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A mutilação da grande comisão INTRODUÇÃO: A. A chamada grande comissão designa o supremo mandado do Senhor Jesus dirigido aos seus discípulos nos momentos que antecederam sua ascensão. B. Foram palavras fortes e firmes, pronunciadas, creio, com serenidade e seriedade. C. Uma possível análise do conteúdo da grande comissão é a que parte de seus verbos, pois, como se trata de um mandado, a indicação da ação pretendida é dada pelos verbos ir, pregar, batizar e ensinar. D. Na verdade, por estarem no presente contínuo da língua grega, estes verbos ficam mais precisos caso sejam colocados no gerúndio: indo, pregando, batizando e ensinando. E. Assim, é bem mais consentâneo com a ideia da igreja peregrina (pairokia ): enquanto a Igreja segue sua peregrinação neste mundo vai pregando o Evangelho do Reino, chamando os convertidos ao compromisso do batismo e os discipulando através do ensino da Palavra de Deus. F. Ir é viver, pregar é testemunhar, batizar é comprometer, ensinar é amadurecer. G. Desta forma, Jesus Cristo expôs sua visão para a Igreja que acabara de edificar: H. a Igreja de Jesus existe para peregrinar. Enquanto peregrina, segue testemunhando do seu Senhor. I. Á medida que seu testemunho reverbera nas vidas, a Igreja integra-as e compromete-as pelo batismo, tudo isso sem descuidar do ensino das Escrituras, por meio do qual a mente de Cristo vai sendo formada nas pessoas. J. Como é linda e relevante a visão de Jesus para a sua Igreja! I. No entanto, a manutenção da integridade da grande comissão é condição sine qua non para que a Igreja seja essa potência maravilhosa, movida por graça e amor, sonhada pelo Senhor Jesus. (Sine qua non ou conditio sine qua non é uma expressão que originou-se do termo legal em latim que pode ser traduzido como “sem a/o qual não pode ser”. Refere-se a uma ação cuja condição ou ingrediente é indispensável e essencial.) A. Ou seja, é preciso colocar para funcionar a força dos quatro verbos. B. Privilegiar ou ignorar qualquer deles resulta comprometer toda a visão e, assim, a própria ação histórica da Igreja. C. E aqui chegamos a uma realidade muito triste no cenário da Igreja de Jesus em nossos dias: D. mutilaram a grande comissão retirando dela, na práxis da Igreja, o mister educacional DICIPLINADOR ESPIRITUAL.


II.

E. Por difícil que seja, é preciso admitir que, muitas vezes até mesmo em nome de ênfases importantes, até mesmo constantes na mesma grande comissão, a Igreja vem tentando crescer e cumprir seu papel sem encarar o desafio educacional DISCIPLINADOR ESPIRITUAL com a seriedade que precisaria para assegurar desenvolvimento sadio, consistente e sustentável. F. Para comprovarmos isso, temos de olhar para a cultura crista instalada ou presente nas crianças filhos de cristaos de hoje. G. O problema é que a práxis cristã evangélica precisa fundamentar-se em princípios teológicos sólidos, que só emergem a partir de uma ação educacional correta e efetiva. H. Tentar chegar a uma prática correta (ortopraxia) sem os valores corretos (ortodoxia) descamba para a religiosidade ou até mesmo para uma reedição hoje do farisaísmo do primeiro século. Esta mutilação pragmática precisa ser não apenas denunciada, como faz este texto, mas encarada com destemor e assertividade. A. Corremos sério risco com o descaso vigente para com a falta de compromisso. B. Tanto no contexto da igreja local, onde o ensino na Escola Bíblica é praticado de forma amadora, o treinamento segue simplesmente inexistindo na maioria das igrejas, o discipulado ainda sem espaço no cenário e o processo de amadurecimento na vida dos crentes adiado sine die. C. Não é difícil avaliar o prejuízo que se prenuncia para a Igreja se esta tentativa de se observar a grande comissão pela metade não for imediatamente interrompida em favor de uma visão integral do mandado do Mestre. D. Na verdade, já temos contabilizado muitos prejuízos. Basta olharmos a discrepância espelhada nas nossas estatísticas. E. O programa de executado pelas igrejas alcança um percentual ainda irrisório do universo cristão. O futuro que se prenuncia não é dos melhores. Precisamos encarar o desafio de rejeitar esta versão mutilada da grande comissão, assumindo um compromisso com o ir, o pregar, o batizar e o ensinar... Todas as coisas que o Senhor Jesus nos mandou. F. Quem sabe não seja este o momento de assumirmos e revitalizarmos a Igreja e nela investirmos com seriedade, consequência e efetividade? G. O Senhor Jesus deixou claro o nosso dever de ensinar... Façamos isso com dedicação, como exortou o apóstolo Paulo (Romanos 12.7).

Por uma práxis da grande comissão sem mutilações!


"Aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação" (1 Coríntios 1:21). "Como porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam cousas boas! Mas, nem todos obedeceram ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem acreditou na nossa pregação? E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo. Mas pergunto: Porventura, não ouviram? Sim, por certo: Por toda a terra se fez ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo" (Romanos 10:14-18). No primeiro século, a fé e a esperança que o evangelho traz foram pregadas pelos discípulos de Cristo a toda criatura debaixo do céu (Colossenses 1:23). O desejo de Deus era e é que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:4). Todos devem ouvir a mensagem que o Pai deixou e aprendê-la antes de serem capazes de aproximar do Pai por meio do Filho (João 6:45). Em toda a sua misericórdia e o seu poder, a voz do Senhor ainda exclama, dizendo: "A quem enviarei, e quem há de ir por nós?" Não devem respostas de "Eis-me aqui, envia-me a mim" sejam repetidas por muitos ao trono de Deus (Isaías 6:8). Quem deve sentir-se responsável por levar o evangelho a todo o mundo? "Em nossas mãos está o evangelho . Mas será que temos as oportunidades para levar o evangelho ao mundo? Um dos artigos mais desafiadores que li sobre este assunto afirma: "A década de noventa poderá muito bem testar nossos motivos. Uma porta já se abriu na China. A desintegração das barreiras entre a Europa Ocidental e a Oriental bem podem conduzir a múltiplas oportunidades para levarmos o conhecimento de Deus a nações que há tanto vivem nas trevas. Estamos a ponto de ser chamados para colocar o nosso dinheiro, os nossos filhos e a nossa vida no lugar em que havíamos colocado a nossa voz. "Serão necessários sacrifícios. As grandes congregações terão de abrir mão do luxo, das coisas convenientes e de tudo que não contribua diretamente para salvar ou edificar almas. As congregações nas comunidades pequenas, nas quais o evangelho foi pregado durante anos e as perspectivas são sabidamente limitadas terão de "se virar" sem um "pregador de tempo integral" sustentado pelos de fora, para que haja


homens e dinheiro disponíveis para enviar o evangelho aonde ainda ele não chegou. Os pregadores capazes terão de esquecer . . . as preocupações naturais com a segurança e encaminhar-se para onde são mais necessários. Os pais terão de ver os filhos partir . . . e se ausentar durante anos . . . Todos nós teremos de reduzir o nosso padrão de vida, para dar com mais liberalidade para prover as necessidades financeiras dos que de fato vão . . . Será pedir muito? Se a guerra fria se tivesse acirrado e se transformasse num conflito militar,toda a nossa nação não faria esses sacrifícios para destruir . . . essa nações? Os que serviram como voluntários não seriam contados como heróis, enchendo de orgulho os seus pais? Será que estamos menos dispostos a nos sacrificar para salvar a alma dos homens do que a matá-los e mutilá-los? Será a causa de Cristo menos digna que a causa patriota?" (Extraído de "Muros que desabam e portas que se abrem", de Sewell Hall, publicado na Christianity Magazine de janeiro de 1990, p. 31.) Somos encorajados quando vemos cristãos de mesmo pensamento marchando por essas portas com a mensagem do Rei. Não há outra escolha, pois permanecer em silêncio nesse momento fará o julgamento de Deus cair sobre nós. Se de fato escolhêssemos ficar calados, será que a mensagem de Deus deixaria de ser propagada? Cantamos que "Ele só tem as nossas mãos", mas, se não levarmos a preciosa mensagem a este mundo, "de outra parte se levantará . . . socorro e livramento" (Ester 4:14). A Bíblia está repleta de exemplos que demonstram que os desígnios de Deus não podem ser impedidos pela recusa de seu povo de servir com fidelidade. Que sejamos incentivados a fazer maiores esforços para levar o evangelho a todo o mundo. Que possamos ouvir mais vozes clamando: "Senhor, estou aqui; envia-me!" e "Nós enviaremos!".

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