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ritmo de crescimento. O cooperado está readquirindo a confiança na Credicitrus. Por isso, esperamos encerrar 1991 com um crescimento real significativo. Informativo Coopercitrus – O que a Credicitrus pode oferecer ao cooperado atualmente?

UM EXEMPLO DA FORÇA DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

Leopoldo Pinto Uchôa – Criamos, em meados do ano passado, um fundo mútuo agropastoril, por meio do qual os cooperados que possuam disponibilidades podem aplicá-las na Credicitrus. Esses recursos, por sua vez, serão reaplicados em operações de crédito para outros cooperados, que pagam por esses empréstimos correção monetária mais uma taxa de juros bastante competitiva no mercado. A grande vantagem desse fundo é que os recursos gerados em nossas atividades são nelas reaplicados. Essa é a essência do cooperativismo. Acreditamos que esse fundo será o nosso grande instrumento de alavancagem de recursos. No entanto, é preciso lembrar que nossa atuação em outras áreas é limitada pela própria legislação. Concorremos em desvantagem com os bancos comerciais, que podem operar com fundos, ouro, cobrança, CDB, RDB, descontos de duplicatas, etc. Informativo Coopercitrus – Quais as perspectivas de que esse quadro mude? Leopoldo Pinto Uchôa – Temos grande esperança de que a idéia do banco cooperativo se concretize o mais rápido possível. O assunto já está avançando. No último número do “Informativo Coopercitrus”, o ex-presidente da OCB, Roberto Rodrigues, deu em sua entrevista uma série de informações novas, inclusive sobre o interesse de bancos estrangeiros participarem do novo banco. Acho a idéia bastante interessante, uma vez que o Brasil não tem recursos suficientes para um empreendimento do porte que se deseja para o banco cooperativo. Informativo Coopercitrus – Que vantagens o banco cooperativo traria? Leopoldo Pinto Uchôa – Esse banco seria a solução para vários problemas. Em primeiro lugar, poderíamos oferecer, por seu intermédio, as mais variadas modalidades de aplicação hoje praticadas pelos bancos comerciais. Através do banco cooperativo, teríamos acesso à compensação de forma duradoura. Hoje, se o Banco do Brasil nos retirar o acesso à compensação, estaremos totalmente desprotegidos. E teríamos, principalmente, uma instituição pertencente a nós, sensível às nossas necessidades.

CREDICITRUS

Informativo Coopercitrus – As atuais cooperativas de crédito estão preparadas para esse futuro? Leopoldo Pinto Uchôa – Na verdade, elas precisariam se fortalecer internamente, investindo na profissionalização de seus quadros de pessoal, na contratação de técnicos especializados e na ampliação da consciência dos cooperados para a importância de se ter um sistema próprio de crédito. A questão é basicamente essa. Não precisamos de sedes suntuosas, nem de um grande número de funcionários. Na Credicitrus, por exemplo, temos apenas dez pessoas, que atendem bem a todas as nossas questões, porque são todos profissionais. Além disso, operamos com um risco de crédito baixíssimo, porque nosso mercado é formado por gente que conhecemos muito bem. Qualquer cooperativa de crédito que opere com o mesmo profissionalismo e com a mesma austeridade crescerá. Por isso, acredito muito no sistema de crédito cooperativo. E tenho certeza de que – como ocorre na Alemanha, na França, na Holanda, na União Soviética e em muitos outros países – cada cooperativa agropecuária, cada empresa, cada vila terá a sua cooperativa de crédito ligada ao banco cooperativo. Será um sistema com capilaridade tão gigantesca que nada poderá nos afetar.

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Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

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