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Tintin Ilustrado Técnicas e o Design por Trás

Alexandre Valsechi Ligia Guimarães Marcos Vicente


Indice 1. Georges Rémi: A Biografia 2. A grande Criação: Tintin 3. Os personagens de Tintin 3.1 Milu 3.2 Capitão Haddock 3.3 Dupond e Dupont 3.4 Professor Girassol 4. Mídia Empregadas 4.1 HQ 4.2 Livros 4.3 Televisão 4.4 Filme 4.5 Jogos

de Hergé


Georges Remi

Hergé

Capítulo 1


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Gerorges Remi A biografia de Hergé Georges Rémi, mais conhecido como Hergé (foneticamente tirado de suas iniciais invertidas), nasceu em 22 de maio de 1907, próximo a Bruxelas e cresceu nos subúrbios de Marolles, no setor operário. Praticamente criou a profissão de desenhista na Bélgica, e foi considerado o mais importante desenhista europeu de todos os tempos. Em certa ocasião, após receber mais um de seus inúmeros prêmios internacionais em um congresso de quadrinhos, o próprio artista declarou: “quando criança, eu deveria me tornar um clérigo ou um fotógrafo, pois na Bélgica não existia o trabalho de desenhista”

Georges Remi, mais conhecido como Hergé em seu escritório no Le Vingtième Siècle 1924. Fonte: Site New York Times, 2012.


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Personagem de Hergé escoteiro, Totor, inspiração para Tintim. Fonte: Site Moulinsart , 2012.

Em 1928, após prestar serviço militar, foi nomeado editorchefe do suplemento semanal da publicação, destinado ao público infantil, o Le Petit Vingtième . Em 1 de Novembro, numa quinta feira, sai a primeira edição do Le Petit, com a grande responsabilidade dada pelo padre Nobert Wallez, Hergé ilustra durante os dois primeiros meses a série em quadrinhos L'Extraordinaire Aventure de Flup, Nénesse, Poussette ET Cochonnet, escrita por um redator esportivo do Vingtième Sciècle, o abade Desmedt.


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No mesmo ano o padre Wallez, diretor do jornal, pediu que desenhasse uma história de um menino e seu cachorro, com a intenção de transmitir valores católicos aos jovens leitores . Com base nisso, Moya (1993) menciona que Hergé inicia seu trabalho ilustrando e escrevendo a história de um menino de catorze anos, loirinho, chamado Tintim. Tudo começara em 1929, o sucesso possibilitou a publicação de álbuns, coincidindo com a mudança de direção na revista, o que eu levou a ser publicado pela editora Casterman a partir de 1933 até seu fim. No Resumo feito por Jay Benedict do livro Hergé: O homem que criou Tintin de Pierre Assouline cita que Hergé foi fortemente influenciado pelos filmes mudos, em particular, Charlie Chaplin e Buster Keaton, cujas qualidades burlescas tiveram maior influência sobre ele mais do que qualquer livro. Na verdade, os filmes iriam determinar a estrutura interna do seu trabalho futuro, o seu gag visual. De acordo com o site Tintin ele “viu o desenho como uma forma de arte, em que formas e figuras devem trabalhar juntos em harmonia” dizendo "tenta-se eliminar tudo o que é graficamente redundante, para estilizar tanto quanto possível, e escolher a linha que é mais expressivo”. O autor conta que o jornal era católico e anticomunista, e em sua primeira história Tintin au Pays dês Soviets (Tintim no país dos Sovietes), Hergé leu alguns livros sobre a Rússia, coletou ilustrações, escreveu e ilustrou.


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Tintin au Pays de Soviets (Tintim no país dos Sovietes) © Moulinsart 2012 Fonte: Lambiek Comiclopédia, 2012

No mesmo ano o padre Wallez, diretor do jornal, pediu que desenhasse uma história de um menino e seu cachorro, com a intenção de transmitir valores católicos aos jovens leitores . Com base nisso, Moya (1993) menciona que Hergé inicia seu trabalho ilustrando e escrevendo a história de um menino de catorze anos, loirinho, chamado Tintim.


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Jay Benedict (2011) cita que a grande demanda de revistas e trabalhos tiveram um preço para a saúde física e mental de Hergé. No final de 1950 apesar dos anos sabáticos, ele se encontrava desiludido com a maneira como muitos de seus colegas haviam sido tratados após a guerra. Na mesma década com Tintim sendo um sucesso na Bélgica e em outros países Hergé teve que abrir o Studios Hergé, onde havia assistentes, artistas e pesquisadores para lhe auxiliar . Produzindo em 1957 juntamente com seu estúdio dois trabalhos das aventuras de Tintim. O site da Moulinsart descreve Hergé como mestre da banda desenhada e da ilustração de desenhos animados, agregando a eles personalidade e espírito. “Embora seu estilo fosse meticulosamente preciso, ele nunca deixou de expressar a alegria pura que tomou em imaginar e inventar novos mundos” , o site continua “sua inspiração veio a partir dos retratos no dicionário Larousse”, Hergé tinha grande admiração também pelas tiras americanas da década de 30. Goidanich diz que a primeira história de Tintim era tão primária e reacionária que Rémi, permitiu a reedição somente no final de sua vida. Publicaram-se vinte e dois volumes, traduzidos para cerca de trinta línguas, sendo o último álbum em 1958. Fez dois filmes em longa-metragem e diversos curtas, onde quer que fosse, Hergé, recebia prêmios, como em Lucca, na Itália, em 1973.


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O artigo da Revista Gente intitulado Tintin Sou Eu •, feito em 26 de Julho de 1975, descreve Hergé como “um velho arrumado e exato”, alegre mesmo na casa dos setenta anos, “fez nascer e criou uma das maiores personagens da banda desenhada”. Seus trabalhos tem “uma linguagem facilmente comunicável aos leitores “dos 7 aos 70 anos”, ou seja, por uma linguagem suficientemente sofisticada e culturalmente enraizada”. Durante os últimos anos, Hergé não permitia a realização de novos conteúdos, Moya continua “seja como criador de Tintim, ou como personalidade, Hergé, Georges Rémi, pertence ao Olimpo dos criadores do mundo da fantasia e da aventura” Moya (1993, p.62). De acordo com Moya (1993), Hergé morreu com leucemia em 3 de Março de 1983, no Hospital Saint Luc, em Bruxelas; Goidanich (1990) aponta que os problemas de saúde já debilitavam há muitos anos o belga, e ao falecer deixou incompleta uma história de Tintim. Deve-se a Hergé a criação de um estilo que não só marcou a maioria dos seus precursores, mas criou, principalmente, os diferenciais básicos entre os quadrinhos do Velho Mundo e os norte americanos. Não só deixou admiradores em todo o mundo dos quadrinhos, mas seguidores de um estilo que deu força, vigor e inventividade aos quadrinhos europeus. A jornalista Ana Dani, em colaboração para a Folha de São Paulo, escreveu um pouco sobre Hergé: “Ao longo dos 23 álbuns, Tintim passa pela Guerra do Chaco, pela Revolução


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Hergé influenciou toda uma geração de desenhistas com um estilo que ficou conhecido por linha clara, marcado por traços simples e de espessura regular, idênticos para todos os elementos do desenho, e pela quase total ausência de sombras. (Revista Gente ed.86, 1975) Com muitos elogios a Hergé, seus livros aqui no Brasil vêm com uma breve descrição sobre o autor e seus trabalhos. Hergé é chamado o “Walt Disney europeu”. Como Júlio Verne, este criador de contos, cujos heróis viajam do Oriente Médio até o Andes, da Rússia ao Congo, da Lua ao mais profundo dos mares, Hergé viaja raramente: entretanto, sabe-se que possui o documentário mais completo do mundo: todos os países estão presentes em suas fichas de história, geografia, hábitos e costumes. Seus álbuns são de uma precisão incrível, com todos os detalhes minuciosamente cuidados. Hergé trabalha intensamente num grande escritório, com uma equipe de desenhistas, durante oito horas por dia. Para escrever e desenhar um Álbum leva aproximadamente um ano. (As aventuras de Tintim – O Lótus Azul – Flamboy) Para Goidanich, “As histórias de Hergé mesclam aventura e humor em situações políticas contemporâneas, desenroladas em paisagens reais, com figuras coadjuvantes de primeira qualidade”. Goidanich (1990, p. 165)


A Grande Criaçao:

Tintin

Capítulo 2


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Caracteristicas de Tintin (Estereótipo / O que ele é / O que representa) Segundo Bibe-Luyten (1985), os quadrinhos marcam os acontecimentos do século XX da nossa civilização, e suas histórias são excelente veículo de mensagens ideológicas e de crítica social, explícita ou implicitamente. É considerável a influência que as Histórias em Quadrinhos exerceram nas pessoas, tanto no Ocidente como no Oriente, e como elas ultrapassaram a condição de instrumento de consumo para tornarem-se símbolo da civilização contemporânea. De acordo com a autora, o gênero “Aventura” viu seu auge nos Estados Unidos durante o decênio de 1920, e entende-se por aventura um desejo de evasão e a criação de mitos, de heróis positivos, revelando uma necessidade decorrente da crise sem precedentes ocasionada pela quebra da Bolsa de Nova Iorque: a criação de modelos humanos nos quais a conduta humana deveria se inspirar. Já na Europa, a aventura segue por outros caminhos. Com a criação de Tintim, que surgiu em 1929, “inicia-se a Escola de Bruxelas, um centro criador de quadrinhos na Europa, de onde, mais tarde, surgiram outras histórias excepcionais como Asterix e Lucky Luke”. A missão de Hergé em iniciar a publicação do suplemento semanal infantil no jornal católico e conservador Vintiegme Siècle, de Bruxelas, chamado de Petit Vintième foi um


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ponto crucial para que Hergé ficasse conhecido no mundo inteiro através linguagem abordada nestes quadrinhos acabou atraindo e conquistando os pequenos leitores. As mudanças do conteúdo editorial influenciou o nascimento de Tintim, afirma o pesquisador Jean-Marie Apostolidès. Duas circunstâncias determinantes no nascimento de Tintin, primeiramente sua necessária implicação de uma história concreta, depois o fato que suas façanhas se endereçavam às crianças e aos adolescentes, o que faz se adaptar à psicologia da juventude dos anos trinta e lhe dar uma característica didática. Tintin será o modelo proposto aos adolescentes, o jovem homem virtuoso e heroico em um mundo corrompido em que sua tarefa é corrigi-lo. (Apostolidès, 1994, p.15) Ao longo das vinte e três revistas do jovem herói, Hergé “destilou 50 anos de política,de guerras [...]. Pode-se estudar a história do século XX através de Tintim”. As histórias de Hergé, que mesclam aventura e humor, envolviam paisagens reais, situações políticas contemporâneas, e figuras coadjuvantes de primeira qualidade. Tintim “luta pela justiça, é o jovem que conserta o mundo”. O jovem repórter católico e loiro era sempre acompanhado pelo seu fiel fox terrier Milu. Como aponta Álvaro de Moya, além deles, Hergé criou várias outras personagens inesquecíveis na historieta, como os irmãos gêmeos detetives Dupont e Dupond, o gênio do mal


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Rastapopoulos, o incurável conspirador General Alcazar, a cantora de ópera Bianca Castafiore, o irascível capitão Haddock e o surdo professor Girassol “Eu nasci assim: por acaso. Hergé se destinava ao jornalismo e à fotografia, eis porque ele fez de mim um repórter. Naquela época, o arquétipo do jornalista era o de um grande viajante, como Albert Londresou Joseph Kessel, e meu pai quis que eu fosse um pouco o sósia deles” Hergé - Tintim deu a explicação numa entrevista à revista “Lire”, em 1978.


Personagens de Titin

MILU

CapĂ­tulo 3


Cap. 3 - Tintin Ilustrado | 18

O site Moulinsart (2012) descreve Milu como um fiel companheiro do jovem jornalista Tintim, acompanhando-o em todas as vinte e quatro aventuras, atravessando continentes e salvando sua vida em diversos momentos. A raça de Milu é a Fox-Terrier, na época em que Hergé criou o personagem ela era classificada como inteligente e de muito caráter. Sua inspiração surgiu do cachorro de um proprietário do restaurante que Hergé frequentava. Em todos os episódios podemos notar um aspecto aventureiro no Fox-Terrier e ainda perceber algumas ações normais de um cachorro comum. Um dos fatos interessantes de Milu é que seu nome foi uma homenagem à primeira namorada de Hergé, cujo apelido era "Milou" e por incrível que pareça seu único medo é de aranhas.


Personagens de Titin

Capitao

Haddock

CapĂ­tulo 3


Cap. 3 - Tintin Ilustrado | 20

De acordo com o site Moulinsart , sua estreia ao lado de Tintim acontece em "O caranguejo das Tenazes de Ouro" a primeira impressão que passa não é das melhores, um sujeito atrapalhado e desajeitado em todas as situações. Mesmo com tantos maus entendidos, Haddock se torna o melhor amigo de Tintim, ajudando-o em diversas horas e mostrando seus dons de navegador. Tine Anthoni trabalha no museu de histórias em quadrinhos, durante um documentário da HBO (2012), Tine descreveu o Capitão Haddock como o oposto de Tintim, ele é um personagem “cheio de emoção, alcoólatra, é o mais humano possível! Fica nervoso, se decepciona facilmente, tem memória fraca tem todos os tipos de defeitos”. A inspiração do Capitão Haddock por diversos momentos foi explicada por Hergé como um pouco de seu próprio comportamento, mas admitiu que também há um pouco de seu amigo Edgar-Pierre Jacobs, que foi quem o ajudou a adaptar o quadrinho de Tintim para as cores. Ambos eram "mal-humorados, capazes de gestos expansivos e propensos ocasionalmente a problemas menores". O nome foi tirado em um dia que chegou Hergé chegou em casa e perguntou a sua esposa Germaine o que havia para jantar, a mesma respondeu que havia feito "um peixe triste inglês – Hadoque”, (Hadoque é uma espécie de peixe marinho) neste momento Hergé descobriu o nome perfeito para o marinheiro.


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O site comenta que os insultos do capitão são conhecidos por todos que o adoram, como primeira passagem em “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, Haddock se enfurece com um atirador que quebrou sua garrafa, completando o quadro com seus insultos cultos e coloridos: “Iconoclastas!... Ratos!... Ectoplasmas!... Hastes de água doce!... Canibais!... Lagartas!... Covardes!... Babuínos”. Um dos fatos interessantes de Haddock, é que ele é eleito diversas vezes como o personagem mais popular das Aventuras de Tintim, e em um dos primeiros episódios é revelado o primeiro nome do Capitão Haddock é revelado: Archibald.


Personagens de Titin

Dupond &

Dupont

CapĂ­tulo 3


Cap. 3 - Tintin Ilustrado | 24

O Moulinsart relata que Dupond e Dupont são dois detetives policiais mais influentes, mas totalmente desajeitados, foram apresentados no episódio "Os Charutos do Faraó" e desde então não saíram mais das aventuras de Tintim, tornando-os além de Tintim e Milu os personagens que mais aparecem na série. Mesmo tendo a solução do caso em suas caras, eles passam a maior parte se disfarçando e esperando a solução cair em sua frente. Mas assim eles sempre estão ao lado de Tintim, mesmo que eles tenham que o prendê-lo em primeiro lugar. A inspiração para criar os detetives veio da infância, o pai de Hergé Alexis Remi tinha um irmão gêmeo chamado Léon, os dois por diversas vezes andavam com as mesmas roupas e de bengala saiam e gostavam de dizer o slogan várias vezes, "Dupond e Dupont para ser mais preciso" e isso acabou fazendo uma forte impressão sobre o jovem Hergé. Os detetives fazem o papel comédia de Charlie Chaplin por diversas vezes. Moulinsart (2012) Os fatos interessantes de Dupond e Dupont é que na primeira aparição os detetives não tinham nomes, no qual se chamavam pelos códigos X33 e X33a. O pintor surrealista René Magritte pintou homens de chapéu coco com bengalas, carregando uma semelhança enorme com os detetives, em diversas obras.


Personagens de Titin

Girassol

Professor

CapĂ­tulo 3


Cap. 3 - Tintin Ilustrado | 26

Em "O Tesouro de Rackham o Terrível", foi apresentado um personagem que cativou todos os leitores e acaba por se tornar amigo intimo dos personagens Tintim e Haddock, trata-se do cientista Professor Girassol, um inventor e cientista, muito inteligente, mas também muito distraído e atrapalhado, embora seja um cientista renomado. O Professor Girassol se utiliza de um método não comprovado de adivinhação através de um pêndulo, que mesmo com as gozações do Capitão Haddock, se faz ter algum mérito no episódio em que aparece pela primeira vez. O site conta que a inspiração de Hergé para criar o Professor Girassol surgiu do cientista suíço Auguste Piccard, professor de física da Universidade de Bruxelas, ficou famoso quando em 1931 decolou de um balão e viajou dez quilômetros para a atmosfera, algo até então nunca alcançado. O personagem possui muitos traços do cientista suíço e também até das mesmas vestes. O professor é um romântico nato, apaixonado pela cantora de ópera Bianca Castafiore.


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