Page 25

Esse quadro se manteve, em linhas gerais, até o final do século. Nesse período de estabilidade, outras fontes surgiram, porém sem grandes alterações na sua estrutura e na destinação final, incluindo principalmente exigibilidade bancária (que voltou a crescer com a estabilidade monetária), Poupança Verde, fundos constitucionais e recursos externos. Embora as opções de financiamento oriundas do setor financeiro tenham se ampliado, suas características limita-

UM EXEMPLO DA FORÇA DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

ram o acesso apenas aos agricultores mais capitalizados. As novas fontes de recursos, especialmente os títulos, estavam voltadas basicamente para a agricultura comercial, pois envolviam dinheiro captado no mercado a custos elevados, excluindo dessa forma as pequenas propriedades. Por outro lado, muitos agricultores mais capitalizados passaram a utilizar outros produtos financeiros para apoiar seus empreendimentos, que não são considerados como crédito rural. Por outro lado, especialmente a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, passou a prevalecer na esfera política uma nova visão, a de que o governo federal deve destinar recursos de crédito exclusivamente aos setores mais empobrecidos do meio rural e historicamente marginalizados nas políticas públicas. Essa intenção do governo (e de setores ligados a este) materializou-se na formulação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Esse programa, criado em 1995, no primeiro ano do governo FHC, foi acompanhado de grande expectativa por vários segmentos e entidades de representação dos agricultores. Para setores do sindicalismo, o Pronaf representou mais uma conquista dos trabalhadores rurais e uma resposta do governo aos “gritos do campo”. O Pronaf busca oferecer crédito rural à agricultura familiar e promover o desenvolvimento dos municípios do país. Embora represente um avanço significativo em termos de concepção de desenvolvimento, sua implementação prática vem apresentando vícios e dificuldades operacionais semelhantes às existentes anteriormente. Segundo representantes do próprio governo, esses entraves são motivados, sobretudo, pela falta de preparo do aparelho estatal em lidar com pro-

CREDICITRUS

gramas de cunho social, especialmente aqueles voltados aos setores mais carentes do meio rural.

25

Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

Advertisement