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Universidade Metodista de São Paulo • Ano 8 • número 96 • Outubro de 2011

POTENCIAL RECICLÁVEL EDITORIAL Um livro que já lemos, um CD que já não ouvimos mais, uma roupa que já cansamos de usar. Um livro que pode ser passado para frente, um CD que pode virar um fundo de copo ou outro utensílio qualquer, uma roupa que pode ser doada para quem necessita. Para além daquilo que se convencionou chamar de reciclagem, o papel reciclado que se transforma em um novo papel e do vidro que volta a ser vidro, por exemplo, existem uma série de objetos que podem ser reciclados de outra maneira, se transformando em outros objetos ou mesmo reaproveitados. Esta edição do Espaço Cidadania aborda de diversas maneiras a questão do potencial reciclável, ou seja, a possibilidade que temos de reciclar o que é descartado, mas que, por uma série de fatores, ainda não é colocado em prática. Um exemplo é o plástico encontrado nas chamadas garrafas PET, que não precisa necessariamente ser reaproveitado como plástico: pode ser utilizado em roupas. Já a especialista Elisabeth Grimberg, coordenadora do Instituto Pólis, ONG que estuda e formula políticas públicas e estratégias de descarte do lixo é a entrevistada desta edição. Elisabeth dá dicas valiosas de atitudes corriqueiras que estão ao nosso alcance e podem ser colocadas em prática em nosso dia a dia, como o ato de recusar sacolas plásticas no supermercado. Conheça estas e outras maneiras nas próximas páginas e se engaje neste movimento, cada vez mais necessário para a sobrevivência de nosso planeta para nós e as próximas gerações. Prof. Dr. Marcio de Moraes Reitor

Reciclagem no sistema Mesmo com alternativas para combater o excesso de lixo, a melhor opção ainda é o reprocessamento dos materiais descartados no cotidiano

G USTAVO CARNEIRO

A poluição é um dos grandes problemas enfrentados pelo Brasil. A produção de lixo cresce cada vez mais e os projetos para melhorar o potencial reciclável, minimizando essa situação, não são suficientes. Porém, existem soluções para esse problema. Enquanto a geração de lixo no país cresce 6,8% ao ano, saltando de 182.728 toneladas de resíduos sólidos por dia, em 2009, para 195 mil toneladas, em 2010, a coleta seletiva aumentou apenas 1,6%. Esses dados fazem parte de um estudo do Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil 2010, um levantamento anual realizado pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), que reúne as empresas de coleta e destinação de resíduos. A pesquisa da Abrelpe mostra que na região do ABC a produção de resíduos sólidos urbanos chega à marca de 2,3 toneladas por dia em 2010. Os gastos com coleta, transporte e armazenamento de material recolhido são de aproximadamente R$ 90,5 milhões anuais na região. Em contrapartida, apenas 1% do lixo

produzido vai para cooperativas de reciclagem. Segundo Carlos Henrique Andrade de Oliveira, professor de Ciências Biológicas e Saúde da Universidade Metodista, o aumento da geração de resíduos sólidos é um retrato da elevação do perfil socioeconômico da população na última década. “Com mais recursos financeiros, muitas pessoas passaram a consumir bens e produtos a que antes não tinham acesso”, diz. Além da reciclagem, há outras formas de descartar os resíduos sólidos. Uma das mais utilizadas são as usinas de incineração de lixo, um método de alto custo. O processo reduz o lixo para 3% do volume original e transforma os gases oriundos da queima em energia elétrica. Entretanto, Carlos Henrique destaca algumas desvantagens desse sistema. “As usinas de incineração de resíduos encerram os ciclos potenciais de reciclagem de diversos produtos como os papéis, papelões e plásticos, bem como reduzem significativamente os postos de trabalho dos catadores que atuam majoritariamente na informalidade”. A incineração, acredita o professor,

pode ser altamente impactante ao ambiente e à saúde humana através dos poluentes gerados na incineração.

RECICLAR AINDA É A MELHOR SOLUÇÃO

Para o especialista, a reciclagem é a melhor alternativa para reduzir a quantidade de lixo produzida e conscientizar a população. “É preciso levar em consideração o possível aumento nas oportunidades de emprego que a reciclagem pode gerar, o fato de não prejudicar o meio ambiente e o reaproveitamento dos materiais”, defende. Contudo, é necessário que essa atividade seja mais explorada. Estudos feitos pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em 2011, apontaram uma perda de R$ 8 bilhões por ano por não haver uma cadeia estruturada de reciclagem de materiais. A dificuldade aumenta quando se observa que existem produtos no mercado que ainda não se adaptaram à nova Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº 12.305/2010). “É preciso engajar também os fabricantes”, afirma Carlos.


FÉ E CIDADANIA

O Lucro que vem

Diva, a latinha que entrou para a história Meu nome é Diva, uma latinha de refrigerante. Eu ficava na janela, olhando os moços da escola passar. Eu esperava por alguém que me escolhesse para ser sua namorada, e me levasse com ele pra vivermos felizes para sempre. Um dia, o menino mais bonito da escola me escolheu. Eu parecia flutuar no ar. Quando menos esperava: SMACK! Ele me deu aquele beijo na boca. Tudo dentro de mim parecia borbulhar. Achei que tinha encontrado meu príncipe encantado. Mas, de repente, sem mais nem menos, aquele moço me atirou ao chão. Só deu tempo de eu gritar: — Seu mal-educado! E fiquei ali, jogada, sentindo um enorme vazio dentro de mim. Minha sorte é que, como eu sou muito desinibida, logo fiz outras amizades. Do meu lado estava um tal de Dinho, uma caixa de achocolatado com a cara meio amassada, mas muito bem-humorado. Havia também a Pet, uma simpática e rechonchuda embalagem de refrigerante. E nunca me esquecerei do Sr. Guará, um gordo e enorme litro de guaraná. Enquanto conversávamos animadamente, passaram por nós umas madames de salto alto e penteados esquisitos que, com o nariz empinado e olhando de canto de olho, resmungaram: — Que horror! Este lugar está cada vez mais imundo. Todos ficamos tremendamente ofendidos. Mas, logo depois, passou por nós uma turma barulhenta de meninos e meninas que procuravam diversão. Um deles disse: — Ei, pessoal, vejam o que encontrei! E, POF, senti um pontapé vigoroso. A partir daí foi tudo muito divertido. Pois inventamos um jogo que um dia há de se tornar atração olímpica: o Futelata. Eles me adoravam. E eu nem me importava com os pontapés, pois pensava: — Melhor o pontapé de um amigo que o beijo daquele traidor. Mas já estava entardecendo, e meus amiguinhos precisavam ir pra casa, pra tomar banho e fazer as tarefas... E fui deixada, novamente, num canto da rua. Estava começando a escurecer quando se aproximou um menino puxando uma carrocinha bem estranha. Nela havia diferentes recipientes: um só para papel – e lá foi parar o meu amigo Dinho; outra só para plástico – e lá se foi a Pet; outra só para vidros – onde, com bastante cuidado, foi colocado o Sr. Guará; e uma outra só para latinhas – e você já sabe para onde eu fui. Ao meu lado estava uma senhora mal-humorada que, com um bafo horrível [era uma lata de cerveja], gritava desesperada: — Socorro! Salvem-nos do monstro! Socorro! Fiquei apavorada, porque fomos levados para uma tal de Usina de Reciclagem; e por nós aguardava, de boca aberta, um monstro enorme e terrível que nos engoliu a todos. ... Bem, eu também pensei que seria o fim. Acontece que depois eu descobri que uma usina de reciclagem não destrói as coisas, antes, as transforma. Foi assim que eu fui transformada numa belíssima caneta de alumínio. Agora, tenho um namorado maravilhoso. Ele é escritor. Quando ele me encontrou, foi amor a primeira vista. Ele gosta tanto de mim que resolveu escrever um livro contando a minha aventura. E foi assim que eu entrei pra história. Ah! Lembra-se do Dinho, não vá se assustar, mas ele agora é este papel que você está segurando. A Pet foi transformada na tinta que a turminha do futelata usou para pintar estas ilustrações. Quanto ao Sr. Guará, se você olhar ao redor com atenção é provável que o veja num frasco bonito, num lustre iluminado, ou pode ser que você dê de cara com ele quando for tomar o seu próximo copo de água. (Se o vir, diga que mandamos abraços e sentimos saudades.) Quanto a mim, meu destino está em suas mãos. Agora que virei história e você já me beijou com os olhos, não vá fazer como o meu primeiro namorado, que me atirou ao chão, sujando a rua. Se você não me quiser mais, sempre haverá na redondeza um desses meninos puxando uma carrocinha esquisita. Dê-me para ele, e, quem sabe, um dia eu volte no formato de algo que você possa amar.

Luiz Carlos Ramos, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo

Saiba como a indústria têxtil transforma embalagens PET em utilizadas pelo terceiro setor na confecção de roupas Maira Brandão

O poli tereftalato de etileno, ou simplesmente PET, é um polímero da família dos poliésteres que hoje vem retomando seu papel original: o de servir à indústria têxtil. Embora sua utilização atual seja famosa na composição das garrafas plásticas, a primeira amostra da resina foi desenvolvida em 1941, na Inglaterra. As pesquisas que levaram à produção do poliéster em larga escala, bem como sua utilização na fabricação de tecidos, começaram logo após a Segunda Guerra Mundial. O objetivo era criar alternativas para a indústria de tecidos, que sofria uma crise no abastecimento das fibras como algodão, linho e lã. A partir daí, novas aplicações foram surgindo para este material. Em 1962, foi aprovada a resistência mecânica do poliéster para a confecção de pneus. E no início dos anos 1970 as primeiras embalagens de garrafa PET começaram a ser produzidas nos Estados Unidos. O material chegou ao Brasil em 1988 e, desde então, tornou-se um dos principais vilões dos ambientalistas, pois alguns tipos de plástico, como o usado em garrafas de refrigerantes, levam mais de 200 anos para desaparecer na natureza. Uma das soluções encontradas veio da indústria têxtil, que transforma fibras de embalagens recicladas em roupas, chapéus, lençóis e móveis estofados. Segundo Marcos Honório Belluzzo, presidente da Unnafibras, empresa de Santo André que produz fibras a partir da reciclagem de PET, o processo é feito em três etapas: a recuperação, a revalorização e a transformação final do produto. Os catadores separam as garrafas, o PET é lavado e

reduzido a pequenos pedaços, fundido e são extraídas impurezas, resultando em um produto 20% mais fino que o algodão”. As fibras de PET podem ser usadas sozinhas ou associadas a tecidos como seda ou algodão.

E MPRESAS

PREOCUPADAS COM

O MEIO AMBIENTE

A implantação da coleta seletiva em todo o país e a disseminação da cultura da separação das embalagens na sociedade são iniciativas necessárias para ampliar o volume de material reciclado e atender às regras de redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos da lei 12.305/10, que estabelece a PNRS, Política Nacional de Resíduos Sólidos. De acordo com a PNSB (Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2008-2010), do IBGE, atualmente apenas 17,8% dos municípios brasileiros realizam coleta seletiva. Contudo, iniciativas do terceiro setor vêm tomando a dianteira em ações sustentáveis. O Instituto Ecotece, de São Paulo, cria soluções de moda ecologicamente correta por meio da educação e do desenvolvimento de produtos sustentáveis. A ONG é responsável pelo projeto Retece, que produz roupas e acessórios a partir da reciclagem de garrafas PET e do reaproveitamento de tecidos. Lia Spinola, presidente do Instituto Ecotece, esclarece que o objetivo do projeto, criado em 2008, é levar os conceitos socioambientais para pessoas que não tem nem acesso à informação. “Conscientizamos sobre os princípios de uma moda mais ética e da importância em adquirir produtos sustentáveis. É um projeto de geração de renda através da educação ambiental.”


do lixo

ENTREVISTA

Coordenadora do Instituto Pólis fala sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos

m fibras de poliéster, sustentáveis

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

Uma das premissas da ONG é gerar o mínimo e reciclar o máximo, estimulando padrões sustentáveis de produção e consumo

divulgação

Livros A arte da reciclagem Autor: Sérgio Adeodato Contada no estilo de uma grande reportagem pelo jornalista Sérgio Adeodato, com fotos de Paulo Fridman, a trajetória dessa indústria em expansão e de seus trabalhadores envolve um debate que vai além dos desafios urbanos. Inclui a reflexão sobre os atuais padrões de produção e consumo e sobre o valor que têm os resíduos gerados por eles. Questiona a consciência e responsabilidade individuais, essenciais à sobrevivência do próprio planeta.

“Atitudes diárias já ajudam”, defende Elisabeth Marina Olegário

Site www.ecotece.org.br O Ecotece é uma plataforma que gera soluções criativas na moda promovendo o Vestir Consciente com o desenvolvimento de produtos sustentáveis e práticas educativas em três frentes de ação: produtos sustentáveis, agência de Criação e Conhecimento, com cursos, palestras e oficinas; e o projeto Retece, para que o conteúdo educativo do Vestir Consciente chegue às classes sociais menos favorecidas através de roupas doadas e técnicas do retecer (reparos, retoques, reformas).

Trisoft Têxtil

Reciclagem – A aventura de uma garrafa Autor: Mick Manning Este livro infantil explica o que é poluição ambiental e o processo de reciclagem. Para entender melhor, as crianças acompanham uma garrafa lançada ao mar. Enquanto levanta hipóteses sobre os destinos da embalagem PET, a história fala sobre a importância do processo de reciclagem.

Elisabeth Grimberg é coordenadora executiva do Instituto Pólis, uma ONG dedicada ao estudo e formulação de políticas públicas municipais e estratégias de desenvolvimento local no descarte do lixo. Fundada em 1987, em São Paulo, a entidade defende a conquista democrática de políticas públicas sustentáveis. “O objetivo macro é gerar o mínimo e reciclar o máximo”, defende Eslisabeth. A ambientalista também coordena o Fórum Lixo e Cidadania da Cidade de São Paulo e discorre sobre a questão dos resíduos sólidos da região na entrevista para o Espaço Cidadania. Espaço Cidadania: Qual o objetivo da política pública de resíduos sólidos? Elisabeth Grimberg: O principal deles é algo bem antigo, um desafio que vem crescendo ao longo dos anos, que é erradicar os lixões com cidadania. O que isso significa? Em geral, os lixões das metrópoles abrigam centenas de pessoas, que vivem ali e tiram seu sustento do lixo. É preciso criar alternativas de reinserção dos catadores no mercado de trabalho e na sociedade. Outra política importante é consolidar mecanismos legais para destinar aos aterros sanitários somente aquilo que não tem mais como ser reaproveitado ou reciclado por meio de processos de compostagem ou de reciclagem industrial – caso de vidros, plásticos,

papelão e metais. O ideal seria fechar os lixões e ter aterros consorciados. Por hora, já temos leis para os grandes geradores, ou seja, quem produz acima de 200 litros tem que se responsabilizar por seus resíduos. Antes da política, a prefeitura era a única responsável pela coleta desse descarte. Espaço Cidadania: O que é a logística reversa? Os fabricantes estão realmente se responsabilizando pelo descarte? Elisabeth Grimberg: A logística reversa diz que 40% dos resíduos sólidos domiciliares é de responsabilidade do comerciante, fabricante ou importador. Isso muda o conceito de responsabilidade de gestão. A regulamentação veio em dezembro de 2010 e até agora os fabricantes não apresentaram um modelo de implementação do processo. Os empresários precisam se apressar pois, segundo nossas metas, a partir de 2014 os aterros só poderão receber rejeitos – materiais sem nenhuma possibilidade de reciclagem. Espaço Cidadania: Como o ABC se posiciona em relação ao descarte de resíduos sólidos? Elisabeth Grimberg: As cidades de Diadema e Santo André têm programas de coleta seletiva e algumas

ações são exemplares, como em Diadema, que remunera os catadores por tonelada e mantém um dialogo direto com a administração pública. Este é um modelo referencial para outros municípios. Em São Bernardo, participei do processo de criação do programa Lixo e Cidadania, que deu origem a duas associações de catadores. Contudo, sua política pública tem que ser ampliada. Espaço Cidadania: O que o cidadão pode fazer para diminuir a emissão de resíduos sólidos? Elisabeth Grimberg: Atitudes diárias, como recusar sacolas plásticas no supermercado, já ajudam. Também é preciso pressionar vereadores e deputados por mudanças no padrão de distribuição dos produtos – discutir o que é ambientalmente melhor para embalar aquilo que adquirimos diariamente. Será que tudo o que compramos precisa estar embalado em plástico? E, claro, descartar corretamente vidros, plásticos, papelões e metais. Em grandes cidades há diversos postos de coleta distribuídos pelos bairros e em muitos condomínios isso já é feito internamente. É preciso se mobilizar individualmente para o bem de todos.


Garrafa pet vira camiseta Trisoft Têxtil

A transformação deste tipo de embalagem gera renda para centenas de brasileiros e ajuda a manter o meio ambiente limpo

B RUNA C RAVO

De acordo com o 7º Censo da Reciclagem, realizado pela ABIPET (Associação Brasileira da Indústria do Pet), em 2010, o Brasil recicla mais de 55% das garrafas plásticas que produz anualmente. Apenas no ano passado, o país registrou 282 mil toneladas de pet reaproveitadas. Os números positivos se explicam graças aos programas de incentivo à coleta seletiva, existentes em 443 municípios brasileiros. As embalagens pet podem se transformar em diversas coisas novas: brinquedos, objetos de decoração, sapatos e até roupas. A indústria têxtil, aliás, vem investindo cada vez mais nesta técnica. De todas as garrafas reaproveitas, 37% destinam-se a este setor. As roupas produzidas são tão confortáveis e duradouras quanto as feitas de algodão, mas trazem um diferenial: são ecologicamente corretas. Laurence Quinhones, gerente geral da Ama Terra EcoAtacado, empresa que comercializa artigos sustentáveis, diz que os produtos têm uma excelente aceitação no mercado. “As pessoas têm curiosidade de saber como é a textura e a qualidade. E ficam muito satisfeitas porque sabem que estão ajudando a preservar o meio ambiente ao comprar uma peça”, diz. Em média, cada camiseta utiliza duas garrafas plásticas em sua confecção. Segundo Ana Paula Sedrez, sóciaproprietária da Fujiro Ecotêxtil, que cria produtos promocionais por meio da reciclagem, essa é uma grande iniciativa. “Livramos o planeta de mais lixo, diminuímos o uso do algodão e, consequentemente, o número de árvores derrubadas no processo agrícola”, afirma. Para a empresária, o Brasil tem capacidade para aumentar a produção, o que impacta diretamente na geração de empregos em toda a cadeia de negócios. “Há uma demanda reprimida de 45% desse mercado. Existe muito trabalho para ser feito”. A responsabilidade ambiental na fabricação dos produtos e a oferta de itens sustentáveis se transformam em estratégia de marketing. O gerente de

marketing da Trisoft Têxtil, Leonardo Capasso, diz que essa é uma das metas da empresa, que cria travesseiros e enchimentos com fibra de pet reciclada. “O principal objetivo a longo prazo é deixar um planeta melhor para as futuras gerações. Já existe um público consumidor que exige responsabilidade ambiental nos produtos que compra”.

Espaço Cidadania é uma publicação mensal do Instituto Metodista de Ensino Superior. Tiragem: 3.000 exemplares

GARRAFA CIDADÃ Além de trazer benefícios à natureza, a reciclagem do pet gera uma grande cadeia de cidadania. Por meio deste processo, cria-se a possibilidade de renda para centenas de brasileiros. A começar pelos catadores, responsáveis pela coleta de garrafas usadas. Segundo o Censo da Reciclagem de 2010, a maior parte do material reco-

lhido é adquirida por meio desses trabalhadores, que representam 47% do total de fornecedores das empresas de beneficiamento do plástico. Para o gerente Laurence Quinhones, é fácil enxergar os benefícios dessa escolha. “Quem adquire uma camiseta ecológica faz girar as engrenagens de todos os estágios da cadeia produtiva”, afirma.

mar Silva Pinto de Castro, Paulo Bessa da Silva, Nicanor Lopes, Léia de Souza. Redação: Caroline Garcia, Natália Alves

Conselho Diretor: Paulo Roberto Lima Bruhn (presidente em exercício); Nelson Custódio Fer (secretário); Maria Flávia

e Marina Olegário (alunos da Faculdade de Comunicação). Edição: Alexandra Martin (MTb 26.264) e Israel Bumajny

Kovalski; Henrique de Mesquita Barbosa Corrêa; Augusto Campos de Rezende; Osvaldo Elias de Almeida; Eric de

(MTb 60.545)

Oliveira Santos; Carlos Alberto Simões Júnior; Ronald da Silva Lima (suplente); Jairo Werner Júnior (suplente)

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Diretor Geral/Reitor: Marcio de Moraes. Diretor de Comunicação: Paulo Roberto Salles Garcia. Coordenação

Redação: Rua Alfeu Tavares, 149 • Edifício Ró • Rudge Ramos • 09640-000 • São Bernardo do Campo • SP

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Espaço Cidadania 96