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Balaio do Pedro


Cultura em 3 atos Cultura em 3 atos


3 2 1 Na estante

No Som

No DVD

Romance, de Guel Arraes, com Wagner Moura, Letícia Sabatela e grande elenco, nos faz refletir, de maneira ao mesmo tempo sensível e bem-humorada, sobre as relações amorosas. Pensamos sobre o que significa estar apaixonado, suas implicações sociais, profissionais e sobre como a arte sempre preferiu retratá-la. Para pensar, rir e suspirar. [serviço]

Sabe quem é o artista capaz de agradar aos mais ardorosos fãs de rock, os entusiastas da MPB, de embalar o público da novela e do cinema alternativo, que agrada aos românticos e aos enfurecidos, encanta nacionalistas e cosmopolitas? Claro que é o Lenine! Ainda não ouvi Labiata, seu mais recente trabalho? Letras bem boladas e nada óbvias sobre meio ambiente, reflexões bem-humoradas sobre o narcisismo, pitadas sensuais – na medida certa – em canções românticas, parcerias com mestres... Já nasceu clássico! [serviço]

O campeão das listas dos mais vendidos do mundo inteiro é também um livro polêmico. A Cabana apresenta Deus de forma inusitada: Ele, o TodoPoderoso, decide passar um fim de semana com um pai amargurado, cuja filha foi supostamente assassinada por um serial killer. Sucesso que extrapolou os muros da religiões, o livro desperta debates acalorados entre teólogos enquanto leitores das mais diversas vertentes religiosas, indiferentes a questões “acadêmicas”, afirmam se tratar de uma obra divinamente inspiradora – no caso dos ateus, o adjetivo “divinamente” é devidamente substituído, mas o elogio permanece. [serviço]


Cronicamente Viável

Beijos & Versos Beijos & Versos

Ana Maria Machado afirma no prefácio do livro Comédias Para se Ler na Escola, de Luis Fernando Veríssimo, que é tão absurdo dizer “eu não gosto de ler” quanto afirmar “eu não gosto de comer”. Assim como não gostamos de tudo que nos oferecem à mesa – Couve? Repolho refogado? Quiabo? Coco? Argh! – também não podemos dizer que não apreciamos absolutamente nada que seja escrito. Sim, a variedade de opções de leitura é tão grande quanto os gostos de cada indivíduo e, imagino, muito maior do que as opções gastronômicas disponíveis. Mas, além da multiplicidade de opções de que podemos dispor quando o assunto é leitura, a afinidade entre o texto e quem lê também é fundamental, e pode ser tão íntima quanto um beijo pode ser. Ler é como beijar! O leitor de lábios calejados, experimentados, bem sabe que um beijo não depende só de uma pessoa: é um ato conjunto, em que damos e recebemos algo ao mesmo tempo. Algo bom, esperamos, mas que muitas vezes, independentemente da habilidade dos parceiros, a coisa desanda. Por mais exímio beijador que você seja, se o(a) parceiro(a) de

bitocas não têm uma pegada significativa, a coisa pode babar. E muito! Assim como o beijo, a relação entre leitor e texto – e não entre leitor e autor, vale frisar – é única, pessoal e intransferível. Ambos, quem lê e o que é lido, precisam alcançar a mesma sintonia. E não, o fato do texto não agradar a um leitor, não quer dizer nem que o texto seja ruim, muito menos que o leitor seja burro. Significa que, naquele momento, os dois não estavam na mesma “vibe” – e nada impede que, num futuro, próximo ou longínquo, os dois não possam tentar de novo e, aí sim, se completarem. Da mesma forma, o texto que se apresenta exuberante hoje, no futuro pode parecer imaturo, extravagante, pedante e perder o encanto, enquanto o leitor pode ficar mais insensível, exigente, relapso, conservador, chato... O importante mesmo, para beijos e leituras, é continuar praticando, experimentando. Contudo, creio, a promiscuidade com os textos é bem mais saudável do que a promiscuidade dos beijos. Pelo menos é muito mais “seguro” e nos leva a experiências bem mais diversas do que um beijo – por mais saboroso que ele seja.


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Quer entender o ^ portugues?

Quer entender o portuguĂŞs?


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ual é a forma correta: a maioria dos alunos chegou cedo ou a maioria dos alunos chegaram cedo? A maioria das pessoas têm essa dúvida; contudo, grande parte delas não faz nada para saná-la. Uma porção de indecisos consulta o dicionário, pois, certamente, mais da metade dos estudantes desconhecem que este é assunto para as gramáticas. As partes grifadas acima são as chamadas expressões partitivas. Quando elas – e outras similares – compõem o sujeito e são seguidas por um substantivo ou pronome plural, o verbo pode ficar no singular, concordando com a expressão partitiva, ou no plural, concordando com o substantivo ou pronome. Sendo assim, a resposta mais precisa para a pergunta acima é a minha favorita, por ser democrática e fácil de assimilar: TANTO FAZ! Quando devo usar onde? E aonde? Embora você não tenha feito essa pergunta, vamos começar pelo seguinte: DAONDE NÃO EXISTE! O tempo todo dizemos “daonde veio essa conta, com tantas caipirinhas de saquê?”, “daonde você tirou isso”, e outras coisinhas que na fala, dependendo “daonde” estamos – uma mesa de bar altas horas da madrugada e com as ideias devidamente calibradas – pode até passar. Mas em situações que exijam um pouco mais de cuidado com as palavras, sempre é bom, ou obrigatório, dizer “de onde vem essa magnânima inteligência, chefinho?”, “de onde conseguimos tirar políticos tão competentes para nos levarem ao píncaro do poder econômico?”. Pegou? Agora, vamos ao que também interessa. Onde é um advérbio de lugar, indica lugar físico. Aonde, que muitas vezes, mas nem sempre, pode ser substituído por para onde, também indica lugar, mas acompanha verbos de movimento. Assim, dizemos, por exemplo, “Onde você está? Estou esperando há horas!”, e “Aonde você vai tão bonita, cheirosa e levando meus cartões de crédito, benzinho?” Na dúvida sobre qual das duas opções usar – onde ou aonde – olhe para o verbo e verifique se ele pede a preposição a. Por exemplo, o verbo chegar: sempre chegamos a algum lugar, então, devemos dizer “Chefinho, aonde o senhor pretende chegar com essa sábia palestra sobre banco de horas, recolocação profissional e alta rotatividade no mercado de trabalho?” Nesse caso, você percebeu que “para onde o senhor quer chegar” seria uma frase que só aceleraria a sua demissão, certo? Ah, ia me esquecendo. Você também pode usar “donde” no lugar de “de onde”. É uma forma um pouco mais rebuscada e poética, muitas vezes pedante, mesmo, mais adequada para sonetos e poeminhas românticos bizarros. Agora, sempre é bom lembrar, as palavras existem para serem usadas; só basta sabermos o momento mais oportuno.


Textos: Pedro Borges Diagramação e Arte: Marcos Machado contato: p.borges.j@bol.com.br blog: www.balaiodopedrao.blogspot.com


Balaio do Pedrão