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1ª Edição - 2017

NAZARÉ MARÉS DE MAIO |

Agenda

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Património

Distribuição gratuita

Concelho

Concelho da Nazaré

Nazaré, Sítio, Pederneira, Valado dos Frades e Famalicão.

Eventos

Agenda com os eventos, festas e romarias anuais.

Monumentos

Património existente no concelho.


Com uma história de 59 anos ao serviço da comunidade, o Externato Dom Fuas Roupinho é um projeto para a vida, sempre assente na relação familiar, na segurança, na exigência e nos resultados. O EDFR tem promovido o desenvolvimento integral dos seus alunos, concretamente ao nível dos resultados académicos, evidenciando a acentuada diferença de 738 lugares no ranking das escolas comparativamente à mesma oferta existente no concelho da Nazaré. Segundo fonte Expresso, o Externato Dom Fuas Roupinho ocupa o 3º lugar no distrito no sucesso escolar no ensino básico com 10,43% e a 9ª posição no ensino secundário, com 2,6%, evidenciando ainda uma subida de 86 lugares no ensino secundário no ranking nacional, resultados para os quais têm contribuído o seu Projeto Educativo diferenciador, de elevada qualidade de ensino, de exigência, de rigor, que assegura simultaneamente um clima de afetividade numa relação muito próxima com Alunos e Encarregados de Educação, promotora de uma comunidade educativa feliz. A constante melhoria dos resultados académicos é assim um indicador do compromisso do Externato Dom Fuas Roupinho para o futuro, continuando de mãos dadas com a comunidade, fortemente empenhado na sua missão de formação de cidadãos autónomos, responsáveis, criativos, competentes e empreendedores, culturalmente exigentes e comprometidos com a sociedade, em linha com a concretização dos resultados académicos, pessoais e sociais, reconhecidos no sucesso escolar nas suas diversas dimensões: o saber e o saber fazer nas necessárias aprendizagens e o saber ser e saber estar, nas atitudes e valores e, fundamentalmente, pelo sucesso ao longo da vida.


ÍNDICE Inicativas Nazaré Marés de Maio Marés de Maio Biblioteca da Nazaré Nazaré Sítio da Nazaré Lenda da Nazaré Museu Dr. Joaquim Manso Pederneira Valado dos Frades Famalicão Igreja de São Gião Ondas Gigantes Agenda da Páscoa Agenda das Festas Meia Maratona Int. Nazaré Carnaval Evento Gastronómico Externato D. Fuas Roupinho REVISTA NAZARÉ MARÉS DE MAIO 2017 Edição: Grupo de Trabalho Nazaré - Marés de Maio Propriedade: Casa do Adro - Associação Cultural Morada: Travessa do Pocinho, 2 | Pederneira 2450 - 060 Nazaré NIPC: 513 395 806 Coordenação: Rui Gerardo Paginação: Miriam Conceição Fotografia: Vitor Estrelinha - CMN, Museu Dr. Joaquim Manso da Nazaré, Casa do Adro - Associação Cultural Impressão: MX3 Tiragem: 1.000 exemplares Periodicidade: Anual Distribuição: gratuita Colaboradores: Ângelo Godinho, Cecília Louraço, Dóris Santos, Eugénio Couto, Graciano Dias, João Paulo Delgado, Rui Gerardo, Sara Vidal, Susete Cardoso, Câmara Municipal da Nazaré, Confraria Nossa Senhora Nazaré E-mail: nazaremaresdemaio@gmail.com

Secagem do Peixe Porto da Nazaré Qualidade das Águas Clube Naval da Nazaré Pesca na Nazaré Forte de São Miguel Arcanjo For-Mar Casa do Adro Liga dos Amigos da Nazaré Mútua dos Pescadores Lixo nos Mares

04 05 07 08 12 14 18 20 22 26 28 30 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58 60 62 64 66 68 70

Próxima Edição: Abril de 2018

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Iniciativas Nazaré Marés de Maio 2017 Danças que falam do Mar

Exposição centrada na tradição musical da Nazaré, nomeadamente nos grupos folclóricos que têm feito a sua história popular desde o início do século XX até à atualidade, patenteando como as suas danças e letras traduzem a relação identitária da região com o Mar. Data de Realização: 22 de Abril a 21 Maio de 2017 no C. C. da Nazaré Organização: Museu Joaquim Manso

O Mar na Literatura

Exposição de livros e fotografias sob o tema em título no Centro Cultural da Nazaré. Colóquio/Debate com a intervenção dos escritores Jaime Rocha, João de Melo e M. Parissy. Data de Realização: 22 Abril a 21 Maio de 2017 e Colóquio a 5 Maio de 2017 Organização: Biblioteca da Nazaré

Pintar as Palavras

Sessão de expressão plástica a partir da leitura de um poema sobre o Mar, do poeta Armando Côrtes Rodrigues — “Sinfonia de cor”. Data de Realização: 2 a 6 Maio de 2017 Organização: Casa do Adro, Associação Recreativa Pederneirense e Externato D. Fuas Roupinho

Danças e Intercâmbio Cultural

Workshop de dança; Espetáculos de dança junto do Centro Cultural da Nazaré e no Cine - Teatro da Nazaré; Visita no Comboio Turístico. Data de Realização: 5 a 7 Maio de 2017 Organização: Agrup. Escolas Abel Salazar e Externato Dom Fuas Roupinho

Coro dos Trabalhadores da Mútua dos Pescadores/ Ponto Seguro Actuação do Coro no Centro Cultural da Nazaré Data de Realização: 5 Maio de 2017 Organização: Mútua dos Pescadores

Dia do Pescador Terceira sessão do “Nazaré Festa de Filmes do Mar”. Apresentação do projeto “Mar sem Lixo” pela APLM. Degustação de cavala e carapau enjoado pela Escola Profissional da Nazaré. Data de Realização: 27 de Maio de 2017, no United Lounge Nazaré (Porto de Abrigo) Organização: APLM, Casas do Quico, Doca Pesca, Escola Profissional da Nazaré, Museu Dr. Joaquim Manso, Mútua dos Pescadores

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Nazaré Marés de Maio

Ilustração de um Conto

Uma história sobre o Associativismo ilustrada em banda desenhada elaborada pelos alunos do 5º e 6º Anos do Agrupamento de Escolas da Nazaré. Data de Realização: 8 a 21 Maio de 2017 Organização: ACISN

Economia social... E o Mar Aula aberta com os objectivos: 1)A promoção do conhecimento sobre a Economia Social e o seu papel na construção de uma sociedade mais equilibrada; 2) Divulgação do trabalho das organizações e a sua ligação ao Mar; 3)Promover o debate na comunidade escolar sobre esta temática. Data de Realização: 11 Maio de 2017 Organização: Mútua dos Pescadores, EPN, ACISN e CERCINA

Mostra e degustação Peixe Seco

Mostra e degustação de Peixe Seco/Enjoado ao melhor estilo da Street Food. Porque a tradição é agora. Receitas do Chef António Alexandre. Data de Realização: 13 Maio de 2017 Organização: Maria do Mar

Voando sobre uma Praia de Gaivotas

Exposição “Voando sobre uma praia de gaivotas” Trabalhos dos alunos do 11.º ano do curso de Artes Visuais do Externato D. Fuas Roupinho, inspirados na Gaivota e no Mar da Nazaré, estabelecendo a ligação com a obra artística do ceramista Mário Reis. Comemoração da Noite dos Museus com animações de rua, flashmob e videoprojeção na fachada da Capitania do Porto da Nazaré, executada pelos alunos. Data de Realização: 18 a 31 Maio de 2017 Organização: Externato Dom Fuas Roupinho e Museu Dr. Joaquim Manso

Perspectivas D’O Sítio Representação do espaço urbano da Nazaré pelo 10.º Ano do Curso de Artes Visuais do Externato D. Fuas Roupinho apresentando lado a lado fotografias do acervo do Museu e os trabalhos realizados pelos alunos. Data de Realização: 18 a 31 Maio de 2017 Organização: Externato D. Fuas Roupinho e Museu Dr. Joaquim Manso

De MAR a MAR

Sequência de imagens reais e/ou documentais de factos históricos, que explicam e/ou identificam a evolução morfológica da zona em que a Pederneira/Nazaré se foi implantando e das características sociológicas da sua população, desde os povoamentos mais antigos até à atualidade. Data de Realização: 21 Maio de 2017 Organização: Casa do Adro e Associação Recreativa Pederneirense

Festa de Filmes do Mar Exibição, discussão e criação de filmes sobre o Mar e as gentes do Mar, com três objetivos essenciais: 1)exibir filmes sobre o Mar e as gentes do Mar, nomeadamente filmes de arquivo de instituições e/ ou de particulares, bem como filmes contemporâneos sobre esta temática; 2)refletir e debater publicamente sobre os desafios do presente e do futuro relativamente ao Mar e às comunidades que dele mais dependem; 3)criar novas obras documentais com ligação à temática do Mar e das gentes do Mar. Data de Realização: 26 e 27 Maio de 2017 Organização: Casas do Quico, Mútua dos Pescadores e Museu Dr.Joaquim Manso

Pelos que andam sobre as águas do Mar Partindo do livro de Raul Brandão e do trabalho de pesquisa junta das comunidades presentes em ‘Os Pescadores’, este espetáculo pretende refletir e homenagear as várias gerações de homens e mulheres que fizeram do mar a sua vida. Data de Realização: 22 a 27 Maio de 2017 Organização: GALATEIA, com apresentação na antiga Casa da Câmara, Pederneira

O Teu, O Meu, O Nosso Lixo Marinho

Contactar com evidências do impacto do lixo marinho, compreender a importância da acção individual e local para minimizar o problema, foram os objectivos desta exposição. Data de Realização: 24 Maio a 11 Junho de 2017, no Centro Cultural da Nazaré. Organização: APLM

Semana Gastronómica

Mostra gastronómica que decorreu em diversos restaurantes da Nazaré, associados da ACISN. Data de Realização: 20 a 28 de Maio de 2017 Organização: ACISN


Nazaré Marés de Maio O NAZARÉ-MARÉS de MAIO é um evento com realização anual, durante o mês de Maio, coordenado por um Grupo de Trabalho constituído por Cecília Louraço e Sara Vidal (Casa do Adro-Associação Cultural), Manuel Sequeira (Município da Nazaré), Dóris Santos (Museu Dr. Joaquim Manso – Museu da Nazaré), Susete Cardoso (Externato Dom Fuas Roupinho), Graciano Dias (ACISN-Associação Comercial, Industrial e de Serviços da Nazaré), João Delgado (Mútua dos Pescadores), Eugénio Couto e Ângelo Godinho (Liga dos Amigos da Nazaré), João Simãozinho (Confraria de Nossa Senhora da Nazaré)

dos habitantes do concelho, mesmo nas freguesias rurais, ainda que, naturalmente, com um peso diferente em relação aos habitantes da sede de concelho. O Mar é elemento transversal, não só ao concelho da Nazaré como a toda a região. Melhor dizendo, o Mar, não é só símbolo do concelho ou da região, é, porventura, o principal símbolo nacional, deste país atlântico, com uma costa extensa em que o Mar é elemento de ligação de povos, regiões, cruzador de culturas, fomento de riqueza e de uma particular forma de estar que nos identifica.

e Rui Gerardo. NAZARÉ – MARÉS DE MAIO tem por objetivo central a promoção cultural, artística e identitária de um território - o concelho da Nazaré - tendo o MAR como elemento aglutinador e denominador comum a todas as iniciativas e áreas a abordar e desenvolver.

O Mar como nenhum outro elemento da natureza moldou o território, a nossa cultura, os nossos hábitos alimentares, os nossos ritmos de vida, deu-nos oportunidades e também profundas tristezas.

Porquê o Mar?

Marés pela sua simbologia enquanto fenómeno natural regular de esvaziamento / enchimento / transformação que influencia e é determinante para uma

Nenhum outro elemento da natureza como o Mar, tem um peso tão acentuado na forma como moldou as características

Porquê Marés?

maior ou menor oportunidade de sucesso da atividade humana.

Porquê Maio? Em Maio, dever-se-á captar os visitantes e dar-lhes motivos e condições únicas para voltarem várias vezes ao ano. Num concelho em que o turismo assume uma relevância cada vez maior, serão os seus aspetos diferenciadores e absolutamente inimitáveis que permitirão, a um concelho com estas características, assumir a sua marca e a sua natureza, como mais-valias de peso que conduzirão ao seu desenvolvimento sustentado e sustentável.

Na sua primeira edição as iniciativas integradas no Nazaré-Marés de Maio 2017 foram subdivididas em áreas de atuação, tendo em atenção o referido denominador comum: • Científicas e de Sensibilização Ambiental • Culturais – Artísticas, Literárias e Educativas • Desportivas • Turísticas e Gastronómicas • Comunidade Escolar PUB

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Nazaré - “Marés de Maio”, quer ser o elemento

A ACISN é uma Entidade sem fins lucrativos, que

uma via alternativa, em breve se tornará na principal

catalisador do que se pretende seja uma aposta forte

tem a sua história construída na força de algumas

via de acesso ao sonho. O sonho roubado a muitos

na descoberta de tudo o que de melhor tem para

vontades, no espírito de iniciativa e na determinação dos

por não haver caminho até lá…

oferecer às nossas gentes, a quem nos visita, a quem

Empresários do Concelho da Nazaré, que conseguem

João Delgado - Vice-Presidente da Mútua dos

queremos que passe a visitar-nos, quer sejam nas

com a sua resiliência, ultrapassar as dificuldades que

Pescadores

marés vivas, praia-mar ou baixa-mar, sejam em

a sazonalidade lhes impõe, construindo as suas vidas

Maio, Junho … Abril, “Marés de Maio” o ano inteiro,

e as dos seus familiares com toda a dedicação. Representa

O “Nazaré Marés de Maio” surgiu da vontade

um movimento agregador de todas as vontades

cerca de quatrocentos Associados de vários sectores

de existir um projeto coletivo de participação

singulares ou colectivas que tenham algo a aportar

de actividade da economia do Concelho, e tem como

e promoção cultural e turística da Nazaré, visando

para tornar a Nazaré ainda mais atractiva e sustentável.

missão promover e ajudar os seus Associados no

a coordenação concertada de iniciativas, oriundas das

Há mais marés que marinheiros, diz o ditado, “Marés

desenvolvimento das suas actividades, prestando-lhes

mais diversas entidades e enquadramentos organizativos,

de Maio” só há uma, a da Nazaré …. sem sombra

todos os serviços possíveis que sejam adequados

numa agenda comum, em torno

de dúvida.

às suas necessidades de funcionamento. A ACISN

do denominador comum - o MAR.

Eugénio Couto - Direcção da Liga dos Amigos da Nazaré

orgulha-se de fazer parte deste grupo de Instituições

Articular pessoas, com visões diferentes, formas

e Entidades que estão a construir o “Nazaré Marés de

de trabalhar diferentes, nem sempre é fácil; mas,

O Nazaré - Marés de Maio ficará registado na nossa

Maio” na partilha de esforços, e com o único objectivo

colocar essa diversidade em prol de uma estratégia

memória e no adn do projecto que em 2016 levámos

de promover a Nazaré.

comum, traduz-se em ganhos sempre mais gratificantes

pela primeira à Nazaré. Era ainda um exemplar

O “Nazaré Marés de Maio” é uma Organização

do que os resultantes de atividades unilaterais.

de um sonho. Da terra descrita por Raul Brandão

de Cooperação de várias Entidades do Concelho

E os reptos foram chegando ao longo de maio; de dentro

pouco encontrámos. Não vimos barcos encalhados,

da Nazaré, que se associaram numa demonstração

e de fora da Nazaré, de perto e de longe, foram cada

não vimos a praia de negro, não ouvimos os gritos

clara de que é possível agregar e criar em conjunto,

vez mais os parceiros a associarem-se ao “Nazaré

e as descomposturas das mulheres. As ruas estavam

sem que nenhuma delas perca a sua identidade.

Marés de Maio”.

no entanto agitadas, ouvia-se o bramido do mar e o

“Quando as Entidades e as Instituições da Sociedade

O saldo deve ser contabilizado mais do que pelo

vento inspirava qualquer mudança. Um ano passou

Civil se empolgam as Marés crescem”

número de iniciativas e de participantes (também ele

e o projecto tornou-se palco de encontros. O vento

Graciano Dias - Presidente da ACISN-Associação

significativo); sobretudo pelo que essas dinâmicas

não engana. Esquecemo-nos que erámos de fora

Comercial, Industrial e de Serviços da Nazaré.

podem ter significado em termos de transformação

e rapidamente tratámos por tu os que nos rodeavam,

pessoal e cultural para quem nelas participou.

como se há muito nos encontrássemos. Obrigada

Marés de Maio

E esse saldo é certamente positivo, embora só o tempo

acima de tudo, por isso! Só podemos desejar que

O projecto Marés de Maio foi uma oportunidade para

e, sobretudo, a continuidade de projetos como este,

as vossas Marés prosperem, que mantenham o espírito

redescobrirmos os caminhos velhos e abrir novos rumos,

possam assegurar o que, em maio de 2017, se iniciou.

de cooperação e que juntos possam continuar

para continuar a viagem. Foi uma encruzilhada

Dóris Santos.

a desenvolver algo tão único e tão importante!

de várias opções de destino, todas promissoras quando

Coordenadora do Museu Dr. Joaquim Manso

O nosso obrigado a toda a organização, à Associação

se tem a vontade de construir uma realidade nova,

Casa do Adro e à Câmara Municipal da Nazaré por

alicerçada em potencialidades há muito confirmadas.

Que venham mais marés de criatividade banhar

terem possibilitado que o nosso sonho se tornasse

Pelo caminho fomos encontrando alguns obstáculos

a Nazaré, Sítio e Pederneira!

aí realidade.

que nos obrigaram a fazer um desvio, mudar

Seja em que altura do ano for, o incremento

Pl´A equipa de PELOS QUE ANDAM SOBRE AS

de direcção, recuperar um companheiro de jornada

e diversificação da oferta cultural na região será um

ÁGUAS DO MAR

que tinha ficado para trás.

importante contributo para a melhoria da qualidade

Raquel Belchior, Miguel Jesus, Vanessa Amorim ,

Agora, é definir o percurso certo, afastar os escolhos,

de vida dos Nazarenos, bem como para o reforço

Suzana Branco

trazer outros amigos e continuar a viagem.

da atractividade da Nazaré para os seus visitantes.

Maria Cecília Louraço - Membro da Direcção da

Célia Quico- Casas do Quico/ Quico Turismo Lda.

O Nazaré Marés de Maio é um impressionante projeto

Casa do Adro-Associação Cultural

de união em prol da Nazaré, promovendo as mais diversas atividades identitárias através da conjugação

O Nazaré Marés de Maio é uma Ponte. Uma Ponte

Há trinta anos a Nazaré promovia-se através das

de esforços altruístas dos membros da organização,

de engenharia improvável e de arquitetura não menos

suas praias e tradições. Hoje, apesar de relevante não

que teimosamente conseguiram superar as expectativas

complexa. As margens que pretende unir estão

chega. A Nazaré e o seu concelho tem de ser promovido

previstas com os ainda poucos parceiros, apoios

separadas há uma humanidade inteira. As arribas

de forma diferente. A Nazaré precisa de descobrir

e recursos existentes.

onde devem assentar as “sapatas” da Ponte são

o caminho do consumo, «vendendo» turismo cultural,

O Nazaré, Marés de Maio foi implementando com

difíceis de consolidar – o terreno é argiloso. O rio que

natural e paisagístico, nunca se dissociando

a dinamização de inovadoras e interessantes

corre em baixo é bravo e ameaça engolir tudo a todo

da cultura do mar. E o Nazaré-Marés de Maio, sendo

iniciativas de qualidade nas mais diversas áreas que

o momento. É ele o principal inimigo da Ponte que

um conjunto de parcerias de entidades públicas

enriqueceram a Nazaré, concretamente na importante

deve unir vontades, resolver necessidades evidentes

e privadas associadas a sectores de atividades

valorização da cultura da Comunidade Nazarena,

e acrescentar outra mundivisão aos que se encontram

dos mais importantes do concelho, é e será o contributo

proporcionando inúmeros momentos de fraterno

na margem direita do rio. O projeto tem a ambição de

indispensável no impulso promocional visando como

convívio, cooperação, partilha, aprendizagem e sen-

uma vida. Só está ao alcance dos construtores mais

objetivo essencial o desenvolvimento socioeconómico

sibilização para a enorme riqueza cultural, artística,

preparados e destemidos que no processo de construção

do concelho da Nazaré.

paisagística, ambiental, desportiva e gastronómica

da Ponte, a eles mesmo se constroem. Atingimos

Rui Gerardo

da Nazaré, que levaram a um olhar mais atento para

recentemente a outra margem! Estamos prestes

Membro e coordenador do Grupo de Trabalho

o Concelho Nazareno.

a tirar as traves provisórias de suporte. Vamos ver

Susete Cardoso- Direção Pedagógica do Externato

como se aguenta a jovem Ponte. Ao afirmar-se como

Dom Fuas Roupinho

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Nazaré Marés de Maio


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Agenda

Feira do Livro

Período de Julho a Agosto Associação

Biblioteca da Nazaré

A Biblioteca da Nazaré é uma associação cultural fundada em 2 de Abril de 1939 com o objectivo principal, expresso nos seus estatutos, “a promoção por todos os meios ao seu alcance, da cultura e do gosto pela leitura”. Esta aspiração central uniu um número considerável de ilustres personalidades, interessadas na promoção da cultura, das quais destacamos o Dr. Branquinho da Fonseca ao tempo exercendo a actividade profissional na Nazaré, e o Dr. José Maria Carvalho Júnior, que desempenharia durante mais de 20 anos o cargo de Director da Biblioteca. A Biblioteca da Nazaré viveu sempre para lá da intenção do seu nome… na sua imperecível irreverência não se limitou à divulgação do livro e da leitura, antes desenvolveu um mar de atividades culturais com uma forte inclinação para intervir na sociedade em que se integra… sempre do mesmo lado… Transformou a Feira do Livro na Festa do Livro com todos os eventos que nela se realizam, hora do conto, prova literária, poesia à solta, ronda literária… em cada escritor um amigo; Organizou colóquios, fez exposições de todo o tipo, levando até a Biblioteca para a rua na exposição “Nazaré na sua imprensa e no livro”; Resistiu… Resiste Sempre… Festejou e fez Abril; Colaborou com as escolas organizando Mostras de Teatro para a infância, Concursos de Leitura Expressiva, acções de formação, torneios de xadrez; Fez alfabetização para adultos com o método Paulo Freire nos anos 70; Levou os livros junto dos que não podiam vir à biblioteca, dinamizando diversas bibliotecas móveis: Colónia Balnear da Nazaré, Liga dos amigos de Fanhais, Jardim infância /Fanhais, Lar de idosos C.N.S.N., Jardim Infantil C.N.S.N., Centro Recreativo dos Raposos, Associação dos Idosos da Pederneira, Centro Comunitário; Organizou passeios históricos demonstrando que a passear também se aprende; Trouxe os autores junto dos seus leitores; encontro de coros, espetáculos, música, o saudoso Lopes Graça; Nestes 78 anos guardámos e construímos sonhos, erguemos a PALAVRA como quem ergue um punho desafiando a espessa noite em que habitamos… Aqui persistimos.

Texto e Foto: Biblioteca da Nazaré

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Concelho da Nazaré

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Nazaré Marés de Maio Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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“Terra de Imagens e Inspirações” Considerada por muitos como a mais típica praia de Portugal, encanta o visitante pela sua beleza natural. O clima ameno, as gentes simpáticas e hospitaleiras, uma luz magnífica, as tradições e artes de pesca fizeram da Nazaré musa de pintores e artistas, celebrada em todo o mundo. A formosa enseada nazarena é protegida e abrigada pelo seu majestoso promontório, no cimo do qual se encontra o Sítio da Nazaré. Parte integrante da vila, ao Sítio deve-se chegar no ex-libris da terra, o Ascensor, que proporciona uma vista memorável dos horizontes da praia. Lá no alto do Sítio, do Miradouro do Suberco, o olhar perde-se num dos

mais belos panoramas marítimos do país. Aqui, lenda e religiosidade encontram -se no culto de Nossa Senhora da Nazaré. A Pederneira, núcleo primitivo da comunidade piscatória, é a guardiã tranquila das memórias de outras eras. Outrora porto de mar dos Coutos de Alcobaça e activo estaleiro naval, hoje contempla a praia que se estende a seus pés. O Porto de Pesca e Recreio, a sul da praia, faz a síntese da história da vila, onde passado e presente se aliam para melhorar o futuro dos nazarenos. Percorrer as ruas estreitas, perpendiculares ao mar, onde a vida transcorre ao ritmo de ventos e marés, é descobrir a essência destas gentes. Expansivas

e alegres, escondem tristezas num sorriso aberto, falam a cantar e encantam pelo seu modo de ser e de vestir. Envolta em cheiros de sal e maresia, a Nazaré convida os seus visitantes a degustarem umas belas sardinhas assadas, o famoso peixe-seco ou uma suculenta caldeirada, entre outras iguarias típicas da beira-mar. Vibrante, desportiva, animada, para férias, lazer ou passeio, a Nazaré dispõe de todos os encantos para o fazer regressar. Entre nas ondas da nossa praia… Ana Adelaide Hilário e Carlos Fidalgo Gabinete de Gestão do Património e Cultura Câmara Municipal da Nazaré Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Nazaré Marés de Maio


Concelho da Nazaré

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Sítio da Nazaré

No topo da escarpa do promontório da Nazaré, segundo a Lenda da Nazaré, a primeira construção terá sido a ermida erguida por iniciativa de D. Fuas Roupinho em 1182, sobre uma gruta onde, após a invasão muçulmana da Península Ibérica, a imagem de Nossa Senhora da Nazaré terá sido escondida.

Na origem do povoamento do promontório do Sítio estão as condições naturais e o sentimento religioso, advindo do milagre de Nossa Senhora da Nazaré. Devido ao difícil acesso, o Sítio apenas se começou a desenvolver em meados do século XVII, crescendo bastante ao longo do século seguinte. A instalação de um elevador mecânico, para ligação entre o Sítio e a Praia, em 1889, veio dar um novo incremento populacional ao lugar, já então muito visitado por romeiros e peregrinos.

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Nazaré Marés de Maio

Património

Santuário de Nossa Sra. da Nazaré

O Centro do Sítio da Nazaré é um largo enorme embelezado por um coreto e terminando numa varanda sobre o mar. Do casario sobressaem o antigo Palácio Real, o Teatro Chaby Pinheiro, a Ermida da Memória e o Santuário da Nossa Senhora da Nazaré, importante centro de peregrinação portuguesa da época moderna, tendo-se verificado um crescente número de peregrinos a partir do século XVII.

História Em 1377, o Rei D. Fernando mandou construir a primitiva igreja para albergar a sagrada imagem e dar acolhimento ao grande número de peregrinos em visita à Senhora da Nazaré. Esta foi ampliada nos reinados de D. João I, D. João II e D. Manuel, sofrendo sucessivas beneficiações. É um grande edifício, dominado por duas altas torres sineiras de coruchéus, em estilo barroco, antecedido por uma ampla galeria alpendrada, em lioz, mandada erguer por D. Manuel, para alojar os romeiros. Todo o edifício atesta sobretudo a grande reforma do final do século XVII (1680 a 1691). O interior é de uma só nave, em forma de cruz latina, coberta por um teto de madeira pintado. Na boca da Tribuna encontrava-se uma grande pintura sobre tela, alusiva ao milagre de Nossa Senhora da Nazaré a D. Fuas Roupinho, que pode ser admirada à entrada da nave do lado esquerdo. O altar-mor ostenta um retábulo de talha dourada de estilo nacional, com colunas salomónicas e aplicações de mármore, do final do século XVII.


No Trono, admira-se a venerada imagem de Nossa Senhora da Nazaré, de madeira policroma e tez morena. A sagrada imagem está envolta num manto verde bordado a ouro, oferta de D. João V à Virgem. A separação da capela-mor do corpo da igreja é feita por uma colunata em pau-santo e alguns belos pilares de embutidos em mármore italiano, trabalho oitocentista. No transepto, em dois altares colaterais, veneram-se, do lado do Evangelho – São José e do lado da Epístola – Nossa Senhora do Rosário de Fátima. O cruzeiro é coberto por uma grande cúpula, rematada por um zimbório, obra executada em 1837. O arco mestre é totalmente preenchido com decorações de talha dourada e embutidos, relativos aos principais círios que anualmente aqui se deslocavam, terminando pelo escudo real entre volutas. No corpo da igreja existem quatro altares em talha dourada de 1756, sendo os da direita dedicados a São Francisco Bórgia e a São Joaquim e os da esquerda a Santo António e a Santa Ana. Nas paredes dos topos do transepto distribuem-se vários painéis de azulejos azuis e brancos, do início do século XVIII, de decoração holandesa, assinados pelo mestre Willem Van der Kloet, retratando episódios do Antigo Testamento (cenas da vida de David e de José do Egipto). Da mesma época, nas paredes da Sacristia, existe um silhar de azulejos azuis e brancos, figurando profetas, atribuídos a António de Oliveira Bernardes, que executou igualmente parte dos revestimentos azulejares dos corredores e da escada da Tribuna. A restante decoração de azulejos, nos corredores de acesso à Sacristia, deve-se ao mestre Manuel Borges. Ainda na Sacristia podem ver-se duas tábuas e várias telas de finais de seiscentos, descrevendo a Lenda de Nossa Senhora da Nazaré, do pintor leiriense Luís de Almeida, seguidor da escola de Josefa de Óbidos. No coro, assente sobre robustas colunas estriadas e de tecto apainelado com ornatos, subsiste um cadeiral procedente do Convento de Cós. A Igreja e os azulejos que a revestem estão classificados, desde 1978, como IIP (Imóvel de Interesse Público).

Origem: Wikipédia (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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História

Lenda da Nazaré Conta a Lenda da Nazaré que, ao nascer do dia 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava junto ao litoral, envolto por um denso nevoeiro, quando avistou um veado que de imediato começou a perseguir. O veado dirigiu-se para o cimo de uma falésia. D. Fuas, no meio do nevoeiro, quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta onde se venerava uma imagem de Nossa Senhora com o Menino. Rogou então, em voz alta: Senhora, Valei-me! De imediato, miraculosamente, o cavalo estacou, fincando as patas no penedo rochoso suspenso sobre o vazio, o Bico do Milagre, salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros. D. Fuas desmontou e desceu à gruta para rezar e agradecer o milagre. De seguida mandou construir uma capela sobre a gruta, em memória do milagre, a Ermida da Memória, para aí ser exposta à veneração dos fiéis a milagrosa imagem. Antes de entaipar a gruta os pedreiros desfizeram o altar ali existente e, entre as pedras, inesperadamente, encontraram um cofre em marfim contendo algumas relíquias e um pergaminho, no qual se identificavam as relíquias como sendo de São Brás e São Bartolomeu e se relatava a história da pequena imagem esculpida em madeira, policromada, representando a Santíssima Virgem Maria sentada num banco baixo a amamentar o Menino Jesus. Segundo o pergaminho, a imagem terá sido venerada desde os primeiros tempos do Cristianismo em Nazaré, na Galileia, terra natal da Virgem Maria. No século quinto, o monge grego Ciríaco transportou-a até ao mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida. Ali permaneceu, até 711, ano da batalha de Guadalete, após a qual, desbaratadas pelos muçulmanos, as forças cristãs fugiram desordenadamente

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para norte. Quando a notícia da derrota chegou a Mérida, os monges de Cauliniana prepararam-se para abandonar o mosteiro. Entretanto, D. Rodrigo, o rei cristão derrotado, conseguira escapar do campo de batalha e, disfarçado de mendigo, refugiara-se incógnito em Cauliniana. Porém, ao confessar-se a um dos monges, frei Romano, teve de dizer quem era. O monge propôs-lhe fugirem juntos para o litoral atlântico e levarem consigo a muito antiga imagem de Nossa Senhora da Nazaré, que se venerava no mosteiro com fama de muito miraculosa. A 22 de Novembro de 711, chegaram ao seu destino e instalaram-se no monte Seano, hoje Monte de São Bartolomeu,

numa igreja abandonada que lá encontraram. A existência de um mosteiro nas imediações, do qual subsiste a igreja de São Gião, deve ter sido um factor determinante para a escolha deste destino final da fuga. Passado pouco tempo separaram-se para viver como eremitas. O rei ficou no monte, o monge levou consigo a imagem e instalou-se a três quilómetros do monte, numa pequena gruta no topo de uma falésia sobre o mar. O rei Rodrigo, passado um ano, decidiu abandonar a região. Frei Romano continuou a viver no eremitério subterrâneo até à sua morte. A sagrada imagem de Nossa Senhora da Nazaré continuou sobre o altar onde o monge a colocou até

1182, quando se dá o milagre D. Fuas segundo a lenda, a imagem permanece pois, desde 711-712, no mesmo sítio, o Sítio da Nazaré. Em 1377, o rei D. Fernando, devido à significativa afluência de peregrinos, mandou construir, perto da capela, uma igreja para a qual foi transferida a imagem de Nossa Senhora da Nazaré. A popularidade desta devoção na época dos Descobrimentos era tamanha entre as gentes do mar, que tanto Vasco da Gama, antes e depois da sua primeira viagem à Índia, quanto Pedro Álvares Cabral, vieram em peregrinação ao Sítio da Nazaré. Entre os muitos peregrinos da família Real destacamos a rainha D. Leonor de Áustria, terceira mulher do rei D. Manuel I, irmã do imperador Carlos V, futura rainha de França, que permaneceu no Sítio alguns dias, em 1519, num alojamento de madeira construído especialmente para esta ocasião. Também S. Francisco Xavier, padre jesuíta, o Apóstolo do Oriente, veio em peregrinação à Nazaré antes de partir para Goa. Foram aliás os Jesuítas portugueses os grandes propagadores deste culto em todos os continentes.

Texto: Wikipédia (Adaptado) Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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Património

Ascensor da Nazaré No espaço de 3 minutos, o Ascensor da Nazaré percorre uma distância de 318 metros (50 dos quais em túnel), com uma inclinação de 42%, a Praia ao Sítio. O Ascensor da Nazaré foi construído para facilitar as deslocações ao Sítio da Nazaré que, devido à sua elevação, era de difícil acesso. O projeto inicial foi da autoria de um dos discípulos de G. Eiffel, Raul Mesnier de Ponsard, e foi inaugurado a 28 de Julho de 1889. Originalmente funcionava a vapor, apenas na época balnear (estando aberto todo o ano já nos anos 1930). As cabinas tiveram libré vermelha até à renovação de 2002; inicialmente, transportavam 60 passageiros. Foi adquirido em 1924 pela Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, gestora do Santuário, e em 1932 passou para as mãos da Câmara Municipal. A 15 de Fevereiro de 1963 sofreu o único acidente da sua história devido à rotura do cabo, de que resultaram dois mortos. Esteve parado cinco anos e reabriu em 1968, funcionando a electricidade e dotado de melhores sistemas de segurança com um triplo sistema de travagem. Em 2002 beneficiou de uma remodelação profunda] com substituição das cabinas nova libré azul e renovação dos terminais. Hoje em dia, o Ascensor da Nazaré é um funicular moderno, muito confortável e seguro, e um dos transportes do seu género com maior tráfego em Portugal, atingindo um milhão de passageiros por ano! E não é para menos, pois o percurso é interessante e a paisagem lá em cima de cortar a respiração! Já lá em cima, no Sítio, demore-se a apreciar a magnífica paisagem.

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As praias correm até à característica Foz do Arelho, bem longe, e, em dias de sol, o mar é de um azul intenso, marcado por minúsculos pontos brancos da ondulação. Para o interior, o casario de cores claras da vila abraça a praia e aos poucos dá lugar ao verde, até ao ondear da serra. Para descer, porque não a pé e aproveitar para conhecer um pouco mais da Nazaré?

Características Distância: 318 metros (50 em túnel) Desnível: 134 metros Inclinação: 42% Via própria, cercada, de declive constante; cabo a descoberto sobre roldanas.

“Segundo os dados recolhidos relativamente ao ano transato de 2016, de facto, o Elevador da Nazaré, com 897.422 passageiros transportados, é a instalação por cabo para o transporte de pessoas que mais passageiros transportou.” Instituto de Mobilidade e dos Transportes I.P.

Texto: Portugal para Miúdos (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré


Património

Chaby Pinheiro O projeto do então Teatro da Casa da Nazaré, da autoria de Ernesto Korrodi, foi aprovado a 28 de Fevereiro de 1908. Com uma fachada harmoniosa, mas discreta no conjunto arquitetónico da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, é no seu interior que se encontra o encanto particular deste espaço. Destaca-se toda a construção em madeira da plateia e galerias e a obra de pintura de Francisco Aires, autor das belíssimas pinturas do teto e da tela de boca de cena. O Teatro Chaby Pinheiro foi inaugurado com grande pompa e circunstância a 5 de Fevereiro de 1926. Esteve presente o ator Chaby Pinheiro, facto que agradou imenso aos nazarenos sendo as duas peças levadas a cena - “Leão da Estrela” e “Conde Barão” - da responsabilidade da Companhia com o mesmo nome. Desde então, inúmeros atores célebres já passaram por este teatro, passando a programação por concertos, ciclos de exposições, conferências, colóquios e outros eventos. O teatro sofreu a sua primeira grande recuperação em 1976, a cargo da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré e com o apoio da então Secretaria de Estado da Cultura (SEC). Mais tarde, em 1992, esta concedeu o seu primeiro subsídio, e, em 1993, iniciaram-se as obras de restauro e modernização, permitindo que esta obra notável do início do século, continue de pé e contribua para o desenvolvimento cultural da Nazaré.

Monumento

Padrão Vasco da Gama No ano de 1939, foi colocado no Sítio da Nazaré, junto do Bico da Memória e da Ermida, este visa a comemoração da vinda do Almirante Vasco da Gama à Nazaré. Segundo a tradição, este navegador, antes do seu grande feito, deslocou-se até à Senhora da Nazaré, a quem invocou a sua proteção, trocando a sua corrente de ouro pelo colar de contas da Virgem. Que na passagem do Cabo das Tormentas, quando se levantou um grande temporal, o Almirante atirou seu colar às águas, que logo se acalmaram. Aquando o seu regresso, D. Vasco da Gama deslocou-se ao Sítio da Nazaré, como romeiro, para agradecer à Virgem e oferecendo-lhe um manto.

Texto: Confraria Nossa Senhora da Nazaré (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

Texto: portal.oesteglobal.com Fotos: Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Cultura

Museu Dr. Joaquim Manso

Aberto ao público em 1976, o Museu está instalado na antiga casa de férias do Dr. Joaquim Manso (1878-1956), escritor e jornalista fundador do “Diário de Lisboa” – uma moradia de princípios do século XX, doada ao Estado em 1968, pelo benemérito nazareno Amadeu Gaudêncio (1890-1980), para aqui se instalar o Museu da Nazaré.

O Museu Dr. Joaquim Manso, tutelado pela Direção-Regional de Cultura do Centro, localiza-se no Sítio da Nazaré, visando representar a cultura do mar, com incidência na identidade histórico-cultural da região. O seu percurso expositivo organiza-se em três núcleos principais: a história da vila e o culto de Nossa Senhora da Nazaré; o mar com as suas embarcações e artes de pesca artesanal; e o traje tradicional, na sua versão de trabalho e de festa. Esta vertente dominante da etnografia marítima é complementada por uma relevante coleção de arte, que testemunha a eleição da Nazaré e das suas gentes por artistas nacionais e estrangeiros, ao longo do século XX. Da lente de Álvaro Laborinho (18791970) saíram as inúmeras fotografias que ilustram a paisagem e o quotidiano desta vila à beira-mar, eleita como praia de veraneio nos alvores do século XX e hoje famosa pela sua “Onda”. O seu acervo foi sobretudo reunido junto da comunidade, em torno da relação do homem com o mar, numa vontade

de testemunhar como este último tem sido elemento delineador da evolução sócio-económica da região, desde a ocupação pré-histórica nos limites da desaparecida lagoa da Pederneira, à construção naval na “era das descobertas”, até à atividade piscatória, balnear e turística dos séculos XIX e XX, que lhe vincou a sua feição mais carismática. Mas, se a vertente dominante da etnografia marítima nos remete para essa memória da Nazaré piscatória, as últimas décadas trouxeram significativas mudanças em favor do turismo e de novas modalidades de relacionamento com o mar, que passam também pelo desporto. Por conseguinte, de museu etnográfico e arqueológico, o Museu da Nazaré tem vindo a ser repensado num desafio permanente de o tornar num projeto participativo de um “museu de e com a comunidade”, favorecendo a reflexão sobre a contemporaneidade e como esta dialoga com um passado-memória sobre o qual se continua a (re)viver.

Texto e fotos : Museu Dr.Joaquim Manso

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Pederneira Foi sede de um dos concelhos dos coutos de Alcobaça, afirmando alguns historiadores que a povoação é anterior à fundação do Mosteiro de Alcobaça. Após a extinção das Ordens Religiosas, em 1834, a Pederneira continuou a ser uma vila sede de concelho homónimo, o qual manteve a denominação até 1912, ano em que esta foi mudada para Nazaré. A Pederneira situa-se no cimo de um monte a nascente da Praia da Nazaré, mantendo ainda na sua praça central o edifício dos antigos Paços do Concelho, a Igreja Matriz e o Pelourinho. O cemitério municipal situado no cume do monte, ao lado da igreja da Misericórdia, ocupa o local de uma quinta outrora pertença do mosteiro de Alcobaça. Até ao século XVI, existiu uma grande extensão de água doce com ligação ao mar, a nascente da vila, a Lagoa da Pederneira, que constituía um porto natural e favoreceu o desenvolvimento da construção naval, onde se utilizavam as madeiras do Real Pinhal de Leiria e das matas monásticas de Alcobaça. O topónimo Pederneira derivará do “Petronero” latino, inscrito numa carta romana, o qual deriva porventura da existência no local de uma rocha sedimentar, contendo grande quantidade de calhaus rolados de um tipo de rocha chamada “pederneira”, a qual quando percurtida faz faísca. No parque da Pedralva (pedra alva) ou Monte Branco pode ver-se um importante afloramento deste tipo rochoso. Texto: Wikipédia (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Património

Pelourinho da Pederneira Praça Bastião Fernandes - Pederneira - Nazaré Monumento Classificado com Proteção IIP - Imóvel de Interesse Público desde 1933.

O pelourinho da Pederneira é um dos mais insólitos monumentos relacionados com o estatuto concelhio de localidades portuguesas. É um tronco silicificado de uma conífera cretácica, colocado sobre a base do antigo pelourinho em 1886, quando aquele já havia sido retirado por ordem de Alcobaça. Implanta-se no principal largo do aglomerado, na Praça Bastião Fernandes, junto da antiga casa da Câmara e muito perto da Igreja Matriz. Na origem, a Pederneira foi uma das catorze vilas dos coutos de Alcobaça, datando a primeira notícia acerca da sua existência do reinado de D. Sancho I, em documento onde o monarca condenou algumas atitudes menos próprias por parte dos habitantes da localidade contra o prior do mosteiro cisterciense, que detinha a tutela sobre o território. A 1 de Outubro de 1514, D. Manuel I concedeu-lhe foral novo,

o que prova a importância da vila no quadro quinhentista desta região. Durante os três séculos seguintes, a Pederneira foi sede de município, temporariamente anexada ao concelho de Alcobaça no século XIX, vindo a dar lugar ao concelho da Nazaré m 1912. Desconhece-se a configuração do pelourinho manuelino. Dele apenas resta a plataforma que serviu de base de sustentação, composta por quatro degraus de secção octogonal, tipologia que é característica dos primeiros anos do século XVI. Não estão igualmente clarificadas as razões que levaram ao desaparecimento do monumento construído no século XVI, nem tão pouco o porquê da opção por tão insólita substituição transportada a partir do antigo cemitério, sendo certo que o tronco de árvore classificado, com quase 150 milhões de anos, é um dos monumentos naturais classificados mais antigos de Portugal. Texto: www.patrimoniocultural.gov.pt (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Valado dos Frades

Festas das Chouriças

Valado dos Frades é uma freguesia portuguesa do concelho da Nazaré, com 18,37 km² de área e 3 109 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 169,2 hab/km².

Promovidas por uma comissão de festas, as celebrações em honra de S. Sebastião apostam num programa de animação popular, com destaque para os espetáculos musicais e a gastronomia regional. O ponto alto das festividades acontece em Janeiro na manhã de domingo, com a realização da missa das festas, e da procissão em honra de S. Sebastião, que percorre as ruas da vila, enfeitadas de flores, para a ocasião.

O topónimo, segundo uns, deriva de velado (verbo velar) por neste lugar ter existido um frade cuja função era velar os campos que pertenciam ao mosteiro de Alcobaça; segundo outros por nos campos em sua volta existirem muitas valas (campos valados), para a sua drenagem. Quanto “a dos frades”, deve-se aos frades de Cister que se instalaram em Alcobaça por volta da metade do século XII.

No Valado existiu uma das principais granjas dos coutos de Alcobaça, a Quinta do Campo. Desde a sua fundação que Valado dos Frades pertencia à Pederneira, mas, em 1855, face a uma reforma administrativa, passou a fazer parte de Alcobaça. O Concelho da Pederneira foi restaurado em 1898 e, em 1912, passou a chamar-se Concelho de Nazaré, passando o Valado à categoria de freguesia.

Os frades da Ordem de Cister realizaram uma verdadeira obra de colonização agrícola, exercendo a sua autoridade através da ainda existente Quinta do Campo. Há uma lenda de que foi em Valado dos Frades que esses frades esconderam um valioso tesouro durante as Invasões Francesas. Segundo alguns historiadores, os frades fundaram em Valado dos Frades uma escola agrícola, que foi frequentada por muitos estrangeiros, nomeadamente franceses, que ficaram interessados nas modernas técnicas agrícolas desenvolvidas. As terras do Valado são férteis, em parte por ser rodeado pelos rios da Areia, Alcoa, do Meio e das Tábuas. A agricultura ainda é nota dominante, principalmente no cultivo de cenouras, batatas, couves, feijão verde e outros produtos hortícolas.

Na procissão, além dos andores dos santos patronos da vila, dos agricultores e de outras classes profissionais, segue o cortejo de oferendas da população, com destaque para as chouriças, que são vendidas em leilão, para angariação de fundos. As celebrações em honra do mártir S. Sebastião, em Valado dos Frades, realizam-se há várias gerações. Associado à proteção contra a peste e outros males epidémicos, S. Sebastião é também patrono das plantações e do gado, sendo, por isso, padroeiro de muitas localidades rurais, como Valado dos Frades.

Texto: Wikipédia (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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QUEM FOI SÃO SEBASTIÃO Associado à protecção contra a peste e outros males epidémicos, S. Sebastião está também associado à defesa das plantações e do gado, sendo, por isso, patrono de muitas localidades rurais, como Valado dos Frades. S. Sebastião nasceu em França, em meados do século III, mas cedo foi para Milão, onde cresceu na fé cristã. Na idade adulta, alistou-se nas legiões do Imperador Diocleciano. A sua bravura destacou-se e chamou a atenção do Imperador que, desconhecendo o facto de Sebastião ser cristão, o nomeou comandante da sua guarda pessoal. Foi neste cargo que Sebastião se tornou o grande benfeitor dos cristãos encarcerados em Roma nesse tempo, visitando-os e consolando-os enquanto aguardavam pelo martírio. Entretanto, o Imperador decretou a expulsão de todos os cristãos do seu exército, e Sebastião foi denunciado por um outro militar. Diocleciano, sentindo-se traído, tentou ainda fazer com que Sebastião renunciasse ao cristianismo, mas em vão; enraivecido, o imperador condenou o soldado cristão à morte. A ordem foi cumprida imediatamente. Os soldados romanos levaram Sebastião para um descampado, despiram-no, amarraram-no a um tronco de árvore e desferiram sobre ele uma chuva de flechas. Depois, abandonaram-no para que sangrasse até à morte. À noite, Irene, uma mulher cristã, foi ao local com umas amigas para recolher o corpo do mártir e sepultá-lo, mas qual o seu espanto quando constatou que ele ainda estava vivo. Irene escondeu-o em sua casa, enquanto recuperava das feridas. Já restabelecido, Sebastião insiste em continuar o seu processo de evangelização e decide apresentar-se novamente perante o Imperador, censurando-o pelas injustiças cometidas e pedindo-lhe para deixar de perseguir os cristãos. Diocleciano não atende os pedidos, ordena que Sebastião seja espancado até à morte e, para impedir que o corpo fosse venerado pelos cristãos, atiraram-no para o esgoto público de Roma. O seu corpo viria a ser recolhido e sepultado nas catacumbas da cidade imperial, em 287. Mais tarde, em 680, as suas relíquias foram solenemente transportadas para uma basílica construída pelo imperador Constantino. Naquela ocasião, uma peste terrível assolava Roma, vitimando muitas pessoas, mas a epidemia desapareceu a partir do momento da transladação dos restos mortais do mártir, de modo a que passou a ser venerado como o padroeiro contra a peste, fome e guerra.

Texto: Site da Câmara Municipal da Nazaré Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Quinta do Campo; Lagoa do Valado e Fonte dos Namorados

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Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré


Agenda

Festival de Jazz do Valado Realiza-se entre Abril e Maio de todos os anos

Evento

Festival de Jazz Este Festival nasce numa colectividade que foi fundada para combater o analfabetismo na população rural, em 1933, sendo pioneiro na divulgação do jazz na região centro! É um Festival (pensamos que o único de momento) apenas dedicado ao Jazz português. Por ele já passaram alguns músicos internacionais, mas os líderes sempre são portugueses. Dos jazzistas nacionais que hoje são reconhecidos já “todos tocaram” no Valado ao longo dos anos, a maioria antes de terem o estatuto que têm hoje! Organizado por um grupo de 14 voluntários apaixonados por jazz e que teimam em “pôr o nome da sua terra no mapa”,

muitas histórias já há para contar, algumas delas contadas em livro, pelo amigo e jornalista Mário Galego, em 2004 e uma reedição com mais histórias em 2013. Prova do reconhecimento da sua importância cultural é o facto de ser apoiado pela Direcção Geral das Artes e organismos que a antecederam desde a 3ª Edição, sempre através dos respectivos concursos. Conta ainda com o apoio do Município da Nazaré e Junta de freguesia. Nas duas últimas edições, foi um Festival “Antena 1”, devido a parceria com esta rádio pública. No corrente ano de 2017, decorreu a 20ª Edição. Texto: Adelino Mota

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Valado dos Frades (Junto à estação dos Comboios) geral@vinhadalhos.pt | T. 262 188 477

25 www.vinhadalhos.pt


Famalicão

Até ao século XVIII, Famalicão estava dividido em Famalicão de Baixo e Famalicão de Cima. O primeiro pertencia a Alfeizerão e o segundo à Pederneira. Famalicão é uma freguesia portuguesa do concelho da Nazaré, com 21,44 km² de área e 1 740 habitantes (2011). A sua densidade populacional é de 81,2 hab/km². Foram os habitantes das Paredes da Vitória que se instalaram inicialmente em Famalicão, mais propriamente na parte superior da estrada da divisória da aldeia (mais longe das doenças que na altura surgiram na Cela). Estes habitantes vindos das Paredes trouxeram consigo o culto de Nossa Senhora da Vitória.

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Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

Esta deslocação originou atritos entre os novos moradores e os antigos, ligados a Alfeizerão, com “vitória” de Famalicão de Cima. A partir desta altura a povoação de Famalicão reuniu-se no culto comum a Nossa Senhora da Vitória.

Serra da Pescaria

A sul da Nazaré, este é um afloramento paralelo à orla costeira onde se registam as rochas mais antigas da região da Nazaré, de há cerca de 154 milhões de anos.

São depósitos do Jurássico Superior, que mostram uma estreita ligação com a atividade tectónica, ligada à 2ª fase de “rifting” de abertura do oceano Atlântico e separação do supercontinente Pangea. As estruturas presentes na Serra da Pescaria sofreram também alterações tectónicas devido à intrusão diapírica caracterizada por “Margas da Dagorda”, que originaram o “vale tifónico” das Caldas da Rainha.


Esta formação, delimitada por falhas inversas, originou um vale coberto por sedimentos mesozóicos e cenozóicos, onde, no bordo ocidental, vamos encontrar a Serra da Pescaria. Este vale permitiu, em tempos, a existência da conhecida Lagoa da Pederneira que, devido ao assoreamento natural e também por pressões antrópicas, acabou por sofrer uma colmatação gradual até ao seu desaparecimento no séc. XIX. Esta estrutura do Jurássico Superior é caracterizada, essencialmente, por duas formações distintas: as “Camadas de Montejunto”, que datam do Oxfordiano médio a superior; e as “Camadas de Alcobaça” do Kimeridgiano (episódio transgressivo). Nestas formações, essencialmente calcárias a calcário-

-margosas, podemos observar duas pistas de dinossáurios, uma delas numa camada sub-vertical coberta de icnofósseis do género Thalassinoides. Para além destas pegadas de dinossáurio, podemos também observar um elevado conjunto de outros fósseis de organismos essencialmente marinhos como bivalves, gastrópodes, corais, oncólitos, rudistas e espongiários que indicam uma fácies marinha de águas de temperatura mais elevada, correspondente a climas mais tropicais. A flora desta região é rasteira, típica de zonas costeiras próxima ao mar, está ainda bem conservada e podem-se observar espécies tipicamente mediterrânicas.

No bordo ocidental da Serra da Pescaria, no sector litoral da região a Sul da Nazaré, desde a foz do rio Alcoa até ao limite da praia do Salgado, podemos encontrar uma estrutura dunar ativa, bastante complexa, formada por dois cordões dunares, separados por um corredor interdunar onde as associações vegetais evidenciam as diferentes condições mesológicas que caracterizam esta costa litoral.

Texto: Câmara Municipal da Nazaré Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

Agenda

Festas de Santo Isidro

Raposos, Penúltimo Domingo de Julho

Festas da Serra da Pescaria Primeiro Fim de Semana de Agosto

Festas em Honra da Nossa Srª da Vitória Segundo Fim de Semana de Agosto

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Monumento

Igreja de São Gião A Igreja de São Gião localiza-se na freguesia de Famalicão, a 5 km a sul da Nazaré, no distrito de Leiria, em Portugal. Foi descoberta na Quinta de São Gião, junto às dunas, a 500 metros do mar, por Eduíno Borges Garcia, em 1961. Atribuída por alguns autores ao período Visigótico, e por outros como possuindo características Asturianas, é considerada um dos templos cristãos mais antigos do território nacional, e mesmo da península Ibérica. História Quando foi descoberta estabeleceu-se uma certa unanimidade científica quanto à sua classificação como monumentotipo representativo da liturgia da época visigótica (como o fez Helmut Schlunk em 1971). De acordo com esta teoria, a igreja teve as suas origens no século VII, no local antes ocupado por um templo romano dedicado a Neptuno. Esta unanimidade tem sido posta em causa após estudos recentes e com os trabalhos de escavação e de Arqueologia da Arquitetura. Em resultado desses estudos, a igreja é considerada como um dos poucos exemplares de templos asturianos conhecidos no nosso país, o que a dataria numa época posterior. Carlos Alberto Ferreira de Almeida, por exemplo, defendeu em 1986 esta tese, sustentando-a no facto de se ter recorrido, em termos de construção, a uma entrada de lintel reto sobrepujada por arco de descarga de volta perfeita, como na Igreja de São Pedro de Lourosa, e a existência de uma tribuna ocidental. Manuel Luís Real, em 1995 seguiu a mesma argumentação, acrescentando argumentos como o da reutilização de material anterior, presumivelmente visigótico. De facto, o estudo de Arqueologia da Arquitetura feito em 2003 por Caballero, Arce e Utrero parece evidenciar esta tese,

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nomeadamente através da integração de fragmentos escultóricos da época visigótica nos muros da Igreja, o que pressupõe uma época posterior de construção. Além dos argumentos já indicados, que a ajudam a classificar como um templo de características asturianas, há a presença de uma câmara supra-absidal, além dos capitéis vegetalistas da iconóstase, e a sua organização em andares. Alguns autores datam-na do século X, já que apresenta elementos arquitetónicos e decorativos já influenciados pelo estilo moçárabe. Outros autores, ainda, descrevem o templo como sendo o que resta de um pequeno cenóbio de monges cristãos do período visigótico que se teria mantido em funções durante o período de ocupação muçulmana como local de residência de monges cristãos moçárabes. Em 1597, Frei Bernardo de Brito descrevia a Igreja como estando em bom estado de conservação. O seu orago, S. Gião, era particularmente venerado na época visigótica, sendo da especial predileção desta povoação. Referia ainda a existência de várias A descoberta desta ermida serve de argumento para se acreditar que o número de templos dedicados ao culto cristão na Alta Idade Média era, provavelmente, bem maior do que é vulgar julgar-se para o território ibérico e português em particular - tendo a maioria desaparecido por diversas razões. lápides com legendas confusas na região inculta em redor do templo, nomeadamente uma, de cuja veracidade se duvida atualmente e da qual se inferia que ali se tinha travado uma importante batalha em que as legiões romanas do cônsul Décio Juno Bruto foram vitoriosas. No cumprimento de um voto pela vitória alcançada, os romanos teriam levantado no local um templo ou altar dos deuses. Os Visigodos teriam, posteriormente, desmantelado o templo romano. Sobre ele, ou bastante perto, construíram a Igreja de feição cristã, satisfazendo o plano arquitetónico as diretrizes do primeiro Concílio de Braga e do quarto Concílio de Toledo, que determinavam que os sacerdotes

deveriam estar isolados dos crentes, acedendo ao santuário através da área da nave transversal, enquanto os fiéis se disporiam na nave central - tal como referem os estudos de Helmut Schlunk. A partir do século VIII, os árabes instalaram-se naquele território. Das épocas romana, visigótica e medievais têm sido encontrados na quinta de S. Gião vários objetos utilizados naqueles tempos e que estão hoje expostos no Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso. Outra referência a esta igreja deve-se a Frei António Brandão, cronista da ordem de Cister do século XVII, a respeito do seu despovoamento durante o reinado de D. Sancho I, devido à peste. A igreja terá estado afeta ao culto até à segunda metade do século XVII. A partir dessa altura, começou a deteriorar-se de tal modo que em 1702 era usada como curral de gado. Põe-se a hipótese de este lugar de culto estar associado à sacralização da Costa da Nazaré, e em especial ao Sítio da Nazaré, mesmo quando este ainda não tinha qualquer estrutura edificada de culto à Virgem. Tomando como hipótese que a lenda da Nazaré tem fundo verídico, a vinda de frei Romano, acompanhado do rei Rodrigo, em 711, poderá estar associada à presença deste cenóbio cristão que serviria perfeitamente de proteção a dois cristãos em fuga, trazendo consigo as relíquias de São Bartolomeu, São Brás e uma imagem da Virgem Maria, denominada Nossa Senhora da Nazaré. O nome do santo que nomeia a igreja poderá, também, referir-se tanto a São João Baptista quanto a São Julião, santo associado à sacralização de locais costeiros, como acontece na Ermida de São Julião e Santa Basilissa, em Mafra. Em 1968, durante a reconstrução da Igreja Paroquial de Famalicão da Nazaré, foi encontrada uma imagem da Santíssima Trindade no subsolo. A peça, esculpida em pedra de Ançã, apesar de danificada pela retroescavadora, apresenta ainda vestígios da pintura original e é datada do século XV ou do século XVI. A mesma teria feito parte do espólio da Igreja de São Gião e levada pelo seu último pároco para a sua residência no cimo da Serra e, posteriormente, para presidir à sua tumba funerária, no interior da Igreja Paroquial.


Características Trata-se de um templo monástico de pequenas dimensões, de planta retangular, com uma só nave de 6,6 metros por 3,9 metros, sem janelas. Sobre a portada teria existido uma tribuna em madeira. O cruzeiro é separado da nave por uma iconóstase, constituída por uma parede com uma porta central de arco ultrapassado e duas janelas laterais semelhantes. Este elemento isola o altar e o coro, ou seja, a parte do santuário, semelhante a um pequeno transepto, reservada ao clero, da nave central, reservada aos fiéis. A nave transversal tem, de cada lado, uma arcada dupla em ferradura assente numa coluna com capitel coríntio. As arcadas fariam a comunicação entre a nave transversal e uma zona reservada que faria ligação ao presbitério. Este, atualmente destruído, possuía uma planta retangular e uma cobertura em abóbada ou de canhão, ou de meia-cúpula. A nave era ladeada por duas ou mais divisões que a acompanhariam longitudinalmente e a que se teria acesso por portas simples.

Encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto-Lei n.º1/86, de 3 de janeiro.

Praia do Salgado Protegida pela Serra da Pescaria (a norte) e pela Serra dos Mangues (a sul), localiza-se na freguesia de Famalicão e é um destino muito procurado por quem gosta de tranquilidade. Devido às suas condições naturais, é, igualmente, um destino muito procurado por praticantes de desportos de aventura, como a Asa Delta ou o Parapente. Afastada do centro da vila, o principal acesso à Praia do Salgado faz-se de carro, havendo, muito próximo do areal, um pequeno parque de estacionamento público, gratuito. A qualidade da água balnear da Praia do Salgado já obteve diversas distinções “Qualidade de Ouro”, certificado atribuído pela Associação Ambientalista Quercus, cujo objetivo é realçar as praias que, ao longo de vários anos (cinco, neste caso), apresentam sistematicamente uma água balnear de boa qualidade ou qualidade excelente (tendo em conta a classificação da legislação em vigor), e que, nesse sentido, oferecem uma maior fiabilidade no que respeita à qualidade da água. Apesar de muito procurada, é uma praia sem concessionário, pelo que a vigilância de banhistas e utilizadores é praticamente inexistente.

Texto: Wikipédia (Adaptado) Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

Origem: Câmara Municipal da Nazaré Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Desporto

Ondas Gigantes

Canhão da Nazaré O Canhão da Nazaré é um desfiladeiro submarino de origem tectónica situado ao largo da costa da Nazaré, relacionado com a falha da Nazaré-Pombal. Começa a definir-se a cerca de 500 metros da costa. Considerado por muitos o maior da Europa, separa a costa da Península Ibérica na direção este-oeste desde a plataforma continental, numa extensão de cerca de 211 km, começando a uma profundidade de 50 metros até à planície abissal Ibérica, onde atinge profundidades na ordem dos 5000 metros. O Canhão de Nazaré também funciona como um polarizador de ondulações. As ondas conseguem viajar a uma velocidade muito maior pela falha geológica, chegando na costa praticamente sem dissipação de energia. A Praia do Norte apresenta consistentemente ondas significativamente maiores do que na restante costa portuguesa por conta do Canhão. As correntes predominantes de norte funcionam como condutas sedimentares, ao longo das quais há intensificação dos processos de transporte de partículas entre a zona costeira e o domínio profundo do mar. Este desfiladeiro submarino provoca grandes alterações ao nível do trânsito sedimentar litoral, uma vez que este vale é um autêntico sumidouro para os sedimentos provenientes de norte, da deriva litoral, o que justifica a inexistência de grandes extensões de areia nas praias a Sul da Nazaré.

Texto: Wikipédia (Adaptado). Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Secções do Canhão da Nazaré Dependendo das regiões que ele atravessa, é possível distinguir 3 secções do Canhão da Nazaré. A secção inicial que se estende até ao bordo da plataforma continental, encontra-se a menos de 1km de Nazaré e estende-se até 60 km ao largo, composto por ravinas e forma de V. A secção média do canhão, que corresponde à parte onde este rasga a vertente continental, estende-se por 57 km, desde o bordo da plataforma até à base da vertente continental, a profundidades de 4050 metros. Ao longo desta secção o canhão conserva ainda uma forma em V, muito sinuosa, apresentando grandes ravinas nas paredes junto à parte mais profunda que define o seu eixo (chamada de talweg). A secção inferior é o extremo mais profundo do canhão, situada a profundidades superiores a 4050 metros. No Canhão da Nazaré esta zona estende-se por cerca de 94 km. Aí a parte central do canhão – o talweg – perde as suas características abruptas das secções menos profundas, transitando de um perfil em V para um fundo plano e pouco sinuoso. Aos 4970 metros, a 211 km da cabeceira, o canhão atinge a planície abissal Ibérica. Texto: Wikipédia (Adaptado). Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Agenda

Ondas Gigantes

Período de Novembro a Fevereiro

Garrett McNamara

“Sinto-me abençoado por ter sido convidado a explorar este fenómeno e este sítio especial. As ondas aqui são muito misteriosas”, afirmou Garrett McNamara. Garrett McNamara estava a fazer Tow In com os surfistas Andrew Cotton (UK) e Al Mennie (Irlanda) na Praia do Norte, quando apanhou esta onda gigante. O irlandês Al Mennie descreve o momento. “Tudo parecia perfeito, o tempo, as ondas. Eu e o Cotty surfámos duas ondas grandes com cerca de 60 pés e depois, quando o Garrett estava pronto, veio uma onda do ‘canhão’ talvez com mais 30 pés. Estava escrito. Como estava a fazer segurança no jet ski estava no melhor lugar para vê-lo surfar a maior onda que já vi. Foi incrível. A maioria das pessoas iria parecer assustada mas o Garrett estava a controlar quando descia a parte crítica da onda. Foi uma surfada inspiradora por um surfista inspirador. Depois da surfada o mar acalmou. Ficamos lá só a absorver o que tinha acontecido e tudo o que estava à volta. Que dia!”

Texto: Câmara Municipal da Nazaré Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Desenvolvimento Económico

“O que uma onda, de 34 metros, surfável, ao fim da rua, pode fazer para impulsionar a economia de uma região inteira”

E a pergunta de um “milhão de dólares” é … “O que uma onda, de 34 metros, surfável, ao fim da rua, pode fazer para impulsionar a economia de uma região inteira”. O mar, que nunca nos abandonou, voltou em 2011 a dar-nos uma oportunidade para afirmarmos uma história que começou com um príncipe navegador, cuja ousadia e coragem criou a marca de um país pioneiro na exploração dos mares. Portugal escreveu a história dos mares e quem acha que o espaço foi a conquista gigante do Homem talvez nunca tenha pensado que o mar representa um ambiente tão ou mais hostil, difícil e corrosivo para os equipamentos. Nesta matéria, Portugal esteve sempre na vanguarda: 500 anos, na Escola de Sagres, foram construídas as naus e as caravelas, os primeiros veículos capazes de afrontar, com segurança, as l ongas e acidentadas travessias atlânticas. As ondas que chegam todos os dias à nossa costa serão talvez os juros do investimento que fizemos. Temos por toda a costa as melhores ondas de temperaturas amenas da Europa. O Guincho, os Coxos na Ericeira e os Supertubos em Peniche, estão entre os melhores spots do mundo. A onda do Jardim do Mar, na Madeira, foi considerada “The world’s best big wave pointbreak under the gun”; os Açores, em São Miguel e em São Jorge, são spots emergentes e a nossa gigante da Nazaré é uma natureza à parte, só comparável com o Hawai e só para os grandes craques. Portugal é um país de mar e de ondas, isso todos sabemos; aquilo que talvez nunca tenhamos pensado é que uma só onda

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ao fim da rua, pode ser suficiente para impulsionar a economia de uma região inteira. Para se diferenciar como destino turístico, Nazaré não precisa de investir nas suas características: deve é aproveitá-las. Um exemplo é as ondas da Nazaré – não foi preciso investir, mas sim aproveitar. Falando na despectiva do Marketing Territorial, Carlos Coelho defendeu que a Nazaré deve procurar manter e recontextualizar as suas tradições e as suas características próprias como elementos de diferenciação. Carlos Coelho recordou o carisma da Nazaré que, na década de 50, a projectou internacionalmente como um dos símbolos de Portugal. Ao contrário de outros locais, a Nazaré não precisa de procurar a sua identidade porque já a tem, referiu, considerando que apenas é necessário um novo olhar sobre o presente do passado, expressão que usou para caracterizar as memórias colectivas.

Uma Visão diferenciador, retirada de várias intervenções de Carlos Coelho presidente da Ivity Brand Corp, uma ajuda para pensar a Nazaré. Carlos Coelho destacou ainda a riqueza do património imaterial da Nazaré, que considerou um dos sítios com maior concentração de história no nosso País. Há muitos milhões de pessoas dispostas

a pagar para vivenciar isto, afirmou. Para tal, é preciso conferir um cunho de modernidade às tradições. O futuro deve ser construído com base na genuinidade, declarou. O 7, número mágico das saias, das ondas e do arco-íris, deve ser, na opinião de Carlos Coelho, uma das marcas a valorizar pela Nazaré. Bem como o traje tradicional, a religiosidade, as lendas, o mar, a gastronomia, a paisagem natural e o canhão submarino que, de acordo com o especialista, devem afirmar-se como marcas da diferenciação territorial da Nazaré. A Nazaré tem pilares para ser uma terra fantástica. A “Onda” da Nazaré está a acordar a consciência nacional para a importância que os fatores intangíveis – National Equities – podem ter no desenvolvimento da economia. Não requerendo investimentos, as nossas ondas são “equipamentos” gigantes e perfeitos que permitem posicional Portugal e a Nazaré na “fórmula 1” da indústria mundial do Surf. Esta é a onda que precisávamos para fixar populações, criar empregos de bens e serviços, criar polos de atração de gente nova, bonita e com hábitos de vida saudável. Esta é a onda que precisamos para ajudar a impulsionar a economia da Nazaré e da região inteira, assente numa estratégia de desenvolvimento económico que permite valorizar as pessoas e as potencialidades da Nazaré.

Texto: Excertos de publicações de Carlos Coelho Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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Agenda Eventos

Agenda Páscoa

Procissão do Senhor dos Passos

3 semanas após o Carnaval

Jogos tradicionais Sexta Feira Santa

Tradição

SENHOR DOS PASSOS DA NAZARÉ Festival de Folclore do Rancho Tá-Mar da Nazaré Sábado de Páscoa

Desfile do Grupo Etnográfico Danças e Cantares da Nazaré Domingo de Páscoa

A Procissão do Senhor dos Passos é um dos mais importantes cerimoniais religiosos numa vila de arraigadas crenças e rituais, sendo património da comunidade e um valor cultural da Nazaré. A Procissão recria os últimos momentos da vida de Jesus, a sua Paixão e Morte, e todos os anos atrai milhares de fiéis, dando continuidade a uma tradição que se mantém desde 1619, interrompida apenas aquando das Invasões Francesas e no ano de 1872, quando uma grande epidemia assolou a Pederneira. A Procissão do Senhor dos Passos da Nazaré é composta por três saídas: No sábado, por volta das 17:30, parte da Igreja da Misericórdia, na Pederneira, rumo ao Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, no Sítio. No domingo, cerca das 14h30, é celebrada missa na Igreja da Misericórdia, na Pederneira, e Sermão do Pretório. Cerca das 16h00, a procissão volta a sair da igreja, decorrendo meia hora mais tarde o sermão do encontro, junto à Capela dos Anjos. Por volta das 19h00, a procissão chega ao Santuário do Sítio, seguindo-se a cerimónia do Despregamento da Cruz e do Sermão. Uma hora mais tarde, realiza-se a procissão do Enterro no Largo do Santuário, no Sítio; Na segunda-feira, cerca das 17h30, tem lugar a última saída da procissão, em direção à Igreja da Misericórdia, na Pederneira, onde por volta das 20h00 decorre o Adeus às Imagens. Em paralelo, decorre habitualmente no Centro Cultural da Nazaré, uma exposição que recupera os quase quatro séculos de devoção dos nazarenos ao Senhor dos Passos. As oferendas dos devotos à Misericórdia são alguns dos materiais que compõem a mostra que conta a história de um dos mais arreigados cultos na Nazaré, iniciado no século XVII na Pederneira. Organização da Irmandade do Senhor dos Passos da Pederneira

Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Texto: Adaptação de vários textos Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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Agenda

Festas do Homem do Mar 5 e 6 de Maio 2018

Agenda

Festas em Honra da Nossa Srª da Nazaré

8 Setembro e fim de semana seguinte Evento

Festas do Homem do Mar O Dia do Homem do Mar é uma festa popular de grande importância para os habitantes e comunidade piscatória da Nazaré.

Procissão em terra No sábado, realiza-se a procissão em terra, desde o Centro Cultural da Nazaré até à Capela de Nossa Senhora dos Aflitos (15h00), seguida de missa no areal, em frente à Capitania (16h00).

Procissão Marítima No domingo, realizar-se-á o percurso das imagens, entre o Porto da Nazaré, Nazaré, Sítio e Pederneira, seguida da Procissão Marítima do “Dia do Homem do Mar”, cumprindo o ritual das tradicionais três voltas à enseada da Nazaré. Espetáculo de homenagem ao pescador e gastronomia são outras atividades integradas nestes dois dias de festejos. Organização: Paróquia da Pederneira Município da Nazaré Capitania do Porto da Nazaré

Dia do Município 8 Setembro

Evento

Festas em Honra da Nossa Srª da Nazaré As Festas da Nazaré acontecem anualmente no Sítio da Nazaré, desde a Idade Média, para comemorar o milagre de Nossa Senhora da Nazaré que, em 1182, terá salvo o cavaleiro D. Fuas Roupinho de uma queda mortífera do cimo do promontório. Por altura das Festas, na segunda metade do séc. XIX juntava-se no Sítio, em torno do Santuário, uma multidão de vinte a trinta mil pessoas, muitas das quais vinham em romarias organizadas, os Círios. Os mais importantes vinham de Mafra, Círio da Prata Grande, de Porto de Mós, de Óbidos, de Lisboa, e de muitas outras povoações da Estremadura. Os romeiros e os festeiros instalavam-se em casas, em tendas, montadas no Sítio e no pinhal, nos alpendres da igreja, onde houvesse lugar. As Festas tinham uma componente religiosa, centrada no Santuário, com missas, pregações e procissões, e uma componente profana espalhada pelas ruas e largos do Sítio, constando de touradas, danças, jogos, corridas de cavalos, pirotecnia, malabaristas, ou espetáculos de teatro, ópera, música, entre outros divertimentos onde a comida e a bebida tinham um lugar privilegiado. A parte comercial era também uma componente bastante forte. À noite, os espetáculos de fogo de artifício preso e aéreo atraíam milhares de pessoas e eram visíveis a dezenas de quilómetros do Sítio. Desde de 2001, a parte profana das Festas foi deslocada para o recinto do Parque Atlântico, apenas permanecendo no Santuário as festividades religiosas, numa tradição com oito séculos.

Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Texto: Wikipédia (Adaptado). Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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Evento

Meia Maratona Internacional da Nazaré Corria o ano de 1975 quando pouco mais de uma centena de aventureiros juntaram-se para correr a primeira Meia-Maratona em Portugal. O vencedor foi o atleta Anacleto Pinto, em representação do SL Benfica, com a marca de 1:11:59. Nos anos 1980, a Meia Maratona Internacional Nazaré tornou-se a maior prova portuguesa, obtendo participações próximas dos 4500 atletas. Atualmente, e apesar da proliferação de corridas populares, a Meia da Nazaré continua a ser uma das provas mais emblemáticas do país, com níveis de participação constantes, com o mesmo percurso há quatro décadas. Venha compreender porque esta é conhecida e acarinhada como a “Mãe das Meias Maratonas”. A Meia Maratona Internacional da Nazaré é a mais antiga prova da distância corrida em Portugal e a segunda mais antiga da Península Ibérica.

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PROXIMA EDIÇÃO – 43ª 12 de NOVEMBRO 2017 22ª Volta à Nazaré e 12ª Caminhada da Meia da Nazaré. Organização Meia Maratona Internacional da Nazaré – Associação de Cultura e Desporto Informações www.mmnazare.org mminazare80@gmail.com

Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


Evento

CARNAVAL da NAZARÉ

O CARNAVAL MAIS TÍPICO DE PORTUGAL O Carnaval da Nazaré é uma das maiores festas da vila que atrai milhares de visitantes e turistas. É o evento mais ansiosamente aguardado pelos nazarenos, que o vivem de forma profunda e apaixonante. É o Carnaval mais típico de Portugal porque existe uma associação carnavalesca do traje tradicional do pescador e da mulher da Nazaré. Único, tradicional e genuíno porque nada se assemelha ao formato do Carnaval da Nazaré, pois este é organizado e vivido no âmbito de nós para nós. O Carnaval da Nazaré não são apenas os tradicionais dias de carnaval. O Carnaval da Nazaré nasce no primeiro minuto do primeiro dia do ano e é composto por: PRIMÊRA, corresponde à primeira marcha de Carnaval do ano, emitida pela Rádio Nazaré imediatamente a seguir às badaladas do Ano Novo. MOTE constituído através de uma expressão do dialeto nazareno, que define o Carnaval para esse ano. MARCHA GERAL é a marcha principal do Carnaval do ano, obrigatoriamente associada ao mote escolhido. REIS de CARNAVAL são nazarenos que, de uma forma ou de outra, mais contribuem ou contribuíram para o Carnaval nazareno. O seu reinado é uma forma simpática de prestar homenagem ao seu amor pelo Carnaval da Nazaré. S.BRÁS é a festa popular que marca o início dos festejos de carnaval a 3 de Fevereiro. BAILES de MÁSCARAS organizados por algumas associações que dispõem de salas de baile. Estes bailes realizam-se um em cada fim-de-semana antes do Carnaval: Casino (Nazaré), Mar Alto (Nazaré), Planalto (Sitio), Pederneirense (Pederneira), BIR (Valado de Frades), Estrela do Norte (Famalicão) entre outras são alguns dos bailes de máscaras tradicionais.

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MARCHAS de CARNAVAL Não existe nenhum grupo de Carnaval que não tenha a sua marcha, incluindo algumas empresas locais. São criadas mais de quarenta marchas originais em cada ano. GRUPOS CARNAVALESCOS multifacetados, mistos, de vivência exclusivamente masculina ou exclusivamente feminina BANDAS INFERNAIS São grupos carnavalescos que apenas saem no Domingo Gordo e o objetivo é pura e simplesmente fazer barulho. CÉGADAS, sátiras típicas nazarenas, que são teatro popular levadas à cena nos bailes de Carnaval. BAILES de CARNAVAL são palco de reunião da comunidade onde pessoas de todas as idades e classes sociais ali se encontram para só saírem ao nascer do sol. Vive-se a festa num caos organizado, onde a multidão organiza-se de forma espontânea em rodas e cordões de gente, dançando ao som de bandas musicais locais

DESFILES é o evento comemorativo onde milhares de figurantes, agrupados ou isolados, atravessam a marginal da Nazaré com carros alegóricos, ranchos e outras formas de gozar o Carnaval. Na Nazaré existem quatro desfiles: O Desfile da Criança Com as crianças em idade escolar a realizarem o seu desfile em cada uma das freguesias do concelho. Realiza-se na sexta-feira; O Desfile Noturno Com os carros alegóricos iluminados pela sua própria luz; O Desfile de Domingo Meio trapalhão mas organizado com desfile de carros alegóricos, bandas infernais e brincadeiras. Um desfile único e diferente;

Agenda

CARNAVAL Sábado Magro 27 Janeiro 2018

Desfiles

3, 4 e 6 Fevereiro 2018

Bailes

3 a 7 Fevereiro 2018

Desfile da Criança 2 Fevereiro 2018 Nazaré, Valados dos Frades e Famalicão

Desfile de Terça-Feira Desfile a rigor onde os grupos carnavalescos e respetivos carros alegóricos saem a rigor com as suas vestes.

SÁBADO MAGRO ou dia das Bicicletas milhares de figurantes saem à rua agrupados em grupos carnavalescos, é a forma local de reunir amigos à volta da mesma mesa e na vontade de festejar um dia de Carnaval. Designa-se por Dia dos Bicicletas porque foi o grupo Os Bicicletas que em 1978 que reanimou este dia que estava a desaparecer do calendário tradicional do Carnaval da Nazaré. ENTERRO do SANTO ENTRUDO realiza-se na quarta-feira de cinzas. O cortejo para o Enterro do Santo Entrudo percorre a marginal da vila ao som de uma banda musical e termina no areal da frente à Praça Sousa Oliveira onde se realiza o j ulgamento do Santo Entrudo, constituído por carpideiras (choram os mortos) e testemunhas de defesa e acusação; o juiz decide em função das deixas declamadas em tribunal. É o resumo de tudo o que se passou no Carnaval da Nazaré. Excertos de vários textos: www.blogcarnavalnazare.com Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Semana Gastronómica da Nazaré

Gastronomia São vários os pratos típicos nazarenos, onde impera o peixe e o marisco. A caldeirada nazarena, a sardinha e carapau grelhados, a massa de peixe e a cataplana de peixe são algumas das iguarias próprias da Nazaré. Além do peixe fresco, o carapau seco ou enjoado, é também uma especialidade que só saqui se encontra. O marisco é igualmente um dos ingredientes representativos da oferta gastronómica. Os adeptos podem apreciá-lo no arroz de marisco, açorda e cataplanas. A estes pratos principais podem arrematar-se com os doces típicos, tais como as Sardinhas, folhado coberto e recheado de creme de ovos, Tamares, pequenos bolos em forma de barco, os Fóquins, ambos recheados também com doce de ovos, e os Nazarenos.

Mar à Vista

Quebra Mar

Caldeirada à Nazarena Arroz de Tamboril

Caldeirada de Lagosta Cataplana de Robalo, Camarão e Amêijoa

Sete Saias II

Cova Funda

Caldeirada Arros de Tamboril e Camarão

Caldeirada de Enguias Lulas à Casa

A Gaivota

A Pangeia

Caldeirada de Peixe Mista de Peixe Fresco

Ensopado de Polvo

Maria do Mar Nova Casa Cação Caldeirada Feijoada de Marisco

Arroz de Lulas com Camarão Cataplana de Peixe, Amêijoa e Camarão

A escolha é sua, o prazer será nosso, delicie-se com a boa Gastronomia nazarena. Texto: Tânia Rocha, Região da Nazaré Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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ACISN - Associação Empresarial


Sete Saias I

Bela Vista

A Lota

Maresia

O Casalinho

Caldeirada à Casa Massa de Peixe

Arroz de Tamboril Peixe Grelhado

Cataplana de Peixe Massa de Robalo

Arroz de Tamboril Caldeirada

Barcas de Marisco Lagosta Suada

Ribamar

Mário Peixe

A Lanterna

A Fonte

A Celeste

Pica Pau de Marisco Arroz de Marisco

Mista de Peixe Fresco Grelhado Arroz de Tamboril

Cataplana de Peixe Arroz de Bacalhau com Gambas

Caldeirada Peixe fresco grelhado

Açorda de Marisco Carapaus abertos com molho de Alho

O Varino

O Gaivinha

O Tamanco

Nosságua

O Bartidor

Camarão à Varino Caldeirada

Caldeirada Arroz de Tamboril

Caldeirada Arroz de Marisco

Peixe Fesco grelhado da Costa Caldeirada

Arroz de Sardinha Ensopado de Raia

Casa dos Bêcos

Sombra e Sol

Forno d’Orca

Conde Escolástico

A Bússola na Onda

Arroz de Tamboril Robalo Grelhado

Sardinha assada Carapau enjoado, batata com pele e salada

Polvo à Lagareiro Feijoada de Polvo

Caldeirada Peixe fresco grelhado

Cataplana de Peixe ou Marisco Peixe Grelhado da Costa

Aleluia

O Bizarro

Mar Bravo

Paulo Caetano

Arroz de Tamboril Sequinho de Pataroxa

Caldeirada á Nazarena

Robalo ao Sal (2 pax) Açorda de Camarão e Ameijoa (2 pax)

Arroz de Marisco à Onda Robalo à Faroleiro

O Raúl

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Educação

Externato Dom Fuas Roupinho LIGAÇÃO DO EXTERNATO DOM FUAS ROUPINHO À NAZARÉ O Externato Dom Fuas Roupinho, fundado em 1958 por iniciativa dos médicos veterinários Fernando Rodrigues Soares e Maria Manuela Laborinho Confraria, é referência educativa incontornável na Nazaré. Desde cedo, procurou combater a aliteracia e os baixos níveis de escolaridade da comunidade onde está inserido. Ao longo de mais de meio século, o Externato Dom Fuas Roupinho mudou definitivamente a face social e cultural da Nazaré e contribuiu fortemente para criar as condições que permitiram propiciar a todos o acesso ao ensino e à promoção social que até aí lhes estava vedada. Se o Externato não tivesse surgido, a realidade social nazarena seria hoje completamente diferente, dada

a impossibilidade económica que a maioria das famílias teria em pôr os filhos a estudar fora do concelho. O Externato tem disponibilizado uma oferta educativa diversificada de 2º e 3º ciclos do ensino básico e dos cursos científico humanísticos e cursos profissionais do ensino secundário, assente em estratégias diversificadas de promoção do sucesso escolar dinamizadas por colaboradores com elevada competência científica-pedagógica. O Externato Dom Fuas Roupinho é uma escola com provas dadas pelo mérito e reconhecimento dos seus resultados e é a escola que a comunidade escolhe em função do seu projeto educativo diferenciador, promotor de uma educação inclusiva, de qualidade, de exigência e de rigor e do seu serviço educativo para e com a comunidade. O Externato tem prestado um serviço educativo de qualidade, privilegiando o desenvolvimento integral dos alunos reconhecido pelo sucesso escolar nas suas diversas dimensões: o saber e o saber fazer, nas necessárias aprendizagens, e o saber ser e saber estar, nas atitudes e valores. Com uma história de 59 anos ao serviço da comunidade, o Externato Dom Fuas Roupinho é um projeto

para a vida, sempre assente na relação familiar, com resultados académicos que evidenciam a acentuada diferença de 738 lugares no ranking das escolas comparativamente à mesma oferta existente no concelho da Nazaré. Segundo fonte Expresso, o Externato Dom Fuas Roupinho ocupa o 3º lugar no distrito no sucesso escolar no ensino básico com 10,43% e a 9ª posição no ensino secundário, com 2,6%, verificando-se ainda uma subida de 86 lugares no ensino secundário no ranking nacional, resultados obtidos num ambiente de aprendizagens significativas assente num clima de afetividade e numa relação muito próxima com Alunos e Encarregados de Educação. A constante melhoria dos resultados académicos é assim um indicador do compromisso do Externato Dom Fuas Roupinho para o futuro, continuando de mãos dadas com a comunidade, fortemente empenhado na sua missão de formação de cidadãos autónomos, responsáveis, criativos, competentes e empreendedores, culturalmente exigentes e comprometidos com a sociedade, em linha com a concretização dos resultados académicos, pessoais e sociais.

Texto e Foto: Externato Dom Fuas Roupinho

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Nazaré Marés de Maio


Iniciativa Marés de Maio

Voando sobre uma Praia de Gaivotas Comemoração da Noite nos Museus 2017 com a Videoprojecção “Voando Sobre uma Praia de Gaivotas”, realizada pelos alunos do 11º Ano dp curso de Artes Visuais do Externato D. Fuas Roupinho, inspirados na Gaivota e no Mar da Nazaré, estabelecendo a ligação com a obra artística do ceramista Mário Reis e a coleção do Museu Dr. Joaquim Manso. Uma gaivota que se torna num canhão, outra que rapina uns carapaus secos à pobre nazarena ou que surpreende alguém com flores... e outras histórias que não pode perder! COLABORAÇÃO: Câmara Municipal da Nazaré, Círculo Cultural Mar-Alto, Rancho Folclórico Tá-Mar da Nazaré, Hotel “Mar Bravo”, Mário Reis “re-act (ion)” e Capitania da Nazaré.

Organização: Externato D. Fuas Roupinho Museu Dr. Joaquim Manso - Museu da Nazaré

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Tradições

Secagem do Peixe A tradição de secar o peixe é de origem pouco conhecida, mas seria a melhor maneira de conservar o pescado para os dias de escassez. Seria desta forma que as peixeiras garantiam o sustento para as suas famílias, mas também lhes permitia ter peixe para vender nos mercados da região. As espécies mais utilizadas são o carapau, os batuques, a sardinha, a petinga, o cação e o polvo, devido à sua abundância. Na Nazaré distinguem-se duas formas de secagem: o peixe seco e o enjoado, com características de preparação e de consumo diferentes. O peixe é primeiro “amanhado”, processo de tirar as tripas do peixe, depois é lavado e passado por uma salmoura

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feita com água e sal grosso. Por fim, é aberto ou escalado, estendido nos paneiros e posto ao sol. A secagem dura cerca de 2 a 3 dias, dependendo das condições atmosféricas. Cada espécie de peixe tem uma forma diferente de secagem. O carapau, os batuques e o cação são abertos ou escalados, mas a petinga e a sardinha já são secas inteiras, bem como o polvo.

É a sul da praia, quase em frente ao Centro Cultural da Nazaré, que se encontra o Estindarte, como se chama ao estendal de secagem de pescado, onde as várias peixeiras secam e vendem o peixe ali exposto.

Texto: Câmara Municipal da Nazaré Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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Economia

Porto da Nazaré A maior aspiração dos pescadores da Nazaré foi a construção de um porto de abrigo. A luta pela sua construção data já do final do séc. XIX. Vários projetos e estudos foram sendo feitos, ao longo de anos, mas a construção do porto de abrigo só foi iniciada em dezembro de 1979. O Porto da Nazaré é um porto artificial e de construção recente, inaugurado a 3 setembro de 1983, com uma configuração física que, associada ao abrigo proporcionado pelos molhes, permite que se mantenha quase sempre aberto e praticável mesmo em situações de mau tempo. Dada a sua configuração e implantação, é considerado um dos portos mais abrigados da costa ocidental portuguesa. Abriga a comunidade piscatória, a náutica de recreio e a nova comunidade dos surfistas das Ondas Gigantes, que aqui planeiam, treinam, guardam as suas pranchas e todos os equipamentos necessários e essenciais à prática do tow-in surfing (surf das ondas grandes onde um surfista é rebocado por um Jet-Ski, pois a onda é muito grande e se move muito rapidamente para o surfista apanhá-la apenas com remada). O Porto da Nazaré tem um elevado potencial económico e turístico transversal a toda a comunidade do concelho e da Região. Através do Decreto-Lei 16/2014, de 3 de Fevereiro, a Docapesca-Portos e Lotas, SA passou a exercer também as funções de autoridade portuária.

INFRAESTRUTURAS Infraestruturas Marítimas • Área molhada de 14.61 ha; • Área de terraplenos 38.03 ha (inclui área de expansão); • A entrada do porto é constituída por barra protegida por dois molhes, o norte com 250 metros de comprimento e o sul com 400 metros de comprimento;

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• Os fundos operacionais do porto desenvolvem-se entre a cota mínima de –3 m e a cota máxima de –8m; • O porto é constituído por três núcleos de atividades: Pesca, Estaleiros e Recreio.

Infraestruturas Terrestres • Área total aproximada de 25.84 ha, sendo área coberta de cerca de 3.5 ha; • Arruamentos e parques de estacionamento; • Sistema de redes de água, energia elétrica, comunicações e saneamento ; • Edifícios, pavilhões, oficinas e armazéns vários; • Lota para a 1ª venda do Pescado; • Fábricas de Transformação de Pescado; • Importadores e Exportadores de Pescado; • Minimercado e restaurante; • Ecocentro Marítimo; • Marégrafo.

POTENCIALIDADES • Boas acessibilidades; • Grande área de expansão; • Porto de pesca aberto todo o ano; • Espaço de apoio à Pesca e à Náutica de Recreio aberto todo o ano; • Aumento das atividades marítimo-turísticas; • Boas condições para a prática de culturas biogenéticas; • Localização do Canhão da Nazaré como catalisador para a atividade de Tow-in surfing (Surf Ondas Grandes); • Grande variedade de espécies piscícolas; • Recifes artificiais com enorme contributo para o aumento da biodiversidade e possibilita o aproveitamento para o turismo ecológico.

Fotos e texto: Excertos de textos da Câmara Municipal da Nazaré


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Qualidade das águas Praias do Concelho da Nazaré

Praia da Nazaré

Praia do Salgado

Praia do Norte

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Sim Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia urbana com usos intensivo. Actividades Recreativas: Desportos vários e pesca desportiva.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Sim Limpeza de Praia: Sim Acesso deficientes: Animais domésticos: Não Painel informativo: Sim Apoios de praia: Sim Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Tipologia: Praia equipada com uso condicionado Actividades Recreativas: Pesca desportiva, Surf e Windsurf.

Equipamentos e Serviços Vigilância: Sim Sanitários: Não Limpeza de Praia: Acesso deficientes: Animais domésticos: Painel informativo: Não Apoios de praia: Não Estacionamento: Sim Regime de marés: Maré semi-diurna. Mesotidal: 2-4m Temperatura da água: varia entre os 15ºC e os 17ºC na época balnear. Regime de ventos: Ventos dominantes de Norte/Noroeste nos meses de verão Temperatura do ar: A temperatura máxima do ar nos meses mais quentes varia em média entre os 24ºC e os 28ºC. Actividades Recreativas: Surf e Bodyboard.

Histórico de classificações

Histórico de classificações

Não são classificadas

ANO CLASSIFICAÇÃO 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

ANO CLASSIFICAÇÃO 2016 EXCELENTE 2015 EXCELENTE 2014 EXCELENTE 2013 EXCELENTE 2012 EXCELENTE 2011 EXCELENTE

Texto: www.apambiente.pt Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Praia do Sul


Associação

Clube Naval da Nazaré O Clube Naval da Nazaré é uma associação sem fins lucrativos fundada em 1954 e que conta com aproximadamente 2.000 sócios. Actualmente tem em funcionamento secções de Vela, Natação, Campismo e Pesca e procede à exploração de uma marina no Porto da Nazaré que dispõe de 165 lugares para barcos com um comprimento máximo de 24 metros e um calado de 3,5 metros e a qual dispõe de facilidades como água, electricidade, controlo de acessos, video-vigilância, instalações sanitárias, lavandaria, Wi-Fi, escuta VHF, recolha de resíduos e recolha de óleos usados além de um restaurante.

Além disto, o Clube Naval da Nazaré apoia diversas actividades relacionadas com o mar, como sejam natação, paddle, limpezas de fundo e praias, desporto escolar, vela adaptada, regatas, baptismos de vela e ATL’s. Texto: Clube Naval Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Economia

Pesca na Nazaré - Hoje Distante, muito distante do seu pico de produção, a Pesca na Nazaré continua a ser uma importante atividade no concelho. Do ponto de vista simbólico e sociocultural, a Pesca estende-se muito para além da sua dimensão económica – é a matriz identitária da sede de concelho e com grandes influências nas dinâmicas e interações sociais com as freguesias rurais de Valado dos Frades e Famalicão. Hoje, a Pesca na Nazaré absorve cerca de 400 pescadores, distribuídos por 318 embarcações de Pesca Local e 18 embarcações de Pesca Costeira. Assistimos nos últimos anos a uma redução drástica do número de embarcações e pescadores. Em 1980, estavam matriculados na capitania do porto da Nazaré cerca de 1100 pescadores. Em 1988, a frota de registo na Nazaré ainda contava com 318 embarcações de Pesca Local e 23 de Pesca Costeira.

Se atendermos ao facto de que cada posto de trabalho criado na Pesca corresponde à criação de 4 postos de trabalho em terra, na construção naval, na comercialização e transformação de pescado, na indústria conserveira e serviços, poder-se-á ter a verdadeira noção daquilo que este setor ainda significa para o concelho e para o país. Importa referir que a pesca artesanal na Nazaré, assim considerada por ser de pequena escala, utilizando artes tradicionais e que não se ausentando do porto por períodos superiores a 24h, garante o abastecimento de pescado de extrema qualidade não só à população do concelho ou da região mas também para fora do país, para destinos como os Estados Unidos ou Canadá, designadamente para as comunidades

portuguesas residentes nestes países. Esta qualidade é garantida (para além das capturas serem efetuadas a poucas horas do porto da Nazaré) pelas características naturais da nossa costa, do perfil e natureza dos fundos e constância dos ventos e marés que criam dinâmicas muito próprias, garantindo características invulgares ao nosso mar. O Canhão da Nazaré tem

sido uma autêntica maternidade para a vida marinha na nossa costa. Hoje, este acentuado vale submarino tem sido muito badalado por razões externas à Pesca, no entanto, os seus mais bem guardados segredos foram revelados pelo saber e pela mestria de muitos mestres/pescadores que o mapearam, conhecendo-o como as palmas das suas mãos.

São as embarcações de pesca local, até 9 metros de cumprimento, que compõem hoje a maior parte da frota de pesca da Nazaré. Estas embarcações são tripuladas por um, dois ou três pescadores no máximo. E dedicam-se, fundamentalmente, à pesca polivalente, utilizando linhas e anzois, armadilhas gaiola e armadilhas de abrigo, redes de emalhar ou tresmalho. Capturam várias espécies de pescado, desde safio, robalo, sargo, dourada, besugo, polvo, corvina, badejo, entre muitas outras espécies. Na pesca local, ainda “resistem” pequenas cercadoras, conhecidas vulgarmente por “Candil” dedicando-se à captura, principalmente do carapau. As embarcações de pesca costeira, superiores a 9 metros, que ainda subsistem com registo no porto da Nazaré são cercadoras – as “Rapas” – e as embarcações de pesca polivalente – os “Botes”. As primeiras têm como especial alvo de captura as espécies pelágicas, como a sardinha, carapau ou cavala. As segundas dedicam-se à pesca do polvo com armadilhas, ao Anzol, direcionando as capturas ao safio, cherne, pescada,

goraz e também utilizam alguns destes “Botes” redes de emalhar para a pescada e redes de tresmalho para o tamboril, linguado, raia, lagosta e lavagante. O porto da Nazaré recebe ainda, com bastante frequência, embarcações da pesca polivalente com registos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim ou Viana do Castelo. Nos últimos anos, as constantes descargas provenientes de “Arrastões”, não só nacionais como “Galegos”, têm sido evidentemente crescentes. As excelentes condições de barra, do ponto de vista da segurança que oferece aos seus utilizadores, as magníficas condições de abrigo e a proximidade à vila, conferem um potencial imenso a este porto local, que aguarda olhares “incisivos” que o potenciem em toda a sua abrangência. A garantia de abastecimento de peixe fresco e de grande qualidade é, e será sempre, assumida e proporcionada por pescadores que vão resistindo firmemente às múltiplas contrariedades, mantendo-se ao leme de uma atividade vital nas dinâmicas económicas, sociais e culturais deste genuíno concelho. Por muitas voltas que localmente se possa dar, por avultadas que sejam as reconfigurações impostas pela própria vida ao concelho da Nazaré, a Pesca, os Pescadores e as Peixeiras terão sempre o seu lugar insubstituível na formação desta “ilha coletiva” que nos diferencia!

Texto e quadros: João Delgado

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NAZARÉ-PORTUGAL

A MAIOR ONDA, O MELHOR PEIXE. A empresa, fundada em 1987 por Luís Silvério e Odília Silvério, conta com 30 anos de experiência, dedicando-se desde então a comercialização de pescado fresco e congelado.

“A qualidade não é opção mas sim uma obrigação”. No decorrer dos anos construíram na Nazaré uma moderna unidade fabril, equipada para desenvolver diversas operações, tais como: preparação (evisceração e corte) de pescado fresco, congelação e armazenagem de pescado e cefalópedes descongelados. A aposta da Luís Silvério & Filhos, S.A tem sido sempre na qualidade dos produtos, fator que nos permite ser reconhecidos no mercado.

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Monumento

Forte de São Miguel Arcanjo

O Forte de São Miguel Arcanjo, também referido como Farol da Nazaré, localiza-se no Sítio. Ergue-se em posição dominante sobre a praia da Nazaré e da praia do Norte. Aberto ao público em permanência desde 2014, conta com uma das mais enigmáticas vistas sobre a Vila da Nazaré e Praia do Norte e é um dos locais favoritos para os entusiastas das ondas gigantes. Hoje, o Forte de S. Miguel Arcanjo ganhou o espaço de um ícone patrimonial nacional por ali estarem sediados os projetos ligados às ondas gigantes, e pode ser visitado das 10:00 às 20:00 e disfrutar de uma vista ímpar e oferta cultural, como as exposições histórica e documental “O Forte de S. Miguel Arcanjo: Guardião da Memória” e fotográfica “Praia do Norte” e ainda o Centro Interpretativo do Canhão da Nazaré, com uma maquete 3 D do canhão, do Instituto Hidrográfico (IH) e informação sobre o submarino alemão U-963, afundado no final da 2ª Guerra Mundial ao largo da Nazaré.

Características Fortificação marítima em estilo maneirista, apresenta piso irregular orgânico (adaptada ao promontório rochoso sobre o qual assenta), com um baluarte em cada vértice. As muralhas, em aparelho de pedra irregular com cantaria nos vértices, apresentam contrafortes, abrigando oito dependências que atendiam as funções de Quartel da Tropa, Casa do Comando, Paiol e Armazéns. No segundo piso, localiza-se a Praça de Armas. Encimando o portão monumental, destaca-se uma imagem em baixo-relevo de São Miguel

Arcanjo, e uma inscrição: “El-Rey Dom Joam o Quarto – 1644”. Em 1903, aqui se instala o Farol ativo até hoje, com um alcance luminoso de quinze milhas náuticas, completado por um sinal sonoro de aviso em dias de nevoeiro intenso.

História A construção deste monumento teve início no reinado de D. Sebastião, em 1577, visando a defesa da enseada dos ataques dos piratas argelinos, marroquinos, holandeses e normandos que investiam sobre o litoral atlântico. Em 1644, o rei D. João IV, ordenou a sua remodelação e ampliação. Como sentinela vigilante da fortaleza ficou S. Miguel Arcanjo. O Forte sobreviveu às Invasões Francesas, onde se refugiaram os soldados inimigos que combateram contra a população do Sítio e da Pederneira. Os invasores só foram expulsos do nosso país em 1811, tornando-se este monumento um marco da revolta popular e da autonomia dos nazarenos. A fortaleza fez também parte da história das Lutas Liberais. Por esta época, a Nazaré e o Forte foram palco de pequenas escaramuças entre os partidários de D. Pedro IV e de D. Miguel. Em 1830, D. Miguel enquanto rei, visitou o Sítio e a Praia da Nazaré, onde foi recebido em ambiente de festa, visitando o Forte de S. Miguel Arcanjo, que no ano seguinte viria a ter alguns consertos, um novo altar para o seu padroeiro e uma nova calçada de acesso. Após a partida de D. Miguel para o exílio, em 1 de Julho de 1834, como reflexo das lutas entre liberais e absolutistas, a imagem de pedra

de S. Miguel, que figurava sobre a porta, sofreu um grave atentado. A escultura foi alvo de atos de vandalismo, por parte dos liberais, que a retiraram do seu retábulo, e a deitaram pelas muralhas para o areal da praia. Ainda hoje se encontra mutilada e constitui um testemunho dos motins entre os absolutistas e liberais nesta região. No início do século XX, já sem função militar, os pescadores fizeram sentir ao Governo a necessidade de ali se instalar um farolim e uma casa para o faroleiro, para apoio da atividade piscatória. Em 29 de Outubro de 1903, foram efetuadas obras de consolidação e restauro para a instalação do farol no Forte. Finalmente, a 1 de Dezembro de 1903, começa a funcionar uma luz de porto instalada no Forte de S. Miguel Arcanjo.

A primitiva estrutura A primitiva defesa do local remonta ao reinado de D. Sebastião, que ali determinou erguer uma fortificação para defesa do povoado piscatório da Pederneira, por cujo porto era escoada a madeira do Pinhal d’El Rey (Pinhal de Leiria). Essas obras, entretanto, só ganhariam impulso durante a Dinastia Filipina, quando o rei D. Filipe II, por volta de 1600, determinou reconstruir a primeira fortaleza de acordo com planta do falecido engenheiro militar e arquiteto Giovanni Vicenzo Casale. Necessitando de reparos no início do século XVII, à época da Guerra de Restauração da independência portuguesa, a Coroa determinou a sua modernização e ampliação (1644), quando adquiriu a sua atual configuração. Texto: Wikipédia (Adaptado) Fotos: VE | Câmara Municipal da Nazaré

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Formação

For-Mar

O FOR-MAR Polo da Nazaré - situado na zona do Porto de Abrigo desta localidade, no edifício do Ex-IPTM, integra a rede de Polos do FOR-MAR – Centro de Formação Profissional das Pescas e do Mar, que tendo sede em Lisboa – Av. Brasília edifício FOR-MAR Pedrouços é composto por 12 Polos na totalidade, situados junto ao Litoral.

O Polo da Nazaré existe desde 1988, então denominado Forpescas, e tem como principal Missão a valorização dos Recursos Humanos conducentes à qualificação, aperfeiçoamento técnico e certificações dos profissionais e/ou candidatos às profissões que integram a fileira económica das Pescas; da Marinha Mercante; da Aquacultura; da Construção e Reparação Naval; dos Transportes Marítimos e Fluviais; das Atividades Portuárias; das Atividades Marítimo Turísticas; do Recreio Náutico; da Transformação e Conservação do Pescado; do Controlo de Qualidade Alimentar; da Higiene e Segurança no Trabalho (em colaboração com a ACT); do Frio e Climatização; dos Recursos não vivos; novos usos e recursos do mar; do ambiente e sustentabilidade; e ainda mas não menos importante do reforço da Segurança Marítima. Enquanto Centro de Formação Protocolar, assenta numa visão que pretende ser reconhecida como entidade nacional de referência na formação, qualificação e certificação nas profissões supra referidas. Sendo um Polo certificado na Qualidade, os seus objetivos são prestar serviços inovadores e de qualidade numa ótica de melhoria global permanente e num clima relacional de grande dedicação e empatia em que as expetativas justas dos clientes/ formandos são postas sempre em primeiro lugar.

Atualmente e para além dos processos formativos que desenvolve e pretende desenvolver, estão em curso 3 grandes desafios, a saber: o aumento e melhoramento das instalações, dotando-as de novos meios/equipamentos pedagógicos; a possibilidade de realizar localmente formação certificada STCW que permita, entre outros, realização de cursos de Segurança Básica; e a criação do Centro de Formação de referência a nível nacional no âmbito do Centro, na área da Segurança Marítima. Para o efeito entre outras démarches já efetuadas, encontra-se sediada no Porto da Nazaré a embarcação escola – TELLINA, com 17 mts. São ainda desígnios do Polo: manter bom relacionamento e comunicação com os parceiros.

Quanto aos processos de formação que possam estar a decorrer entre os meses de maio de 2017 e abril de 2018, prevê-se que sejam inúmeros pelo que será mais fácil consultar o nosso Plano de Atividades ou os nossos Serviços, dirigindo-se aos mesmos, que funcionam de 2ª a 6ª feira, sempre das 09h00 às 12h30 e das 14h30 às 18h15. Na maior parte do ano, até às 22h30. Através dos telf.: 262553993/ 963386271, ou através do mail: nazare@for-mar.pt É ainda o n/ Plano de Atividades aberto, isto é, desde que exista procura para processos formativos que não constem no Plano de Atividades, mas que se insiram na n/ oferta formativa, serão realizados. Atente-se que faz, fez e perspetiva continuar a fazê-lo, processos formativos que permitam, para além da obtenção de certificações profissionais, a obtenção de progressão escolar, ao nível do 3º ciclo do Ensino Básico (9º ano) e do Nível Secundário (12º ano). Cursos destinados a Jovens e Adultos. É ainda realizada formação em regime de prestação de serviços, quando solicitada por entidades parceiras. Texto e Fotos: For-Mar

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Evento

Passagem de Ano 29, 30 e 31 de Dezembro 2017

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Coelho da Silva, Espólio “Casa do Adro”

Associação

Casa do Adro A Casa do Adro é uma associação sem fins lucrativos de âmbito cultural criada na Nazaré (Pederneira) em Fevereiro de 2015, com génese na exposição permanente de trabalhos de pintura, desenho e modelação em barro de Manuel Coelho da Silva com o objectivo de homenagear o artista e o Pai de família, bem como dinamizar actividades complementares em diferentes áreas artísticas, com especial incidência no concelho e na região da Nazaré. De formação autodidacta, Manuel Coelho da Silva deixou uma obra que tem um valor patrimonial de interesse etnográfico, enquanto registo da vida quotidiana das gentes da Nazaré que, hoje, são documentos de um passado não muito longínquo. Na Casa do Adro está patente uma exposição permanente do seu trabalho, para que não fique no esquecimento dos nazarenos que o conheceram e para que os mais novos saibam que existiu e contribuiu para a divulgação da Nazaré, tanto no nosso país como no estrangeiro, e compreendam a razão pela qual foi atribuído o seu nome ao largo da fonte, junto da casa onde viveu, até 1995, na Pederneira. Para além da exposição permanente, na sua sede, a Casa do Adro - Associação Cultural tem vindo a desenvolver actividades de âmbito cultural tais como a organização de exposições, concertos musicais, aulas de guitarra, formação em estágio de multimédia, exposições e colaboração na organização em festividades tradicionais, em parceria com a Associação Recreativa Pederneirense, na sede desta associação, a Antiga Casa da Câmara da Pederneira.

Coelho da Silva, Espólio “Casa do Adro”

Coelho da Silva

Coelho da Silva

Coelho da Silva

Coelho da Silva

www.casadoadro.org Travessa do Pocinho, nº2 | 2450-060 Pederneira | Nazaré casadoadro.pederneira@gmail.com

Texto e fotos : Casa do Adro

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Nazaré Cup

26 a 29 Março 2018

Nazaré Cup Beach Julho de 2018

NAZARÉ CUP Torneio Internacional de Andebol Jovem Dr. Fernando Soares “O MELHOR TORNEIO INTERNACIONAL DE ANDEBOL JOVEM DE PORTUGAL” Nazaré Cup é um torneio de andebol jovem criado na Páscoa de 1987 pelo Dr. Fernando Soares e tem sido um meio de divulgação da modalidade e de inserção da prática do andebol na cultura desportiva nazarena. Este torneio em que participam equipas de âmbito nacional e internacional, abrange, atualmente os escalões de Minis, Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores de ambos os sexos. 6 PAVILHÕES – 240 JOGOS - 100 EQUIPAS – 1700 PARTICIPANTES

NAZARÉ CUP BEACH Torneio Internacional de Andebol de Praia 48 EQUIPAS – 600 PARTICIPANTES Fotos : VE | Câmara Municipal da Nazaré PUB

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Associação

Liga dos Amigos da Nazaré A Liga os Amigos da Nazaré (LAN) perfaz este ano o 61º aniversário da sua existência, se considerarmos que apenas a 8 de Junho de 1956 lhe foi concedido o respectivo Alvará de Licenciamento pelo então Governo Civil de Leiria. No entanto a reunião para a sua constituição teve lugar no dia 27 de Novembro de 1955 e a aprovação dos Estatutos em Assembleia Geral a 25 de Dezembro do mesmo ano.

A partir de então, entre outras, orientou a sua atividade na: • Defesa da construção de um Porto de Abrigo tão desejado: e sonhado pelos pescadores nazarenos, criando um grupo de trabalho no sentido de sensibilizar o governo de então para a sua efectivação; • Criação de um Museu Etnográfico, convencendo o comendador Amadeu Gaudêncio a doar e adaptar o espaço do actual “Museu da Nazaré”; • Melhoria do acesso e iluminação ao Forte de São Miguel. Os mais prementes desejos (Porto e Museu) apenas foram materializados no pós 25 de Abril, quando a Liga já tinha entrado em “hibernação “ ou até mesmo em “morte aparente” até 2004, ano em que o Eng.º Rui Remígio em boa hora se empenhou, afincadamente, em “reanimar” a Liga, convidando um grupo de nazarenos a juntarem-se ao projecto de reactivação. Havia que adaptar os antigos estatutos aos novos tempos. Dos seus novos estatutos ressalta sobretudo como objectivo: - Pugnar pela defesa e valorização do património cultural e natural, conservação da natureza e promoção da qualidade de vida no âmbito local e regional; - Procurar a união de todos os amigos da Nazaré, nas suas diversas manifestações de actividade, de forma a promover a valorização das belezas naturais, artísticas e folclóricas, assim como da sua tradição e etnografia; - Contribuir para que se desenvolva o gosto e o interesse pelo estudo dos assuntos que dizem respeito ao passado, ao presente e ao futuro da região, nomeadamente diligenciando a edição de qualquer publicação de interesse;

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Nazaré Marés de Maio

- Organizar congressos, exposições, conferências ou quaisquer outras manifestações que sirvam o desenvolvimento cultural, científico e artístico regional ou nacional; - Dar o seu concurso a entidades oficiais ou particulares na resolução de projectos regionais e locais e, ainda, interessar-se por quaisquer obras dignas de apoio. Reactivada a Liga, iniciou esta a actividade de realização dos seus objectivos, começando pelo levantamento do “Património Edificado Nazareno” com a colaboração dos alunos da Universidade Moderna e, já num período mais recente, homenageou o médico e emérito cidadão nazareno, Dr. José Maria Carvalho Júnior com uma Sessão Solene e exposição de fotos, artigos e material médico cedido por familiares e Biblioteca da Nazaré da qual foi fundador, e um concerto de piano, no agora Centro Cultural da Nazaré, seguindo-se o descerramento de uma placa comemorativa na casa onde viveu. “Exposição Comemorativa das Invasões Francesas e o papel do Forte de S. Miguel Arcanjo” e população nazarena nesse período, juntamente com a Câmara Municipal da Nazaré, no Centro Cultural da Nazaré, com armamento militar, fardamentos, e miniaturas cedidos pela Camara Municipal de Torres Vedras e Museu do Traje, de Lisboa, fotos (lonas) do Forte de São Miguel Arcanjo, chamando a atenção das respectivas entidades, para o seu avançado estado de degradação. Chamou a si o encargo da reparação e pintura do muro exterior do Museu da Nazaré com a colaboração das Tintas Hempel´s.

Organizou a conferência “Herança Nazarena: ao encontro dos Patrimónios” juntamente com a Câmara Municipal da Nazaré e que decorreu no Auditório da Biblioteca Municipal da Nazaré.

Embora talvez não seja do conhecimento do grande público, a Liga tem procurado intervir em todas as áreas que os seus estatutos lhe permitem, com propostas, ideias, sugestões em encontros e trocas de documentação com entidades oficiais ao nível nacional e mesmo locais, no sentido da reactivação da estação de Caminho de Ferro do Valado e aproveitamento da sua área habitacional, a dinamização do Forte de São Miguel e aproveitamento do seu espaço na criação de um polo museológico ligado às coisas do mar. Não poderemos deixar de referir a realização, nos dois últimos anos, de várias reuniões de trabalho do “Fórum do Amigos da Nazaré”, organizado e promovido pela LAN, tendo como tema de fundo a constituição de um “Centro de Desenvolvimento do Concelho da Nazaré”, e, mercê da boa aceitação junto das entidades públicas e privadas, possibilitaram definir e aprovar os estatutos da “Associação de Desenvolvimento Local do Concelho da Nazaré”, constituição de vários Grupos de Trabalho como o Porto da Nazaré, Trânsito e “Nazaré-Marés de Maio” “do qual faz parte juntamente com outros cidadãos e entidades públicas e privadas. Junta-te a nós e faz-te sócio. Quanto mais formos, mais voz teremos, mais fortes seremos na defesa do património nazareno (liganazare@gmail.com)

Texto e Foto: Liga dos Amigos da Nazaré


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Seguros

a explorar o ramo de acidentes de trabalho, reforçando, deste modo, a proteção social em caso de acidente.

A Missão Económica – a Atividade Seguradora é o que permite o desenvolvimento da Missão Social e Cooperativa. Desta forma a Mútua dos Pescadores promove e apoia em todo o país atividades formativas, culturais, desportivas e lúdicas direcionadas aos seus cooperadores e suas comunidades Constituída a 27 de Julho de 1942, por iniciativa do Almirante Henrique Tenreiro, a seguradora Mútua dos Pescadores foi criada com o objetivo de abranger as embarcações e pescadores não cobertos pelas três outras mútuas de seguros já existentes (arrasto, bacalhau e sardinha). À data, a MÚTUA dirigia-se, sobretudo, à pequena pesca artesanal e funcionava, como as suas congéneres, no âmbito da Junta Central das Casas dos Pescadores (JCCP), um organismo que enquadrava corporativamente todos os pescadores portugueses, obrigados a inscrever-se nas Casas dos Pescadores dos respetivos portos. Em 1950, o seguro de acidentes pessoais passou a ser obrigatório para a pesca artesanal, instituindo-se o pagamento dos prémios por desconto em lota de uma taxa sobre o valor bruto do pescado, sistema de pagamento que ainda hoje se pratica e que constitui uma das especificidades do seguro na pesca. Em 1954, a MÚTUA foi autorizada

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Depois do 25 de Abril, as organizações corporativas foram desmanteladas. A JCCP, a quem haviam sido cometidas as funções de previdência social a partir de 1970, passou, em 1974, a funcionar exclusivamente como uma Caixa Sindical de Previdência. Entretanto, pescadores e armadores organizaram-se em Associações de classe, surgem os Sindicatos de Pescadores e as Associações de Armadores, e, por outro lado as Mútuas de seguros autonomizaram-se como empresas e passaram a ser geridas pelos próprios associados. A revolução de Abril proporcionou à MÚTUA as condições necessárias para o seu desenvolvimento e a sua democratização: a empresa cresceu, consolidou a sua situação económica, aumentou as coberturas e as regalias, aprofundou as suas características mutualistas. Mas mesmo em democracia surgem tentativas de controle de Instituições que apresentam resultados económicos e sociais. A intervenção do Governo na MÚTUA em 1984 foi um entorse ao processo democrático, mas que acabou por constituir um estímulo para o desenvolvimento e independência desta Instituição. Apostou-se abertamente na descentralização e proximidade relativamente a toda a atividade da pesca, tendo aberto Dependências e criado uns verdadeiros Serviços Externos. Dirigentes e trabalhadores passaram a acompanhar de perto as mais diversas comunidades piscatórias de todo o País, foi criado um Serviço Social, um Boletim Informativo que viria a dar origem à Revista Marés, alteraram-se os Estatutos por forma a fazer participar mais Associados nos Órgãos Sociais. A MÚTUA cresceu em todos os sentidos. Entretanto as transformações sofridas pela frota, resultantes do desenvolvimento da pesca e da evolução tecnológica, vieram alterar substancialmente o universo e o modus operandi da MÚTUA, já não uma Mútua da pequena pesca artesanal, mas uma Mútua universalista onde cabem peque-

nas e grandes embarcações, armadores, trabalhadores por conta própria e por conta de outrem, todos com os mesmos direitos e deveres associativos. A MÚTUA dos Pescadores foi alargando a sua área de intervenção a outros áreas e ramos virados para as comunidades ribeirinhas e as atividades náuticas de lazer. A MÚTUA, em 2004, adequou os seus Estatutos à forma cooperativa e transformou-se na 1ª Cooperativa de Seguros de Portugal. De acordo com o Código Cooperativo, a MÚTUA é uma Cooperativa do Ramo Serviços, quanto ao objeto desenvolve a atividade de Seguros e, quanto aos membros, é uma Cooperativa de Utentes. Isto é, uma entidade económica organizada segundo os princípios e regras cooperativas, formada pelos utentes de seguros para obterem um serviço que lhes garanta bons produtos (coberturas) a um preço (prémio) adequado. Ainda segundo o Código Cooperativo visando “sem fins lucrativos a satisfação das necessidades económicas, sociais ou culturais”. É por isso que hoje afirmamos que somos Cooperativa continuando Mútua. Vale a pena refletir um pouco nesta afirmação, já que ela é não só semântica, mas tem um conteúdo que queremos salvaguardar. Isto é, ao dizermos que continuamos Mútua, queremos afirmar os princípios de solidariedade de que as Mútuas são um expoente, solidariedade que não se confunde com caridade, mas que garante o princípio de “um por todos e todos por um”, logo implica assumir responsabilidades individuais para que nenhum membro esteja só perante as adversidades. Mas somos Cooperativa, porque a lei de seguros define que as seguradoras podem revestir a forma de Sociedade Anónima ou a forma de Cooperativa, e ao termos escolhido a forma Cooperativa temos a convicção de que esta é a que respeita a história e garante as características mais adequadas aos serviços que prestamos. Os seguros são por definição a mutualização dos riscos. Não estando vedado que haja quem tire lucros da atividade seguradora, sempre


entendemos que há áreas, como esta, que são fundamentalmente um serviço social, que deve reger-se por princípios de transparência, preço justo, qualidade do serviço prestado, humanismo no tratamento, personalização e proximidade no atendimento. A MÚTUA ganhou há já uns anos a liderança dos seguros da pesca, o que foi reforçado pela integração da Mútua dos Armadores da Pesca da Sardinha (1994),ector tem atravessado, ou ações de concorrência por vezes desprovidas de qualquer racionalidade técnica, tem mantido não só esta posição, como tem estabilizado a carteira. Esta liderança é resultado dum maior volume de prémios na MÚTUA que em todas as outras seguradoras juntas, mas também pela proximidade e especialização obtidas, que garantem produtos adequados e sobretudo um serviço reconhecidamente com qualidade. Contribuiu para que se alcançasse esta liderança, uma definição estratégica correta, identificando a MÚTUA como “a seguradora da pesca”, a forte ligação

ao sector, que os Dirigentes personalizam, a ação da Rede Externa, em permanente contacto com todos os Associados e Atores do sector, os Serviços em geral, a quem é reconhecida competência e dedicação. Mas, para além destas realidades técnicas indesmentíveis, tem tido a MÚTUA um papel social, formativo, cultural e recreativo de valor apreciável, o que foi reconhecido na atribuição da Medalha de Honra das Pescas, pelo Sr. Ministro da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pescas em 2000. Mas, a MÚTUA percebeu oportunamente que não podia limitar a sua atuação à pesca, sob pena de vir a atravessar as mesmas dificuldades que este sector vem vivendo, quer pela redução de barcos quer de empresas e trabalhadores, tudo resultado das sucessivas reduções dos stocks de pescado e das políticas que foram sendo implementadas. Daí nasceu uma nova orientação estratégica, que definiu a MÚTUA como a seguradora das comunidades ribeirinhas

e de todas as atividades náuticas, foi o tempo de afirmar a MÚTUA como “a seguradora do mar”.

A Mútua dos Pescadores, já líder nos seguros da pesca desde meados de oitenta, começa a alargar a sua ação a outras áreas do cluster do mar, tais como: - Náutica de Recreio - Marítimo-Turística - Comunidades Ribeirinhas

1994 Concretiza-se a integração da Mútua dos Armadores da Pesca da Sardinha

2000 A Mútua dos escadores é galardoada pelo Ministro da tutela com a Medalha de Honra das Pescas.

Texto e Foto: Mútua dos Pescadores PUB

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Ambiente

O lixo nos nossos mares marítimo e as instalações offshore, como as plataformas petrolíferas, e o sistema de esgotos são responsáveis pelo restante. A origem do lixo marinho apresenta variações regionais. Nos mares Mediterrâneo, Báltico e Negro, as atividades terrestres produzem a maior parte do lixo marinho; no mar do Norte, porém, as atividades marítimas contribuem para gerar uma quantidade igualmente significativa do mesmo.

As comunidades costeiras são as mais afetadas

Os oceanos cobrem cerca de 70 % da superfície do nosso planeta e há lixo marinho praticamente por toda a parte. O lixo marinho, principalmente os plásticos, ameaça não só a saúde dos nossos mares e costas, mas também a nossa economia e as nossas comunidades. A maior parte desse lixo provém de atividades terrestres. Como poderemos pôr termo ao fluxo de lixo que invade os mares? O melhor sítio para começarmos a resolver este problema global do mar é em terra.

A origem do lixo marinho

Segundo algumas estimativas, cerca de 80 % dos detritos encontrados no ambiente marinho têm origem em atividades realizadas em terra. A origem do lixo marinho não está necessariamente limitada às atividades humanas localizadas no litoral. Mesmo quando é depositado em terra, os rios, as inundações e o vento transportam o lixo para o mar. As atividades piscatórias, o transporte

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Mais de 40 % da população da UE vive nas regiões costeiras. Para além dos seus custos ambientais, o lixo marinho também tem custos socioeconómicos, afetando sobretudo as comunidades costeiras. Um litoral limpo é essencial para o turismo de praia. Em média, são encontrados 712 elementos de lixo numa extensão de 100 m de praia na costa atlântica. E, se não forem tomadas medidas, o lixo marinho fica acumulado na praia. Para tornarem as suas estâncias balneares mais atrativas para os turistas, muitas comunidades e empresas têm de limpar as praias antes do início da estação estival.

Não existem estimativas globais do custo total do lixo marinho para a sociedade. Do mesmo modo, é difícil estimar os prejuízos causados à economia local pelo facto de os potenciais visitantes optarem por outros destinos. Mas há exemplos dos custos concretos das atividades de limpeza, quantificados em termos monetários. No Reino Unido, os municípios gastam aproximadamente 18 milhões de EUR por ano na limpeza das praias. As atividades de limpeza podem ajudar a recolher os pedaços maiores e a melhorar a paisagem, mas o que acontece aos pedaços de menor dimensão? Segundo a Kommunenes Internasjonale Miljøorganisasjon (KIMO), uma organização internacional que agrega as autoridades locais em torno das questões relativas à poluição marinha,

cerca de 10 % (do peso) do material que as marés deixam na linha de água é constituído por plásticos. Devido à sua pequena dimensão, muitas vezes é impossível distingui-los da areia.

Combate ao lixo marinho: começar pela prevenção

Embora o lixo marinho seja apenas uma das pressões que fazem sentir-se sobre o equilíbrio do ambiente marinho, constitui uma preocupação cada vez maior. A acumulação e a longa duração dos plásticos na natureza complicam ainda mais o problema. O lixo marinho é um problema transfronteiriço: quando chega ao mar, não pertence a ninguém. Este facto torna a sua gestão difícil e muito dependente da existência de uma boa colaboração regional e internacional. Alguma legislação da União Europeia incide diretamente sobre as questões marinhas. Por exemplo, a Diretiva-Quadro Estratégia Marinha da UE, adotada em 2008, identifica o lixo marinho como um dos domínios de intervenção com vista à obtenção de um bom estado ambiental de todas as águas marinhas até 2020. Dando seguimento a estas diretivas da União e ao compromisso global expresso na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, em 2012, o Sétimo Programa de Ação em matéria de Ambiente da UE (2014-2020) prevê o estabelecimento de um nível de referência e a fixação de uma meta de redução. À semelhança do que acontece com a gestão dos resíduos em geral, o ponto de partida do combate ao lixo marinho é a prevenção. Como poderemos prevenir a sua produção? Precisamos realmente de sacos de plástico novos de cada vez que vamos às compras? Será possível conceber alguns dos nossos produtos e processos de produção de modo a não conterem nem criarem microplásticos? Claro que sim. Texto: www.eea.europa.eu Foto: VE | Câmara Municipal da Nazaré


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