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Causos de Dansa A Bela

“Tenho dançado muito. A idade ainda não chegou de forma avassaladora. Minha amiga, porém, sofre com chá de cadeira”

J

á fazia alguns anos que me separei. Casei cedo e tive filhos logo em seguida. Hoje estou com quarenta e dois anos, sem namorado e com os meus filhos criados. Há cerca de quatro anos, quando senti que minha prole estava deixando o ninho, comecei a entrar em depressão. Eu sabia que era a ordem natural das coisas, mas o coração falava mais alto que a razão. Percebi que não dormia direito, estava engordando, com olheiras, enfim me sentindo péssima e cada vez mais próxima do fundo do poço. Foi quando uma querida amiga de infância indicou- me a dança de salão dizendo que seria uma ótima terapia e que eu faria novas amizades. Ela já praticava há cerca de cinco anos e sempre me falava que tinha finalmente encontrado uma atividade que entretinha e dava prazer. Eu sempre ouvia, mas não achava que seria tão bom como ela dizia e que eu podia perfeitamente passar sem a dança de salão. Só que desta vez eu resolvi encarar, já que precisava mudar de ares, conhecer coisas novas, senão eu iria enlouquecer. Entrei em seguida e me surpreendi em perceber que minha amiga tinha razão. Fazer aulas e ir aos bailes era realmente uma boa terapia. Desde então tenho dançado muito, já que não tenho problema para ser tirada para dançar. A idade ainda não chegou de forma avassaladora e sou muito

Photo & Dansa 2014 #2

bonita. Minha amiga, porém, sofre um pouco com chá de cadeira, diz que dança cerca de metade do baile e que por essa razão frequenta esporadicamente bailes de ficha para se divertir e também para treinar bastante, pois os cavalheiros não perdoam quem não dança bem. Como eu não passei por esses problemas, dancei muito e tive muitos pretendentes desde que comecei a frequentar os bailes de dança de salão. Namorei alguns dançarinos e fiquei desiludida. Os homens (cavalheiros) na dança de salão são em número bem menor que o das mulheres (damas) e eles só pensam em conquistar e não em ter um relacionamento sério. Quando querem algo mais são extremamente complicados. Um desses dançarinos foi o Carlos, que conheci três anos atrás em um baile. Ele era engenheiro, bonito, dançava mal, era separado e tinha uma filha de dez anos. Vivia falando da ex-esposa e de uma exnamorada. Queria que eu fosse morar com ele e não tinha nenhum tato com as mulheres. Seu “desempenho” era compatível com sua qualidade de dança. Nunca queria que eu aparecesse na frente da filha dele como namorada, eu tinha que fingir que era apenas uma amiga. Uma tremenda piração. Depois foi o Armando, dançava gostoso, muito mesmo, era economista e solteiro. Dava para notar que nunca iria

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Profile for Marco Antonio Perna

Photo & Dansa #2 Fotografia e dança - dance photography  

Revista de fotografia e dança, com coberturas fotográficas de bailes, shows e eventos, artigos, entrevistas e ensaios.

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