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Porto Alegre, 23 de Maio de 2011

Opinião > Juremir Machado da Silva

Malas de direita e monolitos de esquerda Tá pegando fogo. É nóis na fita. Uns leitor tão feliz. Outros leitor tão indignado. Uns tão brabo por eu não perceber que o probrema do livro do MEC que autoriza erro de concordância tem o aval da linguistica mais avançada. Já tão me acusando de ser um Olavo de Carvalho. Já fui Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo. Outros tão feliz por achar que tô defendendo um ponto de vista da direita. Mandam elogio que soa como autoelogio. Uns mala reacionário que só faltam dizer menas, mas que tão se achando. Eu poderia até mudar de opinião só pra chatear alguns. Sim, toda língua, como já disse, é convenção. Não existe certo e errado naturalmente. Os francês falam exatamente como nossos homem do povo: não pronunciam o "s" dos plural. Logo, por lógica, só posso concluir que os nosso dominado são altamente civilizado. Pois segundo o livro do MEC é questã de dominantes e dominados. Raciocinam como a milenar cultura que gerou o Iluminismo. Por que mesmo se deve marcar o plural em todos os termos e não só no primeiro? Segundo a nova cartilha do MEC, é só uma questã de escolha. Quem pensa o contrário, por burrice, é reacionário ou membro das classe dominante. A língua é só um sistema de hierarquia social. A gente só ensina o "certo" nas escola por uma questão pragmática. E pra evitá o preconceito linguistico. O probrema é que pode não sê escolha. Mas farta de conhecimento mesmo. E de escola. Um leitor me prova que já no governo do FHC havia livro defendendo os diferente falar. O de agora, contudo, é mais direto. Tudo se resume a dominantes e dominantes, escolhas e contextos, distinção social e preconceito. Se o preconceito desaparecer, pra que passar anos tentando aprender o "certo"? Sim, língua é convenção. Estabelecida a convenção, com muitas norma que não são arbitrária, parece razoável que todos dominem a regra do jogo pra atuar melhor. Notei, ao longo da vida, que quem fala errado tem mais dificuldades de expressão e argumenta com mais dificurdade. Mas deve ser preconceito meu. Sou um direitista fanático. Pra alegria dos meus leitores direitosos que não tão nem aí pra língua, mas querem mesmo é cravar o PT. E pra desespero dos monolíticos de esquerda que acham nada ter de marxismo nessa conversa sobre dominantes e dominados, etc. É nóis na fita. Tamo que tamo. Não escrevi com erro pra debochá. Segui o livro do MEC: "Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala". Escolhi. Por que a escrita teria privilégios em relação à fala? Fumos. JUREMIR MACHADO DA SILVA > juremir@correiodopovo.com.br


Juremir - Malas de direita e monolitos de esquerda