaré, devido à antigas indústrias.


Densidade demográfica (hab/km ²)

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe 45 Dados: IBGE - Senso Básico 2010


Renda Média (salários mínimos R$) 46

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equ Dados: IBGE - Senso Básico 2010


uipe

Educação Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Geosampa - Consultado em 2018

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SaĂşde 48

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Geosampa - Consultado em 2018


Áreas Contaminadas

Base aérea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: IBGE - Censo Básico de 2010

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4.3 Uso e Ocupação do solo/Zoneamento A mudança da metrópole do capital industrial para a metrópole do capital financeiro vêm transformando a área de estudo desde meados de 1970, e consolidando-a como forte centralidade, tal qual está atrelada a uma vontade de valorização imobiliária que favorece uma pequena parcela da população. As zonas previstas pelos Planos Diretores das cidades de Osasco e São Paulo mostram um território bastante heterogêneo, com parcelas de grande potencial de estruturação de toda uma região importantíssima para o desenvolvimento metropolitano de São Paulo. No entanto, essa heterogeneidade se apresenta de maneira fragmentada e que falha como um sistema, tendo como resultado áreas de resquícios industriais e transição de uso muito extensas e isoladas do restante do bairro, voltando-se apenas para as marginais, grande concentração de áreas verdes como o Parque Villa-Lobos e a Cidade Universitária com difícil acesso, renegando

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a zona habitacional de maior densidade de Jaguaré e Zonas Especiais de Interesse Social mal planejadas e que oferecem risco geográfico à população. O gabarito é predominantemente horizontal com algumas quadras de verticalização acima de 5 pavimentos. Estas, no geral, caracterizadas por habitação multifamiliar de alto padrão em condomínios fechados. Dentre as edificações de baixo gabarito (de até 3 pavimentos) estão inseridos galpões, indústrias de grande porte, habitação, pequenos comércios e serviços de pequeno porte. Devido ao Plano Diretor estratégico, junto à subcentralidade de Osasco ocasionado pelas faculdades, shoppings e a saída do CEAGESP, há uma forte pressão por um adensamento construtivo e populacional no distrito de Jaguaré, com provável expulsão da população residente que não está inserida nesse padrão.


Uso do Solo Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Google streetview

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Indice de Vulnerabilidade 52

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Governo Aberto SP - dados de 2010


Vulnerabilidade

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Geosampa - Consultado em 2018

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Barreiras e equipamentos 54

Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Google Earth 2017


Gabarito Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa Desenvolvido pela Equipe Dados: Google streetview

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5.

UNIDADES DE PAISAGEM 57


5.1 Unidade de Paisagem A A unidade de paisagem A é caracterizada por vias largas sem planejamento adequado para o pedestre, resultando em passeios estreitos sem acessibilidade. As quadras chegam à 1km de extensão, e os lotes são ocupados por equipamentos de grande

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porte como comércios, serviços e indústrias. Além disso, a cobertura arbórea é escassa e a maior parte do solo é impermeável, o que sugere a má gestão das águas no local, o que agrava problemas de alagamento na região.

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Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa desenvolvido pela equipe.

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4.2 Unidade de Paisagem B A unidade de paisagem B é caracterizada por vias com um desenho orgânico, de menor dimensionamento e menor fluxo, se comparado à unidade de paisagem A, com passeios um pouco mais largos, mas ainda sem o planejamento adequado.

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As quadras são menores, resultado de um maior parcelamento do solo, e um desenho orgânico. Os lotes são predominantemente residenciais e o gabarito é de no máximo três pavimentos.


Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa desenvolvido pela equipe. 61


4.3 Unidade de Paisagem C A unidade de paisagem C é caracterizada por loteamentos estão sobre áreas que oferecem risco aos 1 moradores, que encontram-se em situação de grande assentamentos precários, onde as casas invadem as calçadas e muitas vezes parte do leito carroçável. Os vulnerabilidade.

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4.4 Unidade de Paisagem D A unidade de paisagem D caracteriza-se por vias um pouco mais arborizadas, se comparadas à unidade de paisagem A, mas ainda sim de cobertura vegetal bastante escassa, e solo altamente impermeabilizado. As quadras tem um desenho mais ortogonal e os lotes

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são em sua maioria cercados e destinados a edifícios habitacionais de mais de vinte andares . Indentificase pequenas construções voltadas para pequenos comércios e serviços de pequeno porte.

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Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa desenvolvido pela equipe. 65


4.3 Unidade de Paisagem - E Por último, a unidade de paisagem E tem caracteriza-se comparado às demais unidades de paisagem. Consepelo uso residencial de caráter horizontal. As vias tem quentemente é uma área com maior permeabilidade do um dimensionamento menor e são mais arborizadas se solo e mais agradável para o pedestre.

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Base aĂŠrea: Google Earth. Mapa desenvolvido pela equipe. 67


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6.

O PROJETO (ENTRE)LAÇOS 69


6.1 DIRETRIZES PROJETUAIS O distrito de Jaguaré localiza-se em uma concentração de rios, trens e vias marginais dentro do município de São Paulo, na divisa com Osasco e, apesar de estar perto de grandes equipamentos e centralidades, encontra-se desconectado física, social e economicamente. Nesse contexto, podemos perceber que mesmo com aproximadamente 24% da área destinada às indústrias, apresenta uma alta densidade quando comparada com os distritos do seu entorno, visto que em média 30% da população de Jaguaré mora de forma precária, em núcleos ou em ocupações irregulares. O contexto atual está relacionado diretamente com a formação do bairro, pois, na década de 30 a chegada das indústrias incentivou a vinda de trabalhadores à partir da implementação de um loteamento industrial nas áreas planas e um loteamento residencial operário nas colinas. O papel do proletariado foi fundamental, não só para o bairro, mas também para todo o município de São Paulo. No entanto, da maneira como ocorreu a ocupação do território, houve uma forte

CARGAS FLUVIAIS Públicas Sedimentos de dragagem de canais e lagos (carga pública pioneira) Lodo das ETEs e ETAs Lixo Urbano Entulho Terra: Solo e Rochas de Escavacões 70

segregação dessas pessoas. Dessa forma, o desafio do projeto é criar laços de conexão com o entorno atual do bairro, com sua memória histórica e ambiental, excluindo os diversos tipos de barreiras constatados na área. Com este objetivo, incorporamos o projeto da Metrópole Fluvial ao nosso projeto, Entrelaços. A Metrópole Fluvial, proposta pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, consiste em um hidroanel metropolitano e uma rede de vias navegáveis composta pelos rios Tietê e Pinheiros, represas Billings e Taiaçupeba, além da criação de um canal ligando essas represas, totalizando 170km de hidrovias urbanas. Esse projeto reforça o caráter público e retoma a função primordial dos rios como meio de transporte, tanto de carga quanto passageiros. O hidroanel transforma os principais rios urbanos em vias que retomarão o uso turístico e de lazer das águas urbanas, com praças, boulevards e equipamentos públicos. Por fim, restabelecerá um território de qualidade ambiental através da contínua drenagem ocasionada pelas navegações.

COMERCIAIS Resíduos sólidos reversíveis comercializaveis, processados nos Tri-Portos (carga comecial pioneira) Insumos para construção civil Hortifrutigranjeiros

PORTOS Origem: draga-portos, lodo-portos, trans-portos e eco-portos Destino: Tri-portos Passageiros: Turismo, travessias lacustres em represas.


Para criar o laço da conexão com a memória ambiental e social adotamos o projeto metrópole fluvial e criamos um sistema de parques em nosso projeto. Para isso, pensamos na abertura da USP em dois planos: como um parque urbano e como difusor de conhecimento,de forma que estudantes e professores pudessem participar de forma ativa no novo bairro, conectando assim com o Parque Villa Lobos do outro lado do rio. Pensamos também, na criação de um grande parque no entroncamento dos rios - Pinheiros e Tiête - reforçando a importância da água e do meio ambiente além de proporcionar métodos educativos mostrando de forma prática como é possível reverter a atual situação dos rios. É feito a abertura dos córregos canalizados da área, como o córrego Mackenzie que ocorre no CEAGESP, e um aumento das margens, como ocorre no rio presente na Avenida Alexandre Mackenzie, que também se transforma em uma área de parque, com a criação de um eixo peatonal junto ao seu leito. A intenção dessa ação é dar uma maior visibilidade

ao córrego para uma conscientização ambiental e diminuir a ocorrência de alagamentos nessas áreas. Como forma de entrelaçar a memória histórica com o projeto propusemos um sistema de transporte voltado para o VLT, no qual, os atuais trilhos seguem os antigos leitos ferroviários da Cia. Paulista, ainda perceptíveis na paisagem, remetendo assim a memória do baixo proletariado que lá viveu. A partir do sistema proposto, pensamos em paradas estratégicas como se fossem nós (laços), de forma a unir os usos com a população formando pequenas centralidades. Como forma de romper as barreiras físicas que lá existem, sendo elas topográficas e hidrográficas, propusemos transposições para que houvesse uma conexão imediata com o entorno. Tais projetos, consistem em pontes que tem por funçao vencer o distanciamentos entre as duas margens do rio, com programas diferentes, além disso, para cumprir o grande desnível existente na parte das linhas de alta tensão, uma solução, foi usar o elevador funicular.

METROPOLE FLUVIAL

conflitos

verde

METROPOLE FLUVIAL

água

HORTAS RENDA

CONVÍVIO FORMAÇÃO

B AG UN ÇA

cultura

ÁGUA EDUCAÇÃO

LAZER TRANSPORTE

FUNK RENDA

LAZER IMOBILIDADE

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Na extensão dessa linha de alta tensão, foi proposto uma horta urbana, tendo em vista que esta é atualmente uma área subutilizada e que há no projeto do Metrópole fluvial um incentivo à esse tipo de atividade e sua proximidade com um dos portos propostos, facilitando assim o escoamento da produção e trazendo também uma forma de renda para as pessoas na proximidade desta área, que poderiam trabalhar ali para depois venderem os produtos. Na questão de conexões dentro da área, foram criadas novas vias, com o intuito de diminuir o tamanho das quadras e melhorar o fluxo tanto de veículos quanto de pedestres, permitindo também um fluxo pedonal intraquadra, de forma a diminuir a distância de deslocamento ao ir de um lugar para outro do bairro, sendo o principal o que liga o parque com a transposição do Rio que ocorre na Avenida Alexandre Mackenzie. De acordo com as análises e os levantamentos do distrito de Jaguaré e seu entorno, foi possível perceber que existem três áreas industriais que estão sofrendo com as saídas das indústrias, tornando-se áreas subutilizadas. Com esse movimento, e por hoje se tratar de uma área centro periférica de São Paulo, o mercado

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imobiliário se interessa e enxerga um grande potencial de investimento, deixando as terras com um valor mais alto. Logo, o trabalho propõe como uma de suas diretrizes gerais, o reparcelamento dessas três áreas, trazendo uma reorganização do espaço através de quadras abertas e menores, com térreos livres e edifícios mistos, vias peatonais com espaços para convívio e vias compartilhadas para carros, VLT, pedestres e lazer. O VLT é o principal conector dessas três áreas, possuindo em cada uma delas no mínimo um “nó”, uma sub centralidade, composta por uma estação intermodal e no seu entorno imediato, equipamentos públicos e de lazer. A escolha do VLT como transporte público é de extrema importância para que houvesse maior permeabilidade e fácil acesso pelo pedestre às diferentes quadras, visto que seu percurso se incorpora à malha urbana numa relação horizontal, de pouco impacto e que permite a passagem em nível. Associado à ciclovia, que oferece suporte através de uma variedade de percursos entre quadras, dentre eles a Avenida Presidente Altino, de grande fluxo, fortalece o sistema de conexão entre as diferentes áreas do projeto urbano.


DIRETRIZES GERAIS

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6.2 ENTERRAMENTO LINHA CPTM

“Os mesmos trilhos ferroviários que trouxeram o desenvolvimento para a Região Metropolitana de São Paulo, também criaram uma imensa marca que dividiu bairros.”

A proposta “Tronco Metropolitano da Mobilidade Urbana”, da FUPAM (Fundação para Pesquisa Ambiental) traz ações estruturadoras que permitirão superar a barreira da ferrovia, promovendo requalificação ambiental dos espaços lindeiros à ferrovia. A eliminação da barreira se dará por meio de seu rebaixamento da Lapa ao Brás. As ações também visam incentivar a geração de empregos e a ocupação dos vazios urbanos, existentes em locais dotados de infraestrutura, por moradias, reduzindo a necessidade de deslocamentos diários dos bairros para a área central de São Paulo. O Tronco Metropolitano da Mobilidade Urbana compreende o trecho da rede da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) que começa nas

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proximidades da Estação Lapa e segue até a Estação Brás, com cerca de 10 quilômetros de extensão. Levando em consideração a proposta existente e a proximidade com o bairro do Jaguaré, foi proposto uma continuação do rebaixamento da ferrovia, passando pelo Rio Pinheiros e indo até a Estação de Osasco. Hoje a ferrovia no bairro, se torna uma barreira para a população, e divide a cidade de São Paulo e de Osasco em duas partes. O enterramento permite a requalificação de todo o entorno segregado pela ferrovia e garante uma integração das periferias com as centralidades. O pátio ferroviário existente, ganha um novo uso, e se integra com o parque proposto através de oficinas ligadas à Metrópole Fluvial.


6.3 adensamento Nas áreas de reparcelamento de antigas quadras industriais, é promovido um aumento de densidade construtiva e populacional, de forma a chegar a 285 habitantes/ha, tendo assim uma densidade maior que as presentes em distritos como a Vila Leopoldina, por exemplo. A maior densidade ocorre nas vias principais, onde há uma concentração de comércio e serviços junto à habitação, de forma a diminuir conforme vai adentrando na quadra. O local de menor densidade populacional ocorre na área próxima à rodovia, das indústrias criativas e na ecovila.

6.4 cota de solidariedade Em nosso projeto, adotamos a cota de solidariedade como forma de mesclar as diversas classes sociais presentes no bairro, inclusive no mesmo prédio, e como forma de oferecer infraestrutura para todos, sem discriminações, de forma que 50% das habitações presentes no prédio serão destinados à essa cota. Por exemplo, nessa área o empreendedor pode utilizar o coeficiente de aproveitamento negando a outorga onerosa. Mesmo as edificações comerciais e de serviço também entrarão na conta, de forma que a cada 150 metros quadrados construídos, equivalem à uma habitação social que precisa ser feita, sendo essa não necessariamente no mesmo prédio, podendo ser feita até à 500m de raio de onde foi realizado o empreendimento. 75


6.5 tipologia de quadras A tipologia de quadra dos Eixos estruturadores ocorrem nas vias Avenida Presidente Altino, Avenida Alexandre Mackenzie e Avenida Engenheiro Billings. Ela possibilita um maior adensamento populacional, devido à sua maior taxa de ocupação do solo (0,7) e coeficiente de aproveitamento (3,0). Foram escolhidas essas vias como centralidades lineares do bairro devido à sua maior dimensão, que comporta um maior fluxo de pedestres e veículos, possibilitando também por meio de seu uso misto, um comércio e serviço local. Além dessa tipologia que ocorre nas vias de maior porte, há outra que ocorre junto à rodovia e que também possibilita um maior gabarito (com um coeficiente de aproveitamento de 3,0), a tipologia de quadra das indústrias criativas. Nela a taxa de ocupação é menor (0,3) com a intenção de promover uma maior quantidade de áreas vegetadas e maior permeabilidade do solo, juntamente com uma área de maior fluxo de pedestres e de estar. Mais no interior das quadras e nas vias de menor porte, ocorre a Tipologia de Intraquadra, sendo predominantemente residencial, de uma taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamentos menores, quando comparados aos eixos estruturadores (respectivamente 0,5 e 2,0), com o intuito de ser um intermediário entre esses eixos e a Tipologia das Ecovilas, que também é predominantemente residencial, mas de um caráter mais baixo em questão de gabarito e de menor adensamento populacional e construtivo (Taxa de ocupação do solo de 0,5 e Coeficiente de aproveitamento do solo de 1,5). 76


7.

Ă rea de Reparcelamento 77


IMPLANTAÇão

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USO

GABARITO

Os usos propostos para a área de reparcelamento comple- Alguns desses usos são escola, cooperativa agrícola, corpo mentam os usos atuais, de maneira a atender a população de bombeiros, centro de apoio à mulher, UBS, equipamenexistente assim como o acréscimo populacional do projeto. tos culturais, oficinas, indústrias criativas, hostel, entre outros. 79


SISTEMA VERDE

Existem três elementos que compõe um Sistema Verde em nosso projeto, os parques, as biovaletas e as hortas: Os parques, além de oferecerem lazer e constituírem um sistema de áreas verdes qualificadas, o que atualmente está em falta na área de estudo, buscam reconciliar o meio ambiente com o urbano, trazendo o convívio ao longo das margens dos corpos d’água, como rios e lagoas. Esses espaços buscam conscientizar e ressaltar a importância de estabelecer um equilíbrio entre diferentes elementos da cidade, e a relação que estabelecem com o meio ambiente. Nesse contexto, faz-se uso de maciços arbóreos em vários momentos, para a proteção de espécies nativas e reinserção delas no meio urbano. As biovaletas ligam as áreas de maior declividade à áreas de menor declividade, de forma a desembocarem em bacias de retenção, como ocorre no recorte. A água da chuva desce pela encosta onde ocorre a horta, enche o lago e, quando chega em um nível muito

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alto, passe por uma barragem, que se abre, escoando a água para a biovaleta no nível da calçada, para então desembocar na outra bacia. Nesse percurso, ocorre o tratamento da água por meio de plantas em Wetlands, para que seja reutilizada nas hortas. Essas bacias criam espaços voltados para o lazer e o convívio entre as pessoas e a água. É importante denotar que o excesso de água pode ser utilizado para irrigar as hortas. As hortas acontecem em 3 escalas diferentes. A menor, que tem um caráter mais local, ocorre nos espaços entre os lotes das vilas, que podem aproveitá-la como um espaço de convívio e produção de alimento local, o que pode diminuir o custo de vida do morador, de forma que ele produza o próprio alimento. A escala intermediária é aquela que ocorre no caminho do pedestre, e tem como caráter o convívio e geração de alimento para o bairro. A escala maior é a da encosta, que está mais relacionada à renda e escoamento da produção pela metrópole fluvial.


Bacia de retenção Fiação telefônica + Elétrica Biovaleta + Sistema de Drenagem Sistema de Esgoto

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8.

Projetos individuais 85


1.ESCOLA TÉCNICA DE MANUTENÇÃO NÁUTICA A partir das carências levantadas durante o desenvolvimento do projeto, notamos a falta de equipamentos sejam eles públicos ou privados, os que lá existem, fiestão concentrados em uma determinada região do bairro - maior renda - sendo que a maior parte é composta por famílias com renda de 0 a 1 Salario Mínimo. Para melhorar tal situação, foi proposta a criação de uma escola técnica, visando aumentar a escolaridades daqueles que ali vivem, visto que é baixa, e com isso, dar a possibilidade de novas oportunidades de emprego em uma área especìfIcaPensamos em diretrizes, que de alguma forma, pudéssemos conectar o bairro com o seu entorno imediato, para isso, criamos um sistema de áreas verdes, integrando assim, parques propostos com os já

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matheus duarte

existentes. propussemos a USP como sendo um grande parque aberto e um grande polo de dispersao de conhecimento, e adotamos o Metrópole Fluvial, que tem como projeto a criação de um hidroanel metropolitano na cidade de São Paulo, fazendo uso dos leitos dos rios como canais navegáveis. Próximo ao entroncamento dos Rios Tiete com Pinheiros, foi criado um parque, integrando assim, o transporto proposto pelo Grupo Metrópole Fluvial e o projeto da Escola Técnica Náutica, que terá cursos voltado a manutenção mecânica e elétrica do barcos que serão utilizados para o transporte de pessoas, qualifIcando jovens e adultos e dando uma maior oportunidade de trabalho


2.Centro de Aprendizado de agroecologia Urbanaa maria taemi

Situado na cidade de São Paulo, o projeto Centro de Aprendizado de Agroecologia Urbana está inserido no plano urbano (entre)laços Jaguaré. Nele são propostas em alguns locais de vazio urbano a implementação de hortas, de maneira que o projeto tem como função ser um apoio à essa atividade e um local de difusão de conhecimento, que busca unir o produtor agrícola, o consumidor e quem produz o conhecimento e tecnologia. O centro busca fomentar a agricultura urbana, diminuindo a distancia entre o produtor e o consumidor e trazendo benefícios à cidade, como aumento de áreas permeáveis, reintrodução de alguns tipos de fauna no meio urbano, capacitação das pessoas e diminuição do custo de vida. Utilizando-se do conceito de agroecologia, que cria sistemas fechados e diversificados de produção, minimizando o impacto no meio ambiente, o projeto incentiva e utiliza-se de sistemas de reuso da água pluvial, compostagem dos resíduos orgânicos e tratamento de esgoto no local por meio de tanques de evapotranspiração.

Projeto BUXO 87


V

ponte habitável A Ponte Habitável surge a partir do estudo realizado no Projeto Urbano, garantindo a integração dos Parques Urbanos (Parque da Metrópole Fluvial, Parque linear ao longo do Rio Pinheiros e Parque Villas Boas), visando a conexão entre os dois bairros, Jaguaré e Vila Nova Leopoldina, que hoje se encontram segregados pela barreira do Rio Pinheiros. Retoma a importância que os rios possuiam na época antes da implantação das indústrias e da ferrovia, uma vez que permitiu com que os habitantes se sustentassem através do transporte fluvial, construção naval e pesca.

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vanessa mansur


VVTV Sophia luz

É CO - HABITAR A ideia do projeto surgiu mesmo antes de começar a fazer arquitetura, sempre pensei em como poderia mudar a vida das pessoas, proporcionando a elas o essencial/básico/o que é por direito delas, para viver com qualidade e dignidade. O projeto É CO-HABITAR consiste em um conjunto de habitações, no qual foi desenvolvido com a intenção de tratar tanto da VECO-HABITAÇÃO incorporando as questões sustentáveis e ecológicas - quanto do CO-HABITAR - viver coletivamente, de forma cooperativa. Como fonte de inspiração e referências, para o trabalho, foram analisadas e estudadas, o conceito e a forma de viver das Ecovilas hoje existentes. E o que são Ecovilas? Ecovila é um modelo de assentamento humano

sustentável no qual, as pessoas se unem por um propósito em comum. Este propósito varia de local para local, mas usualmente é baseado numa visão ecológica, social e espiritual. Para alcançar este objetivo sustentável e coletivo, as ecovilas incluem em sua organização muitas práticas como: produção local e orgânicas de alimentos, utilização de sistemas de energias renováveis, utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções (bioconstrução ou arquitetura sustentável), economia solidária, cooperativismo e rede de trocas, tratamento de esgoto local, entre outros. A partir das reflexões e compreensões do conceito de uma Ecovila, foi possível chegar de forma resumida em três aspectos essenciais que vão ser incorporados no projeto É CO-HABITAR.

FOTO

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PONTE PARQUE LINEAR Mariana Argondizio

O projeto de Ponte Parque Linear se desenvolve através da continuidade do eixo criado no projeto urbano de percurso verde, caracterizado pela priorização do pedestre. A ponte, além de exclusiva, receberá uma arquitetura

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paisagística (rasteira, arbustiva e arbórea) que conectará visual e linearmente os dois lados do Rio Pinheiros, reforçando o caráter ambiental, qualificando o percurso e, principalmente, rompendo a ideia do rio como barreira.


mariana semedo

PROJETO FÁBRICA DE NOVA CULTURA CENTRO DE APOIO O Centro de Apoio tem suas raízes originadas na comunidade Vila Nova Jaguaré, onde o Circuito Metropolitano de Funk ocorre da forma não institucionalizada, junto ao espaço público, na Rua 4 de Dezembro do bairro. E então, partindo destas manifestações, e ampliando seu escopo, é proposto um espaço para total liberdade de novas ideias, sonhos, trocas de experiência, e disseminação das artes,

sendo essas as principais intenções do projeto que irá se espacializar enquanto equipamento público regional, do outro lado do Rio Pinheiros, na histórica cobertura do CEAGESP, de maneira a quebrar barreiras físicas, sociais e criando novos laços conceituais sobre as formas de expressão, além de interagir com a tendência de concentração dos usos de mídias e cinema da Vila Leopoldina, tratando tanto o território quanto as artes em um só laço.

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NÚCLEO CULTURAL JAGUARÉ THAIS BÓBBO Durante o desenvolvimento do projeto Entrelaços, sendo um dos principais desafios a conexão entre as diferentes paisagens do bairro de Jaguaré, enquanto tendo como principal ferramenta a recuperação ambiental, percebe-se a urgência da intervenção no espaço público. O partido do projeto nasce da tentativa de compreender-se as relações entre a questão ambiental, a cidade e o cidadão, e a importância de haver um encontro entre essas três vertentes em um projeto. O Núcleo Cultural Jaguaré, nasce, então, um equipamento cultural associado à um equipamento de transporte público, num esforço de acolher e promover o encontro, oferecendo às pessoas um local de expressão cultural, lazer e descanso na cidade.

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9.

ReferĂŞncias 93


SITES: TEXTOS E LIVROS https://censo2010.ibge.gov.br/sinopseporsetores/?nivel=st AZEVEDO, A. A Cidade de São Paulo http://pdosasco.com.br/wp-content/uploads/2017/11/ Volume I Estudos da Geografia Urbana CadernoPlanoDiretorcompactado.pdf PISANI, Maria Augusta Justi. Indústria e favela no Jaguaré: o palimpsesto das políticas públicas de habitação social http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/lapa-sor.htm MACHADO BÓGOS, Lúcia Maria e PASTERNAK, https://pt.wikipedia.org/wiki/EstradadeFerroSorocabana Suzana. Como Anda São Paulo, Conjuntura Urbana 3 http://vfco.brazilia.jor.br/ferrovias/mapas/1898usiSPR. SGUIZZARD ABASCAL, Eunice Helena, shtml COLLET BRUNA, Gilda e BENATTI ALVIM, Angélica. Modernização e Modernidade http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/ . regionais/lapa/historico/index.php?p=328 http://identidadesp.com.br/jaguare/ http://www.saopauloantiga.com.br/jaguare-e-bunge/ http://www.spbairros.com.br/jaguare/ http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,jaguareum-dos-primeiros-bairros-planejados-de-saopaulo,1778841 https://tecnologia.umcomo.com.br/artigo/como-fazeruma-linha-do-tempo-26030.html http://www.favelasaopaulomedellin.fau.usp.br/geoportal/ h t t p : / / w w w. m e t ro p o l ef l u v i a l . f a u . u s p . b r / 94

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(Entre)Laços Jaguaré  

Trabalho Final de Graduação (Urbano) - Equipe: Maria Taemi, Mariana Argondizio, Mariana Semedo, Matheus Duarte, Sophia Luz, Thais Bobbo, Van...

(Entre)Laços Jaguaré  

Trabalho Final de Graduação (Urbano) - Equipe: Maria Taemi, Mariana Argondizio, Mariana Semedo, Matheus Duarte, Sophia Luz, Thais Bobbo, Van...

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