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PARTE 1

O cooperativismo transforma a história do homem

PREÇOS MÍNIMOS A partir do inicio da década de 1980, em razão das várias distorções observadas no mercado, o crédito rural subsidiado perdeu espaço. Ganharam destaque, então, medidas como a política de preços mínimos. As ações do governo passaram a basear-se numa visão menos estratégica e mais de curto prazo. As condições eram negociadas de acordo com a realidade imediata da safra corrente e das características conjunturais do mercado. Nesse período, a política macroeconômica enfrentou uma profunda crise fiscal, agravada pelas condições externas, e o país afundou em um processo recessivo. Em conseqüência, os valores destinados ao crédito rural declinaram, acompanhando a crise. Como resultado, a produção de grãos entrou em ritmo de estagnação, provocando a redução da oferta de alimentos e a elevação relativa dos preços da cesta básica. Esta tendência foi parcialmente modificada em 1986/87, com o advento da Nova República e das medidas criadas pelo Plano Cruzado, durante o governo José Sarney. O governo reativou muitos dos instrumentos de política agrícola, fazendo com que o montante de recursos do crédito rural ingressasse em nova fase de expansão. A decisão do governo de ampliar os recursos de crédito, aliada a medidas complementares de estímulo ao setor, e a defasagem dos valores dos financiamentos provocada pela retomada da inflação fizeram com que os produtores recuperassem, por algum tempo, a sua rentabilidade e o poder de rolagem das dívidas anteriores. Como essas medidas em sua grande parte eram artificiais, a realidade não tardou a mostrar-se novamente negativa. No ano de 1988, o governo mudou radicalmente de rumo, em razão da hiperinflação e da parcial reforma administrativa e fiscal trazida com a nova Constituição. O crédito rural passou a ser incorporado ao Orçamento Geral da União e, como resultado, sua liberação passou a depender das negociações e dos acordos entre os poderes Executivo e Legislativo. O setor rural passou a buscar alternativas para o financiamento de suas atividades, pois tinha perdido suas fontes principais, como a Conta Movimento do Banco do Brasil e os depósitos à vista (drasticamente reduzidos com a elevação da inflação). Numa tentativa de atacar o problema de falta de verbas, em 1986 havia sido lançada a Poupança Verde. Em 1988, com o mesmo objetivo, foram criados os Fundos Constitucionais de Desenvolvimento Regional. Essas fontes, posteriormente, mostraram-se incapazes de manter os mesmos níveis de recursos antes aplicados.

Real e juros altos A partir do Plano Real – lançado em 1994, durante o governo Itamar Franco, por seu então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso – houve transformações significativas na política de financiamento da agricultura. Com a estabilidade monetária, que foi inicialmente ancorada num programa de câmbio fixo e taxas de juros elevadas, o setor agrícola voltou a dispor de recursos originários no setor financeiro. Mas o descompasso entre os juros suportados pelos tomadores e os juros praticados pelo mercado, aliado ao desinteresse institucional dos bancos em lidar com o crédito rural, acabou dificultando o acesso dos financiamentos à maioria dos agricultores, sobretudo os de origem familiar, criando um período sombrio para o financiamento das atividades agropecuárias de um modo geral.

Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

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