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CONCURSO DE DESENHO - BRAHNAC CENA 1: SONHO (CAPÍTULO 1)

A lua parecia imensa no céu. Cheia. De brilho intenso. Límpida. Inebriante. Difícil deixar de observá-la. Parecia que sua órbita se deslocara e a Terra, em toda a sua magnitude, a tivesse atraído a uma distância mínima, sobrepujando os 384.405 quilômetros que separam os dois corpos celestes. A imagem era linda, mas ao mesmo tempo assustadora. A fascinação que este astro causa é milenar. A história traz relatos acerca de sua beleza, seu encanto sobre os seres humanos e sua manifestação sutil, porém real, na natureza. Fatos que afetam o imaginário. Olhá-la chegava a doer. Inesperadamente a visão ficou turva. Não, a lua ficou turva. Uma imensa auréola vermelha circundou-a. Sua intensidade luminosa diminuía, mas parecia latejante. Algo terrível estava por vir. Dava para sentir. O pânico crescendo como um animal a devorar suas entranhas. Ela observava aturdida, aterrorizada. Não entendia o que estava acontecendo. Sua mente vagava; o subconsciente alertando-a para procurar abrigo, dando-lhe sinais de que era melhor se proteger. Mas ela não conseguia se mover. Suas pernas pareciam presas ao solo como se tivessem criado raízes. Seu corpo estava imóvel, rígido. Sua mente gritava, mas seu corpo não respondia ao comando. Nenhum som saía de sua garganta, preso sob um nó quente que ardia, fazendo seu peito doer abafado, sem deixar ar suficiente entrar para inflar seus pulmões. Parecia que iria desfalecer diante da lua. Seus olhos estavam fixos à transformação que esta sofria. Ganhava agora tons acinzentados misturados a um acobreado, e a auréola vermelha ficava cada vez mais intensa. Suava frio, congelada em sua posição de única espectadora. De repente a lua inflou como um balão prestes a explodir. E, tão rápido quanto inchou, houve um estrondo ensurdecedor como se suas camadas internas tivessem se rompido e procurassem fissuras para se expor. Houve então uma grande eclosão, parecendo ter sido dinamitada com vários megatons de potência. Fragmentos capturados pelo campo gravitacional da Terra mergulharam em direção

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ao solo provocando uma chuva flamejante de meteoritos, culminando em impactos profundos. Ela permanecia ali, imóvel, apavorada o bastante para entrar em uma espécie de estado catatônico, enquanto presenciava aquele ininterrupto rompimento sem que nada pudesse ou conseguisse fazer, sem compreender o que acontecia. De modo surpreendente o improvável, surreal aconteceu. Incrédula, ela via algo escapar da lua. Em meio às explosões surgiram corpos alados em fuga. Anjos e demônios lutavam tentando deixar o inferno que se formara em proporções avassaladoras. (...)

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Cena 1 - Sonho