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PARTE 4

E o futuro?

Moacyr Pegoraro: Futuro também depende da conduta do cooperado Nossa vivência no sistema financeiro totaliza mais de 60 anos, que se dividem em dois períodos: o primeiro no Banco do Brasil, onde construímos uma carreira muito profícua, convivendo principalmente com as necessidades e os problemas do produtor rural; e o segundo, ainda mais proveitoso, que se estende até o presente, desenvolvido no setor cooperativista, também em estreita convivência com os profissionais da agropecuária. No Banco do Brasil, tivemos a oportunidade de observar a evolução do crédito rural, desde suas experiências iniciais, nos anos 1940, passando pelo período de recursos abundantes com taxas subsidiadas, bem inferiores à inflação, incrementado pela Carteira de Crédito Agrícola (CREAE), que certamente contribuiu para o crescimento de nossa economia agropecuária, até chegarmos à fase de escassez de recursos e mudança de regras oficiais entre o final dos anos 1970 e os anos 1980, quando o agricultor padeceu grandes dificuldades até de sobrevivência. Por outro lado, também tivemos a oportunidade de acompanhar toda a evolução do cooperativismo de crédito rural, em sua nova fase, iniciada em São Paulo em 1983. E aí pudemos constatar que, desde que bem administradas, as cooperativas representam para os profissionais do campo a grande esperança de financiamento de suas atividades. Esperança, aliás, já concretizada para nossos cooperados, em especial os pequenos, que certamente não teriam o mesmo apoio nas demais instituições financeiras do mercado. Vemos agora, com satisfação, que nosso setor de atividade tende a evoluir ainda mais, com a autorização do Banco Central, desejada e aparentemente próxima, de estendermos nossos benefícios aos pequenos e médios empresários e aos profissionais liberais em geral, que poderiam tornar-se nossos cooperados. Esse tema, a propósito, é abordado com mais detalhes por nosso colega de diretoria Siguetoci Matusita. Porém, para que essa tendência de evolução se realize, entendemos que é necessário que cada cooperado também se comprometa com a grandeza ainda maior que podemos alcançar. Nesse sentido, deve estar ciente de que a solidez de nossas operações depende de sua lealdade à cooperativa, pois quando deixa de cumprir uma obrigação, o ônus desta inevitavelmente recai sobre os demais cooperados – o que não é justo e contraria um dos princípios fundamentais de nosso setor, que é a solidariedade. Apesar dessa ressalva, que felizmente se aplica a poucos, vemos o futuro de forma muito positiva. A Credicitrus, com o indispensável apoio de seus associados, com certeza tem pela frente um futuro muito mais brilhante do que seu admirável e admirado presente.

Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.