Page 179

Siguetoci Matusita: Cooperativismo de crédito tende a se abrir A primeira tendência é que o cooperativismo de crédito caminha para ser mais aberto, permitir a participação de associados de outros segmentos, ou seja, a livre admissão de cooperados. Hoje, essa livre admissão é facultada apenas às cooperativas instaladas em municípios com menos de 2 milhões de habitantes. Como estamos em São Paulo, isso nos exclui automaticamente. Mas nenhuma regra é imutável e acreditamos que, em futuro não muito distante, seremos autorizados a acolher como cooperados pequenos e médios empresários e profissionais liberais de várias categorias. Considerando essa tendência, vamos procurar crescer o máximo possível desde já. Nosso objetivo central é alcançarmos a total independência financeira. Para isso, necessitamos da máxima capitalização possível. Assim, se viermos a ser autorizados a ter cooperados de outros segmentos, já sairemos à frente do mercado. Para isso, vamos continuar com o programa de instalação de novos PACs – Postos de Atendimento Cooperativo. Isso é fundamental para ampliarmos a nossa base de cooperados e, por outro lado, ampliar a capilaridade de nosso sistema. Não temos qualquer interesse em concentrar operações, mas sim de disseminá-las, chegar onde o cooperado está e precisa de nós. Temos que capilarizar nossas operações tanto na captação quanto na aplicação. Nesse sentido, devemos ampliar também nossas parcerias com os bancos comerciais, que terão em nós, cada vez mais, o instrumento seguro para que atuem na área de crédito rural. Há hoje um grande volume de recursos que poderia ser aplicado nessa área que acaba sendo canalizado para os depósitos compulsórios junto ao Banco Central, pois os bancos não têm condições operacionais de conceder crédito as produtores rurais, seja porque estão distantes do campo, seja porque é caro para cada um deles montar uma estrutura confiável para garantir a sua segurança de crédito, seja porque não têm tradição nem conhecimento para analisar riscos e oportunidades no setor agropecuário. É justamente aí que podemos apoiá-los. Por isso, é um grande equívoco por parte de muitos banqueiros encarar uma cooperativa como a nossa como um competidor no mercado. Isso é parcialmente verdadeiro, porque podemos oferecer muito aos bancos – muito mais do que poderíamos tirar deles. Em resumo, caso o Banco Central não autorize a livre admissão, continuaremos crescendo com base no crédito rural, como sempre fizemos antes, buscando fortalecer cada vez mais nossa posição nesse segmento; caso o BC autorize a livre admissão, aí o crescimento será explosivo.

179

Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

Advertisement