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Número 15 – Setembro 2016

A Constant Storm

Booby Trap Alkateya Decayed Attick Demons Legacy of Cynthia Lyfordeath RAMP Silveira Rock Fest Paws & Claws ...e muito mais!

Konad


Editorial

Breves / Notícias

A vida por vezes leva-nos a algumas mudanças em que nos temos que adaptar, saindo da nossa zona de conforto o que nos faz também aprender e crescer. É com isto que damos valor à vida, mas para ajudar a ultrapassar algumas situações temos a música e no meu caso o METAL!! A primeira banda que ouvi e que me abriu as portas a todo este mundo foram os Iron Maiden, com o seu álbum ao vivo “Live After Death”. Foi um autêntico descobrir de uma nova sonoridade e que me levou a querer descobrir mais, enveredando pela aquisição de algumas revistas do género (Metal Hammer, Rock Power, Rock Brigade), até entrar no mundo das fanzines. A partir daí foi uma descida ao movimento underground, com todas as bandas, edições, scene reports e artigos que levaram a solidificar todo uma filosofia de vida e a novas descobertas. Não segui os clássicos do metal, mas segui o nascimento de muitas bandas que hoje em dia tem a sua presença no panteão mundial das grandes bandas. É esta diversidade de sons dentro deste estilo que nos leva a sentir curiosidade e a procurar novas bandas, sendo o nosso país um caldeirão efervescente com as bandas dos mais variados géneros. Neste número temos entrevistas com o Daniel Laureano, que apresenta um excelente trabalho com o seu projecto A Constant Storm, no qual mostra uma amplitude musical do mais variada possível, e também temos em entrevista o Pedro Frazão, um dos mentores dos Konad, que nos apresenta a ligação punk/metal na sua sonoridade.

- Booby Trap, banda aveirense de thrash / crossover, edita no dia 17 de outubro o seu novo longa-duração “Overloaded”. Com Pedro Junqueiro (voz), Pedro Azevedo (guitarra), Carlos Ferreira (baixo) e Hugo Lemos (bateria), este é o segundolonga duração da banda, após o lançamento de “Survival” em 2013. Um álbum com capa de Deivis Tavares, conta com a participação de Bruno tavares (Souq), Simão Santos (Martelo Negro) e coros de Luis Rattus (Crise Total/Albert Fish) e Zé Redondo (Estado de Sítio). Concertos de apresentação a 21 e 22 de Outubro, onde participam os Simbiose (crust / metal – Lisboa, que festejam os 25 anos de existência), sendo acompanhados no Porto pelos Soul Doubt (heavy / thrash metal – Leça da Palmeira) e em Aveiro com os Godvlad (metal – Aveiro).

Desfruta deste número e até ao próximo mês! Apoia o metal português! Marco Santos Para qualquer informação contactem-me através da página www.facebook.com/Ode-Lusitana no facebook ou através de odelusitana@hotmail.com. Visitem o site em https://odelusitana.com. Ode Lusitana

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Ravensire (heavy metal – Lisboa, sendo o ultimo trabalho editado no início deste ano com o nome “The Cycle Never Ends”) e "Exodus" – Shivan (heavy metal – Loures, fundados em 2005). Uma edição histórica a não perder! - Lusitanian Black Fucking Metal!!! Os Decayed estão de regresso com a edição do seu 11º álbum, de nome “The Burning of Heaven”! Banda de Lisboa, nascidos no longínquo ano de 1990, tem como primeiro longa-duração o célebre “The Conjuration of the Southern Circle” datado de 1993. Depois disso os lançamentos não tem parado, com vários splits, EP’s e compilações. São 26 anos a debitar as suas sonoridades! Neste álbum apresentam o membro fundador J.A. (voz/guitarra), assim como Vulturius (voz/baixo) e Tormentor (bateria).

- Alkateya, icónica banda nacional de heavy / power metal festejou no início deste mês os 30 anos de existência com o lançamento do álbum “Last” tendo feito um concerto de apresentação do mesmo no passado dia 3 de setembro no RCA Club em Lisboa. Formados em 1986, marcam a diferença com o lançamento de três demos, “Alkateya” (1986), “Star Riders” (1987) e “Face to Face” (1990), até à primeira dissolução da banda em 1991. Depois de vários retornos editam em 2006 o único longa duração, com o nome “Lycantrophy”, para celebrar os 20 anos da banda. Depois de várias alterações na banda e de mais uma paragem prolongada editam então este ano o álbum “Last”, com capa de Lordigan Sena, com edição da Non Nobis Prod. e Chaosphere Records. O álbum é composto por cinco temas originais, assim como a curiosidade de conter também um tributo feito aos Alkateya com bandas do nosso panorama metálica nacional e que fizeram versões dos clássicos da banda lisboeta através dos temas: "Rock On, Roll Out" – Cruz de Ferro (heavy metal – Torres Novas, editou o ano passado o seu primeiro longa-duração “Morreremos de Pé”), "Face To Face (We Are One!)” – Leather Synn (heavy metal – Lisboa, fundados em 2011 editando em 2015 o single “Honour and Freedom” onde já contava com a versão do tema de Alkateya), "Demon Rider" – Midnight Priest (heavy metal Coimbra, fundados em 2008, sendo o seu ultimo trabalho o longa duração “Midnight Steel”), "The Call & The Crash (All Men Stand Still)" Ode Lusitana

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Até ao momento a resposta a este trabalho tem sido muito positiva, sendo que ainda não recebi qualquer review com pontuação inferior a 7/10. Confesso que estava à espera de receber críticas mais polarizadas, dada a natureza desafiante do álbum. Isto mostra que, ao contrário do que por vezes se pensa, os fãs de música neste país (e não só) estão dispostos a escutar propostas que não jogam pelo seguro e que fogem ao habitual.

A Constant Storm é um projecto a solo do Daniel Laureano (Stormbringer), fundado no Porto em 2013 e que em 2014 contou com o lançamento da demo “Storm Born”, editando nesse mesmo ano o single “Love Crimes” (cover do tema dos Moonspell). Mas é com o primeiro longaduração “Storm Alive” editado há poucos meses, que marcou definitivamente o panorama nacional, com uma diversidade musical fantástica, tornando este álbum um dos melhores editados a nacional. Estivemos à conversa com o Daniel para entrar no mundo de A Constant Storm, onde a nível musical tudo é permitido.

Um projecto que começa com um “simples” Vendaval (primeiro nome proposto mas não foi avante) e que cresce para A Constant Storm, está a ser muito maior do que o primeiro conceito que criaste para este teu trabalho, iniciado em 2013? Qual foi o teu conceito original? Este projecto nasceu sobretudo da necessidade que sentia em criar música, numa altura em que ainda não pertencia a qualquer banda ou colectivo. Na altura não me preocupei muito em pensar se isto poderia crescer e atrair a atenção de pessoas que não eu mesmo e foi nessa ordem de ideias que compus e gravei o primeiro EP, “Storm Born”. No fundo, fiz música por mim, para mim e fi-la recorrendo a meios rudimentares, que eram os que tinha à minha disposição.

Viva Daniel! Muito obrigado por esta tua presença na Ode Lusitana e é um prazer já que este teu projecto, A Constant Storm, veio trazer uma lufada de ar fresco ao underground nacional. Foi engraçado já que tive o primeiro contacto com o teu som através do tema “Pale March” editado na compilação “13 Portuguese Metal Compilation Vol. 7”, enquanto conduzia o carro paro o trabalho e fiquei bastante impressionado, entrando pouco depois em contacto contigo para adquirir este teu álbum “Storm Alive”. Já se passaram alguns meses do lançamento e as críticas e entrevistas tem chegado de todo o lado e bastante positivas. Como estás a reagir a todas estas respostas que tens tido deste teu trabalho? Antes de mais, muito obrigado pelo convite e pelo interesse no projecto! Ode Lusitana

Neste teu álbum “Storm Alive” tens a participação do Afonso Aguiar e do Ricardo Pereira, com quem fazes parte nos Moonshade e que também executam um excelente trabalho neste teu álbum. Como começou esta vossa amizade, que foi crescendo com o tempo e como foi a abordagem para este teu trabalho? É verdade que tens total autonomia já que é um projecto teu, mas em termos de gravações e ideias tiveste interesse em ouvir a opinião deles, ou serviram como suporte para transporem o que tinhas na tua mente? 4


poder apreciar Rotting Christ da mesma maneira que aprecio Queen, Ulver, The Sisters Of Mercy ou Kendrick Lamar, para dar alguns exemplos. Quanto ao black metal, penso que se trata de um estilo-base que de facto oferece muitas possibilidades de evolução. Existem vários casos de bandas e artistas com raízes neste estilo musical que levaram o seu som por caminhos tremendamente distintos e interessantes. Falo por exemplo dos já referidos Ulver à cabeça, mas também Ihsahn, Blut Aus Nord, Enslaved e por aí adiante.

Conheci o Afonso e o Ricardo quando entrei nos Moonshade no início de 2015, e eles, tal como os outros membros da banda, rapidamente se tornaram grandes amigos e pessoas que agora são como família para mim. Este excelente ambiente facilita tremendamente a criação musical e funcionamento entre todos, tanto na banda como em projectos paralelos como é o caso deste. Falando mais concretamente no álbum “Storm Alive”, apesar da composição musical ter ficado a meu cargo sempre estive receptivo às sugestões de ambos. Penso que as diferentes perspectivas só podem ajudar a fortalecer o resultado final e que essa variedade perder-se-ia se assumisse uma postura intransigente em relação a ideias que não partissem de mim próprio.

Agora vou ser um pouco mau, mas depois de ler todas as tuas influências musicais e que são das mais variadas possíveis, quero que indiques cinco álbuns que te marcaram e o porquê. A música sempre foi uma constante na tua vida desde que idade? Como surgiu o teu interesse por aprenderes um instrumento? De facto, a dificuldade está na escolha! - Bem, em primeiro lugar na minha lista coloco o “…And Justice For All” dos Metallica. É um álbum muito à frente do seu tempo, de uma banda também muito à frente do seu tempo e que é constantemente criticada por nunca se ter conformado a tocar o mesmo estilo durante 5 ou 6 álbuns seguidos. Os Metallica são, também, a banda que mais me fez apaixonar pela música da maneira como me apaixonei, portanto são uma influência seminal para mim. - Depois, “Into The Labyrinth” dos Dead Can Dance, pela quantidade impressionante de diferentes sons e ideias musicais que eles conseguem fazer coincidir e combinar de uma maneira extremamente harmónica. O Brendan Perry é, também, uma das minhas maiores influências a título individual, tanto pelas suas composições como por ser um multiinstrumentista tremendamente capaz. - De seguida, “Blood Inside”, dos Ulver. Um trabalho completamente impossível de confinar a um único género musical e que teve um impacto enorme em mim quando o ouvi pela primeira vez, pois veio redefinir toda a minha maneira de ouvir e pensar a

Ao fazer a pesquisa para esta entrevista houve algumas referências que fazes, que achei muita curiosidade e uma delas foi a alusão ao álbum “Nordavind” dos Storm (álbum único, lançado em 1995, que contava com a participação de Fenriz (Darkthrone), Satyr (Satyricon) e Kari Rueslatten (The Sirens)), pela que te marcou, pelo nome e acima de tudo pela variedade. És bastante receptivo a estas sonoridades diferentes? Estes músicos assim como outros como por exemplo Ihsahn (Emperor, Hardingrock, etc...), Garm (Ulver), mas principalmente (e um dos que mais respeito e sinto curiosidade) que é o caso do Fenriz, vieram todos de um meio mais black metal, mas tem uma visão muito mente aberta da música. No teu caso, também tens uma paixão forte pelo black metal, mas consegues explicar este viagem sonora que pelos vistos nasce neste género? O black metal é propício a este estudo por novas sonoridades? Sou definitivamente receptivo e influenciado por todo o tipo de sonoridades, uma vez que acho que a música é demasiado rica e interessante para uma pessoa se prender a um só género, como compositor mas também como simples ouvinte. Sem artistas com mente suficientemente aberta para incorporar sonoridades diferentes esta arte nunca teria evoluído e, como tal, é extremamente agradável para mim Ode Lusitana

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minhas maiores referências têm sido sobretudo artistas que trabalham sobre a identidade do próprio, muitas vezes através do auto-retrato, como Francesca Woodman, Jorge Molder, Nan Goldin ou Jeff Wall, este último pelas complexas encenações que cria nas suas fotografias de enormes dimensões. Sou também muito influenciado por capas de álbuns musicais que contenham fotografias, particularmente as capas do projecto alemão Sopor Aeternus & The Ensemble Of Shadows, cuja influência é evidente na capa do “Storm Alive”.

música. - Continuando, o já referido “Nordavind”, dos Storm, pela influência que teve neste projecto e pela qualidade absolutamente viciante e mestria dos arranjos que o duo Satyr/Fenriz aplicou a estes temas provenientes da tradição folclórica norueguesa. - Por último, “Blind Scenes”, dos Soror Dolorosa, um dos trabalhos que mais me impressionou nos últimos anos, pela maneira perfeita como a banda mistura o gótico britânico clássico com uma melancolia muito própria e característica da cena coldwave francesa, sem nunca perder a sua identidade. Respondendo à segunda parte da pergunta, comecei a interessar-me verdadeiramente por música por volta dos meus 11 anos de idade, através do meu pai e de alguns CD’s que ele tinha comprado ao longo dos anos, os quais acabou por me oferecer. Estes foram os primeiros álbuns que escutei por inteiro na minha vida: “Master Of Puppets”, dos Metallica, “Coma Of Souls”, dos Kreator e “Stained Class” e “Hell Bent For Leather”, dos Judas Priest. Juntamente com alguns ficheiros mp3 que havia reunido dos Scorpions, Iron Maiden e Nirvana e com alguns artistas cujos videoclips rodavam na MTV, como System Of A Down e Green Day, fui criando as bases para a minha exploração musical. Curiosamente já tocava guitarra há cerca de um ano, na altura por sugestão da minha professora de educação musical do quinto ano de escolaridade.

E assim chegamos ao final da entrevista! Obrigado por tudo. As últimas palavras são tuas e podes dizer o que quiseres! Muito obrigado à Ode Lusitana pela oportunidade de responder a estas perguntas tão interessantes e de dar a conhecer o meu trabalho a um maior público. Sigam o projecto A Constant Storm no Facebook, Bandcamp e YouTube e apareçam na sessão de lançamento do disco “Storm Alive”, na Bunker Store, no próximo dia 24 de Setembro! https://www.facebook.com/aconstantstorm

A vida é uma tempestade constante? Definitivamente. Tudo acontece a um ritmo tão alucinante que é impossível escapar ao movimento e as mudanças trazidas pelos acontecimentos fazem com que a vida de cada um seja um turbilhão constante de momentos, tanto bons como maus. Tens formação em audiovisuais e o teu objectivo é vires a trabalhar seriamente na área da fotografia. Como nasce essa tua paixão e quais as tuas referências ao nível de fotógrafos. Já tens apresentado alguns trabalhos teus ao público, ou em algum meio de comunicação? Qual a tua ideia de identidade visual para A Constant Storm? A minha paixão pela imagem só floresceu verdadeiramente quando entrei na Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo para o curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e entrei em contacto com artistas fantásticos, que trabalham vídeo, cinema, fotografia, instalação, performance e todo o tipo de combinações diferentes entre estas formas. Tenho maior afinidade pela fotografia e as Ode Lusitana

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este ano com o álbum “Prophecy”). Attick Demons são constituídos por Artur Almeida (voz), Luis Figueira (guitarra), Nuno Martins (guitarra), João Clemente (baixo) e Ricardo Oliveira (bateria). - Legacy of Cynthia, banda de Sintra, praticantes de metal alternativo e com fundação no ano de 2010

Breves / Notícias (cont.) - Attick Demons, editaram no passado mês de Agosto o seu segundo longa-duração de nome ”Let’s Raise Hell” através da editora alemã Pure Steel Records. Banda de Almada, praticantes de um heavy / power metal pujante, com origem em 1996, celebra os 20 anos de carreira com o lançamento deste álbum, depois de ter editado o primeiro álbum “Atlantis” em 2012. Para celebrar o lançamento do novo álbum irá realizar dois concertos. A 29 de Outubro no RCA Club, em Lisboa terão como convidados os Mindfeeder (heavy / power metal – Barreiro, sendo o seu único

editam o seu novo álbum “Danse Macabre” através da Raising Legends Records. O artwork ficou a cargo do ilustrador Hugo Makarov. A festa de lançamento será no dia 15 de Outubro no RCA Club em Lisboa, com a participação de Equaleft (groove metal Porto), Stonerust (groove metal - Cascais) e Advogado do Diabo (punk / hardcore). - Lyfordeath, banda de Lordelo (Porto) disponibilizou para audição, no passado mês de Agosto, o single “Satan”. Formados em Agosto de 2012 tinham editado em 2013 o single “Emissary of Death”. Formados por Gil Dias (voz), João Almeida (guitarra), Carlos Moreira (guitarra), Emanuel Ribeiro (baixo) e Luís Moreira (bateria), terá para breve mais novidades, assim como mais concertos.

longa-duração o álbum “Endless Storm” de 2013) e Cruz de Ferro (heavy metal – Torres Novas), enquanto que o concerto no Porto será a 5 de Novembro no Cave 45, onde além de termos novamente os Cruz de Ferro, também estarão os Inner Blast (metal gótico – Lisboa, que se estrearam

Ode Lusitana

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Boas Marco!! Sem dúvida que são memórias inesquecíveis. Aquela partilha adolescente com os amigos que (alguns) mais tarde viriam a ser colegas de banda. Iron Maiden, Wasp, Sepultura, Metallica, Slayer foram bandas marcantes para mim e para muitos dos jovens da época. Foram a porta de entrada num mundo simplesmente brutal! Konad, banda de Vila Franca de Xira, está a festejar os 20 anos de existência, tendo começado em 1996 ainda sob o nome de Konad Moska. Praticantes de uma mistura entre os mundos do punk e do thrash metal apresentam um crossover agressivo, que não deixa ninguém indiferente. Depois de algumas demos editadas é no ano de 2012 que editam o seu primeiro longa-duração de nome “Café Beirute”, mas é em 2015 com o seu segundo longa-duração, “Irae Dei” que vemos essa mudança na sonoridade dos Konad a enveredar por

Com o passar do tempo como nasceu essa tua vontade de tocar guitarra? Por vezes as pessoas ligam a paixão de tocar um instrumento com algum ídolo que se tem. No teu caso foi assim que aconteceu? Eras um assíduo frequentador de concertos na altura? Mais tarde sim, tornei-me num frequentador de concertos. Em 1988, quando comecei a tocar guitarra, não havia muito acesso a material fonográfico nem os eventos em Portugal eram o que são hoje em número ou em qualidade (por vezes quantidade) de acesso à informação e facilidade de publicitar os mesmos. Quanto à guitarra, desde cedo me liguei com a sonoridade deste instrumento, mas a descoberta de Death e Chuck Schuldiner provocou um grande impacto naquilo que a música se tornou para mim, enquanto consumidor e músico. Com início em 1992 fazes parte de Encancrate, banda de death metal melódico, mas que no ano de 1996 ao editarem a demo de estreia “A New Cicle of Fear”, também se torna o ano de fundação de Konad Moska, que mais tarde mudariam de nome apenas para Konad. Como surgiu a ideia junto com o Kampino, na altura também baterista dos Encancrate, enveredarem por um projecto dedicado na altura a uma veia mais punk? Sentias alguma saturação ligada ao Metal ou tinhas interesse neste movimento punk? Quais as bandas do estilo que te marcaram? Algures no seu percurso Encancrate “bateu numa parede”. Tínhamos editado uma demo com boa aceitação, participámos em vários concertos e concursos, mas do ponto de vista de composição algo estava bloqueado. Assim, nos ensaios começámos a compor e tocar alguns temas (“Dá-lhe Gás”, “Kasal Ventoso”, “Vaka Louka”) num ambiente de descontração. Na altura as minhas referências seriam Exploited e Ratos de Porão. A coisa foi ficando interessante e acabámos por nos estrear ao vivo numa festa de Carnaval no extinto Lusideia Bar em Samora Correia. Mais tarde os Encancrate separamse e o Kampino manteve viva a chama de Konad Moska. Ele sempre foi o mais punk de nós os dois

um caminho mais dentro do metal, mas não esquecendo as suas raízes. Com Kampino (voz), Pedro Frazão (guitarra), João Litrona (baixo) e Nuno sousa “China” (bateria) temos banda para muita animação e energia em palco. Foi com o Pedro Frazão que fomos saber mais dos Konad. Viva Pedro! Muito obrigado pela tua resposta positiva para esta entrevista à Ode Lusitana e da qual agradeço. Mas vamos ao início de tudo. Ainda te lembras de como começou esta tua paixão pelas sonoridades mais pesadas? Quais as bandas que te despertaram esse interesse? Tinhas um grupo de amigos onde partilhavam essas novas descobertas? Ode Lusitana

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As vossas letras, cantadas em português, versam a crítica social, o que dá ainda mais força à ideia expressa pelo vosso som. Estamos numa sociedade sem retorno, onde faltam os princípios e os valores? JJ Janiak dos Discharge refere que a “humanidade não está preparada para uma verdadeira anarquia porque as pessoas não conseguem viver em paz e coexistirem sem se matarem e roubarem umas às outras”. Concordas que esta visão caótica já se encontra entrada nos genes humanos? Epá, o sociólogo é o Kampino, eu sou um homem da ciência (Eheheh). Mas parece-me evidente que estamos numa sociedade muito decomposta, não só em termos de valores, como em separação de classes e racial, assim como com uma grande componente de corrupção ativa, sem escrúpulos e tão in your face como os nossos temas. Considero o ser humano destrutivo por natureza. E atualmente essa agressividade até passa para as redes sociais. Cada vez mais as pessoas se separam do real e se mostram “heróis” ou demonstram aquilo que realmente são atrás de teclados. Estamos num caminho negro…

(Eheheh). Apesar de, do ponto de vista social me identificar com o movimento, na época o punk enquanto música não estava na minha wishlist, ainda havia muito metal para devorar e era essa a sonoridade que me deslumbrava. Após uns anos iniciais conturbados em 2007 tens um retorno à banda e com esforço e dedicação vão ganhando uma notoriedade diferente, onde os lançamentos vão acontecendo e entre outros é de salientar o vosso primeiro longa-duração “Café Beirute” em 2012. Mas neste vosso último álbum “Irae Dei” a viragem para o metal, mais propriamente o crossover, é bem evidente. Como se deu esta evolução dentro da banda? As entradas do Márcio e Litrona (baixo) e André e China (bateria), tendo a passagem do Kampino apenas para a voz teve também influência na vossa sonoridade? Sempre houve uma dualidade dentro das nossas bandas. Eu e o Kampino entrosamos de forma singular como pessoas e músicos. Somos amigos de longa data e o trabalho em conjunto tem sido pautado pela gratificação, sinceridade, partilha e uma busca por uma melhoria constante. Eu mais metal, ele mais punk. As bases de construção de ambos foram as mesmas, ele é um dos amigos do início da minha vida musical no rock pesado. Obviamente que o nosso percurso musical foi diferente após a génese, mas isso é, na nossa opinião, uma mais valia deste projeto, a possibilidade de misturar os dois mundos e a nossa abertura para o fazer. Quanto às mudanças de alinhamento, na questão do baixista deu-se à saída do Karmo por questões pessoais. O assumir da voz pelo Kampino era algo que já era tema de discussão há algum tempo. Com o trabalho de desenvolvimento do “Irae Dei” mostrou-se notório que o trabalho de voz e bateria se tinha tornado incomportável de executar em conjunto. Decidimos não comprometer o álbum e sim fazer o que nos ia na alma. Foi um passo natural.

Ode Lusitana

Qual a reacção que tens tido deste vosso lançamento, assim como dos concertos que tem efectuado? Portugal é um país onde o punk e o metal na generalidade tem partilhado os mesmos palcos com boas reacções de parte a parte. Como consideras esta abertura por parte destes dois estilos? Afinal temos mais em comum do que muita gente pensa? Temos tido reações muito positivas. No geral o álbum é bem recebido e agrada a gregos e a troianos. Na verdade a sonoridade mais crust que injetámos no “Irae Dei” teve esse efeito. É verdade que por motivos organizacionais é útil catalogar as bandas, mas na realidade entre metal e punk não existe um fosso assim tão grande quanto se possa por vezes imaginar, especialmente quando enveredas por géneros mais extremos do punk. Para quem realmente gosta de boa música, ver ao vivo num mesmo evento, bandas de ambos os estilos é até enriquecedor. 9


Pedro, por aqui termino a entrevista. Novamente muito obrigado! Estas últimas palavras são tuas, por isso estás à vontade para dizeres o que te vai na alma. Ficamos a aguardar novidades breves de Konad! Obrigado Marco e Ode Lusitana por proporcionarem esta possibilidade de falar um pouco de Konad e daquilo que é uma das minhas paixões de vida. Celebramos, em 2016, vinte anos de banda e estamos a preparar uma surpresa engraçada para o pessoal que nos acompanha. Em breve haverão notícias mais detalhadas. E a todos que têm paixões persigam-nas avidamente e não deixem nunca que essa chama morra sem que se sintam realizados… Abraço!!!

fundados em 2008, editaram em 2013 o seu único trabalho, o EP “Reborn”), Speedemon (thrash / speed / heavy metal – Vila Franca de Xira, formados em 2011, editam o ano passado o EP “First Blood”) e Booze Abuser (alcoholic thrash / punk – Cascais, editaram este ano o EP “Noise for the Drunk”). - Em dose dupla repartida entre o Metalpoint (Porto) e o Le Baron Rouge (Barcarena / Lisboa) irá decorrer o Paws & Claws Fest 7, nos próximos dias 21 e 22 de Outubro. A organização destes eventos estão a cargo da Animais de Grijó AasaGrijó e da Associação Esperança Animal, um evento sem fins lucrativos, visando melhorar a qualidade de vida dos animais. As entradas revertem totalmente para as instituições visadas. No Porto vamos ter a passagem dos Sotz’ (death metal – Porto, que este ano preparam a sua primeira edição discográfica), The Last of Them (metal – Anadia/Aveiro), Wicked (thrash metal – Vila Nova de Gaia), Last Turn (metal – Porto), assim como os Xpressão Lírica, Sacapelástica, Windbreak e More. Em Barcarena e nos mesmos dias contaremos com a participação de Emerging Chaos (thrash / death metal – Barreiro, que editaram o ano passado o EP “The Decay of Mankind”), Earthquake 55 (thrash / groove metal – Cascais), Stonerust (thrash metal / stoner Cascais), The Royal Blasphemy (rock / metal Lisboa), assim como My Dementia, Dark Witch, Frost Legion, Liber Mortis e Smash Skulls. Todos pelo apoio a uma nobre causa.

https://www.facebook.com/konadband

Breves / Notícias (cont.) - A 4ª edição do Silveira Rock Fest irá decorrer no próximo dia 8 de Outubro em Casal da Silveira (Famões – Odivelas) e conta com a participação de Bleeding Display (death metal – Lisboa, editaram em 2014 o seu segundo longa-duração “Deviance”), The Royal Blasphemy (rock / metal – Lisboa, fundados em 2011), BurnDamage (death / groove metal – Lisboa,

Ode Lusitana

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- O saudosismo por vezes é bom. Não é ficar parado em tempos passados, mas ter boas lembranças! Isto tudo a propósito da reedição pela Rastilho Records de um dos grandes clássicos do thrash metal português, o EP “Thoughs” dos RAMP, remasterizado a partir das tapes originais e com 3 temas extras. Com início no ano de 1989 no Seixal, este EP foi editado em 1992, marcando os RAMP como uma das bandas mais fortes a nível nacional, tendo sido, por exemplo, a banda de abertura para os brasileiros Sepultura no Pavilhão Dramático de Cascais. O que se pode mais dizer de um clássico?

Agenda Setembro 23 – Wanderer / Scream of the Soul / Soul Doubt / Rotten Rights – New Age Power – Metalpoint, Porto 24 – Revolution Within / Redemptus / Tales for the Unspoken / NightMyHeaven /Hunted Scriptum / Rotten Rights – 2 Ink n’ Roll – Tattoo Metal Fest – Centro Cultural e Recreativo Bairro de Santa Maria, Vila Real 24 – Humanart / Beastanger / Sonneillon BM – Black Metal Fest – Ass. Recreativa Os Restauradores do Brás-Oleiro, Maia 25 – Týr (Ilhas Faróe) / Cruz de Ferro / Inner Blast – 2 Ink n’ Roll – RCA Club, Lisboa 28 – Destruction (Ale) / Flotsam & Jetsam (E.U.A.) / Enforcer (Sué) / Nervosa (Bra) – Europe Under Attack Tour – RCA Club, Lisboa 29 – Destruction (Ale) / Flotsam & Jetsam (E.U.A.) / Enforcer (Sué) / Nervosa (Bra) – Europe Under Attack Tour – Hard Club, Porto

Outubro 1 – Korpse (Hol) / Carnifloor (Hol) / Dead Meat / WxOxBx (Esp) / Brutal Brain Damage / Analepsy / Burn Damage / Animalesco, o Método / Happy Farm – Sublime Torture Fest IX – Váatão Teatro, Castelo Branco 1 – Toxikull / Toxik Attack / Mindtaker / Booze Abuser – Toxik Night – Stairway Club, Cascais 1 – Skinning / Hunted Scriptum / Sotz / Flattenn – Death Metal Concert – Ass. Recreativa Os Restauradores do Brás-Oleiro, Maia 8 – RAMP – RCA Club, Lisboa 8 – Bleeding Display / The Royal Blasphemy / BurnDamage / Speedemon / Booze Abuser – Silveira Rock Fest IV – Casal da Silveira, Famões, Odivelas Ode Lusitana

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Elucidation / Kapitalistas Podridão / Enblood – Kamikaze Fest III – Halloween Edition – Espaço Lagoa – Cercal, Ourém 29 – Tales for the Unspoken / In Vein – Halloween Night – X-Tus Bar, Lousã 29 – RAMP / Defiled (Jap) / Mistweaver (Esp) / Destroyers of All / Unfleshed – A.S.D.R.E.Q. –

8 – Demon Dagger / NightMyHeaven / Smash Skulls – Get Thrashed or Get Smashed – Metalpoint, Porto 8 – Domination (Arg) / Asimov / Fugly / Epilepsia Alienígena – A.S.D.R.E.Q. – Quintela de Orgens, Viseu 12 – Suicidal Angels (Gré) / Skull Fist (Can) / Evil Invaders (Bél) / Crisix (Esp) – Division of Blood Tour – RCA Club, Lisboa 14 – Katatonia (Sué) / Agent Fresco (Isl) / VOLA (Din) – Lisboa ao Vivo, Lisboa 15 – Legacy of Cynthia / Equaleft / Stonerust / Advogado do Diabo – RCA Club, Lisboa 15 – Svlfvr (Itá) / Pestifer / Cape Torment / Deadlyforce / Sudden Death – Invicta Metal Clash – Cave 45, Porto 15 – Mata Ratos / Serrabulho / Surra (Bra) / Toxik Attack – Blindagem Metal Show – Origens Caffé, Ponte de Vagos 19 – Tarantula / Equaleft / Redemptus – Teatro Rivoli, Porto 20 – Mercenary (Din) / The Descent (Esp) – RCA Club, Lisboa 21 – Simbiose / Booby Trap / Soul Doubt – Cave 45, Porto 21 – Sotz’ / The Last of Them / Xpressão Lírica / Sacapelástica – Paws & Claws Fest VII – Metalpoint, Porto 21 – Emerging Chaos / Earthquake 55/ My Dementia /Dark Witch – Paws & Claws Fest VII – Le Baron Rouge, Barcarena, Lisboa 22 – Simbiose / Booby Trap / Godvlad – Hard Bar, Bustos, Oliveira do Bairro 22 – Wicked / Last Turn / Windbreak / More – Paws & Claws Fest VII – Metalpoint, Porto 22 – Stonerust / The Royal Blasphemy / Frost Legion / Liber Mortis / Smash Skulls – Paws & Claws Fest VII – Le Baron Rouge, Barcarena, Lisboa 22 – Sardonic Witchery (E.U.A. / Por) / Morte Incandescente / Sonneillon BM / Artnis – Lusitanian Black Metal Ritual – Cave 45, Porto 23 – Kamelot (E.U.A.) / Aeverium (Ale) / Withem (Nor) – Lisboa ao Vivo, Lisboa 25 – Behemoth (Pol) / Secrets of the Moon (Ale) / Mgla (Pol) – Paradise Garage, Lisboa 25 – Negura Bunget (Rom) / Ossific (Can) – Cave 45, Porto 26 – Negura Bunget (Rom) / Noctem (Esp) / Antagonist Zero (Fin) / Ossific (Can) – RCA Club, Lisboa 29 – Attick Demons / Mindfeeder / Cruz de Ferro – RCA Club, Lisboa 29 – Infest (Fra) / Dead Meat / Brutal Brain Damage / Primal Attack / Bleeding Display / Analepsy / Trepid Ode Lusitana

Quintela de Orgens, Viseu 30 – Pain (Sué) / The Vision Bleak (Ale) / Dynazty (Sué) / Billion Dollar Babies (Sué) – RCA Club, Lisboa 30 – Defiled (Jap) / Mistweaver (Esp) – Porto Deathfest – Metalpoint, Porto

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Ode Lusitana # 15 - setembro 2016  

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Daniel Laureano (A Constant Storm) e Pedro Frazão (Konad). Notícias sobre Booby T...

Ode Lusitana # 15 - setembro 2016  

Fanzine de divulgação do metal português com entrevistas a Daniel Laureano (A Constant Storm) e Pedro Frazão (Konad). Notícias sobre Booby T...

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