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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas. Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006. Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida: “O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”.

O BRINCAR COOPERATIVO E A CULTURA DA PAZ NA EDUCAÇÃO INFANTIL Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida Universidade Federal do Ceará - UFC Faculdade de Educação – FACED Traducción al castellano RESUMEN: O artigo tem como proposta apresentar e compartilhar referenciais teóricos e metodológicos sobre o brincar cooperativo e a cultura da paz, além de sugerir métodos de aplicação da cooperação em várias situações do dia a dia, e principalmente, analisar o brincar dentro de diversos contextos, seja ele na escola, na família, ou em qualquer outro espaço que permita à criança desenvolver sua expressão lúdica e vivenciar a prática dos valores cooperativos e a cultura da paz. Acredito que a inclusão do brincar cooperativo na educação infantil formal e informal tem como meta promover a paz e buscar a participação de todos sem excluir ninguém, independente de sua raça, classe social, religião, competências motrizes, habilidades pessoais etc., sempre dentro de um clima prazeroso, cordial, amigo e feliz onde as metas do professor e dos alunos estarão centradas na união da soma das suas competências individuais na busca de resultados que tragam benefícios para o coletivo. Nesta proposta visamos a participação de todos para alcançar um objetivo comum, onde a motivação não é o ganhar ou o perder, a motivação está centrada na participação. Neste sentido, a proposta educativa tem como interesse principal o processo e não o resultado. Quando a proposta é centrada no processo, permite ao participante do jogo perceber os aspectos individuais e coletivos utilizados para se alcançar as metas que são realizadas com a contribuição de todos.

O brincar cooperativo constrói pontes e aproxima os homens. O brincar competitivo constrói paredes e separam os homens. ( ALMEIDA., 2004)

INTRODUCCIÓN Atualmente existem impactos negativos provocados pela sociedade e que afetam o desenvolvimento das crianças, acredito que estes impactos na vida delas podem ser minimizados com a vivência1 de manifestações do brincar em espaços onde as crianças possam expressar sua criatividade, sua autonomia, sua alegria com segurança e prazer. Podemos apresentar como impactos negativos: 1

Vivência significando o instante vivido intensamente, conferindo à emoção a palpitante qualidade existencial do aqui e agora.

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A indiferença da sociedade para com o direito de brincar2; A grande valorização dos estudos teóricos e acadêmicos nas escolas; O aumento do número de crianças que vivem sem as condições mínimas para se desenvolverem; Planejamento ambiental inadequado, patente na proporção desumanizada das construções, formas de habitações impróprias e má gestão do tráfego; A crescente exploração comercial das crianças através dos meios de comunicação social e de produção em série que conduzem a uma deterioração dos valores morais e das tradições culturais; A falta de acesso das mulheres em países do “terceiro mundo” a uma formação básica sobre cuidados com crianças e sobre o seu desenvolvimento; A preparação inadequada das crianças para enfrentarem com êxito uma sociedade em constante mudança; A crescente segregação das crianças pela comunidade; O número crescente de crianças que trabalham e as inaceitáveis condições desse trabalho; A exposição constante das crianças à guerra, à violência, à exploração e à destruição; A valorização da hipercompetição e do ganhar a todo custo no desporto infantil.

Na organização atual da sociedade, a família e em especial as crianças, não têm possibilidades diretas de criar espaços para brincar, a não ser que esta idéia faça parte de um Programa de Políticas Públicas do município, do estado ou do governo federal. Uma outra possibilidade é quando iniciativas privadas, de associações de classe ou do terceiro setor criam programas lúdicos de forma isolada. Na realidade percebemos que este tipo de ação só acontece no nível governamental quando as eleições se aproximam, isso quando algum candidato em seu plano de governo contempla o brincar enquanto um direito do cidadão. Para BORJA (1992), atualmente a preocupação com o tema lúdico no contexto político, social e econômico, já faz parte da preocupação da sociedade. As famílias começam a se preocupar com a importância do brincar na vida de cada um, lógico que este fato ocorre com maior intensidade em uma determinada comunidade do que em outra, mesmo que seja de forma dispersa e desorganizada. Mas o fato é que em todos os países do mais desenvolvido ao menos desenvolvido o jogo e o brinquedo passou a ser um fenômeno importante e que merece ser valorizado e estudado. KISCHIMOTO (1996, p.22) afirma que “se desejamos formar seres criativos, críticos e aptos para tomar decisões, um dos requisitos é o enriquecimento do cotidiano infantil com a inserção de contos, lendas, jogos, brinquedos e brincadeiras”. Reforçando o pensamento da autora VYGOTSKI (1984, p.37) diz: 2

Significa “jugar” em espanhol, quer dizer "jogar" no sentido de brincar, participar de um jogo. Neste caso em espanhol ficaria “El Derecho de Jugar”.

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“(...) a relevância de brinquedos e brincadeiras como indispensáveis para a criação da situação imaginária. Revela que o imaginário só se desenvolve quando se dispõe de experiências que se reorganizam. A riqueza dos contos, lendas e o acervo de brincadeiras constituirão o banco de dados de imagens culturais utilizados nas situações interativas. Dispor de tais imagens é fundamental para instrumentalizar a criança para a construção do conhecimento e sua socialização.” Para ALMEIDA (2004) ao brincar a criança: • • • • • • • • •

Movimenta-se em busca de parceria e na exploração de objetos; Comunica-se com seus pares; Expressa-se através de múltiplas linguagens; Descobre regras e toma decisões; Constrói seus conhecimentos; Cria uma identidade; Fortalece sua cultura lúdica; Resolve conflitos e fortalece sua auto-estima; Constrói e reforça valores3.

A criança hoje está frente a uma sociedade multicultural geradora de contradições e conflitos, frente a uma sociedade industrial informatizada e eletrônica, onde o mundo do brincar se torna cada vez mais sofisticado e caro, enfim uma sociedade individualista, emergencial e materialista, orientada pela competência. O lúdico têm estado sempre presente, em todas as épocas e culturas, sendo uma das principais coordenadas da vida humana. O jogo e o brinquedo e a sua relação com a nossa vida, é parte do nosso patrimônio lúdico. Atualmente o brincar passou a ser um tema de grande relevância para estudiosos e curiosos. No Brasil e no mundo, o brincar tornou-se importante no cotidiano, com o seu grande dinamismo e sua adaptabilidade ao tempo e aos espaços, revelando-se como uma potencialidade lúdica incomparável. A ludicidade tem sua energia própria e uma magia que teima e resiste às normas e formas impostas pela sociedade, já que se enraiza nas culturas locais onde mora a verdadeira essência humana. Os jogos e brinquedos não aceitam definições prévias, preconceitos ou reconhecimentos abstratos. A sua legitimação encontra-se na dimensão histórica e cultural dos comportamentos e no vínculo aos elementos de uma data situação. Os jogos e brinquedos são marcados por uma identidade particular, isto é, a identidade do contexto cultural em que a ação lúdica se realiza. Mas isto não significa dizer que o brincar não esteja aberto aos múltiplos e diversos cruzamentos de culturas, porque eles não são uma entidade descontínua, imutável, finita, sem capacidades de reestruturação permanente, 3

Honestidade, respeito ao outro, solidariedade, tolerância, amizade, amor, confiança etc.

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como às vezes e erradamente ele tem sido apresentado, com uma visão reduzida e substantiva do mundo. Podemos dizer que o brincar tem contido em si os mais diferentes elementos e valores que são suas virtudes e os seus pecados. Virtudes, porque na essência, o brincar é constituído de princípios generosos que permitem a revitalização permanente. Pecados porque ele pode ser também manipulado e desviado para as mais diferentes finalidades ou objetivos, podendo comprometer a verdade. A pluralidade cultural para nós é entendida como a convivência em um mesmo espaço de pessoas procedentes de diferentes culturas, é um fato presente em nossa sociedade atual. Esta diversidade, longe de significar uma ameaça pode fortalecer a própria identidade cultural. Muito pelo contrário, a pluralidade cultural pode favorecer e enriquecer a nossa cultura lúdica4 e se converter em um fator positivo para o desenvolvimento de indivíduos e sociedades. A cultura lúdica é, então, composta de um certo número de esquemas que permitem iniciar o brincar, já que se trata de produzir uma realidade diferente daquela da vida quotidiana. A cultura lúdica não é um bloco monolítico, mas um conjunto vivo, diversificado conforme os indivíduos e os grupos, e, função dos hábitos lúdicos, das condições climáticas ou espaciais. Atualmente neste mundo globalizado as culturas lúdicas não são (ainda?) idênticas de um país para outro. Essa cultura lúdica muda segundo numerosos critérios. Neste caso, em primeiro lugar, a cultura em que está inserida a criança é sua cultura lúdica. Elas se diversificam também conforme o meio social, a cidade, o clima, a organização social, econômica e política de uma determinada sociedade e mais ainda, o sexo da criança.

O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL “A paz está dentro de cada um de nós” (Pierre Weil, 2005) “A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento”. (Albert Einstein)

Cada educador deve ter consciência dos reais objetivos da educação infantil. Estes objetivos podem ser pensados a longo prazo e dentro de uma perspectiva do desenvolvimento da criança. Estes objetivos serão divididos com relação a três pontos.

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É um conjunto de regras e significações próprias do jogo que o jogador adquire e domina no contexto de seu próprio jogo. A cultura é antes de tudo um conjunto de procedimentos que permitem tornar o jogo possível.

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1. Em relação aos professores: gostaríamos que as crianças desenvolvessem sua autonomia através de relacionamentos seguros no qual o poder do adulto seja reduzido o máximo possível. 2. Em relação aos companheiros: gostaríamos que as crianças desenvolvessem sua habilidade de descentrar e coordenar diferentes pontos de vista. 3. Em relação ao aprendizado: gostaríamos que as crianças fossem alertas, curiosas, criticas e confiantes na sua capacidade de imaginar coisas e dizer o que realmente pensam. Gostaríamos também que elas tivessem iniciativa, elaborassem idéias, perguntas e problemas interessantes e relacionassem as coisas umas às outras. (KAMII, 1991, p. 15.) Para continuar o artigo tenho que responder uma pergunta: “O que a criança precisa para ser feliz?” A criança para ser feliz precisa de muita coisa, mas, em especial ela precisa de:

Eu sei e você sabe! Que o brincar é um direito de TODOS e em especial da criança como apresentam diversos documentos: DECLARAÇÃO UNIVERSAL DO DIREITO DA CRIANÇA – ONU (20/11/1959) “... A criança deve ter todas as possibilidades de entregarse aos jogos e às atividades recreativas, que devem ser orientadas para os fins visados pela educação; a sociedade e os poderes públicos devem esforçar-se por favorecer o gozo deste direito”.(Declaração Universal dos Direitos da Criança, 1959)

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL PELO DIREITO DA CRIANÇA BRINCAR – IPA 1979 (Malta), 1982 (Viena), 1989 (Barcelona)

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Os princípios norteadores da Associação Internacional pelo Direito da Criança Brincar - IPA são: SAÚDE: brincar é essencial para saúde física e mental das crianças. EDUCAÇÃO: brincar faz parte do processo da formação educativa do ser humano. BEM ESTAR – AÇÃO SOCIAL: o brincar é fundamental para a vida familiar e comunitária. LAZER NO TEMPO LIVRE: a criança precisa de tempo para brincar em seu tempo de lazer. PLANEJAMENTO: as necessidades da criança devem ter prioridade no planejamento do equipamento social. Segundo BORJA (1992), uma nação que se preocupa com o “Direito de Brincar”, deve ter em suas políticas públicas ações especificas em três eixos básicos: 1. Criação de espaços lúdicos estruturados para jogos e brinquedos; 2. Organização sistemática de ações de formação lúdica de recursos humanos em diferentes níveis; 3. Criação de centros de pesquisa, de documentação e assessoria sobre jogos, brinquedos e outros materiais lúdicos. Um outro documento de grande relevância no Brasil, foi o estudo introdutório do referencial curricular nacional para a educação infantil no eixo do brincar e conhecido como Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN. Este documento foi criado no ano de 1998 em Brasilia por educadores especialistas no assunto. Podemos citar alguns pontos relevantes sobre o brincar neste estudo: • • •

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É imprescindível que haja riqueza e diversidade nas experiências que lhes são oferecidas nas instituições. A brincadeira é uma linguagem infantil. No ato de brincar, os sinais, os gestos, os objetos e os espaços valem e significam outra coisa daquilo que aparentam ser. Ao brincar as crianças recriam e repensam os acontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando. O principal indicador da brincadeira5, entre as crianças, é o papel que assumem enquanto brincam. Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca. O brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto. Os conhecimentos da criança provêm da imitação de alguém ou de algo conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema ou narradas em livros etc.

Que no espanhol será para mim “Jugueteo”.

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É no ato de brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações. Para brincar é preciso que as crianças tenham certa independência para escolher seus companheiros e os papéis que irão assumir no interior de um determinado tema e enredo, cujos desenvolvimentos dependem unicamente da vontade de quem brinca.

Segundo o PCN o brincar apresenta-se por meio de várias categorias. E essas categorias incluem: • • •

O movimento e as mudanças da percepção resultantes essencialmente da mobilidade física das crianças; A relação com os objetos e suas propriedades físicas assim como a combinação e associação entre eles; A linguagem oral e gestual que oferecem vários níveis de organização a serem utilizados para brincar; os conteúdos sociais, como papéis, situações, valores e atitudes que se referem à forma como o universo social se constroe; E, finalmente, os limites definidos pelas regras, constituindo-se em um recurso fundamental para brincar.

O brincar pode, de acordo com os estudiosos e pesquisadores do tema ser dividido em duas grandes categorias: 1. O brincar social: reflete o grau no quais as crianças interagem umas com as outras. 2. O brincar cognitivo: revela o nível de desenvolvimento mental da criança. Estas categorias de experiências podem ser agrupadas em quatro modalidades básicas de brincar: 1. 2. 3. 4.

O brincar tradicional O brincar de faz-de-conta O brincar de construção O brincar educativo

As crianças na idade de educação infantil vivenciam experiências lúdicas sociais e não-sociais. Um estudo feito por PARTEN (1932) citado por PAPALIA (2000) revela que no brincar das crianças pequenas, podemos identificar seis tipos de atividades lúdicas sociais e não-sociais: • • •

Comportamento desocupado Comportamento observador Atividade independente (solitária)

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Atividade paralela Atividade associativa Atividade cooperativa ou organizada suplementar

É importante saber que existem cinco grandes pilares básicos nas ações lúdicas das crianças em seus jogos, brinquedos e brincadeiras, estes pilares são: 1. 2. 3. 4. 5.

A imitação O espaço A fantasia As regras Os valores

Cada uma deles pode aparecer de forma mais evidente em um determinado tipo de brincadeira, de jogo ou no uso de um determinado brinquedo. Lógico que a idade da criança envolvida, as influências sociais, culturais e as experiências lúdicas vão influenciar na relação criança/brincar. Um outro aspecto importante que deve ser considerado são as funções especificas que cada um dos pilares exercem junto às crianças nas suas ações lúdicas. Estes pilares básicos podem ter em suas estruturas lúdicas dois estilos de brincar: •

O brincar cooperativo: no brincar cooperativo a essência lúdica é brincar com o outro e não contra o outro, nesta estrutura lúdica o outro é um parceiro e amigo com metas comuns. O sucesso e o fracasso são compartilhados por todos.

O brincar competitivo: no brincar competitivo a essência lúdica é o brincar contra o outro, nesta estrutura lúdica o outro é um adversário e obstáculo que deve ser vencido a todo custo. O sucesso e o fracasso somente são compartilhados por um ou alguns.

Acredito que propostas transformadoras e inovadoras devem ser compartilhadas e vivenciadas com todos, e em especial, com nossas crianças. Por isso, o jogo cooperativo é uma ferramenta de grande valor educativo na formação e no desenvolvimento de crianças de 3 a 8 anos. Brincar cooperando na educação infantil significa estar junto, vivenciar, ceder, descobrir, construir, atuar, re-criar e humanizar dentro de uma relação dinâmica e transformadora.

O BRINCAR COOPERATIVO E A CULTURA DA PAZ “O brincar fez, faz e sempre fará parte da vida do ser humano. Sabemos que o brincar é uma necessidade, um desejo e um direito de todos, além de ser uma experiência humana, rica e intensa. O homem que brinca tem uma possibilidade de ser feliz, solidário, amigo e de construir um mundo melhor e

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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas. Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006. Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida: “O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”. mais justo para ele e para todos (ALMEIDA, 2006)

Atualmente a cultura da paz vem sendo refletida dentro de uma perspectiva educativa de Educação Para a Paz. Para nós a educação para a paz parte da análise da realidade entendida como um conjunto de relações que o ser humano pode estabelecer consigo mesmo, com os outros e com instituições por eles criadas, com a natureza e o meio ambiente em que transcorre a vida. Neste sentido a educação para a paz trabalha dentro de uma perspectiva integradora do conjunto destas relações orientada para favorecer processos de desenvolvimentos igualitários que sejam compatíveis como o desenvolvimento pessoal, social e do meio ambiente. Para BRASLAVSKY (2002) o século XX foi marcado com grandes avanços significativos na escolarização universal. No, entanto, estes avanços não puderam impedir mais de 180 milhões de mortes de seres humanos provocadas intencionalmente por outros seres humanos, nem conseguiu solucionar os conflitos que têm afligido, durante anos, muitos países, e tampouco conseguiu deter a expansão das mais diferentes doenças. Estudos realizados pela UNESCO apresentam questionamentos importantes acerca da Educação X Paz: • • • • • •

Como melhorar o esforço de escolarização iniciado há séculos sob as asas do Iluminismo? Que responsabilidade tem a educação nas crises, conflitos intergeracionais e interétnicos, perseguições e discriminações religiosas e de outra natureza? Como pode a educação contribuir para o distanciamento da morte e para dar sentido à vida de todos? Que elementos a educação pode oferecer para que se consiga viver juntos e em paz? Como as crianças e os jovens, os primeiros a serem afetados pela qualidade do sistema educativo, podem desenvolver esta capacidade de “viver juntos” em suas vidas diárias? Como construir um mundo de paz com as crianças e os jovens de hoje e de amanhã, um mundo que lhes corresponda?

Estas perguntas foram discutidas na 46º CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO realizada em Genebra em 9/9/2001 que teve como tema principal “Educação para todos para aprender a viver juntos: um desafio prioritário no século XXI”. Os quatro pilares da educação tratados nos estudos de Jacques Delors (UNESCO, 1996) serviram como referência para várias reflexões acerca da educação e da paz, estes pilares foram: 1) Aprender a saber; 2) Aprender a fazer;

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3) Aprender a viver juntos; 4) Aprender a ser. Para UNESCO (2002) existem questões importantes para deixarmos de ser solitários e nos tornarmos solidários: ALIENAÇÃO: estamos nos acostumando com as injustiças e criamos uma espécie de apatia coletiva que nos impede de agir para viabilizar um mundo melhor. Toda ação é válida, não importa quão pequena ela seja. SAÚDE COLETIVA: cada habitante da terra desempenha seu papel na saúde do mundo. Não podemos dar as costas aos milhões que sofrem. RIQUEZA E POBREZA: os recursos do planeta seriam suficientes para preencher as necessidades de todos os habitantes, desde que distribuídos com justiça. Desperdiçamos toneladas de alimentos e milhões passam fome. PODER PESSOAL: nossas atitudes podem ser transformadoras para o meio que nos cerca. Como uma alavanca que impulsiona um mecanismo, podemos gerar um poderoso movimento por meio de atitudes. Seremos, então, coprotagonistas no palco de nossa história. Segundo a UNESCO a construção da cultura de paz deve ter valores essenciais como: • • • • • • • • • • •

Participação Igualdade Respeito aos Direitos Humanos Respeito à Diversidade Cultural Liberdade Tolerância Diálogo Reconciliação Solidariedade Desenvolvimento Justiça Social

Somos resultado de uma sociedade a qual ensinou valorizar comportamentos construtivos e destrutivos. Sempre recebemos estímulos e reforços para fazer ou não fazer certas coisas. Nós seres humanos podemos optar ou assumir os distintos comportamentos. Temos a possibilidade de enriquecer ou destruir, não só a si mesmo, como o outro e também o ambiente em que nos encontramos. Podemos ser agressivos ou não, podemos ser competitivos ou cooperativos sem deixar de sermos competentes, podemos ser felizes ou tristes, otimistas ou pessimistas, amar ou odiar etc.

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O comportamento que cada um de nós vai assumir na vida está diretamente ligado à base cultural de valores estabelecidos por cada sociedade, comunidade ou família. Segundo a antropóloga Margaret Mead os indivíduos não são competitivos por natureza ou não nascem competitivos, eles aprende socialmente ou são determinados socialmente. Todas as realizações humanas são resultado da cooperação em todos os campos do esforço humano como: na política, na educação, na comunicação, nas artes, na ciência, na religião, na economia etc. Acreditamos que quanto maior a nossa cooperação, maior será o nosso sucesso. Quanto menor a nossa cooperação, maior será a nossa tensão, dor, sofrimento e fracasso. Por isso é importante estudar essa lei da cooperação e aplicá-la em nossa vida. Em uma pesquisa desenvolvida por Erich Fromm em 1973, analisou trinta culturas primitivas e as classificou com base na agressividade e no pacifismo. Nesse estudo, o autor identificou 2 conjuntos de culturas distintas. A) Sociedade orientada para a vida: • • • • • • •

Mínimo de hostilidade, violência ou crueldade; Ausência ou pequena ocorrência de punição rigorosa, crime e guerra; Crianças tratadas com amor e bondade; Mulheres geralmente consideradas iguais aos homens; Há pouca competição, cobiça, inveja, individualismo ou exploração; Existe muita cooperação; Prevalece atmosfera de confiança, auto-estima e bom humor.

B) Sociedade mais destrutiva: • • • • •

Violência interpessoal, destrutividade, agressividade, malícia e crueldade (dentro da tribo ou contra os de fora); Atmosfera geral é de hostilidade, medo e tensão; Há excesso de competição; Ênfase na propriedade privada; Hierarquias são rígidas e o comportamento é belicoso.

De acordo com Erich Fromm existem sociedades pacíficas e cooperativas e também existem sociedades destrutivas e competitivas. Não podemos inferir que existe uma natureza humana possível, mas podemos tentar dizer que existem possibilidades humanas. Nós tanto podemos cooperar ou competir, isso vai depender de nossa natureza de possibilidades. Acreditamos que estas duas naturezas coexistem dentro de cada um de nós, e o prevalecimento de uma sobre a outra vai depender de nossa vontade, discernimento, atitude pessoal e coletiva e de assumirmos nossa escolha, mesmo que ela seja: a) Não escolher ou; b) Se deixar escolher por outros.

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Uma das características que definem a educação para paz é de ser uma proposta de ação-reflexão-ação. É uma educação de ação porque verificamos o posicionamento critico do educador, sua posição diante da construção do conhecimento e os seus valores pessoais que orientam um modelo de comportamento. Um outro aspecto é a educação para a ação, porque busca uma continuidade das propostas trabalhadas dentro dos espaços educativos e os seus efeitos na vida do aluno e da sociedade. Sabemos que é muito difícil promover situações de intercâmbio da Universidade com a sociedade ou da escola com a comunidade, mas podemos e temos a obrigação de criar meios e propostas para favorecer este intercâmbio. Para tal, construir caminhos favoráveis ao desenvolvimento de uma Cultura para Paz, criando mecanismos de prevenção à violência, ao egocentrismo, a exclusão etc. Em nosso caso, o brincar cooperativo e a educação para a paz podem ser utilizados como instrumentos para favorecer esta integração. Segundo VELÁZQUEZ (2001) quando falamos sobre PAZ sonhamos com uma cultura da paz para referir-se a uma nova forma de entender o mundo em que vivemos, essa cultura da paz tem como referência a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que se “caracteriza pelo respeito à vida e a dignidade de cada pessoa, despreza a violência em todas as suas formas, na defesa a um conjunto de valores como a liberdade, o respeito, a cooperação, a comunicação e o dialogo e rejeita ativamente outros valores como a injustiça, a intolerância, a competição, o racismo e o fanatismo de qualquer espécie”. VELÁZQUEZ (2001) acredita e aposta “por uma diversidade cultural e o interculturalismo como meio de enriquecimento comum, além disso, a cultura da paz deseja um desenvolvimento que leve em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta”. Para ele “o mais importante é buscar coletivamente um modo de viver e de se relacionar que contribua na construção de um mundo mais justo, solidário e melhor em beneficio de toda a humanidade”. VELÁZQUEZ (2001) define educação para a paz “como um processo contínuo de conscientização das pessoas e da sociedade, esta tomada de consciência tem inicio na concepção positiva da paz e das formas adequadas e criativas no tratamento dos conflitos, é nesta perspectiva que uma nova cultura da paz começa a nascer, essa nova cultura terá como eixo norteador o equilíbrio entre três elementos fundamentais: o homem, o outro e a natureza”. Partindo deste conceito se faz necessário buscar uma a harmonização do ser humano consigo mesmo com os outros e com a natureza. A idéia básica da nossa proposta é a de fazer uma fusão entre os princípios norteadores da educação para paz com as características especificas do brincar cooperativo, e propor uma nova concepção de educação. A nossa proposta é a de utilizar alguns princípios do brincar cooperativo que julgamos importantes e integrar aos elementos básicos da área que poderiam interagir com as concepções globais da educação para a paz.

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Tentaremos ao longo do trabalho incorporar tanto a definição da educação para paz como os três eixos de intervenção originados por ela: o eixo pessoal, o social e o natural. O brincar cooperativo atende a este requisito no que diz respeito ao envolvimento coletivo às práticas solidárias. O brincar cooperativo é um conjunto de experiências lúdicas que possibilita a todos os envolvidos avaliar, compartilhar, refletir sobre nossa relação conosco mesmo e com os outros. A idéia básica da proposta pelo brincar cooperativo é de permitir uma mudança de sentimentos para entrarmos em contato intimo com as nossas emoções para potencializar as Habilidades Humanas Básicas como: • • • • • • • • • •

O amor; A alegria; A criatividade; A confiança; O respeito; A responsabilidade; A liberdade; A autonomia; A paciência; A humildade etc.

O brincar cooperativo tem também como proposta tentar diminuir as manifestações de agressividade nos jogos, estimulando atitudes de sensibilização, cooperação, comunicação e solidariedade. O brincar cooperativo busca facilitar o encontro consigo mesmo, com os outros e com a natureza na tentativa de promover a integração do todo, onde sempre a meta coletiva prevalecerá sobre a meta individual. No brincar cooperativo os participantes jogam uns com os outros e não uns contra os outros, jogam para superar os desafios, os conflitos e os obstáculos encontrados e não superar o outro individuo ou grupo. É comum ver pessoas defendendo a competição como um elemento importante na educação de jovens, sob o pretexto de que assim ficariam melhor preparadas para a vida. Porém, a verdade é que a competição diminui a auto-estima e aumenta o medo de falhar, reduzindo a expressão de capacidades e o desenvolvimento. Ela promove a comparação entre as pessoas e acaba por favorecer a exclusão baseada em poucos critérios. Um ambiente competitivo aumenta a tensão e a frustração e pode desencadear comportamentos agressivos. Já as atividades cooperativas aumentam a segurança nas capacidades pessoais e contribuem para o desenvolvimento do sentido de pertencer a um grupo. Nestas atividades ninguém perde, ninguém é isolado ou rejeitado porque falhou. Num sistema de cooperação, para além da satisfação e alegria vivenciadas, cada uma

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das partes e o todo ganham, em conseqüência da ajuda. Em diversas atividades o resultado alcançado pelo grupo é melhor do que a soma dos resultados pessoais obtidos numa situação de competição. Apesar de tanto valorizarmos a razão, continuamos a trilhar o caminho da irracionalidade, comprometendo desta forma a nossa permanência no planeta. Para ajudar a transformar o modo como o homem atual se relaciona com o mundo, é fundamental que a educação seja capaz de atuar no âmbito da relação interpessoal, pois isso reflete a forma como cada um se percebe e atua diante do mundo. A idéia da proposta é de promover um tipo de relação com o outro baseado na não competição, mas antes na capacidade de cooperar, pode se constituir em um valioso instrumento na formação para cidadania e de educação para a paz. Em lugar de um modelo competitivo no qual se apresenta uma situação em que o indivíduo está contra o outro, em competição com o outro e com o mundo, neste sentido, os jogos cooperativos ajudam a desenvolver uma relação com o exterior baseado no respeito e no agir com o outro em benefício de um objetivo coletivo. Para BROTTO (1995) o jogo cooperativo “dinamiza processos de interação social que resultam em uma dimensão ampliada da convivência humana”. Num mundo globalizado, cada vez mais competitivo, gerenciador de conflitos, encontrar uma perspectiva cooperativa não é apenas uma estratégia pragmática, mas um desafio permanente de prevenção. A inclusão do brincar cooperativo nas aulas de educação infantil para promover a paz deve buscar a participação de todos sem excluir ninguém, independente de sua raça, classe social, religião, competências motrizes, habilidades pessoais etc. As aulas devem sempre ser realizadas dentro de um clima prazeroso, cordial, amigo e feliz onde as metas do professor e dos alunos estarão centradas na união da soma das suas competências individuais na busca de resultados que tragam benefícios para todos. Nesta proposta visamos à participação de todos para alcançar um objetivo comum, onde a motivação não é o ganhar ou o perder, a motivação está centrada na participação. Neste sentido, a proposta educativa tem como interesse principal o processo e não o resultado. Quando a proposta é centrada no processo, permite ao professor e aos alunos perceberem os aspectos individuais e coletivos utilizados para se alcançar as metas que são realizadas com a contribuição de todos. Para existir educação para a paz é necessária a integração entre três elementos fundamentais como mostra a figura 1.

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Figura 1 A cultura da paz dentro de uma perspectiva integradora

Os cincos princípios que norteiam a educação para a paz são: 1. 2. 3. 4. 5.

Processo continuo e permanente; Educação em valores; Com dimensão transversal; Com fins e meios de acordo; Para ação.

Objetivo geral da nossa proposta Promover a cooperação entre as crianças, resgatando o potencial de viver juntos à partir de uma educação para paz, que visa a melhoria da qualidade de vida num exercício de convivência. Objetivos Específicos 1. Praticar a solidariedade tão importante ao convívio entre as pessoas. 2. Aproximar as crianças uma das outras, colaborando com objetivos comuns. 3. Explorar as potencialidades humanas de um modo positivo aperfeiçoando o jeito de compreender a vida. 4. Oferecer opções diferentes para a resolução de conflitos de forma pacífica. 5. Potencializar o brincar dentro de uma perspectiva da cultura da paz. Metodologia para aprendizagem cooperativa O brincar cooperativo pode ser desenvolvido dentro de diversas possibilidades de aprendizagens. Mas de um modo global, a aprendizagem cooperativa faz

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referência a um conjunto de métodos de organização de trabalho em que os alunos ou jogadores participam de forma interdependente e coordenada, realizando atividades de caráter educativo, habitualmente planejadas e propostas pelo professor. Quando falamos em aprendizagem cooperativa estamos nos referindo aos métodos de aprendizagem de cooperação que permitam aos participantes ou jogadores potencializar as seguintes características: • • • • • • • • • •

Satisfação dos participantes Autoconceito positivo Comunicação Criatividade Competência motriz Aceitação dos companheiros Convivência intercultural Convivência interpessoal Resoluções de problemas ou conflitos Pró-ativo

Uma atividade de aprendizagem cooperativa costuma ter os seguintes elementos: Apresentação do conteúdo O professor apresenta o conteúdo da atividade como o faria em qualquer estratégia de ensino. Discussão entre os participantes do grupo É importante que o grupo seja heterogêneo, pois se demonstra que quando os membros têm diferentes perspectivas e capacidades, têm maiores probabilidades de dedicar-se a alcançar objetivos coletivos comuns, criando assim, novos laços sociais e duradouros. Os critérios que devem ser observados durante uma discussão cooperativa são os seguintes: • • • • • • •

Ser crítico com as idéias, não com as pessoas; Ter equilibrio em tomar a melhor decisão possível, não em ganhar; Animar a todos a participar e a dominar toda a informação relevante do grupo; Escutar as idéias de todos, mesmo que resultem desagradáveis; Reformular o que tenha dito alguém se não está muito claro; Tentar compreender todos os aspectos do problema; Mudar o próprio pensamento quando a evidência indica com clareza o que se deve fazer.

Avaliação do domínio individual

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Algumas tarefas que se atribuem aos grupos podem requerer no início que alguns jogadores façam juntos (em dupla, em trio etc.) um mesmo trabalho, o trabalho da equipe não se termina até que cada um de seus membros seja capaz de encontrar a resposta correta independentemente. Reconhecimento e valorização do grupo Em alguns métodos de aprendizagem cooperativa todas as equipes buscam alcançar uma média ou critério estabelecido pelo professor de forma individual (inter-grupal) e coletiva (grupal). Em grande parte, o elogio e a honra servem como premiação a seu esforço no desafio cooperativo. O reconhecimento é uma demonstração pública da habilidade da equipe em uma superação de uma meta alcançada, ao mesmo tempo que se reconhece dentro da aprendizagem cooperativa o esforço individual como parte do esforço da equipe a que pertence o indivíduo. A cooperação não é um valor e um processo que se fomenta exclusivamente na sala de aula, ou seja, entre os alunos e entre alunos e professor. Para que a cooperação seja aceita e praticada no dia-a-dia por parte dos alunos, como um valor assumido no mundo social e dos adultos, e não uma mera estratégia de trabalho na aula criada pelo professor, é fundamental estabelecer uma veracidade nas ações educativas vividas e praticadas dentro da escola e fora da escola, neste sentido, é preciso estender a cooperação em outros âmbitos da vida. Um outro aspecto, é derrubar o mito que Às vezes surge fora da escola, "que competir é normal" e faz parte da “natureza humana” ou “nós vivemos em uma sociedade competitiva” entre outraS mensagens de natureza ideológica, orientada para a exclusão, semeando assim, o individualismo e a competição entre as pessoas. Em um método de aprendizagem cooperativa, tem que ficar claro para os participantes: • • • •

O objetivo do grupo que se deseja alcançar. O critério do sucesso. O fato de que todos receberão a mesma recompensa. O tipo de atividades que se espera que realizem cooperativamente.

Entre o aluno e o professor/adulto se tem que assegurar algumas regras básicas de funcionamento, que devem ser aceitas e discutidas por todos. Por exemplo: • • •

Cada qual se responsabiliza por seu próprio trabalho e por seu comportamento. É preciso estar disposto a ajudar a quem nos peça. Um aluno pedirá ajuda ao professor só quando todos os membros do grupo tenham a mesma dúvida.

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Uma das responsabilidades de todo membro do grupo é a de escutar as idéias dos demais.

O papel do professor é o de assegurar que os grupos trabalhem de forma produtiva e independente, intervindo só quando seja estritamente necessário. Estas intervenções podem consistir em eliminar algum bloqueio, esclarecer os possíveis obstáculos (sejam de conhecimento ou de funcionamento do grupo), mas nunca dar as respostas. É importante saber que para um grupo funcionar bem é necessário que o professor desempenhe tarefas tais como: • • • •

Lançar idéias; Captar e matizar idéias; Animar e resumir; Tirar conclusões.

CONDUTAS E LINHAS DE ATUAÇÃO DO BRINCAR COOPERATIVO A proposta apresentada aqui faz parte de um projeto desenvolvido pelo professor Carlos Velázquez Callado com jogos cooperativos onde ele faz uma fusão entre os princípios norteadores da educação para paz com as características especificas da área de educação física. Mudar a leitura que a sociedade tem do brincar e da paz é uma missão de todos: sociedade, escola, educadores e família. O principal objetivo da proposta é trazer as contribuições do brincar cooperativo a um projeto comum para uma educação para paz. VELÁZQUEZ (1991) focalizou em sua proposta diferentes eixos de intervenções da educação para paz planejando um conjunto de conteúdos prioritários que julgou importante e necessário para favorecer o desenvolvimento pessoal, social, natural (ver figura 2) e motriz dos alunos. Figura 2

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Segundo VELÁZQUEZ (1991) é fundamental que o docente coloque concretamente estes conteúdos em seu planejamento de aulas. Apresentaremos em seguida o programa e sugestões de como poderiam ser distribuído os conteúdos e os programas de ações para cada eixo. No eixo pessoal: conteúdos e programa de ação Melhorar a auto-estima: Objetivo é favorecer que o aluno, desde o primeiro momento, perceba por si mesmo os aspectos positivos de sua personalidade, suas capacidades, suas potencialidades e principalmente que perceba que suas virtudes são maiores em: número e qualidade do que os aspectos negativos. Propostas de atividades: • • • • •

Fazer com que o aluno perceba suas conquistas; Empregar o reforço positivo; Fomentar os comentários positivos entre os alunos; Compartilhar o protagonismo nas aulas; Introduzir jogos e dinâmicas específicas.

Conhecimento e aceitação de si mesmo: A idéia é que o aluno faça uma reflexão sobre seus atos, tentar entender porque reage de uma determinada maneira a determinadas situações, um outro aspecto é de oferecer instrumentos para que perceba suas habilidades e limitações e tente superar suas dificuldades e principalmente se aceitar como é. Proposta de atividades: • • • •

Trabalhar sempre que possível com uma proposta de atividade lúdica aberta; Introduzir propostas lúdicas planejadas pelos própios alunos; Permitir ao aluno a seleção livre do nível da atividade lúdica; Planejar atividades grupais cooperativas com diferentes funções.

Autonomia para tomar decisões e assumir as decisões tomadas: Trata-se de discutir entre os alunos as responsabilidades em suas ações. Para isso é fundamental que o(s) aluno(s): em primeiro lugar, confie nele(s) e em sua(s) possibilidade(s) e em segundo lugar, planeje uma série de ações orientadas para que seja o próprio aluno ou o grupo que se encarregue de tomar as decisões e que se responsabilize pelas suas decisões tomadas. Só poderemos favorecer a autonomia e a responsabilidade quando o professor reconhecer que as aulas completamente dirigidas onde os alunos sempre fazem o que o professor manda, como diz o professor e quando diz o professor, fica muito difícil. Propostas de atividades:

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• • •

Absoluta liberdade para participar ou não das atividades propostas na aula; Delegar ao aluno uma série de tarefas ou funções; Estabelecer com os alunos regras básicas de convivência nas aulas.

No eixo social: conteúdos e programa de ação Aperfeiçoar as relações interpessoais: Em nosso ponto de vista o relacionamento interpessoal estabelecido entre os alunos (meninas e meninos) condiciona a aprendizagem tanto ou mais que outros aspectos os quais estabelecemos com fundamentais como a didática, os conteúdos, as metodologias aplicadas etc. Se queremos que nossos alunos desenvolvam ao máximo suas potencialidades é fundamental que nas aulas de educação física se crie um clima agradável para todos. Propostas de atividades: • • • • •

Estimular a expressão de sentimentos e os contatos interpessoais; Introduzir atividades motrizes que impliquem na troca constante de companheiros; Favorecer a formação de grupos distintos; Potenciar a prática de jogos cooperativos de tabuleiros, motrices etc; Utilizar recompensas grupais.

Aceitação do outro: Tão importante como ser aceito dentro de um grupo é aceitar os demais ou o outro independente de sua raça, sexo, classe social, religião etc. Um dos objetivos prioritários nas nossas aulas de educação física é de eliminar de qualquer jeito a discriminação que exista ou possa existir dentro do grupo. Usaremos como estratégias três aspectos: as relações entre meninas e meninos, as relações entre alunos de culturas minoritárias e os da cultura predominante, e as relações entre os grupos de meninas e meninos que apresentam alguma deficiência motriz, mental etc. Propostas de atividades: • • • •

Introduzir nas aulas elementos lúdicos das culturas minoritárias; Reforçar positivamente os grupos mistos; Empregar uma linguagem não sexista; Adaptar as atividades ao aluno deficiente.

Resolução de conflitos por vias não violentas: Parte-se da idéia de que o conflito é algo natural e que, por si mesmo, não é negativo se bem orientado. O negativo é recorrer a violência seja qual for ela, para impor nosso próprio critério.

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Uma resolução não violenta de conflitos requer uma exposição do nosso ponto de vista sobre o problema, escutar a visão do outra pessoa e alcançar um acordo que seja bom para ambos ou para um coletivo. Propostas de atividades: • • •

Favorecer com que o aluno regule seus próprios conflitos; Reservar um espaço para a regulação dos conflitos; Reforçar positivamente a regulação não violenta de conflitos por parte do aluno.

Conhecimento e valorização de outras culturas: Em um processo de convivência sem violência requer aceitar outros pontos de vista, porque existem outras formas de ver as coisas. Neste sentido é importante conhecermos nossa própria história e cultura para valorizar nosso patrimônio cultural. Mas isso não será desculpa para cair no etnocentrismo e pensar que nossa cultura é a melhor e a única possível. Quando compartilhamos informações sobre outras culturas, percebemos com os nossos alunos que as semelhanças entre as diversas culturas são maiores que as suas diferenças. Pó isso devemos oferecer condições e oportunidades que os alunos possam comparar e buscar pontos de coincidências em nossa própria cultura e em outras culturas (povos, nações etc). Propostas de atividades: • •

Empregar músicas de outras culturas. Introduzir atividades lúdicas de outros povos e culturas.

No eixo natural (meio ambiente): conteúdos e programa de ação Respeito e preservação da natureza: A educação para paz não se resume somente nas relações humanas, mas também na relação do homem com o meio ambiente em que nós vivemos e nos desenvolvemos. É dentro da família, na sociedade e na escola que devemos proporcionar aos nossos alunos e filhos uma série de experiências e informações acerca do meio ambiente e a sua importância para a sobrevivência de todos os seres. Nossos alunos têm que entender que preservar o meio ambiente é preservar a espécie humana. Compartilhar o conhecimento: com a escola, com a comunidade e com o mundo Sabemos que é muito difícil promover situações de intercâmbio da escola com a sociedade, mas podemos e temos a obrigação de criar meios e propostas para favorecer este intercâmbio.

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Os professores podem fazer com que determinadas aulas sejam utilizadas como um momento para favorecer esta integração. Dentro dos eixos de conteúdos iremos abordar as mais diferentes possibilidades do uso do brincar cooperativo para o desenvolvimento e aprendizagem dos métodos citados anteriormente neste artigo. Vou relacionar abaixo algumas sugestões apresentadas na proposta do professor VELÁZQUEZ (1991) entre outras que podem ser desenvolvidas para facilitar este intercâmbio nas aulas dentro da escola. • • • • • • • • • • • •

Resgate dos jogos tradicionais e populares; Criar um museu do brinquedo tradicional e popular; Danças, rondas e cirandas do mundo; Olimpíadas cooperativas escolares e intercolegial; Aulas abertas com a participação dos pais; Correio da paz intercolegial; Resgate dos jogos tradicionais e populares; Desenvolvimento de atividades lúdicas não-sexistas; Criação de brincadeiras, jogos e brinquedos não belicosos; Correio da paz; Compartilhar as experiências lúdicas com macros jogos humanos cooperativos; Brincar cooperativamente junto à natureza.

MÉTODOS DE AVALIAÇÃO PARA JOGOS COOPERATIVOS Os processos de avaliação nos jogos cooperativos podem ser: • • • • •

Global Continuo Integrado Formativo Compartilhado

A avaliação no jogo cooperativo pode ser dividida em três momentos importantes: Avaliação Inicial: • Das características dos espaços e materiais; • Das características dos alunos. Avaliação Continua: • Estabelecer atividades ou conteúdos de reforço;

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Replanejamento da programação.

Avaliação Final Para avaliar é necessário criar alguns procedimentos de avaliação como: • Procedimentos de Observação • Procedimento de Experimentação • Procedimento de Avaliação dos Alunos Acreditamos que para avaliar é preciso que perguntas sejam respondidas Em relação aos alunos • Jogam juntos as crianças de raças distintas? • Jogam juntos os meninos e as meninas? Que tipo de jogos? • Existe algum tipo de relação entre os grupos nos jogos do pátio do recreio? • Como se distribuem nos espaços de jogos na escola? • Que tipo de jogos são os mais freqüentes? • Como se resolve habitualmente os conflitos na escola na hora de brincar? • Existem meninos e meninas que frequentemente estão sós na hora do recreio, sala ou escola? Em relação ao professor e o grupo de aula • O aluno participa da elaboração e negociação das normas de convivência na aula? • O grupo colabora no desenvolvimento da aula sugerindo idéias para melhorar a mesma? • O professor aceita as sugestões dos alunos e as põe em prática? • O aluno se responsabiliza de certas tarefas durante as aulas? O faz de forma eqüitativa? • O professor aceita o diálogo com o aluno orientando-o na busca de uma solução de consenso como base para a regulação dos possíveis problemas em aula? • Existe relação entre o professor e o aluno fora do horário de aula: tempo de recreio, atividades extra-escolares etc.? Em relação aos professores • Existe interação entre os professores das diversas áreas ou saberes dentro da escola? • Os professores participam de forma coletiva do planejamento das atividades ou eixos de conteúdos? Na avaliação devemos verificar se os nossos alunos aprenderam • A aceitar o outro em igualdades de condições; • A colaborar e apoiar o outro; • A reconhecer e aceitar as virtudes e as deficiências do outro;

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• •

A respeitar o espaço e o trabalho do outro; A compreender que a única maneira de alcançar as metas é somando esforços e cooperando.

Para Giroux (1992) os educadores tem que possibilitar aos estudantes a oportunidade de aprofundar a compreensão e a importância da cultura democrática, relações nas quais o prioritário é aprender o valor da cooperação, do compartilhar e da justiça social. Isto é, para fomentar o valor da cooperação é preciso vivencia-la diariamente na escola, na família e na sociedade. Imaginar que uma cultura da PAZ é possivel é a nossa missão. Imaginar não somente no simbólico, mas tentar viver a PAZ no dia-a-dia de cada um de NÓS. John Lennon em 9 setembro de 1971 escreveu uma letra de uma música “Imagine” que retrata bem a importância de criar uma cultura de paz. “Imagine there's no heaven

It's easy if you try No hell below us Above us only sky Imagine all the people Living for today... Imagine there's no countries It isn't hard to do Nothing to kill or die for And no religion too Imagine all the people Living life in peace... You may say I'm a dreamer But I'm not the only one I hope someday you'll join us And the world will be as one Imagine no possessions I wonder if you can No need for greed or hunger A brotherhood of man Imagine all the people Sharing all the world... You may say I'm a dreamer But I'm not the only one I hope someday you'll join us And the world will live as one (Imagine John Lennon, 9 Septiembre de 1971)

CONSIDERAÇÕES FINAIS DO AUTOR Tentei neste artigo apresentar uma proposta educativa de educação para a paz através do brincar cooperativo. Sei que são muitas as dificuldades que iremos enfrentar para compartilhar uma proposta diferente, inovadora e transformadora. Por isso dedico o brincar cooperativo e a cultura da paz:

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V Congreso Internacional de Actividades Físicas Cooperativas. Oleiros (Coruña): 30 de junio al 3 de julio de 2006. Marcos Teodorico Pinheiro de Almeida: “O brincar cooperativo e a cultura da paz na educação infantil”. “A nova geração de crianças e educadores que buscam no brincar, um instrumento criativo e emancipador, e que, através dele desfrutem dos jogos de sempre e dos de hoje, e cresçam buscando a melhor convivência, a justiça e a paz.”

A cristalização do brincar competitivo universalizou-se de tal forma na vida cotidiana das pessoas que viver neste mundo precisa de coragem, tolerância, amor, otimismo entre outras coisas. Acredito que o brincar e a cultura da paz são uma alternativa educativa aos modelos pedagógicos apoiados na competição, no individualismo, no egocentrismo, entre outros. Gostaria de apresentar abaixo o meu desejo e manifesto: 1. RESPEITAR A VIDA a. O resgate da vida; b. A defesa da vida; c. O respeito à vida. 2. REJEITAR TODO TIPO DE VIOLÊNCIA 3. SER GENEROSO 4. SER TOLERANTE 5. OUVIR PARA COMPREENDER 6. PRESERVAR O PLANETA 7. REDESCOBRIR A SOLIDARIEDADE 8. REDESCOBRIR A PAZ O brincar cooperativo é uma proposta na qual jogamos cooperativamente, descobrimos como estamos no mundo, percebemos o presente e alcançamos vôos para o futuro. Hoje eu, você e NÓS podemos trilhar um caminho alternativo de jogar, ensinar, trabalhar e viver em paz. A idéia e propósito deste trabalho foi de sensibilizar e instrumentalizar os educadores no resgate e no desenvolvimento de valores e atitudes cooperativas consigo mesmo, com os outros e com o meio ambiente dentro de uma perspectiva da CULTURA DA PAZ. Garantir o espaço do brincar na educação infantil pode ser um elemento importante para ampliar o repertório de vida e de conhecimento da criança. Garantir este espaço é fortalecer sua autonomia, sua capacidade criadora, sua consciência coletiva, sua solidariedade e sua cooperação. Brincar e aprender ou brincando e aprendendo de forma cooperativa pode acrescentar no bojo da formação humana das crianças experiências ricas, criativas, ímpares e libertadoras. E principalmente, oportuniza construir valores sólidos e consistentes que servirão para fortalecer suas relações consigo mesmo, com os outros e com o meio micro e macro.

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ÍNDICE DE COMUNICACIONES

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O BRINCAR COOPERATIVO EA CULTURA DA PAZ NA EDUCAÇÃO INFANTIL  

O artigo tem como proposta apresentar e compartilhar referenciais teóricos e metodológicos sobre o brincar cooperativo e a cultura da paz, a...

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