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UNIR - Fundação Universidade Federal de Rondônia Campus de Vilhena Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

Revisão da crítica e da história da poesia brasileira da geração de 45 Fase Jornal Tentativa

Relatório dos resultados parciais e das atividades desenvolvidos no âmbito do projeto de pesquisa Proposta para uma revisão da crítica e da história da poesia brasileira da geração de 45 - Fase: Jornal Tentativa Osvaldo Copertino Duarte

UNIR - VILHENA


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SUMÁRIO

1. Resumo - Fase Jornal Tentativa, 4

2. Introdução, 5.

3. Materiais e métodos, 6 3.1. Quanto ao método, 6 3.1.1. A crítica estilística, 6

3.2. Quanto à Geração de 45, 60 3.3. Quanto ao material, 9

4. Resultados, 11 4.1. Quanto à Geração de 45, 14 4.1.1. Síntese histórico-literária, 14 4.2. Resultados quanto ao Jornal Tentativa, por Aparecido Portela da Silva, 14 4.2.1. Preliminares, 21 4.2.2. A crítica literária através do Jornal Tentativa, 23 4.2.3. Resenha de alguns textos críticos publicados por tentativa, 29 4.2.4. Índice geral analítico classificado segundo a ordem de publicação, com o resumo das matérias e abrangendo todos os números do Jornal Tentativa, 35 4.2.5. Indice geral por assuntos, 35 4.2.5.1. Poesia, 103 4.2.5.2. Contos, 103 4.2.5.3. Correspondência, 119 4.2.5.4. Resenha,125 4.2.5.5. Ilustração, 127 4.2.5.6. Entrevista, 138 4.2.5.7. Efemérides, 145 4.2.5.8. Nota Paulistana, 148 4.2.5.9. Crítica, 158 4.2.5.10. Comentário, 178 4.2.5.11. Anúncio, 181


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4.5. Bibliografia sobre o jornal tentativa, 184 5. Bibliografia Geral Consultada - Textos teóricos, obras de referência e artigos científicos e / ou jornalísticos, 186


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1. Resumo: Fase Jornal Tentativa Fundação Universidade Federal de Rondônia - UNIR Diretoria de Pesquisa, Pós Graduação e Extensão - DIPEX Comitê Técnico Científico - CTC - UNIR Bolsista: Aparecido Portela da Silva Orientador: Osvaldo Copertino Duarte / Tânia Parmegiane Área: Letras e Literatura Título: Revisão da Crítica e da História da Poesia Brasileira da Geração de 45 - Fase Jornal Tentativa Agência Financiadora: CNPq

Introdução A terceira geração modernista possui, como poucas outras, poetas esteticamente importantes, mas hoje completamente esquecidos, seja por questões de mercado que inviabilizam suas produções, seja por razões histórico-literárias que em determinado contexto cultural facilitaram ou privilegiaram certos procedimentos artísticos em detrimento de outros. O propósito da pesquisa, cujos resultados apresentados, é resgatar a obra desses escritores. O Jornal Tentativa, veículo de divulgação da Geração de 45, que analisamos constitui-se como acervo de grande valor uma vez que além de estabelecer-se como registro de uma época, apresenta textos ainda inéditos em livros de autores dos mais importantes da história da literatura brasileira moderna. As matérias publicadas abrangem desde poemas recebidos de diferentes pontos do país à notas sociais, passando pelos contos, crônicas, comentários críticos, textos ligados ao teatro, estudos folclóricos e entrevistas com escritores como Oswald Andrade, José Lins do Rego, Sérgio Milliet, Otto Maria Carpeaux e José Lins do Rêgo entre outros. Metodologia Sob orientações da Crítica Textual e da Estilística Literária, mas sem recusarmos outras teorias ou métodos de aproximação estilística, buscamos abranger cada um dos aspectos do sistema lingüistico-literário e abordamos o uso próprio da linguagem, o modo e o material com que a obra está construída, o poder sugestivo das palavras, que prazer estético a obra provoca e o que o poeta tem de criador. Resultados Ao analisarmos Tentativa percebemos que trata-se de uma obra de grandioso valor literário que caracteriza a Geração de 45. Analisamos todo o jornal elencando suas matérias por gênero e áreas de interesse e confeccionando índices de todos os textos e autores publicados, seguindo-se a ordem de aparição das matérias e a ordem alfabética por autores. Com isto, pretendemos facilitar as outras fases da pesquisa, bem como oferecer a futuros pesquisadores toda uma tábua de matérias do jornal já resenhadas, analisadas e dispostas em índices que facilitem a localização. Conclusão. O jornal Tentativa deve ser analisado como um documentário de época, pois as suas publicações apresentam registros de importantes acontecimentos literários e sociais, além da riqueza dos textos críticos ou criativos ali existentes.

Palavras Chave: Literatura, poesia, crítica


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2. INTRODUÇÃO O relatório ora apresentado tem por objetivo registrar as atividades desenvolvidas no âmbito do projeto de pesquisa Proposta para uma revisão da crítica e da história da poesia brasileira da geração de 45 - Fase terceira: Jornal Tentativa, respectivamente, desenvolvido na UNIR, Campus de Vilhena, sob a responsabilidade do Professor Orientador Osvaldo Copertino Duarte e dos orientandos Aparecido Portela da Silva, colaborador não bolsista e Raquel Aparecida Dal Cortivo, bolsista do PIBIC - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq. Trata-se de um projeto em desenvolvimento, sendo este, portanto, um relatório parcial a ser considerado como parte integrada aos resultados apresentados pelas fases “André Carneiro” e “Jornal Tentativa”, cujos relatórios já foram encaminhados a esta DIPEX. O propósito da pesquisa empreendida tem sido o de resgatar para a história literária brasileira a obra de escritores da Geração de 451, esteticamente importantes, mas hoje completamente esquecidos, seja por questões de mercado que inviabilizaram essa produção, seja por razões histórico-literárias que em determinado período e contexto cultural facilitaram ou privilegiaram certos procedimentos artísticos em detrimento de outros, ignorando ou detratando tendências, fato que marcou sobremaneira boa parte da crítica literária dos anos 40 e 50. Essa crítica, engajada ideológica e esteticamente com os procedimentos artísticos da primeira geração modernista, não foi capaz de analisar de modo desapaixonado a produção poética desse grupo de escritores, levando assim à cristalização de um panorama acientífico em cujo terreno sempre se opuseram bravamente os contra e os a favor de 45, sem que houvesse uma investigação aprofundada que contemplasse causas verdadeiras como as condições históricas e literárias que propiciaram o surgimento dessa tendência literária; ou estudos estéticolingüísticos que caracterizassem e valorizassem os aspectos poético-expressivos que mais criativamente marcaram a produção do período. Conclui-se, daí, que a poesia da Geração de 45 foi pouco e sempre mal estudada, fato para o qual vários críticos da atualidade têm apontado, estando tal revisão, portanto, ainda por se fazer. Os trabalhos já desenvolvidos e aqui relatados vêm, ainda que de modo lato, visto que os resultados apresentados constituem-se de dados parciais, contribuir para o preenchimento dessa lacuna, refazendo o caminho crítico e estético dessa 1

Em literatura, chama-se Geração o grupo de escritores de uma mesma época comprometidos por procedimentos estéticos semelhantes. Ver a esse respeito as páginas 7-10 e 13-21 deste relatório.


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geração de escritores, corrigindo os possíveis equívocos e omissões dos estudos crítico-literários produzidos sobre o assunto e tentando fixar de modo claro, um posicionamento novo e abrangente a respeito da poesia brasileira contemporânea. Assim, e em resposta ao que foi exposto no projeto de pesquisa, objeto deste relato de atividades, desenvolvemos os trabalhos da pesquisa em duas frentes2: a. analisando a obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos, autor selecionado para esta etapa da investigação e b. reavaliando e confrontando essa obra com a produção crítico-literária referente à Geração de 45 conforme divulgada pelo Jornal Tentativa. Quanto ao método utilizado para a análise do material, seguiu-se a uma formulação descritivo-exegética, atendendo-se às orientações da Estilística Literária, principalmente a de linha espanhola, sem contudo, recusarmos outras teorias ou métodos de aproximação estilística. Nossas fontes principais, porém, têm sido os próprios mestres da estilística idealista, entre os quais: Dámaso Alonso, seu discípulo Carlos Bousoño, e de modo especial Amado Alonso que supera as limitações da estilística idealista, sintetiza as principais tendências e prenuncia certos aspectos da estilística estrutural e da semiótica literária. A estilística assim utilizada tem sido capaz de cobrir cada um dos diferentes aspectos do sistema lingüístico-literário e atender os propósitos de estudar o uso próprio da linguagem, o modo e o material com que a obra está construída, o poder sugestivo das palavras, que prazer estético a obra provoca e o que o poeta tem de criador. Para tanto, a investigação tem se pautado por um procedimento lógico e psicológico que se pretende rigoroso. Acreditando ter cumprido os objetivos propostos para a fases e “Jornal Tentativa” do projeto apresentado, submetemos à apreciação os resultados parciais obtidos pela pesquisa, na esperança de termos preenchido as exigências e expectativas deste Conselho Técnico Científico.

3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1. Quanto ao método 3.1.1. A crítica estilística A preocupação do homem em qualificar sua expressão é bastante remota, vindo desde os pictogramas e ideografismos até nossos dias. A reflexão estética, no entanto, ocupou durante muito tempo espaços esporádicos, atingindo sua 2

Cf. Itens E e F do Projeto de Pesquisa.


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autonomia somente a partir dos retores gregos quando as bases da Retórica Antiga já se haviam afirmado completamente, passando daí pela Poética e Retórica e, destas, à estilística. A partir de Saussure, os estudos da linguagem passam a valorizar duas abordagens autônomas: uma essencial em que a língua é o objeto, e outra secundária, cujo interesse recai sobre a parte individual da linguagem. Nesse contexto, Charler Bally, ampliando o campo de estudo de Saussure, volta-se para a língua espontânea e funda a estilística lingüística. Às suas idéias, contudo, concorrem logo a de outros autores, entre os quais, os franceses, interessados desde as poéticas medievais por questões relativas aos textos literários.3 É, porém, com Karl Vossler (1872-1949) que nasce a Estilística literária. Sob a influência de Vico, Humboldt, Croce, Bergson (intuicionismo) e Husserl (fenomenologia), tenta chegar à fonte espiritual de onde teria se originado a palavra de valor subjetivo e pessoal, vislumbrando uma disciplina idealista, cujas bases e abrangências caberiam a Spitzer assegurar. Adota, pois, os conceitos Humboldtianos de ergon, estado em que a língua se manifesta como instrumento para a comunicação coletiva, e energeia (estado em que é linguagem em caráter volitivo),4 que estuda na língua falada - como Bally - e na literatura, em seu aspecto criativo. Influenciado por esta concepção idealista, Leo Spitzer investe na análise do aspecto estético e essencialmente estilístico da obra, por meio do qual espera revelar a psicogenia do autor. Seu método, assemelhando-se ao da psicologia da forma5 por interessar-se mais por configurações que por elementos isolados, propõe um mecanismo analítico, ao qual dá o nome de círculo filológico6 exercitado também por outros autores que envidariam esforços importantes no sentido de assegurar um lugar de destaque à estilística. Entre tantos7, cumpre destacar Dámaso Alonso e Amado Alonso, cujas obras são das mais representativas. Para Dámaso Alonso, não é possível reproduzir-se a mesma técnica estilística para a análise de qualquer obra, devendo, pois, o objeto de análise ser o determinante do processo mais válido.8 Numa posição radicalmente estética, aprofunda também o juízo Saussuriano de signo, combina significante e significado e defende a idéia de que o significante inclui o som (aspecto físico) e sua imagem acústica (psíquica) que tanto pode ser vazia de sentido, como pode conter um ou uma 3

Cf. GARCÍA MOREJÓN, Júlio. Limites de la estilística. El idearium crítico de Dámaso Alonso. Assis: FAFIA, 1961, p. 45. Ver também BALLY, Charles. Traité de stylístique française. 3ª ed., 2º vol. Genève: Georg/Paris: Klincksiek, I, 1951, p.16. 4 Cf. MARTÍN, José Luis. Crítica estilística. Madrid: Gredos, 1973, p. 151-3 e KAISER, W. - Análise e interpretação da obra literária. 7ª ed. Coimbra: A. Amado, 1985, p. 304 5 Tradução do alemão Gestaltpsychologie (Werthreimer -1880-1943; Koffka - 1886-1941; köhler - 1887-1967). 6 SPITZER, Leo. Lingüística e história literária. 2 ed. Madri: Gredos, 1968, p.7-53. 7 G. Devoto e Alfredo Shiaffini na Itália, Carlos Bousaño, na Espanha e Pierre Guiraud na França. 8 Poesia espanhola (Ensaios de métodos e limites estilísticos). Rio de Janeiro: I N L, 1960, p. 371.


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série de significados. Se para Saussure o significado é conceito preciso e os significantes portadores de conceito numa relação arbitrária, para Dámaso, o significado é uma carga psíquica complexa e não apenas um conceito já que entregase à afetividade, à emoção, à imaginação, podendo conter em si, como na metáfora, uma série de significados parciais. Assim, numa espécie de ampliação das noções de significante e significado, fixa seu juízo de obra literária a partir da revitalização do conceito de forma que passa a dar conta, então, não de um, mas dos dois aspectos, de modo que a investigação estilística possa ser feita a partir de uma forma exterior (do repertório de significantes de um autor, época, etc., em direção ao significado) ou em trajeto oposto, numa perspectiva de homogeneidade e indissolubilidade entre a enunciação e o enunciado, já que o estilo configura-se como síntese e interdependência dos diversos níveis do discurso. Quanto a Amado Alonso, sem o teor polêmico que se observa na maioria dos estilólogos, reconhece a existência de duas estilísticas complementares, embora diga apoiar-se em Vossler, cujas limitações esforça-se para superar. Como Dámaso, acredita que se deva enfocar o sistema expressivo por inteiro, já que toda obra é criação de uma estrutura que prevê e ordena sua forma, do aspecto idiomático ao jogo de conteúdos.9 Por conseguinte, concebe a estilística como o estudo da obra literária a partir de dois aspectos que considera essenciais, quais sejam: a obra como produto criado (como está construída) e como atividade criadora (que prazer estético provoca), concentrando a análise nas particularidades de cada um desses aspectos de acordo com o papel estrutural e funcional que desempenham. Todo seu esforço é no sentido de desvendar o estilo como singularidade de um artista. Considera, pois, a obra como topos estrito do estilo, sem, contudo, desprezar as influências externas a que possa estar vinculada, desde que estas influências estejam objetivadas como atos estéticos. Assim, valorizando a linguagem, atribui à estilística, tanto o poder de descobrir o prazer estético, como a tarefa de saber da estrutura interna da obra: como e porque é uma construção de significâncias e que prazer move o leitor ou poeta na entrega à estesia da arte. É este o procedimento adotado por nós na análise da obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos.

3.2. Quanto à Geração de 45 A primeira metade deste século registra uma série de fatos que marcam profundamente a vida ocidental. A radiofonia e a telegrafia se desenvolvem 9

ALONSO, Amado. Materia y forma en poesia. 3ª ed. Madrid: Gredos, 1986, p. 86 e 90.


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melhorando as condições de comunicação, surgem os transatlânticos, os aviões de grande porte, cinema, e os primeiros movimentos de vanguarda: Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo e duas guerras mundiais. É, pois, nessa atmosfera de alterações culturais, artísticas e sociais que "os futuristas propõem uma poesia baseada na' celebração da agressividade e 'audácia; na abolição do passado; na exaltação à guerra e ao militarismo; no culto às fábricas e às máquinas"10; levando a efeito uma cesura estética profunda que altera radicalmente a relação entre o artista e sua arte, que se afasta cada vez mais da antiga expressão imitativa e impressionista da realidade. As artes assumem, então, caráter prático e experimental, uma certa "anarquia" estrutural, freqüentemente revivida, aliás, como metáfora chave de todas as vanguardas posteriores. A nova realidade artística recebe a sigla genérica de modernismo e caracteriza-se como um complexo estilístico, um conglomerado de tendências amparadas pelo princípio da (des)ordem, pela multiplicidade de meios expressivos, pela necessidade de substituição constante de valores, desprezo pela lógica, valorização da subjetividade como recurso à exploração do inconsciente, concepção lúdica da arte, apego ao relativo e circunstancial, apego às imagens reveladas do cotidiano e interesse pela ordem social como meio de assegurar certo compromisso com a realidade, comportamentos condizentes, aliás, com o fato de que foi no século XX que "o conhecimento sofreu [...] grande ruptura a que concorreu a teoria da relatividade de Einstein; a teoria psicanalítica de Freud; a filosofia de Nietzsche e a teoria econômica de Marx"11. Ponto comum a todas essas teorias, "o questionamento do lugar do homem como sujeito do conhecimento" é marca fundante da modernidade.12 Os primeiros sinais do movimento, em nosso país, se fazem sentir a partir de 1912 e, ao findar a década, já notava-se um prenúncio da agitação que pretendia contemporizar nossas ações culturais com o que se passava na Europa. Realiza-se a Semana de Arte Moderna e os primeiros anos pós-semana de 22 são fartos de exibicionismos. Surgem polêmicas, manifestos, e publicações que registram a segmentação da nova estética. Tudo é curiosidade: descoberta mágica e deslumbramento para uma geração que se sente livre das injunções acadêmicas.13 No final dos anos 20, no entanto, já estava em curso o esgotamento da avalanche revolucionária. O discurso poético adquire novo ritmo e uma nova geração de modernos, livre da tarefa de desbravamento, começa a consolidar, na prática, as conquistas teóricas até então conseguidas. É tempo de uma interpretação menos 10

CADEMARTORI, Lígia. Períodos literários. 2 ed. São Paulo : Ática, 1986, p. 62-3. Ibidem, p. 62. 12 Loc. cit. 13 CÂNDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Nacional, 1965, p. 145. 11


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pitoresca do país, mas é, sobretudo, o tempo em que os frutos do Modernismo amadurecem. As duas formas iniciais de inovação - pela linguagem e pelos temas parecem já exauridas e passa-se da fase de alumbramentos (1922-30), para uma postura de concretização (30-45) e crítica das descobertas. Os anos 30 são anos de crise. O comunismo e o nazi-facismo em ascensão dão nova cor à cena política e marcam o acirramento das tensões ideológicas em todo o mundo. No plano literário interno, é época de uma literatura infiltrada de sensibilidades participantes; e o palco da intelectualidade brasileira vai sendo preenchido por obras como Casa grande e senzala (Gilberto Freyre) e Formação do Brasil Contemporâneo (Caio Prado Júnior). No final dos anos 30, alguns escritores da segunda geração, outros, veteranos de 22, livres da preocupação com o academismo, começam a aprofundar suas pesquisas, nos temas e nos modos de expressão, "abrindo, ainda que lentamente, para certos aspectos universais".14 Quanto à composição, a demanda acentua-se em torno das formas tradicionais e embora não se trate de um retorno ao academicismo, nota-se uma elaboração mais complexa do discurso pela adoção eventual da métrica, o reaparecimento do soneto e uma tímida recontextualização de certos modelos da lírica tradicional.15 Chegam os anos 40 e a poesia de Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, apesar de tematicamente antagônicas, assumem a posição de protagonistas no novo diálogo: recondicionam as regras do verso, buscam a forma e o equilíbrio, pensam o poema como um artefato. Ao chegar os anos de l950, modernistas como Drummond, Bandeira, Jorge de Lima e Murilo Mendes já haviam retomado os modelos tradicionais de composição. "O modernismo persiste através de aspectos fundamentais em todas as obras, mas esta persistência" requer, agora, "o concurso de novos" e "antigos elementos de composição"16. Obsediada pela forma e influenciada pelas últimas alterações 17 literárias , a terceira geração modernista que então surgia oferece um produto literário resultante de pesquisa formal e interior condizentes com as exigências de seu tempo, embora seus poetas tenham sido acusados de lançarem mão de meios expressivos negativos ou historicamente contraditórios. Com isso, foi-se acostumando a olhá-la de soslaio e não raro com desprezo.

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TELES, Gilberto Mendonça. "Para o estudo da geração de 45". Revista de Poesia e Crítica, Brasília, 12: 19-46, 1986, p.20. V. Sentimento do mundo de Carlos Drummond de Andrade publicado em 1940. 15 V. Novos poemas (1946-7) e Claro enigma (1948 - 51) de Carlos Drummond de Andrade e especialmente Novos poemas (1938) de Vinícius de Morais, que se torna ponto de referência para os poetas de 45. 16 MACHADO, Duda. Um enredo de diálogos: Tramas e legados na poesia brasileira a partir de 22. Revista USP, 11: 129-137, set., out., nov., 1991, p. 135. 17 A retomada de certos modelos tradicionais de composição (metro, rima, formas líricas) e de uma laboração mais elevada e complexa da linguagem, iniciam-se na poesia brasileira ainda nos anos 30.


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3.3. Quanto ao material Por tratar-se de uma pesquisa exclusivamente de cunho bibliográfico em que não vale a observação, mas a reunião, conferência, comparação e maturação de informações muito díspares e dispersas, realizamos a leitura e fichamentos das obras de criação bem como do material teórico à medida que essas obras foram sendo encontradas em bibliotecas públicas de São Paulo e Rio de Janeiro e em acervos pessoais dos próprios autores, objetos da pesquisa, visto que a biblioteca da UNIR ainda não está aparelhada para oferecer condições aceitáveis para uma biblioteca universitária na área de Letras. Valemo-nos então de consultas à Biblioteca Nacional (Rio de Janeiro) onde adquirimos, com recursos próprios, lotes de textos microfilmados, outros transpostos em papel, à respeito da geração de 45. Consultamos ainda o acervo da referida biblioteca, sendo possível arrolar toda a bibliografia encontrada sobre os seguintes autores: Alphonsus de Guimarães Filho Bandeira Tribuzi Carlos Pena Filho Cyro Pimentel Domingos Carvalho da Silva Geir Campos Hilda Rilst Ilka Brunhilde Laurito João Cabral de Melo Neto Lêdo Ivo Laís Correa José Paulo Paes Manoel de Barros Marcos Konder Reis Mário da Silva Brito Mauro Mota Moacir Félix Osvaldino Marques Paulo Mendes Campos Renata Pallottini


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Stela Leonardos Thiago de Mello Algumas obras de criação de autoria dos escritores acima relacionadas já foram adquiridas (em forma de microfilmes, cópias em xerox ou por doação) e o serão na medida da possibilidade dos recursos. O mesmo se tem feito com o material teórico sobre os autores. Tarefa semelhante foi efetuada junto à Biblioteca Mário de Andrade (São Paulo), à Agência JB de serviços de imprensa e ao Serviço de Biblioteca e documentação da Faculdade de Direito da USP, instituições onde adquirimos cópias xerográficas ou em microfilmes de jornais e periódicos dos anos 40 e 50 com artigos, comentários e críticas sobre as obras e os autores arrolados no projeto. Consultamos também a biblioteca da FCLA da Universidade Estadual Paulista UNESP (Assis - SP), que nos forneceu material sobre os seguintes autores: André Carneiro, Ferreira Gullar, Marcos Konder Reis, Domingos Carvalho da Silva e Péricles Eugênio da Silva Ramos. Fizemos, ainda, consultas a outras bibliotecas públicas, sebos e livrarias, e consultamos a biblioteca particular do poeta André Carneiro, que também entrevistamos. Mantivemos correspondência com os escritores Lêdo Ivo, André Carneiro e Ciro Pimentel, entre outros, que nos forneceram informações, (ainda por merecer melhor organização, mas já arroladas nos itens 2.2 e 3 deste relatório) sobre a Geração de 45: suas posições, avanços e possíveis enganos. É importante citar as dificuldades materiais que temos encontrado quanto ao acesso aos dados da pesquisa, já que constituem-se, como foi dito (Cf. p 10), em material diverso e esparso em bibliotecas e acervos particulares em outros estados. Frise-se, portanto, que por tratar-se de um trabalho que cobre toda uma geração de escritores elencados aqui em André Carneiro, Afonso Ávila, Afrânio Zuccoloto, Alphonsus de Guimarães Filho, Antônio Rangel Bandeira, Artur Eduardo Benevides, Bandeira Tribuzi, Bueno de Rivera, Carlos Pena Filho, Cyro Pimentel, Darci Damasceno, Domingos Carvalho da Silva, Fernando Ferreira de Loanda, Ferreira Gullar, Geir Campos, Hilda Rilst, Ilka Brunhilde Laurito, João Cabral de Melo Neto, Jorge Maduar, José Paulo Paes, Lago Brunett, Laís Correa de Araujo, Lêdo Ivo, Manoel de Barros, Marcos Konder Reis, Mário da Silva Brito, Mauro


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Mota, Moacir Félix, Osvaldino Marques, Paulo Bonfim, Paulo Mendes Campos, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Renata Pallottini, Stela Leonardos, Thiago de Mello, isto é, em trinta e cinco autores, a coleta de dados será uma tarefa permanente, pois cada poema, artigo, nota encontrada poderá influenciar nossos resultados, dada à divergência das opiniões e disparidade qualitativa do material até agora averiguado. Cite-se a exemplo, que, se por um lado, ainda não encontramos informações suficientes sobre autores como Afonso Ávila, Afrânio Zuccoloto, Antonio Rangel Bandeira, Artur Eduardo Benevides, Bueno de Rivera, Darci Damasceno, Fernando Ferreira de Loanda, Jorge Maduar, Lago Brunett, de Araujo, Paulo Bonfim, por outro, fomos surpreendidos com a doação de uma coleção completa do jornal literário Tentativa publicado em Atibaia - SP entre os anos 40 e 50, e que, pela análise prévia já feita, revela-se como um dos mais importantes órgãos de divulgação do período. Este jornal era até então considerado desaparecido, até que – guardada há mais de quarenta anos sem muita razão aparente, por um escritor, – esta coleção foi encontrada por nós.

4. RESULTADOS 4.1. Quanto à Geração de 45 4.1.1. Síntese histórico-literária Com os estudos realizados, concluiu-se que o que caracteriza o Modernismo, como diz Mário de Andrade, é "o direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional".18 As palavras de Mário estão situadas exemplarmente em um momento (1942) importante para as artes nacionais: encerrado o período de recontextualização das correntes artísticas européias e atenuado o que fora impulso nacionalista autodefensor, os artistas encontravam-se diante das mais amplas liberdades. Vinte anos já haviam se passado desde a Semana de Arte Moderna e seus pressupostos, vistos antes com surpresa e encanto, são agora matéria conhecida e destituída da aura festiva e revolucionária. Com isso, verifica-se uma atitude cada vez mais racional e objetiva da criação moderna. E a poesia, tendo já conquistado autonomia, estatuto de modernidade e acreditando em sua própria viabilidade, 18

Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Martins Editora, 1972, p. 242.


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incursiona por certas técnicas de linguagem a pouco abandonadas, "porque exauridas pela retórica parnasiana"19. Surgia, assim, por volta de 1940-45 as primeiras obras de um grupo de escritores denominados, posteriormente, de Geração de 45.20 A obra desse grupo, especialmente a dos poetas, caracterizaria-se, sobretudo, pela tendência à disciplina, ordem, reflexão e rigorismo; pela insistência a uma densidade na expressão, pela pesquisa formal obsessiva e, conseqüentemente, pelo distanciamento do discurso ascendente à linear e prosaico das fases anteriores. A contribuição mais importante da parte desses poetas, contudo, advém de certo afã revitalizador: vão ao encontro às obras de T. S. Eliot, Valery, Ungarety, Garcia Lorca, Daylan Tomas, René Char, Paul Eluzd, Rilk, Langston Hugles, Stephem Spender, Neruda, Fernando Pessoa, etc., como se pode ver citado e traduzido nos principais veículos de divulgação de 45, (Revista brasileira de poesia, Revista de poesia e crítica, Orfeu) e integram-se numa tendência poético-cultural esteticista de ressonância internacional. A crítica brasileira tem se dividido antagonicamente quando trata de 45. José Guilherme Merquior, Nelson Wernek Sodré e Affonso Romano de Sant'Anna acusam-na de retrocesso estético, alheamento quanto a uma atitude participante sustentada nos decênios de 20 e 30 e de desserviço ao modernismo devido a uma suposta oposição à 22. Outros críticos, como Álvaro Lins, Tristão de Ataíde, Sérgio Milliet e recentemente Gilberto Mendonça Teles, voltados mais para o produto de suas experiências do que para os meios utilizados por esses, têm defendido sua importância e apontado suas contribuições à lírica brasileira moderna. Ainda mal estudada, e sempre motivo de polêmica, a geração de 45 continua sendo uma incógnita. Se por um lado, faltam estudos analíticos e comparativos, por outro, há sempre um poeta ex-45 tentando reeditar velhas polêmicas entre modernismo de continuidade e/ou de ruptura. Ruptura e continuidade, a Geração de 45 "rompia com 22 empregando a crítica áspera como convém a moços idealistas à procura de um caminho"21, mas sem conseguir ir muito além de um prolongamento, aprofundando e retificando algumas descobertas modernistas anteriores. A literatura da nova geração corria impressa em livros e revistas como a Joaquim, Orfeu, Revista brasileira de poesia e Jornal Tentativa dirigido por André Carneiro. Mas a despeito da produção literária, foram os depoimentos de pseudo-oposições a 22 o que se tomou, animando os ânimos, como ideologia estética e motivo de acusação contra 45. 19

TELES, Gilberto Mendonça - Op. cit. p. 19 MOISÉS, Massaud. História da literatura brasileira - Modernismo. São Paulo: Cultrix, 1989, p.382-437 e COUTINHO, Afrânio, dir. & COUTINHO, Eduardo Faria, Co.dir. - A literatura no Brasil. 6 v, 3 ed. rev. Rio de Janeiro: José Olympio/Niterói: EDUFF, 1986, v.4, p. 372. e v5, p. 199-223. 21 MOISÉS, Massaud. História da literatura brasileira - Modernismo. São Paulo: Cultrix, 1989, p.386-7. 20


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Entre tais depoimentos, encontram-se peças importantes de vários escritores e críticos prós e contra 45, entre os quais, Lêdo Ivo, o mais combatente entre eles, que em um desses testemunhos, lamenta pertencer "a um movimento que não quer realizar a sua própria revolta"; a uma geração que tem feito "muito pouco" para quem pretendia, segundo ele, "ultrapassar as lições dos modernistas".22 A Geração de 45, comenta Lêdo Ivo, exprime "um novo estágio da inteligência e da capacidade de rebelião brasileira" contra a repetição e a "desatualização estética" em que o Modernismo se transformara. "E não deixa de ser estranho"- reclama - que alguns historiadores porta-vozes da nostalgia de 22 insistam "em situar a Geração de 45 como continuadora" da fase anterior. "Continuadora de quê?" 23, indaga o escritor. São diversos os autores que respondem a essa pergunta. O primeiro talvez seja Tristão de Ataíde, cuja resposta antecipada é de 1947: "Vejo antes de tudo que o movimento não [...] se manifesta como uma ruptura e sim como um prolongamento "do Modernismo24, diz, mas é a própria obra de Lêdo Ivo que, sem nenhum favor, revela-nos isso, pois a base de sua poesia sempre foi modernista, desde As imaginações de nítida influência muriliana e à Jorge de Lima até a sintomática distensão classicisante em Soldado raso. Em um dos artigos da série Geração de 45 publicado no Diário Carioca em 1952, João Cabral de Melo Neto defende a idéia de que os poetas de 45 padeciam dessa vinculação com a tendência anterior. Os novos, diz, nada mais fizeram do que desenvolver as tendências díspares dos poetas criadores de 30: "cada estreante" lançou "mão de uma experiência técnica já confirmada, para levantar o próprio vôo".25 Já o poeta Péricles Eugênio da Silva Ramos, que ao abrir o número um da Revista Brasileira de Poesia tem a mesma opinião26, diz num artigo- “resposta" à João Cabral, com o intuito de polemizar, que os poetas de 45 não eram jamais a extensão de 30 e sim aglutinadores das experiências modernistas e da tradição lírica brasileira com o objetivo de atingirem uma nova poesia.27. E mais adiante, ("O que é 45", 29-05-66 ), formando seu rastro de opiniões contraditórias (o que é muito comum nos documentos criados pelos autores de 45) faz sua mea-culpa dizendo que 22

IVO, Lêdo - "A geração de 45". A manhã . Letras e artes. Rio de Janeiro, 18 de set. 1949, p. 4, 12 e 14. Epitáfio do Modernismo. Poesia observada ( Ensaio sobre a criação poética e matérias afins) Rio de Janeiro: Orfeu, 1967, p. 147. 24 "O neomodernismo"- Letras e artes. A Manhã. Rio de Janeiro, 24 de agosto 1946. Supl. lit. 25 Diário Carioca, 23 de nov., 1952. Ver também o artigo de 7 de dez. 1952. 26 "O Neomodernismo" - Revista Brasileira de Poesia. São Paulo, 1: 2-4, dez. 1947. 27 Geração de 45: alguns artigos e um prefácio. Correio Paulistano. 23 de jan. 1953. Ver também (SILVA, Domingos Carvalho da - "O que aconteceu com a Geração de 45". Escritores e livros. Correio da Manhã, Rio de Janeiro 24 de jan. 1953.) outro artigo resposta a J.C.M.N. que estava querendo Cf. D.C.S. "marcar a cada um de nós com a 'trade-mark' dos gagás de 22. " 23


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alguns de seus companheiros atacaram indevidamente as Gerações de 22 e 30, e confessa: era apenas um "recurso publicitário", mesmo que para isso, tenham atacado - com a inconseqüência dos iludidos - não a poesia, porque se nutriam dela, mas as pessoas de Jorge de Lima, Murilo Mendes, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, etc. Sem serem contra e não estando a favor de 45, são as abordagens que seguem, as que julgamos mais objetivas e importantes sobre a produção poética da terceira geração modernista, coincidindo, todas, com a premissa de que a partir dos anos 40 a poesia brasileira adquire preocupação estética, sem, no entanto, abandonar o espírito modernista. Afrânio Coutinho julga que a Geração de 45 "aprofunda a depuração formal" e regressa "a certas disciplinas quebradas pela revolta de 22, restaurando a dignidade e severidade da linguagem e dos temas, policiando a emoção por um esforço de objetivismo e intelectualismo, e restabelecendo alguns gêneros fixos"28 Em consonância com Afrânio Coutinho, nota Alfredo Bosi que, já na década de 30, "as cadências intimistas se resolviam amiúde em metros e em formas tradicionais" como o soneto e a ode, de modo que "a reelaboração de ritmos antigos e a maior disciplina formal nada continham [...] de polêmico em relação ao verso livre modernista", mesmo porque "as conquistas de 22, já estavam incorporadas à praxis literária"29 dos autores. Lembra, ainda, que Mário de Andrade via "com simpatia e lucidez a renovada atenção ao trato da linguagem artística, sentindo nela ora o aprofundamento, ora a natural superação de certas aventuras modernistas",30 com a ressalva de que, "apesar desses elos evidentes, alguns poetas amadurecidos durante a II Guerra Mundial pretenderam isolar os cuidados métricos e a dicção nobre de sua própria poesia elevando-os a critério bastante para se contraporem à literatura de 22".31 É dessa (am)bivalência, acrescenta Bosi, que nasce a geração de 45, cuja atuação foi sempre e a um só tempo negativa e positiva na medida em que, se por um lado, "subestimava o que o modernismo trouxera de libertação e de enriquecimento à cultura nacional", por outro, "repropunha alguns problemas importantes de poesia que nos decênios seguintes iriam receber soluções díspares" "mas de qualquer modo, mais conscientes do que nos tempos agitados do irracionalismo de 22." 32 Sobre o mesmo assunto, diz Gilberto Mendonça Teles que 28

COUTINHO, Afrânio, dir. & COUTINHO, Eduardo Faria, Co.dir. - A literatura no Brasil. 6 v, 3 ed. rev. Rio de Janeiro: José Olympio/Niterói: EDUFF, 1986, v.4, p. 372. 29 História concisa da literatura brasileira. 3 ed. São Paulo: Cultrix, 1986, p. 519. 30 Loc.cit. 31 Idem. 32 Idem.


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"A poesia da geração de 45 situa-se perfeitamente dentro do sentido de transformação do discurso poético do modernismo. Não continuou as tendências modernistas, copiando-as, exaurindo-as ou repetindo-as arquetipicamente; continuou, mas no sentido de que soube imprimir à dicção modernista uma nova dicção, pressentida por alguns poetas de 22 e deixada à margem, uma vez que outros aspectos adquiriram prioridade (...)". 33 A Geração de 45 encontra uma sensibilidade literária já formada, e os desvios em relação a essa sensibilidade que começava a ser vista como tradição são entendidos, erroneamente, como uma negação ao moderno. Cerceada em sua liberdade de expressão e divulgação, estigmatizada de reacionária e de ter sido uma negativa e um retrocesso em nossa história cultural, a geração de 45 antes de vitimar o modernismo, tem sido vítima de algo como que uma falta de decoro crítico. Sempre suscitando polêmicas, foi, até aqui, mais acusada do que estudada. É preciso desfazer, portanto, alguns equívocos críticos que mesmo furtando-se à análise da obra produzida, são tomados muitas vezes como avaliações definitivas sobre o grupo. São comentários fortuitos, não raro globalizantes por meio dos quais, aqueles que ainda "lhe são contra" insistem em sê-lo ferrenhamente, emitindo "juízos de valor [...] sem entrar em comprovações mais específicas".34 Fazem, via de regra, uma crítica carregada de agressividade, preconceito e denotadora de desconhecimento de causa. Quanto aos que apoiam 45, muitos o fazem por "obrigação". Geralmente membros do grupo, defendem-no "por instinto de sobrevivência e com uma dose de sentimentalismo"35 não menos denunciadora de suas fraquezas e incongruências, pois faltando-lhes um programa, pesa contra eles o pluralismo de posições e a heterogenia do grupo. Como sugere Lêdo Ivo em poema transcrito a seguir, cada autor comporta-se como se fosse toda uma geração a contradizer-se a si e uns aos outros. Isso, porém, não é nenhum defeito, antes uma característica que deve ser assumida e estudada. Não pode haver dúvida hoje sobre o valor, diversidade e complexidade da obra desses poetas, mesmo que críticos importantes36 tentem abortar um ou outro 33

Para o estudo da geração de 45. Revista de poesia e crítica. Brasília, 12:19-46, 1986, p.21. SANT'ANNA, Afonso Romano de. Música popular e moderna poesia brasileira. Petrópolis: Vozes, 1977, p. 206. 35 Loc. cit. 36 Affonso Ávila em O poeta e a consciência crítica. São Paulo: Summus, 1978, p. 79-84. Defende como outros autores a exclusão de João Cabral do rol de 45. O mesmo acontece com João Alexandre Barbosa (A metáfora crítica. São Paulo: Perspectiva, 1974, p.139.) e Haroldo de Campos (Apud SANT'ANNA, Afonso Romano. op. cit. p. 41.). 34


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autor (que lhe são caros) dos laços com 45 para diminuir-lhe o prestígio enquanto grupo, como Lêdo Ivo, entre saudoso e arrependido: Em 45 éramos uma legião Hoje sou, sozinho uma geração e ao que antes fui (...) digo sempre não. 37 A Geração de 45 não foi apenas João Cabral e Lêdo Ivo, mesmo que sejam os únicos notoriamente reconhecidos como tal, e justamente aqueles que se julgam acima e fora do grupo. Nem todos os poetas de 45 conseguiram desenvolver um projeto indispensável à poesia brasileira, como nenhuma geração conseguiu ou conseguirá por completo, mas poucos mantiveram-se fiéis à ideologia literária inicial. Com o amadurecimento das experiências individuais, cada um construiu sua própria poética, seu próprio estilo, pautado por um espírito modernista abrangente, para impor suas obras como algo necessário. É nesse sentido que não se pode esquecer de um poeta como Péricles Eugênio da Silva Ramos, que a despeito do valor da obra produzida ainda não recebeu, pelo menos, o destaque que lhe é devido. Para que se possa avaliar melhor a contribuição desses poetas, que coincidentemente fizeram parte da geração de 45, é necessário rever um conjunto de opiniões oficiais: Nelson Wernek Sodré38, Eduardo Portela39 que tudo vêem de errado em 45: uma geração "reacionária", "antimodernista", "fracassada" ou de "bons meninos meditabundos" como prefere José Guilherme Merquior40. Sem isso insistiremos nas conclusões superficiais que se nos oferecem sobre o conceito "45" de geração. Segundo Ortega y Gasset "as gerações nascem uma das outras, de modo que a nova se encontra já com as formas dadas pela anterior". Dessa relação de afluência, Ortega retira as noções de épocas acumulativas e épocas eliminatórias ou polêmicas entendendo que: nas primeiras, os novos jovens, solidarizados com os velhos, subordinam-se a eles; na política, na ciência, e nas artes seguem 37

O soldado raso. 2 ed. Recife: Edições Pirata, 1980, p. 56. A crise formalista. In: História da literatura brasileira. 8 ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 1988, p. 530-517. 39 Apud SANT'ANNA, A.R. de - Op. cit. p. 41. 40 Falência da poesia ou uma geração enganada enganosa: os poetas de 45. In: Razão do Poema, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1965, p. 33-40. 38


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dirigindo os anciãos. São tempos de "velhos". Nas segundas, como não se trata de conservar e acumular e sim de demolir e substituir, os mais velhos quedam e são substituídos pelos moços. São tempos de jovens, épocas de iniciação e revolução construtiva 41 A história e o ideário de 45 está permeado de incongruências. Se de início aceitava-se - como impunham-se os de 45 - a idéia de época eliminatória ou polêmica na terminologia de Ortega y Gasset, sabe-se hoje que 45 foi, sem outra opção, uma época acumulativa. Nesse sentido, damos razão a Eduardo Portela quando diz que "o panorama internacional e os enganos teóricos de 30 e 37 ensejam o episódio de 45", e que seus homens, não sabendo "o que fazer com o cadáver do Estado Novo, tropeçaram nele"42. O mesmo se pode dizer em relação à arte, com a diferença de que não houve propriamente um tropeço, mas um aceite da tradição e devido ao "retorno da normalidade institucional conseguida em parte com a Constituição de 46, certo amaneiramento do sentido dialético próprio a épocas de disputa. Essas resoluções históricas independem da ideologia literária, embora provoquem forte mal-estar em alguns críticos mais dogmáticos e artistas ainda seduzidos pelo "derrame" de 22. Mal-estar, aliás, que se converterá em críticas contra a geração de 45 que apenas continuara um estilo cuja origem situa-se dentro da fase de transição pós 1930. A geração de 45 não pode ser concebida apenas como uma divergência ao pensamento moderno, e seus feitos não podem ser analisados de tal maneira absolutista. É necessário a observância do modo como as estruturas ideológicas geracionais se compõem e "vê-las simultaneamente agindo e interagindo". É necessário perceber o valor e a função de cada uma "em si mesma e em relação com as outras porque recontextualizar não é o mesmo que retroceder como se acusa sempre às gerações acumulativas.43 A concepção, segundo Ortega y Gasset, de épocas que se entregam ao desenvolvimento de idéias anteriores se ajusta perfeitamente à prática da geração de 45. Continuou-se a pesquisar dentro do espírito inaugurado pelo modernismo, como se a obra de 22 e 30 já estivesse concluída em seus princípios gerais, e os novos, com suas características de minuciosidade e obsessão formal, estivessem "preenchendo algumas lacunas" quanto ao tratamento da linguagem poética 44.

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La idea de las generaciones (El tema de nuestro tiempo). In: Obras completas. Tomo III, 5 ed., Madrid: Revista de Occidente, 1962, p. 148-9. 42 Apud SANT'ANNA, Affonso Romano de - Op. cit. p. 41. 43 TELES, Gilberto Mendonça. Para o estudo da geração de 45. Revista de poesia e crítica. Brasília, 12:1946, 1986, p. 25. 44 Loc. cit.


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No panorama literário dos anos 40 é possível ver poetas e leitores que ainda não são modernistas. Onestaldo de Pennafort, Tarso da Silveira e Murilo Araújo insistem em alguns valores parnasianos e pós-simbolistas conservando resíduos universalistas e espiritualistas, mas sem se oporem ao modernismo. Tais autores atravessam o período 22-45 e conseguem influenciar, nos anos 40, autores como Alphonsus de Guimaraens Filho e Henriqueta Lisboa.45 No centro das questões literárias estão os nomes que vêm do movimento de 22, e prontos para assumirem o poder, estão aqueles surgidos a partir de 1930. Perifericamente, os novos e novíssimos "lutam contra a situação da atualidade [...] e começam a achar que os da década de 30 vão sendo influenciados pelas suas [...] idéias", ("o que realmente acontece").46 De resto, "o estilo modernista transcende" as gerações e as "engloba [...] de tal modo", que os de 45 só se imaginam novos indo ao encontro a esse estilo47. São, àquele momento, jovens atenciosos aos conselhos de Mário, Menotti e Milliet, criam jornais que sobrevivem da colaboração dos veteranos, organizam antologias (com Manuel Bandeira), fazem pseudo oposição aos mestres para estarem em evidência (mas os mestres não se importam) e sonham reeditar o Modernismo em Atibaia - SP como fizeram André Carneiro e César Mêmolo seduzidos pelos acenos de Oswald de Andrade em 1950. Como se vê, a geração de 45 constitui uma terceira fase do movimento iniciado em 22, sendo, pois, uma continuação dele. Teve um sentido universalista, de preocupação com o homem não só na literatura, mas no comportamento e nas artes,48 e legou às gerações seguintes a consciência da necessidade de preocupação com os meios formais e a busca da expressão. Criar nova expressão a cada verso foi a ambição maior desses poetas, como veremos à frente ao tratarmos especificamente da obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos.

4.2.. Resultados quanto ao Jornal Tentativa 4.2.1. Preliminares O objetivo desta fase do projeto foi o levantamento da produção crítica e literária da geração de 45, no Jornal Tentativa (1949-1951), periódico bimestral, publicado 45

Cf. COUTINHO, Afrânio, dir & COUTINHO, Eduardo Faria, Co.dir. - A literatura no Brasil. 6 v, 3 ed. rev. Rio de Janeiro: José Olympio/ Niterói: EDUFF, 1966, v. 4., p. 372. 46 TELES, Gilberto Mendonça - Op. cit. p. 25. 47 Loc. cit. 48 A estética da geração de 45 está presente, por exemplo, na pintura e na arte gráfica de Carlos Scliar e na música dodecafonista do compositor amazonense Cláudio Santoro.


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em Atibaia, cidade do interior de São Paulo, tendo como responsáveis André G. Carneiro (Diretor Responsável), Cesar Memolo Jr (Diretor-secretário) e Dulce G. Carneiro, Assistente. Foram publicados treze edições bimestrais do jornal, duas delas, números 12 e 13, a cargo apenas de Cesar Memolo Jr., mudança esta que não altera as características do jornal que teve entre seus colaboradores alguns dos nomes mais importantes do meio literário nacional da época como Lêdo Ivo, Cyro Pimentel, Henriqueta Lisboa, Sérgio Millet, Décio Pignatari, Vinícios de Moraes, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Otto Maria Carpeaux, Oswald de Andrade, entre outros. Assism, e a considerar a importância dos seus colaboradores, é possivel concordar com seus diretores que Tentativa, consolida-se como veículo de divulgação literária em apenas dois anos de publicação, configurando-se em um importante acervo cultural, podemos afirmar. A primeira edição do Jornal teve a apresentação assinada por Osvald de Andrade que elogia a iniciativa dos jovens editores em criar um novo veículo de divulgação, afirmando que “num voto de humildade” chamava-se de Tentativa, um jornal literário, que já nascia importante, “sem saber”, continua Oswald, “que alcançam com esse nome todo o grave sentido que tomou a humana poesia” à partir de Hölderin. Esta apresentação assinada por autor tão importante, serve de impulso para que Tentativa dê seus primeiros passos com segurança e aceitação garantida. Serve também, poderíamos dizer, respeitando as características do seu autor, como prefácio aos textos ora controversos e agressivos, ora ingênuos que passam a ser veiculados por esse jornal que acredita poder fazer polêmica em relação à poesia como sempre fizera seu apresentador. É importante ressaltar, contudo, que este fato chama a atenção para o jornal que passa a servir de espaço propício à geração de jovens valores que então surgia. Quanto às matérias que compõem Tentativa, encontramos desde poemas recebidos de diferentes pontos do país e do exterior à notas sociais, passando pelos contos, crônicas, comentários críticos, textos ligados ao teatro, estudos folclóricos e entrevistas que querem saber, principalmente, a opinião dos escritores sobre uma possível oposição entre as gerações de 22 e 45. Entre essas entrevistas, é possível destacar aquelas concedidas por Graciliano Ramos, Sérgio Millet, José Lins do Rêgo e Otto Maria Carpeaux, além de depoimentos de autores como Lygia Fagundes Telles, José Escobar Faria e Oscar Mendes. Durante seus treze números o Jornal procurou manter certa isenção às questões de política literária, ressaltando sempre que não estava a disposição apenas da produção dos novos escritores, estando, pois, aberto à colaboração dos autores que vinham das gerações anteriores. O mesmo comportamento observa-se em relação às questões de política partidária, tentando manter-se neutro e sem tomar partido entre as forças políticas que disputavam a cena do poder no início dos anos cinqüenta. Há que se observar, contudo,


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que tal neutralidade se deva talvez por força das ameaças de prisão, exílio e tortura empreendidas pelo Estado Novo. Nesse particular, “o jornal não se deixaria envolver”, diz seus diretores, “mantendo-se sobriamente independente”, como um jornal democrático e deixando “suas colunas abertas aos intelectuais de todas as facções”. Tal preocupação é justificada. Basta dizer que um de seus editores e exilado anos depois por envolvimento em questões políticas. É necessário salientar, contudo, que a “coragem e auto-suficiência” dominam até certo ponto, já que Tentativa mesmo se auto definindo como um jornal democrático, não se posiciona frente a realidade. Insiste apenas em dar ênfase ao fato de que possui “colaboradores de todas as facções”, revelando com isso grave subterfúgio e descomprometimento, mesmo que seus diretores afirmem estarem dispostos a “ lutar contra as injustiças sociais, dentro do mais duro realismo e sem a mínima ilusão”. Quanto à posição literária, afirmam seus diretores que possuem tendências estéticas particulares, o que realmente se confirma. A importância do Jornal deve-se ao fato de que Tentativa, muito mais que um simples jornal de época, teve como objetivo publicar novos escritores, contribuindo com a divulgação literária e com a renovação do panorama literário nacional; sem deixar de lado, contudo, a produção dos escritores mais antigos, vindos das gerações anteriores. Tais características justificam plenamente o interese pelo Jornal Tentativa e valoriza a pesquisa em desenvolvimento, pois trata-se de um acervo de grande valor a disposição da arqueologia literária, já que além de estabelecer-se como registro de um período da literatura nacional, apresenta textos ainda inéditos em livros, de autores dos mais importantes da literatura brasileira moderna.

4.3.2 A crítica literária através do Jornal Tentativa Em relação à crítica literária propriamente, tomando-se aqui como crítica a opinião de críticos e escritores a respeito da literatura que se fazeia na época, analisamos os artigos, entrevistas, e editoriais publicados por Tentativa. Dessa análise, concluímso que o jornal procurou compreender em todos os seus números a literatura que se fazia na época, indagando-se se havia ou não alguma renovação dos modos literários em curso a partir dos anos de 1945. Nesse sentido, inicia uma serie de entrevistas com escritores brasileiros a partir de sua edição de nº 04, seguindo até a de nº 10 . Entre esses escritores estão Sérgio Milliet, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Murilo Mendes, cujos depoimentos são publicados na coluna Falam os escritores, em que poetas e críticos respondem a


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questionamentos feitos pelo jornal a respeito da literatura. Dentre as perguntas propostas por Tentativa destacam-se duas: (a) se teria surgido após 1945 uma nova poesia, menos ou mais expressiva do que a das gerações anteriores, e (b) se o hermetismo da nova poesia era resultante de uma busca do essencial poético ou era reflexo inevitável da época conturbada em que se vivia; questões ambíguas , aliás, abrindo poli-respostas questionáveis já que afirmam e ao mesmo tempo indagam se existia uma poesia nova e hermética pós 45. Alguns desses escritores vinham de outras gerações, contudo, sem menosprezar o passado, e com vistas para o futuro somam forças junto aos novos sem polemizar. Essa composição de gerações diferentes abre à poesia brasileira novas possibilidades de escritura e convivência. Assim é fácil perceber que apesar de tentativas isoladas de polêmica, o que prevalece é a evolução gradual e não a ruptura entre as gerações modernistas. Nesse contexto, projeta-se a primeira crítica da geração de 45. As respostas de alguns autores mais antigos em confronto com os princípios daqueles engajados com os “novos” levantam polêmica apenas aparente e sem forças para acirrar confronto, criando apenas leves dissonâncias, já que para a maior parte dos entrevistados, a geração 45 conservava os valores existentes na poesia anterior, de forma que as as gerações que a antecediam apresentavam-se, através de seus autores, como veículo no processo de continuidade de “um novo estilo”, como, aliás, afirma Maria Lúcia Pinheiro Sampaio em História da Poesia Modernista: Os poetas de 45 têm em comum a busca da perfeição formal,o aproveitamento da rica experiência do passado,o predomínio da disciplina sobre a inspiração,a dominância das figuras,a pesquisa estética, mas cada um mantém sua individualiade e elabora sua estética.49 Ledo Ivo, embora apresente constantes mudanças de opinião é em parte de opinião semelhante a de Maria Lúcia Pinheiro, mostrando que o ser humano está em contínuo processo de aprendizagem e renovação, de forma que busca resgatar na história maneiras mais adequadas de poder perpertuar-se: ”Não se trata de libertar-se do modernismo, mas incorporar suas conquistas aos instrumentos de trabalho da nova geração, transfundindo esse patrimônio num método de composição mais ou menos pessoal. Ninguém nasce sem pai e mãe. O importante é não viver sempre às costas do casal e estabelecer-se um dia pôr conta própria. Enfim, posso dizer que alguns se libertaram, outros pouco influência têm

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SAMPAIO, Maria Lúcia Pinheiro. História da Poesia Modernista. São Paulo., Scortecci, 1991.


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de 22, e muitos fazendo movimento e explorando uma vítima que se defende muito bem com o testemunho de sua obra”50 Menotti del Picchia com mais sobriedade, equilíbrio e talvez bom senso, é mais maleável, por exemplo, do que José Lins do Rego. Em sua entrevista, faz uma autocrítica revelando seu amurecimento intelectual e sugerindo que não existe poesia nova ou velha, mas apenas poesia, discordando portanto da resposta esperada pelos editores de Tentativa:: “nunca surge (...) uma poesia nova. Cada verdadeiro poeta produz “sua” poesia, o que implica dizer ‘uma poesia diferente’. Nesses termos não há‘poesia velha nem nova’ (..), há simplesmente ‘poesia’. “Mas, diante da insistência do entrevistador em caracterizar o que chamava de “clima de luta entre gerações”, através de suas perguntas-respostas, Menotti del Picchia libera seu ataque dizendo que “todas as gerações”, num “fenômeno biológico normal que se liga ao fatal instinto de eliminação, entram em antagonismo”. E, simulado uma auto-análise, endereça aos novos a sua crítica tardia: “Nós de 22”— diz ele — “negávamos cretinamente todo o passado e atacávamos idiotamente a geração que nos antecedeu.”51 Sérgio Milliet,por sua vez, afirma que em 45 não havia surgido nenhuma nova poesia, mas apenas cera mudança na forma de se fazer poesia – “Uma nova poesia só existiria se os moços trouxessem uma nova mensagem. Foi esse o caso dos românticos, como foi o dos simbolistas e dos modernitas de 22. A nova mensagem decorreu entretanto, de modificações essenciais na psicologia, das novas descobertas no caminho do conhecimento que se conunica.”52. – embora, houvesse na maioria dos casos, segundo o crítico, “uma sistematização pura e simples dos achados” que vinham de longe, “do simbolismo francês e até do velho Hugo”. Se por parte dos mais jovens havia certa imposição por revolta e oposição entre gerações, há fatos históricos que justificam essa posição: vivia-se o final da Segunda Grande Guerra e o início da Gerra Fria. Influenciados por esses episódios, somados ao clima de insegurança provocado pela didadura vivida pelo país, era natural o descontantamento por parte desses jovens que de algum modo exigiam mudanças. É dentro dessa tônica de incerteza que localizamos, por exemplo o poeta André Carneiro. No livro Espaçopleno, por exemplo há certa obsseção no tocante ao avanço tecnológico e a preocupação de uma visão 50

Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa., fevereiro de 1950, p. 15. Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa. dezembro de 1949, p. 4. 52 Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa . abril de 1950, p.8. 51


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cósmica, tendo como ponto de partida sempre os avanços da física nuclear. Tematicamente, essa poesia é marcada pela presença de vários estratos em um mesmo poema, revelando a insistenêcnia pela quebra das estruturas estabelecidas. Por outro lado, faz-se como como poesia crítica o que resulta em um grande número de metapoemas, fato comum em outros escritores do período, apesar do estilo inovador e inconfundível, ainda que José Lins do Rego, em depoimento em outubro de 1949, diga que ainda não havia aparecido “um poeta que pudesse se aproximar ou superar os grandes poetas do modernismo”53. Como André Carneiro, encontramos grandes outros poetas nesse período: Domingos Carvalho da Silva, Péricles Eugênio da Silva Ramos, João Cabral de Melo Neto, entre outros, preocupados com a poesia. É o que mostram estas estrofes do “O canto em louvor da poesia” de Domingos Carvalho da Silva: Quero a poesia em essência abrindo as asas incólumes. Boêmia perdida ou tísica, quero a poesia liberta, viva ou morta, amo a poesia Poesia lançada ao vento quero em todos os sentidos. Despida de forma e cor, repudiada, incompreendida, quero a poesia sem nome, feita de dramas humanos. Ainda com relação as características da poesia de 45, percebemos em alguns depoimentos que a questão do hermetismo na poesia, isto é se havia uma poesia hemética posterior à 45, não estava definida. Segundo o Crítico Sérgio Milliet “nem toda poesia atual” era hermética. Já para Oscar Mendes o hermetismo “em poesia tal como se vinha processando’ era ‘uma espécie de moda e, como moda” logo passaria.54 Para Antonio Girão Barroso, o hermetismo primava pela poesia trabalhada, burilada, dando maior expressividade: “os poetas atuais(digamos do post-Modernismo) realmente marcante caracterizam-se em geral pôr esse hermetismo que é não raro um sinal de poesia no melhor sentido, que é a poesia que se explica pôr si mesma55

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Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa. outubro de 1949, p.5. Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa. junho de 1950, p.10. 55 Cf. Falam os escritores brasileiros. Tentativa. junho de 1950, p. 4. 54


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“Fazendo uma retrospectiva dos depoimentos dos poetas de 45 56 com olhos de hoje — sem o fervor das paixões — havemos de, no mínimo, estranhar o fato de esses poetas se autodenominarem oposição, numa atitude polêmica de negação ao Modernimos da década de 20, mesmo sendo notória a herança negada. Ora, como é que se pode colocar na mira das armas, planejar ataques, àquilo que estava fora de ação? O discurso de 22 já era passado, perdera sua força demolidora e seu poema de piada viciada não dizia mais respeito e não enrubecia mais ninguém; o que vigorava era, sim, a poética de 30: Drumond, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Vinicius de Moraes, que sabiamente, bebiam em todas as fontes que a história literária oferecia.”57 “Recalculando a fatura 22x45, veremos que estão mais em confluência pela revolução formalista — demolidora ou ressurrecta, que e em divergência, pelos novos modos da realidade literária que apresetam. Tanto mais se lembrarmos a relação amistosa que havia entre autores dos dois grupos, ao mesmo tempo em que, sintomaticamente, parecia-se ignorar a existência da geração intemediária. Lembremos, a título de ilustração, apenas, que ao lado das “insinuações oposicionistas” estava um dos principais agitadores de 22, atirando francamente para todos os lados, e com mais pontaria que os novos, é claro. Oswald de Andrade, em texto publicado no número 6 de Tentativa, diz que após”58 45 havia turbulência, revolta, reivindicação justa contra o que chama de “Academismo modernista”. Diz ainda que “como houvera no ataque à Semana da Arte, meteram-se facilmente nele os eternos parnasianos, os simplistas retardados e os românticos vocacionais, procurando assim um lugar ao sol”, e “serenado o tumulto, poetas jovens(...) são modelar exemplo, prosseguem no caminho pelas nossas experiências.” “Vêem-se, aqui, todas as ligações – pelo menos para Oswald – entre os grupos de 22 e 45, pois o que se opunha a suas concepções era a estética dos “eternos parnasianos”, dos “simplistas retardados” e dos “românticos vocacionais”onde estão situados tanto (?) alguns de 22 como – seria o caso? – os da geração de 30, visto que nem os novos, nem Oswald queria para si tais adjetivos.59”60 Ver em particular os depoimentos de Domingos Carvalho da Silva (o mais célebre) “A serena forma” (anterior a 22) foi cuspida e vilipendiada. [...] A geração de 22 avançou até o máximo em sua poesia de combate. Entretanto, sempre que tentou reconstruir [...] retrogradou [...]. A poesia da hora que Não é uma herança legada pelo passado ao presente; é uma conquista da nova geração. [...] O modernismo foi ultrapassado. Cabe portanto aos poetas novos prosseguir o rumo que se anuncia [...] sem compromissos com a Semana da Arte Moderna. e de André Carneiro, feito recentemente: “45 pretendia uma poesia mais profunda e cuidada do que a de 22.” 57 DUARTE, Osvaldo Copertino. Vôo Intransitivo., Assis. Unesp, 1990. 58 DUARTE, Osvaldo Copertino. Vôo Intransitivo. Assis. Unesp, 1990. 59 Em outra entrevista, citada à frente, Oswald de Andrade retroage um pouco e “elogia”palidamente a Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Cassiano Ricardo e Vinicius de Moarais. 60 DUARTE, Osvaldo Copertino. Vôo Intransitivo. , Assis. Unesp, 1990. 56


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“O poeta de 22 disparando seus ataques, reforçava sua ‘adesão’aos novos: ‘há necessidade de revisão de valores’, diz, ‘pois a literatura permanecia’, segundo ele, ‘vítima da confusão interessada dos grupos e panelas’, onde incluía Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Tristão de Athayde, Alcântara Machado, ‘o gordo Schimit, truculento oportunista, cínico comprador de consciências e rei do câmbio negro literário’, Aníbal Machado, Mário Pedrosa e chega a arranhar, pôr fim a figura de Drummond. ‘Compete aos Novos’ – continua Oswald – ‘desmacascarar essas conspirações de publicidade. A idéia de confronto das gerações de 22 e 45 fica mesmo insustentável quando o poeta modernista manifesta sua intenção de ir morar em Atibaia, interior de São Paulo, local onde residia um grupo de “novos”, entre os quais, André Carneiro.”61 Diz Oswald ao Jornal de São Paulo, numa entevista concedida a Vasco Zigue em 26 de fevereiro de 1950 que “... para descansar, resolvi rachar pedras (...) é bem provável que mude para Atibaia, onde há possibilidades de instalar um grande centro cultural, onde reuriríamos os melhores elementos de São Paulo (...) Já há um núcleo formado, um pequeno grupo publica uma revista, Tentativa. A formação de um verdadeiro centro de cultura, no inteiro, parece-me uma idéia interessantíssima. (...) é meio utópico, mas em 1920, (...) nada era mais utópico que a cultura brasileira moderna. No fundo é como sempre, apenas uma questão de lançar-se à luta.” “Na mesma entrevista, após dar provas da cordialidade recíproca com os novos, Oswald de Andrade fala do Modernismo e delimita-o em apenas dois períodos. O primeiro, de 22 a 30 ‘qualitativamente bastante alto’; e o segundo, após 30, quando veio a revolução com suas consequentes agitações, trazendo um novo fator ainda desconhecido na literatura ___ a miséria nordestina.62 Sobre a poesia, diz que esta ‘resistiu melhor , continuou firme’ e cita Carlos Drumond de Andrade, Vinicius de Moraes, Murilo Mendes e Cassiano Ricardo, segundo o seu gosto, “o maior poeta brasileiro. O discurso de 22 estava, contudo diluído e superado na poesia da segunda geração modernista. E, se já não existia – porque o sujeito do discurso poético do momento era outro – não poderia comportar oposição. Divergência se houvesse, partindo dos poetas de 45, deveria ser em relação à Geração de 30. Mas não houve oposição, o que ocorreu foi a afirmação de uma nostalgia, de uma sensibilidade nova que vinha se processando e que se localizava num espaço anterior, até mesmo ao simbolismo. A Geração de 45 construía seu

61

DUARTE, Osvaldo Copertino. Vôo Intransitivo. Assis. Unesp, 1990. Oswald refere-se aos romancistas Jorge Amado, Graciliado Ramos, José Lins do Rego, que chama de “búfalos do nordeste”.Cf. Jornal de São Paulo. Entrevista dominical. Texto de Vasco Zigue. (26.02.1950). 62


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discurso, próprio e individual, mas não era sujeito de um discurso que se possa dizer contestador. A ruptura só viria, na verdade, em l956, com o ‘Movimento da poesia concreta”. “Em síntese, os poetas de 45 mostraram-se receosos em saber que chegada era a hora e a vez de poderem manifestar suas teses com relação essa ‘nova poesia’. E que alguns poetas ficaram embriagados e acabaram por beber de várias águas, levando-os a fazerem poesias com estilo própio como: Murilo Mendes, Domingos Carvalho da Silva, André Carneiro e outros. Através das questões levantadas foi possível detectar grandes nomes da poesia brasileira, que independentemente de existir uma nova poesia e hermética, fizeram com que, a ganhasse espaço no cenário literário.” 63 A seguir apresentamos índices da matérias, autores e assuntos publicados pelo jornal, além de relação de jornais dos anos 40 que de algum modo tratam do jornal Tentativa. É a partir desse material que desenvolveremos as fases seguintes da pesquisa, cujo objetivo será continuar analisando os textos publicados pelo jornal. Essa análise seguirá o procedimento já adotado que é o de estudar os textos pelo agrupamento de por gênero, autor e estabelecimento de um perfil histórico e estilístico da Geração de 45.

4.2.3 Resenha de alguns textos críticos publicados por Tentativa Prosseguindo com a crítica literária foi possível detectar uma preocupação da mesma a respeito de vários artigos publicados por Tentativa, tais como: cinema, teatro, romance etc. Concluímos que o jornal teve sempre a disposição daqueles engajados com a literatura nacional. Nesse sentido inicia-se uma série de matérias publicadas pelo jornal como: O Problema Realismo no Teatro Moderno de Osvaldo Barreto Filho, tecendo considerações sobre a linguagem teatral que, apesar de aproximar-se muito da realidade, não deve ser tomada pelo público como transfiguração fiel da vida. Nota que embora o espetáculo seja contraído no plano metafórico é concebível que o teatro desenvolva uma “ linguagem própria, na palavra e no gesto” para atingir seu público, afirmando que o “realismo teatral existe e se pode confundir com a realidade da vida.”64 Para o crítico, é importante que o ator crie seu ambiente de trabalho, facilitando uma aproximação do público através da linguagem dramática e desenvolva seu próprio estilo de modo a tornar reconhecível estilisticamente tanto o texto quanto autor. 63 64

DUARTE, Osvaldo Copertino. Vôo Intransitivo. Assis.Unesp, 1990. FILHO, Oswaldo Barreto. O Problema Realismo no Teatro Moderno. Tentativa. Abril 1949. p. 4.


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No artigo Páginas que não envelhecem, Silveira Alcântara resgata o trabalho de Amadeu Amaral, sobre as Tradições Populares mostrando que este grande folclorista foi praticamente esquecido dentro cenário literário. Contudo, Alcântara esforça-se por ressuscitar esta tradição folclorista, dizendo que “reunidas hoje em volume, dão a impressão de terem sido escritas” a pouco “ tal frescor dos temas abordados”.65 Segundo o crítico foi com Amadeu “que os estudos tomaram orientação mais científica e direta”, no fragmento acima citado podemos notar a preocupação do poeta com a pesquisa, para que seu trabalho tivesse sustentação no cenário folclorista. Como escreveu Amadeu Amaral “é impossível decifrar muitas alusões, idéias e formas encontradas nos contos, versos e dizeres populares, sem o conhecimento das crenças e crendices” pois, “impossível compreender os esconjuros e rezas sem os atos e gestos que os acompanham complemetam.” 66 No entanto todo um trabalho científico é desenvolvido pelo crítico, através de pesquisas sobre as tradições, mostrando que além desse grande folclorista, outros como: Rodrigues de Carvalho e Leonardo Mota, foram esquecidos pela crítica. Em abril de 1949, João B. Gonti, faz um artigo sobre os Caiapós de Atibaia, onde mostra que são: “grupos de homens vestidos de índios, que formados de dois em dois percorriam as ruas da cidade numa dança peculiar acompanhados de instrumentos rústicos”67 que desapareceram completamente dos costumes Atibaianos. Este grupo tradicional participava nos festejos natalinos que outrora duravam quatro dias. Já em 1949 apareciam congados e cavalhadas, mas em outro tempo vinham também Caiapós. Nota-se no texto sentimento de nostalgia colocado pelo poeta ao escrever sobre tradições populares que “desapareceram completamente e não mais voltarão.” 68 Segundo Gonti o folclorista e poeta, foi superior enquanto folclorista o que “ seria negar a verdade não conhecer que o poeta muito influiu sobre o folclorista, apesar que ainda seja desconhecido.”69 Já na década de 50 o povo olvidava das antigas tradições. Hoje, 1997, a negação ainda é maior, podendo, assim, entender a preocupação do poeta com as antigas tradições, pois, esquecidos, desconhece-se o passado que dá “lugar aos novos

65

SILVEIRA, Alcântara. Paginas que não envelhecem. Tentativa. Abril 1949 p. 10. Idem. 67 GONTI, João B. Os Caiapós de Atibaia. Tentativa. Abril 1949. p.12. 68 Idem. 69 Idem 66


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costumes que, infelizmente, são trazidos por sua excelência a civilização, nos curvamos para esquecer o que é nosso.”70 Matérias desses gênero folclorista de teor crítico, são escassas em Tentativa. Entretanto, o Jornal abre um leque para diversas matérias de variadas tendências, servindo como um grande acervo cultural para pesquisa. Cassiano Nunes em Um Romance de Inquietação publicado no jornal Tentativa de junho de 1949, escreve sobre a reedição do livro Amanhecer de Lúcia Miguel Pereira. Segundo o autor essa iniciativa pela Coleção Saraiva é fantastica, resgatando uma verdadeira obra prima no gênero romancista, pois, o retorno do livro mostra a sagacidade dessa escritora brasileira. Ainda o crítico compara Amanhecer com as Três Marias de Raquel de Queiróz, existindo apenas um divisor, a segunda tinha tido maior preocupação estilística, mas ambas as obras possuiam as mesmas inquietações “de sofrimento, de luta; duas visões, duas revelações deste mundo misterioso e pertubador que é a alma da Mulher”71. Contudo, a crítica percebe que “a obra para nossos meios literários” não tem “garantia de público”, sendo relativa dentro do cenário cultural brasileiro.72 O que impressiona ao crítico é justamente o fato do Romance ser escrito por uma mulher, incomum para época , vale ressaltar que Amanhecer ganhou várias páginas da crítica. Segundo Cassiano a autora não prima pelo estilo assim desenvolvendo uma “linguagem simples, quase chã,”e em consequência disto “o romance apresenta força dramática incomum, intensidade e sentimento poético”73. Essa reedição de Amanhecer reafirmando a colocação do autor, sem sombra de dúvida, para a literatura nacional foi incontestavelmente surpreendente por resgatar temas e linguagens tão esquecidas. Otto Maria Carpeuax, no Cancioneiro Paulistano, compara as obras de Júo Bananére e do italiano Teofilo Folengo, o segundo escreveu sua própria língua Mac-caronica. Segundo o crítico, Júo Bananére e suas parodias ficaram “gravados na memória nacional”. Carpeuax aborda a obra do escritor Bananére, fazendo referência ao teor hermético da poética de Malarme. O poeta, às vezes, critica em suas sátiras os brasileiros que preferem a expressão estrangeira, ao invés da linguagem brasileira, “tornando-se desse modo, no nossso meio uma voz da consciência nacional”74 . Da mesma maneira, Teofilo Folengo protesta contra a transformação da língua nacional em linguagem latinizada do classicismo. Para a crítica, o “humorista fala a consciência do século”, que de certa forma o estrangeirismo consegue se infiltrar e influenciar na linguagem. Folengo, para ridicularizar os que não sabem 70

idem NUNES, Cassiano. Um Romance de Inquietação. Tentativa. junho 1949. p.07. 72 NUNES, Cassiano. Um Romance de Inquietação. Tentativa. junho 1949. p. 07. 73 Idem . 74 CARPEAUX, Otto Maria. Cancioneiro Paulistano. Tentativa. agosto 1949. p. 01. 71


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latim, “zombam dos que não querem falar italianos”. Assim percebemos preocupação de Júo em mostrar que no Brasil não é diferente tem “mesma classe, da mesma elite que Folengo odiava”, ou seja, que, independente do país, o estrangeirismo sempre incomoda principalmente pessoas preocupadas em preservar a língua mãe75. Nos Cantos do País das Gerais, Cristiano Martins. destaca o livro de Dantas Motas Elegias do Pais das Gerais, que retrata temas regionais, abordando as particularidades históricas e geográficas de nosso país. Isto é óbvio, ao publicar o livro o poeta, além de revelar as peculiaridades de nosso país, mostra seu estilo, revelado “ neste livro, senhor forte de personalidade.” Para o crítico “seu estilo não se confunde com o de nenhum outro poeta, ou com as técnicas ou maneiras particulares dos diferentes grupos e escolas (..)”76 , que podemos classificar como estilo próprio do autor. Elegias compõem-se na realidade num único poema, que mostra um pouco da beleza do nosso país, tudo isso retratado em poesia. A crítica elogia com eloquência a obra , frisando “que existem poemas em função de um só verso, e em um só verso pode encerrar um grande poema.”77 Concordamos com este posicionamento, porque não basta um poema ter muitos versos, se ele não tem conteúdo. Na intimidade da poesia, de Oswaldo Alves como o próprio título insinua, o poeta destaca que “compreender um grande poeta exige, portanto, tempo e meditação.”78 Igualmente num primeiro estágio de investigação científica da poesia, faz-se necessário que o leitor se situe entre os poemas para eleger aqueles que prendem atenção, porque a poesia é uma incursão “nos domínios da consciência.” Mostrando que a poesia é uma fonte inesgotável de signos e imagens. Um outro aspecto importante é que, segundo o autor, existe apenas uma coisa: “poesia e grande poesia”, o que chama atenção é o rótulo “poesia moderna”, com essa convenção, pois, a “poesia moderna” “existe sem nenhuma especificação de forma há milênios”.79 César Mêmolo Jr., em O Cinema Brasileiro e a Crítica, ressalta muito bem as qualidades de Perdida pela Paixão e A Sombra da Outra, dois filmes, que não receberam destaque dos críticos cinematográficos, apenas pequenas notas de rodapé de jornais, que com medo e receosos de dispenderem elogios e serem chamados de “benevolentes com o cinema brasileiro”80 . Mêmolo Jr não considera certo tal posicionamento e pede que se “ faça justiça”, que se encare o cinema brasileiro “com simpatia e generosidade que ele 75

Idem. MARTINS, Cristiano. Os Cantos do País das Gerais. Tentativa. dezembro 1949. p. 12. 77 Idem. 78 ALVES , Owaldo. Na intimidade poesia. Tentativa. fevereiro de 1950. p. 05. 79 Idem. 80 MÊMOLO JR, Cesar. O Cinema brasileiro e a crítica. Tentativa. Outubro 1950 p. 3,2. 76


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merece.”81 Esta atitude do crítico parece-nos assinaladora de sua brasilidade, uma vez que apresenta preocupação com o cinema brasileiro, em virtude da crítica ter silenciando, haja vista películas menos expressivas como Estrela da manhã e Rio Vermelho foram fartamente “elogiadaos em rodapés longos e citações quase semanais”. Para Mêmolo foi um afronto tal atitude com o cinema brasileiro, se, bem que é comum do povo brasileiro dar maior valor aos produtos e as produções internacionais.82 Em Cinema e a Política , Roberto Corrêa Stiel, comenta sobre o poder do cinema que afirmando ser “ uma arma poderosa para orientação dos povos.”83, pois, dá-se muito destaque as aspirações política dos filmes deixando a cultura com sua expressividade de linguagem relegada segundo plano. Stiel exemplifica mostrando O Encouraçado Potenkim, que para Hitler, funcionava como divulgador da ideologia nazista, porém, com um toque de arte, o cineastra conseguiu inverter essa posição de vilão para herói de forma que: “o resultado foi um extraordinário documentário, cuja parte política ficou esmagada pela grandiosidade do todo, pela pureza da filmagem, pelos ângulos, pela movimentação da câmera.”84 Em outro artigo, Cyro Siqueira fala Do cinema silencioso ao sonoro, destacando a gênese do cinema falado e deixando transparecer que o cinema prima pela valorização da palavra e não pela imagem”. Segundo ele, além da capacidade de falar, concluíram os produtores que os atores tinham obrigação de teatralizar,ou seja, ser dinâmico, dialogando e representando ao mesmo tempo. A sonoridade que o cinema trouxe chamou “a atenção para crescente invasão do cinema pelo teatro”. Essa explosão do cinema falado para época foi um ponto controvertido que já mereceu uma polêmica entre os intelectuais brasileiros: Octavio de Faria, Vinícius de Morais e Drumond de Andrade etc.” O importante não é essa polêmica criada e sim perceber que o cinema adquiriu voz (...)” 85. Com tais artigos Tentativa, servia à divulgação artística dando sua contribuição no processo de evolução o cinema brasileiro. Segundo Cyro Siqueira em A Comédia Cinematrográfica “exige uma forma especial de humor expresso por meios explicitamente próprios e distintos” 86 O autor fala da classificação de James Agge sobre os graus de humorismo no cinema, e 81

Idem. Idem 83 STIEL, Roberto Corrêa. O Cinema e a Política. Tentativa. fevereiro 1951. p. 4. 84 Idem. 85 SIQUEIRA, Cyro. Do Cinema Silencioso ao Sonoro. Tentativa. junho 1950. p. 8,9. 86 SIQUEIRA , Cyro. A Come’dia Cinematrogra’fica. Tentativa. Outubro 1950. p. 6. 82


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classifica-os em quatro classes: riso, gargalhada, riso de barriga e bufoneria. Dentre esses gêneros podem-se dizer que o mais criativo é o humorismo, pois, artisticamente, chamam mais atenção junto a platéia. E quem mais utilizou esta forma foram os irmãos Max e Chaplin nos “Modernos cômicos no cinema [onde] conquistaram respeito e admiração neste terreno literário.”87 Por se tratar de jornal literário Tentativa abre espaço a diversos críticos para exporem suas idéias com relação ao gênero cinematográfico, considerado 7 ª arte, comentando desde da gênese do cinema falado chegando até a comédia. Percebemos que o cinema sai do anonimato e começa a concorrer com o “teatro”, que já tinha espaço conquistado. Os editores de Tentativa num gesto de repúdio contra alguns jovens escritores publicam na edição nº 10 um texto intitulado Irresponsabilidade de Novos, criticando severamente e condenando algumas atitudes impensadas tomadas por esses jovens escritores contra aqueles já consagrados, pois para os antigos que deram boas vindas a essa nova geração que abriu “caminhos das facilidades literárias” nota-seque “recebem tanta xingação despropositada e arrasamentos cretinos”.88 Contudo a função da crítica é muito mais ampla e não se restringe apenas a criticar, mas, também “impor-se o dever de procurar compreender os novos valores e de prevenir-se contra qualquer forma preconceituosa de rejeição sumária”.89 Percebe-se que os jovens escritores queriam atenção da crítica, mas, destorceram o sentido e combateram de forma perversa os poetas já consagrados, trazendo um descontentamento a direção do Jornal Tentativa, que veio dar seu parecer contra a impetuosidade dos “arrasadores de duas linhas compreendam que o estilingue não é uma arma própria para um escritor digno”.90 Com esta atitude combativa os editores do jornal além de criar espaço para os escritores, também combatem veementemente, aqueles que mancham a imagem de escritores de renome no cenário literário. Enquanto Tentativa manteve-se em circulação deixou nítido quais eram suas filosofias de trabalho entre elas: criar espaço aos novos poetas, à crítica, aos escritores de renome, as artes, cinema e outros, contudo, existe maior predominância na divulgação da literatura, justamente, porque o Diretor também é escritor. De qualquer modo, queremos ressaltar a presença da crítica que é de suma importância nos distintos segmentos.

87

Idem. TENTATIVA, Jornal. Irresponsabilidade de Novos. Outubro 1950. p. 12. 89 DIMAS, Antônio. Tempos Eufóricos: análise da revista Kosmos, 1904-1909. Ática, 1993. p.124. 90 TENTATIVA, Jornal. Irresponsabilidade de Novos. Outubro 1950. p.12. 88


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4.2.3. ÍNDICE GERAL analítico classificado segundo a ordem de publicação, com o resumo das matérias e abrangendo todos os números do Jornal Tentativa

ÍNDICE 1

Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949. 1.1

Expediente Diretor-responsável: André G. Carneiro Diretor-secretário: Cesar Memolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação do primeiro número 1.2.1

ANDRADE, Oswald de. “Apresentação”. Dirigida a Dulce G. Carneiro, esta apresentação, conforme se autonomeia, poderá servir como um prefácio à obra polêmica e lírica que se inicia com esta publicação. Destaca a importância do jornal, valorizando o destaque especial que é dado à poesia brasileira. O texto é ilustrado com a reprodução Vista de ATIBAIA, de Aldemir Martins. (p. 1)

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

BARRETO FILHO, Oswald. “O problema realismo no teatro moderno”. Embora reconheça a importância do clima de ação, da atmosfera de realidade vivida no palco, apresentada no teatro moderno pelo realismo, o autor destaca que o realismo teatral existe e não pode se confundir com a realidade da vida. É a criação de uma outra forma dela que nos ajuda a escapar e a viver alguns momentos fora da mesmice e banalidade que é o mundo. (p. 4)

1.3.2

MULLER, Ruben. “Cinema e romance policial”. Em um roteiro panorâmico do cinema policial o autor destaca as relações que existem entre o cinema e a literatura policial. Salienta que esta encontrou naquele um veículo ideal para sua expansão e o cinema quando se serve do “policial” ganha sempre motivos positivos e de grande interesse, não só anedótico como estético e emocional. O texto é ilustrado com um desenho de Aldemir Martins. (p. 7-9)


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1.3.3

SILVEIRA, Alcantara. “Páginas que não envelheceram”. O autor destaca neste artigo o trabalho de Amadeu Amaral, que procurou orientar os nossos estudos folclóricos numa base científica e propugnar por uma história natural dos produtos do folclore. (p. 10)

1.3.4

GONTI, João B. “Os caiapós de Atibaia”. O autor descreve os rituais festivos praticados pelos Caiapós de Atibaia para se divertirem e alegrarem a população. De maneira nostálgica lamenta seu desaparecimento para darem lugar a novos costumes que, segundo ele, infelizmente, são trazidos por sua “excelência civilização”, aos quais nós reverentemente nos curvamos e esquecemos o que é nosso. (p. 12)

1.4

Entrevista e/ou correspondência

1.5

Criação 1.5.1

SILVA, Domingos Carvalho da. “Tudo é sangue”. O poema é composto de quatro quartetos e um quinteto, os quais apresentam versos livres que lamentam a ausência da pessoa amada. (p. 2)

1.5.2

SOBRINHO, J. B. Peçanha. “Subsolo do esquecimento”. O poema é composto por duas estrofes de onze versos, separadas por uma estrofe de dez versos. Os versos presentes são livres. O eu-lírico exalta as figuras de Castro Alves, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo mergulhando sua memória no “subsolo do esquecimento”. (p. 2)

1.5.3

LINO, Donozor Onofre. “Incomunicabilidade”. O poema é composto de oito quartetos cujos versos apresentam, todos, quatro sílabas poéticas. O poema possui versos livres que reiteram os versos “tu não me escutas”, “não me compreendes” e “estás tão longe”, versos estes que colaboram para a compreensão da “incomunicabilidade” sofrida pelo eu-lírico com respeito à amada. (p. 2)

1.5.4

CARNEIRO, Dulce G. “Música na tarde e na noite”. Poema em prosa, caracterizado por uma separação gráfica entre as duas partes


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correspondentes respectivamente à tarde e à noite evocadas no poema. (p. 3) CARNEIRO, Dulce G. “Tentativa”. Poema composto de dois tercetos, um sexteto, um quinteto e um dístico. Apresenta versos livres que falam da característica ao mesmo tempo impenetrável e transparente dos poemas, como exemplificada pela expressão “incolor esfinge”. (p. 3) 1.5.5

VALLEJOS, M. A. Raul. “El huerto nocturnal”. O poema trata-se de um soneto. No primeiro quarteto as rimas apresentam-se cruzadas, no segundo, interpoladas e nos dois tercetos apresentam-se emparelhadas. O poema trata da beleza presente num cair de tarde. (p. 4)

1.5.6

MEDEIROS, Aluizio. “Ratifúndio Devorante”. O poema é composto de uma única estrofe com 20 versos livres que tratam basicamente da questão fundiária e reforma agrária. (p. 7)

1.5.7

MEDEIROS, Aluizio. “2º auto-retrato sócio-psicológico”. O poema é composto de uma única estrofe com 18 versos livres. O poema é de certa forma um intertexto do poema anterior ao se referir à questão fundiária como um dado marcante no retrato sócio-psicológico do eulírico. (p. 7)

1.5.8

SÉRGIO, Paulo. “Balada do Caminhante”. O poema é composto de 8 estrofes, sendo a primeira e a quinta um terceto; a segunda, a quarta e a sexta um quinteto, a terceira um sexteto, a sétima uma oitava e a oitava um quarteto. Apresenta versos livres. (p. 9)

1.5.9

PIMENTEL, Cyro. “Poema”. Poema composto de dois quintetos, um dístico e um terceto, os quais apresentam versos livres. (p. 11)

1.5.10

DEL PICCHIA, Menotti. “Fragmento de poema ‘O tempo’”. O poema é composto de 17 estrofes de versos livre e número variado. (p. 11)

1.5.11

BAIRÃO, Reynaldo. “Mar Imenso”. Dividido em três partes distintas e numeradas, o poema exalta o caráter revolto e contestador do mar em oposição à passividade. (p. 6)


36

1.5.12

MEMOLO JR., Cesar. “O delator de si mesmo”. O conto narra os temores de um homem quanto à descoberta, pelas pessoas, de seu crime passional. Tendo assassinado seu rival, este invade-lhes os sonhos lembrando-lhe da culpa e fazendo com que pronuncie repetidas vezes seu nome. Temendo que seu crime seja descoberta e que seja ele o “delator de si mesmo” este homem, angustiado não consegue mais dormir, permanecendo constantemente em vigília.

1.5.13

CARNEIRO, André G. “Premeditação”. O conto nos relata uma relação amorosa, que após sua consumação através do ato sexual deixa de ser atraente ao homem envolvido. Embora tivesse a promessa de que o relacionamento iria ser oficializado, a namorada, percebendo o desinteresse do amado, decide se vingar suicidando-se e deixando uma carta onde acusa sutilmente o namorado. A narrativa tem como cenário um tribunal, onde ocorre o julgamento do crime. A narração apresenta certas digressões em que o protagonista narra os acontecimentos em meio a descrição do julgamento. (p. 5)

1.6

Nota e/ou comentário 1.6.1

“Nota da Redação”. A redação ratifica e subscreve a opinião de Alcantara Silveira com respeito ao aparecimento do Jornal Tentativa. Segundo o crítico o jornal estava em bom caminho por não se restringir à produção dos novos nem da “prata da casa”. (p. 2)

1.6.2

“Revistas e jornais literários do Brasil”. A redação alista uma série de títulos de publicações literárias desculpando-se de não poder fazer um comentário detalhado de cada exemplar, dada sua enorme quantidade o que reflete um sentido de renovação e intensa atividade das novas gerações. (p. 11)

1.7

Ilustração 1.7.1 1.7.2

MARTINS, Aldemir. “Vista de Atibaia”. (p. 1) MARTINS, Aldemir. Ilustração presente no texto “Premeditação”. (p. 5)


37

1.7.3

1.8

1

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Cinema e romance policial”. (p. 8)

Anúncio

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949. 1.1

Expediente Diretor-responsável: André G. Carneiro Diretor-secretário: Cesar Memolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação.

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

RIBAS, J. Carvalhal. “Psicanálise do Fogo”. O artigo se refere à crítica de Gaston Bachelard sobre a psicanálise do fogo. Para o crítico, somente o freudismo veio explicar razoavelmente a conduta que impeliu o homem primitivo à descoberta do fogo. Ressalta, do ponto de vista psicanalítico todas as configurações adquiridas pelo fogo na sua relação com os humanos. (p. 5).

1.4

1.3.2

NUNES, Cassiano. “Um romance de inquietação”. O autor destaca a qualidade estética e demonstra apreciação pela reedição de “Amanhecer” de Lucia Miguel Pereira, segundo ele, um dos mais finos e harmoniosos romances escrito por uma mulher no Brasil. (p. 7)

1.3.3

“Poesias e Opiniões”. Neste artigo crítico renomados ressaltam as qualidades estéticas das obras de autores como Reynaldo Bairão, José Escobar Faria, Aluizio Medeiros, José Tavares de Miranda, Afranio Zuccolatto e Cyro Pimentel. (p. 7)

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

MELO, Luiz Correia de. “Dicionário dos autores paulistas”. O artigo trata-se de uma carta em que o escritor Luiz Correia de Melo faz um apelo aos que possam contribuir para a realização do “Dicionário dos


38

autores paulistas” cujo objetivo é catalogar tudo quanto os paulistas tem escrito e publicado literária e cientificamente. (p. 10) 1.5

Criação 1.5.1

HILST, Hilda. “Poema”. O poema é composto de 6 estrofes de versos livres que falam da passividade humana. (p. 2)

1.5.2

CARNEIRO, Dulce G. “Aresta no mar”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres sendo a primeira e a quarta tercetos, a segunda quarteto e a terceira quinteto. (p. 2)

1.5.3

CARNEIRO, Dulce G. “Poema”. Trata-se de um poema composto de 6 estrofes de versos livres. Tais estrofes oscilam entre tercetos e quintetos. (p. 2)

1.5.4

MARTINS, Amélia. “Dispensa”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres. Apresenta a primeira e a quarta estrofes em forma de quarteto, a segunda em forma de dístico e a terceira em forma de dístico e a terceira em forma de terceto. O poema faz referência à figura mitológica da sereia. (p. 3)

1.5.5

ROSA, Roldão Mendes. “Olho da noite”. O poema é composto de 6 estrofes de versos livres. Apresenta como tema a figura da lua, nomeada pelo eu-lírico de “olho da noite”. (p. 4)

1.5.6

MEMOLO JR., Cesar. “I”. Poema composto de 7 estrofes de versos livres e tamanhos variados que falam da vulnerável condição inconsistente do ser humano. (p. 5)

1.5.7

MEMOLO JR., Cesar. “II”. Poema composto de 9 estrofes de versos livres. As estrofes apresentam de dois a cinco versos que tratam da efemeridade do tempo.

1.5.8

LISBOA, Henriqueta. “Na Morte”. O poema é composto de estrofes que variam de dois a três versos, os quais podem ser classificados como livres. Apresenta como refrão o verso “na morte nos encontraremos”, concebendo assim a morte como ponto de encontro dos seres por ela separados. (p. 6)

1.5.9

GUIMARÃES FILHO, Alphonsus de. “Os ventos”. O poema é composto de 4 estrofes que variam de 6 a 16 versos. Estes


39

apresentam rimas externas e internas. As externas podem ser classificadas como misturadas. O poema trata da solidão, da despedida e de todos os sentimentos que atormentam o eu-lírico, aos quais este chama de “ventos”. (p. 6) 1.5.10

RIVERA, Bueno. “Augusto e seu caminhão”. O poema é composto de 10 estrofes de tamanhos variados e versos livres. O eu-lírico narra a rotina de um caminhoneiro, que apesar de sua simplicidade, tornase autor de um ato heróico ao dar sua vida para salvar uma criança. (p. 6)

1.5.11

LOANDA, Fernando Ferreira de. “Poema de anteontem”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres que variam de 13 a 3 versos. (p. 8)

1.5.12

HADDAD, Jamil Almansur. “Ditirambo para a virgem de Uspallata”. O poema é composto de 5 estrofes de versos livres. Estas estrofes variam de 2 a 14 versos. (p. 9)

1.5.13

PIGNATARI, Décio. “Poema”. Trata-se de um poema composto de 3 quartetos os quais apresentam rimas interpoladas. Os versos dos dois primeiros quartetos apresentam 9 sílabas poéticas. No último quarteto os versos iniciais e finais apresentam 10 sílabas poéticas e os versos terceiro e quarto, 14 sílabas poéticas. (p. 10)

1.5.14

BAIRÃO, Reynaldo. “Poema”. O poema é composto de 41 versos dispostos sem nenhuma separação por estrofes. (p. 11)

1.5.15

KOPKE, Carlos Burlamaqui. “Trechos de um diário íntimo”. O texto é composto de treze pequenos trechos enumerados, os quais tecem uma reflexão sobre os problemas existenciais e sobre a solidão característicos ao homem. Apresenta uma ilustração de Aldemir Martins. (p. 1).

1.5.16

CARNEIRO, André G. “Um homem sozinho”. Trata-se de um texto em que o protagonista em face da morte faz uma retrospectiva de sua vida. Nessa auto-avaliação constata que nunca vivera realmente e decide que, se sobreviver, se pautará por novas perspectivas. Porém, morre na mesa de cirurgia sorrindo, definitivamente pela decisão tomada. O texto é ilustrado por um desenho de Aldemir Martins. (p. 4)


40

1.5.17

1.6

SILVEIRA, Helena. “Ritmo das irmãs de luto”. O conto relata a história de duas irmãs unidas pelo luto e que de tão recatadas e insultadas como pessoas que sofreram muito, esqueciam-se que faziam parte das coisas belas da vida. De repente, tiveram consciência de seus corpos e do prazer que este podia lhes proporcionar, então, entraram numa loja e compraram gravatas pretas para o pai. (p. 9)

Notas e/ou comentários. 1.6.1

“Homem e letras”. Em um breve comentário o artigo destaca: o aparecimento do Jornal Tentativa; a colaboração de Otto Maria Caplaux neste; a atuação de José Geraldo Vieira enquanto presidente no “Recital dos poetas novíssimos”; a carência de críticos nos meios literários; e o papel de Tentativa, um jornal que saído de uma pequena cidade (Atibaia) quer se libertar de um complexo de estreiteza e provincianismo. (p. 2)

1.6.2

“Poesia de Minas”. O artigo tem por objetivo prestar homenagem à poesia e à literatura mineira através de três de seus valores mais expressivos: Henriqueta Lisboa, com o poema “Na morte”; Alphonsus de Guimaraens Filho, com o poema “Os ventos” e Bueno de Rivera, com a poesia “Augusto e seu caminhão”. (p. 6)

1.6.3

“O livro e as novas tarifas do Reembolso Postal”. O artigo instiga uma reação contra o aumento de 600% nas tarifas postais o que dificulta que a população do interior adquira de maneira fácil e econômica, as obras de que necessitam para sua leitura. (p. 8)

1.6.4

“Publicações literárias do Brasil”. Considerando o aparecimento de um número surpreendente de publicações especializadas em letras e artes, o artigo destaca a descentralização dos grupos literários, agora não mais circunscritos às grandes capitais e a necessidade de cooperação para que haja um intercâmbio entre os escritores. Com esse fim, cita uma lista de endereços dessas publicações. (p. 10)


41

1.6.5

Nota Paulistana. “Ação entre amigos”. Relata-se a realização pelo clube de Poesia a exibição de poetas novíssimos no Museu de Artes, contando com as presenças dos nomes mais expressivos da geração mais nova _ Cyro Pimentel, Dulce G. Carneiro, Joaquim Pinto Nazário, Décio Pignatari, André G. Carneiro, Geraldo Pinto Rodrigues e outros. (p. 11) 1.6.5.1 Relata-se ainda a série de conferências de Dulce Salles Cunha sobre poesia modernista. (p. 11) 1.6.5.2 Proposta de realização de um recital poético com as presenças de Guilherme de Almeida, Oliveira Ribeiro Neto, Judas Isgovogota e Paulo Bonfim. (p. 11) 1.6.5.3 Oswald de Andrade deu uma festa. Estiveram José Geraldo Vieira, Lourdes Teixeira, Vicente e Doro Ferreira da Silva, Antônio Candido e Gilda de Melo e Souza, André e Dulce G. Carneiro, Dulce Salles Cunha, Anna Stella Schic, Aurasil Brandão Joly, Domingos Carvalho da Silva e numerosos outros escritores e artistas. (p. 11) 1.6.5.4 Chegada de Vicente Ferreira da Silva, Jamil Almansur Haddad, Helena Silveira e João de Souza Ferraz, de Mendonza. (p. 11) 1.6.5.5 “Dizem que a onça resolver fazer uma ‘Ação entre amigos’. Mandou imprimir os cartões (rifa-se etc.) numerá-los e, escolhendo o número um, remeteu-o ao crítico Alcantara Silveira.” (p.11) 1.6.5.6 “Clube de Cinema de São Paulo”. Sob a direção de Almeida Sales, o “Clube do Cinema” tem apresentado obras primas antigas. (p. 8)

1.6.7 1.6.8 1.6.9

“Pela crítica”. Carlos Burlamarqui Kopke assumiu o rodapé crítico do “Diário de São Paulo”. (p. 8) “Sérgio Milliet”. Acha-se na França, em viagem de intercâmbio cultural, a convite do governo francês. (p. 8) SILVA, Domingos Carvalho da. “Bilhete ao gato vermelhudo”. Texto dirigido a Reynaldo Bairão acusado de plagiário. Seguro demais da qualidade estética de sua obra, o escritor tem esta avaliada


42

por Domingos C. Silva como nula em poder literário. O texto é ilustrado pela reprodução “Cabeça de menino” de Picasso. (p. 12) 1.7

Ilustração 1.7.1 MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Trechos de um diário íntimo”. (p. 1) 1.7.2 MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Um homem sozinho” de André G. Carneiro. (p. 3) 1.7.3 PICASSO, P. “Cabeça de menino”. (p. 12)

1.8

Anúncio 1.8.1

“Ângulo e Face”. Anúncio do lançamento do primeiro livro de poemas de André G. Carneiro, “Ângulo e Face”, editado pelo Clube da Poesia de São Paulo. (p. 8)

1

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Memolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

CARPEAUX, Otto Maria. “Cancioneiro Paulistano”. O artigo faz uma comparação entre Juó Bananére e Teófilo Folengo, italiano erudito, mas que escreveu em língua macarrônica: mistura de vocábulos italianos e sufixos latinos. No seu teor de ridicularização da “elite”, Juó Barranére foi de maneira muito modesta, sem conseqüências literárias, algo como uma voz da consciência nacional. (p. 1)

1.3.2

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. Neste artigo são destacadas algumas edições recentes expostas nas livrarias de Paris. (p. 2)


43

1.3.2.1 COLETTE. “Le Fanal Bleu”. A autora relata nesse livro um conjunto de episódios expressivos, vislumbrados de sua janela do “Palais Royal”. (p. 2) 1.3.2.1 HARRY, Myrian. “Radame, premier roi de Madagascar”. Trata-se de uma obra histórica. (p. 2) 1.3.2.3 RÉGIS, Roger. “La citoyenne Marat”. Roger é consagrada por este livro de relato histórico. (p. 2) 1.3.2.4 GERBAULT, Alain. “Un paradis se meurt” (publicado postumamente). Restabelece a verdade sobre o pretendido desaparecimento da raça polinesiana. (p. 2) 1.3.2.5 JOBIT, Pierre. “Espagne et hispanité”. Traduz o pensamento dos franceses com relação à pátria e à civilização espanhola. (p. 2) 1.3.2.6 CASTELOT, André. “Le secret de Madame Royale”. O autor restitue a verdadeira e comovente história de Madame Royale, a filha de Louis XVI. (p. 2) 1.3.2.7 INGHELBRECHT, D. E. “Le chef d’orchestre et son équipe”. Espécie de breviário do maestro profissional. (p. 2) 1.3.3

NUNES, Cassiano. “Um poeta boêmio”. Comentando o lançamento de uma edição de quarenta mil exemplares da biografia de Emílio de Menezes _ “Emílio de Menezes, o último boêmio” de Raimundo de Menezes, o autor destaque que embora não se deva generalizar no julgamento adverso, comumente feito pelos críticos, à geração de parnasianos boêmios, Emílio de Menezes foi enaltecido em excesso no seu tempo e ainda hoje. Para o autor, Emílio de Menezes foi um gozador, satisfeito com o situacionismo aproveitando-se bem da nossa desorganização política e um criador de versos quase sempre artificiais. (p. 4)

1.3.4

RIBAS, J. Carvalhal. “Interpretação Psicológica do ‘Vestido de Noiva’”. Segundo o autor, a peça de Nelson Rodrigues se assenta na concepção de personalidade de acordo com a psicanálise portadora de conceitos como CENSURA, RECALQUES e COMPLEXOS, esses últimos conhecidos também como desejos reprimidos. (p. 10)


44

1.4

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

“Uma obra prima de Folk-lore”. “Ao povo de Bragança”. Reconhecendo a pobreza literária dos jornais do interior, a redação destaca que seus jovens redatores quase sempre deixam-se vencer pelo ambiente, estacionando numa gongórica literatura sem o menor interesse. Assim, o artigo destaca uma “defesa” feita pelo Senhor Salomão Pedro no jornal “Cidade de Bragança”, uma crônica que salvo os erros ortográficos consegue um ritmo quase poético. (p. 6)

1.5

Criação 1.5.1

FARIA, José Escobar. “Aguaforte”. O poema é composto de vinte e seis versos dispostos em uma única estrofe. Trata-se de versos livres que esboçam uma comparação entre os homens e as árvores, formas e imagens. (p. 2)

1.5.2

PEÇANHA SOBRINHO, J. B. “Poema”. O poema é composto de cinco estrofes que variam de sete a dois versos, sempre livres, que descreve uma paisagem marina, com toda sua beleza e mistérios. (p. 3)

1.5.3

MARTINS, Amélia. “Mar, coração de bêbedo”. O texto fala da rotina de um marinheiro preso em um ambiente que comumente representa liberdade, a amplitude infinita do mar. (p. 5)

1.5.4

PIMENTEL, Cyro. “Poema”. O poema é composto de quatro tercetos de versos livres que cantam as belezas do sol e do céu. (p. 6)

1.5.5

BRAGA, Edgard. “Poça de rua”. O poema é composto de três estrofes que apresentam de quatro a cinco versos livres que falam sobre a indiferença evocada por uma poça d’água. (p. 6)

1.5.6

ALMEIDA, Guilherme de. “Esquinas”. O poema é composto de versos livres distribuídos em estrofes que variam de um a seis versos. O poema fala do caráter de surpresa e imprensibilidade das esquinas. (p. 7)


45

1.5.7

ALMEIDA, Guilherme de. “Insônia”. O poema é composto de cinco dísticos de versos livres. Retrata um cenário característico à insônia: luz acesa, barulho de chuva, ruídos dos móveis, cigarros no cinzeiro e várias tentativas de leitura. (p. 7)

1.5.8

LEITE, José Eduardo. “A poesia”. O poema é composto de cinco estrofes de versos livres. As estrofes variam de dois a seis versos. Comparando a poesia a uma bailarina de ritmos difusos, o poeta considera-a como portadora de vida pela sua ambivalência. (p. 8)

1.5.9

PINHEIRO, Fred. “Ode”. O poema é composto de seis estrofes que variam de dois a cinco versos livres que cantam a conquista e a perda da mulher amada. (p. 8)

1.5.10

IVO, Ledo. “A palavra e a graça”. O poema é composto de três estrofes de versos livres que variam de dez a três versos. O poema trata da palavra “Inefável” e da “Graça de Deus”. (p. 9)

1.5.11

BRITO, Mario da Silva. “O escravo”. O poema é composto de quatro estrofes de versos livres. A primeira trata-se de um quarteto; a segunda de um dístico; a terceira e a quarta de um terceto. O poeta fala sobre a indiferença e o descaso comum entre a humanidade. (P. 10)

1.5.12

BRITO, Mario da Silva. “Herança”. O Poema é composto de três quartetos de versos livres. Estes frisam a importância da palavra e o significado diverso e particular que cada pessoa pode lhe atribuir independente de seu sentido estrito. (p. 10)

1.5.13

CARNEIRO, Dulce G. “Contorno de arranhacéus”. O poema é composto de três estrofes que variam de sete (duas inicial e final) a três versos (a do meio). O poema fala da falta de vida e indiferença entre a multidão causadas pelo progresso e pela máquina. (p. 11)

1.5.14

CARNEIRO, Dulce G. “Escala partida”. O poema é composto de duas estrofes, uma de oito e outra de dois versos livres. O poema canta o nascer do dia. (p. 11)

1.5.15

CARNEIRO, André G. “A Morte”. O conto narra a história de uma jovem que tendo como principal obstáculo para seu casamento a objeção da sogra, decide matá-la. O texto mostra a habilidade de


46

construção de seu autor pelo efeito de suspense criado por este, fazendo com que o leitor participe dos sentimentos do protagonista. (p. 3) 1.5.16

MEMOLO JR., Cesar. “Bernadina”. O conto narra a história de uma família recém formada e feliz a qual se agregou uma empregada muito estranha chamada Bernardina. A empregada jamais rira e cumpria sempre suas obrigações com o maior esmero. Certo dia, de madrugada, a família acordou com o som de altos risos. A empregada havia assado, no forno, a criança filha do casal e morrido após. (p. 7)

1.5.17

1.6

SILVA, Domingos Carvalho da. “Elogio da virtude”. Com muito humor, o autor tece algumas considerações sobre a virtude, a fé, a valentia e desfere ainda uma crítica irônica ao poeta Ledo Ivo (p. 12)

Nota e/ou comentário 1.6.1

SILVEIRA, Alcantara. “Notinha, com exemplos, sobre dois novíssimos”. Trata-se de uma nota sobre Ernesto R. C. Wayne, gaúcho de Bagé e Arnaldo Rodrigues Coelho, paulista. Este tendo por tema o amor insatisfeito, aquele mais hermético, audacioso e ousado. (p. 5 e 9)

1.6.2

TENTATIVA _ Oferta de assinatura do jornal para que este prossiga no cumprimento de seu objetivo: possibilitar aos novos a divulgação de suas obras, com um mínimo de gasto material. (p. 6)

1.6.3

REVISÃO DE VALORES. A redação “critica” esse proposto afirmando que embora Mário de Andrade, Carlos Drummond ou Graciliano Ramos apresentem defeitos em suas obras, eles nos legaram uma obra, desbravaram um caminho, apontaram um rumo que a nós compete ultrapassar; apontamos suas falhas e analisamos sua obra; será justo e recomendável. Mas, atacá-los com piadas e caricaturas revela uma disposição contraproducente e inútil (p. 12)


47

1.6.4

Nota Paulistana91 1.6.4.1 Enterro do poeta Paulo Sérgio. Acompanhado pelos intelectuais Cecílio Matarazo, Oswald de Andrade e Antonieta, Alcir Porchat, Augusto Fred. Schimidt, Cyro Pimentel, Paulo Duarte, Domingos C. da Silva...(p. 12) 1.6.4.2 Concluindo o concurso de contos instituído pelo “Jornal de Notícias”. Primeiro prêmio: Leonardo Arroi, segundo: J. Pimentel Pinto. (p. 12) 1.6.4.3 Reuniões da turma da proa da literatura local: Aurasil Brandão Joly, Mr. Leonard Downes, José Escobar Faria, Oswald de Andrade. (p. 12) 1.6.4.4 Na casa de Aurasil, surgiu um movimento autonomista, destinado a impedir que São Paulo seja convertido em São Paulo de Loanda. (p. 12) 1.6.4.5 Novos trabalhos de Pericles Eugênio e Carlos Burlamaqui Kopke, dedicados aos respectivos filhos. (p. 12) 1.6.4.6 A poetisa Colombina, que lidera o grupo de Lampeão de Gás, é autora de um poema de exaltação ao soldado nazista. (p. 12)

1.7

Ilustração 1.7.1

1.8

Anúncio 1.8.1

91

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “A Morte”, de André G. Carneiro. (p. 3)

PAULO SÉRGIO. Anúncio de sua morte. (p. 2)

Trata-se de uma coluna presente em alguns números do jornal e destinada a divulgação de eventos ocorridos em São Paulo.


48

1

Jornal Tentativa. .ano 1, n. 4, outubro de 1949. 1.1

Expediente Diretor-responsável: André G. Carneiro Diretor-secretário: Cesar Memolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

MILLET, Sérgio. “Um inquérito”. O autor responde neste artigo perguntas feitas pela redação de Tentativa. Entre essas perguntas incluem-se: “surgiu e 1945 a esta data uma nova poesia?”; “o hermetismo da nova poesia decorre de uma busca do essencial poético ou é um reflexo da nossa época conturbada?”, “os escritores devem aguardar a plena maturidade para publicar seus livros ou lançá-los cedo?”, perguntam ainda sobre a inutilidade da luta e a “revisão de valores”, “o que é um escritor gagá” e “o que é uma geração”. (p. 1)

1.3.2

“Falam os escritores brasileiros _ revisão de valores, o problema do hermetismo, em poesia simulação é pecado mortal, o que é um escritor gagá?, as gerações e as vidraças da academia”. O artigo inicia uma série de depoimentos sobre questões debatidas entre os intelectuais brasileiros contemporâneos. Na presente edição são publicados as respostas de Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo, Otto Maria Carpeaux e Sérgio Milliet. (p. 5)

1.3.3

HADDAD, Jamil Almansur. “Carlyle e Karl Marx”. Uma das coisas destacadas no artigo é que o mal das escolas deterministas não está no seu fundamento filosófico mas sim no seu exclusivismo exagerado. (p. 12)

1.4

Entrevista e/ou correspondência


49

1.5

Criação 1.5.1

SILVA, Domingos Carvalho da. “Anti-Kipling”. O poema é composto de 6 estofes de versos livres. Essas estrofes variam de 4 a 10 versos. O poema é repleto de antíteses que ajudam a compor um retrato pessimista da vida. (p. 2)

1.5.2

CARNEIRO, Dulce G. “Euforia da rosa”. O poema é composto de 6 estrofes de versos livres. Trata-se de um poema de exaltação à beleza da rosa comparando-a a um poema. (p. 3)

1.5.3

SOUZA, Waldemar Carlos de . “Frustração”. Poema composto de 5 estrofes de versos livres. As estrofes variam de 2 a 6 versos que falam sobre a dor e o vazio decorrentes da despedida. (p. 4)

1.5.4

FARIA, José Escobar. “A escolha”. Poema composto de 41 versos dispostos em uma única estrofe que fala sobre a fuga como opção de escolha. (p. 4)

1.5.5

RIVERA, Bueno de. “Inverno Rural”. Poema composto de 6 estrofes de versos livres que variam de 2 a 8 nas estrofes mencionadas. O autor fala do cenário de uma vida rural. (p. 6)

1.5.6

IVO, Lêdo. “A armadilha”. Poema composto de 3 quartetos de versos livres que falam sobre a efemeridade da vida e da aproximação da morte, que é comparada a uma viagem. (p. 7)

1.5.7

HOLZNER, Joé. “Brumes”. Poema composto de 2 estrofes, a primeira com 2 e a segunda com 14 versos. Trata-se de um lamento por se ter perdido a felicidade proporcionada pela companhia do ser amador. (p. 7)

1.5.8

JACOB, Porfirio Barba. “Cancion de la vida profunda”. Poema composto de 7 quartetos. Apresenta rimas externas alternadas nos segundos e quartos versos de cada quarteto. O poema fala sobre a alternância de bons e maus momentos durante a vida. (p. 9)

1.5.9

BRAGA, Edgard. “Porta Oclusa”. Poema composto de 3 quartetos de versos livres que falam da tristeza decorrente da falta de memória.


50

1.5.10

CERNIGOY, Carlos. “Intervalo da morte”. Poema composto de 4 estrofes de versos livres que variam do número de 2 a 6 em cada estrofe. O poeta demonstra desejo de perscutar os mistérios da morte, mistérios frios e infinitos. (p. 10)

1.5.11

MORAES, Vinícius de. “Balada da moça do Miramar”. Poema composto de 8 estrofes de versos que variam do número de 3 a 13 para cada estrofe. Os versos apresentam rimas intercaladas. O poema fala do cadáver de uma mulher sentada em frente ao edifício Miramar, se decompondo a mirar o mar. (p. 11)

1.5.12

SENA, Marcelo de. “A esperança”. Poema composto de 4 estrofes de versos livres. As estrofes são compostas de 2 a 9 versos que falam sobre a perda de esperança. (p. 12)

1.5.13

CARNEIRO, André. “A briga”. O conto narra o desespero e angústia de uma criança chamada para a briga pelo garoto mais valente da turma. (p. 3 e 4)

1.5.14

ALVES, Oswaldo. “O suicida”. O texto arrola todas as possíveis causas de suicídio no mundo moderno das quais a que se sobressaem é a falta de esperança. (p. 6)

1.5.15

1.6

MEMOLO JR. Cesar. “O envelope guardado”. O conto narra a história de uma jovem que nunca se casou porque a única pessoa que a amou adquiriu força para tirar sua própria vida através desse amor, explicando-lhe tudo por carta. (p. 8 e 9)

Notas e/ou comentário 1.6.1

PASCAL, Matias. “Quebra-quebra mirim”. Na semana comemorativa dos novíssimos foram expostos os desenhos do sr. Darcy Penteado, inspirados nas mais finas convicções homossexuais em voga. Alguns rapazes apedrejam a exposição. Conferências de José Geraldo Vieira, Murilo Mendes, Ledo Ivo, Wilson Martins, Edgar Braga e Domingos Carvalho da Silva. (p. 2)

1.6.2

Vinícius de Moraes. O poeta enviou de Hollywood o poema “Balada da moça do Miramar”. (p. 4)


51

1.6.3

Praia Oculta. Lançada por Domingos Carvalho da Silva em São Paulo. (p. 4)

1.6.4

Poetas novos. Foram publicados dois poemas dos estreantes Carlos Cernigoy e Waldemar Carlos. (p. 4)

1.6.5

Escritores na Rádio Paulista. Destaque para o programa de Helena Silveira na Rádio Excelsior. (p. 4)

1.6.6

“Introdução ao estudo do ritmo na poesia moderna”. Conferência pronunciada pelo poeta Domingos da Silva em São Paulo. (p. 4)

1.6.7

Recebimento das Publicações: Esfera, O mandarim, Clã, Sul, Investigações, Jornal da Música, Artes e Letras, Filosofia, Ciências e Letras, Letras da Pronúncia, L’essou littéraire, Orfeu, Jornal das Artes, Folha Socialista, Revista Branca e Folha do Ipiranga. (p. 7)

1.6.8

Recebimento dos livros: “Exposição de Pintura Contemporânea”, “Exposição de Pintura”, “Vida e outros poemas” de Ana Ozório, “Marafa, Oscarina e Três Caminhos, a Estrela Sobe”, de Marques Rebelo, “7 anos de pastor” de Dalton Trevisan, “Bonjou Paris” de Frank Bloemen, “Aufil de l’heure” de Nádia de Chédid, “Les Mirous cachés” de Liliane Gaschet, “Perce-neige” de André Pradas, “Poéte, sois toi-même” de Joé Holzner, “O cacto vermelho” de Lígia Fagundes Telles, “Os objetos”, Aluizio Medeiros, “Crítica”, “O esv. mágico”, Murilo Rubião, “Antologia de Contos de Escritores novos do Brasil”, “Poesias Escolhidas”, Manuel Bandeira, “Poemas”, Darcy Damasceno, “Um homem dentro do mundo”, Oswaldo Alves, “Alma nua”, Idelma Ribeiro de Faria, “Castigo” e “Minha vida bem contada”, Antonio Pousada, “Elegia Diurna”, José P. M. da Fonseca, “Apoemas”, Mozart S. Aderaldo e José Stênio Lopes. (p. 7)

1.6.9

“Colaboração Remunerada. A vigorar a partir do nº 6. (p. 10)

1.6.10

“Semana Folclórica”. Realizou-se em agosto em São Paulo. (p. 10)

1.6.11

Alberto Cavalcanti. Está entre nós este notável cineasta. (p. 10)

1.6.12

Museu da Arte moderna. Sob nova direção. Lourival G. Machado. (p. 10)

1.6.13

Joaquim Nabuco. Pequena biografia e bibliografia. (p. 10)


52

1.7

1.6.14

O cinema e a crítica. Três novos críticos de cinema colaboradores de jornais Walter George Durst, Pedro X. P. de Carvalho e Saulo Guimarães. (p. 11)

1.6.15

Euclides da Cunha. Crítica contra a especulação feita sobre sua morte. (p. 11)

1.6.16

“Prêmio Adhemar de Barros”. Instituído pelo Departamento Municipal de Cultura. (p. 11)

1.6.17

“Ângulo e Face”. Lançamento do livro de André Carneiro. (p. 9)

1.6.18

Menotti Del Picchia. Retornou da Europa. (p. 9)

1.6.19

“Novos Suplementos Literários”. Dos jornais “Jornal do Comércio” e “Tribuna de Petrópolis”. (p. 9)

1.6.20

Jornal de Letras. Lançado no Rio pelos irmãos Candé João, José e Elysio. (p. 9)

1.6.21

Marques Rebêlo. Homenageado no Suplemento da “Folha da Tarde” de Belém do Pará no nº 128. (p. 9)

1.6.22

Centenário de J. Wolfgang Goethe. Pequena biografia. (p. 9)

1.6.23

Em comemoração ao segundo centenário do nascimento de Goethe, as edições melhoramentos instituíram uma coleção Goetheana. (p. 7)

1.6.24

“Pureza”, de José Lins do Rego é lançado em Londres. (p. 7)

1.6.25

Teve início em Aracaju a filmagem de “Os corumbás” de Amando Fontes. (p. 7)

1.6.26

Breve lançamento de “Pecado Original” de George Talori pela Livraria José Olympio. (p. 7)

1.6.27

Breve publicação da tradução de “A Peste” de Albert Camus. (p. 7)

1.6.28

Acha-se no prelo da 2ª edição “Sobrados e Mocambos” de Gilberto Freire. (p. 7)

Ilustração 1.7.1

BONADEI, Aldo. Ilustração do texto “O inquérito”. (p. 1)


53

1.8

1

1.7.2

SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “O envelope guardado”. (p. 8)

1.7.3

Foto de Joaquim Nabuco. (p. 10)

1.7.4

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Balada da Moça do Miramar”. (p. 11)

Anúncio

Jornal Tentativa. .ano 1, n. 5, dezembro de 1949. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Memolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O artigo destaca as últimas novidades editadas em Paris. (p. 2) 1.3.1.1 BOIS-JUSAN, Daniel de. “Celui qui fut Pedro Munoz”. Obra picaresca mas forte em colorido, de um dinamismo cheio de humor. (p. 2) 1.3.1.2 MUNIER, Paul. “Douze Survivanks”. Representa todo um programa 1.3.1.3 MALET, Leo. “L”ombre du grand mur”. Uma intriga apaixonante conduzida com segurança. (p. 2) 1.3.1.4 MIOMANDRE, Francis de. “L ‘Ane de Buvidan”. História de um fraco que não sabe se decidir entre duas mulheres. (p. 2) 1.3.1.5 VIALAR, Paul. “Monsieur Dupont est morte”. A história se passa durante o trajeto de um féretro entre a igreja e o


54

cemitério. No cortejo aparecem a esposa, a amante, o sócio, os filhos, etc. Um romance pleno de filosofia e obcecado pela morte. (p. 2) 1.3.1.6 VIDRAC, Charles. “D’Après l’écho”. Romance que reflete bem o estado de alma do autor, dono de uma espontaneidade rica e fresca, cujo segredo é só dele. (p. 2) 1.3.1.7 CHARASSON, Henriette. “Sur la plus haute branche”. Poesia do cotidiano, humana, vivida no que tem de mais sublime e lírico na feminilidade. (p. 2) 1.3.1.8 MICHAUX, Henri. Michaux acaba sempre entusiamando pelo seu fervor e densidade. (p. 2) 1.3.2

“Falam os escritores”. Neste artigo Menotti Del Picchia e o sociólogo francês Roger Bastide respondem às perguntas: De 1945 para cá terá surgido uma nova poesia?, O hermetismo da nova poesia será resultante de uma busca do essencial poético ou reflexo inevitável de nossa época conturbada?”, Voltará a poesia a ser compreendida pelo grande público ou se transformará em arte quase especializada para sensibilidades receptivas apenas?, A literatura brasileira ainda não conseguiu projeção mundial. Quais os motivos?, Devem os escritores jovens aguardar certa maturidade e experiência intelectual para publicação de sua obra ou lançá-la cedo?, Do atual clima de luta entre gerações, decorrerá algum benefício para a nossa literatura?, Será recomendável ou prejudicial incentivar a combatividade dos moços?, Há necessidade de “revisão “ de valores na literatura brasileira? E como deveria ser feita? O que devemos entender por um escritor “gagá”?, A obra dos “novos escritores brasileiros” autoriza o emprego da palavra geração? Por quê?, Existirá entre os intelectuais jovens desinteressados pela ficção? (p. 4 e 10)

1.3.3

FRANCO, Augusto. “Há crise na literatura?” Nesse artigo o autor explica que a crise na literatura se explicaria pela desumanização do homem em conseqüência de um complexo cultural e de uma filosofia de vida excessivamente utilitarista que quer contrapor uma realidade externa à realidade subjetiva e única, porque eterna. (p. 6)

1.3.4

RIBAS, J. Carvalhal. “Função Psico-Social da Caricatura”. Em seu artigo o autor destaca que à luz da psicanálise a caricatura representa uma válvula por onde se descarregam impulsos recalcados, na


55

sociedade, a exemplo das outras obras de arte, dos sonhos, das anedotas, dos atos falhados da vida cotidiana. (p. 8) 1.3.5

1.4

MARTINS, Cristiano. “Os cantos do país das gerais”. destaca o livro Elegias do país das Gerais de Dantas Mota. afirma, a densidade desta obra, ao contrário do que habitualmente em grande número de poetas não decorre do exagerado dos valores abstratos, mas paradoxalmente do dos valores concretos ou objetivos. (p. 12)

O autor Segundo se nota emprego emprego

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

HADDAD, Jamil Almansur. “Bilhete ao M. Nem”. Neste artigo o autor responde de maneira um tanto quanto agressiva à critica feita a ele por Mario Nem no “Estado de São Paulo”. (p. 10)

1.4.2

TELLES, Lygia Fagundes. “Depoimento Bimestral”. Em seu depoimento a autora destaca que não há entre os moços desinteresse pela ficção, mas sim pela cultura. Segundo ela, os maiores contistas nacionais são Machado de Assis, Monteiro Lobato e Mario de Andrade; e o maior ficcionista é Machado de Assis. Ressalta que a característica marcante dos novos é o medo e quanto às influências estrangeiras diz que essas são pessoais. (p. 11)

1.4.3

FARIA, José Escobar. “Depoimento Bimestral”. O autor confirma a existência do hermetismo na poesia dos últimos dez anos citando como exemplos Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Considera como um poeta “maior” Carlos Drummond de Andrade e como “menor” Augusto Frederico Schmidt. Segundo ele, principalmente em 1949 os poetas se libertaram da geração de 22; não existe crítica de poesia no Brasil e dos poetas anteriores ao modernismo aprecia Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Álvares de Azevedo. (p. 11)


56

1.4.4

1.5

MENDES, Oscar. “Lembrança de Mário de Andrade”. Nesse artigo o autor dá um depoimento acerca de sua amizade com Mário de Andrade elogiando-lhe o espírito meticuloso e amigo. (p. 1)

Criação 1.5.1

CARNEIRO, Dulce G. “Paisagem”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres dispostos no número de dois a dez. A autora ressalta o aspecto sereno e propenso à meditação evocado pela paisagem destacada. (p. 3)

1.5.2

CARNEIRO, André. “Amor”. Poema composto de seis estrofes de versos livres que variam de dois a sete em cada estrofe. O poema fala sobre a procura de um amor seguro e estável. (p. 3)

1.5.3

FIGUEIREDO, Wilson de. “Romance Pobre”. Poema composto de 10 estrofes de versos livres. Essas estrofes possuem de 2 a 10 versos que narram a história de um romance que devido à sua não efetivação acaba em tragédia. (p. 5)

1.5.4

ALVARENGA, Otávio Melo. “Retrêta”. O poema é composto de versos livres e apresenta como particularidade a divisão do vocábulo saltar em dois outros elementos (sal e tar) ficando cada um em um verso diferente, respectivamente no início e no fim de cada verso. (p. 5)

1.5.5

FONSECA, Olímpio Monat da. “Fragmento sobre a Morte”. Poema composto de 22 versos livres dispostos em uma única estrofe. Tais versos tratam da recordação evocada pelos objetos pertencentes aos entes queridos falecidos. (p. 5)

1.5.6

GUIMARAENS FILHO, Alphonsus de. “Ó dolorido céu...”. Soneto cujas rimas externas são classificadas como alternadas. O poema fala sobre o caráter transcendente da chamada celestial. (p. 6)

1.5.7

JOLY, Aurasil Brandão. “Reflexão Menor nº 9”. Poema composto de 17 versos livres dispostos numa única estrofe que tece uma reflexão sobre o caráter ao mesmo tempo marcante e efêmero da vida. (p. 7)


57

1.5.8

OSORIO, Ana. “Poema”. Poema composto de 3 tercetos e um dístico. Apresenta versos livres que consideram a solidão de um jovem músico que não vive pois não ama. (p. 7)

1.5.9

FONSECA, José Paulo M. da. “Brazas”. Poema composto de 6 versos livres que falam sobre o rubor das brasas. (p. 8)

1.5.10

BANDEIRA, Antonio Rangel. “Primavera”. Poema composto de 6 versos livres dispostos em uma única estrofe que falam sobre a renovação proposta pela primavera. (p. 8)

1.5.11

RIBEIRO NETO, Oliveira. “O desejo”. Poema composto de 3 estrofes sendo estas 2 quintetos e uma sétima. O poema fala sobre os meios de fuga arquitetados pelo poeta para fugir da obsessão causada pelo desejo da mulher amada. (p. 9)

1.5.12

IVO, Lêdo. “A vã feitiçaria”. Poema composto de 14 versos dispostos numa única estrofe. Esses versão não apresentam rimas, sendo portanto livres. Enfoca o aspecto criador do ser mortal que não vence a morte na sua criação. (p. 9)

1.5.13

FONSECA, Edmur. “Momento”. Poema formado por 2 quartetos e um refrão que se repete 2 vezes, sendo este o verso “no quarto, só”. Os versos são de natureza livre. O tema é a solidão. (p. 11)

1.5.14

ROCHA, Wilson. “Elegia Noturna”. Poema composto de 25 versos livres, dispostos em uma única estrofe que falam sobre a recordação da mulher amada que sobrevem ao poeta toda noite. (p. 12)

1.5.15

MÊMOLO JÚNIOR, Cesar. “O filho do Pastachuta”. O conto narra a angústia sentida por uma criança ao ser chamada de filho do Pastachuta, um mendigo que perambulava pela cidade. (p. 3)

1.5.16

1.6

BARRETO FILHO, Oswaldo. “Mãos Brancas”. O conto narra a história de um homem que depois de um relacionamento indiferente com a cunhada acaba se envolvendo com a mesma. Descoberto pela esposa, ele a mata e depois se suicida. (p. 6)

Notas e/ou comentário


58

1.6.1

BALZAC. Estão sendo programados em todo o mundo e principalmente na França os festejos e comemorações pela passagem do 150º aniversário do nascimento de Balzac. Em comemoração estão sendo reeditadas várias de suas obras. (p. 2)

1.6.2

RUY BARBOSA. Centenário. Nota sobre as comemorações no dia 5 de novembro do centenário do nascimento de Ruy Barbosa. (p. 3)

1.6.3

O cinema brasileiro e Alberto Cavalcanti. Nota sobre a posse de Alberto Cavalcanti como Diretor-chefe da Produção na Cia Vera Cruz. Fato que poderá encerrar definitivamente o ciclo que a 7ª arte percorreu até agora no Brasil deixando-nos a escória comercializada das improvisações carnavalescas. (p. 3)

1.7

1.8

1.6.4

Livros Recebidos: “Perfil de Amadeu Amaral”, Hélio Damanti, “Cântico”, Lêdo Ivo, “Anteu e a Crítica”, Roberto Alvim Correia, “Morada da Paz”, Jorge Medauar, “Sonetos para Chopin”, M. A, Raúl Vallejos, “A Rosa Orvalhada”, Alvaro Faria, “Confidência”, Cabral do Nascimento, “Face Oculta”, Carvalho Filho. (p. 5)

1.6.5

Publicações Recebidas: “Correio das Artes”, “Artes e Letras”, “Folha de Minas Gerais”, “Sul”, “Alliance”, “Suplemento Literário ’Diário de Minas’”, “Mensário”, “Jornal de Música”, “Investigações nº 9”. (p. 5)

1.6.6

Nosso próximo número contará com maior número de páginas. (p. 10)

Ilustração 1.7.1

DUARTE, Benedito J. “Mário de Andrade”. Fotografia. (p. 1)

1.7.2

BALZAC, numa caricatura da época. (p. 2)

1.7.3

Fotografia de Ruy Barbosa (p. 3)

1.7.4

Fotografia de Alberto Cavalcanti (p. 3)

1.7.5

BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Elegia Noturna” de Wilson Rocha (p. 12)

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59

1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

SILVA, Domingos Carvalho da. “Nos subúrbios da poesia”. O autor cita alguns lançamentos dos novos poetas fazendo uma pequena análise de cada um e lamentando a falta de oportunidade lhes oferecida pelos críticos. (p. 4)

1.3.2

ALVES, Oswaldo. “Na intimidade da poesia”. O autor destaca que compreender um grande poeta exige tempo e meditação. Argumenta que essa ausência de familiarização é que tem sido a causa de tanta incompreensão em torno da Poesia Moderna. (p. 5)

1.3.3

JORDAN, Fred. “Ensaio sobre o gênio”. Segundo o autor, o gênio é, em linhas gerais, a síntese, a cristalização das possibilidades de desenvolvimento da cultura de uma época, numa individualidade. (p. 9)

1.3.4

NUNES, Cassiano. “Conceito poético de Israfael”. O autor faz, referência ao termo Israfel. Poe, sugerido pelo melhor biógrafo de Poe, que encontrou no doce canto do Poeta identidade com a melodia suave do anjo narcísico de Maomé. (p. 12)

1.3.5

SILVEIRA, Alcantara. “Uma Tentativa”. O autor parabeniza os editores pela comemoração de 1 ano de existência de Tentativa e propõe que se inicie uma cruzada em prol da regeneração dos costumes políticos, em benefício da melhoria de caráter, em favor do hábito de ler e estudar. (p. 14)


60

1.4

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O autor, em seu artigo destaca alguns artistas franceses como Roger Limouse, cuja pintura se assemelha a dos magníficos coloristas brasileiros e Lilly Steiner, que reúne a arte plástica à arte poética. Destaca, ainda, o acervo da “Manufature des Porcelaines d’arts de Coulene” e o livro “La vie intime des artistes français au XVIII siécle de Watteau à David”, por Alfred Levoy. (p. 2-3)

1.4.2

Depoimento Bimestral. “Lêdo Ivo”. Indagado sobre o hermetismo na poesia dos dez últimos anos, o escritor afirma que sempre existiu e sempre existirá hermetismo pois o hermetismo verdadeiro é o que nasce da própria autenticidade do poeta. O censurável seria a adesão ao hermético apenas como meio de seguir a ordem do dia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, destaca que não há entre nós prestígios injustificáveis. Todos são justos e se explicam. Sobre a libertação da influência de 22 diz que não se trata de libertar-se do modernismo mas de incorporar suas conquistas. Alguns se libertam, outros pouca influência tiveram de 22 e muitos outros não são poetas. Quanto à crítica de poesia no Brasil destaca que esta tem acertado nos resultados gerais do julgamento poético. E para ele, dos poetas anteriores, Castro Alves é o único no qual sente a flama da genialidade. (p. 15)

1.4.3

Depoimento Bimestral. “Saldanha Coelho”. Em seu depoimento, o escritor afirma que não há desinteresse entre os moços pela ficção. Essa falsa impressão de que existem mais poetas do que ficcionistas decorre, talvez, do fato de ser a poesia uma forma expressional aparentemente menos exigente que a prosa. Para ele Machado de Assis é o mais expressivo ficcionista surgido antes de 22 e o maior contista brasileiro de todos os tempos e José Lins do Rêgo o ficcionista mais expressivo depois de 22. Segundo ele, o que particulariza a obra dos jovens ficcionistas brasileiros é a preocupação pelo humano, pela arquitetura do drama com um sentido universal. Afirma que a maior fonte de influências estrangeira na ficção é a que tem seus intérpretes no existencialismo. Entre estes intérpretes, cita Camus e Sartre. Na poesia, persiste a influência do surrealismo. (p. 15)


61

1.4.4

Falam os escritores. “Oswald de Andrade”. Sobre o hermetismo o autor destaca que sempre houve poesia hermética. A poesia nunca é compreendida pelo grande público, senão através da exegese. É uma questão de sensibilidade, de eleição e de cultura. Para ele, a literatura brasileira não conseguiu projeção porque não presta. Quanto aos novos, estes devem publicar logo que escrevem. A timidez só atrapalha. A combatividade dos jovens deve ser incentivada visto que toda luta é fecunda e gera benefícios. Segundo ele, há necessidade de “revisão de valores”, pois até hoje, a nossa literatura, a contemporânea, permanece íntima da confusão interessada de grupos e panelas. Compete aos novos desmascarar essa conspirações de publicidade. Quanto à utilização da palavra “geração” argumenta que esta existe nos dicionários para que se use dela a vontade. Acrescenta, ainda, que não há desinteresse dos jovens pela ficção. É que a ficção é mais difícil do que a poesia. (p. 16)

1.4.5

Falam os escritores. “Roberto Alvim Corrêa”. O autor destaca que de 1945 para cá surgiu uma nova poesia na figura de três ou quatro jovens poetas dignos dos que os precederam e mais expressivos porque todo poeta autêntico é profundamente expressivo. Para ele sempre houve poesia hermética, sendo o hermetismo uma condição de vida para a grande poesia. Respondendo a pergunta que indaga se a poesia voltará a ser compreendida pelo grande público ou se transformará em arte quando especializada, diz que o grande público vê num poeta um símbolo facilmente compreensível de algo simples e nobre. Para ele, a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção mundial, porque para que repercutisse no estrangeiro necessitaria a literatura nacional que começasse por repercutir no Brasil. Segundo ele, o clima de luta entre gerações é sempre profícuo e a combatividade é uma necessidade. Depende de nós transformá-la numa qualidade. Argumenta que temos que rever sempre os valores literários e essa revisão deve ser feita de maneira que possamos verificar o que ainda nos trazem as obras do passado. Para ele, escritor “gagá” é um decrépito e a obra dos novos escritores brasileiro autoriza o emprego da palavra geração pelo caráter de seriedade, particularmente meditativo, pelo senso de responsabilidade de alguns jovens escritores. Afirma que não há desinteresse pela ficção mas consciência daquilo que ela pode representar uma experiência sempre aprofundada de nossa condição. Segundo destaca


62

a renovação do romance dos últimos dez anos pode ser simplificada pela obra de Otávio de Faria e o que caracteriza a atual geração de ficcionistas brasileiros é a inquietação. (p. 16, 2) 1.5

Criação 1.5.1

MÊMOLO JR, Cesar. “Intervalo”. O conto narra a consciência da decadência física que se apossa de uma mulher quando percebe ter perdido todos os laços e esperanças que de certo modo a ligavam à vida. (p. 3)

1.5.2

OLIVEIRA, Maria Léa de. “Afonso”. O conto descreve a rotina e morte de um pássaro fazendo uma analogia deste com o ser humano privado de sua liberdade para quem a morte é melhor que a vida. (p. 6)

1.5.3

DOURADO, Waldomiro Autran. “Remanso”. O texto trata da angústia sentida por toda uma cidade diante da iminente morte de uma de suas habitantes. Diante da expectativa da morte todos se esquecem da vida representada pela criança recém-nascida da doente. (p. 7)

1.5.4

LACERDA, Nair. “O papagaio de papel”. O texto narra os infortúnios de um homem cujos sonhos nunca foram atingidos. Desiludido, se suicida e os seus antigos sonhos começam então a se realizarem: ter um filho, ganhar na Loteria e ter um jardim florido. (p. 8)

1.5.5

MENDES, Murilo. “Juan Miguel”. O poema é composto de sete estrofes que apresentam de dois a cinco versos livres que contam a morte do toreiro Juan Miguel. (p. 4)

1.5.6

FONSECA, Edmur. “Porta Severa”. Poema composto de quatro tercetos de versos livres que falam sobre o fazer poético. (p. 5)

1.5.7

PEREIRA, Manoel da Cunha. “Nuvem”. Poema composto de três estrofes sendo a primeira e a terceira sextetos e a segunda um quinteto. As estrofes são compostas de versos livres que lamentam a ausência da pessoa amada com esperança de breve regresso. (p. 5)


63

1.5.8

GRAMACHO, Jair. “Canção do anel perdido num caminho em tempo de outono”. Poema composto por quatro dísticos de rimas alternadas. Os versos possuem cinco sílabas poéticas sendo classificados como redondilha menor, que retrata a falsidade do compromisso simbolizado por um simples anel. (p. 9)

1.5.9

MATOS, Marco Aurélio de Moura. “Auto-retrato com lamento”. Poema composto de oito estrofes de versos livres que representam a complexidade da definição do ser humano. (p. 10)

1.5.10

LISBOA, Henriqueta. “Coração e espada”. Poema composto de seis estrofes de versos livres. Estas estrofes correspondem a quatro quartetos e dois dísticos que funcionam como refrão. O poema compara os feitos do coração ao poder de uma espada. (p. 13)

1.5.11

CARNEIRO, Dulce G. “Fuga e encontro”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que falam sobre o fluir do tempo como a passagem da vida, de suas vivências. (p. 13)

1.5.12

FILHO, Rocha. “Poema”. Poema composto de uma única estrofe de sete versos livres que falam sobre os recursos da modernidade que aproximam e ao mesmo tempo derrotam os homens. (p. 13)

1.5.13

LINO, Donozor. “Caótica descida para a morte de Campos do Jordão”. Poema composto de nove estrofes de versos livres que fazem referência a Campos do Jordão como cidade procurada pelos seus efeitos curativos devido ao clima. (p. 14)

1.5.14

NASCIMENTO, Cabral do. “Língua Portuguesa”. O poema é composto de uma única estrofe que apresenta doze versos livres que trazem um lamento sobre a condição de sobrevivência da Língua Portuguesa, segundo uma ótica lusitana. (p. 16)

1.6

Nota e/ou comentário 1.6.1

“Esclarecimento”. Neste artigo os editores tentam definir sua posição política e literária. Quanto aquela afirmam que não a possuem, estão dispostos a lutar contra todas as injustiças sociais, porém dentro do mais duro realismo e sem a mínima ilusão. Quanto à posição literária afirmam que seus diretores (de Tentativa) possuem seus rumos estéticos, preferências e idiossincrasias literárias. Mas, agindo na


64

direção do jornal, abdicam de qualquer parcialidade consciente, aceitando colaborações de todas as tendências, desde que revelem uma pesquisa sincera e honesta. (p. 1) 1.6.2

Últimas Notas _ Rosário Fusco anuncia. “Anel de Saturno” (teatro), “Introdução à experiência estética”, “Rodia e Temas Eternos” (ensaios), “Auto da noiva” e “O viúvo e o anfitrião” (teatro). (p. 10) 1.6.2.1 Sérgio Milliet publicará em breve “Poema do Trigésimo dia”, poema sobre a temática da morte. (p. 10)

1.6.3

Nota sobre a colaboração de Cabral do Nascimento (poeta português) a Tentativa; esclarecimento da autoria das vinhetas publicadas (Dulce G. Carneiro); a questão da remuneração das colaborações e o anúncio do nome de Adalmir da Cunha Miranda como representante da Tentativa na Bahia. (p. 13)

1.7

1.6.4

Estréia de Luiz Martins com o livro de poemas “Cantigas da rua escura”. (p. 15)

1.6.5

“Cinema Brasileiro”. Sob a direção de Salomão Scliar e Alberto Ruschel a indústria do cinema brasileiro anuncia os filmes “Além do Tempo” e “Céu Vazio”. (p. 15)

Ilustração 1.7.1

WEISSMANN, Franz. Ilustração do artigo “Esclarecimento”. (p. 1)

1.7.2

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Intervalo”. (p. 3)

1.7.3

MASSAREL, Franz. Xilogravura. (p. 4)

1.7.4

PICASSO, “Paul Eluard”. (p. 5)

1.7.5

WEISSMANN, Franz. Ilustração do texto “Afonso”. (p. 6)

1.7.6

ANDRADE FILHO, Oswald. Ilustração do texto “Remanso”. (p. 7)

1.7.7

SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “O papagaio de papel”. (p. 8)

1.7.8

BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Canção do anel perdido num caminho em tempo de outono”. (p. 9)


65

1

1.7.9

MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 11)

1.7.10

BARROS, Geraldo. “Água-Forte”. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

RIBAS, J. Carvalhad. “Em prol de um consciência psico-higiênica da claque”. Falando sobre a claque, grupo de pessoas treinadas e pagas para aplaudir em peças teatrais, o autor destaca que o teatro exerce influência sobre o espírito da coletividade, infundindo-lhe, de acordo com a representações em cena, estados psicológicos saudáveis ou mórbidos. Daí um elementar e cediço preceito de higiene mental advertir que nem todas as peças teatrais devem ser levadas à cena, sobretudo diante de certas assistências demasiado jovens ou predispostas a desvios de conduta, afim de se salvaguardar o bemestar e a harmonia espiritual do povo. Se a claque concorrer tantas vezes para o fortalecimento e disseminação do teatro malsão, combata-se a claque, em defesa da saúde mental coletiva. (p. 4)

1.3.2

1.4

NICOLUSSI, Haydée. “A nova canção de Rolland”. O autor destaca em seu artigo, de forma lírica, que a nova Canção de Rolland no séc. XX de ser um S.O.O trágico, é agora um argumento lúcido e grave. Ela perdeu seu caráter teatral de conto de fadas, para sacudir os jovens ingênuos e tornou-se um diálogo de homem para homem. Porque ela a tomou amplamente humana e interessa a todos qualquer que seja o lado para que se volte. (p. 5)

Entrevista e/ou correspondência


66

1.4.1

LINO, Donozor. “Depoimento bimestral”. Segundo o entrevistado, o hermetismo é uma particularidade do poema, sempre existiu e sempre existirá, está apenas acentuado na poesia moderna. Para ele, não existe nenhum poeta consagrado cujo prestígio seja injustificável. Destaca que nunca nos libertaremos de 22, porque 22 foi a liberdade e que não existe crítica de poesia no Brasil. Dos poetas anteriores ao Modernismo aprecia Tomás A. Gonzaga, Olavo Bilac, Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães. (p. 8)

1.4.2

CUNHA, Fausto. “Depoimento bimestral”. Sobre o desinteresse dos moços pela ficção F. Cunha destaca que a safra agora é de contista e o conto é um gênero de ficção tão importante quanto o romance. Com respeito à existência de uma característica marcante na obra dos novos salienta que nada caracteriza essa produção porque tal obra não existe na qualidade de corpo suscetível de análise definitiva. (p. 8)

1.4.3

“Falam os escritores” 1.4.3.1 VIEIRA, José Geraldo. Segundo este autor o hermetismo da nova poesia resulta da necessidade de seleção e criação de valores léxicos e de mitos, já que palavras e símbolos envelhecem. com respeito a se os escritores jovens devem aguardar certa maturidade e experiência intelectual para publicação de sua obra diz que em tese sim, devem aguardar, mas não se deve esquecer que há talentos empíricos que adivinham itinerários. Argumenta que o clima de luta entre gerações é benéfico e que é mais do que recomendável incentivar tal combatividade. Para ele, há necessidade de revisão de valores e tal função cabe aos críticos. Afirma que um escritor gagá é o que se acha em decadência e que a obra dos novos escritores brasileiros autoriza o emprego da palavra geração. Não há desinteresse dos jovens pela ficção; houve renovação do romance brasileiro, e a atual geração de ficcionista é caracterizada por três tendências: a ecológica (nordestes); uma volta a Machado de Assis e uma anexão às correntes gerais (Proust, Morgan, Kafka, Camus, etc). (p. 12)

1.5

Criação


67

1.5.1

CARNEIRO, André. “Integração”. Poema composto em oito estrofes de versos livres que tratam a angústia do homem comparado a uma semente estéril que só produzirá algo quando alimentar, como adubo, ou seja, na morte, a planta alheia. (p. 2)

1.5.2

ROCHA, Wilson. “Desenho”. Poema composto de quatro estrofes, sendo estas dois quartetos, um dístico e um terceto. Estas estrofes são formadas de versos livres que tratam da recorrência ao passado, à memória como modo de se fazer renascer antigas emoções. (p. 4)

1.5.3

SOBRAL, Eduardo. “Oferenda”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres nos quais o eu-lírico faz uma íntima associação entre ele e os elementos da natureza, oferecendo-se à amada como expressão de amor e liberdade. (p. 5)

1.5.4

SILVA, Paulo Cesar da. “Convite à introspecção”. Poema composto de seis estrofes sendo estas tercetos, um dístico e dois quartetos formados por versos livres que convidam a pessoa amada à uma reflexão sobre a existência. (p. 5)

1.5.5

BARROSO, Antonio Girão. “O poeta”. Poema composto de uma única estrofe de dezoito versos livres. Nestes versos o poeta fala da dura missão de carregar nos bolsos poemas, ‘coisas intraduzíveis, pedaços sues leves esperanças’, coisas das quais ele nunca poderá se libertar. (p. 7)

1.5.6

CERNIGOY, Carlos. “O girassol”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que estabelecem um contraste entre o girassol e o meio em que ele está inserido em busca de vida _ um dia frio, cinza, sem vida. (p. 8)

1.5.7

FIGUEIREDO, Campos de. “Poema”. Poema composto de nove quartetos de versos que apresentam rimas interpoladas. Tais versos tratam do fazer poético e das emoções que emanam durante esse processo. (p. 12)

1.5.8

MÊMOLO, Cesar. “A marca”. O texto relata as angústias de um jovem, outrora rico, que agora pobre e sem um dos braços não consegue arranjar emprego para sustentar-se e a mãe. Assim, oscilam em sua mente duas soluções: o suicídio e ser forte suportando as agruras. (p. 3)


68

1.5.9

SILVEIRA, Helena. “Breve história do Donzel Lindomar”. O conto relata a vida de uma família cujos filhos eram todos “donzelos”. Lindomar, o filho mais novo encontra na pessoa de Rosa, uma doméstica da casa, uma ameaça ao seu estado de “pureza”, o que muito o amedronta. (p. 7)

1.5.10

ALVES, Oswaldo. “Um desconhecido”. O conto relata um acidente onde uma mulher ficou prestes a morrer afogada diante das soluções absurdas dadas pelos espectadores para seu salvamento até que surge um homem “desconhecido” e realiza a proeza de salvá-la deixando todos boquiabertos. Indagado sobre sua identidade, simplesmente responde: “Para que?” (p. 10)

1.5.11

ARROYO, Leonardo. “O estranho e o pó das sandálias”. O conto faz uma analogia entre o povo baiano e Jesus Cristo através de referências religiosas de fé e devoção. (p. 11)

1.6

Nota e/ou comentário 1.6.1

“Edições Tentativa _ Concurso _ Livro de Contos”. A redação comunica que organizou um plano objetivo para a edição de um livro que seria escolhido por concurso. O gênero escolhido foi o conto, gênero dificilmente escolhido pelas editoras comerciais e demasiado oneroso para ser editado particularmente. Junto ao comunicado segue o regulamento. (p. 1)

1.6.2

“Mário de Andrade”. Nota que visa assinalar o 5º aniversário da morte da Mário de Andrade. (p. 2)

1.6.3

“Campos de Figueiredo”. Continuando seu intercâmbio com Portugal, Tentativa publica um poema de Campos de Figueiredo, o poeta de “Imagem da Noite”, seu livro mais recente. (p. 2)

1.6.4

“Oswald de Andrade residirá em Atibaia”. Nota transcrita de uma entrevista dada por Oswald ao “Jornal de São Paulo” onde o escritor diz precisar descansar e nada melhor que o interior para isso. (p. 2)

1.6.5

“Antônio Cândido”. Após uma longa ausência dos jornais e revistas literários do país, Antônio Cândido publica um trabalho inédito na primeira página deste número. (p. 3) Apesar da nota, o texto de Antônio Cândido não foi publicado. Segundo André Carneiro, o referido texto chegou à redaçào após o fechamendto da edição, fato alíás que explica pouco, já que não aparece nas edições seguintes.


69

1.6.6

“Teatro Brasileiro”. Nota sobre a inauguração do Teatro Cultura Artística com a apresentação da peça “No fundo do poço” de Helena Silveira. (p. 3)

1.6.7

“Livros Recebidos”. “O Cemitério marinho” de Paul Valery, “Idade 21” de Walmor Cardoso da Silva, “A virtude do paradoxo” de Luiz de Castro Neto, “Motivos Angolanos” de A. Neves e Souza, “Simples canções da Terra” e “Ode a Gomes Leal” de Adolfo Casais Monteiro, “Noctuno” de A. da Costa Ferreira, “Desenhos de Fernando Lanhas” editados por Portucale, “O mundo tenebroso de Balzac” de Luiz Martins, “Serviços franceses de informação” enviado pelo sr. Paul Silvestre. (p. 7)

1.6.8

“Publicações Recebidas”. “Correio das Artes” de João Pessoa, Paraíba; “Comissão Nacional de Folclore”, “Portugal” números 19 a 22, “Artes e Letras”, Suplemento do Correio Popular de Campinas, “Investigações” de São Paulo, “Letras da Província”, “Revista Branca” e “Fundamentos”, “Bando” de Natal, “Revista do Agreste”, de Caruarú, “Província” de Porto Alegre, “Correio das Artes”, suplemento literário de “A união” de João Pessoa, “Nordeste” de Recife, “Main dans la main” de Paris, “Arte e Literatura” suplemento da “Tribuna de Petrópolis” do Rio de Janeiro. (p. 7)

1.7

Ilustração 1.7.1

EL GRECO. “São Francisco de Assis”. (p. 1)

1.7.2

SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “A marca”. (p. 3)

1.7.3

BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Desenho”. (p. 4)

1.7.4

CHAVES, Linoleo de João Ruiz. (p. 5)

1.7.5

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto ”Breve história do Donzel Lindomar”. (p. 6)

1.7.6

MILLES, Carl. “Gustaf Wasa”. Escultura em madeira pintada, do “Nordiska Muscet”, de Stockholmo. (p. 9)

1.7.7

MASEEREL, Franz. Xilograma (p. 10)

1.7.8

BARROS, Geraldo de. Ilustração do texto “Poema”. (p. 12)


70

1.8

Anúncio 1.8.1

“Cartas de Marear”. Estréia de Donozor Lino no panorama da poesia brasileira. (p. 8)

1.8.2

“Clube do Cinema”. Um grupo de pessoas sob o patrocínio de Tentativa pretende fundar um Clube de Cinema em Atibaia. (p. 8)

1.8.3

“Colaborações Pagas”. Maiores detalhes sobre essa iniciativa de Tentativa. (p. 8)

1.8.4

Anúncio dos livros “Cantigas da Rua Escura” de Luiz Martins, “A Ladeira da Memória” de José Geraldo Vieira, “A Mensagem” de Alberto Montalvão, “J’ai choisi la poesie” coletânea de poemas de 27 poetas franceses, “Alfeu e Aretesa” de Maria de Lourdes Teixeira, “Província” de Motta Alves Sobrinho, “Azul e Branco” de José V. Rodrigues, “Morada de Paz” de Jorge Medauar e “Centauro” de Francisco M. Cabral. (p. 11)

1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

SIQUEIRA, Cyro. “Do cinema silencioso ao sonoro”. Fazendo uma retrospectiva do progresso cinematográfico, o autor argumenta que com a gênese do cinema falado os homens de cinema ficaram entusiasmados e caíram no excesso. Inverteram o sentido do cinema, começando a produzir cinema pela palavra e não cinema pela imagem. (p. 8)


71

1.3.2

1.4

MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A poesia de ‘O irmão’”. Falando sobre o mais recente livro de Alphonsus de Guimaraens Filho ( O irmão), o autor destaca que esse livro encerra um alto teor de religiosidade mas não se subordina a imperativos de uma inspiração superficial presa a motivos religiosos inconsistentes. Tem raízes. É poesia sincera. Necessidade vital de integração com o Cristo, o Irmão. (p. 9)

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

“Falam os Escritores”. Depoimento de Oscar Mendes. O entrevistado destaca que ainda é cedo para se afirmar que surgiu uma nova poesia de 1945 para cá. O que está havendo é movimento de libertação. Quanto ao hermetismo diz que essa questão é uma espécie de moda, e como toda moda passará. Existe hermetismo na poesia, como pode ser exemplificado pelos grandes poetas, mas no caso deles esse efeito provinha da própria genialidade. Fazer da exceção a regra e cometer um grave erro que levará a poesia à esterelidade. No caso de a poesia ser compreendida pelo grande público destaca que a condição da existência da poesia como arte está precisamente na sua comunicabilidade. Cita como alguns dos motivos de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial nossa condição econômica, a incultura de muito de nós tidos como escritores e intelectuais, o nosso espírito improvisador e superficial, etc. Para ele os escritores jovens deveriam aguardar certa maturidade para começarem a publicar. Destaca que a combatividade é necessária e útil para a própria vida e renovação da literatura e que há muita necessidade de revisão de valores. Considera como gagás escritores que envelhecem depressa, se anquilosam, tornam-se reumáticos, maníacos imbecis, caquéticos. Segundo ele, se existe desinteresse pela ficção esse desinteresse é pela desinteressante literatura de ficção que anda por aí. Sobre a renovação no romance brasileiro de dez anos para cá destaca que renovação, no sentido de novos rumos e modificações essenciais, não houve, mas alguns dos veteranos procuraram renovar-se, melhorar e aperfeiçoar seus processos narrativos. Salienta que o que caracteriza a atual geração de ficcionistas continua a ser o chamado romance social, sob cujo rótulo se insere a sub-literatura da “Linha-justa” e o romance psicológico. (p. 1)


72

1.4.2

MONTENEGRO, Braga. “Depoimento bimestral”. O entrevistado falando sobre o possível desinteresse dos moços pela ficção destaca que desinteresse propriamente não há. Talvez haja certa impossibilidade. Segundo ele o mais expressivo ficcionista surgido depois de 22 é Graciliano Ramos e antes de 22 Machado de Assis, o melhor contista da literatura brasileira de todos os tempos. Como características da obra dos jovens ficcionistas brasileiros cita o interesse e a preocupação para o drama do homem, para os problemas eternos da arte como expressão universal. Quanto aos escritores estrangeiros que poderão exercer maior influência sobre os novos cita Dostoievski, Joyce, Proust, Pirandello, Gide, Kafka, Huxley, Mauriac e Sartre. (p. 3)

1.4.3

BARROSO, Antonio Girão. “Depoimento bimestral”. Falando sobre a existência ou não do hermetismo na poesia de dez anos para cá, o entrevistado destaca que o hermetismo é um sinal de poesia no melhor sentido, é a poesia que se explica por si mesma, mas existem também, nos poetas herméticos de hoje, muito malabarismo fácil, muita ginástica, que no fundo exprimem pouquíssima ou nenhuma poesia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, distingue dois grupos: os poetas consagrados pelo povo e os consagrados pelas elites intelectuais. Com respeito aos do primeiro grupo, destaca que, no momento, há um sem número de equívocos a serem corrigido. Sobre a influência de 22, diz que esta prossegue marcante toda vez que os nossos poetas atuais fazem o chamado verso livre. Salienta que a crítica de poesia no Brasil é, dos mais novos mais interessante e compreensiva. Dos poetas anteriores ao Modernismo diz apreciar Tomaz Antonio Gonzaga. (p. 4)

1.4.4

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. Falando sobre a poesia francesa atual Sylvain cita o Grande Prix de Poésie 1950, Philippe Chabaneix Lebesgue, presidente da “Académie de Province” e autor da “Le troisième Faust”, drama em que o autor empresa da lenda de Goethe seu herói principal e o faz símbolo do homem moderno sedento de riquezas, prazeres e poder. Cita ainda Wilfrid Lucas, mestre da epopéia espiritualista cristã dos “Cavaliers de Dieu”; Marcel Chalot e Jean Sylvaire, autor de “Chants du Travail”, um hino de fervor ao esforço dos homens e às profissões eternas. Embora


73

poeta inovador, em seus sonetos ele se escravisa à tirania do classissismo. (p. 2) 1.5

Criação 1.5.1

SENA, Marcelo de. “Carnaval”. Poema composto de dez estrofes de versos livres que comparam a agitação provocada pelo Carnaval a um mar cujas ondas estão revoltas como a multidão carnavalesca. O poema descreve a angústia daqueles que não podem aderir a essa mobilidade _ “os enjeitados do mar” _ como o aleijado e o artista cego. (p. 3)

1.5.2

FIGUEIREDO, Wilson de. “Exercício”. O poema é composto de seis tercetos cujos versos apresentam rima emparelhadas. Nele, o eu-lírico assume as formas do Sol e da Lua para poder ficar com a mulher amada. (p. 4)

1.5.3

GUIMARAENS FILHO, Alphonsus de. “Tarde, esta é a fontes...”. Poema composto de uma única estrofe cujos quatorze versos apresentam-se sob a forma de versos livres. O poeta, trata a tarde como uma fonte inspiradora que proporciona alegrai, mas, também, tristeza pela sua efemeridade. (p. 5)

1.5.4

ACAYABA, Cícero Vieira de. “O pátio”. Poema composto de uma única estrofe de quinze versos livres. O poema destaca o eu-lírico contemplando o palco de suas vivências, plenamente realizáveis apenas pelo sonho. (p. 5)

1.5.5

FONSECA, José Paulo Moreira da. “Os jogadores de cartas”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam dos jogadores de cartas como jogando os imprevistos e os desafios da própria vida. (p. 7)

1.5.6

NICOLUSSI, Haydée. “Paradoxo”. Poema composto de duas estrofes de oito versos separadas entre si por uma ruptura gráfica expressa em uma linha pontilhada. Os versos são livres e estabelecem o paradoxo entre a palavra escrita (eterna) e a falada (efêmera) na medida em que esta se torna eterna e aquela efêmera. (p. 9)

1.5.7

SILVA, Domingos Carvalho da. “Roteiro lírico da cidade de Salvador”. Poema composto de dez estrofes de versos cujas rimas


74

encontram-se interpoladas. O poema destaca as peculiaridades das pessoas e dos locais característicos da Bahia. (p. 10) 1.5.8

CARNEIRO, Dulce G. “Nenhuma saudade”. Poema composto de sete estrofes de versos livres onde o eu-lírico destaca não sentir saudade das coisas vividas pois passado e presente se completam. (p. 11)

1.5.9

MELLO, Pedro Homem de. “Outono”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que expressam uma visão nostálgica amorosa do eu-lírico. (p. 12)

1.5.10

MÊMOLO JR. Cesar. “A viúva”. O autor narra a tristeza e solidão de uma senhora após a morte do marido, a quem, a todo momento, tenta ressuscitar pelas lembranças. (p. 6)

1.6

Nota e/ou comentário 1.6.1

Museu de Arte de São Paulo. O Museu de Arte de São Paulo iniciou a publicação de uma série de livros de arte sobre os artistas plásticos Roberto Sambonet, Roberto Neutra, Ernesto de Fiore, Lasar Segall, Gregoir Warchavchick, Van Gogh e Cézanne. (p. 2)

1.6.2

“Fala Guignard - Artes Plásticas em Minas Gerais”. Falando sobre as relações entre os artistas modernos e o público mineiro, Guinard comenta que certa camada, naturalmente não concorda com os “modernistas”, mas a porcentagem é tão mínima que não se nota reação nenhuma dos mesmos. Com respeito ao problema da arte figurativa x arte abstrata destaca que, sendo a arte abstrata uma tendência mais avançada, existem de fato elementos que se interessam em realizá-la. Mas parece que os artistas ainda estão mais para o lado da arte figurativa. (p. 5)

1.6.3

“Cinema em Atibaia”. Um grupo de interessados por cinema-arte, sob o patrocínio de Tentativa está ultimando os preparativos para fundação em Atibaia de um clube de cinema, nos moldes dos que já existem em várias capitais do país. (p. 10)


75

1.6.4

“Colaborações de Portugal”. Neste número Tentativa conta com a colaboração do poeta português Pedro Homem de Mello. (p. 10)

1.6.5

“III Congresso Brasileiro de Escritores”. Realizou-se de 17 a 21 de abril em Salvador, Bahia. Integrando a Delegação Paulista estiveram presentes Cesar Mêmolo Jr. e André Carneiro. O IV Congresso deverá se realizar no Rio Grande do Sul. (p. 10)

1.6.6

“Concurso Livro de Contos - Edições Tentativa”. Publicação dos Regulamentos já expressos em números anteriores. (p. 12)

1.6.7

“I Convenção de Poetas de São Paulo”. Trata-se de uma convenção idealizada pelo “Clube de Poesia de São Paulo” especialmente dedicada aos poetas e críticos do interior do Estado. Pretende debater vários temas relacionados com a poesia e a crítica e também problemas dos poetas e escritores do interior. (p. 12)

1.6.8

“I Congresso Brasileiro de Cinema”. A ser realizado de 26 a 28 de julho sob o patrocínio do Departamento de Cinema do Museu de Arte de São Paulo. (p. 12)

1.7

Ilustração 1.7.1 PICASSO. Desenho. (p. 1) 1.7.2 WASHINGTON JR. Desenho ilustrando o poema “Exercício”. (p. 4) 1.7.3 Foto de Guinard e seus alunos numa aula com modelo vivo. (p. 5) 1.7.4 CHAVES, João Luiz. Desenho ilustrando o conto “A viúva” de Cesar Mêmolo Jr. (p. 6) 1.7.5 MARTINS, Aldemir. Ilustração do poema “Outono” de Pedro Homem de Mello. (p. 12)

1.8

Anúncio 1.8.1

“Publicações Recebidas”. Portucale (Portugal); O Primeiro de Janeiro, suplemento literário Das Artes, das Letras (Portugal); diário Popular (Portugal); Távola Redonda (Portugal); Seara Nova (Portugal); Leitura (Rio de Janeiro); Letras da Província (Limeira, SP); Nordeste (Recife, PE); Trópico (São Paulo); Pilotis (São Paulo); José (Fortaleza, CE); Cadernos da Bahia (Salvador, BA); Bando (Natal, RN); Esfera (Rio de Janeiro). (p. 2)


76

1.8.2

“Livros Recebidos”. A face perdida, Cassiano Ricardo; Um poeta atôa, Antonio Pinto de Medeiros, Poesias, José P. M. da Fonseca; Arte-manhã, Octávio Mello Alvarenga; Auto do Possesso, Haroldo de Campos; Introdução ao Estudo do Ritmo da Poesia Modernista, Domingos C. da Silva; Dádiva, Luis Amaro; As mãos e os frutos, Eugênio de Andrade; Rio Infindável, Natércia Freire; Cabo da Boa Esperança, Sebastião da Gama; Visão incompleta de meio século de literatura portuguesa, José Osório de Oliveira; Exegese da Ação, Vicente Ferreira da Silva; O romance e os seus problemas, Adolfo Casais Monteiro; O cruzeiro tem cinco estrelas, Fran Martins; Um pingo no mapa, Cesar Arruda Castanho; Fora da vida, Vasconcelos Maia; Crise dos partidos nacionais, Orlando M. Carvalho; Chamado do mar, James Amado; Eternidade da Rosa , Marco A. M. Matos; Novos Poemas, Antonio Girão Barroso; O Anjo, Eduardo Campos, Mayra, Ursulino Leão; Gota no Rio, Antonieta D. M. Silva; Três estético, Carlos Burlamaqui Kopke. (p. 10)

1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. 1.1

Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

CALTOFEN, R. “Três facetas da Alemanha Cultural”. Neste artigo, o autor destaca três personalidades alemãs que influíram diretamente na cultura desse país. São elas, Thomas Mann, prêmio Nobel de 1929, representa o fim do século 19, emigrou de seu país e chegou a ser o ponto de cristalização de uma cultura alemã; Ernst Wiechert, impulsionado pelo mesmo ímpeto, porém sempre em seu país debaixo da vigilância da gestapo, foi o exemplo dos intelectuais que se calaram, mas sem se subjulgarem ao sistema; e o catedrático Kurt


77

Huber, professor de filosofia da Universidade de Munchen, educador consciente dos seus deveres éticos e morais. (p. 3) 1.3.2

STIEL, Roberto Corrêa “Anema - Arte - O som e o cinema”. Embora reconheça a importância do som na arte cinematográfica, o autor destaca que deve-se sempre lembrar do princípio do cinema: a camera é como uma vista humana. Ela olha, investiga e é através dela que os sentimentos têm entrada em nossa alma. É o mesmo que um ser dotado de invisibilidade, que procura dissecar os gestos e os atos de seus semelhantes pela via visual, a mais lógica e possível. O cinema deve ser universal, único. Deve falar a linguagem do mundo, a linguagem visual. (p. 4)

1.3.3

MELLO, Pedro Homem de “Sinceridade”. Segundo o poeta, conhecer uma obra de arte é ouvir seu artista de confissão. Não há, pois, em arte sombra de mentira. Nem sequer o cálculo ante o objetivo virá turvar o cristal desse espelho onde os poetas (todos os artistas), em “Corpo e Alma” se refletem. (p. 6)

1.3.4

1.4

CUNHA, Fausto “Nem a Deus nem a César”. Neste artigo, o autor fala do amargo impasse que tem sido a funçào do crítico no Brasil uma vez que qualquer postura por ele adotada é motivo de objeção de seus oponentes contrários a tal postura. É, pois, por esta razão que o crítico não consegue agradar nunca “nem a Deus nem a César”. (p. 7)

Entrevista e/ou Correspondência 1.4.1

PIMENTEL, Osmar “Entrevistando”. Com respeito a se de 1945 em diante teria surgido uma nova poesia mesmo ou mais expressiva do que a das gerações anteriores, o entrevistado destaca que a boa “poises nova” existe e é tão expressiva quanto a dos verdadeiros poetas da geração de 22. Para ele o hermetismo da nova poesia é resultante de uma busca do essencial poético e reflexo inevitável da nossa época conturbada. Sobre se a poesia está caminhando para sensibilidades receptivas e educadas ou se voltará a ser compreendida pelo grande público, diz que haverá sempre dois tipos de conto lírico - um que se antepõe e outro que caminha junto do povo. Segundo ele,


78

a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção porque a língua portuguesa não tem muito trânsito no chamado mundo civilizado e só agora estamos tentando criar, em literatura, um estilo próprio de compreensão e recriação de vida brasileira. A pobreza gera a dependência econômica e, sob certo aspecto, intelectual. Argumenta que de um ponto de vista universal, a poesia é o gênero literário brasileiro que mais suportaria um confronto com a obra estrangeiro, destacando-se a obra de Gilberto Freyre. Destaca que existe a necessidade de “revisão de valores” e esta deveria ser feita pelos grandes escritores desprezados. Para ele, os verdadeiros clássicos têm força literária idêntica aos poucos “expoentes contemporâneos”. Com respeito ao emprego da palavra “geração” argumenta que, a “geração literária” não depende dos assentamentos do registro civil. Só afinidades e gostos semelhantes na criação podem autorizar a alguém dizer que fulano e sicrano, nascidos no mesmo ano, pertencem a mesma geração. Para ele não há perigo de , no futuro, a literatura vir a desaparecer, esmagada pelas artes novas porque as artes - quando legítimas - provêm da recriação da experiência humana. Essa seiva comum a humanidade impede que uma forma de expressão desminta ou aniquile outra. Afirma que a moderna poesia inglesa especificamente a que veio de T. S. Elliot é a influência estrangeira que mais fascina os poetas novos; o existencialismo heiddegeriano (não o de Satre) suscita o interesse dos jovens ensaistas de filosofia. No romance e no conto não vê influência ponderável. A sociologia hesita entre a fidelidade estrita ao humanismo francês e às técnicas de investigação sociológica dos norte-americanos. Para ele o escritor brasileiro mais importante da nossa história é Gilberto Freyre. (p. 1) 1.4.2

FRANCE, Sylvan “Letras de França.” 1.4.2.1 Paul Claudel não é escritor católico, no periódico “matines”, uma revista literária de Paris, o abade François Ducaud Bourget afirma que Claudel, um escritor católico e admirado ultimamente pelo Papa não é católico destruindo o mito Claudel. (p. 2) 1.4.2.2 O sucesso póstumo de Emily Bronte. Jacques Debrê Brindel dedica um profundo estudo sobre a obra de Emily Bronte,


79

uma das autoras mais lidas do mundo cuja obra é uma mensagem de amor, audácia e liberdade. (p. 2) 1.4.2.3 O poeta Gaston Bourgeois. Sylvain France destaca o livro “Face à l’alrme de Gaston Bourgeois, poeta formalista influenciado por Mallarmé. (p. 2)

1.5

Criação 1.5.1

FONSECA, Edmur “Pequeno Canto”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que, fazendo um intertexto com a cantiga de roda “se essa fosse minha”, expressa o amor sentido para coma mulher amada (p. 3)

1.5.2

FARIA, José Escobar “Elegia da ausente”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que falam da angustia sentida pelo “eu-lírico” diante da ausência e impossibilidade de aproximação à pessoa amada. (p. 3)

1.5.3

MARTINS, Luis “Canção da Ilha de Malabar”. Poema composto de três quartetos cujos versos apresentam rimas interpoladas. Graças a nasalização da vogal e (~e), o poeta consegue dar ao poema, no nível formal, a idéia de prolongamento e mansidão característicos ao mar, elemento presente em todo o poema. (p.4)

1.5.4

BRAGA, Edgard “Viagem ao Amanhecer”. Poema composto de sete estrofes de versos livres com a predominância dos dísticos. O poeta fala do caráter misterioso e mágico do amanhecer. (p. 4)

1.5.5

BRUGES, José “Intervalo”. Poema composto de três quartetos cujos versos apresentam rimas cruzadas. Os versos falam de um dia de intervalo na vida do ser humano onde todos os sentimentos e emoções são ausentes. Podemos observar ao final que se trata da própria morte. (p. 6)

1.5.6

AMARO, Luiz “Domínio”. Poema composto de duas estrofes de versos livres os quais falam de uma força superior a do eu-lírico que o arrebata deixando apenas o rasto de lágrimas de seu domínio. (p. 6)

1.5.7

PAVIA, Cristovam “2 Poemas”


80

1.5.7.1 ”. Poema disposto em uma única estrofe de sete versos os quais são livres e falam sobre a melhor maneira de se desfrutar a alegria (p. 6) 1.5.7.2

1.5.8

“II”. Poema disposto em uma única estrofe de cinco versos livres que explicitam o desejo do “eu-lírico” de viver humildemente e ignorado. (p. 6)

LIMA, Augusto Cavalheiro “Picasso”. Poema disposto em quatro estrofes de versos livres que tematizam o silêncio no seu mais extremo grau, a impossibilidade de comunicação. (p. 7)

1.5.9

OSÓRIO, Ana “A morte diante da vida”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que falam do amor que se passa a sentir na vida quando nos vemos confrontados coma morte, um fenômeno que embora esperado, nos amedronta e nos faz temê-lo. (p. 9)

1.5.10

ROCHA FILHO “Uma criança lê Andersen”. Poema disposto em oito estrofes de versos livres que falam do espaço mágico e onírico presente nas fábulas de Andersen e os sentimentos que este espaço provoca no leitor. (p. 9)

1.5.11

BONADEI, Aldo “Prisioneiro do mundo”. Poema composto de três estrofes de versos livres cuja temática é a liberdade desejada pelo “eu-lírico”. (p. 10)

1.5.12

SILVA, Domingos Carvalho da. “O nome de Rosa e Iris”. Poema composto de dez estrofes de versos livres que cantam o amor à amada do eu-lírico cujo nome é Rosiris e que se transforma em tudo o que cerca o poeta, penetrando-lhe na alma e sufocando-o de amor. (p. 12)

1.5.13

1.6

CARNEIRO, André. “Espera”. O conto narra a história de uma mulher que após descobrir-se grávida do namorado este a abandona. O texto narra as angústias, os dramas psicológicos causados pela espera do amado e principalmente pela consciência da inutilidade desta espera. (p. 5)

Nota e/ou comentário


81

1.6.1

“Clube do Cinema”. Sob o patrocínio de Tentativa fundou-se em Atibaia um “Clube de Cinema”, cujo programa é difundir entre o grande público o cinema como arte. (p. 2)

1.6.2

“Prêmio da Poesia”. Domingos Carvalho da Silva, representante de Tentativa em São Paulo, foi o escolhido pela Academia Brasileira de Letras para o prêmio de poesia Olavo Bilac, de 1950. (p. 2)

1.6.3

“Colaborações de Portugal”. Tentativa tem sido generosamente recebido em Portugal e a pg. 6 deste número é uma homenagem aos seus escritores. Destaca-se ainda que o suplemento do “Diário Popular”, vespertino mais vendido em Lisboa possui uma coluna especialmente dedicada ao Brasil, onde aparecem colaborações e transcrições dos nossos escritores. (p. 7)

1.6.4

1.7

“Exposição de Pintura”. Por ocasião da fundação do “Clube de Cinema de Atibaia” realizou-se a primeira “Exposição coletiva de pintura” já realizada nesta cidade. (p. 10)

Ilustrações 1.7.1

WEISMANN, Franz. “Estudo para baixo relevo”. (p. 1)

1.7.2

GRACIANO, Clovis. “Auto Retrato”. (p. 3)

1.7.3

CHAVES, João Luiz. Ilustração do conto “Espera” de André Carneiro. (p. 5)

1.7.4

BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Picasso”. (p. 7)

1.7.5

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Nem a Deus nem a César”. (p. 8)

1.8

Anúncio 1.8.1

“Livros Recebidos”. Paisagem dos livros, Abdias Lima, A toca do lobo - romance, Tomaz de Figueiredo; Carta, Tomaz de Figueiredo; O precursor, Adelino Magalhães; Problemas de Finanças Municipais, Milton Improta; Poemas da eterna caminhada, Paulo Sérgio; Cartas a um poeta, Rainer Maria Rilke; Em cada instante cabe o mundo, Armindo Rodrigues-poemas; Os melhores contos portugueses, As mais belas liras portuguesas, Líricas Portuguesas, Tântalo, Américo


82

Durão; Lâmpada de Argila, A. Durão; Do vôo e da vida, Lindberg; Perfil de Goethe, Pedro de A. Moura; Livro de Sonetos, Jorge de Lima; Poemas de câmara, José Escobar; Sombra e exílio, Valdomiro Autran Dourado; Os filhos não têm culpa, Antonio Pousada, Elegia a um poeta morto e Primeiro dia, Reynaldo Bairão. (p. 9) 1.8.2

“Publicações Recebidas”. Letras da Província; Investigações; Artes e Letras, suplemento do correio popular - Campinas; Trópico; Tribuna; Palmeiras; Comissão Nacional de Folclore; Jornal de Caruaru; Oasis (Florianópolis); Pioneira (Presidente Venceslau); Arte e Letras Suplemento Correio Popular _ Campinas; Palmeiras (Campinas); Jornal de Música (Marília); Letra Fluminenses (Niterói), La Revue Littéraire & Artistique (Paris), “Suprême Dieu” poemas de Marcel Farges. (p. 9)

1.8.3

“I Congresso Brasileiro de Clubes de Cinema”. Este congresso culminou com a fundação da Federação de Clubes de Cinema do Brasil. Vale destacar a participação nesse congresso de Dulce G. Carneiro como 2º secretário e representante do Clube do Cinema de Atibaia. (p. 11)

1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. 1.1 Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro 1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

MÊMOLO JR., Cesar. “O cinema brasileiro e a crítica”. Neste artigo procura apontar algumas das muitas qualidades de “Perdida pela paixão” e “A sombra da outra”, dois filmes esquecidos pela crítica cinematográfica brasileira. (p. 3)

1.3.2

ROCHA FILHO, “Alguns aspectos da estética pela tônica”. O autor destaca que a estética platônica está ligada estreitamente às outras


83

partes relevantes de seu sistema formando assim um todo harmonicamente constituído. A impossibilidade da definição platônica de arte é demonstrada quando se percebe que longe de serem “imutáveis e fixos” os canônes de beleza variam dentro da fisionomia de cada civilização. Segundo ele, não há lugar na estética de Platão para uma idéia do prazer puramente artístico, separado e distinto do prazer que nos é dado na forma contemplativa das Idéias. Há sempre a tendência para a idéia de ordenação, para a coerência interna do sistema. Tudo é dado em função de um critério moral, de uma expressão utilitária da arte. (p. 5) 1.3.3

SIQUEIRA, Cyro. “A comédia cinematográfica”. Segundo a classificação de James Agee, os graus de humorismo cinematográfico são quatro: 1) Riso; 2) Gargalhada; 3) Riso de Barriga; e 4) Bufoneria. A realização integral da comédia depende estreitamente da captação de um ininterrupto clima cômico, onde as escadas de risadas se sucedam, separadas por insignificante lapso de tempo. A moderna comédia oscila entre a comédia plástica _ que repousa muito mais no autor do que no enredo _ e a comédia dramática _ onde há visíveis intenções crítico-satíricas espalhadas por todo o filme. Segundo Roger Manvell, a comédia é uma belamente ponderada apreciação dos absurdos e pretensões sociais, e vem dependendo muito do diálogo satírico e irônico afim de realçar seus principais efeitos. (p. 6)

1.3.4

“Irresponsabilidade de novos”. Falando sobre a “revisão de valores” o artigo destaca a irresponsabilidade completa contra nomes da nossa literatura. Essa falta de critério é lamentável porque nunca como agora os caminhos das facilidades literárias e receberam tanta xingação despropositada. (p. 12)

1.4

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

“Entrevistando Murilo Mendes”. Segundo o entrevistado, de 1945 para cá não surgiu “nova poesia”. O hermetismo da nova poesia não é resultante de busca do essencial, e sim de uma imensa exploração do sub-consciente. Quanto ao fato de a poesia estar caminhando para uma quase especialização, para sensibilidades receptivas, afirma que


84

no seu estado atual a poesia se retrai fugindo à comunicação. Salvo alguns casos de poetas maiores. Para ele, o motivo principal de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial é a inércia brasileira. Destaca que o gênero literário brasileiro que suportaria mais um confronto com a obra estrangeira é a poesia e entre os poetas cita Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Souza, Alberto de Oliveira, Alphonsus de Guimaraens e Mário de Andrade. Saliente que não vê nenhuma necessidade de revisão de valores “dirigida”. Ela se fará naturalmente, quando o Brasil possuir um corpo crítico em correspondência à sua vitalidade literária. Revisão dos valores operada por gente que ainda tem muito o que aprender, não conta para o futuro. Segundo ele, os nossos escritores “clássicos”, citados nas antologias têm menos valor e força literária do que os expoentes contemporâneos. Com respeito ao emprego da palavra geração, destaca que não aceita a separação dos espíritos por meio dessa palavra. Não acredita que a literatura desapareça, esmagada pelas artes novas que o adiantamento científico do homem foi criando. Quanto aos líderes literários mundiais que exercem maior influência sobre os escritores jovens cita Nitzsche, Rimbaud, Lorca, Fernando Pessoa, Neruda, Huidobo, Sartre, Valéry e Drummond. Para ele, Machado de Assis, Gonçalves Dias e Mário de Andrade são os escritores brasileiros que pelas suas obras e atividades intelectual podem ser considerados os mais importantes da nossa história literária. (p. 1) 1.4.2

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. (p. 2) 1.4.2.1 COLETTE - Lançamento de “En Pays Connu” de Colette onde a autora descreve o país de seu círculo, de sua vida, de seus sonhos mesmo. 1.4.2.2 J. L. Aubrum. Satírico, erótico, J.L. Aubrum é um escritor audacioso e, como bom poeta ignora a literatura cor de rosa. Suas imagens poéticas são impetuosas. 1.4.2.3 MARCELLE KUNTZ. Expressiva escultora e ilustradora. Com o negro, recria o mistério, a carne. Seus nus são extraordinários e vigorosos.


85

1.5

Criação 1.5.1

CARNEIRO, Dulce G. “A casa”. Poema composto de sete estrofes de versos livres. Neste poema o poeta fala de um local que já serviu para muitos de abrigo e que hoje está esquecido em meio às páginas da lembrança. (p. 3)

1.5.2

LISBOA, Irene. “Poema Involuntário”. (Portugal). Poema composto de três estrofes que possuem respectivamente dezoito, vinte e um e nove versos livres. O poema relata a busca do sublime motivada pela solidão. (p. 4)

1.5.3

NASCIMENTO, Cabral do. “Poema”. Poema composto de três estrofes de versos livres que falam sobre a beleza da plenitude de um objeto conseguida somente depois da junção de suas facetas duais. (p. 4)

1.5.4

FIGUEIREDO, Tomaz de. “Ilustração para um romance”. Poema composto de seis tercetos cujas rimas apresentam-se emparelhadas. O eu-lírico lamenta seu estado apático atual, resultado do descaso da pessoa amada a quem adverte da inutilidade de qualquer reação que essa possa, no momento, expressar. (p. 4)

1.5.5

ROCHA, Wilson. “Crepúsculo”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que descrevem o caráter singelo e sublime do crepúsculo. (p. 5)

1.5.6

LATERZA, Moacyr Ramos. “Pedido e afirmação”’. Poema composto de seis estrofes de versos livres que oscilam do número de dois a quatro versos ao longo dos poemas. Ansiedade e espera na concientização do sentimento já existente. (p. 8)

1.5.7

MATOS, Marco Aurélio de Moura. “Poema em 2 movimentos”. Poema composto de nove estrofes separadas em dois blocos distintos. O poeta nostalgicamente relembra a condição passada de sua relação amorosa e a atual, na solidão e sem esperanças. (p. 9)

1.5.8

LINO, Donozor. “Manuel Bandeira na Província”. Poema composto de três tercetos de versos livres. O poema relata que Manuel Bandeira foi lido para os provincianos que o rejeitaram citando Bilac, Casimiro, etc. (p. 11)


86

1.6

1.5.9

BONADEI, Aldo. “Maria mandou dizer”. Poema composto de três quartetos e um dístico. Trata-se de um relato/recado tirado do cotidiano sobre coisas triviais. (p. 11)

1.5.10

LEÃO, Ursulino. “A existência de Marina”. O conto narra a história de Marina, uma jovem que por ser comum ao extremos, não provocava nenhuma reação nas pessoas que a cercavam até ser vista por um determinado ângulo por um de seus colegas. (p. 7)

Nota e/ou comentário 1.6.1

“Cinema Nacional”. A nota comenta que até há pouco, uma das características principais das companhias cinematográficas brasileiras era a suntuosidade que fazia com que as obras nunca fossem concluídas. Tal quadro está sendo mudado por Alberto Cavalcanti da Cia Vera Cruz. (p. 6)

1.6.2

“Notas e fatos”. O fato. cine Clube Bandeirantes de São Paulo sob a presidência de Eduardo Salvatore, é a mais bem organizada entidade brasileira no gênero tanto no cinema como na fotografia. (p. 6) 1.6.2.1 Realizado no Uruguai do I Congresso Sul Americano de Clubes de Cinema.

1.6.3

“Revista Branca”. Comemoração de seu Congratulações da redação de “Tentativa”. (p. 10)

aniversário.

1.6.4

“Propaganda Política”. Recusa de “Tentativa” de publicar em suas colunas propaganda política, acreditando que o sacrifício monetário seja compensado pela sobriedade que não quer perder. (p. 10)

1.6.5

“Venda avulsa”. Locais de venda. Livraria Livros do Portugal e José Olimpio, (Brasília); Galeria Domus, Livraria Brasiliense, Livraria Monteiro Lobato (São Paulo). (p. 10)

1.6.6

“Jornal dos Novos”. Dirigido por Dinah Silveira de Queiroz e Fausto Cunha, esse jornal é um dos veículos mais conhecidos para a publicação da produção dos novos. (p. 10)


87

1.6.7

“Antônio Candido”. Integrará a comissão julgadora do concurso “Livro de Contos”. (p. 11)

1.6.8

Publicações Recebidas. Fronteira (Porto Alegre), A voz do Estudante (Campinas), Província (Porto Alegre), Letras Fluminenses (Rio de Janeiro), Artes e Letras (Campinas), Bando (Natal), Correio das Artes (João Pessoa), Afluente (São Luiz do Maranhão), Cultura e Alimentação (Rio), Trópico e Investigações (São Paulo), La Revue Moderne (Paris), Mansão Literária (Campinas), Main dans la main (Paris), Interpretação Biográfica de Fagundes Varela, Clã (João Pessoa), Cultura Magazine (São Paulo), Pioneira (Presidente Wenceslau), Revista Branca (Rio), Brasil Gráfico (São Paulo), Oásis (Florianópolis), Letras da Província (Limeira). (p. 11)

1.6.9

1.7

1.8

Livros Recebidos: Poemata, Israel Klabin, José Paulo Moreira, Oscar Lorenzo Fernandes; Calamento, Romeu Correia; Sombras e Penumbras, Dormevilly Nóbrega; Lenda e Areia, Moacyr Félix de Oliveira; Mahamba, A. Neves e Souza; É Primavera ... Escuta, Maria Thereza de A. Cunha. (p. 11)

Ilustração 1.7.1 1.7.2 1.7.3

WEISSMANN, Franz. Aquarela (p. 1) CARYBÉ. (p. 5) BARROS, Geraldo de. (p. 7)

1.7.4 1.7.5

LIMA, Paulo Vicente de Souza. (p. 8) CHAVES, João Luiz. Xilogravura. (p. 11)

1.7.6 1.7.7

SAMPAIO, Lygia. Desenho. (p. 12) AUGUSTO, Jenner. Desenho (p. 12)

Anúncio 1.8.1 O mundo dos outros, José Gomes Ferreira; Mudança, Virgílio Ferreira; Luiz de Camões - Fabuloso, Verdadeiro, Aquilino Ribeiro (todo os títulos foram lançados em Potugal). (p. 4) 1.8.2 Permanência e Tempo, de Cesar Mêmolo Jr. (p. 10)


88

1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950. 1.1 Expediente Diretor Responsável: André G. Carneiro Diretor Secretário: Cesar Mêmolo Jr. Assistente: Dulce G. Carneiro 1.2 1.3

Apresentação Crítica e/ou resenha 1.3.1 “Sabotado o artista nacional”. O artigo manifesta uma crítica ao fato de se ter entregado a decoração interna da Catedral de São Paulo a elementos estrangeiros de projeção apagada até mesmo dentro de seus países, e que nada poderiam acrescentar ao patrimônio artístico nacional. (p. 1) 1.3.2

“Declaração de Lourival Gomes Machado”. Falando sobre a escolha de artistas italianos para fazerem a decoração interna da Catedral de São Paulo argumenta que pouco importaria serem os escolhidos italianos e não brasileiros, se outros fossem os nomes. No entanto, o que se verifica é que se trata de artistas de quarta categoria pertencentes à arte burocrática do Vaticano, menos funcionários sem outra credencial _ Diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo. (p. 1)

1.3.3

MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A secreta mentira”. O leitor brasileiro tem a oportunidade de entrar em contato com um dos mais representativos escritores da literatura norte-americana contemporânea através da tradução de “Winesburg, Ohio” de Sherwood Anderson, feita por James Amado e Moacir Werneck de Castro sob o título de “A secreta mentira”. Integrando-se no rol dos contistas modernos, Anderson confere menos importância ao descritivo exterior, para aprofundar-se verticalmente no segredo do homem, do homem americano do seu tempo, reconhecendo-lhe um destino trágico e buscando, naquela gente e nas coisas, tudo que ainda restava de vida simples e poesia. (p. 6)

1.3.4

CALTOFEN, R. “Escândalo em torno de Molière”. Henry Poulaille num dos últimos números da revista “Lettres du monde” publicou um ensaio com o título “Corneille - nègre de Molière” em que coloca em dúvida Molière enquanto escritor. Afirma que enquanto Molière possui muito dinheiro, Corneille tinha poucas oportunidades e sem a


89

ajuda daquele não teria podido trabalhar e viver. Molière não somente se utilizava dos trabalhos de Corneille, mas também de Cyrano, de Tristan, d’Hermite, etc. Como ator eram grandes suas qualidades, mas nada saberia fazer com uma pena. Examine-se cada obra de Molière, e por toda a parte aparece por detrás a face de Cornielle. Segundo o autor, Cornielle se silenciou porque tinha necessidade de dinheiro e era costume daqueles tempos que o ator afirmasse com seu nome as obras compradas dos autores. (p. 8) 1.3.5

“Escritores de Província”. Respondendo a um artigo publicado na revista “Afluente” que chama de indiferentes para com o provincianos os escritores da metrópole, Tentativa argumenta que a não ser um injustificável complexo de inferioridade e provincianismo, nenhuma “terrível barreira de indiferentismo daqueles que vivem na metrópole “tenta suster a carreira literária brilhante dos verdadeiros valores novos da Província. (p. 12)

1.4

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O centro Psiquiátrico de Sainte-Anne, em Paris, organiza uma exposição internacional de trabalhos de doentes mentais. O artigo comenta que algumas dessas obras orgulhariam qualquer dos nossos mestres. Se a genialidade é uma forma de loucura, se a distância que separa o louco do gênio é tão imponderável, então seria preciso encerrar em um asilo de doentes mentais todo o artista que sai da rotina habitual dos acadêmicos que enchem as galerias de arte. O artigo comenta também que Anvers, Na Bélgica organizou uma exposição internacional de escultura de 1900 à 1950 ao ar livre, em um parque da cidade. (p. 2)

1.5

Criação 1.5.1

AZAMBUJA, Maria da Graça. “Momento”. Poema composto de oito estrofes que falam sobre o caráter sublime do momento em que o real-irreal se fundem na imaginação do eu-lírico. (p. 3)


90

1.5.2

GAMA, Sebastião da. “Senhora da Lapa”. Poema composto de oito quartetos que descrevem a devoção do eu-lírico que se entrega qual criança à Virgem Senhora da Lapa. (p. 3)

1.5.3

MIRANDA, Macedo. “Cantiga do trem noturno”. Poema composto de quatro quartetos que apresentam rimas interpoladas e emparelhadas. O poeta fala sobre o seu desejo de ter alguém que lhe esperasse em sua chegada, uma pessoa que ainda mora em seus sonhos. (p. 4)

1.5.4

SOBRINHO, Antonio Serralvo. “Eterno tema”. Poema composto de três estrofes que exaltam o sonho como sendo este um bálsamo para as dificuldades da vida. (p. 4)

1.5.5

FREITAS, Carlos de. “Enlouqueçamos, amigos”. O poema é composto de três estrofes de versos livres quais sejam, um quinteto, um quarteto e um dístico. Trata-se de um desabafo pessimista que lamenta a perda de liberdade nos imposta pelo mundo, deixando-nos livres apenas para enlouquecermos. (p. 6)

1.5.6

FARIA, Idelma Ribeiro da. “Genesis”. O poema é composto de oito estrofes de versos livres que recorrendo ao intertexto bíblico subdividemse no poema sob os tópicos gênesis, apocalipse e ressurreição. O poeta considera a palavra como a semente do mundo. (p. 7)

1.5.7

BARROSO, Antonio Girão. “A partida”. Poema composto de oito estrofes de versos livres que falam da ausência de 20 anos de um filho e o sofrimento de sua mãe. (p. 7)

1.5.8

CARNEIRO, Dulce G. “Olhar”. Poema composto de três estrofes de versos livres que enfatizam a importância de olhar, ao captar a essência das coisas, em detrimento das palavras. (p. 9)

1.5.9

SILVA, Paulo Cesar da. “Noturno”. Poema composto de quatro quartetos e um quinteto de versos livres que falam sobre o ambiente noturno em que memórias passadas e esquecidas insistem em voltar afligindo o eulírico. (p. 11)

1.5.10

MOURA, Emílio. “Confidência”. Poema composto de quatro tercetos e ao final concluído com um único verso. Nele o peta fala de uma


91

palavra mágica capaz de explicar-lhe, mas que apesar disso não é ouvida. (p. 12) 1.5.11

HANSSEN, Guttorm. “Um fazendeiro dinamarquês no sertão mineiro”. O texto relata o encontro de Peter Clausen e o doutor Wilhelm Lund, no sertão mineiro. O primeiro lavrador que há muitos anos ali se fixara e o segundo botânico e zoólogo. (p. 4)

1.5.12

CARNEIRO, André. “O amante”. Fugindo de temática tradicional que trata somente das angústias sofridas pela adúltera, neste conto o autor relata as apreensões do amante com respeito à credulidade de suas constantes simulações. (p. 5)

1.5.13

DINES, A. “A prisão”. O autor expressa o ódio sentido pelos edifícios que hipocritamente transmitem uma aparência sóbria, calma, mas que no seu âmago explodem emoções por eles confinadas. (p. 7)

1.5.14

PAVIA, Cristovam. “Ambiente”. O autor descreve o contraste entre o calor sufocante do ambiente externo e a frescura proporcionada pela atenção a ele dispensada pela pessoa a quem amava. (p. 9)

1.5.15

1.6

Colaborações de Portugal: FERREIRA, Vergílio. “Pureza”. O conto relata a história de um homem acusado e punido com a morte injustamente. O conto torna-se dramático quando deixa transparecer nos diálogos que o punido e o punidor sabem dessa inocência. (p. 10)

Nota e/ou Comentário 1.6.1

Representante em Portugal. A partir deste número Tentativa será representado em Portugal pelo escritor Luis Amaro. (p. 2)

1.6.2

Artistas Premiados. Aldo Bonadei recebeu a Medalha de Ouro no Salão Nacional de Belas Artes, Aldemir Martins a Medalha de Bronze no Salão Baiano de Belas Artes e Geraldo de Barros foi contemplado com uma Bolsa de Estudos instituída pela Alliance Française. (p. 2)

1.6.3

Concurso Livro de Contos. Os escolhidos para comporem a Comissão Julgadora deste concurso foram Sérgio Milliet, Antônio Cândido e Osmar Pimentel. A data para a entrega dos originais foi prorrogada para 31 de março de 1951. (p. 3)


92

1.6.4

“O que se publica em Portugal”. Foi publicado o sétimo número do jornal de poesia “Távola Redonda”, dirigido por Antonio Manuel Couto Viana, David Mourão - Ferreira e Luiz de Macedo. Serão publicados “Se o silêncio viesse...” de Luís de Macedo e a “Secreta Viagem” de David Mourão Ferreira. Jorge de Sena publicará “Pedra Filosofal”, Antonio de Souza publicou “Livro de Bordo”, Ferreira de Castro publicou suas Obras completas e “A curva da estrada”. Para a próxima temporada são anunciados os livros “Retrato com sombra” de Eugenio de Andrade, um volume de poesias de Fernando Namora e outro de Natércia Freire. Adolfo Casais Monteiro trabalha num estudo acerca de “Balzac” e Rainer - Maria rilke publicou “Cartas a um poeta”. (p. 10)

1.6.5

“Exposição de artes aplicadas”. Em São Paulo, um grupo de artistas plásticos, componentes da Oficina de arte apresentou uma exposição de artes aplicadas com o objetivo de aplicar a arte em fontes de ganho material, fazer com que o artista possa trabalhar em seu elemento. (p. 11)

1.7

1.8

1.6.6

III Festival Mundial da Película de Curta Metragem. Realizou-se no Rio de Janeiro, promovido pelo “Cercle International du Cinèma” de Paris. Seu objetivo é estimular e divulgar a produção cinematográfica de curta metragem. (p. 11)

1.6.7

Concurso de Fotografia e Cinema. Acaba de ser instituído pelo Cine Clube Bandeirante. (p. 11)

1.6.8

“Direção de Tentativa”. A parti do próximo número, a direção de Tentativa estará a cargo de Cesar Mêmolo Jr. (p. 12)

Ilustração 1.7.1

Foto. Um aspecto atual da Catedral de São Paulo. (p. 1)

1.7.2

MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 9)

1.7.3

WEISSMANN, Franz. Desenho. (p. 12)

Anúncio 1.8.1

“Livros Recebidos”. Um homem na neblina, Egito Gonçalves; Germinal, Cítara; Esfera, Fernando Guedes; Inquietação, Vasco de


93

Araújo Ogando; O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto, Luz Distante, Joster Malta; Mudança, Vergílio Ferreira; A janela noturna, Expedito Pereira. (p. 11) 1.8.2

“Publicações Recebidas”. Jornal de Música (Marília, SP), The Cultura Magazine (São Paulo), Ângulos (Bahia, Salvador), Trópico (São Paulo), Mensageiro do Lar da Criança (Rio de Janeiro), Jornal dos Novos (Caruaru, Pernambuco), O Arauto (Cuiabá), Correio dos Açores (Açores - Portugal), Boletim do foto-cine Clube Bandeirantes (São Paulo), Letras da Província (Limeira, SP), S. P. Rumos (Lajes, SC), Jornal do Povo (Ponto Nova, MG), São José dos Campos (S. J. dos Campos, SP), Correio das Artes (João Pessoa, Paraíba), La Gazzeta Italiana (São Paulo). (p. 11)

1

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. 1.1

Expediente Diretor: Cesar Mêmolo Jr.

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

MARTINS, Ibiapaba. “O realismo socialista e a grande mentira do século”. O autor cita Alexandre Fadeyev, autor de “A jovem guarda” e à época secretário geral da União dos Escritores Soviéticos que define o realismo socialista como a representação verídica da vida em sua evolução. É a capacidade de ver no dia de hoje os dias de amanhã. É o reconhecimento do papel da literatura como educadora do povo no espírito do socialismo”. Embora tenha surgido na União Soviética, integram suas fileiras Howard Fast, nos EUA, Aragon, na França, Wanda Wassilevska na Polônia e Portinari no Brasil. O novo realismo não se confunde com o velho realismo de Flaubert ou o naturalismo de Zola. Flaubert afirmava expor as coisas tais como lhe apareciam a exprimir aquilo que lhe parecesse verdadeiro. Mas, segundo o autor, quando Flaubert falava assim já se contradizia porque aquilo lhe parecia verdadeiro era justamente aquilo em favor do que tomava partido. Segundo ele, não há arte partidária assim


94

como não há democracia pura ou política acima das classes. O realismo socialista exige o mais perfeito conhecimento da realidade por parte do escritor ou do artista. Não colide com a ciência. Exige capacidade de percepção para o novo e, portanto, não está em choque com a realidade histórica. O escritor realista dos nosso dias difere dos artistas do século passado porque os sonhos destes não se assentam na realidade histórica. Eram sonhos utópicos e, eles próprios, românticos idealistas. Os elementos de romantismo do realismo socialista, mostram aos leitores que os sonhos de hoje serão realidade amanhã porque o artista que criou o quadro ou escreveu o livro estava armado com a ideologia que o ensina a ver as forças impulsionadoras da vida social. Um intelectual honesto não poderá permanecer de braços cruzados em face dos provocadores de guerra. A função específica do artista e dos escritores é dar forma artística aos anseios das forças que lutam para construir um mundo melhor. Os poetas que se comovem ante rosas que murcham são geralmente os que permanecem de braços cruzados e ouvidos surdos quando milhões de homens morrem de fome. Procedem dessa forma porque não querem misturar arte e política. Não pretendem fazer da arte um instrumento da política, confundi-la com a propaganda. São os adeptos da “arte pura”, essa grande mentira e como tais não toleram o realismo socialista, ou seja, a arte partidária. (p. 3) 1.3.2

STIEL, Roberto Corrêa. “O cinema e a política”. O artigo comenta que o cinema é uma arma poderosa para a orientação dos povos. Não ignorando o seu valor é que muitos países, principalmente os de regime totalitário, tem-no usado largamente como arma de propaganda e difusão de ideais políticos. Todavia, desviado de sua finalidade comum, o filme deve encerrar a necessária dose artística que o distinguirá dos demais fazendo com que ocupe lugar de destaque mesmo apesar do fim com que foi realizado. O autor cita como exemplo o filme russo “O encouraçado Potemkim”. (p. 4)

1.3.3

Política e arte dirigida. Neste artigo o autor comenta que de algum tempo para cá, a tese da arte participante vem sendo defendida, por adeptos de certa ideologia, com argumentos absurdos, que torcendo os fatos objetivos que cercam o assunto, visam utilizá-la como arma de divulgação panfletária de seus princípios, e meio para consecução de fins absolutamente políticos. Segundo ele, estabelecer um dirigismo


95

no ato da criação, será negar a própria liberdade da qual ela tanto depende, e pela qual tanto se caracteriza. (p. 12)

1.4

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. (p. 2) 1.4.1.1 Pintores do Haiti. Exposição feita em Paris por dezenove pintores do Haiti vindos das Antilhas. 1.4.1.2 Jean Raoulx. A grande produção desse artista o coloca entre os profissionais de primeiro plano.

1.5

Criação 1.5.1

LINO, Donozor. “Paula”. Poema composto de quatro quartetos de versos livres. O poema fala de um amor que se tornou eterno somente na carta que o declarou. (P. 3)

1.5.2

REZENDE, Carlos Penteado de. “Expectativa”. Poema composto de duas estrofes sendo uma oitava e um sexteto de versos livres que tematizam a efêmeridade e vulnerabilidade das coisas. (p. 3)

1.5.3

GONÇALVES, Egito. “Viagem antecipadamente frustrada”. Poema composto de três estrofes de versos livres que fala do encontro e da despedida com a pessoa amada comparando-os às facetas de uma viagem marítima. (P. 5)

1.5.4

GUEDES, Fernando. “Poema de Amor”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que comparam o amor às aventuras e perigos da vida marinha. (p. 5)

1.5.5

SOBRAL, Eduardo. “Soneto”. Poema composto de quatro estrofes (de versos livres) sendo estas dois quartetos e dois tercetos. O eulírico reclama o amor da pessoa amada ao que é acompanhado pelo mar que por ela também “ruge e chora”. (p. 7)

1.5.6

CARVALHO, Ruy Galvão. “Direção Proibida”. O poema trata-se de um soneto que apresenta em sua estruturação rimas interpoladas e emparelhadas. O poeta manifesta neste poema o desejo de percorrer


96

novos rumos, mas lamenta a impossibilidade deste desejo uma vez que os antigos receios o dominam. (p. 9) 1.5.7

ALVARENGA, Octávio Melo. “Cositas engraçadinhas para a filha de Maria Alice”. Poema composto de doze estrofes de versos livres que descrevem as atividades pueris da filha do eu-lírico, atividades estas que não puderam ser realizadas pelo seu pai, o poeta.(p. 10)

1.5.8

ÁVILA, Afonso. “Soneto”. Soneto cujos versos apresentam rimas cruzadas. O poema mostra a dualidade dos atos: nenhum ato é totalmente ruim, apresentando também seu lado que traz benefícios aos seres que o circundam. (p. 12)

1.5.9

MARTINS, Amélia. “Sufocamento I ”. O texto trata-se de um poema em prosa que fala sobre o sufocamento provocado pelos problemas/pensamentos no homem e a indiferença de seus responsáveis. (p. 9) “Desintegração II”. Com a mesma estrutura formal do texto anterior este texto falam a respeito da única solução provável para o “sufocamento”, qual seja a “desintegração” uma vez que pela nossa educação não conseguimos parar o pensamento, nosso lado racional. (p. 9)

1.5.10

DONATO, Mário. “Galatéia e o fantasma”. O texto narra as angústias de uma menina por se sentir culpada de ter presenciado e ouvido cenas de sexo. Esperando ser castigada pelos céus, a consumação da culpa vem-lhe sob a forma da morte do pai. (p. 1)

1.5.11

CALTOFEN, R. “O caminhante eterno _ Ferreira de Castro”. Neste texto o autor faz um biografia de Ferreira de Castro destacando sua busca incansável de novos horizontes reais e abstratos. (p. 5) (Colaborações de Portugal).

1.5.12

ANDERSEN, H. C. “O derradeiro sonho”. O conto narra a história de um carvalho de 365 anos e de uma cigarra cuja vida se restringia a apenas 1 dia. A cigarra mostra ao carvalho que se vivida intensamente a efemeridade da vida torna-se eternidade. (P. 6)


97

1.6

Nota e/ou comentário 1.6.1

Prêmio Adhemar de Barros. Vencedores: Francisco Fermino, Lêdo Ivo, Maria José de Carvalho e Donozor Lino com “Odes Bárbaras”(4º lugar). (p. 2)

1.6.2

Aos Leitores. Por falta de espaço deixaram de ser publicados neste número vários trabalhos e a seção “Livros Recebidos”. O jornal só voltará a circular em maio para se poder dar maior divulgação ao concurso “Livro de Contos”. Acham-se suspensas as assinaturas de Tentativa. (p. 2)

1.6.3

1º Concurso Fotográfico. “Edições Melhoramentos” instituiu o seu 1º concurso fotográfico, para fotografias infantis. (p. 2)

1.6.4

Presença de Anita. Lançamento. Filme que marcará o início das atividades da Cia Cinematográfica Maristela.

1.6.5

“Vocação”. Mais uma revista de novos. Revista de Belo Horizonte, “Vocação” será dirigida por Afonso Celso Ávila, Fábio Lucas e Vera de Castro. (p. 6)

1.6.6

Concurso Livro de Contos _ Nota sobre a composição da Comissão Julgadora e sobre os regulamentos do mesmo. (p. 8)

1.6.7

São Paulo no Jornal de Letras. Segundo esta nota, o Jornal de Letras é a melhor publicação literária do país atualmente, dirigida pelos irmãos Elysio, José e João Condé. Jornal de Letras em São Paulo trata-se de uma seção com duas páginas totalmente dedicadas ao movimento artístico e intelectual da Paulicéia sob a orientação de Alcântara Silveira. (p. 8)

1.6.8

Clube do Conto. É uma associação editora formada no Rio de Janeiro que vem publicando trabalhos selecionados entre os bons autores no gênero da literatura universal. Além disso o Clube instituiu um concurso que escolhe um dos contos enviados ao Clube no decurso dos trinta dias anteriores, incentivando assim os autores inéditos que ainda não tiveram grandes oportunidades. (p. 9)


98

1.6.9

Torre de Vigia. Nova coluna de crítica de poesia assinada por Domingos Carvalho da Silva na página de literatura e arte do Correio Paulistano, da capital. (p. 9)

1.6.10

Publicações Recebidas. Merediano (Terezina, PI), Revista Branca n. 13 (Rio de Janeiro, RJ), Honra ao Mérito, Serviço Iugoslavo de Informações, Nova Iugoslávia, I.B.E.C.C., Investigações, Sul (Florianópolis), Palmeiras (Campinas, SP), Folha do Povo (Bauru, SP), Mansão Literária (Campinas, SP), Correio das Artes (João Pessoa, PA).

1.6.11

Concurso Cinematográfico nacional para amadores. “Alguns dias em Bertioga”, de Estanislau Szankowsky. Prêmio troféu “A Gazeta” “Aldeia em Paris” de Jean Lecoq. Iaça “Estímulo”. “Santa Catarina” de Klaus Muller Carioba. Troféu “A Gazeta Esportiva”. “Catarata” _ melhor filme sob critério técnico, de Benedito J. Duarte. “Estudo de continuidade e movimento” de André Carneiro. Devido ao fato de não ter letreiros de apresentação, como exigia o regulamento, esse filme não foi classificado para efeito de premiação, recebendo da Comissão julgadora, porém, graças às suas qualidades técnicas e acentuado censo de cinema, uma referência à parte, feita na apresentação dos filmes no Museu de Arte, e no Boletim do FotoCine Clube Bandeirantes. (p. 11)

1.7

1.8

Ilustração 1.7.1

CHAVES, João Ruiz. “Linoleo”. (p. 1)

1.7.2

Cenas de “O encouraçado Potemkim”, filme russo de sucesso mundial, realizado por Eisenstein. (p. 4)

1.7.3

Foto. Ferreira de Castro e R. Caltofen. (p. 5)

1.7.4

MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 7)

1.7.5

MARTINS, Itajah. Ilustração. (p. 12)

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99

1.

Jornal Tentativa ano 3, n. 13, maio de 1951 1.1

Expediente Diretor Responsável: Cesar Mêmolo Jr.

1.2

Apresentação

1.3

Crítica e/ou resenha 1.3.1

SIQUEIRA, Cyro - Cinema arte “Huston, a corrupção e o ritmo”. O autor faz uma pequena biografia de John Huston destacando as qualidades de alguns de seus filmes (p. 3)

1.3.2

LUCAS, Fábio “Três tópicos de uma poesia” Falando sobre a poesia de Wilson de Figueiredo, o autor a classifica como “o condor do modernismo”, ou seja, uma poesia arrebatada, impregnada de chispas, relampejante, repleta de metáforas que se cruzam como golpes de esgrimas de versos longos, cujas que se encandeiam num crescendo de emoção; “o canto de cristal” por ser uma poesia arquitetural, feita de vitrais, de cristais em losangos, cujas arestas ferem, tocam nas chagas mais intimas do Homem; e salienta a corrupção de amor do poeta para quem o amor é o de quem rememora, um amor perfeito, sublime, que ele busca obstinadamente no passado, criado como um mito, no desejo de perfeição e de suprema pureza (p. 5)

1.3.3

1.4

ÁVILA, Affonso - “Poesia em Retrospecto”. O autor chama a atenção para alguns poetas da safra de 38 como Oneyda Alvarenga e Henriqueta Lisboa cujas obras se destacam em seu tempo e Vinícius de Moraes que embora elogiado pela crítica apresenta momentos questionáveis em sua poesia (p. 8)

Entrevista e/ou correspondência 1.4.1

FRANCE,Sylvan “Letras de França - A Dança na Arte”. O correspondente destaca o trabalho de Jean Toth que reproduz dentro das limitações do lápis e de algumas cores, a dança em todas as suas


100

expressões, Desde 1930, ele absorve a fixar na tela a dança, em toda a sua complexidade, folclórica ou clássica (p. 2) 1.5

Criação 1.5.1

RAMOS, Jorge - “Cidade do Porto”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam sobre as características da cidade operária de Porto (p. 2)

1.5.2

PAVIA, Cristovam “Poesia à nossa Senhora” O poema é composto de duas estrofes de versos livres. Tais estrofes são divididas em duas partes distintas, quais sejam “I Breve Epígrafo” e “II Bálsamo”. O poema mostra reconhecimento em escutar os aflitos (p. 4)

1.5.3

BONADEI, Aldo “Poema”. Poema composto de seis estrofes de versos livres que mostram a falta de amor presente no mundo e sua conseqüência (p. 5)

1.5.4

PAES, José Paulo “Monólogo”. Poema composto de quatro dísticos cujas rimas apresentam-se emparelhadas. O poema, fazendo um jogo antitético de metáforas mostra a resignação do eu-lírico e a tentativa de mudanças expressa no último verso (p. 9)

1.5.5

FERNANDES, Oscar Lorenzo “Um poema de Oscar Lorenzo Fernandes”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam da busca do “eu-lírico” de coisas singelas, claras e puras (p. 10)

1.5.6

SILVA, Antunes da “Mal-entendido”.(Colaborações de Portugal) - O testo narra a história de um homem que foi identificado por outro como sendo o responsável por uma questão de desonra. Na defesa, o acusado afirma não ser a mesma pessoa em questão e que tudo não passa de um mal-entendido (p. 4).

1.5.7

DONATO, Mário “Galatéia e o Fantasma”. O texto narra os sofrimentos de uma família após a morte do pais e as constantes tentativas das crianças de reanimar a mãe (p. 6)

1.5.8

CALTOFEN, R “O caminhante eterno Ferreira de Castro”. O texto consiste na segunda parte da bio-bibliografia de Ferreira de Castro constante do número anterior de tentativa (p. 12)

1.5.9

TELLES, Lygia Fernandes “Lembranças da Bahia”. O texto apresenta uma descrição das peculiaridades da Bahia ressaltando-se o


101

lado religioso ao contemplar uma figura de Cristo no altar de uma igreja. O texto apresenta ainda um intertexto que tem por referente a história “Príncipe Feliz” de Oscar Wilde (p. 12) 1.6

Nota e/ou Comentário 1.6.1 “Encerrado o Concurso Livro de Cantor”. O primeiro prêmio foi conferido à obra “Ah, solidão!” de Leonardo Arroyo de São Paulo que terá sua obra publicada. O segundo prêmio foi conferido a Osmar Lins com o livro “Os sós” e o terceiro à obra “As paredes” de Ferreira Gular de São Luiz do Maranhão (p. 1) 1.6.2 “Tentativa”. Com o presente número, Tentativa deixará de ser publicado (p. 1) 1.6.3

“Concurso Sul Americano de Filmes Documentários”. Dando prosseguimento ao seu programa cultural e didático o Museu de Arte de São Paulo instituiu o Concurso Sul Americano de filmes Documentários. Trata-se de um evento que visa dar oportunidade a que os mais variados assuntos sejam apreciados e tratados pelos cinematografistas nacionais e sul americanos (p. 2)

1.7

1.6.4

“Ângulos - “Ângulos” chama-se o órgão cultural do Centro Acadêmico “Ruy Barbosa”, da faculdade de Direito da Universidade da Bahia sob a direção de Adamir da Cunha Miranda (p. 2)

1.6.5

“Presença do Brasil”. Sob esse título a revista “Flama” pública há cerca de oito anos uma página permanente, na qual se faz larga referência à atitude literária em todos os Estados do Brasil (p. 2)

1.6.6

“Livros Recebidos” - Um tempo que passou, Djanira Brandi Bertolotti; O enenrgismo, O energismo e a repercussão dos atos, O que é energismo, Alberto Montalvão; Graciliano Ramos - ensaio crítico psicanalítico, H Pereira da Silva; Dádiva, José Amaro; Obra Poética, Jorge de Lima; Viagem para Malaga, Leonardo Aroyo; Idade 21, Walmor Cardoso da Silva; O Domínio de si mesmo pela auto-gestão consciente, Emile Coué (p. 7)

Ilustração 1.7.1 TOTH, Jean - Reprodução de um de seus trabalhos (p. 2)


102

1.7.2 1.7.3 1.7.4 1.7.5 1.8

Afonso Bedoya e Walter Huston em “O tesouro de Sierra Madre” (p. 3) WEISSMANN, Franz - Desenho (p. 6) WEISSMANN, Franz - Desenho (p. 9) FARNESE - Desenho (Rio De Janeiro - 1951) (p. 12)

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103

4.2.4. Índice geral por assuntos Este índice apresenta as todas as matérias publicadas pelo jornal Tentativa em classificação por assunto ou gênero e por ordem alfabética dos autores. Trata-se de um índice auxiliar ao anteriormente apresentado e tem a finalidade de facilitar a busca das matérias a partir dos gêneros a que pertencem: poesia, conto, entrevista, crítica, correspondência, ilustração e anúncio.

4.2.4.1. POESIA

Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949.

BAIRÃO, Reynaldo. “Poema”. O poema é composto de 41 versos dispostos sem nenhuma separação por estrofes. (p. 11) CARNEIRO, Dulce G. “Música na tarde e na noite”. Poema em prosa, caracterizado por uma separação gráfica entre as duas partes correspondentes respectivamente à tarde e à noite evocadas no poema. (p. 3) CARNEIRO, Dulce G. “Tentativa”. Poema composto de dois tercetos, um sexteto, um quinteto e um dístico. Apresenta versos livres que falam da característica ao mesmo tempo impenetrável e transparente dos poemas, como exemplificada pela expressão “incolor esfinge”. (p. 3) LINO, Donozor Onofre. “Incomunicabilidade”. O poema é composto de oito quartetos cujos versos apresentam, todos, quatro sílabas poéticas. O poema possui versos livres que reiteram os versos “tu não me escutas”, “não me compreendes” e “estás tão longe”, versos estes que colaboram para a compreensão da “incomunicabilidade” sofrida pelo eu-lírico com respeito à amada. (p. 2) MEDEIROS, Aluizio. “2º auto-retrato sócio-psicológico”. O poema é composto de uma única estrofe com 18 versos livres. O poema é de certa forma um intertexto do poema anterior ao se referir à questão fundiária como um dado marcante no retrato sócio-psicológico do eu-lírico. (p. 7)


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MEDEIROS, Aluizio. “Ratifúndio Devorante”. O poema é composto de uma única estrofe com 20 versos livres que tratam basicamente da questão fundiária e reforma agrária. (p. 7) PIMENTEL, Cyro. “Poema”. Poema composto de dois quintetos, um dístico e um terceto, os quais apresentam versos livres. (p. 11) SÉRGIO, Paulo. “Balada do Caminhante”. O poema é composto de 8 estrofes, sendo a primeira e a quinta um terceto; a segunda, a quarta e a sexta um quinteto, a terceira um sexteto, a sétima uma oitava e a oitava um quarteto. Apresenta versos livres. (p. 9) SILVA, Domingos Carvalho da. “Tudo é sangue”. O poema é composto de quatro quartetos e um quinteto, os quais apresentam versos livres que lamentam a ausência da pessoa amada. (p. 2) SOBRINHO, J. B. Peçanha. “Subsolo do esquecimento”. O poema é composto por duas estrofes de onze versos, separadas por uma estrofe de dez versos. Os versos presentes são livres. O eu-lírico exalta as figuras de Castro Alves, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo mergulhando sua memória no “subsolo do esquecimento”. (p. 2) SOBRINHO, J. B. Peçanha. “Subsolo do esquecimento”. O poema é composto por duas estrofes de onze versos, separadas por uma estrofe de dez versos. Os versos presentes são livres. O eu-lírico exalta as figuras de Castro Alves, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo mergulhando sua memória no “subsolo do esquecimento”. (p. 2) VALLEJOS, M. A. Raul. “El huerto nocturnal”. O poema trata-se de um soneto. No primeiro quarteto as rimas apresentam-se cruzadas, no segundo, interpoladas e nos dois tercetos apresentam-se emparelhadas. O poema trata da beleza presente num cair de tarde. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949. BAIRÃO, Reynaldo. “Poema”. O poema é composto de 41 versos dispostos sem nenhuma separação por estrofes. (p. 11)


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CARNEIRO, Dulce G. “Aresta no mar”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres sendo a primeira e a quarta tercetos, a segunda quarteto e a terceira quinteto. (p. 2) CARNEIRO, Dulce G. “Poema”. Trata-se de um poema composto de 6 estrofes de versos livres. Tais estrofes oscilam entre tercetos e quintetos. (p. 2) GUIMARÃES FILHO, Alphonsus de. “Os ventos”. O poema é composto de 4 estrofes que variam de 6 a 16 versos. Estes apresentam rimas externas e internas. As externas podem ser classificadas como misturadas. O poema trata da solidão, da despedida e de todos os sentimentos que atormentam o eu-lírico, aos quais este chama de “ventos”. (p. 6) HADDAD, Jamil Almansur. “Ditirambo para a virgem de Uspallata”. O poema é composto de 5 estrofes de versos livres. Estas estrofes variam de 2 a 14 versos. (p. 9) HILST, Hilda. “Poema”. O poema é composto de 6 estrofes de versos livres que falam da passividade humana. (p. 2) LISBOA, Henriqueta. “Na Morte”. O poema é composto de estrofes que variam de dois a três versos, os quais podem ser classificados como livres. Apresenta como refrão o verso “na morte nos encontraremos”, concebendo assim a morte como ponto de encontro dos seres por ela separados. (p. 6). LOANDA, Fernando Ferreira de. “Poema de anteontem”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres que variam de 13 a 3 versos. (p. 8) MARTINS, Amélia. “Dispensa”. O poema é composto de 4 estrofes de versos livres. Apresenta a primeira e a quarta estrofes em forma de quarteto, a segunda em forma de dístico e a terceira em forma de dístico e a terceira em forma de terceto. O poema faz referência à figura mitológica da sereia. (p. 3) MEMOLO JR., Cesar. “I”. Poema composto de 7 estrofes de versos livres e tamanhos variados que falam da vulnerável condição inconsistente do ser humano. (p. 5) MEMOLO JR., Cesar. “II”. Poema composto de 9 estrofes de versos livres. As estrofes apresentam de dois a cinco versos que tratam da efemeridade do tempo PIGNATARI, Décio. “Poema”. Trata-se de um poema composto de 3 quartetos os quais apresentam rimas interpoladas. Os versos dos dois primeiros quartetos apresentam 9 sílabas poéticas. No último quarteto os versos iniciais e finais


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apresentam 10 sílabas poéticas e os versos terceiro e quarto, 14 sílabas poéticas. (p. 10) RIVERA, Bueno. “Augusto e seu caminhão”. O poema é composto de 10 estrofes de tamanhos variados e versos livres. O eu-lírico narra a rotina de um caminhoneiro, que apesar de sua simplicidade, torna-se autor de um ato heróico ao dar sua vida para salvar uma criança. (p. 6) ROSA, Roldão Mendes. “Olho da noite”. O poema é composto de 6 estrofes de versos livres. Apresenta como tema a figura da lua, nomeada pelo eu-lírico de “olho da noite”. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. ALMEIDA, Guilherme de. “Esquinas”. O poema é composto de versos livres distribuídos em estrofes que variam de um a seis versos. O poema fala do caráter de surpresa e imprensibilidade das esquinas. (p. 7) ALMEIDA, Guilherme de. “Insônia”. O poema é composto de cinco dísticos de versos livres. Retrata um cenário característico à insônia: luz acesa, barulho de chuva, ruídos dos móveis, cigarros no cinzeiro e várias tentativas de leitura. (p. 7) BRAGA, Edgard. “Poça de rua”. O poema é composto de três estrofes que apresentam de quatro a cinco versos livres que falam sobre a indiferença evocada por uma poça d’água. (p. 6) BRITO, Mario da Silva. “Herança”. O Poema é composto de três quartetos de versos livres. Estes frisam a importância da palavra e o significado diverso e particular que cada pessoa pode lhe atribuir independente de seu sentido estrito. (p. 10) BRITO, Mario da Silva. “O escravo”. O poema é composto de quatro estrofes de versos livres. A primeira trata-se de um quarteto; a segunda de um dístico; a terceira e a quarta de um terceto. O poeta fala sobre a indiferença e o descaso comum entre a humanidade. (P. 10) CARNEIRO, Dulce G. “Contorno de arranhacéus”. O poema é composto de três estrofes que variam de sete (duas inicial e final) a três versos (a do meio). O


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poema fala da falta de vida e indiferença entre a multidão causadas pelo progresso e pela máquina. (p. 11) CARNEIRO, Dulce G. “Escala partida”. O poema é composto de duas estrofes, uma de oito e outra de dois versos livres. O poema canta o nascer do dia. (p. FARIA, José Escobar. “Aguaforte”. O poema é composto de vinte e seis versos dispostos em uma única estrofe. Trata-se de versos livres que esboçam uma comparação entre os homens e as árvores, formas e imagens. (p. 2) IVO, Ledo. “A palavra e a graça”. O poema é composto de três estrofes de versos livres que variam de dez a três versos. O poema trata da palavra “Inefável” e da “Graça de Deus”. (p. 9) LEITE, José Eduardo. “A poesia”. O poema é composto de cinco estrofes de versos livres. As estrofes variam de dois a seis versos. Comparando a poesia a uma bailarina de ritmos difusos, o poeta considera-a como portadora de vida pela sua ambivalência. (p. 8) MARTINS, Amélia. “Mar, coração de bêbedo”. O texto fala da rotina de um marinheiro preso em um ambiente que comumente representa liberdade, a amplitude infinita do mar. (p. 5) PEÇANHA SOBRINHO, J. B. “Poema”. O poema é composto de cinco estrofes que variam de sete a dois versos, sempre livres, que descreve uma paisagem marina, com toda sua beleza e mistérios. (p. 3) PIMENTEL, Cyro. “Poema”. O poema é composto de quatro tercetos de versos livres que cantam as belezas do sol e do céu. (p. 6) ____ “Poema”. texto em cinco versos livres que cantam a conquista e a perda da mulher amada. (p. 8)

Jornal Tentativa. .ano 1, n. 4, outubro de 1949. BRAGA, Edgard. “Porta Oclusa”. Poema composto de 3 quartetos de versos livres que falam da tristeza decorrente da falta de memória.


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CERNIGOY, Carlos. “Intervalo da morte”. Poema composto de 4 estrofes de versos livres que variam do número de 2 a 6 em cada estrofe. O poeta demonstra desejo de perscutar os mistérios da morte, mistérios frios e infinitos. (p. 10) FARIA, José Escobar. “A escolha”. Poema composto de 41 versos dispostos em uma única estrofe que fala sobre a fuga como opção de escolha. (p. 4) HOLZNER, Joé. “Brumes”. Poema composto de 2 estrofes, a primeira com 2 e a segunda com 14 versos. Trata-se de um lamento por se ter perdido a felicidade proporcionada pela companhia do ser amador. (p. 7) IVO, Lêdo. “A armadilha”. Poema composto de 3 quartetos de versos livres que falam sobre a efemeridade da vida e da aproximação da morte, que é comparada a uma viagem. (p. 7) JACOB, Porfirio Barba. “Cancion de la vida profunda”. Poema composto de 7 quartetos. Apresenta rimas externas alternadas nos segundos e quartos versos de cada quarteto. O poema fala sobre a alternância de bons e maus momentos durante a vida. (p. 9) MORAES, Vinícius de. “Balada da moça do Miramar”. Poema composto de 8 estrofes de versos que variam do número de 3 a 13 para cada estrofe. Os versos apresentam rimas intercaladas. O poema fala do cadáver de uma mulher sentada em frente ao edifício Miramar, se decompondo a mirar o mar. (p. 11) RIVERA, Bueno de. “Inverno Rural”. Poema composto de 6 estrofes de versos livres que variam de 2 a 8 nas estrofes mencionadas. O autor fala do cenário de uma vida rural. (p. 6) SENA, Marcelo de. “A esperança”. Poema composto de 4 estrofes de versos livres. As estrofes são compostas de 2 a 9 versos que falam sobre a perda de esperança. (p. 12) SILVA, Domingos Carvalho da. “Anti-Kipling”. O poema é composto de 6 estofes de versos livres. Essas estrofes variam de 4 a 10 versos. O poema é repleto de antíteses que ajudam a compor um retrato pessimista da vida. (p. 2) SOUZA, Waldemar Carlos de . “Frustração”. Poema composto de 5 estrofes de versos livres. As estrofes variam de 2 a 6 versos que falam sobre a dor e o vazio decorrentes da despedida. (p. 4)


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Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949.

ALVARENGA, Otávio Melo. “Retrêta”. O poema é composto de versos livres e apresenta como particularidade a divisão do vocábulo saltar em dois outros elementos (sal e tar) ficando cada um em um verso diferente, respectivamente no início e no fim de cada verso. (p. 5)

BANDEIRA, Antonio Rangel. “Primavera”. Poema composto de 6 versos livres dispostos em uma única estrofe que falam sobre a renovação proposta pela primavera. (p. 8) CARNEIRO, Dulce G. “Paisagem”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres dispostos no número de dois a dez. A autora ressalta o aspecto sereno e propenso à meditação evocado pela paisagem destacada. (p. 3) CARNEIRO, André. “Amor”. Poema composto de seis estrofes de versos livres que variam de dois a sete em cada estrofe. O poema fala sobre a procura de um amor seguro e estável. (p. 3) FIGUEIREDO, Wilson de. “Romance Pobre”. Poema composto de 10 estrofes de versos livres. Essas estrofes possuem de 2 a 10 versos que narram a história de um romance que devido à sua não efetivação acaba em tragédia. (p. 5) FONSECA, Edmur. “Momento”. Poema formado por 2 quartetos e um refrão que se repete 2 vezes, sendo este o verso “no quarto, só”. Os versos são de natureza livre. O tema é a solidão. (p. 11) FONSECA, José Paulo M. da. “Brazas”. Poema composto de 6 versos livres que falam sobre o rubor das brasas. (p. 8) FONSECA, Olímpio Monat da. “Fragmento sobre a Morte”. Poema composto de 22 versos livres dispostos em uma única estrofe. Tais versos tratam da recordação evocada pelos objetos pertencentes aos entes queridos falecidos. (p. 5)


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GUIMARAENS FILHO, Alphonsus de. “Ó dolorido céu...”. Soneto cujas rimas externas são classificadas como alternadas. O poema fala sobre o caráter transcendente da chamada celestial. (p. 6) JOLY, Aurasil Brandão. “Reflexão Menor nº 9”. Poema composto de 17 versos livres dispostos numa única estrofe que tece uma reflexão sobre o caráter ao mesmo tempo marcante e efêmero da vida. (p. 7) OSORIO, Ana. “Poema”. Poema composto de 3 tercetos e um dístico. Apresenta versos livres que consideram a solidão de um jovem músico que não vive pois não ama. (p. 7) RIBEIRO NETO, Oliveira. “O desejo”. Poema composto de 3 estrofes sendo estas 2 quintetos e uma sétima. O poema fala sobre os meios de fuga arquitetados pelo poeta para fugir da obsessão causada pelo desejo da mulher amada. (p. 9) ROCHA, Wilson. “Elegia Noturna”. Poema composto de 25 versos livres, dispostos em uma única estrofe que falam sobre a recordação da mulher amada que sobrevem ao poeta toda noite. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950.

CARNEIRO, Dulce G. “Fuga e encontro”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que falam sobre o fluir do tempo como a passagem da vida, de suas vivências. (p. 13) FILHO, Rocha. “Poema”. Poema composto de uma única estrofe de sete versos livres que falam sobre os recursos da modernidade que aproximam e ao mesmo tempo derrotam os homens. (p. 13)

FONSECA, Edmur. “Porta Severa”. Poema composto de quatro tercetos de versos livres que falam sobre o fazer poético. (p. 5) GRAMACHO, Jair. “Canção do anel perdido num caminho em tempo de outono”. Poema composto por quatro dísticos de rimas alternadas. Os versos possuem


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cinco sílabas poéticas sendo classificados como redondilha menor, que retrata a falsidade do compromisso simbolizado por um simples anel. (p. 9) LINO, Donozor. “Caótica descida para a morte de Campos do Jordão”. Poema composto de nove estrofes de versos livres que fazem referência a Campos do Jordão como cidade procurada pelos seus efeitos curativos devido ao clima. (p. 14) LISBOA, Henriqueta. “Coração e espada”. Poema composto de seis estrofes de versos livres. Estas estrofes correspondem a quatro quartetos e dois dísticos que funcionam como refrão. O poema compara os feitos do coração ao poder de uma espada. (p. 13) MATOS, Marco Aurélio de Moura. “Auto-retrato com lamento”. Poema composto de oito estrofes de versos livres que representam a complexidade da definição do ser humano. (p. 10) MENDES, Murilo. “Juan Miguel”. O poema é composto de sete estrofes que apresentam de dois a cinco versos livres que contam a morte do toreiro Juan Miguel. (p. 4) NASCIMENTO, Cabral do. “Língua Portuguesa”. O poema é composto de uma única estrofe que apresenta doze versos livres que trazem um lamento sobre a condição de sobrevivência da Língua Portuguesa, segundo uma ótica lusitana. (p. 16)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950.

BARROSO, Antonio Girão. “O poeta”. Poema composto de uma única estrofe de dezoito versos livres. Nestes versos o poeta fala da dura missão de carregar nos bolsos poemas, ‘coisas intraduzíveis, pedaços sues leves esperanças’, coisas das quais ele nunca poderá se libertar. (p. 7) CARNEIRO, André. “Integração”. Poema composto em oito estrofes de versos livres que tratam a angústia do homem comparado a uma semente estéril que só produzirá algo quando alimentar, como adubo, ou seja, na morte, a planta alheia. (p. 2)


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CERNIGOY, Carlos. “O girassol”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que estabelecem um contraste entre o girassol e o meio em que ele está inserido em busca de vida _ um dia frio, cinza, sem vida. (p. 8) FIGUEIREDO, Campos de. “Poema”. Poema composto de nove quartetos de versos que apresentam rimas interpoladas. Tais versos tratam do fazer poético e das emoções que emanam durante esse processo. (p. 12) ROCHA, Wilson. “Desenho”. Poema composto de quatro estrofes, sendo estas dois quartetos, um dístico e um terceto. Estas estrofes são formadas de versos livres que tratam da recorrência ao passado, à memória como modo de se fazer renascer antigas emoções. (p. 4) SILVA, Paulo Cesar da. “Convite à introspecção”. Poema composto de seis estrofes sendo estas tercetos, um dístico e dois quartetos formados por versos livres que convidam a pessoa amada à uma reflexão sobre a existência. (p. 5)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. ACAYABA, Cícero Vieira de. “O pátio”. Poema composto de uma única estrofe de quinze versos livres. O poema destaca o eu-lírico contemplando o palco de suas vivências, plenamente realizáveis apenas pelo sonho. (p. 5) CARNEIRO, Dulce G. “Nenhuma saudade”. Poema composto de sete estrofes de versos livres onde o eu-lírico destaca não sentir saudade das coisas vividas pois passado e presente se completam. (p. 11) FIGUEIREDO, Wilson de. “Exercício”. O poema é composto de seis tercetos cujos versos apresentam rima emparelhadas. Nele, o eu-lírico assume as formas do Sol e da Lua para poder ficar com a mulher amada. (p. 4) FONSECA, José Paulo Moreira da. “Os jogadores de cartas”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam dos jogadores de cartas como jogando os imprevistos e os desafios da própria vida. (p. 7) GUIMARAENS FILHO, Alphonsus de. “Tarde, esta é a fontes...”. Poema composto de uma única estrofe cujos quatorze versos apresentam-se sob a forma de versos livres. O poeta, trata a tarde como uma fonte inspiradora que proporciona alegrai, mas, também, tristeza pela sua efemeridade. (p. 5)


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MELLO, Pedro Homem de. “Outono”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que expressam uma visão nostálgica amorosa do eu-lírico. (p. 12) NICOLUSSI, Haydée. “Paradoxo”. Poema composto de duas estrofes de oito versos separadas entre si por uma ruptura gráfica expressa em uma linha pontilhada. Os versos são livres e estabelecem o paradoxo entre a palavra escrita (eterna) e a falada (efêmera) na medida em que esta se torna eterna e aquela efêmera. (p. 9) SENA, Marcelo de. “Carnaval”. Poema composto de dez estrofes de versos livres que comparam a agitação provocada pelo Carnaval a um mar cujas ondas estão revoltas como a multidão carnavalesca. O poema descreve a angústia daqueles que não podem aderir a essa mobilidade _ “os enjeitados do mar” _ como o aleijado e o artista cego. (p. 3) SILVA, Domingos Carvalho da. “Roteiro lírico da cidade de Salvador”. Poema composto de dez estrofes de versos cujas rimas encontram-se interpoladas. O poema destaca as peculiaridades das pessoas e dos locais característicos da Bahia. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. AMARO, Luiz “Domínio”. Poema composto de duas estrofes de versos livres os quais falam de uma força superior a do eu-lírico que o arrebata deixando apenas o rasto de lágrimas de seu domínio. (p. 6) BONADEI, Aldo “Prisioneiro do mundo”. Poema composto de três estrofes de versos livres cuja temática é a liberdade desejada pelo “eu-lírico”. (p. 10) BRAGA, Edgard “Viagem ao Amanhecer”. Poema composto de sete estrofes de versos livres com a predominância dos dísticos. O poeta fala do caráter misterioso e mágico do amanhecer. (p. 4) BRUGES, José “Intervalo”. Poema composto de três quartetos cujos versos apresentam rimas cruzadas. Os versos falam de um dia de intervalo na vida do ser humano onde todos os sentimentos e emoções são ausentes. Podemos observar ao final que se trata da própria morte. (p. 6)


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FARIA, José Escobar “Elegia da ausente”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que falam da angustia sentida pelo “eu-lírico” diante da ausência e impossibilidade de aproximação à pessoa amada. (p. 3) FONSECA, Edmur “Pequeno Canto”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que, fazendo um intertexto com a cantiga de roda “se essa fosse minha”, expressa o amor sentido para coma mulher amada (p. 3) LIMA, Augusto Cavalheiro “Picasso”. Poema disposto em quatro estrofes de versos livres que tematizam o silêncio no seu mais extremo grau, a impossibilidade de comunicação. (p. 7) MARTINS, Luis “Canção da Ilha de Malabar”. Poema composto de três quartetos cujos versos apresentam rimas interpoladas. Graças a nasalização da vogal e (~e), o poeta consegue dar ao poema, no nível formal, a idéia de prolongamento e mansidão característicos ao mar, elemento presente em todo o poema. (p.4) OSÓRIO, Ana “A morte diante da vida”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que falam do amor que se passa a sentir na vida quando nos vemos confrontados com a morte, um fenômeno que embora esperado, nos amedronta e nos faz temê-lo. (p. 9) PAVIA, Cristovam “2 Poemas” “I”. Poema disposto em uma única estrofe de sete versos os quais são livres e falam sobre a melhor maneira de se desfrutar a alegria (p. 6) “II”. Poema disposto em uma única estrofe de cinco versos livres que explicitam o desejo do “eu-lírico” de viver humildemente e ignorado. (p. 6) ROCHA FILHO “Uma criança lê Andersen”. Poema disposto em oito estrofes de versos livres que falam do espaço mágico e onírico presente nas fábulas de Andersen e os sentimentos que este espaço provoca no leitor. (p. 9) SILVA, Domingos Carvalho da. “O nome de Rosa e Iris”. Poema composto de dez estrofes de versos livres que cantam o amor à amada do eu-lírico cujo nome é Rosiris e que se transforma em tudo o que cerca o poeta, penetrando-lhe na alma e sufocando-o de amor. (p. 12)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. BONADEI, Aldo. “Maria mandou dizer”. Poema composto de três quartetos e um dístico. Trata-se de um relato/recado tirado do cotidiano sobre coisas triviais. (p. 11) CARNEIRO, Dulce G. “A casa”. Poema composto de sete estrofes de versos livres. Neste poema o poeta fala de um local que já serviu para muitos de abrigo e que hoje está esquecido em meio às páginas da lembrança. (p. 3) FIGUEIREDO, Tomaz de. “Ilustração para um romance”. Poema composto de seis tercetos cujas rimas apresentam-se emparelhadas. O eu-lírico lamenta seu estado apático atual, resultado do descaso da pessoa amada a quem adverte da inutilidade de qualquer reação que essa possa, no momento, expressar. (p. 4) LATERZA, Moacyr Ramos. “Pedido e afirmação”’. Poema composto de seis estrofes de versos livres que oscilam do número de dois a quatro versos ao longo dos poemas. Ansiedade e espera na concientização do sentimento já existente. (p. 8) LINO, Donozor. “Manuel Bandeira na Província”. Poema composto de três tercetos de versos livres. O poema relata que Manuel Bandeira foi lido para os provincianos que o rejeitaram citando Bilac, Casimiro, etc. (p. 11) LISBOA, Irene. “Poema Involuntário”. (Portugal). Poema composto de três estrofes que possuem respectivamente dezoito, vinte e um e nove versos livres. O poema relata a busca do sublime motivada pela solidão. (p. 4) MATOS, Marco Aurélio de Moura. “Poema em 2 movimentos”. Poema composto de nove estrofes separadas em dois blocos distintos. O poeta nostalgicamente relembra a condição passada de sua relação amorosa e a atual, na solidão e sem esperanças. (p. 9) NASCIMENTO, Cabral do. “Poema”. Poema composto de três estrofes de versos livres que falam sobre a beleza da plenitude de um objeto conseguida somente depois da junção de suas facetas duais. (p. 4) ROCHA, Wilson. “Crepúsculo”. Poema composto de cinco estrofes de versos livres que descrevem o caráter singelo e sublime do crepúsculo. (p. 5)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950. AZAMBUJA, Maria da Graça. “Momento”. Poema composto de oito estrofes que falam sobre o caráter sublime do momento em que o real-irreal se fundem na imaginação do eu-lírico. (p. 3) BARROSO, Antonio Girão. “A partida”. Poema composto de oito estrofes de versos livres que falam da ausência de 20 anos de um filho e o sofrimento de sua mãe. (p. 7) CARNEIRO, Dulce G. “Olhar”. Poema composto de três estrofes de versos livres que enfatizam a importância de olhar, ao captar a essência das coisas, em detrimento das palavras. (p. 9) FARIA, Idelma Ribeiro da. “Genesis”. O poema é composto de oito estrofes de versos livres que recorrendo ao intertexto bíblico subdividem-se no poema sob os tópicos gênesis, apocalipse e ressurreição. O poeta considera a palavra como a semente do mundo. (p. 7) FREITAS, Carlos de. “Enlouqueçamos, amigos”. O poema é composto de três estrofes de versos livres quais sejam, um quinteto, um quarteto e um dístico. Trata-se de um desabafo pessimista que lamenta a perda de liberdade nos imposta pelo mundo, deixando-nos livres apenas para enlouquecermos. (p. 6) GAMA, Sebastião da. “Senhora da Lapa”. Poema composto de oito quartetos que descrevem a devoção do eu-lírico que se entrega qual criança à Virgem Senhora da Lapa. (p. 3) MIRANDA, Macedo. “Cantiga do trem noturno”. Poema composto de quatro quartetos que apresentam rimas interpoladas e emparelhadas. O poeta fala sobre o seu desejo de ter alguém que lhe esperasse em sua chegada, uma pessoa que ainda mora em seus sonhos. (p. 4) SILVA, Paulo Cesar da. “Noturno”. Poema composto de quatro quartetos e um quinteto de versos livres que falam sobre o ambiente noturno em que memórias passadas e esquecidas insistem em voltar afligindo o eu-lírico. (p. 11)


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SOBRINHO, Antonio Serralvo. “Eterno tema”. Poema composto de três estrofes que exaltam o sonho como sendo este um bálsamo para as dificuldades da vida. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. ALVARENGA, Octávio Melo. “Cositas engraçadinhas para a filha de Maria Alice”. Poema composto de doze estrofes de versos livres que descrevem as atividades pueris da filha do eu-lírico, atividades estas que não puderam ser realizadas pelo seu pai, o poeta.(p. 10) ÁVILA, Afonso. “Soneto”. Soneto cujos versos apresentam rimas cruzadas. O poema mostra a dualidade dos atos: nenhum ato é totalmente ruim, apresentando também seu lado que traz benefícios aos seres que o circundam. (p. 12) CARVALHO, Ruy Galvão. “Direção Proibida”. O poema trata-se de um soneto que apresenta em sua estruturação rimas interpoladas e emparelhadas. O poeta manifesta neste poema o desejo de percorrer novos rumos, mas lamenta a impossibilidade deste desejo uma vez que os antigos receios o dominam. (p. 9) GUEDES, Fernando. “Poema de Amor”. Poema composto de quatro estrofes de versos livres que comparam o amor às aventuras e perigos da vida marinha. (p. 5) GONÇALVES, Egito. “Viagem antecipadamente frustrada”. Poema composto de três estrofes de versos livres que fala do encontro e da despedida com a pessoa amada comparando-os às facetas de uma viagem marítima. (P. 5) LINO, Donozor. “Paula”. Poema composto de quatro quartetos de versos livres. O poema fala de um amor que se tornou eterno somente na carta que o declarou. (P. 3) REZENDE, Carlos Penteado de. “Expectativa”. Poema composto de duas estrofes sendo uma oitava e um sexteto de versos livres que tematizam a efêmeridade e vulnerabilidade das coisas. (p. 3)


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SOBRAL, Eduardo. “Soneto”. Poema composto de quatro estrofes (de versos livres) sendo estas dois quartetos e dois tercetos. O eu-lírico reclama o amor da pessoa amada ao que é acompanhado pelo mar que por ela também “ruge e chora”. (p. 7)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, maio de 1951. BONADEI, Aldo “Poema”. Poema composto de seis estrofes de versos livres que mostram a falta de amor presente no mundo e sua conseqüência (p. 5) FERNANDES, Oscar Lorenzo “Um poema de Oscar Lorenzo Fernandes”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam da busca do “eulírico” de coisas singelas, claras e puras (p. 10) PAVIA, Cristovam “Poesia à nossa Senhora” O poema é composto de duas estrofes de versos livres. Tais estrofes são divididas em duas partes distintas, quais sejam “I Breve Epígrafo” e “II Bálsamo”. O poema mostra reconhecimento em escutar os aflitos (p. 4) PAES, José Paulo “Monólogo”. Poema composto de quatro dísticos cujas rimas apresentam-se emparelhadas. O poema, fazendo um jogo antitético de metáforas mostra a resignação do eu-lírico e a tentativa de mudanças expressa no último verso (p. 9) RAMOS, Jorge - “Cidade do Porto”. Poema composto de uma única estrofe de versos livres que falam sobre as características da cidade operária de Porto (p. 2)


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4.2.4.2. CONTOS Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949.

CARNEIRO, Andre G. “Premeditação”. O conto nos relata uma relação amorosa, que após sua consumação através do ato sexual deixa de ser atraente ao homem envolvido. Embora tivesse a promessa de que o relacionamento iria ser oficializado, a namorada, percebendo o desinteresse do amado, decide se vingar suicidando-se e deixando uma carta onde acusa sutilmente o namorado. A narrativa tem como cenário um tribunal, onde ocorre o julgamento do crime. A narração apresenta certas digressões em que o protagonista narra os acontecimentos em meio a descrição do julgamento (p.5). MEMOLO JR., Cezar. “O delator de si mesmo”. O conto narra os temores de um homem quanto à descoberta, pelas pessoas, de seu crime passional. Tendo assassinado seu rival, este invade-lhes os sonhos lembrando-lhe da culpa e fazendo com que pronuncie repetidas vezes seu nome. Temendo que seu crime seja descoberto e que seja ele o “delator de si mesmo” este homem, angustiado não consegue mais dormir, permanecendo constantemente em vigília.

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949. CARNEIRO, André G. “Um homem sozinho”. Trata-se de um texto em que o protagonista em face da morte faz uma retrospectiva de sua vida. Nessa auto-avaliação constata que nunca vivera realmente e decide que, se sobreviver, se pautará por novas perspectivas. Porém, morre na mesa de cirurgia sorrindo, definitivamente pela decisão tomada. O texto é ilustrado por um desenho de Aldemir Martins. (p. 4) KOPKE, Carlos Burlamaqui. “Trechos de um diário íntimo”. O texto é composto de treze pequenos trechos enumerados, os quais tecem uma reflexão sobre os problemas existenciais e sobre a solidão característicos ao homem. Apresenta uma ilustração de Aldemir Martins. (p. 1).


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SILVEIRA, Helena. “Ritmo das irmãs de luto”. O conto relata a história de duas irmãs unidas pelo luto e que de tão recatadas e insultadas como pessoas que sofreram muito, esqueciam-se que faziam parte das coisas belas da vida. De repente, tiveram consciência de seus corpos e do prazer que este podia lhes proporcionar, então, entraram numa loja e compraram gravatas pretas para o pai. (p. 9)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949.

CARNEIRO, André G. “A Morte”. O conto narra a história de uma jovem que tendo como principal obstáculo para seu casamento a objeção da sogra, decide matá-la. O texto mostra a habilidade de construção de seu autor pelo efeito de suspense criado por este, fazendo com que o leitor participe dos sentimentos do protagonista. (p. 3) MEMOLO JR., Cesar. “Bernadina”. O conto narra a história de uma família recém formada e feliz a qual se agregou uma empregada muito estranha chamada Bernardina. A empregada jamais rira e cumpria sempre suas obrigações com o maior esmero. Certo dia, de madrugada, a família acordou com o som de altos risos. A empregada havia assado, no forno, a criança filha do casal e morrido após. (p. 7) SILVA, Domingos Carvalho da. “Elogio da virtude”. Com muito humor, o autor tece algumas considerações sobre a virtude, a fé, a valentia e desfere ainda uma crítica irônica ao poeta Ledo Ivo (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 4, outubro de 1949. ALVES, Oswaldo. “O suicida”. O texto arrola todas as possíveis causas de suicídio no mundo moderno das quais a que se sobressaem é a falta de esperança. (p. 6) CARNEIRO, André. “A briga”. O conto narra o desespero e angústia de uma criança chamada para a briga pelo garoto mais valente da turma. (p. 3 e 4)


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MEMOLO JR. Cesar. “O envelope guardado”. O conto narra a história de uma jovem que nunca se casou porque a única pessoa que a amou adquiriu força para tirar sua própria vida através desse amor, explicando-lhe tudo por carta. (p. 8 e 9)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949. BARRETO FILHO, Oswaldo. “Mãos Brancas”. O conto narra a história de um homem que depois de um relacionamento indiferente com a cunhada acaba se envolvendo com a mesma. Descoberto pela esposa, ele a mata e depois se suicida. (p. 6) MÊMOLO JÚNIOR, Cesar. “O filho do Pastachuta”. O conto narra a angústia sentida por uma criança ao ser chamada de filho do Pastachuta, um mendigo que perambulava pela cidade. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950. ALVES, Oswaldo. “Um desconhecido”. O conto relata um acidente onde uma mulher ficou prestes a morrer afogada diante das soluções absurdas dadas pelos espectadores para seu salvamento até que surge um homem “desconhecido” e realiza a proeza de salvá-la deixando todos boquiabertos. Indagado sobre sua identidade, simplesmente responde: “Para que?” (p. 10) ARROYO, Leonardo. “O estranho e o pó das sandálias”. O conto faz uma analogia entre o povo baiano e Jesus Cristo através de referências religiosas de fé e devoção. (p. 11) MÊMOLO, Cesar. “A marca”. O texto relata as angústias de um jovem, outrora rico, que agora pobre e sem um dos braços não consegue arranjar emprego para sustentar-se e a mãe. Assim, oscilam em sua mente duas soluções: o suicídio e ser forte suportando as agruras. (p. 3) SILVEIRA, Helena. “Breve história do Donzel Lindomar”. O conto relata a vida de uma família cujos filhos eram todos “donzelos”. Lindomar, o filho mais


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novo encontra na pessoa de Rosa, uma doméstica da casa, uma ameaça ao seu estado de “pureza”, o que muito o amedronta. (p. 7)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950.

MÊMOLO JR. Cesar. “A viúva”. O autor narra a tristeza e solidão de uma senhora após a morte do marido, a quem, a todo momento, tenta ressuscitar pelas lembranças. (p. 6)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. CARNEIRO, André. “Espera”. O conto narra a história de uma mulher que após descobrir-se grávida do namorado este a abandona. O texto narra as angústias, os dramas psicológicos causados pela espera do amado e principalmente pela consciência da inutilidade desta espera. (p. 5)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. LEÃO, Ursulino. “A existência de Marina”. O conto narra a história de Marina, uma jovem que por ser comum ao extremos, não provocava nenhuma reação nas pessoas que a cercavam até ser vista por um determinado ângulo por um de seus colegas. (p. 7)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950. CARNEIRO, André. “O amante”. Fugindo de temática tradicional que trata somente das angústias sofridas pela adúltera, neste conto o autor relata as apreensões do amante com respeito à credulidade de suas constantes simulações. (p. 5)


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DINES, A. “A prisão”. O autor expressa o ódio sentido pelos edifícios que hipocritamente transmitem uma aparência sóbria, calma, mas que no seu âmago explodem emoções por eles confinadas. (p. 7)

Colaborações de Portugal: FERREIRA, Vergílio. “Pureza”. O conto relata a história de um homem acusado e punido com a morte injustamente. O conto torna-se dramático quando deixa transparecer nos diálogos que o punido e o punidor sabem dessa inocência. (p. 10) HANSSEN, Guttorm. “Um fazendeiro dinamarquês no sertão mineiro”. O texto relata o encontro de Peter Clausen e o doutor Wilhelm Lund, no sertão mineiro. O primeiro lavrador que há muitos anos ali se fixara e o segundo botânico e zoólogo. (p. 4) PAVIA, Cristovam. “Ambiente”. O autor descreve o contraste entre o calor sufocante do ambiente externo e a frescura proporcionada pela atenção a ele dispensada pela pessoa a quem amava. (p. 9)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. ANDERSEN, H. C. “O derradeiro sonho”. O conto narra a história de um carvalho de 365 anos e de uma cigarra cuja vida se restringia a apenas 1 dia. A cigarra mostra ao carvalho que se vivida intensamente a efemeridade da vida torna-se eternidade. (P. 6) CALTOFEN, R. “O caminhante eterno _ Ferreira de Castro”. Neste texto o autor faz um biografia de Ferreira de Castro destacando sua busca incansável de novos horizontes reais e abstratos. (p. 5) (Colaborações de Portugal). DONATO, Mário. “Galatéia e o fantasma”. O texto narra as angústias de uma menina por se sentir culpada de ter presenciado e ouvido cenas de sexo. Esperando ser castigada pelos céus, a consumação da culpa vem-lhe sob a forma da morte do pai. (p. 1)


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Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, maio de 1951. CALTOFEN, R “O caminhante eterno Ferreira de Castro”. O texto consiste na segunda parte da bio-bibliografia de Ferreira de Castro constante do número anterior de tentativa (p. 12) DONATO, Mário “Galatéia e o Fantasma”. O texto narra os sofrimentos de uma família após a morte do pai e as constantes tentativas das crianças de reanimar a mãe (p. 6) SILVA, Antunes da “Mal-entendido”.(Colaborações de Portugal) - O texto narra a história de um homem que foi identificado por outro como sendo o responsável por uma questão de desonra. Na defesa, o acusado afirma não ser a mesma pessoa em questão e que tudo não passa de um mal-entendido (p. 4). TELLES, Lygia Fernandes “Lembranças da Bahia”. O texto apresenta uma descrição das peculiaridades da Bahia ressaltando-se o lado religioso ao contemplar uma figura de Cristo no altar de uma igreja. O texto apresenta ainda um intertexto que tem por referente a história “Príncipe Feliz” de Oscar Wilde (p. 12)


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4.2.4.3. CORRESPONDÊNCIA

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949 MELO, Luiz Correia de. “Dicionário dos autores paulistas”. O artigo trata-se de uma carta em que o escritor Luiz Correia de Melo faz um apelo aos que possam contribuir para a realização do “Dicionário dos autores paulistas” cujo objetivo é catalogar tudo quanto os paulistas tem escrito e publicado literária e cientificamente. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949 “Uma obra prima de Folk-lore”. “Ao povo de Bragança”. Reconhecendo a pobreza literária dos jornais do interior, a redação destaca que seus jovens redatores quase sempre deixam-se vencer pelo ambiente, estacionando numa gongórica literatura sem o menor interesse. Assim, o artigo destaca uma “defesa” feita pelo Senhor Salomão Pedro no jornal “Cidade de Bragança”, uma crônica que salvo os erros ortográficos consegue um ritmo quase poético. (p. 6)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949. HADDAD, Jamil Almansur. “Bilhete ao M. Nem”. Neste artigo o autor responde de maneira um tanto quanto agressiva à critica feita a ele por Mario Nem no “Estado de São Paulo”. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950 FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O centro Psiquiátrico de Sainte-Anne, em Paris, organiza uma exposição internacional de trabalhos de doentes mentais. O artigo comenta que algumas dessas obras orgulhariam qualquer dos nossos mestres. Se a genialidade é uma forma de loucura, se a distância que separa o louco do gênio é tão imponderável, então seria preciso encerrar em um


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asilo de doentes mentais todo o artista que sai da rotina habitual dos acadêmicos que enchem as galerias de arte. O artigo comenta também que Anvers, Na Bélgica organizou uma exposição internacional de escultura de 1900 à 1950 ao ar livre, em um parque da cidade. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951 FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. (p. 2) Pintores do Haiti. Exposição feita em Paris por dezenove pintores do Haiti vindos das Antilhas. Jean Raoulx. A grande produção desse artista o coloca entre os profissionais de primeiro plano.

Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, fevereiro de 1951 FRANCE,Sylvan “Letras de França - A Dança na Arte”. O correspondente destaca o trabalho de Jean Toth que reproduz dentro das limitações do lápis e de algumas cores, a dança em todas as suas expressões, Desde 1930, ele absorve a fixar na tela a dança, em toda a sua complexidade, folclórica ou clássica (p. 2)


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4.2.4.4. RESENHA

Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949 SILVEIRA, Alcantara. “Páginas que não envelheceram”. O autor destaca neste texto o trabalho de Amadeu Amaral, que procurou orientar os nossos estudos folclóricos numa base científica e propugnar por uma história natural dos produtos do folclore. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949 NUNES, Cassiano. “Um romance de inquietação”. O autor destaca a qualidade estética e demonstra apreciação pela reedição de “Amanhecer” de Lucia Miguel Pereira, segundo ele, um dos mais finos e harmoniosos romances escrito por uma mulher no Brasil. (p. 7) Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949

CASTELOT, André. “Le secret de Madame Royale”. O autor restitue a verdadeira e comovente história de Madame Royale, a filha de Louis XVI. (p. 2) COLETTE. “Le Fanal Bleu”. A autora relata nesse livro um conjunto de episódios expressivos, vislumbrados de sua janela do “Palais Royal”. (p. 2) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. Neste artigo são destacadas algumas edições recentes expostas nas livrarias de Paris. (p. 2) GERBAULT, Alain. “Un paradis se meurt” (publicado postumamente). Restabelece a verdade sobre o pretendido desaparecimento da raça polinesiana. (p. 2) HARRY, Myrian. “Radame, premier roi de Madagascar”. Trata-se de uma obra histórica. (p. 2) INGHELBRECHT, D. E. “Le chef d’orchestre et son équipe”. Espécie de breviário do maestro profissional. (p. 2)


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JOBIT, Pierre. “Espagne et hispanité”. Traduz o pensamento dos franceses com relação à pátria e à civilização espanhola. (p. 2) NUNES, Cassiano. “Um poeta boêmio”. Comentando o lançamento de uma edição de quarenta mil exemplares da biografia de Emílio de Menezes _ “Emílio de Menezes, o último boêmio” de Raimundo de Menezes, o autor destaque que embora não se deva generalizar no julgamento adverso, comumente feito pelos críticos, à geração de parnasianos boêmios, Emílio de Menezes foi enaltecido em excesso no seu tempo e ainda hoje. Para o autor, Emílio de Menezes foi um gozador, satisfeito com o situacionismo aproveitando-se bem da nossa desorganização política e um criador de versos quase sempre artificiais. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949 BOIS-JUSAN, Daniel de. “Celui qui fut Pedro Munoz”. Obra picaresca mas forte em colorido, de um dinamismo cheio de humor. (p. 2) CHARASSON, Henriette. “Sur la plus haute branche”. Poesia do cotidiano, humana, vivida no que tem de mais sublime e lírico na feminilidade. (p. 2) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O artigo destaca as últimas novidades editadas em Paris. (p. 2) MALET, Leo. “L”ombre du grand mur”. Uma intriga apaixonante conduzida com segurança. (p. 2) MARTINS, Cristiano. “Os cantos do país das gerais”. O autor destaca o livro Elegias do país das Gerais de Dantas Mota. Segundo afirma, a densidade desta obra, ao contrário do que se nota habitualmente em grande número de poetas não decorre do emprego exagerado dos valores abstratos, mas paradoxalmente do emprego dos valores concretos ou objetivos. (p. 12) MICHAUX, Henri. Michaux acaba sempre entusiamando pelo seu fervor e densidade. (p. 2) MIOMANDRE, Francis de. “L ‘Ane de Buvidan”. História de um fraco que não sabe se decidir entre duas mulheres. (p. 2) MUNIER, Paul. “Douze Survivanks”. Representa todo um programa


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VIALAR, Paul. “Monsieur Dupont est morte”. A história se passa durante o trajeto de um féretro entre a igreja e o cemitério. No cortejo aparecem a esposa, a amante, o sócio, os filhos, etc. Um romance pleno de filosofia e obcecado pela morte. (p. 2) VIDRAC, Charles. “D’Après l’écho”. Romance que reflete bem o estado de alma do autor, dono de uma espontaneidade rica e fresca, cujo segredo é só dele. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950

NUNES, Cassiano. “Conceito poético de Israfael”. O autor faz, referência ao termo Israfel. Poe, sugerido pelo melhor biógrafo de Poe, que encontrou no doce canto do Poeta identidade com a melodia suave do anjo narcísico de Maomé. (p. 12) SILVA, Domingos Carvalho da. “Nos subúrbios da poesia”. O autor cita alguns lançamentos dos novos poetas fazendo uma pequena análise de cada um e lamentando a falta de oportunidade lhes oferecida pelos críticos. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950

NICOLUSSI, Haydée. “A nova canção de Rolland”. O autor destaca em seu artigo, de forma lírica, que a nova Canção de Rolland no séc. XX de ser um S.O.O trágico, é agora um argumento lúcido e grave. Ela perdeu seu caráter teatral de conto de fadas, para sacudir os jovens ingênuos e tornou-se um diálogo de homem para homem. Porque ela a tomou amplamente humana e interessa a todos qualquer que seja o lado para que se volte. (p. 5) MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A poesia de ‘O irmão’”. Falando sobre o mais recente livro de Alphonsus de Guimaraens Filho ( O irmão), o autor destaca que esse livro encerra um alto teor de religiosidade mas não se subordina a imperativos de uma inspiração superficial presa a motivos religiosos


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inconsistentes. Tem raízes. É poesia sincera. Necessidade vital de integração com o Cristo, o Irmão. (p. 9)

STIEL, Roberto Corrêa “Anema - Arte - O som e o cinema”. Embora reconheça a importância do som na arte cinematográfica, o autor destaca que deve-se sempre lembrar do princípio do cinema: a camera é como uma vista humana. Ela olha, investiga e é através dela que os sentimentos têm entrada em nossa alma. É o mesmo que um ser dotado de invisibilidade, que procura dissecar os gestos e os atos de seus semelhantes pela via visual, a mais lógica e possível. O cinema deve ser universal, único. Deve falar a linguagem do mundo, a linguagem visual. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950 ROCHA FILHO, “Alguns aspectos da estética pela tônica”. O autor destaca que a estética platônica está ligada estreitamente às outras partes relevantes de seu sistema formando assim um todo harmonicamente constituído. A impossibilidade da definição platônica de arte é demonstrada quando se percebe que longe de serem “imutáveis e fixos” os canônes de beleza variam dentro da fisionomia de cada civilização. Segundo ele, não há lugar na estética de Platão para uma idéia do prazer puramente artístico, separado e distinto do prazer que nos é dado na forma contemplativa das Idéias. Há sempre a tendência para a idéia de ordenação, para a coerência interna do sistema. Tudo é dado em função de um critério moral, de uma expressão utilitária da arte. (p. 5) SIQUEIRA, Cyro. “A comédia cinematográfica”. Segundo a classificação de James Agee, os graus de humorismo cinematográfico são quatro: 1) Riso; 2) Gargalhada; 3) Riso de Barriga; e 4) Bufoneria. A realização integral da comédia depende estreitamente da captação de um ininterrupto clima cômico, onde as escadas de risadas se sucedam, separadas por insignificante lapso de tempo. A moderna comédia oscila entre a comédia plástica _ que repousa muito mais no autor do que no enredo _ e a comédia dramática _ onde há visíveis intenções crítico-satíricas espalhadas por todo o filme. Segundo Roger Manvell, a comédia é uma belamente ponderada apreciação dos absurdos e pretensões sociais, e vem dependendo muito do diálogo satírico e irônico afim de realçar seus principais efeitos. (p. 6)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950 CALTOFEN, R. “Escândalo em torno de Molière”. Henry Poulaille num dos últimos números da revista “Lettres du monde” publicou um ensaio com o título “Corneille - nègre de Molière” em que coloca em dúvida Molière enquanto escritor. Afirma que enquanto Molière possui muito dinheiro, Corneille tinha poucas oportunidades e sem a ajuda daquele não teria podido trabalhar e viver. Molière não somente se utilizava dos trabalhos de Corneille, mas também de Cyrano, de Tristan, d’Hermite, etc. Como ator eram grandes suas qualidades, mas nada saberia fazer com uma pena. Examine-se cada obra de Molière, e por toda a parte aparece por detrás a face de Cornielle. Segundo o autor, Cornielle silenciou porque tinha necessidade de dinheiro e era costume daqueles tempos que o ator afirmasse com seu nome as obras compradas dos autores. (p. 8) MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A secreta mentira”. O leitor brasileiro tem a oportunidade de entrar em contato com um dos mais representativos escritores da literatura norte-americana contemporânea através da tradução de “Winesburg, Ohio” de Sherwood Anderson, feita por James Amado e Moacir Werneck de Castro sob o título de “A secreta mentira”. Integrando-se no rol dos contistas modernos, Anderson confere menos importância ao descritivo exterior, para aprofundar-se verticalmente no segredo do homem, do homem americano do seu tempo, reconhecendo-lhe um destino trágico e buscando, naquela gente e nas coisas, tudo que ainda restava de vida simples e poesia. (p. 6)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951 MARTINS, Ibiapaba. “O realismo socialista e a grande mentira do século”. O autor cita Alexandre Fadeyev, autor de “A jovem guarda” e, à época, secretário geral da União dos Escritores Soviéticos que define o realismo socialista como a representação verídica da vida em sua evolução. É a capacidade de ver no dia de hoje os dias de amanhã. É o reconhecimento do papel da literatura como educadora do povo no espírito do socialismo”. Embora tenha


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surgido na União Soviética, integram suas fileiras Howard Fast, nos EUA, Aragon, na França, Wanda Wassilevska na Polônia e Portinari no Brasil. O novo realismo não se confunde com o velho realismo de Flaubert ou o naturalismo de Zola. Flaubert afirmava expor as coisas tais como lhe apareciam a exprimir aquilo que lhe parecesse verdadeiro. Mas, segundo o autor, quando Flaubert falava assim já se contradizia porque aquilo lhe parecia verdadeiro era justamente aquilo em favor do que tomava partido. Segundo ele, não há arte partidária assim como não há democracia pura ou política acima das classes. O realismo socialista exige o mais perfeito conhecimento da realidade por parte do escritor ou do artista. Não colide com a ciência. Exige capacidade de percepção para o novo e, portanto, não está em choque com a realidade histórica. O escritor realista dos nosso dias difere dos artistas do século passado porque os sonhos destes não se assentam na realidade histórica. Eram sonhos utópicos e, eles próprios, românticos idealistas. Os elementos de romantismo do realismo socialista, mostram aos leitores que os sonhos de hoje serão realidade amanhã porque o artista que criou o quadro ou escreveu o livro estava armado com a ideologia que o ensina a ver as forças impulsionadoras da vida social. Um intelectual honesto não poderá permanecer de braços cruzados em face dos provocadores de guerra. A função específica do artista e dos escritores é dar forma artística aos anseios das forças que lutam para construir um mundo melhor. Os poetas que se comovem ante rosas que murcham são geralmente os que permanecem de braços cruzados e ouvidos surdos quando milhões de homens morrem de fome. Procedem dessa forma porque não querem misturar arte e política. Não pretendem fazer da arte um instrumento da política, confundila com a propaganda. São os adeptos da “arte pura”, essa grande mentira e como tais não toleram o realismo socialista, ou seja, a arte partidária. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, maio de 1951 ÁVILA, Affonso - “Poesia em Retrospecto”. O autor chama a atenção para alguns poetas da safra de 38 como Oneyda Alvarenga e Henriqueta Lisboa cujas obras se destacam em seu tempo e Vinícius de Moraes que embora elogiado pela crítica apresenta momentos questionáveis em sua poesia (p. 8) LUCAS, Fábio “Três tópicos de uma poesia” Falando sobre a poesia de Wilson de Figueiredo, o autor a classifica como “o condor do modernismo”, ou seja,


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uma poesia arrebatada, impregnada de chispas, relampejante, repleta de metáforas que se cruzam como golpes de esgrimas de versos longos, cujas que se encandeiam num crescendo de emoção; “o canto de cristal” por ser uma poesia arquitetural, feita de vitrais, de cristais em losangos, cujas arestas ferem, tocam nas chagas mais intimas do Homem; e salienta a corrupção de amor do poeta para quem o amor é o de quem rememora, um amor perfeito, sublime, que ele busca obstinadamente no passado, criado como um mito, no desejo de perfeição e de suprema pureza (p. 5) SIQUEIRA, Cyro - Cinema arte “Huston, a corrupção e o ritmo”. O autor faz uma pequena biografia de John Huston destacando as qualidades de alguns de seus filmes (p. 3)


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4.2.4.5. IILUSTRAÇÃO

Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949. MARTINS, Aldemir. “Vista de Atibaia”. (p. 1) MARTINS, Aldemir. Ilustração presente no texto “Premeditação”. (p. 5) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Cinema e romance policial”. (p. 8)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949. MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Trechos de um diário íntimo”. (p. 1) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Um homem sozinho” de André G. Carneiro. (p. 3) PICASSO, P. “Cabeça de menino”. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949.

MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “A Morte”, de André G. Carneiro. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 4, outubro de 1949.

BONADEI, Aldo. Ilustração do texto “O inquérito”. (p. 1) Foto de Joaquim Nabuco. (p. 10) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Balada da Moça do Miramar”. (p. 11)


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SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “O envelope guardado”. (p. 8) Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949. BALZAC, numa caricatura da época. (p. 2) BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Elegia Noturna” de Wilson Rocha (p.12) DUARTE, Benedito J. “Mário de Andrade”. Fotografia. (p. 1) Fotografia de Ruy Barbosa (p. 3) Fotografia de Alberto Cavalcanti (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950. ANDRADE FILHO, Oswald. Ilustração do texto “Remanso”. (p. 7) BARROS, Geraldo. “Água-Forte”. (p. 12) BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Canção do anel perdido num caminho em tempo de outono”. (p. 9) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Intervalo”. (p. 3) MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 11) MASSAREL, Franz. Xilogravura. (p. 4) PICASSO, “Paul Eluard”. (p. 5) SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “O papagaio de papel”. (p. 8) WEISSMANN, Franz. Ilustração do artigo “Esclarecimento”. (p. 1) WEISSMANN, Franz. Ilustração do texto “Afonso”. (p. 6)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950. BARROS, Geraldo de. Ilustração do texto “Poema”. (p. 12) BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Desenho”. (p. 4) CHAVES, Linoleo de João Ruiz. (p. 5) EL GRECO. “São Francisco de Assis”. (p. 1) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto ”Breve história do Donzel Lindomar”. (p. 6) MASEEREL, Franz. Xilograma (p. 10)


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MILLES, Carl. “Gustaf Wasa”. Escultura em madeira pintada, do “Nordiska Muscet”, de Stockholmo. (p. 9) SPAAKS, Carolyn. Ilustração do texto “A marca”. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. CHAVES, João Luiz. Desenho ilustrando o conto “A viúva” de Cesar Mêmolo Jr. (p. 6) Foto de Guinard e seus alunos numa aula com modelo vivo. (p. 5) MARTINS, Aldemir. Ilustração do poema “Outono” de Pedro Homem de Mello. (p. 12) PICASSO. Desenho. (p. 1) WASHINGTON JR. Desenho ilustrando o poema “Exercício”. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. BONADEI, Aldo. Ilustração do poema “Picasso”. (p. 7) CHAVES, João Luiz. Ilustração do conto “Espera” de André Carneiro. (p. 5) GRACIANO, Clovis. “Auto Retrato”. (p. 3) MARTINS, Aldemir. Ilustração do texto “Nem a Deus nem a César”. (p. 8) WEISMANN, Franz. “Estudo para baixo relevo”. (p. 1

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. AUGUSTO, Jenner. Desenho (p. 12) BARROS, Geraldo de. (p. 7) CARYBÉ. (p. 5) CHAVES, João Luiz. Xilogravura. (p. 11) LIMA, Paulo Vicente de Souza. (p. 8) SAMPAIO, Lygia. Desenho. (p. 12) WEISSMANN, Franz. Aquarela (p. 1)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950.


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Foto. Um aspecto atual da Catedral de São Paulo. (p. 1) MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 9) WEISSMANN, Franz. Desenho. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. Cenas de “O encouraçado Potemkim”, filme russo de sucesso mundial, realizado por Eisenstein. (p. 4) CHAVES, João Ruiz. “Linoleo”. (p. 1) Foto. Ferreira de Castro e R. Caltofen. (p. 5) MARTINS, Aldemir. Desenho. (p. 7) MARTINS, Itajah. Ilustração. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, maio de 1951. Afonso Bedoya e Walter Huston em “O tesouro de Sierra Madre” (p. 3) FARNESE - Desenho (Rio De Janeiro - 1951) (p. 12) TOTH, Jean - Reprodução de um de seus trabalhos (p. 2) WEISSMANN, Franz - Desenho (p. 6) WEISSMANN, Franz - Desenho (p. 9)


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4.2.4.6. ENTREVISTA

Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949.

FARIA, José Escobar. “Depoimento Bimestral”. O autor confirma a existência do hermetismo na poesia dos últimos dez anos citando como exemplos Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Considera como um poeta “maior” Carlos Drummond de Andrade e como “menor” Augusto Frederico Schmidt. Segundo ele, principalmente em 1949 os poetas se libertaram da geração de 22; não existe crítica de poesia no Brasil e dos poetas anteriores ao modernismo aprecia Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Álvares de Azevedo. (p. 11) MENDES, Oscar. “Lembrança de Mário de Andrade”. Nesse artigo o autor dá um depoimento acerca de sua amizade com Mário de Andrade elogiando-lhe o espírito meticuloso e amigo. (p. 1) TELLES, Lygia Fagundes. “Depoimento Bimestral”. Em seu depoimento a autora destaca que não há entre os moços desinteresse pela ficção, mas sim pela cultura. Segundo ela, os maiores contistas nacionais são Machado de Assis, Monteiro Lobato e Mario de Andrade; e o maior ficcionista é Machado de Assis. Ressalta que a característica marcante dos novos é o medo e quanto às influências estrangeiras diz que essas são pessoais. (p. 11)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950. Depoimento Bimestral. “Saldanha Coelho”. Em seu depoimento, o escritor afirma que não há desinteresse entre os moços pela ficção. Essa falsa impressão de que existem mais poetas do que ficcionistas decorre, talvez, do fato de ser a poesia uma forma expressional aparentemente menos exigente que a prosa. Para ele Machado de Assis é o mais expressivo ficcionista surgido antes de 22 e o maior contista brasileiro de todos os tempos e José Lins do Rêgo o ficcionista mais expressivo depois de 22. Segundo ele, o que particulariza a obra dos jovens ficcionistas brasileiros é a preocupação pelo humano, pela


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arquitetura do drama com um sentido universal. Afirma que a maior fonte de influências estrangeira na ficção é a que tem seus intérpretes no existencialismo. Entre estes intérpretes, cita Camus e Sartre. Na poesia, persiste a influência do surrealismo. (p. 15)

FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O autor, em seu artigo destaca alguns artistas franceses como Roger Limouse, cuja pintura se assemelha a dos magníficos coloristas brasileiros e Lilly Steiner, que reúne a arte plástica à arte poética. Destaca, ainda, o acervo da “Manufature des Porcelaines d’arts de Coulene” e o livro “La vie intime des artistes français au XVIII siécle de Watteau à David”, por Alfred Levoy. (p. 2-3) Falam os escritores. “Oswald de Andrade”. Sobre o hermetismo o autor destaca que sempre houve poesia hermética. A poesia nunca é compreendida pelo grande público, senão através da exegese. É uma questão de sensibilidade, de eleição e de cultura. Para ele, a literatura brasileira não conseguiu projeção porque não presta. Quanto aos novos, estes devem publicar logo que escrevem. A timidez só atrapalha. A combatividade dos jovens deve ser incentivada visto que toda luta é fecunda e gera benefícios. Segundo ele, há necessidade de “revisão de valores”, pois até hoje, a nossa literatura, a contemporânea, permanece íntima da confusão interessada de grupos e panelas. Compete aos novos desmascarar essa conspirações de publicidade. Quanto à utilização da palavra “geração” argumenta que esta existe nos dicionários para que se use dela a vontade. Acrescenta, ainda, que não há desinteresse dos jovens pela ficção. É que a ficção é mais difícil do que a poesia. (p. 16) Falam os escritores. “Roberto Alvim Corrêa”. O autor destaca que de 1945 para cá surgiu uma nova poesia na figura de três ou quatro jovens poetas dignos dos que os precederam e mais expressivos porque todo poeta autêntico é profundamente expressivo. Para ele sempre houve poesia hermética, sendo o hermetismo uma condição de vida para a grande poesia. Respondendo a pergunta que indaga se a poesia voltará a ser compreendida pelo grande público ou se transformará em arte quando especializada, diz que o grande público vê num poeta um símbolo facilmente compreensível de algo simples e nobre. Para ele, a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção mundial, porque para que repercutisse no estrangeiro necessitaria a literatura nacional que começasse por repercutir no Brasil. Segundo ele, o clima de


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luta entre gerações é sempre profícuo e a combatividade é uma necessidade. Depende de nós transformá-la numa qualidade. Argumenta que temos que rever sempre os valores literários e essa revisão deve ser feita de maneira que possamos verificar o que ainda nos trazem as obras do passado. Para ele, escritor “gagá” é um decrépito e a obra dos novos escritores brasileiro autoriza o emprego da palavra geração pelo caráter de seriedade, particularmente meditativo, pelo senso de responsabilidade de alguns jovens escritores. Afirma que não há desinteresse pela ficção mas consciência daquilo que ela pode representar uma experiência sempre aprofundada de nossa condição. Segundo destaca a renovação do romance dos últimos dez anos pode ser simplificada pela obra de Otávio de Faria e o que caracteriza a atual geração de ficcionistas brasileiros é a inquietação. (p. 16, 2) Depoimento Bimestral. “Lêdo Ivo”. Indagado sobre o hermetismo na poesia dos dez últimos anos, o escritor afirma que sempre existiu e sempre existirá hermetismo pois o hermetismo verdadeiro é o que nasce da própria autenticidade do poeta. O censurável seria a adesão ao hermético apenas como meio de seguir a ordem do dia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, destaca que não há entre nós prestígios injustificáveis. Todos são justos e se explicam. Sobre a libertação da influência de 22 diz que não se trata de libertar-se do modernismo mas de incorporar suas conquistas. Alguns se libertam, outros pouca influência tiveram de 22 e muitos outros não são poetas. Quanto à crítica de poesia no Brasil destaca que esta tem acertado nos resultados gerais do julgamento poético. E para ele, dos poetas anteriores, Castro Alves é o único no qual sente a flama da genialidade. (p. 15)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950. CUNHA, Fausto. “Depoimento bimestral”. Sobre o desinteresse dos moços pela ficção F. Cunha destaca que a safra agora é de contista e o conto é um gênero de ficção tão importante quanto o romance. Com respeito à existência de uma característica marcante na obra dos novos salienta que nada caracteriza essa produção porque tal obra não existe na qualidade de corpo suscetível de análise definitiva. (p. 8)


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LINO, Donozor. “Depoimento bimestral”. Segundo o entrevistado, o hermetismo é uma particularidade do poema, sempre existiu e sempre existirá, está apenas acentuado na poesia moderna. Para ele, não existe nenhum poeta consagrado cujo prestígio seja injustificável. Destaca que nunca nos libertaremos de 22, porque 22 foi a liberdade e que não existe crítica de poesia no Brasil. Dos poetas anteriores ao Modernismo aprecia Tomás A. Gonzaga, Olavo Bilac, Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães. (p. 8) VIEIRA, José Geraldo. Segundo este autor o hermetismo da nova poesia resulta da necessidade de seleção e criação de valores léxicos e de mitos, já que palavras e símbolos envelhecem. com respeito a se os escritores jovens devem aguardar certa maturidade e experiência intelectual para publicação de sua obra diz que em tese sim, devem aguardar, mas não se deve esquecer que há talentos empíricos que adivinham itinerários. Argumenta que o clima de luta entre gerações é benéfico e que é mais do que recomendável incentivar tal combatividade. Para ele, há necessidade de revisão de valores e tal função cabe aos críticos. Afirma que um escritor gagá é o que se acha em decadência e que a obra dos novos escritores brasileiros autoriza o emprego da palavra geração. Não há desinteresse dos jovens pela ficção; houve renovação do romance brasileiro, e a atual geração de ficcionista é caracterizada por três tendências: a ecológica (nordestes); uma volta a Machado de Assis e uma anexão às correntes gerais (Proust, Morgan, Kafka, Camus, etc). (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junhol de 1950. BARROSO, Antonio Girão. “Depoimento bimestral”. Falando sobre a existência ou não do hermetismo na poesia de dez anos para cá, o entrevistado destaca que o hermetismo é um sinal de poesia no melhor sentido, é a poesia que se explica por si mesma, mas existem também, nos poetas herméticos de hoje, muito malabarismo fácil, muita ginástica, que no fundo exprimem pouquíssima ou nenhuma poesia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, distingue dois grupos: os poetas consagrados pelo povo e os consagrados pelas elites intelectuais. Com respeito aos do primeiro grupo, destaca que, no momento, há um sem número de equívocos a serem corrigido. Sobre a influência de 22, diz que esta prossegue marcante toda vez que os nossos poetas atuais fazem o


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chamado verso livre. Salienta que a crítica de poesia no Brasil é, dos mais novos mais interessante e compreensiva. Dos poetas anteriores ao Modernismo diz apreciar Tomaz Antonio Gonzaga. (p. 4) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. Falando sobre a poesia francesa atual Sylvain cita o Grande Prix de Poésie 1950, Philippe Chabaneix Lebesgue, presidente da “Académie de Province” e autor da “Le troisième Faust”, drama em que o autor empresa da lenda de Goethe seu herói principal e o faz símbolo do homem moderno sedento de riquezas, prazeres e poder. Cita ainda Wilfrid Lucas, mestre da epopéia espiritualista cristã dos “Cavaliers de Dieu”; Marcel Chalot e Jean Sylvaire, autor de “Chants du Travail”, um hino de fervor ao esforço dos homens e às profissões eternas. Embora poeta inovador, em seus sonetos ele se escravisa à tirania do classissismo. (p. 2) “Falam os Escritores”. Depoimento de Oscar Mendes. O entrevistado destaca que ainda é cedo para se afirmar que surgiu uma nova poesia de 1945 para cá. O que está havendo é movimento de libertação. Quanto ao hermetismo diz que essa questão é uma espécie de moda, e como toda moda passará. Existe hermetismo na poesia, como pode ser exemplificado pelos grandes poetas, mas no caso deles esse efeito provinha da própria genialidade. Fazer da exceção a regra e cometer um grave erro que levará a poesia à esterelidade. No caso de a poesia ser compreendida pelo grande público destaca que a condição da existência da poesia como arte está precisamente na sua comunicabilidade. Cita como alguns dos motivos de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial nossa condição econômica, a incultura de muito de nós tidos como escritores e intelectuais, o nosso espírito improvisador e superficial, etc. Para ele os escritores jovens deveriam aguardar certa maturidade para começarem a publicar. Destaca que a combatividade é necessária e útil para a própria vida e renovação da literatura e que há muita necessidade de revisão de valores. Considera como gagás escritores que envelhecem depressa, se anquilosam, tornam-se reumáticos, maníacos imbecis, caquéticos. Segundo ele, se existe desinteresse pela ficção esse desinteresse é pela desinteressante literatura de ficção que anda por aí. Sobre a renovação no romance brasileiro de dez anos para cá destaca que renovação, no sentido de novos rumos e modificações essenciais, não houve, mas alguns dos veteranos procuraram renovar-se, melhorar e aperfeiçoar seus processos narrativos. Salienta que o que caracteriza a atual geração de ficcionistas continua a ser o chamado romance


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social, sob cujo rótulo se insere a sub-literatura da “Linha-justa” e o romance psicológico. (p. 1) MONTENEGRO, Braga. “Depoimento bimestral”. O entrevistado falando sobre o possível desinteresse dos moços pela ficção destaca que desinteresse propriamente não há. Talvez haja certa impossibilidade. Segundo ele o mais expressivo ficcionista surgido depois de 22 é Graciliano Ramos e antes de 22 Machado de Assis, o melhor contista da literatura brasileira de todos os tempos. Como características da obra dos jovens ficcionistas brasileiros cita o interesse e a preocupação para o drama do homem, para os problemas eternos da arte como expressão universal. Quanto aos escritores estrangeiros que poderão exercer maior influência sobre os novos cita Dostoievski, Joyce, Proust, Pirandello, Gide, Kafka, Huxley, Mauriac e Sartre. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950.

FRANCE, Sylvan “Letras de França.” Paul Claudel não é escritor católico, no periódico “matines”, uma revista literária de Paris, o abade François Ducaud - Bourget afirma que Claudel, um escritor católico e admirado ultimamente pelo Papa não é católico destruindo o mito Claudel. (p. 2)

PIMENTEL, Osmar “Entrevistando”. Com respeito a se de 1945 para cá teria surgido uma nova poesia mesmo ou mais expressiva do que a das gerações anteriores, o entrevistado destaca que a boa “poises nova” existe e é tão expressiva quanto a dos verdadeiros poetas da geração de 22. Para ele o hermetismo da nova poesia é resultante de uma busca do essencial poético e reflexo inevitável da nossa época conturbada. Sobre se a poesia está caminhando para sensibilidades receptivas e educadas ou se voltará a ser compreendida pelo grande público, diz que haverá sempre dois tipos de conto lírico - um que se antepõe e outro que caminha junto do povo. Segundo ele, a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção porque a língua portuguesa não tem muito trânsito no chamado mundo civilizado e só agora estamos tentando criar, em literatura, um estilo próprio de compreensão e recriação de vida brasileira. A pobreza gera a dependência econômica e, sob certo aspecto, intelectual. Argumenta que de um ponto de


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vista universal, a poesia é o gênero literário brasileiro que mais suportaria um confronto com a obra estrangeiro, destacando-se a obra de Gilberto Freyre. Destaca que existe a necessidade de “revisão de valores” e esta deveria ser feita pelos grandes escritores desprezados. Para ele, os verdadeiros clássicos têm força literária idêntica aos poucos “expoentes contemporâneos”. Com respeito ao emprego da palavra “geração” argumenta que, a “geração literária” não depende dos assentamentos do registro civil. Só afinidades e gostos semelhantes na criação podem autorizar a alguém dizer que fulano e sicrano, nascidos no mesmo ano, pertencem a mesma geração. Para ele não há perigo de , no futuro, a literatura vir a desaparecer, esmagada pelas artes novas porque as artes - quando legítimas provêm da recriação da experiência humana. Essa seiva comum a humanidade impede que uma forma de expressão desminta ou aniquile outra. Afirma que a moderna poesia inglesa especificamente a que veio de T. S. Elliot é a influência estrangeira que mais fascina os poetas novos; o existencialismo heiddegeriano (não o de Satre) suscita o interesse dos jovens ensaistas de filosofia. No romance e no conto não vê influência ponderável. A sociologia hesita entre a fidelidade estrita ao humanismo francês e às técnicas de investigação sociológica dos norte-americanos. Para ele o escritor brasileiro mais importante da nossa história é Gilberto Freyre. (p. 1) “Entrevistando Murilo Mendes”. Segundo o entrevistado, de 1945 para cá não surgiu “nova poesia”. O hermetismo da nova poesia não é resultante de busca do essencial, e sim de uma imensa exploração do sub-consciente. Quanto ao fato de a poesia estar caminhando para uma quase especialização, para sensibilidades receptivas, afirma que no seu estado atual a poesia se retrai fugindo à comunicação. Salvo alguns casos de poetas maiores. Para ele, o motivo principal de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial é a inércia brasileira. Destaca que o gênero literário brasileiro que suportaria mais um confronto com a obra estrangeira é a poesia e entre os poetas cita Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Souza, Alberto de Oliveira, Alphonsus de Guimaraens e Mário de Andrade. Saliente que não vê nenhuma necessidade de revisão de valores “dirigida”. Ela se fará naturalmente, quando o Brasil possuir um corpo crítico em correspondência à sua vitalidade literária. Revisão dos valores operada por gente que ainda tem muito o que aprender, não conta para o futuro. Segundo ele, os nossos escritores “clássicos”, citados nas antologias têm menos valor e força literária do que os expoentes contemporâneos. Com respeito ao emprego da palavra geração, destaca que não aceita a separação dos espíritos por meio


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dessa palavra. Não acredita que a literatura desapareça, esmagada pelas artes novas que o adiantamento científico do homem foi criando. Quanto aos líderes literários mundiais que exercem maior influência sobre os escritores jovens cita Nitzsche, Rimbaud, Lorca, Fernando Pessoa, Neruda, Huidobo, Sartre, Valéry e Drummond. Para ele, Machado de Assis, Gonçalves Dias e Mário de Andrade são os escritores brasileiros que pelas suas obras e atividades intelectual podem ser considerados os mais importantes da nossa história literária. (p. 1) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. (p. 2)


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4.2.4.7. EFEMÉRIDES Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949. “Nota da Redação”. A redação ratifica e subscreve a opinião de Alcantara Silveira com respeito ao aparecimento do Jornal Tentativa. Segundo o crítico o jornal estava em bom caminho por não se restringir à produção dos novos nem da “prata da casa”. (p. 2) “Revistas e jornais literários do Brasil”. A redação alista uma série de títulos de publicações literárias desculpando-se de não poder fazer um comentário detalhado de cada exemplar, dada sua enorme quantidade o que reflete um sentido de renovação e intensa atividade das novas gerações. (p. 11)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949.

Nota Paulistana. “Ação entre amigos”. Relata-se a realização pelo clube de Poesia a exibição de poetas novíssimos no Museu de Artes, contando com as presenças dos nomes mais expressivos da geração mais nova _ Cyro Pimentel, Dulce G. Carneiro, Joaquim Pinto Nazário, Décio Pignatari, André G. Carneiro, Geraldo Pinto Rodrigues e outros. (p. 11) Relata-se ainda a série de conferências de Dulce Salles Cunha sobre poesia modernista. (p. 11) Proposta de realização de um recital poético com as presenças de Guilherme de Almeida, Oliveira Ribeiro Neto, Judas Isgovogota e Paulo Bonfim. (p. 11) Oswald de Andrade deu uma festa. Estiveram José Geraldo Vieira, Lourdes Teixeira, Vicente e Doro Ferreira da Silva, Antônio Candido e Gilda de Melo e Souza, André e Dulce G. Carneiro, Dulce Salles Cunha, Anna Stella Schic, Aurasil Brandão Joly, Domingos Carvalho da Silva e numerosos outros escritores e artistas. (p. 11)


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Chegada de Vicente Ferreira da Silva, Jamil Almansur Haddad, Helena Silveira e João de Souza Ferraz, de Mendonza. (p. 11) “Dizem que a onça resolver fazer uma ‘Ação entre amigos’. Mandou imprimir os cartões (rifa-se etc.) numerá-los e, escolhendo o número um, remeteu-o ao crítico Alcantara Silveira.” (p.11) “Clube de Cinema de São Paulo”. Sob a direção de Almeida Sales, o “Clube do Cinema” tem apresentado obras primas antigas. (p. 8) “Pela crítica”. Carlos Burlamarqui Kopke assumiu o rodapé crítico do “Diário de São Paulo”. (p. 8) “Sérgio Milliet”. Acha-se na França, em viagem de intercâmbio cultural, a convite do governo francês. (p. 8) SILVA, Domingos Carvalho da. “Bilhete ao gato vermelhudo”. Texto dirigido a Reynaldo Bairão acusado de plagiário. Seguro demais da qualidade estética de sua obra, o escritor tem esta avaliada por Domingos C. Silva como nula em poder literário. O texto é ilustrado pela reprodução “Cabeça de menino” de Picasso. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. SILVEIRA, Alcantara. “Notinha, com exemplos, sobre dois novíssimos”. Trata-se de uma nota sobre Ernesto R. C. Wayne, gaúcho de Bagé e Arnaldo Rodrigues Coelho, paulista. Este tendo por tema o amor insatisfeito, aquele mais hermético, audacioso e ousado. (p. 5 e 9) TENTATIVA _ Oferta de assinatura do jornal para que este prossiga no cumprimento de seu objetivo: possibilitar aos novos a divulgação de suas obras, com um mínimo de gasto material. (p. 6)


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4.2.4.8. NOTA PAULISTANA Enterro do poeta Paulo Sérgio. Acompanhado pelos intelectuais Cecílio Matarazo, Oswald de Andrade e Antonieta, Alcir Porchat, Augusto Fred. Schimidt, Cyro Pimentel, Paulo Duarte, Domingos C. da Silva...(p. 12) Concluindo o concurso de contos instituído pelo “Jornal de Notícias”. Primeiro prêmio: Leonardo Arroi, segundo: J. Pimentel Pinto. (p. 12) Reuniões da turma da proa da literatura local: Aurasil Brandão Joly, Mr. Leonard Downes, José Escobar Faria, Oswald de Andrade. (p. 12) Na casa de Aurasil, surgiu um movimento autonomista, destinado a impedir que São Paulo seja convertido em São Paulo de Loanda. (p. 12) Novos trabalhos de Pericles Eugênio e Carlos Burlamaqui Kopke, dedicados aos respectivos filhos. (p. 12) A poetisa Colombina, que lidera o grupo de Lampeão de Gás, é autora de um poema de exaltação ao soldado nazista. (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 4, outubro de 1949. Acha-se no prelo da 2ª edição “Sobrados e Mocambos” de Gilberto Freire. (p.7) Alberto Cavalcanti. Está entre nós este notável cineasta. (p. 10) “Ângulo e Face”. Lançamento do livro de André Carneiro. (p. 9) Breve lançamento de “Pecado Original” de George Talori pela Livraria José Olympio. (p. 7) Breve publicação da tradução de “A Peste” de Albert Camus. (p. 7) Centenário de J. Wolfgang Goethe. Pequena biografia. (p. 9) “Colaboração Remunerada. A vigorar a partir do nº 6. (p. 10) Em comemoração ao segundo centenário do nascimento de Goethe, as edições melhoramentos instituíram uma coleção Goetheana. (p. 7) Escritores na Rádio Paulista. Destaque para o programa de Helena Silveira na Rádio Excelsior. (p. 4) Euclides da Cunha. Crítica contra a especulação feita sobre sua morte. (p. 11)


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“Introdução ao estudo do ritmo na poesia moderna”. Conferência pronunciada pelo poeta Domingos da Silva em São Paulo. (p. 4) Jornal de Letras. Lançado no Rio pelos irmãos Candé João, José e Elysio. (p. 9) Joaquim Nabuco. Pequena biografia e bibliografia. (p. 10) Marques Rebêlo. Homenageado no Suplemento da “Folha da Tarde” de Belém do Pará no nº 128. (p. 9) Menotti Del Picchia. Retornou da Europa. (p. 9) Museu da Arte moderna. Sob nova direção. Lourival G. Machado. (p. 10) “Novos Suplementos Literários”. Dos jornais “Jornal do Comércio” e “Tribuna de Petrópolis”. (p. 9) O cinema e a crítica. Três novos críticos de cinema colaboradores de jornais Walter George Durst, Pedro X. P. de Carvalho e Saulo Guimarães. (p. 11) Praia Oculta. Lançada por Domingos Carvalho da Silva em São Paulo. (p. 4) Poetas novos. Foram publicados dois poemas dos estreantes Carlos Cernigoy e Waldemar Carlos. (p. 4) “Prêmio Adhemar de Barros”. Instituído pelo Departamento Municipal de Cultura. (p. 11) “Pureza”, de José Lins do Rego é lançado em Londres. (p. 7) Recebimento dos livros: “Exposição de Pintura Contemporânea”, “Exposição de Pintura”, “Vida e outros poemas” de Ana Ozório, “Marafa, Oscarina e Três Caminhos, a Estrela Sobe”, de Marques Rebelo, “7 anos de pastor” de Dalton Trevisan, “Bonjou Paris” de Frank Bloemen, “Aufil de l’heure” de Nádia de Chédid, “Les Mirous cachés” de Liliane Gaschet, “Perce-neige” de André Pradas, “Poéte, sois toi-même” de Joé Holzner, “O cacto vermelho” de Lígia Fagundes Telles, “Os objetos”, Aluizio Medeiros, “Crítica”, “O esv. mágico”, Murilo Rubião, “Antologia de Contos de Escritores novos do Brasil”, “Poesias Escolhidas”, Manuel Bandeira, “Poemas”, Darcy Damasceno, “Um homem dentro do mundo”, Oswaldo Alves, “Alma nua”, Idelma Ribeiro de Faria, “Castigo” e “Minha vida bem contada”, Antonio Pousada, “Elegia Diurna”, José P. M. da Fonseca, “Apoemas”, Mozart S. Aderaldo e José Stênio Lopes. (p. 7) Recebimento das Publicações: Esfera, O mandarim, Clã, Sul, Investigações, Jornal da Música, Artes e Letras, Filosofia, Ciências e Letras, Letras da Pronúncia, L’essou littéraire, Orfeu, Jornal das Artes, Folha Socialista, Revista Branca e Folha do Ipiranga. (p. 7) “Semana Folclórica”. Realizou-se em agosto em São Paulo. (p. 10) Teve início em Aracaju a filmagem de “Os corumbás” de Amando Fontes. (p. 7)


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Vinícius de Moraes. O poeta enviou de Hollywood o poema “Balada da moça do Miramar”. (p. 4)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 5, dezembro de 1949. BALZAC. Estão sendo programados em todo o mundo e principalmente na França os festejos e comemorações pela passagem do 150º aniversário do nascimento de Balzac. Em comemoração estão sendo reeditadas várias de suas obras. (p. 2) Livros Recebidos: “Perfil de Amadeu Amaral”, Hélio Damanti, “Cântico”, Lêdo Ivo, “Anteu e a Crítica”, Roberto Alvim Correia, “Morada da Paz”, Jorge Medauar, “Sonetos para Chopin”, M. A, Raúl Vallejos, “A Rosa Orvalhada”, Alvaro Faria, “Confidência”, Cabral do Nascimento, “Face Oculta”, Carvalho Filho. (p. 5) Nosso próximo número contará com maior número de páginas. (p. 10) Publicações Recebidas: “Correio das Artes”, “Artes e Letras”, “Folha de Minas Gerais”, “Sul”, “Alliance”, “Suplemento Literário ’Diário de Minas’”, “Mensário”, “Jornal de Música”, “Investigações nº 9”. (p. 5) RUI BARBOSA. Centenário. Nota sobre as comemorações no dia 5 de novembro do centenário do nascimento de Ruy Barbosa. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950. “Cinema Brasileiro”. Sob a direção de Salomão Scliar e Alberto Ruschel a indústria do cinema brasileiro anuncia os filmes “Além do Tempo” e “Céu Vazio”. (p. 15) Estréia de Luiz Martins com o livro de poemas “Cantigas da rua escura”. (p. 15) Nota sobre a colaboração de Cabral do Nascimento (poeta português) a Tentativa; esclarecimento da autoria das vinhetas publicadas (Dulce G. Carneiro); a questão da remuneração das colaborações e o anúncio do nome de Adalmir da Cunha Miranda como representante da Tentativa na Bahia. (p. 13) Sérgio Milliet publicará em breve “Poema do Trigésimo dia”, poema sobre a temática da morte. (p. 10)


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Últimas Notas _ Rosário Fusco anuncia. “Anel de Saturno” (teatro), “Introdução à experiência estética”, “Rodia e Temas Eternos” (ensaios), “Auto da noiva” e “O viúvo e o anfitrião” (teatro). (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 2, n.7, abril de 1950. “Antônio Cândido”. Após uma longa ausência dos jornais e revistas literários do país, Antônio Cândido publica um trabalho inédito na primeira página deste número. (p. 3) “Campos de Figueiredo”. Continuando seu intercâmbio com Portugal, Tentativa publica um poema de Campos de Figueiredo, o poeta de “Imagem da Noite”, seu livro mais recente. (p. 2) “Edições Tentativa _ Concurso _ Livro de Contos”. A redação comunica que organizou um plano objetivo para a edição de um livro que seria escolhido por concurso. O gênero escolhido foi o conto, gênero dificilmente escolhido pelas editoras comerciais e demasiado oneroso para ser editado particularmente. Junto ao comunicado segue o regulamento. (p. 1) “Livros Recebidos”. “O Cemitério marinho” de Paul Valery, “Idade 21” de Walmor Cardoso da Silva, “A virtude do paradoxo” de Luiz de Castro Neto, “Motivos Angolanos” de A. Neves e Souza, “Simples canções da Terra” e “Ode a Gomes Leal” de Adolfo Casais Monteiro, “Noctuno” de A. da Costa Ferreira, “Desenhos de Fernando Lanhas” editados por Portucale, “O mundo tenebroso de Balzac” de Luiz Martins, “Serviços franceses de informação” enviado pelo sr. Paul Silvestre. (p. 7) “Mário de Andrade”. Nota que visa assinalar o 5º aniversário da morte da Mário de Andrade. (p. 2) “Oswald de Andrade residirá em Atibaia”. Nota transcrita de uma entrevista dada por Oswald ao “Jornal de São Paulo” onde o escritor diz precisar descansar e nada melhor que o interior para isso. (p. 2) “Publicações Recebidas”. “Correio das Artes” de João Pessoa, Paraíba; “Comissão Nacional de Folclore”, “Portugal” números 19 a 22, “Artes e Letras”, Suplemento do Correio Popular de Campinas, “Investigações” de São Paulo, “Letras da Província”, “Revista Branca” e “Fundamentos”, “Bando” de


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Natal, “Revista do Agreste”, de Caruarú, “Província” de Porto Alegre, “Correio das Artes”, suplemento literário de “A união” de João Pessoa, “Nordeste” de Recife, “Main dans la main” de Paris, “Arte e Literatura” suplemento da “Tribuna de Petrópolis” do Rio de Janeiro. (p. 7) “Teatro Brasileiro”. Nota sobre a inauguração do Teatro Cultura Artística com a apresentação da peça “No fundo do poço” de Helena Silveira. (p. 3)

Jornal Tentativa. ano 2, n.8, junho de 1950. “Cinema em Atibaia”. Um grupo de interessados por cinema-arte, sob o patrocínio de Tentativa está ultimando os preparativos para fundação em Atibaia de um clube de cinema, nos moldes dos que já existem em várias capitais do país. (p. 10) “Colaborações de Portugal”. Neste número Tentativa conta com a colaboração do poeta português Pedro Homem de Mello. (p. 10) “Concurso Livro de Contos - Edições Tentativa”. Publicação dos Regulamentos já expressos em números anteriores. (p. 12) “I Congresso Brasileiro de Cinema”. A ser realizado de 26 a 28 de julho sob o patrocínio do Departamento de Cinema do Museu de Arte de São Paulo. (p. 12) “III Congresso Brasileiro de Escritores”. Realizou-se de 17 a 21 de abril em Salvador, Bahia. Integrando a Delegação Paulista estiveram presentes Cesar Mêmolo Jr. e André Carneiro. O IV Congresso deverá se realizar no Rio Grande do Sul. (p. 10) “I Convenção de Poetas de São Paulo”. Trata-se de uma convenção idealizada pelo “Clube de Poesia de São Paulo” especialmente dedicada aos poetas e críticos do interior do Estado. Pretende debater vários temas relacionados com a poesia e a crítica e também problemas dos poetas e escritores do interior. (p. 12) Museu de Arte de São Paulo. O Museu de Arte de São Paulo iniciou a publicação de uma série de livros de arte sobre os artistas plásticos Roberto Sambonet, Roberto Neutra, Ernesto de Fiore, Lasar Segall, Gregoir Warchavchick, Van Gogh e Cézanne. (p. 2)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. “Clube do Cinema”. Sob o patrocínio de Tentativa fundou-se em Atibaia um “Clube de Cinema”, cujo programa é difundir entre o grande público o cinema como arte. (p. 2) “Colaborações de Portugal”. Tentativa tem sido generosamente recebido em Portugal e a pg. 6 deste número é uma homenagem aos seus escritores. Destaca-se ainda que o suplemento do “Diário Popular”, vespertino mais vendido em Lisboa possui uma coluna especialmente dedicada ao Brasil, onde aparecem colaborações e transcrições dos nossos escritores. (p. 7) “Exposição de Pintura”. Por ocasião da fundação do “Clube de Cinema de Atibaia” realizou-se a primeira “Exposição coletiva de pintura” já realizada nesta cidade. (p. 10) “Prêmio da Poesia”. Domingos Carvalho da Silva, representante de Tentativa em São Paulo, foi o escolhido pela Academia Brasileira de Letras para o prêmio de poesia Olavo Bilac, de 1950. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. “Antônio Candido”. Integrará a comissão julgadora do concurso “Livro de Contos”. (p. 11) “Cinema Nacional”. A nota comenta que até há pouco, uma das características principais das companhias cinematográficas brasileiras era a suntuosidade que fazia com que as obras nunca fossem concluídas. Tal quadro está sendo mudado por Alberto Cavalcanti da Cia Vera Cruz. (p. 6) Livros Recebidos: Poemata, Israel Klabin, José Paulo Moreira, Oscar Lorenzo Fernandes; Calamento, Romeu Correia; Sombras e Penumbras, Dormevilly Nóbrega; Lenda e Areia, Moacyr Félix de Oliveira; Mahamba, A. Neves e Souza; É Primavera ... Escuta, Maria Thereza de A. Cunha. (p. 11) “Jornal dos Novos”. Dirigido por Dinah Silveira de Queiroz e Fausto Cunha, esse jornal é um dos veículos mais conhecidos para a publicação da produção dos novos. (p. 10)


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“Notas e fatos”. O fato. cine Clube Bandeirantes de São Paulo sob a presidência de Eduardo Salvatore, é a mais bem organizada entidade brasileira no gênero tanto no cinema como na fotografia. (p. 6) “Propaganda Política”. Recusa de “Tentativa” de publicar em suas colunas propaganda política, acreditando que o sacrifício monetário seja compensado pela sobriedade que não quer perder. (p. 10) Publicações Recebidas. Fronteira (Porto Alegre), A voz do Estudante (Campinas), Província (Porto Alegre), Letras Fluminenses (Rio de Janeiro), Artes e Letras (Campinas), Bando (Natal), Correio das Artes (João Pessoa), Afluente (São Luiz do Maranhão), Cultura e Alimentação (Rio), Trópico e Investigações (São Paulo), La Revue Moderne (Paris), Mansão Literária (Campinas), Main dans la main (Paris), Interpretação Biográfica de Fagundes Varela, Clã (João Pessoa), Cultura Magazine (São Paulo), Pioneira (Presidente Wenceslau), Revista Branca (Rio), Brasil Gráfico (São Paulo), Oásis (Florianópolis), Letras da Província (Limeira). (p. 11) “Revista Branca”. Comemoração de seu 2º aniversário. Congratulações da redação de “Tentativa”. (p. 10) “Venda avulsa”. Locais de venda. Livraria Livros do Portugal e José Olimpio, (Brasília); Galeria Domus, Livraria Brasiliense, Livraria Monteiro Lobato (São Paulo). (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11,dezembro de 1950. Artistas Premiados. Aldo Bonadei recebeu a Medalha de Ouro no Salão Nacional de Belas Artes, Aldemir Martins a Medalha de Bronze no Salão Baiano de Belas Artes e Geraldo de Barros foi contemplado com uma Bolsa de Estudos instituída pela Alliance Française. (p. 2) Concurso de Fotografia e Cinema. Acaba de ser instituído pelo Cine Clube Bandeirante. (p. 11) Concurso Livro de Contos. Os escolhidos para comporem a Comissão Julgadora deste concurso foram Sérgio Milliet, Antônio Cândido e Osmar Pimentel. A data para a entrega dos originais foi prorrogada para 31 de março de 1951. (p. 3) “Direção de Tentativa”. A parti do próximo número, a direção de Tentativa estará a cargo de Cesar Mêmolo Jr. (p. 12) “Exposição de artes aplicadas”. Em São Paulo, um grupo de artistas plásticos, componentes da Oficina de arte apresentou uma exposição de artes aplicadas


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com o objetivo de aplicar a arte em fontes de ganho material, fazer com que o artista possa trabalhar em seu elemento. (p. 11) III Festival Mundial da Película de Curta Metragem. Realizou-se no Rio de Janeiro, promovido pelo “Cercle International du Cinèma” de Paris. Seu objetivo é estimular e divulgar a produção cinematográfica de curta metragem. (p. 11) Representante em Portugal. A partir deste número Tentativa será representado em Portugal pelo escritor Luis Amaro. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. Aos Leitores. Por falta de espaço deixaram de ser publicados neste número vários trabalhos e a seção “Livros Recebidos”. O jornal só voltará a circular em maio para se poder dar maior divulgação ao concurso “Livro de Contos”. Acham-se suspensas as assinaturas de Tentativa. (p. 2) Concurso Cinematográfico nacional para amadores. “Alguns dias em Bertioga”, de Estanislau Szankowsky. Prêmio troféu “A Gazeta” “Aldeia em Paris” de Jean Lecoq. Iaça “Estímulo”. “Santa Catarina” de Klaus Muller Carioba. Troféu “A Gazeta Esportiva”. “Catarata” _ melhor filme sob critério técnico, de Benedito J. Duarte. “Estudo de continuidade e movimento” de André Carneiro. Devido ao fato de não ter letreiros de apresentação, como exigia o regulamento, esse filme não foi classificado para efeito de premiação, recebendo da Comissão julgadora, porém, graças às suas qualidades técnicas e acentuado censo de cinema, uma referência à parte, feita na apresentação dos filmes no Museu de Arte, e no Boletim do Foto-Cine Clube Bandeirantes. (p. 11) Concurso Livro de Contos _ Nota sobre a composição da Comissão Julgadora e sobre os regulamentos do mesmo. (p. 8) 1º Concurso Fotográfico. “Edições Melhoramentos” instituiu o seu 1º concurso fotográfico, para fotografias infantis. (p. 2) Clube do Conto. É uma associação editora formada no Rio de Janeiro que vem publicando trabalhos selecionados entre os bons autores no gênero da literatura universal. Além disso o Clube instituiu um concurso que escolhe um dos contos enviados ao Clube no decurso dos trinta dias anteriores,


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incentivando assim os autores inéditos que ainda não tiveram grandes oportunidades. (p. 9) Presença de Anita. Lançamento. Filme que marcará o início das atividades da Cia Cinematográfica Maristela Prêmio Adhemar de Barros. Vencedores: Francisco Fermino, Lêdo Ivo, Maria José de Carvalho e Donozor Lino com “Odes Bárbaras”(4º lugar). (p. 2) Publicações Recebidas. Merediano (Terezina, PI), Revista Branca n. 13 (Rio de Janeiro, RJ), Honra ao Mérito, Serviço Iugoslavo de Informações, Nova Iugoslávia, I.B.E.C.C., Investigações, Sul (Florianópolis), Palmeiras (Campinas, SP), Folha do Povo (Bauru, SP), Mansão Literária (Campinas, SP), Correio das Artes (João Pessoa, PA). São Paulo no Jornal de Letras. Segundo esta nota, o Jornal de Letras é a melhor publicação literária do país atualmente, dirigida pelos irmãos Elysio, José e João Condé. Jornal de Letras em São Paulo trata-se de uma seção com duas páginas totalmente dedicadas ao movimento artístico e intelectual da Paulicéia sob a orientação de Alcântara Silveira. (p. 8) Torre de Vigia. Nova coluna de crítica de poesia assinada por Domingos Carvalho da Silva na página de literatura e arte do Correio Paulistano, da capital. (p. 9) “Vocação”. Mais uma revista de novos. Revista de Belo Horizonte, “Vocação” será dirigida por Afonso Celso Ávila, Fábio Lucas e Vera de Castro. (p. 6) “Presença do Brasil”. Sob esse título a revista “Flama” pública há cerca de oito anos uma página permanente, na qual se faz larga referência à atitude literária em todos os Estados do Brasil (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 13, maio de 1951. “Ângulos - “Ângulos” chama-se o órgão cultural do Centro Acadêmico “Ruy Barbosa”, da faculdade de Direito da Universidade da Bahia sob a direção de Adamir da Cunha Miranda (p. 2) “Concurso Sul Americano de Filmes Documentários”. Dando prosseguimento ao seu programa cultural e didático o Museu de Arte de São Paulo instituiu o


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Concurso Sul Americano de filmes Documentários. Trata-se de um evento que visa dar oportunidade a que os mais variados assuntos sejam apreciados e tratados pelos cinematografistas nacionais e sul americanos (p. 2) “Encerrado o Concurso Livro de Cantor”. O primeiro prêmio foi conferido à obra “Ah, solidão!” de Leonardo Arroyo de São Paulo que terá sua obra publicada. O segundo prêmio foi conferido a Osmar Lins com o livro “Os sós” e o terceiro à obra “As paredes” de Ferreira Gular de São Luiz do Maranhão (p. 1) “Livros Recebidos” - Um tempo que passou, Djanira Brandi Bertolotti; O enenrgismo, O energismo e a repercussão dos atos, O que é energismo, Alberto Montalvão; Graciliano Ramos - ensaio crítico psicanalítico, H Pereira da Silva; Dádiva, José Amaro; Obra Poética, Jorge de Lima; Viagem para Malaga, Leonardo Aroyo; Idade 21, Walmor Cardoso da Silva; O Domínio de si mesmo pela auto-gestão consciente, Emile Coué (p. 7) “Presença do Brasil”. Sob esse título a revista “Flama” pública há cerca de oito anos uma página permanente, na qual se faz larga referência à atitude literária em todos os Estados do Brasil (p. 2) “Tentativa”. Com o presente número, Tentativa deixará de ser publicado (p. 1)


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4.2.4.9. CRÍTICA Jornal Tentativa. ano 1, n. 1, abril de 1949. BARRETO FILHO, Oswald. “O problema realismo no teatro moderno”. Embora reconheça a importância do clima de ação da atmosfera de realidade vivida no palco apresentada no teatro moderno pelo realismo, o autor destaca que o realismo teatral não pode se confundir com a realidade da vida. É a criação de uma outra forma de realidade que nos ajuda a escapar e a viver alguns momentos fora da mesmice e banalidade que é o mundo. (p. 4) GONTI, João B. “Os caiapós de Atibaia”. O autor descreve os rituais festivos praticados pelos Caiapós de Atibaia para se divertirem e alegrarem a população. De maneira nostálgica lamenta seu desaparecimento destes para darem lugar a novos costumes que, segundo Gonti, infelizmente, são trazidos por sua “excelência civilização”, aos quais nós reverentemente nos curvamos e esquecemos o que é nosso. (p. 12) MULLER, Ruben. “Cinema e romace policial”. Em um roteiro panorâmico do cinema policial o autor destaca as relações que existem entre o cinema e a literatura policial. Salienta que esta encontrou naquele um veículo ideal para sua expansão e o cinema quando se serve do “policial” ganha sempre motivos positivos e de grande interesse, não só anedótico como estético e emocional. O texto é ilustrado com um desenho de Aldemir Martins. (p. 7-9) SILVEIRA, Alcantara. “Páginas que não envelheceram”. O autor destaca neste artigo o trabalho de Amadeu Amaral, que procurou orientar os nossos estudos folclóricos numa base científica e propugnar por uma história natural dos produtos do folclore. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949.


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Poesia de Minas. O artigo tem por objetivo prestar homenagem à literatura mineira através de três de seus valores mais expressivos: Henriqueta Lisboa, com o poema “Na morte”; Alphonsus de Guimaraens Filho, com o poema “Os ventos” e Bueno de Rivera, com a poesia “Augusto e seu caminhão”. (p. 6) BASTIDE, Roger, VIEIRA, José Geraldo et alii. Poesias e Opiniões. Neste texto composto de seis partes, renomados críticos ressaltam as qualidades estéticas das obras de autores como Reynaldo Bairão, José Escobar Faria, Aluizio Medeiros, José Tavares de Miranda, Afranio Zuccolatto e Cyro Pimentel. (p. 7) NUNES, Cassiano. “Um romance de inquietação”. O autor destaca a qualidade estética e demonstra apreciação pela reedição de “Amanhecer” de Lucia Miguel Pereira, segundo ele, um dos mais finos e harmoniosos romances escrito por uma mulher no Brasil. (p. 7) RIBAS, J. Carvalhal. “Psicanálise do Fogo”. O artigo refere-se à crítica de Gaston Bachelard sobre a psicanálise do fogo. Para o crítico, somente o freudismo veio explicar razoavelmente a conduta que impeliu o homem primitivo à descoberta do fogo. Ressalta, do ponto de vista psicanalítico todas as configurações adquiridas pelo fogo na sua relação com os humanos. (p. 5).

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. CARPEAUX, Otto Maria. “Cancioneiro Paulistano”. O artigo faz uma comparação entre Juó Bananére e Teófilo Folengo, italiano erudito, mas que escreveu em língua macarrônica: mistura de vocábulos italianos e sufixos latinos. No seu teor de ridicularização da “elite”, Juó Barranére foi de maneira muito modesta, sem conseqüências literárias, algo como uma voz da consciência nacional. (p. 1) NUNES, Cassiano. “Um poeta boêmio”. Comentando o lançamento de uma edição de quarenta mil exemplares da biografia de Emílio de Menezes _ “Emílio de Menezes, o último boêmio” de Raimundo de Menezes, o autor destaque que embora não se deva generalizar no julgamento adverso, comumente feito pelos críticos, à geração de


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parnasianos boêmios, Emílio de Menezes foi enaltecido em excesso no seu tempo e ainda hoje. Para o autor, Emílio de Menezes foi um gozador, satisfeito com o situacionismo aproveitando-se bem da nossa desorganização política e um criador de versos quase sempre artificiais. (p. 4) RIBAS, J. Carvalhal. “Interpretação Psicológica do Vestido de Noiva”. Segundo o autor, a peça de Nelson Rodrigues se assenta na concepção de personalidade de acordo com a psicanálise portadora de conceitos como CENSURA, RECALQUES e COMPLEXOS, esses últimos conhecidos também como desejos reprimidos. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 4, outubro de 1949. HADDAD, Jamil Almansur. “Carlyle e Karl Marx”. Uma das proposições destacadas no artigo é que o mal das escolas deterministas não está no seu fundamento filosófico mas sim no seu exclusivismo exagerado. (p. 12) MILLET, Sérgio. “Um inquérito”. O autor responde neste artigo perguntas feitas pela redação de Tentativa. Entre essas perguntas incluem-se: “surgiu e 1945 a esta data uma nova poesia ?”; “o hermetismo da nova poesia decorre de uma busca do essencial poético ou é um reflexo da nossa época conturbada?”, “os escritores devem aguardar a plena maturidade para publicar seus livros ou lançá-los cedo?”, perguntam ainda sobre a inutilidade da luta e a “revisão de valores”, “o que é um escritor gagá” e “o que é uma geração”. (p. 1) PASCAL, Matias. “Quebra-quebra mirim”. Na semana comemorativa dos novíssimos foram expostos os desenhos do sr. Darcy Penteado, inspirados nas mais finas convicções homossexuais em voga. Alguns rapazes apedrejam a exposição. Conferências de José Geraldo Vieira, Murilo Mendes, Ledo Ivo, Wilson Martins, Edgar Braga e Domingos Carvalho da Silva. (p. 2) RAMOS, Graciliano, RÊGO José Lins do. et alii. Falam os escritores brasileiros – Revisão de valores, o problema do hermetismo, em poesia simulação é pecado mortal, o que é um escritor gagá?, as gerações e as vidraças da


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academia”. O artigo inicia uma série de depoimentos sobre questões debatidas entre os intelectuais brasileiros da época. Na presente edição são publicados as respostas de Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo, Otto Maria Carpeaux e Sérgio Milliet. (p. 5)

Jornal Tentativa. .ano 1, n. 5, dezembro de 1949. DEL PICCHIA, Menotti e BASTIDE, Roger. Falam os escritores. Neste texto, Menotti Del Picchia e o sociólogo francês Roger Bastide respondem às perguntas: De 1945 para cá terá surgido uma nova poesia?, O hermetismo da nova poesia será resultante de uma busca do essencial poético ou reflexo inevitável de nossa época conturbada?”, Voltará a poesia a ser compreendida pelo grande público ou se transformará em arte quase especializada para sensibilidades receptivas apenas?, A literatura brasileira ainda não conseguiu projeção mundial. Quais os motivos?, Devem os escritores jovens aguardar certa maturidade e experiência intelectual para publicação de sua obra ou lançá-la cedo?, Do atual clima de luta entre gerações, decorrerá algum benefício para a nossa literatura?, Será recomendável ou prejudicial incentivar a combatividade dos moços?, Há necessidade de “revisão “ de valores na literatura brasileira? E como deveria ser feita? O que devemos entender por um escritor “gagá”?, A obra dos “novos escritores brasileiros” autoriza o emprego da palavra geração? Por quê?, Existirá entre os intelectuais jovens desinteressados pela ficção? (p. 4 e 10) FARIA, José Escobar. “Depoimento Bimestral”. O autor confirma a existência do hermetismo na poesia dos últimos dez anos citando como exemplos Carlos Drummond de Andrade e Murilo Mendes. Considera como um poeta “maior” Carlos Drummond de Andrade e como “menor” Augusto Frederico Schmidt. Segundo ele, principalmente em 1949 os poetas se libertaram da geração de 22; não existe crítica de poesia no Brasil e dos poetas anteriores ao modernismo aprecia Augusto dos Anjos, Cruz e Souza e Álvares de Azevedo. (p. 11) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O artigo destaca as últimas novidades editadas em Paris. (p. 2)


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FRANCO, Augusto. “Há crise na literatura?” Nesse artigo o autor explica que a crise na literatura se explicaria pela desumanização do homem em conseqüência de um complexo cultural e de uma filosofia de vida excessivamente utilitarista que quer contrapor uma realidade externa à realidade subjetiva e única, porque eterna. (p. 6) HADDAD, Jamil Almansur. “Bilhete ao M. Neme”. Artigo em o autor responde de maneira agressiva e ironicamente à critica feita a ele por Mario Neme no “Estado de São Paulo”. (p. 10) MARTINS, Cristiano. “Os cantos do país das gerais”. O autor destaca o livro Elegias do país das Gerais de Dantas Mota. Segundo afirma, a densidade desta obra, ao contrário do que se nota habitualmente em grande número de poetas não decorre do emprego exagerado dos valores abstratos, mas paradoxalmente do emprego dos valores concretos ou objetivos. (p. 12) MENDES, Oscar. “Lembrança de Mário de Andrade”. Nesse artigo o autor dá um depoimento acerca de sua amizade com Mário de Andrade elogiando-lhe o espírito meticuloso e amigo. (p. 1) RIBAS, J. Carvalhal. “Função Psico-Social da Caricatura”. Em seu artigo o autor destaca que à luz da psicanálise a caricatura representa uma válvula por onde se descarregam impulsos recalcados, na sociedade, a exemplo das outras obras de arte, dos sonhos, das anedotas, dos atos falhados da vida cotidiana. (p. 8) TELLES, Lygia Fagundes. “Depoimento Bimestral”. Em seu depoimento a autora destaca que não há entre os moços desinteresse pela ficção, mas sim pela cultura. Segundo ela, os maiores contistas nacionais são Machado de Assis, Monteiro Lobato e Mario de Andrade; e o maior ficcionista é Machado de Assis. Ressalta que a característica marcante dos novos é o medo e quanto às influências estrangeiras diz que essas são pessoais. (p. 11)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 6, fevereiro de 1950.


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ALVES, Oswaldo. “Na intimidade da poesia”. O autor destaca que compreender um grande poeta exige tempo e meditação. Argumenta que essa ausência de familiarização é que tem sido a causa de tanta incompreensão em torno da Poesia Moderna. (p. 5) ANDRADE, Oswald de. Falam os escritores. Sobre o hermetismo o autor destaca que sempre houve poesia hermética. A poesia nunca é compreendida pelo grande público, senão através da exegese. É uma questão de sensibilidade, de eleição e de cultura. Para ele, a literatura brasileira não conseguiu projeção porque não presta. Quanto aos novos, estes devem publicar logo que escrevem. A timidez só atrapalha. A combatividade dos jovens deve ser incentivada visto que toda luta é fecunda e gera benefícios. Segundo ele, há necessidade de “revisão de valores”, pois até hoje, a nossa literatura, a contemporânea, permanece íntima da confusão interessada de grupos e panelas. Compete aos novos desmascarar essa conspirações de publicidade. Quanto à utilização da palavra “geração” argumenta que esta existe nos dicionários para que se use dela a vontade. Acrescenta, ainda, que não há desinteresse dos jovens pela ficção. É que a ficção é mais difícil do que a poesia. (p. 16) COELHO, Saldanha. Depoimento Bimestral. Em seu depoimento, o escritor afirma que não há desinteresse entre os moços pela ficção. Essa falsa impressão de que existem mais poetas do que ficcionistas decorre, talvez, do fato de ser a poesia uma forma expressional aparentemente menos exigente que a prosa. Para ele Machado de Assis é o mais expressivo ficcionista surgido antes de 22 e o maior contista brasileiro de todos os tempos e José Lins do Rêgo o ficcionista mais expressivo depois de 22. Segundo ele, o que particulariza a obra dos jovens ficcionistas brasileiros é a preocupação pelo humano, pela arquitetura do drama com um sentido universal. Afirma que a maior fonte de influências estrangeira na ficção é a que tem seus intérpretes no existencialismo. Entre estes intérpretes, cita Camus e Sartre. Na poesia, persiste a influência do surrealismo. (p. 15) CORRÊA, Roberto Alvim. Falam os escritores. O autor destaca que de 1945 para cá surgiu uma nova poesia na figura de três ou quatro jovens poetas dignos dos que os precederam e mais expressivos porque todo


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poeta autêntico é profundamente expressivo. Para ele sempre houve poesia hermética, sendo o hermetismo uma condição de vida para a grande poesia. Respondendo a pergunta que indaga se a poesia voltará a ser compreendida pelo grande público ou se transformará em arte quando especializada, diz que o grande público vê num poeta um símbolo facilmente compreensível de algo simples e nobre. Para ele, a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção mundial, porque para que repercutisse no estrangeiro necessitaria a literatura nacional que começasse por repercutir no Brasil. Segundo ele, o clima de luta entre gerações é sempre profícuo e a combatividade é uma necessidade. Depende de nós transformá-la numa qualidade. Argumenta que temos que rever sempre os valores literários e essa revisão deve ser feita de maneira que possamos verificar o que ainda nos trazem as obras do passado. Para ele, escritor “gagá” é um decrépito e a obra dos novos escritores brasileiro autoriza o emprego da palavra geração pelo caráter de seriedade, particularmente meditativo, pelo senso de responsabilidade de alguns jovens escritores. Afirma que não há desinteresse pela ficção mas consciência daquilo que ela pode representar uma experiência sempre aprofundada de nossa condição. Segundo destaca a renovação do romance dos últimos dez anos pode ser simplificada pela obra de Otávio de Faria e o que caracteriza a atual geração de ficcionistas brasileiros é a inquietação. (p. 16, 2) Esclarecimento. Nota da redação. Neste artigo os editores tentam firmar uma posição política e literária. Quanto aquela afirmam que não a possuem, estão dispostos a lutar contra todas as injustiças sociais, porém dentro do mais duro realismo e sem a mínima ilusão. Quanto à posição literária afirmam que seus diretores (de Tentativa) possuem seus rumos estéticos, preferências e idiossincrasias literárias. Mas, agindo na direção do jornal, abdicam de qualquer parcialidade consciente, aceitando colaborações de todas as tendências, desde que revelem uma pesquisa sincera e honesta. (p. 1) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O autor, em seu artigo destaca alguns artistas franceses como Roger Limouse, cuja pintura se assemelha a dos magníficos coloristas brasileiros e Lilly Steiner, que reúne a arte plástica à arte poética. Destaca, ainda, o acervo da “Manufature des Porcelaines d’arts de Coulene” e o livro “La vie intime des artistes


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français au XVIII siécle de Watteau à David”, por Alfred Levoy. (p. 2-3) IVO, Lêdo. Depoimento Bimestral. Indagado sobre o hermetismo na poesia dos dez últimos anos, o escritor afirma que sempre existiu e sempre existirá hermetismo pois o hermetismo verdadeiro é o que nasce da própria autenticidade do poeta. O censurável seria a adesão ao hermético apenas como meio de seguir a ordem do dia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, destaca que não há entre nós prestígios injustificáveis. Todos são justos e se explicam. Sobre a libertação da influência de 22 diz que não se trata de libertar-se do modernismo mas de incorporar suas conquistas. Alguns se libertam, outros pouca influência tiveram de 22 e muitos outros não são poetas. Quanto à crítica de poesia no Brasil destaca que esta tem acertado nos resultados gerais do julgamento poético. E para ele, dos poetas anteriores, Castro Alves é o único no qual sente a flama da genialidade. (p. 15) JORDAN, Fred. “Ensaio sobre o gênio”. Segundo o autor, o gênio é, em linhas gerais, a síntese, a cristalização das possibilidades de desenvolvimento da cultura de uma época, numa individualidade. (p. 9) NUNES, Cassiano. “Conceito poético de Israfael”. O autor faz, referência ao termo Israfel sugerido pelo melhor biógrafo de Poe, que encontrou no doce canto do Poeta identidade com a melodia suave do anjo narcísico de Maomé. (p. 12) SILVA, Domingos Carvalho da. “Nos subúrbios da poesia”. O autor cita alguns lançamentos dos novos poetas fazendo uma pequena análise de cada um e lamentando a falta de oportunidade lhes oferecida pelos críticos. (p. 4) SILVEIRA, Alcantara. “Uma Tentativa”. O autor parabeniza os editores pela comemoração de 1 ano de existência de Tentativa e propõe que se inicie uma cruzada em prol da regeneração dos costumes políticos, em benefício da melhoria de caráter, em favor do hábito de ler e estudar. (p. 14)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950. CUNHA, Fausto. “Depoimento bimestral”. Sobre o desinteresse dos moços pela ficção F. Cunha destaca que a safra agora é de contista e o conto é um gênero de ficção tão importante quanto o romance. Com respeito à existência de uma característica marcante na obra dos novos salienta que nada caracteriza essa produção porque tal obra não existe na qualidade de corpo suscetível de análise definitiva. (p. 8) LINO, Donozor. “Depoimento bimestral”. Segundo o entrevistado, o hermetismo é uma particularidade do poema, sempre existiu e sempre existirá, está apenas acentuado na poesia moderna. Para ele, não existe nenhum poeta consagrado cujo prestígio seja injustificável. Destaca que nunca nos libertaremos de 22, porque 22 foi a liberdade e que não existe crítica de poesia no Brasil. Dos poetas anteriores ao Modernismo aprecia Tomás A. Gonzaga, Olavo Bilac, Cruz e Souza e Alphonsus Guimarães. (p. 8) NICOLUSSI, Haydée. “A nova canção de Rolland”. O autor destaca de forma lírica em seu artigo que a nova Canção de Rolland no séc. XX de ser um S.O.O trágico, é agora um argumento lúcido e grave. Ela perdeu seu caráter teatral de conto de fadas, para sacudir os jovens ingênuos e tornou-se um diálogo de homem para homem. Porque ela a tomou amplamente humana e interessa a todos qualquer que seja o lado para que se volte. (p. 5) RIBAS, J. Carvalhad. “Em prol de um consciência psico-higiênica da claque”. Falando sobre a claque, grupo de pessoas treinadas e pagas para aplaudir em peças teatrais, o autor destaca que o teatro exerce influência sobre o espírito da coletividade, infundindo-lhe, de acordo com a representações em cena, estados psicológicos saudáveis ou mórbidos. Daí um elementar e cediço preceito de higiene mental advertir que nem todas as peças teatrais devem ser levadas à cena, sobretudo diante de certas assistências demasiado jovens ou predispostas a desvios de conduta, afim de se salvaguardar o bemestar e a harmonia espiritual do povo. Se a claque concorrer tantas vezes para o fortalecimento e disseminação do teatro malsão, combata-se a claque, em defesa da saúde mental coletiva. (p. 4)


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VIEIRA, José Geraldo. Falam os escritores Segundo este autor o hermetismo da nova poesia resulta da necessidade de seleção e criação de valores léxicos e de mitos, já que palavras e símbolos envelhecem. com respeito a se os escritores jovens devem aguardar certa maturidade e experiência intelectual para publicação de sua obra diz que em tese sim, devem aguardar, mas não se deve esquecer que há talentos empíricos que adivinham itinerários. Argumenta que o clima de luta entre gerações é benéfico e que é mais do que recomendável incentivar tal combatividade. Para ele, há necessidade de revisão de valores e tal função cabe aos críticos. Afirma que um escritor gagá é o que se acha em decadência e que a obra dos novos escritores brasileiros autoriza o emprego da palavra geração. Não há desinteresse dos jovens pela ficção; houve renovação do romance brasileiro, e a atual geração de ficcionista é caracterizada por três tendências: a ecológica (nordestes); uma volta a Machado de Assis e uma anexão às correntes gerais (Proust, Morgan, Kafka, Camus, etc). (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. BARROSO, Antonio Girão. “Depoimento bimestral”. Falando sobre a existência ou não do hermetismo na poesia de dez anos para cá, o entrevistado destaca que o hermetismo é um sinal de poesia no melhor sentido, é a poesia que se explica por si mesma, mas existem também, nos poetas herméticos de hoje, muito malabarismo fácil, muita ginástica, que no fundo exprimem pouquíssima ou nenhuma poesia. Quanto aos poetas consagrados cujo prestígio considera injustificável, distingue dois grupos: os poetas consagrados pelo povo e os consagrados pelas elites intelectuais. Com respeito aos do primeiro grupo, destaca que, no momento, há um sem número de equívocos a serem corrigido. Sobre a influência de 22, diz que esta prossegue marcante toda vez que os nossos poetas atuais fazem o chamado verso livre. Salienta que a crítica de poesia no Brasil é, dos mais novos mais interessante e compreensiva. Dos poetas anteriores ao Modernismo diz apreciar Tomaz Antonio Gonzaga. (p. 4)


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FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. Falando sobre a poesia francesa atual Sylvain cita o Grande Prix de Poésie 1950, Philippe Chabaneix Lebesgue, presidente da “Académie de Province” e autor da “Le troisième Faust”, drama em que o autor empresa da lenda de Goethe seu herói principal e o faz símbolo do homem moderno sedento de riquezas, prazeres e poder. Cita ainda Wilfrid Lucas, mestre da epopéia espiritualista cristã dos “Cavaliers de Dieu”; Marcel Chalot e Jean Sylvaire, autor de “Chants du Travail”, um hino de fervor ao esforço dos homens e às profissões eternas. Embora poeta inovador, em seus sonetos ele se escravisa à tirania do classissismo. (p. 2) GUIGNARD. “Fala Guignard - Artes Plásticas em Minas Gerais”. Falando sobre as relações entre os artistas modernos e o público mineiro, Guinard comenta que certa camada, naturalmente não concorda com os “modernistas”, mas a porcentagem é tão mínima que não se nota reação nenhuma dos mesmos. Com respeito ao problema da arte figurativa x arte abstrata destaca que, sendo a arte abstrata uma tendência mais avançada, existem de fato elementos que se interessam em realizá-la. Mas parece que os artistas ainda estão mais para o lado da arte figurativa. (p. 5) MENDES, Oscar. Depoimento. “Falam os Escritores”.. O entrevistado destaca que ainda é cedo para se afirmar que surgiu uma nova poesia de 1945 para cá. O que está havendo é movimento de libertação. Quanto ao hermetismo diz que essa questão é uma espécie de moda, e como toda moda passará. Existe hermetismo na poesia, como pode ser exemplificado pelos grandes poetas, mas no caso deles esse efeito provinha da própria genialidade. Fazer da exceção a regra e cometer um grave erro que levará a poesia à esterelidade. No caso de a poesia ser compreendida pelo grande público destaca que a condição da existência da poesia como arte está precisamente na sua comunicabilidade. Cita como alguns dos motivos de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial nossa condição econômica, a incultura de muito de nós tidos como escritores e intelectuais, o nosso espírito improvisador e superficial, etc. Para ele os escritores jovens deveriam aguardar certa maturidade para começarem a publicar. Destaca que a combatividade é necessária e útil para a própria vida e renovação da literatura e que há muita


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necessidade de revisão de valores. Considera como gagás escritores que envelhecem depressa, se anquilosam, tornam-se reumáticos, maníacos imbecis, caquéticos. Segundo ele, se existe desinteresse pela ficção esse desinteresse é pela desinteressante literatura de ficção que anda por aí. Sobre a renovação no romance brasileiro de dez anos para cá destaca que renovação, no sentido de novos rumos e modificações essenciais, não houve, mas alguns dos veteranos procuraram renovar-se, melhorar e aperfeiçoar seus processos narrativos. Salienta que o que caracteriza a atual geração de ficcionistas continua a ser o chamado romance social, sob cujo rótulo se insere a sub-literatura da “Linha-justa” e o romance psicológico. (p. 1) MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A poesia de O irmão”. Falando sobre o mais recente livro de Alphonsus de Guimaraens Filho ( O irmão), o autor destaca que esse livro encerra um alto teor de religiosidade mas não se subordina a imperativos de uma inspiração superficial presa a motivos religiosos inconsistentes. Tem raízes. É poesia sincera. Necessidade vital de integração com o Cristo, o Irmão. (p. 9) MONTENEGRO, Braga. “Depoimento bimestral”. O entrevistado falando sobre o possível desinteresse dos moços pela ficção destaca que desinteresse propriamente não há. Talvez haja certa impossibilidade. Segundo ele o mais expressivo ficcionista surgido depois de 22 é Graciliano Ramos e antes de 22 Machado de Assis, o melhor contista da literatura brasileira de todos os tempos. Como características da obra dos jovens ficcionistas brasileiros cita o interesse e a preocupação para o drama do homem, para os problemas eternos da arte como expressão universal. Quanto aos escritores estrangeiros que poderão exercer maior influência sobre os novos cita Dostoievski, Joyce, Proust, Pirandello, Gide, Kafka, Huxley, Mauriac e Sartre. (p. 3) SIQUEIRA, Cyro. “Do cinema silencioso ao sonoro”. Fazendo uma retrospectiva do progresso cinematográfico, o autor argumenta que com a gênese do cinema falado os homens de cinema ficaram entusiasmados e caíram no excesso. Inverteram o sentido do cinema, começando a produzir cinema pela palavra e não cinema pela imagem. (p. 8)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. CALTOFEN, R. “Três facetas da Alemanha Cultural”. Neste artigo, o autor destaca três personalidades alemãs que influíram diretamente na cultura desse país. São elas, Thomas Mann, prêmio Nobel de 1929, representa o fim do século 19, emigrou de seu país e chegou a ser o ponto de cristalização de uma cultura alemã; Ernst Wiechert, impulsionado pelo mesmo ímpeto, porém sempre em seu país debaixo da vigilância da gestapo, foi o exemplo dos intelectuais que se calaram, mas sem se subjulgarem ao sistema; e o catedrático Kurt Huber, professor de filosofia da Universidade de Munchen, educador consciente dos seus deveres éticos e morais. (p. 3) STIEL, Roberto Corrêa “ Cinema - Arte - O som e o cinema”. Embora reconheça a importância do som na arte cinematográfica, o autor destaca que deve-se sempre lembrar do princípio do cinema: a camera é como uma vista humana. Ela olha, investiga e é através dela que os sentimentos têm entrada em nossa alma. É o mesmo que um ser dotado de invisibilidade, que procura dissecar os gestos e os atos de seus semelhantes pela via visual, a mais lógica e possível. O cinema deve ser universal, único. Deve falar a linguagem do mundo, a linguagem visual. (p. 4) MELLO, Pedro Homem de “Sinceridade”. Segundo o poeta, conhecer uma obra de arte é ouvir seu artista de confissão. Não há, pois, em arte sombra de mentira. Nem sequer o cálculo ante o objetivo virá turvar o cristal desse espelho onde os poetas (todos os artistas), em “Corpo e Alma” se refletem. (p. 6) CUNHA, Fausto “Nem a Deus nem a César”. Neste artigo, o autor fala do amargo impasse que tem sido a funçào do crítico no Brasil uma vez que qualquer postura por ele adotada é motivo de objeção de seus oponentes contrários a tal postura. É, pois, por esta razão que o crítico não consegue agradar nunca “nem a Deus nem a César”. (p. 7) PIMENTEL, Osmar “Entrevistando”. Com respeito a se de 1945 em diante teria surgido uma nova poesia mesmo ou mais expressiva do que a das


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gerações anteriores, o entrevistado destaca que a boa “poises nova” existe e é tão expressiva quanto a dos verdadeiros poetas da geração de 22. Para ele o hermetismo da nova poesia é resultante de uma busca do essencial poético e reflexo inevitável da nossa época conturbada. Sobre se a poesia está caminhando para sensibilidades receptivas e educadas ou se voltará a ser compreendida pelo grande público, diz que haverá sempre dois tipos de conto lírico - um que se antepõe e outro que caminha junto do povo. Segundo ele, a literatura brasileira ainda não conseguiu projeção porque a língua portuguesa não tem muito trânsito no chamado mundo civilizado e só agora estamos tentando criar, em literatura, um estilo próprio de compreensão e recriação de vida brasileira. A pobreza gera a dependência econômica e, sob certo aspecto, intelectual. Argumenta que de um ponto de vista universal, a poesia é o gênero literário brasileiro que mais suportaria um confronto com a obra estrangeiro, destacando-se a obra de Gilberto Freyre. Destaca que existe a necessidade de “revisão de valores” e esta deveria ser feita pelos grandes escritores desprezados. Para ele, os verdadeiros clássicos têm força literária idêntica aos poucos “expoentes contemporâneos”. Com respeito ao emprego da palavra “geração” argumenta que, a “geração literária” não depende dos assentamentos do registro civil. Só afinidades e gostos semelhantes na criação podem autorizar a alguém dizer que fulano e sicrano, nascidos no mesmo ano, pertencem a mesma geração. Para ele não há perigo de , no futuro, a literatura vir a desaparecer, esmagada pelas artes novas porque as artes - quando legítimas - provêm da recriação da experiência humana. Essa seiva comum a humanidade impede que uma forma de expressão desminta ou aniquile outra. Afirma que a moderna poesia inglesa especificamente a que veio de T. S. Elliot é a influência estrangeira que mais fascina os poetas novos; o existencialismo heiddegeriano (não o de Satre) suscita o interesse dos jovens ensaistas de filosofia. No romance e no conto não vê influência ponderável. A sociologia hesita entre a fidelidade estrita ao humanismo francês e às técnicas de investigação sociológica dos norte-americanos. Para ele o escritor brasileiro mais importante da nossa história é Gilberto Freyre. (p. 1) MENDES, Murilo. “Entrevistando Murilo Mendes”. Segundo o entrevistado, de 1945 para cá não surgiu “nova poesia”. O hermetismo da nova poesia


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não é resultante de busca do essencial, e sim de uma imensa exploração do sub-consciente. Quanto ao fato de a poesia estar caminhando para uma quase especialização, para sensibilidades receptivas, afirma que no seu estado atual a poesia se retrai fugindo à comunicação. Salvo alguns casos de poetas maiores. Para ele, o motivo principal de a literatura brasileira não ter conseguido projeção mundial é a inércia brasileira. Destaca que o gênero literário brasileiro que suportaria mais um confronto com a obra estrangeira é a poesia e entre os poetas cita Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Souza, Alberto de Oliveira, Alphonsus de Guimaraens e Mário de Andrade. Saliente que não vê nenhuma necessidade de revisão de valores “dirigida”. Ela se fará naturalmente, quando o Brasil possuir um corpo crítico em correspondência à sua vitalidade literária. Revisão dos valores operada por gente que ainda tem muito o que aprender, não conta para o futuro. Segundo ele, os nossos escritores “clássicos”, citados nas antologias têm menos valor e força literária do que os expoentes contemporâneos. Com respeito ao emprego da palavra geração, destaca que não aceita a separação dos espíritos por meio dessa palavra. Não acredita que a literatura desapareça, esmagada pelas artes novas que o adiantamento científico do homem foi criando. Quanto aos líderes literários mundiais que exercem maior influência sobre os escritores jovens cita Nitzsche, Rimbaud, Lorca, Fernando Pessoa, Neruda, Huidobo, Sartre, Valéry e Drummond. Para ele, Machado de Assis, Gonçalves Dias e Mário de Andrade são os escritores brasileiros que pelas suas obras e atividades intelectual podem ser considerados os mais importantes da nossa história literária. (p. 1)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950. MÊMOLO JR., Cesar. “O cinema brasileiro e a crítica”. Neste artigo procura apontar algumas das muitas qualidades de “Perdida pela paixão” e “A sombra da outra”, dois filmes esquecidos pela crítica cinematográfica brasileira. (p. 3) ROCHA FILHO, “Alguns aspectos da estética platônica”. O autor destaca que a estética platônica está ligada estreitamente às outras partes relevantes de seu sistema formando assim um todo harmonicamente constituído. A impossibilidade da definição platônica de arte é demonstrada


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quando se percebe que longe de serem “imutáveis e fixos” os canônes de beleza variam dentro da fisionomia de cada civilização. Segundo ele, não há lugar na estética de Platão para uma idéia do prazer puramente artístico, separado e distinto do prazer que nos é dado na forma contemplativa das Idéias. Há sempre a tendência para a idéia de ordenação, para a coerência interna do sistema. Tudo é dado em função de um critério moral, de uma expressão utilitária da arte. (p. 5) SIQUEIRA, Cyro. “A comédia cinematográfica”. Segundo a classificação de James Agee, os graus de humorismo cinematográfico são quatro: 1) Riso; 2) Gargalhada; 3) Riso de Barriga; e 4) Bufoneria. A realização integral da comédia depende estreitamente da captação de um ininterrupto clima cômico, onde as escadas de risadas se sucedam, separadas por insignificante lapso de tempo. A moderna comédia oscila entre a comédia plástica _ que repousa muito mais no autor do que no enredo _ e a comédia dramática _ onde há visíveis intenções crítico-satíricas espalhadas por todo o filme. Segundo Roger Manvell, a comédia é uma belamente ponderada apreciação dos absurdos e pretensões sociais, e vem dependendo muito do diálogo satírico e irônico afim de realçar seus principais efeitos. (p. 6) Irresponsabilidade de novos. Nota da readação. Falando sobre a “revisão de valores” o artigo chama de “irresponsabilidade completa” a atitude de alguns jovens escritores que ocupam as colunas literárias para elogiar ou criticar outros escritores por mera conveniência. Diz que essa falta de critério é lamentável porque nunca houve como agora nos caminhos das facilidades literárias tanta xingação despropositada. (p. 12) MENDES, Murilo “Entrevistando Murilo Mendes”. Segundo o entrevistado, de 1945 para cá não surgiu “nova poesia”. O hermetismo da nova poesia não é resultante de busca do essencial, e sim de uma imensa exploração do sub-consciente. Quanto ao fato de a poesia estar caminhando para uma quase especialização, para sensibilidades receptivas, afirma que no seu estado atual a poesia se retrai fugindo à comunicação. Salvo alguns casos de poetas maiores. Para ele, o motivo principal de a literatura brasileira não ter conseguido projeção


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mundial é a inércia brasileira. Destaca que o gênero literário brasileiro que suportaria mais um confronto com a obra estrangeira é a poesia e entre os poetas cita Castro Alves, Gonçalves Dias, Cruz e Souza, Alberto de Oliveira, Alphonsus de Guimaraens e Mário de Andrade. Saliente que não vê nenhuma necessidade de revisão de valores “dirigida”. Ela se fará naturalmente, quando o Brasil possuir um corpo crítico em correspondência à sua vitalidade literária. Revisão dos valores operada por gente que ainda tem muito o que aprender, não conta para o futuro. Segundo ele, os nossos escritores “clássicos”, citados nas antologias têm menos valor e força literária do que os expoentes contemporâneos. Com respeito ao emprego da palavra geração, destaca que não aceita a separação dos espíritos por meio dessa palavra. Não acredita que a literatura desapareça, esmagada pelas artes novas que o adiantamento científico do homem foi criando. Quanto aos líderes literários mundiais que exercem maior influência sobre os escritores jovens cita Nitzsche, Rimbaud, Lorca, Fernando Pessoa, Neruda, Huidobo, Sartre, Valéry e Drummond. Para ele, Machado de Assis, Gonçalves Dias e Mário de Andrade são os escritores brasileiros que pelas suas obras e atividades intelectual podem ser considerados os mais importantes da nossa história literária. (p. 1)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950. MACHADO, Lourival Gomes. “Declaração de Lourival Gomes Machado”. Falando sobre a escolha de artistas italianos para fazerem a decoração interna da Catedral de São Paulo, argumenta que pouco importaria serem os escolhidos italianos e não brasileiros, se outros fossem os nomes. No entanto, o que se verifica é que se trata de artistas de quarta categoria pertencentes à arte burocrática do Vaticano, meros funcionários sem outra credencial - Diretor do Museu de Arte Moderna de São Paulo. (p. 1 e 11) Nota da redação. Sabotado o artista nacional. O artigo critica o fato de se ter delegado a decoração interna da Catedral de São Paulo a artistas estrangeiros de projeção apagada até mesmo dentro de seus países,


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dizendo que nada poderiam acrescentar ao patrimônio artístico nacional. (p. 1) MIRANDA, Adalmir da Cunha. “A secreta mentira”. O leitor brasileiro tem a oportunidade de entrar em contato com um dos mais representativos escritores da literatura norte-americana contemporânea através da tradução de “Winesburg, Ohio” de Sherwood Anderson, feita por James Amado e Moacir Werneck de Castro sob o título de “A secreta mentira”. Integrando-se no rol dos contistas modernos, Anderson confere menos importância ao descritivo exterior, para aprofundar-se verticalmente no segredo do homem, do homem americano do seu tempo, reconhecendo-lhe um destino trágico e buscando, naquela gente e nas coisas, tudo que ainda restava de vida simples e poesia. (p. 6) CALTOFEN, R. “Escândalo em torno de Molière”. Henry Poulaille num dos últimos números da revista “Lettres du monde” publicou um ensaio com o título “Corneille - nègre de Molière” em que coloca em dúvida Molière enquanto escritor. Afirma que enquanto Molière possui muito dinheiro, Corneille tinha poucas oportunidades e sem a ajuda daquele não teria podido trabalhar e viver. Molière não somente se utilizava dos trabalhos de Corneille, mas também de Cyrano, de Tristan, d’Hermite, etc. Como ator eram grandes suas qualidades, mas nada saberia fazer com uma pena. Examine-se cada obra de Molière, e por toda a parte aparece por detrás a face de Cornielle. Segundo o autor, Cornielle se silenciou porque tinha necessidade de dinheiro e era costume daqueles tempos que o ator afirmasse com seu nome as obras compradas dos autores. (p. 8) Escritores de Província. Respondendo a um artigo publicado na revista “Afluente” que chama de indiferentes para com o provincianos os escritores da metrópole, Tentativa argumenta que a não ser um injustificável complexo de inferioridade e provincianismo, nenhuma “terrível barreira de indiferentismo daqueles que vivem na metrópole “tenta suster a carreira literária brilhante dos verdadeiros valores novos da Província. (p. 12) FRANCE, Sylvain. “Letras de França”. O centro Psiquiátrico de Sainte-Anne, em Paris, organiza uma exposição internacional de trabalhos de


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doentes mentais. O artigo comenta que algumas dessas obras orgulhariam qualquer dos nossos mestres. Se a genialidade é uma forma de loucura, se a distância que separa o louco do gênio é tão imponderável, então seria preciso encerrar em um asilo de doentes mentais todo o artista que sai da rotina habitual dos acadêmicos que enchem as galerias de arte. O artigo comenta também que Anvers, Na Bélgica organizou uma exposição internacional de escultura de 1900 à 1950 ao ar livre, em um parque da cidade. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 3, n. 12, fevereiro de 1951. MARTINS, Ibiapaba. “O realismo socialista e a grande mentira do século”. O autor cita Alexandre Fadeyev, autor de “A jovem guarda” e, à época, secretário geral da União dos Escritores Soviéticos que define o realismo socialista como a representação verídica da vida em sua evolução. É a capacidade de ver no dia de hoje os dias de amanhã. É o reconhecimento do papel da literatura como educadora do povo no espírito do socialismo”. Embora tenha surgido na União Soviética, integram suas fileiras Howard Fast, nos EUA, Aragon, na França, Wanda Wassilevska na Polônia e Portinari no Brasil. O novo realismo não se confunde com o velho realismo de Flaubert ou o naturalismo de Zola. Flaubert afirmava expor as coisas tais como lhe apareciam a exprimir aquilo que lhe parecesse verdadeiro. Mas, segundo o autor, quando Flaubert falava assim já se contradizia porque aquilo lhe parecia verdadeiro era justamente aquilo em favor do que tomava partido. Segundo ele, não há arte partidária assim como não há democracia pura ou política acima das classes. O realismo socialista exige o mais perfeito conhecimento da realidade por parte do escritor ou do artista. Não colide com a ciência. Exige capacidade de percepção para o novo e, portanto, não está em choque com a realidade histórica. O escritor realista dos nosso dias difere dos artistas do século passado porque os sonhos destes não se assentam na realidade histórica. Eram sonhos utópicos e, eles próprios, românticos idealistas. Os elementos de romantismo do realismo socialista, mostram aos leitores que os sonhos de hoje serão realidade amanhã porque o artista que criou o quadro ou escreveu o livro


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estava armado com a ideologia que o ensina a ver as forças impulsionadoras da vida social. Um intelectual honesto não poderá permanecer de braços cruzados em face dos provocadores de guerra. A função específica do artista e dos escritores é dar forma artística aos anseios das forças que lutam para construir um mundo melhor. Os poetas que se comovem ante rosas que murcham são geralmente os que permanecem de braços cruzados e ouvidos surdos quando milhões de homens morrem de fome. Procedem dessa forma porque não querem misturar arte e política. Não pretendem fazer da arte um instrumento da política, confundi-la com a propaganda. São os adeptos da “arte pura”, essa grande mentira e como tais não toleram o realismo socialista, ou seja, a arte partidária. (p. 3) STIEL, Roberto Corrêa. “O cinema e a política”. O artigo comenta que o cinema é uma arma poderosa para a orientação dos povos. Não ignorando o seu valor é que muitos países, principalmente os de regime totalitário, tem-no usado largamente como arma de propaganda e difusão de ideais políticos. Todavia, desviado de sua finalidade comum, o filme deve encerrar a necessária dose artística que o distinguirá dos demais fazendo com que ocupe lugar de destaque mesmo apesar do fim com que foi realizado. O autor cita como exemplo o filme russo “O encouraçado Potemkim”. (p. 4) Política e arte dirigida. Neste artigo o autor comenta que de algum tempo para cá, a tese da arte participante vem sendo defendida, por adeptos de certa ideologia, com argumentos absurdos, que torcendo os fatos objetivos que cercam o assunto, visam utilizá-la como arma de divulgação panfletária de seus princípios, e meio para consecução de fins absolutamente políticos. Segundo ele, estabelecer um dirigismo no ato da criação, será negar a própria liberdade da qual ela tanto depende, e pela qual tanto se caracteriza. (p. 12)

Jornal Tentativa ano 3, n. 13, maio de 1951


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SIQUEIRA, Cyro - Cinema arte “Huston, a corrupção e o ritmo”. O autor faz uma pequena biografia de John Huston destacando as qualidades de alguns de seus filmes (p. 3) LUCAS, Fábio “Três tópicos de uma poesia” Falando sobre a poesia de Wilson de Figueiredo, o autor a classifica como “o condor do modernismo”, ou seja, uma poesia arrebatada, impregnada de chispas, relampejante, repleta de metáforas que se cruzam como golpes de esgrimas de versos longos, cujas que se encandeiam num crescendo de emoção; “o canto de cristal” por ser uma poesia arquitetural, feita de vitrais, de cristais em losangos, cujas arestas ferem, tocam nas chagas mais intimas do Homem; e salienta a corrupção de amor do poeta para quem o amor é o de quem rememora, um amor perfeito, sublime, que ele busca obstinadamente no passado, criado como um mito, no desejo de perfeição e de suprema pureza (p. 5) ÁVILA, Affonso - “Poesia em Retrospecto”. O autor chama a atenção para alguns poetas da safra de 38 como Oneyda Alvarenga e Henriqueta Lisboa cujas obras se destacam em seu tempo e Vinícius de Moraes que embora elogiado pela crítica apresenta momentos questionáveis em sua poesia (p. 8) FRANCE,Sylvan “Letras de França - A Dança na Arte”. O correspondente destaca o trabalho de Jean Toth que reproduz dentro das limitações do lápis e de algumas cores, a dança em todas as suas expressões, Desde 1930 o referido artista absorve e procura fixar na tela a dança, em toda a sua complexidade, folclórica ou clássica (p. 2)

4.2.4.10. COMENTÁRIO

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2,junho de 1949. “Homem e letras”. Em um breve comentário o artigo destaca: o aparecimento do Jornal Tentativa; a colaboração de Otto Maria Caplaux neste; a atuação de José Geraldo Vieira enquanto presidente no “Recital dos poetas


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novíssimos”; a carência de críticos nos meios literários; e o papel de Tentativa, um jornal que saído de uma pequena cidade (Atibaia) quer se libertar de um complexo de estreiteza e provincianismo. (p. 2) “O livro e as novas tarifas do Reembolso Postal”. O artigo instiga uma reação contra o aumento de 600% nas tarifas postais o que dificulta que a população do interior adquira de maneira fácil e econômica, as obras de que necessitam para sua leitura. (p. 8) “Poesia de Minas”. O artigo tem por objetivo prestar homenagem à poesia e à literatura mineira através de três de seus valores mais expressivos: Henriqueta Lisboa, com o poema “Na morte”; Alphonsus de Guimaraens Filho, com o poema “Os ventos” e Bueno de Rivera, com a poesia “Augusto e seu caminhão”. (p. 6) “Publicações literárias do Brasil”. Considerando o aparecimento de um número surpreendente de publicações especializadas em letras e artes, o artigo destaca a descentralização dos grupos literários, agora não mais circunscritos às grandes capitais e a necessidade de cooperação para que haja um intercâmbio entre os escritores. Com esse fim, cita uma lista de endereços dessas publicações. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. REVISÃO DE VALORES. A redação “critica” esse proposto afirmando que embora Mário de Andrade, Carlos Drummond ou Graciliano Ramos apresentem defeitos em suas obras, eles nos legaram uma obra, desbravaram um caminho, apontaram um rumo que a nós compete ultrapassar; apontamos suas falhas e analisamos sua obra; será justo e recomendável. Mas, atacá-los com piadas e caricaturas revela uma disposição contraproducente e inútil (p. 12)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 4, outubro de 1949. PASCAL, Matias. “Quebra-quebra mirim”. Na semana comemorativa dos novíssimos foram expostos os desenhos do sr. Darcy Penteado, inspirados


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nas mais finas convicções homossexuais em voga. Alguns rapazes apedrejam a exposição. Conferências de José Geraldo Vieira, Murilo Mendes, Ledo Ivo, Wilson Martins, Edgar Braga e Domingos Carvalho da Silva. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 2, n.6, fevereiro de 1950. “Esclarecimento”. Neste artigo os editores tentam definir sua posição política e literária. Quanto aquela afirmam que não a possuem, estão dispostos a lutar contra todas as injustiças sociais, porém dentro do mais duro realismo e sem a mínima ilusão. Quanto à posição literária afirmam que seus diretores (de Tentativa) possuem seus rumos estéticos, preferências e idiossincrasias literárias. Mas, agindo na direção do jornal, abdicam de qualquer parcialidade consciente, aceitando colaborações de todas as tendências, desde que revelem uma pesquisa sincera e honesta. (p. 1)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. “Fala Guignard - Artes Plásticas em Minas Gerais”. Falando sobre as relações entre os artistas modernos e o público mineiro, Guinard comenta que certa camada, naturalmente não concorda com os “modernistas”, mas a porcentagem é tão mínima que não se nota reação nenhuma dos mesmos. Com respeito ao problema da arte figurativa x arte abstrata destaca que, sendo a arte abstrata uma tendência mais avançada, existem de fato elementos que se interessam em realizá-la. Mas parece que os artistas ainda estão mais para o lado da arte figurativa. (p. 5)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950. “O que se publica em Portugal”. Foi publicado o sétimo número do jornal de poesia “Távola Redonda”, dirigido por Antonio Manuel Couto Viana, David Mourão - Ferreira e Luiz de Macedo. Serão publicados “Se o silêncio


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viesse...” de Luís de Macedo e a “Secreta Viagem” de David Mourão Ferreira. Jorge de Sena publicará “Pedra Filosofal”, Antonio de Souza publicou “Livro de Bordo”, Ferreira de Castro publicou suas Obras completas e “A curva da estrada”. Para a próxima temporada são anunciados os livros “Retrato com sombra” de Eugenio de Andrade, um volume de poesias de Fernando Namora e outro de Natércia Freire. Adolfo Casais Monteiro trabalha num estudo acerca de “Balzac” e Rainer - Maria rilke publicou “Cartas a um poeta”. (p. 10)


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4.2.4.11. ANÚNCIO

Jornal Tentativa. ano 1, n. 2, junho de 1949. “Ângulo e Face”. Anúncio do lançamento do primeiro livro de poemas de André G. Carneiro, “Ângulo e Face”, editado pelo Clube da Poesia de São Paulo. (p. 8)

Jornal Tentativa. ano 1, n. 3, agosto de 1949. PAULO SÉRGIO. Anúncio de sua morte. (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 7, abril de 1950. Anúncio dos livros “Cantigas da Rua Escura” de Luiz Martins, “A Ladeira da Memória” de José Geraldo Vieira, “A Mensagem” de Alberto Montalvão, “J’ai choisi la poesie” coletânea de poemas de 27 poetas franceses, “Alfeu e Aretesa” de Maria de Lourdes Teixeira, “Província” de Motta Alves Sobrinho, “Azul e Branco” de José V. Rodrigues, “Morada de Paz” de Jorge Medauar e “Centauro” de Francisco M. Cabral. (p. 11) “Cartas de Marear”. Estréia de Donozor Lino no panorama da poesia brasileira. (p. 8) “Colaborações Pagas”. Maiores detalhes sobre essa iniciativa de Tentativa. (p. 8) “Clube do Cinema”. Um grupo de pessoas sob o patrocínio de Tentativa pretende fundar um Clube de Cinema em Atibaia. (p. 8)


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Jornal Tentativa. ano 2, n. 8, junho de 1950. “Livros Recebidos”. A face perdida, Cassiano Ricardo; Um poeta atôa, Antonio Pinto de Medeiros, Poesias, José P. M. da Fonseca; Arte-manhã, Octávio Mello Alvarenga; Auto do Possesso, Haroldo de Campos; Introdução ao Estudo do Ritmo da Poesia Modernista, Domingos C. da Silva; Dádiva, Luis Amaro; As mãos e os frutos, Eugênio de Andrade; Rio Infindável, Natércia Freire; Cabo da Boa Esperança, Sebastião da Gama; Visão incompleta de meio século de literatura portuguesa, José Osório de Oliveira; Exegese da Ação, Vicente Ferreira da Silva; O romance e os seus problemas, Adolfo Casais Monteiro; O cruzeiro tem cinco estrelas, Fran Martins; Um pingo no mapa, Cesar Arruda Castanho; Fora da vida, Vasconcelos Maia; Crise dos partidos nacionais, Orlando M. Carvalho; Chamado do mar, James Amado; Eternidade da Rosa , Marco A. M. Matos; Novos Poemas, Antonio Girão Barroso; O Anjo, Eduardo Campos, Mayra, Ursulino Leão; Gota no Rio, Antonieta D. M. Silva; Três estético, Carlos Burlamaqui Kopke. (p. 10) “Publicações Recebidas”. Portucale (Portugal); O Primeiro de Janeiro, suplemento literário Das Artes, das Letras (Portugal); diário Popular (Portugal); Távola Redonda (Portugal); Seara Nova (Portugal); Leitura (Rio de Janeiro); Letras da Província (Limeira, SP); Nordeste (Recife, PE); Trópico (São Paulo); Pilotis (São Paulo); José (Fortaleza, CE); Cadernos da Bahia (Salvador, BA); Bando (Natal, RN); Esfera (Rio de Janeiro). (p. 2)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 9, agosto de 1950. “I Congresso Brasileiro de Clubes de Cinema”. Este congresso culminou com a fundação da Federação de Clubes de Cinema do Brasil. Vale destacar a participação nesse congresso de Dulce G. Carneiro como 2º secretário e representante do Clube do Cinema de Atibaia. (p. 11) “Livros Recebidos”. Paisagem dos livros, Abdias Lima, A toca do lobo - romance, Tomaz de Figueiredo; Carta, Tomaz de Figueiredo; O precursor, Adelino Magalhães; Problemas de Finanças Municipais, Milton Improta; Poemas da eterna caminhada, Paulo Sérgio; Cartas a um poeta, Rainer Maria Rilke; Em cada instante cabe o mundo, Armindo Rodrigues-poemas; Os melhores contos portugueses, As mais belas liras portuguesas, Líricas Portuguesas,


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Tântalo, Américo Durão; Lâmpada de Argila, A. Durão; Do vôo e da vida, Lindberg; Perfil de Goethe, Pedro de A. Moura; Livro de Sonetos, Jorge de Lima; Poemas de câmara, José Escobar; Sombra e exílio, Valdomiro Autran Dourado; Os filhos não têm culpa, Antonio Pousada, Elegia a um poeta morto e Primeiro dia, Reynaldo Bairão. (p. 9) “Publicações Recebidas”. Letras da Província; Investigações; Artes e Letras, suplemento do correio popular - Campinas; Trópico; Tribuna; Palmeiras; Comissão Nacional de Folclore; Jornal de Caruaru; Oasis (Florianópolis); Pioneira (Presidente Venceslau); Arte e Letras - Suplemento Correio Popular _ Campinas; Palmeiras (Campinas); Jornal de Música (Marília); Letra Fluminenses (Niterói), La Revue Littéraire & Artistique (Paris), “Suprême Dieu” poemas de Marcel Farges. (p. 9)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 10, outubro de 1950 O mundo dos outros, José Gomes Ferreira; Mudança, Virgílio Ferreira; Luiz de Camões - Fabuloso, Verdadeiro, Aquilino Ribeiro (todo os títulos foram lançados em Potugal). (p. 4) Permanência e Tempo, de Cesar Mêmolo Jr. (p. 10)

Jornal Tentativa. ano 2, n. 11, dezembro de 1950 “Livros Recebidos”. Um homem na neblina, Egito Gonçalves; Germinal, Cítara; Esfera, Fernando Guedes; Inquietação, Vasco de Araújo Ogando; O cão sem plumas, João Cabral de Melo Neto, Luz Distante, Joster Malta; Mudança, Vergílio Ferreira; A janela noturna, Expedito Pereira. (p. 11) “Publicações Recebidas”. Jornal de Música (Marília, SP), The Cultura Magazine (São Paulo), Ângulos (Bahia, Salvador), Trópico (São Paulo), Mensageiro do Lar da Criança (Rio de Janeiro), Jornal dos Novos (Caruaru, Pernambuco), O Arauto (Cuiabá), Correio dos Açores (Açores - Portugal), Boletim do foto-cine Clube Bandeirantes (São Paulo), Letras da Província (Limeira, SP), S. P. Rumos (Lajes, SC), Jornal do Povo (Ponto Nova, MG), São José dos Campos (S. J. dos Campos, SP), Correio das Artes (João Pessoa, Paraíba), La Gazzeta Italiana (São Paulo). (p. 11)


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4.5. BIBLIOGRAFIA SOBRE O JORNAL TENTATIVA Os títulos aqui relacionados englobam textos que citam textualmente o Jornal Tentativa. Alguns desses textos abordam criticamente a suas publicações, outros situam-no como veículo de duvulgação da Geração de 45 , e outros ainda, fazem referências apenas ao desempenho do jornal no contexto literário dos primeiros anos da década de cinqüenta. Trata-se, portanto, de uma lista de referências ou bibliografia sinalética que visa apenas tornar conhecida a bibliografia sobre o jornal e oferecer subsídios a outros pesquisadores interessados pela poesia e pela crítica da Geração de 45. O material listado corresponde a tudo o que conseguimos sistematizar até o momento, mas pelo volume do material encontrado, acreditamos que muitos textos ainda se ocultam. O maior obstáculo para um estudo eficaz sobre os poetas da Geração de 45 é sem dúvida a dificuldade de acesso à bibliografia, pois a maior parte dela se encontra em jornais das décadas de 40 e 50. Cabe assinalar ainda que além da falta de estudos específicos e aprofundados sobre o período, o material existente não mereceu, ainda, nenhuma sistematização adequada. A bibliografia por nós elencada tem por objetivo, senão de atuar no contexto abrangente da Geração de 45, pelo menos oferecer uma relação de textos que abram caminho para outras pesquisas sobre o assunto. Brasilitas e Tentativa. Letras e Artes. Rio de Janeiro, 6, 2, 1949. Tentativa. Pela Imprensa. Bragança, 13, 4, 1949. A Entrevista Dominical: Oswald de Andrade - O Batalhador. Folha de São Paulo. São Paulo, 26, 2, 1950. A Literatura Brasileira e a sua repercusão no mundo..Diário de Salvador. Bahia, 25, 126, 1949. A Tríade Moça de Atibaia..Bragança Jornal. Bragança Paulista, 18, 6, 1949. Artes e Letras em Atibaia. Correio Popular. Campinas, 25, 09, 1949. Artes e Letras. Correio Popular. Campinas, 12, 6, 1949. BARROSO, Antonio Girão. Tentativa. Correio do Ceará. Ceará, 20, 3, 1950. Café da manhã.. A manhã. Rio de Janeiro, 5, 6, 1949. Conversas com os Jovens. Diário de São Paulo. São Paulo, 19, 8, 1949. Correio de São Carlos.São Carlos, 12, 6, 1949.


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Crimes contra a beleza e o bom senso. A gazeta. São Paulo, agosto, 1949. Flagrantes. Correio da Manhã. São Paulo, 04, 9, 1949. Folhas Literárias. O Estado de São de Paulo. São Paulo, 5, 11, 1952. Jornal Literário. Estado de São Paulo. São Paulo, 6, 4, 1949. Jornal Notícias. São Paulo, 5, 12, 1948. MIRANDA, José Tavares. .Autores e Livros - Jornal de São Paulo. São Paulo, 30, 9, 1949. Mosaico. Folha da Manhã. São Paulo, 10, 6, 1949. O destino dos periódicos Literários. Jornal de Letras. São Paulo, julho, 1952. Os novíssimos..Diário de São Paulo. São Paulo, 29, 05, 1949. Os tramites Legais. Quincas Borba. São Paulo, outubro, 1949. Pequena Antologia de Juó Bananére. Letras e Artes. São Paulo, 11, 9, 1949. Presença dos novíssimos. O Estadão de São Paulo. São Paulo, 30, 7, 1949. Publicações dos novos. A cigarra Magazine. São Paulo, 6, 1949. SILVEIRA, Alcantara Letras e Artes. São Paulo, 8, 5, 1949. SILVEIRA, Alcantara Tentativa dá exemplo. São Paulo nas Letras e Artes. São Paulo, 12, 3, 950. Suplemento Literário. Diário de Minas.Belo Horizonte, 09, 10, 1949. Suplemento Literário. Letras e Artes. São Paulo, 12, 6, 1949. Tentativa alcançou um êxito que superou nossa expectativa. Folha da Manhã. São Paulo, 12, 1950. Tentativa Feliz. O Atibaiense. Atibaia, 12, 2, 1950. Tentativa nº 03.São Paulo nas Letras e Artes. São Paulo, 14, 8, 1949. Tentativa. Diário de Pernambuco. Recife, 4, 12, 1949. Tentativa. Folha da Manhã. São Paulo, 14, 4, 1949. Tentativa. Gazeta de Atibaia. Atibaia, 3, 4, 1949. Tentativa. Jornal de Notícias. São Paulo, 4, 6, 1949. Tentativa. Jornal do Correio. Recife, 29, 5, 1949. Tentativa. Letras da Pronvíncia.Limeira, 5/6, 1949. Tentativa. Letras e Artes. Atibaia, 17, 4, 1949. Tentativa. Letras e Artes. São Paulo, 12, 6, 1949. Tentativa. Letras e Artes. São Paulo, 12, 6, 1949. Tentativa. Radar. São Paulo, 17, 5, 1949. Tentativa. Revista Bando nº XII. Natal/RN. Três Malucos de Atibaia. Jornal de Notícias. São Paulo, 05, 6, 1949. Uma geração em flor. Letras e Artes. São Paulo, 5, 6, 1949. Vida Breve e Gloriosa dos Jornais Literários do interior do Estado. Diário de São Paulo. São Paulo, 10, 6, 1952.


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5. BIBLIOGRAFIA GERAL CONSULTADA - TEXTOS TEÓRICOS, OBRAS DE REFERÊNCIA E ARTIGOS CIENTÍFICOS E / OU JORNALÍSTICOS AGUIAR e SILVA, Vítor Manuel de - Teoria da Literatura. 2 ed. rev. Coimbra: Almedina, 1969. ALONSO, Amado - Materia y forma en poesía. 3 ed. Madrid: Gredos, 1986. ALONSO, Dámaso - Poesia española: Ensayo de metodos y limites estilísticos. 5 ed. Madrid: Gredos, 1971. ___- Poesia espanhola: Ensaio de métodos e limites estilísticos. Trad. Darcy Damasceno . Rio de Janeiro: INL, 1960. ANDRADE, Carlos Drummond de - Poesia completa e prosa. 4 ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1973. ANDRADE, Mário de - Aspectos da literatura brasileira. São Paulo: Martins Fontes [s.d.] AMORA, Antônio Soares - História da literatura brasileira. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 1977. ARISTÓTELES - Arte poética In: Arte retórica e Arte poética. Trad. Antônio Pinto de Carvalho. Rio de Janeiro: Tecnoprint [s.d.]

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Cartografia do Jornal Literário Tentativa  

Pesquisa de Osvaldo Duarte

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