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Os últimos grupos de acesso atualmente desfilam na Avenida Intendente Magalhães, situado no subúrbio da cidade, cujas formas de acesso por transporte de massa são algumas linhas de ônibus locais e outras poucas que partem do centro da cidade. Não há estações de trem ou metrô próximas a esta avenida e muito menos qualquer sistema organizado de estacionamento de automóveis particulares. Até o ano de 1997, todos os grupos das escolas de samba que desfilam na cidade do Rio de Janeiro apresentavam-se em locais situados no centro da cidade. No ano seguinte, segundo projeto implementado pela prefeitura da cidade, os dois últimos grupos de acesso passaram a desfilar na Rua Cardoso de Moraes, em Bonsucesso, bairro do subúrbio com relativa proximidade do centro da cidade e cujo acesso pode ser feito por diversas linhas de ônibus que partem de vários pontos da cidade ou por trem. Em 2002, estes mesmos grupos foram transferidos para a Avenida Intendente Magalhães. O terceiro grupo de acesso (atualmente denominado como Grupo de Acesso B) foi o último a ser transferido do centro da cidade, sendo também deslocado para a Avenida Intendente Magalhães no carnaval de 2005. Esta transferência foi baseada em preceitos verificados em outras cidades do Brasil, onde as escolas de samba não são consideradas o principal produto turístico da época carnavalesca. Dentre os principais motivos alegados estão a comodidade de ocuparem espaços maiores e exclusivos e a liberação de locais mais “nobres” para manifestações de maior apelo de público e financeiro. Entretanto, Ferreira (2008) alerta que esta mudança revela um novo tipo de segregação, onde as manifestações consideradas “decadentes” ou de “pouco apelo popular” são afastadas do centro da cidade pelas formas hegemônicas de manifestações carnavalescas. Ferreira (2008) destaca que a maioria das escolas destes grupos de acesso não aprovou a modificação do local de desfile, apesar de muitas estarem situadas próximas ao local de desfile, facilitando e barateando o trabalho de transporte de fantasias, alegorias e desfilantes. Este autor afirma que a transferência ampliou a diferenciação hierárquica entre estas escolas e aquelas que desfilam no centro da cidade, pontuando elementos que balizam o caráter simbólico espacial do centro urbano como visibilidade positiva e comunicação de discursos a um público diferente daquele que freqüenta a comunidade. Afinal, para quem produz um desfile carnavalesco (um espetáculo), não é interessante apresentá-lo somente a um público “caseiro”. E o centro da cidade representa esta possibilidade, incluindo públicos de diversos bairros da cidade e turistas brasileiros e estrangeiros, diferenciando-se completamente do público que freqüenta a Avenida Intendente Magalhães, basicamente formado por moradores do entorno. Além disso, a diferenciação dos locais de desfile também influencia na preparação da escola de samba, pois os regulamentos são diferentes e preveem tempos distintos para a realização do desfile. Além disto, as dimensões laterais dos carros alegóricas devem ser alteradas (mudança na largura da pista) e a direção de harmonia modifica o andamento da escola durante o desfile (mudança no comprimento da pista) ou sugere à direção de carnaval que altere a quantidade de desfilantes (o que pode ser problemático quando se necessita aumentar este número). Outra diferença está no fato de que na Avenida Intendente Magalhães não há recuo para a bateria.

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Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do RJ  

Título(s): Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Júlio César Valente...

Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do RJ  

Título(s): Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Júlio César Valente...

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