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PARTE 3

A trajetória vitoriosa da Credicitrus

Credicitrus encerra 1990 com resultado positivo A Credicitrus – Cooperativa de Crédito Rural Coopercitrus Ltda. conseguiu, apesar de todas as dificuldades vividas durante 1990, encerrar o exercício do ano passado com resultado positivo. Foi uma vitória, expressa nos números de seu balanço, publicado na última edição do “Informativo Coopercitrus”, e explicada com mais detalhes por seu diretor de Crédito Rural, Leopoldo Pinto Uchôa, na entrevista a seguir – na qual também aborda outros aspectos importantes ligados ao cooperativismo de crédito rural no Brasil. Informativo Coopercitrus – A Credicitrus tem enfrentado uma série de dificuldades desde o início do atual governo. Como começaram essas dificuldades? Leopoldo Pinto Uchôa – O governo bloqueou, no início do ano passado, todos os recursos depositados e aplicados por nosso intermédio. Ao mesmo tempo, extinguiu o BNCC – Banco Nacional de Crédito Cooperativo. Foram duas medidas violentas contra o nosso sistema cooperativo de crédito, pois, de uma hora para outra, ficamos sem a maior parte de nossos recursos. O liquidante do BNCC não conseguiu, com a mesma velocidade dos outros bancos, montar as contas em cruzados de todos os seus clientes. Desse modo, não colocou imediatamente à disposição destes os 50 mil cruzados a que tinham direito e ainda demorou muito a liberar as informações sobre as suas contas em cruzados, impedindo-os de fazer pagamentos por meio da transferência de titularidade. Muitos de nossos clientes ficaram incapacitados de saldar seus compromissos. Informativo Coopercitrus – Como esses problemas iniciais foram solucionados? Leopoldo Pinto Uchôa – Tivemos um grande apoio financeiro da Coopercitrus. Isso permitiu que devolvêssemos os 50 mil cruzados a cada um de nossos cooperados antes que estes fossem liberados e criou condições para que atendêssemos os casos mais graves. Apesar disso, continuamos enfrentando um problema sério: a falta de confiança dos cooperados em nosso sistema de crédito. Ficamos mal vistos sem ter qualquer culpa. Além disso, depois que nossas contas em cruzados foram regularizadas, enfrentamos dificuldades junto ao Banco do Brasil, que se recusava a receber em cruzados compromissos pendentes de nossa responsabilidade, assumidos anteriormente ao Plano Collor I. Informativo Coopercitrus – Essa situação persistiu durante muito tempo? Leopoldo Pinto Uchôa – Na verdade, só começou a reverter no último trimestre de 1990, quando o Banco do Brasil nos cedeu o seu número de compensação e conseguimos liquidar compromissos com os cruzados bloqueados. A partir daí, recomeçamos a movimentar normalmente nossas contas. Informativo Coopercitrus – Como isso afetou o desempenho da Credicitrus no ano passado? Leopoldo Pinto Uchôa – Nosso balanço, publicado na última edição do “Informativo Coopercitrus”, retrata nosso desempenho. Mas, em resumo, eu poderia dizer que vínhamos evoluindo muito rapidamente até o início do ano passado, com possibilidades de crescer muito mais. Com a intervenção do governo em todo o sistema financeiro, fomos duramente atingidos. Se utilizarmos como base de cálculo o IPC, perdemos muito em relação a 1989; se o cálculo for feito com base no BTN (Bônus do Tesouro Nacional), tivemos um crescimento, ainda assim pequeno. Além disso, deixamos de fazer coisas importantes. Tínhamos planos de dar início à construção de nossa sede própria, mas fomos obrigados a adiar esse projeto. Informativo Coopercitrus – E hoje, como está a Credicitrus? Leopoldeo Pinto Uchôa – De seis meses para cá [ou seja, a partir de novembro de 1990], a situação está normalizada. Já estamos em

Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  
Livro "Credicitrus - Um exemplo da força do cooperativismo de crédito  

Livro de comemoração dos 25 anos da Credicitrus.

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