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originários de duas fontes básicas: o Tesouro Nacional e a exigibilidade bancária (oriunda dos depósitos à vista – da mesma forma que hoje, porém com percentuais diferentes).

UM EXEMPLO DA FORÇA DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

Quanto ao volume de recursos, o governo não se preocupava em controlá-lo. O principal gestor dos programas oficiais da área agrícola era o Banco do Brasil, que mantinha um vínculo muito particular com o Tesouro Nacional, por meio da chamada Conta Movimento. Tratava-se de uma conta especial, na qual eram debitados os recursos à medida que eram solicitados pelas agências bancárias. Esse mecanismo foi abolido em 1985, pois representava uma válvula de descontrole monetário. Como os empréstimos eram feitos a taxas fortemente subsidiadas e a inflação, por sua vez, era elevada, o valor real dos recursos emprestados rapidamente era corroído. Para suplementá-lo, eram fornecidos recursos adicionais, os quais, em sua maior parte, eram oriundos de emissão de moeda – prática reconhecidamente inflacionária. Adicionalmente, uma outra distorção contribuiu para fortalecer a convicção de que o fornecimento de crédito subsidiado em um cenário marcado por altas ta-

CREDICITRUS

xas de captação de recursos (por meio do open market e do overnight, destinados a financiar a dívida interna do governo) representava um erro. Muitos tomadores deixavam de investir parte dos recursos do crédito rural em atividades agrícolas, burlando o controle dos bancos, aplicando-os no mercado financeiro, onde obtinham mais vantagens e não corriam qualquer risco. Por outro lado, a abundância de recursos também levou à elevação do preço da terra, uma vez que parte dos recursos do crédito rural passou a ser utilizada para a compra de novas propriedades, algumas até com fins especulativos.

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Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

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