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Papel Revestido: Uma Opção Menos Sustentável Marcos Paulo Rodrigues Nobre1 Resumo O objetivo deste trabalho é mostrar que a escolha do suporte para comunicação impressa, no caso papel, pode gerar um impacto ambiental menor, quando compreendido o processo de fabricação. São levantados dados bibliográficos quantitativos para demonstrar o impacto causado pela produção de papel e seu volume, explicando o sistema de produção. O estudo mostra como a produção do papel revestido é mais dispendiosa que a do não revestido, destacando a etapa adicional exigida a produção de papel para se obter o papel revestido. O que apresenta esse tipo de papel como sendo menos interessante do ponto de vista ecológico, no caso sustentável. Palavras-Chave: Papel Revestido, Impacto ambiental, Produção de Papel, Sustentabilidade, Ecologia e Design Gráfico. Abstract The objective of this work is to show that the choice of support for printed communication, role in the case, may generate less environmental impact when understood the manufacturing process. Bibliographic data are collected to demonstrate the quantitative impact caused by the production of paper and its volume, explaining the production system. The study shows how the production of coated paper is more costly than the uncoated highlighting the additional steps required to produce paper to obtain coated paper. What has this type of paper to be less interesting ecologically, if sustainable.

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Marcos Paulo Rodrigues Nobre, graduando de 7º semestre em design gráfico pela Faculdade Estácio do Ceara - ESTACIO / FIC.

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1. Introdução A cada dia o pensamento ecológico e sustentável tem tomado mais força e ocupado um espaço cada vez maior na vida das pessoas. Em resposta a isso a maior parte das empresas tem trabalhado sua imagem nestas bases informacionais para a sociedade em geral, conforme pode ser visto hoje em dia em anúncios de revistas, como na revista TAM nas nuvens edição de Agosto de 2012, nas páginas 2 e 3 o anúncio da ABEEólica, ou na página 20 o anúncio da própria TAM, sites, como a da tang e seu projeto esquadrão verde 1, programas de televisão como o Globo Ecologia ou Globo Mar, reportagens e documentários como Ocean 2, que trata do problema do uso excessivo de plástico, todos falando de ecologia, sustentabilidade e meio ambiente. Como é colocado por Brian Doughterty, em seu livro Design Gráfico sustentável: “… Brands ecológicos dizem ao mundo que os valores éticos e ambientais são conceitos importantes no sucesso do negócio. Se as ações de uma empresa contradizem os valores que elas promovem, a marca é afetada. O desenvolvimento da marca da marca (branding) ecológica deixa as empresas sujeitas a acusações de greenwashing se elas promovem demais e atuam de menos...” (Doughterty, 2011,p.142) O que leva a entender que apenas a imagem ecológica agregada as empresas não é tudo, ela deve ser construída com base em atitudes reais, na mudança de comportamento e na visão destas empresas em relação a seus produtos. Existem vários tipos de profissionais envolvidos em processos criativos no que diz respeito à comunicação e disseminação da informação, tais como: jornalistas, publicitários, designers, escritores, e outros. Especificamente, nos limitaremos ao designer que não trabalha apenas a comunicação escrita. São levados em consideração os processos que envolvem a difusão da informação. Segundo Adélia Borges, no prefácio do livro Design Gráfico Sustentável, baseando-se em Cyntia Malaguti: ”... a atribuição do designer gráfico em relação à sustentabilidade chega a ser mais determinante que a do designer de produto. E isso não é porque os impressos sobre papel constituam mais da metade do lixo mundial ou porque a tinta usada para as impressões seja em geral extremamente toxica... O “X” da questão estaria na capacidade do designer gráfico atuar como um agente de 1 2

Link para acesso ao Hotsite http://www.esquadraoverdetang.com.br/gincana/ Link para acesso ao video http://vimeo.com/11443824

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mudança de atitude e de comportamento...”(BORGES, apud MALAGUTI, 2011,p.9) Como agentes de mudança e formação de opiniões, os profissionais do design, possuem por sua formação eclética, uma visão holística, nos processos criativos e numa interpretação genérica, parecem esquecer que todo processo nasce de pequenos detalhes, como diz Bruno Munari no livro Das Coisas Nascem Coisas: “... Quando se aprende a enfrentar pequenos problemas, pode-se pensar também em resolver problemas maiores...” (Munari, 2008, p.2) Sendo capazes de elaborar campanhas impressas e, muitas vezes complexas, que tratam de sustentabilidade e ecologia, porém os meios de divulgação destas campanhas podem ser contrários a um conceito fundamental: o da sustentabilidade. Em se tratando de campanhas impressas, um fator de grande relevância é a definição do melhor suporte para esta informação e posteriormente, sua forma de impressão. Muitas vezes a falta de informação técnica a respeito dos tipos de papéis existentes, de sua composição ou mesmo, de seu processo produtivo, pode colocar toda a informação em controvérsia, podendo ser encarado como greenwasing, caso não se tome o cuidado de se adotar como substrato (papel, ou superfície) um material que em sua produção gere o impacto ambiental mínimo e indispensável. Levando em consideração os aspectos da produção e adotando a visão holística que desenvolvem os designers, é possível demonstrar que a utilização de determinada qualidade de papel é ecologicamente menos agressiva ao meio ambiente. A seguir será demonstrada uma preocupação latente e limitada à produção do papel. Não será levado em consideração seu tipo de impressão como principal preocupação no processo de finalização de materiais gráficos, para efeito de delimitação do assunto que será abordado. A metodologia utilizada será baseada em informações bibliográficas e informações fornecidas por empresas e entidades ligadas à produção de papel e celulose. 2. O impacto ambiental É impossível falar de papel e não citar o impacto ambiental gerado pela industria. Para se ter ideia da dimensão desse impacto serão apresentados alguns dados referentes ao consumo de recursos entre os anos de 2009 e 2010.

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Foram consumidos mais de 397 milhões de gigajoules de energia térmica e mais de 37 milhões de gigajoules de energia elétrica (Tabela 1), o que eqüivaleria a mais de 212 anos de energia elétrica gasta por um brasileiro1.

Tabela 1: consumo de energia direta e indireta (GJ) Fonte: Bracelpa2

Em recursos naturais como a água, que é utilizada largamente do plantio até o fim do processo industrial, o consumo foi superior a 668 milhões de m3 (tabela 2).

Tabela 1: Consumo de água por fonte (m3) Fonte: Bracelpa3

A demanda por Matérias-primas e insumos superou 32 milhões de toneladas, além das mais de 27 milhões de toneladas de Químicos (Tabela 3). 1

IDS 2010, p. 313, Tabela 107 - População e consumo final de energia, total e per capita Brasil - 1992-2009, valor referente ao ano de 2009 equivale a 48,3 GJ energia elétrica. 2 Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.23. 3 Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.25.

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Tabela 3: Materiais utilizados pela indústria de celulose e papel Fonte: Bracelpa1

A industria ainda produziu mais de 7 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (Tabela 4), mais de 40 mil toneladas de resíduos perigosos atmosféricos (Tabela 5), e uma quantidade não determinada de resíduos perigosos sólidos e líquidos, estes últimos, no entanto, podem ser dimensionados tomando-se por base a tratamento dos mesmos (Tabela 6), o que representaria uma quantidade superior a 28 mil toneladas.

Tabela 4: Emissões de gases de efeito estufa por fonte (toneladas de CO2 equivalente) Fonte: Bracelpa2

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Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.22. Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.20.

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Tabela 5: NOx, SOx e outras emissões equivalentes Fonte: Bracelpa1

Tabela 6: Peso total de resíduos perigosos (t) Fonte: Bracelpa2

Dados como estes dão a dimensão do impacto ambiental gerado pela produção de papel. No entanto, a produção em si não é o problema principal, a medida que as industrias tem se modernizado, incentivando projetos de gestão ambiental e de recursos. Ampliando a eficiência energética com projetos de, melhorias nos sistemas, redesenho de projetos, modernização, e até treinamento de funcionários (Tabela7). Ainda há o incentivo a utilização de fontes renováveis (Tabela 1).

Tabela 7: Energia economizada (GJ) Fonte: Bracelpa3

Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.21. Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.26. 3 Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.23. 1 2

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Ainda há o incentivo ao uso de recursos naturais renováveis ( Tabela 1) e Utilização de madeira com certificação florestal (Tabela 8), que atestam o manejo e origem dessas, como FSC, Forest Stewardship Council (Imagem 1), de abrangência internacional, e Cerflor-Inmetro, Programa Nacional de Certificação Florestal (Imagem 2), de abrangência nacional, e iniciativa a conservação da biodiversidade1.

Tabela 8: Florestas certificadas no Brasil – 2010 (mil ha) Fonte: Bracelpa2

Imagem 1: FSC Fonte:parquetfirenzi3

Imagem 2: Cerflor

A gestão dos recursos hídricos tem importância estratégica e fundamental sendo reciclada e reutilizada (Tabela 9).

Tabela 9: Água reciclada e reutilizada Fonte: Bracelpa4

Os recursos perigoso sólidos e líquidos passam por processos de tratamento e ou armazenamento (Tabela 6) evitando-se assim a contaminação ambiental. Os gases de efeito estufa sofrem processo de compensação de carbono5. Ainda há a

Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p. 18, Preservar e conservar. Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.18. 3 Link de origem das imagens http://www.parquetfirenzi.com.br/img/img-fsc-cerflor.png 4 Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa. p.25. 5 Relatório Sustentabilidade 2010 - Bracelpa, p. 20 e 21, Estoque de carbono. 1 2

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reciclagem de resíduos pré-consumo, como aparas, e pós consumo, papel de terceiros (Tabela 3). Além do mais, mesmo com advento das tecnologias digitais, o papel ainda é um suporte economicamente mais interessante, levando se em conta o fato de que após a impressão o material não consome energia, não necessita de manutenção complexa, é de fácil transporte e utilização. 3. O processo de produção do papel A produção de papel é um processo altamente tecnológico que envolver diversas etapas (Fluxo 1) e consome grande quantidade de recursos. Indo do plantio da matéria-prima até o corte ou enrolamento e embalagem.

Fluxo 1: Etapas do processo de produção de papel Fonte: Autor1

Trata-se de um processo industrial em larga escala, que produz uma quantidade quase inimaginável de papel. Para se ter ideia da dimensão do desse processo, no ano de 2010 foram produzidas quase 10 milhões de toneladas de papel (Tabela 10).

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Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Tabela 10: Destino da Produção Brasileira de Papel por Tipos em toneladas Fonte: Bracelpa1

O processo tem inicio com a produção da madeira. É um processo complexo que evolve manejo da terra, estrutura de mudário para produção de mudas para replantio, colheita das árvores, corte e descascamento das toras de madeira. A segunda etapa é a chamada produção da pasta base de celulose. Essa etapa tem inicio com a entrada de matéria-prima. Podendo-se usar tanto fibras virgens, madeira fresca em lascas pequenas, quanto fibras de papel pós-consumo, proveniente de coleta seletiva e outros papeis de terceiros, e ainda fibras préconsumo, sobras e aparas do processo de fabricação. Dependendo da origem da fibra se fazem necessários ou não alguns processos. No caso será apresentado o processo para produção usando matérias-primas mais significativas, de acordo com o volume, como mostra a tabela 3, no caso fibras virgens de pinus e eucalipto.

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Relatório estatístico 2010-2011, p.21, Bracelpa.

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No primeiro momento é feita a extração da celulose das toras de madeira descascadas. Para tanto pode-se aplicar 4 diferentes processos de extração (Fluxo 2).

Fluxo 2: Extração da celulose Fonte: Autor1

Ao fim desse primeiro processo é feito o branqueamento (Fluxo 3) do substrato e tem se como produto desse processo a pasta de celulose, que será utilizada para a produção do papel.

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Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Fluxo 3: Branqueamento da Celulose Fonte: Autor1

Os fluxo 2 e 3 demonstram clara e simplificadamente a etapa de produção da pasta de celulose. A terceira etapa do processo produtivo de papel é a própria produção do papel. Nessa etapa a pasta de celulose é transformada mecânica, térmica e quimicamente no papel que tem o formato de folha. O primeiro etapa da transformação da pasta base de celulose em papel é o preparo da pasta base (Fluxo 4). Para isso é feito o refino do material, a adição de aditivos objetivando, o branqueamento ou fingimento, a melhoria do brilho ou opacidade do papel, a resistência material, e água.

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Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Fluxo 4: Preparo da pasta base Fonte: Autor1

A segundo etapa é o processamento do material preparado na máquina de papel (Fluxo 5). Esse processo consiste na transformação da matéria-prima preparada em grandes folhas de papel. Para isso a máquina possui vários estágios. O primeiro que é a entrada do material no processo, se dá por meio do contentor, que tem como função garantir a homogênea distribuição do material na matriz da máquina, chamado fio. Este por sua vez inicia o processo de drenagem da água e a formação de um tapete entrecruzado e resistente de fibras, a folha de papel. Para garantir a uniformidade dos dois lado do papel, há um segundo fio posicionado na parte superior, que permite sua homogênea drenagem. A folha ainda contendo grande quantidade de água segue para a etapa de pressão, na qual, por meio de uma seria de grandes rolos de aço, é comprimida para perder água, o que faz com que sua estrutura fique mais coesa e o papel adquire tonicidade, ocasionando na consolidação da folha. Para concluir a etapa de produção de papel, o mesmo é submetido a um último processo de secagem, passando por rolos de aço aquecidos que promovem a evaporação da água do papel e garantem a humidade adequada.

Fluxo 5: Máquina de papel Fonte: Autor2 1

Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010. 2 Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Após o a etapa de produção do papel, esse pode seguir para duas etapas distintas e complementares, a de finalização ou a de revestimento e finalização. Como a finalização se trata da última etapa de todo o processo geral de fabricação do papel, será a abordada depois da etapa de revestimento. A etapa de revestimento (Fluxo 6) consiste na aplicação de uma camada de argila, gesso ou talco sobre o papel utilizando-se um material ligante sintético ou natural, como caseína e amido. Nessa etapa o papel sai da máquina de papel e entra na máquina de revestimento, essa por sua vez precisa girar em velocidade maior que a de papel para agregar o revestimento em pó a superfície do papel, por fim, antes de sair da máquina há uma lamina que retira o excesso deixando a superfície do papel lisa. O revestimento é utilizado para se obter um papel mais durável, com resposta de cor mais aprimorada e brilho mais intenso.

Fluxo 6: Revestimento Fonte: Autor1

Depois de revestido o papel é normalmente chamado Couché. No ano de 2010 foi a 4º em volume de produção, pouco mais de 444 mil toneladas (tabela 11).

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Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Tabela 11: Principais Tipos Produzidos de Papel em toneladas Fonte: Bracelpa1

A última etapa da fabricação do papel é a finalização (Fluxo 7), chamada calandragem. Um processo que visa corrigir as pequenas imperfeições que tenham ocorrido na produção do papel. Consiste na passagem do papel por rolos de aço, com pressão e calor para atingir a nível de brilho desejado. No caso dos papeis revertidos a calandragem consiste no polimento da superfície. De toda forma esse processo objetiva inferir ao papel um acabamento mais brilhante e uniforme.

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Relatório estatístico 2010-2011, p.21, Bracelpa.

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Fluxo 7: Finalização Fonte: Autor1

Ainda há aspectos da pós produção como, corte, enrolamento e embalagem do papel que por apresentarem pouca relevância para o estudo de caso proposto não serão aprofundado, mas integram o processo de fabricação do papel. 4. Conclusão Considerando o impacto ambiental e a produção do papel é possível entender toda complexidade que existe por trás da utilização do papel como suporte para comunicação. Levando-se com consideração o fato de que a todo tempo, revistas, jornais, folderes, embalagens e afins estão sendo impressos, distribuídos aos consumidores e descartados, é importante pensar além da melhor utilização do papel e entrar na escolha do papel ecologicamente menos agressivo desde a produção, a medida que isso é algo intrínseco ao papel. Do ponto de vista da produção, aparentemente, o designer não tem muita influencia, a medida que não esta diretamente envolvidos no processo. Isso se justifica pela exigência de um certo conhecimento de engenharia e produção. Limitando a atuação do profissional a pensar em soluções ecológicas ligadas ao papel pós produção, como, formatos, técnicas de impressão, e afins. No entanto tendo com base nas informações de impacto ambiental e produção de papel, é possível notar nos fluxos 1, 5, 6 e 7 que o papel depois de produzido pode ser finalizado ou sofrer o processo de revestimento para então ser finalizado. No entanto, o revestimento não é indispensável a produção de papel, a medida que o ciclo teria continuidade caso a fase de revestimento não fosse executada (fluxo 8).

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Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Fluxo 8: Etapas do processo de produção de papel sem o processo de revestimento Fonte: Autor1

Essa mudança no processo representa economia em revestidores, argila, gesso e talco, e ligantes, caseina, amido, ou algum ligante sintético. Além de uma considerável economia de energia elétrica (Tabela 12), cerca de 0,5 gigajoules/tonelada de papel em comparação ao não revertido. Considerando se o volume da produção desse tipo de papel em 2010 (tabela 11), a economia de energia elétrica equivaleria a mais de 222 gigajoules.

Tabela 12: Consumo específico médio de vapor e energia elétrica para fabricação dos tipos mais importantes de papel Fonte: Marcelo Carlos Barbeli, Apud McIvor et alii, 1999

Partindo desses novos dados pode-se inferir que a mudança no processo nessa etapas representa uma considerável diminuição do impacto ambiental gerado pelo processo. Por tanto, no momento da seleção do suporte para impressão, o designer tem a possibilidade de influenciar diretamente o processo industrial. Evitando a adoção de papéis revestidos, para produção de materiais impressos, consegue-se mudar toda uma cadeira produtiva industrial e consequentemente diminuir o impacto ambiental provocado, tanto pela industria, quanto pela própria produção impressa. Isso parece mais significativo nas produções impressas em larga escala, de fato é, por isso deve-se observar os aspecto apresentados anteriormente com atenção para se economizar recursos e fazer efetivamente uma comunicação impressa ecológica. No entanto, também é importante se observar e implementar esse tipo de mudança em pequenas tiragens, a medida que milhares delas são feitas pelo mundo o tempo todo e que se somadas representa uma grande quantidade de papel. 1

Gráficos construídos a partir do manuais, The Paper Making Process: From wood to coated paper, sappi, 2003, e, Produção de papel, SCA , 2010.

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Por fim, é importante lembra que todo recurso economizado, independente da quantidade, ajuda na construção da sustentabilidade. Que além de se criar uma imagem sustentável real, com atitudes e projetos reais, é importante se criar a consciência de sustantebilidade. Que mesmo não existindo nenhum processo totalmente sustentável, o processo de adequar as práticas e torna-las sustentáveis já é por si só um processo de sustentabilidade, a medida que a cada momento novas informações e tecnologias são criadas. Sendo que muitas vezes é mais interessante evitar um processo antes que ele aconteça que apenas administrar o resultado desse, como no caso do papel.

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Referências DOUGHERTY, BRIAN. Design Gráfico Sustentável. Tradução Rogério Bettini. São Paulo, Rosari, 2011. Sappi Europe SA. The Paper Making Process, the fifth technical brochure from Sappi Idea Exchange. Europa, 2003. disponível em: www.na.sappi.com/documents/10165/13508/The%2BPapermaking %2BProcess.pdf+&hl=en&gl=br&pid=bl&srcid=ADGEESg4N6vD1CDGYootFhfAqIhti LWcGB6pzTgzn4ACCH_PNAVObWONCFf7pp9RMG_hRBBVvB5nzCtm0Z0ynVsGlxlGrKcF82myI4fgu_RUnZYoiq TL93Z37nmplBXp0weJ1Fq2R0f&sig=AHIEtbSUjRfjmW5KTh3j1ExF7YV04dpTPQ SCA. Produção de papel. Suécia, 2010. disponível em: http://www.sca.com/Global/Publicationpapers/pdf/Brochures/Papermaking_PT.pdf? epslanguage=en BASILI, GEORGE.; SKIERKA, KRISTINA. Greenwashing: A perfect storm. Estados Unidos da América, 2008. disponível em: http://observatoiredelapublicite.fr/wp-content/uploads/2009/02/200802greenwashing-a-perfect-storm.pdf Bracelpa. Relatório de sustentabilidade. São Paulo, 2010. disponível em: http://www.bracelpa.org.br/bra2/sites/default/files/public/relsustenta/Bracelpa_PDF_ Navegavel_PORT_Final.pdf Bracelpa. Relatório estatístico 2010/2011. São Paulo. Disponível em: http://www.bracelpa.org.br/bra2/sites/default/files/estatisticas/rel2010.pdf MUNARI, BRUNO. Das coisas nascem coisas. 2ª ed. São Paulo, Martins Editora, 2008. TAM NAS NUVENS. Ano 5 Nº56 agosto 2012, São Paulo.

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