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NO MUNDO DE HOJE TUDO ENVELHECE MUITO RÁPIDO.


EDITORIAL: Uma revista com aspecto jovem que busca trazer ao público o melhor da TV, principalmente o que está em destaque no Brasil e no mundo. Esse é o objetivo a ser alcançado em cada edição da revista Watch It. Colunas sobre o que está acontecendo e análises de tendências de mercado como o ápice dos gays em seriados americanos são apenas o começo dos temas abordados na primeira edição que vem para mostrar que pretende ser o guia de consulta para qualquer um que procure as melhores opções da televisão, aberta ou fechada. A revista mostra a opinião de críticos e espectadores, trás matérias sobre lançamentos, curiosidades sobre as séries de maior sucesso e comparativos entre elas. Indicada para jovens, seu conteúdo orienta e situa o enorme grupo de amantes da boa programação de televisão na correria dos dias de hoje.

A Equipe

SÓ AS MELHORES SÉRIES.

ÍNDICE:

EDITORIAL ..............................................................................3 TENDÊNCIA ............................................................................4 PERSONALIDADE DA SEMANA .......................................6 CAPA - SOBRENATURAL .....................................................8 FALANDO NISSO..................................................................14 DESTAQUES DA TV .............................................................16 CINE TV ..................................................................................17 RETRÔ .....................................................................................18

EXPEDIENTE: Editores-chefe: Ana Chain e Marcos Pieri Repórteres: Ana Chain, Ciro Caiazzo, Marcos Pieri e Victor Machado Colunista: Ícaro Martins Design da capa: Paulo Pedroso Diagramador: Marcos Pieri Publicidades: Marcos Pieri e Paulo Pedroso

O MUNDO É DOS NETS


TENDÊNCIA

Por uma TV mais Por Marcos Pieri

Em Glee, Chris Colfer interpreta Kurt, um garoto assumido gay.

N

ão é de hoje que os seriados americanos abordam o tema gay. Há anos que alguns seriados ‘coloridos’ surgem e a cada dia conquistam mais fãs. Atualmente, os atores Eric Stonestreet e Jesse Tyler Ferguson, que interpretam o casal de gays Mitchell e Cameron em Modern Family, fazem uma representação das dificuldades que um casal gay enfrenta, tratando de assuntos como adoção e a apresentação dos gays na sociedade. Greys’s Anatomy, Brothers & Sisters, Glee e 90210 são outros exemplos de séries que apresentam personagens homossexuais que também lidam com questões semelhantes. “Aguardo o dia em que ser gay não seja uma questão central ou traço determinante em um personagem e que isso seja abordado com mais naturalidade”, são as palavras de Tatiana Contreiras, 29. Grande fã de seriados e novelas, a jorna-

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lista da Revista da TV acredita que o boom gay é algo natural e vem se desenvolvendo ao longo dos últimos anos. “As séries timidamente foram mudando sua abordagem sobre os gays ao longo dos anos”, afirma, “ao mesmo tempo em que as séries se abrem cada vez mais para o universo gay ainda há certa estereotipagem”. As séries de antigamente apresentavam tipos estereotipados de gays: ou era o gay caricato, aquele afeminado, ou o que tinha conflitos sobre sua própria sexualidade. Em 1998 estavam no ar duas séries que apresentavam esses estereótipos: Will & Grace e Dawnson’s Greek. A primeira mostrava dois amigos gays, Will Truman, um advogado mais sério, e Jack McFarland, um enorme estereótipo. Enquanto a segunda apresentava Jack McPhee, um garoto com dúvidas sobre sua sexualidade. Ambas foram sucesso de crítica,

e, também devido aos personagens gays, acabaram atraindo grande público. “Nas séries, os personagens gays costumam ser os caras engraçados, bacanas, descolados [...] Isso atrai a simpatia do público”. Hoje, o personagem de Chris Colfer em Glee, Kurt Hummel, é uma mistura do gay “clássico” e do gay “verdadeiro”. Ao mesmo tempo em que veste roupas femininas, tem uma voz mais aguda, e ama musicais, ele tem grande riqueza dramática, desde a própria aceitação, até o conflito com seu pai. Por, normalmente, não terem filhos e se dedicarem muito a carreira, os casais gays geram uma grande movimentação na economia, mais um motivo para as produtoras investirem em tais séries. “É mais um mercado consumidor a ser atingido e que precisa ser agradado”, explica Tatiana. Um fator que gera grande discussão é o beijo gay. Recentemente foi exibido, nos EUA, um episódio de Glee no qual Kurt tem seu primeiro beijo com um garoto. Tatiana diz que não achou a cena real. “Não foi uma cena de beijo clássica: o beijo foi quase uma violência. Para mim não valeu”, diz. No Brasil, sempre há tentativas e propostas para tal ato, mas não acontecem realmente. “Beijo gay no Brasil é tabu”. Para a repórter, será difícil a televisão aberta veicular uma cena com um beijo gay, “na TV a cabo acho que isso pode acontecer”.


Leia parte da entrevista com Tatiana Contreiras. REVISTA: Está havendo um boom gay ultimamente nos seriados americanos. True Blood, Modern Family, Glee, todas essas séries estão conquistando muito espaço diante ao público, qual você acha que é o motivo principal? TATIANA C.: Acho que esse boom é um movimento natural. Se você reparar bem, as séries timidamente foram mudando sua abordagem sobre os gays ao longo dos anos. Pegue Will and Grace, por exemplo: é de 1998! Mas havia, sim, um certo estereótipo. As séries refletem o mesmo movimento que acontece na sociedade, mesmo que com algum atraso.

O casal Mitchell e Cameron, de Modern Family, enfrentam as dificuldades de um casal gay

sexual, se identificam com tais personagens?

ótipo homosexual? Por quê? Quais as consequências?

T.C.: Muita gente. Na época da publicação de uma matéria de capa da Revista da TV (23/11/2008) eu ainda não estava no Globo, era do Extra. Mas soube da repercussão, cartas e mais cartas e comentários no site de leitores achando um absurdo aquela foto ter sido publicada na capa de uma revista “que é lida por crianças” e algo do tipo.

T.C.: Nas séries os personagens gays costumam ser os caras engraçados, bacanas, descolados, antenados - veja Glee, quem não ama o Kurt? Isso atrai a simpatia do público. Um caso a parte acho que era “The L word”. A primeira temporada é bem boa, depois acho que ficou bem mais ou menos. Mas ali um grupo gay era mostrado de forma natural, com os conflitos que todo mundo tem, independentemente de orientação sexual.

R.: Por que tantas pessoas, independente de idade e opção

R.: O boom gay é responsável pela construção de um estere-

T.C.: Acho que ao mesmo tempo em que os personagens gays são cada vez mais comuns nas séries a abordagem sobre eles ainda é muito rasa. Temos um casal gay em “Modern family”, mas eles são o centro cômico da série, pelo menos ao meu ver. O Kurt de Glee por vezes resvala no estereótipo - gay fã de musicais que se veste com toque feminino e canta com voz feminina, bem clichê, não? Mas ainda assim o vejo com mais riqueza dramática, tem a questão de aceitação, do conflito com o pai.

R.: Há muitas pessoas que se posicionam contra esse boom gay?

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PERSONALIDADE DA SEMANA LESLIE NIELSEN: Do drama à comédia!

Por Marcos Pieri

A

morte do ator Leslie Nielsen foi confirmada pelo sobrinho em entrevista à rádio canadense CJOB. Nielsen ficou conhecido por interpretar personagens cômicos como o Dr. Rumack de Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! (1980), o Tenente Frank Drebin de Corra que a Polícia Vem Aí (1988) e o velhinho com problemas de vista Mr. Quincy Magoo em Mr. Magoo (1997). O ator, que estava internado há 12 dias em um hospital na Florida, nos Estados Unidos, morreu no dia 28 de novembro de 2010, aos 84 anos. Segundo a família, Nielsen estava com pneumonia, e essa seria a causa de sua morte. A carreira do ator é extremamente curiosa. Nielsen chegou a Hollywood nos anos 1950, depois de atuar em 150 dramas transmitidos ao vivo pela TV, em New York. Louro, alto e com um belo rosto, ele logo conquistaria fãs ao ser escalado como protagonista do filme O Planeta Proibido, de 1955. Contudo, o que não contavam é que o sério ator logo encontraria seu caminho na comédia. Ao estrelar o filme Airplane!, traduzido no Brasil como Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!, Nielsen revelou-se um grande comediante, e assim continuaria fazendo sucesso em filmes do mesmo gênero. Na última década participou de filmes como Todo Mundo em Pânico 3 (2003) e Todo Mundo em Pânico 4 (2006), nos quais aparecia como presidente dos

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Estados Unidos. Nasceu em 11 de fevereiro de 1926, numa cidade chamada Regina, na província de Saskatchewan, no Canadá. Filho de pai dinamarquês e mãe galesa, o ator tinha dois irmãos, e um tio, Jean Hersholt, que era ator de rádio e filmes mudos. Leslie formou-se no Ensino Médio com 17 anos, e logo se inscreveu na Royal Canadian Air Force, onde treinou para ser um atirador aéreo no final da Segunda Guerra Mundial, porém, por ser muito jovem, não pode concluir o treinamento e ser mandado para a guerra. Mudou-se para New York para estudar teatro e musica, na Neighborhood Playhouse, depois estudou na Actors Studio, antes de fazer sua primeira aparição na televisão, em 1948, num episódio de Studio One, ao lado de Charlton Heston. O comediante apareceu em mais de 100 filmes e mais de 1500 programas de televisão durante toda sua carreira, interpretando mais de 220 personagens. Casado quatro vezes, ele teve dois filhos, Maura e Thea Nielsen, com sua segunda esposa, Alisande Ullman. Leslie Nielsen faleceu as 5:30 da tarde, horário da Flórida, ao lado de seus amigos e de sua esposa, Barbaree Earl, com quem é casado desde 2001. “Hoje, às 5:30, com seus amigos e sua mulher Barbaree ao seu lado, ele simplesmente adormeceu e se foi”, foram

as palavras do sobrinho Doug Nielsen para a rádio canadense. Leslie já foi capitão, doutor, tenente, Drácula e presidente, e sempre será um ícone da comédia.

Em O Planeta Perdido de 1955, primeiro filme em Hollywood.

Em Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! de 1980.

Leslie Nielsen em 2009.

Veja os melhores momentos do ator no site: www.watchit.com


Nada é como você imagina.

A Bruxa Estreia dia 20 de dezembro NO WARNER CHANNEL


CAPA

Terror à vista

Por Victor Machado e Ana Chain

Nova onda de séries que misturam o suspense e o amor ao terror conquista o público em todos os cantos do mundo

A

presença das séries de terror, envolvendo monstros e sobrenaturalidade, se torna cada vez mais comum na programação das emissoras de televisão norte-americanas. Apesar do ar sombrio e medonho, a receita do bolo parece ter dado certo pois a crecente audiência incentiva os produtores a estender os seriados, resultando na produção de novos episódios e temporadas. Mas essa atual febre não se trata de algo ino-

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vador. Nos anos 1990, Arquivo X trouxe às telas um gênero pouco explorado até então. A premiadíssima série criada pelo jornalista Chris Carter se baseava em investigações de casos paranormais ocultados pelo FBI. Os protagonistas Fox Mulder e Dana Scully, que discordavam em várias decisões no início da saga, acabam estabelecendo um relacionamento romântico no fim. Esse clima de amor em meio à tensão do desenrolar da história é visto em

praticamente todos os seriados do novo milênio, até mesmo nos mais aterrorizantes. Além de Arquivo X e produções mais antigas como Além da Imaginação, de 1954, diversas mitologias influenciaram o surgimento de novas séries. As histórias de zumbis, lobisomens, vampiros, fadas e espíritos foram aproveitadas e reproduzidas com perfeição, graças ao avanço da tecnologia, em seriados que dão um banho de efeitos especiais. Com monstros

cada vez mais reais, o telespectador presencia a imaginação sendo materializada. O que antes parecia ser impossível não é mais. Nesta edição, você confere um pouco sobre Supernatural, The Walking Dead, The Vampire Diaries, Fringe e True Blood, séries que dominam o horário nobre das emissoras e já conquistaram fãs em vários países, até mesmo nos que não televisionam as séries, devido à grande audiencia que acompanha as séries pela internet.


Supernatural

Quinta-feira 21h Warner Channel

As aventuras sobrenaturais dos irmãos Winchester chegam à sexta temporada

The Walking Dead

Terça-feira 22h FOX

Direto das HQs e mortos de fome, os zumbis chegam à TV na primeira série sobre o tema Um tiro no cérebro: essa é a receita para acabar com um zumbi. Em The Walking Dead, série criada por Robert Kirkman, o protagonista Rick Grimes, um oficial de justiça de uma cidade do interior dos EUA, é baleado e acorda sozinho em um hospital. Ao sair, ele se depara com inúmeros cadáveres e começa a ser perseguido por mortos-vivos. Sem saber o que está acontecendo, Rick vai em busca de sua família e conhece outros sobreviventes à invasão dos zumbis no mundo. A série estreou no dia 31 de outubro, nos Estados Unidos, data na qual os norteamericanos comemoram o Halloween. Foi regis-

trado que o primeiro capítulo foi visto por cerca de 5,3 milhões de espectadores. A fama da série logo em seu início é facilmente justificada: os fãs da HQ migraram para a TV. As histórias em quadrinhos não fez o mesmo sucesso durante o lançamento, mas ganhou popularidade com o tempo. Em 2006, a primeira tiragem da 33ª edição da série esgotou em apenas 24 horas. Esse ano, ganhou o prêmio Eisner Award de Melhor série contínua, anunciado na San Diego Comic-Con. Apesar de ainda estar na primeira temporada na televisão, o seriado tem de tudo para dar certo, assim como os demais do gênero.

As primeiras temporadas da série não corresponderam à expectativa do público nem da imprensa, mas conquistaram alguns fãs e satisfez o elenco. A persistência dos produtores na continuação da saga deu certo e a audiência aumentou consideravelmente, resultando, inclusive, na criação de uma história em quadrinhos e um anime, com lançamentos previstos para o ano que vem. A série se baseia na luta do bem contra o mal. Sua história é sobre a vida de dois irmãos, Sam e Dean, que, ao perderem a mãe ainda jovens, são criados pelo pai, que os ensina a combater monstros, demônios e outras criaturas so-

brenaturais. No decorrer das temporadas, a série chega ao Apocalipse, num destino traçado arbitrariamente pelos céus e pelo inferno para os irmãos. Sam se vê como o avatar de Lúcifer e Dean como o do Arcanjo Miguel. Eles perdem o pai, morrem e voltam à Terra, começam a duvidar da existência de Deus, brigam e fazem as pazes um milhão de vezes. A tamanha complexidade promete ser, em parte, esclarecida nos 22 novos episódios da sexta temporada, e também intensificada. Para uma série que começou mal, mas fez milhares de fãs e deixou o elenco contente, o céu não é o limite para Supernatural.

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* Horário sujeito a mudanças

Fringe

Terça-feira 22h Warner Channel

Nada é normal na série de J.J. Abrams

True Blood Domingo 22h HBO *

A segunda temporada de Fringe termina com um gancho para a terceira. Quando Peter é levado ao Universo Paralelo, Olívia vai à sua procura, mas acaba ficando presa do lado de lá. A nova temporada já deixa seu objetivo bem claro, alternar o foco mostrando o que

se passa em cada uma das realidades. Desse modo, poderão ser compreendidas duas histórias dentro de apenas uma! Com tantas reviravoltas e sempre cheia de inovações, Fringe se torna ainda mais imprevisível ao decorrer de sua segunda temporada.

A fórmula que matou a sede dos vampiros Também baseada em livros, a série True Blood, criada por Allan Ball, traz consigo uma realidade com criaturas sobrenaturais, telepatas e metamorfos, mas dá enfoque à mitologia dos vampiros, que graças à formula japonesa “Tru Blood” não necessitam mais

do sangue humano para viver. A boa repercussão da série já lhe rendeu vários prêmios e, apesar de a sua quarta temporada estar prevista apenas para estrear em meados de 2011, os fãs já contam as horas para sentir o cheiro de sangue fresco.

The Vampire Diaries Quarta-feira 22h Warner Channel

Muito sangue e romance migrados dos livros

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Lisa Jane Smith, autora dos livros que deram origem a série, parece já ter se esquecido da briga judicial com a criadora da saga Crepúsculo, Stephenie Meyer, a qual acusou de plágio. O sucesso de Vampire Diaries na televisão é enorme e muitos já a consideram a série mais viciante

da atualidade, mesmo com apenas uma temporada de vida. Na continuação, os vampiros Damon e Stefan terão que descobrir o que, Katherine quer com eles e com a cidade - mais de cem anos após seu desaparecimento -, e proteger a protagonista Elena de suas garras.


Visão crítica do público

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esponsáveis pela grande maioria da audiência dos seriados de terror e sobrenaturalidade atuais, os jovens não apenas assistem os episódios devido ao sucesso e ao alto investimento na produção. Personagens, cenários e mitologias abordadas são atributos que estabelecem uma relação de identificação e curiosidade do público com as séries. A estudante do oitavo período de Jornalismo da UFF Lorena Piñeiro, 21 anos, é aficionada por seriados e pretende atuar como jornalista cultural. Para ela, a chegada do gênero à tv não é surpresa. “Não é de hoje que as pessoas são atraídas pelo fantástico. A literatura e o cinema sempre abordaram seres imaginários, seja em ficções de terror ou fantasia. Acre-

dito que o fenômeno está chegando à televisão porque as grandes produções realmente estão migrando para o meio.” O fato de as emissoras investirem em seriados desse tipo é compreensível, pois assuntos que fogem da realidade como super-heróis, montros e outras fantasias sempre são bem sucedidas comercialmente, o consumo é garantido. “Eu amo séries de terror e sobrenaturalidade.É divertidíssimo confrontar demônios imaginários para esquecer um pouco da realidade. Também me identifico bastante com alguns personagens e situações, dependendo da série. Mas admito que a televisão carece de boas personagens femininas. Posso contar nos dedos as que não são um grande emaranhado de cli-

chês”, disse Lorena. Aos 18 anos, estudante de engenharia química da UFRJ, Felipe Moura assiste a série Supernatural desde a segunda temporada. Segundo ele, o roteiro do seriado engloba mitos de várias culturas e, mesmo assim, não é contraditório. Certamente, é um método eficaz para alcançar um público mais diversificado. Apesar do lado medonho, Supernatural possui cenas com pitadas de humor. “A temática pode dar um ar muito sombrio à série, o que é quebrado pelo carisma e humor das personagens. Essa mistura tira o foco da ação e torna a série mais atrativa. Supernatural não é uma série pra dar medo, embora algumas pessoas o sintam.”

A presença de monstros e eventos surreais nas séries faz com que se estabeleça um conflito entre o real e o ilusório. A realidade das telas é bem diferente da dos telespectadores. Os estudantes entrevistados defendem o uso da imaginação nas séries. “Sai muito da realidade e ao mesmo tempo faz você se perguntar por que não é real, por que não é possível”, conclui Felipe. Lorena afirma ser “uma maneira de se afastar da realidade, um convite para vivenciar coisas que você nunca vai encontrar nesse nosso cotidiado limitado. A mente humana precisa tanto ir além do que o mundo real oferece que cria essas fantasias para poder escapar.”

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A tecnologia por trás de tudo

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avanço tecnológico proporcionou o desenvolvimento de diversos utensílios que facilitam a execução de várias atividades, desde lavar a louça até se locomover. Além disso, foi empregada na área de entretenimento ampliando horizontes e tornando novas realidades possíveis. Efeitos gráficos, desenhos computadorizados, novos materiais, efeitos de maquiagem, equipamentos de filmagem, técnicas e programas de edição, imagem de alta definição e 3D são alguns dos

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recursos que vem sendo empregados em produções cinematográficas, e até mesmo em seriados, aproximando ficção e realidade. Esse fator aumenta o potencial de catarse do espectador, fazendo com que ele se identifique com a história e seja estimulado a acompanhá-la. Apesar de a tecnologia estar presente em todos os tipos de produção, ela se destaca naquelas que necessitam de muitos efeitos especiais como é o caso das séries que envolvem seres sobrenaturais.

O jornalista e cineasta carioca Marcelo Taranto, 54 anos, é formado em comunicação social pela PUC - Rio. Foi repórter cinematográfico da Rede Globo por oito anos, e também trabalhava como free lancer para a BBC, tendo sido convidado pra ajudar a montar o escritório da BBC News no Rio de Janeiro, que foi fechado após quatro anos. Paralelamente, ele levava a carreira de cinema, fazendo filmes. Dirigiu documentários para redes de TV estrangeiras como a ABC, a CBS e a BBS, e posterior-

mente, abriu a MT Filmes (Marcelo Taranto Filmes), passando a produzir todo tipo de produto, desde institucionais e comerciais, até curtas e longas. Em 2006, começou a trabalhar como professor da PUC - Rio e ajudou a implantar o curso de cinema. Nessa entrevista, o produtor e professor de Direção de Fotografia e Projeto de Filme II, fala sobre a implantação e os efeitos da tecnologia e seus efeito no meio cinematográfico. Watch It: Como era a produção cinemato-


gráfica no passado, principalmente em produções de terror? Marcelo Taranto: O cinema sempre apresentou uma evolução tecnológica. É claro que antigamente os efeitos não tinham as condições tecnológicas de hoje, ainda mais depois da era digital, até então, todos os efeitos eram mecânicos e realizados dentro do próprio set de filmagem. Antigamente, o que atores usavam era quase que uma fantasia carnavalesca. A linguagem do terror evolui com a linguagem digital. WI: Você acha que a tecnologia contribui para o sucesso das séries de terror? MT: Atende um tipo de platéia que gosta de sentir medo, que gosta de brincar com o medo. É um gênero que tem um público específico. Eu não gosto, não é um gênero que me atrai, mas tem pessoas que adoram. Acho que esse avanço permitiu uma evolução de todos os gêneros WI: Como você avalia a relação custo-benefício do emprego tecnológico no processo de produção?

MT: Os custos de produção subiram muito. Esses custos são equivalentes à época. A era digital veio mais para reduzir os custos do que para aumentá-los. WI: Você vê algum aspecto negativo no emprego da tecnologia nessa área? MT: Eu não consigo ver. Eu acho que todo tipo de evolução tecnológica é benéfica, por que conteúdo sempre vai ter. Há pessoas que fazem filmes com e sem conteúdo, mas a tecnologia vai estar a serviço tanto de uma coisa como de outra. WI: Como o emprego da tecnologia afetou a produção e os roteiros? MT: Hoje se tem os efeitos visuais, feitos digitalmente, o que mudou a dinâmica da construção das cenas de terror. Chegou-se ao máximo de interferência digital, mas ainda usando a essência da expressão humana. Não são mais necessários 2 mil figurantes em um set, já que se pode duplicar a imagem digitalmente, mas o conteúdo não foi muito alterado. A tecnologia funciona

“A linguagem do terror evolui com a linguagem digital.” como um facilitador, constitui uma estratégia de produção.

nado ao emprego da tecnologia na produção cinematográfica?

WI: Em sua opinião, é possível realizar uma boa produção sem muitos efeitos especiais ou visuais?

MT: Eu acho que cada vez mais as imagens digitais irão se aproximar à película 35 mm, 70 mm, no sentido de captação. Além disso, acredito na facilitação e maior democratização do processo de produção, possibilitando que um maior número de pessoas possam se expressar.

MT: Claro que sim, é possível fazer um filme super simples sem nenhum efeito. O importante é a história, o conteúdo. Existem filmes ótimos, com uma essência humana profunda, e que não se utilizam de efeitos especiais ou visuais. WI: O que você espera do futuro relacio-

Veja o vídeo da entrevista no site: www.watchit.com 28 NOVEMBRO 2010 13


FALANDO NISSO...

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Nowhere Left to Run

Por Ana Chain

banda inglesa McFly, composta por Tom Fletcher (vocalista e guitarrista), Danny Jones (vocalista e guitarrista), Dougie Poynter (“backing vocal” e baixista) e Harry Judd (baterista), resolveu apostar no sucesso recente das séries sobrenaturais, tendo produzido um curta de temática sombria, que dura aproximadamente 30 minutos, para promover o novo site, que funciona como uma espécie de clube virtual (Super City), e o seu novo álbum Above the Noise. Tom, Harry, Danny e Dougie são os protagonistas do curta, cuja trama envolve vampiros, sexo e violência, sendo capaz de chocar e surpreender, além de mostrar o McFly de um jeito que eles jamais foram vis-

tos antes. “Um novo thriller para a geração de “Crepúsculo”, Nowhere Left To Run é um espetacular curta sangrento, suado e com vampiros”, assim o filme é definido de acordo com o release para ele elaborado. Com uma produção de excelente qualidade e uso de recursos tecnológicos e efeitos especiais, o curta evidencia a mudança de estilo e de imagem da banda, que não lançava nenhum projeto desde 2008. O filme mistura elementos de humor, terror e sedução, e apresenta um ritmo bastante acelerado, além de ter como trilha sonora músicas de Above the Noise, incluindo hits como Party Girl e Shine a Light. Começa com os meninos em

um programa de TV, acompanhando-os até uma mansão isolada, onde a maior parte da trama se desenrola. Tom, Dougie e Danny desconfiam do estranho comportamento de Harry, mas nem imaginam o perigo que correm na presença do amigo, que é um vampiro. O filme e seus extras, assim como outros conteúdos especiais, estão disponíveis para os cadastrados na Super City (em www.mcfly.com). Além disso, o DVD do curta pode ser comprado pela internet em http://www.townsend-records.co.uk/product. Confira o trailer de Nowhere Left to Run em nossa página na internet: www.watchit.com

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DESTAQUES DA TV

Por Ícaro Martins

A VOLTA DE GOSSIP GIRL

A série Gossip Girl, cancelada no meio da terceira temporada pela Warner Channel, foi comprada pelo canal FashionTV e voltará para a TV paga brasileira em julho de 2011. O canal adquiriu as quatro primeiras temporadas de Gossip Girl como parte de uma reestruturação editorial, passando a exibir também filmes e séries.

NOVIDADES NO ELENCO DE TRUE BLOOD Janina Gavankar (The L Word), Alexandra Breckenridge, (Life Unexpected) Vedette Lim (As the World Turns) e Dane DeHaan (In Treatment) são as novidades do elenco da quarta temporada de True Blood. Janina vai interpretar Luna, uma sexy professora da escola pública e shapeshifter. Alexandra será Daisy, membro do grupo de bruxas fundado por Marnie (Fiona Shaw, a tia Petúnia de Harry Potter). Vedette fará Naomi, uma lutadora que participa de brigas underground em troca de algum dinheiro. O jovem ator DeHaan, de apenas 23 anos, faz suspense sobre seu personagem, mas anunciou pelo twitter estar muito animado com o novo trabalho. SÉRIE ‘DEXTER’ SERÁ EXIBIDA PELA REDETV!

O FIM DO CASSETA

Casseta & Planeta, programa humorístico que está no ar na TV Globo desde 1992, chegará ao fim. O último episódio da atração está previsto para o dia 21 de dezembro. Segundo os humoristas, o cancelamento do programa não significa o fim do grupo, que apresentará um novo projeto em breve. Enquanto isso, nada impede que os atores apareçam individualmente na grade da Globo.

O seriado norte-americano Dexter vai ser exibido em versão dublada pela RedeTV! a partir do dia 6 de dezembro. A primeira temporada, que conta com 12 episódios, irá ao ar às segundasfeiras, na faixa das 22h50. A trama gira em torno de um especialista forense que trabalha no departamento de Polícia de Miami, mas acaba usando seus conhecimentos para assassinar criminosos impunes.

SÓ EM SETEMBRO DE 2011

RECORD EXIBE 6ª TEMPORADA DE ‘CSI’

A série The Borgias, nova produção histórica do canal Showtime, que vem para substituir The Tudors, chegará ao Brasil apenas em setembro de 2011. Estrelada por Jeremy Irons, a produção de Neil Jordan (Entrevista com o Vampiro) narra a vida de Rodrigo Borgia, um dos homens mais poderosos da Itália renascentista.

A partir de 15 de dezembro, a Record passará a exibir a sexta temporada de CSI. Após transmitir o último episódio da quinta temporada do seriado, em julho desse ano, a emissora voltou a reprisar a série desde o episódio piloto. CSI vai ao ar de segunda a sexta, às 21h15.

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CINE TV

Por Ícaro Martins

Veja os melhores filmes na Tv essa semana.

A PROPOSTA

A NOIVA CADÁVER

SE EU FOSSE VOCÊ

Margareth Tate é uma famosa editora de livros. Seu visto americano está para vencer e ela poderá ser deportada para o Canadá. Então, Margareth decide subornar seu assistente Andrew para se casarem, mas para isso, devem passar por duras provas. Sábado, 04/12

O jovem e atrapalhado Victor Van Dorst se vê obrigado a casar-se com Victoria. Embora nunca tenham se visto, se simpatizam um pelo outro no ensaio da cerimônia. Para treinar seus votos, Victor vai sozinho para uma floresta e lá, acidentalmente, se casa com a noiva cadáver, que o arrasta para o mundo dos mortos. Como Victor retornará para o mundo dos vivos?

Cláudio é um publicitário bem sucedido, dono de sua própria agência, e é casado com Helena, uma professora de música que cuida de um coral infantil. Acostumados com a rotina do dia-a-dia e do casamento de tantos anos, eles volta e meia têm uma discussão. Um dia eles têm uma briga maior do que o normal, que faz com que algo inexplicável aconteça: eles trocam de corpos. Apavorados, Cláudio e Helena tentam aparentar normalidade até que consigam revertar a situação.

às 21h no HBO

Sábado, 04/12 às 23h no SBT

Sexta. 03/12 às 22h no Megapix ENCONTRO DE CASAIS

Na tentativa de salvar seu casamento, um casal convida outros casais de amigos para uma temporada em um resort numa paradisíaca ilha no Pacífico. Quando chegam ao destino, descobrem que as diferentes terapias para casais oferecidas não são opcionais. Sábado, 04/12 às

22h no Telecine Premium

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RETRÔ Buffy, a Caça Vampiros Por Ícaro Martins

O

mundo sobrenatural não é novidade na televisão. No final da década de 90, Buffy, a Caça Vampiros fez um grande sucesso. Criada por Joss Whedon, a série é considerada até hoje um como uma das melhores do gênero. Aclamada pela crítica, a história gira em torno de Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar), uma jovem de 16 anos que é na verdade uma caçadora, ou seja, a “escolhida” para derrotar as forças do mal que ameaçam a Terra, lutando contra vampiros, demônios e outras seres das trevas. Depois de ser expulsa de seu colégio em Los Angeles por ter incendiado o ginásio na tentativa de eliminar um bando de vampiros com sua mãe, Buffy muda-se com sua mãe Joyce (Kristine Sutherland), para a cidade de Sunnydale, no interior da Califórnia. Mas a cidade é a Boca do Inferno -

Buffy e sua paixão, o vampiro Angel

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portal de entrada para o mundo inferior -, e, por isso, ela enfrentará várias aventuras em seu novo lar. Para derrotar todas essas criaturas a jovem Sarah Michelle Gellar é Buffy Summers, a recebe o auxiadolescente caçadora. lio do sentinela Giles (Anthony oitava temporada agora em Stewart Head), o bibliotecário histórias em quadrinhos, com do colégio, que vai orientáo título de Buffy the Vampire la nessa missão. Ela também Slayer Season Eight. conta com a ajuda de seus meVárias séries de sucesso como lhores amigos, Willow (AlySupernatural, The Vampire son Hannigan) e Xander (NiDiaries e True Blood sofreram cholas Brendon). influência de Buffy, a Caça Além da luta do bem contra o Vampiros. Por isso, a atração mal, a série também lidou com é tida como um divisor de vários outros temas relacionaáguas no rumo televisivo do dos aos entraves da adolesdrama americano. Recentecência, como amor, amizade mente, a Warner Bros. entrou insegurança e sexo. Na priem parceria com a Vertigo e meira temporada Buffy, ironia Atlas Entertainment para o camente, apaixona-se, por um lançamento de uma nova vervampiro chamado Ansão para o cinema de Buffy - A gel (David Boreanaz), Caça Vampiros. A ideia é esque acabou ganhando treiar o filme em 2012 ou mesum seriado próprio - e mo em 2011. passa por vários desafios para superar essa situação. A série foi exibida no Brasil pelo canal fechado FOX e pela Rede Globo, rendendo boas audiências para ambas emissoras. Foi dividida em 7 temporadas, a úlRelembre as metima foi ao ar em 2002. lhores cenas de Atualmente, Buffy volBuffy: tou para os fãs em uma www.watchit.com


F贸rmula 1! A disputa come莽ou.



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