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agremiações, visto que, atualmente, para apresentar em samba-enredo na disputa, a parceria não precisa ser filiada à ala de compositores da agremiação em questão. Apesar dos gastos serem elevados para a manutenção do samba-enredo na disputa, muitas parcerias se apresentam para competir. No caso do Grupo Especial e no Grupo A (em proporções menores) há a possibilidade de se auferir uma quantia significativa por conta da gravação e execução do samba-enredo vencedor da disputa, além de ser uma importante conquista para se inserir nos currículos, possibilitando assim mais chances de se estabelecer profissionalmente neste ramo. Por fim, há o componente emocional estampado no orgulho do compositor em ter seu samba-enredo escolhido para ser o representante da escola de samba. No caso das escolas de samba das três últimas divisões, o processo descrito nos parágrafos anteriores avança. Mesmo em uma escola do último grupo, parcerias se apresentam e a disputa envolve significativo número de composições. Isto ocorre, pois uma vitória neste tipo de disputa, independente da escola de samba, contabiliza pontos positivos para os compositores, obtendo condições para que os mesmos almejem postos nas parcerias que elaboram sambas-enredos para as escolas de samba que desfilam no Sambódromo ou tentem se estabelecer profissionalmente no universo do samba. 4.7 Barracões Barbieri (2010a) pontua que, historicamente, as escolas de samba utilizavam suas próprias quadras ou locais próximos a elas para a preparação de seu desfile (em especial, as fantasias e alegorias e adereços). O primeiro espaço compartilhado de convívio entre as escolas de samba, que reunia inclusive escolas de diferentes grupos, foi o Pavilhão de São Cristóvão (hoje, Centro de Tradições Nordestinas). Também antigos galpões abandonados da Companhia Docas S/A, situados na região portuária do Rio de Janeiro, eram e continuam sendo utilizados por escolas de samba de diferentes grupos (SOUZA, 1988). Atualmente, as escolas do Grupo Especial preparam seus desfiles na Cidade do Samba (empreendimento construído pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro), um complexo de grandes espaços especificamente preparados para este fim. Nestes espaços, as escolas de samba deste grupo preparam alegorias, adereços e boa parte das fantasias em grandes galpões cujos diversos setores de produção do desfile se comunicam no mesmo espaço físico. As transformações trazidas pela Cidade do Samba na preparação do desfile das escolas de samba do grupo especial são analisadas por Barbieri (2009), Blass (2008) e Oliveira (2009). Nestes trabalhos são apresentadas fotos dos barracões antigos e dos atuais das escolas de samba do Grupo Especial, mostrando uma diferença abissal na infraestrutura oferecida. As escolas dos grupos de acesso continuam preparando seus carnavais em espaços improvisados e, em alguns casos, ainda adotando espaços das próprias quadras. Estes espaços improvisados sofrem melhorias na medida em que a escola ocupante possui recursos financeiros que possam ser destinados a este fim. Atualmente, os galpões adotados pelas escolas de samba do Grupo Especial antes da transferência para a Cidade do Samba foram ocupados por agremiações da Série A. Entretanto, merece destaque as “Cidades do Samba” alternativas conhecidas como “Carandirus”, sendo o nome em questão remetente à casa de detenção da capital paulista. O Carandiru I era localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro em um grande

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Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do RJ  

Título(s): Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Júlio César Valente...

Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do RJ  

Título(s): Elementos para o Estudo das Escolas de Samba dos Últimos Grupos de Acesso da Cidade do Rio de Janeiro. Autor: Júlio César Valente...

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