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Serm達o pregado em 06 de Janeiro de 2013, Domingo da Epifania, na Comunidade Anglicana Carisma, em S達o Paulo - SP.


Epifania: O MISTÉRIO DA SALVAÇÃO REVELADO

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oje é Domingo da Epífania. Mas você sabe o que é Epifania? Devemos sempre ter em mente que o calendário liturgico tem como objetivo ir nos contando, ao longo do Ano, toda a História da Redenção. Nós começamos no Advento, passamos pelo Natal, e agora estamos na Epifania. E o que é Epifania? De modo bem resumido, podemos definir epifania como sendo 'manifestação', ou seja, é o momento quando Cristo manifesta-se aos homens como sendo o Messias prometido pelos profetas. Nós iremos compreender melhor o significado teológico da Epifania meditando nos dois textos que o Lecionário nos indicou hoje. Nossa primeira leitura foi em S. Mateus 2.1-2, e a segunda leitura a encontramos em Efésios 3.1-13. Talvez você nunca tenha notado, mas há um tema que estas duas passagens, tão diferentes, compartilham. O primeiro texto é Epifania é o momento uma narrativa histórica, enquanto a segunda é uma quando Cristo torna-se dissertação doutrinária do Apóstolo S. Paulo. No entanto, conhecido aos homens! apesar dos estilos diferentes, os dois textos nos falam do Ministério de Cristo sendo revelado aos homens. E é a essa revelação do Mistério de Cristo que a Igreja convencionou chamar de Epifania. Vamos comerçar pela epístola paulina. Enquanto nosso irmão lia o texto de Paulo você reparou quantas vezes a palavra MISTÉRIO e a palavra MANIFESTO foram citadas pelo apóstolo? Vejamos: “Como me foi este MISTÉRIO MANIFESTADO pela revelação... (v.3) por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do MISTÉRIO de Cristo (v.4), o qual noutros séculos não foi MANIFESTADO aos filhos dos homens, como agora tem sido REVELADO pelo Espírito... (v.5)”. Talves você já tenha escutado falar de uma seita chamada “gnóstica”, que muito trabalho deu à igreja do primeiro século. Os gnósticos achavam que o cristianismo era como a maçonaria, ou seja, uma sociedade fechada, de acesso permitido apenas para alguns iluminados. Com isso, eles julgavam estar sendo fieis ao “mistério” de Cristo. No entanto, Paulo não está falando de “mistério de Cristo” neste sentido! Na verdade, o “mistério de Cristo”, apesar de ter ficado oculto no passado aos antigos israelitas, o Espírito Santo o fez manifesto no tempo presente. E qual é o Mistério de Cristo? O apóstolo S. Paulo não nos deixa sem resposta!

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“A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo Evangelho, do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do Evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; para que agora, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida...” (v.5ss). Temos aqui uma clara indicação do que seria esse “mistério de Cristo”. Trata-se do Evangelho, a mensagem da Redenção, anunciada não apenas aos judeus, mas a toda a raça humana, sem qualquer distinção. Paulo que fora perseguidor da Igreja, e certamente um judeu que desprezava os gentios, agora estava disposto a abrir mão da própria vida, a fim de pregar o Evangelho de Jesus. E este texto foi escrito ele estava aprisionado, como lemos no primeiro O profeta Isaías garante quando versículo: “Por esta causa eu, Paulo, sou prisioneiro de que Cristo é servido e Jesus Cristo por vós, os gentios”(v.1). Nem por isso ele adorado por todos os permitiria que os gentios ficassem tristes por ele! Ele lhes escreve para dizer que sua prisão era, na verdade, motivo de reis e povos da Terra! glória: “Portanto, vos peço que não desfalecais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória”(v.13). Esse “mistério”, nas palavras de Paulo, tem haver com “as riquezas insondáveis de Cristo”, e então nós podemos incluir nele tudo aquilo que os judeus não puderam compreender sobre o Messias, por exemplo: sua morte vicária, seu eterno reinado e sua divindade. No entanto, ainda que os judeus não tenham compreendido isso, alguns gentios do oriente, que nós convencionados chamar de “Três Reis Magos”, compreenderam, e foram à pequena e insignificante cidade de Belém para adorar o Menino Deus. A história dos magos que saíram o Oriente à Belém para adorar Jesus, encontramos no Evangelho lido hoje, S. Mateus 2.1-12. Há muitos detalhes importantes no texto, mas quero chamar sua atenção para os presentes que os magos levaram consigo. São três: “ouro, incenso e mirra” (v. 11). Os presentes trazidos a Belém nos mostarm O Governo do Cristo! O ouro sempre foi tido como um dos símbolos da Realeza, e é significativo que pessoas tão imporantes trouxezem ouro ao menino Jesus. Quando a Rainha de Sabá visitou Salomão, por exemplo: “E chegou a Jerusalém com uma grande comitiva, com camelos carregados de especiarias, e muitissimo ouro, e pedras preciosas; e, tendo-se apresentado a Salomão...” (I Reis 10.2). A Escritura não diz quantos eram os Magos, nem se eles eram Reis, mas, como os presentes foram três, a tradição acabou convencionando chamar os personagens deste texto como “Os Treis Reis Magos”. E é bem possível que estes magos fossem reis, ou ao menos governantes de alguma importância no Oriente, haja vista o que havia fora dito pelo projeta Isaías:

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“A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos os de Sabá, virão; trarão ouro e incenso, e publicação os louvores do Senhor!” (Isaías 60.6). Algo bem parecido é dito pelo Salmista, e nos revela que não apenas os grandes do Oriente se prostariam diante de Deus, mas todos os Reis da Terra! Isso é o Reino de Cristo, que não é meramente futuro, mas é uma realidade hoje, agora! “Paguem-lhe tributo os reis de Társis e das ilhas; os reis de Sabá e de Seba, ofereçam-lhes dons! Todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam... Viva, pois, ele; e se lhe dê do ouro de Sabá; e continuamente se faça por ele oração, e o bendigam em todo o tempo. Haja abundancia de trigo na terra sobre os cumes dos montes; ondule o seu fruto como o Líbano, e das cidades florescam homens como a erva da terra. Permaneça o seu nome eternamente; continue a sua fama enquanto o sol durar, e os homens sejam abençoados nele; todas as nações o chamem bem-aventurado. Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas!” (Salmos 72.10,11, 15-18). Quantos caminhos temos seguido a procura de “justiça social”, “indice de desenvolvimento humano”, e outros ansios da sociedade moderna. Mas, quão longe o mundo tem desejado estar d'Aquele que é o único capaz de trazer paz e prosperidade! No entanto, apesar da atual rebelião moderna contra Cristo, podemos verificar que Jesus é a fonte de todo o bem. Cristo veio ao mundo, e tudo se fez novo. Cristo reina sobre o mundo, e quanto mais o Evangelho espalha-se, quando mais o homem é fiel aos Seus Mandamentos, mais e mais maravilhares veremos ao nosso redor. Por outro lado, se nos afastamos de Cristo, podemos ter certeza do juízo de Deus contra nós, nossas famílias, e nossa nação.

A Epifania nos revela Cristo, fonte de todo Bem, inclusive a verdadeira ‘Justiça Social’!

Olha que revelação maravilhosa esta! Naquela pequena cidade, meio que escondido em uma pequena manjedoura, morava o menino que veio ao mundo como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores! Enquanto todo o mundo antigo dormia em suas ofensas e pecados, os Magos do oriente receberam de Deus a Epifania! Os presentes trazidos a Belém nos mostram ainda a Divindade do Cristo! Algumas pessoas se resentem quando a Bíblia afirma que “Magos” vieram do Oriente para adorar a Cristo. Sabemos que a magia não provem de Deus. Como pode, então, que Magos tenham sido uns dos primeiros a reconhecerem o Messias? Como Deus pode ter revelado a ele a Verdade sobre Jesus? Algumas pessoas sugerem que esses homens eram, na verdade, astronomos, ou seja, pessoas que estudavam as estrelas e os planetas, mas sem qualquer implicação religiosa ou mágica. Certamente eles

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estudavam as estrelas, mas será que podemos fugir da ideia de que também seguiam uma religião pagã, idolatra e satânica? A minha opinião é que não podemos fazer isso, com base no modo como a própria Escritura usa o termo “mago” ao referir-se a Elimas em Atos 13.6, e também ao falar do Mago Simão, onde o termo derivado de “mago” é usado para falar de suas “artes mágicas” (Atos 8.9). Agora, que ilusão daqueles que acham que Cristo presicou de magos idolatras para revelar-se ao mundo! Chegar a tal conclusão é o cúmulo da cegueira espiritual. Na verdade, na antiguidade as pessoas viviam escravas por falsos deuses, e estupidas superstições a respeito dos elementos da natureza, e dos ceres celestiais como planetas e estrelas. Uma estupidez semelhante a que acomete, hoje, mocinhas apaixonadas com seus livretos de horóscopo! Mas Deus usou uma estrela para conduzir aquele povo idolatra aos pés d'Aquele que é o Verdadeiro Deus! A cena não nos mostra um menino Jesus dependente das estrelas, mas o Deus Menino que usou as estrelas para converter um povo pagão, e fazê-lo prostrar-se de joelhos diante d'Ele, Rei dos Reis, Senhor dos Senhores. Se os magos pudessem ouvir a voz das Estrelas, escutariam: “Seus tolos, durante séculos vocês olharam para nós como se fossemos deuses, mas hoje nós vamos te conduzir aos pés de quem, únicamente, em todo o Universo, pode e deve ser adorado como Deus!”. Então, aqueles Magos chegam até Belém trazendo entre seus presentes, o incenso, simblo da divindade. Eles haviam acendido incenso para tantos falsos deuses, mas agora eles traziam sua adoração para quem era o Verdadeiro Deus! Divindade tão patente, no texto de Hebreus – que estudamos no sermão do último Domingo – podemos ler: “E outra vez, ao introduzir no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem” (Hebreus 1.6).

Aqueles que adoravam falsas divindades, escravizados pelo paganismo, agora rendiam-se ao Verdadeiro Deus!

Os presentes trazidos a Belém nos mostram também o Sofrimento Vicário do Cristo! Ouro, incenso e mirra. A mirra é um dos melhores perfumes da antiguidade, e muito utilizado para perfumar o corpo dos mortos. Mas, será que os judeus iriam desejam um Messias que, já no seu nascimento, fosse presentado com o perfume para sua morte?

Um dos motivos que levaram os judeus a rejeitarem Jesus como Messias foi o sofrimento. Eles queriam um Messias. Eles queriam um Rei. Mas eles não podiam conceber a ideia de que o seu esperado Messias viesse para ser o “servo sofredor”. Eles desejavam o Rei vitorioso que lemos em Isaías 60, mas queriam distancia do servo sofredor de Isaías 53: “Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos. Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos trás a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados!” (Isaías 53. 2-5).

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Aqui há uma valiosa verdade: você pode desejar o menino Jesus que é Rei sobre tudo e todos; você pode desejar o menino Jesus que é Deus verdadeiro, cuja vinda ao mundo destronou todo o paganismo que imperava sobre o mundo; no entanto, se você recusar o menino que veio como Sacrifício Vicário, você não terá nenhum deles! Os judeus rejeitaram o Servo Sofredor, e Reino foi tirádo deles, e entregue aos gentios. Qual a nossa resposta a Cristo, hoje? Hoje iniciamos o tempo da Epifania. Um tempo que nos fala de um Deus que veio ao mundo para abrir as portas do Seu Reino para toda a humanidade. Não é uma salvação apenas para os Judeus, como viemos no texto de Paulo aos Efésios! Mas também não é apenas uma Salvação que visa a Eternidade. É uma salvação para todos os povos, que desde agora, são chamados a fazer parte da Nova Jerusalém que desceu do céu, a Igreja, e reinar com Cristo, destruindo todos os inimigos do Senhor.

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Sermão: Epifania, Mistério da Salvação Revelado