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O Caminho da Graça

CUIDADO: Não perca Jesus no caminho! Caio Fábio

Vou ler um texto do Evangelho, em Lucas 2, que narra a visita de Jesus ao templo, quando ele tinha cerca de doze anos de idade – nas proximidades da época em que um menino de família judaica faz o seu Bar-Mitzvá, especialmente no templo, naquele tempo, porque havia o templo; hoje em dia, nas sinagogas ou na frente do muro das lamentações, como é costumeiro assistirmos. Lucas 2:41-52 diz o seguinte: “Ora, anualmente iam seus pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Quando ele (Jesus) atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Pensando, porém, estar ele entre os companheiros de viagem, foram caminho de um dia e, então, passaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos; e, não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera. E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração. E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.”

Hoje, porém, eu quero olhar para este texto como uma espécie de parábola, de linguagem metafórica. Não que o texto em si o seja; por isso eu estou explicando: é um

olhar meu, eu é que estou olhando para ele e dizendo a você que ele se parece extremamente com uma parábola daquilo que acontece com muitos de nós. E o que é que acontece com muitos de nós, à semelhança da narrativa que aqui está? Jesus segue com seus pais, amigos e companheiros, de Nazaré na Galileia, para cultuar no templo em Jerusalém. Eles chegaram juntos, lá. Na hora de se retirarem, José e Maria assumiram que Jesus deveria estar entre os amigos e

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Essa história é o que ela é. Não há nada oculto nem misterioso na narrativa, ela quer ser apenas uma narrativa histórica. E da minha parte jamais haverá nenhuma violência na expectativa de que o que aqui se diz oculte alguma coisa para além do que está dito. O que aconteceu foi isso mesmo e somente isso.


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E aí, você sabe que em chegando lá, o que acontece é que eles encontram Jesus no templo, ouvindo os mestres, interrogando os mestres da lei e assombrando-os com a sabedoria que procedia de seus lábios, aos doze anos de idade. Ao ponto de todos os doutores da lei – os teólogos – estarem em estado de perplexidade ante a lucidez, o espírito límpido, claro, cristalino, a inteligência, a sabedoria, a assertividade, a consciência que dele procedia. De modo que havia três dias ele estava assentado com aqueles homens. Provavelmente dormindo, como um menino de doze anos,

pelos cantinhos do templo, até de manhã cedo, pousando no átrio; e quando as portas se abriam, o fluxo recomeçava, os mestres chegavam e a reunião acontecia em torno dele, ou ele sendo convidado para continuar a conversa do dia anterior. Três dias assim. Foi nesse lugar que José e Maria o acharam. E Maria vem com essa pergunta: Por que tu fizeste isto conosco? Jesus, então, respondeu: Porventura não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? Essa é a narrativa, e foi simplesmente isso que aconteceu. Qual é a parábola, ou qual a figura, ou qual a metáfora que essa narrativa simples traz para minha mente e para a sua, hoje? Para mim, isso aqui ilustra – note: eu não estou dizendo que é o que diz. Ilustra –; ilustra perfeitamente algumas coisas que acontecem frequentemente conosco, especialmente quando a relação que julgamos ter com Jesus é de familiaridade. São aqueles vínculos familiares, em que você diz: Ah, eu cresci na fé, cresci na igreja, meus pais são cristãos, minha família e cristã. Ou: Eu desde pequeno ouço essas coisas. E dá uma sensação psicológica de que o indivíduo, por ter crescido na ambiência, faz parte, de algum modo. Independentemente de o olhar avistar, de o ouvido ouvir, e de se ter acuidade e percepção quanto a se estar ou não com Jesus, dá-nos a impressão de que é obrigação de Jesus estar conosco, e não que é uma obrigação saudável, da nossa parte, verificar se ele está conosco. A religião, quando se transforma num pacote cultural (que é o que acontece na mente, no coração da maioria das pessoas) frequentemente gera essa segurança de familiaridade, que faz as pessoas pensarem

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companheiros de viagem – o que também mostra uma peculiaridade da personalidade dos pais de Jesus: eles não eram paranóicos; Jesus foi junto, havia muitos amigos e parentes com eles; na hora de fecharem as trouxinhas, após a festa, e retornarem para Nazaré, eles não fizeram aquela contagem exaustiva, cadê, Jesus, cadê Jesus cadê Jesus? Eles simplesmente assumiram que Jesus estava entre o bando de amigos e caminhando com eles de volta para Nazaré. Só que um dia depois de estarem viajando (e é um bom chão, já estavam bem distantes a pé), eles, à noite, provavelmente, foram procurar Jesus para ver onde ele poderia estar. Já era hora de um provimento, de uma comida, de preparação para dormir, as famílias se agregavam; e nessa hora eles verificaram que Jesus não estava. Devem ter saído perguntando: Escuta, Jesus não estava viajando com você? A que devem ter respondido: Não... não... – ninguém sabia, ninguém tinha visto. Quando foi a última vez que você o viu? A maioria dizia: Foi em Jerusalém, desde lá que não o vejo. Então, o coração de José e de Maria ficou angustiado, e eles fizeram a viagem de volta, palmilhando, passo a passo, a jornada até Jerusalém.


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E é nessa que muita gente se distancia, de fato, de Jesus, sem se distanciar da igreja, ou do grupo, ou da parentela espiritual, ou dos companheiros, ou de qualquer dessas coisas. O conjunto – esse conjunto de familiaridade com Jesus – gera a ilusão de que Jesus está conosco por causa do conjunto. E em razão dessa ilusão que o conjunto produz, as pessoas vão perdendo o olhar íntimo, a percepção íntima que verifica se ele anda ou não conosco. Parece que aquilo que o processo psicológico-religioso gera em nós é o seguinte: se eu estou junto com os meus irmãos, indo para os mesmos lugares com eles, frequentando as mesmas coisas, cantando as mesmas canções, celebrando as mesmas festas, fazendo a mesma viagem, Jesus está conosco, por inferência – ele tem que estar. Julga-se, com isso, que Jesus é uma presença implícita. A gente assume que assim seja. E não é assim. E esse estado é ilustrado perfeitamente para nós por essa experiência de José e Maria, que saíram tranquilos, distraídos – Jesus a gente conhece, Jesus conhece a gente; nós vamos no caminho e quando ele não está com a gente ele está com um amigo da gente; se ele não está com esse amigo, está com aquele outro. E aí, dá sempre a impressão de que se Jesus está com um dos nossos amigos, é como estar conosco; se Jesus está com alguns do nosso grupo, é como estar conosco; se Jesus está na minha igreja, então é como estar comigo; se a minha parentela sabe de Jesus, por inferência eu também sei. Esse é

o mecanismo operante na psicologia do distanciamento na relacionalidade íntima e pessoal que cada um de nós deve ter com Jesus; no acautelarmo-nos quanto ao fato de que nós estejamos tendo ou não estejamos tendo uma relação nossa com ele, pois do contrário esse sentimento comunal, coletivo, familiar, cultural, nominal, de grupo, gera essa ilusão que faz muita gente pensar: se eu participo do grupo em cuja jornada Jesus supostamente está incluído, ainda que eu não o tenha à vista, me basta saber que ele deve estar entre os outros; e se deve estar entre os outros, está comigo e eu estou com ele, não importando quanto tempo faça que eu não o aviste, que eu não o veja, que eu pessoalmente não tenha tido absolutamente nada a ver com ele na jornada, no caminho. Isto dito, eu queria afirmar rapidamente a você três coisas: A primeira é que tem muita gente que, usando essa história como uma parábola espiritual, haverá de verificar que por causa desse espírito de transferência da relação com Jesus para uma relação grupal, para uma relação institucional, para uma relação que assume que o coletivo pode lhe fazer prescindir da sua relação absolutamente pessoal com ele, nesse sentido e por essa perspectiva há muita gente que, assim pensando, perdeu Jesus, na jornada, perdeu Jesus, no caminho. Porque diz: Eu nunca me desviei da igreja, eu nunca me desviei da fé, eu nunca deixei de frequentar o lugar do culto; eu nunca deixei de me oferecer para as funções, para os cargos, para as atividades, para os trabalhos, desde jovenzinho que eu canto no coral, no grupo de louvor, que eu me ofereço para as diaconias e para os serviços variados; eu estou no caminho, nunca tive a tentação de

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que pelo convívio, pelo hábito, pelas repetições, pela frequência aos cultos, pelo conhecimento da bíblia, de versículos da bíblia, de doutrinas, de canções; que por essas coisas todas, é uma obrigação de Jesus, estar com a gente.


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Além desse fato de que há muita gente que perde Jesus na caminhada, na distração, o segundo equívoco que, do ponto de vista parabólico, essa narrativa nos permite enxergar na psicologia do nosso engano na relação com Jesus, é que muita gente perde Jesus nessa história de que “ele está com os meus companheiros”. É o Jesus do bando: Deve estar no bando; eu mesmo não tenho tido nada muito pessoal nem muito íntimo com ele, já faz tempo que não o vejo, mas eu tenho a garantia de que ele pertence ao meu grupo. Como se Jesus andasse em bandos, como se fosse um compromisso com Jesus fazer parte desse “banditismo” do reino de Deus: se há um grupo e o grupo todo tem familiaridade com ele, logo, sendo eu parte do grupo, tenho eu familiaridade com ele. E nessa, tem gente que fica tentando ter uma relação de triangulação, com Jesus: a minha mãe é piedosa, meu pai é piedoso... Há maridos que dizem: A minha mulher conhece a Jesus, portanto, eu recebo o benefício. Há mulheres que dizem: Eu não sou tanto, mas meu marido é um home de

Deus, logo, eu recebo o benefício. Às vezes eu vejo até pais dizerem: Nós somos assim, meio barro meio tijolo, mas você precisa ver os nossos filhos: são de Deus! Logo – pensam eles – nós recebemos o benefício. Ou, então, há quem diga: Nós não temos nenhum amigo louco, ébrio, pervertido, nem distanciado de Deus, nem blasfemo; nós só andamos com gente que confessa com a boca que Jesus Cristo é o Senhor da vida deles; logo, nós também fazemos parte desse grupo. Mas nenhum desses tem pessoalmente nenhuma vida com Jesus e jamais teve. Esse é um dos enganões que a perspectiva de uma fé como sendo um elemento grupal gera na consciência equivocada de muitas pessoas que ficam pensando que é possível ter uma relação de tabela com Jesus, uma relação clubesca, uma relação de vínculos coletivos; ficam pensando que Jesus habita um determinado coletivo e quem tem comunhão com o coletivo tem, em consequência, comunhão com Jesus. Não poderia haver equívoco maior do que esse. Judas andava no coletivo. E Judas foi ficando completamente distante de Jesus. E há milhares de outros exemplos, na bíblia e fora dela – e você talvez seja um exemplo dessa natureza –, de gente que nunca faltou ao coletivo, mas nunca teve uma experiência real, profunda, pessoal, íntima, direta, constante, com Jesus mesmo. Jesus não nos mandou fazer parte dos muitos ramos da videira. Ele mandou nos conectarmos à videira. Tudo com Jesus tem a ver com a visceralidade de uma relação minha com ele, que não tabela em lugar nenhum e em coisa alguma. Não tabela na família, não tabela no casamento, não tabela na igreja, não tabela na missão, não tabela nos trabalhos, não tabela na impressão. Ou é ou não é. Não dá para nós

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deixar esse grupo, nunca fiquei encantado por ofertas distintas, por seduções variadas, sempre andei com o mesmo grupo, a vida inteira; e porque eu ando com o mesmo grupo, e porque um dia eu saí de casa e verifiquei que Jesus estava no meu grupo, eu assumo que Jesus faz parte do meu grupo; e se Jesus faz parte do meu grupo, assim como que por osmose Jesus faz parte de mim; para falar a verdade, faz muito tempo que eu não tenho nenhuma relação pessoal com ele, que eu não tenho intimidade com ele, que os meus olhos não o avistam, que os meus ouvidos não discernem a sua palavra, mas eu sei que pertencendo ao grupo significa dizer que eu estou andando com Jesus, ele está em algum lugar no caminho por onde eu ando.


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A terceira coisa é que tem muita gente, à semelhança deles (na narrativa), que perdeu Jesus no templo. No templo, mesmo. Tem gente que chegou em determinado dia num lugar de culto, com Jesus. E saiu do lugar de culto sem Jesus. E eu sei que há uma quantidade enorme de pessoas que, se olharem para dentro do coração, constatarão isso. Veja se você não é um desses; se houve um tempo na sua vida em que você andou com Jesus, foi para o templo com Jesus, sabia, via, discernia a presença de Jesus na relação com você, também no ambiente do templo; mas com o passar do tempo, Jesus e o templo se misturaram tanto, na sua cabeça, que você já não sabia mais se o vínculo era com Jesus ou se era com o templo. E aí, você ficou tão condicionado ao fato de que Jesus e o templo eram uma coisa só, que depois de um tempo Jesus foi ficando de lado; você foi ficando tão assomado pela grandeza e pela imponência do templo, que deixou de ver Jesus e de ter uma relação com Jesus. E o que acontece é que eu conheço muita, muita gente que perdeu Jesus no culto, perdeu Jesus no rito, perdeu Jesus na liturgia, perdeu Jesus nas canções, perdeu Jesus nas frequências, perdeu Jesus na adoração. Perdeu Jesus no lugar onde supostamente Jesus teria que estar sempre, e em estando, a nossa presença lá significaria a presença dele conosco. Veja se você não é um desses que perderam Jesus pelo hábito no templo. Sem falar que entre nós as coisas ganham contornos extremamente mais sérios do que os da situação, ilustração ou metáfora da qual eu me sirvo aqui; porque entre nós

não se pode nem dizer que se a pessoa voltar ao templo, como José e Maria fizeram, achará Jesus lá, conversando entre os mestres da lei. A coisa mais difícil que tem é você reencontrar Jesus nos nossos templos, porque não existem mestres, não existe o desejo da conversa nem da busca, não existe o interesse nem a perplexidade pelo ensino de Jesus. Existe apenas aquilo que desvia, de todo, a nossa atenção de Jesus; justamente no templo. Entre nós, portanto, é mais grave ainda, entre nós o templo é o grande desviador da nossa atenção, em relação a Jesus. Quanto mais a gente entre e se distraia com as dinâmicas do templo, mais distante de Jesus nós vamos ficando. Então, há o indivíduo chegou lá com Jesus; e aí, foi para o seminário, para servir melhor a Jesus. Depois de quatro anos no seminário ele fica com a impressão de que, por ter feito o seminário ele comprou uma espécie de seguro vitalício da relação dele com Jesus. Aí, ele prossegue na vida, pregando o Evangelho por aí sem que Jesus tenha nada a ver com ele; ele nem sabe mais onde Jesus está, ele pensa que Jesus habita a bíblia, pensa que Jesus habita compêndios teológicos; pensa que Jesus é um transe que ele vive toda vez que expressa algumas das suas falas profissionalmente ungidas acerca de Jesus, e que isso agrada tanto a Jesus, que o mero fato de ele praticar isso garante a presença de Jesus na vida dele. Há outros que vivem esse equívoco porque dizem: Ah, o meu sonho era casar com um pastor. Como se casar com um pastor fosse casar com Jesus. Para descobrir logo, logo, que às vezes o pastor é doido, que é um cara que labora no mesmo equívoco, que é sem caráter, que não é convertido, que faz daquilo apenas uma profissão, que apenas

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laborarmos nesse equívoco sem que venhamos a descobrir, depois, a ausência de Jesus na nossa vida.


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Há outros que dizem: Não... eu estou tão envolvido com missões, eu levanto fundos para divulgação do Evangelho, eu canto, eu toco, eu sou introdutor na porta – digo: entrem –, eu ajudo as pessoas a se assentarem, eu faço parte de reuniões; eu sou um cara do templo. Tem gente que tem até aquele orgulho de dizer: Eu sou ratinho de igreja, ratinho de templo – porque vive lá. Mas no curso da vida eu conheci, e conheço até hoje, uma quantidade inumerável de pessoas que por essa ilusão perderam Jesus no templo. Ficaram com o templo, ficaram com o prédio, ficaram com a agremiação, ficaram com a sociedade, ficaram com os trabalhos, ficaram com os serviços, ficaram com os esforços, ficaram com a agenda; e ficaram com o engano de pensar que estar naquele lugar, participar daquele festival religioso, significava algo equivalente a ter um vínculo com Jesus. Às vezes é somente na necessidade de andar por um caminho natural da vida que leve na direção de um ambiente não religioso diferente daquele, que o indivíduo vai descobrir, tempos depois, que anda solitariamente. Às vezes é quando a noite chega, podendo ser ela a noite de José e de Maria, que não era uma noite de angústia, naquele ocasião, era apenas a hora de ver onde estava o menino. Mas, havendo entrado nesse engano, é especialmente quando entardece o dia do nosso conforto e iniciase uma noite de agonia, de depressão, de perda, de insegurança, de solidão, de carência, de necessidade, que o indivíduo vai descobrir que o grupo todo está ali, mas

Jesus não. E a pessoa vai dizendo: Escuta, Jesus está contigo? E vai levando sustos; o amigo diz: Comigo, não; não estava contigo não?! Escuta, Jesus está contigo? Não; comigo, não, pensei que estava contigo! Escuta, Jesus estava contigo? Não; comigo, não, sempre pensei que estava contigo, por isso eu estava tranquilo. E aí começam as transferências, ninguém tendo Jesus e todo mundo tranquilo, achando que Jesus estava com um outro, e que a presença daquele outro garantia a presença de Jesus com o grupo. Essa é uma dinâmica psicológica espiritual que eu vejo acontecendo na igreja o tempo todo. As pessoas chegam lá sabendo que não sabem onde Jesus está, mas todo mundo fica dizendo: Deve estar com aquele irmão, deve estar com aquela irmã; deve estar naquele grupo de louvor; ah, deve estar com o pregador; deve estar com quem sai para fazer missões; deve estar com aquele irmão engajadíssimo; deve estar com aquela irmã que visita todos os hospitais. Enquanto isso, cada um desses em cujas vidas nós imaginamos que Jesus está presente, está imaginando, enquanto fazem suas atividades ativistas, a mesma coisa em relação a nós: Jesus deve estar com ele, Jesus deve estar no grupo de oração, Jesus deve estar no lugar das canções, Jesus deve estar no grupo de missões, Jesus deve estar atrás daquele púlpito, em meio às pregações. E fica um transferindo para o outro uma relação com Jesus que ninguém tem, que perderam! Perderam no caminho, nas distrações do caminho. Perderam no tabelamento e nas transferências comunais, achando que Jesus habita a comunidade. Perderam no serviço no templo, na festa do templo, na distração do templo, nas atividades do templo. O fato é que perderam o olhar de Jesus e não sabem onde ele está.

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aprendeu os jargões, as dinâmicas e os conteúdos superficiais, com o objetivo de passá-los ali para entreter aquela assembleia de gente igualmente iludida.


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Aqui, José e Maria tiveram que fazer o caminho de volta para achar Jesus no templo. Nosso caminho, se for físico e geográfico, procurando Jesus no templo físico, continuará frustrado. Porque é no caminho interior que nós perdemos Jesus. É quando vamos colocando o nosso olhar e a nossa expectativa de Jesus para o lado de fora, apenas – a gente diz: Jesus está nesse caminho que eu escolhi, que é um caminho moralmente de Deus, que é um caminho da ética de Deus, que é o caminho do comportamento segundo Deus. E o indivíduo vai nessa. E assim, no processo, ele vai perdendo o vínculo e nem sente; é sutil, sutil, sutil, sutil, essa dinâmica da falsa segurança que prescinde da relação pessoal. Ou o indivíduo vai andando o caminho interior, vai transferindo para o lado de fora as relações com Jesus, e vai dizendo: Ah, eu pertenço a esse grupo, Jesus faz parte do meu grupo. E, aí, dança geral, porque Jesus não nos oferece uma relação grupal que tenha qualquer chance de vir a prescindir da nossa relação íntima e existencial e pessoal com ele. Ou é esse tal do serviço ao templo – o cara que diz: Aquele ali é consagrado ao Senhor, porque ele foi ao seminário, ele faz parte do grupo de louvor, ele faz parte do grupo de intercessão, ele é parte do grupo de visitação, ele é parte do grupo que vai aos presídios. Tudo para o lado de fora. Só tarefa, só dever. Só tarefa, só dever; e tudo vinculado ao templo. E Jesus, onde está? Jesus, onde está?

Hoje, a minha palavra a você é: Faça o caminho de volta, veja, na sua mente, no seu coração, quais foram as distrações. Porque houve muita gente que começou bem, houve gente que começou no primeiro amor, mesmo, saindo de casa de mãozinhas dadas com Jesus, andando com ele a par e passo, todo dia, o tempo todo, toda hora. Havia gente que só se satisfazia com a presença dele, com o discernimento dele, com a realidade dele com a gente. Até que, com o passar do tempo, Jesus foi sendo diluído no caminho; Jesus foi sendo diluído na coletividade dos nossos companheiros; Jesus foi sendo diluído nos nossos muitos serviços ao templo. E a gente depois volta para casa e quando a noite escura chega, a gente descobre que está sozinho.

O susto de muitas dessas pessoas é que elas vão verificando que aqueles com os quais elas pensavam que Jesus estava, são os mesmos que, olhando para elas, dizem: Eu andava distraído, pensando que era contigo que ele estava.

Eu quero orar pedindo ao Senhor que nos dê essa revelação. Porque esse é um mecanismo tão sutil... Eu conheço milhares de pastores que não sabem onde Jesus está. É por isso que eles vão para congressos e congressos, e mudam de mover em mover, o tempo todo; estão

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Se for esse o seu caso, se tem sido o seu caso, eu recomendo que você faça aquela viagem para dentro, no coração, e veja quais foram as distrações, quais foram as tapeações, quais foram os mecanismos de substituição, quais foram os elementos que entraram tirando o seu olhar e a sua vincularidade e a sua intimidade e o seu pertencimento e a sua ligação a ele; fazendo isso ser transferido para um elemento grupal, mas que distraiu você definitivamente da necessidade do seu vínculo íntimo, pessoal e intransferível para o grupo, para a família e, menos ainda, para o templo, para a igreja, para os serviços, para a empresa religiosa de Deus – como se existisse tal coisa.


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sempre procurando: será que é com aquele ali que ele está? Será que agora Jesus está nesse movimento aqui? Será que é essa nova onda, é essa nova doutrina, será que é aqui que Jesus está? Porque eles perderam Jesus em algum lugar, faz muito tempo. A mesma coisa eu vejo acontecendo com todo mundo. Por que essa rotatividade, essa loucura, de o sujeito sair procurando Jesus em tudo que é boteco espiritual, nos botequins da religião? É porque o indivíduo perdeu Jesus e não sabe onde foi que o deixou, pois prescindiu da sua relação pessoal com Deus. Há alguns que dizem: Eu fui para o seminário ainda levando a chama no coração; depois de um tempo eu achei que controlava a chama; e hoje eu sei que estou apagado, apagado, apagado. Essa familiaridade com Jesus é uma coisa diabólica. É como aquele pessoal de Marcos 6, em Nazaré, dizendo: Não vivem aqui os seus pais, as suas irmãs, os seus irmãos? A gente não o conhece desde menino? É nessa de que nós o conhecemos desde sempre, que nós nos perdemos dele no caminho; e não sabemos onde foi que a separação, o divórcio sutil aconteceu. Essa é uma palavra tão singela quanto eu poderia ensinar para a minha netinha; e eu a estou dividindo com simplicidade e singeleza com você. Nada poderia ser mais

básico do que o que eu estou dizendo aqui. Mas eu espero que essa basicalidade, pela graça de Deus acorde você da distração de uma viagem sem Jesus. Cheio de companheiros que um dia também disseram estar com ele, mas ninguém mais sabendo, agora, onde ele está: comigo, não; comigo, não; comigo, não. Cumpre a você fazer a sua viagem, pessoal, de volta. Você vai encontrá-lo na casa do Pai – que não é no templo em Jerusalém; você vai encontrá-lo no recôndito mais interior do seu ser, dizendo: Por que você me procurava do lado de fora? Por que você me confundiu com os amigos da jornada? Por que você me confundiu com tarefas, atribuições, missões, causas, responsabilidades humanas? Por que você pensou que eu seria seu por osmose? Por que você não me procurou nesse ambiente mais profundo da casa do meu Pai em você? Por que você não manteve o vínculo comigo todo dia, toda hora, o tempo todo, sem cessar? Que o Espírito de Deus conduza você, na simplicidade de palavras infantis que eu lhe disse aqui, a um lugar de encontro verdadeiro com Jesus. Que salve você da distração do caminho e desse engano de pensar andar com um Jesus de bando. Amém!

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Mensagem devocional no Papo de Graça de 29/09 Vem&Vê TV

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Cuidado não perca jesus no caminho