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Edição 1 | 2011


ANรšNCIO

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EDITORIAL

OS PROPÓSITOS DA DIFUSÃO DO CONHECIMENTO “Sabedoria, antes de tudo, adquire sabedoria. Em troca de tudo o que possuis, adquire inteligência.” (Provérbios 4:7) “Pelo contrário, a virtude da alma é o conhecimento. Porque quem conhece é bom e piedoso e, logo, divino.” (Ensinamentos de Hermes Trimegistus a Asclépios) “Ele é a fonte de luz em todos os objetos luminosos Ele está além da obscuridade da matéria e é o Não-Manifestado. Ele é o Conhecimento, o objeto do Conhecimento e a meta do Conhecimento. Ele está situado no coração de cada um.” (Bhagavad-Gita, 13) “A Sabedoria, porém, que vem de cima é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidades nem hipocrisias. E o fruto da justiça se semeia em paz para aqueles que praticam a paz.” (Epístola de Tiago, 3:17-18) “(...) Quem toma conta presta conta no romper da madrugada.” (Trecho de curimba de fundamento da Sagrada Lei de Umbanda)

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rmãos Semeadores de todas as crenças, filosofias e etnias; de todos os tempos, de sinceras aspirações e misteriosa Unidade de Propósitos, Saudações Sacerdotais no mais amplo espírito de fraternidade e universalidade!

aquilo que amorosamente guardamos durante a “noite”, e que nos foi transmitido por aqueles que sabem. Nossa intenção não é fazer proselitismo ou apresentar uma nova visão dogmática, supondo presunçosamente REVELAR UMA VERDADE. E sim, difundir o conhecimento obedecendo à injunção do Mestre Espiritual a Quem “prestaremos conta no romper da madrugada”. Como nos ilumina o Pai-Velho Rei Congo de Aruanda: “A grande alegria de um mestre é ver que o aluno, que o estudante esta levando a sabedoria a outros, e outros estão se beneficiando disto. Há um grande plano para o mundo, para que aqueles que despertaram para a natureza divina de alguma forma possam servir e preparar outros para uma existência mais plena (...)” Rogamos sinceramente a Deus que estes ensinamentos tragam felicidade e paz a mente e mantenha acesa a aspiração dos autênticos Buscadores da Verdade. No ventre da Divina Mãe Umbanda, fomos gerados graças à semente de nosso Pai. Nossa Santa Mãe nos criou para a vida, para as Verdades Eternas e Universais, além das fronteiras do dogma e do sectarismo. Esperamos que os nossos leitores apreciem, assim como nós, as DÁDIVAS DE AMOR DA SENHORA DA LUZ VELADA!

A revista O Velador surge como um apelo irresistível de dividirmos com você, querido leitor, as sementes de luz de 20 anos de jornada espiritual, inscritas no misterioso triângulo do labor em que cada vértice aponta para uma “luminosidade”: a luz do Serviço, do Estudo e da Meditação. Entendemos que a Sabedoria Arcana é como o Espírito, pois “sopra onde quer” e flui como resultado natural da expansão de nossas consciências. O Velador nos inspira um olhar acurado para aquilo que é mais precioso - A Sabedoria secreta do Eu - aquele Conhecimento que é capaz de transformar o Conhecedor. Velar é acender uma Luz ou manter com zelo aquilo que nos foi ofertado, pois: “Quem Toma conta, presta conta no ROMPER DA MADRUGADA” que representa a AURORA DO DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL. Como louva o Rei Davi em um inspirado BENDITA E LOUVADA SEJA A UMBANDA! salmo: “Minha alma espera pelo senhor como o vigia FRATERNALMENTE, RAMANANDA. pela aurora.” E é na radiância deste novo “dia” que apresentaremos

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Propósito do CESL Edição 1 | 2011

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Coordenação e Supervisão: Leonardo Campello Editor: Marcelo Prazeres Colaboração: Equipe CESL Assinaturas: ovelador@semeadoresdaluz.com.br www.semeadoresdaluz.com.br

Freguesia - Ilha do Governador

Facebook: Semeadores da Luz

Rio de Janeiro - RJ

Twitter: semeadoresdaluz

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Rua Jarinú, 125

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(21)2466-9769


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omo espiritualistas, sabedores da Eternidade da Alma e da inexistência do acaso, contaremos dentro da visão de um idealista e que isso fique registrado na memória do leitor, a história da constituição e fundação de nossa amada Casa Espiritual. Misticamente, a fundação de nossa Casa representa a encarnação de nossa Egrégora, que encontra na união de propósitos de nós, encarnados, os alicerces nos quais o Templo Espiritual é edificado no plano das formas. Logo, a história cronológica é um pálido reflexo da Imagem Original, a Imago Dei, a História Real, da qual a nossa é pequeno fragmento, mas de grandeza e significados impossíveis de avaliar para cada um de nós. Como a Lei dos Ciclos e Renascimentos, eu, Leonardo, e dois novos e velhos amigos, Elisandra e Marcelo, havíamos de algum tempo nos reencontrado e servíamos no seio de uma autêntica Ordem Tradicional e Iniciática – A Ordem Rosacruz (AMORC), que perpetua os princípios da Tradição Primordial, tendo suas raízes formais estabelecidas nas Antigas Escolas de Mistério Egípcios. Foi neste solo sagrado, em um de seus organismos afiliados, a loja Rosacruz – Ilha do Governador – que motivados pelo ímpeto da alma decidimos estudar com sinceridade o que nós considerávamos a Religião Racial, arquetípica do povo brasileiro, a Umbanda. As disposições internas eram diversas: eu era movido pelo desejo de conhecer, pois freqüentava um Centro de Umbanda Esotérica, a Casa Francisco de Assis, na zona sul do Rio de Janeiro; Elisandra, buscadora incansável, tentava a compreensão dos estranhos fenômenos, estranhamente atrativos; e Marcelo, nosso atual presidente e irmão, não podia deixar de estar, é bem verdade, sem saber por quê... Pois, naqueles dias, sua única certeza era: “eu não nasci para o Espiritismo”. Era um místico Rosacruz, um sonhador, no que esta palavra tem de melhor e mais nobre. No entanto, algo nos atraia imperiosamente para o encontro. Os Mestres, de acordo com o posicionamento astrológico adequado, decretaram que seria naquele sábado pela manhã, 4 de janeiro de 1991, há 11 anos passados. No dia mágico, utilizando o recurso mediúnico de incorporação, aquele caboclo de luz, Sr. Urubizara, travestido naquela forma fluídica que ocultava sua grandeza, nos preservando da vaidade (já soberana) afirmou: “O Alto há muito esperava por esse momento...”, “Aquele momento”, que teve então, seus desdobramentos, mas isto é outra parte da história. Mas está gravado: 4 de janeiro de 1991 – A Encarnação da Sangha, os alicerces foram preparados e as sementes aguardam o preparo do campo...

Uma História de Luz

O Reencontro

(Continua na próxima edição)

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Mensagem de Luz

Semeadores da Luz – Templo Universalista de Fundamentos Iniciáticos de Umbanda

por Lalita Kishor

“ A

minha casa é a Casa de todas as religiões, de todos os princípios da moral superior. É a Casa de todos os deuses que constituem o único Deus. É a Casa de todas as filosofias que constituem a única filosofia – é a filosofia do amor e do bom entendimento das coisas divinas (...)” Vovô Rei Congo de Aruanda

A definição de nosso amado mentor espiritual sintetiza e conceitua o que é o Centro Espiritualista Semeadores da Luz. Sabemos que uma Casa Espiritual de raiz iniciática, é na verdade a encarnação nos planos da forma de nossa Egrégora Ancestral. Esta linhagem, nossa sampradaya, é a RAIZ DE CONGO, que traz um caráter essencialmente místico, iniciático e universalista. Este insigne mentor que tem sua mente estabelecida nos elevados planos da Aruanda Celeste (os planos devachânicos da Teosofia), juntamente com o Sr. URUBIZARA e o CABOCLO GUARACY DA SUCURI-JIBÓIA estabeleceram os fundamentos e alicerces de uma Umbanda Mística e Iniciática, nos quais Deus, o Absoluto, é o objetivo principal e o Sendeiro Iniciático é o meio para se alcançar este fim.

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Porém, precisamos entender dois conceitos preciosos que são: Universalista e Iniciático, pois eles são confundidos na literatura corrente, trazendo assim uma compreensão equivocada nas mentes dos sinceros buscadores da Verdade. Universalismo não é o caminho da magia, nem mesmo o da Psicurgia ou o da Teurgia, porém todos são caminhos de poder, mas o verdadeiro caminho iniciático – universalista e um caminho interno de Ascese Mística, um caminho de Sabedoria e Amor. Também não é um caminho religioso, contudo é o caminho da verdadeira Religiosidade. Pois, religião é diferente de religiosidade. Religião é forma, é exoterismo, é culto externo; já Religiosidade é essência, é esoterismo, é culto interno. Ou seja, nem sempre um religioso tem religiosidade, mas quem tem religiosidade é um autêntico religioso. Ser Universalista é fugir de dois impostores que são: o sectarismo e o sincretismo. Ser Sectário é cristalizar a mente, é tornar-se fanático, por acreditar de forma presunçosa e infantil que o seu caminho espiritual é o único caminho e a única verdade. Que a forma de Deus escolhida para ser adorada (a ISHTA DEVATA, hindu) é a mais elevada e a mais transcendental. É desenvolver dois tipos de mentalidades baseadas na mundaneidade. A Mentalidade Abutre que se alimenta dos despojos, erros e falhas de outras filosofias e religiões. É a mentalidade que para se firmar, necessita desvalorizar e desqualificar a outra, transformando deuses em demônios, virtudes em defeitos, almas humanas em pecadoras, salvos eternamente ou condenados eternamente. A outra mentalidade é a Orgulhosa, ou a Mentalidade Pavão, que já não ataca acintosamente outras crenças diferentes da sua, porém supervaloriza sua crença, usando epítetos que, na verdade só alimentam o orgulho e a vaidade como: a mais pura, a mais transcendental, a mais elevada, a mais mística, a mais tradicional, a mais universal, a principal, etc. O problema desta mentalidade é que ela é geradora de fanatismo e sectarismo, colocando um peso grande demais nos ombros das almas que são simplesmente humanas... Reafirmar o seu valor é estar inseguro na vivência da sua religiosidade. Porém, a Mentalidade do Camaleão, é a verdadeira Mente Universalista, já amadurecida para a vivência de uma religiosidade profunda e autêntica. Esta mentalidade não ataca e não se ufana, ela basta por si mesma, trazendo então paz e serenidade para a mente que alcançou este estágio. O camaleão foi usado como símbolo pela capacidade de mimetizar-se com seu ambiente, adquirindo suas características e assim interagindo e se adaptando com perfeição no contato com as mais diversas crenças e opiniões, sem por isso deixar de ter a sua própria. Ou seja, mimetizar-se não significa deixar de ser um camaleão. Pelo contrário, somente um ego amadurecido é capaz de se adaptar sem se confundir e se perder. Este

animal consagrado a Oxalá tem duas outras características importantes: sua imobilidade e sua capacidade ocular de ver em várias direções. Estas características nos ensinam que a Mentalidade Camaleão caracteriza uma mente centrada e firme na busca de seus propósitos, com capacidade de perceber a essência por trás dos múltiplos fenômenos. O outro impostor além do sectarismo é o Sincretismo, a mistura de crenças, símbolos e conceitos, por acreditar que a busca da Unidade é a unificação das formas. Porém a busca da unidade é a revelação da essência. E é no respeito às diferenças que podemos manifestar o verdadeiro universalismo. É valorizando a outra crença, é compreendendo seus símbolos, é reverenciando suas Formas Divinas que o Espírito Universal se manifestará. Quando conseguirmos entrar em qualquer templo, e a Reverência e a Devoção brotarem em nossos corações é que alcançaremos a Mentalidade Universalista. Não é, amados irmãos, simplesmente aceitar e tolerar, acreditando que um dia aquele culto se transformará e será absorvido pela nossa filosofia e religião. É compreender que aquele culto, aquela filosofia cumpre um papel divino de auxilio as consciências obedecendo a propósitos e desígnios superiores que desconhecemos. É saber que cada religião, cada filosofia, tem um sentido oculto, que escapa a nossa compreensão, mas que é percebido por aquelas minorias que dignificaram sua crença.

A palavra sincretismo vem do grego que significa mistura, amalgamação para o surgimento de uma nova identidade. Ela surgiu quando os cretenses, “arquipélago grego”, tiveram que se unir para enfrentar invasores que ameaçavam suas terras. Esta união gerou força e assim os invasores foram derrotados. A necessidade gerou o sincretismo em momentos de crise e conflito. Porém não há inimigos a serem derrotados a não ser os que se encontram em nós mesmos. Em épocas de paz e compreensão a aceitação das diferenças é a proposta mais adequada. Pois como diz o Dalai Lama: “A melhor religião é aquela que nos transforma”. Fujamos, portanto destes dois impostores e que possamos compreender que Universalismo é diferente de sectarismo e de sincretismo. Esta é a proposta da Tradição Primordial e do Aumbhandan. Pois, a essência do Aumbhandan é o Universalismo, e a função de uma Casa Universalista e de seus membros é dignificar todas as religiões e filosofias,

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Mensagem de Luz

pois como Deus é o propósito, é preciso compreender que Ele está presente, o Bem-Amado, aguardando ser descoberto, num grande Lila (passatempo divino), pelas almas que o amam. Esta é outra característica importante da mente universalista, Ela ama a Deus. O culto e a devoção a Deus se perderam nas religiões que trabalham com a fenomenologia mediúnica. As almas infantis ficam extasiadas com os fogos de artifício do mediunismo e presas ao encanto da Magia. Uma Casa Universalista é um templo, onde Deus é amado e vivenciado como o motivo principal de sua existência e o mediunismo e a magia são apenas meios secundários para se alcançar a Divina Meta, o Encontro Divino, a Iluminação. Como diz o Caboclo Pena Branca, Orixá Menor e instrutor de nossa Casa de Luz:

“Buscar a santidade é missão de cada ser encarnado”. Porém, sabemos que os peregrinos na viagem da encarnação chegam à Casa de Luz, doentes, cansados e desanimados, foram contaminados pela doença da ignorância, do desejo e do apego, e só depois que receberem homeopaticamente as doses dos remédios: Serviço altruísta, Estudo (conhecimento das Leis Divinas) e da Meditação (sobre o Amor Divino e sobre as Verdades Eternas), é que essas almas então, farão as perguntas fundamentais: Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde vou? Quem me criou? Ai então, ela se questionará sobre Deus, depois buscará Deus, depois conhecerá Deus e então amará Deus. Propomos então, uma Umbanda Mística, ou seja, uma Umbanda com Deus resgatando através do sendeiro iniciático a Comunhão Cósmica, a Harmonização com o Deus Abscondito, ou seja, o Deus que habita o interior do coração do homem. Este é o nosso Dharma como um Semeador da Luz: “Que possamos levar a cada um, uma mensagem de amor e de confiança, do mais distante ao mais próximo. Levem, por favor, esse amor! Levem por favor essa mensagem!(...) Cativem os seus corações. Cativem os seus corações para Deus, porque só isso é o que importa. Este é o vosso trabalho. Traga-os para Deus, se esforcem nisto – este é o propósito. Depositem todos os vossos esforços de trazerem esses filhos para Deus. E por favor, levem essa benção! Sejam os mensageiros e plantem essa semente em vossos corações. Com amor, dedicação, muita coragem e alegria.” – Rei Congo de Aruanda. Lindo! Estas são as palavras deste Adepto da vibração de Yorimá que revelam a face de uma Umbanda com Deus e a missão dos verdadeiros filhos de fé que são devotos de Deus, Semeadores da Luz. Porém, surge um questionamento: qual a religião do Universalista? Qual o altar do Universalista? Sua religião

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são todas elas e nenhuma delas, seu altar são todos os altares e nenhum altar. Pois, para um uniersalista sua religião é o Sanatana-Dharma, a Religião Universal e o seu altar é o seu próprio coração, onde o Supremo, o Deus de Amor, habita e ali deve ser adorado; deve também ser oferecido um animal para ser sacrificado! Sim, alguns dizem que Umbanda não tem sacrifício de animais, mas isso não é de todo verdade, pois devemos sacrificar o animal do ego com o obé(1) do discernimento, e a alma que é o verdadeiro Axogum(2), ou sacerdote sacrificador, deve destrinchar o ego, separar as suas partes, liberar o Axé (a essência) para o Yao(3) (o eu espiritual) nasça e se liberte! Este é o único sacrifício, o verdadeiro MahaYajna(4), aceito pela Umbanda Mística. O Templo Universalista é o Universo, o Terreiro é a Mãe Terra, que deve ser adorada e respeitada em espírito e verdade. Logo, Umbanda é a Senhora dos Sete Véus, que esconde como Ísis a sua misteriosa face. O iniciado autêntico é


Os Sete Véus aquele que contemplou a face da Senhora dos Sete Véus. 1. O Véu do Universalismo >> somente a conquista de uma mentalidade universalista pode preparar a alma para o avanço no caminho iniciático;

2. O Véu da Devoção >> sem Amor a Deus, sem uma atitude de devoção, na qual Deus é o centro de nossa vida, permaneceremos presos a Roda de Sansara, de nascimentos e mortes. Como reza o ponto cantado: “Mamãe os seus filhos choram Não deixa seus filhos cair Se a volta do mundo È grande mamãe Não deixa seus filhos cair”.

*A volta do mundo, o ciclo das necessidades, a Samsara Cakra – A roda de Samsara.

3. O Véu do Serviço >> NARA NARAYANA SEVAM – esta frase em sânscrito pode ser traduzida assim: “Servir a Deus através do homem”, ou seja, Umbanda é caridade, é trabalho! Nos dizeres do Caboclo das Sete Encruzilhadas, o Pastor de Umbanda: “Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade”. Ensina o ponto cantado: “Não é brincando que se vence na Umbanda, é trabalhando que se faz conga...”. Porém, é necessário servir altruisticamente sem nos preocuparmos com os frutos do nosso trabalho. Exercitando os princípios da Karma-Yoga.

4. O Véu da Fé >> “A fé não é demonstrada somente pelo que se faz, mas principalmente pelo que se suporta”; Dizeres da nossa querida Vovó Maria Conga. A fé deve ser entendida como confiança na Vontade Divina. Todo umbandista é chamado de Filho de Fé porque tem bom ânimo e confiança nas batalhas da vida. Sem esse atributo não se progride no caminho. O Cristo já nos exortava: “Tenham bom ânimo e vençam o mundo, pois eu tive bom ânimo e o venci”. Há três níveis de fé: a primeira é a crença irracional que gera o fanatismo, a segunda é a fé propriamente dita, mas uma fé mais racional, indicada por Allan Kardec, porém a mais elevada é a Convicção Interior, que nasce da vivência interna, acredito porque provei, vi e vivi, experenciei por mim mesmo. Diz o ponto cantado: “Filho de Fé vou abrir a nossa gira, é com a fé em Oxalá (...)”, caboclo Guaracy da Sucuri-Jibóia nos instrui dizendo: “Se tens fé, vocês podem fazer nascer uma flor onde não havia semente e ordenar que os Anjos venham a Terra e serão prontamente atendidos”. 5. O Véu da Humildade >> este véu ensina que sem humildade não se começa a caminhar. A humildade é o princípio da verdadeira sabedoria, que surge quando a alma realiza que : “só sei que nada sei”. A Umbanda é humildade e simplicidade, trabalhamos descalços e de branco, descalços para lembrarmos que somos húmus, homem, filhos da terra, transitórios e passageiros, e todos de branco, pois somos almas puras e iguais aos olhos de Deus. A brancura das vestes nos lembra do ideal de pureza que a mente humilde conquista. Como nos ilumina Rei Congo de Aruanda: “Sejam humildes, mansos, bons servos para que eu possa falar e agir através de vocês (...)”. Pois como diz o trecho de belíssimo ponto cantado: “(...) devemos ter a humildade de um bom trabalhador (...)”. 6. O Véu da Sabedoria >> Umbanda também é

conhecimento. Ela tem seu aspecto esotérico, suas mirongas, awôs e mistérios. Porém, o verdadeiro conhecimento é aquele que nos transforma, e não conhecimento e erudição estéril e improfícuo. O conhecimento real é a sabedoria das Coisas Divinas, a sabedoria secreta do Eu, é BrahmaVidya. O conhecimento pode escravizar ou liberar, e a alma deve ser cautelosa. Ensinou o avatar da Galiléia: “Conhecereis a Verdade e ela vos libertará”.

7. O Véu da Força e da Coragem >> o iniciado deve

ter ímpeto e coragem, força de vontade para transformar o chumbo do ego em ouro da alma. Coragem para enfrentar seus fantasmas e demônios e triunfar sobre a ignorância e a morte. O umbandista é um guerreiro que na Grande Gira da Vida luta o Bom Combate, que ser travado contra a ignorância e o mal. Que o iniciado umbandista possa afirmar, como afirmou o iniciado gnóstico Paulo de Tarso:

“Morte, morte! Onde está a sua vitória?”.

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Orixá Ancestral Oxalá >> 1º Véu >> o véu do

Universalismo. Seu símbolo de poder é o Sol. O Sol invictus, o sol Invencível, representação da Mente Iluminada.

Orixá Ancestral Yori >> 2º Véu >> o véu da

Devoção. Seu símbolo de poder é a Flor. Representa a alma devota que desabrocha quando o Sol de Amor ilumina.

Orixá Ancestral Yemanjá >> 3º Véu >> o véu da

Sabedoria. Símbolo de poder, o Mar, e a Estrela. “No mar brilhou uma estrela”. A estrela da sabedoria é refletida nas águas cristalinas e serenas de uma mente equilibrada e de uma emoção sublimada.

Orixá Ancestral Oxóssi >> 4º Véu >> o véu do Serviço. Seu símbolo de poder é o Arco e Flecha. O arco da mente e a flecha da aspiração, cruzam o espaço em direção ao alvo que é Deus. Somente o serviço e o trabalho aprimoram o Arqueiro Real.

Cada véu é uma Revelação, um Princípio Oculto da Alma e tem seu Orixá Ancestral, um dos Sete Sublimes, com seus Instrumentos de Poder.

Orixá Ancestral Ogum >> 5º Véu >> o véu da Coragem e da Vontade espiritual. Seu símbolo de poder é a Espada Sagrada do Discernimento, que triunfa sobre o mal e a ignorância. Orixá Ancestral Xangô >> 6º Véu >> o véu da Fé. Seu símbolo de poder é o Machado, que destrói a dúvida da mente, e o Raio, símbolo do Fogo Místico da Fé.

Orixá Ancestral Yorimá >> 7º Véu >> o véu da Humildade. Seu símbolo de poder é o Cajado, representação do cetro, símbolo da autoridade adquirida pela experiência e pela humildade.

O iniciado umbandista deve descerrar todos estes véus se quiser adentrar no estreito caminho da Iniciação. No útero da Divina Mãe Umbanda ele vai amadurecendo potencialidades, e o caminho vai se revelando no momento em que a mentalidade vai se universalizando. .::O VELADOR - 3º TRIMESTRE 2011

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Transmissão da Sabedoria Arcana

Instrução dos Mentores sobre os fundamentos da Tradição Universal por Ramananda

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este número de O Velador apresentaremos uma instrução espiritual do Caboclo Pena Branca, através da mecânica de Incorporação. A Instrução ocorreu em 15/04/2007 em uma Gira de

Amacy, rito iniciático de profunda significação espiritual para cada um de nós, semeadores da luz, que faz parte da nossa Trajetória Iniciática nos valores da Sagrada Lei de Umbanda. Esperamos que estes ensinamentos tragam Luz, Paz, e Iluminação para todas as consciências que os leiam. O querido leitor perceberá que a transcrição da mensagem é “ipsis litteris” obedecendo aos “maneirismos” verbais que marcam o discurso das entidades no movimento Umbandista. Acreditamos que assim o humor da transmissão é melhor preservado. Haverá, ao fim do texto, um glossário dos termos que facilite e auxilie no entendimento da mensagem. As palavras em questão serão marcadas com uma numeração na ordem de aparição no texto e seu significado no final.

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eram seres humanos, a um nível quase humano para que pudessem aspirar à condição humana e assim evoluindo para a condição supra-humana, conquistando a maestria da sua existência nesta Terra. Portanto, os contatos se estabeleciam diretamente naquelas épocas. À medida que o tempo passa o homem, ainda não habituado com o seu corpo físico, deveria ter conhecimento de algo que pudesse fazer com que ele tivesse pleno domínio de seu corpo.

“Exi” dia de Amacy, dia de celebração dentro do terreiro de Umbanda. “Exis” praticam Umbanda. Umbanda é ciência, uma ciência espiritual antiga, onde os seres que fundaram a humanidade que fundaram esta Terra com uma nova raça, vêm para auxiliar no processo evolutivo. Há muitos milhares, centenas de anos, aqueles primeiros seres que habitavam este planeta, aspirando à elevação de condição da raça humana, foram fecundados, inspirados por seres de elevada estirpe espiritual. Estes seres tinham por missão fazer com que aquela raça evoluísse à uma raça superior. Portanto, os anjos do céu fecundaram as mulheres da Terra para produzirem uma nova raça, uma raça de seres fortes, inteligentes e que pudessem também contribuir para a evolução de outros seres que, partindo de sua essência, deveriam retornar ao oceano de onde vieram. Estas forças que se afastam do poder primevo e se identificam, são auxiliadas por outras forças que atuam como seres intermediários para o seu retorno. Este é um processo divino, é uma lei natural. Estes anjos do céu que vieram fecundar as mulheres da Terra, são Orixás, são forças destas sete vibrações que dizem chamar Sete Linhas da Lei de Umbanda mais duas forças propulsoras que fecundam e que promovem a evolução, por via espiritual, trazendo inteligência para a Terra, propiciando assim o nascimento dos fundadores de sociedades, indicados por duas linhas ocultas, que é a linha de Omulu e a linha de Semiromba. Estas duas forças previam então o nascimento daqueles que iriam fundar as sociedades, estabelecer regras para que a humanidade pudesse se desenvolver plenamente. Esta era a função. O tempo passa e estes seres em processo de evolução, nascidos destes seres superiores, começam a estabelecer contato real através de portais que eram abertos nos centros energéticos da Terra. Através destes portais se manifestavam então aqueles seres que contribuíam para a evolução de toda a raça, de toda a raça humana, tornando aqueles seres que ainda não

Então, manifesta-se um princípio transformador nesta Terra. Este princípio que traz os símbolos de conquista dos três planos da existência, ensinando ao homem como dominar o seu corpo e fazêlo funcionar de forma que se adaptasse às novas condições de consciência que estavam surgindo. Um novo conhecimento para lidar com o corpo. Mais tarde, foi preparado um sistema para que este pudesse lidar com as palavras, com os sons. Depois, um novo conhecimento para que ele pudesse reter todo o material intelectual que lhe estava sendo transmitido. Um grande exercício do cérebro era necessário naqueles momentos. Tudo deveria ser memorizado. Após esta conquista, conhecimentos mais elevados, mais espirituais. Portanto, alguns conseguiram fazer esta caminhada, se elevaram e se tornam guardiões deste mundo, instrutores e mestres. Dominaram todos os níveis. Estes são aqueles que vêm trabalhar nesta chamada Umbanda. Mas, tudo isto, inicialmente coordenado por uma força maternal, uma força feminina que permitia que a humanidade, que aqueles seres se tornassem receptivos e passivos a estas instruções, a estes conhecimentos. Uma força que mais tarde é chamada de Umbanda, que permite o domínio dos três níveis da existência. Aqueles que vêm agora trabalhando nesta amada e mal compreendida Umbanda, muitos foram fundadores de Sociedades, muitos foram aqueles que estavam obtendo contato direto com estas forças mais elevadas, que tinham o conhecimento secreto dos portais desta Terra e as portas de entrada e saída de energia do corpo físico. Portanto, a ciência que praticam agora é uma ciência muito antiga. Esta ciência se perde na noite dos tempos. E se conseguem mergulhar mais profundamente em seu simbolismo, em sua prática, que parece uma prática primitiva de incorporação, oferendas, símbolos e rituais, mas se conseguirem ir além do ritual perceberão o que há por trás dos véus desta Umbanda. Isto que realizam hoje, era realizado no passado de forma muito mais plena, devido ao nível de entrega, e ao nível de trabalho espiritual em que estavam envolvidos os antigos.

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Umbanda, dentro de um serviço de Umbanda, visa os aspectos externos de purificação. Estes aspectos externos de purificação, no contato com os irmãos, nos entrechoques egóicos, fazem com que o filho de fé se purifique, que ele possa ir além dos seus limites e possa buscar uma melhor condição interna. Sozinho, ninguém pode saber a altura do seu ego. Somente no contato com os outros é que se pode medir os impedimentos que este lhe provoca. O serviço em comunidade serve como grande espelho para o vosso processo de evolução e crescimento, onde todos se vêem e onde pode perceber o todo e a si mesmo. É assim que se dá o crescimento. Pouco envolvimento, poucas experiências, pouco crescimento. Muito envolvimento neste trabalho, com atenção, muito crescimento.

Em algumas tradições este líquido tomou o nome de Soma, em outras tradições era a Lágrima da Lua, em outras, o Sagrado Orvalho. Em muitas tradições, este líquido que hoje chamam Amacy possuiu nomes diferentes, mas procurando lembrar este líquido primordial. Em todas as tradições há um líquido, há uma bebida, há algo que deve ser restituído ao corpo, e isto não é diferente. O Amacy é uma restituição e ao mesmo tempo aquilo que pode permitir que cada um esteja em harmonia com a criação, com o princípio criativo, o sumo daquilo que há de mais puro, em essência. Reúne-se neste Amacy o sumo de ervas que absorveram sua energia da terra, a energia do Sol e absorvem as forças espirituais. Ela é ativada por elementos como álcool para dinamizar as suas forças e fazer com que energias ativas sejam despertadas no interior de cada um. Estes elementos que compõem este Amacy, todos eles visam o despertar de sua consciência para que possam, em algum momento, estabelecer uma comunicação clara e direta com os planos superiores da existência. Purificando o corpo, a mente, os sentidos, poderão estabelecer esta ligação. Sabem que o trabalho de Umbanda, como disse antes, é um trabalho onde se manifestam estes seres que fecundaram a humanidade há muitos, centenas de milhares de anos atrás, e vêm agora, novamente, para iluminar as consciências. Não só na Umbanda, mas eles atuam em toda expressão espiritual. Em todo movimento espiritual estas forças de alguma forma atuam. Na Umbanda, atuam de forma mais impressiva. Na representação de suas Sete Linhas vamos encontrar estes seres maravilhosos de pura luz que têm por missão clarear vossas consciências, iluminá-los e retirá-los da imperfeição. Todo movimento, exercício, trabalho que é feito dentro de uma gira de

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(Ramananda) Eu Percebo que há uma tendência natural de desvalorizarmos símbolos que são mais acessíveis e a mente se sentir atraída por símbolos de outras culturas. Eu vejo que este é um fenômeno muito comum, universal, em todas as culturas. E já que são símbolos universais, não há distinção em seguir este caminho ou aquele caminho? (P.B.) . Não há. E este é a experiência que se obtém com a troca simbólica é grande. Mas, aquele que estabelece esta troca simbólica, quando este contempla um símbolo de tradições que não fazem parte de sua cultura, ele deve aprender a valorizar aqueles que estão dentro de sua cultura. Estes vêm para reforçar os que estão aqui e não para rejeitar os que aqui estão e trazer maior valor a outro. Nenhuma cultura foi colocada de lado dentro dos planos divinos. Todas elas estão incluídas no plano divino para evolução. Todas as civilizações que existiram, neste planeta, descobriram um conhecimento, uma gnose, que pudesse conduzi-las ao Absoluto. Incas, maias, astecas, egípcios, hindus, todos..., israelitas, muçulmanos, todos estabeleceram uma ligação com o Supremo, receberam símbolos valiosos para que aquelas consciências pudessem alcançar o Divino. Todavia, quando entra a natureza egóica, o homem não faz esforços para romper o véu. Ele deseja o conhecimento para dominar, ele deseja este conhecimento para se sobrepor aos outros. Então, isto faz com que esta sabedoria antiga conduza ao erro, ao desvio e daí nascem os processos de magia para obtenção de coisas para causa própria, o ritualismo excessivo para entretenimento da mente, quando no símbolo já está tudo. O símbolo em si pode conduzir a mente entregue e devota à sua realização. Por isso, se marca nesta toalha estes símbolos porque a mente atenta os olha com os olhos da alma.” (Continua na próxima edição)


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A Sagrada Mãe Umbanda

Aumbhandan e a Tradição Primordial por Pristinus

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A

o abordarmos um assunto tão vasto e abrangente, urge definirmos o que entendemos de Umbanda em seu aspecto noético e ideal diferenciado-a do Movimento Umbandista que é a Concretização no Plano das Formas da Umbanda Celeste, Cósmica e Divina. Em seu aspecto transcendental e arquetípico, a Umbanda é sinônimo de Tradição Primordial, termo ocultista que nos fala de um conjunto de realidades metafísicas geradas de um Centro Iniciática Primevo irradiador da sabedoria cósmica, dos Arcanos ancestrais que sãos os fundamentos e essências das religiões passadas, atuais e do porvir. No plano filosófico de concepção da Verdade, a Umbanda Original, o Aumbhandhan está relacionado à Brahma-Vidya, a mais elevada verdade filosófica e concepção vedantina-ariana na sua mais pura acepção conclusão. Seu Siddhanta é profundo e inconcebível para as mentes imaturas e ainda contaminadas pela concepção materialista da vida e por condutas desarmônicas perante Leis Espirituais que regem a criação. Onde estão os verdadeiros filósofos que compreendem Brahma-Vidya, a Ciência da Vida e do Ser? No plano religioso, o Aumbhandhan perpetua o Sanatana-Dharma, a religio-vera, o Dharma atemporal, visível aqui e agora, imperecível, o sustentador da ordem cósmica. Este Sanatana-Dharma foi sempre re – velado de tempos em tempos por avatares, ou seja, encarnações divinas, grandes seres que perpetuaram e preservaram os princípios religiosos e espirituais, da degradação e da hipocrisia que perverte e contamina a pureza original desta Religião-Verdade, eterna e imperecível. No plano artístico que tem como objeto de saber, o Belo e o Harmônico, o Aumbhandhan, a Tradição Primordial, plasmou como semente no coração das almas o ideal de beleza e perfeição, concebido no princípio dos tempos pelo Orixalá original, o Obatala – o criador do Universo, o verdadeiro e supremo Eledá que manifestou, manifesta e manifestará este ideal, a Imago Dei (a imagem divina) até a conclusão da Grande Obra, o Plano de Deus no final deste ciclo evolutivo ou Manvantara. Logo no coração da natureza está guardado o tesouro divino do plano de perfeição do Logos Criador que tem como guardião deste modelo original, as musas que velam pelo princípio da Harmonia Cósmica e da Beleza Contemplativa. E por fim, no âmbito da cientificidade ou no plano da ciência, o Aumbhandhan nos lembra que a verdadeira ciência é “criar redes com malhas cada vez mais finas para tentar capturar o Real”, como ensinou iminente cientista moderno. A metodologia cientifica atual é vã presunção e ainda pálido reflexo da Ciência Arcana que tem como propósito ensinar a alma humana o binômio Viveka e Vairagya, ou seja, Discernimento e Renúncia. Discernir entre o real e o irreal, o verdadeiro e o falso, o

bem e o mal. E a verdadeira renúncia não é um desapego estéril ou fuga da realidade. Pelo contrário, é devido a uma profunda concepção da existência que renunciamos o amor condicional pelo incondicional, o particular pelo universal, o limitado pelo ilimitado, o ego humano pelo Eu Divino e Universal. Sendo assim, a verdadeira ciência, a yoga primordial estabelece os princípios imemoriais que podem treinar e purificar os veículos da alma – mente, emoção e corpo – amadurecendo-os, preparando o Ser para a conquista de si mesmo. Esta quadratura de princípios forma alegoricamente a base da Pirâmide Invisível e Iniciática, símbolo cósmico da Tradição Primordial, do Aumbhandhan, que na verdade é a sua síntese, a quintessência, a Iluminação cósmica, a Realização Suprema. Na Umbanda Esotérica relacionamos cada um desses planos: o filosófico, o religioso, o artístico e o científico com os quatro Orixás Ancestrais do quaternário inferior. Temos então:

1. Plano da Filosofia – Orixá Ancestral Oxossi 2. Plano da Religião – Orixá Ancestral Yorimá 3. Plano da Arte – Orixá Ancestral Ogum 4. Plano da Ciência – Orixá Ancestral Xangô Sintetizando temos a correspondência: 1. Filosofia – Brahma-Vidya – a Verdade 2. Religião – Sanatana-Dharma – o Supremo (Deus) 3. Arte – o Ideal de Perfeição e Beleza – a Harmonia Cósmica 4. Ciência – a Yoga Primordial – o Eu Supremo Logo através da vivência da verdadeira filosofia (Brahma-Vidya) ascendemos em busca da Verdade e da Sabedoria. Já a meta para as almas que ascendem pelo caminho da Religião é o encontro com o Divino, pela integração. As almas dedicadas daqueles que vibram no sendeiro da arte, procuram manifestar em sua vida a perfeição do modelo Divino, e os homens da verdadeira ciência na busca de compreender o mundo, o externo, acabam descobrindo o seu centro, o Eu (o Atman).

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Símbolo sintético da Pirâmide Iniciática O Aumbhandhan – a Quintessência

Oxóssi

Ogum

Xangô

Yorima

Este símbolo representa também nos planos cósmicos, as Santas Almas do Cruzeiro Divino que na Umbanda é o termo usado para designar a Grande Fraternidade Branca, ou seja, a união das mais elevadas consciências do planeta. Essa Egrégora Suprema forma a Hierarquia Oculta do planeta, com funções de relevância no auxilio evolutivo de todas as almas encarnadas na Terra. Amados irmãos estamos na verdade abordando sobre os princípios de uma religiosidade autêntica, sobre os fundamentos da Iniciação Cósmica e Universal. Porém, hoje não vivemos a Idade de Ouro, a Satya-Yuga védica, e sim, a Idade de Ferro, a Kali-Yuga, a Idade das Trevas consciencionais e da ignorância dos princípios divinos e sagrados. O Aumbhandhan é uma utopia em seu sentido lato, ou seja, algo que um dia em algum lugar irá se realizar. Um ideal místico que aguarda que as almas amadureçam e se preparem para encarnarem a força e o poder desta Egrégora Primordial, para manifestar em pureza o poder e a glória dos impulsos arcaicos originais, que emanam deste centro iniciático original. As religiões atuais ainda são reflexos imperfeitos, sombras deste Sol Espiritual, que aguarda que as sementes de espiritualidade brotem, cresçam e deem frutos. Quando Asvatha, a árvore dos desejos da Mente Divina, oferecerá novamente os frutos dos anseios mais secretos da alma?Quando a Voz do Silêncio será ouvida mais uma vez? Quando o fogo do Amor Cósmico arderá e consumirá para sempre as impurezas de nossos corações e mentes? Porém, irmãos de fé, todo reflexo nos fala algo de sua substância, toda semente é uma promessa de colheita e perfeição e toda caminhada de mil passos começa com o primeiro. Como toda religião, a Umbanda, ou o

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movimento umbandista, é campo amplo e fértil que aguarda os Semeadores para ararem a terra e lançarem as sementes de luz, as verdades espirituais preservadas e ministradas pelos mentores espirituais de sua Corrente Astral. Porém, somos ainda servos indolentes e preguiçosos, ainda, não nos munimos do arado e não preparamos o solo para o trabalho de semeadura. Como dizia Paulo de Tarso, “somos infantes a beber leite, rejeitando os sólidos e nutritivos alimentos de uma religiosidade responsável e sacrificial.”. Dentro deste quadro os Guardiões dos Mistérios Sagrados do Aumbhandhan, as Santas Almas do Cruzeiro Divino, oferecem de acordo com o nível de consciência de seus seguidores, o Amrta, o néctar da imortalidade. Dádiva que rejeitamos devido a nossa pequenez e estreiteza mental. Rejeitamos o caminho iniciático, a iniciação superior e permanecemos na escola primária aguardando que os Mentores espirituais resolvam nossas questões, que eles caminhem por nós, que eles nos iluminem!

ainda dormimos e sonhamos com o que cabe a nós realizarmos, com Consciência e Despertos! Oh, pobre de nós,

Por isso, poucos se elegem a entrar pelas portas da Umbanda Esotérica e iniciática, pois poucos estão dispostos a pagar o preço de lutar contra suas imperfeições, de pelejar contra o ego, de servir sem cessar e de assumir a responsabilidade pela sua trajetória espiritual. O Caboclo das 7 Encruzilhadas manifestou essa verdade quando sintetizou e definiu Umbanda como


manifestação do espírito para a caridade. Este Emissário de Luz revelou o aspecto do Caminho Probatório, daqueles que anseiam e se preparam para a verdadeira Iniciação, através da prática da caridade, que pode ser definido como serviço realizado com amor e o trabalho em si mesmo no esforço de vencer a si próprio e conquistar o mérito, se preparando para a graça. A abordagem é androgônica relativa ao Homem. Num outro momento, Pai Guiné, aprofundou o conceito, ensinando que Umbanda é o conjunto das Leis Divinas. A abordagem agora não é apenas relativa ao Homem e o trabalho consigo mesmo, mas Universal, cosmogônica, fala à alma sobre os princípios espírituais que regem a natureza humana e sobre as Leis Cósmicas Universais que precisamos aprender para viver em harmonia. Está relacionada à Câmara de Instrução e aos postulantes que se preparam para cruzar o portal no ápice da pirâmide. Por fim, temos o terceiro momento para aqueles já despertos, o momento da iniciação, da entrada no sendeiro, como ensina o ponto cantado:

“Santa Antônio correu, meu Santo Antônio Terra e mar, meu Santo Antônio Para encontrar meu Santo Antônio A Lei de Umbanda. Eu também vou correr, meu Santo Antônio Terra e mar, meu Santo Antônio Para compreender, meu Santo Antônio A Lei do Amor”

Quão poucos cruzaram esse portal, o Portal da Lei de Umbanda, da Lei de Amor, da autêntica iniciação. Encarnamos (terra – plano físico) e desencarnamos (água/ mar – plano astral) em busca de Deus, do Deus em nós – Emanuel, o paramatma, a centelha que “alumia” o mundo inteiro. São as Verdades Teogônicas ou Divinas que ensinam que Umbanda é Brahma-Atma-Vidya, a sabedoria secreta do Eu, a Tradição Primordial. Neste nível, na câmara da sabedoria, a meta suprema é a Realização, a Iluminação, e a Libertação do cativeiro material, pois:

“Vovó não quer casca de côco no terreiro (2x) Para não lembra do tempo do cativeiro (2x) Meu cativeiro, meu cativeiro, meu cativerá (2x) Para não lembrar do tempo do cativeiro (2x).” Entrar em Moksha, libertar-se da roda de Samsara, de nascimentos e mortes. Logo, percebemos que intitular-se uma Casa de Fundamentos Iniciáticos de Umbanda, é acolher uma proposta elevada para seus membros, pois o que se espera

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deste filho de fé é nada mais e nada menos que, como disse o Cristo:

“Sede perfeitos como perfeitos é seu Pai que está nos Céu” Dentro desse ponto de vista percebemos que antes de adentrarmos nestes três níveis:

a)

o androgônico – caboclo das 7 encruzilhadas –

câmara probatória;

b) o cosmogônico – Pai Guiné – a câmara de instrução; c) o teogônico – as tendas de Umbanda iniciática – a câmara de sabedoria; existem uma infinidade de variações adaptadas ao nível de consciência das coletividades – terreiros existentes. Porém, desde suas mais simples expressões, ainda com deturpação, até em seus aspectos Iniciáticos, tudo isto é Umbanda, reflexo do Aumbhandhan, que é a sua quintessência, seu espírito diretor e vivificador.

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Alguns dizem umbanda traçada, umbanda mista, umbanda pura, umbanda branca, umbanda de mesa, umbandomblé, não importa, devemos lembrar sempre do ensinamento que

Umbanda é uma só, porém, adaptada aos diversos níveis de consciência. Irmãos de fé, por isso devemos amar a nossa corrente astral, nossa linhagem espiritual, pois seus emissários superiores conhecem o caminho estreito da Iniciação Cósmica. E como Gurus Autênticos, mestres genuínos, preparam os eleitos (que se elegeram a si próprios através do esforço), aqueles que começaram a trilhar a despeito de toda dor, sofrimento, decepção e solidão, o caminho umbandista, escola divina, laboratório alquímico. Sim, labor, trabalho, e oratorium, local de oração, onde purificamos nossas impurezas e transformamos o chumbo, nosso ego, em ouro, o Eu Espiritual. Na verdade o terreiro de Umbanda é o Athanor, o cadinho alquímico onde


“Se gira é peneira Umbanda é panela. Só quem trabalha Fica dentro dela. O Zambi ê ê ê, O Zambi á á á, Dá entendimento para trabalhar.” É no trabalho, nas seções que somos peneirados e cozidos para que no calor das dificuldades, dos entrechoques astrais e do serviço, “Ficar dentro dela”, harmonizado com a sua Egrégora e que Zambi (O Eu Espiritual) dê a graça, a benção do entendimento para o serviço libertador. Pois, se trabalho sem sabedoria interna libertasse e iluminasse, os bois e cavalos seriam os primeiros a serem iluminados. Encerramos com a advertência do ponto cantado que nos lembra da disciplina do Arcano no Caminho Iniciático, ou seja, a Lei do Sigilo, o juramento e o compromisso do iniciado umbandista:

buscamos o Elixir da Imortalidade e a Pedra Filosofal (o lapis philosophorum), a Arte Real, a Alquimia realizada no Espírito interior, coração do verdadeiro umbandista. Dentro desta proposição, reformulamos conceitos, pois percebemos a mediunidade como um meio para se atingir um fim – Deus. Percebemos que nossos rituais são fenômenos que velam verdades espirituais. Mas também somos conscientes, irmãos umbandistas, que nossas vestes brancas não cobrem a sujeira de nossas imperfeições morais; que nosso Congá ainda não é uma Arca-Vigraha (uma encarnação divina), mas apenas coleção de símbolos e estatuas, ou quando não fetiches para idolatria pueril, mas paciência, há um tempo para semear e outro para colher e estou convicto que estamos todos sendo preparados, pois como diz o ponto cantado de raiz trazido pela vovó Maria Conga (que significa Maria – mãe e Conga – fonte); nossa mãe que é fonte de amor:

“Não é brincando que se vence na Umbanda É trabalhando que se faz Congá (2x) Vocês estão vendo esse Congá firmado E os filhos ajoelhados junto aos pés de Oxalá. (2x)” Bendita e louvada Seja a Umbanda! Nosso Saravá Fraterno.

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A Arte da Transmutação do Ser

IMOLÊ EXU – O ARCANUM DA DIVINA MÃE UMBANDA LEI DE QUIMBANDA COMO SENDEIRO ALQUIMICO por Gamble Kunagh

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DESENHO 1 “(...) Durante minha conversação com Swami Brahmananda Saraswati, ele começou a falar-me sobre Sri Vidya, o mais alto dos caminhos, trilhado apenas pelos sanscríticos consumados da Índia. É uma senda que reúne a Raja Yoga, a Kundalini-Yoga, a BhaktiYoga e o Advaita Vedanta. (...) Depois vim a saber que Sri Vidya e Madhuvidya são práticas espirituais conhecidas de pouquíssimas pessoas. Umas dez ou doze em toda Índia, quando muito (...). O Swami Brahmananda era um dos raros Siddhas que conheciam o sri Vidya. (...)” (Trecho retirado do livro – “Vivendo com os Mestres do Himalaia” de Swami Rama) Quem ou o que é Exú? O que seria conhecido com o nome de Lei de Quimbanda? Apenas a união, ou falange de Exus que trabalham de maneira organizada em prol de um objetivo? E quais seriam estes objetivos? Superiores? Secundários? Enfim, muitas são as interrogações. E estas questões, em algum momento, são formuladas na mente de um verdadeiro e sincero Umbandista. Sabemos que a Lei de Quimbanda relaciona-se, vibratoriamente, com três linhas da Lei de Umbanda. A linha de Ogum, a linha de Yori e a linha de Yorimá que abrangem, sinteticamente, aquilo que os estudiosos do Movimento Umbandista chamam de suas três Bandas. Esta relação mística aponta para os tipos de ATIVIDADES E MISSÕES DOS EXUS GUARDÕES. A INFLUÊNCIA DE OGUM QUALIFICA O ASPECTO DE MILÍCIA OU ORGANIZAÇÃO DA LEI DE QUIMBANDA COMO FRENADORA E LIMITADORA, TANTO QUANTO APLICADORA DA LEI DO KARMA EM RELAÇÃO ÀS CONSCIÊNCIAS EM DÉBITO, PERANTE A PRÓPRIA LEI DIVINA. A INFLUÊNCIA DE YORI, MERCURIAL, NOS REVELA O SEGREDO DA ATIVIDADE DOS GUARDIÕES COMO ALQUIMISTAS CONHECEDORES DA ARS ??? MAGNA. A ALQUIMIA REAL É A PROFUNDA TRANSMUTAÇÃO DAS IMPERFEIÇÕES DO SER. A INFLUÊNCIA DE YORIMA NOS REVELA O MISTÉRIO DA ATIVIDADE DOS GUARDIÕES COMO TÂNTRICOS – PROFUNDOS CONHECEDORES DA TRANSITORIEDADE, IMPERMANÊNCIA E DOS MISTÉRIOS DAS MAHAVIDYAS – O SEGREDO DAS DEZ SABEDORIAS DA SENHORA DA LUZ VELADA. A TRADIÇÃO OCULTA ENSINA que Exú, é um Sigilo, um Arcano e um Mistério e, estes três selos, são abertos àqueles buscadores sem preconceitos e imbuídos de Boa-Vontade e perseverança que procuram as CHAVES ALQUÍMICAS E TÂNTRICAS DOS SAGRADOS

MISTÉRIOS DA “LEI DAS SEVERIDADES” A NOSSA tão mal compreendida Quimbanda. O Ponto Cantado de Raiz ensina: “O Relógio da Quimbanda, Já Bateu Hora (...) ” “Caros irmãos Umbandistas quando o relógio da Quimbanda “bate” doze horas, manifestando a glória do SOL DO MEIO-DIA, YORI MANIFESTA OS MISTÉRIOS DA ARTE ESPARGÍRICA. Quando brilha o SOL DA MEIA-NOITE, AS REVELAÇÕES TÂNTRICAS FULGURARÃO ATRAVÉS DA NOITE SATURNINA DE YORIMA E, QUANDO MARTE É DESPERTADO PELO SR. OGUM, TEM INÍCIO NA AURORA O “TORMENTO DOS METAIS”. Exu não é apenas um guardião, um sentinela ou um simples magista das Leis Naturais. Na Quimbanda há uma Via iniciática de treinamento das consciências, baseadas na alquimia e no Tantra. Porém, não esta alquimia e tantrismo que, muitas vezes, é um arremedo de trechos obscuros e leis esparsas sem uma continuidade que descortinasse um método, logo uma CIÊNCIA ESPIRITUAL. Esta sucessão discipular advém de uma seleta e Arcana confraria de Adeptos que influenciaram culturas e épocas. Chama-la-emos de Sri Vidya ou Sri Madhuvidya. ??? Os antigos Imortais da Alquimia e Tantrismo Taoistas. Os Sheikis da Arcana ALCHEMYA PERSA. Os verdadeiros e autênticos Rosacruzes, ALQUIMISTAS ESPIRITUAIS e os Adeptos tântrico-alquimistas que são iniciados da excelsa Sri-Vidya. Hoje, afirmamos que a Quimbanda guarda os tesouros desta Superior e Sublime Sabedoria. Que os Bhairavas e Bhairavis que se ocultam sob a forma de Exus e pombagiras, possam oferecer suas “BENÇÃOS IRADAS”. Que o “Povo de Rua” nos indique o “SEGREDO DO CAMINHO”. Queridos leitores o Caminho Alquímico, sinteticamente, se subdivide em etapas, quais sejam: A. EXUS ESPADADOS – A Espada do Rigor - O Selo do Sigilo – A Obra em Negro - O Sacrifício da Natureza Sensual - Pasú – O Homem-animal B. EXUS CRUZADOS – A Cruz do Sacrifício - O Selo do Arcano – A Obra em Vermelho - Elevação do Desejo - Virá – o Herói C. BATIZADOS OU ESTRELADOS – A Estrela de Sri Vidya - O Selo do Mistério – A Obra em Branco

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- Casamento ou Núpcias Alquímicas - Divya – O Homem-Divino

Ele olha a sua banda com fé Mas uma é seu Lucifer A outra é de Jesus Nazaré”

Vidya:

É o binômio SOLVE ET COAGULA DO BAPHOMET representação simbólica da Luz Astral. Este é o ???

A Estrela, O Selo, O Emblema de Sri

DESENHO 2 A) O SELO DO SIGILO – O NIGREDO ALQUÍMICO A chave do Selo do Sigilo nos revela o segredo do Nigredo, da obra em Negro. Os mistérios do Corpo, o BARA INDIVIDUAL, a energia material que contém o segredo da força e do poder. Os iniciados sabem que toda a matéria expandiu-se de um PONTO PRIMEVO, de um FIAT INICIAL que, quando despertado, MANIFESTA UMA FORÇA EXTRAORDINÁRIA. Como toda energia provém de uma única energia, nos questionamos com relação à INTELIGÊNCIA DIRETORA ou o SUBSTRATO DE CONSCIÊNCIA DESTA ENERGIAUNA que os Antigos BABALAWÔS YORUBAS chamam de ELEGBARA ou EXÚ, como o SENHOR DA FORÇA. Anível psicológico, simboliza o INCONSCIENTE ARCAICO que contém AS POTENCIALIDADES DE REALIZAÇÃO DO SER E TAMBÉM, A ENERGIA FUNDAMENTAL VITAL, quer a chamemos de PRANA DE ORGANUM, DE ELAN VITAL, DE AXÉ OU DE LIBIDO, não importa é a mesma energia-una e única responsável pelo sexo como pelo êxtase; pela vida como pela morte; pela consciência como pela inconsciência. B) O SELO DO ARCANO – O RUBEDO ALQUÍMICO DESENHO 3 Mandala representativa da luz astral em seus aspectos evolutivos (“solve”) e involutivos (“et coagula”). Pembado por um Exu Guardião em uma gira de trabalhos alquímicos. O selo do arcano, alquimicamente, revela os segredos do Rubedo, da Obra em Vermelho. Nos fala sobre os mistérios da LUZ ASTRAL que é dual em sua manifestação. Em seus aspectos superiores ela é luminosa, crística e ascensional. Em seus aspectos inferiores ela é SUB-LUNAR, obscura, luciferina e descencional. Como ensina a Curimba: “Exu que tem duas cabeças

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FIGURA DO BAFHOMET Aspecto do “INCONSCIENTE DO LOGOS”. E nos lembra do antigo AXIOMA OCULTISTA: “DAEMON EST DEUS INVERSUS” – O DEMÔNIO É DEUS INVERTIDO. A nível psicológico, é o próprio princípio de INDIVIDUAÇÃO, A AUTO-CONSCIÊNCIA, O AHANKARA DAS ANTIGAS ESCOLAS DO VEDANTA que gera a GRANDE HERESIA, A ILUSÃO DA SEPARATIVIDADE. AQUI, REPRODUZINDO AS INSTRUÇÕES DO “MARUJO MARTIM PESCADOR”, lidamos com as três formas como SATANÁS ILUDE A HUMANIDADE. (Convidamos o leitor a entender que o humor da instrução espiritual, não versava sob a ótica do dogmatismo religioso e sim, dentro de uma abordagem filosófica e metafísica.). Continuando, de acordo com as instruções deste “HOMEM MAR”, SATANÁS ENGANA A HUMANIDADE LEVANDO OS HOMENS A CREREM QUE: 1. SÃO INDEPENDENTES OU QUE NÃO PRECISAM UNS DOS OUTROS. 2. QUE NÃO HÁ MISERICÓRDIA NESTE MUNDO, QUANDO, NA VERDADE, TODA A EXISTÊNCIA ESTÁ PREENCHIDA DO “ESPÍRITO DE DEUS”. 3. NOS SUGERE NOS PREOCUPARMOS, “EXCESSIVAMENTE”, COM OS ERROS E FALHAS DOS OUTROS, DESFOCANDO NOSSA ATENÇÃO DO ESSENCIAL. Cada um destes três pontos merecem um estudo e desenvolvimento filosóficos que não cabem agora, mas servem como subsídios para reflexão individual. C) O SELO DO MISTÉRIO – O ALBEDO ALQUÍMICO. DESENHO 4 Mandala relativa a Lei de Quimbanda – O MAIORAL – ASTAROTH e BAPHOMET


O Selo do Mistério nos fala do segredo do ALBEDO ALQUÍMICO, a Obra em Branco. Exú não é apenas a “SUBSTÂNCIA ASTRAL”, esta é apenas o seu reflexo. Exú é algo, em sua essência, além dos Orixás, os Senhores Sublimes. EXÚ É IMOLÊ, UM DOS PODERES ARCAICOS DO ABSOLUTO. É FOHAT, A ATIVIDADE INTELIGENTE DA MENTE CÓSMICA. Estes são os mistérios do ESPÍRITO SANTO. Como revelam as Sagradas Escrituras, o Espírito Santo é como “LÍNGUAS DE FOGO” que concede os ???KHARISMAS (DONS DO ESPÍRITO). É Imolê Exu que ao encontrar uma CONSCIÊNCIA PURA capaz de SUPORTAR A MANIFESTAÇÃO DA GLÓRIA DIVINA.

CINTAMANI, a Pedra Filosofal, que reside em nosso Eu Profundo! Saravá O Maioral, Saravá A Lei de Quimbanda, Mojubá Baba Exú, Laroiê, Laroiê, Laroiê!

É irmãos, pouco sabemos sobre os ALQUIMISTAS E TANTRISTAS mas, eles, os EXUS DE LEI, nos auxiliam na árdua tarefa de transmutar o chumbo dos instintos, na prata de uma personalidade purificada até o OURO FILOSOFAL, O PURO SER ESPIRITUAL, A ALMA. Por isso, seu OBÉ MARA, O TRIDENTE, representa o DOMÍNIO SOBRE AS TRÊS ETAPAS DA ARTE REAL, A ALQUIMIA ESPIRITUAL. Conheço poucos que usam O SAL, O MERCÚRIO, O ENXOFRE E O AZOTH. Conheço poucos que sentiram o aroma da rosa negra, da rosa vermelha e da rosa branca. Conheço poucos que encontraram a LAPHIS PHILOSOPHORUM, ou seja, a Pedra Filosofal. Poucos são os iniciados nos mistérios da Lei de Quimbanda, poucos colheram as LÁGRIMAS ESMERALDINAS QUE CAÍRAM DOS OLHOS DE LÚCIFER, O MAIORAL. É neste trabalho de Lei de Severidades que se forma o caráter real do iniciado Umbandista. No contato com as dualidades, no exercício do livre-arbítrio. E, me recordo de antiga instrução que diz que, a verdadeira natureza da qualidade do caráter de um homem é medida pelo que ele é capaz de fazer quando tem a certeza de ??? que ninguém o esta observando e de que ninguém nunca o descobrirá. É na obscuridade da vida humana que escolhemos as VIRTUDES que nos nortearão, sem hipocrisias, pois: (...) “A SUA CAPA COBRE TUDO, SÓ NÃO COBRE A FALSIDADE.” – (Trecho de curimba da Lei de Quimbanda). EXÚ CONHECE O MAL, NÃO É O MAL. É O ESPELHO ARQUETÍPICO EM QUE PROJETAMOS NOSSOS DESEJOS REPRIMIDOS E NOSSOS MEDOS. O MAL É APENAS O MAU USO DAS POTENCIALIDADES dadas por Deus para favorecer o nosso progresso. Que possamos ir além das dualidades e encontrar

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