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Ecologicamente correta Da estrutura ao acabamento, tudo nessa casa foi feito com materiais reaproveitados ou renováveis

ARQUITETURA Todescan Siciliano Arquitetura PAISAGISMO MHC Paisagismo FOTOS Paulo Camargo

O

respeito ao meio ambiente foi a peça chave para a construção dessa casa em Cotia, SP. Adepta da ioga e da vida saudável, a proprietária queria morar em uma residência o mais sustentável possível, onde pudesse cultivar alimentos orgânicos e ver na prática a reciclagem e a compostagem. Por isso, os arquitetos não se limitaram a instalar painéis solares e sistemas de reúso de água. “Nós pesquisamos técnicas de construção ecologicamente corretas e optamos pelo Tsuchi Kabe, um sistema japonês semelhante ao pau-a-pique”, diz o arquiteto Marcelo Todescan. “Também procuramos usar ao máximo materiais reaproveitados”. As telhas que cobrem a casa e os cabos de aço do guarda-corpo do mezanino são de demolição. Já a tinta das paredes é à base de cal e pigmento. Nas janelas e no assoalho, a opção foi pelo eucalipto de reflorestamento. O reúso também fica evidente na decoração, feita com muitos móveis de família, peças trazidas de viagens e alguns presentes de amigos. No jardim, houve o cuidado de preservar as árvores encontradas no terreno. “O posicionamento da casa foi planejado para que não precisássemos remover muitas árvores”, conta a proprietária.

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As paredes da casa são de Tsuchi Kabe, uma técnica usada há séculos no Japão. Ela lembra muito o pau-apique e tem a vantagem de permitir a construção de paredes mais finas, o que representa um consumo menor de terra. “Primeiro montamos uma trama de bambu, que depois é coberta por camadas de uma mistura de argila e palha”, explica o consultor Enjo Stahel.

Quando aberta, a porta de madeira de demolição revela um arco marroquino, feito sob medida a pedido da proprietária.

Na frente da casa há um canteiro de ervas e temperos onde são cultivados aloe-vera, salsinha, manjericão, hortelã, erva-cidreira e pimenta, entre outras espécies. O banco junto ao canteiro e as pisadas de madeira que revestem o espaço foram feitos com toras de eucalipto que sobraram da construção.

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Tanto as paredes internas quanto as externas da casa foram pintadas com tinta à base de cal e pigmento. “Além de ser mais ecológica, ela mantém a temperatura controlada, faça frio ou calor”, explica Todescan.

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O pergolado de eucalipto sustenta uma trepadeira jasmim-dos-poetas (Jasminum polyanthum). No deque sob a estrutura foi instalada uma mesa de plástico que já pertencia à família. “Não é uma peça bonita, mas como nossa ideia era aproveitar na casa o que já tínhamos, decidimos usá-la”, justifica a proprietária. “Ela também tem a vantagem de resistir às intempéries”.

A vista do deque é privilegiada: voltada para o pomar de frutíferas e para o lago. Por isso, a família costuma usar o espaço para servir o café da manhã e lanches no fim da tarde. “De manhã recebemos a visita dos pássaros e, no fim do dia, somos presenteados com um belo pôr-do-sol”, conta a proprietária.

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Muitos dos móveis e objetos da sala de estar são herança de família. Caso do sofá coberto por uma manta e da mala antiga. Ela pertenceu à avó da proprietária e hoje é usada como revisteiro.

Uma das poucas desvantagens das paredes de barro é que elas impedem a fixação de pregos ou parafusos para pendurar quadros. Por isso, a família optou por usar decalques na decoração.

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Presente de um amigo, o único quadro da casa – ele fica acima da lareira – é sustentado por fios de náilon fixados na tora de eucalipto.

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Uma cama infantil, também herança de família, faz as vezes de sofá. Já o latão de leite antiga tem função meramente decorativa.

Um biombo de madeira e um sári indiano permitem isolar a sala de ioga do restante da casa. Ao lado dela fica a escada de madeira, que leva ao mezanino. Esse espaço é protegido por um guarda-corpo confeccionado com madeira e cabos de aço de demolição.

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A mesa e os bancos de demolição da cozinha foram colocados nesse espaço exatamente como estavam, sem receber qualquer pintura.

Pequenos detalhes fazem a diferença na decoração. É o caso do mosaico de ladrilhos hidráulicos reaproveitados que foi instalado no

centro do piso da cozinha. Sobre a mesa, os destaques são o vaso com flores do jardim e a marmita colorida.

Assim como no resto da casa, a opção na cozinha foi pela simplicidade. Em vez de portas, a pia de cimento queimado recebeu cortinas de tecido feitas pela proprietária. Sobre ela, um filtro de barro antigo garante água pura e fresca a qualquer hora do dia.

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Ecologicamente Correto - Casa na GRanja  

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