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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO INSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO SÃO CARLOS - SP

PROFESSORES CAP

(COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO PERMANENTE)

SIMONE HELENA TANOUE VIZIOLI PAULO CESAR CASTRAL LUCIA ZANIN SHIMBO JOUBERT JOSE LANCHA FRANCISCO SALES TRAJANO FILHO

PROFESSOR GT (GRUPO DE TRABALHO) GIVALDO LUIZ MEDEIROS

ALUNA_MARÍLIA REIS SÉ CADERNO FINAL_DISCIPLINA DE TGI II TÍTULO_OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA_ PIRACICABA_SP_BRASIL


croqui de pr贸pria autoria


“As cidades são paisagens contemporâneas. O skyline de São Paulo, visto do altos dos prédios, alastra-se como o chão arcaico do Pelourinho. As praças de Belém circunscrevem o mesmo vazio de Brasília. As margens lamacentas do Capibaribe - diz o poeta - e o solo de Sevilha. Manaus dos igarapés e as cidades tomadas pela água e bruma do Vale do Pó.” Paisagens urbanas. Nelson Brissac Peixoto. 2003.


À minha família, pelo apoio e amor incondicionais. Aos mestres, especialmente à Simone e Givaldo, por enriquecerem meu processo de TGI durante esse ano. Às amigas queridas de curso, pelas inquietações compartilhadas a respeito da Arquitetura e da vida. Ao Francisco, pelo companheirismo e serenidade, sempre.


ÍNDICE

Apresentação Inquietações e reflexões Objeto disparador de projeto Viagens e paisagens Rios e cidades: uma rede Piracicaba: complexidade construída de acúmulos Os “centros do mundo” piracicabano e a atual paisagem

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Da crítica à proposição Cartografias: Percepção e paisagem Arte e arquitetura: procedimentos de projeto Proposta de intervenção

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Pensar o ver: olhares sobre a paisagem urbana Ponte Torre Dispositivo óptico

71 81 103 129

Bibliografia

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Piracicaba, uma cidade, um rio, uma paisagem urbana em transformação. Os olhares sobre a paisagem urbana encontram-se muitas vezes saturados atualmente. A cidade possui uma dinâmica própria, na qual estamos inseridos, por isso não é possível perceber tudo à nossa volta, um conjunto de processos dinâmicos complexos e abstratos, dificulta a compreensão das transformações. (PEIXOTO, 2003)

croqui de própria autoria

APRESENTAÇÃO

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OLHARES sobre a paisagem urbana

O presente Trabalho de Graduação Integrado buscará construir reflexões a respeito desses processos e transformação de modo a propor novas possibilidades de olhares sobre a paisagem urbana de Piracicaba.


INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES


“El sentido de la arquitectura está vinculado cada vez más intrinsecamente a la capacidad de compreender y solidificar el sentido del cambio.” (GREGOTTI, 1972; apud CARON, 1992, p.33)

“Como cartografar um mundo sem fronteiras, sem medida, sem limites? Trata-se de um atlas que vai sendo desenhado por esses entrelaçamentos, por conexões e inclusões contínuas. Espairando-se cada vez mais longe. As distâncias são substituídas por novas proximidades, redistribuídas segundo outras conexões.” (PEIXOTO, 2003)

imagem de própria autoria


INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES

O processo investigativo do Trabalho de Graduação Integrado (TGI) nasce de reflexões a respeito da arquitetura, cidade e paisagem, entendendo que a arquitetura se consolida numa relação de diálogo e conflito em relação à cidade e à paisagem numa via de mão dupla. Ao iniciar-se esse processo, com a disciplina de Introdução ao TGI2012, partiu-se da premissa de que nas cidades contemporâneas grande parte dos espaços e espacialidades gerados mostram-se descartáveis, substituíveis e até certo ponto homogeneizados, de modo que as dimensões social e pública encontram-se diminuídas, sem que se exija a participação nem posicionamento crítico dos indivíduos em relação à grande maioria dos espaços onde se habita.

OBJETO DISPARADOR DE PROJETO

Frente a esse panorama inicial, nasceu o sentimento de que o processo investigativo se direcionasse a elaborar possibilidades e alternativas a uma situação preexistente, a qual ainda não existia concretamente enquanto cidade ou paisagem específica onde atuar. Ou seja, meu desacordo e minha inquietação em relação a tal panorama a respeito das cidades contemporâneas e de seus rumos, canalizaram esforços em buscar estratégias de desconstrução de situações dadas como gestos de proposição e geração de projeto. A primeira etapa desse processo – disciplina de Introdução ao TGI2012 - resultou na elaboração de um objeto-síntese o qual deveria configurar-se como elemento disparador de projeto, o projeto a ser desenvolvido ao longo do TGI. Com o passar dos meses e com o amadurecimento de questões, durante o ano de 2013, esse objeto síntese pareceu distanciar-se das decisões de projeto e dos resultados mais acabados das intervenções arquitetônicas projetadas. Entretanto, no momento de conclusão do Trabalho de Graduação Integrado (TGI), conceitos e gestos iniciais apresentaram-se como esclarecedores reafirmando os próprios resultados alcançados. OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana


INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES O estímulo para viajar e entrar em contato com realidades distintas é parte constituinte de minha formação desde a infância, de maneira que lançar um olhar estrangeiro sobre uma realidade nova sempre gerou num primeiro momento um estranhamento, um embate inicial, para que em seguida e aos poucos fossem introjetadas as impressões sobre cada lugar, ajudando a constituir pouco a pouco minha experiência própria. Uma situação em especial que sempre ofereceu uma inquietação um pouco maior, uma atenção especial, foi a presença dos rios, enquanto elementos estruturadores de paisagens, muito diversas e distintas entre si, ao mesmo tempo que a minha noção sobre território se fez, provavelmente, através desse tema.

VIAGENS E PAISAGENS

O rio, os rios, os córregos, urbanos ou não, sempre foram motivo de estudo, discussão e vivência em meu ambiente familiar, desde as primeiras lembranças da infância. Durante inúmeras viagens pelo Brasil assim como no dia-a-dia, a temática dos rios esteve presente, tanto em relação à sua vitalidade e beleza em casos de conservação quanto às más condições geralmente associadas ao meio urbano. Desse modo, em determinado momento, optei por me debruçar sobre uma série de fotografias, tiradas por mim, entre 2011 e 2012, durante viagens realizadas fora do Brasil, e me deparei com uma infinitude de paisagens urbanas configuradas por relações distintas entre rios urbanos e as cidades onde estão inseridos. Nesse momento, o exercício do desenho, apresentou-se como método investigativo para entender e pensar o assunto e acompanhou todo o processo de Trabalho de Graduação Integrado (TGI). Os exemplos iniciais trazidos são de paisagens urbanas fora do Brasil. Dessa maneira, recorro ao meu olhar estrangeiro e aparentemente distante sobre esses lugares para, em seguida, eleger um caso de pesquisa e investigação brasileiro e próximo.

croquis de própria autoria

Acredito que todo distanciamento, pode ajudar a trazer clareza às reflexões. OLHARES sobre a paisagem urbana

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“Na história das civilizações, de modo geral, os cursos d’água, rios, córregos, riachos integravam sítios atraentes para assentamentos de curta ou longa permanência, indistintamente, e eram tidos como marcos ou referenciais territoriais. (...) Já hoje, o sentimento geral a respeito do estado dos rios nas áreas urbanizadas parece repetir sempre a mesma cantilena saudosista e nostálgica – como já foram significativos...” (GORSKI, 2010) O panorama apontado por Maria Cecília Barbieri Gorski, e por uma série de outros autores, aplica-se à maioria das cidades brasileiras de modo que tal fenômeno pode ser observado em duas escalas, segundo Guilherme Wisnik: a escala local e a escala nacional. Segundo ele, em escala local, a ocupação espacial urbana brasileira desde os tempos da colonização estabeleceu um processo de negação dos rios urbanos por parte das cidades se estabeleceram à margem deles. Em escala nacional, a ocupação se deu preferencialmente na margem atlântica do território, direcionando o olhar para o exterior, para a Europa, em detrimento do interior do país, desvalorizando-o. (WISNIK, 2013) Ainda que existam exceções, exemplos de boas relações entre rios e cidades brasileiras, como nos casos do rio Capibaribe com a cidade de Recife e do rio Guaíba com a cidade de Porto Alegre (WISNIK, 2013), o descaso em relação aos rios urbanos é comum. Muitos rios e córregos, quando não canalizados e tamponados, têm suas margens ocupadas por pistas de avenidas ou pela população mais pobre desatendida pela política habitacional (BARTALINI, 2009). Segundo Angelo Bucci, as várzeas ainda são vistas como se estivessem submersas ou como se fossem obstáculos a serem superados pela ocupação urbana. Frente a esse panorama, a cidade escolhida foi Piracicaba – SP. Localizada no interior do país, especificamente no interior do estado de São Paulo, a cidade tem uma profunda relação histórica com o rio Piracicaba, sendo que a história de ambos, rio e cidade, está diretamente ligada à ocupação espacial urbana do interior do Brasil. Pretendo portanto, desenvolver um processo investigativo do caso de Piracicaba, considerando-o como apenas um ponto integrante dessa rede de cidades e paisagens urbanas interligadas, especialmente devido à existência dos rios e suas bacias.

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OLHARES sobre a paisagem urbana

RIOS E CIDADES: UMA REDE


INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES “Os rios têm, historicamente, funções múltiplas e vitais na formação e na organização das cidades, sejam elas ligadas à economia e à cultura, ao lazer, ou à infraestrutura. Vistos na escala do país – e, mais ainda, do continente –, os rios e suas bacias compõem um elo territorial que integra as cidades em um sistema unitário: uma rede feita de pontos estáveis e de fluxos.” (WISNIK, 2010)

imagem de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

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INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES

A indiscutível complexidade da cidade se constrói devido a um acúmulo de um conjunto de elementos diversos. Na cidade, momentos históricos distintos se cristalizam em suas construções e práticas opostas entre si, de modo que tudo convive no emaranhado do espaço urbano e do tempo presente. (BUCCI, 2003) Devido à relação direta de sua história com a própria história do Brasil, apesar de não ser uma metrópole, Piracicaba é “(...) uma complexidade construída de acúmulos” (BUCCI, 2003).

PIRACICABA: COMPLEXIDADE CONSTRUÍDA DE ACÚMULOS

“As construções em andamento, as obras inacabadas, têm essa graça: permitem que se veja com clareza possibilidades de configurações, possibilidades que a conclusão dos trabalhos tendem a esconder cada vez mais fundo. (...) As cidades, estas sim, são sempre construções em andamento. Dito de outra maneira, numa perspectiva moderna, as obras, mesmo prontas, continuam a ser, mais do que nunca, projetos. Projetos para outras possibilidades de configuração.” (BUCCI, 2003) Desse modo, vejo a proposta de intervenção como mais um elemento que venha a fazer parte desse acúmulo de um conjunto de elementos diversos – topografia, malha urbana, memória, entre outros – o qual confere complexidade à cidade e configura a paisagem urbana. Além disso, a proposta de intervenção deve se apresentar como suporte para novas configurações da paisagem urbana, a partir dessa visão de que a cidade está em constante transformação, ao mesmo tempo em que a natureza da mesma seja de reconfiguração, à medida que a paisagem urbana - na qual esteja inserida e seja parte constituinte da mesma - se transforme. OLHARES sobre a paisagem urbana

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“O RIO não é considerado a principal referência da CIDADE, mas é ela em si mesma.” (IPPLAP, 2001)

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OS “CENTROS DO MUNDO” PIRACICABANO E A ATUAL PAISAGEM

INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES

PI-RA-CI-CA-BA do tupi guarani “lugar onde os peixes param” Em referência às quedas do rio Piracicaba, hoje conhecido como o Salto do rio Piracicaba, local onde os peixes no período de piracema, não conseguiam continuar a subida do rio, para realizar a desova.

Com o objetivo de alcançar a percepção que o cidadão piracicabano tem de onde vive, o antropólogo urbano Arlindo Stefani, elaborou um diagnóstico nomeado “A cara de Piracicaba” o qual consistiu na primeira etapa do projeto Beira Rio*. (IPPLAP, 2001) Nesse diagnóstico encontram-se mapeados espaços da cidade com os quais grupos humanos estabeleceram relações, em determinados períodos considerados representativos para a constituição da cidade. Esses locais foram denominados “centros do mundo” piracicabano. (IPPLAP, 2001) Além disso, a partir da interpretação da história de Piracicaba, Stefani detectou momentos-chave da história da cidade, entres ciclos agrícolas, imigrações e industrialização, elegendo três principais: “A relação rio-homem-rio deu nascimento ao espírito do lugar. Este percorreu três grandes ciclos econômico-sociais e ambientais para nos introduzir no atual.” (STEFANI, 2001; apud NETTO, 2003) O primeiro “centro do mundo” piracicabano, denominado Taba, relaciona-se às origens da cidade, com a instalação dos índios paiaguás à beira rio, próxima a área do Salto, na margem direita, onde hoje está localizado o Engenho Central [1]. Com a chegada do branco português, o colonizador, é fundada a povoação de Piracicaba em 1767 sendo promovida a freguesia em 1774. O povoado de Nossa Senhora dos Prazeres [2], com localização próxima a da Taba, é, portanto, o segundo “centro do mundo” piracicabano. * O projeto Beira Rio surge da constatação de que o rio e a cidade de Piracicaba formam um sistema biocultural, no sendo que o desenvolvimento da cidade passa pelo desenvolvimento de sua relação com o rio. Desde 2001, está sendo desenvolvido pela Prefeitura do Município a partir da elaboração de um diagnóstico antropológico e participativo - intitulado “A cara de Piracicaba” e coordenado pelo antropólogo urbano franco-brasileiro Arlindo Stefani - que serviu de base para um Plano de Ação Estruturador (PAE) - com foco no Planejamento Ambiental e Desenho Ambiental – e posteriores projetos de requalificação para áreas específicas da cidade. OLHARES sobre a paisagem urbana

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“O índio veio aonde o peixe pára. O industrial veio aonde o peixe pula. Nós vamos aonde o peixe espera. O peixe criou o índio. O salto criou o industrial. E o rio, conosco cria Piracicaba.” Arlindo Stefani. O espírito do lugar. 2003.

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INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES O primeiro grande ciclo: o Ciclo do Índio, do Colonizador, do Povoador encerra-se no momento em que o centro se aproxima do Salto. “Ali descobrem que o rio é energia, além de ser peixe. Começa, então, a era industrial, filha do Salto.” (STEFANI, 2001; apud NETTO, 2003) Em 1784, o centro se desloca para a margem oposta na base da colina onde hoje se localiza a rua do Porto [3]. O primeiro núcleo da atual cidade associado à pesca, torna-se o terceiro “centro do mundo” piracicabano. Em 1821, é criada a cidade de Constituição e o centro se desloca para os altos da colina, onde hoje se localiza a praça José Bonifácio [4], entre a Igreja e a Casa de Câmara e Cadeia. O quarto “centro do mundo” piracicabano é o único que se distancia do rio, apesar das relações econômicas continuarem a ocorrer na região do Porto. “E o centro se deixou ficar, no topo da colina, por cerca de 150 anos”. (STEFANI, 2001; apud NETTO, 2003) Nesse período de distanciamento do rio, ocorre o desenvolvimento industrial ao mesmo tempo em que o Rio sofre processos de desvalorização e degradação. O segundo grande ciclo: o Ciclo industrial se inicia e encerra simbolicamente com a construção, a partir de 1881 e com o fechamento do Engenho Central em 1974, respectivamente, e tem aproximadamente 100 anos de duração. Em 1988, o centro volta a aproximar-se do rio, desloca-se do centro da cidade para a orla. O atual edifício da Prefeitura Municipal [5] corresponde ao quinto “centro do mundo” piracicabano e simboliza o terceiro e atual grande ciclo econômico-sociais e ambiental: o Ciclo da Informação. Segundo Stefani, o Ciclo da Informação por ele denominado, busca a reaproximação com o rio e ao contrário dos outros ciclos, leva em consideração o passado e o futuro da história de Piracicaba. Nesse sentido, acrescenta que desde os índios até o atual habitante vem se juntar à memória de Piracicaba, um novo personagem: “o Visitante, nosso novo industrial da cultura do turismo”. (STEFANI, 2001; apud NETTO, 2003) A partir dessa constatação final, compreende-se que as intervenções executadas do projeto Beira Rio até o dado momento, sendo elas: Parque da Rua do Porto, reforma da Avenida Beira Rio e Rua do Porto além de eventos organizados no Engenho Central qualificam esses espaços com a intenção de atrair frequentadores: tanto habitantes quanto, principalmente, visitantes. Pode-se dizer, portanto, que esse projeto se alinha a uma política cultural global, associada a grandes reformas e reconversões de espaços considerados degradados. No Brasil e no mundo, despertou-se a percepção de que grandes projetos urbanos em orlas marítimas e fluviais urbanas voltados ao turismo possuem um potencial econômico representativo. Nesse sentido, segundo Wisnik: “É exatamente esse potencial que parece estar sendo percebido e valorizado hoje, de modo ambíguo, em algumas cidades do país, nas quais se nota uma corrida recente do poder público e do mercado imobiliário para as orlas fluviais, projetando e construindo nelas centros turísticos, comerciais, ou condomínios de luxo. Há, portanto, sinais contraditórios de uma recente revisão desse legado histórico em um contexto dito pós-industrial e globalizado, embora ainda na periferia do capitalismo. Em que termos essa revisão crítica se dará? Superando o legado colonial, ou aprofundando o seu caráter predatório e exclusivista?” (WISNIK, 2010) OLHARES sobre a paisagem urbana

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INQUIETAÇÕES E REFLEXÕES

1 TABA INDÍGENA 2 POVOADO NOSSA SENHORA DOS PRAZERES 3 ATUAL RUA DO PORTO 4 ATUAL PRAÇA JOSÉ BONIFÁCIO 5 ATUAL PREFEITURA

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De que maneira atuar frente a esse panorama? Ao mesmo tempo em que se justifica a busca da reaproximação com o rio através da consideração da memória - passado presente e futuro - numa tentativa de reconciliação e desfrute dessa paisagem por todos, é possível notar que a natureza das intervenções já executadas e em execução do Projeto Beira Rio especialmente, é recorrente em outros contextos de orlas fluviais e marítimas, que tem por finalidade explorar o potencial turístico desses lugares. Desse modo, tal panorama parece apontar à valorização do “visitante” e de seu potencial de consumo em detrimento do habitante local. Entendo também que essa tendência de explorar o potencial turístico do Rio Piracicaba pode criar imagens da própria cidade e dinâmicas nela descoladas da realidade local e que em última instância descaracterizam as tradições locais, pois se tornam produtos para serem consumidos por esse “visitante”– o passeio no parque, o almoço à beira rio, a visita ao museu, a participação em determinado evento temporário. Sem excluir o “visitante”, entretanto, pretendo apresentar uma proposta de intervenção que ofereça um outro panorama à cidade: outras possibilidades de ver e desfrutar dessa paisagem pelo morador local principalmente, com o intuito de promover a reflexão ao invés do consumo dessa paisagem urbana.

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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO


“Hoje em dia, a descrição está substituindo a paisagem. (...) O que já se disse recobre seus contornos e nuances. Nas cidades, os olhos não veem coisas, mas figuras de coisas que significam outras coisas. Ícones, estátuas, tudo é símbolo. Aqui tudo é linguagem, tudo se presta de imediato à descrição, ao mapeamento. Como é realmente a cidade sob esse carregado invólucro de símbolos, o que contém e o que esconde, parece impossível saber.” (PEIXOTO, 2003)

“Uma maneira diferente de falar de uma cidade: a partir das primeiras impressões que temos ao chegar, das pedras e cinzas que restam dela ou de velhos cartões-postais. Ou ainda dos seus nomes, capazes de evocar a vista, a luz, os rumores e até o ar no qual paira a poeira de suas ruas. É por meio desses indícios – e não das descrições – que se pode obter um verdadeiro quadro dos lugares.” (PEIXOTO, 2003)

croquis de própria autoria


DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

Os olhares sobre a paisagem urbana encontram-se muitas vezes saturados atualmente. A cidade possui uma dinâmica própria, na qual estamos inseridos, por isso não é possível perceber tudo à nossa volta, um conjunto de processos dinâmicos complexos e abstratos, dificulta a compreensão das transformações, portanto a percepção torna-se um problema. (PEIXOTO, 2003) “A cidade tornou-se veloz. O que era povo virou massa, hoje são povos. O que era marco fundiu-se em aglomerados verticalizantes. Onde a terra era de ninguém, tornou-se de alguém ou do Estado, aparecendo vias e cercas. Sem abandonar seu caráter, a cidade mudou de forma.” (CARON, 1992)

CARTOGRAFIAS: PERCEPÇÃO E PAISAGEM URBANA

Considerando-se que a cidade não é uma tabula rasa, nem um espaço neutro que se pode controlar, o desafio se torna a capacidade de perceber os processos e canalizar esforços para a possibilidade de transformação, através de uma proposta de intervenção. Segundo Jorge Caron, a cultura é o elemento capaz de costurar fragmentos da cidade pela memória de grupos que a fizeram crescer e é preciso lê-la por zonas, entendendo-a como obra de arte. (CARON, 1992) Desse modo buscarei em primeiro lugar, mapear as áreas de interesse na cidade de Piracicaba através de cartografias, geradas pelas leituras e reflexões; levantamento de campo e dos documentos; e sobreposição dos mapas produzidos. Em seguida, buscarei investigar procedimentos empregados em obras de arte urbana contemporânea especialmente, para empregálos nos projetos de arquitetura que são a finalidade deste trabalho de graduação integrado (TGI).

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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

1 PONTE DO SHOPPING 2 PONTE DO MIRANTE 3 PASSARELA PÊNSIL 4 PASSARELA DR. ANINOEL DIAS PACHECO 5 PONTE DO MORATO

TRAVESSIAS OLHARES sobre a paisagem urbana

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passarela dr. aninoel dias pacheco

ponte do mirante


passarela pĂŞnsil


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CONSTRUÍDO

DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

1 PARQUE DO MIRANTE 2 MUSEU DA ÁGUA 3 ANTIGA FÁBRICA BOYES 4 PALACETE LUIZ DE QUEIROZ 5 ENGENHO CENTRAL 6 CASA DO POVOADOR 7 PRAÇA DOS PESCADORES 8 RUADOPORTO 9 PREFEITURA

SITUAÇÕES DE INTERESSE OLHARES sobre a paisagem urbana

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museu da água

atual edifício da prefeitura

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engenho central

antiga fรกbrica Boyes

estabelecimento comercial


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NATURALIZADO

DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

1 PARQUE DO MIRANTE 2 PRAÇA DA BOYES 3 RESERVA DO ENGENHO CENTRAL 4 TERRENO GRAMADO PARTICULAR 5 PARQUE DO PORTO 6 CHÁCARAS NAZARÉ 7 ANTIGA PEDREIRA DO BONGUE

SITUAÇÕES DE INTERESSE OLHARES sobre a paisagem urbana

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entorno_museu da água

véu de noiva_parque do mirante


terreno gramado particular

parque do porto antiga pedreira do bongue


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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

1 NATURAL_SALTO do rio PIracicaba 2 ARTIFICIAL_antiga PEDREIRA do Bongue

DESNÍVEIS TOPOGRÁFICOS OLHARES sobre a paisagem urbana

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antiga PEDREIRA do Bongue

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SALTO do rio PIracicaba


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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

1 PONTE DO MIRANTE > ORLA URBANA > RUA DO PORTO 2 CENTRO > TERRENO [3] > ANTIGA PEDREIRA > ÁREA RURAL [4a] 3 TERRENO GRAMADO PARTICULAR > SKYLINE_CENTRO [2] 4 a_ALTO DA PEDREIRA > ÁREA RURAL (VETOR DE CRESCIMENTO NOROESTE) b_ALTO DA PEDREIRA > ORLA URBANA > SKYLINE_CENTRO [2]

VISUAIS OLHARES sobre a paisagem urbana

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[4a]

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[3]

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CENTRO [2]

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ZOOM

RIO [2]


ANTIGA PEDREIRA DO BONGUE

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pared茫o menor


TERRENO GRAMADO PARTICULAR pared達o maior

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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

Realizadas as cartografias e o cruzamento de informações através da sobreposição de mapas, encontro três áreas de interesse na cidade de Piracicaba com configurações urbanas específicas e questões comuns entre elas. A linha que perpassa as três relaciona-se à percepção da paisagem urbana, considerando-se: todas as questões apontadas pelas reflexões, cada um dos mapas e sequências de fotografias - fragmentos e panoramas. Desse modo, sobre cada uma dessas áreas pretendo aplicar procedimentos da Arte e da Arquitetura como meios de lançar um olhar crítico sobre a paisagem urbana, configurando cada um dos projetos e entendendo-os como uma intervenção contínua no território.

ÁREAS OLHARES sobre a paisagem urbana

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ARTE E ARQUITETURA: PROCEDIMENTOS DE PROJETO O projeto Arte/Cidade** vê a cidade como um suporte para a produção artística. Arte como espaço urbano, além de experiência estética. A arquitetura a priori possui o compromisso, a função social de prover o uso de uma espacialidade. A arte, ao contrário possui certa autonomia em relação à arquitetura, e seu mote é sua própria inquietação. (PEIXOTO, 2003) Nesse sentido sobre o atual espaço de arte, segundo Wisnik: “Explodindo o seu suporte, ganhando o espaço circundante, construindo ambientes, abrindo-se à participação do espectador, e agindo diretamente no mundo da vida, a arte contemporânea conquistou um território antes restrito à arquitetura e ao urbanismo – tanto em temática quanto em escala –, misturando-se a ele. Liberada, porém, de qualquer compromisso restaurador ou edificante, e podendo assumir, ao contrário, um ângulo essencialmente crítico e negativo.” (WISNIK, 2010) A arte no espaço urbano hoje, portanto, não consiste na disposição de monumentos em praças e nós viários como objetos de comemoração ou exaltação à algum fato histórico. Após um processo de ruptura, a aproximação entre obra e público se dá através da relação de tensão. A obra deve adotar postura crítica de tensionamento do lugar através da constituição de relações que alterem a percepção que se tem normalmente daquele espaço, sem pacificidade, sem a finalidade de contemplação. (WISNIK, 2010)

croquis de leitura

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“Olhos atentos” José Resende

“Your shared planet” Olafur Eliasson

**Arte/Cidade é um projeto de intervenções urbanas, que se realiza na cidade de São Paulo desde 1994, tendo quatro edições realizadas até agora. O projeto procura identificar áreas críticas da cidade diretamente relacionadas com processos de reestruturação e projetos de redesenvolvimento, visando identificar seus agentes e linhas de força e ativar sua dinâmica e diversidade. Reunindo artistas e arquitetos, internacionais e brasileiros, voltados para situações urbanas complexas, o projeto visa desenvolver repertório _ técnico, estético e institucional _ para práticas artísticas e urbanísticas não convencionais. OLHARES sobre a paisagem urbana


DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

Nesse sentido, o projeto Margem*** adota essa postura, atentando-se justamente para o caso dos rios urbanos brasileiros, segundo Wisnik: “Assim, os rios e suas margens não são, para esse projeto, metáforas nostálgicas de uma urbanidade perdida. Mas, talvez, chaves de uma urbanidade recalcada e latente no coração decrépito, e ainda mal formado, das cidades brasileiras. Chaves que hoje, em novo registro, aparecem como centrais no conflituoso processo de reconfiguração urbana que se dará, nestas cidades, em um futuro próximo.” (WISNIK, 2010) Considero essa aproximação entre obra e público, arte e arquitetura como ponto de partida para definição de procedimentos geradores de projeto. Em minhas propostas de arquitetura, portanto, opto por incorporar a postura de atuação da arte urbana contemporânea enquanto disparadora de uma consciência crítica do lugar. Sobre essa postura, Rendell coloca: “(...) eu defendo que a arte pública deveria estar empenhada na produção de objetos e espaços inquietantes, capazes de nos provocar, recusando abrir mão de suas intenções facilmente, pelo contrário, deveriam nos exigir um constante questionamento do mundo ao nosso redor.” (RENDELL, 2008; apud TONETTI, 2013)

“Walking is Measuring” Richard Serra

“Memorial do holocausto” Peter Eisenman

***Margem é um projeto de Arte Urbana Pública do tipo site specific organizado pelo Itaú Cultural com curadoria do arquiteto Guilherme Wisnik em 2010. O projeto atua na escala urbana com vistas a um debate sobre a ocupação territorial nacional e opera no sentido de uma crítica à ocupação espacial urbana brasileira que nega seus rios na escala local e, em escala nacional, à ocupação apenas da margem atlântica do território, direcionando o olhar para o exterior em detrimento de do interior do país, desvalorizando-o. Foi idealizado para ocorrer doze cidades brasileiras, cujos rios fizessem parte das três grandes bacias hidrográficas brasileiras: a Amazônica, a do rio Paraná-Prata, e a do São Francisco, sempre relacionando um artista a uma realidade local. OLHARES sobre a paisagem urbana

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RE

ENCONTRO

VISÃO CRÍTICA

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VISÃO

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PAISAGEM


DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

A proposta de intervenção, portanto, configura-se um conjunto de três projetos em continuidade no território, os quais buscam estabelecer uma relação de tensionamento com o entorno e entre eles mesmos, de modo a ativar a consciência crítica do lugar por parte dos usuários, admitindo inclusive aspectos contraditórios, tendo em vista a constante transformação da paisagem urbana da qual fazem parte. Em linhas gerais, as soluções arquitetônicas adotadas partem de percursos e deslocamentos (físicos e visuais) que levam a um encontro e/ou enfrentamento com determinada configuração urbana e posteriormente o desvelamento de uma paisagem, apreendida com uma visão crítica.

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DA PROBLEMATIZAÇÃO À PROPOSIÇÃO

Enquanto solução arquitetônica opto por partir de dispositivos já existentes e empregados ao longo da história da humanidade como suportes que auxiliaram no desenvolvimento da sociedade existente hoje. Pontes, torres e dispositivos ópticos surgiram por demandas de superação das limitações impostas pela natureza em geral, algo que permitiu o desvelamento gradual do território, sendo ressignificadas as distâncias e as conexões entre paisagens. Partindo desses dispositivos conhecidos, portanto, buscarei a desfuncionalização e ressignificação de cada um deles pela abordagem provida pela arte, de modo a criar suportes para ver e ressignificar criticamente os olhares sobre a paisagem urbana de Piracicaba.

1 PONTE 2 TORRE 3 DISPOSITIVO ÓPTICO

ÁREAS OLHARES sobre a paisagem urbana

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PONTE

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OLHARES sobre a paisagem urbana

TORRE

DISPOSITIVO ÓPTICO


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA


“Es una característica del producto artístico comportarse como un fuente de significados diversos, no solo en el plan dela transformación de su uso a lo largo del tiempo, sino en la disponibilidad orientada con sentido, a modo de estratos de significados, incluso contradictórios.” GREGOTTI (1972, apud CARON, 1992, p.33)

“A função da arte é construir imagens da cidade que sejam novas, que passem a fazer parte da própria paisagem urbana. Quando parecíamos condenados às imagens uniformemente aceleradas e sem espessura, típicas da mídia atual, reinventar a localização e a permanência. (...) Através dessas paisagens, redescobrir a cidade.” (PEIXOTO, 2003)


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

Apresento agora uma intervenção contínua no território, composta por três projetos e um olhar sobre cada uma das configurações urbanas. 1_PONTE_ buscará questionar as intervenções beira-rio já existentes e a questão do turismo. 2_TORRE_ buscará questionar a ação do homem sobre o território e as perspectivas de crescimento da cidade de Piracicaba. 3_DISPOSITIVO ÓPTICO buscará explorar como a cidade vê a si própria, configurando-se como uma síntese dos outros dois - torre e ponte - e do próprio processo de projeto.

croqui de leitura_“Olhos atentos” José Resende OLHARES sobre a paisagem urbana

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TORRE

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0

50 100

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

PON T E

DIS PO S ITIVO ÓP TIC O

IMPLANTAÇÃO GERAL

OLHARES sobre a paisagem urbana

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TORRE

TORRE

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

PON T E desvio

DIS PO S ITIV O ÓP TIC O

DIS PO S ITIV O ÓPTICO

PONTE

IMPLANTAÇÃO GERAL SEÇÃO GERAL COM DESVIO 75

OLHARES sobre a paisagem urbana


CONCRETO: utilizado em elementos que entram em contato com o solo, de modo a enfatizar um vínculo direto e físico com o território. Uso estrutural, vedação e acabamento - cascas, pilares, vigas e lajes e pisos. AÇO PATINÁVEL ou comum com pintura eletrostática cor vermelho queimado: utilizado em elementos que não entram em contato com o solo, de modo a demarcar visualmente alguns elementos na paisagem. Uso estrutural, vedação e acabamento - pilares, vigas, guarda-corpos e painéis. VIDRO laminado temperado : utilizado em elementos que não entram em contato com o solo com a intenção de que se veja através, não se configurando como barreira visual em relação ao entorno. Uso estrutural, vedação e acabamento - piso, guarda-corpos e painéis.

76

OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

As materialidades empregadas são as mesmas para os três projetos e as técnicas contrutivas convencionais. Admitindo reconfigurações das materialidades em cada situação particular, o que se busca é enfatizar a unidade entre as três enquanto intervenção contínua.

OLHARES sobre a paisagem urbana

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“Nosso olhar horizontal estabelece a paisagem. (...) A horizontalidade é a razão de ser das pontes que contestam os despenhadeiros e são irmãs da horizontalidade de suas margens, no entanto, sublimes em seu voo.” (CARON, 1992)

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OLHARES sobre a paisagem urbana

croqui de leitura_“Olhos atentos” José Resende


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

As intervenções existentes ao longo da orla urbana do rio Piracicaba, configuram-se como travessias, pontes e passarelas, ou como intervenções contidas pelas margens. Nos dois casos, entendo que o rio é encarado como uma barreira física ou como elemento a ser contemplado, com exceção talvez somente dos pescadores que ainda atuam e estabelecem uma relação mais direta. O rio portanto é visto majoritariamente, como um elemento a ser superado, no caso das travessias, ou a ser “respeitado” sem contato direto, enquanto que todas as intervenções beira rio - boa parte delas turísticas na região central - encontram-se contidas pelas margens.

1_PONTE

Nesse sentido, o projeto de uma ponte, pretende além de enfatizar a horizontalidade das pontes e da paisagem, questionar essa atual condição rígida do indivíduo e da cidade em relação ao rio. Desse modo, proponho uma ponte em potencial, fisicamente. Interrompe-se a travessia, porém visualmente se oferece um panorama novo em relação ao rio. A área escolhida é o Salto do rio Piracicaba, local de maior desnível do leito do rio dentro da área urbana e com forte caráter simbólico para a constituição da cidade. Além da travessia interrompida, outro aspecto que pretende abrir possibilidades de relações entre o indivíduo e a superfície da água, é o contato visual, através do piso de vidro. Os acessos ocorrem a partir das duas margens, de um lado através do Parque do Mirante e do outro através do Museu da Água, ambas atrações turísticas da cidade.

OLHARES sobre a paisagem urbana

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imagem de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

referência: “Olhos atentos” José Resende


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

croquis de pr贸pria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

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imagens de pr贸pria autoria

VISTA museu da 谩gua > parque do mirante

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OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

exterior_museu da água

véu de noiva_parque do mirante

panorama parque do mirante > salto > museu da água

OLHARES sobre a paisagem urbana

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rua maria manieiro acesso rio piracicaba

acesso PARQUE DO MIRANTE

SALTO_RIO PIRACICABA

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

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av. beira rio acesso 0.0

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a cesso MUSEU DA Á GUA

MUSEU DA ÁGUA

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I MPLAVISTA N TA ÇÃNE_PONTE O_ PON T E

OLHARES sobre a paisagem urbana

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NE

rua maria manieiro acesso rio piracicaba

acesso PARQUE DO MIRANTE

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

av. beira rio acesso

a cesso MUSEU DA Á GUA

VISTA NOROESTE_PONTE

OLHARES sobre a paisagem urbana

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+1.5

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

NE1

VISTA NOROESTE1 acesso PARQUE DO MIRANTE

OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

NE2

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VISTA NOROESTE2 ac e sso MU S E U D A Á G U A

OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

AA’

+1.3 0.0

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SEÇÃO TRANSVERSAL AA’ ac e sso MU S E U D A Á G U A

OLHARES sobre a paisagem urbana

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IMAGEM-SรNTESE PONTE vista parque do mirante > museu da รกgua OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

OLHARES sobre a paisagem urbana

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“As torres sobem. Sobem? Nosso olhar sobe com elas, perfurando nuvens. São referências para o olhar que se eleva ao território da liberdade dos pássaros. Do alto da torre o olhar mergulha no vertigo: o solo familiar e distante ameaça nossa fragilidade.” (CARON, 1992)

croqui de leitura_Giralda_Sevilla

“As torres, também feitas por homens falam outro idioma. Libertárias abandonam o chão e rasgam a prisão do horizonte trágicas, apunhalam o solo quando se desprendem simbólicas, marcam o tempo da efeméride.” (CARON, 1992)

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“Do alto, o mosaico contraditório parece unificar-se, como se o desvendássemos. Olhar para o alto, olhar para baixo. Para o ponto de fuga do zênite, contrário à naturalidade do olhar horizontal, para a visão plongée*, curiosa, bisbilhoteira do labirinto.” (CARON, 1992) *visão plongée = visão panorâmica, vista do alto para baixo. OLHARES sobre a paisagem urbana


croqui de leitura_”Torre da Cultura” Jorge Caron

PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA Localizada entre um dos dois paredões de pedra da antiga pedreira do Bongue - desativada na década de 80 - e a avenida Jaime (Estrada do Bongue ), a TORRE pretende reestabelecer a conexão entre o rio Piracicaba e alto do morro. Por um lado, a cisão no relevo e os prováveis danos ambientais, frutos da ação antrópica de extração de pedra, causaram grande impacto na paisagem num primeiro momento, por outro lado a exposição das camadas geológicas observada nos dois paredões juntamente com a vegetação a beira rio, hoje, configuram-se como um marco visual na paisagem de Piracicaba, sendo avistadas de diversos pontos da cidade.

2_TORRE

A área escolhida encontra-se entre a área urbana consolidada e o vetor de crescimento noroeste da cidade de Piracicaba, previsto em plano diretor. Do alto do paredão é possível avistar, ao sul o centro da cidade e a orla urbana (subida do rio) e ao norte novos empreendimentos imobiliários em sua maioria condomínios e loteamentos fechados e ainda parte da área rural. A inserção de uma torre de circulação vertical, portanto, coloca-se no sentido de reestabelecer a conexão física entre rio e alto do morro, configurando-se como um espaço/ dispositivo público de transporte e de fruição da paisagem urbana em transformação. Na TORRE, justapõem-se dois percursos verticais com características diferentes. O primeiro, ocorre através de uma caixa de escada, permite a subida gradual e mais lenta através do andar, com pequenos enquadramentos da paisagem a cada meio patamar, além da visualização do próprio solo exposto - paredão de pedra. O segundo percurso ocorre através de dois elevadores e se faz de modo contínuo e mais rápido num descortinamento ascendente da paisagem urbana - avistando-se desde o centro até a área rural. OLHARES sobre a paisagem urbana

101


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imagem de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

eferência: “Torre da Cultura” Jorge Caron


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana


referência: “Torre/mirante” Stefan Giers

PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

referência: “CGAC” Álvaro Siza

croquis de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

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imagens de pr贸pria autoria

condom铆nios

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OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

pescadores

panorama pared천es da antiga pedreira do bongue

OLHARES sobre a paisagem urbana

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ACESSO BAIRRO

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OLHARES sobre a paisagem urbana

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PAREDÃO PEDREIRA


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

SO ESTRADA DO BONGUE

RIO PIRACICABA

I MPLA N TA ÇÃ O_ T OR R E

OLHARES sobre a paisagem urbana

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0 00

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OLHARES sobre a paisagem urbana

40 40 40


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PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA PLA N TA _ T OR R E

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E L E VA D O R

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PAREDÃO PEDREIRA i=8%

parada ônibus

s

APOIO - 0 .6 OLHARES sobre a paisagem urbana

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+57.2

rua aracaju

acesso

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acesso 0

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av jaime pereira estrada do bongue


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rio piracicaba

VISTA SUL_TORRE


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VI S TA LE S T E _ T OR R E


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VI S TA OE S T E _ T OR R E


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AA’

+56.0

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acesso SEÇÃO AA’_TORRE


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IMAGEM-SĂ?NTESE TORRE vista TORRE > centro da cidade_skyline OLHARES sobre a paisagem urbana


sobre dispositivos ópticos_ “(...)alteram radicalmente nossa percepção geográfica. Eles projetam a imagem de um mundo fora do nosso alcance. A apropriação do próximo e do longínquo abole nosso conhecimento das distâncias e das dimensões. A percepção completa da situação só pode se fazer por meio desses instrumentos. Com a observação instrumental, ocorre uma passagem da visão à visualização. Estamos agora a uma distância incomensurável daquilo que pode ser dado pela experiência.” (CARON, 1992)

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croqui de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

3_DISPOSITIVO ÓPTICO Localizado no bairro Nova Piracicaba, na cota mais alta do lado côncavo do rio Piracicaba, próximo ao conjunto do engenho central, o grande terreno gramado não tem muros e possui apenas quatro grandes lotes ocupados por casas de luxo. A área é majoritariamente residencial com gabarito baixo, porém alguns empreendimentos de condomínios verticais já encontram-se em construção, o que aponta para uma possível verticalização. A partir dessa área, margeada pela Av, Presidente Kennedy - uma das principais da cidade, é possível ver grande parte do skyline do centro da cidade, localizado na cota mais alto do outro lado do rio, além do topo do edifício da prefeitura, localizado também do outro lado do rio, porém na área de várzea. Além disso, a partir do centro e de outros pontos da cidade, é possível realizar a visão contrária: uma grande mancha verde, no alto de um morro. Preservar essa superfície livre tornou-se então uma diretriz de projeto, considerando-se a qualidade de marco visual da paisagem ao mesmo tempo que mirante - além da tendência de verticalização já apontada. Desse modo a condição de DISPOSITIVO ÓPTICO colocada a priori, une-se à intenção de torná-lo um espaço público por completo, com exceção dos lotes já ocupados. Outras duas variáveis importantes como diretrizes de projeto foram: o caminho do sol - elemento natural e invariável, de modo que o EIXO NORTE-SUL marca a superfície do terreno acompanhando o relevo natural; e o traçado das vias constituinte da morfologia das cidades, de modo que o rebatimento da malha urbana ortogonal possibilitou cortes e inserções de percursos sob a superfície, especialmente nos acessos pavimentados e sob a terra, criando percursos enterrados.

OLHARES sobre a paisagem urbana

127


imagem de própria autoria

128 OLHARES sobre a paisagem urbana

referências: “Periscópio” Guto Lacaz / “Your shared planet” Olafur Eliasson


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

Com a variação das cotas naturais do terreno e das inserções artificiais nele propostas, criou-se um DISPOSITIVO ÓPTICO em que os usuários encontram-se imersos e inseridos nele. Ou seja, a condição de dispositivo prevê que através dele seja possível dar visibilidade à questões anteriormente imperceptíveis, relativas ao entorno e à paisagem urbana que se transforma constantemente. Além dos percursos, que se desdobram entre níveis subterrâneos e superfícies, proponho dois PAVILHÕES enterrados configurados como espaços museográficos a princípio, com suportes para exposição de diversos tipos de material. A ligação entre os dois pavilhões realiza-se através de um percurso subterrâneo denominado CONEXÃO NORTESUL. Na superfície, justamente na cota mais alta, do próprio terreno e do entorno, proponho um BANCO-MIRANTE, o qual se configura como um extenso platô-mobiliário que apenas reafirma a condição de visibilidade do skyline do centro da cidade antes observado apenas da calçada. O local já possuía duas paradas de ônibus, as quais foram mantidas e incorporadas ao projeto. O acesso ao dispositivo óptico se faz a partir de todo o perímetro livre, pela grama, ou por cinco acessos pavimentados em nível e rampas acessíveis os quais levam aos pavilhões. Além disso alguns pontos de transporte vertical foram incluídos para que se garantisse o acesso de todo público. Elevadores associados aos pavilhões e algumas escadas no trecho de CONEXÃO NORTE-SUL.

OLHARES sobre a paisagem urbana

129


130

OLHARES sobre a paisagem urbana


referência: “Parque de Piedra Tosca” RCR Arquitectes”

PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

croquis de própria autoria OLHARES sobre a paisagem urbana

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imagens de pr贸pria autoria

parada de 么nibus

empreendimento imobili谩rio de luxo


edifĂ­cio da prefeitura (amarelo)

recorte do pan

panoram


0

50 100

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I MPLA N TA ÇÃ O_ D I S POS I T I VO ÓPT I CO

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parada ônibus

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elevadores

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painel giratório móvel 2,5mX3m

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E L E VASD O R

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E L E VA D O R E L E VA D O R cla

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painel móvel 2,5mX3m

h (seção)= 2,5m c o r te _NPLA N TA DIISSPOS POSIITTIIVO VO r e c o r te _r eI MPLA TA ÇÃ O__D

ÓPTIICO CO ÓPT


painel giratório móvel 2,5mX3m

E L E VA D O R

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CONEXÃO NORTE-SUL

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O

pro s

2 jeç

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rab

óia

E L E VA D O R

painel móvel 2,5mX3m

h (seção)= 2,5m

r e c o r te _ PLA N TA _ D I S POS I T I VO ÓPT I CO


guarda-corpo-painel vidro 3mm perfil metálico concreto

cascalho

banco-mirante

painel móvel giratório aço patinável 2,5mX3m

eixo norte-sul

2mx50mx1m

PAVILHÃO1

0

5

10

20


AA’

SEÇÃO PARCIAL AA’_DISPOSITIVO ÓPTICO


acesso

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0 00

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BB’

acesso rua dona francisca

SEÇÃO BB’_DISPOSITIVO ÓPTICO


0. 0 -1.0 - 2 .0

banco-mirante

acesso O E S T E 1

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5

10

20


RECORTE BB’

-2.0

-7.0 -8.0

acesso C O N E X Ã O N O R T E - S U L > PAVILHÃO2

I L U M I N A Ç Ã O Z E N I TA L

acesso L E S T E

RECORTE_SEÇÃO BB’_DISPOSITIVO ÓPTICO


guarda-corpo-painel aço patinável

lote

muro existente

painel móvel aço patinável 2,5mX3m

PAVILHÃO2

0

5

10

20


CC’

SEÇÃO PARCIAL CC’_DISPOSITIVO ÓPTICO


0 00

5 55

10 10 10

20 20 20

40 40 40


DD’

acesso rua armando cesar dedine

SEÇÃO PARCIAL DD’_DISPOSITIVO ÓPTICO


- 1 .0

- 7 .0

acesso C O N E X Ã O N O R T E - S U L > PAVILHÃO1

0

5

10

acesso OESTE2

20


DD’

guarda-corpo-painel 0.3 -1.0

-4.0

-7.0

painel móvel 2,5mX3m

acesso N O R T E

RECORTE_SEÇÃO PARCIAL DD’_DISPOSITIVO ÓPTICO


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IMAGEM-SÍNTESE DISPOSITIVO ÓPICO vista BANCO-MIRANTE > centro da cidade_skyline OLHARES sobre a paisagem urbana


croqui de pr贸pria autoria

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OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

“As arquiteturas de nossas cidades são fragmentos relacionados no espaço e no tempo. Há fragmentos que polarizam (...). Se no primeiro momento ele aparece como um fragmento entre os fragmentos, no segundo estabelece um traço galvânico, unificador do mosaico. A cidade o entende como marco ao mesmo tempo em que ele lhe reafirma o caráter fragmentário.” (CARON, 1992)

“As situações são sempre locais e pontuais. Impossível abarcar de outro modo extensões tão vastas, descomunais. Apenas pela justaposição, pelo desdobramento de uma coisa e outra, por linkagens paulatinas e progressivas, vai-se abarcando uma área mais extensa. Uma tessitura que liga lugares vizinhos e os distribui ao longe. Esses caminhos entrecruzados produzem um campo ampliado por expansões e prolongamentos imprevistos. (PEIXOTO, 2003)

OLHARES sobre a paisagem urbana

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OLHARES sobre a paisagem urbana


PENSAR O VER: OLHARES SOBRE A PAISAGEM URBANA

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