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revista

Edição 02 Arquitetura e Urbanismo Construção Sustentável água e Energia Agricultura e Floresta Permacultura Geobiologia Arte e Design Educação Global

Ecologia

Arquitetura

realização:

Centro de Educação para Sustentabilidade Uma nova maneira de aprender

BIOSSISTEMAS Esgoto gera energia, vida e beleza

PIB OU FIB ?

índices para felicidade

TRASITIONS TOWNS Cidades em transição


Índice

EDITORIAL

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Prezados Leitores, A ilustração foi inspirada nos desenhos arquitetônicos do CES, onde os padrões da natureza correspondem a diversas formas interpretadas de acordo com a imaginação. Para Marcelo Todescan, arquiteto responsável pelo desenho arquitetônico do CES “A Natureza do local queria dar asas”. A imaginação contribui para o processo educacional, pois faz com que o observador da construção sinta-se também um participante do resultado final. Para assimilar as formas da natureza é preciso cultivar observação, sensibilidade e criatividade. Pense nisso e bom desenho!

Expediente Coordenação Geral: Luciana de Sá Nogueira Jornalista Responsável: Maria Claudia Baima / Mtb 892 Financeiro: Felipe Guarino Capa e Design Gráfico: Henrique Barone e Fernanda Ribeiro www.hfdesign.com.br Gráfica: GrafiLar HF

HFDESIGN

Colaboradores desta edição: Marcelo Todescan, Frank Siciliano, Denise Mazeto, Zumm, Augustin Woelz, Guilherme Castagna, Valmir Fachini, Luciana Lopes, Christina Belfort, Cristina Gailey, Marcelo Siqueira, Alexandre Spatuzza, Monica Picavea e Raphael Vasconcelos. Apoio:

Frank Siciliano e Marcelo Todescan Realização:



07

08 10

Água | Biossistemas integrados

Agricultura e Floresta | Biodiversidade em bambu

12

Lixo | Sobras para uns. Sobrevivência para outros

páginas 17

Geobiologia | O lado invisível da sustentabilidade

Políticas Públicas e Construção Civil | Guinada verde em 2009?

22

Arte e Design | Design com glamour e ética

23 c r i s r evi s t a g e a @ g m a i l . c o m www.revistagea.blogspot.com

Transdisciplinaridade | PIB ou FIB ?

Consumo e Tecnologia | Criar e inovar

20 21

13 Agenda 14 Sites e Livros verdes 15 Listas Verdes 16 HQ Tibá

Educação | Gestão de pessoas para a sustentabilidade

18 19

Arquitetura e Urbanismo | Transitions towns

Energia | Energia solar radiada sobre o Brasil

Luciana de Sá Nogueira Coordenadora da Revista GEA

revista

Centro de Referência e Integração em Sustentabilidade crisrevistagea@gmail.com

06

É com grande prazer que publicamos a segunda edição da Revista GEA, com novo layout, conteúdo, colaboradores e informações inovadoras. Este trabalho é fruto da integração de uma equipe transdisciplinar que segue um caminho entre desafios e conquistas, rumo a um mundo mais saudável e justo. A proposta da Revista GEA, realizada pelo CRIS (Centro de Integração em Sustentabilidade) tem o objetivo de contribuir para uma sociedade mais saudável, através de soluções eficientes e viáveis. Esperamos que estas informações sejam ferramentas valiosas para uma grande mudança positiva, onde os problemas são soluções. Um forte abraço da equipe CRIS !

A Revista GEA é um projeto do CRIS que tem como objetivo divulgar, integrar e compartilhar soluções para promoção da sustentabilidade em diferentes setores da sociedade. A veiculação é gratuita com tiragem de 6.000 exemplares, distribuída em diversos locais como ONGs, universidades, empresas, comércio do ramo, clientes e interessados. A viabilidade da revista, conta com o apoio de colaboradores. Informações: (11) 9257-6107 crisrevistagea@gmail.com

CES | Uma nova maneira de aprender

Projetos | 23 Passarela | 24 Mc Donald´s | 25 Bacarelli

26

Ciclosoluções | Desafios do ciclismo urbano 


Capa_CES

O CES - Centro de Educação para a Sustentabilidade Uma nova maneira de aprender Luciana de Sá Nogueira

Educadora e Gestora Ambiental luciananogueirasa@yahoo.com.br

O

CES é a concretização de um sonho. Sua proposta é transformadora, otimista e demonstra a possibilidade de uma nova maneira de viver, conectada com os aspectos social, ambiental, econômico e visão de mundo - considerados os 4 pilares da sustentabilidade.

A construção do CES envolveu uma grande variedade de tecnologias e materiais de construção de baixo impacto como no caso o Bambu, a terra e a madeira certificada além do design da arquitetura baseado nos padrões da natureza. A respeito do manejo de água forão implantados sistemas de aproveitamento da água da chuva e o Biossistema integrado para o tratamento da água e geração de biogás. As fontes de energia renovável aplicadas são a Solar e Eólica. Muitos materiais utilizados para revestimento foram doados por empresas como cacos de cerâmica para Mozaico da LEPRI, Piso de pneu Reciclado da CIAFORM, revestimento de casa de semente de babaçu e coco da EKOBE, Vidro Reciclado da UBVIDRO, Placas de aparas de tubo de creme dental da Ecollit entre outros. Além das referências na arquitetura e construção o CES é um Centro de disseminação do conhecimento que atualmente recebe pessoas e realiza cursos diversos para contribuir em uma sociedade mais justa e saudável.

SAIBA MAIS Localizado no condomínio AlphaVille Burle Marx, em São Paulo é uma iniciativa e fruto da parceria entre a Fundação Alphaville, a prefeitura de Santana do Parnaíba e o CRIS (Centro de Referências e Integração em Sustentabilidade), que integrou uma equipe multidisciplinar nas áreas de bioconstrução, manejo de água e energia renovável. Antes e durante toda a implantação foram oferecidas oficinas sobre técnicas sustentáveis e contamos com o apoio do GAIA EDUCATION para esse trabalho. O GAIA foi criado pelos profissionais de Findhorn Ecovillage e está ligado à ONU, Organização das Nações Unidas.



www.crisfundacaoalphavilleces.blogspot.com www.fundacaoalphaville.org.br www.crissustentabilidade.blogspot.com




Ilustração: Henrique Barone

Arquitetura e Urbanismo

Transitions Towns Cidades em transição

As diferentes formas e seus subprodutos

Por Mônica Picavêa

Por Augustin T. Woelz

Diretora (Fundação Alphaville) monica@alphaville.com.br

Coordenador de projetos de Aquecedores Solares de Baixo Custo (ASBC) da Sociedade do Sol info@sociedadedosol.org.br

C

idades de Transição é um movimento nascido no Reino Unido, que busca a mobilização da sociedade para um design coletivo da transição das cidades para uma lógica mais sustentável. O grande objetivo é reunir todos os segmentos sociais em busca de soluções para as questões que mais afligem os assentamentos urbanos, buscando uma nova forma de consumo principalmente dos combustíveis fósseis, uma matriz energética mais sustentável, entre outras questões. Os motivos são os mais diversos, mas a abordagem de Rob Hopkins tem como base o Pico do Petróleo e as Mudanças Climáticas: Pico do Petróleo: Achar alternativas para esta fonte de energia finita entre outras é crucial para o futuro da humanidade, pois é certo que chegamos ao limite do uso do petróleo em nossa civilização. Mudanças Climáticas: Não se sabe ainda quais serão as conseqüências futuras, mas é consenso que existe um aquecimento global que está modificando o clima em todo o planeta, ocasionando desde os desequilíbrios mais tênues até as grandes catástrofes como furacões destruidores, tsunamis, enchentes e terremotos. Esse olhar proposto por Hopkins traz uma maneira mais positiva e ativa de se posicionar frente a esse grande desafio de migrar de uma sociedade insustentável para um mundo mais perene, e que não consuma com tanta avidez os recursos naturais. Talvez por esse motivo sua expansão venha sendo tão rápida. Atualmente, cerca de dois anos depois da criação do conceito, mais de 500 cidades já aderiram ao movimento e vêm empreendendo seus esforços positivamente para transformar suas realidades. A partir desse epicentro, existe hoje uma rede de transição, que desenvolve um movimento de suporte e de incentivo às demais.



O

Brasil é o país mais bem ensolarado do planeta. É nossa obrigação fazer o melhor uso desta energia, que se apresenta de várias formas, e de seus subprodutos:

VENTO

Resulta do aquecimento da superfície que aquece o ar. Isto produz variação de densidade causando movimentações das massas atmosféricas. SUBPRODUTO: Ao incidir sobre geradores eólicos, (grandes cata-ventos) é gerada energia elétrica limpa; nosso potencial eólico é 1,5 vezes a do parque elétrico instalado.

BIOMASSA

Cobertura vegetal da nação. SUBPRODUTO: A vegetação produz álcool, óleo diesel e energia elétrica. Temos potencial para substituir todo o petróleo consumido no Brasil.

Foto: Sociedade do Sol

ONDAS DO MAR

Subproduto dos ventos. SUBPRODUTO: Tem potencial para decuplicar a energia gerada no país.

NUVENS E CHUVAS

SAIBA MAIS

www.transitiontowns.org

Com a radiação, as águas do mar evaporam e geram nuvens que deságuam no continente. O excesso é absorvido pelos rios, lagos e oceanos. SUBPRODUTO: As águas resultantes, guardadas em represas, atuam sobre turbinas e geradores. A hidrelétrica é a principal fonte de energia da nação.

CALOR

Usado de várias formas, como aquecer água e ar. SUBPRODUTO: Usado com alta eficiência para aquecer água de banho. Temos tecnologia atender a todos, dado o baixo custo. A aplicação em escala permite substituir 10% da demanda nacional por energia elétrica.

ENERGIA ELéTRICA DIRETA

A radiação transforma-se diretamente em energia elétrica ao incidir sobre placas eletrônicas ou fotovoltaicas. SUBPRODUTO: Instalando as placas fotovoltaicas sobre 6% da área nacional, poderíamos fornecer toda a energia usada pela humanidade (desafio: alto custo).

Foto: Sociedade do Sol

Arquiteto (Todescan e Siciliano) marcelotodescan@gmail.com

Energia Solar radiada sobre o BrasiL

Foto: Maíra Carbonieri

Por Marcelo Todescan

Energia

Fotos. Da esquerda para a direita: Forno solar - Exposição em Barcelona | ASBC em Limeira - SP | ASBC no Residencial Campo Alegre Uberlândia - MG

Em resumo, energeticamente falando, o Brasil é uma das nações mais importantes da Terra. Atuando corretamente, parte da solução do aquecimento planetário estará encaminhado.

SAIBA MAIS

www.sociedadedosol.org.br www.altercoop.com.br www.energiasrenovaveis.com




Água

Biossistemas Integrados

Transformando esgoto em energia, vida e beleza Foto: George Chan

Por Gui Castagna

Engenheiro Civil e Permacultor guilherme@permacultura.org.br

Revista GEA: O que são e como funcionam os biossistemas integrados? De que forma eles podem colaborar na despoluição dos rios? Fachini: Os biossistemas integrados são um conjunto de equipamentos implantados que tentam imitar os ciclos sustentáveis da natureza e que reproduzem os grandes reinos: animal, vegetal, mineral, e moneras . Os biossistemas fazem com que os resíduos dos processos humanos de produção poluam menos ao



longo das etapas de tratamento, produzem energia a partir da biomassa das plantas, e reciclam nutrientes para reaproveitamento na produção de vegetais e na recuperação de áreas degradadas. O efluente tratado é disponibilizado com baixos níveis de nutrientes, podendo retornar ao ambiente na forma de irrigação, infiltração ou mesmo diretamente a um rio.

GEA: Quais são as vantagens obtidas pela implantação de biossistemas integrados? Fachini: Melhoria da qualidade de vida do ambiente, das pessoas e da água devolvida aos rios, lagos e mar. Educação ambiental e geração de trabalho e renda, além dos benefícios diretos com a produção de gás, de alimentos e de adubo. Um biossistema produz vida, não gera poluentes, mau cheiro ou degradação ambiental. GEA: Tendo como pano de fundo os objetivos de recuperação sócio-ambiental de áreas que foram degradadas, como são definidas as etapas de cada biossistema? Fachini: Resolver o problema do esgoto é uma forma da comunidade iniciar outros processos de participação cidadã. Depois de constatada a necessidade, os órgãos que devem participar são acionados, como prefeituras, companhias de água e esgoto e, se envolver pesquisa, as universidades locais. Depois dos orçamentos aprovados, se definem as equipes de trabalho, sempre incluindo o pessoal local. Isto é fundamental para a posterior operacionalização do biossistema. GEA: Seguindo no tema recuperação de áreas degradadas, como se dá o estabelecimento dos biossistemas junto às comunidades carentes ou tradicionais?

Foto: George Chan

E

nquanto míopes governantes celebram a descoberta de novas reservas de petróleo e multinacionais articulam lobbys bilionários em favor de transgênicos e de usinas nucleares, uma onda de projetos verdadeiramente sustentáveis transformam esgoto e “lixo” orgânico em energia, adubo e alimento. Nesse novo caminho destaca-se O Instituto Ambiental (OIA), ONG sediada em Petrópolis (RJ) com equipes na Bahia e em São Paulo. O OIA atua na pesquisa, aplicação e difusão dos biossistemas integrados - sistemas biológicos multifuncionais que realizam o tratamento de efluentes de forma simples e ecológica, com baixo custo e baixo consumo de energia, além de promover funções positivas durante o processo. Nosso entrevistado está no OIA desde sua fundação, em 1992, quando o OIA participou de um projeto local de biossistemas, com a participação dos laureados José Lutzenberger, o “Lutz”, do Professor George Chan, da Fundação ZERI, e do Professor Michael Braumgarten, da Universidade de Hamburgo, Alemanha. Filósofo e educador comunitário, Valmir Fachini falou à Revista Cris sobre a importância dos biossistemas.

Fachini: A escolha das comunidades é feita em vista das necessidades locais. Quando a solicitação parte de uma comunidade, buscamos parcerias para implantar o projeto. Os moradores participam das discussões desde o inicio, depois elegem quem vai atuar com trabalho remunerado na fase de implantação, e posteriormente decidem quem vai operar o sistema. O trabalho de educação ambiental deve ser contínuo em todas as etapas de implantação, seguindo durante a operação do projeto. Quando há produção, é possível que o operador execute suas tarefas em troca da produção. Assim o projeto torna-se sustentável também na operação. Em projetos pequenos a família que cede a área para implantação do sistema depois se beneficia pelo uso do biogás, por exemplo. Quando o projeto está em áreas públicas, sempre que possível, o biogás é destinado para um equipamento comunitário como uma escola ou creche.

Foto: Valmir Fachini

Foto: Luciana de Sá Nogueira

Fotos. Da esquerda para a direita: Biossistema de alojamento no SPAVENTURA, Ibiúna-SP | Biossistema chinês | Fogão em escola rural na Nicarágua usando biogás. Abaixo : Vista aérea de biossistema na China

GEA: Ouvimos dizer que se o volume de gás produzido por sistemas descentralizados em toda a China fosse reunido, ele geraria o equivalente à produção de cinco usinas de Itaipu. Este número faz sentido? Fachini: Sim. Eles possuem hoje mais de 11 milhões de biodigestores. Uma produção mínima de 1 m3 por família gera 20 milhões de kW/dia, distribuídos de forma descentralizada. Uma das grandes revoluções do futuro é energética. A produção descentralizada gera maior autonomia para as pessoas e a menor dependência de corporações pode ajudar em outros processos libertários individuais e coletivos.

SAIBA MAIS

O Instituto Ambiental | www.oia.org.br

Fundação ZERI | www.zeri.org.br




Agricultura e Floresta

cie Dendrocalamus giganteus no Rio de Janeiro - RJ - e em Campo Grande - MS. Esta espécie costuma ser chamada de “bambu-balde”, pela sua grossura. Podem chegar a 25 centímetros de diâmetro e cerca de vinte e cinco metros de altura. Seus brotos são comestíveis. Quando jovens estes bambus apresentam penugem áspera marrom, quase dourada. Os maiores bambus entre todos são das espécies Dendrocalamus giganteus e Dendrocalamus sinicus .

Diversidade em bambu Espécies e Taxonomias

Texto e Fotos por Raphael Moras de Vasconcellos raphael@agenciabambu.com.br

N

o mundo existem cerca de 1200 espécies de bambu, divididas em aproximadamente 90 gêneros. São encontrados em altitudes que variam de zero até 4800 metros. Os tons de cor são variados: preto, vermelho, azul, violeta, tendo o verde e o amarelo como principais. Resistem a temperaturas abaixo de zero (principalmente os leptomorfos ou ‘runners’) e temperaturas tropicais (principalmente os paquimorfos ou ‘clumpers’). Crescem como pequenas gramíneas ou chegam a extremos de 40 metros de altura.

Uma das espécies de bambu mais conhecidas no mundo é a Phyllostachys aurea, aqui chamado de “bambu-mirim”, e la fora de “Golden Bamboo”, “Fishing pole Bamboo” entre outros. Ele é um bambu de rizomas leptomorfos, por isso mais adaptado ao clima temperado. É usado para varas de pescar, estruturas, móveis e trançados pela sua grande resistência. O gênero Phyllostachys é o mais variado, tendo grande número de espécies. Outro bambu muito apreciado deste gênero é o Mossô: Phyllostachys pubescens, muito usado na China para obtenção de brotos comestíveis. É o bambu mais usado nos laminados de bambu para piso e painéis (Plyboo). Uma característica interessante desta espécie é o aparecimento de entrenós curvados ou comprimidos. Quando acontece de um bambu inteiro nascer assim ele é chamado de P. pubescens “Kikko” ou “Tortoise Shell Bamboo”, por se parecer com um casco de tartaruga.

Os bambus do gênero Guadua tem uma importância crucial na economia de Equador e Colômbia. É uma espécie conhecida dos nativos há pelo menos 5000 anos. Anteriormente incluídos no gênero Bambusa, este bambu nativo da América possui espécies com tremenda resistência, o Guadua angustifolia, sendo notadamente tido como um excelente material de construção. Sua característica mais chamativa são os nós brancos. No Brasil existem vastas florestas naturais de Guadua weberbaueri na Amazônia. Encontramos outras espécies de Guaduas em grande parte do território brasileiro, do sul a norte. Uma que está começando a ser utilizada para construção é a Guadua chacoensis, também encontrada na Argentina e no Paraguai.

Guadua angustifolia (less thorny

Guadua angustifolia

Colmos grossos Colmos jovens Bambusa vulgaris “vittata”

No Brasil existem muitas espécies nativas e exógenas (não-nativas). O bambu da espécie Bambusa vulgaris é muito espalhado pelo país, porém é originário da China, e possui colmos grossos e de cor verde. Uma variação desta espécie é a Bambusa vulgaris var. “vittata” (ver na foto acima), também chamado de “bambu brasileiro”, “imperial” ou “verde amarelo”, e possui grande apelo estético. O gênero Bambusa possui apenas bambus de rizomas paquimorfos, ou seja, de colmos bem juntos. O gênero Bambusa é usado como polpa de papel além de fonte de bebida alcólica.

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Colmos altos

Bambusa vulgaris “vittata”

P. nigra

P. nigra (Boryana)

P. pubescens (Moso)

P. pubescens (Kikko)

A espécie Phyllostachys nigra é intrigante por ser primeiramente verde e, depois de maduro, preto. A variação Phyllostachys nigra “Boryana” é verde com manchas marrons, uma espécie bela. O gênero Dendrocalamus é originário da Ásia também, e encontramos muitos espécimes da espé-

Guadua angustifolia

SAIBA MAIS

www.agenciabambu.com.br www.bambubrasileiro.com

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Reciclagem

LIXO

Sobras para uns. Sobrevivência para outros Por Luciana Lopes

Geógrafa e Gestora de Resíduos Sólidos do IPESA lucianalopes2003@yahoo.com.br

O

lixo é sem dúvida é um dos maiores problemas ambientais do mundo na atualidade. Fruto de uma lógica de vida baseada na produção e no consumo exagerado, a enorme geração de resíduos é acentuada pela incorporação das embalagens na sua definição (aquilo que não serve mais) e pela pouca aplicação de tecnologias de reutilização e reciclagem. O lixo é também fonte de sobrevivência de milhares de pessoas que, percebendo nas sobras uma forma de garantir um rendimento geralmente superior ao salário mínimo, criaram um “sistema” de reaproveitamento informal, paralelo ao do poder público, que muitas vezes prefere não enxergar ou ainda lutar contra as iniciativas. Esse sistema é hoje, juntamente com os sucateiros e as indústrias, o alimentador da cadeia de reciclagem, gerando emprego e a diminuição na pressão por matéria-prima e a economia dos recursos naturais. Devido à amplitude do tema e das variantes de cada um, as discussões para a gestão dos resíduos sólidos acabam muitas vezes por caminhar em separado. De um lado, cada vez mais as organizações não governamentais e os pesquisadores do tema, acreditam que é necessário repensar os padrões atuais de consumo e descarte, estimular o consumo consciente e a necessidade de melhorar as condições de vida e trabalho dos catadores. Do outro lado, grande parte das prefeituras, pressionadas pelo Ministério Público ou pelos órgãos estaduais de meio ambiente, começam a buscar alternativas para a solução do problema do lixo. Enfrentam, porém, problemas como a limitação financeira, falta de conhecimento e descontinuida-

12

JANEIRO

. Curso de Bambu Data: 22 a 25/01/09 www.tibarose.org . Fórum Social Mundial 2009 Local: Belém, PA, BRasil Data: 27 a 31/01/09 www.forumsocialmundial.org.br

FEVEREIRO

de administrativa. Grande parte também acaba por encarar o lixo apenas como um problema que deve ser resolvido por meio de soluções técnicas, como a logística e o uso de maquinários adequados para a coleta e a destinação final mais adequada, que isente a municipalidade de multas. Acaba-se por criar, dessa forma, um hiato entre as questões mundiais e os padrões insustentáveis de produção e consumo e as alternativas locais implantadas pela municipalidade. Como integrar esses dois caminhos, incorporando o tão sonhado desenvolvimento sustentável ao cotidiano das cidades? Como incorporar as pessoas que vivem do lixo ao sistema oficial de gestão? Como construir alternativas de gerenciamento que diminuam os gastos do poder público municipal com a coleta, tratamento e disposição dos resíduos? Há dois anos, o Estado de São Paulo aprovou a Política Estadual de Resíduos Sólidos, comprometendo os municípios a repesar a gestão dos seus resíduos com a organização de sistema de coleta seletiva, compostagem, aproveitamento dos entulhos e destinação correta do lixo hospitalar e das sobras do sistema. Ainda há um longo caminho a ser percorrido, mas a regulação do sistema, aliado ao crescente interesse da sociedade pela reciclagem, mostra que em um futuro não muito distante os resíduos sólidos podem deixar de ser um problema para as administrações municipais e passar a ser um potencial de desenvolvimento e inclusão social.

SAIBA MAIS

www.ipesa.org.br

. Curso de Bio-Arquitetura Data: 28/01 a 1/02/09 www.tibarose.org

MAIO

. 2º Workshop Internacional sobre “Avanços em produção mais limpa” e “Os elementos-chave para a sustentabilidade do planeta”. Local: Universidade Paulista (Campus Indianópolis) São Paulo, SP. Brasil Data: 20 a 22/05/09 www.advancesincleanerproduction.net

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VERIFIQUE A PROGRAMAÇÃO DO CEDRUS www.cedrusibiuna.blogspot.com

MARçO

. Workshop de PROUT e Neo-Humanismo Data: 10-11-12/03/09 (Páscoa) www.blig.ig.com.br/sustentavel . Fórum Mundial das Águas - World Water Forum Local: Istambul, Turquia Data: 16 a 23/03/09 www.worldwaterforum5.org . Ecogerma 2009: Feira e Congresso sobre o Mercado de Sustentabilidade Local: São Paulo, SP, Brasil Data: 16 a 23/03/09 www.ecogerma.com . Curso de Energias Renováveis Data: 21-22/03/09 www.blig.ig.com.br/sustentavel sustentabilidade@visaofuturosp.org . Revestir 2009 Data: 24 a 27 de março de 2009 www.exporevestir.com.br proutsp@gmail.com

ABRIL

. Curso de Agrofloresta Data: 02 a 05/04/09 www.tibarose.org . 3º Encontro Internacional de Desenvolvimento Sustentável - Realização CEBDS Local: São Paulo, SP, Brasil www.sustentavel.org.br

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3-5 March | Earls Court www.eventostravel.com Telefax: +55 (41) 3308-4906 Cel: (41) 9979-2442

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ÁGUA

Energia

Sites: www.cidadessolares.org.br www.sociedadedosol.org.br www.solarterra.com.br www.polienergia.com.br Livros: . Natural Home Heating, Greg Pahl . The Solar House, Daniel Chiras

Arquitetura e Urbanismo

Sites: www.auroville.org www.ecovillagefindhorn.org www.ena.ecovillage.org

Livros: . Schumacher Briefings - Ecovillages, New Frontiers for Sustainability, Jonathan Dawson . Ecovillage Living, Hildur Jackson and Karen Svensson

Educação

Sites: www.gaiabrasil.net www.gaiaeducation.org Livros: . Escola Sustentável, eco-alfabetizando pelo ambiente (2a. Ed), Lucy Legan . Jornada de Amor à Terra - Ética e Educação em Valores Universais, Laura Roizman & Elci Ferreira

Água

Sites: www.oia.org.br Livros . Create an Oasis with Greywater, Art Ludwig . Rainwater harvesting for Drylands, Brad Lancaster . Aproveitamento de Água de Chuva, Masato Kobiyama, Ushiwata & Afonso

Construção Sustentável

Sites: www.tibarose.org.br www.ecocentro.org www.crissustentabilidade.blogspot.com

Livros: . Manual do Arquiteto Descalço, Johan Van Lengen . The Hand Sculpted House, Ianto Evans, Smith & Smiley

Permacultura, Geobiologia e Bioclimática

Sites: www.permacultura.org.br www.arquitecturatropical.org www.verdesaine.net www.geobiologia.org.br

Livros: . Introdução a Permacultura, Bill Mollison . Basics of Permaculture Design, Ross Mars

Economia

Livros: . El Futuro Del Dinero, Bernard Lieter . Mercado Ético, Hazel Henderson

Gui Castagna Aproveitamento água da chuva guilherme@permacultura.org (12) 9702-9203 OIA - O Instituto Ambiental www.oia.org.br administracao@oia.org.br

PAISAGISMO

Coltivare www.coltivare.com.br coltivare@coltivare.com.br

DESIGN DE INTERIORES

Ana Lucia Siciliano www.alsarquitetura.com.br analuciasiciliano@gmail.com

CENTROS DE EDUCAÇÃO DE BIOCONSTRUÇÃO

CEDRUS - Centro Educacional para o desenvolvimento rural sustentável www.cedrusibiuna.blospot.com TIBA www.tibarose.com tiba@tibarose.com

CES - Centro de Educação para a Sustentabilidade www.fundacaoalphaville.org.br

LOJAS DE MATERIAIS

Prima Matéria www.primamateria.com.br Ecomercado Avisrara www.ecomercado.com.br

MATERIAIS E REVESTIMENTOS

LEPRI - Cerâmicas recicladas www.lepri.com.br UBV - Vidros recicláveis www.vidrosubv.com.br

Alluse - Telhas e Placas de aparas de tubo de pasta de dente www.alluse.com.br joaomaterezio@gmail.com

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EKOBE - Revestimentos naturais www.ekobe.com.br CIAFORM - Piso de pneu reciclado www.ciaform.com.br FASA www.fibraotica.com.br

PROJETOS DE EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO

PROATIVA Consultoria www.proativaconsultoria.net Dedo Verde www.dedoverde.com.br

BRINDES PROMOCIONAIS

Amazon Paper www.amazonpaper.com.br

BIOCONSTRUÇÃO COM BAMBU

ZUMMaresias zunn@bambubrasileiro.com

BIOCONSTRUÇÃO EM TERRA

Verdesaine www.verdesaine.net

PROJETOS ESTRUTURAIS

Gilberto Pinto Rodrigues gilbertopintorodrigues@gmail.com (11) 3021-3645

CRÉDITOS DE CARBONO

ECCAPLAN www.eccaplan.com.br ricardo.uchoa@eccaplan.com.br

PROJETOS E CONSULTORIAS PARA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

CRIS - Centro de Integração em Sustentabilidade www.crissustentabilidade.blogspot.com denise.mazeto@gmail.com

PRÁTICAS HOLÍSTICAS

Visão Futuro www.visaofuturo.org.br

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Educação

Gestão de Pessoas para a Sustentabilidade Por Cristina Gailey

Psicóloga e Diretora da Proativa Consultoria cgailey@terra.com.br

A

forte demanda por gestão sustentável exige equipes bem preparadas para se obter maior eficiência e melhoria contínua de seus processo produtivos, melhorando seu desempenho ambiental e aumentando sua competitividade no mercado. Só será possível atingir esta consistente mudança de cultura a partir do trabalho de mudança de atitudes, pautada no desenvolvimento de competências compatíveis com a demanda sustentável, conscientização e assimilação de valores essenciais, éticos e sócioambientais. Para tal, a educação ambiental, a capacitação e todos os meios que visem o desenvolvimento das pessoas na direção destes objetivos, tornam-se ferramentas de maior importância dentro do contexto de transformação individual e coletiva, contribuindo para: Formar líderes para a condução de equipes para a solução de problemas relacionados à sustentabilidade e responsabilidade social. Aumentar a criticidade, visão sistêmica e raciocínio estratégico para tomadas de decisões (urgentes e programadas) implícitas à gestão sustentável. Promover boas práticas que garantam um ambiente saudável e produtivo favorável ao crescimento humano e profissional. Levar o grupo a refletir sobre a realidade que o cerca, para perceber quais as exigências em relação ao seu papel na sociedade e na empresa em que atua.

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A sustentabilidade só é legítima quando prevê viabilidade econômica com equidade social, qualidade de vida e garantia de preservação ambiental. Cada vez mais, a sociedade, o poder público e as empresas, num esforço conjunto, devem estar comprometidos com este propósito, com ações que representem uma gestão voltada ao verdadeiro desenvolvimento sustentável.

SAIBA MAIS

www.proativaconsultoria.net

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Consumo e Tecnologia

Transdisciplinaridade

PIB ou FIB ?

CRIAR E INOVAR

Índices para felicidade. Caminhos para uma nova economia sustentável

O novo paradigma de desenvolvimento

Fonte: Material de divulgação / Instituto Visão Futuro

Por Denise Mazeto

www.visaofuturo.org.br

S

erá que podemos criar uma economia genuinamente sustentável? Uma economia que traga prosperidade sem prejudicar as verdadeiras riquezas que temos na terra – como água e ar puros, um solo fértil, comunidades fortes e vibrantes, o bem-estar das pessoas e famílias harmoniosas? Sim. Podemos. Desde que desenvolvamos novas formas de avaliar fatores econômicos, sociais e ambientais. O PIB, que mede o total da produção e das trocas de um país, e que prega o crescimento indefinido como caminho do progresso, é cada vez mais inviável em um mundo sofrendo uma profunda crise ecológica. O Butão, um pequeno país dos Himalaias, deu um histórico passo à frente e criou o FIB, Felicidade Interna Bruta. Uma inovadora ferramenta nas políticas de planejamento, que define prosperidade em termos mais holísticos, e mede o bem-estar do cidadão em vez do mero consumo de bens e serviços.

Integradora de Sustentabilidade do CRIS denise.mazeto@gmail.com

Um novo paradigna do processo – política nacional baseada na compaixão em vez de cobiça

P

ensar em sustentabilidade é buscar uma visão integrada que considere a ética como principio orientador para um novo paradigma. É ter a determinação de partir para soluções criativas e inovadoras que almejem a felicidade e o bem estar de todos os seres. O atual modelo econômico diz que precisamos comprar e comprar, para assim manter o mercado aquecido e gerar empregos. Nosso subconsciente, aceita esse fato e cede aos impulsos. A essa lógica da “normose” soma-se a “doença de ser normal”, está o pensamento do “máximo lucro no menor tempo possível”.

FIB (Felicidade Interna Bruta), em substituição ao PIB (Produto Interno Bruto) surgiu de uma reflexão do rei do Butão, Jigme Singye Wangchuck, quando, de que a felicidade do povo deveria ser o propósito da governança. A partir disso, o Centro de Estudos do Butão reuniu especialistas de todo o mundo para encontrar os pontos-chaves para a felicidade, a satisfação com a vida e o bem estar da população. Após estudos chegou-se aos nove indicadores que compõem o FIB atualmente: Bom padrão de vida econômica; Boa governança; Educação de qualidade; Saúde; Vitalidade comunitária; Proteção ambiental; Acesso à cultura; Gerenciamento equilibrado do tempo; Bem estar psicológico.

Novos protagonistas A boa noticia é que um novo caminho começou a ser trilhado por pessoas que criam e inovam na revisão de sistemas, materiais e processos. Re-avaliam o ciclo produtivo para que o consumo de matériaprima, água, energia, mão-de-obra, entre outros, tenha como ponto fundamental o respeito à vida. Seguem alguns exemplos:

A Dra. Susan Andrews, psicóloga e antropóloga formada pela Universidade de Harvard, junto com uma equipe multidisciplinar está disseminando o FIB no Brasil.

SOLUÇÕES DESCENTRALIZADAS: Energias

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Ilustração: Fernanda Ribeiro

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renováveis, reciclagem de resíduos, aproveitamento de água de chuva e tratamento de esgoto são exemplos de soluções descentralizadas que tornam a perspectiva de um mundo ecologicamente equilibrado ainda mais próxima de nossa realidade.

FIBRA VEGETAL NA FABRICAÇÃO DE TURBINAS EÓLICAS: Desenvolvida por uma empresa nacional, que substitui a danosa fibra de vidro, nociva ao operário que trabalha na produção.

COCO: Um super alimento, a casca e a fibras dão origem a mantas de isolamento térmico e acústico, botões, pastilhas para revestimento, vasos etc.

BAMBU: É rapidamente renovável e seqüestra 30% a mais de carbono do que outra vegetação de mesmo porte, substituindo a madeira em construções, móveis e utensílios doméstico.

Desafios para a ação Pesquisas mostram que o ser humano comum precisa de 10 mil horas de prática para mudar o padrão neural, um comportamento. Estamos em transição. É preciso acreditar e incentivar com informação de qualidade, clara e transparente, que leve a reflexão e ao engajamento de cada um na criação de uma realidade diferente, mais próxima de um mundo saudável e sustentável.

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Políticas Públicas e Construção Civil

Geobiologia

Geobiologia

uma guinada verde em 2009?

O lado invisível da sustentabilidade

Por Alexandre Spatuzza

Jornalista da Revista Sustentabilidade spatuzza@revistasustentabilidade.com.br

Por Christina Belfort

Geobióloga e Educadora chrisbel@yahool.com.br

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s infindáveis meses de disputa pela prefeitura de São Paulo reduziram os problemas da cidade em três áreas: saúde, transporte e moradia. Questões programáticas, ideológicas, e, portanto, complexas, foram deixadas de lado. Temas como mudanças climáticas e construção civil não foram discutidos, mesmo sabendo-se que a construção civil é uma das atividades que mais responde pela emissão de gases de efeito estufa, geração de resíduos e desperdício de energia. Os edifícios consomem 40% da energia mundial. Emitem 48% dos gases de efeito estufa na sua construção e operação, além de consumir 15% a 75% dos recursos naturais, como madeira (66% de toda a madeira consumida), metais, areia e pedra. O prefeito Gilberto Kassab enviou à Câmara Municipal o projeto de lei 0530/2008 que instrui a Política Municipal do Clima. Com dificuldade a revista Sustentabilidade conseguiu uma cópia. A proposta é interessante e aborda diferentes aspectos da difícil vida na metrópole, como transporte, saúde, construção civil, uso do solo, resíduos e energia. Nas seções de construção civil e uso do solo, o projeto prevê os seguintes itens:

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Ilustração: Fernanda Ribeiro

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eobiologia é a ciência que estuda os cam- chamadas lay lines, que são centros vitais de energia pos energéticos da Terra e sua interação ou meridianos que recolhem, revitalizam e depois decom os seres vivos. Sendo considerada volvem a energia ao ambiente. Uma obstrução de lay parte complementar da Biologia, está associada ao lines regionais acontece quando grandes quantidaestudo de fatores climáticos e, mais recentemente, des de terra são mobilizadas, como na construção de aos processos bioquímicos da vida. Hoje em dia, con- barragens, desvio do curso de rios ou implantação de torres de alta tensão. Tais obras interrompem o fornetudo, sua atuação mostra-se bem mais ampla. O estudo das linhas de energia do planeta não é cimento de vitalidade e em pouco tempo os cidadãos começam a sentir os efeitos tão novo assim. Todas as antinegativos, observáveis no gas civilizações conheciam o aumento de incidência nos tema e faziam sérios estudos hospitais, delegacias, corantes de construírem suas rupção, violência, poluição e casas. Sabia-se que dentro da visível baixa na qualidade de malha energética que a tudo vida. e a todos envolve, existem pontos chamados de telúUniverso vivo e pulsante ricos, que não favorecem a Independentemente de permanência de seres humatermos ou não consciência, nos. Esses aspectos não são um mundo invisível atua maléficos por si e fazem parsobre todas as coisas. Porte da ordem natural. Desde tanto, ao adquirir um tero início do século XX, alguns reno, alguns fatores devem médicos e pesquisadores euser pesquisados. É preciso ropeus como Robert Endros, estudar as zonas tectônicas, Dr. Ernest Hartman, Gustav fraturas geopáticas e rochas Von Pohl e Manfred Curry obGeobiologia é a ciência que pesquisa a emissoras de radioatividade servaram em seus pacientes interação dos seres vivos com o meio amionizante, além de dar atena relação direta entre certas biente e as influências das energias cósmição especial à instalação doenças e as energias do subcas e telúricas sobre suas vidas. elétrica, hidráulica, tipos de solo, como falhas energéticas, material, tintas, calefação, lençóis freáticos, linhas de circulação do ar, disposição do imóvel em relação ao Hartman e Curry etc. norte magnético, posição dos dormitórios em relação habitantes e aos banheiros, o formato do imóvel, Harmonia nas malhas energéticas Chamado por secretarias de meio ambiente da dos telhados, da disposição espacial. A relação com Europa para recuperar ambientes degradados, o ge- os vizinhos e com a paisagem também são pontos obiólogo Marko Pagacntic é um dos mais reconheci- analisados pela geobiologia, cujos princípios se bados profissionais a trabalhar com a recomposição da seiam na energia existente em todas as formas de malha energética sutil da terra. Essa malha contém as vida. Não existe nada lá fora que não seja você.

Foto: Luciana de Sá Nogueira

Alvarás para novas edificações que adotem tecnologias sustentáveis e que utilizem a infra-estrutura urbana existente Redução da necessidade de deslocamento na cidade para trabalho, acesso a serviços públicos e lazer Permeabilização do solo (também critérios para entrar nos novos códigos de edificações) Isenção de impostos, redução da outorga onerosa e outros instrumentos econômicos, como pagamento de compensações para um fundo de desenvolvimento sustentável pelos poluidores, também constam do projeto de lei. Esperamos que o prefeito reeleito reapresente o projeto para debate e queremos participar deste novo mundo. Um mundo real e complexo, carente de soluções igualmente complexas, solidárias e, por que não, revolucionárias. “Tudo que é importante é difícil; e tudo é importante” (Rainer Maria Rilke)

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Projetos

Arte e Design

DESIGN COM GLAMOUR E ÉTICA Ambientes sustentáveis

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Por Ana Lucia Siciliano

Arquiteta e Designer de Interiores analuciasiciliano@gmail.com

PASSARELA VERDE

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que diz respeito a tendências, design de interiores nada mais relevante do que avaliar os matérias que utilizaremos na decoração desde as tintas, luminárias, móveis, cortinas entre outros . Ao avaliar estes produtos informe-se sobre a cadeia de produção e verifique se contempla as-

pectos sociais e ambientais, assim podemos estar conscientes e realizar um ambiente de bom gosto, conforto e ética. E ainda reduziremos a poluição do ar e da água e contribuiremos para um desenvolvimento comunitário mais sustentável. Seguem abaixo alguns Projetos de Ambientes:

Local: Avenida Eusébio Matoso, São Paulo/SP Arquitetura e Projeto: Marcelo Todescan, Frank Sicliano e Denise Mazeto Colaboradores: Ana Lucia Siciliano, Eduardo Giorno e Ricardo Gomide Parceria: Prefeitura do Município de São Paulo Consultoria: CRIS Construtora: Fakiani Patrocínio: Unibanco Processo: Concluído

CAFÉ DO RELÓGIO

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(Casa Cor, 2007)

Profissionais: Ana Lucia Siciliano, Frank Siciliano e Marcelo Todescan Piso de borracha de pneu reciclado; Paredes revestidas com adobe; Luminárias, cardápios e displays feitos pela Amazon Paper; Móveis de madeira de teca certificada; Aventais, cadeiras e poltronas são de tecidos ecológico; Jogos americanos de algodão orgânico ; Cadeiras, guarda-corpos e tampo de mesas feitas de bambu.

LIVRARIA COM CAFÉ (Casa Cor, 2007)

Profissional: Ana Lúcia Siciliano O piso do espaço é madeira de demolição; Luminárias de papel reciclado por Nido Campolongo; Estante de Sucupira em madeiras certificada; Paredes foram revestidas de tijolos de demolição.

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projeto de revitalização da Passarela da Avenida Eusébio Matoso foi idealizado como um modelo de intervenção pública sustentável, concebido de maneira a ser também um instrumento de educação para a sustentabilidade. Desta forma, o partido adotado foi o de utilizar a estrutura existente, técnicas e materiais que causassem o menor impacto ambiental possível. O projeto privilegiou a permeabilidade do solo, o uso de materiais reciclados (2) e a integração entre o usuário e seu espaço público. A Praça Eugene Boudin, incorporada ao projeto, ganhou uma nova área de permanência, onde foram instalados painéis explicativos (educacionais) e placas fotovoltaicas. A passarela, com 95 metros de extensão, ganhou painéis de madeira plástica (1). Esta madeira, composta por plásticos reciclados, oferece resistência de madeira de lei e reduz os custos de manutenção. Com a sobra da madeira utilizada para os painéis foram feitos os bancos em forma de espiral. Sobre as rampas de acesso à passarela, foi feito um telhado verde que contribui para o entorno urbano com a diminuição das ilhas de calor, a retenção da água da chuva, um belo visual e a criação de ecossistemas. No centro da passarela há outro telhado verde, com estrutura de bambu. O bambu é uma madeira rapidamente renovável que seqüestra 30% mais carbono que outras espécies vegetais do mesmo porte. (3) Todas as lâmpadas foram especificadas segundo o consumo de energia para reduzir o gasto de energia. Para permitir a acessibilidade dos portadores de necessidades especiais, praça e passarela são ligadas por elevadores (4), cuja caixa é feita de placas de aparas de tubo de creme dental. O projeto paisagístico (5) que privilegiou as árvores nativas, já adaptadas à cidade. Entre elas estão o Ipê-roxo, o Ipê-amarelo, a jabuticabeira, a goiabeira e a pitangueira.

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Projetos

MC DONALD’S DA RIVIERA DE SÃO LOURENÇO Local: Riviera de São Lourenço, Bertioga/SP Arquitetura e Projeto: Luciana Martello, Frank Siciliano e Marcelo Todescan Consultoria: CTE e CRIS Construtora: Enplatec Processo: Concluído

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Mc Donald´s Riviera de São Lourenço será o primeiro restaurante da rede na América Latina que reunirá em sua construção e arquitetura tecnologias de baixo impacto com a adoção de fontes de energias renováveis, manejo sustentável da água e materiais de construção como bambu, madeira certificada e outros. espera reduzir por ano 14% do consumo de energia, o equivalente a 50 mil KW, e economia de 217 mil litros de água, cerca de 50%. A iluminação solar responderá por 2,5% do total da energia consumida. Este Projeto segue as especificações das normas de certificações LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Ao lado, diferencias adotados:

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Projetos

MATERIAIS - Bambu. - Tijolo de Demolição. - Madeira FSC (certificação que garante a origem sustentável do produto florestal, e o reflorestamento da região da extração). - Placas composta de aparas de tubos de pasta dental. - Tintas a base de terra e água. - Concreto tipo CPIII. - Revestimento com pastilhas de coco e arroz. - Pisos de cerâmica com resíduos de lâmpadas fluorescentes e pneu. - Madeira Plástica 100% reciclada. ENERGIA - Placa de Aquecimento Solar. - Placa Fotovoltaica para Iluminação externa. - Lâmpadas Fluorescentes e LED. - Ar condicionado monitorado com fluido refrigerante ecológico, que elimina completamente o CFC que agride a camada de ozônio. ÁGUA - Vasos sanitários com válvulas de dois fluxos. - Aproveitamento da água de chuva em usos diversos. - Torneiras e registros automáticos para a redução do consumo de água. RESÍDUOS - Coleta seletiva de resíduos recicláveis. PAISAGISMO - Plantio de mudas nativas e irrigação racional.

SEDE E ESCOLA DE MÚSICA DO INSTITUTO BACCARELLI Local: Comunidade de Heliópolis Zona Sul de São Paulo/SP Arquitetura e Projeto: Frank Siciliano e Marcelo Todescan Construtora: Caruso Patrocínio: Primeira Etapa - Provida Processo: Primeira etapa concluída

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Instituto Baccarelli é uma associação civil sem fins lucrativos que tem por missão oferecer formação musical e artística de excelência proporcionando desenvolvimento pessoal e criando a oportunidade de profissionalização, com foco em crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social, preferencialmente na comunidade de Heliópolis. A entidade gerencia os programas: Sinfônica Heliópolis, de prática orquestral; Orquestra do Amanhã, de iniciação e aprimoramento em estudo de instrumentos e o Coral da Gente, de iniciação e aperfeiçoamento em canto coral com técnicas de expressão cênica. A partir de 2003 o Instituto Baccarelli em parceria com a Todescan Siciliano Arquitetura deu início ao projeto através de um levantamento de necessidades e liberação e aquisição do terreno, cedido pela Prefeitura de São Paulo, em regime de comodato em 2004, em um antigo pátio subutilizado da sub-prefeitura do Ipiranga, bairro vizinho à comuni-

dade de Heliópolis. No projeto além das implantações para melhor atender os alunos e a adequações acústicas o projeto inclui tecnologias de baixo impacto na construção. TECNOLOGIAS LIMPAS - Tratamento de esgoto por biosistema que, além de não utilizar produtos químicos nem contribuir para a sobrecarga da rede publica de esgoto, gera gás para uso da cozinha industrial e permite o reuso da água para regar o jardim e lavar o pátio interno. - Aproveitamento da água da chuva que será coletada e armazenada para fins não potáveis. - O edifício dispõe de um gerador elétrico com placas fotovoltaicas. - Sala de concertos conta com um teto jardim, que reduz a carga térmica interna da sala. - A eficiência energética foi outra questão considerada no projeto, com o desenvolvimento de um projeto de luminotécnica com lâmpadas de alta eficiência e baixo consumo e um uso abundante da luz natural.

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Ciclosoluções

Desafios do ciclismo urbano Por Marcelo Siqueira

Bike-repórter da Rádio Eldorado vadebike@gmail.com

A bicicleta no mundo

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ocê sabia a velocidade média dos carros que circulam em São Paulo é de 17km/h? Essa lentidão se verifica mesmo nos finais de semana. De acordo com pesquisas, um ciclista urbano circula mais rápido que um motorista, chegando a fazer a média de 25km/h. Além de ganhar mais tempo na vida, andar de bicicleta é uma solução limpa, saudável e democrática. Sua prática ainda reduz o impacto das desigualdades sociais e ajuda a humanizar o trânsito. Com uma lista de tantos benefícios, POR QUE as pessoas não passam a UTILIZAR MAIS a bicicleta? Insegurança no trânsito e falta de infra-estrutura podem ser algumas das respostas.

Movimentos como o 22 de setembro - Dia Mundial sem carro, World Nake Bike Ride e o Critical Mass conhecido no Brasil como Bicicletada, colaboram para a formação de uma nova consciência de deslocamento urbano. Outros exemplos de projetos de transporte público que incentivam o uso da bicicleta de referência são o Velip em Paris e o Bicing em Barcelona.

SAIBA MAIS

www.bicing.com www.velip.paris.fr www.bicicletada.org

(11) 3052-1363 www.todescansiciliano.com.br

Mas será que a inserção de ciclovias resolveria tais problemas? Sim, mas apenas em parte. Adianta pouco dar um livro a quem não sabe ou não gosta de ler. Estamos falando em mudança de hábitos e isso exige políticas públicas para educação no trânsito, fiscalização e incentivos à construção de uma cultura de ciclistas.

Foto: Albrecht Gerlach

Uma questão de educação

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Foto: Maíra Carbonieri

Foto: pollyrosa.multiply.com/photos

Fotos. Ao lado, de cima para baixo: Velip - França | Bicing - Barcelona | Abaixo, da esquerda para a direita: Marca de ciclovia | Bicicletada, Avenida Paulista - São PauloPaulista .

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projetos, consultorias e implantaçþes de projetos integrados

Contato: denise.mazeto@gmail.com Tel.: (11) 3467-8517 www.revistagea.blogspot.com

Apoio:

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Reflorestamento Agroflorestal:


Revista GEA - Global Ecologia Arquitetura