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A o L eitor Revista . Portal de Notícias . Editoração Fundadores José Almeida Sana Marlete Moura Morais Sana

Editoria de Impressos Cyro Gonçalves cyro@defatoonline.com.br Editoria Digital (site) Sérgio Santiago sergio@defatoonline.com.br Redação Patrícia Emiliano Rodrigo Andrade Tatiana Santos jornalismo@defatoonline.com.br Repórter Especializado Galvani Silva Diretor de Arte / Comercial Marcelo Eleto marcelo@defatoonline.com.br Departamento de Arte Cleiverton Harlan Filipe de Oliveira arte@defatoonline.com.br Ilustrações Pablo Rocha Departamento Comercial Celinha Pires Dora Macedo Luisa Moura Sérgio Nunes comercial@defatoonline.com.br (31) 3831-3656 Gerente Administrativo / Financeiro Graziele Alves financeiro@defatoonline.com.br Atendimento ao Leitor (31) 3831-3656

DeFato é uma publicação mensal da Revista Itabira Ltda. Área de Circulação Centro-Leste, Centro-Nordeste, Médio Piracicaba, Jequitinhonha, Cidades Históricas e Turísticas e Grande BH

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Junho . 2012

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m 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data ganhou um significado mais relevante em 2012 pelo fato de o Brasil sediar, em junho, a Conferência Rio + 20, evento que fez com que os olhos do mundo se voltassem para problemas que afetarão gerações futuras, por conta do mau uso dos recursos oferecidos pelo planeta. Em 1992, no Rio de Janeiro, também sede da Rio + 20, a Eco 92 apresentou uma série de metas às nações líderes do processo de desenvolvimento mundial. Exatamente 20 anos depois, com apenas 1% das metas estipuladas na primeira conferência cumpridas, a conta parece ter ficado cara. Neste momento, solos, água doce, oceanos, florestas e biodiversidade estão sendo rapidamente degradados. O cenário de mudanças climáticas coloca ainda mais pressão sobre os recursos dos quais o homem depende. O problema urgente é pensar em como alimentar os atuais 925 milhões de famintos estimados e os 2 bilhões esperados até 2050, com o crescimento significativo da população mundial. Entre as propostas, a Rio + 20 reforça a necessidade de a humanidade mudar a forma como cultivamos, compartilhamos e consumimos alimentos. Em seu texto oficial, a conferência sugere que “caso feitos corretamente, a agricultura, silvicultura e pesca podem proporcionar alimentos nutritivos para todos e gerar rendas decentes, apoian-

Conheça, nesta edição, fatos curiosos sobre a vida de gêmeos

do, ao mesmo tempo, o desenvolvimento rural centrado nas pessoas e na proteção ao meio ambiente”. Sobre o tema, DeFato traz uma reportagem esclarecendo o sentido de sustentabilidade. Mais do que um termo em moda, ela transformou-se em uma necessidade relacionado a subsistência. Esta edição apresenta como destaque o Workshop Itabirano de Negócios (WIN). O evento promoveu, durante três dias deste mês, o intercâmbio entre empresas, empreendedores e o público de toda a região. Além dos contratos celebrados, o WIN deixou um saldo importante para Itabira, com a comprovação de que a cidade tem vocação para se transformar em um importante polo estadual de negócios. Ainda na terra do minério, o aniversário de 70 anos da Vale foi celebrado não só pela companhia, mas por pessoas que participaram da história da empresa responsável por alavancar o desenvolvimento da cidade. Uma reportagem especial mostra como cidadãos comuns se transformaram em parte do processo Na entrevista do mês, o sociólogo paulistano, erradicado em Minas Gerais, Rudá Ricci, fala sobre como o cidadão pode interferir nos rumos da política e da administração pública. Ele foi um dos convidados de eventos integrados da Funcesi, palestrando sobre “Gestão Pública Municipal”. Páginas de cultura e entretenimento também esperam por você.

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Redação e Administração Rua Dr. Olinto Andrade, 126 A, Pará 35.900-043, Itabira - MG Telefax: (31) 3831-3656

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TEMPO DE REFLEXÃO E NEGÓCIOS

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Diretora de Redação Kelly C. Duarte Eleto Landim kelly@defatoonline.com.br

S umário

08 | ENTREVISTA

56 | COMPORTAMENTO

28 | REGIÃO

66 | GASTRONOMIA

Rudá Ricci

Terra desbravada

Espelho meu

Convite ao paladar

30 | 70 ANOS

Valeu a pena

38 | CAPA

Praça de oportunidades

50 | HISTÓRIA

Anos de tradição

52 | MEU NEGÓCIO

Atender bem sem olhar a quem

54 | PERFIL

Fé sem fronteiras

COLUNISTAS

53 | REGINALDO CALIXTO

Desenvolver com sustentabilidade

74 | DR. ANDRÉ MIOLO

Lipoaspiração: mito e verdade

76 | DANIEL DE CASTRO

Pernas para que te quero...

80 | MÁRCIO LABRUNA

A verdadeira Itabira


C artas

cartas@defatoonline.com.br

HOMENAGEM NAS ALTURAS Foi inesquecível o espetáculo no céu do Vila Tanque, no aniversário de João Monlevade. A região tem que se unir para trazer mais eventos de voo livre. Itabira e João Monlevade podem criar estrutura para serem polos do esporte. Isso vai atrair turistas e gerar empregos. Ludovina Matos | Itabira A VOLTA DO PADROEIRO É uma alegria poder ver de novo a imagem do padroeiro da cidade de volta ao altar-mor. Assim como ocorreu com São Gonçalo do Amarente, existem muitas outras peças na região precisando de intervenções. O belo painel de Yara Tupinambá, da Igreja Matriz de Ferros, e o conjunto da igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Ouro Preto, são exemplos disso. Que esse socorro venha rápido, para o bem da memória dos mineiros. É preciso também melhorar a segurança das igrejas na zona rural. São vários casos de roubo de peças de valor histórico. Esta é uma realidade que poucos conhecem, mas que os institutos de patrimônio histórico devem verificar. Custódio Pereira | João Monlevade PATRIMÔNIO MALTRATADO Infelizmente, essa é a desordem que vem acompanhando o progresso. A facilidade no acesso a essas localidades tem feito isso em diversas regiões. Asfaltar as estradas traz muitos benefícios à população destas comunidades, mas, infelizmente, traz também estresse. O que mais entristece é saber que a maioria que deixa esse rastro de sujeira e destruição é de pessoas que moram bem próximas de localidades afetadas. Quando vamos para outros estados, geralmente, queremos passar a impressão de que somos bem educados e que cuidamos do lixo que produzimos. Mas, muitas vezes, jogamos lixo na nossa própria calçada. Camila | Itabira

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É um absurdo não haver fiscalização contra a atitude desses vândalos que destroem lugares tão bonitos. A Polícia Militar do Meio Ambiente e o Ministério Público precisam fechar o cerco contra esses baderneiros. Só aplicando multas pesadas para fazer com que passem a ter mais consciência e respeito pelo meio ambiente. Maria Auxiliadora Cunha | Nova União ERRATA: Diferentemente do informado na edição 233 de DeFato, o relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para apurar envolvimento de parlamentares com Carlinhos Cachoeira é Odair Cunha (PT-MG).


E ntrevista

Rudá Ricci

O CIDADÃO

NO CONTROLE

TATIANA SANTOS

Sociólogo fala sobre como a população pode assumir seu verdadeiro papel diante do governo e da política

RODRIGO ANDRADE

O

cidadão é o verdadeiro dono da cidade e tem todo direito de controlar as execuções orçamentárias e ajudar a decidir as metas sociais de seu município. Esse é o pensamento de Rudá Ricci, 49 anos, sociólogo, mestre em Ciências Políticas e doutor em Ciências Sociais. Paulista, natural de Tupã, mora há mais de 20 anos em Minas Gerais e conhece bem a realidade da burocracia pública no país. Isso graças ao trabalho desenvolvido junto ao Instituto Cultiva, do qual é coordenador. A instituição é responsável por auditorias em várias regiões do Brasil. Rudá também é membro do Fórum Brasil do Orçamento e do Observató8

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rio Internacional da Democracia Participativa. Defende, com veemência, que qualquer político eleito deve ser considerado funcionário do cidadão e, por isso, também pode ser submetido à demissão por justa causa quando não executa aquilo que promete ou o que a sociedade almeja. Além disso, o sociólogo fala sobre a força que os deputados têm por conta da centralização do orçamento público pela União e alerta para a importância de se mudar esse quadro. Rudá Ricci esteve em Itabira no último dia 29 de maio para participar de um seminário promovido pela Funcesi, em que discutiu o cenário atual da gestão pública municipál no Brasil. Antes de sua palestra, concedeu entrevista a DeFato, descrevendo um cenário nada animador.

Para o senhor, a sociedade está mais crítica e exigente em relação ao trabalho dos gestores públicos? De jeito nenhum, muito pelo contrário. Nos anos 1980, até início dos 90, foi o período depois do Regime Militar em que a sociedade foi mais crítica. Se a gente lembrar, foi justamente nesse período que tivemos a Assembleia Constituinte, com uma participação maciça da sociedade. Fui assessor do Congresso Constituinte e nós tivemos só de assinaturas para a Reforma Agrária mais de um milhão e quatrocentos mil nomes. O Congresso ficava lotado de índios, gays, grupos de mulheres organizadas, crianças, adolescentes e sindicalistas. Esse, sim, foi um momento de mobilização e de pressão. Depois tivemos a queda do Collor. A

partir daí, você se lembra de algum movimento por impeachment? Não houve nenhum! Então, na verdade, vivemos uma “americanização” da sociedade brasileira. O sistema partidário e de representação política, como nos Estados Unidos, se transformou numa estrutura empresarial e se distanciou totalmente do cidadão. Não conseguimos ver um deputado que nos represente mais. Além disso, as prefeituras não têm mais poder de gestão, porque o orçamento público está todo concentrado na União, com 60% dele em poder do Governo Federal. Então, os prefeitos no Brasil passaram a ser gestores de projeto de casas populares do PAC, ou então algum tipo de projeto como o Bolsa Família. É só Caixa Econômica Federal e BNDES. E os prefeitos passam a ter que cumprir as exigências com quem fazem os convênios. A sociedade, portanto, não consegue mais participar da política. Então, acho que estamos vivendo um período em que se pode até reclamar de uma ou outra questão, mas isso não altera a lógica da política. Nos anos 80 conseguiu-se alterar. Não concordo que estejamos mais críticos. Estamos muito queixosos, mas a queixa não muda nada. Quais novos papéis e valores são exigidos dos gestores públicos? Posso falar em termos ideais e em termos concretos. Vou começar pela prática. O gestor, hoje, tem que ter um deputado federal. Ele tem que ter algum tipo de “pistolão” que consiga afetar os ministérios e criar audiências com empresas estatais e bancos estatais de fomento. Sem isso, o prefeito não trabalha, não consegue fazer nada. Cerca de 80% dos municípios de Minas dependem de repasse federal. É uma coisa impressionante e que vem aumentando. A grande questão do prefeito é ter como entrar na esfera federal, porque são cinco mil e quinhentos municípios. Ele tem de descobrir

como furar a fila de todos os prefeitos que estão em Brasília o tempo inteiro e, para isso, precisa estar ligado a um deputado federal. Esse é um dos motivos das campanhas estaduais começarem a se estadualizar, porque toda vez que o prefeito tenta a reeleição ou apoia alguém de seu partido, se não tiver um deputado por trás, que vai ser a pessoa responsável por captar os recursos, não consegue grandes coisas. Quando esse candidato entra em campo, o adversário também entra com outro deputado. E, à medida que entram os deputados, a campanha estadualiza ou nacionaliza e fica cara, porque não é mais um jogo municipal. Nenhuma eleição de município é local, como ocorria há dez anos. Ela se estadualizou, ficou cara e isso provocou aumento da corrupção nos municípios.

Nenhuma eleição de município é local, como ocorria há dez anos. Ela se estadualizou, ficou cara e isso provocou aumento da corrupção nos municípios

E o ideal? A primeira grande questão é o governo se descentralizar. O governo centralizado está longe do cidadão. É fundamental que a gente crie uma rede de gestão que seja multifuncional e que esteja perto do cidadão. Em segundo, é fundamental que os municípios mais éticos eduquem a população. Parece uma contradição, mas isso é o básico. Temos que criar escolas da cidadania em todos os lugares. São escolas bancadas com recursos municipais ou

por meio dos fundos dos conselhos. A ideia é criar uma pequena escola, com poucos educadores, que deem cursos de como analisar o orçamento público, para que as pessoas saibam se há alguma falcatrua no orçamento, que ela consiga identificar onde o recurso será aplicado. Finalmente, acabamos de colocar em prática a Lei de Acesso à Informação Pública e tenho a certeza de que o cidadão de Itabira e região não faz ideia do que seja isso. Tenho certeza de que ele não sabe que tem que acessar o site do Governo Federal e se cadastrar para receber a informação. Não sabe que, a partir de agora, se ele solicitar o quanto o governo está gastando numa obra e quando vai ser entregue, se a resposta não vier em 30 dias, o governo pode ser processado. Como um cidadão de um bairro distante vai saber que tem esse direito? Só se nós tivermos um órgão desse tipo, que para mim tem que ser vinculado aos conselhos, que informe, faça vídeos, dê cursos e oficinas para aumentar o grau de conhecimento e o poder de controle do cidadão. Eu diria que descentralizar, informar e educar para a cidadania — não educar para fazer faculdade — é a essência da ação de um prefeito ético. Esse é o começo de qualquer outra ação. O senhor cita a necessidade de neutralizar a cultura política dominante nos municípios, que afeta a eficiência no atendimento aos interesses da população. Como essa cultura se estabeleceu e como é possível eliminá-la? Isso vem de longe. Raymundo Faoro tem uma obra fantástica, até hoje muito citada, chamada “Os donos do poder”, em que ele explica que 30 anos depois de os portugueses chegarem ao Brasil, começaram a criar uma estrutura de controle, porque desconfiavam dos brasileiros. Mas o que é mais estranho é o seguinte: como desconfiaram de brasileiros, se eram os próprios portugueses que recebiam as terras da www.defatoonline.com.br

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Coroa para administrar? Para se ter uma ideia, a Coroa Portuguesa criou uma lei de controle sobre municípios antes mesmo de existir um município no Brasil. Aí entram as figuras do Ouvidor Mor, Juiz de Fora, Governadores, todos criados pela Coroa porque desconfiavam de que as pessoas que ganharam terras estavam roubando. Então, o Estado Brasileiro foi construído com a ideia de que o cidadão não é correto. Desconfiam de todos e, por isso, criaram uma estrutura muito forte para ter o máximo de controle e coibir qualquer ação descontente do cidadão. Teoricamente, isto é chamado de patrimonialismo: uma pessoa que comanda uma jurisdição acha que é o dono. Por exemplo, o secretário de Saúde acha que todos os funcionários e os programas desenvolvidos na pasta são patrimônios dele, quando, na verdade, ele não passa de mais um funcionário. Os secretários e prefeitos são funcionários do eleitor. Quando o eleitor os elege, está dando uma procuração para ser representado durante quatro anos. Temos que produzir no Brasil algumas leis como a do recall nos Estados Unidos. Se, na metade do mandato, o representante não cumprir com aquela procuração que recebeu, o eleitor caça o mandato, seja do prefeito, do parlamentar ou de qualquer um que tenha cargo eletivo. Seria como uma demisão por justa causa? Exatamente. Arnold Schwarzenegger virou governador da Califórnia porque o antecessor caiu pela lei do recall. É importante a gente pensar que essa cultura dominante está entranhada na política brasileira. Essa cultura de desconfiança do cidadão inverte a noção de direito e de representação. O eleitor só vota para confirmar aquilo que todo mundo já sabe, aquele que “Deus” já escolheu. Imagina se eu sou o Aécio Neves ou o Lula... É lógico que vou ser ou governador ou presidente. O Lula conseguiu eleger uma 10

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pessoa que ninguém conhecia. Fizemos pesquisas qualitativas durante as últimas eleições presidenciais e a maioria da população dizia que iria votar na mulher do Lula, “a dona Vilma”. Você via claramente que não conheciam, iriam votar porque o Lula mandou. Isso vem desde o século XVI, no Estado Brasileiro. Ou seja, não é o cidadão que define o Estado, mas, sim, o Estado é que define o cidadão. Decide a que horas você deve ficar quieto, a que horas que você sairá na rua. E é por isso que quando saímos na rua a primeira coisa que vemos é um cavalo da polícia. A falta de qualificação técnica nas administrações municipais, especialmente em cidades do interior dos estados, pode ser considerada um dos mais graves gargalos na eficácia da gestão pública? É sim, mas não é exclusividade das cidades pequenas. Eu posso garantir que, se você conhecesse o que é um governo de Estado no país, se assustaria. É uma incompetência só, por vários motivos. Vou falar da educação. A Secretaria Estadual de Educação, quase sempre, principalmente nos grandes estados, é dividida em regionais, também chamadas de superintendências. Essas regionais, por sua vez, são subdivididas em vários departamentos. Se um diretor de escola de um município daquela jurisdição vai até a superintendência perguntar sobre quatro problemas, ele tem que passar por quatro pessoas diferentes. Ele não consegue perguntar para a pessoa do primeiro departamento sobre problemas do segundo, terceiro ou do quarto. Ele tem que gastar um dia inteiro para conversar com os quatro. Não

estou falando de realidades distantes. Fiz essa análise para o Governo de Minas e tenho o relatório de cada uma das superintendências do Estado. O que acontece é que, como esse departamento é ligado a uma diretoria superior a ela, na Secretaria de Estado de Educação, nem sempre o que uma pessoa sabe sobre um determinado assunto está atualizado com o que é informado no outro departamento. Eles não se comunicam entre si. Eles se comunicam com o chefão. Isso não gera competência. Gera, sim, uma troca de papéis, duplicidade de ações e gastos desnecessários com pessoal. É absolutamente irracional. O Estado Brasileiro, de cima a baixo, é assim. E ninguém discute isso para valer. Porque isso é poder, é cargo. O pior não é a incompetência técnica, porque às vezes a pessoa é muito competente para a sua área, mas é incompetente para o serviço público. Você não consegue arregimentar todas as áreas para responder ao cidadão o que ele precisa saber. A incompetência não é das pessoas, mas do sistema. A burocracia pública do Estado Brasileiro é burra. Muitos prefeitos e parlamentares alertam para a necessidade de se rediscutir os valores distribuídos pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM). As limitações desses recursos são mesmo o maiores problemas das administrações municipais? De jeito nenhum. O maior problema é a dependência do Governo Federal. Os deputados querem isso porque eles fazem a representação cartorial. Ou seja, quanto mais o prefeito depender do deputado, mais forte ele é e mais votos ele terá na região. A ques-

Os secretários e prefeitos são funcionários do eleitor. Quando o eleitor os elege, está dando uma procuração para ser representado durante quatro anos.

tão é descentralizar o orçamento. Se 60% do orçamento do país está nas mãos da União — e a partir de maio do ano que vem vai entrar o recurso do pré-sal que praticamente dobra os valores — os municípios não têm autonomia. O governo centraliza tanto o orçamento porque considera que os prefeitos não sabem administrar os recursos públicos. Então, acham melhor ficar com esse recurso e orientar para o Brasil crescer do que deixar na mão desse pessoal que não sabe o que fazer. E eles citam como exemplo os recursos dos royalties do petróleo. Inclusive, há vários pareceres de que os prefeitos não souberam usar os recursos, gastando com o supérfluo, inflacionando o mercado imobiliário da região. Com a mineração é a mesma coisa. Com esse argumento de que o prefeito não sabe usar, a União concentra o orçamento. Ao concentrar, faz do prefeito alguém que não tem autonomia e nem força. E aí o grande nome na região e no município não é mais o prefeito, mas, sim, o deputado. Não é preciso aumentar o FPM, é preciso descentralizar de vez o recurso. O cidadão precisa pensar no municipalismo, porque é no município que ele pode controlar o prefeito. A política começa no município. É muito mais difícil a pessoa controlar o presidente do que o prefeito. Mas se o prefeito não manda em nada, como posso exercitar a democracia? Essa discussão parece aquela estória de fazer cortesia com o chapéu alheio. Ao mesmo tempo em que a União concentra o orçamento, coloca nas costas dos municípios a responsabilidade pela Saúde e pela Educação. Não é contraditório? Para viver, a gente precisa ter garantidos alguns direitos. Estou falando de segurança pública, cultura, assistência social, saúde e educação. Esse é o básico para um cidadão viver. Não se pode deixar um prefeito dizer que não é responsabilidade dele resolver uma situação dessas porque está nas mãos

TATIANA SANTOS

Rudá Ricci esteve em Itabira debatendo administração pública municipal, em seminário promovido pela Funcesi

do Governo Federal. Ora, o cidadão precisa saber que aquele cara que passa na frente de sua casa em um carro oficial é quem faz com que o posto de saúde funcione ou não. Seja pelo SUS ou não, o gestor tem que ser local. Porém, não posso imputar essas responsabilidades ao gestor local se ele não tem condições básicas para executá-las. Aí é que vem o “Frankenstein” do Estado Brasileiro. O prefeito tem que executar, mas o recurso e o controle se dão por meio de convênios com os governos estadual ou federal. E, de novo, a máquina anda assim, porque, mais uma vez, será necessário um “pistolão” para fazer as verbas saírem de lá. E aí essa figura se transforma no grande comandante da região e dos municípios. Os deputados de qualquer partido batem no peito para apontar que aquela região é sua. O prefeito, hoje, é uma figura quase decorativa. Não é só uma questão de chegada dos recursos, mas do cidadão ter o controle e o direito de controlar pelo menos esses serviços que fazem com que ele tenha o básico para viver. Qual seria a forma de promover participação da população nas decisões tomadas pelo poder público? Poderia falar umas 300 horas sobre isso, mas vou dar alguns exemplos. O primeiro passo é a gente criar um

programa de educação para a cidadania nas escolas. Isso é fundamental. Imagina ir numa quarta-feira fazer pesquisas nos bairros e a partir daí buscar soluções, fazer um congresso e entregar propostas ao prefeito e ao presidente da Câmara? Isso é educação para a cidadania. Não é ficar discutindo se a gente ajuda ou não uma velhinha a atravessar a rua. Isso não forma um cidadão, isso forma uma pessoa educada. Ser cidadão é o cara saber que a cidade é dele. A segunda opção seria fundar as escolas de cidadania, que já citei. Terceiro, criar nos conselhos uma articulação entre eles. E, em quarto, criar uma Lei de Responsabilidade Social. Que a Câmara vote, todo ano, as metas na área social que se quer atingir no ano seguinte. Não estou falando de verba, mas de metas. Se temos 15% das famílias pobres e queremos baixar para 12%, temos que estipular essa meta e os conselhos devem fiscalizá-la. Se os conselhos comprovarem que não se atingiu a meta, abre-se impeachment do prefeito. Aí os conselhos começam a ter poder. Bem diferente do que acontece hoje, em que temos uma estrutura de participação de ficção. Existem soluções e são muitas. O Brasil já alcançou o seu modelo ideal de democracia, de acordo com suas peculiaridades históricas? www.defatoonline.com.br

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Cada país tem sua história de democracia, não existe um modelo ideal, porque isso tem a ver com a cultura. A democracia é a participação dos cidadãos na tomada de decisões e no controle dos recursos públicos para a melhoria das condições de vida. A democracia se baseia, portanto, na cultura e na história da população. Não posso querer imitar os Estados Unidos se a gente não tem a cultura deles. Nos EUA, a maioria é protestante, nós não somos. Eles têm, desde o início, a cultura de formar um monte de associações, subdividindo outras três ou quatro em cada associação. Não temos isso. É outra cultura. Somos mais indígenas, mais africanos, mais místicos, mais afetivos e não muito racionais. É por isso que a gente gasta mais do que ganha. A democracia brasileira tem que ser brasileira. O problema é que existem gargalos que impedem que a generosidade do brasileiro se expresse na política. Ela é impedida pelos poderosos. Aí temos que ter algum mecanismo para dar vazão àquilo que o brasileiro é e deseja ser. O governo Lula foi considerado por muitos um período de conquistas. O que o senhor, como autor de “O Lulismo”, pensa disso? Existem três grandes gestores na história do Brasil que vão merecer sempre destaque: Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Lula. Acho uma infelicidade ficar comparando a gestão de Lula com outras, porque desmerece os outros, por vários motivos. Um deles é que Lula teve uma sorte incrível. Quase não tivemos crises. E quando tivemos, em 2008, a crise imobiliária dos Estados Unidos, o recurso despejado pelo Governo Federal consolidou um mercado interno que catapultou o país, mas que não mais conseguimos alimentar em função do aumento das dívidas das famílias. Hoje, segundo estudos recentes, 46% das famílias estão endividadas. Isso começou em 2009. Foi um período em que, até pela capacidade política do Lula, se 12

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diferenciou dos demais. O Lulismo é um neogetulismo. É a ideia de um Estado forte, centralizador, que fomenta o desenvolvimento. É pragmático e, do ponto de vista do discurso de massa, fala para a classe C. Getúlio falou para os trabalhadores que vinham do campo e inchavam as cidades. Falava de carteira de trabalho, de direitos, do “meu povo”. Lula falou para a classe C: “Marolinha; é hora de comprar; o brasileiro tem síndrome de vira-lata; agora é hora do Brasil grande; o Brasil acordou”. Lula é a expressão da classe C vitoriosa. É o ex-pobre retirante, sem um dedo, que virou o homem mais poderoso do país. Então, para o bem e para o mal, o Lulismo é uma marca importantíssima e que definiu a política brasileira.

fundamental porque, se José Serra não ganha em São Paulo, ACM Neto não ganha em Salvador e se a maioria das cidades-polo de Minas ficar nas mãos do Lulismo, o próximo passo vai ser expulsar o PSDB de Minas e de São Paulo. Ao fazer isso, acabam com a oposição de vez. O que estamos percebendo é que o cerco está aumentando. Vou citar exemplos em Minas. O PSDB não governa Montes Claros, Governador Valadares, Betim, Contagem, Pouso Alegre, Teófilo Otoni e Itabira. Se você começar a enumerar as cidades-polo, vai perceber que o PSDB perdeu as eleições passadas. E se o cerco aumentar dessa forma, acaba a oposição. É uma avalanche de acordos montados a partir do Governo Lula. É uma pessoa com uma popularidade que tem metade da preferência dos eleitores de Minas Gerais para eleger quem ele indicar. Dentro da cidade de São Paulo também é assim. Democracia sem oposição não é muito salutar.

Qual é o principal mal do Lulismo? Acabou com a oposição. Num país sem oposição, todos são governistas. Como nem todos no governo são lulistas, os acordos para estarem lá não sabemos. Lógico que não estou dizendo que estamos na União Soviética, mas por lá acontecia isso. Como você tinha um partido único, os acordos se davam às escuras. E é impossível que tanta gente no país todo concorde com a mesma linha. Nem em casa a gente concorda. O problema do Lulismo é que ele é massacrante do ponto de vista da oposição. E as eleições municipais deste ano têm um papel

Reeleição é uma medida saudável? Se estivesse em condições normais de temperatura e pressão seria, mas não no Brasil. O peso da máquina é muito forte. Se não é pela quantidade de cabo eleitoral pago, é pelo próprio poder de fazer obras e inaugurar próximo às eleições. Há uma discussão muito forte sobre estender o mandato de quatro para seis anos, acabar com a reeleição e unificar as eleições. Esse é o maior problema político que temos hoje no Brasil. Ter eleições de dois em dois anos cria uma situação em que principalmente os prefeitos, mas também governadores, passam a não pensar em longo prazo. Eles pensam em obras e ações de “tiro curto”, já que dois anos depois haverá eleições. Os governadores têm que fazer os prefeitos para serem ajudados depois. Então, os prefeitos têm que ajudar os governadores para poderem ser ajudados mais tarde. Assim, temos programas de dois em dois anos. É fundamental mudar isso. 

Ter eleições de dois em dois anos cria uma situação em que principalmente os prefeitos, mas também governadores, passam a não pensar em longo prazo.


A note

ANIVERSÁRIO DA VALE

RODRIGO ANDRADE

TEM GENTE DE OLHO

O edifício Center Shopping, popularmente chamado pelos itabiranos de Elefante Branco, está prestes a ter uma destinação. É o que afirma a advogada Juliana França, assessora jurídica dos condôminos. Há mais de 15 anos parado e colocado à venda desde o ano passado, o prédio atrai interesses de investidores da região, de Belo Horizonte e até de estrangeiros. Os detalhes das propostas serão

apresentados durante uma reunião da Comissão de Representantes do Condomínio, no dia 27 de junho. Caso nenhuma delas se enquadre ao que foi deliberado pelos condôminos, uma nova assembleia será realizada, em data ainda não confirmada. De acordo com a advogada, foram observados todos os requisitos para a segurança do negócio jurídico, o que deixou o investidor bastante confiante.

SEMPRE

DRUMMOND Entre as atrações da Festa Literária de Paraty (FLIP), o poeta itabirano Carlos Drummonde de Andrade (1902 - 1987) será o grande homenageado da edição 2012. Idealizado por Liz Calder, o festival, já em sua 10ª edição, é uma importante vitrine para os mercados editoriais nacional e internacional, promovendo intercâmbio entre autores, editoras e o público. Em 2012, será realizado entre 4 e 8 de julho. Os investimentos são em torno de R$ 7 milhões, cerca de 23% a mais do que o investido na edição passada. Em 2012, a festa conta com nomes como Jonathan Franzen, Jennifer Egan, Enrique Vila Matas, Ian McEwan e Roberto DaMatta. Ao todo, 14 países serão representados por 40 autores. Além do evento principal, chamado de Flipzona, serão promovidos a Flipinha e diversas apresentações e espetáculos culturais.

PARCERIA

No dia 1º de junho, um posto de atendimento Sicoob Credivale foi inaugurado na Aposvale, em Itabira. Os presidentes Deiró (Aposvale) e Natal (Credivale) comemoraram a conquista durante cerimônia, que teve a presença de colaboradores da cooperativa de crédito, além de diretores e associados das duas entidades. O novo espaço tem como objetivo aproximar as instituições, dar mais comodidade aos associados e angariar novos cooperados.

ITABIRA MAIS VERDE O projeto Assine uma Árvore, desenvolvido pela Escoteira Guia Patrícia Adriely, do 16º Grupo Padre Olímpio, de Itabira, recolheu 1.656 assinaturas e 55 árvores serão plantadas em Itabira. Seguindo a ideia, para ser plantada, cada árvore necessitava do apoio de 30 pessoas, ou seja, de 30 assinaturas. O plantio já teve início e um dos primeiros lugares beneficiados foi o Pico do Amor, no qual foram plantadas mudas

das espécies Ipê Rosa e Amarelo e Cedro Rosa. Em maio, a escoteira realizou trabalhos educativos em escolas da cidade. O encerramento do recolhimento de assinaturas foi no mês de março. Para atingir seu objetivo, a escoteira visitou diversos locais da cidade e recebeu apoio de entidades civis, ótgãos públicos e empresas privadas. O projeto Assine uma Árvore conta com o apoio do Grupo DeFato.

SERÁ O FIM? O Valeriodoce Esporte Clube, tradicional agremiação de Itabira, não disputará a Terceira Divisão do Campeonato Mineiro de Futebol em 2012. Depois de lutar muito e não conseguir o acesso dentro de campo, no ano passado, o Dragão enfrenta dificuldades financeiras para se manter em atividade. Em 13 de junho, a Federação

Mineira de Futebol (FMF) divulgou a convocação para o arbitral da competição, somando 15 times, nenhum deles com a tradição do Valeriodoce. O presidente do clube, Luzardo Drummond, disse que não faltou interesse em participar e não escondeu a decepção ao confirmar a notícia, que marca a pior fase da história do Dragão.


VAI SER ASSIM

A ARC Arquitetura apresentou, no último dia 24 de maio, o projeto de construção do prédio anexo da Câmara Municipal de Itabira. A empresa foi vencedora da licitação para executar as obras de ampliação da casa, necessária por causa do aumento de vereadores de 11 para 17, a partir da próxima legislatura. Segundo a ARC, o novo prédio abrigará toda a parte administrativa da instituição, além do arquivo, e será construído ao lado do atual, onde hoje fica o estacionamento. O espaço até então ocupado pelos setores administrativos será adaptado para os seis novos legisladores. O conjunto deve ficar pronto no início de 2013, quando os novos vereadores assumirão seus cargos. A área a ser construída é de 392,89m².

ARC ARQUITETURA

SGRA TEM CREAS

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Em uma iniciativa inédita, a mineradora Vale e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram, recentemente, edital do Forma-Engenharia, projeto criado para estimular a formação de engenheiros no Brasil. Serão oferecidas 2,5 mil bolsas para pesquisadores, estudantes de graduação, ensino médio e técnico. No

total, serão investidos R$ 24 milhões, dos quais R$ 12 milhões aportados pela Vale e R$ 12 milhões pelo próprio CNPq. O Forma-Engenharia nasceu da preocupação de o Brasil sofrer, a partir de 2020, um “apagão de engenheiros”, caso a economia do país mantenha o atual ritmo de crescimento, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica

Aplicada (Ipea). Serão focadas diversas áreas de engenharias, entre as quais as de Minas, Elétrica, Metalúrgica e Mecânica, preferencialmente em instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O prazo de submissão de proposta vai até 17 de julho e o edital com a primeira chamada está disponível no site www.cnpq.br.

DINHEIRO QUE NÃO ACABA O próximo prefeito de Itabira terá à disposição o maior orçamento da história do município. Tramita na Câmara Municipal o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que traz as metas ficais e a estimativa para o valor da receita no ano que vem: mais de R$ 377 milhões. A matéria deve ser votada até 3 de julho.

O valor previsto no orçamento para 2013 é pouco mais de 4% maior do que o de 2012, estipulado em R$ 360,9 milhões. Para os dois próximos anos, a tendência é de que a receita de Itabira continue subindo, até chegar a R$ 408,3 milhões em 2014 e R$ 453 milhões em 2015. As estimativas são calculadas de acordo com as

arrecadações alcançadas nos três anos imediatamente anteriores. A LDO é uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Depois dela ser aprovada, o Executivo ainda precisa criar a Lei Orçamentária Anual (LOA), votada na Câmara, geralmente, no fim do ano.

NA VISÃO DO SKANK A foto foi postada pela banda Skank em seu perfil na rede social Facebook, como uma homenagem da banda ao povo itabirano. Ela foi feita de cima do palco, durante a festa que celebrou os 70 anos da Vale, em Itabira. O evento foi promovido no

DIVULGAÇÃO

DeFato

adolescentes autores de ato infracional. O trabalho visa a fortalecer os vínculos familiares e comunitários para a efetividade da ação protetiva à família. A unidade de São Gonçalo conta com uma equipe multiprofissional incumbida de

promover a integração de esforços, recursos e serviços para potencializar as ações aos seus usuários. Também conta com a parceria dos serviços socioassistenciais e sistema de garantia de direitos.

último dia 1º de junho, data do aniversário da mineradora, no Parque de Exposições da cidade. No perfil, uma brincadeira com os usuários da rede social: “A rapaziada cantou o show inteiro! Se você estava lá, se ache e se marque na foto!”.

FACEBOOK

A Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo inaugurou, em 30 de maio, intalações do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). O serviço já funcionava na Rua Monsenhor Torres, 308, no Centro, e é operacionalizado pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social. O Creas, unidade pública integrante do Sistema Único de Assistência Social (Suas), tem como objetivo realizar ações de orientação, proteção e acompanhamento psicossocial individualizado e sistemático a crianças, adolescentes e suas famílias em situação de risco ou violação de direitos e a

PROCURAM-SE ENGENHEIROS


HORA DE CORRER DIVULGAÇÃO

O tenente Eliseu Washington Gonçalves Marques tomou posse como comandante do 4º Pelotão do Corpo de Bombeiros em Itabira, na manhã do último dia 4 de junho. A solenidade, marcada pela presença de várias autoridades, foi feito na sede da instituição. Tenente Washington tem passagens por Governador Valadares e Belo Horizonte. É formado em Fisioterapia, pela UFMG, e prestou, também, os cursos de Formação de Oficiais (CFO), do Corpo de Bombeiros, e de Prevenção e Combate a Desastres, da Unesco. Ele assume o cargo devido à aposentadoria do subtenente Márcio Caldeira, protocolada em março deste ano. Há quatro anos na corporação, tenente Washington assume, também, um desafio: chega a Itabira em uma época de intensificação da demanda, devido ao início do período de seca. Em entrevista, ele disse que pretende reforçar as parcerias com a Prefeitura, Polícia Militar e outras instituições para não somente combater, mas prevenir incêndios nessa época do ano. DIVULGAÇÃO

Itabira promoveu, em 1º de junho, o primeiro Friday Night Training, uma corrida-treino noturna. O evento, organizado pela Equipe Papa-Léguas de corrida de rua e Gomes Pereira – Concessionária Ford, reuniu 50 participantes, percorrendo um trajeto de aproximadamente 4,6 quilômetros. De forma descontraída, cada um correu de acordo com seu ritmo, sem se preocupar com o resultado da competição. A corrida-treino contou com dois postos de hidratação para os participantes. Após a chegada, os atletas receberam lanche para repor as energias e ainda participaram do sorteio de brindes. A coordenação considerou positivo o resultado, já que, no mesmo, dia e horário eram promovidos eventos importantes, tanto em Itabira como em cidades vizinhas.

EVANGÉLICOS EM EXPECTATIVA No próximo dia 7 de julho, Itabira reúne a comunidade evangélica num evento que promete mobilizar milhares de pessoas. Trata-se da Marcha para Jesus. Com a participação de 25 igrejas evangélicas confirmadas, a expectativa é de que pelo menos 20 mil pessoas participem do evento, em

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sua 7ª edição. Na programação, destaque para a apresentação da banda Trazendo a Arca, um dos mais aclamados ministérios de louvor do Brasil. Esta será a segunda apresentação do grupo na cidade. A primeira foi em 2010. A saída da Marcha para Jesus está prevista

para 16h, em frente ao prédio da Prefeitura de Itabira, na Avenida France de Paula Andrade. O percurso será finalizado na Avenida Mauro Ribeiro Lage, no bairro Esplanada da Estação. Informações pelo site www.itabiragospesl.com.br ou pelo telefone (31) 8784 1263.

HELENA TRAD

NOVO COMANDO

ESPETÁCULO DA NATUREZA A Cachoeira da Pedra Pintada, localizada na Serra da Conceição, a 10 km de Cocais, distrito de Barão de Cocais, é formada por dez quedas d’água, em uma montanha de pedra de mais de 30 metros. A paisagem é bastante visitada por adeptos de esportes radicais. Lá se formam duchas naturais e uma grande piscina de água limpa, com temperatura em torno de 20º C. Toda essa beleza natural é cuidada por Oliveira Salles há décadas. Para chegar à cachoeira é preciso passar em sua propriedade, por uma trilha de um quilômetro e meio. A iniciativa de preservá-la foi de seu pai, Antônio Firmino de Salles, em 1985, quando fez, com autorização da Polícia do Meio Ambiente, uma portaria para controlar

o acesso de visitantes. Esses pagam um taxa para entrar, revertida em benefício da preservação do patrimônio natural. Em 1990, com a morte do pai, Oliveira continuou o trabalho, tendo assinado

um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em 2002, comprometendo-se perante o Ministério Público a cuidar da área. Quem visita, reconhece o bom trabalho da família!


FATOR MINERAÇÃO Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas e Dom Joaquim, cidades situadas na região de influência direta do Projeto Minas-Rio, recebem investimentos de aproximadamente R$ 4,8 milhões da Anglo American. Os recursos são destinados à melhoria da infraestrutura do sistema de saúde dos três municípios, como contrapartida da empresa aos danos ambientais e sociais promovidos na região. Em Conceição do Mato Dentro, as intervenções envolvem a ampliação da Policlínica, da Unidade Básica de Saúde de São Sebastião do Bonsucesso e a reforma do prédio da Secretaria de Saúde. No caso da Policlínica, R$ 1,1 milhão será investido. A ampliação da UBS de São Sebastião do Bonsucesso, fechada desde 2010, já foi iniciada e englobará uma reforma completa do

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local, com custo de, aproximadamente, R$ 300 mil, para adequação aos padrões definidos pelo Ministério da Saúde. Em Dom Joaquim, as obras estão orçadas em R$ 2,2 milhões e contemplarão a reforma e adequação do Hospital Nossa Senhora das Graças, já iniciadas, e a construção de uma UBS em São José da Ilha. Em Alvorada de Minas serão construídos uma UBS e um laboratório de análises clínicas, na sede. Além disso, a UBS de São José do Jassém começou a ser ampliada. O valor total das obras no município será de R$ 962 mil. A expectativa da Anglo American é de que as obras sejam concluídas até o final de 2012. Desde 2010, por meio do Programa de Saúde do Projeto MinasRio, a empresa tem feito investimentos

nas cidades. Ao todo, R$ 16 milhões devem ser investidos na região, até 2014. Esse é o principal projeto da multinacional no mundo. Atingirá, em sua primeira fase, uma capacidade de produção de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro. O empreendimento inclui mina e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas; a construção do maior mineroduto do mundo, com 525 km de extensão, atravessando 32 municípios mineiros e fluminenses; e o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, em São João de Barra-RJ. De acordo com a empresa, o investimento para a implantação do projeto teve um ajuste de 15% sobre o valor de US$ 5 bilhões, em função do aquecimento do mercado da construção civil no Brasil.


G ente e F atos

DIVULGAÇÃO TATIANA SANTOS

PRATA DA CASA

TRABALHO RECONHECIDO O Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais condecorou o itabirano Cyro de Oliveira Pires com a Comenda Especial da Ordem Farmacêutica, título que o eleva à condição de patrono da Farmácia em Minas Gerais. Essa condecoração é um reconhecimento aos 59 anos dedicados à atividade farmacêutica e à promoção da saúde pública no estado.

O skatista itabirano Jeferson Almeida, o Liu, venceu o campeonato Volcom - Animais na Pista. Liu executou ótimas manobras durante todo o evento e surpreendeu os juízes na disputa ao executar um hard helflip, considerada a melhor performance da competição. A disputa aconteceu na pista de skate do Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, no último dia 20 de maio. A prova teve participação de atletas mineiros, diversos deles integrantes da Associação de Skatistas de Itabira (Askita). Jefferson está sempre presente nas competições da região e se destaca pelo alto nível de suas manobras. Os atletas da cidade contaram com o apoio da Prefeitura Municipal de Itabira.

JOTTA A VEM AÍ

OÃÇAGLUVID

Para comemorar a 34ª edição da União da Mocidade da Assembleia de Deus de Itabira (Umadeita) e a 42ª União das Irmãs (Uniadi), a igreja traz o mais recente fenômeno da música gospel: o garoto Jotta A, de apenas 14 anos. O cantor ficou conhecido nacionalmente depois de se apresentar no programa Raul Gil, no quadro Jovens Talentos Kids. O show será no dia 14 de julho, no Ginásio Poliesportivo Maestro Silvério Faustino. O nome Jotta A faz menção às iniciais de José Antônio. Ele mora em Sorocaba (SP) e se congrega na igreja Assembleia de Deus. Filho de Edna e Antônio Holanda, o jovem é o caçula de três irmãos. Desde pequeno já demonstrava sua afinidade com a música. Aos três anos, cantava na igreja e era convidado para louvar em cultos e eventos de sua terra natal, Rondônia.

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ITABIRANOS EM PORTUGAL

Em junho, o Projeto Meninos de Minas fez divulgação de seu trabalho em Portugal. O grupo de 18 integrantes viajou para se apresentar no 9º Encontro de Cultura de Serpa, que se estendeu até o último dia 17. O projeto desenvolve, desde 2001, atividades ligadas à música, como oficinas de musicalização e construção de instrumentos a partir da utilização de material reciclado. O propósito do Encontro de Culturas/Mercado Cultural de Serpa, organizado pela autarquia local, é promover a cultura enquanto fator de desenvolvimento e de união entre os povos.

EMOÇÃO NA CÂMARA Com uma Moção de Aplausos, em reunião extraordinária realizada em 31 de maio, a Câmara de Municipal de Itabira prestou homenagem à Vale pelos 70 anos, comemorados em 1º de junho. A mineradora foi representada pelo itabirano Marconi Viana (ao centro), diretor Operacional de Ferrosos e funcionário da empresa há 27 anos. O autor da iniciativa foi o vereador Elson Sá, do PMDB (à esquerda). Marconi , que atualmente vive no Rio de Janeiro, não conteve a emoção ao falar da história da Vale e chorou na tribuna da Câmara.


B arão de C ocais Todos os cruzeiros são lindos. Enviado por Marya Flor de Almeida, 23/05/2012

PARA RECICLAR

MORRO REDONDO

FOTOS: J.C.ROLLA

Galpão para Associação de Catadores é alavanca para conscientização ambiental e mudança de atitudes na cidade dos pés-de-pomba

O canal de participação do internauta Veja algumas fotos enviadas por quem acessa DeFato Online DIA DOS NAMORADOS

Enfim, Aserbac obtém um espaço adequado para executar o trabalho de reciclagem

O PINTURA DE LUIZ FRANCIS Isso é o amor de papai e mamãe. Se não fosse assim, eu nem estaria aqui. Enviado por João Diniz Rodrigues, 13/06/2012

Arte criada durante oficina realizada em Itabira, na comemoração da Semana do Meio Ambiente. Enviado por Moacir Diniz Lage, 05/06/2012

SAMUEL LOPES NA FRENTE COISAS DA NATUREZA

Na primeira etapa do Mineiro de Motocross, em Itabirito, o itabirano Samuel Lopes conquista o primeiro lugar na categoria Mx Jr. 125cc.. Enviado por Flávio Soares de Almeida, 04/06/2012

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A foto foi feita em Ipoema, na Pousada Pedra que Brilha. Enviado por Tiago Muzzi, 10/06/2012

Dia Mundial do Meio Ambiente foi comemorado em dia 5 de junho, mas o presente para os pés-de-pomba chegou no último dia 19. A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Barão de Cocais (Aserbac) ganhou uma estrutura que vai ajudar a entidade no importante trabalho ambiental que presta ao município. Mais do que um espaço físico, o galpão de 527 m² representa um grande apoio para a expansão da coleta seletiva na cidade. O espaço foi construído com recursos provenientes de convênio entre a Prefeitura e o Ministério das Cidades, além de parceria com a siderúrgica Gerdau. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Nivaldo Nunes de Souza, os investimentos giram em torno de R$ 450 mil. A obra, erguida à Rua Guilherme de Oliveira Moreira, no bairro Sagrada Família, ocupa uma área de 969 m². O local vai servir para que os dez associados à Aserbac façam a tria-

gem, armazenem e distribuam os materiais recicláveis que recolhem pelas ruas de Barão de Cocais. Apesar de a entidade existir desde 2007, não havia no município um espaço adequado para desenvolver as etapas do trabalho de coleta seletiva. O galpão é dotado de escritório, cozinha, refeitório e vestiários. É também a primeira obra pública de Barão a ser construída com reservatório para re-

aproveitamento de água de chuva e aquecimento solar, o que aumenta, ainda mais, sua importância ambiental. O espaço foi entregue completamente mobiliado e com máquinas essenciais ao trabalho desenvolvido pela associação, como prensas, empilhadeiras elétricas e carrinhos. O material foi adquirido por meio de parcerias com Vale, Gerdau e Anglo Gold. Além disso, os catadores também ganharam um caminhão baú, obtido graças a um convênio com a Fundação Nacional de saúde (Funasa). Todas essas melhorias vão ajudar os catadores no projeto Reciclar, idealizado pela Prefeitura e que já leva a coleta seletiva a 15 bairros, além do distrito de Cocais. “Já estamos em trabalho de conscientização para levar a coleta seletiva a toda a cidade. É um grande avanço que vai beneficiar a geração de agora e também as futuras”, comemora o secretário Nivaldo Nunes de Souza. 

Já em operação, galpão ocupa área de 969 m² www.defatoonline.com.br

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S ão G onçalo do R io A baixo

C atas A ltas

CAVALGADA

MUNDO AFORA

É FESTA

Prefeito firma convênio e participa de troca de experiências na Europa

Na Espanha, Nozinho e outros gestores conheceram projetos inovadores

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Em Portugal, o prefeito são-gonçalense firmou convênio com Caminha

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Cidade promove lazer e movimenta a economia em quatro dias de agito ACONTECE / DINDÃO

m missão durante o mês de junho, o prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo, Raimundo Nonato Barcelos, Nozinho, estreitou relações com gestores e instituições de Portugal e Espanha. Na portuguesa Caminha, Nozinho firmou convênio para estimular o intercâmbio e o desenvolvimento social, econômico e cultural entre São Gonçalo e o município português. Ele e a presidente de Câmara de Caminha, Júlia Paula Costa, assinaram um termo de cooperação e mobilização de incentivos e meios considerados adequados para contemplar temas como desenvolvimento socioeconômico; urbanismo e meio ambiente; ordenamento do território urbano; cooperação entre autarquias, educação, cultura e desporto; turismo e patrimônio histórico e artístico. A portuguesa Júlia Paula Costa chamou a atenção para o fato de o Brasil ser uma economia emergente e que esse tipo de acordo se torna

um estímulo para aproximar os dois países. Já para o prefeito Nozinho, além da troca de ideias e experiências, o convênio deve promover iniciativas e projetos úteis para o progresso das duas cidades. “Essa parceria é muito importante e poderá render bons frutos. O acordo vai proporcionar novas vivências e mais progresso em várias áreas”, destaca Nozinho. Ainda em Portugal, a cidade mi-

Mais de 40 mil pessoas passaram pelo parque de exposições durante o evento

neira participou do IX Encontro de Culturas de Serpa, como parte da Rede Internacional de Municípios pela Cultura (enRede). O evento reuniu gestores, artistas, produtores culturais e autoridades internacionais de diversos países. São Gonçalo foi representada pelo músico Aulus Rodrigues, um dos mais promissores violonistas da nova geração.

NA ESPANHA Entre 10 e 16 de junho, Nozinho, integrando uma comitiva do Sebrae, se reuniu com empresários e políticos em Barcelona e Madri. O objetivo foi buscar informações, ideias e inovações da gestão pública que poderão ser aplicadas em São Gonçalo. A experiência na Espanha foi oferecida após a conquista do prêmio Prefeito Empreendedor, no qual São Gonçalo venceu como melhor projeto de Minas Gerais, e a participação na edição nacional do Prêmio, que colocou a cidade entre as quatro melhores da região Sudeste. 

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ntre 31 de maio e 3 de junho, Catas Altas promoveu sua XIV Cavalgada, encontro que reuniu a magia do esporte, a beleza dos cavalos, a emoção do rodeio e a alegria dos catas-altenses. As boas-vindas foram dadas por 20 peões se equilibrando em cima de touros treinados. Entre 385 municípios mineiros, a cidade foi escolhida para sediar a final do Campeonato Estadual de Rodeio. A veterinária da Cia de Rodeio Paulo Miranda, Sarah Helena Neves, logo avisou: “Os animais não se machucam, são treinados para

o esporte”. Um carro zero km e uma vaga em Barretos foram os prêmios concedidos ao campeão, Marcos Silva de Souza, o Paraguai. Mais de 40 mil pessoas passaram pela cidade durante a cavalgada, segundo a organização do evento. Emissoras de televisão, como Alterosa, Band Minas e Record fizeram registros da festa, marcada pela organização, segurança e alegria do público. As pousadas, restaurantes e comerciantes, em geral, comemoram o grande fluxo de turistas, que ajudaram a aquecer a economia local.

Entre as apresentações, artistas como Danilo Mendes, Bruna Viola, Menina do Céu, Gilson e Banda, além dos consagrados Victor e Leo e Bonde do Forró, animaram as quatro noites de shows. No domingo, 3 de junho, cavalos dos criadores de Catas Altas e de mais 18 categorias desfilaram na pista da Arena mais uma vez lotada, como sempre ocorre, a cada ano. A XIV Cavalgada, promovida pela Prefeitura de Catas Altas, contou com o apoio da Vale, Samarco e Polícia Militar.  www.defatoonline.com.br

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R egião

TERRA DESBRAVADA Mineradora prevê investimento bilionário em Santa Maria de Itabira e Morro do Pilar

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SÉRGIO SANTIAGO

mineradora Manabi, uma holding ainda pré-operacional, anunciou ao mercado a intenção de fazer investimentos de, aproximadamente, U$ 4 bilhões na exploração e escoamento de minério de ferro em Morro do Pilar e Santa Maria de Itabira. A empresa, constituída em março de 2011 por um ex-funcionário da Vale e cofundador da LLX e MMX, de Eike Batista, é proprietária de 78 concessões minerárias em áreas do

Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Os projetos de Morro do Pilar e na localidade de Morro Escuro, em Santa Maria de Itabira, são os primeiros da mineradora. Segundo prospecto, as duas minas somam cerca de 1,5 bilhão de toneladas em recursos minerais, com potencial exploratório para chegar a dois bilhões. A expectativa é de que as operações comecem em 2016, com produção estimada de 31 milhões de toneladas por ano. A qualidade

do minério, segundo o documento enviado à Comissão de Valores de Mobiliários (CVM), é elevada, com teor de ferro de 68,5%. Para levantar recursos para os projetos, a companhia vai lançar oferta pública de ações no Brasil e no Canadá. Os recursos provenientes da oferta global serão investidos, majoritariamente, no desenvolvimento em estudos ambientais, obtenção de licenças e autorizações, projetos de engenharia e sondagens.  ARQUIVO

OS PROJETOS

Em Morro do Pilar está prevista a implementação de uma mina, uma usina de beneficiamento de minério de ferro e toda a rede de escoamento da produção, composta por um mineroduto e um terminal portuário em Linhares (ES). A expectativa é de que seja concluído, ainda em 2012, o estudo de impacto ambiental, para que o empreendimento obtenha as licenças prévia e de instalação em 2013, requisitos necessários para o início das obras. As montagens da mina, usina de beneficiamento, mineroduto e porto estão previstas para começar em

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2014. Em 2016 a mineradora espera terminar a parte eletromecânica da mina e o mineroduto, para começar a produzir e escoar o minério. O projeto Morro Escuro, em Santa Maria de Itabira, compreende a construção de uma mina e de uma usina de beneficiamento de minério de ferro. No que se refere ao licenciamento da área a ser explorada, a expectativa é de que o estudo de impacto ambiental seja concluído ainda no 2º semestre de 2012. No ano seguinte a empresa espera obter as licenças prévia e de instalação até o segun-

do trimestre. A operação em Santa Maria deve começar no primeiro trimestre de 2014, segundo prospecto da empresa. A área a ser minerada está localizada a seis quilômetros do centro urbano. “O projeto é para 20 anos”, disse o prefeito Geraldo Coelho do Nascimento. A empresa já se reuniu com representantes da Prefeitura para discutir diversas questões, inclusive a viabilização de um desvio da cidade, por onde passariam os caminhões de minério sentido Itabira, possível destino do escoamento da produção de Morro Escuro.

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TATIANA SANTOS

70 anos

VALEU ART DESIGNER

A PENA

O passabeense José Adriano chegou a Itabira quando a CVRD iniciava as operações

História de mineradora se confunde com trajetória daqueles que a ajudaram a crescer em Itabira e região

Geraldo Leonardo construiu carreira sólida graças às oportunidades que surgiram na Vale

TATIANA SANTOS

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urante a festa que celebrou os 70 anos da mineradora Vale em Itabira, promovida em 1º de junho, no Parque de Exposições Virgílio José Gazire, enquanto era apresentado um vídeo institucional no telão, no meio da plateia alguém gritou: “Meu avô, meu ídolo”. A frase foi dita por um dos netos 30

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do passabeense José Adriano Costa. Ele foi um dos escolhidos para ilustrar o video pelo fato de ter sido um dos primeiros empregados da mineradora. Em 1945, três anos após a fundação da Vale, ele se mudou para Itabira em busca de um sonho: “Trabalhei em empreiteiras abrindo linhas férreas. Cheguei ao escritório da Companhia Vale do Rio Doce dizendo que queria trabalhar. Não

pedi emprego, mas, sim, serviço. No mesmo dia comecei na empresa”. O aposentado fala com orgulho da época em que trabalhou na mineradora. Aos 97 anos, José Adriano é dono de uma memória invejável e ainda se lembra das diversas tarefas que desempenhou na companhia. Na carteira de trabalho, que guarda até hoje, o cargo descrito é “Mineração”. Ele realizou desde trabalhos de jardi-

nagem ao carregamento de vagões de minério. Trabalhou na construção de praças de serviços e até no matadouro que abastecia os restaurantes da área administrativa. O trabalho era pesado, debaixo de sol e de chuva, mas seu combustível essencial era a alegria. ”Eu saía de casa às quatro da manhã, a pé, e o que me mandavam fazer, eu fazia. Era tudo festa, não tinha tempo ruim”, diz às gargalhadas. Por não ter muita instrução e nem grandes ambições, José Adriano “pendurou as botinas” como trabalhador braçal, no mesmo cargo em que entrou. A aposentadoria veio em 17 de setembro de 1980, após 35 anos de serviços prestados. ”Nunca tirei licença, nunca faltei e nunca me acidentei no trabalho”, relembra, orgulhoso. Do emprego, José Adriano conservou amizades e hábitos, como o de acordar cedo. Às cinco da manhã já está de pé para preparar o café, buscar pão e fazer bolos. A idade avançada não o impede de praticar seu principal hobby, que é cuidar da horta, o

que inclui regar, semear e capinar. As verduras colhidas alimentam, também, os amigos da vizinhança. Faltando pouco para completar um século de vida, José Adriano fez vingar uma prole de 10 filhos, dos quais cinco homens se tornaram trabalhadores da Vale. Além deles, formam a família 34 netos e 14 bisnetos, que ele curte na companhia da esposa, Delfina Fernandes, de 94 anos. José Adriano sabe que seu esforço lhe valeu muito. “Se fosse para viver tudo que vivi na Vale de novo, viveria, pois foi ela quem me deu segurança para cuidar da minha família. O que ela plantou, eu colhi”, diz o trabalhador.

CARREIRA Como José Adriano, outros milhares de trabalhadores têm relações profissionais intensas ligadas à Vale. A história de Geraldo Leonardo Silva, itabirano, de 47 anos, começou no início da década de 1980, quando teve a oportunidade de ingressar no quadro funcional da então Com-

panhia Vale do Rio Doce, como estagiário em Mecânica. O que para alguns poderia parecer pouco, para o atual supervisor de Engenharia de Equipamentos da Mina Brucutu foi a grande oportunidade. Leonardo, já contabilizando 30 anos de empresa, é também professor universitário e já se sujou bastante de graxa para chegar aonde chegou. “Sempre sonhei entrar para a Vale. Comecei a trabalhar vendendo picolé e fazendo serviço de pedreiro, aos 14 anos, mas tinha a mineradora como um ideal de empresa, de ascensão e oportunidades”, relata o engenheiro. E as chances não lhe faltaram. Após o período de dois anos como estagiário passou a executar a função de auxiliar de mecânica, o que lhe serviu de aprendizado para, quatro anos depois, se tornar mecânico I, classificação inicial para a função. A busca pelo conhecimento acompanhou o supervisor. “Na época em que era mecânico I fiz um curso técnico em Mecânica para me aperfeiçoar”, diz. Após dois anos, Leonardo foi promovido a www.defatoonline.com.br

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mecânico especializado e formou-se em Ciências Exatas, na Faculdade de Ciências Humanas de Itabira (Fachi). Mais um ano se passou e ser técnico mecânico I classificando-se ao nível II foi a consequência de sua dedicação. Ciente de que busca por conhecimento e crescimento profissional costumam ter relação de causa e consequência, graduou-se também em Matemática, pelo Uni-BH, em 1989. Especializou-se, ainda, em Estatística e em Engenharia de Processos, em 2010. Após transitar por diversas áreas, desde 2011, mais uma vez Leonardo avançou e se tornou supervisor de nível 4, função que desempenha atualmente. Para ele, o diferencial para que construísse carreira, além do próprio esforço, foi o fato de a empresa acreditar em seu trabalho. “Não planejava ser supervisor, pensava em ser um mecânico. Mas desde o início a Vale acreditou em mim. As oportunidades foram aparecendo e fui abraçando”, conta.

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Cássia e Wanderson iniciaram o relacionamento e a vida profissional em estágio oferecido pela mineradora

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Pai de quatro filhos, o supervisor revela que a influência da mineradora em casa sempre foi positiva. Um deles, Julio, já trabalha na empresa e os demais alimentam o desejo de seguir a mesma carreira. O itabirano guarda com carinho o relógio de pulso recebido em agosto do ano passado, como uma homenagem pelos 30 anos de trabalho dedicados à empresa. Nada mal para quem começou como estagiário. Por fazer o que gosta, a palavra aposentadoria ainda não é contemplada por seu vocabulário. “Trabalhei 30 anos na Vale e quero trabalhar mais 30, pois ainda tenho muita coisa para construir lá dentro”, assegura.

AMOR TAMBÉM VALE Enquanto participavam de um treinamento para o novo emprego, o amor bateu à porta de Cássia Valéria Dutra, 33 anos, e Wanderson Rodrigo de Souza, de 32. Durante os três dias de ambientação para realizar estágio na Vale, em janeiro de 2001, Cássia cen-

trava-se no aprendizado. Ainda assim, seu foco não foi impedimento para que nos intervalos do treinamento ela conhecesse o futuro marido. A partir da aproximação, de forma gradual, nasceu a amizade. “Por meio de gestos de carinho, como ligações e companheirismo, o Wanderson foi me conquistando”, declara. O namoro foi algo natural, que veio sete meses depois. Com quatro anos de relacionamento, os dois decidiram dividir o mesmo teto. Atualmente, Wanderson atua na área da Geotecnia, na mina Água Limpa, em Rio Piracicaba. Cássia trabalha em Planejamento e Controle de Projetos, na mina Conceição, em Itabira. Ela nasceu em Belo Horizonte e veio para a cidade devido à oportunidade de crescimento profissional. Ele é itabirano e saiu da cidade natal por consequência do ofício, mas vai e volta todos os dias. Na época em que faziam estágio, os dois se diferenciavam dos colegas de função durante as festas promovi-


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Pedro Henrique, José Vital e Paulo Silas representam três gerações a serviço da empresa

das pela empresa. Isso porque estagiários não podiam levar acompanhantes às comemorações, mas, por fazerem parte do quadro funcional, os dois tinham o privilégio de se divertir juntos. Passados 11 anos de relacionamento, o casal mantém o hábito. “Por trabalharmos em cidades diferentes, cada um participa de festas na localidade onde trabalha, mas sempre na companhia do outro”, diz Cássia. Atuando em áreas distintas, em diferentes minas, as possibilidades de se encontrarem em serviço são praticamente nulas. Então, em casa, às vezes fica difícil separar a vida pessoal da profissional. “Evitamos falar de trabalho, mas nem sempre isso é possível”, diz a esposa. O que os dois gostam mesmo de fazer juntos é cuidar do filho Vitor, de oito anos, fruto de um amor que só foi possível graças a um ideal profissional comum.

GERAÇÕES DE FERRO Além do sobrenome, José Vital de Figueiredo, 73 anos, Paulo Silas de Fi34

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gueiredo, 46, e Pedro Henrique Souza Figueiredo, 23, têm mais coisas em comum: pai, filho e neto viveram e vivem o dia a dia de trabalho na Vale. No caso de José Vital, o pioneiro da família na empresa, a aposentadoria se deu em 1990, quando trabalhava no escritório da Superintendência de Mina, que funcionava no bairro Areão, em Itabira. O filho Paulo Silas trabalha como operador de equipamentos de mina, no Cauê, enquanto o neto Pedro Henrique é eletricista de manutenção de equipamentos de mina, no Complexo Itabira. Cada um, à sua maneira, iniciou a trajetória na mineradora. “Entrei em 2010, por processo seletivo, como menor aprendiz, após cursar Aprendizagem Industrial em Eletroeletrônica, no Senai. Meu pai trabalha na Vale desde dezembro de 2004, depois de também ingressar por meio de processo seletivo. Já meu avô fez parte da empresa desde 1962, quando ingressou via concurso”, relata o neto. Paulo Silas, que não tinha o tra-

balho na Vale como objetivo de vida, acabou recebendo da empresa a oportunidade de consolidar sua carreira profissional com boas perspectivas de crescimento. Já Pedro sempre teve inclinação para o ramo industrial. Fez o curso do Senai e foi impulsionado a tentar ingressar na mineradora. Para José Vital, a empresa proporcionou uma boa estrutura de vida e conhecimento. Na visão de Silas, além da formação profissional, o retorno financeiro e um horizonte vasto na função em que atua são os pontos mais importantes em sua trajetória. Essas visões, de certa forma, influenciaram Pedro, que sempre foi incentivado pela família nos estudos e na busca por conhecimento. Atravessando gerações, a experiência de quem passa pela Vale costuma ser a mesma quanto à influência exercida pela empresa em suas relações humanas: as amizades e valores cultivados no ambiente corporativo são trazidos para a vida pessoal. E, assim, essas histórias de vida e trabalho se perpetuam.  www.defatoonline.com.br

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M eio A mbiente

AÇÕES POSSÍVEIS

SUSTENTABILIDADE NA PAUTA No mês em que se celebra o Meio Ambiente, o Brasil se torna a capital do mundo ao debater o planeta que as futuras gerações vão receber

FOTOS: BIOMA

Conservação de matas próximas a áreas urbanas proporciona mais qualidade de vida às pessoas

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Constituição Brasileira assegura, no Capítulo VI, Art. 225, que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.” Mas o que é um ambiente ecologicamente equilibrado? Como interferimos nele e como se deve agir para evitar uma crise ecológica? Questões como essas pautaram as discussões da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, evento promovido entre 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro, com a 36

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participação de líderes de nações que despertam a consciência ambiental. Foram cerca de 50 mil participantes, entre lideranças políticas, sociedade civil, celebridades, entre outras pessoas engajadas em debater sustentabilidade. Durante o evento, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciou a realização de audiência pública, em breve, para discutir propostas de regulação das políticas de responsabilidade socioambiental a serem adotadas pelas instituições financeiras brasileiras. A declaração foi feita em 13 de junho, durante o encontro sobre Finanças Sustentáveis, realizado no Ciclo de Debates Brasil Sustentável - O Caminho de Todos. A importância de tal anúncio se alinha ao fato de que,

mais do que um mero princípio, a sustentabilidade já é evocada como uma prática no cotidiano. A bióloga Lídia Maria dos Santos, da Bioma Meio Ambiente, empresa que atua em planejamento e gestão ambiental, esclarece que a busca do equilíbrio entre as forças econômicas, sociais e ecológicas — algo que ainda não foi alcançado pela sociedade — deve ser foco de todos. O resultado dessa atitude, de acordo com ela, aponta para a não existência de favelas, além de rios limpos e povoados, ausência dos lixões, recuperação de áreas degradadas e presença de ecossistemas naturais. “Talvez seja por isso que a Constituição dá esse direito ao povo brasileiro”, diz Lídia.

Ainda sobre a temática da sustentabilidade, o biólogo e especialista em Planejamento e Meio Ambiente da Bioma, Sérgio Tomich, destaca que ocorreram avanços desde 1998, mas, muito ainda pode ser feito. “Aos cidadãos brasileiros é garantido o direito de uma licença ambiental referendada por instituição pública, seja para construção da casa, para interferência no esgoto ou na energia, ou para grandes obras, estradas, barragens, fábricas ou mineração. Existe um sistema de gestão pública, que municípios, estados e Governo Federal operam”, observa o especialista. Sérgio aponta, ainda, a importância de se considerar questões relacionadas às propriedades rurais, como sítios e fazendas. Instalações de criação de animais, fontes de alta produção de dejetos, devem ser controladas pelos proprietários, para que não tenham destinos inadequados, como lançamento em nascentes ou cursos d´água. Pequenas indústrias de laticínios, doces ou linguiças também são fontes de alta geração de dejetos que requerem controle e destinação adequada. De acordo com Sérgio, a melhor alternativa é a reciclagem, como a que é feita por meio de compostagem e instalação de biodigestores, a partir dos quais se pode produzir energia, biogás e adubo orgânico de boa qualidade. O geógrafo Aquiles Araújo, da Bioma, lembra que a intervenção no interior dos 50m das bordas de nascentes e dos 30m ao longo das margens de cursos d’água é proibida pela legislação vigente, que recomenda, ainda, o reflorestamento desses espaços. As Áreas de Preservação Permanente (APPs) devem ser cobertas por vegetação nativa, imune de corte. A exceção é para

Proteção de nascentes e matas ciliares contribui para o equilíbrio do ecossistema

quando são utilizadas em atividades de utilidade pública ou interesse social, mediante licenciamento pelo Poder Público. Evitar o carreamento de sedimentos, terra e enxurradas é a meta ao se proteger as APPs, de acordo com o geógrafo. Outra medida a ser destacada por Aquiles é a proteção de pequenos grupos de árvores e matas ainda existentes nas regiões próximas às cidades. Elas contribuem para qualificação e melhoria ambiental para conservação de aquíferos, além de garantir benefícios como ambientes saudáveis para sobrevivência da fauna silvestre e da flora local. Favorecem, ainda, a recarga de água nas nascentes e a qualificação do

clima local, ao mesmo tempo em que garantem a integridade dos solos e a oferta de locais agradáveis para lazer. Diante das previsões de especialistas sobre crescimento da população e possibilidade de falta de alimentos e energia para todos, até 2050, pensar na qualificação das áreas urbanas e no uso correto dos recursos naturais é essencial para garantir às futuras gerações um planeta melhor. Cabe a toda sociedade não se omitir ao perceber maus tratos ao meio ambiente, denunciando abusos aos canais de proteção ambiental, como as prefeituras, Instituto Estadual de Florestas, Polícia Florestal e, em último caso, ao Ministério Público.  www.defatoonline.com.br

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PRAÇA DE

OPORTUNIDADES 1º Workshop Itabirano de Negócios (WIN), da Acita, supera expectativas e se transforma em ferramenta para alavancar diversificação econômica do município

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primeira edição precisava ficar marcada. E ficou. A qualidade da estrutura e as atividades programadas surpreenderam até os próprios organizadores do 1º Workshop Itabirano de Negócios (WIN), realizado entre os dias 30 de maio e 1º de junho, no clube Arfita. “Não podíamos falhar”, disse o presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Itabira (Acita), José Antônio Reis Lopes, responsável pelo evento. A dedicação da equipe, com o apoio dos parceiros e patrocinadores – in38

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clusive do Grupo DeFato –, garantiu o sucesso. Praticamente todos os 65 expositores já confirmaram interesse na próxima edição, tão logo se encerrou a primeira. Mais de oito mil pessoas visitaram os estandes nos três dias de exposição. A mobilização articulou setores importantes da economia regional, como gráficas, impressão digital, floriculturas, hotéis, restaurantes, locação de mobiliário, buffets, prestadores de serviços, fotógrafos, salões de beleza, lojas de material de construção, entre outros.

De acordo com a agência C:M Consultoria e Marketing, empresa contratada para promover o evento, 130 empregos foram gerados na elaboração do projeto. A organização demandou, também, 2.900 metros de piso e 2.500 metros de área coberta, capazes de proporcionar uma estrutura adequada para atender às necessidades específicas do perfil de evento. O WIN foi destacado em todos os discursos como ferramenta fundamental para a tão necessária diversificação econômica da cidade.

Empresas de Itabira e região apresentaram os mais diversos produtos e serviços

e produtos, principalmente para a construção civil, segmento que está em alta no Brasil, e atrair a atenção de seu público alvo. “O resultado foi excelente! Conseguimos fechar bons contratos, bem acima do que esperávamos”, revela o diretor da empresa, Flávio Fonseca. “Aguardávamos um retorno de médio e longo prazo, mas tivemos a surpresa de conseguir realizar vendas durante o Workshop”.

e palestrante”, disse Joaquim Toledo, gerente geral de planejamento e desenvolvimento da mineradora. De acordo com José Antônio Reis Lopes, o objetivo da Acita é inserir o Workshop no calendário oficial de eventos de Itabira. “A intenção é promover o networking entre clientes e fornecedores, mas também fechar negócios”, explica. Diversas empresas conseguiram efetuar, de fato, vendas importantes e prospectar negócios que certamente trarão resultados mais adiante. É o caso da locadora de equipamentos Italoc. Exposta no pátio, a empresa conseguiu exibir diversas máquinas

ENCONTRO DE NEGÓCIOS

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Estrutura montada atendeu cerca de oito mil participantes

O prefeito de Itabira, João Izael, explica que isso está relacionado à preocupação de toda a sociedade com o período pós-Vale. O Workshop é, de acordo com o prefeito, uma excelente alternativa. Ele entende que é papel do governo apoiar esse tipo de iniciativa. “Cuidar de um município não é só investir em saúde e em educação, mas, também, ajudar na busca por alternativas econômicas. Há 70 anos Itabira vive em torno de uma empresa âncora, que sempre foi grande parceira. Hoje, precisamos pensar no que vem depois, planejar o futuro”, diz o prefeito. A Vale foi uma das fontes de investimento para o evento. “A diversificação da economia em Itabira sempre foi uma preocupação da empresa. Um passo importante, nesse sentido, é aproximar segmentos empresariais da agropecuária, indústria e serviços, instituições relacionadas à educação e fomento e o poder público, por meio de fóruns de debates. Pelo tamanho e qualidade do evento, pode-se dizer que foi inédito e coloca Itabira como polo de negócios na região do Alto Piracicaba. Para a Vale foi um orgulho participar como patrocinadora, expositora

FOTOS ART DESIGNER

C apa

Equipe da Acita comemora o sucesso do evento inédito

Um destaque importante dentro da programação foi o encontro de negócios, com as empresas Enesa Engenharia, Barbosa Mello, AngloGold Ashanti e Caixa Econômica Federal. As corporações participaram do Workshop com o objetivo de captar fornecedores. A Enesa Engenharia e Barbosa Mello, por exemplo, são empreiteiras da Vale no projeto Conceição Itabiritos e precisam de fornecimentos em diversos segmentos. A AngloGold Ashanti atua na exploração de ouro, principalmente em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A Caixa Econômica Federal, como um dos principais bancos do país, atraiu a atenção de www.defatoonline.com.br

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CENTRO DE CONVENÇÕES

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A qualidade da estrutura do WIN foi indiscutível, mas demandou alto investimento. Mesmo atendendo à necessidade de espaço, o terreno precisou ser preparado de maneira que

RODRIGO ANDRADE

empresários. Os interessados em se apresentar às compradoras tiveram 15 minutos para “caprichar” na argumentação. Dentro do espaçoso auditório, convidados ilustres marcaram presença nos três dias de exposição, ao compartilhar com a plateia suas experiências. Entre eles, destaque para o diretor da Vale, Joaquim Toledo, o diretor de comunicação da Fiat Automóveis, o itabirano Marco Antônio Lage, além do jornalista esportivo Chico Maia e do ator e coreógrafo Carlinhos de Jesus. As palestras abordaram temas variados, todos relacionados ao segmento empresarial. Estratégias mercadológicas, sustentabilidade, vendas, oportunidades da Copa no Brasil, lucratividade, competitividade empresarial e motivação foram alguns dos temas.

O itabirano Marco Antônio Lage palestrou sobre empresas e cidades sustentáveis

atendesse ao público com comodidade e segurança. Se Itabira tivesse à disposição um centro de convenções, os custos estruturais seriam pelo menos 20% menores. A constatação é do próprio presidente da Acita, que acredita que um “Expominas itabirano” atenderia a diversos eventos similares e ajudaria a divulgar ainda mais o nome da cidade no cenário econômico de Minas Gerais. “Seria excelente um centro de convenções, pois ainda temos limitação de espaço”, diz José Antônio Lopes. A ideia ainda está na fase embrionária, mas pode ser levada às autori-

dades em forma de projeto. Um centro de convenções demandaria, sem dúvida, tempo para se concretizar, devido às aprovações e tramitações burocráticas, inerentes ao processo administrativo público. Há também o mais importante: o investimento. Enquanto a ideia vai ganhando forma, a Acita pretende promover as próximas edições do WIN em áreas como a da Arfita, sede neste ano. Na avaliação da C:M Consultoria e Marketing, mesmo diante dos obstáculos, o resultado foi positivo, uma amostra do que Itabira é capaz de oferecer na missão de contribuir para o desenvolvimento econômico Coreógrafo Carlinhos de Jesus falou sobre motivação e divertiu o público

da região. “Nosso objetivo foi criar um ambiente favorável de relacionamento de negócios, onde pessoas e empresários pudessem compartilhar experiências, contribuir e conscientizar para novas abordagens estratégicas de suas empresas, além de se preparar para desafios importantes no cenário de negócios de Itabira e região”, explica a diretora da C:M Marketing, Cássia Neves. Novas ações de relevância econômica, comercial e estratégica já estão sendo estudadas para o 2º Workshop Itabirano de Negócios. Que o sucesso seja igualmente alcançado! 

Grupo DeFato também apresentou seus produtos ao público

QUARTA EDIÇÃO Idealizado pela Acita e editorado pelo Grupo DeFato, o Catálogo de Negócios de Itabira teve sua quarta edição lançada durante o Workshop Itabirano de Negócios. O momento não poderia ser mais oportuno, já que o evento conseguiu reunir empresas de diversas cidades de Minas Gerais. O Catálogo lista as principais empresas de Itabira, com potencial para fornecedor, nos ramos de: alimentação, comércio, comunicação, construção civil, educação, imobiliário, industrial, institucional, móveis para escritório, saúde, serviços, tecnologia, turismo, uniforme e veículos. Para José Antônio Lopes, presidente da Acita, o Catálogo de Negócios “tem como objetivo dar visibilidade às empresas locais e facilitar as empresas âncoras na identificação de potenciais fornecedores”. Considerada uma das maiores economias do estado, Itabira é polo em educação, com a instalação da Unifei, e recebeu mais de U$ 4 bilhões de investimentos, com o projeto Conceição Itabiritos, da Vale. Oportunidades para os empresários locais não vão faltar, e o Catálogo tem a condição de estreitar o relacionamento entre demandantes e ofertantes.

PARTICIPANTES DO WIN DeFato, Potencial RH, Ipalux, Madeita, Usig, Gevergas, Prolife, Unimed, WE Engenharia, Regisseg, Brasil Novo, Top Seguros, Favorita, Lopes Lar, Fide, Origem Incubadora, Lana, Maqmotos Yamaha, SME Emp. Esc., RG Pneus, Treinarte, Sepro, Click Treinamentos, Vale, Libriano, Vista Comunicação, Unifei Empresa Jr, Sebrae, Marco Aurélio imóveis, Caixa Econômica Federal, Rotary, Funcesi, Hidraumaq, MMP Serviços, Fortes Informática, Bioma, DataMG, Nutrilife, Embeleze, Barbosa Mello, Enesa, Arena Splash, Coma Bem, Uninter, Cia do Colchão, Célébrité, Embeleze, RM Feiras, Honda Terra Boa, Marmoraria Duarte, RH Promocional, Italoc, Valenet, Barão Motors, Vemasa e Prefeitura de Itabira.

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G aleria

de

F otos

Além de apoiar o 1º Workshop Itabirano de Negócios (WIN) desde sua concepção, DeFato marcou presença nos três dias de evento. Jornalistas, fotógrafos e demais profissionais da equipe, assim como as modelos Karina Wanzeler, Thaynara e Thaymara Fernandes, recepcionaram o público em um espaço interativo, no qual era possível acessar o portal de notícias e ler as revistas. Quem passou por lá teve a oportunidade de relembrar um pouco a história recente de Itabira e região, contada em duas décadas de edições da revista.


H istória

ANOS DE TRADIÇÃO PM mineira celebra 237º aniversário com identidade e fatos marcantes

ARQUIVO PMMG

Ex-presidente JK, ao centro, foi um dos grandes vultos a integrar a PM

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Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), instituição mais antiga do Brasil, comemorou, no último dia 9 de junho, 237 anos de serviços prestados à população mineira. Reconhecida em todo o país como referência na promoção da segurança pública, de acordo com seu comando, a PM mineira expressa como objetivo contribuir para a construção de um ambiente social seguro no estado. Em Itabira, as celebrações foram em 12 de junho, em solenidade no 26º Batalhão, no bairro Fênix. Vários militares da ativa e da reserva foram homenageados, assim como pessoas e instituições que colaboram com o trabalho da polícia ao longo dos anos. “A Polícia Militar se orgulha de estar presente nos 853 municí50

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pios mineiros e na maioria de seus distritos e de cultivar o privilégio de ser a servidora mais acessível e visível ao público”, diz major Laurito Reis, comandante interino do 26º Batalhão da PM, em Itabira. Em Minas Gerais, a corporação conta com mais de 45 mil homens e mulheres a seu serviço, além de uma frota de mais de dez mil viaturas e nove aeronaves servindo a 18 Regiões de Polícia Militar e 56 Batalhões Operacionais.

AS ORIGENS De acordo com seus arquivos, a PM foi criada em 9 de junho de 1775, na antiga Vila Rica, atual Ouro Preto. A história começou a partir da descoberta do ouro, quando vários levantes surgiram em território mineiro. Para reprimi-los e garan-

tir a arrecadação do “Quinto” devido à Coroa, o Rei de Portugal, D. João V, encaminhou à colônia três contingentes de Dragões. Em ambiente diferente do que eram acostumados, os militares portugueses se tornaram inoperantes. Para substituí-los, o governador Dom Antônio de Noronha autorizou a criação do Regimento Regular de Cavalaria de Minas. A primeira tropa paga pela Capitania de Minas e integrada por mineiros tornou-se, então, a instituição embrionária da atual Polícia Militar. Com várias denominações, até chegar ao nome atual, a PM teve participação ativa em momentos marcantes da história do Brasil, como a Guerra do Paraguai, as Revoluções de 1930 e 1932, o Golpe de 1964 — que os militares ainda preferem chamar de revolução —, dentre outros fatos. Personalidades importantes que ajudaram a escrever a história do Brasil fizeram parte de seus quadros, como Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, reconhecido como patrono das Polícias Militares dos Estados, e Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Antes de se tornar presidente, JK foi nomeado capitão médico da Força Pública — uma das denominações da instituição ao longo da história. Ele atuou na Revolução Constitucionalista de 1932, em Passa-Quatro (MG). Na mesma época serviu o escritor João Guimarães Rosa, também médico e membro do atual 9º Batalhão, com sede em Barbacena. 


M eu N egócio

E mpreendedorismo

ATENDER BEM SEM OLHAR A QUEM

REGINALDO CALIXTO Empreendedor, bacharel em Ciências Contábeis, MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Presidente do Instituto Brasileiro de Inovação e Sustentabilidade (Ibis) www.reginaldocalixto.com.br / contato@reginaldocalixto.com.br

“...a Rio + 20 deixou a desejar no que se refere à transferência de tecnologia, a indefinição quanto aos financiamentos de projetos de conservação ambiental e sustentabilidade e na definição de metas claras a serem cumpridas”

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Capacitação e motivação são combustíveis para equipe da Auto Elétrica Gilberto garantir excelência no atendimento

Investimento em qualificação da equipe é receita para promover satisfação do cliente

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Auto Elétrica Gilberto, empresa instalada no bairro Alto Pereira, em Itabira, tem como princípio a busca constante pela excelência no ramo da elétrica automotiva e injeção eletrônica, focada em motores diesel e flex. Com 12 anos de atuação no mercado — vai comemorar o 13º aniversário no próximo dia 5 de julho —, a empresa investe no aprimoramento constante de seus colaboradores. Atualmente, o quadro é composto por nove funcionários. Os sócios Gilberto Júlio da Silva e Maria Lúcia Cunha Silva imple-

mentaram o sistema de metas para proporcionar um atendimento que seja referência na cidade. De acordo com Maria Lúcia, a meta principal é a satisfação plena dos clientes. “A visão do atendimento é tudo. Sempre digo aos colaboradores que, independentemente de um cliente chegar num carro simples ou importado, ele deve ser tratado da melhor forma”, observa a proprietária. Investir em qualificação profissional, por meio de cursos de capacitação, é um dos principais mecanismos utilizados para assegurar que as metas sejam cumpridas. Um dos incentivos

é o Programa de Treinamento, realizado sob a coordenação de um consultor empresarial, quinzenalmente. A cada hora de treinamento, o trabalhador ganha um ponto e a cada vez que atingem 20 pontos, eles são convertidos em remuneração. Outro recurso utilizado é o Diálogo de Saúde e Segurança (DSS), promovido em todos os sábados, com foco na segurança e bem-estar dos funcionários. Também é ministrado um curso de dois dias para a equipe operacional, pelo menos uma vez por ano, em Belo Horizonte. Como estratégia motivacional, nenhuma data especial passa despercebida. Nos aniversários, é de praxe o aniversariante receber um presente da empresa. Plano de saúde corporativo e cartão alimentação também são benefícios concedidos. O diferencial da empresa, segundo Maria Lúcia, é tratar o colaborador como seu maior patrimônio. Todo esse investimento tem uma finalidade clara: fidelizar clientes, aumentar a cartela de frequentadores e, claro, garantir a satisfação do consumidor. 

DESENVOLVER COM SUSTENTABILIDADE

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íderes de centenas de países participaram, em junho, de uma intensa programação na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20. Vinte anos após a Rio 92, o novo encontro apontou novos modelos e critérios de desenvolvimento sustentáveis para o planeta. No Brasil, a também conhecida ECO/92 consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável. Preconizou ações que atendessem às necessidades do momento atual sem comprometer a possibilidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades. Outra importante conquista da Conferência de 1992 foi a criação da Agenda 21, um amplo e abrangente programa de debates locais, visando à sustentabilidade global. Por intermédio da Agenda 21, o poder público, os sindicatos dos trabalhadores, a classe empresarial e as entidades do terceiro setor realizaram, em todo o país, seminários com o objetivo de mobilizar sobre a importância do desenvolvimento e preservação do meio ambiente. Como resultado, importantes medidas foram traçadas no sentido da mudança da mentalidade cultural do ser humano. Uma cultura sustentável significa: consumir menos e produzir lixo na mesma escala; sanar as crises no fornecimento de água e energia;

diminuir o problema relativo à eliminação correta do lixo e contribuir para o reflorestamento de áreas degradadas. Com isso, os impactos ambientais, como a falta de chuva, erosões, enchentes e deslizamentos de terra seriam, em grande parte, diminuídos. Não tenho dúvidas que a Rio + 20 cumpriu um dos seus maiores objetivos: a mobilização e renovação do compromisso com o desenvolvimento sustentável. As iniciativas relacionadas à implantação de novas tecnologias de preservação do meio ambiente, a criação de certificações e auditorias mais rigorosas, a racionalização do uso de recursos naturais, com o emprego de matérias-primas e insumos reaproveitáveis e a necessidade de aderência a regulamentações na área ambiental tiveram, também, a meu ver, grande destaque. No entanto, ficou claro que a Rio + 20 deixou a desejar no que se refere à transferência de tecnologia, a indefinição quanto aos financiamentos de projetos de conservação ambiental e sustentabilidade e na definição de metas claras a serem cumpridas para transformar as questões da conferência em ações concretas ou, ainda, estabelecer sanções legais a países e empresas que não cumprirem as metas. Precisamos, ainda, avançar muito!


P erfil

FÉ SEM FRONTEIRAS Márcio Flávio Martins volta da Ásia para ser ordenado padre em Itabira

FOTOS: ARQUIVO PESSOAL

Clérigo confraterniza com nativos em Bontoc, no Norte das Filipinas

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TATIANA SANTOS

ilipinas, início de 2012. “Estávamos, alguns amigos e eu, indo para a escola onde trabalhava e senti o carro balançando. Imaginei que tivesse sido outro veículo a colidir conosco. Olhei em volta e as pessoas estavam correndo, desesperadas, tentando se abrigar do terremoto. Se estivesse em casa, não saberia o que fazer”, descreve o padre itabirano Márcio Flávio Martins, de 32 anos. O ambiente descrito foi vivenciado algumas vezes pelo religioso, desde 2004, quando foi em missão para as Filipinas, na Ásia. Depois de ser ordenado, em 12 de maio, na Igreja Nossa Senhora da Penha, em Itabira, está de férias em sua terra natal. Em agosto, retorná às Filipinas para continuar sua missão. A vivência no arquipélago, localizado no Sudeste da Ásia, proporcionou ao itabirano, segundo ele mesmo diz, grande crescimento espiritual, pessoal e cultural. Vive na Ásia há cerca de oito anos, onde atua, também, como professor 54

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universitário. Vindo de família tradicionalmente católica, Padre Márcio descobriu a vocação para o sacerdócio na adolescência, quando conheceu alguns padres da Congregação do Imaculado Coração de Maria (CICM). Em 2000, entrou para um seminário e quatro anos depois partiu de “mala e cuia” para o terceiro país com mais católicos no mundo. Ele morou na capital das Filipinas

por cerca de seis anos e teve que aprender o tagalo, idioma oficial do país, além do cebuano, para conseguir realizar seu trabalho pastoral de forma efetiva. Após muita preparação espiritual, religiosa, psicológica, humana e social, o jovem professou solenemente votos de pobreza, obediência e castidade. A distância da família e a diferença cultural ainda são desafios. “Tive certa dificuldade em me adaptar à alimentação do país e com a forma como os filipinos tratam as pessoas. Inicialmente, os via como frios, mas, depois, percebi que demonstram carinho de outras maneiras”, observa. Com a experiência religiosa e social, em sua percepção, o maior aprendizado é o respeito nas relações, principalmente para com os mais velhos. A forma ponderada e passiva com a qual se porta o povo filipino e a forte religiosidade são traços marcantes. Em tom fraternal, padre Márcio deixa o recado: “Que os jovens busquem servir a Deus e praticar uma religião, para que possam proclamar as Boas-Novas àqueles que necessitam. Uma juventude inteligente é aquela que busca a Deus”. 

A ordenação diaconal foi em fevereiro, em solo filipino


C omportamento

ESPELHO MEU MEU ESPELHO Aparência e forte ligação submetem gêmeos a situações peculiares no cotidiano

TATIANA SANTOS

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las são confundidas, muitas vezes, como imagens espelhadas, de tão parecidas, tanto na fisionomia quanto nos gostos. Mas que fique bem claro: são duas pessoas diferentes. Nascidas em Juiz de Fora e vivendo

em Itabira, nem sempre as gêmeas idênticas Thainara e Thaimara Fernandes Machado, de 17 anos, são tratadas por algumas pessoas como indivíduos distintos. A começar pelos presentes. Já aconteceu de receberem apenas um porta-retrato de aniversário, para servir às duas.

Os motivos a inspirar tais brincadeiras são muitos. Inseparáveis, as duas frequentam a mesma sala de aula, dormem no mesmo quarto, seguem carreira de modelo e somente uma letra distingue seus nomes. Até o apelido é o mesmo: Ninha. A alcunha foi dada pelo irmão mais velho, de 20 anos. E

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Thainara e Thaimara se divertem com semelhança

dá-lhe confusão! Gêmeos idênticos também são chamados de monozigóticos ou univitelinos. Eles correspondem a, aproximadamente, 30% dos casos de duplas gestações. De acordo com especialistas, a explicação científica para que o fenômeno ocorra é a fecundação de um único óvulo, por um único espermatozoide, cujo zigoto, no início da gestação, divide-se em dois (ou mais), cada um fixando-se em uma região diferente do útero. Em razão desse fato é que gêmeos univitelinos são extremamente parecidos e, inevitavelmente, do mesmo sexo. Na infância, a dona de casa Ronilda Fernandes, mãe das gêmeas, as vestia com roupas iguais, o que prevaleceu até completarem 12 anos. O próprio pai, vez ou outra, erra sobre quem é quem. “Como ele viaja muito, acaba confundindo. Às vezes, pede uma para sair e comprar alguma coisa, mas cobra da outra”, diz Thainara. A distinção mais notável fica por conta da personalidade: Thainara é comunicativa e explosiva. Já Thaimara, é tímida e tranquila. O forte laço que as une é como de um casamento. Estão juntas na saúde e na doença. É só uma adoecer para, em poucos dias, a outra também ficar mal. A mãe conta que, em inúmeras vezes, Thainara conversa com alguém sem a presença da irmã e o mesmo assunto é levantado por Thaimara com a mesma pessoa, em circunstâncias diferentes, sem que saibam. Isso já não as surpreende, mas deixa o interlocutor boquiaberto. Durante a entrevista, automaticamente, respondiam as perguntas em coro. Sobre a cor preferida, responderam simultaneamente: rosa. O fato de serem idênticas e sempre andarem juntas põe as adolescentes em muitas “saias-justas”,

mas elas levam numa boa, como Thainara revela: “No final de abril saímos juntas, minha irmã com o namorado. Estávamos andando e, de repente, ele veio me abraçando, sem saber. Falei que eu era a Thainara e não a Thaimara”, conta, arrancando gargalhadas da irmã. E como chumbo trocado não dói, Thaimara também já foi pega pela mão pelo namorado da irmã. Confidentes, as irmãs companheiras nunca passaram mais que uma semana longe uma da outra. Quando isso ocorre, o telefone é o maior aliado. “Não paramos para pensar no dia em que vamos nos separar. Quando acontecer, no começo será difícil, mas com certeza iremos morar perto ou sempre uma ligar para a outra. Estaremos sempre juntas”, diz Thainara, com o apoio da irmã gêmea.

IGUAIS, MAS DIFERENTES Assim ocorre, também com Mauro Lúcio e Lúcio Mauro. Eles têm 37 anos e trabalham nos Correios, em Itabira, há 15. Os irmãos prestaram o mesmo concurso e ambos foram aprovados em boas

colocações. O caso na empresa é único em Minas Gerais. “Trabalhar no mesmo lugar foi realmente uma coincidência. Desde sempre a vida nos condiciona, por causa da faixa etária, do ambiente em que vivemos”, declara Mauro. Os irmãos são tão parecidos que é natural as pessoas na rua cobrarem serviços de um que deveriam ter sido executados pelo outro. Somente uma pequena marca no rosto de Lúcio diferencia os irmãos. Mas ela está com os dias contados, pois será submetida a uma intervenção estética em breve. Como é comum ocorrer com gêmeos idênticos, as pequenas distinções ficam por conta da personalidade: Lúcio é de sorriso aberto e se diz mais flexível. Mauro é mais “sério” e diz gostar das coisas bem organizadas. Mauro é católico e Lúcio evangélico. “Mas a questão religiosa nunca causou divergências, muito pelo contrário, sempre há troca de ideias”, afirma Lúcio. Os irmãos, no entanto, não estão livres de viver situações inusitadas, como conta Mauro: “Um dia, quando saía de um supermercado com algumas cervejas, um membro da igreja evangélica do meu irmão me questionou sobre a

TATIANA SANTOS

Mauro Lúcio e Lúcio Mauro estão unidos até pelo trabalho

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DUAS VEZES DOIS Quando os gêmeos itabiranos Rhenan e Douglas Seara Almeida nasceram, em 1990, o pai, o empresário Jefferson Almeida, não imaginava que o “raio cairia duas 58

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Douglas, Rhenan, Alexandre e Lucas: semelhantes, mas com autonomia

Trigêmeos viraram a vida de Gustavo e Marina ao avesso

AMOR AO CUBO

vezes no mesmo lugar”. Mas, sete anos depois, vieram Alexandre e Lucas, gêmeos idênticos, a exemplo dos mais velhos. Como forma de exercitar a autonomia dos filhos, na infância, os pais evitavam que os trajes fossem parecidos. Cada um se vestia de acordo com o próprio gosto. “Nós já éramos muito parecidos. Se colocássemos as mesmas roupas, ficaria mais complicado ainda”, explica Rhenan. Um fato comum entre eles é serem cumprimentados por desconhecidos ao andar pelas ruas da cidade. Ambos respondem às saudações, mas logo se apresentam como irmão gêmeo. Os mais velhos têm os mesmos amigos e estudam Engenharia. Rhenan escolheu a Civil e Douglas a de Produção. Para aumentar as semelhanças, até a personalidade é pareci-

da: são brincalhões e comunicativos. Já Alexandre e Lucas são tímidos e precisam de um pouco mais de convivência para se soltarem com as pessoas. Rhenan e Douglas assistem aos jogos de Cruzeiro x Atlético, cada qual em um canto da sala, com constantes gozações ao adversário. O primeiro é atleticano e o irmão cruzeirense, como o pai. Quando pequenos, Jefferson dizia gostar mais de Douglas, por ter escolhido o time azul-celeste para torcer. É claro que tudo não passava de brincadeira do pai, o que os gêmeos compreendiam bem. De toda forma, para a alegria de Jefferson, os mais novos também são cruzeirenses. Jefferson sabe que é privilegiado e assegura que o relacionamento em família sempre foi pautado pela igualdade de tratamento e muito carinho.

A vida da ginecologista e obstetra itabirana Marina Carvalho de Alvarenga Mafra, 33, começou a mudar radicalmente dois anos atrás, quando vieram os trigêmeos: Maria Clara, Bernardo e Arthur. Quando soube da gravidez, na quinta semana, ficou surpresa. Porém, bem mais surpreso ficou o marido, o gerente bancário Gustavo César de Almeida, quando viu o resultado do ultrassom. A notícia o fez ficar uma semana febril, tamanho foi o choque ao imaginar o que viria pela frente. O fato de ser médica e lidar com a realidade da maternidade não foi algo que tranquilizasse Marina. “Muito pelo contrário, eu sabia de todos os riscos que corria, mas também tinha certeza de que tudo daria certo”, afirma. Até os seis meses e meio, a gestação foi tranquila, mas uma cólica fez com que ela fosse levada às pressas para a capital, onde nasceu o trio. O parto foi por cesariana, aos sete meses. Nasceram com um minuto de diferença entre si. Para se dedicar aos filhos, a mãe se licenciou do consultório por cerca de um ano. No período, contou com a ajuda de três empregadas e uma

enfermeira. Sua mãe e a tia também ajudaram a cuidar da turma, desde o início. Hoje, já de volta ao trabalho, Marina mantém uma babá de dia e outra à noite. Os pais são rigorosos na educação e estão sempre atentos. Os trigêmeos seguem uma rotina rígida, comendo, dormindo e fazendo tudo nos mesmos horários. A convivência já permite identificar diferenças na personalidade de cada um. “O Arthur é o mais bagunceiro, sapeca. O Bernardo é bem certinho, gosta de tudo organizado. Já a Maria Clara é delicada, é o docinho

da casa”, descreve Marina. Mesmo não sendo idênticos, não se desgrudam. Eles se beijam e se abraçam o tempo todo. Dormem em quartos separados, mas é normal que os pais os encontrem juntinhos, pela manhã, no mesmo dormitório. Aonde chegam, os pequenos chamam a atenção, o que incomodava a mãe no começo. Mas, hoje, ela vê com naturalidade a curiosidade das pessoas. Marina sempre sonhou ser mãe de três filhos. Ela observa que o maior desafio é dar atenção a todos, pois cada um tem uma demanda específica por carinho. Para a família, tudo é multiplicado por três: os gastos, os desafios e, principalmente, a alegria. 

Bernardo, Maria Clara e Arthur, hoje com dois anos, fazem tudo juntos

FOTOS: ART DESIGNER

bebida. A pessoa só se conformou quando expliquei tudo”, conta. Em casa, as confusões se repetem desde a infância. Os próprios pais já chegaram a dar dois banhos em um e remédios duas vezes ao outro. Nas apresentações escolares, eram sempre chamados a participar. “Durante toda nossa vida fomos destaque pelo fato de sermos gêmeos. Nos sentíamos privilegiados”, diz Lúcio. Os dois são casados e têm filhos. Como nem sempre é possível evitar contratempos, uma das mais difíceis situações vividas por Lúcio foi quando sua filha, na ocasião com dois anos, achou que o tio era o pai e acabou preferindo o abraço de Mauro. Com Mauro, em outro episódio, a situação seria catastrófica, caso não estivesse acostumado. O irmão chegou com a esposa a um restaurante e cumprimentou a todos. “Uma conhecida ligou para minha cunhada e perguntou se eu tinha outra família. Que era cara de pau demais cumprimentar a todos com outra mulher. A situação só se resolveu quando explicou que era meu irmão”, disse. Por essas e outras é que os agentes se monitoram o tempo todo. Mauro diz tomar cuidado com a conduta e ainda deixa a dica para quem passa pela mesma situação. “Deve-se pensar que você não está vivendo somente para si, pois suas atitudes refletem de forma positiva ou negativa na vida do irmão”, diz Mauro. “É um privilégio que Deus nos deu para vivermos a vida intensamente e fazer a diferença”, complementa Lúcio.

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Culinária TORTA CREMOSA DE MILHO VERDE Ingredientes MASSA: 3 xíc. de farinha de trigo 1 ovo 150g de manteiga derretida 1 pitada de sal ¼ xíc. de leite

RECHEIO: 3 latas de milho 2 col. (sopa) de manteiga 1 cebola picada 3 col. (sopa) de farinha de trigo 1 xíc. de leite 1 xíc. de queijo parmesão ralado 1 clara

Modo de fazer

Prepare a massa da torta. Em uma tigela, coloque a manteiga, o leite, o ovo, o sal e misture, aos poucos, a farinha de trigo. Coloque a massa em uma superfície lisa com um pouco de farinha e trabalhe-a com a ponta dos dedos até obter uma massa homogênea. Faça uma bola e reserve. Para preparar o recheio, bata no liquidificador duas latas de milho escorridas e uma xícara da água do milho até formar um purê. Passe em uma peneira. Em uma panela, aqueça a manteiga e refogue a cebola. Junte a farinha de trigo, toste um pouco e acrescente o leite. Mexa rapidamente para não empelotar. Adicione o purê de

milho peneirado. Agregue o restante do milho sem a água e o queijo. Tempere com sal e pimenta do reino moída. Cozinhe em fogo baixo até engrossar. Abra a massa e reserve um pedaço. Forre o fundo e as laterais de uma forma de fundo removível previamente untada e enfarinhada. Por cima da massa, espalhe o recheio. Por cima, coloque tirinhas da massa que foi reservada. Com a ajuda de um pincel, passe a clara em cada uma das tirinhas. Leve ao forno preaquecido, 200°C, durante 40 minutos ou até dourar. Está pronta! Sirva a Torta Cremosa de Milho Verde quente ou fria.


Flash

G astronomia

CONVITE AO PALADAR

3 ELIVANE COSTA

CLEIVERTON HARLAN

2 ELIVANE COSTA

e atender aos clientes mais exigentes. “Estamos dando sequência ao sonho de Dill e da família. O nome escolhido é justamente por se tratar de um legado familiar”, revela o empresário. Para reforçar a tradição e atender aos saudosistas, o cardápio da antiga Pizzaria do Dill continua sendo oferecido na íntegra. O diferencial será o acréscimo de novas receitas, com harmonia e ingredientes melhorados. Os pratos misturam culinária clássica com sabores inovadores.

1- Dr. Roberto Drumond e sua esposa, dr. Jaques Varela, dra. Janice Bellavinha e dr. Nelvan Camargo durante a XXII Jornada Científica da Associação Médica de Itabira, que aconteceu entre os dia 14 e 16 de junho, no auditório da Funcesi. O evento serviu para estreitar laços e discutir a profissão do médico em vários âmbitos.

PAULO SÁ

Pizzaria passou por melhorias para oferecer mais conforto e atender a públicos exigentes

Magna Assis (esposa de Dill), Ronaldo Silvestre, Ronilda Pereira, Matheus Sinval (filho de Dill) e Rodrigo Bernardi: juntos em nome da tradição

ABRAÃO DE SOUZA

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a expectativa de oferecer produtos e serviços capazes de surpreender, a pizzaria Don Fratelli’s abriu as portas em Itabira, no último dia 15 de junho. A nova casa está instalada na Avenida Mauro Ribeiro Lage, 477, no mesmo imóvel onde funcionava a Pizzaria do Dill. A ideia de trazer para a cidade uma cantina com qualidade e conforto, inspirada nos padrões do sul do país, é dos empresários Ronaldo Silvestre e Rodrigo Bernardi e dos chefes de cozinha Ronilda Pereira, itabirana, formada em Gastronomia, e Anderson Reis, paranaense, especialista em massas. O estabelecimento conta com uma cantina de requinte, proporcionando cardápio que privilegia massas em geral e pizzas, baseadas em receitas italianas. Ronaldo Silvestre é cunhado de Jorge Sinval, o Dill, já falecido e idealizador da pizzaria que deu origem à casa. Ele explica que, além da mudança de nome, o local passou por inúmeras transformações, com reforma do ambiente para oferecer aconchego

SOCIAL

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TOQUE ESPECIAL As pizzas têm molhos especiais com rigorosos padrões de qualidade e o que há de mais atrativo no mercado. Uma boa pedida são as pizzas doces, uma inovação da Don Fratelli’s com massa caseira e produtos sele-

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cionados, ainda podem ter bordas especiais, cujo sabor cabe ao cliente escolher. O serviço de tele-entrega também foi aprimorado e dinamizado para satisfazer a quem está em casa, com a mesma rapidez e qualidade de quem é atendido na cantina. Para fazer o pedido, basta ligar para o 3835-1779.

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O público deve ficar atento às

PAULO SÁ

promoções semanais, um bom motivo para conhecer o resultado da arte de brincar com sabores, cores e aromas. Essa é a especialidade da casa, capaz de incitar os paladares mais aguçados e agradar a quem realmente gosta de massas e pizzas.

3- O empresário Peron Colombo foi um dos espectadores da palestra do jornalista e cronista esportivo Chico Maia durante o I Win 4- Luiz Alberto Guerra Campos e Luana Coelho de Oliveira ganharam a promoção da DeFato em parceria com a Apricci e tiveram um jantar do Dia dos Namorados super especial na requintada pizzaria.

exclusivos, desenvolvidos de acordo

em Itabira. As pizzas salgadas, feitas

2 - A estudante de Biomedicina, Mariana do Carmo Silva, de Barão de Cocais, é presença marcante nos principais eventos da região

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5- Thais Tarbes (centro) inaugurou, em Itabira, em 1º de junho, o Espaço Corpus, que oferece pilates, treinamento funcional, TRX e tratamento dermato-funcional (estético) com fisioterapeutas. Na foto, as profissionais Yolanda e Bianca que também atendem no espaço, localizado à na rua São José, 266, Centro. A avaliação para os tratamentos estéticos é gratuita e podem ser agendada pelo 31 3831-7272. 6- No dia 15 de junho, a Associação Feminina União e Paz (da maçonaria itabirana), promoveu um “Jantar Dançante”, no Real Campestre Clube Recepcionaram os convidados com muita elegância: Viviane Trindade, Rose Lage, Claudia Oliveira, Maria Helena Assis, Giovana Falvo, Penha Barbosa, Rosely Martins, Keyla Cerceau, Ivoninha Merces, Nesina Barbosa, Gorete Campos, Maria Isabel Marques e Cidinha Campos. www.defatoonline.com.br

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24ª CAVALGADA DE ITAMBÉ DO MATO DEN

TRO

FOTOS: MELISSA ANDRADE / DÉBORA MARTINS

OBA OBA SAMBA HOUSE

FOTOS: ABRAÃO DE SOUSA

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SKANK

FOTOS: ABRAÃO DE SOUSA


JANTAR BENEFICENTE MAÇONARIA

FOTOS: PAULO SÁ


P lástica e B eleza DR. ANDRÉ MIOLO Cirurgião plástico, membro especialista pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica www.andremiolo.com.br

“Deve-se ter em mente que a lipoaspiração não tem como objetivo o emagrecimento. Pessoas que pensam em realizar o procedimento cirúrgico visando a tal objetivo devem ter sua decisão repensada.”

LIPOASPIRAÇÃO: MITOS E VERDADES

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ma das cirurgias mais procuradas dentro do amplo espectro da cirurgia plástica é a lipoaspiração. A técnica foi descrita pela primeira vez por um médico francês, na década de 1980. Desde a primeira demonstração cirúrgica até hoje, muita coisa mudou e para melhor. Hoje, a lipoaspiração, popularmente chamada de “lipo”, tem sido muito difundida e, no Brasil, seus resultados, devido ao biótipo do brasileiro e à destreza dos seus cirurgiões plásticos, têm sido reverenciados. O que me levou a escrever sobre este tema é a tentativa de sanar algumas dúvidas sobre esse procedimento cirúrgico. Deve-se ter em mente que a lipoaspiração não tem como objetivo o emagrecimento. Pessoas que pensam em realizar o procedimento cirúrgico visando a tal objetivo devem ter sua decisão repensada. O que ocorre, indiscutivelmente, é a mudança do contorno corporal. Os pacientes ideais para serem submetidos a essa cirurgia são aqueles que têm uma “gordurinha” localizada e que, mesmo com dietas e atividades físicas regulares, insistem em permanecer. Os riscos da lipoaspiração são os habituais de qualquer procedimen74

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to cirúrgico. Uma bateria de exames deverá ser realizada antes da cirurgia, bem como uma rigorosa avaliação médica, na qual o cirurgião deverá se ater a alterações prévias na parede abdominal, como presença de cicatrizes antigas e de hérnias. Muitos já devem ter ouvido falar da lipoescultura. Pois bem, não é a mesma coisa. Na lipoescultura se reintroduz a gordura retirada por meio da lipoaspiração em locais previamente determinados, havendo um enorme ganho no contorno corporal. Por essa cirurgia pode-se obter glúteos mais harmoniosos e volumosos, assim como redefinição de quadril, entre outras infinidades de aplicações. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica estabelece normas sobre a quantidade de gordura que pode ser retirada de cada paciente, devendo-se, obrigatoriamente, permanecer uma quantidade abaixo da pele, pois esta é de suma importância para a sua nutrição, manutenção de temperatura corporal, regulação hormonal, além de diminuir irregularidades visíveis.

A CIRURGIA O procedimento cirúrgico é realizado por meio de micro-incisões na

pele, pelas quais são introduzidas cânulas específicas de 3 mm, por onde se retira a gordura. O tipo de anestesia vai depender da extensão da cirurgia. Os pontos serão retirados entre cinco e sete dias e, ao contrário do mito popular, essa retirada não dói.

O PÓS-OPERATÓRIO Após a cirurgia, a paciente, geralmente, se sente confortável. Certo incômodo pode acontecer nos três primeiros dias, porém, com o uso dos remédios que serão prescritos, esse período é bastante tolerável. Algumas dúvidas surgem sobre a possibilidade de perder a cirurgia em caso de gravidez ou má alimentação. Logicamente as duas situações estão relacionadas ao estilo de vida da paciente. Se engravidar, é só tomar cuidado com a alimentação e lembrar-se de que para uma criança crescer dentro do útero não é necessário engordar. Além dos cuidados com a alimentação, atividade física rotineira contribui tanto na manutenção dos resultados de sua cirurgia quanto da boa saúde. A paciente pode tomar banho já no dia seguinte à cirurgia. Caminhadas leves deverão fazer parte de sua rotina a partir do primeiro dia pós-cirúrgico. Exercícios físicos mais vigorosos somente após 20 ou 30 dias, dependendo da evolução clínica. Drenagens linfáticas são de fundamental importância para que se obtenha um melhor resultado. O mais importante é lembrar que qualquer procedimento cirúrgico tem que ser realizado com o máximo de segurança possível. Por isso, não faça a sua cirurgia em ambientes nos quais não tenha um bom suporte técnico, com UTI e diversas especialidades médicas.


P rosa DANIEL DE CASTRO

Professor, escritor e poeta, formado em Teologia, Filosofia e Letras profdanieldecastro@hotmail.com

“Naquelas bandas, nenhum motorista drunker é obrigado a soprar o bafômetro. Ninguém convocado a falar numa CPI é constitucionalmente obrigado a fazê-lo. E Centô é obrigada a conviver com tragédias no trânsito e na vida pública”

PERNAS PARA

QUE TE QUERO... Gostas? De quê? Como assim “de quê”? De pernas, uai! Muito? É o que eu esperava. Não tiras os olhos da TV, dos desfiles da Sapucaí, tô certo? Sei, sei, “carnaval é cultura”; as escolas são muito criativas, as alegorias belíssimas. Mas teu negócio é perna, não é? Então, se forem bronzeadas, hein? Carnaval é cultura, pernas são escultura! E tu não és bobo nem nada. Estás antenado no teu mundo falocêntrico. És um garanhão. Aliás, disse um filósofo, nós todos somos falocêntricos. Mas, “me inclui fora dessa”. Não me peças para explicar o que é falocêntrico. Fico com vergonha. Recorra ao Google. Ou melhor, acho que nem precisas. Tu já pegaste a coisa, já sentiste a coisa. O quê? Ouvi direito? És espada? Não duvido. Estou só dizendo é que entraste na jogada, deste com a coisa, manjaste o assunto. O certo é que de pernas você gosta, e eu também. Por sinal, tenho duas e as amo de paixão. Sempre me suportaram com paciência e ternura, até nos meus tempos de obesidade. Sussurro sempre no ouvido de 76

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cada uma: “Você, minha amiga do pé, minha perna adorada, amiga de tantos aninhos e tanta jogada”. Mas as jogadas foram no tempo em que escanteio era corner. E as pernas me envergonhavam com tanto gol contra. Águas passadas; meu perdão é incondicional e irrestrito. Taí, se gostas mais que os outros, teu negócio é ir lá. Vais esbaldar. Vais lavar, encerar e polir os olhos. Lá é só colírio. Êta lugarzinho pra ter exposição de pernas. Pra você ter uma ideia, a Marquês de Sapucaí de lá é uma rodovia inteira. Em Centopelândia, cada centopeia tem de 15 a 180 pernas. E são do nosso tamanho! Mas te cuidas: como os daqui, os habitantes de Centô são chegados numa, segundo eles, boa maracutaia. Tanto assim que um poeta de lá, tomado de profunda angústia, escreveu: “A tarde, talvez fosse azul, não houvesse tanto pé preso”. Pé preso, em Centô, é o mesmo que “rabo preso” no Bra-Bra. As centopeias, não só as fêmeas, falam pelo tornozelo e vivem dizendo: “Centopeia velha não mete os pés em cumbuca”.

Os sociólogos de Centô acreditam que essa visão egoísta que domina o país arraigou-se com educação para o individualismo, a ganância e a competição exagerada. O ditado mais corrente ali é “cada um por si e Deus por todos”. Até o Deus de lá é só por si. O que é pra todos é uma “desgraceira” geral que assola o país. Naquelas bandas, nenhum motorista drunker é obrigado a soprar o bafômetro. Ninguém convocado a falar numa CPI é constitucionalmente obrigado a fazê-lo. Mas Centô é obrigada a conviver com tragédias no trânsito e na vida pública. E olha, o que mais tem naquela terra é corrupto e drunker ao volante. Drunk é pinguço no inglês deles. Pessoal do “bebo todas”, que mal consegue girar uma chave de ignição e se acha motorista. Felizmente as autoridades de Centópolis começam a pensar em pensar que, talvez, quem sabe seja possível esquecer o bafômetro e aceitar provas indiretas. Pensam em propor o teste “duzentão”, equivalente ao nosso “faz um ‘4’ aí que eu quero ver”. É que, dado o número de pernas, aqueles drunkers farão 50 “quatros” de uma vez só. Quanto à penalidade, eles acham que o “penabum” resolve. Penabum: duas fileiras de dez centopéias saradas. O meliante deverá passar pelo corredor, entre as duas fileiras. Ali, naquele corredor, onde abunda o chute, receberá só direitaços de cada centopeia no seu bumbunzinho. Já estão até pensando em criar o bundessbook para registrar recordes. Olha, se gostas tanto de pernas, dê um pulinho em Centô. Terás colírio para os olhos e arejamento de cuca. Quem sabe voltarás com uma visão mais solidária e menos falocêntrica da vida?


BOM CABRITO

DICIONÁRIO BRASILEIRO DE PRAZOS Para evitar que estrangeiros fiquem “pegando injustamente no nosso pé”, o Bom Cabrito está organizando o “Dicionário Brasileiro de Prazos”. Eis o que o mestre já apurou:

DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar “sim”, mas o mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer “não”. JÁ JÁ: Faço já significa “passou a ser minha primeira prioridade”, enquanto “faço já já” quer dizer apenas “assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito.” LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. MÊS QUE VEM: Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm! NO MÁXIMO: Esta é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: entrego

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em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora. POR CONTA DE: Mais um lugar comum inventado pela imprensa sem recursos: “por conta da chuva”, “por conta de ficar à-toa”, “por conta do semi-analfabetismo”. POR VOLTA: Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer a partir das 5h. SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro deve-se dizer “fique tranquilo que amanhã eu entrego.” E depois do segundo, “relaxa, amanhã estará em sua mesa”. UM MINUTINHO: Tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos.

Raramente dura menos que cinco minutos. TÁ SAINDO: Significa “vai demorar”. E muito. Os dois verbos juntos indicam tempo contínuo. É para continuar a esperar. Capisce! Understood? Comprendez-vous? VEJA BEM: É o day after do depende. Significa “viu como pressionar não adianta?” É utilizado assim: “Mas você não prometeu os cálculos para hoje?” Resposta: “Veja bem...” Se dito neste tom, após a frase “não vou mais tolerar atrasos, OK?”, exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura. ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 50 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa.Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.


O pinião MARCIO ANTÔNIO LABRUNA Eletrotécnico, Matemático, pós-graduado em Gestão Empresarial pela PUC-MG e expresidente da Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agropecuária de Itabira

“Precisamos respeitar as origens. A CVRD, quando nasceu, contou com itabiranos que, inclusive, emprestaram seu nome e seu patrimônio para alavancar a sua operacionalidade”

A VERDADEIRA ITABIRA

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mineradora Vale completou 70 anos em 1º de junho. No entanto, o que deve ser lembrado é que são 70 anos da empresa em Itabira, cidade onde ela nasceu. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o governo Getúlio Vargas, pressionado pela necessidade internacional de fomentar a indústria bélica, criou a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Até a década de 1960, a mineradora só era alimentada pelo solo de Itabira. No final dessa década, com o governo militar, se deu o grande desenvolvimento da empresa, transpondo fronteiras e emergindo para o mundo. Itabira era um povoado de 6,5 mil habitantes e o Pico do Cauê um esplendor de riquezas. A CVRD era composta por apenas três superintendências: das Minas, do Porto, da Estrada, sendo a Superintendência das Minas a principal, inclusive com um movimento político e judicial para Itabira ser sede oficial da Companhia. Veio a expansão e Itabira foi perdendo as referências que identifiquem a empresa na cidade. Faço essa observação porque, alguns dias atrás, caminhando pela Rodovia 105, deparei-me com uma cena que muito me chocou. Um caminhoneiro estava perdido, sem saber aonde descarregar a encomenda da empresa. 80

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Ao ser indagado, me senti frustrado depois de servir e conhecer a empresa por 25 anos. Não sabia informar ao motorista onde entregar a mercadoria. Vendo a nota fiscal, lia-se: “Serra do Esmeril, zona rural”. Por mais que nossa empresa tenha crescido e se internacionalizado, não poderia nunca perder sua identidade física com a cidade onde nasceu. Veio-me à mente a frase do nosso Poeta Maior: “Itabira é apenas um retrato na parede, e como dói”. Precisamos lembrar nessa festa de 70 anos que, por décadas, o Cauê e a Conceição, essa cordilheira de 16 km de minério da melhor qualidade que circunda nossa Itabira não podem ser transformados em apenas uma arquibancada para os saudosistas. Precisamos respeitar as origens. A CVRD, quando nasceu, contou com itabiranos que, inclusive, emprestaram seu nome e seu patrimônio para alavancar a sua operacionalidade. Itabira ainda responde por 18% do faturamento da Vale e em 2010 bateu recorde de milhões de toneladas exportadas. Esse é o meu desabafo, de ex-servidor da empresa, e minha esperança.

O FUTURO Quando vejo o quanto Itabira progrediu, o quanto já poderia ter caminhado e o quanto sua popula-

ção carece disso, não vejo outro caminho. Precisamos de uma liderança pública de qualidade, de alguém que tenha um passado de sucesso e que tenha comprovada eficácia de realizações. A cidade tem passado e muitos heróis, mas o que importa é o presente e o futuro, porque estamos na época do conhecimento e da tecnologia. Não se obtém sucesso por acaso ou pelo nome e tradição. É preciso ter competência. Neste ano será escolhido o novo prefeito e a Prefeitura deve ser encarada, hoje, como uma grande empresa, dividida em vários departamentos e, para administrá-la, é preciso um bom grupo de administradores. Os tempos são outros e todos fizeram o máximo que puderam em seu período. Nos últimos 50 anos, Itabira teve como prefeito: três empresários, dois advogados, dois médicos, um odontólogo, um operário, um delegado de polícia e um padre, todos grandes líderes de seu tempo. Porém, o momento exige muito mais e precisamos de um profissional de comprovada experiência administrativa, que já tenha provada a sua capacidade. A cidade tem o principal elemento para uma boa administração, que é dinheiro — a prefeitura receberá mais de um milhão por dia no próximo ano em recursos decorrentes de impostos gerados pelas atividades da Vale no município —, mas não se sabe até quando. Não se pode perder essa oportunidade. Deve-se garimpar na sociedade os profissionais adequados e convencê-los a serem os administradores, tanto no Legislativo como no Executivo. Que isso seja feito por amor à nossa cidade e pelo futuro de nossos filhos e netos.


Revista DeFato Ed. 234  

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