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T T Essa é a abreviação do Codex Borgianus. Esse manuscrito atualmente está localizado no Collegium de Propaganda Fide, em Roma. Trata-se de um valioso manuscrito greco-saídico, que data do século V d.C. O texto é bem parecido com o do Codex Vaticanus (B) mas, infelizmente, faltam-lhe largas porções, como a maior parte do evangelho de Lucas (do qual tem apenas os caps. 22 e 23), e quase todo o evangelho de João (do qual tem somente os capítulos sexto e oitavo).

Reuma (Gên. 22:24). Não se sabe o sentido de seu nome, no hebraico.

TAATE

TAÃ No hebraico, "graciosidade". Há duas pessoas com esse nome, nas páginas do Antigo Testamento. 1. Um filho de Efraim, fundador da família dos taanitas (Núm. 26:35). Viveu em tomo de 1600 a.c. 2. Um efraimita, filho de Telá e pai de Ladã (I Crô. 7:25). Era descendente do primeiro, quatro gerações mais tarde. Viveu por volta de 1500 a.C.

No hebraico, "depressão", "humildade". Nome de três personagens e de uma localidade, que aparecem nas páginas do Antigo Testamento: 1. Um levita coatita (I Crô. 6:24,37). Era filho de Assir e pai de Uriel. Viveu por volta de 1480 a.C. 2. Um efraimita, filho de Berede (1 Crô, 7:20). Era neto de Sutela, filho de Efraim. Viveu em cerca de 1600 a.C. 3. Um efraimita, filho de Eleadá (I Crô. 7:20). Era neto do Taate de número anterior. 4. Um local não identificado, onde os israelitas fizeram uma de s!Jas paradas no deserto. Ficava entre Maquelote e Tara. E localidade mencionada somente em Núm. 33:26,27. Foi a vigésima sétima dessas paradas, desde que o povo de Israel saiu do Egito.

TAANAQUE

TABAOTE

No hebraico, ameia parapeito. Referências no Antigo Testamento: Jos. 12.21; 17.11; 21.25; Juí. 1.27; 5.19; I Reis 4.12 e I Crô. 7.29. Uma cidade real de Canaã. Esta cidade foi regida por um rei de pouca relevância dos cananeus, um dos trinta "reis" assim conquistados por Josué (Jos. 12.21; I Reis 4.12; I Crô. 7.29). Designada à tribo de Manassés, essa foi a meia tribo com esse nome que se estabeleceu no lado oeste do rio Jordão (Jos. 17.11; 21.25; I Crô. 7.29). Posteriormente tomou-se uma cidade dos levitas coatitas (Jos. 21.25), que não tinham herança como tribo, mas possuíam algumas cidades (e suas áreas imediatas), o que lhes permitiu ser auto-suficientes. Local. Esta cidade é geralmente mencionada juntamente com Megido, sendo ambas importantes cidades das planícies ricas de Escrelom. O antigo sitio é marcado por um monte identificado com um antigo forte da planície de Armagedom. Cântico de Débora. Esse cântico mencionao local junto com outras cidades cananéias (Jui. 5.19). Ela tinha 900 carros de ferro para fazer guerra (Juí. 4.3). Baraque obteve grande vitória militar sobre os cananeus naquela área, vitória que livrou Israel, por um tempo, do assédio que deles sofria. Em um momento posterior, o faraó Sisaque do Egito dominou a área, e suas crônicas mencionam a cidade por nome. À medida que a história progrediu, os babilônicos assumiram o controle da área. Arqueologia. Os alemães e os austríacos (1901-1904) realizaram escavações na área e descobriram uma dezena de tabletes cuneiformes que datavam por volta do século 1450 a.C. O final da Era do Bronze era ilustrada de uma forma geral e vaga. Foi na Idade do Ferro que ela se tornou uma espécie de quartel para os carros de combate dos cananeus.

No hebraico, "manchas". Uma família de servos do templo que retomou do exilio babilônico em companhia de ZorobabeI(Esd. 2:43 e Nee. 7:46). Também são mencionados em I Esdras 5:29. Corria a época de 536 a.C.

TAANATE-SILÓ

TABERÁ

No hebraico, aproximação a Silo, local mencionado como situado na fronteira norte de Efraim (Jos. 16.6), especificamente em sua extremidade leste entre o Jordão e Janoa. Khirbet Tana marca o antigo local. Há um monte de ruínas a sudeste de Nablo. Várias grandes cisternas foram desenterradas no local.

No hebraico, "lugar de refeição", ou "lugar de fogo". Aparece em Núm. 11:1-3, que conta o incidente da murmuração dos israelitas, diante do Senhor, que, em castigo, fez ofogo do Senhor arder entre eles, consumindo as extremidades do acampamento. A palavra hebraica, é de sentido obscuro. E o próprio incidente não deixa claro se houve fogo literal ou se o mesmo representava algum outro tipo de julgamento divino consumidor. Taberá é mencionada novamente em Deu. 9:22, embora não seja

TAÃS Um filho de Naor, irmão de Abraão, e de sua concubina,

TABATE No hebraico, "extensão". Na Septuaginta, Tabáth. Uma cidade que ficava no território de Issacar ou no de Efraim. Aparece somente em Juí. 7:22. Tem sido tentativamente localizada a leste do rio Jordão, Foi até ali que Gideão perseguiu os midianitas, na planície de Jezreel. O trecho de Juí. 8: 10-13 parece indicar que essa cidade ficava nas proximidades de Carcor. Isso nos ajudaria muito se a própria Carcor tivesse sido identificada com precisão, o que não tem sucedido. A região montanhosa de Gileade pode ter sido o lugar onde as forças derrotadas tomaram a unificar-se. Portanto, pode-se pensarem Ras Abu Tabat, nas vertentes do monte Ajlun, como o local da antiga Tabate.

TABEEL No hebraico, Deus é bom. Nas páginas do Antigo Testamento, esse é o nome de duas personagens: 1. O pai do homem a quem Rezim, de Damasco, e Peca, de Israel, planejavam colocar no trono de Judá como um rei títere, em lugar do rei Acaz (lsa. 7:6). O profeta Isaías, porém, deu o recado do Senhor: "Isto não subsistirá, nem tão pouco acontecerá" (lsa. 7:7). 2. Um oficial persa que estava em Samaria e que se uniu a outras pessoas no envio de uma carta ao rei Artaxerxes I, solicitando-lhe que ordenasse a paralisação da reconstrução das muralhas de Jerusalém (Esd. 4:7; ver também 1 Esdras 2: I 6). O resultado foi que os judeus foram forçados, sob ameaça de armas, a interromperem o trabalho de reconstrução (Esd. 4:23,24).

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TABERNÁCULO alistada entre as caminhadas de Israel no deserto, no capítulo trinta e três do livro de Números. TABERNÁCULO I. Termos 11. Caracterização Geral 111. Fontes de Informação IV. História V. Estrutura dos Móveis VI. Tipos e Usos Figurados VII.Visão Crítica I. Termos No latim. A palavra tabernáculo deriva da palavra latina tabernaculum, que é diminutivo de taberna. um barraco, e refere-se a uma moradia transitória, como uma barraca. No hebraico. 1. Ohel (dez), cerca de 200 vezes no Antigo Testamento, desde Êxo. 26 a Mal. 2.12. 2. Mishkan (uma residência, local de moradia), usado cerca de 140 vezes no Antigo Testamento. Exemplos: Êxo. 25.9; 27.19; 40.38; Lev. 8.10; los. 22.19, 29. 3. Sok (cobertura, tenda): Sal. 10.9; 27.5; 76.2; Lam. 2.6; ler. 25.38. 4. Sukkah (enrolar, cobertura, tenda, cabana): usado cerca de 30 vezes. Exemplos: Lev. 23.34, 43.43; Deu. 16.13, 16; 31.1 O;II Crô. 8.13; I Reis 20.12, 16; Sal. 18.11; 31.20. 5. Bayith (uma casa), aplicado ao tabernáculo em Êxo. 23.19; 34.26; los. 6.24; 9.23; luf. 18.31; 20.18. 6. Miqdash (um local sagrado). O tabernáculo era um local consagrado para o culto a Yahweh ("yahwismo"), isto é, um santuário: Lev. 12.4; Núm. 3.38;4.12. Às vezes a palavra é usada para a parte mais interna do santuário chamado de Lugar Mais Santo (Santo dos Santos): Lev. 16.2. 7. Hekal (templo), palavra que às vezes se refere ao tabernáculo antes de ser usada para o Templo de Salomão: I Crô. 29.1, 19: 11 Reis 24.13, respectivamente. A palavra também se aplica ao tabernáculo em Silo: I Sam. 1.9; 3.3. 8. Ohel moed (a forma composta significa tenda de reunião): Exo. 29.42, 44. 9. Ohel haeduth (a tenda de testemunho): Núm. 9.15; 17.7; 18.2. No grego. 1. Skene (tenda), usado 27 vezes no Novo Testamento. Exemplos: Mal. 17.4; Mar. 9.5; Luc. 9.33; Heb. 8.2, 5; 9.2,3,6,8,11,21; 11.9; 13.10; Apo. 13.6; 15.5;21.3. 2. Kenos (tenda): 11 Cor. 5.1, 4. 3. Skeenoma (tenda. local de habitação): Atos 7.46; 11 Ped. 1.13, 14. 4. Skenopegia (festa dos tabernáculos): João 7.2. 11. Caracterização Geral O tabernáculo (no hebraico, Mishkan), "local de moradia", é local onde Yahweh torna conhecida Sua presença, por assim dizer, seu "lar longe de seu lar", onde ele trata com Seu povo e faz conhecido Seu desejo. Ver Exo. 25.8. O tabernáculo era uma tenda portátil que os israelitas carregaram nos 40 anos de vagueações no deserto e durante seus anos na Terra Prometida até que Salomão construiu o Primeiro Templo. A época era por volta de 1450 a 950 a.C., o que significa que o tabernáculo teve uma "carreira" de cerca de 500 anos! O livro de Êxodo representa Yahweh como dando a Moisés todas as ordens necessárias para a construção e os cultos do Tabernáculo, incluindo suas medições e especificações (Êxo. caps. 2527) e um diminuto relato de sua execução (Êxo. 36.8-

38.1). Os criticos atribuem todo esse material à fonte P (de sacerdote) do Pentateuco e pensam que sua composição ocorreu muito depois da época em que Moisés esteve vivo. Ver sobre J.E.D.P.(S.) na Enciclopédia de Bíblia. Teologia e Filosofia. Ver os comentários sobre as visão dos críticos na seção VIII deste artigo. O relato no Êxodo informa-nos que, após a entrega da Lei no Sinai, Yahweh ordenou que artesãos especiais construísse!" a tenda e seus móveis de materiais doados pelo povo (Exo, 31.11; 35.36.7). O local onde Yahweh manifestou Sua presença também era chamado de "Tenda da Reunião" (Êxo, 29.42-45). Propósitos do Tabernáculo. O principal propósito desta estrutura é explicado em Êxo, 25.8, 21,22: " ... para que eu (Yahweh) possa habitar no meio deles"; "... dentro dela porás o Testemunho..."; " ... ali virei a ti ... falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel". O tabernáculo, como o templo posterior, tinha o objetivo de centralizar o louvor de Israel, evitando que muitos "oráculos" lá fora, que poderiam corromper os cultos a Yahweh ou permitir alguma espécie de sincretismo, se misturassem com influências pagãs. Altares isolados (ver Gên. 12.7, 8) onde render sua autoridade àquela investida no tabernáculo. Isto não aconteceu de uma forma absoluta. Os oráculos persistiram.

111. Fontes de Informação Quatro passagens principais no livro de Êxodo nos dão informações especiais sobre o tabernáculo; a. caps. 2529; b. caps, 30-31; c. caps. 35-40 junto com Núm. 3.25 ss.; d. 4.4 ss. e 7.1 ss. As narrativas afirmam a inspiração divina, de modo que dizem que Yahweh é a verdadeira fonte da informação e Moisés é o mediador. Um modelo do tabernáculo foi mostrado a Moisés de acordo com Êxo. 25.9 e 26.30. IV. História Estritamente falando, houve três tabernáculos históricos, cada qual tomando o lugar de seu predecessor, na maioria dos aspectos. 1. Um tabernáculo provisional foi erigido após o incidente do louvor ao bezerro de ouro. Essa "barraca de reunião" não tinha nenhum ritual e nenhum sacerdócio, mas era tratada como um oráculo (Êxo. 33.7). Moisés, é claro, estava encarregado de todos os procedimentos. 2. O tabernáculo sinaítico, cuja construção e equipamento foram instruídos por Yahweh. 3. O tabernáculo provisional de Davi, erigido em Jerusalém como o predecessor do Templo de Salomão (11 Sam. 6.12). O antigo tabernáculo (sinaítico) permaneceu em Gibeão com o altar insolente, e sacrifícios continuaram sendo feitos ali (I Crõ. 16.39; 11 Crõ. 1.3). O tabernáculo de Moisés passou os seguintes processos históricos: 1. Depois do incidente do bezerro de ouro, devido à intercessão de Moisés, outra cópia da lei foi fornecida. o pacto foi renovado e foram coletados materiais para a construção do tabernáculo (Êxo. 36. 5,6). O povo colaborou com grande generosidade, até o ponto de excesso. 2. O tabernáculo foi terminado em um curto período ~e tempo, no primeiro dia de nisã, do segundo ano após o Exodo. O ritual complexo foi iniciado (Exo. 40.2). 3. O tabernáculo provisional estava fora do campo, mas se tomou o centro com as várias tribos estacionadas em uma ordem específica estendendo-se para fora (Núm. capo 2). Uma observação histórica curiosa, em tempos modernos, é o fato de que Salt Lake City, em Utah, EUA,

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o Tabernรกculo no deserto


TAB ERN テ,ULO DESCOBERTO

ALTAR DO HOLOCAUSTO E ALTAR DE INCENSO


TABERNÁCULO o Sião norte-americano, quartel-general da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tem todas suas ruas chamadas por nomes e numeradas em relação à posição da Praça do Templo, onde estão localizados o tabernáculo e o templo. Assim, a cidade toda está centralizada ao redor dessa praça, a partir da qual qualquer endereço pode ser determinado, e qualquer distância pode ser calculada usando essa referência. Um exemplo: 668 Oeste Segundo Norte significa cerca de sete quadras ao oeste e duas quadras ao norte da Praça do Templo. 4. O tabernáculo continuou em Silo durante o periodo dos juizes. Na época de Eli, o sumo sacerdote (I Sam. 4.4), a arca foi removida desse local e o próprio tabernáculo foi destruido pelos filisteus. A época era cerca de 1050 a.c. 5. Quando Samuel era um juiz, os cultos de louvor central foram movidos a Mispa (I Sam. 7.6) e então a outros lugares (l Sam. 9.12; 10.3; 20.6). 6. Nos primeiros anos de Davi, o pão da proposição era mantido em Nobe, o que implica que pelo menos parte dos móveis do tabernáculo de Moisés era mantida ali (I Sam. 21.1-6). O lugar alto em Gibeão reteve o altar de ofertas queimadas e talvez alguns outros remanescentes do tabernáculo de Moisés (I Crô. 16.39; 21.39). 7. Depois de capturar Jerusalém e tomar essa cidade sua capital, Davi levou a arca da aliança àquele lugar e montou um tabernáculo provisional, no aguardo da construção do templo por seu filho Salomão. Isto foi feito no monte Sião (l Crõ. 15.1; 61.1; II Sam. 6.17). Ver o verbete Sião. Esse local também era chamado de "Cidade de Davi", pois esse rei a tomou sua capital. A época era em tomo de 1000 a C. 8. Quando o templo foi construido, os móveis do antigo tabernáculo que restavam foram ali colocados, e o local sagrado e o local mais sagrado foram incorporados na estrutura do prédio novo. Assim, o tabernáculo tomou-se o centro do templo. Ver o verbete Templo de Jerusalém. V. Estrutura dos Móveis 1. O tabernáculo foi dividido em três seções distintas que representavam três estágios de santidade crescente: a. o pátio que cercava a tenda. Esse pátio estava dividido em dois quadrados de 50 cúbitos (o cúbito medindo cerca de 45 em). O quadrado ao leste continha o altar das ofertas queimadas (5 x 5 x 3 cúbitos). O Altar ficava no centro do quadrado. A oeste do altar estava a bacias para as lavagens rituais das mãos e dos pés. O quadrado ao oeste do próprio do tabernáculo era dividido no local sagrado (ou santuário), que media 20 x 10 x 10 cúbitos, e no local mais sagrado, que media 10 x 10 x 10 cúbitos. Assim, toda a estrutura era de 30 x 10 x 10 cúbitos. 2. A leste do pátio ficava o portão; no lado oeste estava o Santo dos Santos. A estrutura, portanto, como um todo, ficava de frente para o sol nascente, a leste, o que não era por acaso. 3. No local sagrado ficava a mesa na qual o pão da proposição era colocado. Isso ficava no lado norte e media 2 x 1 x 1,5 cúbitos. O pão era renovado todo sábado. No lado sul ficava o candeeiro de ouro (ver a respeito). Ainda no local sagrado, mas próximo à cortina que o dividia do Santo dos Santos, no centro da estrutura, havia o altar de incenso (ver a respeito). Quando digo ver a respeito, quero dizer o Dicionário do Antigo Testamento Interpretado ou a Enciclopédia de Biblia, Teologia e Filosofia. Ver sobre Mesa. 11. Mesas Rituais, 1. Mesa dos Pães da Proposição. 4. O Santo dos Santos, que era separado do local sagrado por uma cortina bordada (Êxo. 26.31-33). Nele estava a arca da aliança (ver a respeito) que era uma caixa

que media 2,5 x 2,5 x 1,6 cúbitos. Dentro da caixa ficava o testemunho, isto é, as tábuas da lei (Êxo. 25.21; 40.20). A tampa da caixa era chamada de assento de misericórdia ou propiciatório (ver a respeito). Ela era ornamentada pelas imagens de dois querubins (ver a respeito) com asas esticadas que se estendiam por toda a tampa e se tocavam umas às outras (Êxo. 25.17-20; 26.34; 37.6-9). ,Ali Yahweh se manifestava e se comunicava com o povo (Exo. 25.22). Apenas o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos e ainda assim apenas uma vez por ano (Exo. 30.10; Lev. 16.29-34). Ver a respeito de Lugar Mais Santo, na Enciclopédia. Ver também o Lugar Santo (Santuário). Materiais e Posições. Gradações de materiais e de posição falam de santidade maior. No local menos sagrado, o pátio externo onde os leigos podiam circular, era usado o bronze. Passando a ficar mais sagrado, os sacerdotes e os levitas podiam circular no lugar sagrado; o ouro era usado como um material ali junto com madeiras nobres. Então, nesse local onde Yahweh podia manifestar-se, talvez, ocasionalmente, na teofania (ver o verbete). Forneço detalhes sobre os móveis em outros artigos, o que me permite apresentar uma descrição um tanto breve neste artigo. O leitor diligente não ficará contente em ler apenas o esboço. O livro de Hebreus simplifica a complexidade do tabernáculo e do templo ao fazer com que os próprios prédios, seus conteúdos e suas funções tipificassem a Cristo, Sua pessoa e Suas funções. Ver a seção VII, a seguir. VI. Tipos e Usos Figurados As coisas que os intérpretes dizem aqui são experimentais e não dogmáticas e, sem dúvida, imaginamse muitos tipos que não eram pretendidos por nenhum escritor sagrado. Mas, seguindo a liderança do livro de Hebreus, muitas coisas válidas podem ser ditas. 1. De modo geral, o tabernáculo falava da Presença de Yahweh com seu povo e fornecia um local físico onde as manifestações divinas podiam ocorrer. Ver Propósitos do Tabernáculo, o último parágrafo da seção lI, Caracterização Geral. A pessoa humana, nos tempos do Novo Testamento, tomou-se o tabernáculo ou o templo do Espírito, substituindo a edificação (ou prédio) material (I Cor. 3.16; Efé, 2.21). A igreja, o corpo dos crentes, é uma habitação de Deus e o meio através do qual ele se manifesta a outros. 2. O tabernáculo, com suas muitas partes e funções, fala de uma realidade celeste (Heb. 9.23, 24). Essa idéia era exagerada pelos rabinos que explicaram que existe o "verdadeiro tabernáculo" que foi "duplicado" no tabernáculo terrestre. 3. Tipos e Figuras de Cristo. Sem dúvida, os intérpretes exagerar~m aqui, mas ofereço o que é dito: o altar de bronze (Exo. 27.1-8) tipifica a cruz de Cristo. O próprio Senhor tornou-se uma oferta queimada, sem marcas, por parte de seu povo. O lavatório ou bacia para lavagem ritual fala sobre como Cristo santifica seu povo (Efé. 5.25-27). O candeeiro de ouro tipifica Cristo como a Luz do mundo (João 1.9). Como o tabernáculo não tinha fonte externa de luz, o crente também não tem luz exceto por Cristo. O pão da proposição tipifica Cristo como o Pão da Vida, sustento espiritual (João 6.33-58). O altar de incenso tipifica Cristo como o Intercessor por todos os pecadores, em todos os lugares (João 17.1-26; Heb. 7.25). A cortina ou véu que dividia o local sagrado do lugar mais sagrado foi aberta a todos os crentes, não meramente à elite, como o sumo sacerdote (Mal. 27.51). A arca da aliança, feita de madeira e ouro, tipifica o corpo material de Cristo unido com sua divindade. O testemunho (tábuas da lei) na arca

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TABERNÁCULO-TABU tipificavam Cristo como tendo a lei em seu coração de modo especial para que pudesse ser o Mestre de outros. A vara de Arão, que floresceu, tipifica os poderes de dar vida que Cristo tem em relação ao Seu povo. A tampa da arca, feita de ouro puro, o propiciatório, que recebeu o sangue da oferta do Dia do Arrebatamento, tipifica Cristo como o sacrificio para toda a humanidade, idéia que a lei condena. Ao mesmo tempo, esse item era o trono de Deus, o local de sua manifestação. Portanto, a manifestação de Deus é tanto de julgamento como de misericórdia, tanto de perseguição como de provisão de vida. O trono do julgamento foi transformado no trono da misericórdia pela missão de Cristo. Os querubins que estendiam suas asas sobre a área simbolizam como Deus usa seus agentes para guardar, proteger e glorificar o ministério de Cristo por parte da humanidade. A orientação e a proteção divina estão disponíveis àqueles que as buscam. VII. Visão Crítica Os críticos acreditam que Israel, ao fugir do Egito, e não sendo povo sofisticado em nenhum empreendimento científico, não teria tido o conhecimento nem os materiais necessários para construir uma estrutura religiosa como o tabernáculo mencionado em Êxodo. Até mesmo Salomão, na era dourada de Israel, dependeu de habilidades e materiais estrangeiros para construir seu templo (I Reis 5.16). As estatisticas enfatizam os argumentos. Ao avaliar aquilo que é dito no relato, estima-se que Israel precisaria ter disposto de 1.000 quilos de ouro; 3.000 quilos de prata e 2.500 quilos de bronze. O problema de transporte teria sido enorme. Ao responder a tais argumentos, os conservadores supõem que o desagrupamento dos egípcios poderia ter fornecido tal riqueza de materiais (ver Gên. 15.13-14; Êxo. 11.2; 12.35-36). Oráculos móveis impressionantes também foram relatados no tangente a certas tribos arábicas que vagueavam pelo deserto. Acreditase que o tabernáculo "idealista" dos críticos é o "histórico" dos conservadores. Quanto à mão de obra, é lógico supor que poucos israelitas que haviam passado toda a vida no Egito tivessem sido treinados naquele local como artesãos, portanto haveria conhecimento suficiente para fazer o trabalho do tabernáculo.

TABERNÁCULOS, FESTA DOS Ver a artigo geral Festas (Festividades) Judaicas, 11 . 4 c. Aquelas notas, pois, acrescento. as presentes informações. A palavra hebraica traduzida dessa maneira é sukkot, e a festa em vista era uma festividade da colheita, no outono. Observava-se essa festa entre 15 e 22 do mês de Tisri. Essa festa passou por uma evolução, tendo começado como uma festa agrícola; mas depois recebeu sentidos especiais em relação ao êxodo e às precárias condições durante as quais o povo de Israel viveu em tendas. A legislação sacerdotal conferiu-lhe uma especial significação e autoridade. No primeiro dia havia uma "santa convocação", e nenhum trabalho manual podia ser feito no mesmo. Eram feitas tendas com ramos de palmeiras, ramos de salgueiros, etc., como memorial da maneira que Israel fora forçado a viver, após o êxodo. Ver Lev. 23:33-43; Núm, 29: 12-38; Nee. 8: 15 ss. Em tempos pós-veterotestamentários, o sétimo dia adquiriu um caráter especial, passando a ser designado Hoshana Rabbah. Assim, o oitavo dia também era tratado como dia especial, de descanso solene. Na Babilônia, nos tempos pós-talmúdicos, ainda um outro dia de observância foi acrescentado, o Simhat Torah ("regozijo na lei"). Era

nesse dia que terminava o ciclo anual, da leitura do Pentateuco, e um novo ciclo tinha começo.

TABITA Ver sobre Dorcas. TABLETES DE ARGILA Ver o artigo separado sobre a Argila. Os tabletes de argila constituíram o mais antigo material de escrita que os homens conheceram. Quando a argila estava úmida, servia de excelente material para receber a escrita, sob a forma de impressões; e, uma vez seca, essas impressões tomavam-se razoavelmente permanentes. Esses tabletes usualmente tinham a forma de biscoitos chatos. Entretanto, havia outros com o formato de prismas ou de cilindros. Os caracteres impressos sobre os tabletes de argila eram chamados cuneiformes, o que se fazia com a ajuda de um instrumento preparado para o serviço. Os tabletes mais importantes eram levados ao fomo, para se tomarem mais duráveis. Quando o alfabeto foi desenvolvido, em cerca de 1500 a.C; a técnica da escrita tomou-se melhor, e começaram a ser usados outros materiais, como o papiro e o pergaminho, para receber a escrita em sua superficie. Entretanto, o uso dos tabletes de argila foi muito extenso durante todos os impérios assírio e babilônico: Uma das maiores descobertas arqueológicas que envolvem tabletes de argila foram aquelas em TeU el-Amarna (que vide), nome moderno da antiga cidade de Aquetatom, capital de Anenhotepe IV, o qual reinou no Egito entre 1466 e 1387 a.C. Ali foram descobertas as famosas cartas de Tell el-Amarna, em mais de trezentos tabletes de argila. Um número bem maior desses tabletes foi desenterrado na Babilônia (que vide), o que contribuiu apreciavelmente para o conhecimento dos eruditos sobre aquela antiga sociedade. TABOR, CARVALHO DE No hebraico, carvalho do penhasco.. Um lugar que havia na área geral de Betel, mencionado somente em I Samuel 10:3. O contexto da passagem nos informa que Saul, filho de Quis, teve dúvidas se Deus queria ou não que ele fosse o rei de Israel. O profeta Sarnuel, em vista disso, deu-lhe certos sinais confirmatórios da natureza divina da sua unção. O segundo desses sinais cumpriu-se quando ele estava voltando para sua casa. Quando se aproximava do carvalho de Tabor, encontrou-se com três homens que subiam a Betel. O local exato desse carvalho é desconhecido. TABOR, MONTE Ver sobre o Monte Tabor. TABRIMOM No hebraico, "Rimam é bom". Esse homem era filho de Heziom e pai de Ben-Hadade I, rei da Síria (l Reis 15:18). Viveu por volta de 950 a.C. TABU Essa palavra deriva-se dos idiomas das ilhas do Pacífico, onde o tabu (proibição) expandiu-se para tornar-se uma técnica de controle social, ou seja, um elaborado sistema de interditos e proibições. Entre os povos primitivos, mormente os polinésios, os tabus afetam todas as áreas de vida, envolvendo pessoas, lugares e coisas. Estão envolvidas idéias como coisas sagradas, misteriosas, a necessidade de proteção, coisas imundas a ser evitadas, poderes misteriosos

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TABU - T ÁBULA RASA a ser invocados. Talvez a noção dominante, nos tabus, seja que há coisas inerentemente perigosas, que devem ser evitadas a todo custo. A violação do código de conduta do grupo, ou o contacto com qualquer coisa proibida, significa que uma espécie de "infecção" é adquirida pelo culpado, ameaçando a ele mesmo e ao grupo inteiro. O castigo sobrevém automaticamente, a partir da própria situação perigosa. Podemos estar certos de que atua com muito poder psicossomático, talvez alguma forma de demonismo. É verdade que o grupo mostra mais interesse na purificação do que na punição do culpado, mas os poderes invisíveis garantem alguma espécie de vingança contra o ofensor. Os tabus comuns incluem contacto com o sangue e com a morte. Um cadáver é considerado corruptor, e todo objeto que entre em contacto com o mesmo deve ser abandonado. O sangue da menstruação da mulher ou do parto também é considerado perigoso, requerendo ritos de purificação. Os guerreiros que voltam de uma batalha são reputados contaminados pela morte, e, portanto, são tabus. Aqueles que violam o código de comportamento sexual ou que cometem grandes crimes, como o homicídio, são tabus. Além disso, certos governantes, sacerdotes, homens santos e mágicos são considerados como quem têm uma aura divina, pelo que são intocáveis da parte de pessoas comuns. Até mesmo as vestes e os objetos usados por tais pessoas são considerados perigosos. Os objetos e instrumentos religiosos obtêm tal poder. Certos alimentos são proibidos convenientemente. Assim, as mulheres não podem consumir certos alimentos, que ficam reservados somente para os homens. Em alguns países africanos, para exemplificar, as mulheres não podem comer carne de galinha, a qual só pertence aos homens. Em algumas tribos não se pode comer came de serpente; mas, no caso de outras, as cobras são um acepipe. Ofensores graves devem morrer; mas outros ofensores são banidos. Algumas vezes, basta a confissão pública e o arrependimento. A palavra tabu passou a fazer parte de muitos idiomas, com o sentido de qualquer coisa proibida, a qual toma-se tanto mais atrativa, justamente por haver sido proibida. TÁBUA DE PEDRA O trecho de Êxo. 24: 12 contém essa expressão, referindo-se às tábuas onde os dez mandamentos haviam sido inscritos. Temos oferecido artigos detalhados sobre a lei mosaica. Ver, especialmente, Lei, Características da; Lei-Códigos da Bíblia (especialmente o ponto 1. A Lei Mosaica do Antigo Testamento); Lei Cerimonial; Lei Moral; Lei e o Evangelho, A; Lei e Graça; Lei, Função da. A tradição informa-nos que Moisés recebeu a lei da parte de Deus, cujos mandamentos foram escritos na pedra com o próprio dedo de Deus (ver Êxo. 31:18;32-15,16). Descendo do monte, quando Moisés contemplou o povo a dançar, ocupado em atividades idólatras que envolviam o bezerro de ouro ele deixou cair as pedras da lei, espatifando-as (ver Exo. 32: 19). Então foi-lhe ordenado preparar cópias exatas das tábuas de pedra, e passou quarenta dias e noites, no monte, preparando esse material (ver Exo. 34:1-4,27, 28). Foi então, quando desceu do monte, que o seu rosto refletia a glória do Senhor.Os tabletes foram postos dentro da arca da aliança. Algumas tradições rabínicas afirmam que cinco dos mandamentos foram gravados em uma das tábuas, e cinco em outra (Cânticos Rabba 5:4); mas há aqueles que pensam que todos Os mandamentos foram registrados em cada tábua. A primeira das opiniões tomou-se mais aceitável, sendo seguida nas sinagogas, na apresentação das tábuas da lei.

TÁBUAS DE CIPRESTE No hebraico, gopher. Essa madeira é mencionada somente uma vez em toda a Bíblia, isto é, em Gên. 6: 14. Ali é dito que Noé fez a arca com essa madeira. Os estudiosos têm tentado identificar a espécie de madeira em vista, mas em vão. O cipreste, contudo parece encabeçar a lista das possibilidades. Isso, explica a expressão, "tábuas de cipreste", em nossa versão portuguesa. O cipreste era uma madeira própria para as construções navais, mostrando-se abundante na Babilônia e em Adiabene, a região onde Noé deve ter estado engajado na construção de sua gigantesca arca. A história também informa-nos que Alexandre, o Grande, usou essa madeira para a construção de sua flotilha de guerra. O cipreste tem sido favorecido como a madeira referida naquele trecho de Gênesis devido à similaridade da palavra hebraica com o termo grego correspondente (no hebraico, gopher; no grego, kyparissos; e, no português, cipreste). Todavia, a palavra hebraica que significa "betume", koper; tem feito alguns intérpretes suporem que gopher significa apenas "madeira betuminosa", não indicando qualquer espécie de madeira em particular. Ou então a palavra pode indicar alguma madeira resinosa. Ver os artigos separados sobre o Dilúvio, a Arca e Noé. TABUINHA No grego, pinakidion, " tabuinha". Essa é a forma diminutiva de pinaks, "tábua", "prato". Aparece, exclusivamente, em Luc. 1:63. Era, ordinariamente, um pequeno bloco chato de madeira, recoberto com cera, para ali ser gravada alguma coisa escrita, por meio de um estilete. TABULA NUDA Ver o artigo geral sobre Dum Scotus. Ele pensava que todo conhecimento origina-se nas percepções dos sentidos, e que o intelecto humano começa como uma tabula nuda, expressão latina que significa "tábua nua", até que impressões começam a ser ali inscritas, através das experiências colhidas pelos sentidos. Ointelecto pode organizar coisas particulares e obter assim um conceito do universal. Uma vez que a mente tenha formado os seus conceitos universais, a contemplação dos mesmos pode conferir discernimentos intuitivos quanto à natureza dos particulares derivados dos universais. Porém, à base de tudo, aparecem sempre as percepções dos sentidos. TAlJULA RASA Expressão latina que quer dizer "tábua em branco". A expressão tem sido usada na filosofia para falar sobre como a mente humana começa supostamente em branco, até que aparecem impressões derivadas da percepção dos sentidos. A idéia de tabula rasa é contrária a qualquer forma de conhecimento intuitivo; e, quando é pressionada, também nega a possibilidade de conhecimento através das experiências místicas. Esse conceito ensina-nos que a fonte todo-poderosa de todo conhecimento é a percepção dos sentidos. Não obstante, nas chamadas Experiências Perto da Morte (vide) é fácil demonstrar claramente um conhecimento extracerebral, e outro tanto se dá com o Misticismo (vide). 1. Boaventura supunha que os tipos comuns de conhecimento estão limitados à percepção dos sentidos, e ele usava o termo em questão, nesse contexto. Entretanto,

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TAÇA - TADMOR ele opinava que algumas idéias, como aquela acerca do Ser divino, são inatas ao ser humano. 2. Duns Scotus empregou a expressão latina tabula nuda (vide), a fim de exprimir a mesma idéia, mas deixou de fora as exceções feitas por Boaventura. 3. John Locke empregou a expressão, e, com freqüência, é considerado seu criador. Ele atacava vigorosamente a noção de idéias inatas, e tabula rasa tomou-se um virtual símbolo de sua abordagem empírica ao conhecimento. TAÇA

Diversas palavras hebraicas e uma palavra grega estão envolvidas. Os objetos em foco eram feitos de madeira, conchas, cuias, pedra calcária, alabastro, ferro, bronze, prata, ouro, etc. Eram empregadas em grande variedade de usos. Abaixo apresentamos sugestões dos tipos de taças: 1. Gabia, "cálice". Palavra usada por catorze vezes. Por exemplo: Êxo. 25:31,33,34; Gên. 44:2,12,16,17. 2. Sephel, "taça". Palavra usada por duas vezes: Juí. 6:38 e 5:25. 3. Menaqqiyyoth, "taças sacrificiais", Palavra usada por cinco vezes. Por exemplo: Exo. 25:29; NÚm. 4:7. 4. Fiále, "taça". Palavra grega que ocorre por doze vezes, todas elas no livro de Apocalipse (5:8; 15:7; 16:14,8,10,12,17; 17:1 e,21:9). A variedade de palavras podia ser usada de modo intercambiável. O que sabemos é que havia muitos tipos de taças, com muitos propósitos, feitas dos mais diferentes materiais. Uso Metafórico. Em Apo. 16: I ss, encontramos as sete taças da ira de Deus, uma série de julgamentos divinos com que se encerra a sétima trombeta. O simbolismo é de taças repletas de poder destrutivo, cujo conteúdo é derramado sobre a superfície da terra, deixando-a totalmente destruída quanto' a todas as obras humanas nela existentes: -...e ocorre grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande. E a grande cidade se dividiu em três partes, e caíram as cidades das nações... Toda ilha fugiu, e os montes não foram achados; também desabou do céu, sobre os homens, grande saraivada, com pedras que pesavam cerca de um talento; e por causa do flagelo da chuva de pedras, os homens blasfemaram de Deus, porquanto seu flagelo era sobremodo grande" (Apo.16:18-21). (KEL PRI) TACIANO

Um apologista cristão dos fins do século 11 D.C. Nasceu na Assíria e educou-se na Grécia. Viveu em Roma. Tomou-se seguidor de Justino Mártir. Tomou-se crítico severo da ciência e da filosofia dos gregos. Escreveu uma harmonia dos evangelhos, a primeira obra dessa natureza. Provavelmente, também foi a primeira obra a exercer influencia sobre a crítica textual do Novo Testamento.. Essa composição é conhecida como o Diatessaron (ou seja, "através dos quatro levangelhos",). Finalmente, tomou-se gnóstico do tipo valentiniano. Sua obra apologética que restou chama-se Um Discurso aos Gregos. TADEU

No grego, Tkaddaios. Há estudiosos que dizem que o nome é de origem siríaca, e que significa "seio" "bico de seio". Mas, se vem do aramaico, então significa coração. Conhecendo as tendências dos nomes israelitas, parece melhor acreditar nesta última possibilidade. Ele é mencionado com o nome de Tadeu somente em Mar. 3: 18.

No trecho paralelo de Mat. 10:3, seu nome é "Labeu", Foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo. Seu nome é omitido nas listas de Luc. 6:14-16 e Atos 1: 13, onde é inserido, em seu lugar, o nome Judas, "irmão" ou "filho" de Tiago. Por conseguinte, é , possível que seu verdadeiro nome fosse Judas, ao passo que Tadeu ou Labeu fossem sobrenomes ou apelidos, dados para evitar o odiado nome de Judas Iscariotes, ou então, meramente para evitar confusão com o nome deste. Em João 14:22, lemos: "Disse-lhe Judas, não o Iscariotes: Donde procede, Senhor, que estás para manifestar-te a nós, e não ao mundo?" O mais provável é que aí tenhamos outra menção desse mesmo discípulo. Ver sobre Judas, sexto ponto. TADEU, ATOS DE

No grego, Prakiseis tou Thaddaiou. Essa obra é uma versão grega do século VI d.e., que desenvolve a lenda síria de Abgar. Ali teria havido uma suposta correspondência entre Abgar V, rei de Edessa (9:46 d.Ci) e Jesus, cujo resultado teria sido uma missão a Edessa, por parte de Adai (Tadeu), que teria operado numerosos milagres, incluindo a cura de Abgar, o monarca Nessa elaboração literária da lenda original (similar, quanto a muitos aspectos, à obra em siríaco, do século V d.e., Doctrina Addai), o rei Abgar teria sido curado quando do retomo do mensageiro que enviara, Ananias, antes mesmo da chegada de Tadeu a Edessa E também há urna atenção bem maior à obra de Tadeu, que teria estabelecido a Igreja cristã naquela cidade. Eusébio (ver Hist. I: 13; cf 2:1,6ss) é quem nos provê o mais antigo registro da alegada correspondência e seu resultado, onde também afirma que extraiu esses informes dos arquivos existentes em Edessa, e os traduziu do siríaco. TADMOR

I. Nome 11. Referências Bíblicas 111. Observações Históricas I. Nome No hebraico, um "local das palmas", derivando de tamar, uma palmeira. O local foi chamado de Palmira pelos gregos e romanos. O nome significa a mesma coisa no hebraico, com suas referências às palmas do local. 11. Referências Bíblicas Na Bíblia o local é mencionado apenas duas vezes: I Reis 9.18 e II Crô. 8.4 111. Observações Históricas 1. Salomão construiu uma cidade com esse nome na fronteira sul da Palestina (Eze. 47.19; 48.28. I Reis 9.18, indicando sua localidade diz "naquela terra"). Ficava a aproximadamente 270 km de Damasco, cerca de metade do caminho entre essa cidade e o Eufrates superior, ao norte. Era um lugar de terra fértil, fontes minerais, jardins, pequenas florestas de palmeiras e uma grande estação de suprimentos para comerciantes que viajavam do e para o Eufrates. 2. Há algumas antigas informações extrabíblicas sobre o local em inscrições cuneiformes que datam até o século 19 a.e. O local também é mencionado nos anais do TiglatePileser I, da Assíria. Salomão provavelmente reconstruiu, em vez de construir a cidade, que passou a ser um "armazém" ou uma das "cidades da armazém" da área geral. Ele também fortificou tais lugares para controlar e proteger as rotas comerciais naquela parte do país. Na época áurea, as fronteiras de Israel estendiam-se até o Eufrates, mas temos de pensar em termos de postos avançados militares e em centros de controle, em vez de em verdadeiras fronteiras do império de Salomão.

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TADMOR - TAGORE 3. Por volta de 64 a.e., Marco Antônio assumiu a responsa-bilidade de atacar comerciantes e postos avançados na área, incluindo Tadmor, numa tentativa de conquistar a supremacia na área. 4. O local era próspero no inicio dos tempos romanos. Além de rotas comerciais, prédios eram construídos em e por volta de Tadmor, especificamente por Adriano, que governou entre 117 d.C. e 138 d.C. 5. Seu ponto máximo de esplendor veio com Odenato, em por volta de 267 d.e. O local passou a ser conhecido como Palmira. Odenato tentou unificar as culturas da área ao desposar Zenóbia, filha de um poderoso xeque árabe. Em cooperação com os chefes beduínos, ele conseguiu superar os inimigos de Roma na área. Odenato foi o governador de Palmira até ser assassinado por um sobrinho. 6. Sua mulher, Zenóbia, assumiu o controle e lutou pela independência e, por um período, teve sucesso com seu "autogo-verno", mas o imperador Aurélio (273 d.Ci) deu cabo ao sonho. Zenóbia tentou escapar, mas foi dominada e levada a Roma, onde recebeu uma vila e tomou-se a típica matriarca romana. Aurélio praticamente destruiu Palmira, e o local nunca mais voltou a terimportância. 7. No século 7, o local foi dominado pelos islãos. 8. Hoje há uma cidade chamada Tudmur, a cerca de I km do local antigo. Um número considerável de ruínas foi descoberto na localidade original. De fato, essa é uma das ruínas mais impressionantes do mundo moderno.

TAETETO Suas datas aproximadas foram 414 - 369 a.C. Ele fazia parte do círculo platônico de filósofos e cientistas que floresceu na Academia de Atenas. Euclides empregou algumas das idéias de Taeteto. Platão usou o nome dele como título de um de seus diálogos sobre a epistemologia, ou seja, o estudo do conhecimento e como tomamos conhecimento das coisas. Ver sobre Platão, especialmente sua segunda Teoria do Conhecimento. TAFATE No hebraico, "ornamento". Esse era o nome de uma das filhas de Salomão, que veio a tomar-se esposa de Ben-Abinadabe, um dos oficiais de Salomão, encarregado do distrito da "cordilheira de Dor", criado pelo monarca hebreu (I Reis 4: 11). Tafate viveu por volta do ano 1000 a.C. Nada mais se sabe a respeito dela, além do que nos informa esse versículo. TAFNES Esse é o nome pelo qual, na Bíblia, é chamada uma rainha egípcia e uma localidade. Em português, a forma do nome é o mesmo, mas, tanto no hebraico quanto no grego da Septuaginta há diferenças, a saber: 1. A rainha egípcia. No grego da Septuaginta seu nome aparece como Thekemimas ou Thecheminas. Na Bíblia, ela é mencionada no décimo primeiro capitulo do primeiro livro dos Reis. Se seguirmos a indicação dos fonemas gregos, como representação dos fonemas egípcios, de acordo com os especialistas, o seu nome egípcio significaria "a esposa do rei". Ela era esposa de algum Faraó da XXI Dinastia, talvez Siamon (976-958 a.C.). O rei egípcio também deu em casamento a irmã dela, a Hadade, o prfncipe edomita que fugiu de Davi para o Egito (I Reis 11:17), e que veio a se tomar um dos grandes inimigos de Salomão, filho de Davi. Tafnes cuidou do filho de sua irmã, Genubath, no palácio do Fara6. Tafnes viveu por volta de 1000 a.C. 2. A cidade egípcia. No grego da Septuaginta, Taphnós. Essa cidade é mencionada somente no livro de Jeremias (ler. 2: 16, onde nossa versão portuguesa diz "Taínes", certamente

um erro tipogrâfico; 43:7-9; 44:1 e46:14).Essacidadeficava no Baixo Egito, perto do rio Nilo, nas proximidades de Pelusium, já perto da extremidade sul da Palestina. Os escritores clássicos chamaram-naDajhe. Atualmente éo TeU, Defenneh. Foi para ali que muitos judeus fugiram dos caldeus, levando consigo, à força, o profeta Jeremias e seu amanuense, Baruque. Ver Jer. 43:1-7. Tafnes é nomeada juntamente com Mênfis (Jer. 2:16), como cidade adversária de Israel e,juntamente com Migdol, como lugar para onde exilados judeus fugiram, depois de haverem assassinado a Gedalias, governador dos judeus, designado pelos babilônios (ler. 44: 1). E possível que o nome dessa cidade seja a transliteração hebraica do nome Thphns, que figura em fontes fenícias, em uma carta mencionada em um papiro do século VI a.C., encontrada no Egito. Esse texto alude a "Baal-Zefom dos deuses de Tafues". Com base nisso, alguns estudiosos têm imaginado que, mais antigamente, a cidade chamava-se BaalZefom, o que corresponde a uma das paradas dos israelitas, no deserto, após o êxodo (Êx. 14:2). Outros eruditos pensam que esse nome pode representar o egípcio que significa "palácio do núbil", o que talvez seja uma indicação de que foi fundada durante o reinado de Tiraca (11 Reis 19:9). Mas, a forma grega do nome apóia a identificação com a Dafues dos escritores clássicos, no braço pelúsico do rio Nilo. Heródoto informa-nos que Dafnes contava com uma guarnição de mercenários gregos, ali postada por Psamético, Fara6 da XXVI Dinastia (664-610 a.C.), a fim de repelir as incursões dos árabes e de outros asiáticos. A arqueologia tem encontrado ali, entre outras coisas, uma plataforma de tijolos, fora de uma fortaleza da época de Psarnético I, que talvez seja o mesmo "pavimento" que havia na "entrada da casa de Faraó, em Tafnes", de que nos fala Jeremias. Foi ali que Jeremias ocultou as pedras, assinalando o lugar onde, segundo ele predisse, o rei babilônio, Nabucodonosor 11, haveria de erigir o seu trono, após haver conquistado o Egito (ler. 43:9).

TAGORE. SIR RABINDRANATH Suas datas foram 1861-1941. Nasceu em Calcutá, na Índia. Foi um notável mestre indiano, capaz de transmitir a essência de sua fé aos ocidentais. Foi-lhe conferido o Prêmio Nobel de literatura, em 1913. Por causa disso, foi alvo das atenções de pessoas educadas no mundo inteiro. Foi um dos mais importantes intérpretes do pensamento oriental no Ocidente. Estudou na Inglaterra e foi feito cavaleiro pelo rei George V, do Império Britânico; e, assim sendo, encontrava-se em posição de ser uma espécie de intermediário das idéias orientais para o Ocidente. Também foi poeta, educador e importante figura religiosa, que se comunicava pela palavra oral e pela literatura. Seus poemas místicos têm recebido uma atenção especial. Tagore estava convencido da verdade universal contida na declaração paulina: " ... somos membros uns dos outros" (Efé, 4:25), tendo passado boa parte de sua vida procurando demonstrar esse fato. Ele procurava exprimir unidade em tomo de um único Deus. Estabeleceu uma universidade que desejava ser uma universidade mundial, em lugar onde todas as raças e todas as fés pudessem buscar a vantagem de todos, do que emergiria a unidade. Ele denunciava o nacionalismo tanto oriental como ocidental, e fez conferências contra a violência de todas as modalidades. Estava comprometido com os ideais da paz e do amor, e era mais constante em sua campanha do que o próprio Mahatma Gandhi (se é possível acreditar nisso). Discursava em favor do total abandono do sistema

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T' AI CHI - TALES DE MILETO de castas, e não somente em favor de uma modificação substancial do sistema (conforme fazia Gandhi). É significativo que sua família, coletivamente, desistiu de sua elevada posição brâmane. Suas crenças foram eloqüentemente expressas em seus escritos: Giranjala (poemas); The Crescent Moon; The HungrySouls; Home and the World, Natlonalism; Letters from A broad; The Religion of'Man (uma série de preleções coligidas). Ele acreditava que nossas crenças estão mais próximas umas das outras do que reconhecemos, embora isso seja obscurecido por um vocabulário diversificado. Também cria na existência do Grande Todo (nome que ele dava a Deus), no interior de todos os homens, o que daria uma força natural e impulsionadora em prol da unidade. Oseu grande alvo era que os homens aprendessem a perceber Deus-coma-Amor na vida diária. Ver o artigo geral sobre o Hinduísmo.

T'AICHI , Essa é uma expressão chinesa que significa Grande Ultimo (vide), o princípio básico e divino do universo, segundo o pensamento chinês. TAINE, HIPÓLITO Suas datas foram 1828·1893. Nasceu em Vouziers, na França Educou-se em Paris. Tomou-se erudito nos campos da filosofia e das letras. Aplicava o positivismo e o determinismo à arte, à história e à sociedade. Opunha-se ao romantismo. E,juntamente com Renan (vide), foi um notável porta-voz do positivismo (vide), na segunda metade do século XIX

TALENTO Ver sobre Moedas; e também sobre Pesos e Medidas. Mat. 25: 14: Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: O vocábulo talento, nos idiomas modernos, usado para indicar a capacidade e os dotes de alguém, era realidade que se derivava dessa parábola. Originalmente o talento era uma unidade de peso; depois passou a ser uma unidade monetária, ou seja, seis mil denários. O denário valia o trabalho de um dia. Um talento, portanto, valia o trabalho de um homem por mais ou menos 18 anos. O uso posterior dessa palavra, para indicar as habilidades ou dotes naturais, se desenvolveu do uso simbólico com que o termo é usado nesta parábola. A interpretação da parábola parece girar em tomo do sentido simbólico da palavra "talento". Abaixo estão algumas das principais idéias apresentadas pelos intérpretes: 1. Alguns acreditam que a referência é ás habilidades com que servimos a Deus, quer naturais quer espirituais. 2. Outros crêem que se trata da oportunidade espiritual, isto é, a outorga do conhecimento e da verdade que Deus dá de si mesmo e de seu caminho de salvação. Essas oportunidades espirituais teriam a intenção de orientar a vida. No caso de Israel, significou a chegada do reino e a necessidade de sujeição ao governo de Deus, o que, realmente, teria conduzido essa nação a um tipo superior de vida espiritual. No caso da "parousia" ou segunda vinda de Cristo, significa a prontidão, mediante o serviço, que os homens terão ou não. No caso da morte, haverá uma prestação de contas. Cada um será considerado responsável pelo que praticou, tanto com as suas oportunidades como com seus dotes naturais. 3. Portanto, a verdadeira interpretação parece ser uma interpretação ampla, o que incluiria ambas as idéias acima,

isto é, as habilidades concedidas por Deus, tanto naturais como espirituais, com as quais podemos servir aos homens e glorificar a Deus, e também as oportunidades espirituais ou "luzes" que recebemos, para serem empregadas em nossa inquirição espiritual. Dessa maneira, teremos de prestar contas tanto do que sabemos como do que fazemos. Aquele que sabe mais, isto é, que tem uma com-preensão - mais clara - do caminho da vida, tem a obrigação de viver unia vida mais frutífera. Alguns detalhes dessa parábola são de difícil interpretação, se nos apegarmos apenas a algum sentido limitado. Por exemplo, se considerarmos que essa parábola se aplica somente aos crentes verdadeiros, que terão de prestar contas de seu serviço, então o vs. 24 será dificil de ser interpretado, porquanto nenhum crente autêntico teria essa atitude para com Deus. O vs. 30 também dificilmente pode indicar o julgamento de um crente autêntico. Pois tal julgamento é o mesmo que foi imposto ao conviva que entrou no banquete nupcial sem a veste apropriada (ver Mat. 22: 12-14). Por esses motivos, devemos buscar uma interpretação mais lata. Os judeus, por exemplo, são como os que receberam muitos talentos, muita oportunidade para conhecerem os segredos espirituais, e isso deveria tê-los conduzido à vida. Contudo, abusaram de seus privilégios, ocultaram os seus talentos e terão de sofrer as conseqüências eternas desse ato. Existem outros, porém, que fazem pleno uso de suas oportunidades espirituais, ainda que recebam menos que outros; e, ao agirem assim, tanto encontram a vida como vivem uma vida frutífera. O mais provável é que ambas as idéias estejam contidas na entrega dos talentos. Esses talentos envolvem tanto o conhecimento como a capacidade para o serviço. Os talentos, pois, parecem ser dons e oportunidades espirituais que conduzem à vida, contanto que sejam recebidos da maneira certa e sejam usados com toda a propriedade; e isso resulta na manifestação das evidências do Espírito Santo na vida do crente. Assim se vão multiplicando os talentos na experiência prática, o que certamente também é algo agradável ao Pai. Segundo a interpretaçãomais ampla desta parábola, também devemos incluir aqui a idéia do julgamento do crente, porquanto é perfeitamente claro nas Escrituras que somos responsáveis pelo uso que fazemos tanto de nosso conhecimento espiritual como das oportunidades que nos são concedidas. (Quanto a uma explicação pormenorizada destas idéias, ver 11 Cor. 5:10 no NTI). Ao aplicar essa parábola às responsabilidades dos crentes, não precisamos forçar o sentido de alguns versículos que não se aplicam diretamente a eles, exceto em princípio, de que os crentes também serão julgados e que esse julgamento será determinado pelo uso que fizerem do conhecimento recebido e da frutificação espiritual de suas vidas. Ver o artigo sobre Julgamentos das Escrituras. Ver também Julgamento dos Crentes.

TALES DE MILETO Suas datas aproximadas foram 640-546 a.C. Tem sido considerado um dos sete antigos sábios da Grécia e pai da filosofia ocidental. Foi um notável cientista, tendo sido capaz de prever o eclipse solar de 585 a.C. Desviou as águas de um rio, permitindo que o rei Croeso o vadeasse em certo ponto, sem empecilho. Ele promoveu a unidade das cidades - estados da Grécia, tendo aludido à necessidade de uma capital grega central. Cientista teórico como era, labutou para determinar o elemento mais básico de todos, tendo optado pela água, com base em várias razões. Tem sido considerado o primeiro filósofo a inquirir sobre a natureza subjacente

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TALES DE MILETO - TALMAI de todas as coisas. Alguns acreditam que suas especulações a respeito da água, como a base de tudo, foram tomadas por empréstimo, pelo menos em parte, dos mitos cosmogônicos do Egito ou da Babilônia. Outros seguiram-no quanto a essa atividade, tendo sugerido outros elementos como o fogo, o ar e a terra, e um elemento subjacente não - determinado como base de tudo. Ver o artigo intitulado Hilozoismo; quanto a uma descrição dessa entidade indeterminada. Quando Tales de Mileto declarou que "todas as coisas estão repletas de deuses", talvez tenha expressado a crença de que a base real da natureza é psíquica, e não material. Ver sobre o Pampsiquismo. No entanto, muitos assumem um ponto de vista materialista de suas teorias, supondo que ele usava uma linguagem poética ao falar sobre as divindades em tudo presentes. Idéias: I. Tales figura como o criador e expositor do conceito que diz "conhece-te a ti mesmo", tão proeminente nos idéias de Sócrates. Nesse caso, podemos supor que ele quis dizer a mesma coisa que Sócrates disse, com grandes impl icações morais. Para que pratique o bem, o individuo deve ter consciência da natureza de seu próprio ser, de suas potencialidades e de seu destino. 2. Tales também ensinou o princípio do "nada em excesso" a famosa moderação (vide) dos gregos, que se tomou um importante principio normativo de grande parte da ética grega, 3. Entretanto, ele tomou-se melhor conhecido por causa de suas especulações acerca da natureza básica das coisas. Ele acreditava (talvez sob a influência das cosmogonias [vide] egípcia e babilônica) que a água é a base de todas as coisas. Destarte, ele pensava que um único elemento pode explicar o universo inteiro. Aristóteles dava a Tales de Mileto o crédito de haver originado a busca por princípios de explicação. 4. Sua declaração de que "todas as coisas estão repletas de deuses" talvez indique que ele pensava que a água é dotada de uma natureza pampsíquica juntamente com todas as suas manifestações. Nesse caso, uma doutrina espiritual governava as especulações de Tales. Por outra parte, há muitos que supõem que ele meramente usava de uma linguagem poética, e que se tivesse tido conhecimento da formação atômica da água, teria explicado todas as coisas por meio da teoria atômica. Seja como for, ele conferia à água um potencial vitalizador, potencializando todas as muitíssimas coisas diferentes que conhecemos. 5. A alma humana teria um poder de automotivação, sendo ela capaz de iniciar movimentos em outras coisas. 6. Tales pensava que a Terra é um disco que flutua em um vasto oceano, como um pedaço de madeira; mas nunca apresentou qualquer explicação sobre o que contém esse oceano.

TALHAS No grego, udria (ver João 2:6,7, onde nossa versão portuguesa traduz essa palavra por "talhas"; e João 4:28, onde nossa versão portuguesa a traduz por "cântaro"), Estão em foco jarras de barro ou de pedra, para conter água. Esses receptáculos variavam muito em suas dimensões, alguns deles eram pequenos o bastante para que uma mulher pudesse carregar sobre a cabeça ou no ombro (ver João 4:28), ao passo que outros continham uma média de 70 litros (ver João 16,7). A palavra hebraica correspondente é kad, que nossa versão portuguesa traduz por "cântaro" (ver Gên. 24: 14-18, etc.; Juí. 7:16,19; Ecl. 12:6). Ver os artigos intitulados Cerâmica e Jarra.

TALISMÃ Essa palavra portuguesa vem do árabe, onde tem o sentido de "amuleto", ou, mais literalmente, uma, "figura mágica", Parece que a base dessa palavra é o vocábulo grego talesma, "rito sagrado", derivado de teleein, iniciar'. O termo refere-se a algum objeto supostamente capaz de produzir algum efeito extraordinário. Todo tipo de objeto tem servido a esse propósito, desde os mais primitivos, como um dente, uma garra ou chifre de algum animal, até pedras preciosas e materiais elabora-damente esculpidos. Pressupõe-se que o possuidor de um talismã pode afastar os males e atrair bens, mediante o uso do mesmo, TALITACUMI Essa expressão, que aparece somente em Mar. 5 :41, aflorou dos lábios do Senhor Jesus, quando da ressurreição da filha de Jairo. Essas palavras são aramaicas, transliteradas para o grego e dai para o português. Significam, conforme Marcos mesmo interpreta, "Menina, eu te mando, levanta-te". Há outras palavras proferidas por Jesus em aramaico, conforme se vê em Mar. 7:34 e 15:34. E o apóstolo Pedro também proferiu uma palavra em aramaico, "Tabita", em Atos 9:40. Paulo tem o seu famoso "Maranata"(l Cor. 16:22). Os eruditos têm dito que essa expressão aramaica, usada por Paulo, significa "Senhor, vem!" Tais palavras e expressões eram perfeitamente naturais para os gali1eus, que falavam o aramaico como sua língua nativa, sem prejuízo de outros idiomas que também soubessem falar. Não há nelas qualquer coisa de fórmula mágica, como alguns, ignorantemente, têm pensado. Os estudos feitos acerca de quanto se falava o aramaico e o hebraico, na Palestina, nos dias de Jesus e de seus apóstolos, têm produzido alguns resultados interessantes. É bastante cansativo e detalhado mostrar todos os passos que os estudiosos têm tido de dar. Mas a conclusão geral pode ser posta na boca de um rabino do passado, que disse: "O aramaico usava-se na linguagem sacra; o hebraico, na fala comum, do povo". Isso discorda da opinião dos estudiosos em geral, que pensavam que o hebraico estava totalmente esquecido. Mas, de fato, testemunhos antigos, como o próprio Novo Testamento, a recém-descoberta literatura da comunidade de Qurnran, e os escritos de Josefo, todos testificam de que o hebraico era o idioma comum da Palestina, usado até mesmo na literatura da época. Quanto ao Novo Testamento, lemos em Atos 21:40 e 22:2,- que Paulo dirigiu-se aos judeus em "hebraico", e não em aramaico. Não obstante a isso, o aramaico era alimentado pela corrente continua de judeus orientais que chegavam em Jerusalém, para as festividades religiosas danação, e muitos deles acabavam ficando na Terra Santa. Portanto, o aramaico prevalecia nos cultos efetuados no templo, desde o período persa em diante. Devemos concluir que, assim como o hebraico está sendo revivido atualmente, no Estado de Israel, assim também deve ter acontecido no perlodo intermediário, entre o Antigo e o Novo Testamento, embora, sobre isso, nada nos tenha chegado quanto a informações concretas. TALMAI No hebraico, "ousado", "vivaz". Há duas personagens com esse nome, nas páginas do Antigo Testamento: 1. Um dos três filhos do gigante Anaque. Seu grupo tribal residia em Hebrom quando os espias enviados por Josué penetraram na Terra Prometida (Núm. 13:22; Jos. 15:14 e Juf. I: 10). Ele viveu por volta de 1450 a.C.

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TALMOM - TALMUDE 2. O rei de Gesur, pai de Maaca, uma das esposas de Davi. Ele é mencionado em 11 Sam. 13; 13:37 e I Crô. 12. Viveu por volta de 1040 a.e. Gesur era um principado arameu na região a nordeste da Galiléia. Desobedecendo à lei mosaica, Davi casou-se com a princesa Maaca. - Mas isto se resultou na sua grande tristeza. A princesa tornou-se a mãe do apaixonado e violento Absalão (11 Sam. 13). Depois de haver assassinado a seu irmão, Amom, Absalão fugiu para Gesur, onde ficou por três anos (11 Sam. 13:37,38). TALMOM No hebraico, "opressor" "violento". Seu nome é mencionado por cinco vezes: I Crô. 9: 17; Esd, 2:42; Nee. 7:45; 11: 19 e 12:25. Ele era um levita que residia em Jerusalém, nos dias de Esdras (536-445 a.C.). Pertencia a uma família de porteiros do templo, que existiu depois do exílio babilônico. TALMUDE I. Nome 11. Caracterização Geral 111.O Desenvolvimento em Duas Camadas 1. O Misna 2. OGemara IV. A Tora Oral V. A Importância do Talmude I. Nome No hebraico, lomed, ou "estudar", "aprender". O substantivo tem o sentido de "discípulo". Os mestres estudam e transmitem o que sabem, e os estudantes tomam-se seus discípulos. O Grande Mestre foi Moisés, sendo que o Talmude é baseado principalmente no Pentateuco. 11. Caracterização Geral O Talmude é um tipo de enciclopédia da tradição judaica, que age como um suplemento à Bíblia. A obra resume mais de sete séculos de crescimento cultural e idéias. Suas origens orais remontam à época do cânon bíblico, e a obra não chegou à sua fase final até o final do século 5. Embora lide principalmente com a lei, particularmente interpretando e suplementando o Criador da Lei (Moisés), também trata de religião geral, ética, instituições sociais, história, folclore e ciência. Foram desenvolvidos dois Talmudes, um em Israel, por volta de 400 d.C., e o outro na Babilônia, entre 500 d.C. e 600 d.e. O Talmude compilado na Palestina comenta as divisões do Misna (ver a seção Ill.L), que se relaciona a uma variedade de assuntos como agricultura, épocas de apontamento, mulheres e família, lei e assuntos pessoais. O Talmude da Babilônia cobre as épocas de apontamento, mulheres e família, coisas sagradas e lei, mas omite a agricultura. Cerca de 90% do Talmude da Palestina enfatizam a exegese do Misna (Mishnah). O Talmude da Babilônia compartilha muito desse material, mas auxilia de uma forma considerável comentários da Bíblia. Ambos incluem comentários especiais sobre palavras e frases, os históricos bíblicos do Misna e contradições nos casos das questões bíblicas que exigem explicação e harmonia. O palestino trata quase por inteiro de questões do Misna, enquanto o babilônico adiciona muitas passagens da Escritura com comentários. Ambos os Talmudes aceitam, sem questionamento, a autoridade da Tora como a palavra revelada de Deus através de Moisés, mas, à medida que as idéias e a cultura avançam, novas interpretações são necessárias para tomar vivo a Tora para cada geração. Por exemplo: Deu. 24.1 fala da possibilidade de dissolver os laços do casamento,

mas não entra em detalhes. Os Talmudes entram em detalhes com suas interpretações e comentários. À medida que a sociedade judaica se desenvolvia, havia necessidade de fornecer regulamentações para o comércio, trabalho e indústria, coisas com as quais a Tora não lidara o suficiente para estabelecer regras adequadas. Os Talmudes tentam compensar tais deficiências, sempre, presumivelmente, aplicando a sabedoria de Moisés ao máximo possível. Historicamente, a literatura do Talmude foi desenvolvida em duas camadas, a mais antiga do Misna, e a segunda do Gemara, das quais se trata na seção m. Havia visitas freqüentes dos rabinos que representavam ambos os Talmudes, de forma que há grande nível de harmonia entre as duas tradições. O Talmude, juntamente com outras criações literárias da época, freqüentemente tem sido chamado de Tora Oral, pois houve um período de tempo considerável em que os materiais que existiam eram contidos apenas em tradição oral. Até o final do século quinto d.Ci, as sociedades judaicas estavam em declínio tanto na Palestina como na Babilônia, e como resultado que a atividade de redação criativa do Talmude cessou. 111. O Desenvolvimento em Duas Camadas 1. O Mlsna (Mishnah) O Talmude teve um desenvolvimento histórico que envolveu duas camadas ou estágios distintos. O estágio mais antigo foi o Misna (Mishnah), que significa "repetir" ou "estudar". Forneço um artigo separado detalhado sobre o Mishnah, o que me permite fazer apenas uma apresentação breve neste artigo. Primariamente, o Misna foi produto da edição acadêmica do rabino de Judá e de seus discípulos que estavam ativos no terceiro século d.C. na Palestina. O hebraico do texto era claro e lúcido, e o próprio texto era organizado em seis seções principais que depois foram subdivididas em 63 tratados. Os tratados (ensaios) eram então divididos em capítulos e parágrafos. As Seis Seções. As seções são chamadas de Sedarim, isto é, "ordens", pelo fato de que cada uma representa uma organização ordenada de opiniões, leis e comentários sobre um assunto especifico: I. Zeraim, isto é, "sementes", que trata de agricultura. Anexado a ela está um importante tratado (ensaio) sobre a oração. chamado de Beracote. 2. Moed, isto é, "festivais", que trata de muitos festivais e dias sagrados judaicos, dos sábados e das celebrações e banquetes do calendário judeu. 3. Nashim, isto é, "mulheres", que trata do casamento, do divórcio e da vida familiar. 4. Neziquim, isto é, "ferimentos", que trata da lei civil e criminal. 5. Kodashim, ou "coisas sagradas", que discute os sacrificios e os cultos do templo. 6. Taharote, isto é, "limpeza", que trata de questões de pureza ritual. Os tratamentos são um tanto breves, o que exigiu, por fim, revisões e adições. Assim, foi criado um suplemento, ou segunda camada, chamado de Gemara. 2. O Gemara Esta palavra deriva do termo aramaico gemar, que significa "estudar", "ensinar". O Gemara existe em duas versões, ambas escritas nos vernáculos correntes, respectivamente. entre os judeus da Palestina e da Babilônia, resultando, assim, nas designações de Talmude Palestino e Talmude Babilônico. A comunidade de estudiosos judeus da Palestina, a longo prazo, foi desafiada, mas não ultrapassada pela sua contraparte da Babilônia, e ambas se tomaram importantes centros do

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TALMUDE - TAMAR aprendizado e produção literária dos judeus. A Babilônia, finalmente, ultrapassou a sua "mãe" (Palestina). De qualquer modo, houve contato contínuo entre os dois lados para harmonizar o trabalho que estava sendo realizado. Nem todos os 63 tratados (ensaios) têm tratamento com suplementos no Gemara. O Gemara palestino, também chamado de Yerushalmi (Jerusalém) suplementa 39 dos tratados. O Gemara da Babilônia, embora lidando apenas com 36,5 dos tratados, é o trabalho mais volumoso, sendo cerca de três vezes maior do que o palestino. Unindo-se o Misna e o Gemara originais, obtém-se o Talmude. IV. A Tora Oral Forneço um artigo detalhado sobre a Tora, que significa "lançar a sorte sagrada", que fala da prática de adivinhação oracular. Esse trabalho passou a designar o Pentateuco, os livros atribuídos a Moisés que os judeus piedosos supunham conter, em forma de semente, todas as leis divinas. Às vezes a palavra refere-se a todos os livros revelatórios dos judeus, ou à coleção do próprio Antigo Testamento, ou à"Tora Divina, isto é, ao depósito de todo o conhecimento da Mente Divina. O Talmude, juntamente com diversas outras literaturas relacionadas dos rabinos mais famosos do mesmo período de produção, passou a ser chamado de Tom Oral. Por séculos muito do material circulou oralmente antes de ter sido reduzido a documentos escritos. Havia formas escritas de parte dele, derivadas de épocas muito antigas. Além disso, sua redação também levou muito tempo antes de poder ser considerada "produto final". O Talmude palestino foi concluído em alguma época no século 5. O babilônico foi concluído em um período mais próximo ao final daquele mesmo século. Ambas as comunidades entraram em declínio naquele século, em parte por causa das perseguições promovidas pelas autoridades civis. Com o declínio das comunidades houve uma cessação de produtos literários significativos, de modo que os Talmudes congelaram em formas finais que não foram, em períodos posteriores, desenvolvidas. V. A Importância do Talmude Não é errado falar de uma canonização envolvida no Talmude, o mesmo que ocorreu com as Escrituras do Antigo Testamento. Os judeus de períodos posteriores (depois do século 5 d. C.) reconheceram que o aprendizado e o domínio do Talmude era o chamado mais alto e maior privilégio que uma pessoa poderia experimentar. Para muitos, o conhecimento do Talmude era mantido com maior estima do que o conhecimento das Escrituras do Antigo Testamento, e o conhecimento e domínio de ambos produziam judeus fanáticos e piedosos que eram, e ainda são, os lideres do zelo religioso. O liberalismo e a constante crítica do Antigo Testamento abalaram a fé na historicidade daquela coleção de documentos, e não é errado dizer que o judeu piedoso se refugiava no Talmude como sendo, de alguma forma, mais preciso e mais puro do que o próprio Antigo Testamento. Com o passar do tempo, a maioria dos judeus deu pouco interesse à complexidade do Talmude e muitos converteram-se a uma forma "kantiana" de filosofia, como a desenvolvida pelos filósofos judeus. Mas, com O surgimento do estado judeu moderno, o interesse fanático foi reavivado tanto pelo Antigo Testamento como pelo Talmude. O estudioso cristão busca introspecção de primeira mão no pensame nto judeu produzido pelos próprios judeus, que muitas vezes é mais i1uminador do que os tratamentos comuns e de segunda mão dados pelos estudiosos cristãos, destituídos de conhecimento cultural para compreender

muito do judaísmo. Muito daquilo que lemos nas Escrituras sobre os judeus pode ser encontrado e muitas vezes explicado em maior profundidade do que a apresentação das mesmas questões nos evangelhos. A canonização final do Talmude trouxe cabo a uma das épocas mais criativas da história da tradição e atividade literária judaicas. Mas o Talmude agora vive de forma real no estado judeu moderno e na mente dos estudiosos cristãos que buscam conhecimento mais perfeito. TAMA No hebraico, "combate". Seu nome ocorre apenas em Esd. 2:53 e Nee. 7:55. Ele foi o fundador de uma família de servos do templo, que retornaram do cativeiro babilônico em companhia de Zorobabel. No trecho paralelo de I Esdras 5:32, esse nome aparece sob a forma de Tamá. Viveu por volta de 536 a.c. TAMAR No hebraico, "palmeira" ou "tâmara (palmeira)". 1. Esse era o nome da mulher de Er (filho de Judá), que depois passou a ser a mulher de seu irmão Onã, Era costume que um segundo irmão assumisse a viúva do primeiro que havia morrido, para criar uma descendência ou família que daria continuidade à linhagem daquele irmão. Isso sempre era possível por causa da poligamia. A mulher de um irmão simplesmente seria adicionada ao círculo familiar do segundo irmão que já fosse casado. Onã nada queria com este outro casamento e evitou a concepção através de coitus interruptus, derrubando, assim, o sêmen no chão. Com base nessa circunstância, surgiu o termo onanismo, que significa coitus interruptus ou masturbação. Ver a história em Gên. 28.1-11. Ver também o verbete Matrimônio Levirato. Por causa de seu "pecado" em não cumprir seu papel, diz-se que Yahweh o executou, presumivelmente através de um acidente ou por doença. Assim, Tamar ficou sem marido pela segunda vez e exigiu que Judá lhe desse ainda um terceiro filho, mas ele relutou arriscar ter ainda outro filho com aquela mulher, por motivos óbvios. Ela então aplicou um truque radical para conseguir o terceiro filho. Disfarçou-se de prostituta e seduziu o próprio Judál Ficou grávida e, quando foi acusada de falta de castidade, o que poderia ter ocasionado sua execução, revelou a terrível verdade de que Judá era o pai da criança. Nesse momento, tornou-se abundantemente claro de que poderia ter sido melhor para Judá e para seus filhos nunca ter chegado perto da mulher. Mas o que poderia fazer Judá? Primeiro, ele teve de confessar seu pecado e não promover acusações (Gên. 25,26). A mulher ficou livre e presumivelmente conseguiu um terceiro filho de Judá, vencendo, assim, o conflito. A propósito, a mulher deu à luz a gêmeos, o pai sendo Judá, claro. Seus nomes foram Perez e Zerá, ambos ancestrais distantes de Jesus, o Cristo (ver Mal. 1.3). Ver Gên. 39.29, 30. Quando surgiu O ditado "A verdade é mais forte do que a ficção", o criador elo ditado deve ter tido em mente essa história bíblica. A época foi em. tomo de 1900 a.c. 2. Uma filha de Davi com Maaca, irmã de Absalão e meia-irmã do depravado Amnom, o filho mais velho de Davi. Sua mãe era Ainoa, uma jezreelita (lI Sam. 3.2). Depois de elaborado planejamento, ele conseguiu estuprar Tamar, cometendo fornicação, incesto e estupro ao mesmo tempo! Depois foi a vez de Absalão fazer o planejamento de assassinato. Ele acabou matando Amnom, para constrangimento de Davi que, contudo, não tomou nenhuma atitude, o que combinou com sua inação no caso

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TÂMARA-TAMUZ do estupro de Tamar. Ver a história toda contada em II Sam. capo 13. A época foi em tomo de 980 a.C. 3. Absalão linha uma filha naquela época que, presumivelmente, foi chamada pelo mesmo nome da irmã, Tamar, e possivelmente recebeu esse nome para honrar sua linda irmã, que havia sido tratada tão mal por Amnom, um meio-irmão. A única informação que temos sobre essa Tamar é que ela era uma "mulher formosa à vista" (11 Sam. 14.27). O vs. 25 do mesmo capítulo conta-nos que o próprio Absalão era extremamente atraente, de forma que Tamar obteve sua beleza diretamente de seus genes. 4. Uma cidade próxima fronteira de Judá e Edom, no extremo sul do mar Morto também recebe esse nome. Talvez o sítio moderno seja Thamara, que fica na estrada que leva de Hebrom a Elate. O profeta Ezequiel menciona Tamar como um local na fronteira da Israel restaurada (Eze. 47.9; 48.28). Talvez uma alusão seja feita a esse local em I Reis 9.18, ou talvez ele seja identificado com Hazom-Tamar, de 11 Crô. 20.2 (ver a respeito). Outro nome para é En-Gedi (ver o artigo com esse nome). à

TÂMARA Não há referências diretas às tâmaras nas páginas da Bíblia, mas a alusão à "bebida forte", em Provérbios 20: 1, pode apontar para o vinho feito de tâmaras. Além disso, em II Crônicas 31 :5, há referência ao "mel", que muitos pensam tratar-se de mel feito de tâmaras. Com base em outras fontes informativas, ficamos sabendo como as tâmaras eram usadas na antiguidade. Tâmaras secas eram muito duradouras, utilíssimas para o consumo durante as viagens em lombo de camelo, pelos desertos. A tâmara, cujo nome científico é Phoenix dactylifera, cresce em enormes cachos, que ficam pendurados entre as folhas da planta. Durante longos séculos têm sido um dos principais itens da alimentação de várias tribos árabes. Ver também sobre a Palmeira. TAMARGUEIRA, ARBUSTO No hebraico, eshel, "tamargueira", que aparece por três vezes no Antigo Testamento: Gên. 21 :33; I Sam. 22:6 e 31:13. No entanto, em nossa versão portuguesa, "tamargueira" só aparece em Gên. 21:33. Nas duas outras passagens, nossa versão portuguesa diz "arvoredo". Em inglês, as traduções de Moffatt e de Goodspeed dizem "tamarisk" (palavra inglesa que significa tamargueira), em I Sam. 22:6 e em Gên. 21:15, mas não em Gên. 21:33 e em I Sam. 31:13. Portanto, a confusão criada em tomo do assunto, nas traduções, não é pequena. A palavra hebraica por trás de Gên. 21: 15 é siach, que significa "arbusto". Após essas observações introdutórias necessárias, falemos sobre a própria tamargueira. Essa é uma árvore arbustiva, que medra bem em regiões secas. Eis a provável razão pela qual Abraão "plantou ... tamargueiras em Berseba" (Gên, 21 :33), pois ali era uma região semi-árida. As tamargueiras são dotadas de folhas minúsculas, tipo escamas, que quase não transpiram, isto é, não perdem muita umidade. A tamargueira é uma espécie vegetal com boa resistência à seca. Dão-se bem em terreno arenoso, sendo possível que os arbustos sob os quais Hagar deixou o menino Ismael, no deserto de Sur, quando fugia de Sara, tenham sido tamargueiras,embora o hebraico não diga exatamente isso, pois não determina a espécie exata de arbusto que está em pauta. O nome científico da tamargueira é Tamarisk aphylla.

TAMBOR Ver sobre Música e Instrumentos Musicais. TAMBORIL Versobre Música, e também sobre Instrumentos Musicais. TAMBORIM Ver sobre Música e Instrumentos Musicais. TAMUNETE No hebraico, "consolação". Ele é mencionado somente em 11 Reis25.23 eem Jer. 49:8. Ele chamado de netofatita. Era o pai de Seraías, um capitão judeu que permaneceu em Judá, juntamente com Gedalias (vide), após o exílio babilônico. Viveu por volta de 620 a.C. é

TAMUZ Uma divindade e ídolo sírio e fenício, correspondente ao Adônis dos gregos. Na Bíblia, esse deus pagão é mencionado somente em Eze. 8: 14. A origem de seu nome perde-se na obscuridade da antigüidade. Mas muitos pensam que se derivou da história lendária suméria sobre Dumuzi ("verdadeiro filho"), um pastor pré-diluviano e suposto marido de Istar (vide). Embora nunca tenha obtido mui grande popularidade na Babilônia e na Assíria, tomou-se famosíssimo na Síria e na Fenícia, bem como, mais tarde, entre os gregos, onde o casal aparecia com os nomes de Adônis e Afrodite. No Egito, Adônis chegou a ser identificado com Osíris (vide), que teria sua própria história lendária. Na Síria, o principal centro desse culto ficava em Gebal, onde havia o templo dedicado a Afrodite, a deusa do amor carnal. Provavelmente, foi devido à contigüidade entre a Síria e Israel que o culto a Tamuz penetrou entre o antigo povo de Deus. Ezequiel, em uma visão, viu mulheres sentadas na porta norte do templo de Jerusalém, a chorarem por Tamuz, o que consistia em um tremendo desvio religioso, condenado pelo Senhor, como uma das "abominações" que faziam Deus tapar seus ouvidos aos apelos dos judeus incrédulos. Na Suméria, essa divindade apareceu como deus da vegetação da primavera. Ali ele era considerado irmão e marido de Istar, a deusa da fertilidade. Primeiramente ela o teria seduzido, cometendo incesto com ele, para depois traí-lo. Uma bela história, sem dúvida! Ali, Tamuz era representado em selos como protetor dos rebanhos, que defendia das feras. Esse culto foi mais elaborado na Babilônia, onde já se falava em sua morte, visita ao mundo dos mortos e ressurreição. Essa morte e ressurreição corresponderiam, anualmente ao início do verão e ao refiorescimento primaveril da vegetação. Os ritos em que se chorava pela imaginária morte de Tamuz ocorriam no 4° mês (correspondente aos nossos meses de junho e julho). Isso deu azo a que os judeus de tempos pós - bíblicos chamassem o seu quarto mês de Tamuz. Ver sobre o Calendário. Havia muitas afinidades entre o culto a Tamuz e o culto a Os íris, este último no Egito. Até hoje, em regiões remotas do Curdistão, há variações desse antigo culto. Segundo a opinião de alguns estudiosos, Tamuz representaria o monarca reinante. E este, por sua vez, representaria todos os homens, dentro do potencial de que eles teriam de participar da natureza divina de Istar, o princípio da vida e da fertilidade. Muitos cultos pagãos antigos giravam em tomo de questões sexuais e do mistério da reprodução. Como essa é uma questão muito atrativa para os seres humanos, não admira que muitos judeus se tenham deixado

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TANATOLOGIA - TAOÍSMO envolver por cultos dessa natureza, ao longo de sua história. Mas, como é claro, todos os cultos dessa ordem indicam e levam a uma grande degradação. As sugestões deixadas pelos imaginários deuses pagãos nunca eram puras, mas sempre envolviam as piores perversões morais. Não admira que os profetas do Senhor sempre tivessem sentido que tais cultos eram infames, representando um grave perigo para o povo de Deus! TANATOLOGIA Temos ai um termo que vem do grego, thánatos, "morte", e logia, "estudo", "raciocínio", ou seja, estudo sobre a morte". A tanatotogia tomou-se uma especialidade dentro da Psicologia. O estudo sobre a morte é efetuado na esperança de ajudar às pessoas prestes a morrer, além de orientar seus familiares sobre como devem ajudar seus moribundos, aceitando a morte com normalidade e prosseguir a vida. Elizabeth Kubler-Ross é uma das principais figuras desse ramo do conhecimento. Devido à sua constante associação com a morte, ela ficou absolutamente convencida acerca da vida após a morte física, Ela tem escrito vários livros que tratam da psicologia da morte e da experiência de quase-morte. No artigo intitulado Experiências Perto da Morte, discuto sobre os labores dela e de outros, nesse campo, além de mostrar o que a ciência está descobrindo sobre a morte e a vida que vem em seguida. O quadro traçado é bastante otimista, e o leitor deveria familiarizar-se com tais idéias. A aproximação da morte parece primeiramente irar as pessoas por causa de sua drástica ameaça. Segue-se uma grande luta mental, buscando maneiras de evitar o que parece inevitável. Então segue-se a depressão, antes da pessoa aceitar a morte. E encorajadora a observação de que muitas pessoas atingem um significativo crescimento espiritual, para que possam enfrentar melhor a crise. Orientações quanto ao que esperar, os vários estágios psicológicos pelos quais as pessoas normalmente passam, e explicações sobre o que está envolvido no próprio processo da morte e sobre o que jaz mais adiante, têm sido muito valiosas. O melhor aspecto que a ciência está conseguindo salientar é a esperança da existência eterna, juntamente com a ajuda tradicional, prestada pela fé -religiosa e até pela filosofia. Grosso modo, tanatologia pode significar qualquer estudo sistemático acerca da morte. Porém, esse termo é usado especificamente como um ramo da Psicologia, conforme foi dito anteriormente. TÂNIS Forma grega de Zoã. TANNA Essa palavra vem do árabe, onde significa "mestre". Mas estão em foco especialmente os eruditos judeus que recebiam esse nome, e que viveram nos dois primeiros séculos da era cristã, cujos escritos foram incorporados na Mishna (vide) e na Baraita, que são outros escritos de natureza religiosa, além da Mishna. Ver sobre Akiba. TANTRAS Ver sobre Shastras. As Tantras são as quatro classes de Escrituras hindus, escritos místicos pertencentes principalmente, aos séculos Vil e XVIII d.C. Contêm certo material místico e mágico. Discutem sobre muitos assuntos, incluindo temas como religião, medicina e ciências. Exortam os adoradores a usarem as mantras (vide) e a praticarem ritos que são repelentes para os hindus modernos mais sofisticados. Nesses escritos há instruções acerca de como

se pode adquirir poderes psíquicos, incluindo a técnica da projeção da psique (vide). TAO No chinês, "o caminho". Pode referir-se ao santo e bendito caminho que pessoas religiosas sérias deveriam seguir agora, e que promete a prosperidade e a saúde; ou, então, está em foco o caminho último da fé religiosa, que dá acesso à glorificação. Essa palavra também é usada para indicar a essência da espiritualidade e da transformação interior máximas, quando o indivíduo atinge o alvo final da existência e do esforço humanos. O Tao também é reputado à Fonte Divina de onde todas as coisas teriam procedido, ou seja, o princípio básico do cosmos. A esse princípio básico que, segundo os taoistas, todas as coisas retornarão. Versobre o Taoismo, Certos apologistas cristãos orientais têm ligado o termo Tao ao Lagos do cristianismo, pensando que a mesma coisa está em mente, embora expressas por diferentes termos, em diferentes idiomas. c.s. Lewis definiu o Tao como aqueles princípios elementares da ética geral, de que compartilham todos os pontos de vista representativos de uma sociedade pluralista. TAOÍSMO A China tem sido a matriz histórica do sincretismo ímpar daSan Chiao, as "Três Religiões", a saber: 1. confucionismo; 2. taoísmo; 3. budismo. Durante pelo menos dois mil anos, o taoísmo (pronunciado douismo) tem feito parte integral da cultura e do pensamento chineses, desde seu estágio formativo de antigo misticismo, através de sua fase mágica, até que chegou ao seu estágio religioso recente. Mao Tsé-Tung tentou, com algum sucesso, substituir as Três Religiões pelo marxismo. "O Tao resiste a qualquer tentativa de definição. 'O Tao que pode ser expresso por meio de palavras não é o Tao eterno; o nome que pode ser nomeado não é o nome permanente' (Tao Te Ching, 1). Para propósitos práticos, o Tao indica uma vereda, um caminho, um modo de expressão da natureza, o Caminho da Realidade Última" (H). Alguns pensadores têm vinculado o Tao ao Lagos do cristianismo, em seus estudos de religiões comparadas. Ver sobre Tao. "O taoísmo é uma das principais religiões ou filosofias da China. Foi fundada em cerca de 500 a.C. por Lao-Tsé, o qual ensinava que a felicidade pode ser adquirida mediante a obediência aos requisitos da natureza humana e a simplificação das relações sociais e políticas, de acordo com o Tao ou Caminho, o princípio básico do cosmos, de onde procede a natureza inteira" (WA). As escrituras básicas dessa fé chamam-se Tao Te Ching (vide). Alguns eruditos pensam que Lao-Tsé ou Lao Tzu (vide) não foi uma personagem histórica, pois tratar-se-ia de um termo que significa "velho filósofo", o alegado fundador do taoísmo e autor do Tao Te Ching. Idéias: 1. O ensino místico dessa fé era que o caminho da vida transcende à razão e não pode ser expresso por meio de palavras humanas. Contudo, embora nunca vocalizado, não é um ensino inoperante e insensível. O homem que caminha pela vereda mística sabe o que está acontecendo ao seu ser, e tem consciência da transformação que ocorre quando ele sonda o poder divino, embora talvez não encontre meios de expressar sua experiência 2. O indivíduo venceria através do quietismo deixando as coisas continuarem, mantendo-se na tranqüilidade, deixando de lutar, procurando encontrar a harmonia da natureza. Haveria dois conjuntos de qualidades opostas, denominados o yin e o yang (vide), que ajudariam a

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TAOÍSMO - TAQUEMONI estruturar o universo e governariam todas as coisas. No indivíduo, essas forças encontrariam seu devido equilíbrio. 3. Os requisitos divinos podem ser achados no homem interior, pois o homem é produto do Tao e está destinado a chegar ao Tao Final. Um homem pode sentir-se feliz mediante a obediência às exigências de sua própria natureza, mantendo uma atitude de moderação. 4. Ver sobre Tao, quanto a uma idéia acerca da maneira ampla como essa palavra é usada. Tao pode ser entendido como felicidade e harmonia materiais. Porém, também é o alvo a longo prazo de toda existência humana, porquanto aquilo que procede do Tao ao mesmo deve retornar, conforme também se vê acerca do ensino sobre o Logos, no neoplatonismo e no cristianismo. 5. Pessoas comuns adicionaram muitos elementos ao taoísmo: as crenças em espíritos, a sobrevivência da alma, encantamentos mágicos em busca de boa sorte e de cura, confissão de pecados para obtenção de harmonia interior e libertação do mal, a necessidade de boas obras. Os intelectuais estudaram a alquimia, procurando algum meio de tornar o homem imortal; também acrescentaram conhecimentos acerca de boa variedade de questões: química, anatomia, metalurgia, pólvora, anestésicos e farmácia. 6. Lá pelo século III d.C., o taoísmo e o confucionismo rivalizavam fortemente, mas o budismo era mais popular que ambos, entre o povo comum. O taoísmo apela mais para os literatos, para as classes governantes. Os dois mais importantes nomes ligados a essa fé são Chuang Tzu (o alegado fundador do taoísmo) e Hual-nan Tzu. Temos oferecido artigos separados sobre ambos. TAO-TE CHING Ver sobre o Taoísmo. O Tao-Te Ching é o nome da Escritura Sagrada dessa religião. Essa designação significa "Clássico do Caminho e sua Virtude". Esse material foi composto e compilado entre os séculos VI e IV a.C. Consiste em 5.250 caracteres, divididos em oitenta e um capítulos. Alo Tu (vide), contem-porâneo mais velho de Confúcio teria sido o autor desses escritos. Se ele foi mesmo uma personagem histórica, é possível que tenha sido autor de parte da obra. Seja como for, esses escritos provavelmente contêm a essência de seus ensinamentos. Várias formas literárias foram incluídas, como hinos, provérbios, polêmicas e discursos didáticos. O material propõe-se, acima de tudo, a ensinar aos homens "o Caminho" '(Tao, no chinês). Idéias: 1. A Realidade Última está acima da intelecção humana, mas os homens têm criado nomes e descrições que dão alguma idéia sobre a mesma. A Realidade Ultima e Sem Nome é Tao (ver o artigo separado sobre esse assunto). Aquilo que pode ser chamado por algum nome é chamado ser, conforme o conhecemos; aquilo que não pode ser nomeado é chamado não-ser, em termos humanos, mas é chamado superares, em termos teológicos, embora o taoísmo não use essa descrição. O que se quer dizer é que a verdadeira realidade é inteiramente outra, não estando sujeita a exame por parte da intelecção humana. Apesar do taoísmo ser acusado de ser uma religião impessoal e panteísta, o próprio uso desses termos não pode ser levado muito a sério; depois de já termos sido informados de que a Realidade Ultima está acima de nossa compreensão. 2. A tarefa do verdadeiro homem sábio consiste em ensinar a seus semelhantes para que atinjam o Tao, sem a ajuda de palavras e de nomes relativos ao ser. O indivíduo

é iluminado e sente que foi transformado pela realidade. Obtém assim um espírito constante, tranqüilo e iluminado. É encorajado a rejeitar as vidas frenéticas das pessoas comuns. Através de uma espécie de inatividade mística e pacífica, sua alma aprende acerca do super-ser. 3. As descrições conferidas ao Tao são: invisível, inaudível, sutil, sem forma, infinito, sem limites, vago, fugidio e não-ser (o contrário do que entendemos com o termo "ser"). No entanto, através de experiências místicas e intuitivas, é que os homens obteriam a eternidade em suas vidas presentes, porquanto a eternidade manifesta-se através dessas experiências. 4. O yin precisa tomar-se objeto de nossa atenção. Esse é o aspecto passivo, feminino da realidade. O yang é o lado masculino e agressivo da realidade; e no mesmo estão envolvidas quase todas as pessoas. O yin é harmonioso, dócil, maleável, tranqüilo, submisso, espontâneo e fraco. Quando alguém adquire essas qualidades, toma-se um mestre. Os mestres não são aquelas pessoas agressivas que pisam sobre seus semelhantes para se levantarem, e muito menos os poderosos que abusam de outras pessoas e as matam. Mediante as experiências intuitivas e místicas, o indivíduo aprende a acompanhar a Natureza, a qual é harmônica e pacífica. 5. O líder do povo deveria ser o maior seguidor do Caminho entre os homens, mas é raro encontrar um líder dessa qualidade. Quando um rei é cego para o Caminho então há contendas, desarmonia e guerras. Mas, se um rei segue o Caminho, o povo também acabará seguindo o mesmo, e todos tomam-se prósperos por seus próprios esforços, sem a interferência do Estado. Se o confucionismo dispunha de um elaborado código, um caminho dificil, controlado pela sabedoria, o taoísmo prefere o método do quietismo e das experiências místicas. 6. Tao é o equivalente chinês do Lagos. A ele todos chegarão; nele tudo consiste; a ele todos retomarão. TAPUA No hebraico, "maçã". Esse foi o nome de um homem e de duas cidades, nas páginas do Antigo Testamento: 1. Um descendente de Hebrom (I Cor. 2:43), que, provavelmente, deu seu nome a uma cidade próxima de Hebrom. Havia uma Bete-Tapua naquela área em geral, conforme se vê em Jos. 15:53. Ele viveu por volta de 1500 a.C. . 2. Uma cidade na fronteira norte do território de Efraim, a oeste de Siquérn (Jos. 15:32; 16:8; 17:8). Provavelmente é a mesma que, modernamente, se chama Sheikh Abu Zarad. 3. Uma das cidades a oeste do rio Jordão, cujos reis foram derrotados pelos israelitas, sob as ordens de Josué (Jos. 12:17). Talvez seja a mesma cidade acima, sob o número "dois". Aparece, na lista de Jos. 12:7-24, entre Betel e Hefer. TAQUEMONI O sentido desse nome é desconhecido no hebraico. Era o nome do primeiro dos heróis de guerra de Davi. Ele é mencionado com esse nome somente em II Saro. 23:8. No entanto, nossa versão portuguesa diz que Taquemoni foi o pai de Josebe-Bassebete, que teria sido o primeiro dos heróis de Davi, e não seu pai. Estranho é que há versões que dizem "Taquemoni... o mesmo era Adino...", em II Sam. 23 :8. Em I Crô. 11:11, O trecho paralelo diz: ..Jasobeão, hacmonita, o principal dos trinta .." Portanto, há considerável indecisão no texto, conforme o encontramos em nossa Bíblia portuguesa e em outras versões. Por isso mesmo, alguns estudiosos pensam que está envolvido um erro de copista, onde uma letra hebraica teria sido confundida com outra,

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TARALA - TARGUM especialmente no caso de I Crô, 11:11. Viveu em cerca de 1048 a.C.

TARALA No hebraico, "poder de Deus". Uma cidade que ficava no território de Benjamim (Jos. 18:27). Ela aparece, em uma lista, entre Ispreel e Zela. Provavelmente ficava localizada na região montanhosa, a noroeste de Jerusalém. Atualmente, seu local exato é desconhecido.

TARDE Vem do hebraico, com o sentido de fim do dia (Juí. 19:8). Incluía a quinta e a sexta divisões do dia. Os hebreus computavam o dia das 18:00 horas às 18:00 horas, dividindo-o em seis períodos de igual duração: romper do dia; manhã; calor do dia, começando cerca das 9:00 horas; meio-dia; frescor do dia, tarde. O frescor do dia correspondia ao final de nossa atual tarde. Tinha esse nome porque, no oriente, o vento começava a soprar poucas horas antes do pôr-da-sol, continuando até descer à noite. Grande parte dos negócios do dia eram realizados durante esse período. (Ver Gên. 3:8 e Juí, 19:8 - no primeiro trecho temos "viração do dia"; e no segundo, "declinar do dia", em nossa Bíblia portuguesa).

TAREIA No hebraico vôo. Bisneto de Jônatas, filho do rei Saul. O pai de Taréia foi Meribe-Baal mencionado em I Crô. 8:35 e 9:41. Viveu por volta de 1000 a.C.

TARGUM I. Nome 11. Caracterização Geral 111. Targuns de Várias Porções das Escrituras IV. Usos dos Targuns

I. Nome Targum é a palavra hebraica que significa "tradução", mas na prática traduções, paráfrases e comentários do Antigo Testamento têm sido assim chamados. Aplicando o sentido amplo do termo, o mais importante dos Targuns foi a Septuaginta ou a versão grega da Bíblia hebraica. 11. Caracterizaçlo Geral Os Targuns tinham o objetivo de beneficiar no exílio os judeus que haviam esquecido o hebraico ou que tinham pouca habilidade com ele. Este foi certamente o caso da Septuaginta que serviu aos judeus da Diáspora. Mas essas traduções também eram muitas vezes paráfrases e comentários daquele texto iluminado, não meramente traduções. Os primeiros Targuns estavam em aramaico. Então veio a poderosa Septuaginta, (tradução dos Setenta que era assim chamada, pois, presumivelmente, era o trabalho de setenta estudiosos judeus da Alexandria). Outro Targum grego foi o de Aquila do segundo século a.C, Ele foi um prosélito da fé hebraica que nutria grande interesse na Bíblia hebraica e queria compartilhar dela com o povo que falava grego. Em um momento posterior, sua tradução foi vertida para o aramaico e tomou-se, por um período, o texto oficial na Babilônia. Mais tarde o trabalho dele também foi empregado na Palestina para ajudar aqueles que conheciam pouco hebraico clássico para compreender sua própria Bíblia. Essa tradução foi o Targum Onkelos. O uso mais restrito deste termo se refere a um grupo de traduções aramaicas do Antigo Testamento. Na prática, essa definição mais restrita passou a dominar os estudos da Bíblia e é aquela que é empregada no restante deste artigo.

O fenômeno do Targum ilustra uma verdade óbvia a qualquer um que lida com literatura: trabalhos importantes apenas podem cumprir com seu potencial quando são traduzidos e disponibilizados a outros povos. 111. Targuns e Várias Porções das Escríturas Antes da época de Cristo, o aramaico passou a ser a língua comum da comunidade judaica e assim tomou-se necessário primeiro ler o hebraico (pois teria sido impossível para o povo abandonar sua Bíblia histórica) e então fazer com que uma segunda pessoa lesse o aramaico da mesma passagem que havia sido lida Também eram fornecidas explicações, que incluíam paráfrases e comentários, e parte disso começou a integrar o Targum e a tradição. Até o final do segundo século d.C., ou no início do terceiro, em muitas sinagogas, foi abandonado o serviço duplo, que consumia muito tempo, usava-se apenas a versão em aramaico, sendo esse o idioma que o povo compreendia. Esse foi o equivalente ao abandono, por parte da Igreja Católica Romana, da missa em latim. Em locais fora da Palestina, onde outros idiomas eram falados, os Targuns deixaram de ser usados nos cultos, e outros idiomas eram usados para explicar as Escrituras por homens que, em particular, continuavam a usar os Targuns. Esse "modernismo" horrorizou muitos rabinos que continuavam a estudar o Antigo Testamento em seu idioma original e as traduções e paráfrases em aramaico. I. Do Pentateuco. O Targum de Onkelos era o mais conhecido dos Targuns daquela parte das Escrituras. Originário da Palestina, cópias dele foram levadas à Babilônia. É mais literal (mais próximo ao hebraico) do que os Targuns que o seguiram. O trabalho contém, contudo, algumas idéias distintas e comentários que promovem a interpretação messiânica de Gên. 49.10 e Núm. 24.17 e existe em número relativamente grande de cópias. 2. Dos Profetas. O melhor desses é aquele atribuído a Jônatas Ben Uziel, estudante do famoso rabino Hilel. Depois houve aquele chamado de Pseudo-Jônatas, que também continha o Pentateuco. Esse trabalho posterior fornece uma interpretação messiânica das passagens do Servo do Senhor de Isa. 52.13 ·53.12, mas declarações que se referem a seu sofrimento são excluídas, ou se faz com que elas se relacionem a Israel, não a seu Messias (o próprio Servo). 3. Da Hagiografia. O termo Hagiografia (do grego, para escritos sagrados) aplica-se à terceira seção do Antigo Testamento, sendo a primeira a lei, e a segunda os profetas. A terceira seção inclui o seguinte: Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras, Neemias e I e II Crônicas, totalizando 13 livros. Os Targuns que tratam desses livros são um tanto recentes, mas alguns deles, ou partes deles, podem remeter a outros mais antigos que agora estão perdidos. O Ta/mude referese a um Targum sobre Jó que não existe hoje. Parece ter surgido durante o primeiro século a.C, Um fragmento de tal Targum (não ne-cessariamente aquele mencionado pelo Talmude) estava entre os manuscritos descobertos em Qumran. Ver os artigos Mar Morto, Manuscritos (Rolos) na Enciclopédia de Bíblia, Teologia de Filosofia.

IV. Usos dos Targuns 1. Os textos dos Targuns muitas vezes são livres demais para ser de uso para crítica textual. Isto é, eles não podem ser usados com muita freqüência para ajudar a determinar as leituras originais da Bíblia hebraica. 2. São úteis, contudo, para compreender a interpretação da ~íblia h~braica pelos rabinos que, através do século, ensinavam ISSO. 3. Embora contenham alguns erros históricos e

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TARPELITAS - TARSO anacronismos, às vezes os Targuns dão informações valiosas sobre os significados de antigas palavras hebraicas que de outra forma poderiam ter continuado desconhecidas a nós. 4. O maior serviço dos Targuns foi o de trazer o significado da Bíbliahebraica a povos que não mais falavam ou conseguiam ler o hebraico clássico (bíblico). 5. Os Targuns abriram ainda outra janela ao estudo do Antigo Testamento. TARPELITAS Esse grupo de gente é mencionado exclusivamente em Esd. 4:9. Há pelo menos duas opiniões acerca da identificação deles. Uma delas é que esse pode ter sido o título de certos oficiais persas. Essa opinião é difícil de ser sustentada, pois todos os outros nomes que aparecem nesse versículo - dinaítas, afarsaquitas, afarsitas, arquevitas, babilônios, susanquitas, deavitas e elamitas -representam grupos étnicos. A outra opinião é que seria esse o nome de algum povo ou população que os babilônios haviam transportado para ocupar a cidade de Samaria Mas, quando esse ponto é admitido, novamente surgem dificuldades de identificação. Há quem se confesse ignorante quanto à procedência deles, embora haja outros estudiosos que arriscam dizer que seria alguma tribo assíria, de Tapur; a leste do Elão, ou de Tarpete, nos alagadiços maeóticos. Seja como for, essa gente toda foi transportada para Samaria em 678 a.C. TÁRSIS No hebraico, "duro" segundo a opinião de alguns estudiosos. No Antigo Testamento, esse é o nome de três personagens, de uma cidade ou região e de um tipo de embarcação, conforme se vê abaixo: 1. Um filho de Javã, e bisneto de Noé, através de Jafé (Gên. 10:4 ss). E talvez, também uma nação fundada por ele ou seus descendentes (Isa. 66: 19). O seu nome também é mencionado em I Crô. 1:7. Os estudiosos pensam que a maioria dos nomes que aparece na tabela das nações, no décimo capítulo de Gênesis, refere-se tanto a indivíduos como a grupos que se formaram em tomo desses indivíduos, dos quais descendiam, direta ou indiretamente. Társis, pois, é considerado genitor de um dos povos mediterrâneos. Alguns eruditos pensam que os seus descendentes seriam os tirsenoi, que habitaram na porção ocidental da península itálica. Mas outros identificam-nos com habitantes da península ibérica, podendo ser identificados com os tartessianos. Ver sobre Tartesso, no quarto ponto, abaixo, e no artigo com esse título. 2. Um bisneto de Benjamim, filho de Bilã (I CrÔ. 7: IO), que se tomou um epõnimo de uma família benjamita. Viveu em torno de 1600 a.C. 3. Um dos sete príncipes da Média e da Pérsia, ao serviço de Xerxes (Est. I: 14). Tinha o direito de acesso ao monarca a qualquer momento em que o quisesse fazê-lo. Viveu por volta de 520 a .c. 4. Uma cidade do extremo ocidental do mar Mediterrâneo, nas proximidades do penhasco de Gibraltar, na Espanha. Era um grande entreposto de comércio com metais (ler. 10:9~ Eze. 27: 12). Tem sido considerada idêntica a Tartesso (vide), acerca da qual Heródoto escreveu (4.152), e que foi a cidade para onde Jonas pretendia fugir (Jon. 1:3~ 4:2). Uma inscrição fenícia, do século IX a.C., encontrada em 1773, na ilha de Sardenha, diz que havia uma cidade de Társis nessa ilha. Navios de Társis (ver o quinto ponto, abaixo) chegavam até ali, partindo de Eziom-Geber (vide). 5. Certas embarcações, grandes e bem construídas,

chamadas na Bíblia de "navios de Társ is ", são mencionadas por dez vezes no Antigo Testamento: I Reis 10:22; 22:48; II Crô. 9:21; Sal. 48:7~ Isa. 2:16; 23:1,14; 60:9 e Eze. 27:25. Esses navios têm deixado os estudiosos perplexos. Essas passagens envolvem navios e portos. Assim foi que Hirão, rei de Tiro, mantinha em Eziom-Geber (atual TeU el Kheleifeh), no alto do golfo de Ácaba, uma refinaria de metais e um estaleiro de navios. Dali, ele e Salomão, seu sócio no empreendimento, operavam navios de Társis. Talvez houvesse outros portos que operavam com navios de Társis, mantidos pelos fenícios na ilha de Sardenha, no sudoeste da Espanha (Tartesso), e, talvez no Oriente Próximo, de onde podiam ser reembarcadas mercadorias trazidas até ali da India (11 Crô. 9:21), para outras regiões. Nessa conexão, a expressão "navios de Társis" nada diz no tocante a algum destino, e nem significa , "pertencente a Társis" ou que "negocia com Társis", Antes, o que está em foco é a natureza das embarcações, o seu tamanho e a sua capacidade de enfrentar mar alto, idéias essas que transparecem em passagens como Sal. 48:7; Isa. 2:16~ 23: 1~ Eze. 27:25. Outras referências bíblicas, como, por exemplo, Eze. 38: 13 e Sal. 72: 10, embora envolvam a idéia de alguma cidade, sugerem que os navios de Társis fossem uma espécie de símbolo do comércio e dos negociantes da área do mar Mediterrâneo, que eram bem conhecidos nas águas desse mar e do mar Vermelho, e que transportavam mercadorias de grande valor. A lista genealógica do décimo capítulo do livro de Gênesis, em conexão com I Crônicas 1:7, dá a entender que esses navios especiais de Társis negociavam com as ilhas gregas. Esse comércio, que foi efetuado nos séculos VII e VI a.C., foi comentado por Heródoto (1. 163 e 4.152). TARSO I. Nome e Situação Geográfica No grego, Tarsós. A cidade de Tarso (moderna Tersous) ficava situada na planície ciliciana, às margens do rio Cidno, cerca de dezesseis quilômetros da beira-mar. Ali ficava um dos centros da civilização, ao longo daquelas costas marítimas, antigamente sal-picada de instalações piratas. Um cálculo feito com base na grande extensão de suas antigas ruínas, sugere que Tarso já tenha contado com cerca de meio milhão de habitantes. Para a época, isso representava uma considerável população. O curso inferior do rio Cidno era plenamente navegável, o que significa que Tarso operava como um porto de mar. Esse porto fora habilidosamente construído, em um lago entre a cidade e o mar. Diom Crisóstomo, ao falar em Tarso, em 110 d.C., referiu-se ao orgulho dos cidadãos daquela cidade, com um toque de ironia, porquanto criticava todas as disposições ambientais do lugar. Na verdade, entretanto, os habitantes de Tarso muito se ufanavam dessas condições de sua cidade. Eles tinham criado aquele meio ambiente, utilizando-se do rio para atendimento de suas necessidades, e tendo construído uma "cidade não insignificante", no dizer de Paulo (ver Atos 21 :39), apropriando-se de uma expressão usada por Eurípedes, o grande dramaturgo, ao referir-se à sua própria cidade de Atenas (Eurípedes, Ion 8). As comunicações terrestres da cidade envolviam uma engenharia igualmente notável. Cerca de quarenta e oito quilometros terra adentro, de Tarso, ficava a grande barreira das montanhas de Tarso, cortada por um profundo passo, conhecido como Portões Cilicianos. Os habitantes de Tarso haviam feito passar por essa estreita passagem

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Os Port천es de Tarso , Montanhas Tauros Cortesia, Levant Photo Service


Estrada de Mรกrmore. Bfeso. Cortesia. Matson Photo Service


TARSO - TART Ã uma de suas principais estradas. Virtualmente, portanto, a cidade ficava às margens do Mediterrâneo, numa de suas regiões onde a civilização se mostrava das mais brilhantes, devido à mescla de culturas diversas. Ali encontravam-se o Ocidente e o Oriente, ao mesmo tempo que os interiores estavam abertos aos negociantes de Tarso. Por seus próprios esforços, os habitantes de Tarso tinham feito de sua cidade um ponto pivô de comunicações. 2. Origem da Cidade Tarso foi fundada já perto do segundo milênio a.C., mas seus primórdios estão envoltos em obscuridades. Um certo Mopsus é considerado um de seus fundadores. Esse nome parece ser de origem grega. É uma sugestão tão boa quanto qualquer outra que gregos jônicos, famosos por seu dinamismo, cujas colônias pontilhavam as margens ocidentais da Asia Menor, também tenham chegado à Cilícia, unindo-se a alguma população primitiva, às margens do rio Cidno. 3. Na Tabela das Nações Na tabela das nações (Gênesis 10), Javã certamente corresponde aos gregos jônicos; e Társis, que aparece vinculado a ele, nesse contexto pode referir-se a Tarso. Não há certeza quanto a isso, mas tal possibilidade de forma alguma elimina outras interpretações sobre a palavra "Társis", em outros contextos do Antigo Testamento. Todos aqueles que têm procurado lançar luz sobre os primórdios de Tarso têm-se referido a essa possibilidade. 4. História a.c. No entanto, não é possível oferecer uma história contínua dessa cidade, até mesmo quando chegamos na época em que se começou a fazer a história do Mediterrâneo oriental. Só há informes esparsos, um pouco aqui e um pouco ali. Para exemplificar isso, o conquistador assírio, Salmaneser Ill, cujo reinado sangüinário pode ser datado entre 859 e 824 a.C., o mesmo monarca que escreveu as palavras "Jeú, filho de Onri", em seu obelisco Negro, atualmente no Museu Britânico, fez uma rápida e superficial alusão a Tarso, no registro de suas agressões e conquistas militares. Depois disso, há quatro séculos destituídos de qualquer informação a respeito de Tarso. Só se obtém alguma informação já referente ao ano 401. a.C. Nesse tempo, a Assíria e a Babilônia tinham deixado de ser impérios, e a Pérsia governava uma imensa área de terras, desde o rio Indo até às margens do mar Egeu. Nessa época, Tarso era governada por um rei títere de nome Sienesis, Esse fato é noticiado em um livro famoso e de grande significação, o Anábasis, de autoria de Xenofonte, aquele soldado, aventureiro e escritor ateniense. Meio século mais tarde, o relato deixado por Xenofonte, que partira como parte de um exército desde o coração do império persa, até Tarso, revelou, ao jovem Alexandre da Macedônia, um ponto de fraqueza inerente dentro do vasto sistema dos persas. Alexandre aplicou a lição ali aprendida e atacou a Pérsia. E, ao atravessar a Cilícia, com o seu exército, encontrou ali um governador persa (334 a.C.). Moedas cunhadas nesse período também lançam alguma luz sobre essa época. Nessas moedas, antes da época de Alexandre, os motivos orientais eram os dominantes, sugerindo que a influência grega ali fosse débil. Mais tarde, porém, a forte presença grega, evidenciada nessas moedas, revela que Tarso fora firmemente integrada no regime selêucida da Síria, após a divisão em quatro do ex-império de Alexandre. Por essa altura dos acontecimentos, a Tarso onde Paulo nasceu e se educou, estava tomando forma.

5. Tempos Romanos e Depois A região foi governada a princípio, pelos governantes selêucidas, como uma província, segundo o padrão das satrapias persas (vide), com o intuito de desencorajar a tendência habitual dos gregos para formarem cidades-estados independentes. Mas isso foi rudemente interrompido com o inevitável choque com os romanos, que vinham avançando, cada vez mais, naquela direção, ao mesmo tempo em que os sírios procuravam reconquistar, para o Ocidente, regiões que antes tinham estado sob a sua hegemonia. Quando Antíoco foi derrotado pelos romanos, a cidade de Tarso tomou-se parte de uma província romana tampão, de fronteira. Isso posto, ela pôde absorver as influências orientais e ocidentais, ao mesmo tempo, dali por diante. a. Paulo e Tarso Paulo, em sua juventude, embora de etnia judaica, foi um produto natural dessa cidade cosmopolita. Em sua epístola aos Gálatas, Paulo deixa entendido que não foi por acaso que Tarso fora o lugar do nascimento de um homem dotado de um chamamento missionário como o dele. Seu meio ambiente talhou-o para esse propósito. Um missionário cristão enviado aos gentios teria de ser um judeu, imbuído do Antigo Testamento e seus grandes ideais; mas também precisava ser um grego quanto à cultura, capaz de interpretar uma teologia nascente segundo as formas do pensamento helênico, e também capaz de exprimir o que tinha a dizer no riquíssimo idioma grego, a segunda língua de todos os homens que viviam desde a Itália até o golfo Pérsico. Mas, em terceiro lugar, era mister que ele fosse um cidadão romano, no sentido mais autêntico, que compreendesse o gigantesco sistema daquele império e as oportunidades que o mesmo oferecia. Nenhum outro homem, daquela época histórica, combinava essas características de maneira tão harmoniosa quanto Paulo de Tarso. Paulo era um judeu, treinado pelo notável mestre da lei, Gamaliel. Sabia pensar e falar como um grego, citando poetas nativos da Cilícia, diante dos intelectuais de Atenas e escrevendo documentos sagrados (suas epístolas) em um grego vigoroso. E, por nascimento, era um cidadão romano, o que o punha a salvo de maiores abusos da parte de governantes locais, que quisessem persegui-lo por motivos religiosos, em face de sua pregação sobre o Cristo. b. Atenas do Mediterrâneo Pouco antes da época de Paulo, Tarso tinha atravessado um brilhante período de sua história, quando ela se tomou a Atenas do Mediterrâneo oriental, uma cidade universitária, para onde convergiam homens de erudição. Também era a cidade natal de Atenodoro (74 a.C.-7 d.C.), o respeitado mestre do próprio César Augusto. Ali também era a sede de uma escola de filósofos estóicos, o que estimulava e desafiava qualquer mente brilhante para desenvolver-se, aprender a pensar e aprender a debater. A fundação da Igreja cristã de Tarso, provavelmente, foi obra de Paulo. Muitas das dificuldades por ele experimentadas, alistadas por ele na passagem autobiográfica de II Coríntios 11:24-27 - os perigos e as aventuras - ocorreram na Cilícia - na sua própria cidade de Tarso, nos interiores e nas áreas marítimas das cercanias. TARTÃ

Vem do acádico, um idioma semita, tartanu, de significação desconhecida. Nas listas assírias, um "tartã" aparece como um elevado oficial, inferior somente ao próprio monarca. Esses oficiais figuram desde os tempos de Adade-Nirari lI, Salmaneser Ill, Tiglate-Pileser Ill, Sargão II e Senaqueribe. Eram generais de exército.

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TARTAQUE-TATUAGEM Nas páginas do Antigo Testamento dois desses "tartãs" são mencionados. O primeiro deles foi enviado pelo rei assírio Sargão lI, a fim de capturar a cidade de Asdode (Isa. 20:1); e o segundo deles foi enviado por Senaqueribe, juntamente com outros oficiais, Rabe-Saris e Rabsaqué (vide), exigindo a rendição de Jerusalém (11 Reis 18:17). Nas traduções em geral (incluindo a nossa versão portuguesa) há considerável confusão quanto a esses títulos, onde aparecem como se fossem nomes próprios de indivíduos, e não títulos nobiliárquicos. Ver também os artigos sobre Rabe-Saris e Rabsaqué. TARTAQUE No hebraico, "herói das trevas". Uma divindade e um ídolo adorado pelos aveus, aos quais Salmaneser removeu para Samaria. Esse deus pagão só é mencionado em 11 Reis 17:31. Interessante é observar que, nos anais assírios, nenhuma divindade com esse nome éjamais mencionada. Porém, é possível que o nome "Tartaque" seja uma corruptela de Atargatis, uma divindade adorada na Mesopotâmia. Os aveus também trouxeram consigo outro ídolo, chamado Nibaz, que os estudiosos dizem que tinha a forma de um asno. Esses e outros ídolos, que os pagãos transportados para Samaria trouxeram consigo do Oriente, faziam parte do culto místo dos samaritanos, que temiam ao Senhor Deus, mas também tinham suas divindades pagãs particulares. Por causa disso mesmo é que os samaritanos sempre foram vistos com maus olhos pelos judeus, pois o culto samaritano era um misto de noções religiosas certas e erradas, constituindo um perigoso rival do culto judeu monoteísta. TÁRTARO De acordo com a mitologia grega, o tártaro era o abismo, existente por debaixo do hades, onde Zeus confinara os titãs. Ver o artigo geral sobre o Hades. O Tártaro personificado é um deus, filho de Aether (o ar) e de Gê (a terra). E seria o pai do gigante Tifeu. Aether gerou o gigante com sua própria mãe, Gê, Mas, quando está em foco um lugar, o conceito é de um abismo negro, que existiria muito abaixo da superficie da terra (no centro da terra), achando-se tão distante da superficie quanto a terra é distante do céu. Acima do tártaro estariam os fundamentos da terra e do mar. Estaria circundada por uma muralha de ferro, com portões de ferro levantados por Poseidon, e por uma tríplice espessa camada de noite. Servia de prisão ao destronado Crono e aos vencidos titãs, todos guardados pelos hecatonquires, os filhos de Urano, dotados de cem braços. Com a passagem do tempo o tártaro passou a ser considerado como um lugar que fica por baixo do hades, pior ainda que aquele lugar, uma miserável cena da condenação dos ímpios. Originalmente, o submundo, abrigaria fantasmas destituídos de mentalidade; mas, gradualmente, esses fantasmas tomaram-se verdadeiros espíritos, dotados de memória e consciência. Assim foi progredindo a doutrina do hades, tanto na cultura grega quanto na cultura hebréia. Ver também os artigos intitulados Sheol e Geena. A forma nominal, Tártaro, não se acha no Novo Testamento; mas sua forma verbal, tartaráo, encontra-se em 11 Ped. 2:4, que nossa versão portuguesa traduz como "precipitando-os no inferno" mas outras versões dizem: "precipitando-os no tártaro". O judaísmo helenista tomou a palavra emprestada dos gregos, concebendo o tártaro como um lugar parecido com a geena, como um segmento extremamente ruim do hades. No trecho de Enoque 20:2, o tártaro aparece como lugar de punição dos anjos caídos,

com paralelo em Apo. 12:4, embora a palavra "tártaro" não seja empregada nessa passagem bíblica. Mas, se nos mitos gregos, o tártaro era pior que o hades, não parece que 11 Pedro faz tal distinção. Está em foco o mesmo hades, posto que com o uso de um outro vocábulo. Mas o termo "tártaro" faz-nos ali lembrar da natureza horrenda do lugar do julgamento. Na literatura apocalípticajudaica, o tártaro sempre aparece como lugar de punição e desespero. Ver Filo, Êxo. 15:2; Josefo, C. Ap. 2,240; Orác. Síb. 2.302; 4,186 e Enoque 20:2. Esperança no Tártaro? O trecho de I Ped. 3:18--4:6 descreve uma missão de misericórdia e amor no hades, por parte de Cristo. Cristo tem tido três missões: a terrena; aquela no hades; aquela no céu. Todas as três são remidoras, e todas visam cumprir poderosamente o Mistério da Vontade de Deus (vide). Ver também os artigos Descida de Cristo ao Hades e Restauração. A leitura dos três artigos aqui mencionados confere ao leitor razões para crer que o amor de Deus atingiu, realmente, o mais baixo inferno, tal como também entoa certo hino. TASSI No grego, Thassi. Esse era o sobrenome de Simão Macabeu, um dos cinco filhos de Matatias (I Macabeus 2:3). Após conseguir a independência dos judeus, ele tornou-se o fundador da dinastia dos Macabeus. Não há certeza quanto ao sentido desse sobrenome, embora alguns opinem que talvez signifique zeloso. TATENAI Seu nome, em grego, era Sisinnes que aparece em I Esdras 6:3 e 7: I. Com esse nome, Tatenai, aparece na Bíblia somente no livro de Esdras (5:3,6; 6:6,13). Ele era um governador persa, sucessor de Reum, durante o reinado de Dario Histaspes, da Pérsia, no tempo de Zorobabel. Tatenai governava o distrito de Samaria, ao passo que Zorobabel era o governador da Judéia. Tatenai investigou e apresentou relatório encorajador à questão da reconstrução da casa de Deus, em Jerusalém, ao rei Dario. Em uma inscrição cuneiforme, proveniente da Babilônia, datada de 5 junho de 502 a.c., Tatenai é chamado de "Tatenai do distrito daquém do rio", o que pode ser confrontado com o que se lê em Esd. 5:6: (Tatenai, o governador daquém do Eufrates). T ÁTIM-HODSI, Parece ter sido nome de um distrito localizado entre Gileade e Dã-Jaã, Esse distrito foi visitado por aqueles que faziam o recenseamento em nome de Davi, rei de Israel (11 Sam. 24:6). O texto é incerto, e o local não é mencionado em qualquer outra passagem bíblica. Algumas traduções especulam sobre o que esse nome significaria. Assim, a RS V e a nossa versão portuguesa dizem "até Cades na terra dos heteus", isto é, Cades sobre o Orontes, até onde se estendia o reino de Davi, no máximo de seu poder. TATUAGEM Essa palavra portuguesa vem do taitiano tatau, a reduplicação da palavra ta, que significa "marca", "sinal". Está em foco uma marca indelével, feita mediante técnicas próprias, picando a pele e inserindo algum pigmento sob a mesma. Embora, provavelmente, não haja nenhuma alusão direta à técnica da tatuagem, nas páginas da Bíblia, essa tem sido considerada uma interpretação possível em cinco situações aludidas na Bíblia, a saber:

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TATUAGEM - TAXAÇÃO 1. Oth, "sinal". Palavra usada por setenta e nove vezes no Antigo Testamento, conforme se vê, por exemplo, em Gên. 1:14; 4:15; Exo. 4:8,9,17,28,30; Núm. 14:11; Deu. 4:34; 6:8,22; los. 4:6; luí. 6: 17; I Sam. 2:34; II Reis 19:29; Nee. 9:10; Sal. 74:4,9; Isa. 7:11,14; 8:18; Jer. 10:2; Eze. 4:3; 20: 12,20. O termo grego correspondente é semeion, "sinal", usado por quarenta e oito vezes, conforme se vê, por exemplo, em Mat. 12:38; Luc. 2: 12; João 2: 18; Atos 2:19,22,43; Rom. 4:11; I Cor. 1:22; 11 Cor. 12:12; II Tes. 2:9; Heb. 2:4; Apo. 15:1. 2. Chaqaq, "gravação". Com esse sentido, é usada por duas vezes: Isa. 22: 16 e 49: 16. Na última dessas referências, a idéia é que, gravando os nomes de Seu povo em Sua mão, jamais se esqueceria deles. 3. Seret, "incisão", "corte". Essa palavra só aparece em Lev. 19:28, onde se lê; "Pelos mortos não ferireis a vossa carne; nem fareis marca nenhuma sobre vós: Eu sou o Senhor". O termo seret é traduzido ali como "ferireis", Isso parece ser uma clara proibição do uso de tatuagens, entre os judeus. Uma das mais horrendas tatuagens eram aqueles números que os nazistas tatuavam no braço dejudeus que estavam condenados a morrer nos campos de concentração, onde foram mortos seis milhões de israelitas, a mando de Hitler e sua infame camarilha. 4. Charagma, "impressão", "marca impressa". Esse termo grego aparece por oito vezes: Atos 17:29; Apo, 13:16,17; 14:9,11; 16:2; 19:20; 20:4. Na primeira dessas referências temos a palavra "trabalhados", o que é uma tradução lícita. Em todas as referências do livro de Apocalipse está em foco algum tipo de marca que o futuro anticristo exigirá da parte de seus seguidores. Diz Apocalipse 13: 17: " ...para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta, ou o número do seu nome". Uma incrível sanção financeira, uma ditadura como nunca terá havido igual no mundo. Ninguém sabe, entretanto, no que consistirá a tal "marca", a menos que pensemos em uma sigla formada pelas letras gregas correspondem ao número "666". 5. Stigma, "ponto", "marca". Palavra grega usada somente em Gál. 6: 17, onde o apóstolo Paulo diz: "Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus". Alguns têm pensado que estariam em foco o que, na Igreja Católica Romana, é chamado de "estigma", marcas semelhantes a marcas deixadas pelos cravos, nas mãos de Jesus, e que teriam aparecido em alguns "santos" católicos romanos. Mas Paulo não estava falando sobre coisas assim. Antes, ele havia ficado marcado pelos sofrimentos, sofridos pela causa de Cristo, que tinham deixado sinais indeléveis em seu corpo quebrantado pelas asperezas da caminhada de um apóstolo de Cristo. Alguns têm pensado que o trecho de Lev.19:28 (ver o ponto terceiro, acima,), sem dúvida, alude à prática da tatuagem. Mas, embora algumas versões estrangeiras tenham traduzido o vocábulo hebraico seret, ali usado, por "tatuar", os estudos feitos quanto aos costumes de lamentação e luto pelos mortos indicam freqüentes associações de cortes feitos no corpo ou pinturas com o raspar dos cabelos, mas nunca com tatuagens, que se revestem de outro sentido. Por semelhante modo, qualquer situação retratada nas Escrituras que possa ser interpretada como indício da prática das tatuagens tem base meramente conjecturai, e não se escuda sobre qualquer inferência etimológica ou etnológica.

TAU A vigésima segunda letra do alfabeto hebraico. Na

Bíblia em hebraico, a vigésima segunda seção do Salmo 119 começa com essa letra. Visto que os hebreus não tinham algarismos para representar os números, representando-os por meio de letras, como também faziam os gregos e os romanos, embora usassem sistemas diferentes, essa letra representava o número quatrocentos. TAULER, JOÃO Suas datas foram 1300-1361. Foi um místico alemão, influenciado por Eckhart. Foi frade dominicano educado nas escolas da ordem, em Estrasburgo e Colônia. Tomou-se orador e escritor eloqüente, cujos sermões são considerados entre as mais nobres expressões do idioma alemão. De modo geral, ele seguia o neoplatonismo, mas acreditava que a retorno a Deus requer o dom da graça vinculado à automortificação. TAUTOLOGIA Uma definição léxica dessa palavra é "uma repetição desnecessária de uma mesma idéia, com o uso de diferentes palavras; pleonasmo" (WA). Algumas tautologias são sutis e atraem a atenção somente dos gramáticos, como: "Ele está escrevendo a sua própria autografia". O grego por trás dessa palavra é tauto, o mesmo. Portanto, uma tautologia repete um pensamento. Na lógica, uma tautologia é uma proposição que é verdadeira em virtude de sua própria forma. A matemática é uma forma de tautologia. E alguns pensadores supõem que toda definição seja uma tautologia. Uma tautologia é necessariamente veraz, mas a verdade envolvida pode ser trivial. Tillichconsiderava tautológicos todos os produtos da razão autônoma. E Wittgenstein dividia as proposições significativas em duas classes: aquelas que exprimem fatos e aquelas que exprimem tautologias. Uma tautologia é veraz por causa de sua forma lingüística e lógica, e não porque corresponde a algo que existe no mundo real. TAV (TAU, ASSINATURA) No hebraico, tav, usualmente considerada como uma forma sintética de "tau", nome da última letra do alfabeto hebraico, mais um sufixo possessivo pessoal... Tem o sentido de "minha marca" ou "minhas iniciais". Aparece sem esse sufixo, no trecho de Ezequiel 9:4,6, onde nossa versão portuguesa, seguindo muitas outras, a traduz por "marca". Alguns estudiosos pensam que seria apenas uma espécie de "X", a forma de tau semita, de acordo com a primitiva escrita redonda. Em Jó 31:35, a única ocorrência do vocábulo sem o sufixo, refere-se a um documento legal, provavelmente um tablete de argila, sobre o qual a pessoa que se defendia ou contratava deixava impressa a sua marca. Nossa versão portuguesa diz ali "defesa assinada". TAXAÇÃO Há uma palavra hebraica e uma palavra grega envolvidas: 1. Arak. No "hifil", essa palavra tem o sentido de "taxar", por uma única vez: 11 Reis 23:35. O substantivo correspondente, erek, "avaliação", "taxação", também só ocorre por uma vez com esse sentido, nesse mesmo versículo. 2. Apographé, "registro". Essa palavra grega ocorre somente por duas vezes: Luc. 2:2; Atos 5:37. Em ambas as passagens, observa-se claramente que esse registro ou recenseamento era feito com o objetivo precípuo de cobrar certa taxa por cabeça. Não há que duvidar que os antigos governantes sabiam cobrar taxas e impostos. Chegavam a abusar quanto a isso, sobretudo no caso de nações

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TAYLOR - TEATRO militarmente conquistadas, a um ponto que chegou a ser vergonhoso. Nesta enciclopédia, reservamos os comentários mais completos a respeito no artigo intitulado Tributo (vide). TAYLOR, JEREMY Suas datas foram 1613 - 1667. Foi um teólogo inglês. Nasceu em Carnbridge, onde também educou-se e ensinou. Também foi professor, por algum tempo, em Oxford. Foi um notável eclesiástico, Foi aprisionado por diversas vezes. Passou alguns anos no País de Gales e na Irlanda. E acabou falecendo nesta última: Waldo Emerson chamou-o de "Shakespeare das divindades". Foi poderoso porta-voz em defesa da tolerância (vide) política e religiosa, embora poucos tenham sido tolerantes com ele. Taylor não acreditava que pudéssemos demonstrar logicamente as verdades divinas, e também ensinava que a teologia é uma vida divina a ser vivida, e não tanto um conhecimento a ser obtido. Por conseguinte, seria impossível acharmos harmonia e concórdia na teologia. E aqueles cuja teologia é diferente deveriam poder crer e viver sem temor à perseguição. Principais Escritos. A Discourse on the Liberty of Prophesying; The Rule and Exercises ofHoly Living; The Rule and Exercises ofHoly Dying; Twenty-Seven Sermons; Twenty-Five Sermons; The Real Presence, Unum Necessarium. TAYLOR, NATHANIEL Suas datas foram 1786 - 1858. Ele foi um teólogo norte-americano. Nasceu em New Milford, Estado de Connecticut. Educou-se em Yale. Foi ministro da primeira igreja de New Haven. Ensinou em Yale. Sua teologia, chamada taylorismo ou teologia de New Haven, tinha por intuito oferecer uma espécie de defesa do calvinismo, em oposição ao arminianismo e ao pelagianismo. Mas, sob exame, vê-se que ele defendia princípios arminianistas. Ele dizia que o homem "não somente pode se quiser, mas até pode se não quiser", enfatizando assim o poder do livre-arbítrio. Negava que qualquer decreto divino pudesse ter trazido o pecado ao mundo, e lançava toda a culpa disso ao exercício da livre agência humana. Também ensinava um Deus finito, como quando asseverava que Deus não foi capaz de impedir que entrasse no mundo a perversão resultante do pecado. Desse modo, ele procurava salvar Deus da responsabilidade pelo aparecimento do pecado, embora rebaixando até a finitude a divina onipotência. Seus antagonistas encaravam tal idéia como uma fatal concessão ao arminianismo, e com toda a razão. TAYLORISMO Ver sobre Taylor, Nathaniel. TEAR Ver o artigo sobre Fiação. A palavra tear acha-se somente por duas vezes no Antigo Testamento: Juí. 15: 14 e Isa. 38: 12. A arqueologia e as referências literárias têm demonstrado a existência de três tipos básicos desse instrumento. Um dos tipos jazia no chão, e a pessoa tecia laboriosamente, agachada. Os outros dois tipos eram armados verticalmente. O operador podia ficar de pé ou sentado, quando trabalhava com esses dois últimos tipos. Um dos tipos empregava um sistema de pesos para manter esticado o trabalho que estava tecendo, mediante a força da gravidade. O outro tipo dispunha de uma barra onde ficavam presos os fios, os quais podiam ser

mantidos esticados através de um giro periódico dessa barra. TEATRO I. Termo e Caracterizações Gerais 11. Teatros e a Cultura Hebraica 111. Teatros Grego e Romano IV. Herodes, o Grande V. Construções

I. Termo e Caracterizações Gerais A palavra teatro deriva-se de uma raiz grega que significa "visualizar", "olhar em". O theatron grego era um "local para olhar" o desempenho ou a representação de dramas. O teatro é uma das artes dramáticas, mas o local também era usado para jogos e contextos atléticos, não meramente para representações dramáticas. Ali também se realizavam reuniões públicas ou fóruns (Atos 19.29,31). Heb. 12.1 e sua metáfora da grande nuvem de testemunhas baseiam-se no tipo greco-romano de teatros, construídos para dar assento a milhares de pessoas. A vida espiritual é como uma corrida contínua no teatro de Deus, com antigos atletas e espectadores avaliando como "corredores de dias atuais" estão saindose. Regras regem a corrida e há prêmios a serem obtidos. Cf. Fi!. 3.12 ss. 11. Teatros e a Cultura Hebraica Jeremias desempenhou diversas peças dramáticas ante o povo, tais como o incidente da botija quebrada, para ilustrar a destruição de Jerusalém (Jer. 19.1 ss.); e a atuação de Yahweh com as duas cestas de figos (ler. 24.1 ss.). Ezequiel teve de comer um rolo no qual estava escrita a mensagem dejulgamento contra Judá (Eze. 2.83.3). Mas tais atos dramáticos eram representações individuais feitas sem um teatro ou elenco. Jó e Cantares são diálogos dramáticos, não peças de teatro, embora provavelmente algumas das partes de Cantares fossem lidas em festivais de casamento. Então, os hebreus eram um povo de canção e dança (Êxo. 15.20; II Sam. 6.16), mas isso não se transformava em shows, e os hebreus não construíram teatros. A dança religiosa pode ter sido, como dizem alguns, a origem das artes dramáticas. Sabemos que uma cerimônia religiosa e o drama eram realizados no Egito em honra a Osíris, deus do submundo e juiz dos mortos. 111. Teatros Grego e Romano Alguns teatros gregos eram tão-somente para entretenimento, mas muito estava envolvido em temas religiosos e morais. A tragédia grega era uma maneira de ver como os deuses são capazes de tentar os homens, e muitas vezes finalmente conseguem destruí-los com toques inexplicáveis de terror. Alguns teatros gregos lidavam diretamente com os deuses e seus atos, bons ou maus. Os festivais e dramas de Dionísio celebravam a sexualidade humana e muitas vezes acabavam em orgias de bebedeira e indulgência excessiva de prazeres sensuais. Menandro (342 a.C.) era um dramaturgo famoso que desenvolveu a arte a um grau impressionante. Os romanos eram, em sua maioria, grandes copiadores, não tendo nenhuma originalidade, exceto na questão da lei e da inovação militar. Eles perpetuaram a essência do drama e do teatro gregos nos locais distantes de seu império ao espalhar seu poder através de conquista militar. IV. Herodes, o Grande Este homem, de acordo com seu passado greco-

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TEATRO - TECER romano e posicionamento histórico, construiu muitos teatros. Entre eles estavam os de Jerusalém, Cesaréia, Damasco, Gadara, Filadélfia. Presumivelmente os judeus da Diáspora participavam desse aspecto das sociedades em que se haviam estabelecido. Locais onde Paulo fazia visitas tinham seus teatros: Atenas, Corinto, Efeso, Filipos e, claro, Roma. V. Construções Os primeiros teatros eram pouco mais do que círculos de dança com um altar localizado no centro. Tais teatros primitivos tinham de localizar-se nos pés dos montes, que forneciam uma arquibancada natural. Com o passar do tempo, as coisas se tornaram mais sofisticadas. Muitos teatros posteriores, contudo, apenas formavam semicírculos com assentos nas fileíras ao redor do "palco". O palco, que assumiu o local do altar anterior, era colocado no nível da fileira mais baixa. Os teatros então passaram a ser circulares e cada vez mais sofisticados. À medida que ficavam mais organizados, também aumentaram em tamanho. No segundo século a.c., aqueles que iam aos teatros romanos deviam trazer suas próprias cadeiras ou assentos de algum tipo. O senado romano fez uma lei contratai prática, que criava grande confusão. Em 154 a.c., um teatro era feito com assentos fixos, mas o senado ordenou que estes fossem destruídos por motivos de segurança. O primeiro teatro de pedra foi construído por Pompeu em 55 a.C. Outros teatros de pedra seguiram-se em diversos locais no Império Romano. Teatros romanos mais sofisticados tinham uma série de colunas ao redor do andar mais alto. Os assentos mais próximos aos palcos eram reservados para oficiais do governo ou outros líderes do povo, e diversas fileiras de "bons" assentos eram destinadas às camadas sociais mais altas. Depois desses indivíduos vinha o povo geral. As classes mais baixas eram colocadas nos níveis mais altos, de onde era inevitável uma visão ruim em um teatro grande. As entradas eram gratuitas, distribuídas apenas com fins de organização dos assentos. Depois apareceram os anfiteatros para competições de gladiadores e de atletismo, dando uma nova dimensão popular aos teatros (ver I Cor. 9.24-27; II Tim. 4.7).

TEBÁ No hebraico "grande", "forte". Esse foi o nome de um filho de Naor, irmão de Abraão, sua mãe era Reuma, concubina de Naor (Gên, 22:24). Uma tribo do mesmo nome descendia dele. Em I Crônicas 18:8, seu nome aparece com a forma de Tibate; e, no trecho paralelo de II Sam. 8:8, ele é chamado Betá, que também seria o nome de um lugar, mas de localização desconhecida. Tebá viveu por volta de 1860 a.c.

TEBAICA, VERSÃO Ver sobre Versões Antigas; Texto e Manuscritos do Novo Testamento.

palavra Dios polis. As versões dão No-Arnon, Moamom ou simplesmente No (ler. 46.25). A Versão Padrão Revisada em inglês dá "Amam de No" (Eze. 30.14-16). Os autores clássicos dizem-nos que a cidade era muito antiga, espalhando-se por duas encostas do Nilo. 2. Local. O local era (é) localizado no Egito Superior, onde hoje existe o Luxor moderno, ficando cerca de 600 km rio acima, isto é, ao sul do Cairo. 3. Detalhes. Na encosta direíta (leste) do rio, localizavamse os templos de Carnaque e Luxor. Na encosta esquerda (oeste) do rio, localizavam-se os templos do Goorna, Deirel-Bari, o Rameseum, os Colossos e o templo de Deir-elMedina, mais o de Medinet-Abou. Esses templos constituíam uma fileira de prédios funerários. Os templos em ambos os lados do rio continham (contêm) uma riqueza de afrescos e pinturas de valor incalculável para arqueólogos e historiadores. As obras ilustram o histórico de certos períodos do Antigo Testamento. O mais magnífico dos templos era o do deus Amum em Camaque, cujas ruínas figuram entre as mais significativas do Egito. Em outubro de 1899, nove colunas daquele grande templo ruíram, queda essa causada pela infiltração das águas do Nilo nas rochas. A cidade atingiu a proeminência durante a l P e 12" dinastias, uma época de unidade e prosperidade no Egito. Mas os grandes monumentos datam das 18" a 20" dinastias, que existiram por volta de 1550-1085 a.C, Após isso, a importância da cidade e da área diminuiu, tendo havido uma transferência de poder para o norte. Ainda assim, o local reteve sua importância religiosa até ser saqueado pelos assírios em 663 a.c. O profeta Naum (3.8) usou a imagem desse acontecimento para falar da própria queda da Assíria. Tanto Jeremias quanto Ezequiel ameaçaram o local com julgamento divino (ver Jer. 46.25 e Eze. 30.14-16). A cidade foi atacada pela Assíria no século 7 a.C. e finalmente esmagada por Roma em 30-29 a.C.

TEBES No hebraico, "avistada de longe", nome de uma cidade situada nas encostas e no cume de um morro, cercada por muitas cisternas, algumas das quais que ainda estão em uso. Na área, ainda em tempos modernos, pessoas vívem em cavernas subterrâneas nas rochas. As duas referências bíblicas ao lugar são JuL 9.50 e 11 Sam. 11.21. Era um local fortificado no território de Manassés, cerca de 15 km ao nordeste de Nablo. A cidade é lembrada pela história de Abimeleque, filho de Gideão, que, avançando contra o local (após muitas vitórias sangrentas em outros lugares), foi ferido mortalmente por uma mulher que jogou nele uma pedra de moenda do alto de uma torre. Ele próprio ordenou que seu portador de armas o matasse com a espada para que o povo não dissesse que ele havia sido morto por uma mulher. O incidente tornou-se proverbial, e Joabe referiuse a ele em seu relatório a Davi quando Urias, marido de Bate-Seba, morreu em batalha devido a um pré-acordo de Davi, que queria livrar-se dele (11 Sam. 11.21).

TEBETE TEBALIAS No hebraico, "Yahweh mergulhou". Esse foi o nome do terceiro filho de Hosa, que era um dos porteiros do templo de Jerusalém (ICrô. 26:11). Viveu em cerca de 1015 a.C.

TEBAS I. Nome. A palavra hebraica é uma transliteração do vocábulo egípcio Niwt-Imn, que significa "cidade de Amam". A Septuaginta traduz o egípcio fornecendo a

Nome do décimo mês do calendário judaico. Ver sobre Calendário.

TECER 1. Uma Arte Antiga. A arte de tecer é uma das ocupações e profissões mais antigas e conhecidas. Famílias (exceto dos ricos) teciam suas próprias roupas, coberturas e tendas. Os cananeus já eram habilidosos com este trabalho muito antes de os hebreus invadirem sua terra. A arte do tingir acompanhava a do tecer. Há evidências arqueológicas

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TECER - TECNOLOGIA de ambos os tipos de trabalho manual em Tel Beit Mirsim, Ugarite e Biblos em épocas muito remotas. Considere os trinta roupões de linho e as trinta mudas de roupas que Sansão foi obrigado a dar aos filisteus por ter perdido uma aposta (Juí. 13.14). Também era conhecido e praticado o tecer de carpetes. 2. O Modus Operandi do Tecer Antigo. O processo exigia o entrelaçamento de fios, um fio chamado de urdidura, e o outro, o urdume. Os fios do urdidura são esticados em um tear e então os fios do urdume são passados por cima e por baixo deles, resultando no entrelaçamento que produz um tecido. 3. O Antigo Ancestral do Tecer era a Elaboração de Cestas no Período Paleolítico, há Cerca de 20 mil a 40 mil anos. Esse processo sugeriu a fabricação de tecidos para roupas, numa época em que as roupas eram feitas de peles de animais. Os arqueólogos descobriram pinturas de antigos teares que datam a cerca de 32 mil anos no Egito. A tumba em Beni-Hassan é um dos primeiros lugares onde pinturas de parede foram descobertas representando a arte. As roupas eram tingidas com cores brilhantes, e os tecelões eram homens, provavelmente profissionais que trabalhavam para pessoas importantes. 4. Materiais Empregados. Linho, lã, seda, algodão e pêlo de cabra eram materiais comumente empregados. Tecidos de tendas eram feitos de pêlo de cabra para as tendas, mas peles de animais continuavam sendo usadas para roupas e tendas. Por volta de 2320, havia uma fábrica de tecidos na Babilônia. Esse tipo de trabalho já era profissional naquela época. 5. Processos de Aprendizado. Os hebraicos, sem dúvida, aprenderam essa profissão no Egito, e entre aqueles que dali fugiram no Êxodo. havia homens habilidosos na arte de tecer, como demonstra a habilidade de tecer cortinas para o tabernáculo (Êxo. 26.1 ss.) A má Dalila tinha um tear. comovemos ao ler Juí. 16.13,14. Exceto pelos modelos profissionais de hoje, a estrutura básica do tear não foi muito alterada em 5 mil anos. Os idumeus participavam da arte, como demonstra Eze, 27.16. 6. Tipos de Teares nos Tempos Bíblicos. a. O tear vertical de duas vigas que empregava um par de vigas eretas presas no chão e unidas no topo com uma viga cruzada. Fios longos eram guiados frouxamente da parte de cima até o chão sobre a viga cruzada. Pequenos punhados de lã eram amarrados em pedras para manter-se esticados. b, Então havia um tipo vertical de tear que exigia que dois tecelões operassem o equipamento. Um passador era passado de um lado para outro pelos fios. unindo-os. c. Um tear horizontal fixado no chão ainda é empregado por nômades hoje em dia O dispositivo tinha (tem) duas vigas mantidas em seus lugares por quatro pinos inseridos no chão. O tecelão senta à frente do aparelho e, de modo geral, trabalha sozinho. 7. Referências Bíblicas. Há 13 referências ao tecer: Êxo. 28.32; 35.35; 39.22. 27; Juí. 16.13; I Sarn. 17.7; II Sam. 2 I.I9; II Reis 23.7; I Crô. 11.23; 20.5; Isa. 19.9; 38.12; 59.5. Há também duas menções da máquina usada para fazer o trabalho: Jó 7.6 e Juí. 16.14. TÉCHNE Ver sobre Tecnologia e Tecnocracia. O vocábulo grego téchne refere-se ao tipo de conhecimento que resulta na produção de objetos e na realização de propósitos específicos. como habilidades, artes. oficios. artesanatos, técnicas. enfim. A forma verbal da palavra, technaomai, significa "fazer". "executar.....fabricar". É a raiz de nossas palavras "técnica", e "tecnologia".

Em contraste com téchne, epistéme dá a entender um conhecimento geral. sendo esse vocábulo a base de nossa palavra epistemologia, "teoria do conhecimento". TECLA, ATOS DE PAULO E Ver sobre Paulo, Atos de. TECNOLOGIA E TECNOCRACIA I. Definições e Observações Ver sobre Téchne quanto a uma explicação da palavra grega por trás de nosso vocábulo tecnologia. A Tecnologia é aquele ramo do conhecimento que trata das artes industriais, a aplicação da ciência ao fabrico de máquinas e aparelhos. A tecnologia é "a modificação sistemática do meio ambiente físico, tendo em vista as finalidades do homem". E é patente que essa manipulação tem produzido resultados e condições, umas boas. outras más. A tecnologia é tarefa que cabe à ciência. Quando refletimos sobre a tecnologia, logo nos lembramos de todos os confortos e das invenções de prolongamento da vida (como medicamentos e aparelhos médicos) que a ciência nos tem provido. Por outro lado. também lembramo-nos da guerra química, dos artefatos nucleares, dos foguetes intercontinentais, etc. Além disso. embora o materialismo não seja produto direto da tecnologia, tem recebido desta última um tremendo impulso. E logo fica evidente que a tecnologia é como tantas outras coisas: neutra em si mesma, mas capaz de ser usada para propósitos úteis ou para propósitos prejudiciais aos seres humanos. 2. Um Novo Sacerdócio Talvez o aspecto mais desagradável da ciência seja a sua tecnologia, a qual, manipulada por alguns. é usada como substituta dos antigos sacerdócios religiosos. Essa tecnologia tornou-se um novo sacerdócio, que promove o materialismo. E usual os filósofos e teólogos morais observarem que a ética dos homens não tem avançado no mesmo ritmo de sua tecnologia, de tal modo que, se a ciência promete à humanidade a utopia, tem criado um tremendo pesadelo que ameaça com destruição mundial e indescritiveis sofrimentos. Os políticos tateiam, desesperadamente. por alguma resposta para esse dilema, mas a humanidade permanece assustada. para dizermos o mínimo. Os profetas continuam predizendo a condenação, e o homem comum continua esperando que tudo não passe de uma fantasia. Por outra parte, não nos deveríamos esquecer que há muitos cientistas que diariamente envidam esforços para aprimorar a qualidade da vida humana, por meio de suas pesquisas. quer mediante a produção de máquinas que poupam aos homens um trabalho duro. provendo empregos para muitos milhares de pessoas, quer mediante a descoberta de medicamentos que curam as enfermidades dos homens. 3. O Consumismo Pessoas impelidas por falsos valores têm transformado a tecnologia em uma corrida para o conforto material, entretenimentos tolos e uma ambição insaciável por um número cada vez maior de coisas. É óbvio que isso tem pervertido as escalas de valor. transformando-se em meios de cobiça e exploração, Mudanças sociais muito rápidas estão perturbando muitas pessoas, e os psicólogos salientam que daí, por muitas vezes, podem resultar desequilíbrios mentais e emocionais, e que neuroses de vários tipos resultam da celeridade das mudanças sociais no mundo de hoje. 4. Perguntas Um asiático observou diante de um cientista norte-americano: "Há uma coisa que vocês, do Ocidente,

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TECOA - TEÍ8MO podem ensinar a nós, do Oriente. Trata-se de algo de grande importância: Mostrem-nos que é bom viver em uma comunidade industrializada". E agora temos o espetáculo do Japão (um pais do Extremo Oriente), que é nação Iider em muitas áreas da tecnologia. Não será que a palavra-chave de ética grega - moderação - também nos poderia ajudar quanto a essa questão? 5. A Tecnocracia Esse é o nome de uma teoria e de um movimento que se originou em cerca de 1932 nos Estados Unidos da América, e que propunha o controle dos recursos industriais, asseverando que esse controle não deveria ser deixado nas mãos dos pol íticos, e, sim, entregue aos cientistas. Esse ideal vem-se concretizando aos poucos, mas os políticos continuam controlando grande parte da tecnologia, do que resultam bens e males. Por outra parte, é claro que os cientistas também têm produzido resultados mistos em todas as áreas onde têm obtido o controle.

TECOA No hebraico, "firmeza", "estabelecimento", mas alguns pensam que a palavra significa "barulho de trombeta". Um deserto de Tecoa é mencionado, além de uma cidade. É provável que a área de deserto tenha sido adjacente à cidade com esse nome. A cidade ficava no território de Judá, cerca de 9 km ao sul de Belém. O nome moderno é Takua e escavações arqueológicas feitas na área revelaram várias evidências da existência de habitações hebraicas ali. A primeira referência bíblica ao local está em II Sam. 14.2 ss., onde encontramos Joabe empregando os serviços de uma "mulher sábia" dali para tentar gerar uma reconciliação entre Davi e seu filho, Absalão. Foi também ali que Davi fugiu ante a ira de Saul (I Sam. 23.26). Um de seus poderosos 30 guerreiros era daquela região, que ele usava como um lar longe de seu lar. Em um período muito posterior, as pessoas dali participaram da construção dos muros de Jerusalém depois do Cativeiro Babilônico (por volta de 450 A. C.). Ver Nee. 3, 5, 27. Esse foi o local do nascimento de Amós (Amós 1.1). A cidade daquela área é mencionada em II Sam, 14.2, 4,9; ICrÔ. 2.24;4.5; IICrô. 11.6;Jer. 6.1;Amós 1.1. Alguns acreditam que um homem com esse nome é apresentado em I CrÔ. 2.24 e 4.5. Presumivelmente, o nome de seu pai era Asur. TEDEUM Esse é o nome de um hino que se pensa haver sido composto pelo bispo de Niceta de Remesiana, no século IV d.C. Mais tarde, foram-lhe acrescentados versículos. Esse hino é usado em ocasiões especiais de regozijo e por ocasião das Matinas (vide). TEFON No grego, Tephón. O nome dessa cidade não figura na Bíblia, mas aparece em um dos livros apócrifos do Antigo Testamento, 1 Macabeus 9:50. Ali, aprendemos que era uma cidade de Judá, fortificada por Baquides. Alguns estudiosos, contudo, pensam que Tefon pode ter sido uma forma variante de En-Tapua (Jos. 17:7), um nome que se repete, como designação de várias outras cidades, geralmente com a forma de Tapua. TEICHMULLER, GUSTAVO Suas datas foram 1832 - 1888. Ele foi um filósofo alemão. Nasceu em Braunschweig. Ensinou em Gottingen,

Basiléia e Dorpat. Especializou-se em filosofia clássica e em metafísica. Encarava cada sistema do conhecimento humano como um sistema parcial, representando uma única perspectiva dentro de uma realidade complexa. Cada uma dessas perspectivas, embora parcial, seria válida. Ver sobre Polaridade. Teichmuller também percebia que nosso conhecimento é simbólico apenas, não podendo ser preciso, exato. A religião usa símbolos que representam as funções do intelecto, dos sentimentos e das ações. Ele defendia com vigor a idéia da imortalidade pessoal, e argumentava contra o positivismo e contra o darwinismo.

TEILHARD DE CHARDIN, PIERRE Suas datas foram 1881 - 1955. Ele foi um filósofo e paleoantropólogo francês. Nasceu em Sarcenat. Era jesuíta. Tornou-se um cientista que desenvolveu uma elaborada doutrina da evolução que abarca todo o reino inorgânico, passando pelo reino dos organismos vivos e chegando à noosfera, ou seja, a esfera da mente. Na opinião dele, esse ponto mais elevado da evolução abria ante seus olhos a esperança do ponto ômega da evolução, do que resultaria uma cultura mundial vastamente superior à nossa, e, finalmente, a uma consciência hiperpessoal, que significaria a entrada vital de Deus na história humana, de urna maneira nova e viva Apesar dele ter sido umjesuíta, a Igreja Católica Romana opôs-se a muitas de suas idéias. E o resultado disso foi que suas obras básicas só foram publicadas post-mortem. Seus principais escritos levam os títulos, em inglês, de: The Phenomenon of Man; Letters from a Traveller; The Realm of lhe Divine; The Future of Man; Hymn of lhe Universe. TEÍNA No hebraico, "súplica". Um judeu descendente de Quelube. Teína foi o pai de Ir-Naás. Alguns estudiosos pensam que ele não era exatamente genitor de lr-Naás, mas fundador de uma cidade com esse nome (I Crô, 4: 12). Viveu em cerca de 1400 a.C. TEÍ8MO Tem sido provida uma descrição geral das muitas idéias sobre a pessoa de Deus e sobre como os homens chegam a saber algo acerca dEle. Ver o artigo intitulado Deus, em sua terceira seção, Conceitos de Deus, onde apresento as dezessete idéias principais. Entre elas, aparece o telsmo. Esboço: I. A Palavra e Suas Definições 11. Contrastes com Outras Idéias m. Idéias dos Filósofos IV. Argumentos Teístas e a Existência de Deus V. O Teísmo Cristão I. A Palavra e suas Definições Esse vocábulo vem da palavra grega theõs, "deus". Assim sendo, teismo é a "crença em Deus, em algum deus, ou em deuses", fazendo contraste com o ateísmo. Visto que essa não é uma palavra técnica, pode ser usada de várias maneiras. Porém, quase sempre entende a existência de algum poder supremo, ou poderes supremos. usualmente concebido(s) como uma(s) pessoa(s) que se revela(m) a Si mesma(s). O teísmo pode defender o monoteísmo (um só Deus), o politeísmo (muitos deuses). ou pode ser bastante vago, indicando "um deus ou deuses em algum lugar". Quase sempre a idéia envolve a crença de que os poderes divinos interessam-se pela vida humana, com o intuito de recompensar ou punir, exercendo certas

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TEÍSMO influências sobre o mundo dos homens. A idéia de uma divindade criadora, com freqüência, faz parte do teísmo, mas não necessariamente. Muitos dos conceitos teístas arrastam após si a idéia de obrigação moral diante do Poder Divino ou de poderes divinos. Esse termo juntamente com o adjetivo "teísta", surgiu na Inglaterra, no século XVII, quando foi usado em contraste com "ateísmo" e "ateu". O referido conceito é tão antigo quanto as religiões humanas, as quais, por sua vez, são tão antigas quanto o próprio homem. 11. Contrastes com Outras Idéias Podemos aquilatar melhor a força do teísmo, contrastando-o com outros conceitos: 1. O teísmo indica a crença em poderes divinos; o ateísmo, por sua vez, nega a realidade desses poderes. 2. O teísmo ensina que os poderes divinos nutrem interesse pelos homens, intervindo na história humana, responsabilizando os homens por seus atos, recompensando-os ou castigando-os; mas o deísmo ensina que Deus divorciou-se de sua criação, deixando-a ao encargo das forças naturais, pelo que não se interessaria pelos homens e nem entraria em contato com eles, não os recompensando e nem os punindo, exceto indiretamente, através de leis naturais que continuam atuantes. 3. O teísmo pode incorporar o henoteismo; pelo que poderia haver muitos deuses, embora somente um deles entre em contato conosco, ao passo que os demais manter-se-iam indiferentes. O henoteísmo, pois, é uma forma de teísmo. 4. O politeísmo, que assevera a existência de muitos deuses, também é uma forma de teísmo.. 5. O teísmo usualmente ensina que existem evidências adequadas, de natureza prática, mística e racional, para provar a existência de Deus ou de deuses. Fazendo contraste com isso, o agnosticismo crê que, apesar da existência dessas evidências, elas são inconclusivas, havendo contra-evidências (principalmente o Problema do Mal, vide), que deixam em dúvida qualquer pessoa que pensa. 6. O teísmo assevera que podemos e devemos falar sobre Deus e investigar a sua pessoa, pois tal investigação pode ser frutífera e é legítima. O positivismo, por sua vez, afirma que toda investigação metafísica é fútil e sem sentido, porquanto não disporíamos de meios ou de evidências para fazer tal investigação, já que dispomos somente de sentidos físicos que podem sondar coisas materiais, mesmo com a ajuda de máquinas e aparelhos. 7. O teísmo promove o dualismo, de acordo com o qual Deus e sua criação são diferentes: Deus pertenceria a uma classe toda sua, e a criação não pertenceria a essa classe. Em contraste, o panteísmo promove um monismo; de acordo com o qual Deus e o mundo seriam de uma mesma substância: Deus seria o cabeça de toda existência, e a existência seria o corpo de Deus. 111. Idéias dos Filósofos 1. Os termos "teísmo" e "teísta" apareceram no século XVII, o que também se deu com os vocábulos "deísmo" e "deísta". Por algum tempo, o telsmo e o deísmo foram usados como sinônimos, o que continua sendo verdade no vocabulário de algumas pessoas. Porém, nesse mesmo século ou no século XVIII, foi estabelecida a distinção mencionada entre teismo e deísmo. Ver também o artigo separado sobre o Deísmo. 2. O teísmo promove a idéia de um Deus ou de deuses; e essa divindade aparece, ao mesmo tempo, como imanente no mundo e transcendental ao mundo. Deus atua entre os homens. Usualmente, embora não

necessariamente, o teísmo aparece associado a um Deus ou a deuses dotados de poderes criativos; e a criação aparece como distinta de Deus, quanto à sua natureza. 3. No teísmo clássico, Deus aparece como Ser absoluto, possuidor de diversos aminis, como onipotência, onipresença, etc. No teismo dipo/ar, Deus aparece como Ser absoluto ao mesmo tempo, imanente e transcendental. No teísmo relativo, Deus não figura como um Ser absoluto, apesar de ser possuidor de grande poder. Segundo esse ponto de vista, Deus é finito, e não infinito. Poucos teólogos cristãos têm aceitado esse ponto de vista. 4. No teísmo evolucionário (John Fiske), o poder divino aparece por trás do processo de evolução no mundo, por ser a sua causa. 5. No teísmo especulativo (Christian Weisse), faz-se a tentativa de ver a Deus como um Ser absoluto, identificado como o Absoluto dos filósofos. Deus, de acordo com essa concepção, é uma Pessoa infinita; e o homem aparece como uma pessoa finita e livre, que encontra o centro e a razão de sua existência na Pessoa infinita. 6. No teismo ético (Sorley), um Deus finito é a origem de todos os valores humanos. 7. No teísmo moral (AE. Taylor), acha-se uma prova da existência de Deus nas experiências morais. Ali, esse tipo de experiência faz parte essencial da existência humana. IV. Argumentos TeIstas e a Existência de Deus Os teístas - embora não todos - escudam-se nos argumentos tradicionais em prol da existência de Deus. A idéia que Deus está interessado no homem e manifesta-se na natureza e nas experiências místicas (algo comum ao teísmo) promove o meio ambiente intelectual, de acordo com o que os homens pensam ser capazes de dizer coisas significativas a respeito de Deus e asseverar a sua existência. No artigo intitulado Deus, apresentei grande número de argumentos em favor da existência de Deus. Ver sua quinta seção, onde apresentei vinte desses argumentos. A bem da verdade, o telsmo só aceita a idéia da existência de Deus mediante a fé , usualmente com base nos Livros Sagrados e suas afirmações. Nem por isso o teísmo condena os argumentos teológicos, místicos, racionais, naturais e sobrenaturais em favor da existência de Deus. V. O Teismo Cristão A fé cristã, em seu aspecto tradicional e conservador, oferece uma versão especial do teísmo, segundo se vê nos pontos abaixo: I. Rejeita o politeísmo e o henoteísmo como variedades legítimas do verdadeiro teísmo. 2. Rejeita o panteísmo, o agnosticismo, o ateísmo e o positivismo. 3. Aceita a mensagem essencial dos Livros Sagrados cristãos, o Antigo e o Novo Testamento. 4. Aceita a natureza (teologia natural) como uma abordagem válida, embora parcial, da teologia. 5. Ensina estar devidamente fundamentado sobre a ciência, a filosofia, a revelação (os Livros Sagrados), a natureza e, por que não, sobre a consciência e a intuição humanas, sempre sob a orientação da revelação divina. 6. Assevera que a existência de Deus pode ser aceita com base na revelação, ainda que também respeite os argumentos filosóficos tradicionais, bem como as evidências colhidas na natureza criada. 7. Sua ética alicerça-se sobre a idéia de que Deus revelou a sua vontade aos homens, e que eles são responsáveis diante dEle por sua conduta. A aprovação ou desaprovação divina aquilatarão todas as prestações

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TEKHELET - TELEPATIA de contas morais. Deus é o autor da ética, e não o homem. 8. O cristianismo ortodoxo aceita a visão trinitariana da deidade. Porém, é mister reconhecer que as explicações trinitarianas populares equivalem ao triteísmo, o que é apenas uma forma de politeísmo. Ver os artigos Trindade; Tríades e Triteísmo. 9. Ao rejeitar o deísmo (vide), o teísmo cristão promove o conceito de um Deus imanente, interessado nos homens, que intervém na história humana, que garante a imortalidade das almas e que julga ou recompensa às almas, após a morte biológica. 10. O teísmo cristão assevera a validade da missão salvatícia de Cristo, como realização especial de Deus entre os homens. l l , O conceito de um Deus pessoal é importante para essa forma de teísmo, onde figuram os atributos tradicionais de Deus como um Ser onipotente, onipresente, onisciente, que tudo sabe, que é completamente santo, etc. Oamor de Deus é enfatizado; e o termo "amor" é o único dos atributos divinos que pode servir como um dos nomes de Deus. Foi o amor de Deus que inspirou e orientou a missão terrena do Filho.

TEKHELET Esse é o nome de uma cor, no hebraico (Eze. 23:6; Ecl, 40:4 e Jer. 10:9). Essa cor tem sido variegadamente identificada com a púrpura, com o verde, com o índigo e com o amarelo. Atualmente, porém, sabe-se que alude ao azul-purpurina. Na antigüidade, a grande fonte desse corante era o molusco chamado Murex. Irving Zinderman, do Instituto de Fibras de Israel, na revista Science News, assevera que os especialistas israelenses confiam que o quebra-cabeça envolvido nesse corante foi resolvido. O Talmude diz-nos que esse corante era feito do extrato puro desse molusco, embora não existam identificações mais precisas na literatura antiga. Esse corante era usado nas vestimentas dos príncipes e dos nobres, que tinham dinheiro para comprar roupas tingidas com essa cor. Tal corante requeria o emprego de milhares desses moluscos para a produção de qualquer quantidade mais apreciável do corante. As vestimentas dos ídolos da Babilônia também eram tingidas com essa cor (Jer. 10:9). Ver o artigo geral sobre as Cores. TELEOLOGIA Esse é o nome do conceito que diz que todas as coisas são originadas, controladas e desenvolvidas, tendo uma finalidade, mediante o desígnio, da parte de um Ser divino ou da parte de forças cósmicas. Naturalmente, se tivermos de admitir um desígnio para as coisas, teremos de pensar em um Ser pessoal, e não em forças cósmicas impessoais. Ver sobre o Argumento Teleolágtco. Esse conceito provê um de nossos melhores argumentos racionais quanto à existência de Deus. As palavras gregas envolvidas nessa designação são télos, "fim", e lágos, "razão", "discurso", "doutrina", "estudo". Essa doutrina favorece a idéia de causas finais que se mostram ativas no universo. Christian Wolff(vide) introduziu o termo na filosofia, no século XVIII. Idéias dos Filósofos e Teólogos 1. Quase todas as religiões favorecem a idéia da teleologia. Em Anaxágoras temos uma aplicação da idéia à filosofia pré-socrática. Platão, em sua doutrina das Idéias e Formas, incluiu a idéia do desígnio divino na concepção da criação fisica inteira. 2. Aristóteles, com sua doutrina das quatro causas, fez da teleologia um dos principais conceitos normativos de sua filosofia. Ele via o desígnio atuante em todas as coisas,

orgânicas ou inorgânicas. Uma causa finalestaria envolvida em todas as coisas. 3. Os argumentos em prol da existência de Deus, extraídos da razão e da observação, incluem os argumentos cosmológico e ontológico. Juntamente com esses dois argumentos, o argumento teleológico se alinha. E há muitos outros argumentos, que sumariei no artigo geral sobre Deus. Os argumentos mais importantes e tradicionais foram manuseados sob o título de "Argumento ...". Dentre todos os argumentos tradicionais, o argumento teleológico era o que mais impressionava a Kant, que havia decidido que não se deixaria impressionar por tais raciocínios. Mas ele declarou, ao examinar o mesmo, que, a partir desse argumento, podemos postular um Arquiteto, e não necessariamente um Criador que criou tudo do nada. 4. Certa forma de ética está escudada sobre o conceito de teleologia. Ver o artigo Teleologia, Ética da. 5. A ciência materialista tem procurado eliminar a idéia de qualquer tipo de causa final, o que atingiu seu ponto mais baixo nos fins do século XIX e nos primórdios do século xx. Mas a teleologia voltou triunfalmente, e a bioquímica tem aprendido, no ácido deoxiribosenuc1eico (DNA). que ali a teleologia predomina de ponta a ponta. E verdade que o behaviorismo (vide) tem desafiado a aplicação da teleologia às ciências sociais. Porém, quanto mais profundamente vai sendo reconhecida a natureza essencialmente espiritual do homem, menor toma-se o impacto desse desafio. Quanto a bons exemplos de como a ciência vem negando o materialismo, ver os artigos chamados Parapsicologia e Experiência Perto da Morte.

TELEOLOGIA, ÉTICA DA O caráter benévolo de um ato depende de suas conseqüências, e os efeitos deveriam ser manipulados de forma a produzirem o máximo de benevolência para o maior número possível de pessoas. As decisões são tomadas em face das boas conseqüências que são desejadas. A ética é abordada do ponto de vista daquilo que produz algum beneficio, uma vez que se possa concordar sobre o que consiste no que é beneficente. O exemplo clássico da ética teleológica é o utilitarismo, a respeito do qual temos apresentado um detalhado artigo. Entretanto, muitos sistemas éticos estão envolvidos na busca por finalidades desejáveis, embora essas finalidades sejam definidas de modos diversos, dependendo do sistema em foco. A ética teísta sem dúvida alguma é teleológica em sua natureza. TELEPATIA Essa palavra portuguesa nos vem diretamente do grego tele, "longe", e pathos, "sentimento", "sensação". Talvez o uso dessa palavra, para indicar a noção de "transferência de pensamento", de um pessoa para outra, derivou-se do fenômeno facilmente observável que os "sentimentos" ou "emoções". parecem facilitar tal transferência. Seja como for, a telepatia é a capacidade de uma mente comunicar-se com outra sem quaisquer meios fisicos conhecidos, razão pela qual muitos estudiosos pensam que a telepatia é não-atômica em sua natureza. Naturalmente, é possível que uma vez que esse fenômeno venha a ser bem entendido, que venha a poder ser definido como atuante dentro do terreno das partículas subatômicas. E isso poderia demonstrar que se trata de uma função material, e não imaterial. Por enquanto, a maioria dos pesquisadores a respeito não larga a explicação não-materialista, embora o átomo possa ser capaz de mais prodígios do que admitimos hoje em dia. Seja como for, as provas em favor da telepatia

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TELEVISÃO são avas sal adoras, de tal modo que aqueles que têm consciência das intensas e largas pesquisas que se têm feito quanto a essa questão, e que sabem algo acerca da natureza das experiências que estão sendo feitas, estão convencidos da realidade da telepatia. Tenho preparado um detalhado artigo sobre a Parapsicologia, que fornece informações sobre a telepatia. Convido o leitor a examinar aquele artigo. A telepatia é contrastada com a clarividência (vide). Está última não envolve duas mentes. Antes, uma única mente obtém informações da parte de coisas não-mentais. Para exemplificar, mediante a clarividência, uma pessoa pode localizar um cadáver sepultado em um campo, ou um relógio perdido. Apenas uma mente atua nesses casos. Talvez se trate de uma espécie de radar mental, que pode envolver ou não o átomo. TELEVISÃO

Essa palavra vem do grego e do latim, com o sentido de "ver à distância". Quando eu estava no ginásio, uma professora declarou que, "algum dia", poderíamos ver programas, e não apenas ouvi-los. Quando ela perguntou quantos alunos acreditavam que isso tomar-se-ia possível, apenas algumas mãos foram levantadas. Uma dessas mãos era a minha, porque sempre me dispus a crer em coisas fantásticas. E quando, finalmente, apareceram os televisores, a invenção foi amargamente combatida em muitos segmentos protestantes e evangélicos, incluindo eu mesmo. Eu e outros não podíamos ver qualquer diferença entre a televisão e o cinema. De fato, tornou-se comum dizer-se: "A televisão é aquela invenção que permite que os evangélicos assistam aos filmes que não puderam ver nos últimos cinqüenta anos". E isso é a pura verdade. Antigos filmes continuam sendo projetados pela televisão. Mais e mais evangélicos compravam aparelhos de televisão "e eu, resistindo". Meus três filhos liam livros, em vez de assistirem a programas de televisão. Pelo menos, minha atitude para com a televisão rendeu um bom efeito: - eles geralmente tiravam melhores notas escolares que seus colegas que perdiam muito tempo assistindo televisão! Quando eu estava no seminário teológico, um de meus colegas causou um escândalo no campus da universidade. Ele instalara um aparelho de televisão. Gostava de assistir a lutas de boxe, televisionadas em Chicago. Protestei diante do diretor da universidade, mas não foi tomada qualquer medida punitiva. Foi somente depois de já estar trabalhando no Brasil por mais de cinco anos, como missionário evangélico, que, finalmente, cedi, e adquiri um aparelho de televisão. Em minha casa (já com os filhos adultos e formados), eu e minha esposa pouca atenção damos à televisão; mas o aparelho está ali. Tenho até assistido a algumas lutas de boxe, televisionadas em Chicago! As coisas mudam, e as pessoas mudam! Talvez os gregos estivessem com a razão, quando recomendavam a moderação em todas as coisas, um tema que Paulo frisou em Filipenses 4:5. É claro que nada há de errado com o próprio aparelho de televisão. Quando há algo de errado, isso se dá com os programas enviados pelas diversas emissoras. A mesma coisa sucedeu com o rádio, quando a invenção apareceu. Muitos crentes declararam que o rádio é um aparelho diabólico. Então começaram os programas evangélicos pela radiofonia, e, hoje em dia, nenhuma igreja declara-se contrária à presença desse aparelho nos lares. De uns tempos para cá também começaram os programas evangélicos televisionados. Nas igrejas pentecostais a

televisão já foi tabu. Mas alguns pregadores pentecostais têm usado esse meio de comunicação mais do que os de qualquer outra denominação. Não demorará muito para o tabu dar seu último suspiro. Os meros costumes, nas igrejas, às vezes mudam mais depressa que as estações do ano. Será Pecado Ter um Televisor em Casa? Essa pergunta já foi devidamente respondida para quem entende o que ouve e lê. É verdade que a televisão, como muitos outros inventos, pode servir de influência corruptora. Mas também ninguém pode negar que ela pode servir de tremenda influência em favor do bem. Conforme j á dissemos, tudo depende do uso que os homens façam desses aparelhos. Mas, com base no princípio da liberdade cristã. é impossível as igrejas proibirem seu uso. Tendo evitado o ascetismo (vide), devemos passar a recomendar a moderação, ou seja, a escolha correta dos programas. Que poucos crentes conseguem fazer essa seleção é claro para todos, mas talvez alguns sejam capazes para isso. Há coisas que vieram para ficar, e cada crente deve usar de seu livre-arbítrio a fim de determinar se assistirá ou não a programas de televisão; e, se lhes assistir, quais... A responsabilidade é do indivíduo. Que os pastores ensinem suas comunidades a como fazer uso desses aparelhos para que o maleficio seja reduzido ao mínimo. Os valores sociais da televisão são indiscutíveis. Provê notícias instantâneas, um entretenimento barato, de que as massas precisam, e educação (quando os telespectadores têm a disciplina pessoal para sintonizarem os programas educativos). As universidades modernas usam programas de circuito fechado, pela televisão, alcançando assim centenas de pessoas ao mesmo tempo. Há estações de televisão que projetam programas educativos para certas classes, como para os analfabetos, etc., atingindo regiões onde poucas escolas e poucos professores são capazes de atingir. Em São José dos Campos, no Brasil, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) esteve envolvido nessa atividade durante anos, mas os resultados ali não foram muito brilhantes. A televisão revolucionou a política, para melhor ou para pior. Um bom ator atrai as massas; um ator inferior as repele; e fica dificil saber onde jaz a verdade. Uma das queixas contra a televisão é que o seu poder é grande demais, deixando nas mãos dos jornalistas mais poder do que eles merecem ter ou sabem usar. A opinião pública forma-se rapidamente mais através da televisão do que através de qualquer outro meio de comunicação, e quando os jornalistas erram ou abusam, as massas populares são prejudicadas. Isso mostra a necessidade de cada telespectador ser um crítico do que ouve e vê. Mas é sabido que nem todos têm a formação e a maturidade necessárias para tanto. A televisão também é um meio usado para imposição de grande exploração econômica, propaganda falsa e para a solução barata de problemas complexos, com a sugestão de medidas que não são eficazes ou mesmo demagógicas. E talvez o aspecto mais triste do uso que se tem feito da televisão seja aquele dos teleevangelistas, que têm reduzido a arca da salvação do evangelho a um mero barco de espetáculos. Programas religiosos que envolvem muitos milhões de dólares têm-se organizado, e pastores têm ficado ricos como atores do cinema, imitando-os em muitos pontos negativos - incluindo aquele de tirar fotografias de mulheres em posições sensuais! Também é óbvio que a televisão tem despertado inquirição quanto a muitas e variegadas questões morais, porque os programas de televisão promovem a violência e

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TEL-HARSA - TELASSAR a imoralidade. É verdade que vez por outra alguém levanta sua voz em protesto; mas nunca se faz grande coisa para sanar os abusos. Crentes antes sérios em suas vidas espirituais, gradualmente sucumbem ante as fantasias da televisão, e assim sofrem detrimento. E também não podemos olvidar do fato de que muitas igrejas têm imitado os métodos espetaculares da televisão, como se a adoração ao Senhor fosse um entretenimento qualquer. Não nos adverte a Bíblia de que essas seriam as condições vigentes nos últimos dias? Uma apreciação moderada acerca da televisão talvez seja aquela que reconhece que se há algum beneficio na televisão, visto essa invenção estar sendo manipulada, na maioria das vezes, por pessoas sem temor de Deus no coração, há malefícios muitos maiores, mormente no caso de crianças e jovens, que ainda não têm bem formado o seu senso de discernimento e de crítica.

TEL-HAR8A No hebraico, "colina do mago". Essa cidade é mencionada por duas vezes no Antigo Testamento, em Esdras 2: 59 e em Nee. 7:61. Era uma localidade babilônica de onde voltaram exilados judeus, nas migrações de volta à Palestina, terminado o exílio babilônico. A peculiaridade dos contingentes judeus que dali chegaram é que eles, durante o tempo em que estiveram no estrangeiro, perderam os documentos que evidenciavam sua linhagem judaica. Em um grupo proletário, que não contasse com a ajuda de sacerdotes ou levitas, não seria muito dificil perder os registros ou a memória de sua genealogia. Esse retomo de judeus ocorreu em tomo de 536 a.C. TEL-MELÁ No hebraico, "colina de sal". O nome dessa cidade aparece somente em duas passagens do Antigo Testamento, Esd. 2:59 e Nee. 7:61. É possível que a primeira porção desse nome, "Tel", que indica uma colina ou côrnoro, indique uma antiga habitação humana, que tenha sido semeada "com sal", conforme também se vê no relato de Juízes 9:45, acerca de um outro incidente, ocorrido muito tempo depois. Tel-Melá era urna outra localidade, juntamente com Tel-Harsa, para onde tinham voltado exilados judeus que foram incapazes de provar sua linhagem judaica, mediante provas genealógicas. O local de Tel-Melá é desconhecido. Talvez seja a mesma Teima mencionada por Ptolomeu, situada perto do terreno salgado às margens do golfo Pérsico. Contudo, esse parecer não passa de urna conjectura. TELA No hebraico "vigor". Foi pai de Taã, cujo nome aparece em uma genealogia pós-exílica de Josué (I Crô. 7:25). Descendia de Efraim, através de Berias. Viveu em cerca de 1640 a.C. TELÃ No hebraico, me-olam; desde a "antigüidade remota". Essa expressão hebraica ocorre por cinco vezes: Gên. 6:4; I Sam. 27:8; Sal. 119:52; Isa. 46:9; Jer. 2:20. Mas, no trecho de I Sam. 27:8, tem-se suscitado algum debate entre os estudiosos. A passagem deveria ser traduzida por "desde a antigüidade", conforme fazem algumas versões, ou como um nome próprio, como se fosse uma localidadev Telã (conforme se vê em nossa versão portuguesa). E difícil resolver a questão, que parece haver chegado a um impasse. A variante que diz "desde Telaim" (ou "desde Telã", conforme diz nossa versão portuguesa), apareceu

pela primeira vez na Septuaginta. Aqueles que são favoráveis à tradução tradicional, "desde a antigüidade" parecem ter argumentos mais definitivos. Em primeiro lugar, nas outras ocorrências da expressão hebraica, "me-olam", ela não figura como um locativo, e, sim, como expressão adverbial de tempo. Em segundo lugar, sobretudo no que diz respeito à forma que aparece em nossa versão portuguesa, Telã, não existe qualquer localidade com esse nome, nas Escrituras. Quanto à possibilidade de ser "Telaim", ver o artigo sobre esse nome. Das seis traduções diversas que este tradutor examinou, três em português e três em inglês, somente uma (a Tradução do Novo Mundo, da Watchtower Bible and Tract Society, das Testemunhas de Jeová) concorda com a nossa versão portuguesa, dizendo: "desde Telão até Sur" isto é, dando a impressão de que se trata de uma localidade. Todas as outras versões dizem algo como desde a antigüidade". Em terceiro lugar, essa variante, que parece indicar uma posição geográfica, aparece somente em alguns manuscritos da Septuaginta, e nunca em qualquer manuscrito hebraico. Por conseguinte, parece que os tradutores da Septuaginta interpretam o trecho, no tocante a essa expressão hebraica, em vez de simplesmente traduzi-la. E, desde então, alguns estudiosos têm procurado aproveitar a interpretação de alguma maneira, em vez de ficarem somente com o original hebraico.

TELAIM No hebraico, "cordeiros". Na Septuaginta, en galgálios. Era uma cidade do território de Judá, perto de Edom e da pouco definida fronteira com a terra dos amalequitas. Foi ali que Saul concentrou suas tropas, em seu contraataque sobre os amalequitas que estavam assediando vez por outra as terras de Judá. Esse nome ocorre somente em I Sam. 15:4, em toda a Bíblia. A Septuaginta, seguindo as mesmas fontes informativas que Josefo (Anti. v.7,2), diz Gigal (galgálois) nessa passagem. Alguns estudiosos têm sugerido que Telaim pode ter sido uma forma corrompida de Telém (ver Jos. 15:24), que ficava na região do Neguebe, e que, estrategicamente, era um ponto mais provável para uma concentração de forças militares, com vistas a atuar no deserto. Ver sobre Telém. Outros eruditos, seguindo a Septuaginta, pensam que essa palavra ocorre novamente em I Sam. 27:8, onde a nossa versão portuguesa diz Telã (vide). Se eles estão com a razão, então isso restauraria alguma precisão geográfica a uma passagem com nomes corrompidos, e onde algumas versões estrangeiras dizem "desde a antigüidade'. TELASSAR Esse nome ocorre na Bíblia somente por duas vezes: 11 Reis 19:12 e Isaías 37:12, dentro da frase: " ...e os filhos de Éden, que estavam em Telassar". Na Septuaginta, Thálassar: No original hebraico, há leve diferença na forma escrita, entre 11 Reis e Isaías. Essa cidade é citada, pelos mensageiros de Senaqueribe a Ezequiais, como uma das comunidades destruídas por suas tropas assírias. Parece que Telassar representa T~II Assur, ou seja, "cõmoro de Assur". Os filhos de Eden, em assírio, Bit-Adtni (Bete~Éden), "casa de Éden", provavelmente, habitavam na área entre os rios Eufrates e Abli; mas nenhuma cidade assíria, chamada em assírio Til-Assur, jamais foi encontrada ou mencionada naquela região. Todavia, há uma Til-Assur mencionada nos anais de Tiglate-Pileser 111 e de Esar-Hadorn, embora apareça próxima da fronteira entre a Assíria e o Elão,

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TELÉM - TELL EL-AMARNA A primeira porção do nome, "Til" parece indicar um lugar onde havia uma antiquíssima comunidade residente, mesmo para os assírios. Todavia, parece impossível uma identificação precisa do lugar, tanto devido à sua extrema antiguidade como devido ao fato de que, em áreas tão devastadas pelo homem ou pelas causas naturais, qualquer precisão geográfica toma-se praticamente impossível. Por isso mesmo, as sugestões de identificação tentativa têm sido as mais variadas, incluindo Theleda ou Thelesa, a sudeste de Raca, perto de Palmira; Artemita, no sul da Assíria ou norte da Babilônia; e Resérn, atualmente chamada Kalah Shergat.

TELÉM No hebraico, "cordeiro". Há uma personagem e uma localidade com esse nome, nas páginas do Antigo Testamento: I. Um porteiro do templo de Jerusalém, que retomou do exílio babilônico, e que se casara no estrangeiro com uma mulher da qual teve de separar-se, quando do pacto estabelecido por Esdras. Ver Esd. 10:24. Telém viveu por volta de 445 a.C. 2. Uma cidade de Judá, próxima de Zife e de Bealote. É mencionada somente em Jos. 15:24. Ver sobre Telaim, segundo parágrafo. Telérn ficava na região do Neguebe, trecho semidesértico, na porção sul do território de Judá. TELHA No hebraico, lebenah, "branco", "tijolo". Essas peças de cerâmica chamavam-se de "branco" porque eram feitas de pedra calcária muito branca. A telha era um tipo de lajota. Antes de 3000 a.c., esses tabletes eram usados para sobre eles, quando a argila que os formava ainda estava mole, se fazerem os sinais cuneiformes, por meio de um estilete. Em seguida, o tablete era deixado ao sol, a fim de secar e endurecer, ou então, era posto para cozer no fomo, perpetuando a escrita que ai i tivesse sido gravada. As telhas, fabricadas com o mesmo material, foram usadas, em grande parte do mundo antigo, como uma maneira comum de cobrir casas e outros edifícios. Não obstante, na Palestina, usualmente, as casas eram cobertas com um tipo de teto feito de um forro inferior de madeira, por cima do qual se prensava uma camada de argila, bem compactada, misturada com palha. Ver sobre Teto. Telhas de cerâmica são mencionadas em Lucas 5: 19 e Marcos 2:4. No caso de alguma casa palestina, provavelmente, a referência é à argila usada no teto chato e compactado de que acabamos de falar. Os estrangeiros gregos e romanos que possuíam casas na Palestina, geralmente, preferiam cobri-las com telhas, e não com esse teto chato e compactado. TELL EL-AMARNA I. O Nome e o Local 11. Caracterização Geral Ill. Observações Culturais IV.Atonismo V. As Cartas de Tel1 EI-Amama I. O Nome e o Local

A palavra tell, encontrada em combinação com nomes próprios, deriva da palavra árabe que significa um monte artificial construído através de camadas sucessivas de antigas civilizações. De modo geral, os montes representam períodos progressivos na história, mas, às vezes, apenas um é contido dentro do monte. Os tells são numerosos na Palestina. Alguns dos mais comuns

são Tell en Nasbeh; Tell el Fui (Gibeá); Tell Jezer (Gezer); TeU ed-Duwir (Laquis). O famoso TeU El-Amarna é localizado no Egito, cerca de 250 km acima do Delta, no Cairo. Primeiro, o estudante deve entender que o Tell dessa cidade não está relacionado ao tell dos arqueólogos, pois não reflete um "monte" que foi escavado. O nome TeU EI-Amarna surgiu pela combinação de um nome de vila "El-Till" com "El-Amarna", o nome de uma tribo árabe que habitou a área em determinada época. O nome da cidade antiga era Akeht Aton, que significa Horizonte de Aton. 11. Caracterização Geral A palavra tell, designação dos arqueólogos para um monte onde civilizações passadas foram enterradas, nada tem que ver com o TeU de TeU El-Amarna, como vimos acima. Rigorosamente falando, o nome do local é uma designação errônea que confundiu tanto estudiosos como estudantes. As cartas encontradas ali (ver a seção V) tiveram imensa importância para a compreensão da cultura egipcia daquela época e suas associações com os países vizinhos. Se confiarmos na cronologia da Bíblia hebraica massorética, podemos datar essas cartas à época da conquista da Palestina sob Josué, o que seria em tomo de 1450 a.c. Mas alguns estudiosos pensam que elas são anteriores à conquista da Terra por Israel em cerca de um século e meio. Alguns também colocam a conquista em um período posterior e, nesse caso, a data de 1450 a.C. poderia ser preservada para as cartas, mas não para o êxodo e para a conquista. Em todo caso, as Cartas de Amarna são indispensáveis para a compreensão da Canaã imediatamente anterior à conquista da terra pelo povo hebraico. O faraó Aquenaton provocou revoluções religiosas e culturais no Egito, e extraímos informações sobre isso de cartas e escavações arqueológicas, mais de algum material derivado de antigas inscrições no Egito. Aquele faraó (não o do Êxodo) desenvolveu uma forma de monoteísmo, que de fato era um henoteísmo, ao suprimir os sacerdócios politeístas usuais. Além de ter absoluta autoridade religiosa, ele governava com mãos de ferro a política do estado a ponto de ter sido um ditador real. 111. Observações Culturais 1. A cidade era chamada de Akhet Aton, e o regente, de Ack-en-Atom, na versão portuguesa apresentado como Aquenatom. Ver a seção I para maiores detalhes sobre o local. A cidade era uma das três consagradas ao deus Aton, supremo naquele lugar, não tendo muita concorrência de outras divindades. Esse era um local, desde tempos muito antigos, de templos que honravam a um deus ou outro. O templo dedicado a Aton era uma estrutura complexa e notável e tinha um sistema sacrificial como principal característica de seus cultos. Havia outras estruturas notáveis, como um local rico, gigante em tamanho, medindo cerca de 450 m por 140 m. Suas decorações exageradas incluíam ornamentação em ouro das partes superiores das colunas, e pisos altamente decorados. Era um local de riqueza extravagante. O Maru-Aton, possivelmente uma residência para a realeza, tinha uma piscina artificial, jardins fechados e ricas decorações. A cidade teve um período de glória um tanto curto e foi finalmente desfigurada por Horemabe, que desejava apagar a memória do rei herege Aquenaton. 2. Aquenaton, Para uma compreensão completa do presente artigo, o leitor deve ver o artigo separado sobre o faraó Aquenaton. Ver a Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Esse homem tentou promover uma revolução religiosa e cultural, estimulando um tipo de monoteísmo que, de fato, era um henoteísrno, Ver a seção IV deste

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Tablete de barro, Carta de Tel1 El路Amarna em cune眉orme, c. 1380 A.D. Cortesia, British Museum.


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Codex Pi, 9° sée., Mat. 5:1455 COrtesia, Public Library, Leningrad


TELL EL-AMARNA -TEMÃ artigo. Sua reforma falhou, por fim, pois os sacerdotes que honravam aos diversos deuses importantes à história e à cultura egípcias recusaram converter-se à nova fé de Aquenaton. O homem foi considerado um herege, e a história diz que seu corpo foi mutilado após sua morte, tamanho o ódio dos "conservadores" contra ele. Alguns místicos modernos acreditam que esse homem foi um antigo ancestral do futuro anti cristo, ou, por reencarnação, o anticristo será o antigo faraó retornado. Não há como testar tais especulações. 3. Arte Amarna. A inovação e a revolução eram palavras-chaves de Aquenaton. Embora as formas de arte antiga tenham continuado, havia um tipo de radicalismo com a arte da época desse faraó. Talvez a principal característica dessa arte fosse o exagero grotesco do fisico humano. Representações do rei eram o principal assunto dos desenhos, pinturas e esculturas. Trabalhos representando o rei dão a ele um pescoço bastante comprido, um queixo protuberante em forma de V, grandes quadris e pernas em forma de bulbo, mas canelas bastante finas. Outras características humanas eram distorcidas dessa mesma forma. Os trabalhos parecem uma versão antiga de Picasso. Com o passar do tempo, contudo, tais características radicais foram reduzidas a ponto de os arqueólogos chegarem até mesmo a considerar representações um tanto afeminadas produzidas naquele mesmo período geral. 4. Linguagem. Até mesmo a linguagem não escapou ao machado de modernização do faraó. Elementos obsoletos foram removidos do idioma e a linguagem escrita foi alterada para que correspondesse àquilo que o povo falava. Estudiosos referem ao produto dessa reforma como "Egípcio Posterior". IV. Atonísmo O sol sempre foi uma grande atração teológica no Egito. Até mesmo Amon, o "escondido" de Teba, a longo prazo passou a ser identificado com o louvor ao sol. Ver o artigo separado sobre Sol, Adoração ao na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Aquenaton era um devoto radical de Aton, o deus sol, e forçou aos outros a seguir seu exemplo. O atonismo, contudo, não era um sincretismo real. Isto é, Aton não foi transformado na divindade principal de um panteão. Nem era esse um monoteísmo real, pois outros deuses continuavam existindo, mas eram chamados de usurpadores. Vários hinos e peças literárias cantavam seus louvores. O famoso longo hino a Aton das cartas de TeU EI-Amarna é um notável exemplo. Ela eloqüentemente louvava o poder universal, quase onipotente, criativo e providencial que sustenta o universo. Apenas o devoto faraó, Aquenaton, podia de fato conhecer seu alto deus, sendo assim, ele era o sumo sacerdote, tomando em suas mãos todo o poder religioso. O faraó também torna-se um mediador entre o alto deus e a humanidade. Além disso, o faraó é o filho do deus sol, participando, dessa forma, em sua divindade. O deus que brilha tão forte sobre toda a humanidade, brilha com especial intensidade no rei. O deus é, dá e sustenta toda a vida. A mágica perdeu terreno nessa fé, provavelmente devido ao fato de o rei deter todo o poder como um mediador e não precisar de passes de mágica para ter eficácia. Esta fé eliminou a idolatria do Egito (tanto quanto possível no período de vida de um homem), pois não fazia sentido ter imagens quando o rei vivo operava como sumo sacerdote e mediador de seu deus a outras pessoas. Esta série de exclusividades indicava o monoteísmo, mas não era uma declaração final a respeito.

O fanatismo do faraó não contaminou as massas, e entre a casta de sacerdotes havia muitos inimigos que continuavam a favorecer outras divindades. Os cultos populares a Osíres, Ísis e Horus retinham o imaginário das massas. Com a morte do rei, seus cultos foram simplesmente reabsorvidos nas crenças principais, permanecendo Aton como um deus entre muitos, legítimo de ser louvado, mas não um poder exclusivo totalmente abrangente. v.. As Cartas de TeU EI-Amarna No início, cerca de 350 tabletes de barro úteis foram encontrados, depois outros 50, totalizando cerca de 400 deles. Os tabletes eram assados ao sol e escritos no virtualmente internacional acadiano, com alguns "lustres" em amorítico. A maioria deles é um tipo de carta diplomática escrito em acadiano e enviado aos reis egípcios Amonefis III (1411-1375) e Amenofis IV, também chamado de Iknaton (1375-1358 a.C.) por seus governadores vassalos e príncipes na Síria - Palestina. Os tabletes fornecem muitas informações sobre a civilização do Oriente Próximo no segundo milênio a.C, Claro, os materiais dão uma introspecção especial à era de Amarna no Egito, e referem-se a Hapiru, que é importante para a compreensão das origens hebraicas. Ver o artigo sobre Habiru, Hapiru, na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Muitas informações são dadas sobre a situação sociopolítica interna de Canaã pouco antes da invasão e conquista daquela terra. Os detalhes fornecidos demonstram que essas condições eram muito semelhantes àquelas descritas em J osué. A terra era dividida em muitos pequenos estados ou reinados, cada qual com seu próprio pequeno rei. A história desses tabletes, como relacionada à Canaã, é de agitação social, assassinatos e morte, e a tomada e perda de cidades como o subir e descer da maré da história. TEMA No hebraico, país do sul, ou deserto. I. O nono filho de Ismael (Gên. 25.15; I Crô. 1.30), que era um líder de seu clã. Viveu por volta de 1840 a.C. O nome também pode indicar "queimado pelo sol", provavelmente uma referência à sua compleição escura. 2. A tribo que descendeu dele também era chamada assim (Jó 6.19; ler. 25.23). Esse era um povo nômade que participava do comércio por caravanas. 3. Assim era chamada uma cidade localizada entre Damasco e Meca. A Teima moderna marca o antigo local. Este é um oásis bem conhecido da Arábia. Nabonido, o último rei do império neobabilônico (em tomo de 556539 a.C.) marchou contra Tema (Teima) e contra a área, deixando o Belsazar biblico encarregado em casa, de acordo com certa inscrição acádica. Ele conquistou o povo, arruinou a cidade e então transformou uma forma reconstruída dela na capital de seu império ocidental. O louvor ao deus sol foi estabelecido ali, de acordo com um Estela Teima aramaico. Por algum tempo o local teve grande prestígio, mas por volta de 450 a.C. o persa Ciro conquistou todas as áreas ao redor de Tema, e, ao contrário do costume, não matou Nabonido, mas de fato deu a ele poder, como subordinado, sobre Carmania, um local ao sul da Pérsia. TEMÃ No hebraico "sul" ou "quarto sul", ou "direita". I. O nome de um neto de Esaú, por sua esposa hetéia, Ada (Gên, 36.11; I Crô. 1.36). Era um príncipe dos edomitas (Gên. 36.15, 42; I Crô. 1.36, 53) que deu seu

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TEMENI - TEMOR nome à localidade que habitava. Ele viveu em tomo de 1900 a.c. 2. Esse era o nome do território (cidade e tribo) de Edom (ler. 49.20; Eze. 24.13), que pode ser identificado com a Tawilan moderna, uma cidade cerca de 5 km ao leste da antiga Petra. Os temanitas ocupavam, de modo geral, a parte sul da Iduméia. Eram conhecidos por sua coragem e sabedoria (Jer. 49.7). Vários profetas do Antigo Testamento incluem o local e seu povo quando denunciam os edomitas (Jer. 49.50; Eze. 25.13; Amós 1.12; Oba. 9). Em Hab. 3.3, Temã é usado como um nome para toda a Iduméia. TEMENI No hebraico, "afortunado". Era um homem pertencente à tribo de Judá. Era filho de Asur, filho de Calebe. Ele é mencionado exclusivamente em I Crô. 4:6. TÊMIS No grego, thêmis, derivado do verbo tithemi, "pôr". Há duas coisas a considerar: 1. A idéia foi personificada como deusa da lei e da boa ordem. 2. Essa palavra também designa o tipo de lei estabelecido pelos costumes, e não por alguma determinação judicial. A personificação desse termo tem recebido diversas interpretações. Assim, Ésquilo a representava como Gaia (terra), mãe de Prometeu (deliberação prévia). TEMÍSTIO Suas datas aproximadas fora 317 - 387 d.e. Ele nasceu na Paflagônia; trabalhou como filósofo em Roma e Constantinopla. Ensinava que Platão e Aristóteles estavam de pleno acordo um como outro. Asseverava que o cristianismo e o helenismo são duas formas de uma única religião universal. Escreveu comentários, além das obras Paráfrases de Aristóteles; Sobre a Virtude; Orações e Discursos. TEMOR O medo é uma das principais emoções humanas. Ver o artigo geral sobre as Emoções. O trecho de Hebreus 2: 15 reconhece quão importante é essa emoção, dentro da experiência humana, declarando que, por causa do temor da morte, os homens passam a vida inteira na escravidão ao diabo. Existem temores benéficos e temores prejudiciais. O melhor temor de todos é o temor a Deus e das coisas que devemos evitar. Os temores prejudiciais são desnecessários, além de demonstrarem imaturidade e falta de fé. I. Temores Benéficos 1. O Temor de Deus. Deus é o mais apropriado objeto do nosso temor (1sa. 8:13). Deus é o autor do nosso temor (ler. 32:39); o temor a Deus consiste no ódio ao mal (pro. 8:13), na sabedoria (Jó 28 :28; Sal. 111: 10). O temor a Deus é um tesouro para os santos (Pro. 15: 16); serve-lhes de força santificadora (Sal. 19:7-9). O temor a Deus nos é ordenado (Deu. 13 A; Sal. 22:23). É inspirado pela santidade de Deus (Apo. 15:4). A grandeza de Deus nos inspira a temê-lo (Deu. 10:12). A bondade de Deus leva-nos também a temê-lo (1 Sam. 12:24). O temor a Deus conquista o perdão divino (Sal. BOA). As admiráveis obras de Deus inspiram-nos ao temor a Deus (Jos. 4:23,24). Os juízos de Deus levam os homens a temê-lo (Apo. 14:17). O temor a Deus é algo necessário como parte da adoração ao Senhor (Sal. 5:7). Faz parte do serviço que prestarnos aDeus (Sal. 2:11; Heb. 12:28). O temor a Deus inspira os homens a um governo justo (ll

Sam. 23 :3). O temor a Deus é uma influência aperfeiçoadora (lI Cor. 7: 11).As Escrituras ajuda-nos a compreender o temor a Deus (pro. 2: 15). 2. OTemor de Deus Residente no Homem. Aqueles em quem há o temor a Deus agradam o Senhor Deus (Sal. 147:11). Deus compadece-se dos tais (Sal. 103:13). Eles são aceitos por Deus (Atos 10:35). Eles recebem de sua misericórdia (Sal. 103: 11,17; Luc. 1:50); eles confiam em Deus (Sal. 115:11; Pro. 14:26). Eles afastam-se do mal (Pro. 16:6); eles têm comunhão com pessoas dotadas das mesmas atitudes santificadas (Mal. 3: 16). Deus cumpre os desejos daqueles que o temem (Sal. 145:19); e a vida deles é prolongada na terra (Pro. 10:27). 3. O Temor de Deus como uma Virtude. Os homens deveriam orar a fim de receberem o temor a Deus (Sal. 86:11). O temor a Deus é exibido na vida cristã autêntica (Co\. 3:22). Também demonstramos nosso temor a Deus quando damos aos nossos semelhantes uma razão para a nossa expectação espiritual (I Ped. 3: 15). O temor a Deus é uma atitude que deveríamos manter com constância (Deu. 14:23; Pro. 23: 17). Deveríamos ensinar aos outros o temor a Deus (Sal. 34: 11). Quem teme a Deus tem vários pontos de vantagem (Pro. 15: 16; 19:23; Ecl. 8:12,13). Os ímpios, por sua vez, não sabem o que é temer a Deus (Sal. 36: 1; Pro. 1:29; Rom. 3: 18). 11. Temores Prejudiciais 1. O principal temor prejudicial é o medo da morte, que escraviza os homens que não têm confiança no Senhor (Heb. 2: 15). 2. Há quem tema aos homens, que passam a governar-lhes a vida desnecessariamente (Rom. 13:6). O remédio para isso é a fé em Deus, a qual não permite que homens irracionais e malignos nos prejudiquem. O temor ao homem assemelha-se a uma armadilha (Pro. 29:25). 3. Qualquer temor prejudicial serve somente para encher a mente de ansiedade (Mal. 6:25 ss). A cura para esse tipo de temor é o reconhecimento de que Deus é o nosso Pai, e de que ele cuida de nós. As pessoas temem não obter as provisões básicas para as necessidades ftsicas; e esse temor chega a atormentá-las diariamente. Porém, se buscarmos em primeiro lugar ao Reino de Deus, e à sua justiça, então obteremos a vitória sobre o medo - porque veremos que tal receio não tem qualquer fundamento na realidade. 4. Há temores que resultam de nossa participação no pecado (Gên. 3:10; Pro. 28:1). Os ímpios fogem mesmo quando ninguém os está perseguindo. O senso de culpa de Caim te-lo ficar fugindo (Gên. 4: 14). O senso de culpa de Herodes fê-lo sentir-se um miserável e temeroso, depois que mandara decapitar João Batista (Mal. 14: 1 ss). Os ímpios são assaltados por todas as formas de temores e de pressentimentos, de coisas que lhes podem acontecer(Jó 5:21; Isa. 7:25; 8:6; Apo, 18:10,15). IH. O Temor de Deus no Tocante à Salvação É-nos ordenado que ponhamos em prática (em nossa versão portuguesa, desenvolver) a nossa salvação, com temor e tremor, reconhecendo que poderemos fracassar, a menos que apliquemos os meios da graça, cuidando também para que o poder do Espírito opere em nós (Fi!. 2: 12). Ver o comentário sobre esse importante versículo, para a vida cristã, no NTI. Nesse e em outros sentidos igualmente, o temor do Senhor é o princípio da sabedoria (Pro. 9: 1O; Sal. 111: 1). IV. O Banimento do Temor As Escrituras ensinam-nos como podemos banir o temor negativo ou prejudicial de nossas vidas, conforme se vê nos pontos abaixo discriminados:

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TEMPERANÇA - TEMPESTADE 1. Experimentando a presença de Deus em nossas vidas. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo... (Sal. 23:4). 2. Mediante o poder protetor de Deus, através da fé. Deus servia de escudo para Abraão (Gên. 15: 1). 3. Através da confiança no poder remidor de Deus. "Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu" (Isa. 43: I ,5). 4. A manifestação de Deus dissipa todo o temor (Êxo. 3 :6; Luc. 1:30; 2: I; Mal. 14:26; 17:6 ss). 5. Há ajudantes espirituais que nos auxiliam para banirmos o temor (Mat. 26:53). 6. O amor cristão, uma vez aperfeiçoado, o que inclui a confiança no amor que Deus tem por nós, expulsa o temor de nossos corações. Isso envolve a liberdade do temor da morte, que é, precisamente, o castigo que sobrevém aos iníquos. Ver I João 4:18. 7. A confiança na benevolência de Deus nos alivia de nossos temores no tocante à fome, aos sofrimentos e a qualquer forma de carência. Luc. 12:32; Mal. 6:25ss. V. Exemplos de Temor Piedoso 1. Abraão (Gên. 22: 12); 2. José (Gên. 39:9); 3. Obadias (l Reis 18: 12); 4. Neemias (Nee. 5: 15); 5. Jó (Jó 1:1,8); 6. Os crentes primitivos (Atos 9:31); 7. Cornélio (Atos 10:2); 8. Noé (Heb. 11:7). TEMPERANÇA Uma definição de dicionário acerca dessa palavra é "o estado ou qualidade de ser controlado; a moderação habitual". O indivíduo temperado é aquele que "observa a moderação ou o autocontrole, procurando evitar extremos", em qualquer atitude ou ação. Um uso especializado é o uso moderado de bebidas alcoólicas, ou mesmo a abstenção total das mesmas. A temperança aparece como uma das quatro virtudes cardeais da filosofia moral de Platão: sabedoria, coragem, temperança e justiça. Outros filósofos gregos adotaram a idéia, e, então os teólogos cristãos acrescentaram-lhes a triada paulina da fé, do amor e da esperança, perfazendo assim as chamadas "sete virtudes cardeais". Ver sobre as Sete Virtudes Cardeais. "Moderação" tornou-se uma espécie de "lema" ético entre os gregos, e essa idéia foi transportada para o Novo Testamento. Ver o artigo chamado Moderação.

A Temperança no Novo Testamento: Paulo pregou sobre a temperança a Félix (em nossa versão portuguesa, "domínio próprio"), paralelamente à justiça e ao juízo vindouro (Atos 24:25). O "domínio próprio" (temperança) é um dos aspectos do fruto (ou cultivo) do Espírito Santo (Gál. 5:23). Ainda como "domínio próprio", a temperança é a terceira das grandes virtudes que Pedro ensinou que deveríamos adicionar à nossa fé (11 Ped. 1:5,7). A temperança é uma das qualidades essenciais do ministro da Igreja (ver Tito 1:7,8, "sóbrio"). Também é uma qualidade necessária para o sucesso no serviço cristão (ver I Cor. 9-25-27, "se domina"). Naturalmente, a temperança só é aplicável àquelas coisas que podemos praticar, ou por serem moralmente indiferentes. Não devemos errar com moderação. No combate contra o mal, a palavra-chave é "abstinência", e não temperança ou moderação. Ver 11 Cor. 6: 17. Ver sobre Autocontrole . TEMPESTADE Precisamos considerar cinco palavras hebraicas e quatro palavras gregas, a saber:

I. Suphah, "tufão", "furacão". Esse vocábulo hebraico é empregado por quinze vezes, nas páginas do Antigo Testamento: Jó 21 :28; 27:20; Sal. 83: 15; 37:9; Pro. 1:27; 10:25; Isa. 5:28; 17: 13; 2U; 29:6; 66: 15; Jer. 4: 13; Osé, 8:7; Amós 1:14 e Naum 13. 2. Searah, "vendaval". Palavra hebraica que aparece por catorze vezes, como em 11 Reis 2: 1,11; Jó 38.1; 40:6; Isa. 40:24; 41 :16; Jer. 23:19; 30:23; Zac. 9:14; Sal. 107:25,29; 148:8; Eze. 13:11,13;Naum 1:3. 3. Saar, "tempestade". Palavra hebraica que é usada por apenas uma vez, em Isa. 28:2. 4. Zerem, "tempestade", "inundação". Palavra hebraica que é utilizada por nove vezes: Isa 4:6; 25:4; 28:2; 30:30; 32:2; Hab. 3:10; Já 24:8. 5. Saah, "agitação", "arremetida". Termo hebraico usado somente por uma vez, no particípio, em Sal. 55:8. 6. La.ffaps, "tufão", "furacão", "vendaval". Termo grego usado por três vezes: Mar. 4:37; Luc. 8:23 e II Ped. 2:17. 7. Thúella, "vendaval". Palavra grega que é utilizada apenas por uma vez, em Heb. 12: 18. 8. Cheimán, "tempestade de inverno". Vocábulo grego que ocorre por seis vezes: Mal. 16:3; 24:20; Mar. 13:18; João 10:22; Atos 27:20; 11 Tim. 4:21. Em Atos 27: 18 temos o verbo correspondente a esse substantivo, cheimázomat. que a nossa versão portuguesa traduz por "açoitados... pela tormenta". 9. Seismôs, "abalo", "terremoto". Embora essa palavra grega ocorra por catorze vezes, com o sentido comum de "terremoto", logo em sua primeira ocorrência, em Mat. 8:24, o autor sagrado a usa em relação à tempestade que ocorreu no lago de Tiberíades, e que ele acalmou com uma palavra de ordem. Trata-se, portanto, de um uso sui generis do termo grego. Na região da Palestina, as tempestades eram um fenômeno bastante comum, figurando de forma proeminente na consciência de alguns dos escritores biblicos, como o salmista e o profeta Isaias. Esses viam as tempestades como uma ameaça à segurança dos homens ou como um castigo divino infligido contra os malfeitores. Ver Sal. 55:8; 83:15; Isa. 4:6; 25:4; 28:2. Por causa de sua freqüência, e dos vários tipos de tempestades, havia tão grande número de palavras hebraicas envolvidas. Os tipos de tempestade mais comuns que se verificavam na Palestina eram os seguintes: I. Os temporais, que ocorriam, principalmente, no começo da estação chuvosa, no outono, quando a terra ainda estava quente devido aos dias de verão. Eram particularmente comuns em torno do mar da Galiléia, quando o vento que soprava em direção à terra passava sobre a bacia quente do lago. 2. Os remoinhos de ventos, ou vórtices locais, como aquele que arrebatou Elias para o céu (11 Reis 2). 3. As tempestades no deserto. Esses eram os mais importantes e temidos, por causa dos seus efeitos. Ocorriam quando o vento soprava do deserto, trazendo um ar quente e ressecante, que crestava as plantações às margens do deserto. Na Palestina, esse vento se chama siroco, soprando das direções sul ou leste, isto é, do deserto da Arábia. Geralmente acontece no começo e no fim do verão, e quase sempre é acompanhado por uma poeira sufocante e por elevadas temperaturas. Atravessando a Palestina do Oriente para Ocidente, esses vendavais chegavam até às margens do mar Mediterrâneo (cf. Sal. 48 :7). Jesus referiu-se às características do vento que sopra do deserto, em Lucas 12:55. -...e quando vedes soprar o vento sul, dizeis que haverá calor, e assim acontece".

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TEMPLÁRIOS - TEMPLO TEMPLÁRIOS Foi a primeira e mais notável das ordens religiosas militares da Igreja Católica Romana, durante a Idade Média. Na época das cruzadas (que vide), o fervor religioso mesclou-se com as atividades militares. Essa ordem religiosa foi fundada em 1118 por Hugue de Payens e Godeffroi de St. Omer, na época do rei Balduíno 11, rei de Jerusalém. Mas a ordem foi fundada na França, inicialmente com o propósito de proteger os peregrinos que quisessem visitar a Terra Santa. O nome dessa ordem deriva-se da circunstância de que sua primeira sede fazia parte do palácio de Balduíno, que ficava perto de uma antiga mesquita em Al-Akra, chamada Templo de Salomão. Essa ordem adotou a regra de Benedito, porque ela chegou a ser reformada pela ordem dos cistercianos (que vide). O concílio de Troyes (1128 d.C.) deu sua aprovação à ordem. Bernardo de Clairvaux (que vide) era um de seus mais ardentes apoiadores. A ordem consistia em cavaleiros da cavalaria pesada, sargentos, ou cavalaria ligeira, agricultores que administravam as necessidades temporais, e capelães que cumpriam os deveres sacerdotais. Obedeciam somente ao papa e ao seu próprio Grão-Mestre, o que produziu muitas fricções com os bispos e com o clero inferior. Os templários exploravam as operações bancárias, o que lhes conferiu grande poder econômico. O poder militar deles protegia-lhes as finanças, e sua posição como clérigos. Sua participação nas cruzadas ganhou para eles a reputação de serem soldados corajosos, embora isso lhes tivesse custado muitas vidas. As riquezas materiais que conseguiram amealhar atraíram a atenção de Filipe, o Belo, rei da França, o qual resolveu obter todo aquele dinheiro para si mesmo. Exercendo pressão sobre o papa Clemente V, acusando a ordem de heresia e sacrilégio (como condições para que alguém se unisse à ordem), Filipe, o Belo, conseguiu suprimir a ordem. A maioria dos templários, em vista disso, ingressou nas fileiras de seus anteriores rivais, os Hospitaleiros (que vide). Foram estes que acabaram apossando-se das riquezas materiais dos templários, os quais, gradualmente, foram desaparecendo de cena. Vários escritores seculares, principalmente franceses, têm escrito sobre os desmandos dessa ordem, acusando seus membros de grosseiras imoralidades. TEMPLO Ver Templo de Jerusalém. TEMPLO (ÁTRIOS) Ver Templo de Jerusalém. Quatro átrios faziam parte do templo de Jerusalém: 1. O átrio dos gentios. Era assim chamado porque os gentios podiam entrar no mesmo, mas não mais adiante, sob pena de morte. Simbólico e espiritualmente, esse átrio mostrava que os gentios tinham um acesso apenas limitado à adoração e ao serviço de Deus. Eles não podiam adentrar o santuário, e, muito menos ainda, o Santo dos Santos. Porém, em Cristo todas essas barreiras foram derrubadas. Agora há acesso a todos os crentes, até o trono de Deus (Heb. 10: 19,20), por intermédio do Caminho, que é Cristo. Temos acesso mediante o sangue de Cristo, o novo e vivo caminho que nos foi aberto. Agora Cristo é o nosso Sumo Sacerdote, e nós somos um reino de sacerdotes (Apo. I: 6; 5: 10). Mais do que isso, o crente tomou-se um templo do Espírito de Deus (I Cor. 3: 16), e a Igreja, coletivamente falando, é o templo para habitação de Deus, em Espírito (Efé. 2: 19,20). 2. O átrio de Israel. Os homens de Israel tinham o direito

de admissão a esse átrio. Esse átrio representava um outro nível de acesso. Embora participassem da adoração no templo, os israelitas comuns não tinham acesso ao Santo dos Santos. Somente o sumo sacerdote, e isso mesmo apenas uma vez por ano, podia entrar ali, a fim ~e cumprir a expiação simbólica sobre o propiciatório. Ver Exo. 30: 1O. 3. O átrio dos sacerdotes. Era nesse átrio que ficava o altar dos holocaustos, e onde os sacerdotes e levitas exerciam o seu ministério. Esse átrio representava ainda um outro nível de acesso a Deus, embora ainda não o mais elevado. Até mesmo o Santo dos Santos era mero símbolo e acesso preliminar. Portanto, o templo de Jerusalém, com suas muitas divisões e níveis de acesso, servia de tipo de um acesso gradual a Deus. O evangelho de Cristo elimina todas as divisões. Ver Efé. 2: 17 ss. O Espírito Santo confere aos crentes o mais pleno acesso. 4. O átrio das mulheres. Esse átrio ficava um pouco mais próximo do santuário do que o átrio dos gentios. O átrio das mulheres era posto à disposição das mulheres israelitas. No entanto, em Cristo não há qualquer distinção entre homem e mulher, no que concerne a privilégios espirituais (Gál, 3:28). Essa é uma doutrina revolucionária, exposta pelo cristianismo. Ver o artigo geral sobre Templo de Jerusalém o que provê uma ótima ilustração onde o leitor pode notar os vários átrios, sua configuração, etc. TEMPLO DE DEUS, IGREJA COMO Efé. 2:22: no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito. Habitação. Esta palavra corresponde ao Templo que é a habitação do Senhor. E usada, nas páginas de N.T., somente aqui e em Apo. 18:2. Subentende um lugar permanente de residência. E é utilizada aqui para fazer contraste com a idéia dos "peregrinos", que aparece no décimo nono versículo deste mesmo capítulo. Assim, pois, os crentes não são mais estrangeiros e nem peregrinos, que habitam em uma terra que não é a sua, onde não gozam dos direitos da cidadania. Antes, eles mesmos se tornam a habitação do Espírito Santo, o lugar de sua manifestação. Também são co-cidadões e até mesmo filhos da família divina, segundo a ênfase dada nos versículos dezoito e dezenove deste capítulo. 1. No Espírito. Essas palavras podem indicar: 1, Por meio do Espírito Santo, em que ele age como agente; ou 2. melhor ainda, no Espírito, ou seja, em comunhão que é conferida pelo fato de que em nós habita, em sua esfera, dentro de sua realidade. Nessa "comunhão" é que nos tomamos habitação do próprio Deus. No dizer de Abbott (in loc.): "O Espírito não é apenas o meio ou instrumento, mas é igualmente o medianeiro por cuja virtude Deus habita na igreja". Deus, mediante ou em seu Santo Espírito, habita no templo (mistico). Devemos observar que a habitação é de Deus, porque isso assinala o fato de que Ele é o grande Senhor dessa casa, que essa casa pertence a Ele, e que Ele habita nela como possessão sua. "Assim, pois, temos o verdadeiro templo de Deus Pai, edificado por Deus Filho e habitado por Deus Espírito Santo - os oficios das três pessoas benditas são distintamente frisadas: Deus Pai, em toda a sua plenitude, habita na igreja e a enche; essa igreja é constituída como templo santo e dedicado a Deus no Filho; e é ocupada pela presença permanente do Espírito Santo.. (A lford, in loc.). Por conseguinte as palavras no Espírito significam mais do que "espiritualmente" (embora isso também expresse uma verdade). Pelo contrário, está em pauta a presença real de Deus, por intermédio do seu Santo Espírito, ou

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TEMPLO - TEMPLO DE JERUSALÉM seja, toma-se possível e é concretizada uma comunhão mística, através do fato de que esse templo é santificado.. Cabe aqui uma extensa citação extraída de Adam Clarke (in loe.), que reputamos excelente e expressiva: - A igreja de Deus, com toda a razão, é declarada uma obra nobre e maravilhosa, verdadeiramente digna do próprio Deus. Diz alguém: Nada existe de tão augusto como a igreja, visto que ela é o templo de Deus. Diz outro: Nada é tão digno de reverência, posto que o próprio Deus nela habita. Nada é tão antigo, já que os patriarcas e profetas labutaram para edificá-Ia. Nada é tão sólido, pois Jesus Cristo é o seu fundamento. Nada é mais intimamente unido e indivisível, porquanto Cristo é a sua pedra angular. Nada é mais belo ou melhor adornado, com maior variedade, visto que consiste de judeus e gentios de todos os séculos, países, sexo e condições; os maiores potentados, os mais renomados legisladores, os mais profundos filósofos, os mais eminentes eruditos, além daqueles de quem o mundo não era digno, têm feito parte e são parte desse ediflcio. Nada é mais espaçoso, porquanto se propaga pela terra inteira, incluindo todos os que têm lavado suas vestiduras e as têm embran-quecido no sangue do Cordeiro; Nada é tão inviolável, porquanto foi consagrada a Jeová. Nada é tão divino, visto que se trata de um edificio vivo, animado e ocupado pelo próprio Espírito Santo. Nada é tão beneficente, visto que abriga os pobres, os miseráveis, os aflitos de todas as nações, raças e línguas. Ela é o lugar onde Deus opera seus feitos admiráveis; o teatro da sua justiça, da sua misericórdia, da sua bondade e da sua veracidade; onde ele é buscado, onde ele pode ser achado, e onde ele pode ser retido, com exclusividade. Assim como existe um único Deus, bem como um único Salvador mediador entre Deus e o homem, e assim como há um só Espírito inspirador, assim também só há uma igreja, onde esse inefável Jeová realiza sua obra de salvação. A igreja, a despeito de está espalhada e dividida por todo o mundo é apenas um edificio, alicerçada sobre o Antigo e o Novo Testamentos; dotada de um único sacriflcio, o Senhor Jesus, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dessa gloriosa Igreja, cada alma crente é um epítome; pois assim como Deus habita na Igreja, de modo geral, assim também habita em cada crente; em particular; cada um é habitação de Deus por meio do Espírito. Vãs são todas as pretensõesdas seitas e dos partidos, como se fossem grupos privilegiados da Igreja de Cristo, se não possuem a doutrina e a vida de Cristo . Tradições e lendas não são doutrinas. apostólicas, e as cerimônias espetaculosas não perfazem a vida de Deus nas almas dos homens. A religião cristã não precisa dos ornamentos e das pompas humanos; ela rebrilha com a sua própria luz e refulge com a sua própria glória. Mas onde não houver vida e poder, os homens haverão de esforçar-se por produzir uma imagem fictícia, vestida e ornamentada com as suas próprias mãos. Nessa imagem fictícia, entretanto, Deus nunca bafejou; e isso quer dizer que jamais fará qualquer bem aos homens, impressionando os ignorantes e crédulos com uma espetaculosidade vã de pompa e de esplendor sem vida. Esse fantasma, epitetado de "religião verdadeira" e de "igreja", pelos seus seguidores, lá nos céus é denominado de 'vã superstição', o símbolo mudo da piedade desaparecida.

TEMPLO DE JERUSALÉM I. Nome e Terminologia 11. Histórico do Templo de Salomão Ill, Local e Descrição IV. O Segundo Templo V. O Templo Ideal de Ezequiel VI. O Templo de Herodes VII. Significados e Propósitos dos Templos Para informações adicionais, ver o artigo separado sobre Templos. Este artigo é limitado aos templos que foram construídos no mesmo local em Jerusalém. I. Nome e Terminologia A palavra hebraica é hekal, termo derivado de um vocábulo sumério que significa "casa grande", que em uso de modo geral significa "a casa de uma deidade". Havia também o termo bayith, que significa "casa"; godesh, que significa, estritamente, "santuário", talvez em referência a templo que se tomou local sagrado de louvor e culto a Deus ou a um deus. Em conexão com o yahwismo, temos beth YHWH, "a casa de Yahweh", A palavra grega naos é usada comumente no Novo Testamento para "templo". O termo oikos (casa) é empregado uma vez (Luc.ll.51). Ieron, "o local sagrado", é ainda outro termo empregado para um templo como local sagrado. Essa palavra é usada com muita freqüência no Novo Testamento. VerMal. 4.5 e I Cor. 9.13, a primeira e última das ocorrências. O monte do templo era chamado de "a montanha da casa do Senhor" (Isa. 2.2) ou "a montanha da casa" (Jer. 26.18; Miq. 3.12). Ver o artigo geral sobre Sião. 11. Histórico do Templo de Salomão Ver o artigo geral sobre o Tabernáculo, que por séculos serviu aos israelitas como um local sagrado portátil. A idéia de que ele deveria ser substituído por uma estrutura permanente, mais magnífica, foi de Davi, sem dúvida seguindo a sugestão do Espírito, que moveu seu coração e sua mente para ser generoso com os cultos de Yahweh, não meramente consigo mesmo. Ele havia construído para si mesmo um local rico e tinha vergonha de sua negligência para com o prédio da casa de Yahweh. Davi havia destruído ou confinado todos os inimigos de Israel, algo que Josué e as gerações a seguir não haviam sido capazes de fazer. Ele havia inaugurado um período de paz e prosperidade, que era uma época ideal de desenvolver os cultos religiosos sem interferência e invasões estrangeiras. VerI CrÔ. 28.12, 19; I Crô. 17.1-14; 28.1 ss. Mas Davi era um rei guerreiro sangrento que havia participado de vários assassinatos, muitos dos quais totalmente desnecessários. Portanto não era a pessoa certa para construir o templo. A tarefa foi deixada para o filho de Davi, o "homem de paz", significado do nome Salomão. Davi contribuiu muito para o projeto com materiais de construção e objetos valiosos (I Crô. 21.9 ss.). Salomão iniciou a época áurea de Israel e parte disso foi a construção de um magnífico templo. Os israelitas eram um povo de grandes produções literárias, como o Antigo Testamento dos hebreusisraelitas-judeus da Palestina e os livros pseudepfgrafos e apócrifos dos judeus da Diáspora. Mas eles nunca foram um povo de ciência e não tinham conhecimento nem mãode-obra especializada para construir um templo. Salomão teve de contratar os fenícios para essa tarefa. Eles forneceram o conhecimento e muitos materiais, além de, provavelmente, quase toda a mão-de-obra especializada. Ver I Reis 5.1-6. O que Salomão tinha era o dinheiro e à mão-de-obra escrava para fazer o "trabalho sujo". Além disso, dispunha da visão emprestada de seu pai e da

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TEMPLO DE JERUSALÉM determinação de ver o trabalho terminado, o que ocorreu no l l o ano de seu reino. O trabalho levou sete anos e meio para ser concluído (c. 949 a.C.). 111. Local e Descrição O templo foi construído no Monte Moriá (ver a respeito). Aquelejáera um local sagrado por causados acontecimentos importantes que ali ocorreram na história passada de Israel. O monte era (é) localizado a leste de Sião (ver a respeito), um morro que o próprio Davi havia selecionado para o propósito quando construiu um altar ali depois de determinada praga destrutora ter acabado (I Crô, 21. 18 ss.; 22.1). O templo exigia uma área de pelo menos 400 cúbitos por 200 cúbitos (sendo que um cúbito mede cerca de 45 em). O cume do morro precisava ser nivelado para fornecer uma fundação plana. A antiga eira de Aruna, também chamada de Orna, era a área em questão (11 Crõ. 3.1). Presumivelmente, aquele foi o local onde ocorreu o sacrifício (pretendido) de Abraão de Isaque (Gên. 22.2). Ver 11 Sam. 24.24, 25; I Crõ. 22.1; 21.18, 26 para outras Escrituras que tratam da área onde o templo foi construído. "O templo se situava no morro leste, ao norte da cidade de Davi, onde é localizado hoje a Abóbada da Rocha. Naquela época, o monte do templo era consideravelmente menor. Salomão precisou aumentá-lo um tanto (Josefo, Guerras, 5.5. 185). Herodes precisou ampliá-lo ainda mais para seu templo. Essa era a eira de Arauna (11 Sam. 24.18), o Monte Moriá (11 Crô. 3.1) e provavelmente o Sião dos salmos e profetas (Sal. 110.2; 128.5; 134.3~ Isa. 2.3; Joel 3.16; Amós 1.2~ Zac. 8.3), embora o termo tenha pertencido especificamente à cidade de Davi (I Reis 8.1)". (William Sanford LaSor). Descrição. O templo foi construído com pedras cortadas; media cerca de 60 cúbitos de comprimento, 20 cúbitos de largura e 30 cúbitos de altura. Tinha um telhado plano e coberto, composto de toras e tábuas de cedro, sobrepostas com mármore. Josefo insiste em que houve outro andar construído em cima dessa estrutura de fundação que dava à estrutura dimensões duplas em altura, pois esse segundo andar, em dimensões, era uma duplicata do andar de baixo (Ant. viii. 3,2). Se ele estiver certo, então a altura da estrutura do templo era de 60 cúbitos de altura, 60 de comprimento e 20 de profundidade. E difícil harmonizar essas dimensões fantásticas com o relato do Antigo Testamento. O plano geral era semelhante ao do tabernáculo substituído pelo templo, mas as dimensões foram duplicadas. As partes que constituíam o prédio eram: uma estrutura retangular que tinha uma varanda ou vestíbulo (Heb. Ulam, I Reis 6.3); depois havia a nave (no hebraico Hekal), que ficava virada para o leste (o local sagrado); além disso ficava o debir, ou o local mais sagrado (I Reis 8.6). A varanda media 10 cúbitos de profundidade e 120 cúbitos de altura (11 Crõ. 3.4), mas esse número, de tão gigantesco, pode ter sofrido alguma corrupção textual no início. Duas colunas, chamadas Jaquim e Boaz, feitas de bronze oco e 35 ou 40 cúbitos de altura, ficavam em cada lado da entrada (11 Crõ. 3.15-17). As paredes internas eram revestidas com cedro trazido do Líbano (I Reis 5.6-10; 6.15-16), e sobre esse revestimento havia outro de ouro (vs, 22). O local mais sagrado era revestido com ouro puro (vs. 20). Os hebreus tinham de depender de trabalhadores habilidosos que o rei, Hirão da Fenícia, forneceu. O supervisor do prédio era chamado de Hirão (7.13) ou, alternativamente, Hurão-Abi (11 Crô. 2.13). O lugar mais santo continha a arca da aliança (ver a respeito), 1 Reis 6.19, e o querubim, cujas asas cobriam a arca (vs. 23). Esses anjos eram muito grandes, e suas asas iam de uma parede à outra. Uma porta de madeira de

oliveira, revestida de ouro, separava o lugar mais sagrado da nave (o santuário externo também chamado de local sagrado), vs. 31. Uma porta semelhante separava a nave da varanda (vs. 33). A nave continha um altar dourado (7.48) que era distinto do de bronze que ficava no pátio. Esse era feito de cedro (revestido de bronze), 6.20. O altar de incenso (ver a respeito) ficava na frente do lugar mais sagrado, centralizado entre as paredes. E havia a mesa de ouro do pão da proposição no muro do sul, além de lamparinas no muro norte. O próprio templo era cercado por dois pátios, um interno para os sacerdotes (11 Crô. 4.9), e um externo, chamado de o Grande Pátio, onde os israelitas podiam circular e que provavelmente continha diversos prédios reais. As dimensões do pátio interno não são fornecidas, mas, se dobrarmos as do tabernáculo, a área deve ter medido 200. cúbitos por 100 cúbitos. O pátio interno continha o altar de bronze (11 Crô. 4.1), onde eram oferecidos sacrifícios; as dez bacias de bronze em dez suportes especiais, cinco de cada lado da casa; e o grande derretido, ou mar de bronze, um local de lavagens rituais localizado no canto sudeste da casa. Esse "mar" tinha um diâmetro de 10 cúbitos e 5 cúbitos de altura, podendo conter cerca de 40 mil litros de água. Essa era a fonte de água para as lavagens rituais dos sacerdotes para limpar partes dos animais sacrificiais (11 Crô. 4.6). Minhas descrições excluíram as ornamentações elaboradas que o templo todo recebeu, nos quais metais preciosos, tapeçarias complexas e trabalhos de escultura foram empregados. Para uma descrição completa, algo verdadeiramente impressionante, ver I Reis 5.6-7.51. Arqueologia. O templo de Salomão foi estilizado de acordo com os templos fenícios, como demonstram claramente as descobertas arqueológicas. Isso poderíamos ter suposto sem o trabalho dos arqueólogos, já que foram os fenícios que forneceram as habilidades para sua construção (I Reis 7.13-15). Templos semelhantes do mesmo período geral foram escavados no norte da Síria, como o templo de TeU Tainat. Esse é menor, mas de projeto semelhante. Tanto esse quanto o templo de Salomão eram de construção pré-grega, um item que autentica sua antigüidade. Outras descobertas autenticaram vários itens de construção como a capital proto-aeólia nos pilares, que era um projeto usado extensivamente no templo de Salomão. Exemplos desse tipo foram desenterrados em Megido, Samaria e Siquém. As decorações de lírios gravados e palmas, além dos querubins, também foram encontradas em outras estruturas. As duas colunas na extremidade da varanda foram ilustradas por escavações feitas em TeU Tainat. Pilares, para guardar a entrada dos templos, eram um item comum nas antigas construções de templos. O tabernáculo e o templo claramente ilustram acesso limitado, cada divisão admitindo apenas certas pessoas: Israel na corte externa; a corte externa para os sacerdotes; o local sagrado; o lugar mais sagrado, onde finalmente, podemos encontrar a Presença, a teofania de Yahweh. Em Cristo, temos acesso direto ao trono de Deus, como demonstra o livro de Hebreus (Heb. 4.6, por exemplo). Ver o artigo sobre o Acesso para mais ilustrações. O Primeiro Templo (o de Salomão) foi atacado diversas vezes e então destruído porNabucodonosor, rei da Babilônia, em 587-586 aC. Ver 11 Reis 25.8-17; Jer. 52.12-23. O estudante que deseja detalhes sobre o templo de Salomão deve ver o Antigo Testamento Interpretado, que fornece uma exposição versículo a versículo sobre todos os capítulos e versículos que nos falam dessa estrutura.

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o Templo de Salomio - Reconstrução por Stevens - Cortesia. Zondervan. Pub. House


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TEMPLO DE JERUSALÉM IV. O Segundo Templo Esse templo é chamado de segundo por ter sido o que substituiu o de Salomão, que havia sido destruído. E também chamado de Templo de ZorobabeI. Quando os judeus retornaram do Cativeiro Babilônico, encontraram uma cidade arruinada e não muito mais do que a fundação do templo de Salomão ainda existia. Foi feito um esforço para reconstruir o templo, em termos muito humildes, é claro, pois aquelas poucas pobres pessoas não tinham o dinheiro de Salomão nem os trabalhadores especializados que ele havia importado da Fenícia. O trabalho foi iniciado, como registrado em Esdras 3, mas não foi levado adiante. Como resultado do encorajamento dos profetas Ageu e Zacarias, o trabalho foi reiniciado em 520 a.C. O templo foi finalmente terminado no sexto ano de Dario, o rei persa, isto é, no dia 12 de março de 515 a.c. Ver Esd. 6.15. O resultado foi uma pobre substituição do primeiro templo, mas respeitava o mesmo plano geral (Esd. 6.3), mesmo não tendo as ricas decorações do primeiro. Josefo, fornecendo informações dadas por Hecato, declara que a corte externa tinha aproximadamente 150 m por 45 m e continha um altar de rochas não polidas que media 20 cúbitos por 10 cúbitos de altura (Ag. Ap. 1.198). O Talmude (Yoma, 21 b) fala-nos de cinco omissões tristes, isto é, coisas que o segundo templo não tinha: a arca da aliança, o fogo sagrado, o Skekinah (a Presença de Yahweh, manifestando-se em formas especiais como na teofania); o Espírito Santo, e o Urim e Tumim (ver a respeito).

V. O Templo Ideal de Ezequiel Ezequiel, nos capítulos 40 a 48, descreve em grande detalhe esse templo "ideal". Alguns supõe que esse templo deva tomar-se uma realidade no Milênio, portanto chamamno de Templo do Milênio. Os dispensacionalistas favorecem essa idéia, mas a maioria dos intérpretes supõe que Ezequiel apresenta um templo ideal, do qual podemos extrair lições morais e espirituais sem tentar construir uma estrutura flsica de fato. Aqueles que retomaram do Cativeiro Babilônico e construíram o Segundo Templo, não utilizaram o plano de Ezequiel. Em primeiro lugar, eles não tinham dinheiro, materiais nem conhecimento para uma realização tão gigantesca. O templo ideal foi dado a Ezequiel em uma visão, e talvez seja melhor considerá-lo um auxílio visionário à fé e não um plano arquitetônico que deveria ser seguido "algum dia". De modo geral, o plano segue o de Salomão, mas há diferenças significativas. Alguns de seus arranjos foram incorporados no plano do templo de Herodes.

VI. O Templo de Herodes Informações sobre esse templo derivam principalmente dos escritos de Josefo. Há algumas informações no Talmude. A arqueologia adiciona um pouco mais, porém não temos descrições detalhadas, como acontece no caso do templo de Salomão. Rigorosamente falando, o templo de Herodes foi o Terceiro Templo, tendo essencialmente substituído o segundo sem derrubá-lo (obviamente). Um templo de Deus não poderia ser derrubado, mas poderia ser substituído, se tal substituição fosse feita por meio de adição ou alteração. Herodes, o Grande, tinha um ego enorme e não havia como deixar o Segundo Templo humilde como era. De fato, ele ultrapassou a glória até mesmo do Templo de Salomão. O trabalho começou no 18" ano do reino de Herodes (em tomo de 20 ou 21 a.C.). Levou apenas cerca de um ano e meio para terminar o próprio templo, mas para terminar as cortes foram necessários outros oito anos. Prédios subsidiários foram

então adicionados e o trabalho estendeu-se pelos reinos dos sucessores de Herodes. A tarefa toda foi completada na época de Agripa 11, quando Albino era o procurador (64 d.C.), totalizando 46 anos de trabalho. Josefo contanos que as cortes do templo de Herodes ocupava 500 cúbitos. A área do templo era construída em terraços, uma corte sobre a outra, com o templo localizado no nível superior. Isso deixava o templo facilmente visível de Jerusalém e suas redondezas. A aparência era, assim, bastante impressionante, como podemos inferir também em Mar. 13.2, 3. Esse templo ocupava mais espaço do que os outros, assim era necessário fazer mais plataformas para a fundação. Para realizar isso, o Vale de Cedrom teve de ser parcialmente aterrado, o que também ocorreu em parte com o vale central (chamado de Tiropaeon). O monte do templo foi estendido, assim, a uma largura de 280 m. Enormes rochas foram empregadas para fazer os muros do leste e do oeste, muitas delas com 1,5 m de altura e de I a 3 m de comprimento. Uma delas media 12 m por 4 m! No canto sudeste foi construído um muro gigante que subiu 48 m acima do Vale de Cedrom. Um pórtico ou varanda foi construído ao redor de todos os quatro lados. Ele tinha colunas de mármore de 25 cúbitos de altura. O pórtico real, na extremidade sul, possuía quatro fileiras de colunas. Josefo (Ant. 20.9.221) contanos que o pórtico ao longo do lado leste foi construido por Salomão. Cf. João 10.23 e Atos 3.11 e 5.12. O próprio templo era cercado por um muro de 3 cúbitos de altura que separava o local sagrado da corte dos gentios. Era nesse muro que havia advertências que proibiam a entrada dos gentios em qualquer área além de sua corte, tendo como penalidade a morte. A corte dos gentios ficava, por assim dizer, na extremidade do templo; depois havia a corte das mulheres e então a corte de Israel (aberta a homens judeus apenas), a corte dos sacerdotes e finalmente o naos, o próprio templo com o lugar sagrado e com o santo dos santos. Esse naos ficava em uma plataforma ainda mais alta. Apenas os sacerdotes podiam entrar no local sagrado e no santo dos santos e, ainda assim apenas no Dia da Expiação. Oito portões levavam ao monte do templo (Josefo, Ant. 15.11.38). O Misna estabelece o número de portões em cinco (Mid. 1.3) O magnífico templo de Herodes foi destruído em 70 d.C. como resultado da contínua agressão aosjudeus por Roma, tendo por principal objetivo a independência. Tito comissionou Josefo para convencer os judeus a render-se para que o templo fosse preservado, mas ninguém deu ouvidos. Ampla agressão e massacre daí resultaram e tudo dentro do templo e ao redor dele que pudesse ser queimado, o foi. Curiosamente, isso ocorreu no décimo dia do 15" mês (AB), o mesmo dia no qual O rei da Babilônia destruiu o templo de Salomão. Jesus, o Cristo, havia sido crucificado, e a glória do Senhor havia partido de Jerusalém e de seu templo. Ajustiça foi feita em 70 d.C. O sistema sacrificial nunca foi reativado, sendo que o Grande Sacrificio, o Cordeiro do Senhor, havia cumprido Sua missão de sofrimento e trazido o perdão para os pecados do povo.

VII. Significados e Propósitos dos Templos I. Uma das principais lições dos templos judeus foi essas estruturas tinham O propósito de ser os locais dos cultos de Yahweh e onde sua Presença poderia ser revelada. De fato, os templos incluíam em sua própria estrutura o acesso ilimitado. Em Jesus, o Cristo, os limites foram removidos, e o homem tomou-se o templo de Deus (I Cor. 3.16). O mesmo é dito sobre a igreja (Efé. 2.20). Ver Acesso e Templo (Airios), artigos que ilustram esse primeiro ponto.

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TEMPLO DE JERUSALÉM - TEMPLOS 2. Louvor era a palavra-chave para todos os templos, judeus ou pagãos, embora algumas formas de louvor fossem idólatras e até imorais. 3. Sacrificio era outro fator comum dos antigos templos, que demonstraram a consciência dos homens de que precisavam fazer algo com relação aos seus pecados para satisfazer ou apaziguar seus deuses ou Deus. Ver o artigo Expiação. 4. Liderança espiritual. Certas pessoas levam sua fé religiosa mais seriamente e tomam-se os líderes do povo, sacerdotes dos templos. 5. Santuários. Alguns locais são mais significatívos do que outros como locais de louvor e busca espiritual. 6. A necessidade de louvor corporativo é claramente retratada pelo templo. Algumas pessoas ainda chamam suas igrejas de templos. A fé religiosa progride melhor quando há um esforço grupal na espiritualidade. 7. Os templos hebraicos demonstraram que o louvor deveria ficar livre de idolatria por causa de um conceito mais alto de Deus que estava sendo desenvolvido. Algo do mistério e da transcendência de Deus transformaram seus templos em locais distintos em contraste com os templos pagãos. 8. Os templos hebraicos (o naos, santuários internos, local sagrado e santo dos santos) não tinham fonte de luz externa. A luz vinha de lamparinas por dentro. O conceito de iluminação e da luz que vem de Deus em si era enfatizado. Ver o artigo Luz, a Metáfora da. 9. Misticismo. É possivel para os homens terem contato direto com o divino. Esse contato ilumina e espiritualiza o povo que o alcança. Há mais na vida do que o mundo físico, mundano, que nos aflige. Ver sobre Misticismo nesta Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 10. Teísmo. O Criador não abandonou Sua criação, mas continua presente nela. Deus emana, não apenas transcende. O Poder Divino interfere na vida humana, seja individual seja corporativa, recompensando os bons, punindo os maus, orientando e liderando, fazendo uma diferença. Contraste essa idéia com o deismo, que ensina que o Poder Criativo (pessoal ou impessoal) abandonou Sua criação, deixando à lei natural o governo das coisas. O teísmo bíblico vê Deus como uma Pessoa, não meramente como um grande poder. A observação ilustra o poder e a inteligência dessa Pessoa. Ver os artigos Teísmo e Deísmo na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 11. A confirmação dos pactos era um conceito importante que os templos enfatizaram e ilustraram. Yahweh era o Deus dos Pactos (ver o artigo com esse nome). 12. Os templos são forças unificadoras que ligam as pessoas que os utilizam, o que é bom para a comunidade espiritual. As pessoas compartilham de uma identidade espiritual comum. 13. Os templos são um auxílio para limitar facções e heresias. Um dos principais propósitos do templo em Jerusalém foi o de unificar o yahwismo, possivelmente ao anular os muitos oráculos que existiam na região. Esse propósito nunca foi realizado por completo. Os antígos oráculos persistiram apesar dos esforços unificadores. 14. A glória Shekinah recebeu a oportunidade de transformar a vida dos homens, pois era possível para tal glória manifestar-se no local mais santo e ser um fator iluminador. Ver o artigo Shekinah, 15. A necessidade de salvação e um meio para conseguir isso eram motivos importantes para a existência dos templos. A expiação era a doutrina central do templosalvação. 16. Embora a Deidade tivesse um lugar especial para

fazer contato com os homens, e embora houvesse um valor prático no louvor corporativo, não devemos pensar que os templos antigos limitavam o contato com o divino a apenas um lugar. Um templo era um local conveniente e abençoado de contato do divino com o homem, mas não um local exclusivo. A iminência não anulava a transcendência, nem a possibilidade de que a Presença pudesse ter muitos encontros com o homem fora de um local específico. O Novo Testamento, claro, traz tal contato com a alma humana, pois um homem toma-se o templo do espírito (I Cor. 3.16). Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei!(I Reis 8.27) 17. Milagres e fortalecimento da fé. As pessoas entram em situações nas quais apenas milagres podem solucionar seus problemas ou ocasionar as coisas necessárias para a continuação de sua vida e trabalho. Elas vão a santuários e locais sagrados para buscar tais eventos transformadores, e alguns desses locais tomam-se centros de intervenções incomuns e miraculosas. Eles fortalecem a fé das pessoas e confirmam o valor da atividade espiritual. Ver o artigo sobre Milagres.

TEMPLO, Símbolo de Graus de Acesso Espiritual 1.O antigo templo de Jerusalém era, por si mesmo, uma ilustração dos vários graus de acesso a Deus. Havia o átrio dos gentios, o átrio das mulheres, o átrio dos homens, o santuário dos sacerdotes e o Santo dos Santos, onde somente o sumo sacerdote podia entrar, e mesmo assim, somente uma vez a cada ano. 2. O autor da epístola aos Hebreus acreditava que aquele antigo templo refletia certa realidade celestial, a saber, o acesso ao Pai, nos próprios céus. As divisões do templo são paralelas às muitas moradas. (ver João 14:2), referidas pelo Senhor Jesus. A casa do Pai tem muitas salas. (tradução inglesa RSV, aqui vertida para o português). Esse conceito é similar aos lugares celestiais do vocabulário paulino. Na verdade, no "céu" há muitos céus e estes representam variegados degraus de glória. Jesus foi capaz de penetrar no mais elevado Céu, assentando-se à direita de Deus. Dessa maneira é que ele preparou o caminho para todos os crentes conquistarem a mais elevada glória. 3. Entretanto, estar salvo significa penetrar nos céus, embora não atingir a mais elevada glória de imediato. Isso terá de esperar por uma conquista eterna, embora seja um alvo adredemente garantido, porquanto, nosso Sumo Sacerdote espera por nós, dentro do Santo dos Santos. O que aqui expressamos é equivalente a graus de glória.. Sem embargo, o estado dos remidos jamais sofrerá estagnação. Haveremos de passar de um estágio de glória para outro, para todo o sempre (ver 11 Cor. 3: 18). E posto que haverá uma infinitude com que seremos cheios, também deverá haver um enchimento infinito. TEMPLOS I. Caracterização Geral 11. Terminologia Ill, Tipos de Santuários IV. Templos de Várias Culturas V. Significados e Propósitos dos Templos I. Caracterização Geral Ver o artigo separado sobre o Templo de Jerusalém, que traz consideráveis informações paralelas ao assunto deste artigo. A idéia de criar templos não foi inventada pelo povo

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TEMPLOS hebreu e, de fato, havia outros tabernáculos portáteis criados por povos que não da cultura hebraica. Vero artigo detalhado sobre o Tabernáculo, uma construção anterior à do templo de Salomão. Os hebreus sem dúvida injetaram na idéia do templo alguns aspectos diferentes e importantes. Em primeiro lugar, pode existir um templo que não promova a idolatria; ele pode existir sem promover o politeísmo; pode ser um local moralmente decente que não promova ritual sensual, que rejeite por completo coisas como a prostituição sagrada, parte integrante de culturas que louvavam a deuses e deusas de fertilidade. Em outras palavras, os templos hebreus estavam envolvidos na promoção de um conceito mais elevado de espiritualidade do que encontramos em outras culturas, embora haja muitos paralelos entre seus templos e os templos dos pagãos. Templo é um termo empregado para falar de qualquer lugar ou edificio dedicado ao louvor a uma deidade. A arqueologia demonstrou que mesmo cavernas, em épocas muito antigas, eram usadas como sítios sagrados, essas cavernas foram encontradas em locais separados un,s dos outros por grandes distâncias, como Malta, Egito e India. Começando como estruturas simples com rituais simples, foram desenvolvidos e transformados em estruturas elaboradas e decoradas contando com cultos complexos. Templos elaborados requeriam o trabalho de homens habilidosos em vários oficios, como os que trabalhavam com metais, tecelões e tinturas, escultura, pintura e construção. Alguns templos eram representações materiais peritas da melhor arte que os trabalhadores conseguiam produzir e muitos eram grandes realizações arquitetônicas. Os templos diferiam de cultura para cultura, cada qual expressando algo do gênio de seu povo. Considere as diferenças entre os grandes templos de Camaque, do Egito, o Panteão da Grécia, o templo de Jerusalém e as catedrais da Europa medieval, os santuários complexos dos hindus e os imponentes templos budistas. Comum a todos é (era) o desejo de aproximação com o Divino, o louvor, a busca de um caminho superior, o enriquecimento da vida material e a afirmação de que há algo além deste tipo de vida. Enquanto os templos eram (são) tipos de declarações teológicas, isto é, promoviam (promovem) linhas específicas de crença e prática, também exemplificavam (exemplificam) a crença do homem no mistério e no misticismo, qualidades inefáveis da espiritualidade. 11. Terminologia Para isso, ver o artigo sobre Templo de Jerusalém, seção I, Nome e Terminologia. 111. Tipos de Santuários Nem todos os santuários podem ser chamados de templos, mas o santuário muitas vezes antecedeu a um templo formalizado. 1. Santuários Naturais. Lugares sagrados onde algum tipo de acontecimento incomum ocorreu; grutas, cavernas, picos de montanhas etc. onde os profetas encontravam comunhão com o divino e onde pessoas comuns esperavam obter um pouco dos segredos dos profetas. Os cananitas consideravam os montes, tipos específicos de rochas, árvores e cavernas como locais onde os deuses ou espíritos se manifestavam e onde tais coisas poderiam ser repetidas. Os hebreus tinham santuários ao ar livre como os de Betel, na, Gilgal e Berseba. 2. Santuários Domésticos. A imagem de um deus era colocada em um manto ou em uma sala especial dedicada ao divino e o lar transformava-se em um santuário. O terafim de Labão era imagem desse tipo (Gên. 31.19). Essa prática era comum em tempos antigos e continua hoje, mesmo em segmentos do cristianismo atual.

3. Santuários Comemorativos. Em certos locais, ocorriam eventos especiais que lembravam aos homens que eles não estavam sós, que havia poderes que não eram vistos e podiam intervir nas atividades humanas e de fato o faziam. Uma gruta, um monte, uma rocha, uma tumba etc. tomavam-se santuários e alguns deles acabavam sendo transformados em templos. Considere o santuário de Betel, onde Jacó viu a escada e os anjos subindo e descendo, e originando-se da glória de Yahweh no local. 4. Forças de Santuários da Natureza. A mãe terra pode ser procurada em uma caverna ou em um monte. Havia em Creta cavernas dedicadas a Zeus; os minoanos louvavam em grutas subterrâneas escuras. Câmaras subterrâneas eram sagradas para alguns. Supunha-se que o totem da cobra curava. Os kivas, câmaras cerimoniais, alguns dos quais construídos embaixo da terra, eram parte importante do louvor dos índios americanos no sudoeste daquilo que hoje faz parte dos EUA. Fontes de água eram locais naturais para os homens buscarem o divino, como eram os picos das montanhas. 5. Santuários Portáteis. O mais conspícuo desses foi o tabernáculo hebreu que foi transportado durante 40 anos de vagueações no deserto, mas a arqueologia mostrou que havia santuários portáteis desse tipo entre nômades árabes e no Egito, objetos sagrados relacionados a rituais fúnebres. Uma antiga tradição semita era a de levar à batalha a tenda, santuários e objetos sagrados que supostamente ofereceriam proteção e sucesso em batalha. A arca da aliança dos hebreus era empregada dessa forma (Núm. 10.33; Deu. 1.33). Quando os santuários eram honrados pela construção de prédios especiais para a realização de cultos de uma deidade, o santuário transformava-se em um templo. IV. Templos de Várias Culturas I. Hebraicos e Judeus. Ver o artigo detalhado sobre Templo de Jerusalém, onde são descritos os três templos daquela cultura: o templo de Salomão, o templo de Zorobabel (o Segundo Templo) e o templo de Herodes, o Grande. 2. No Egito haviam templos monumentais e estatais, grandes estruturas que promoviam a religião do estado, como o de Carnaque, que honrava o deus sol, AmonRe. Havia outros nos montes em Mênfis, Tabas, Heliópolis, Hermópolis e Filae. Presumivelmente, os deuses davam atenção especial àqueles montes e ali podiam ser contatados. Era natural que os templos fossem erigidos para facilitar o contato. Um conceito comum era o "Deus no céu" que colocava o descanso de seus pés na terra. Os templos muitas vezes eram posicionais em locais próximos aos lugares dos reis, que eram considerados filhos dos deuses ou mediadores apropriados com eles, ou ambos, 3. Templos de Fronteiras. Pensava-se, em diversas culturas do Oriente Próximo, que a construção de templos nas fronteiras forneceria proteção à terra contra os inimigos, que estavam sempre à espreita "lá fora". Talvez os santuários de Jeroboão em Betel e Dã tivessem esse propósito (entre outros). O mesmo é verdade, presumivelmente, dos santuários em Laquis e Afeque, locais de resistência dos cananeus. 4. Templos Funerários. A morte, esse grande inimigo, é invocada por um santuário ou templo sagrado construído em áreas de enterro. Vários templos funerários foram descobertos no Egito. O povo tinha interesse em vencer o medo da morte ao fazer dela o centro de cultos religiosos e injetar "a vida além do túmulo" na questão

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TEMPLOS através de rituais especiais. As pirâmides da terceira, quarta, quinta e sexta dinastias egípcias exigiram dois templos funerários cada. No início pequenos santuários e capelas eram construídas perto dos locais de enterro e pirâmides. Seria natural que a capela, a longo prazo, se transformasse em um templo. 5. Templos Mesopotâmicos. Eram as "casas dos deuses", cada qual de modo geral especializada em alguma divindade particular. O deus vivia e trabalhava no templo e era o supervisor de todas as atividades. De modo geral, os prédios eram retângulos longos, padronizados de acordo com os mais primitivos da época de Uruque e AI Ubaide. Uma porta levava ao retângulo, mas, em épocas posteriores, a porta ficava ao lado. Uma lareira era colocada no centro do retângulo para aquecimento em épocas frias. Havia então um altar posicionado em um local de comando. Em geral, podemos dizer que tais templos pareciam as áreas de convívio de um lar primitivo, mas sua dedicação ao deus transformavam tais "habitações" em templos. Salas subsidiárias eram construídas junto às paredes, provavelmente para armazenamento. O material principal de construção eram rochas não polidas nativas da região. O Zigurate (ver a respeito) era um tipo de torre de templo erigido em estágios ou camadas. No topo era construído um santuário ou templo em honra ao mesmo deus. Em outras palavras, Zigurates eram montanhas artificiais. A arqueologia descobriu diversos desses em Ur, Asur e Chaga. Talvez a torre de Babel tenha sido uma construção desse tipo. Templos mesopotâmicos posteriores adicionavam um pátio e um prédio secundário ou salas junto às paredes e muros. 6. Templos Gregos (do grego Ternno, "cortar"). Esses locais originalmente nada mais eram do que uma área demarcada onde um sacerdote fazia sacrifícios ao seu deus, praticava sua divinação e, de modo geral, realizava os negócios do deus. Santuários eram construídos em tais locais sagrados, ao ar livre, então, finalmente, vieram prédios que poderiam de fato ser chamados de "templos". Quando prédios eram construídos para propósitos sagrados, a estrutura era um naos, um local para o deus morar ou manifestar-se. Uma única sala era o projeto mais antigo, que depois se dividia em corredores por fileiras de colunas de cada lado. Depois eram adicionadas colunas na frente ou atrás, ou em ambos os lados, e ainda mais para frente, em épocas sofisticadas, ao redor do naos. O próprio templo era construído em uma plataforma (pódio), que tinha escadarias pelas quais se atingia o templo. A maioria dos templos gregos ficava direcionada para o leste, onde nasce o sol para dar vida à terra. Dois tipos principais foram desenvolvidos simultaneamente: o dórico, com colunas maciças, simples, sem adornos. O estilo jônico era mais leve, caracterizado pela restrição artística e de bom gosto. A Acrópolis de Atenas combinava os dois estilos. O estilo coríntio era um terceiro tipo, de fato um embelezamento adicional do jônico. O exemplo melhor conhecido desse tipo foi o templo colossal do Zeus de Olímpia em Atenas, completado em 135 d.C. 7. Templos Romanos. Os mais antigos templos romanos imitavam os dos etruscos, tendo um naos dividido em três seções, honrando a triade sagrada, Júpiter, Minerva e Runo. Eles tinham um pódio ou uma plataforma onde o prédio descansava. Os templos romanos possuíam entradas (de modo geral) apenas por um lado, enquanto os templos gregos poderiam ser acessados por todos os quatro lados. Templos romanos posteriores copiaram as idéias das colunas gregas, isto é, o prédio de uma fileira de colunas. Um modelo posterior apresentava uma forma circular, como

o templo de Vesta em Tivoli. Alguns dos templos eram um tanto pequenos, mas uma exceção foi o panteão maciço que Adriano construiu em Roma em 80 d.e. Templos gregos e romanos não eram lugares de assembléia pública para louvor. As pessoas vinham e iam, servindo ao deus, mas multidões não se juntavam. As primeiras igrejas cristãs não copiaram a disposição geral dos templos, mas imitaram a das basílicas de Roma ou da sinagoga dos judeus. A basílica era um corredor público alongado, a princípio utilizado para o comércio ou para assembléias. A Igreja Católica Romana chama de basílicas certas igrejas que são honradas por motivos especialmente piedosos. 8. O templo também era uma instituição constante das culturas do Oriente Distante, como na China, na Índia e no Japão. "O Oriente Distante era adornado profusamente com templos" (Fem). Os templos dessa parte do mundo estão entre as maiores das realizações arquitetônicas. A "maravilha" da arquitetura Oriental é o Templo do Céu, da China. Ele tem nove grandes altares, como o altar da terra, da lua, do céu etc. O "do céu" é um local fechado de 737 acres cercado por uma grande parede vermelha com mais de 5 km de extensão. Dentro do local fechado há muitas áreas de florestas de árvores coníferas, largas avenidas, portões majestosos, um enorme altar, altares menores, o próprio templo, uma casa de tesouro, um corredor de festividades, salas de armazenagem, torres de sinos, poços etc. Grandioso é a palavra correta para este complexo de construção. O altar é uma série erguida de plataformas em três terraços de mármore. Não há imagens dentro do próprio templo, mas há um altar no centro com uma representação de dragão. O local foi construído em 1420 d.C. e depois ampliado e embelezado em 1752. A República Chinesa (quando chegou o comunismo) empregou a estrutura para escolas, hospitais e como estação agrícola e de experimentação. 9. Os templos de Confúcio foram liderados por oficiais do governo considerados intermediários de deuses. A estrutura principal desse tipo de templo é a encontrada na província de Chufu, em Shantung, construída em 442 d.C. O templo foi construído para honrar Sage, isto é, Confúcio, o mestre espiritual. Fora do complexo principal, há casas e templos familiares que dão homa aos descendentes diretos do Mestre. Há um poço ali, ainda preservado, de onde essas pessoas tiravam sua água Cercade 3 km ao norte dali fica uma pequena área florestada na qual se situa o túmulo de Confúcio, O Japão e a Coréia também têm templos de Confúcio. 10. Templos budistas são numerosos na China, no Japão e na Coréia. Eles têm o que é chamado de "estilo palaciano". Templos budistas de modo geral consistem em um complexo de prédios, templos, corredores ancestrais etc., todos virados para o sul. Os prédios agrupam-se ao redor de pátios sagrados, muitas vezes pavimentados e decorados com representações de lótus e outros desenhos artísticos. De modo geral há Corredores de Meditação, de Sabedoria, do Patriarca, além de monastérios que também formam a cena. A maioria dos templos têm jardins artísticos que decoram as áreas circundantes. Todos possuem uma torre de sino e um pagode, montes para guardar o stupa, isto é, os restos do humano morto. Além dos ossos e cinzas, esses locais abrigam escrituras e relíquias sagradas. v. Significados e Propósitos dos Templos Forneço informações detalhadas sobre isso, listando 17 itens, na seção VII do artigo sobre Templo de Jerusalém, acrma.

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TEMPO - TEMPO, DIVISÕES BÍBLICAS DO TEMPO Ver sobre Tempo e Espaço, Filosofa do. Quanto às divisões bíblicas do tempo, ver o artigo intitulado Tempo, Divisões Bíblicas do Tempo. TEMPO, DIVISÕES BIBLICAS DO A palavra portuguesa tempo vem do latim, tempus, derivado do termo grego temno, "decepar", "cortar fora". A idéia é que o tempo é algo dividido em partes, como porção de alguma duração maior de tempo. Esboço: l. Terminologia lI. Divisões Específicas do Tempo m. Gráfico das Divisões e dos Nomes IV.Conceitos Bíblicos do Tempo I. Terminologia No hebraico: I. Yom, "dia". Ou um dia natural, de 24 horas, ou algum tempo específico, com acontecimentos especiais, como "o dia do Senhor", o qualjá indica um uso metafórico. Corresponde aemera, no grego (ver abaixo). E muito comum. 2. Zeman, "tempo determinado". VerEcl. 11; ver também Dan. 2: 16, quanto à idéia de -período determinado.. 3. Mahar, "tempo vindouro" ou "amanhã", Ver Êxo. 13:14; Jos. 4:6,21. 4. Eth, "tempo geral", "tempo da tarde" (los. 8:29), "tempo cumprido" (lá 39:1,2), "à hora do sacrificio", em Dan. 9:21. Pode estar em foco qualquer "período" específico (Eze. 16:8). 5. Paam, "um tempo", ou, mais literalmente, "um golpe". Ver Sal. 119:126; Gên. 18:32; Êxo. 9:27; Pro. 7:12. Algumas vezes é traduzido como "agora". 6. Olam, "tempo oculto", tempo obscuro quanto à duração, cujo começo e fim estão na dúvida, ocultos do conhecimento humano. Ver Jos. 24:2; Deu. 32:7; Pro. 8:23. 7. No aramaico, iddan, "tempo estabelecido". Ver Dan. 4: 16,23,25,32. No plural, iddanim, essa palavra pode significar "anos", segundo parece ser o seu sentido nos versículos mencionados. Ver também Dan. 7:25; 12:7. Mas em Dan. 4:29 parece estar em pauta a idéia de "duração de tempo", e não exatamente de um ano. Keil comenta sobre aquele versículo onde o vocábulo em pauta é usado de maneira flexível. 8. Moed, "tempo fixado". Ver Êxo. 34:18; I Sam. 9:24; Dan.I2:7. 9. Monim, "tempos", "números". Ver Gên. 31:7, 41. 10. Regel, "tempos", "pés". Ver Êxo. 23:14; Núm. 22:27,32,33. 11. Mtsp ar-hay-yamtm, "número de dias". Ver I Sam. 27:7; II Sam. 2: 11.

No grego: 1. Eméra, "dia". Palavra extremamente comum no Novo Testamento, começando por Mat. 2: 1 e terminando em Apo. 21:25. 2. Geneá, "geração". Ver Atos 14:16; 15:21. 3. Kairôs, "período fixo". Outra palavra grega muito usada, começando em Mat. 8:29 e terminando em Apo. 22:10. 4. Chrónos, "tempo". Palavra usada por trinta e três vezes no Novo Testamento, desde Mal. 2:7 até Apo. 10:6. 5. Nun, "agora". Ver Mat. 24:21; Mar. 13:19; I Cor. 16:12. 6. Ora, "hora". VerMat. 14:15; 18:1; Mar. 6:35; Luc. LIO; 14:17; João 16:2,4,25; I João 2:18; Apo. 14:15. 7. Poté, "outra vez". I Cor. 9:7; I Tes. 2:5; Heb. 1:5,13; 11. 8. Prothesnita, "tempo designado de antemão", Gál. 4:2.

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9. Pópote, "qualquer tempo". Ver João I: 18; 5: 37; I João 4:12. 10. Apalai, "tempo antigo". Ver II Ped. 2:1 11. Etikairos, "tempo oportuno", Heb. 4: 16. lI. Divisões Especificas do Tempo I. Shanah, "ano". A idéia básica da palavra é "revolução", ou seja, algo que se repete, uma unidade onde há uma mudança das estações. Para os hebreus, nos tempos pré-exílicos, o ano era lunar, e consistia em 354 dias, oito horas e 38 segundos, havendo doze meses lunares. Naturalmente, os antigos hebreus não sabiam da duração exata do ano lunar, conforme acabamos de mostrar. Como esse ano lunar tem cerca de seis dias a menos que o ano solar, os hebreus precisavam acrescentar, ocasionalmente, um mês, a fim de preservar a regularidade das festas da colheita e da vindima. Esse acréscimo mantinha o mês lunar mais ou menos igual ao mês solar. Todavia, não se sabe qual método era usado pelos hebreus para fazerem esse acréscimo, nos dias antigos. Entre os judeus posteriores, depois do mês de Adar, havia o Vê-Adar, ou segundo Adar, como adição. O Sinédrio decretava essa adição, quando isso era sentido como necessário. Mas nunca se fazia qualquer acréscimo a um ano sabático. O mês de Abibe, ou Nisã (março-abril) dava início ao ano, entre os hebreus (Est. 17). O ano civil, porém, começava com o mês de Tisri (outubro). Tenho fornecido detalhes sobre os meses e anos no artigo Calendário Judaico (Bíblico),'juntamente com as festividades e os dias de celebração nacional, constantes nesse calendário. 2. Hodesh, "mês". Literalmente, -lua nova.. Os hebreus tinham um mês lunar de cerca de 29-1/2 dias. A regra geral aplicada era que em um ano não podia ocorrer menos do que quatro meses completos e nem mais do que oito meses completos. Para fazer os meses lunares corresponderem ao ano solar, ocasionalmente era adicionado um mês extra, conforme dissemos acima. Antes do exílio, ocasionalmente os meses são numerados, e não chamados por nomes (ver II Reis 25:27; Jer. 52:31; Eze. 29: 1), embora também pudessem ser chamados por nomes diversos, como: mês de abibe (Êxo. 13:4; 23:15). mês de zive (l Reis 6:1,37), mês de bul (I Reis 6:38) nomes esses que dizem respeito a atividades agrícolas. Após o exílio, foram dados nomes específicos aos meses, conforme mostro no artigo sobre o Calendário Judaico, mormente em seu terceiro ponto. 3. Shabua, "semana", no grego, sabbaton, "descanso". O intervalo entre os sábados, ou dias de descanso. O texto de Gên. 2; 2,3 já menciona a semana. Ver também 7:4; 8: 10,12. Instituições de semanas tomaram- se importantes J2ara a sociedade dos hebreus. Ver Núm. 19:11; 28:17; Exo. 13:6,7; 34:18; Lev. 14:38; Deu. 16:8,13. Após o exílio, semanas específicas receberam designações especificas. Ver Miq. 16:2,9; Luc. 24:1; Atos 20:7. A derivação astronômicada semana repousa sobre o fato de que a lua muda, aproximadamente, a cada sete dias (na verdade são 7-118 dias), de tal modo que o mês lunar consiste em quatro semanas, ou quatro quartos. Os nomes dos dias da semana derivaram-se, em vários idiomas, de diversas origens. Os planetas deram aos dias os seus nomes, dentro da cultura egípcia; dai, o costume passou para a cultura romana, e dai, para muitas outras. 4. Yom, "dia". Literalmente, "quente", no grego, emera, "período de tempo". Em ambos esses idiomas, está em pauta o dia natural, assinalado por luz e trevas; ou, metaforicamente, um período de tempo que tem propósitos ou características específicas. A palavra hebraica ocorre pela primeira vez em Gên. 1:5. "Dia" é a mais antiga


TEMPO, DIVISÕES BÍBLICAS DO designação de tempo, e também a mais comum. Os antigos marcavam o dia ou do pôr-da-sol ao pôr-da-sol, ou da alvorada à alvorada. Ver Lev. 23 :32; Êxo. 12: 18 quanto à primeira maneira. Os fenícios, os númidas e várias outras nações antigas também usavam esse método; mas as nações modernas preferem seguir o método romano. Quanto a usos figurados da palavra "dia", ver Gên. 2:4; Isa. 22:5; Joel 2:2. E esta enciclopédia apresenta vários artigos sob o título Dia. Ver também Calendário Judaico, em seu primeiro ponto. Vários artigos foram escritos sobre diferentes calendários. 5. Shaah, "hora". Literalmente, "olhar". No grego, ora, "período específico". A palavra é usada de várias maneiras, mas, principalmente, indicando uma vigésima quarta parte de cada dia completo (noite e dia). Lemos acerca das "horas", pela primeira vez na Bíblia, já ao tempo do cativeiro babilônico ver Dan. 3:6; 5:5); e parece que os babilônios foram um dos primeiros povos a dividir o dia em horas. Deles os gregos derivaram a idéia (ver, Heródoto 2.109). No Novo Testamento, encontramos as "vigílias", cada uma das quais consistia em várias horas fixas: três ou quatro. Ver o artigo detalhado, sobre Hora. Esse termo era e contin ua sendo usado em sentido metafórico, conforme é ilustrado pelo artigo acima referido. Ver também sobre Vigília. IV. Conceitos Bíblicos do Tempo Apesar da Bíblia não conter qualquer filosofia formal do tempo e do espaço, há conceitos relativos aos mesmos que se revestem de importância filosófica. Ver o artigo Tempo e Espaço, Filosofia do, que inclui as principais idéias sobre a questão. Ofereço aqui algumas idéias: 1. Somente Deus sempre existiu, sendo ele a força por detrás de toda outra existência. 2. Deus revelou-se ao homem, bem como o seu plano de redenção, por meio da história humana, de forma linear. A criação do homem foi seguida pela queda; o juízo divino

sobreveio ao homem caído. Foi formada uma nação com propósitos remidores; essa nação está destinada a uma elevada glória e posição entre as nações. Dessa nação veio o Messias ou Cristo, o qual tem implicações universais, que envolvem cada indivíduo. Os remidos chegarão a participar de sua natureza. Os não-remidos finalmente serão restaurados, em uma obra secundária do Lagos. A eternidade provê um progresso interminável, aos remidos, no tocante às qualidades divinas que os remidos participarão de sua natureza. Restauração pode encerrar muitas surpresas para os não-remidos. Ver os artigos intitulados Redenção; Salvação e Restauração, que detalham esses conceitos. 3. A Bíblia contém uma filosofia da história na qual Aquele que vive fora do tempo (Deus em seus atos) entra no tempo. O tempo será absorvido pela eternidade, onde não haverá mais tempo. O tempo é real, e não uma ilusão, conforme erroneamente supõem algumas fés orientais. 4. O Ser que vive fora do tempo representa a vida dos mundos não-materiais. A vida temporal representa a vida física. O homem, como ser dual (material e imaterial), é capaz de experimentar tanto o tempo quanto a eternidade. O homem tem um propósito e um destino a cumprir dentro do tempo; mas, a longo prazo também tem um destino, já na eternidade. S. A expressão "séculos dos séculos" refere-se à eternidade. Uma era (no grego, aeon ou aion) dá a entender ciclos futuros, que formarão a eternidade, cada um desses ciclos com seu próprio propósito. Esse assunto permanece essencialmente misterioso para nós. Alguns acreditam que o tempo, conforme o conhecemos, na verdade é circular, constituído por uma série de círculos, e que o tempo linear,: sobre o qual agora falamos, consiste meramente nas séries de eventos que constituem o ciclo presente. Talvez isso esteja certo. É razoável supormos que os tratos de Deus com o mundo têm ocorrido em muitos grandes ciclos do tempo,

111. Gráfico das Divisões e Nomes Os hebreus antigos mareavam o tempo com a ajuda da lua, dos fenômenos naturais e das observâncias religiosas: Hora Modema 18:00 horas 18:20 horas 22:00 horas 24:00 horas 2:00 horas 3:00 horas 4:30 horas 5:40 horas 6:00 horas

9:00 horas 12:00 horas 13:00 horas

Judaico Pôr-do-sol Gên 28: 1; Êxo. 17:12;Jos. 8:29 Estrelas aparecem Fim da primeira vigília Lam. 2:19 Meia-noite Êxo. 11:4; Rute 18; Sal. 119:62; Mal. 25:6; Luc. 1l:5 Fim da segunda vigília JlÚ 7:19 Canto do galo Mar. 13:35; Mar. 26:75 Segundo canto do galo Mal. 26:75; Mar. 14:30 Início do alvorecer Nascer do sol (Fim da terceira vigília) Êxo. 14:24; Núm. 21:11; Deu. 4:41; los. 1:15; I Sam. 11:11

Talmude Crepúsculo (no árabe, ahra) Noitinha, shema ou oração Jumento omeja

o cão ladra Alvorada (no árabe, subah) Três toques de trombeta (no árabe, doher) Sacrifício matinal

Primeira hora da oração Atos 2:15 Meio-dia Gên, 43:16; 1 Reis 18:26;Jó 5:14 Grande Vesperal

15:30 horas 17:40 horas

Pequena Vesperal

18:00 horas

Pôr-da-sol Gên, 15:12; Êxo. 17:12; Luc. 4:40

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Primeira mincha (oração); (no árabe aser) Segunda mincha (oração); (no árabe, aser) Sacrificio da tarde no altar noroeste. Nove toques de trombeta. Seis toques de trombeta na véspera do sábado


TEMPO, DIVISÕES BÍBLICAS DO - TEMPO E ESPAÇO relacionados a seres e criações acerca dos quais nada sabemos, e que o presente ciclo, dentro do qual vivemos, parecendo ser o único tempo existente, é apenas uma ilusão. Orígenes especulava que os ciclos nunca cessarão, e que um novo ciclo, urna vez iniciado, repetirá a necessidade de redenção, por ter havido outra queda. E talvez isso tenha ocorrido por muitas vezes. Talvez essas especulações envolvam alguma verdade; mas não temos meios de investigá-las, 6. Evidências geológicas e arqueológicas definidamente indicam a existência de uma raça humana pré-adimica, Ver sobre Antediluvianos; Criação e Adão. 7. A Igreja Ocidental (católicos romanos, protestantes e evangélicos) tem uma versão linear de como Deus opera na história e na redenção humanas. O homem foi criado e caiu; Cristo proveu a redenção; o homem precisa encontrar a salvação em um único período de vida terrena, quando é salvo ou condenado, pois a morte fisica determina uma estagnação sem remédio. Já a Igreja Oriental tem uma visão circular da questão. Para ela, a alma humana foi criada em algum passado distante (pois é Preexistente), cujo pontorão podemos demarcar em um círculo. Ademais, a morte física também não assinala um ponto absoluto nesse círculo. A vida pós-túmulo caracteriza-se por uma contínua oportunidade; não podemos assinalar um ponto no círculo em que Deus interromperá essa oportunidade. Todavia, no cristianismo oriental alguns assinalam como marca do fim dessa oportunidade a segunda vinda de Cristo, e não por ocasião da morte biológica. Mas há outros que não tentam assinalar marca alguma, deixando a questão inteiramente nas mãos de Deus, acreditando que ali penetramos em mistérios divinos insondáveis, De acordo com esse ponto de vista circular, não há tal coisa como estagnação, visto que os remidos haverão de progredir para sempre na natureza divina e seus atributos, enquanto que os não-remidos participarão de uma obra secundária do Lagos, cuja atuação não pode ser estagnada. Além disso, as almas humanas diversificar-se-ão em muitas espécies espirituais, nessa evolução espiritual. Os remidos participarão da natureza divina, o que representao mais elevado potencial oferecido aos seres humanos. 8. O Logos, conhecido como Cristo em sua encarnação, está relacionado a todos os períodos de tempo, estando envolvido na criação, corno também em uma missão tridimensional, que inclui todos os lugares, a terra, o céu e o inferno. Nenhum desses três aspectos chegarão jamais ao término; e todos eles continuarão atuantes em favor dos homens. De acordo com esse ponto de vista, fica garantido aos homens, dentro do tempo, que a dimensão {ora do tempo de seus seres será transformada por alguma eficaz operação de Deus. Esse conceito mostra-nos que Deus não se apressa na consecução de seus propósitos. Apesar dos homens limitarem o tempo de que dispõem, essa limitação é falsa e ilusória. A redenção da alma humana eterna requer muito tempo. 9. A visão humana daquilo que Deus está realizando, no tocante ao tempo e à eternidade, sempre será algo fragmentar, geralmente confinada aos ensinos de alguma denominação religiosa específica. Mas a verdade sempre é mais extensa do que a avaliação humana acerca da mesma.

TEMPO E ESPAÇO, FILOSOFIA DO Ver meu artigo sobre o Espaço, que expõe os vários pontos de vista filosóficos sobre a questão. Aqui apenas acrescentamos alguns pormenores, além de algumas

especulações sobre a natureza do tempo. O espaço e o tempo são grandes categorias filosóficas, e têm provido muitos debates. Continuamos ignorando muita coisa acerca desses fatos, mas pelo menos sabemos ser ridículo falar nas cinco horas em ponto no sol. O tempo é algo relativo a lugares e condições, e não urna entidade absoluta. Platão especulou acerca do mundo das Idéias e das Formas, onde não haveria tal coisa corno o tempo, conforme o conhecemos, e onde impera a condição de um eterno agora. Talvez essa idéia tenha servido de trampolim para a teoria da relatividade. Agostinho, em seus estudos sobre o tempo, escreveu a única filosofia original, em latim, sobre a questão tempo. E, mesmo assim, suas idéias estão alicerçadas sobre idéias de Platão. Esboço: I. A Filosofia do Espaço 11. A Filosofia do Tempo Ill, A Filosofia do Tempo e do Espaço I. A Filosofia do Espaço Ver o artigo sobre o Espaço, quanto a isso. 11. Filosofia do Tempo A palavra portuguesa "tempo" vem do latim, tem pus, derivado do termo grego temno, "cortar", "decepar". O tempo é aquilo que divide o dia em frações. E também podemos conceber períodos de tempo os mais diversos, como dias, semanas, meses, anos, séculos, milênios, eras, etc. Os termos gregos usados especificamente para indicar o tempo são chronos e aion. O primeiro indica o tempo em geral, e o segundo, longos períodos de tempo, como eras. O advérbio aiônios, no grego, significa eterno, sendo usado por várias vezes no Novo Testamento. Idéias dos Filósofos 1. Heráclito. Tudo se acha em estado de fluxo, e o tempo é o meio ambiente desse fluxo. O próprio mundo passa por grandes cicios, chamados "anos", durante os quais sucedem muitas coisas. Finalmente, cada ano chega a seu fim. Começa um novo ano, e também um novo cicio da existência. 2. Outras pensadores têm contemplado grandes cicios mundiais, como os estóicos, que falavam de maneira parecida com Heráclito, O Hinduísmo postula grandes cicios, controlados e utilizados por Deus. Shao Yung (vide) falava sobre ciclos consecutivos de 129.800 anos. 3. Platão definia o tempo como a imagem móvel da eternidade. O tempo, para ele, teria aparecido através da agência do demiurgo (vide), que seria o criador dos mundos materiais, embora não seja isso uma caracteristica do mundo eterno das Idéias ou Formas. O próprio tempo é temporârio, porquanto é apenas uma medida temporária na dimensão fisica, fazendo parte de uma realidade inferior. 4. Aristóteles definia o tempo como a enumeração de movimentos no tocante a eventos anteriores e posteriores. A palavra "agora" subentende tanto um "antes" como um "depois". Aristóteles acreditava que o tempo não teve principio. 5. Plotino asseverava que o tempo é uma energia incansável da alma do mundo, cujo intuito seria imprimir, nas formas materiais, a plenitude infinita do ser. Isso expressa a idéia de Platina de uma maneira poética. 6. Agostinho confessou a sua ignorância quanto à natureza real do tempo. Mas antecipou a teoria da relatividade ao dizer que o tempo está limitado à nossa esfera, e que existem esferas onde não prevalece o tempo, conforme o conhecemos. Ele também dizia que o tempo está presente em nós, sendo medido pela mente e pela alma do homem. 7. Os escolásticos, embora ansiosos por empregarem

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TEMPO E ESPAÇO, FILOSOFIA DO tudo às idéias de Aristóteles, quanto à questão tempo, contradisseram sua idéia da eterna existência do tempo. Eles acreditavam em uma começo do tempo, através da agência divina. O tempo caracterizaria a existência na Terra. Para eles, a eternidade seria a res tota simul, "a totalidade das coisas que existem ao mesmo tempo, em um eterno agora". Entre o tempo e a eternidade, eles postulavam o aevum, ou seja, o estado perene dos corpos celestes e dos anjos. 8. Thomas Hobbes falava sobre a realidade do tempo

o

destituído de eventos? Nossa mente impõe ao mundo empírico as noções de espaço e tempo? Nesse caso, a coisa em si mesma tem algo a ver com tais imposições, exceto de maneira pragmática? O tempo é algo que, realmente, foi fixado, ou será possível participar alguém do passado e do futuro? O espaço recebeu uma dimensão Infinita, dentro da geometria euclidiana, e muitos estudiosos têm-se aterrado a esse conceito de infinitude do espaço. Outros, porém, crêem em um espaço limitado, que pode assumir específicas

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na memória, e o futuro ainda não existe. 9. Spinoza dizia que o tempo, conforme o conhecemos, é uma percepção inadequada ou limitação da realidade, que é eterna. Se pudéssemos perceber a realidade conforme ela de fato é, então perceberíamos aquilo que é eterno, e não aquilo que é meramente temporal. Isso posto, a dimensão temporal, na verdade, é ilusória, por faltar-nos uma correta perspectiva. 10. Newton falava sobre o tempo relativo e o tempo absoluto. O tempo absoluto é de eterna duração. 11. Leibniz ensinava que as mônadas tomam-se realidade dentro do tempo, e que sua ordem são os sucessivos acontecimentos da existência. O tempo faria parte da programação traçada pela Grande Mônada. 12. Emanuel Kant afirmava que o tempo era uma categoria a prior; da mente, algo que a mente impõe sobre o mundo material. Seria algo empiricamente real, e também uma forma transcen-dentalmente ideal da intuição. 13. Willtam James dizia que o ilusório presente contém tanto o passado quanto o futuro. 14. Bergson referia-se ao tempo como uma mudança qualitativa que inevitavelmente envolve alterações - o "irse tomando". A razão empresta a idéia de espaço ao tempo, dividindo-o em unidades; mas a intuição é que melhor apreende a sua verdadeira natureza. 15. Whitehead insistia que o tempo é uma categoria do ir-se tornando, uma aventura que explora novidades; movimento que passa da potencialidade para a concretização, o que produz uma imortalidade objetiva. 16. Einstetn fazia do tempo a quarta dimensão do contínuo espaço-tempo; uma totalidade que se manifesta mediante linhas mundiais, com ocorrências futuras tão fixas quanto as do passado. Ele também falava sobre a relatividade do tempo associada à velocidade; e, à velocidade da luz, o tempo não mais fluiria. 17. F. H Bradley, J.E. McTaggart e outros filósofos têm encontrado motivos para negar a realidade do tempo, dizendo ser o mesmo uma ilusão. 18. As religiões orientais aludem à natureza ilusória do tempo, visto fazer parte da materialidade, que também é ilusória. O tempo seria uma conveniente invenção da mente, embora seja característica do Absoluto, o único dotado de existência real. 19. A fé cristã geralmente fala sobre o tempo como algo relativo à materialidade; e Deus, um Ser eterno, estaria fora do tempo. No mundo material, o tempo é uma seqüência de eventos, dotado de realidade e historicidade, embora de essência secundária. IH. A Filosofia do Tempo e do Espaço Algumas repetições de idéias são, aqui, inevitáveis. As indagações filosóficas que dizem respeito ao tempo e ao espaço, são: Será próprio tratar o tempo e o espaço como realidades, ou são meras imaginações arquitetadas pela mente? Haverá tal coisa como espaço vazio e tempo

mesmo uma linha. Uma outra indagação é aquela sobre a relação entre a teoria da relatividade e a questão do espaço e do tempo. A teologia e a ciência têm especulado sobre as realidades que não têm nem espaço e nem tempo, conforme conhecemos essas duas categorias. Os místicos falam sobre estados mentais que não têm nem espaço e nem tempo, mas que podem usar tais coisas como conveniências artificiais e pragmáticas. Para certas religiões orientais, o tempo e o espaço são artifícios mentais que fazem parte do grande sonho no qual todos estamos envolvidos. A realidade é alguma outra coisa. Newton reputava o espaço e o tempo como coisas reais que contêm extensão ou duração infinita, dentro de uma sucessão de eventos naturais. Se esse processo tivesse começado em um tempo diferente, ou em um lugar diferente, a sucessão de eventos poderia ser diferente. Leibnitz, entretanto, desafiou esse ponto de vista, preferindo pensar que o espaço e o tempo fazem parte da programação interna das mônadas. Na verdade, a realidade compor-se-ia de itens mentais não - extensíveis (não - espaciais), pelo que tanto o espaço como o tempo seriam meras conveniências mentais, e não realidades. Kant fazia do espaço e do tempo um aspecto de seu idealismo subjetivo. A mente já traz em si mesma as categorias do espaço e do tempo, impondo-as sobre o nosso mundo empírico, mas a realidade propriamente dita (a coisa em si mesma) não contém essas categorias. Foi revolucionária a rejeição à idéia geomética euclidiana do espaço como uma caixa infinita. Einstein complicou o mundo da especulação filosófica ao falar em um tempo recurvo e em um tempo que varia no tocante à velocidade. Coisas que antes pareciam ser entidades fixas, subitamente tomaram-se parte de um nebuloso mundo de relatividades. As implicações exatas das teorias de Einstein continuam controvertidas, particularmente quando, dentro da teoria geométrica geral do espaço-tempo, parecem desempenhar o papel de um fato real, com propriedades que podem ser explicadas. Na fé cristã, a questão tempo vê-se complicada por especulações acerca da vontade de Deus e sua ordenação dos eventos. Estudiosos cristãos afirmam que a mente divina contém, simultaneamente, o tempo inteiro, apagando assim as distinções de passado, presente e futuro. O poder do conhecimento prévio pode subentender o determinismo; mas filósofos, como Agostinho, têm divisado maneiras de evitar o determinismo. Para exemplificar, Agostinho disse que Deus prevê que os homens agirão livremente, pondo assim a presciência divina por detrás do livre-arbítrio divino, e não por detrás do determinismo. Se todos os eventos futuros estão, realmente, fixados, então será possível "relembrar o futuro". Poder-nos-íamos imaginar a pairar por sobre uma longa estrada. Assim, poderíamos olhar para a frente e para trás. E então veríamos todas as coisas ao longo dessa estrada, ao mesmo tempo. Ora, se essa estrada simboliza o tempo, então também podemos afirmar que o passado, o presente e o futuro podem ser vistos ou

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TEMPO E ESPAÇO - TENDA conhecidos por um observador postado no lugar certo. O futuro só parece obscuro para. aquele que não dispõe de um correto ponto de observação das coisas. Outro mistério teológico que se relaciona ao tempo é a questão da vontade de Deus concernente a suas obras finais e a oportunidade que os homens têm para ser redimidos e restaurados. Alguns teólogos, especialmente da Igreja Ocidental, estagnam a oportunidade dos homens, tanto dos remidos para progredir sempre na participação na natureza divina(II Ped. P:4), como dos não-remidos numjulgamento pós-túmulo. A Igreja Oriental tem uma visão circular sobre o tempo e a oportunidade. Não há no círculo qualquer lugar onde se possa marcar o fim da oportunidade e dizer: "Aqui Deus parou suas obras em favor dos homens redimidos ou não-redimidos". O Mistério da Vontade de Deus (vide) garante um final que opera através de um plano dinâmico, e este plano continua operando através de eras futuras (Efé. 1:9,10). Alguns especulam que uma vez completo o presente ciclo, tudo vai começar de novo, mas esta idéia está fora da esfera da nossa investigação, e, portanto, continua sendo curiosidade teológica. Espaço, Tempo e a Idade do Universo. No meu artigo sobre Astronomia, tenho demonstrado que a criação é de imensa idade. Até o uso de triângulos, segundo os métodos de simples agrimensura, demonstra que a criação deve ter pelo menos alguns milhões de anos de idade. Mas os telescópios de luz infravermelha mostram que o Universo tem pelo menos 16 bilhões de anos de idade. E perfeitamente possível que este cálculo seja mero início no nosso entendimento da imensa idade da criação. Alguns acham que é errado falar em qualquer início. A criação ~ um processo contínuo, não uma coisa uma vez feita. E claro que o espaço e o tempo estão envolvidos em grandes mistérios. Talvez a criação seja um ato eterno de Deus, como Orígenes especulou. Um dos grandes mistérios é origens. Até agora, não temos descoberto algo que resolva esse mistério em qualquer grau significante.

TEMPORALIDADE DE DEUS Esse é o nome que se dá à idéia de que o tempo é uma experiência inerente, intrínseca e irredutível de Deus. Esse ponto de vista representa uma reação contra a noção de que a mudança (um produto do tempo) não pode ser atribuída a Deus. Os gregos cultivavam a idéia de que qualquer mudança necessariamente envolve decadência e inferioridade, se não mesmo a cessação do ser. Por isso, os teólogos gostam de dizer que Deus vive "fora do tempo", noção essa que sempre fez parte de sua transcendência. Porém, um Deus imanente precisa envolver-se no tempo e nas mudanças. O não-ternporalismo sempre foi aplicado, pelos pensadores, à. natureza do mundo, o que parecia estar em total antagonismo com aquilo que observamos na vida diária. Leibnitz, porém, asseverou que o tempo não pode existir de maneira independente dos eventos, o que o levou a tomar a sério o tempo, quando aplicado à experiência divina. Mas, se a temporalidade de Deus combina mais com explicações finitas de seu ser, mesmo assim é possível imaginarmos um Deus transcendental que vive fora do tempo (conforme se vê nas Idéias ou Formas de Platão), mas cujas manifestações ocorrem dentro do tempo (como nos Particulares de Platão). E ao chegarmos nesse ponto, topamos com a antiga e difícil questão de como podemos falar de modo inteligível acerca de Deus, o mais augusto de todos os assuntos. Não admira, pois, que nos defrontemos com paradoxos e problemas.

TÊMPORAS Essa palavra dá a idéia de ciclos, que é precisamente a noção que há por detrás do vocábulo, conforme se vê em outras línguas, como no inglês. No inglês temos Ember Weeks and Days. "Ember" vem do inglês antigo ymbrene, que significa ciclo. Essa festividade diz respeito a um periodo de três dias, com orações, efetuada quatro vezes por ano, na quarta-feira, na sexta-feira e no sábado, após o primeiro domingo da quaresma, após o Pentecoste, após 14 de setembro e após 13 de dezembro. Esse costume é de origem romana. Esses períodos são costumeiramente aproveitados para ordenação de sacerdotes e têm sido especialmente assinalados no Livro de Oração dos anglicanos, desde 1662. TENAZ, ESPEVITADElRA No hebraico, temos duas palavras, uma das quais é apenas uma variante da outra, a saber, malqqchayim e melqachayim. A primeira ocorre por duas veze~ (Exo. 25:38 e Núm. 4:9); e a segunda por quatro vezes (Exo, 37:23; I Reis 7:29; 11 Crô. 4:21 e Isa 6:6). Um detalhe interessante, referente a essa palavra, em nossa versão portuguesa, é que em 11 Crônicas 4:21 e Isaías 6:6, encontramos a tradução "tenaz", ao passo que em todas as outras quatro ocorrências, aparece a tradução "espevitadeiras". As espevitadeiras eram pequenos instrumentos feitos de ouro, usados para tirar o carvão que se forma no pavio das lâmpadas alimentadas a azeite, como no caso do candeeiro de ouro, usado no tabernáculo, armado no deserto, e no templo de Jerusalém. Essas pontas queimadas eram depositadas em receptáculos que, para aumentar a confusão, em nossa versão portuguesa, também são chamados "espevitadeiras" (embora aí tenhamos uma outra palavra hebraica, mezammeroth; por exemplo, em 11 Reis 12:13; 25:14; Jer. 52:18). Na verdade, os nomes desses pequenos instrumentos e utensilios são de difícil tradução, o que talvez explique a falta de homogeneidade na tradução de vários desses termos hebraicos. Por outra parte, torna-se mais evidente que, em Isaias 6:6, na visão desse profeta ali relatada, um serafim tirou do altar uma brasa acesa, com uma "tenaz". E bem possível, pois, que as espevitadeiras tivessem o formato de uma pequena tenaz. TENDA 1. Termos. A palavra hebraica que significa tenda é obel, que ocorre cerca de 150 vezes no Antigo Testamento. Exemplos: Gên. 4.20; 9.21, 27; 12.8; 35.1; Êxo. 16.16; 18.7; 26.11-14, 36; Deu. 1.27; I c-e. 4.41. A palavra grega é skene, usada cerca de 20 vezes no Novo Testamento. Exemplos: Mal. 17.4; Mar. 9.5; Luc. 9.33; 16.9; Atos 7.43; Heb. 8.2,5; Apo. 13,6; 15.5; 21.3. 2. Natureza. A tenda é uma habitação portátil, feita de materiais duráveis coma o pêlo de cabra (Cantares 1.5), embora algumas fossem tecidas de outros materiais mais finos. O tecido de pêlo de cabra é (era) ideal, pois pode resistir até mesmo às chuvas mais fortes. A tenda oriental era mantida em pé por postes de tendas chamados amud, de modo geral em número de nove, embora algumas tivessem apenas um. As cordas que mantinham a tenda em pé não passavam pelo material da tenda, mas sim por laços costurados nele. A extremidade das cortas era amarrada em pinos de tenda chamados wed ou aoutad, que eram inseridos no chão. A maioria das tendas era dividida em duas partes, separadas por uma cortina pesada. Os móveis que compunham a tenda eram um carpete, almofadas e uma mesa baixa. Havia também

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TENDA - TENTAÇÃO A província nativa da Cilícia tomou-se conhecida por seus utensílios para preparar e consumir alimentos e uma excelentes tecidos de pêlo de cabra, a ponto de que o lamparina. tecido, usado para a fabricação de tendas grandes, era 3. Vida na Tenda. Os povos das tendas eram aqueles chamado de pano de Cilícia. A habilidade de Paulo nesse que iam de lugar a lugar para buscar alimentos ou para mister, provavelmente, consistia em saber cortar e costurar fazer comércio de caravana. Levavam com eles animais o pano nas dimensões certas, para fabrico das peças domesticados que tinham de pastorear, mas o povo das tendas não criava sua própria alimentação. Eles caçavam constitutivas de uma tenda, com as cordas, varas e outras porções que faziam parte necessária de uma tenda. quando em áreas que forneciam alimentos para isso. 4. A Tenda e os Patriarcas. Abraão e seu povo, que vieram de Ur, tinham casas permanentes, não sendo TENDÕES No hebraico, gid, "tendão", "nervo". É vocábulo usado nômades. Assumiram esse tipo de vida de romeiros na por sete vezes: Gên. 32:32; Jó 10: 11; 40: 17; Isa. 48:4; futura Terra Prometida. Canaã foi uma terra onde vaguearam até serem cumpridas as promessas de Deus • Eze. 37:6,8. Um tendão é uma forte ligadura fibrosa, ligando um músculo a um osso qualquer. No corpo humano, talvez de uma nação fixa. Os israelitas tinham casas em Gósen, o tendão mais bem conhecido seja o tendão de Aquiles., Egito, mas retomaram uma vida nômade nos 40 anos de vagueação, Uma vez que a terra havia sido conquistada, que liga o calcâneo à batata da perna. No caso de Ezequiel voltaram a viver em casas permanentes. 37:6,8, os tendões foram as primeiras partes dos corpos a recobrirem os ossos nus, na grandiosa visão daquele profeta. 5. As pessoas mais pobres tinham apenas uma tenda A experiência de Jacó, em Penuel (Gên. 32); pode ter que podia facilmente ser dobrada e carregada por um envolvido a contratura do músculo e do tendão, animal de carga, como um burro. Mas um xeque, um chefe ou um homem mais afluente teria várias tendas, " ...deslocou-se ajunta da coxa de Jacó..." (vs. 25). Parece que se rasgaram fibras musculares, deixando Jacó especialmente se fosse polígamo, isso é, se tivesse mais manquejando de uma das pernas. O deslocamento dajunta de uma família Patriarcas como Abraão, Isaque e Jacó, e parece referir-se a alguma injúria na junção entre a coxa seu irmão gêmeo Esaú, eram ricos habitantes de tendas (Gên. 13.2 ss.). Isaque assumiu a agricultura, mas sua e o osso ilíaco. Se tomássemos literalmente a expressão, principal ocupação era a criação de gado (Gên. 24.67; ela indicaria uma injúria grave nas cadeiras, 26.12 ss.). Jacó era um nômade rico (Gên. 31.33; 33.19; impossibilitando o ato de andar. 35.21). 6. Usos Figurativos. a. Os céus, que estão sempre em TENDÕES FRESCOS movimento, são como uma tenda (Isa. 40.22). b. A No hebraico, yetherim lachim, "cordões frescos" ou prosperidade, quando aumenta, é como ampliar uma tenda "cordões úmidos". Uma expressão hebraica que aparece (Isa. 54.2). c. A vida do nômade, de constantemente ter somente por duas vezes, em Juí. 16:7,8. E, no nono versículo, desse mesmo capítulo, reaparece a palavra que de montar e desmontar sua tenda, exigia a ajuda de outros. Um homem que não tem amigos é como o nômade que nossa versão portuguesa traduz por tendões. Dalila queria descobrir o segredo da extraordinária força não tem quem o ajude a montar sua tenda (ler. 10.20). d. de Sansão, a qual, naturalmente, residia no Espírito de Uma tenda que pode ser desmontada tão rápida e facilmente é como a vida fisica humana, que termina num Deus, enquanto ele fosse fiel à sua condição de homem piscar de olhos e é tão frágil (lsa. 38.12; 11 Cor. 5.1). Mas consagrado a Deus, ou voto de nazireado: Sansão, de certa esse não é um fator crítico, sendo que temos um lar feita, enganou Dalila dizendo que perderia as forças se permanente no céu. e. A futura desolação de Judá seria fosse amarrado com sete tendões de boi, ainda frescos. E tão grande, disse Isaías, o profeta, que nem mesmo um Dalila, que fazia o jogo de seus compatriotas filisteus, árabe se incomodaria em montar sua tenda em tal lugar acreditou e o amarrou desse modo-sem proveito nenhum. Sabemos que Sansão acabou revelando-lhe o seu segredo, (lsa. 13.20). f. Idealmente, Jerusalém seria como uma tenda impossível de mover (Jer. 33.20). g. Mas a queda e assim ele acabou sendo preso pelos filisteus, foi cego e da Judéia foi como uma tenda que teve suas cordas perdeu a vida quando derrubou, com a renovada ajuda de cortadas (Jer. 10.20). h. Jesus, o Cristo, é o sumo sacerdote Deus, os pilares onde se apoiava o templo do deus Dagom. da "verdadeira tenda" que o poder divino montou e não Morreram tantos filisteus que o domínio deles sobre Israel podemos derrubar, em contraste com o tabernáculo móvel se debilitou. das vagueações de Israel (Heb. 8.2). TENTAÇÃO TENDAS, FABRICAÇÃO DE Esboço: No grego, skenopoiás, "fazedor de tendas". Essa I. Definição profissão é mencionada apenas por uma vez na Bíblia lI. O Dilema Humano Ill, Deus é Fiel inteira, onde ap~ecem três fabricantes de tendas, o apóstolo Paulo, Aquila, um judeu crente, e Priscila, sua IV. A Vitória é Possivel mulher. Lemos em Atos 18:2,3: "Lá encontrou certo judeu V. Por que é Importante Resistir à Tentação? chamado Aquila, natural do Ponto, recentemente chegado VI. Meios para Escapar da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio 1 Cor. 10: 13: Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles. E, posto que eram do mesmo sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a oficio, passou a morar com eles, e trabalhavam; pois a tentação dará também o meio de saída, para que a possais profissão deles era fazer tendas". suportar. Os pais israelitas ensinavam as mais diversas profissões I. Definição a seus filhos, usualmente aquelas que eram seguidas com sucesso, por sucessivas gerações, pelas famílias. Por esse Há uma palavra hebraica e duas palavras gregas, motivo é que a Jesus foi ensinada a profissão de envolvidas neste verbete, a saber: carpinteiro, e a Paulo a profissão de fabricante de tendas. 1. Massah, "teste". "provação". Palavra hebraica usada

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LeBrun,

João Batista reprova Herodes

~,:helken.

Ary Scheffer,

A tentação de Jesus

As dez virgens


o DINHEIRO DO TRIBUTO


TENTAÇÃO por cinco vezes. Deu. 4:34; 7:19; 29:3;, SaL 95:8; Jó 9:23. 2. Peirasmôs, "teste", "prova". Palavra grega usada por vinte vezes: Mal. 6:13; 26:41; Mar. 14:38; Luc. 4:13; 8:13; 11:4; 22:28,40,46; Atos 20:19; 1 Cor. 10:13; Gál. 4:14; 1 Tim. 6:9; Heb. 18; Tia. 1:2,12; 1 Ped. 1:6; 11 Ped. 2:9 e Apo.3:1O. 3. Peirázo, ''testar'', "submeter à prova". Vocábulo grego que ocorre por trinta e seis vezes: Mal. 4:1,3; 16:1; 19:3; 22:18,35; Mar. 1:13; 8:11; 10:2; 12:15; Luc. 4:2; 11:16; João 6:6; 8:6; Atos 5:9; 9:26; 15:10; 16:7; 24:6; 1 Cor. 7:5; 10:9,13; 11 Cor. 115; GáI. 6:1; 1 Tes. 3:5; Heb. 2:18; 3:9 (citando Sal. 95:9); 4:15; 11:17,37; Tia. 1:13,14; Apo. 12,10; 3:10. No original grego, tentação é "peirasmos", que significa "teste", "provação", "tentação para a prática do mal". Esse vocabulário pode incluir ou não a idéia de alguma questão moral envolvida. Pode simplesmente indicar um teste difícil, uma prova, e não alguma tentação tendente à prática do mal, uma incitação ao pecado. Por outro lado, essa palavra pode envolver a idéia de incitação ao pecado. Essa foi exatamente a palavra utilizada pelo Senhor Jesus, em sua oração, no trecho de Mat. 6:13, onde ele diz: " ... e não nos deixeis cair em tentação...". É também o mesmo termo usado para indicar as tentações que Satanás lançou contra o Senhor Jesus, no deserto (ver Luc. 4: 13). Na passagem de Tia. 1:12 essa mesma palavra é empregada para indicar, bem definidamente, a tentação à prática do mal. É lógico acreditarmos, por conseguinte, que a tentação referida neste versículo tem por intuito incluir questões tanto "morais" como "amorais", isto é, tentações para a prática do pecado (o que é evidente no próprio contexto), mas igualmente, certos períodos de dificuldades, o que também se evidencia quando consideramos, no contexto, o que Paulo mesmo esperava para o fim desta era, refletindo uma doutrinajudaica comum, de que haveria um período geral de tribulações, em todos os sentidos, quando se aproximasse o fim da presente dispensação (ver 1 Ped. 4: 12 e Apo. 3: 10 quanto a essa mesma idéia, nas páginas do N.T.). Deus não tenta a homem algum para a prática do mal (ver Tia. 1:12), embora ele permita que as tribulações nos sobrevenham (ver Mal. 6: 13), e destas últimas o Senhor Jesus orou pedindo livramento. Satanás foi capaz de tentar ao Senhor Jesus com o mal; nada disso o diabo jamais teria podido fazer, sem a permissão divina. 11. O Dilema Humano Condição humana. As tentações (induções) à prática do mal ou "tribulações" são "humanas". Isso significa apenas que pertencem aos homens, comuns a seu nível, comuns à sua experiência terrena, pelo que também não podem ser algo extraordinário e avassalador para nós. Desde o princípio da história humana, os homens têm sofrido das mesmas formas de testes; não existem tribulações novas, que nos surpreendam devido à sua novidade. Os homens da antigüidade foram atingidos por toda a sorte de desastres. Outro tanto sucede conosco. Os homens antigos foram vitimados por todas essas calamidades; e outro tanto pode suceder conosco. As tentações vitimaram os homens antigos; e podem vitimar-nos se não exercermos a autodisciplina. Contudo, as tentações que nos assediam são adaptadas para as forças humanas, para as condições humanas. Temos sido armados com os meios que nos capacitem a derrotar tais tentações; e assim poderemos fazê-lo, se nos valermos dos meios postos à nossa disposição. Podemos ser vitoriosos ou totalmente derrotados pelas tentações; podemos ser até mesmo destruídos, espiritualmente falando, ou podemos usá-las como degraus que nos elevam a um desenvolvimento espiritual mais

elevado. Podemos encontrar homens pertencentes a ambas categorias, na Igreja cristã. Não parece que Paulo estivesse contrastando duas formas de tentação, a humana e a demoníaca, porquanto até mesmo as tentações demoníacas assaltam os crentes, conforme aprendemos em Efé, 6: 12 e ss. Não obstante, sem importar a fonte de onde elas provêm, continuam sendo humanas, no sentido que são comuns à experiência humana, não transcendendo ao poder da vontade humana, contanto que o homem seja ajudado pelo Espirito Santo. O apóstolo dos gentios, portanto, dizia que podemos triunfar; mas que esse triunfo não é necessariamente inevitável ou fácil. A experiência humana mostra-nos que tal vitória não é fácil. 111. Deus é Fiel Ele é fiel pelas razões expostas; em seguida Ele exerce controle sobre todas as tentações que sobrevêm ao crente em sua vida, Ele permite somente aquelas tentações que podem ser toleradas, sem importar se essas assumem a forma de testes, de sofrimentos, de perseguições ou de incitações para a prática do mal. Além disso, Deus provê sempre um meio de escape, quando somos assediados pelas tentações, desviando aquelas outras que, de modo algum, poderíamos suportar. Sim, Deus é fiel no sentido de "digno de confiança", como alguém em quem se pode confiar, no que diz respeito a essa questão das tentações. IV. A Vitória é Posstvel Não sejais tentados além das vossasforças. Um crente conta com reservas de forças até mesmo para enfrentar os poderes espirituais malignos. Não obstante, compete-lhe utilizar-se de certos meios para desenvolver esses recursos, a fim de que possa usá-los prontamente quando isso se tomar necessário. Precisa ter certo nível de espiritualidade, desenvolvido mediante a oração, a meditação, a comunhão com o Espírito Santo, a transformação segundo a imagem moral de Cristo. O próprio Cristo é o exemplo supremo das reservas de forças espirituais que resguardam o homem de Deus contra qualquer modalidade de tentação. As passagens de Heb. 2: 18 e 4: 15 mostram-nos que Jesus foi tentado em todos os pontos em que também o somos, emborajamais tivesse cedido ao pecado. Cristo Jesus não pecou, não porque não pudesse fazê-lo; pois, nesse caso, não serviria de exemplo e de consolo para nós. Mas não pecou porque o seu desenvolvimento espiritual, através da presença do Espírito Santo, era tão grande que foi capaz de resistir às formas mais variegadas e dificeis de tentação, incluindo a "incitação ao pecado", as "tribulações", as "perseguições", e os "momentos dífíceís''. V. Por que é Importante Resistir à Tentação I. A tentação, se não for dominada, destrói a fibra moral. Mas, uma vez que lhe oferecemos resistência, isso melhora a qualidade moral do nosso ser. Aquele hino que diz: "Cada vitória te ajudará a outra vitória conquistar", encerra grande verdade. 2. Há uma bem-aventurança especial pronunciada em prol daqueles que resistirem às tentações, a saber, a "coroa da vida", e isso por promessa de Deus (ver Tia. 1: 12). 3. Isso significa que a santificação conduz à glória, o que é um tema ensinado em vários lugares do N.T. (Ver Mal. 5:48 eliTes. 2:13). Por conseguinte, a transformação moral é que nos leva à transformação metafisica, dentro da qual chegamos a compartilhar da própria natureza do Filho (ver li Cor. 3:18). 4. Os testes, por si mesmos, podem ser forças que nos ajudam em nosso desenvolvimento espiritual. Ver o artigo separado intitulado, Tribulações Como Beneficios. Tiago expressou essa mesma idéia de maneira um tanto

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TENTAÇÃO - TENTAÇÃO DE CRISTO mais poética, ao dizer: Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam (Tia. I: 12). Sim, a verdadeira bem-aventurança espiritual é conferida ao homem digno de receber a coroa da vida, isto é, o dom da vida eterna, com a conseqüente participação em tudo quanto Cristo é e tem, a glorificação em Cristo. Ver os artigos sobre Glorificação; Galardão; Coroa; e Julgamento do Crente. A resistência às tentações, em suas variegadas formas, aumenta o poder do crente. Mas a cessão ante as mesmas destrói as defesas espirituais dos remidos. VI. Meios para Escapar No original grego temos "o livramento", com o artigo definido, o que certamente indica o meio de escape. Mui provavelmente isso quer dizer que no caso de cada tentação, manifestar-se-á alguma maneira pela qual podemos escapar ao mal, algum meio que nos capacite a suportar a dor e a tristeza. O "meio de escape" é sempre adaptado a cada circunstância. O pecado se faz presente e é poderoso; nenhum indivíduo escapa à tentação à prática do mal. Mas esse não é o "escape" prometido. Testes de ordem física e espiritual, grandes tragédias, são acontecimentos poderosos, debilitadores, desencorajadores, algumas vezes avassaladores; mas Deus sempre se mantém próximo do crente. Paulo promete aqui alguma ajuda divina em cada caso, embora não especifique exatamente o que devemos esperar. E essa ajuda será tão variegada como as tribulações. "Ele (Deus) conhece os poderes que nos conferiu, bem como quanta pressão somos capazes de resistir. Não permitirá que sejamos vítimas das circunstâncias que Ele mesmo determinou para nós e 'impossibilia non jubet' ... Tentação é provação, e Deus ordena as provações de tal modo que 'sejamos capazes de suportá-las'. O 'poder' é conferido paralelamente com a tentação, embora a resistência não nos seja proporcionada; essa resistência depende de nós mesmos", (Robertson e Plummer, in loc). É única demonstração de covardia cedermos à tentação, bem como um voto de desconfiança a Deus (Robemson, ín loc.). A parte seguinte do presente versículo deixa entendido que o 'escape' só aparece através da 'resistência' e da persistência do crente. " ... de sorte que a possais suportar....". Notemos que não nos é dado o "escape" por meio da ausência de toda a tentação; nem nos é outorgado o "escape" porque estamos livres da tribulação. Antes, esse "escape" nos é proporcionado 'porque' temos podido resistir e chegar ao triunfo. Somente essa forma de escape e de disciplina é que pode produzir qualquer crescimento cristão substancial. "Com freqüência, o único 'escape' se verifica através da 'resistência'. Ver Tia. I: 12". (Vincent, in loc.). Fechem-se em um 'cul de sac' os desesperos de um homem; mas que ele veja uma porta aberta para sua saída; e ele continuará lutando, levando a sua carga. A palavra grega ekbasis (escape) significa saída, escape para longe da luta. Logo em seguida aparece upengkein (sustentar debaixo de algo), em que esta última ação é possibilitada pela esperança relativa àquela primeira. TENTAÇÃO DE CRISTO Imediatamente após o seu batismo no rio Jordão, por João Batista, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, pelo espaço de quarenta dias, a fim de jejuar e ser exposto às tentações de Satanás (Mar. 1:12,13). Visto que o batismo foi a inauguração de seu ministério público, não

é de surpreender que o ponto culminante, nos dias da tentação de Cristo, tenha envolvido de modo tão profundo o significado e o método de seu ministério. O lugar tradicional da tentação de Jesus, o monte Quarantania, é uma região desolada, cerca de onze quilômetros a noroeste de Jericó. No entanto, se Jesus foi batizado em Betânia, do outro lado do rio Jordão (ver João 1:28), então é possível que o local de sua tentação tenha sido as praias estéreis e rochosas do Mar Morto, não muito distantes das cavernas de Qumran. Somente quando se concluíram os dias de teste pelos quais Ele passou é que adquirimos a impressão de que todo o período de quarenta dias de jejum deve ter envolvido uma batalha constante contra o tentador. Sem importar se Satanás Lhe apareceu em forma visível ou não (a Bíblia faz silêncio quanto a esse detalhe), o que os evangelhos nos mostram é que houve um autêntico conflito espiritual. A natureza espiritual desse combate em coisa alguma detrata de sua realidade, dos paroxismos de ataque e resistência que houve durante o choque entre o Filho de Deus e o grande inimigo das nossas almas. A julgar pelos relatos evangélicos, houve três ataques principais de Satanás. A cada um desses ataques, Jesus revi dou e anulou a força das tentações, mediante o uso das Escrituras Sagradas. Porém, antes de examinarmos a natureza de tais ataques, sentimos o dever de observar que essas tentações eram apelos para que Jesus satisfizesse necessidades e desejos perfeitamente legítimos. O erro envolvido nessas tentações é que elas sugeriam que tais necessidades fossem satisfeitas à revelia da vontade do Pai, e até mesmo contrariamente a essa vontade. De fato, no dizer de Tiago (1:14,15), é quando os homens preferem cumprir a sua própria vontade, em vez de cumprirem a vontade de Deus, que eles cedem diante da tentação e acabam caindo em transgressão. Portanto, a vontade humana é o campo de batalha onde as tentações nos atacam. Jesus, porém, recusou-se terminantemente a ceder, em sua vontade, diante da vontade distorcida de Satanás. Sob hipótese alguma Jesus deixou de atender à soberana vontade do Pai, que o enviara em sua missão terrena. Porém, muitas pessoas, não compreendendo a diferença entre a tentação e o pecado, sentem-se perturbadas diante da idéia de que Jesus, o Filho de Deus, possa ter sido tentado. Se Jesus não se tivesse humilhado e apequenado, em sua encarnação, é evidente que jamais seria possível qualquer tipo de tentação. Porém, uma vez homem, isso tornou-se possível. Além do mais, era mister que ele nos ensinasse como vencer a tentação. E, para isso, era preciso que ele se submetesse à tentação e saísse vitorioso. Mas, que ser tentado não é a mesma coisa que pecar, temos o comentário do autor da epístola aos Hebreus, que escreveu: "Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, antes foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado" (Heb. 4: 15). Se seguirmos a ordem de apresentação das tentações, de acordo com Mateus, a primeira tentação foi um apelo no nível da natureza física de Jesus. Quando seu corpo físico mais anelava por nutrientes, debilitado após quarenta dias e quarenta noites de jejum, Satanás sugeriu que ele transformasse as pedras, abundantes no lugar, em pães, a fim de satisfazer a própria fome. Ainda de acordo com o diabo, Jesus não somente aplacaria a fome, mas também provaria que era o Filho de Deus. "Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães" (Mal. 4:21). A essa dupla sugestão, Jesus respondeu com uma única resposta: "Está escrito: Não só de pão viverá o

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TENTAÇÃO DE CRISTO - TEOCRACIA homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mat. 4:4). Devemos dar atenção aos elementos básicos dessa resposta, mais ainda do que às sugestões satânicas. Antes de tudo, o que importa, em todas as facetas e circunstâncias da vida, é aquilo que "está escrito". Isso empresta às Escrituras um valor supremo. Diante de qualquer escala de valores, que o homem tenha de enfrentar, o que está escrito? Para o Filho e para os filhos de Deus, isso é o que importa, Em segundo lugar, Jesus mostrou, em sua primeira resposta, que em sua escala de valores, orientada pelas Escrituras, as necessidades espirituais têm a preeminência, diante de qualquer necessidade fisica. A vida espiritual é mais importante que a vida biológica. O pão satisfaz à fome física; mas só o pão espiritual (a Palavra de Deus) satisfaz às necessidades muito mais imperiosas do espírito. Satanás, entretanto, não desistiu, e voltou à carga. Dessa vez, porém, não mais alvejou a concupiscência da carne, mas resolveu sondar a profundidade de sua confiança no Pai. Portanto, se o primeiro ataque visou à natureza humana de Cristo, o segundo visou à sua natureza divina. Todavia, a segunda tentativa não somente foi desfechada noutra direção, mas foi muito mais capciosa. Em sua segunda tentação, Satanás usou as Escrituras. Se fora derrotado, na primeira tentação, mediante um apelo ás Escrituras, talvez obtivesse êxito, na segunda tentação, usando as Escrituras, mesmo que distorcidamente. E o diabo sugeriu: "Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito; que te guardem ...." (Mat. 43,6). Em sua segunda resposta, Jesus não abandonou o seu método de apelo às Escrituras. Agora seria Escritura contra Escritura. O convite era que Jesus contasse com proteção angelical, a fim de demonstrar sua divina filiação. Mas Jesus redarguiu com um princípio bíblico ainda mais importante: "Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mat. 4:7). Ceder diante da segunda tentação seria tentar ao Pai. E isso Jesus jamais faria. Satanás teve de reconhecer que Jesus estava alicerçado sobre um princípio fundamental, inabalável, e teve de retroceder inomentaneamente, pela segunda vez. A loucura do díabo, porém, não conhece limites. Quem teve o displante e a insensatez de rebelar-se contra o Todo-poderoso, só pode mesmo ter ficado louco, para ousar enveredar por um erro de cálculo tão desvairado. E Satanás experimentou um terceiro e, (segundo ele deve ter pensado) definitivo ataque. Jesus não viera para reconquistar o mundo para Deus? Que tal reconquistá-lo em troca de um pequeno gesto. E, mostrando a Cristo os reinos do mundo e a glória dos mesmos, o diabo jogou o anzol: 'Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares" (Mal. 4:9). Foi o cúmulo da desfaçatez. O próprio Deus adorar uma reles criatural. Se o Senhor Jesus cedesse, adorando o diabo, não teria de passar por tanto sofrimento e nem teria de enfrentar os horrores da crucificação. Além disso, poderia ficar com o mundo. Satanás estava mesmo disposto a desistir de seu império sobre a humanidade, em troca de uma breve homenagem. Naquela solidão do deserto, quem veria o Filho de Deus prostrado, a adorar o diabo? Só mesmo o mundo espiritual. Mas, nenhum homem teria conhecimento do ocorrido. A última tentação, pois, foi terrível, cruel e excruciante em suas implicações e conseqüências. Por outro lado, se Jesus não cedesse, Satanás estaria total e definitivamente derrotado em suas tentações. Não há que duvidar que Jesus compreendeu isso perfeitamente. Por essa razão, em sua terceira réplica, Jesus começou com uma ordem que não podia deixar de ser obedecida. O Filho de Deus, mesmo humanizado,

adquirira autoridade espiritual para tanto. O Senhor de todos os mundos ordenou: "Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto" (Mal. 4: 10). A terceira resposta de Jesus pode ser analisada em três fases: 1. a ordem dada por Jesus para Satanás se retirar. Jesus submetera-se voluntariamente à tentação. Não a fim de que se verificasse se Ele cederia ou não diante das sugestões do diabo, mas para mostrar, ao diabo, aos seus discípulos, aos anjos e a toda a criação inteligente, que não cederia às mesmas. Ele é o Senhor. Chegara o momento de mandar embora aquela criatura atrevida e louca. 2. Só Deus pode ser adorado. Resolvido a não ferir qualquer principio bíblico, Jesus era imbatível. Que restava a Satanás, senão obedecer? Com isto o deixou o diabo; e eis que vieram anjos, e o serviam (Mat. 4: 11). cc Satanás é quem deveria adorar a Jesus. O Filho, o Logos, é Deus no mais pleno sentido do termo. João nos diz que Ele "... é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (I João 5:20b). A Bíblia não informa se Satanás adorou a Jesus, ali no deserto. Mas, se não o fez, haverá de fazê-lo, certamente, no tempo certo. É conforme explica o apóstolo Paulo: "Pelo que também Deus o (a Jesus) exaltou sobremaneira e lhe deu um nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra ....(Fil. 2:9,10). As tentações a que Jesus se sujeitou no deserto encerram para nós uma tremenda lição objetiva. Cumpre-nos meditar no incidente e aprender. O diabo esgotou com Jesus o seu repertório de tentações e nada conseguiu. Quem até então parecera um adversário temível, mantendo a humanidade em sujeição, agora fora posto no seu devido lugar pelo Filho de Deus. Satanás é um anjo desvairado e rebelde, cuja causa está perdida, e q~e será, finalmente, encerrado na Geena. Ver Apo. 20: 10. E como se o Senhor Jesus nos estivesse dizendo: "Não tendes qualquer necessidade de ceder diante das tentações do diabo. Eu vos acabo de ensinar como anular todo o poder de suas tentações!" Sim, na qualidade de nosso Sumo Sacerdote, Jesus nos conferíu o supremo exemplo de como se deve anular e vencer as tentações: "...ele foi tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado" (Heb. 4: 15). Somente a Ti adoramos, Senhor Deus, na pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo! TEOCRACIA

Palavra que vem de dois termos gregos, theós, "Deus" e kratéo, "governar". Isso chega ao sentido de "governo de Deus". Devemos fazer distinção com outro vocábulo, democracia, cuja primeira porção, demos, significa "povo", e que indica o governo entregue às mãos do povo. E também devemos distinguir teocracia de hierocracia, o governo dos sacerdotes. E, finalmente, de monarquia, o governo de um único homem ou rei. Embora a idéia de teocracia apareça nas Escrituras, com bastante freqüência, o próprio vocábulo, teocracia, nunca figura ali. Essa palavra parece ter sido cunhada por Josefo (vide), que se utilizou do termo a fim de referir-se ao caráter ímpar do governo dos hebreus, revelado a Moisés, em contraste com o tipo de governo de outras nações ao derredor. Escreveu Josefo: "Nosso legislador... ordenou aquilo que, forçando a linguagem, poderia ser chamado de teocracia,_ao atribuir a autoridade e o poder a Deus". (Contra Apion.lI, 165). Não obstante, a idéia de teocracia é muito mais antiga do que a palavra que corresponde a ela, conforme o próprio Josefo sugeriu em sua declaração, citada acima. Essa idéia

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TEOCRACIA retrocede ao Antigo Testamento, desde a época de Moisés e, portanto, à iniciação mesma das Sagradas Escrituras (ver Êxo. 19:4-9; Deu. 33:4,5). No âmago dessa idéia fica a relação ímpar entre Deus e Israel, como seu povo peculiar. Essa relação é constituída pela aliança que vinculou o povo de Israel a Deus (ver Êxo. 19 e 20), e que constituiu aquele povo em " ... reino de sacerdotes e nação santa..." (Êxo. 19:6). Deus reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-lo remido da servidão aos egípcios. Os grandes atos libertadores, da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação pelo deserto, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel (ver Êxo. 15: 18). Moisés foi, tão-somente, o homem por intermédio de quem Deus transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno. Gideão, várias gerações depois de Moisés, não aceitou a coroa porquanto acreditava que somente Deus poderia governar sobre Israel (Juí. 8:22,23). No período que antecedeu ao surgimento da monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e juízes foram os intermediários na expressão da teocracia. Vale dizer, Deus governava o seu povo através daqueles representantes. Assim, na guerra de Israel contra Sísera, a profetisa e juíza Débora e o general Baraque aparecem como os agentes do livramento de Deus (Juí. 4:4-7). Os sacerdotes levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina (Juí. 20:28; 1 Sam. 14:41). Mas, por ocasião da teocracia institucionalizada, quando surgiu a monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas. "Disse o Senhor a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles ... Porém, o povo não atendeu à voz de Samuel, e disseram: Não, mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós, e fazer as nossas guerras" (I Sam. 8:7,19,20). Apesar disso, depois que a monarquia se estabeleceu em Israel, principalmente de Davi em diante, o rei passou a ser considerado símbolo do reinado teocrático. Os reis de Israel não eram apenas reis, no sentido comum do termo, mas também eram ungidos do Senhor, em sentido puramente teológico (Sal. 2:2; 20:6): um príncipe do Senhor (I Sam. 10: 1; 11 Sam. 5:2). Mesmo durante o período monárquico, concebia-se que o Senhor Deus seguia adiante do rei (11 Sam. 5:24). O rei estaria sentado no trono de Deus (I Crô. 29:23; cf. 28:5). O Governante real era Deus, e a autoridade do trono de Davi derivava-se do Senhor. A natureza teocrática da monarquia de Israel é conformada, por exemplo, pela prerrogativa dos profetas de destronarem os reis, além do fato de que foi o profeta Samuel quem estabeleceu o reinado em Israel, a mandado do Senhor (I Sam. 15:26; 16:1,2; cf. I Reis 11:29-31; 14: 10; 16:1,2,21:21). Nesse contexto, nota-se que não havia critérios estereotipados para reconhecimento ou confirmação de um profeta, em Israel. Somente a presença do indefinível Espírito de Deus revelava a diferença entre um profeta verdadeiro e um profeta falso. A monarquia, em Israel, foi a organização do reino teocrático sob um governante humano. A teocracia talvez encontre sua mais excelente expressão nas predições dos profetas (ver ler. 1: 1,2; cf. Isa. 7:7). As visões messiânicas dadas aos profetas foram organicamente entretecidas no curso da história dos reis de Judá, bem como na restauração final da dinastia davídica. Em sua essência e

em seu intuito, o reino é um instrumento de redenção, inseparavelmente vinculado às expectações messiânicas. De fato, em seu sentido messiânico, o trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de Deus como o Governante final sobre a Terra inteira. Dentro da revelação progressiva da escatologia bíblica, o conceito teocrático do reino davídico suprimiu o padrão das idéias concernentes à vinda palpável do reino de Deus, quando da era milenar. Através da restauração do trono de Davi, Deus haverá de realizar a redenção final de Israel. Mas, esse futuro acontecimento, que fará parte da História, haverá de introduzir a era da justiça e da paz eternas, sob o reinado universal do Filho maior de Davi, Jesus Cristo. Não há espaço para o secularismo, dentro da teocracia de Israel. Descendo até aos mais minúsculos detalhes, todos os regulamentos políticos, legais e sociais são essencialmente teológicos. Esses regulamentos eram a expressão suprema e direta da vontade de Deus. Até mesmo a detenção de criminosos e a punição dos mesmos fazem parte do interesse imediato de Deus (ver Lev. 20,3,5,6,20; 24:12; Núm.5:12,13; Jos. 4:16). Várias religiões, " desde os tempos mais remotos" (hebreus, babilônios e egípcios), têm tomado a posição de que seus estados eram teocratas, visto que Deus ou os deuses, mediante revelações e profetas, lhes teriam dado suas leis e instituições. A teocracia é um estado no qual os princípios religiosos (usualmente com apoio de um monarca e de um sacerdócio alegadamente nomeados por Deus) são as principais leis e o poder controlador. Já nos tempos modernos, as cidades de Florença, na Itália, sob Savonarola (vide), e Genebra, na Suíça, sob Calvino (vide), durante algum tempo tornaram-se, alegadamente, teocracias. Além disso, as colônias da Nova Inglaterra, na América do Norte, sob o puritanismo, tornaram-se teocracias. O aparecimento de governos democráticos tem tendido a separar Igreja e Estado, de tal modo que as teocracias são evitadas. Naturalmente, o Irã atual é um exemplo de teocracia; mas, como tantas outras teocracias distorcidas, entristecemo-nos diante das perseguições e matanças, praticadas em nome de Deus. Ver Governo Eclesiástico. Este co-autor e tradutor quer dar aqui sua contribuição. No Novo Testamento não parece haver definição quanto ao tipo de "governo eclesiástico". Porém, com base nas condições vigentes em Israel, até Samuel (ver 1 Sam. 8:7), bem como durante o governo milenar de Cristo, o que aindajaz no futuro, o governo eclesiástico ideal seria o teocrático. Segundo penso, esse tipo de governo existiu na Igreja, durante todo o período apostólico. Deus (na pessoa de Cristo), dirigia sua Igreja mediante ministros por Ele escolhidos (ver Efé, 4: 11 ss). Pode-se dizer que "a Igreja entrou em decadência espiritual quando o ministério passou a ser tido como oficios burocráticos, a partir do século li d.C., não mais ocupado por indivíduos misticamente designados e preparados. Parece-me evidente que o Espírito do Senhor restaurará esse tipo de governo eclesiástico, antes do segundo advento de Cristo. Doutra sorte, no dizer do quarto capítulo de Efésios, os crentes não atingirão a maturidade que deverá caracterizar a Igreja nos dias finais do cristianismo. Seja como for, o Milênio (vide) será a mais pura teocracia, sem os abusos que têm havido no passado, e que têm feito muitos proscreverem-naaté mesmo de suas cogitações. E o estado eterno, passado o Milênio, dará continuidade à teocracia, para sempre. A teocracia é a essência do reino de Deus.

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TEODICÉIA - TEOFANIA TEODICÉIA Esse termo vem do grego, theõs, 'deus", e dike, 'justiça". Em seu uso comum, esse vocábulo usualmente designa aquela atividade que buscajustificar as maneiras de Deus com os homens. Como pode haver um Deusjusto, Todo-poderoso, onisciente, ao mesmo tempo em que há tantos males no mundo? Ver o artigo geral intitulado Problema do Mal. Aqueles que procuram explicar o problema do mal preservando ainda assim a idéia de um Deus ortodoxo, expõem teodicéias. Foi Leibnitz quem cunhou esse termo, introduzindo-o na filosofia. Sua teodicéia fazia parte do seu sistema de mõnadas, onde Deus, a Grande Mônada, aparece como o programador das demais mônadas. A teodicéia de Leibnitz era determinista, no sentido de que vivemos no melhor de todos os mundos possiveis, e onde Deus não incorre em equívocos, a despeito de aparentes erros que nos cercam, no mundo em que vivemos, salpicado de males. Naturalmente, Leibnitz teve que fazer toda espécie de ginástica para defender sua tese, e mostro como ele fez isso, no artigo sobre o mesmo, nesta enciclopédia. A palavra teodicéia tem um sentido mais amplo do que aquele que demos acima, no tocante ao problema do mal. Se aplicado ao judaísmo, ou a qualquer outra religião que veja o governo de Deus como o princípio que governa a todas as coisas, então essa palavra pode significar, simplesmente, governo de Deus sobre o mundo, e como esse governo está relacionado aos homens. Um outro sentido amplo da palavra é "aquele ramo da filosofia que estuda o ser, as perfeições e o governo de Deus, bem como a imortalidade da alma" (WA). Infelizmente, na teologia cristã ocidental, a teodicéia inclui a doutrina cruel e impensada (tomada por empréstimo das obras pseudepígrafas; vide) da condenação e dos sofrimentos eternos da vasta maioria dos homens. Isso ignora como Deus, finalmente, haverá de fazer o mal redundar em bem, usando o própriojulgamento como um dos meios dessa realização. Ver os artigos Mistério da Vontade de Deus e Restauração. TEODÓCIO Ver o artigo sobre a Septuaginta. TEODORO DE ESTUDION Suas datas foram 759 - 826. Foi ele uma importante figura do movimento monástico em Constantinopla e do cristianismo oriental em geral. Ele adaptou as Regras de São Basílio, para servirem à ortodoxia oriental. Infelizmente, deu o seu decisivo apoio à retenção de ídolos ou ícones nos templos cristãos. Esse ponto de vista, que já havia infectado o cristianismo ocidental organizado de modo irremediável, finalmente conseguiu atingir também o cristianismo oriental, adoecendo mortalmente a cristandade. As vozes dissidentes foram abafadas. É verdade que o imperador Leão V,que se opunha à idolatria, exilou Teodoro de Estudion; porém, prosseguindo a controvérsia iconoclasta (vide), Teodoro voltou do desterro. De volta, continuou sua campanha em favor da idolatria, embora a questão não se tivesse resolvido de todo em seus dias. Apesar desse gravíssimo erro, não podemos esquecer que, quanto a outros aspectos, Teodoro de Estudion exibia notável piedade, tendo labutado em prol da causa espiritual. TEODORO DE MOPSUÉSTIA Suas datas aproximadas foram 350 - 428. Provavelmente nasceu em Antioquia da Síria. Educou-se ali, onde também

veio a tomar-se presbítero cristão. Finalmente, veio a ser o bispo de Mopsuéstia, na Cilícia, razão de sua alcunha. Foi membro bastante ortodoxo da escola antioquiana de teologia. Ver sobre Escola Teológica de Antioquia. TEODORO DE TARSO Suas datas foram 602 - 690. Foi importante personagem na história da Igreja na Inglaterra. Foi arcebispo de Canterbury. E seus labores naquele lugar tomaram-no o centro da autoridade religiosa na Grã-Bretanha. De fato, a plena submissão àquela autoridade foi exigida e obtida. Teodoro foi autor de um Pênitenctal, que exerceu grande influência sobre as questões teológicas e de filosofia moral. TEODORO, O ATEU Ele foi um filósofo grego do século III a.C. Foi líder da escola cirenaica (ver sobre Cirenaicos, Cirenaísmo). Foi discípulo de Aniqueis. Para Teodoro, o prazer era encarado como o propósito e a finalidade da vida humana. Contudo, impõe-se-nos a tarefa de esclarecer que ele pensava nos prazeres mentais, e não apenas nos prazeres tísicos, como outros fizeram. Teodoro ensinava que os homens devem usar sua inteligência e sabedoria na busca pelas variedades válidas de prazer. Para ele, a sabedoria produz a felicidade, e a felicidade consiste no tipo certo de prazer. A felicidade é o maior de todos os bens, ainda segundo Teodoro. Ele promovia uma variedade ainda primitiva de humanismo, negando a existência de qualquer Deus ou deuses, atacando assim o politeísmo e a idolatria que predominavam em Atenas. Naturalmente, acabou exilado. Sua obra escrita, Sobre os Deuses, valeu-se muito das idéias de Epicuro. TEODOTO Há dois personagens com esse nome, nas páginas dos livros apócrifos do Antigo Testamento. No grego, o nome era Theódotos. I. Um dos três embaixadores enviados por Nicanor a Judas Macabeu, para estabelecer a paz (II Macabeus 14:19). 2. Um homem que planejou assassinar Ptolomeu Filopater, mas cujos intuitos foram frustrados por Dositeu (III Macabeus 1:2). TEOFAGIA Palavra que vem do grego, theõs, "Deus", e phágo, "comer", ou seja, "comer o deus". O vocábulo surgiu com base no ato de comer o animal sagrado, dedicado a alguma divindade especifica. Desse modo, sacramental e simbolicamente, o deus era "ingerido", de acordo com várias religiões misteriosas. A eucaristia, interpretada sacramentalmente, como na missa catól ica romana, é uma forma de teofagia, embora seja uma manifestação mais sofisticada da idéia do que aquela das antigas aplicações pagãs. TEOFANIA I. O Termo. A palavra grega é theophania, que deriva de theos (Deus) phanein (aparecer). Pelo simples entendimento das palavras envolvidas, qualquer aparição ou manifestação de Deus, presumivelmente, mesmo de sua verdadeira essência, poderia ser uma "teofania", Mas a teologia que cerca a palavra a limitou para a maioria dos pensadores cristãos, como explico no ponto 2. 2. Como João 1.18 parece eliminar qualquer aparição ou manifestação de Deus em essência verdadeira, e como a experiência humana parece ensinar que manifestações divinas são "aparições", não a "essência", a palavra teofania é comumente usada para significar algum tipo de manifestação divina que não comunica ao homem a

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TEOFANIA - TEOFRASTO real essência de Deus. Logicamente, é impossível para um homem ter contato direto com a verdadeira essência divina, pois ele não conseguiria lidar com tal situação e provavelmente não haveria caminho metafisico para que isso ocorresse: Ninguémjamais viu a Deus. O Deus (Filho) unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou (João 1.18). 3. Antropomorfismo e a Teofania. As teologias que reduzem Deus a algum tipo de super-homem e não distinguem radicalmente a essência do Divino e a essência humana transformam a teofania em essência real, não meramente um tipo de manifestação visível da glória de Deus. A teologia mórmon, por exemplo, a qual ensina que a base de toda a vida "espiritual" é de fato um material "refinado", acredita que João 1.18 pertence a uma revelação antiga e ultrapassada. Joseph Smith, presumivelmente de fato viu tanto o Pai como o Filho, várias vezes, não meramente algum tipo de manifestação deles. Mas o Pai e o Filho são compreendidos em termos daquilo que o homem é, não em termos de transcendência. O Deus mórmon é limitado, embora muito mais poderoso do que o homem. O Deus mórmon é muito poderoso, mas não onipotente, muito versátil em seus movimentos e manifestações, mas não onipresente. Esse tipo de Deus pode de fato manifestar sua essência ao homem. Ver o artigo Antropomorfismo. 4. A Teofania Suprema. "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus ... e o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos sua glória, glória como do unigênito do Pai... Quem me vê a mim vê o Pai ..." (João 1.1, 14~ 14.9). Aqui temos o mistério da encarnação, e mistério ele continua sendo, pois quem pode logicamente explicar como uma pessoa pode ser divina e humana ao mesmo tempo? Não há motivo para se pensar que Jesus, o Cristo, não pode ser visto em tempos modernos, embora, sem dúvida, a maioria de tais afirmações seja patológica, exagerada ou mesmo fraudulenta. A ordem normal é que o Espírito revela o Filho, da mesma forma que o Filho revela o Pai: "O Espírito da verdade, que dele (do Pai) procede, esse dará testemunho de mim" (João 15.26). Ver a experiência de Paulo (Atos 9.3 ss.) e a de Estevão (Atos 7.55, 56). 5. O anjo do Senhor é a teofania mais comum. Ver Êxo. 23.20-23; 32.34; 33.14 ss.; Isa. 63.9. O anjo de Gên. 48.15 ss. é semelhante a ver a Deus, embora não a sua essência. Abraão recebeu visitantes angelicais, como descrito em Gên. 18. Ver o anjo do Senhor, na mentalidade judaica, era o mesmo que ver o Senhor que o enviou:"... vi o Anjo do Senhor face a face" (Juí. 6.22); " ... Vi a Deus face a face e a minha vida foi salva" (Gên. 32.30), disse Jacó depois de ter lutado com "um homem" (vs. 24), onde obviamente um anjo está em vista. Ver também a visita do anjo do Senhor a Manoá, o pai de Sansão (Juí. 13). 6. A Shekinah (a habitação divina), ou Presença, especialmente no lugar mais sagrado. Ver o artigo separado sobre o assunto. 7. A Teofania, Prova de Teismo. Essa doutrina ensina que o Criador não abandonou a criação, mas está presente para intervir nas atividades humanas, recompensando e punindo, orientando e cuidando. Ver o artigo sobre Teísmo na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Contraste esse ensinamento com o deísmo (também na Enciclopédia), o qual ensina que o Criador, ou Força Criativa (pessoal ou impessoal), abandonou a criação aos cuidados da lei natural. "Teofania, manifestação íntima de Deus a um ser humano em um momento e local definido; muitas vezes fisica como na I1íada e no livro de Gênesis, mas mais

espiritual na forma clássica posterior como para Moisés no arbusto em chamas, Moisés no Sinai, Elias em Horebe, e Jesus, em sua transfiguração. A teofania é mais espetacular e pessoal do que a mera revelação" (Fern, Enciclopédia de Religião). TEOFASCITAS Essa termo vem do grego, theôs, "Deus", e páscho, "sofrer". Esse foi um dos nomes dados aos monofisistas (vide), por ensinarem que em Cristo existe uma só natureza. Em sua fórmula litúrgica eles incluíam a declaração: "Deus foi crucificado", destacando assim a idéia do sofrimento de Deus, ao referirem-se à natureza divina de Cristo. Essa escola surgiu em oposição à decisão cristológica do concílio de Calcedônia, de 451 d.C. TEÓFILO 1. Nome. Esta é uma palavra grega que significa "amigo de Deus"; ou, possivelmente, "amante de Deus", quer dizer, alguém totalmente dedicado ao Divino. Este nome havia sido usado antes do terceiro século a.C., tendo sido encontrado nos manuscritos de papiro e pergaminho, bem como nas inscrições. foi usado, durante séculos, tanto por pagãos quanto por cristãos. 2. Identificação. Lucas dedicou seus dois volumes de história (Lucas e Atos) a este homem, mas não temos informação sobre ele, nem podemos afirmar que fosse cristão ou governador romano. Houve um Teófilo que foi alto oficial em Antioquia, e Eusébio e Jerônimo contam que Lucas era um sírio de Antioquia. As Memórias de Clemente fazem menção a esse Teófilo, mas isso não significa que ele fosse o homem a quem Lucas se dirige na introdução de seus livros. A razão para a obra ser dedicada a um oficial romano pagão (se esse foi o caso) era que Lucas estava ansioso para dar ao cristianismo o status de uma religião oficialmente reconhecida (como o judaísmo há muito exigira). Dessa forma, ser cristão não mais significaria traição contra o Estado e seus deuses e religiões oficiais. Isso interromperia a perseguição contra os cristãos. Caso essa fosse a intenção de Lucas (ou uma intenção ou razão para escrever sua história em dois volumes), então ele fracassou, porque as coisas apenas pioraram para os cristãos, e as perseguições prosseguiram por mais de 200 anos. A mensagem de Lucas, de que o cristianismo era uma fé divinamente inspirada, cheia de milagres e de natureza pacifica, de forma alguma é subversiva, nem foi crida nem entendida por Roma. Os livros dos antigos às vezes eram dedicados a altos oficiais por razões de distribuição e reconhecimento. Teófilo é chamado "excelentíssimo" em Luc. I :3, título dado a Félix, governador da Judéia (Atos 23:36; 4:3), e seu sucessor, Festo (Atos 26:25), e essa pequena evidência pesa em favor da suposição de que Teófilo era igualmente um oficial romano de certa posição. Tudo indica também que ele não era cristão, porque o propósito específico de Lucas (evidentemente) era convencer Roma a aceitar o cristianismo como uma religião legítima. Ele não estava tentando impressionar um colega cristão, pelo menos é essa a minha impressão. De qualquer forma, podemos estar certos de que Teófilo foi uma pessoa real, não um nome simbólico para o amor cristão, que era a interpretação popular nos tempos patrísticos. TEOFRA8TO Suas datas foram 360 - 287. Foi discípulo e sucessor de Aristóteles, como cabeça do Liceu. Ajulgar pelos padrões da época, ele foi homem dotado de um vasto conhecimento.

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TEOLOGIA Escreveu acerca da lógica, bem como a respeito de várias ciências e filosofias. Foi uma figura central na transição da lógica aristotélica para a forma estóica de lógica. Escritos. Caracteres Éticos e Causas e Descrições das Plantas. Além desses livros há fragmentos de seus escritos sobre assuntos de meteorologia, física, metafísica, sensações e fisiologia animal.

TEOLOGIA Esboço: L A Palavra e Suas Definições lI. Referências a Artigos Relacionados m. Caracterização Geral; Esboço Histórico IV. A Teologia e os Filósofos V. Limitações e Expectações I. A Palavra e Suas Definições O termo teologia vem do grego theôs, "deus", e Iôgos, "estudo", "discurso", "raciocínio". Assim, essa palavra indica o estudo das coisas relativas a Deus, à sua natureza, obras e relações com os homens, etc. Uma definição léxica diz: cc... um corpo de doutrinas acerca de Deus, incluindo seus atributose relaçõescom o homem; especialmente,aquele corpo de doutrinas estabelecido por alguma igreja ou grupo religioso em particular".(WA). Essaé uma definição restrita. Mas esse vocábulo também é usado em um sentido mais geral: "O estudo da religião, que culmina em uma síntese ou filosofia da religião; além disso, uma pesquisa crítica da religião, especialmente da religião cristã". (WA). Definições e Usos Históricos: 1. No Grego Clássico. Uma explicação acerca dos deuses e seus atos, lendários e filosóficos. 2. No Estoicismo. Relatos míticos sobre os deuses; idéias naturais (racionais) a respeito dos deuses e de questões espirituais; a religião civil no que diz respeito aos deuses, aos ritos e às cerimônias religiosas. 3. No Cristianismo Patristico. Temos aí, essencialmente, uma teologia bíblica, incluindo aquilo que a Bíblia diz sobre Deus e seus atos. Mas vários dos pais da Igreja adicionaram algum material oriundo dos melhores aspectos da filosofia grega, conforme se vê nos escritos de Platão, de tal modo que até termos platônicos foram usados para exprimir noções cristãs e bíblicas. 4. Teologia Bíblica. A teologia depende tanto da Bíblia que essa expressão, em muitos círculos, acabou significando as próprias Escrituras. 5 . Nos Escritos de Abelardo. Ele empregava a palavra para indicar o estudo filosófico das doutrinas cristãs. 6. Após Abelardo. Nesse tempo, a expressão passou a indicar o estudo acadêmico das Escrituras e a respeito de Deus. E a teologia tomou-se a rainha das ciências, investida de suprema importância nas universidades da Europa e do Oriente Próximo e Médio. Homens da envergadura de Tomás de Aquino escreveram grossos volumes de teologia, quejamais perderam sua atração sobre as mentes. Versobre o Tomismo. 7. Como Unificação do Conhecimento. Os chamados pais da Igreja, e então os teólogos da Idade Média, enfatizaram a unidade da verdade e do conhecimento, dando a entender que todos os assuntos de estudo, incluindo as ciências, são ramos da teologia, visto que todas essas disciplinas de algum modo falam sobre os atos e as manifestações de Deus. Em tudo descobriríamos a mente de Deus, tanto na matemática como na biologia, como em qualquer outra matéria de estudo. 8. Teologia como Termo Genérico. No uso moderno, o termo veio a indicar certo número de disciplinas

inter-relacionadas, como a teologia dogmática (sistemática), a teologia bíblica, a teologia moral, etc. 9. Para a Mente Religiosa. A teologia, segundo esse ponto de vista, abrange todo e qualquer outro conhecimento, dirigindo-o para sua verdadeira finalidade. 11. Referências a Artigos Relacionados Esta enciclopédia apresenta ao leitor larga gama de artigos sobre assuntos teológicos. No tocante ao presente artigo, os mais importantes são: Teologia Bíblica; Teologia da Crise; Teologia do Antigo Testamento; Teologia do Novo Testamento (onde também há referência a vários outros artigos); Teologia Dogmática; Teologia Sistemática; Neo-ortodoxia. E, no tocante a nossos tempos de grandes desvios, ver Teologia da Libertação. lU. Caracterização Geral; Esboço Histórico I. Na primeira seção deste artigo, A Palavra e Suas Definições, apresentamos ao leitor um certo aspecto como se pode falar, de modo geral, sobre teologia. 2. Esboço Histórico: a. Quanto à natureza geral da teologia do Antigo Testamento e sua influência sobre o Novo Testamento, ver sobre Teologia do Antigo Testamento. b. O período helenista foi importante para a teologia que veio a repousar no Novo Testamento. Os livros pseudepígrafos, produzidos durante esse período, foram um importante elemento na formação dessa teologia. Ver sobre Livros pseudepígrafos e sobre o Enoque Etíope. Ver também Teologia Bíblica, que presta informações sobre a base bíblica da teologia. c. O Novo Testamento não se desenvolveu em um vácuo. Mas no mesmo há um tremendo avanço nas idéias teológicas, nas revelações, dentro dos escritos apostólicos. Ver sobre Teologia do Novo Testamento, bem como os artigos ali mencionados. Os elementos mais decisivos do Novo Testamento são os evangelhos sinópticos, e os escritos de Paulo e de João. d. A Teologia Patrística. Ver os artigos intitulados Pais Antenicenos e Pais Apostólicos, onde há algumas informações sobre a história da teologia. O quinto ponto do artigo Pais Apostólicos aborda, especificamente, a teologia deles. O período coberto pela teologia patrística começa imediatamente com os discípulos dos apóstolos até os séculos VII e VlII d.C., embora alguns abreviem mais ainda esse período. O período patrístico foi um tempo de definições. Embora esses pais estivessem trabalhando com base na Bíblia, como sua principal fonte informativa, contando com as filosofias estóica e platônica como suas fontes secundárias, eles não se mostraram unânimes em tudo. Nem mesmo certas doutrinas cardeais, como as doutrinas de Cristo e da deidade, foram interpretadas de maneira unânime e uniforme. De fato, foi somente já no século IV d.C. que os credos emitidos pelos concílios puderam produzir uma "ortodoxia" mediante a qual foi possível julgar a boa variedade de pontos de vista então existentes. Havia várias tendências teológicas, como a platonização efetuada por alguns pais gregos, como Justino Mártir, Irineu, e, especialmente, os alexandrinos, como Clemente e Orígenes, e daí ao antiintelectualismo extremo (com a absoluta rejeição conseqüente da filosofia) de Tertuliano. Foi principalmente o gnosticismo que provocou a obra dos apologistas. Versobre Apologetas (Apologistas). Devemos ao Credo Niceno e à Definição calcedônica algumas das melhores produções patrísticas, pertencentes principalmente a Atanásio e aos três capadócios. Ver sobre Capadócios, os Três; e Pais Capadócios da Igreja. Foi então que Pelágio levantou a questão da relação entre o livre-arbítrio humano e o determinismo divino. Seu grande

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TEOLOGIA opositor foi Agostinho. O donatismo (vide) apresentou um outro desafio à unidade da Igreja, tanto à doutrina como à organização. Devemos observar que a ortodoxia (vide) foi sendo definida pelos pais da Igreja, em um processo que ocupou muitos séculos. Quanto a outras informações sobre esse período, ver os artigos sobre os nomes dos pais mencionados acima, a respeito dos quais oferecemos verbetes distintos. e. Teologia "Filosofia do Escolasticismo", Ver o artigo detalhado sobre o Escolasticismo. Não queremos reiterar detalhes aqui. A era patrística foi seguida por certo período de inércia intelectual, vinculada às invasões dos bárbaros e às agitações políticas, tanto no Oriente como no Ocidente. Houve alguns poucos e isolados eruditos, como Bede e Alcuíno; mas foi somente após o período medieval que houve nova explosão de atividades teológicas. Esse reacendimento, foi estimulado, pelo menos até certo ponto, pela redes coberta do pensamento dos filósofos gregos, principalmente Aristóteles e Platão. A educação tomou-se apanágio da Igreja organizada, e os escolásticos, teólogos-filósofos, foram os principais agentes na transmissão de conhecimentos. Com Abelardo encontramos o início de um movimento na direção de uma maior racionalização da teologia; e Anselmo legou-nos uma orientação mais bíblica da teologia. Tomás de Aquino, um dos maiores filósofos-teólogos de todos os tempos, procurou reconciliar a filosofia à fé religiosa. Ele usava Aristóteles, primariamente (mas também Platão), para explicar as doutrinas cristãs. Várias sínteses foram assim produzidas, dependendo dos filósofos envolvidos. Esse período caracterizou-se pela cristalização de várias típicas doutrinas católicas romanas, as quais, embora ensinadas desde bem antes, agora eram confirmadas, formando um rígido sistema. As doutrinas mais importantes que foram assim confirmadas foram aquelas acerca da pessoa e importância de Maria (ver sobre Mariolatrta e Mariologia}; da regeneração batismal; do sacramentalismo, da penitência, do purgatório e da transubstanciação. Temos apresentado artigos separados sobre cada uma dessas questões. f. A Reforma Protestante. O artigo sobre esse assunto fornece amplas informações ao leitor, pelo que aqui traço apenas a noção mais geral possível. A Reforma Protestante foi uma espécie de movimento de volta à Bíblia, dentro da Igreja Ocidental. A Igreja Ortodoxa Oriental já se havia separado do Ocidente no ano de 1054, defendendo certas doutrinas distintivas sobre algumas questões. Aí pelos meados do século XV d.C., o escolasticismo já havia perdido o seu primeiro impulso, e seus pensadores principais tinham ficado no passado. As doutrinas que paulatinamente tinham sido formadas pelos escolásticos se haviam distanciado cada vez mais de Agostinho, o qual pode ser reputado como o pai da teologia-filosofia ocidental. Martinho Lutero, um monge agostiniano, ia-se irritando com as interpretações e excessos que, para ele, contradiziam a Bíblia. Isso posto, o que ele procurou fazer, em sua essência, foi fazer parte da Igreja organizada voltar a Agostinho. Mas Agostinho preservou suas idéias ocidentais quanto a várias questões importantes sobre como o homem nasce, vive por breve tempo, morre e então é julgado. Em outras palavras, o modo linear de viver e de receber oportunidades era parte da sua teologia Nessa linha há instantes marcantes: nascimento, vida, morte e julgamento. A Igreja Oriental, em contraste com isso, preferia uma interpretação circular. De acordo com a mesma, não há pontos de estagnação. Assim, aalma seria preexistente, não havendo algum ponto,

dentro do tempo, que assinale quando ela começou. A alma parte para o mundo intermediário, após a morte, e o após-túmulo provê uma continua oportunidade de salvação, e não somente a vida terrena. Em um círculo não há ponto terminal. Contudo, alguns dizem que a segunda vinda de Cristo é esse ponto. No entanto, Lutero, tal como outros reformadores, de modo geral, deram prosseguimento à interpretação linear. E assim, até onde posso ver as coisas, sacrificaram o discernimento dos cristãos orientais, com seu evangelho mais otimista. Seja como for, a Reforma protestante combateu abusos insuportáveis, e devolveu a Bíblia à Igreja. Somente então foram bem disseminadas as traduções da Bíblia, embora alguns poucos antigos tradutores, como Wycliffe (cerca de 1320 - 1384), tivessem vertido a Bíblia latina para o inglês. Mas, juntamente com o movimento de volta a Bíblia, houve a infestação de certo antiintelectualismo. E a Reforma Protestante, com sua insistência sobre a individualidade e com seus ataques à centralização da autoridade, tomou-se progenitora de uma grande fragmentação, conforme hoje se vê na Igreja Ocidental, cada vez mais ativa. Intermináveis credos foram criados por intermináveis seitas. Na maioria das vezes, não há qualquer motivo para explicar o porquê de alguma outra divisão. g. A Teologia Moderna. O período pós-Reforma produziu todas as divisões desencadeadas pelas agitações do século XVI. E foi já no século XIX que surgiram o Liberalismo (vide) e a teologia crítica. Ver sobre Crítica da Bíblia. O liberalismo extremado provocou a reação da Neo-ortodoxia (acerca de cujo movimento apresentei um pormenorizado artigo). Nos círculos evangélicos, o neo-evangelicalismo promove uma espécie de posição intermediária entre o liberalismo e o fundamentalismo, Ver os artigos chamados Neo-Evangelicalísmo e Fundamentalismo. Dentro da Igreja Católica Romana, por sua vez, tem prevalecido o neo-escolasticismo (vide), embora também exista uma ala liberal católica romana. Ver sobre o Liberalismo Católico. Mais recentemente, e de uma maneira que pareceria incrível, a chamada Teologia da Libertação (vide) tem conseguido muitos adeptos no catolicismo romano e até entre denominações protestantes. Esse último movimento busca uma espécie de síntese com a filosofia marxista. Quanto à natureza das modernas igrejas protestantes e evangélicas, ver o artigo Protestantismo. 3. Tipos de Teologia. Poderíamos dividir os estudos teológicos nos seguintes ramos: a. Teologia Bíblica (vide). Ali a Bíblia é, virtualmente, a única fonte informativa; e mesmo quando há apelo a outras fontes, elas são avaliadas através da Bíblia. As doutrinas bíblicas são sistematicamente classificadas. b. Teologia Dogmática (também conhecida por Teologia Sistemática, vide). As denominações protestantes e evangélicas produzem seus próprios credos sistematizados. Doutrinas que a Bíblia meramente sugere (ali a Bíblia continua sendo a principal, embora não a única fonte informativa, exceto no liberalismo) são promovidas à posição de doutrinas explícitas. Procura-se fazer os mais completos estudos sobre ensinos bíblicos como a Trindade, a encarnação, aexpiação, a Igreja, as ordenanças, as últimas coisas, etc. A teologia sistemática por muitas vezes vai além daquilo que a Bíblia ensina; e meras implicações bíblicas já se tomam ali dogmas rígidos. Acresça-se que a teologia sistemática tem o mau hábito de deixar de fora toda idéia que não se ajusta ao seu sistema particular, ou então distorce essas idéias, mediante dúbias interpretações (mesmo quando a Bíblia ensina claramente de outro modo). Tudo isso para que o sistema criado possa ter continuidade. Todas

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TEOLOGIA as teologias sistemáticas limitam os ensinos bíblicos, forçando-os a entrar em moldes apertados e incompletos. Essas teologias não reconhecem que a Bíblia é mais heterogênea do que estão dispostas a admitir, e que as Escrituras são mais vastas que as teologias sistemáticas são capazes de abarcar. Se é veraz a declaração que diz: "As denominações começam no Novo Testamento", também expressa uma verdade o fato de que todas essas denominações ignoram ou distorcem porções do Novo Testamento, na ânsia de conseguirem algum sistema homogêneo. Apesar dessas fraquezas, porém, as teologias sistemáticas contribuem para o nosso conhecimento, mediante a organização dos pensamentos teológicos e o bom desenvolvimento dos mesmos. Merecem nossa atenção e estudo, mas não devem ser usadas como rígidos padrões de aquilatação. c. Teologia Moral (vide). Os cristãos preferem-na chamar de ética cristã. Está em pauta a conduta cristã ideal. Até bem dentro dos tempos modernos, a Bíblia era o principal, ou mesmo o único manual de conduta. Mas atualmente os filósofos-teólogos preferem apelar para outras fontes, algumas vezes vantajosas, mas outras vezes com prejuízo. d. Teologia Pastoral (vide). A teologia pastoral consiste em instruções aos ministros das igrejas locais, acerca de como deverão tratar com a sua gente. Em certo sentido, é a ciência da cura de almas. No seu sentido prático, a teologia pastoral aborda os ritos, os cultos e as expressões religiosas práticas. Essa teologia ocupa-se da disciplina, do treinamento, da educação e da aplicação do Evangelho às pessoas, e isso de maneira prática. e. Teologia Mística. Ver sobre o Misticismo. Essa é a teologia que estuda acerca de como a alma pode ter acesso direto e comunhão com Deus, mediante experiências místicas. E isso de maneira extemalizada, como nas visões, nas profecias ou na iluminação, ou de maneira subjetiva, como na intuição. f. Teologia Litúrgica. Essaé a teologia que aborda as formas de adoração, e de que modo essas formas devem ser praticadas nas igrejas locais. g, Teologia Filosófica. Aí a filosofia é empregada a fim de examinar, organizar e explicar melhor a teologia. A realidade é examinada filosoficamente. Deus aparece como parte dessa realidade, como também a alma. Ver sobre Filosofia da Religião. Ver também Filosofia e a Fé Religiosa, A. h. Outras teologias possíveis são a lei canônica, a história da teologia, a história do dogma, embora usualmente não sejam consideradas teologias. 4. Alcance e Conteúdo da Teologia. A natureza geral desse alcance e conteúdo pode ser compreendida, se revisarmos os tipos de teologia, conforme demos no terceiro ponto. No artigo chamado Teologia Sistemática, provi informações detalhadas sobre os tipos de coisas que a teologia examina. A teologia é o estudo ou ciência que trata de Deus, de sua natureza e atributos e de suas relações com o homem e com o Universo. Isso posto, a teologia perscruta todos os aspectos da metafisica: a teologia propriamente dita (o estudo de Deus); a antropologia (o estudo do homem); a cosmologia (o estudo do Universo). IV. A Teologia e os filósofos Pano de fundo. A teologia, como estudo dos deuses, estava pesadamente envolvida com as religiões míticas, o que se evidencia claramente nos escritos de Homero e Hesiodo. I. Platão (mestre de Aristóteles) contava com uma elaborada teologia, onde as Idéias ou Formas, as realidades

espirituais básicas, recebiam os atributos que conferimos a Deus; e, em seu diálogo, Leis, essas idéias foram substituídas pela simples palavra grega theos, "deus". 2. Aristóteles fez da teologia uma disciplina filosófica séria, e as idéias divinas, como ser Impulsionador Não-Movido, faziam parte de seus estudos de metafisica, ou seja, a seção de seus escritos que aparece "após a física", Seu estudo sobre as causas lançou a base para o argumento teleológico em favor da existência de Deus. 3. Filo Judeu (vide) empregou o platonismo como sua teologia, provendo-lhe informações adicionais com base em conceitos veterotestamentários, que procurou conjugar com as idéias de Platão. Ele falava de um Deus transcendental que nossa linguagem não é capaz de expressar, a não ser negativamente, ou seja, Deus não é isto. Ele lançou mão na doutrina do Logos, a fim de aproximar Deus dos homens. Em seus escritos, algumas vezes o Lagos é apenas uma força impessoal; mas, outras vezes, é "o anjo do Senhor", a divindade personificada. 4. No cristianismo, a filosofia foi utilizada por alguns dos principais pais da Igreja, como Justino Mártir, Irineu, Clemente, Orígenes de Alexandria e Agostinho. Assim, a filosofia veio a tomar-se serva da teologia. Os apologistas cristãos defendiam o cristianismo utilizando-se de argumentos filosóficos (excetuando Tertuliano), em seus ataques ao paganismo e ao gnosticismo. Argumentos filosóficos foram usados em conexão com as tentativas de definir questões teológicas. Vê-se isso na fórmula do homoousios, na fórmula do credo niceno, como também em sua modificação, as explicações sobre o adjetivo homoiousios. No primeiro caso, argumentava-se que Cristo é "da mesma natureza" que Deus Pai; e, no segundo caso, que Ele é de "natureza semelhante" a Deus Pai. Assim, a filosofia mostrou-se ativa em todos os primeiros concílios eclesiásticos e nos escritos da grande maioria dos pais da Igreja, esforçando-se eles por definir melhor as doutrinas do cristianismo. S. O Pseudo-Dionísio (vide) criou várias abordagens à teologia: a. a abordagem positiva (aquela que repousa sobre as Escrituras); b. a abordagem negativa (só podemos conhecer Deus afirmando aquilo que Ele não é); c. a abordagem superlativa (a visão neoplatônica de que Deus é o superlativo de todas as idéias, estados e virtudes); d. a abordagem mística (a mais elevada e produtiva forma de teologia, que conta com o poder impulsionador do Espírito Santo). 6. Anselmo (vide) outorgou-nos o Argumento Ontológico (vide), além de importantes estudos sobre a expiação; Hugo de São Vítor (vide), Pedro Lombardo (vide) e o quarto concílio laterano (121 5) desenvolveram as doutrinas sacramentalistas. Destarte, a doutrina católica romana típica estava em plena formação. 7. Maimônides (vide) aplicou noções aristotélicas à fé dos hebreus, além de abordar os problemas relativos à teologia positiva e negativa, e, de modo geral, procurou desenvolver os conceitos de Deus, a moralidade e a própria teologia. S. A Summa Theologica (vide) de Tomás de Aquino (vide) foi o ponto culminante do movimento de pensamento que tivera começo com os apologistas. Tomás de Aquino proveu um estudo exaustivo da doutrina cristã, tendo-se utilizado de Aristóteles quanto a muitas de suas definições. Desse modo, a teologia católica romana estava em plena inflorescência, excetuando alguns pontos, que só surgiram mais tarde. A filosofia de Tomás de Aquino tomou-se a posição oficial da Igreja Católica Romana para abordar filosoficamente a fé cristã.

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TEOLOGIA 9. Tomás de Aquino distinguia criteriosamente as duas abordagens à teologia: a natural (teologia natural; vide) e a revelada (aquela que está alicerçada sobre as revelações bíblicas). Na primeira, opera a razão; na segunda, a fé aceita dogmas inalcançáveis para a razão. Ele pensava que ambas as abordagens são necessárias e boas, não necessariamente em conflito. Por outra parte, Guilherme de Ockham (vide) pensava que a fé religiosa deve estribar-se inteiramente sobre a revelação. E também julgava que, necessariamente, a teologia deve ser independente da razão e da ciência. Em seu modo de pensar, pois, a filosofia, apesar de ser uma atividade legítima, não deveria ser mesclada com a teologia. 10. A teologia protestante foi essencialmente escudada na revelação, e não nos raciocínios da filosofia. Um aspecto exagerado dessa atitude foi e continua sendo o anti intelectualismo (vide). O protestantismo também minimizou a influência das tradições e das decisões dos concílios, a fim de nada dizermos sobre a autoridade papal para determinar doutrinas. Ll. Suarez confiava que a filosofia é útil paraexaminarmos as crenças e os dogmas teológicos, dizendo que quando isso é feito de modo correto, alcança-se uma "unidade superior" da fé cristã. Em outras palavras, a teologia requer um exame critico. Nossa fé não dispensa exame. 12. A teologia da crise (vide) e a teologia dialética (vide) tiveram suas origens na noção de Kierkegaard de que se faz mister um salto de fé a fim de atingirmos o nível do cristianismo; e que a filosofia, apesar de útil, fracassa nesse ponto. Essa maneira de encarar a teologia foi desenvolvida por Karl Barth; e o artigo sobre a Neo-Ortodoxia expõe de modo completo essa atitude mental. Emil Brunner (vide) foi importante expositor desses pontos de vista. 13. Paul Tillich (vide) afirmava que a filosofia e a fé religiosa são atividades recíprocas. Mas, ainda segundo ele, as verdades realmente grandes e elevadas estão fora do alcance de ambas. Portanto, sempre houve e sempre haverá uma inquirição pela Verdade última. A própria revelação apenas estenderia a mão na direção da Verdade. 14. A Teologia Radical foi um desenvolvimento da década de 1960, com sua absurda afirmação da "morte de Deus". 15. A Teologia é a mais alta de todas as ciências, e muitas abordagens à mesma fazem-se necessárias. Uma única fonte informativa nunca é suficiente quando estão em pauta questões complexas. Isso posto, todas as portas e janelas deveriam ser abertas. Algumas vezes, somos beneficiados mediante esse método, das maneiras mais inesperadas. A filosofia é uma abordagem auxiliar. Nenhuma única fonte informativa é suficiente por si mesma. V. Limitação e Expectações A filosofia tem-nos ensinado a dificuldade que os homens experimentam quando procuram definir grandes questões como o amor, a amizade, a bondade, a verdade, etc. Até a simples palavra iogo pode dar-nos maiores dificuldades do que geralmente antecipamos, se a quisermos definir de tal modo que todos se satisfaçam com a definição. E muito maior é a dificuldade quando tentamos entender a teologia, o "estudo de Deus", o mais sublime de todos os assuntos. Todas as nossas alegadas teologias são (pelo menos em boa dose), humanologias, porquanto descrevemos Deus conferindo valores absolutos ao homem. Assim, pensamos que Deus é como um grande papa; ou como o maior de todas os bispos; e assim, acabamos injetando nossa ignorância e nossas distorcidas

interpretações nas Escrituras. Temos tão pouco genuíno contacto com o Espírito de Deus que o nosso real conhecimento de Deus sofre tremendamente Muitos homens idolatram os Livros Sagrados (btbltolatria: vide), e fazem Deus estagnar com suas declarações sábio-estúpidas. A comunhão mística com o Senhor é o melhor de todos os mestres acerca de Deus; e, no entanto, alguns homens, em seu antiintelectualismo e em seus preconceitos antimísticos, chegam a condenar qualquer tipo de experiência mística, mesmo aquele tipo ensinado na Bíblia. Ver sobre o Misticismo. O próprio vocábulo teologia deveria despertar-nos a mente, porquanto é perfeitamente óbvio, para qualquer pessoa pensante, que há grandes mistérios ainda a ser investigados, e que muita coisa que dizemos a respeito de Deus erra por omissão. Quando criticamos certos conceitos sobre Deus, como aquele que faz dele o grande Destruidor Cósmico, somos acusados de blasfêmia. Porém, é possível alguém blasfemar de algum conceito de Deus, sem tornar-se culpado de blasfêmia contra o próprio Deus. Nosso conhecimento acerca de como Deus é vem-se desenvolvendo através dos séculos. O Novo Testamento tem um melhor conceito de Deus do que o Antigo Testamento, e não há razão alguma para supormos que nossos conceitos de Deus não possam chegar, algum dia, a ultrapassar o que diz o próprio Novo Testamento, quando for da vontade do Espírito de Deus que isso se torne uma realidade. De fato, isso terá de suceder finalmente, nem que seja do outro lado da existência, porquanto nosso conhecimento de Deus é confessadamente irrisório. Os homens, porém, gostam de estagnar Deus, encerrando-O em uma caixa. Essa atividade limitadora nada tem a ver com a verdade. Tão-somente provê conforto mental aos que assim fazem. O apóstolo Paulo falou sobre grandes mistérios (ver I Cor. 112) que ainda não nos foram revelados; e isso permanece de pé, a despeito de haver-se completado o Novo Testamento. Paulo asseverou que grandes revelações aguardam por nós (ver I Cor. 13: 12). Mas alguns, de forma muito ridícula pensam que o fato do término do cânon das Escrituras solucionou todos os problemas de conhecimento. O apóstolo, na verdade, estava falando acerca daparousia (vide), bem como das novas revelações que aquele evento (ou melhor, que aquela série de eventos) haverá de trazer-nos. Visto que todos os sistemas e todas as denominações são misturas do que é bom e do que é ruim, do verdadeiro e do falso, a to/eráncia (vide) deveria ser a atitude e o procedimento básicos de todos os crentes. E os verdadeiramente espirituais irão até além da tolerância, pois passarão à apreciação e chegarão ao amor. (AM B BENT C EFIB IDMMPR) TEOLOGIA ALÉM DA TEMPESTADE Ilustrada por Meio de uma Parábola - Visão Certa noite, estava eu sentado em casa, lendo umjomal. De súbito, o céu e o interior da casa foram iluminados por um poderoso relâmpago. Por alguns segundos, a noite ficou igual ao dia. Logo em seguida ribombou o trovão, que foi tão potente que a casa estremeceu, como que sacudida por um terremoto. Caiu então uma tempestade violentíssima, que julguei ser um tufão incomparável. E foi somente quando me vi fora de casa, sacudido pela tempestade, que compreendi que eu estava tendo uma visão e não uma experiência real. Eu contemplava, atônito, toda aquela violência; e, então, uma iluminação interior informou-me que tudo aquilo representava o iulgamento.

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TEOLOGIA - TEOLOGIA BÍBLICA

o temporal

desconhecia limites em sua violência, e eu podia ver que sua fúria queimava toda imundícia, e suas águas estavam limpando a terra inteira. Foi-me dado perceber a agonia das pessoas mal preparadas, que a tempestade surpreendera; e, em meio aos acontecimentos, eu mesmo me sentia desesperado, como se a tempestade nunca fosse ter fim. Aos poucos, porém, a tempestade se foi dissipando, pela força de sua própria violência. A chuva foi ficando mais leve, e o céu se aclarou. Olhei para a superfície da terra, e vi que estava limpa. Aos poucos, plantas e flores foram crescendo, e pessoas felizes apareceram na cena. E, então, uma iluminação interior informou-me que, sem aquela tempestade, não teria havido renovação. Minha mente começou a fazer comparações. Entendi a similaridade entre aquela tempestade com a filosofia pessimista do existencialismo ateu. Também percebi que as experiências com os alucinógenos produzem estados mentais que sugerem às pessoas o terror de uma tempestade. E também entendi que há um estado para além daquela condição tenebrosa. Vi que o temporal do julgamento é algo indispensável para que haj a um trabalho de restauração. E, finalmente, também compreendi que uma vez terminada a obra da procela, o produto final será glorioso. Quero falar com toda clareza. O julgamento é uma realidade. Algumas filosofias entendem, intuitivamente, essa realidade, tornando-se reflexos da mesma. Experiências negativas com os entorpecentes também despertam aquela parte da mente que reconhece a realidade do julgamento, e refletem a mesma. Porém, nem essas filosofias e nem essas experiências mostram o capítulo final do destino humano. O julgamento é uma realidade, embora intermediária, e não final. Para além do juízo haverá uma outra condição. Esse outro estado será glorioso, e dependerá, em parte, do trabalho do julgamento, para tornar-se uma realidade. Existe uma Teologia Para Além da Tempestade. Infelizmente, muitas religiões fazem estacar o destino humano dentro da tempestade, incapazes de divisar, para além disso, o dia glorioso que nascerá em seguida. Assim, elas não entendem a própria razão do julgamento. Felizmente, a tradição mística, de modo geral, vê para além do temporal. Certos segmentos da Igreja cristã também participam dessa visão, pelo menos parcialmente, especialmente os pais gregos, a Igreja Oriental e os anglicanos. A Igreja Ocidental (a Igreja Católica Romana e suas "filhas errantes", as igrejas protestantes e evangélicas) ensina uma teologia pessimista sobre o julgamento, deixando os homens em meio ao temporal. Essa teologia, porém, é míope, ignorando o Mistério da Vontade de Deus (vide), que transparece em Efésios 1: 9, 10. Esse é o nosso melhor texto acerca do que Deus tenciona fazer, finalmente. Ver também o artigo intitulado Restauração. Os não-remidos serão "restaurados", e isso envolverá uma gloriosa obra secundária de Cristo. Porém, mister é ajuntar que os restaurados não chegarão a participar da natureza divina, o alvo mesmo da redenção dos eleitos (ver 11 Ped. 1:4; Rom. 8:29; 11 Cor. 3:18). Nesse sentido, o julgamento será eterno, porquanto haverá uma privação. Mas, por outro lado, é errôneo encarar ojulgamento somente como se fosse uma retribuição. O julgamento também será remedial, e fará parte daquilo que Deus faz visando ao beneficio dos não-remidos. Sim, há uma teologia para além da tempestade. Infelizmente, como já dissemos, há uma boa parte da Igreja cristã que deixa os homens na tempestade.

Para eles, essa tempestade será somente destruidora. Sua água e seu fogo, conforme concebem, não purificarão e nem limparão. Mas a verdade é que a tempestade será o limiar da introdução de um Novo Dia. TEOLOGIA ALEXANDRINA Ver sobre Alexandria; Teologia de TEOLOGIA APOFÁTICA É a confissão teológica na qual reconhecemos que Deus está acima de todas as categorias e descrições humanas, e que Sua real substância e descrição são transcendentais. Ele transcende à afirmação e à negação, não podendo ser atingido mediante a força do intelecto. Só pode ser atingido mediante o êxtase de amor, onde a união com Deus e a deificação têm lugar. Dionísio, o pseudo-areopagita (ver o artigo a respeito) (cerca de 500 d.C.),provavelmente foi quem cunhou o termo. É usado em contraste com TEOLOGIA CATAFÃTICA, que afirma o que pode ser afirmativamente predicado a Deus. Isso envolve as descrições normais da natureza e dos atributos de Deus, além das nossas doutrinas dos lugares celestiais, dos anjos e das declarações intelectuais e simbólicas. TEOLOGIA ASCÉTICA A teologia ascética diz respeito à vida cristã, desde seus primórdios até os primeiros estágios da contemplação, para a qual é uma preparação. É uma análise sistemática da vida da graça, sob o Espírito, em termos de disciplina. Procura encorajar os crentes a purificar-se de toda a auto-referéncia Seus três aspectos principais são: 1. O caminho do expurgo: o indivíduo tenta livrar-se do egoísmo e dos desejos pessoais. 2 O caminho da iluminação: o indivíduo, uma vez liberto do "eu", tenta confirmar-se segundo a imagem de Cristo, mediante a contemplação de Sua pessoa e a prática de todas as virtudes. 3.0 caminho da unificação: O indivíduo tenta tomar consciência de sua união com Deus. Nesse ponto, a teologia ascética mescla-se com a teologia mfstica (ver o artigo). (C) TEOLOGIA BIBLICA Esboço I. Sentidos da Expressão lI. Observações e Críticas Sobre Essas Idéias III. Principais Temas da Teologia Bíblica IV. Noções da História da Teologia Bíblica I. Sentidos da Expressão A expressão teologia brblica é usada de várias maneiras, a saber: I. Uma atividade cuja finalidade é esclarecer os temas e as idéias da Bíblia, sem os pressupostos que inevitavelmente dão um certo colorido às interpretações particulares. Em outras palavras, trata-se da tentativa de determinar o que a Bíblia realmente ensina, mesmo que os resultados sejam embaraçosos para o estudioso e sua denominação. Essa atividade, na verdade, embaraça a todas as denominações, cuja própria existência depende da distorção de certos ensinos da Bíblia. 2. A tentativa para articular a significação teológica da Bíblia como um todo. Isso é uma tarefa quase impossível, porque a Bíblia não é um livro homogêneo, conforme as pessoas gostam de acreditar. Não obstante, a tentativa resulta em pontos positivos, a despeito de seu inevitável fracasso. 3. A tentativa de construir um completo sistema teológico, mediante o uso da Bíblia como única fonte

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TEOLOGIA BÍBLICA informativa. Isso tem sido tentado por muitos evangélicos fundamentalistas e conservadores. Também foi tentado por Karl Barth e sua neo-ortodoxia, ou pelos grupos protestantes que aprovam a rejeição das tradições eclesiásticas, dos pais da Igreja e dos concilias, como autoridade, conforme fez Lutero. 4. O pressuposto é que todos os autores da Bíblia concordam em seus pontos de vista fundamentais, e juntamente com exposições de idéias pretendem descobrir exatamente quais eram os pontos de vista daqueles autores sagrados. 11. Observações e Criticas Sobre Essas Idéias I. A primeira dessas atividades é tão nobre como qualquer outra que poderia ser efetuada. Todas as denominações cristãs, sem importar quão biblicas elas se suponham, descobrem ser necessário distorcer e dogmatizar certas porções das Escrituras, a fim de fazerem seus sistemas alicerçarem-se exclusivamente sobre a Bíblia. Mas fazem isso ajustando as Escrituras às suas crenças, e não ajustando suas crenças às Escrituras. 2. Apesar de ser impossível fazer a Bíblia tornar-se uma obra totalmente homogênea, dotada de uma única mensagem central, a tentativa é útil, pois procura determinar a mensagem ou as mensagens comunicadas pelas Sagradas Escrituras. Isso confere-nos uma melhor compreensão sobre a tradição geral hebraico-cristã, bem como sobre o tipo de fé ali ensinada. 3. As Escrituras como única regra de fé. O amigo leitor terá de desculpar-me quanto a esse ponto, pois vejo problemas sérios nessa regra artificial. apesar do fato de haver sido criado como crente batista e de ter sido ensinado a respeitar esta noção. Porém, essa regra pode ser criticada quanto a diversos particulares. enumerados abaixo: a. Trata-se de um dogma, e não de um ensino contido na própria Bíblia. Em parte alguma as Escrituras declaram que elas devem ser a única regra de fé e prática. De fato, não há na Bíblia qualquer declaração baseada no conhecimento do cânon terminado. Nenhum dos autores sagrados sabia quando o cânon sagrado estaria terminado. Não foi se não já no século IV d.e., que o cânon do Novo Testamento ficou fixado, no parecer da maioria dos cristãos; e mesmo depois, oito livros continuaram sendo disputados em vários segmentos da Igreja. Portanto, tomar o que agora se considera ser a coletânea das Escrituras, e afirmar que somente esses livros nos podem servir de regra, necessariamente é um dogma posterior. Esse dogma reveste-se de certa utilidade. porquanto nos infunde um profundo respeito pelas Escrituras. E, de fato, devemos respeitar ao máximo os oráculos de Deus. Porém, o ar de finalidade que está envolvido nesse dogma é uma idéia humana, e não uma verdade divina revelada. b. Na prática, a aplicação dessa regra transmuta-se nisto: Como eu e a minha denominação interpretamos as Escrituras. Lutero tem sido altamente elogiado por defender fortemente a idéia das "Escrituras somente". No entanto, ele ensinava a regeneração batismal, a consubstanciação (ver o artigo), e traçou o plano geral do luteranismo (ver o artigo), que as demais denominações evangélicas insistem não se harmonizar com a regra das Escrituras somente. Poderíamos multiplicar exemplos de como essa regra reduz-se a alguma interpretação particular das Escrituras. Os grupos de restauração e os grupos pentecostais afirmam estar fazendo a Igreja retomar ao seu primitivo estado, mediante a observância cuidadosa de todos os preceitos ou mediante a restauração dos dons espirituais. E, no entanto, conseguem ignorar completamente a unidade espiritual da Igreja, que

congraça todos os verdadeiros regenerados, mostrando-se extremamente sectaristas, ou então certos ensinamentos práticos, como aquele que ordena que as mulheres se mantenham caladas na igreja. Também têm igrejas dirigidas por um único ministro, que os grupos dos irmãos estão certos em não corresponder ao ministério diversificado das igrejas primitivas. Os batistas sentem-se confortados ante a idéia de que eles são os melhores representantes atuais da Igreja primitiva; mas rejeitam os dons espirituais alicerçados sobre o dogma erroneamente derivado de I Coríntios 13: 1-13, que ensina como a "parousia" ou segunda vinda do Senhor obviará os dons espirituais. Mas os batistas interpretam que o término do cânon das Escrituras põs fim ao exercício dos dons espirituais, embora tal interpretação seja inteiramente estranha ao texto sagrado, não podendo suster-se de pé diante do exame mais superficial. Além disso, certos grupos batistas mostram-se radicais quanto à doutrina da predestinação (que é uma doutrina bíblica), mas fazem-no de modo a ignorar certos textos como I Timóteo 2:4, os quais aludem a uma oportunidade universal e ao amor verdadeiramente universal de Deus. Em contraposição, há grupos evangélicos que enfatizam de tal modo a doutrina do livre-arbítrio que precisam torcer textos bíblicos como o nono capitulo de Romanos. que ensina o controle do livre-arbítrio humano pela vontade soberana de Deus. Muitas pessoas não conseguem perceber que certas doutrinas terminam em paradoxos. e que a harmonização entre todas elas é simplesmente impossível, tanto por causa de nossa limitada compreensão como pelo fato de que Deus reservou para si mesmo certos informes que nos foram negados. A doutrina da salvação de crianças que ainda não atingiram a idade da responsabilidade moral não se baseia nas Escrituras, mas na razão. Na verdade, essa é uma doutrina importante, com implicações extensas. Porém. não é uma doutrina ensinada na Bíblia, e nem corresponde à verdade, até onde eu posso ver as coisas. Penso que as noções da pré-existência da alma e a continuação da oportunidade de salvação, além do sepulcro (I Ped. 4:6), nos provêm respostas melhores. dotadas de base bíblica, ao passo que aquela é puramente racional e emotiva. Ainda temos que considerar que a Igreja Católica Romana, a Igreja Ortodoxa e os anglicanos estão certos da veracidade da doutrina da sucessão apostólica (ver o artigo), a qual está razoavelmente alicerçada sobre textos como João 20:23 e a mensagem geral das epistolas pastorais, que ensinam a transmissão de autoridade através da ordenação de anciãos ou bispos. No entanto, há outros grupos cristãos igualmente certos de que existem outras maneiras de transmissão da autoridade espiritual. Após examinarmos cada denominação cristã, chegamos à conclusão de que há em cada caso. uma mescla particular de conceitos bíblicos e humanos, onde a Bíblia nem sempre é o fator decisivo, e nem mesmo o Novo Testamento. Na prática, pois. a regra de "as Escrituras somente" reduz-se a uma seleção de trechos bíblicos e à interpretação dos mesmos. c. O problema da homogeneidade. A regra das "Escrituras somente" pressupõe. erroneamente, que as próprias Escrituras são homogêneas. Mas é evidente.que o Antigo e o Novo Testamentos não podem ser considerados como uma unidade. para então tornarem-se a base da fé e da prática. Não mais oferecemos animais em sacrificio; não temos mais sacerdotes levitas, etc. O Novo Testamento nos leva além do Antigo. Além disso. é óbvio que o próprio Novo Testamento não é tão

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TEOLOGIA BÍBLICA homogêneo como as denominações evangélicas nos querem fazer acreditar. Assim, podemos encontrar versículos que quase certamente ensinam a regeneração batismal - como Atos 2:38-, embora também possamos descobrir, na epístola aos Romanos, que Paulo não acreditava nisso, pois em suas longas passagens que abordam a justificação pela fé, ele ignora totalmente o papel do batismo em água. Poderíamos especular que algum dos apóstolos cria na necessidade do batismo para a salvação (vinculando o batismo à circuncisão judaica, segundo se vê em Atos 15 e Cal. 2:12,13). Além disso, transparece no Novo Testamento o paradoxal ensino do livre-arbítrio humano e do determinismo divino, e não apenas em interpretações dos séculos posteriores. Uma pessoa pode defender um lado ou outro dessa questão bilateral, oferecendo diferentes textos de prova. Nos evangelhos, a salvação aparece como simples questão do perdão dos pecados e da transferência para o Céu. Porém, nos escritos de Paulo, transparece a idéia da transformação dos remidos segundo a imagem de Cristo, conferindo-lhes a própria natureza divina, conforme a mesma se manifesta no Filho, como a essência mesma da salvação (Rom. 8:29; Il Cor. 3:18; li Ped. 1:4). O Julgamento também não é apresentado como doutrina sem diversas facetas. no Novo Testamento. Há realmente aquela posição, assumida pelos pais latinos da Igreja, pela Igreja de Roma e pelos grupos protestantes que se derivam do cristianismo ocidental, de que a morte física é o fim da oportunidade da salvação, conforme o texto de Hebreus 9:27 é usado como texto de prova. No entanto, Pedro alude à descida de Cristo ao Hades (I Ped. 3: 18-4:6), o que garante a oportunidade renovada além do sepulcro (ll Ped. 4:6). Esse sempre foi o ponto de vista dos pais gregos da Igreja, seguidos por muitas igrejas cristãs orientais, e pelos anglicanos, como uma denominação evangélica ocidental. Ambas as posições aparecem no Novo Testamento, e ambas as posições são representadas por denominações cristãs modernas. Precisamos selecionar aquilo que é melhor, do ponto de vista racional e intuitivo. Meus amigos, precisamos escolher, e não somente em relação a essa doutrina, mas acerca de muitas outras, pois o Novo Testamento não é um documento tão homogêneo como temos sido ensinados a aceitar. Seguir a verdade é muito mais uma aventura do que seguir o roteiro traçado em um mapa. Os mistérios referidos por Paulo levam-nos a regiões não exploradas por outros apóstolos; do contrário, nem seriam mistérios. Portanto, existem níveis diversos de verdade, expressos nas páginas do Novo Testamento, e não apenas quando o Antigo Testamento é comparado com o Novo. O ensino paulino sobre o destino final do homem, a restauração referida em Efésios I: 1O, não é doutrina antecipada pelos outros autores sagrados, e nem é ensino muito popular em muitos segmentos da Igreja. No entanto, é uma preciosa e profunda verdade, que dá maior otimismo à fé cristã. Além disso, aiicerça-se sobre uma interpretação verdadeiramente universal do amor de Deus, um amor escorado na onipotência divina. Há quem concebe um amor de Deus que não se escuda em Seu poder, mas isso não é o verdadeiro amor de Deus. Como é que Deus poderia amar o mundo (João 3: 16), sem que isso fizesse uma diferença universal, em favor do mundo, através da missão de seu Filho, que foi o poder que trouxe o amor de Deus a todos os homens? Não me sinto satisfeito diante de amor meramente teórico, que não consegue cumprir o intento de Deus e faz do Evangelho um fracasso. E impossível que a missão de Cristo tivesse falhado, embora seu sucesso seja

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alcançado em diferentes gradações, no caso de diferentes pessoas. Suspeito do Evangelho que resulta em fiasco, que não beneficia, de alguma maneira, a todos os homens. Sem dúvida há mais verdade do que isso, mais poder, mais ação e mais resultados. Suspeito de um Evangelho que afirma querer atingir todos os homens, mas que, em face de razões humanas, não consegue fazê-lo. Suspeito de um evangelho que tenciona atingir apenas a alguns poucos, quando as próprias Escrituras declaram que o amor divino é universal, e que a intenção do Senhor é salvar a todos. Suspeito de um Evangelho que se mostra apressado, que precisa salvar a todos os homens dentro do estreito limite de suas vidas terrenas, algo claramente impossível. no caso da vasta maioria dos homens. Suspeito de um Evangelho que, desde o começo, está baseado em uma impossibilidade. Suspeito de um Deus (segundo a concepção de alguns) que, embora se declare grande, na verdade é tão limitado que seu Filho não consegue realizar a missão que lhe foi dada a cumprir. Antes, concebo um Deus cujo propósito é universal e cujo poder é suficiente para cumprir todo o seu propósito, através de seu Filho. E, se eu tiver de escolher entre textos de prova, a fim de chegar a esse tipo de Deus, de Filho de amor divino e de Evangelho, isso será exatamente o que farei. d. Seleção de textos de prova. Meus amigos, ninguém pode aclarar toda a verdade examinando alguns textos de prova. Em primeiro lugar, alguma outra pessoa religiosa interpretaráos mesmos textos de prova de maneira diferente. Em segundo lugar, os textos de prova escolhidos podem não ser a única informação disponível, sobre o assunto que se procura explicar.Em terceiro lugar, ouso dizê-lo, os textos de prova podem não ter mais aplicação. Por exemplo, os mandamentos acerca da guarda do sábado, que tinham aplicação a Israel, mas não têm mais aplicação em nossos dias da graça. Ou então Hebreus 9:27, que fala até o juízo, e que é ultrapassado em alcance por I Pedro 4:6, que fala até a restauração de todas as coisas. Idéias de um inferno eterno, sem mitigação, foram ultrapassadas por Efésios I: 10. E assim, na medida em que vamos entendendo a verdade, vamos crescendo no nosso entendimento, pois a verdade jamais é uma entidade fixa Na verdade, a verdade é uma aventura contínua. No presente, somos possuidores de bem pouca verdade, embora alguns itens da mesma, que o Senhor já nos revelou, sejam extremamente importantes para nossa vida e bem-estar espirituais. e. Muitas autoridades. Finalmente, preciso declarar a verdade sobre essa questão, ressaltando a necessidade da existência de muitas fontes de verdade. É impossível que toda a verdade de Deus esteja contida em um único livro ou coletânea de livros. Na verdade, não honramos a Deus quando declaramos que isso tem de ser assim, pois nem mesmo as Escrituras fazem tal afirmação. Com declarações assim, limitamos drasticamente a Palavra de Deus, pois essa Palavra é multifacetada. A Palavra é a totalidade da comunicação divina, sem importar como Ele a tenha comunicado. A comunicação através da Bíblia é apenas uma dessas facetas. A Bíblia nos foi dada como padrão de aferição de nossas idéias religiosas. Mas a Palavra de Deus é maior que a Palavra escrita. O Mensageiro enviado a Daniel revelou a ele: "...eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade..." (Dan. 10:21). E diz o salmista: "Para sempre, ó Senhor, está firmada a tua palavra no céu" (Sal. 119:89). Mas o que chegou até nosso conhecimento, foi aquilo que Deus nos quis revelar. A Palavra de Deus é mais vasta e profunda do que a Palavra escrita, e a Palavra escrita envolve muito mais do que qualquer interpretação pessoal da mesma, sendo essa a base das denominações cristãs.


TEOLOGIA BÍBLICA f. Coisa alguma do que dissemos acima deve ser

interpretada como tentativa de diminuir a importância das Escrituras como autoridade espiritual. Realmente, quando mostramos que a Bíblia é maior que qualquer interpretação denominacional, quando mostramos que ela nos convida a um desenvolvimento espiritual que nos levará a ir redescobrindo a verdade em níveis cada vez mais elevados, quando mostramos que ela infunde em nossos espíritos uma atitude de otimismo, em face do amor de Deus e de seu plano benfazejo para com toda a humanidade, estamos apenas exaltando as Escrituras. Isso honra mais a Bíblia do que se lhe atribuírmos oficios que ela não tem, ou do que se limitarmos o seu escopo. Portanto, podemos encerrar este ponto dizendo que se as Escrituras não são a autoridade exclusiva (ver o artigo sobre a questão da autoridade), elas ocupam posição central e precisam ser ouvidas, porquanto diz o Senhor: "À lei e ao testemunho". Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva (Isa. 8:20). 4. Está equivocado o pressuposto de que todos os autores bíblicos promoveram uma só linha teológica. Tal como no caso dos profetas, cada apóstolo explorou a verdade segundo lhe foi dada pelo Senhor: " ...0 nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada" (Il Ped. 3: 15). Não obstante, o exame dessas diversas linhas é uma nobre atividade, porquanto devemos perscrutar a Bíblia como um todo, a fim de tomarmos consciência das noções fundamentais que ela nos transmite. E, se encontrarmos alguma discrepância entre os autores sagrados, isso não nos deveria assustar. A discrepância talvez se deva somente à nossa limitada compreensão. Os autores sagrados não deixaram escrito tudo quanto sabiam. Seus escritos são apenas representativos. Paulo testifica isso ao escrever: "...sei que o tal homem, se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe, foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir" (II Cor. 12:3,4). Conforme foi surgindo a necessidade, os escritores sagrados abordaram várias questões. Por assim dizer, eles nos forneceram as peças incompletas de um quebra-cabeça; e agora, a tarefa da teologia bíblica é procurar ordená-las em seus devidos lugares. Contudo, cumpre-nos fazer isto cônscios da existência de hiatos, de espaços em branco, não esclarecidos na Bíblia. O sistema de doutrinas ali revelado não é completo, mas é suficiente para guiar a alma no Caminho de volta a Deus! A fé não depende da homogeneidade, e nem de uma revelação que tampe todas as brechas. O anúncio divino, embora incompleto, pode resolver todos os problemas desta vida e da vindoura. Um anúncio completo, que só será recebido do outro lado da existência, haverá de outorgar-nos uma visão ainda mais satisfatória. "Porque agora vemos como em espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido" (l Cor. 13:12). 11. Principais Temas da Teologia Biblica A despeito de hiatos e ponto obscuros, há um corpo de ensinos que podemos extrair da Bíblia, e que, necessariamente, toma-se a base de qualquer teologia cristã. Isso não quer dizer que a teologia não possa investigar outros frutíferos campos de pensamento; pois a verdade divina, não estando limitada a qualquer livro ou coletânea de livros, dificilmente pode ser inteiramente determinada através do apelo exclusivo às Escrituras. Estas servem de padrão aquilatador, mas não encerram toda a verdade de Deus. Nem por isso pretendemos diminuir a importância do grande tesouro de verdade que nos foi proporcionado

através das Sagradas Escrituras. Não degrado a verdade que posso encontrar em um local, somente porque também posso encontrá-Ia em um outro lugar. a. O conceito teísta. Temos de começar por esse ponto. As Escrituras descrevem um Deus que não somente criou, mas que também se conserva imanente em sua criação, que se interessa por questões morais, que recompensa o direito e castiga o errado, que guia, e que pode ~\.. r buscado e achado. Essa é a posição do teismo (ver o artigo), ao invés do deísmo. Este último (ver o artigo) ensina que Deus, ou alguma espécie de força cósmica, criou as coisas, mas em seguida abandonou a sua criação, permitindo que a mesma ficasse ao sabor das leis naturais. O deísmo divorcia Deus de sua criação. As Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, são decisivamente teístas. Deus cuida até dos pardais, quanto mais do homem que criou. Deus é um fator que precisa ser levado em conta todos os dias. A cada vez em que lemos nas Escrituras: "Assim diz o Senhor", podemos ver nisso um Deus teístico. A cada vez em que um profeta procura comunicar uma mensagem divina, temos de conceber Deus segundo moldes teistas. Quando o Filho veio para representar o Pai, encontramos nele as atividades do Deus do teísmo. b. Deus como fonte e alvo de toda a vida física e espiritual. Deus criou os mundos (Gên. 1 e 2). E também confere a vida espiritual (João 1: 12, 5:25, 26). Ele é a origem de toda a vida e de todo ser vivo, e também é o alvo de tudo quanto vive e existe (l Cor. 8:6). Nessa conexão, o que é dito acerca do Pai é dito também acerca do Filho (Col. 1: 16 ss.). Os títulos de Jesus, "O Alfa e o Ômega", visam ensinar a mesma verdade. c. Deus tem muitos e exaltados atributos de poder, de conhecimento e de bondade. Ver o artigo separado sobre os Atributos de Deus. Ver também o artigo sobre Deus. Entre esses atributos destacamos a personalidade de Deus. Deus não é alguma força cósmica, um absoluto abstrato. Todos os antropomorfismos ensinam-nos essa verdade (ver Gên. 1, lsa. 55:9; Êxo. 20:7), ainda que de maneira imperfeita. Por igual modo, não nos devemos olvidar da natureza espiritual e moral de Deus (ver Gên, 3:26; João 4:24). Deus dá atenção ao pecado e a seus resultados (Rom.3). d.O homem é um ser decaído. necessitado de redenção. Esse é um constante tema bíblico, a começar no terceiro capítulo de Gênesis, A redenção do homem está no Filho de Deus (Rom. 8:29), através do poder atuante do Espírito Santo (U Cor. 3: 18). O resultado final da redenção será a participação dos remidos na natureza divina, de forma real e metafísica, e não apenas como um conceito moral (U Ped. 1:4). e. Em seu relacionamento com os homens, Deus age através de pactos. Ver o artigo sobre os pactos. f. Nas Escrituras há uma filosofia da história. Ver o artigo sobre Historiografia Bíblica. Deus vem ao encontro do homem, na história, como um ser caído. Mas haverá de tirar os remidos de dentro da história, quando estes atingirem a plena potencialidade de sua vida espiritual; e então terá início o aspecto transcendental da história humana. Deus guia essa história de tal modo que ela não fica entregue aos caprichos do acaso, pois a História é linear, isto é, a sucessão de eventos tem um começo e dirige-se a um fim pré-determinado. Contrariamente às idéias de Toynbee, um grande filósofo da história de nossa época, a História não consiste em ciclos repetitivas, pois, embora certas tendências se reiterem na história da humanidade, esta caminha em uma direção, e seu alvo transcende a mera expressão terrena, física.

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TEOLOGIA BÍBLICA g. As circunstâncias históricas são dirigidas pelas operações de Deus. Há importantes eventos e palcos históricos na Bíblia e em sua teologia. A nossa fé religiosa não está alicerçada sobre meros símbolos e metáforas, desacompanhada de condições históricas. A vida e os milagres de Jesus foram acontecímentos históricos. Houve um túmulo vazio, e também uma ressurreição literal. "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho" (Luc. 24:39). A crucificação reveste-se de grande importância teológica. h. Há uma tradição profética. Isso tanto no sentido dos ensinos ministrados pelos profetas, como no sentido de que eles predisseram o futuro. O labor e a mensagem dos profetas ocupam lugar central na teologia bíblica. O elemento preditivo acerca dos últimos dias nos fornece a base da escatologia (ver o artigo). Esse aspecto da revelação é uma realidade. i. Portanto, na teologia bíblica, o principal meio de conhecimento é a revelação, que é uma forma de misticismo. Ver sobre revelação e sobre misticismo. j. A unidade das Escrituras. Apesar das discrepâncias que talvez existam, e a despeito do fato óbvio de que a exposição bíblica da verdade seja gradual, em que certas fases vão-se tornando obsoletas e outras vão entrando em vigor, toda e qualquer teologia bíblica repousa sobre o conceito da unidade básica e do propósito central das Escrituras. Ver o artigo sobre a Bíblia, em seu quarto ponto, intitulado A Unidade da Coletânea. Os itens doutrinários acima expostos ilustram a unidade essencial das Escrituras, em meio à diversidade. Assim, o Antigo e o Novo Testamentos refletem diferentes (ou mesmo muitos) estágios do desenvolvimento da fé e da cultura dos hebreus. É verdade que no período helenista essa cultura, e por conseguinte, essas idéias, mesclaram-se com a cultura grega. Mas isso serviu somente para enriquecer a teologia dos hebreus, pelo menos em certos aspectos. Com base em nosso pressuposto teísta (primeiro ponto), cremos que o desenvolvimento do Antigo e do Novo Testamentos, bem como os livros que compõem os mesmos, foram divinamente determinados e controlados. Esses livros não resultaram apenas das idéias digeridas por hebreus ou cristãos, nem são meras seleções com base no raciocínio e na preferência dos homens. 1. A inspiração da Bíblia é um ponto fundamental dentro da teologia bíblica. O crente tem fé nessa verdade. "Toda Escritura é inspirada por Deus ..." (lI Tim. 3: 16). Ver o artigo sobre esse assunto. Se a Bíblia não fosse produzida pelo sopro de Deus, não haveríamos de sentir o impulso de edificar um sistema teológico com base nas Escrituras. m. Cristo é o centro da revelação bíblica. Antes de tudo, dentro da esperança messiânica do Antigo Testamento, a qual recebeu concretização quando do primeiro advento, no Novo Testamento, e terá plena fruição quando da segunda vinda de Cristo, para inaugurar o reino milenar do Messias. A essa esperança é então conferido um elevadíssimo aspecto, na glorificação dos remidos, quando estes vierem a participar da mesma natureza de Cristo (Rom. 8:29). Portanto, a salvação é assim definida como uma filiação. IV. Noções da História da Teologia Bíblica I. Os hebreus sempre levaram muito a sério as suas Escrituras, como a Palavra revelada de Deus. Portanto, a teologia deles era uma teologia bíblica. Naturalmente, entre eles havia divergências. Alguém já disse, em tom de brincadeira, que se cinco judeus estiverem em uma sala, eles emitirão cinco opiniões diversas sobre qualquer

assunto. Na verdade, osjudeus gostam de discutire debater! Os saduceus aceitavam somente o Pentateuco como autoritário. Em outro extremo, os judeus da dispersão aceitavam até os livros apócrifos. Por isso, havia vários cânones, e o termo Escrituras podia significar diferentes coisas, para diferentes grupos e indivíduos. Porém, as Escrituras, em uma forma ou outra, sempre eram autoritárias, servindo de base da teologia judaica. Naturalmente, os intérpretes cabalistas (ver sobre a Cabala) sentiam-se em liberdade para interpretar os textos bíblicos de modo simbólico e místico, e nem todas as suas doutrinas eram biblicamente alicerçadas. De modo geral, entretanto, os judeus sempre tiveram uma teologia bíblica. 2. Os cristãos primitivos deram prosseguimento à atitude judaica. Continuavam considerando o Antigo Testamento como autoritário, paralelamente aos livros do Novo Testamento, que eles também reputavam como "Escritura", como porções integrantes da Bíblia autoritária. E, embora certas idéias gregas viessem contribuir para o pensamento neotestamentário, houve a continuação da tendência essencial veterotestamentária. As revelações dadas a Paulo enriqueceram extraordinariamente a teologia, a qual tornou-se a base sobre a qual outras Escrituras foram escritas. Os grupos heréticos, como os gnósticos, que chegaram a penetrar nas fileiras cristãs, estavam muito menos alicerçados sobre as Escrituras Sagradas. Antes de tudo, porque rejeitavam a totalidade do Antigo Testamento e certas porções do Novo; e, em segundo lugar, porque o seu sistema teológico era uma mescla de noções das religiões orientais e de conceitos filosóficos e mitológicos dos gregos. 3. A Igreja cristã foi-se afastando gradualmente da Bíblia à medida que o dogmatismo foi-se desenvolvendo. Noções extrabíblicas, como a regeneração batismal, a veneração a Maria e aos santos. e as decisões de concílios considerados autoritárias, foram diluindo a firmeza cristã em torno das Escrituras. Esses desenvolvimentos permitiram a emergência da Igreja Católica (que posteriormente dividiu-se em Igreja Católica Romana e Igreja Ortodoxa Grega) já tão diferente da primitiva Igreja cristã. O bispo de Roma, que antes era apenas um bispo entre outros, foi adquirindo autoridade cada vez maior, porquanto ocupava posição na capital do império, e passou a ser reputado superior aos demais bispos. E disso desenvolveu-se o papado. Paralelamente a isso, os ministros do Evangelho transformaram-se gradualmente em sacerdotes, um clero profissional, que supostamente herdara a autoridade dos apóstolos, ao mesmo tempo em que o papa tomava-se o vicário ou substituto de Cristo. A história do dogma demonstra que à medida que o dogma adquiria mais e mais importância, as Escrituras iam sendo abandonadas como autoritárias. 4. As Igrejas Ortodoxas do Oriente (ver o artigo), uma espécie de confederação frouxa das divisões não-ocidentais da cristandade, tornaram-se uma entidade distinta do Ocidente, quando da divisão do império romano, em 395 d.C. Na segunda metade do século IX d.C., missionários das igrejas ocidental e oriental competiam em diversas regiões do mundo. No século XI houve um rompimento formal entre os segmentos ocidental e oriental do catolicismo, devido a razões doutrinárias e litúrgicas, e a Igreja Católica Romana adquiriu uma feição mais parecida com a que conhecemos atualmente. As Igrejas Ortodoxas também aceitam como sua autoridade um misto da Bíblia, dos escritos dos chamados pais da Igreja e das decisões conciliares. Por causa disso, são menos biblicamente baseadas do que a Igreja cristã do primeiro século de nossa era.

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TEOLOGIA BÍBLICA 5. A Reforma teve lugar em uma época de revolta contra tradições humanas, concílios eclesiásticos, dogmas e intolerância papal. Melancthon, Calvino e Lutero estavam fortemente baseados nas Escrituras, embora não de maneira perfeita. Lutero atacou a autoridade das tradições, dos pais da Igreja, do método escolástico de manusear a fé religiosa, do predomínio dos modos aristotélicos de pensamento que essa atividade incorporava, tendo ficado escandalizado diante da exploração da crendice popular com as indulgências e com o apoio dado ao nefando negócio pela autoridade máxima do catolicismo romano. Isso posto, ele declarou o principio das Escrituras somente, como única fonte autorizada de instruções religiosas para os cristãos. E a maioria dos grupos protestantes e evangélicos preserva essa regra em suas declarações de fé. 6. A crítica da Bíblia surgiu nos séculos XVIII e XIX. Incluía esforços para afastar os grupos protestantes e evangélicos da idéia de que a Bíblia é a única e perfeita autoridade. Ver o artigo sobre a Crítica da Bíblia, que ilustra esse desenvolvimento histórico. 7. Um escolasticísmoprotestante terminou surgindo em cena. Isso produziu credos e confissões que usam a Bíblia como mina de informes que apóiam idéias, embora nem todas essas idéias e confissões estejam realmente fundamentadas nas Escrituras. As denominações desenvolvem suas próprias interpretações, nem sempre baseadas na Bíblia; algumas delas com base nos elementos heterogêneos do Novo Testamento, e outras baseadas em interpretações evidentemente distorcidas. 8. O movimento pietista do século XVIII foi uma tentativa para fazer a teologia retornar à simplicidade bíblica. C. Haymann, em 1708, produziu uma teologia bíblica, que foi a primeira a usar como título esta expressão, até onde temos conhecimento. Em 1758, AF. Busching, seguindo o exemplo dado por Haymann, publicou sua obra, intitulada Advantage of Biblical Theology Over Scholasticism. Nas escolas e seminários, houve esforços para a produção de uma teologia bíblica, em contraste com a teologia sistemática, porquanto esta última, na época, aparecia misturada com idéias e modos de interpretações contrários à Bíblia. Na teologia, elementos literários e históricos foram-se tornando gradativamente mais importantes. O século XIX viu a produção de certo número de obras que ressaltavam a teologia bíblica. G. L. Bauer publicou quatro volumes de teologia bíblica, em 1800-1802. W.M. L. de Wette publicou uma obra similar e bem maior, entre 1813 e 1816. Ali ele identificou vários períodos históricos que influenciaram a natureza e o conteúdo da teologia, como a religião de Moisés e a religião dos judeus, no Antigo Testamento; e no Novo Testamento, os ensinos de Jesus, seguidos pela interpretação e ampliação daqueles ensinos por parte dos apóstolos e discípulos posteriores. 9. A alta crítica, entrementes, nos séculos XIX-XX, afetava o conteúdo da teologia bíblica. Os especialistas na alta crítica não apenas estudavam questões como autoria, proveniência, unidade, integridade, etc., dos livros da Bíblia, mas também impuseram aos estudos bíblicos o que ali queriam ver. Além disso, um certo espírito de ceticismo, que caracterizava a alguns deles, levou-os a pensar que Jesus não pode ter feito aquilo que lhe é atribuído nos evangelhos, nem pode ter sido a pessoa que Paulo diz que ele era. Em conseqüência, esses críticos atiraram-se ao esforço erudito de descobrir o que, realmente, teria sucedido, e quem, na realidade, era Jesus. Tais atividades afastaram-nos muito da teologia bíblica. Quanto a descrições mais detalhadas dessa forma de atividade, ver o artigo sobre a Crítica da Bíblia.

10.0 liberalismo dos séculos XIX e XX rejeita a teologia bíblica como uma disciplina legítima e exclusiva, preferindo substituí-la pela história religiosa de Israel e da Igreja, ou então pela religião dos hebreus e dos primitivos cristãos, ou mesmo pelas idéias religiosas da Bíblia. Trata-se de uma avaliação humana daquilo que a Bíblia diz, sem qualquer tentativa para fazer a teologia ser influenciada pelas Escrituras, como a única e grande autoridade que governa todo o pensamento cristão. Uma idéia básica é que a religião da Bíblia não é única e ímpar, mas representa apenas um movimento entre muitos. Esse movimento merece o nosso respeito. A Bíblia conteria a verdade, mas não seria o próprio padrão da verdade. O estudo bíblico autêntico requer sua comparação e avaliação com outros sistemas religiosos. A religião da Bíblia existe porque muitos fatores a produziram, não sendo uma revelação que caiu do céu em um vácuo. Portanto, entre os liberais, a Bíblia passou a ser vista como um livro que contém algo da Palavra de Deus, não devendo ser confundida com a própria Palavra de Deus. Os pontos de vista liberais variam desde a posição radicalmente cética, que nega totalmente a revelação e qualquer momento miraculoso, até uma posição quase conservadora. 11. A reação da neo-ortodoxia. Karl Barth (1886) preserva alguns aspectos e resultados das atividades da alta crítica e do liberalismo, embora tivesse encabeçado uma espécie de movimento de volta à Bíblia, procurando alicerçar quadradamente a sua teologia sobre a Bíblia. Sua teologia é uma reação ao liberalismo. De fato, seu comentário sobre a epístola aos Romanos é uma espécie de manifesto contra a teologia liberal. Ele percebia que a teologia liberal faz emudecer Paulo, incluindo seus grandes temas da prioridade da graça de Deus, de sua soberania e da natureza escatológica do Novo Testamento. Os liberais falavam de um Jesus meramente humano (com exclusão de sua natureza divina). Apesar dessa exposição fomentar a causa do liberalismo, não se enquadra, em muitas coisas, com o Jesus dos evangelhos, cujo intuito declarado foi o de estabelecer o reino de Deus na Terra em sua própria época, e que fez reivindicações pessoais fantásticas de autoridade e poder. Mas, se Barth representa um retomo à teologia bíblica, ele não chegou ao nível da teologia fundamentalista (que vide). Quanto a detalhes, ver o artigo sobre Karl Barth. 12. Movimento conservador sofisticado do século XX A reação dos evangélicos conservadores contra certos resultados da alta crítica e contra o liberalismo também é um esforço para retomar à Biblia como base da teologia. Essa atividade foi fortalecida por uma qualidade aprimorada da erudição dos mestres conservadores. Antes disso, os eruditos liberais eram, por assim dizer, os únicos que faziam estudos eruditos e respeitáveis. As igrejas de tendências liberais começaram a perder membros, e um número cada vez menor de jovens interessava-se por freqüentar os seminários liberais. Entrementes, aumentou extraordinariamente o número de alunos matriculados nas escolas e seminários conservadores, e movimentos missionários multiplicaram-se. Todo esse movimento alicerçava-se sobre a teologia bíblica. As pessoas estavam cansadas diante de uma série de probabilidades e de intermináveis alternativas na teologia, anelando pelo reavivamento da alma da fé religiosa. Alguns acusaram o liberalismo de ter matado a alma da fé, embora retendo o cadáver. A consternação de Karl Barth, devido ao fracasso do cristianismo no campo social, e o papel ridiculamente pequeno das igrejas evangélicas durante a Primeira Grande Guerra (1914-1918) era compartilhada por muitos, mesmo quando não o

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TEOLOGIA BÍBLICA - TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO acompanhavam em todos os seus pontos de vista teológicos. A declaração de Stephen Neill: " A Bíblia não é uma coleção de piedosas meditações do homem a respeito de Deus, mas é o tom da trombeta de Deus falando ao homem e exigindo sua reação" (The Interpretations of the NT, 1964), foi considerada perceptiva e exata pelos estudiosos conservadores. . Um movimento missionário intenso, como se tem visto no século XX, e o ministério de evangelistas comoBi1Iy Graham e outros, têm feito a teologia bíblica tomar-se popular. Infelizmente, a tendência dos eruditos conservadores tem sido de arrogância e auto-suficiência, pois rejeitam os avanços positivos, no campo dos estudos bíblicos, que a alta crítica, e até mesmo o liberalismo, tem obtido. A verdade quase sempre é achada bem no meio de dois pontos extremos. No presente caso, em um dos extremos há um ceticismo insuportável; e, no outro extremo, vemos a bibliolatria (ver o artigo). Sumariaríamos a questão afirmando que parece ser fato que o vício do liberalismo é o ceticismo, e que o vicio do conservatismo é o espírito contencioso. (AM I I C BUL BULT FI ID RI RYR Z) TEOLOGIA DA CRISE Ver Dialética, Teologia da. TEOLOGIA DA DOENÇA FÍSICA Ver o artigo sobre Enfermidades seção IV, A Teologia da Doença. TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO Esboço: L O Termo e Suas Definições; Caracterização Geral 11. Uma Crise Generalizada na Igreja Católica Romana Ill. Cristo, Cabeça Revolucionário? IV. Oposição e Críticas V. Boff Critica o Vaticano VI. Defesa de Boff e da Teologia da Libertação VILO Mau Exemplo de Cuba e a Sorte da Igreja Católica Romana Ali Conclusão I. O Termo e Suas Definições; Caracterização Geral

O tipo de Teologia da Libertação, conforme é representado por Leonardo Boff, não passa de um sincretismo do Evangelho, do racionalismo protestante expresso por Bultmann (vide), do modernismo de Loisy (vide), das posições condenadas do teólogo suíço Hans Kung e da análise marxista da sociedade. A majoritária igreja progressista da Holanda, conforme foi afirmado pelo famigerado catecismo holandês, é produto do racionalismo de Bultmann e do modernismo de Loisy, doutrinas essas antigas, que surgiram cem anos atrás, bem como do discutido teólogo batavo, irmão gêmeo de Hans Kung, Edward Schil1erbeck. O catecismo holandês tentou desmitificar a figura de Cristo, questionar a origem evangélica das ordenanças, pôr em dúvida o dogma da Santíssima Trindade, da infalibilidade papal, etc. Porém, os maiores desvios de tal progressismo são de natureza, por essência, moral, relacionados, sobretudo, com o sexo, fora dos laços matrimoniais, com o divórcio, com o aborto, com a abolição do celibato dos padres, com a equiparação do homossexualismo, com o feminismo e com a exigência da ordenação sacerdotal de mulheres, conforme duas freiras, atrevidamente, exigiram na presença do papa, em violação de seus solenes votos. A Teologia da Libertação, conforme tem salientado

o papa João Paulo Il, na verdade é uma sociologia política. Mas isso não a toma uma teologia, meramente porque pessoas religiosas, sacerdotes católicos romanos, etc., a promovem. Conspícua quanto à sua ausência, é a porção metafisica da fé cristã. E verdade que a teologia, em suas aplicações práticas, deve preocupar-se com o bem-estar físico das pessoas, estando disposta a lutar contra as opressões sociais e políticas. Também é verdade que há uma incrível opressão contra a qual luta, nos lugares onde a Teologia da Libertação se vai popularizando. Essa verdade é a força real dessa "teologia", e não os princípios marxistas sobre os quais ela repousa. Nos lugares onde essa opressão não é fator preponderante não se verifica grande interesse pelo movimento, excetuando aqueles poucos que exprimem sua solidariedade com os oprimidos de outros lugares. Quanto à "libertação", que faz parte do título do movimento, é verdade que os oprimidos precisam ser libertados, e que eles estão em uma genuína servidão econômica. Entretanto, o que podemos questionar é o "tipo" de libertação que está sendo oferecido. Não será a libertação de uma modalidade de opressão, somente para que os "libertos" sejam sujeitados a outra forma de totalitarismo, com sua forma específica de opressão? Ver a sétima seção quanto a Cuba como "libertou" as massas, e, especificamente, a Igreja. O próprio Bofftem declarado que não deseja que o comunismo tome conta do Brasil, porque isso significaria o fim da liberdade religiosa. Não obstante, ele crê que podemos tirar vantagem da exatidão da análise marxista quanto às condições políticas e econômicas, empregando então esses discernimentos e evitando os erros típicos cometidos nos países comunistas. Talvez esse "milagre" possa vir a acontecer; mas queríamos, ainda assim, a pensar sobre a alma, sobre o verdadeiro homem, sobre o ser imortal que continua existindo após a morte física. Esse homem interior ficará a morrer de inanição, enquanto o corpo é alimentado? Poderá isso, realmente, satisfazer às massas? Constituirá isso uma autêntica libertação? A despeito desse aspecto negativo, o leitor desses materiais, relativos à Teologia da Libertação, fica impressionado diante da dedicação social de certos líderes do movimento. A fé religiosa não pode envolver.. meramente, "a promessa a respeito do futuro". E significativo que a Teologia da Libertação tem sido, essencialmente, um movimento surgido dentro da Igreja Católica Romana, onde a preocupação social tem sido mais aguda, de modo geraI, do que nas igrejas protestantes e evangélicas. Quiçá não estejamos muito distantes da verdade se afirmarmos que esse movimento é apenas outro protesto católico romano contra a pobreza e a miséria, uma extensão de sua tradicional preocupação com as condições sociais e com atos de caridade, que sempre foi uma das grandes forças do catolicismo romano. Porém, cabe-nos indagar se essa preocupação não tem feito o catolicismo romano apelar demais para o marxismo, tomando por empréstimo as suas idéias, na esperança de poder usá-Ias para o bem, ao mesmo tempo em que vai evitando os maus aspectos do comunismo. A Teologia da Libertação é, predominantemente, um movimento de teólogos e ativistas católicos romanos, os quais acreditam que faz parte dos deveres da Igreja combater em prol dos direitos humanos, dos pobres e dos oprimidos. E alguns dos seus mentores mais extremados endossam o conceito de Cristo como o Libertador, como se a missão dEle pudesse ser compreendida em termos da luta de classes própria do marxismo.

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO Oficiais eclesiásticos que, por vinte anos, têm observado a Teologia da Libertação propagar-se pelo Terceiro Mundo, a partir da América Latina, têm-se sentido cada vez mais inquietos com os alvos e as atividades desse movimento. Assim, em março de 1984, o cardeal Joseph Ratzinger, principal oficial do Vaticano, encarregado das questões doutrinárias, fez um discurso denunciando aqueles que advogam soluções marxistas para os problemas sociais e políticos do mundo. E as declarações dele, ao que parece, foram aprovadas pelo papa João Paulo lI. A despeito dessa tomada de posição, em julho de 1984, um grupo de proeminentes teólogos católicos romanos da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos da América, declararam-se abertos defensores das idéias e práticas desse movimento de "libertação". O grupo era encabeçado por alguns proeminentes teólogos liberais denominados, coletivamente, de Concilium. Entre eles estavam os reverendos Hans Kung e Gustavo Gutiérrez. Este último é um dos principais arquitetos da Teologia da Libertação. O grupo emitiu uma declaração que diz: "Visto que esses movimentos são um sinal de esperança para o mundo inteiro, qualquer intervenção prematura, por parte de autoridades superiores, arrisca abafar o Espírito que anima e guia as igrejas locais". O Concilium tem criticado seus oponentes com base na suposta superficialidade de conhecimentos no tocante à verdadeira natureza do movimento e suas idéias. Se, em alguns lugares, tem havido uma conclamação à revolução armada, o Concilium afirma que "não se trata de uma chamada à organização de milícias populares, para que se brandam armas e metralhadoras. Mas também não podemos tolerar a violência silenciosa, onde as massas são mantidas na pobreza e na ignorância". Entrementes, bispos brasileiros encorajaram uma campanha internacional em favor de Boff, o qual fora condenado a um ano de silêncio pela Congregação para a Doutrina da Fé, do Vaticano. A cúpula da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) tem insistido em ser contrária ao Vaticano, em sua postura quanto à questão. O frei Boff continua a ensinar no Instituto Teológico de Petrópolis, e sua produção escrita não tem diminuído. O papa João Paulo II ficou surpreso diante das reações, no Brasil, às censuras impostas a Boff. E assim o conflito tem prosseguimento, e, finalmente, poderá produzir um cisma ainda maior, na Igreja Católica Romana, do que a da Reforma Protestante do século XVI. O escritor romeno e padre da Igreja Ortodoxa, Virgil Gheorghiu, classificou a Teologia da Libertação como "uma das piores heresias que existem atualmente". Ele esteve no Brasil para uma série de conferências, em agosto de 1984, e expressou vigorosamente as suas opiniões. Em contraste com isso, seiscentos teólogos católicos romanos, reunidos na cidade italiana de Assis, analisaram os escritos de Boff e os conceitos da Teologia da Libertação, e terminaram por dar-lhe o seu apoio. Esses teólogos advertiram que a Igreja deve cooperar na luta dos pobres, declarando que a obra de Boff é uma experiência eclesiástica, um símbolo para toda a Igreja Católica Romana. Para eles, a Teologia da Libertação e a Igreja dos Pobres, discutidas em tom de uma inquisição. formam contraste com o caráter conciliatório da Igreja contemporânea. A moção de solidariedade a Leonardo Boffé semelhante a um documento anteriormente publicado pelos frades franciscanos alemães. O padre Giuseppe Pittau, assistente-geral dos jesuítas para a Ásia Oriental e a Itália, em entrevista concedida ao correspondente de O Estado de São Paulo, Brasil, em Roma,

Rocco Morabito, disse esperar que o caso de Leonardo Boff "termine bem". O padre Pittau, que é muito estimado pelo papa João Paulo lI, disse que "a Teologia da Libertação é uma contribuição válida que a Igreja latino-americana deu à Igreja universal, mas que é necessário que se reconheça que ela assume muitas variedades, algumas sérias, e outras menos sérias. É necessário que se avalie caso por caso, para que a autenticidade da inspiração seja reconhecida. Uma inspiração que era do concílio, e que ainda é deste papa, que reconheceu que a evangelização traz consigo o empenho político para a construção de um mundo mais justo e mais humano". Enquanto isso, um documento publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé estabelece a distinção entre a libertação (verdadeira liberdade) e uma alegada espécie de libertação, revestida de ideologias do estilo marxista. Segundo Georges Cottier, pertencente à ordem dos dominicanos, uma autêntica Teologia da Libertação não é digna desse nome, se não abordar o mistério do pecado e as suas conseqüências históricas. 11. Uma Crise Generalizada na Igreja Católica Romana Faz parte da tradição profética contemporânea que a Igreja Católica Romana sofrerá nova fragmentação em nossos dias, talvez de maneira ainda mais séria do que aquela do século XVI por meio da Reforma Protestante. Alguns oficiais eclesiásticos romanistasjustificam o apelo à Teologia da Libertação como a única esperança presente de real mudança. Fala-se em "alternativas" dessa espécie de teologia. Porém, quais são elas, e quais seus pontos positivos? O marxismo tem conseguido enfeitiçar a imaginação das massas dos países do chamado Terceiro Mundo, como se fosse (segundo alguns dizem), a única esperança de verdadeira mudança social para melhor. Não existe nenhum outro movimento para quebrar a espinha das antigas ideologias e seu domínio cruel sobre os povos. As condições econômicas dos países mais pobres têm chegado a um ponto de desespero. Daí, parte da Igreja Católica Romana (atualmente a Igreja Popular, em contraste com a cúpula centralizada e autoritária) volta-se para a única ideologia que oferece alguma esperança de liberar as massas da miséria. As condições de desespero são tão prementes que as pessoas estão dispostas a arriscar seu futuro com alguma chamada "ideologia estranha", cristianizando-a e utilizando-se de seus métodos. Contudo, uma ideologia estranha poderá ser usada de modo benéfico, uma vez incorporada e cristianizada? Os defensores da Teologia da Libertação salientam como as filosofias de Platão e de Aristóteles foram usadas para exprimir doutrinas e ideais cristãos. Todavia, Tertuliano indagava: "O que Atenas tem a ver com Jerusalém?" Assim indagando (e de muitas outras maneiras), ele rejeitava o uso da filosofia para exprimir a fé cristã. Apesar de que não posso endossar pessoalmente essa atitude, bem como o anti intelectualismo que a acompanha, quero salientar que Aristóteles não perseguiu nem os judeus e nem qualquer tipo de fé religiosa. Ele não foi algum destruidor, cuja filosofia foi então adotada pelos cristãos. Mas, em nossos dias, está sendo convenientemente ignorado que o comunismo tem feito mais mártires cristãos do que todas as demais perseguições combinadas da História. O papa João Paulo Il, natural de um país comunista, a Polônia, tem podido observar a real natureza do comunismo. Podemos estar certos de que suas experiências pessoais são um fator em suas objeções ao uso do conceito marxista da luta de classes com o intuito de produzir mudanças sociais. Ao que tudo indica, ele não tem ficado favoravelmente

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO impressionado diante das mudanças produzidas pelo comunismo. Tempodido testemunhar a destruição da Igreja em vários países comunistas. Tem visto, em primeira mão, como os governos totalitários oprimem a Igreja e matam os seus líderes.Sem dúvida" como homem informado acerca da tradição profética" ele está cônscio da seriedade das atuais condições, que podem produzir sério e vasto cisma nas fileiras romanistas, Como homem de grande experiência pessoal e eclesiástica, ele não está subestimando as forças que se agitam, e que, a qualquer momento, poderão produzir esse cisma. Por outro lado, o próprio papa representa um antigo sistema totalitário, e frei Boff está sendo comparado com Lutero, justamente por estar desafiando esse sistema! Muitas pessoas pensantes reconhecem que uma das questões básicas que Boff está desafiando é a autoridade papal. Se ele estivesse levando tão a sério as censuras do papa e do Vaticano, como um ministro católico romano deve fazer, já não teria abandonado há muito tempo a sua distintiva posição doutrinária? Lutero desafiou a autoridade papal, mas sobre questões de fé religiosa, e não, essencialmente, sobre questões de governo, embora estas também formassem um ponto secundário no contl ito protestante. O que é de estranhar em Boff é que está promovendo idéias de um sistema totalitário na tentativa de modificar outro sistema totalitário. Deve-se observar que alguns líderes protestantes, ao atingirem o poder político, tomam-se tão totalitários e autoritários quanto a própria Igreja Católica Romana. Quem pode duvidar que se o comunismo tivesse obtido a vitória nas urnas brasileiras, isso seria um gigantesco passo para a formação de um estado totalitário no Brasil? Por essa razão, frei Boff opõe-se a qualquer tipo de governo totalitário; mas, ao mesmo tempo, emprega as idéias marxistas totalitárias, que têm sido tão destrutivas para a Igreja, onde quer que elas tenham fixado raízes. Os pensadores do catolicismo romano vêem na Teologia da Libertação uma espécie de neoprotestantismo secular, cuja ênfase é político-social, e não metaflsica. Tanto o protestantismo original como esse neoprotestantismo secular, e até o liberalismo católico romano, põem em dúvida a questão da infalibilidade papal e a natureza autoritária da Igreja Católica Romana. Ver o artigo Liberalismo Católico. A crise que ora afeta a Igreja Católica é universal, desdobrando-se em todos os continentes. Atestam-no, de modo eloqüente, dois episódios paralelos: o caso de frei Boff, no Brasil, e a acidentada viagem do papa à Holanda, a mais tumultuada peregrinação espiritual já empreendida por João Paulo 11. A causa mais profunda do fenômeno é comum: o declínio da vitalidade da Igreja Católica Romana e a sua secularização. A reação, tanto do clero como de amplos setores da hierarquia romanista, e, sobretudo, das grandes massas de leigos católicos, é de natureza dupla: mais teológica na Europa e na América do Norte, onde traduz as exigências intelectuais e morais de uma sociedade descristianizada, e mais ideológica na América Latina"com o engajamento das massas desprivilegiadas na emancipação política" econômica e social, primeiro em competição, e, posteriormente, em aliança com os partidos mais radicais (do tipo PT, Partido dos Trabalhadores), e mesmo de nftida orientação marxista. Ambas as reações, como não podia deixar de acontecer, redundaram na ampliação e no aprofundamento da secularização da Igreja, que o papa, conforme exige a sua condição de Doutor Supremo e Universal da Igreja" não pode deixar de tentar sanar e corrigir. Há apenas uma diferença, qual seja a de que a

reação latino-americana produziu um novo tipo de clericalismo, que não age mais em nome da supremacia do que é espiritual e sobrenatural, mas de um moralismo naturalista, politicista e socialista (pelo menos socialistóide e marxistóide), que fica absorvido pela dinâmica da ordem temporal e mesmo pela dialética marxista. Por mais vitorioso que seja esse clericalismo, no desejo de unir-se à força política que se exibe como depositária do futuro e como a próxima detentora do poder, contribuiu, com o seu triunfalismo (neoconstantiniano), que não passa de subserviência, consciente ou inconsciente, o que, no fundo, não faz diferença para a sua absorção pela força à qual adere e para que a Igreja seja dissolvida por dentro. A Igreja Católica Romana, na Holanda, é mais secularizada do que qualquer outra nos diversos continentes da cristandade ocidental. O número de padres que tem abandonado o sacerdócio é três vezes maior do que a média mundial, e a prática de ir à missa caiu de 70%, em 1960, para 20%, atualmente. Apenas 10% dos católicos romanos holandeses mostraram-se favoráveis à presença do papa no território do país. Cartazes exigiram que ele fosse para casa ou para o céu; a televisão ironizou sua vinda e suas intenções, envolvendo a sua figura em grosseiras piadas (satirizando as viagens papais), não faltando nem mesmo anedotas obscenas e multidões em marcha soltando centenas de balões brancos, que, na realidade, eram contraceptivos masculinos. 111. Cristo, Cabeça Revolucionário? A Teologia da Libertação não foi a primeira ideologia política a tentar tirar proveito do prestigioso nome de Jesus Cristo e da mensagem da Bíblia, para propósitos políticos. Essa é apenas uma dentre uma série de tentativas para politizar a figura de Cristo, que não teve jamais qualquer interesse por esse tipo de atividade. Jesus pregou a separação entre Igreja e Estado, bem como o cumprimento de deveres religiosos e civis, independentes um do outro. Ver Mat. 22:17ss e Mar. 12:14-17. Também declarou: "O meu reino não é deste mundo" (João 18:36). Se o fosse, sem dúvida teria encorajado seus discípulos a defenderem-se armados. Por outro lado, o trecho de Mal. 25:35 ss ensina-nos que seremos j ulgados no que concerne aos nossos "interesses sociais", o bem-estar fisico de nossos semelhantes. E o segundo capítulo da epístola de Tiago reverbera esse tema, insistindo acerca da necessidade de praticarmos boas obras (o cumprimento da lei do amor), como expressão indispensável de uma fé viva. O livro de frei Betto, Fidel e a Religião, afirma que desde 1958, quando Castro ainda se achava em Sierra Maestra, em seus dias de guerrilheiro, era discípulo "avant la lettre" da Teologia da Libertação marxista" fazendo um trabalho de interpretação de Cristo e seu Evangelho, onde o emprego da "releitura marxista" e do "reducionismo socialista" seria perfeito. Também somos informados ali acerca da insistência de Castro de que a própria Bíblia é um documento altamente revolucionário, incluindo-se nisso os ensinamentos de Cristo. São dados exemplos tirados do Antigo Testamento. Moisés representaria a atual classe trabalhadora" escravizada, e o Faraó seria o capitalista escravizador. O vigésimo quinto capítulo de Mateus é entendido sob um prisma político e revolucionário. A ordem de "amar" torna-se, nas mãos desse autor, a inspiração revolucionária, mediante o que os males sociais seriam eliminados, beneficiando-se assim o próximo. A própria eucaristia recebe uma torção política" diante da insistência de que ela só se cumprirá, realmente, "quando houver pão

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO para comer na casa de todos os pobres do mundo". Essa é uma bela idéia. Mas que dizer acerca do Pão da Vida, que dá vida e alimenta à alma, e não ao corpo? Por qual motivo a Teologia da Libertação não lembra que Jesus ensinou que o homem não viverá somente de pão, mas também da Palavra de Deus, que vem satisfazer suas mais profundas necessidades? Um indivíduo de estômago forrado de filé não é, necessariamente, um indivíduo regenerado e espiritual. Ademais, os países cujos habitantes alimentamse melhor, dirigindo automóveis novos pelas estradas e assistindo televisão colorida em sua sala de estar confortável, são justamente onde predomina o capitalismo e não o socialismo. O Japão precisou apenas de um capitalismo bem gerenciado para passar por sua espetacular revolução econômica para melhor, e não de uma propaganda que se vale de Cristo como pseudo-inspirador. Os Estados Unidos da América, onde o progresso econômico beneficia praticamente todos os níveis da sociedade, precisaram tão-somente da inspiração protestante do trabalho árduo, E verdade que esses fatos, por si sós, não eliminam os tremendos abusos que gananciosos sistemas capitalistas têm acumulado contra as populações, na América Latina. E nem as pessoas estão dispostas a ouvir os elogios feitos a uma forma de capitalismo a fim de se satisfazerem com sua condição de miséria econômica. Antes, os ouvidos dos oprimidos estão abertos para ouvir falar em novos caminhos, em novas ideologias, em novos sincretismos, sem importar as conseqüências, pensando que a situação não pode ser pior do que já está. Conseqüências a longo prazo, que envolvem até mesmo uma grave fragmentação da Igreja Católica Romana, para breve, pairam sobre as nossas cabeças. Mas, esse noivado entre o marxismo e a religião católica romana não é a solução. Enquanto os países comunistas estão admitindo métodos capitalistas, os países do Terceiro Mundo querem experimentar a inépcia econômica do socialismo! Por que experimentar um modelo econômico que fracassa ainda mais do que o mais ganancioso e opressor dos capitalismos? Essa atitude só pode estar sendo ditada pelo mais puro desespero! IV. Oposição e Critícas Tentamos fazer aqui um modesto sumário das coisas que foram ditas contra a Teologia da Libertação. 1. A Fraqueza e o Fracasso do Marxismo. É fato de fácil observação que, com freqüência, as ideologias passam por um período fundamentalista, acompanhado pela crença cega na mesma, mantida a qualquer custo, contra toda e qualquer evidência que resiste a mudanças. Em seguida, vem um perfodo de liberalização, com a admissão de erros passados e o abandono de muitas posições passadas rígidas. O comunismo (vide) foi instalado na Rússia várias décadas antes de haver sido instalado na China. Isso posto, foi inevitável que o processo de liberalização tivesse começado primeiro na própria União Soviética. Atualmente, estamos testemunhando a admissão de erros passados, por parte de lideres soviéticos, e o abandono de certos principias ou abrandamento de outros. A liberalização encabeçada pelo prernier Gorbatchev tem feito os russos falarem sobre "a verdade" que agora é moda, em contraste com a anterior falsa propaganda sobre os programas daquele governo. Muitas atrocidades e massacres têm sido admitidos através de confissões públicas. Mas os diplomatas ocidentais temem que essa liberalidade e "abertura" não perdurem para além do atual governo. Métodos capitalistas têm sido adotados, com beneficios para a economia do país. E podemos ler notícias

veiculadas pela imprensa, como a seguinte: "China Reconhece: o Marxismo Morreu. Pequim: Depois de lançar suas reformas revolucionárias de estilo capitalista, a China deu ontem novo e decisivo passo ao considerar a filosofia marxista, introduzida no país por Mao Tsétung, em 1949, incompatível com o projeto de modernização do país. Em editorial de primeira página, ao que tudo indica, escrito pelo próprio homem forte do regime, Deng Xiaoping, o jornal porta-voz do PC, Diário do Povo, afirma que a filosofia marxista está sob pena de ser deixada para trás na corrida que travam as nações para sair do subdesenvolvimento. "Não podemos usar as obras marxistas e leninistas para solucionar nossos problemas atuais", diz o editorial, lembrando que "Marx morreu há 1O1 anos". A advertência de Deng parece dirigida aos grupos no Partido e no Exército que ainda se aferram aos principias do coletivismo maoísta . (O Estado de São Paulo, 8 de dezembro de 1984). E um outro artigo, publicado no mesmo jornal, asseverava: "O marxismo-leninismo está morto ou agoniza na China". A declaração foi feita por três renomados intelectuais chineses, membros do Partido Comunista. em uma série de entrevistas à agência France Press. Os escritores Bai Hua e Wang Ruofang e o astrofísico Fang Lizhi foram mais contundentes ao afirmar que, após quarenta anos de vitória da revolução, o balanço do socialismo na China "é um clamoroso fracasso". Declarações dessa ordem seriam inconcebíveis vinte anos atrás; porém, à medida que homens sérios buscam soluções para os imensos problemas que enfrentam, a própria sinceridade deles finalmente impele-os a afastarem-se de soluções inadequadas, a despeito do poder que ainda reste às antigas ideologias. A liberalização de um antigo fundamentalismo requer tempo; e ainda mais tempo se faz necessário para que uma antiga ideologia seja, finalmente, substituída. Todavia, os indícios são claros: tanto a Rússia como a China já ultrapassaram o comunismo fundamentalista. Os políticos da antiga guarda haverão de relutar e contra-atacar, mas a mudança haverá de prosseguir, porque o povo precisa de mudança, em beneficio de seu bem-estar. Entrementes, o aspecto mais ridículo da Teologia da Libertação, em nosso país, é que ela está apelando para o antigo e ultrapassado comunismo fundamentalísta como seu ideal inspirador e como seu método de ação, precisamente quando está sendo declarado o funeral dessa ideologia. "A China vingou-se: no tempo de Mao Tsé-tung adotou o marxismo-leninismo, tido por intelectuais da época como a última palavra da civilização ocidental. Mas, no tempo deste 'guia genial dos povos', sofreu os males da 'doença infantil do esquerdismo'. O 'grande salto para a frente' custou dez milhões de mortos. A Revolução Cultural, cem milhões de vítimas (fuziladas, expurgadas, mutiladas, etc.). Após a decadência do Império, que sofreu primeiro o imperialismo ocidental, e, em seguida, o militarismo nipônico, e após os trinta e cinco anos desperdiçados no cultivo anacrônico de Stalin, o próprio comunismo chinês acorda da letargia, abre-se para o Ocidente (convidando o capital japonês, alemão, norte-americano e enviando milhares dos seus jovens para estudar nas universidades da Europa e dos Estados Unidos) e endossa o capitalismo". "Onde não há ocupação militar soviética, o marxismo-leninismo não pode ser mantido. É uma teoria que se implanta e se mantém graças à força militar, e

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO não mais inspira os intelectuais da esquerda, mas apenas os subdesenvolvidos mentais e as guerrilhas terroristas. As democracias populares do Leste europeu já há muito teriam expulsado o marxismo-Ieninismo, se lá não estivessem as tropas soviéticas, que invadem regularmente os seus satélites. E algo que serve ainda para os sandinistas e/ou os guerrilheiros da Farabundo Marli, frades franciscanos e diretores espirituais das Comunidades Eclesiásticas de Base (e seus cardeais protetores). Mas o marxismo-Ieninismo é como uma estrela que já se tenha apagado no firmamento das idéias. Suspeitamos que mesmo em Moscou se sabe disto, o que ditou à substituição da falida ideologia pelo cesarismo bonapartista. A China de Deng Xiaoping acaba de fazer história" (O Estado de São Paulo, II de dezembro de 1984). Mesmo que alguns não a considerem anti cristã, a Teologia da Libertação não é um esforço anacrônico? 2. O Vaticano. Tenho juntado material sobre a Teologia da Libertação só a partir 1984, pelo que é impossivel mostrar aqui todas as declarações contrárias a essa ideologia, expedidas pelo Vaticano. Assim, dou apenas alguns exemplos representativos. a cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, em uma entrevista prestada à revista Jesus, disse: "Éjmpossível dialogar com os teólogos que aceitam esse mito ilusório (a Teologia da Libertação), o qual bloqueia reformas e aprofunda a miséria e as injustiças, com sua luta de classes, como seu instrumento para criar uma sociedade sem classes". Em agosto de 1984, o Vaticano publicou uma extensa exposição da Teologia da Libertação, em combate à mesma. a documento tem trinta e cinco laudas de texto. Foi assinado pelo cardeal Joseph Ratzinger, com a aprovação do papa João Paulo lI. A imprensa italiana, de modo geral, considerou o documento sobre a Teologia da Libertação como um ataque sem precedentes ao marxismo e sua metodologia. Jornais de todo o pais deram destaque à divulgação do texto. Um mês após a publicação desse ataque, estava sendo discutida a possibilidade de frei Boff ser declarado como um nãocatólico. Vemos aí o mesmo processo que ocorreu no caso de Lutero. Após a explosão inicial e as tentativas de reconciliação, ou de ser encontrado algum terreno comum, Lutero foi simplesmente excomungado. O cardeal do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Sales, afirmou que a Teologia da Libertação engloba conceitos inaceitáveis à fé cristã. Ele conclamou os católicos à obediência ao papa e aos princípios do Vaticano como a única vereda que os cristãos sinceros podem escolher. as bispos brasileiros receberam, junto com o documento da Congregação para a Doutrina da fé, distribuído pela Nunciatura Apostólica, em Brasília, um documento em espanhol que analisa alguns pontos da instrução do Vaticano sobre a Teologia da Libertação. Trata-se de um resumo do documento, contendo críticas diretas aos teólogos da libertação, que puseram em circulação um conjunto de idéias nocivas à fé. Esse documento, que circulou entre os bispos que participaram, em Brasília, da reunião do Conselho Permanente da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), assinala que os teólogos da libertação substituíram "o critério da ortodoxia pelo da ortopráxis", isto é, "pelo compromisso na luta pela libertação dos pobres, entendido no sentido marxista, o qual passa a ser a nova regra dafé". a documento, distribuído em Brasília, destaca sua tese de que a Teologia da Libertação contém idéias ruinosas para a fé.

Objeções Especificas. Os principios que jazem à base da Teologia da Libertação, como a luta de classes em termos da análise histórica-marxista, são inaceitáveis à fé cristã. Essa práxis dificilmente pode ser a regra de fé e prática dos cristãos. A história é ali vista em termos de conflito político e econômico, em consonância com a dialética materialista, ao mesmo tempo em que os aspectos divinos da história, como a intervenção de Deus, em Jesus Cristo, a salvação das almas, a vida após-túmulo e outros temas teológicos e espirituais cardeais, são deixados inteiramente de fora. Não obstante, o Evangelho fica reduzido a nada sem esses temas. É ali ridiculamente pressuposto que Deus faz a história da maneira que Marx afirmou que deve ser feita pelo materialismo, através da tríade hegeliana, depois da mesma ter recebido uma interpretação materialista. a tema da luta de classes lança cristãos contra cristãos, destruindo assim a unidade da Igreja. A ortodoxia cristã é ali substituída pela ortopráxis, conforme foi dito acima. Trechos bíblicos são distorcidos para que assumam uma feição nitidamente política. Em outras palavras, as poucas passagens bíblicas usadas recebem uma interpretação política e revolucionária. É simplesmente impossível que esse seja o uso apropriado das Escrituras, a Palavra da Vida A Teologia da Libertaçlo confere AsEscrituras um papel secundaríssimo, e o pouco citado das mesmas é distorcido por interpretações tipo marxista. A espiritualidade do Novo Testamento é cancelada pela luta de classes da concepção marxista. A interpretação liberal do Jesus da História (ver meu artigo sobre o Jesus Histórico) domina a Teologia da Libertação, onde ninguém pode achar o Jesus teológico, o divino Filho de Deus. A própria morte de Cristo é interpretada segundo um modelo político, e não como expiação pelos pecados. Não há menção a qualquer redenção universal e espiritual em sua morte. Jesus é concebido apenas como um mártir que morreu por sua oposição a um vilão polfticoeconômico de sua época. E, se por um lado, espera-se que os pobres possam ser arrancados de sua miséria econômica, nada é ventilado sobre serem eles tirados de sua pobreza espiritual, a pobreza da alma. Desse modo, a salvação reduz-se a ter o estômago recheado de frango e a residir em uma bela casa, em uma sociedade sem classes. E a salvação do espírito, ensinada por Jesus Cristo, passa em total silêncio. A própria eucaristia é reduzida à idéia de alimentar os pobres, sem qualquer coisa oferecida à alma. Coisa alguma é dito acerca da maior libertação de todas, aquela da qual os homens mais necessitam, em todos os lugares, a libertação da servidão ao pecado. No entanto, sem esse aspecto, o Evangelho reduz-se a nada. Os mistérios da fé são ignorados, como também a ética absoluta do Evangelho, alicerçada como está na revelação outorgada na Bíblia, acerca daquilo que Deus espera dos homens, moralmente falando. Boff, que foi convocado para debater essas questões com as autoridades de Roma, asseverou que o debate será útil à Igreja, e que essa será sempre a espécie de atitude que prevalece quando homens inteligentes entram em controvérsia. Finalmente, porém, dai teremos de esperar um tremendo cisma, com a fragmentação da Igreja Católica Romana em nossos próprios dias. A Teologia da Libertação, na verdade, é incompatível com a ortodoxia católica romana, e essa incompatibilidade haverá de escrever o último capítulo sobre a questão. A única questão é saber quanto tempo ainda demorará esse processo. 3. O Papa Joio Paulo 11.Certas declarações feitas pelo papa atual, em favor de algumas idéias expressas pela Teologia da Libertação, apontando a utilidade delas, têm

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO sido largamente divulgadas, ao mesmo tempo em que declarações contrárias (que são muitas) têm passado em silêncio. Em outubro de 1984, o papa João Paulo 11 deixou claro que se a Igreja anela por novas abordagens, iamais aceitará o marxismo, que é a negação de Deus. Falando para cerca de quarenta mil fiéis no Centro Olímpico de São Domingos, o papa prometeu "o generoso apoio da Igreja Católica à obra de libertação social das multidões desfavorecidas, a fim de levar para todos a justiça que corresponde à dignidade dos filhos de Deus". Mas advertiu que a missão da Igreja consiste em evitar a penetração do ateísmo que existe nos movimentos que se intitulam libertadores. Ele declarou abertamente que o marxismo é uma negação de Deus. Reasseverou a autoridade do Vaticano para dirigir o evangelismo e os movimentos sociais, sem importar sua natureza. Também defendeu a unidade da Igreja em um esforço unificado na tentativa de solucionar os problemas que os pobres enfrentam. Em uma reunião efetuada com os bispos do Peru, em outubro de 1984, o papa João Paulo 11 reiterou sua oposição à Teologia da Libertação. Ele aludiu especificamente a "ideologias estranhas à fé", ironizando a atitude de alguns que dizem que tais ideologias possuem o segredo da verdadeira eficiência no combate à pobreza e à opressão. Em uma mensagem enviada aos bispos da Africa do Sul, o papa afirmou que a solidariedade católica para com os pobres não pode ser "baseada na luta de classes". Um comentário do papa, publicado pelo jornal L 'Observatore Romano. órgão oficial do Vaticano, pode representar a condenação formal da contravertida Teologia da Libertação pelo Vaticano. Essa declaração foi publicada em 22 de agosto de 1984. Entrementes, o cardeal Ratzinger referiu-se à mistura de fontes e tendências da Teologia da Libertação como "um abuso da teologia". Em abril de 1984, o papa João Paulo 11 condenou a tirania das ideologias, em um ataque direto desfechado contra a Teologia da Libertação, contradizendo assim o próprio termo, "libertação", dando a entender que a libertação ali prometida na realidade é apenas uma outra forma de tirania Essa declaração foi feita pessoalmente a um grupo de bispos brasileiros, diante do papa, no Vaticano. A isso o papa acrescentou que o interesse em ajudar materialmente os pobres não deve obscurecer o principal propósito do Evangelho, efetuado através do evangelismo de natureza espiritual. 4. O cardeal Agnelo Rossi, no Brasil, afirmou, em abril de 1985, que os métodos da Teologia da Libertação podem ser fatais à Igreja Avisou sobre as técnicas de lavagem cerebral empregadas por seus defensores. Não que haja campos de concentração do tipo nazista, mas essas técnicas são levadas a efeito dentro das próprias agências da Igreja. E preparou um documento de quarenta e três páginas, ressaltando os erros da Teologia da Libertação. 5. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Salles, defendeu as advertências feitas pelo papa João Paulo TI acerca da Teologia da Libertação, e conclamou os católicos à obediência ao papa, como dever de todos os católicos. Também expediu um comunicado, encorajando o episcopado brasileiro a condenar os erros que assediam presentemente a Igreja Católica Romana, lamentando o fato de que a punição imposta a Boff(um ano de silêncio) foi recebida com protestos no Brasil, o que é uma clara desobediência à palavra e à iniciativa do Vaticano. 6. O arcebispo de San José (Costa Rica), Dom Roman Arrieta, classificou a Teologia da Libertação e a Igreja Popular como coisas inaceitáveis para os católicos romanos, condenando as "ideologias exóticas" que estão

fascinando alguns cristãos da atualidade. 7. O Jurista Sobral Pinto demonstrou, em um livro escrito em 1984, as "distorções" da Teologia da Libertação, onde asseverou: "É realmente fantástico declarar útil à teologia, cuja base é Deus, a teoria do materialismo histórico, cuja base é justamente a negação de Deus. Isso é algo que ultrapassa todo e qualquer bom senso". O prefácio da obra foi suprido pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Salles, onde o livro dessejurista aparece como "muito oportuno". Sobral Pinto escreveu em seu livro, intitulado Teologia da Libertação, que, realmente, é dificil compreender os católicos que se utilizam de uma ideologia que está alicerçada sobre o pressuposto de que Deus não existe, que não há vida pós-túmulo e nem poderes sobrenaturais, e que chama de "fantasia" a crença nessas realidades espirituais, além de afirmar que a doutrina da alma nada mais é do que a imaginação arbitrária de poetas e místicos. 8. O cardeal Dom Vicente; de Porto Alegre, em abril de 1985, ao falar no programa da Cúria Metropolitana, asseverou que a Teologia da Libertação repete os erros de tempos passados com "perigosa ignorância e desconhecimento acerca dos pontos fundamentais da verdade revelada". Ele lamentou a fraqueza da autoridade do papa e a desobediência que vai aumentando, contra o poder da Igreja. Também objetou à aceitação da teologia liberal de Bultmann acerca de Cristo, que o reduz a um pseudolibertador, de acordo com pontos de vista marxistas, uma total distorção do Cristo retratado no Novo Testamento. 9. O Cardeal Sebastiano Baggio, representante do papa João Paulo TI, durante o XI Congresso Eucarístico Nacional, condenou (17 de julho de 1985) um documento, assinado por onze entidades, que defende a posição assumida pela Teologia da Libertação e o frei Leonardo Boff. Dom Sebastiano disse que Boff tem os seus superiores, e que esse tipo de ação é um desafogo, e não um caminho adequado a ser seguido. O documento em questão está dividido em quarenta e quatro itens. E também deplorou a divisão que toda essa questão está causando no seio da Igrej a Católica Romana, dando a entender que a função do clero consiste em ensinar as doutrinas da Igreja, e não inventar a Igreja. 10. O bispo auxiliar de Salvador, Dom Boaventura KJoppenburg (em setembro de 1984), salientou que a libertação prometida pela Teologia da Libertação é na verdade, inimiga da liberdade pessoal dos indivíduos. Chegou mesmo a dizer que enquanto a libertação está sendo proclamada às massas, ao mesmo tempo estão sendo preparados campos de concentração aos dissidentes. E convocou os homens a desfraldarem de novo a verdadeira bandeira da liberdade, asseverando que a filosofia marxista opõe-se à visão cristã das coisas. 11. O bispo Boaventura Kloppenburg ( 9 de setembro de 1986) advertiu que o Partido dos Trabalhadores, a Central Única dos Trabalhadores e o Partido Democrático Trabalhista estão preparando o Brasil para o socialismo, e que a politica está sendo pregada nas igrejas, como parte do mesmo programa e finalidade. A isso ele chamou de "desvio na Igreja". E esse bispo ironizou as pretensas intenções de religiosos brasileiros de buscar modelos em Cuba: "Quem sabe se eles não descobrem um exemplo maravilhoso de reforma agrária e o dão ao presidente Sarney?" E fez objeção ao uso de textos bíblicos a serviço do marxismo, além de ter reafirmado o oficio de Cristo como o verdadeiro Libertador do povo. E lamentou o uso do tempo do povo na Igreja para fins de propaganda política.

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO 12. O bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Edmundo Kunz, em outubro de 1984, condenou o uso da análise marxista para fins de mudança social: "Admitir a luta de classes como lei fundamental da História significaria introduzi-la na própria Igreja de Cristo. A hierarquia seria opressora, e o laicato oprimido; a Igreja institucional, senhora, e a do povo, escrava. Estaria demolida a Igreja como povo de Deus e como corpo místico de Cristo. Além disso, se vingasse a teoria classista de Marx, somente haveria amigos e inimigos, exploradores e explorados, agressores e oprimidos". Essas palavras foram proferidas no programa radiofônico Vozdo Pastor, da diocese de Porto Alegre, quando Kunz criticou o uso da análise marxista. Também lamentou o fato de que a Teologia da Libertação veja as necessidades do ser humano em um contexto puramente materialista, esquecendo-se das necessidades maiores da alma. Entretanto, admitiu o uso desse tipo de teologia a fim de alertar o povo quanto a abusos, forçando a Igreja a enfrentar as questões envolvidas, mas não demonstrou qualquer fé na eficácia dos remédios propostos pela Teologia da Libertação. V. Boff Critica o Vaticano Os hereges usualmente mostram-se eloqüentes na defesa de seus pontos de vista, embora acabem sendo derrotados. A busca inicial pela harmonia e pela reconciliação com os "antigos caminhos" serve tão-somente para adiar, por algum tempo, o cisma inevitável. As palavras e os escritos dele são muito ousados. Apesar de que algumas de suas declarações públicas têm tido um tom conciliador, ele mesmo não tem cedido muito terreno ante seus adversários. Boff é um herói para milhões, e um vilão para outros milhões. Será crucificado e glorificado ao mesmo tempo. Daí resultará uma Igreja Católica Romana fragmentada, pelo menos nos países do chamado Terceiro Mundo. Em setembro de 1984, Leonardo Boff afirmou que o capitalismo, e não o comunismo, é o principal demônio contra o qual deveríamos lutar, em defesa dos pobres e oprimidos. E suas palavras foram publicadas pelo L .Uni/à, órgão oficial do Partido Comunista italiano. Ele criticou o Vaticano por não levar em conta a evolução de idéias, e que foi Marx que nos teria ajudado a entender a lógica do capital e do processo de exploração. E também indagou: "Que poderia ser mais espiritual do que dar a uma criança algo para comer?" Asseverou, em seguida, a sua crença na espiritualidade, e afiançou que o problema da Igreja consiste em lutar contra as injustiças, inspirada pela fé e sua transcendência. Disse também que "não haverá uma libertação dos oprimidos com base no marxismo como ideologia integrar. E ajuntou que "os cristãos devem redobrar a sua vigilância crítica em relação a essa ideologia, cuja sedução mística é devoradora e totalitária". Portanto, ao que parece, o próprio Boff não está lutando em prol de um estado comunista, mas apenas insistindo que há coisas de valor que podemos pedir emprestado daquela ideologia, úteis na luta contra a pobreza e a opressão. E novamente criticou o Vaticano por não apresentar nenhuma alternativa adequada a essa situação, afirmando que o Vaticano é por demais abstrato em seus pronunciamentos, sem jamais apresentar quaisquer medidas de ordem prática para a solução dos problemas sociais. O Vaticano reagiu, condenando a chamada "Igreja Popular", na terceira sessão do 11 Sínodo Extraordinário, em novembro de 1985. O surgimento de "igrejas populares", como aquela que se está formando na Nicarágua, com apoio do governo sandinista, foi

classificado de práxis marxista, pelo arcebispo de Córdoba, na Colômbia, Dom Raul Francisco Primatesta. Ele classificou tal movimento de neomodernista, afirmando que o mesmo pode levar a uma ação religiosa social e subversiva. E também exprimiu sua preocupação no que conceme à secularização da Igreja Católica Romana. Em setembro de 1984, o frei Leonardo Boff criticou o Vaticano pela maneira como manuseia a Teologia da Libertação, asseverando que o mesmo procede com uma visão tipicamente eurocentrista, paternalista, que não leva em conta a realidade latino-americana. Se a Igreja Católica Romana continuamente afirma que é mister lutar contra a pobreza e a opressão, oferece mera assistência, e não verdadeira libertação. E acusou as criticas emitidas pelo Vaticano por serem ultrapassadas, por não se ajustarem à evolução das idéias do mundo moderno. Mas um teólogo jesuíta, João E. Martins Terra, advertiu que Boff está passando como uma "vítima" do autoritarismo, avisando que as conseqüências de sua filosofia dentro em breve poderão ser muito desastrosas para a Igreja. Em sua opinião, a unidade e a vitalidade da Igreja Católica Romana estão sob ataque. O Neogalicanismo na Igreja Católica Romana do Brasil. Martins Terra afirmou poder divisar uma forma de neogalicanismo que se vai amoldando no Brasil. O galicanismo surgiu no século XV, procurando reduzir o poder do papa, o que marcou profundamente a história do catolicismo romano. Sua tendência é produzir uma igreja nacional, em oposição à Igreja centralizada, governada pelo Vaticano. E Martins Terra também objetou à típica teologia liberal de Boff, que faz parte do seu sistema sincretista. Em 10 de outubro de 1984, Boffcriticou o Vaticano por ter medo do comunismo. Em vista desse temor irracional, não tiraria proveito dos bons aspectos que o marxismo tem para melhorar as condições sociais e econômicas dos povos. Boff proferiu essas palavras em um discurso feito em Campinas (Unicamp), perante professorese estudantes. Ao mesmo tempo, porém, afirmou que devemos combater o marxismo, como um sistema. E advertiu que a mera eliminação do antigo capitalismo não será uma medida produtiva se, em conseqüência, uma outra ideologia perniciosa tomar o seu lugar. E também disse: "Eu não quero o marxismo no Brasil, inclusive porque não permite a liberdade religiosa; mas o problema aqui é o capitalismo selvagem, sem regras, que leva a pessoa, embora faminta, a ser comunista". Também assegurou que a Teologia da Libertação não se inspirou no marxismo, e, sim, em ideais cristãos. Fica patente, diante de declarações assim, que Boff é um dos mais moderados advogados da Teologia da Libertação, porquantomuitos dos que esposamessa teologia pensam que somente por meio de um estado comunista é que os ideais dessa teologia poderão ser implantados. Quanto a nós outros,cabe concluir que tal estado comunista seria um "estado cristianizado", que empregaria seu código humanitário sem limitar a expressão religiosa do povo. Até o momento, porém, ainda não surgiu um estado comunista dessa natureza, ainda que existam brasileiros que pensem que assim poderá vir a suceder. O argumento deles é que o comunismo brasileiro não precisaria imitar os erros de comunistas de outros países, pois a liberdade religiosa poderia ser franqueada em meio a um estado comunista. Isso seria, verdadeiramente, um "milagre brasileiro". Mas, conforme é claro, nem o próprio Boff acredita em tal possibilidade. VI. Defesa de Boff e da Teologia da Libertação Já vimos o que Leonardo Boff pensa e diz. Sabemos

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO que, no movimento da Teologia da Libertação, há vultos mais radicais do que ele. Apresentamos aqui um sumário das coisas que podem ser ditas em favor dessa filosofia-teologia. 1. Vemos que muitos dos defensores da Teologia da Libertação favorecem a idéia da eliminação da pobreza, da exploração e da miséria, e não podemos deixar de admirar a preocupação social deles. Nas denominações protestantes e evangélicas, geralmente por demais preocupados com o aspecto espiritual do cristianismo, pouco se nota desse cuidado; e os grupos mais conservadores parecem ser os menos envolvidos nas questões da caridade e dos atos práticos de amor cristão, ignorando aquilo que Tiago disse acerca da "religião pura" (ver Tia. 1:27~ ver também todo o seu segundo capítulo). Se a Teologia da Libertação porventura tem algo para ensinar-nos, é quão descuidados temos sido quanto a essa questão. 2. O próprio Boffnão é um ativista que procura impor um estado comunista, embora seja verdade que outros possam usar a atuação dele com esse propósito. Seria a repetição do que fizeram com Hegel e com Marx, guardadas as devidas proporções. 3. A Igreja não está provendo os meios apropriados para uma mudança pacífica de certos males sociais, pelo que parece haver certa verdade naquilo que Boff diz: ela assiste, mas não revoluciona, e algo radical se impõe, se tiver de ser revertida a incrível miséria das populações dos países do Terceiro Mundo. 4. Os mentores da Teologia da Libertação afirmam que, no horizonte, não existe qualquer outra força contrabalançadora, senão o marxismo, para pôr fim aos abusos de um capitalismo desenfreado. Portanto, procura valer-se daquele sistema totalitário como uma alavanca, ao mesmo tempo em que idealiza seu abrandamento, reconhecendo que tal ideologia, conforme ela existe em outros países, também é opressora. S. A Teologia da Libertação apela para o progresso das idéias, e seus propaladores acreditam na noção de que o sincretismo da Teologia da Libertação é um avanço útil às necessidades da Igreja. 6. Na mente de muitos brasileiros parece ser possível produzir um governo que se utilize do que é bom no marxismo, mas sem reter seus bem conhecidos abusos. 7. É patente que a Teologia da Libertação é uma espécie de neoprotestantismo secular, que incorpora idéias liberais e ideais marxistas. Como tal, nega a autoridade absoluta do papa e sua apregoada infalibilidade, coisas essas contra as quais os protestantes têm estado a pregar durante alguns séculos. Assim, a Teologia da Libertação é um novo liberalismo (secular), tal como a Reforma Protestante pode ser considerada um movimento de liberalização do século XVI. A grande diferença é que a Reforma Protestante não se valeu do materialismo como seu cavalo de batalha, e nem olhava somente para uma libertação da pobreza econômica e da opressão política. Mas, devido a algumas semelhanças, talvez por esse motivo é que um número crescente de protestantes esteja sendo atraído pela Teologia da Libertação. Mas esses protestantes estão tão enganados quanto o próprio Boff. 8. A chamada Igreja Popular compõe-se de igrejas nacionais; e, novamente, isso se assemelha ao ideal protestante acerca da Igreja, que advoga a autonomia em contraposição ao autoritarismo centralizado. Ao longo deste artigo, temos apresentado argumentos contra tais defesas, pelo que não sentimos necessidade de reiterá-las aqui.

VIII. O Mau Exemplo de Cuba e a Sorte da Igreja Católica Romana Ali. Fidel Castro tem-se declarado adepto da Teologia da Libertação desde que era guerrilheiro nas colinas cubanas. Parece que ele afrouxou um tanto em seu rígido marxismo, a ponto de perceber algum valor em uma Igreja popular que o ajudasse em sua tarefa de oprimir os cubanos. Mas, assim que ele assumiu o poder em Cuba, destruiu ali a Igreja Católica Romana tradicional, não fazendo qualquer esforço por substituí-la por uma Igreja Popular, mais em consonãncia com suas reformas sociais, mas que retivesse a idéia de liberdade religiosa. E muito dificil acreditarmos que, por essa altura dos acontecimentos, Castro j á se tenha liberalizado o bastante para incorporar liberdades religiosas em seu sistema. Muitos temem que o Brasil venha a tomar-se uma outra Cuba. E extremamente dificil determinar até onde vão as probabilidades disso; mas, se isso tiver de acontecer algum dia, podemos estar certos de que a Teologia da Libertação haverá de contribuir com boa parcela para que assim venha a ser. Fidel Castro destruiu a Igreja Católica em Cuba. Em 1958, havia 90% de cubanos batizados. Hoje a porcentagem é de 39%. Em 1958, 24% dos católicos praticavam ali a religião, indo à missa aos domingos. Hoje esta prática tombou a 0,5% e vai descendo sem cessar. Em Cuba havia, em 1958, algumas centenas de colégios católicos. Hoje não resta um só. Havia, em 1958, mais de 700 sacerdotes. Hoje há 211. Em 1958, a Igreja cubana dispunha de jornais, revistas, emissoras de rádio e programas de TV, para difundir a fé. Hoje, tudo isto lhe foi arrebatado violentamente. Desde 1961, Castro ignorou os bispos cubanos e se recusou a recebê-los. O gelo só foi rompido em setembro de ·1985 e uma segunda visita já ocorreu em novembro de 1985, porque agora é o "degelo da simpatia tática". Durante 25 anos, toda a infãncia e juventude cubanas, privadas de ensino religioso (a não ser dentro dos templos, e sob o controle do Partido) foram endoutrinadas, encharcadas de materialismo e de marxismo. Agora Castro quer entender-se com a Igreja com uma Igreja totalmente marginalizada da sociedade. Da qual tudo nos levaria a dizer que está moribunda, se não soubéssemos que, quanto à Igreja de Cristo, "suas portas nunca se fecharão" (Apo. 21 :25). Estado de São Paulo, 26 de janeiro de 1986. Conclusão: Temos que admirar o zelo daqueles que lutam contra a opressão, em todas as suas formas, e que procuram envidar esforços altruístas genuínos em favor dos pobres e oprimidos. O movimento da Teologia da Libertação faz-nos lembrar a necessidade da Igreja envolver-se na reforma social, posto que segundo moldes bíblicos, e nunca sob moldes de uma filosofia materialista, cuja mola mestre são os fatores econômicos, como se estes fossem o único fator a considerar. Além disso, cabe fazermos aqui um reparo. A julgar pelos resultados obtidos nos países onde o comunismo tem-se tomado uma experimentação bem controlada, vê-se que essa filosofia é ingênua, a despeito de seus bem arquitetados argumentos dialéticos e das esperanças acenadas por parte de seus teóricos e de seus praticantes, já durante mais de sete décadas. Mas, voltando à Teologia da Libertação propriamente dita, a grande debilidade dessa forma de "teologia" é que ela é tão pobre em teologia. Trata-se antes de uma forma de humanismo, com pouco ou nenhum interesse pela alma, que é o verdadeiro homem. Não podemos perceber como qualquer teologia digna do nome pode obter êxito sem

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO - TEOLOGIA DE PROCESSO esse interesse. Jesus Cristo veio para salvar almas. A tarefa da Igreja é anunciar essa salvação, em Cristo. O homem essencial não é o seu corpo físico, e, sim, a sua alma. A teologia precisa ser uma ciência eminentemente espiritual, posto que um seu aspecto, secundário, seja o obtenção da justiça social e da prosperidade entre os povos, o que o Evangelho de Cristo conseguirá fazer, à sua maneira, terminado seu ciclo histórico atual, por ocasião da volta de Cristo, e que nenhum sistema econômico ou político conseguirá fazer, verdadeiramente.

TEOLOGIA DE ANTIOQUIA Ver sobre Escola Teolágica de Antioquia. TEOLOGIA DE ARISTÓTELES Essa obra foi produzida do grego para o árabe no século IX d.C., pela Escola de Bagdá; e daí, foi traduzida para o latim. No começo foi representada como de autoria de Aristóteles. Mas, na realidade, foi os livros IV - VI das Eneadas, de Platina. Visto que essa obra tem um caráter nitidamente neoplatônico, os intérpretes de Aristóteles, por quase cinco séculos, sentiam necessário assumir a postura de filósofos neoplatônicos. TEOLOGIA DE PROCESSO Esboço: 1. Pano de Fundo Filosófico 2. Conceito Básico 3. Conceitos da Teologia de Processo

1. Pano de Fundo Filosófico A chamada teologia de processo tem seus fundamentos históricos nas filosofias de Alfred North Whitehead e Charles Hartshorne, bem como nos pontos de vista evolutivos da vida biológica humana, quando esse princípio é aplicado ao próprio cosmos. 2. Conceito Básico Deus deve ser visto não somente como o Criador, mas também como o Supremo Efetuador, pelo que o poder divino é que estaria por trás das mudanças e do progresso. Esse conceito haverá de ajudar-nos a crescer em nosso conhecimento de como Deus é, além de conferir-nos uma melhor visão sobre a própria vida. Afeta cada escaninho do pensamento teológico. Como isso pode ser, é esboçado no terceiro ponto, abaixo. 3. Conceitos da Teologia de Processo a. Conformejávimos, Deus é bipolar,não sendo meramente Causa, mas também contínua Causa em operação. b. Apesar de Deus ser absoluto, eterno e infinito, Ele também faz-se presente em sua criação, e seu amor é extremamente operante, estabelecendo toda a forma de diferenças. c. Conforme Whitehead sugeriu, Deus é primordial (eterno); mas também é conseqüente (ou seja, eterno). E, além disso, é eminentemente temporal em suas manifestações. d. O Universo é uma entidade viva, mutável, que vai avançando, desconhecendo qualquer estagnação. As potencialidades acham-se sempre em estados que produzem fruição e realização. e. Dentro da criação há uma liberdade radical, necessária para o cumprimento das obras de Deus nos homens e na existência em geral. Os ensinos biblicos atinentes ao Deus ativo e redentor devem ser preferidos ao deus metafisico dos filósofos, onde ele recebe muitos elogios, mas não figura como muito operante, e nem estabelece diferenças em sua criação.

f. A relação que Deus mantém com a sua criação é, essencialmente, uma relação de amor fanático, uma força sempre ativa na direção do bem-estar, da redenção e da mudança, sempre para melhor. Conceitos que obscurecem essa idéia são conceitos inadequados. g. A ontpotência de Deus brilha por trás do seu amor. A ira do homem redunda em seu louvor, mas esse louvor aponta para o bem que se realiza, tanto no tocante a Deus como no tocante à sua criação. Em outras palavras, a ira é apenas um dedo da amorosa mão de Deus. h. A onipresença de Deus pode ser melhor explicada em termos da doutrina do panenteismo, que faz toda a criação localizar-se em Deus; todos os eventos ocorrem em Deus; suas potencialidades e atualidades cumprem-se na Mente divina e por sua determinação, e isso sempre tende na direção do bem, em consonância com o amor de Deus. Deus atua em todas as coisas como o principal agente. O livre-arbítrio humano, que é real, gradualmente vai sendo educado para servir ao bem, e Deus tem paciência no tocante a essa realização. Deus está em todos os lugares e opera em todos os lugares. i. O homem é um processo. Ele se acha em evolução espiritual, em harmonia com os ditames do amor de Deus, o qual está escudado em sua onipotência. Na verdade, o Criador de tudo é o principal operador das boas obras, e o homem nunca fica destituído dessa ajuda dinâmica e necessária de Deus. j. A importância de Jesus. Cristo concentra em si mesmo o que sucedeu antes dele vir ao mundo; apresenta-se com um tremendo poder de amar para aqueles que a Ele correspondem; nunca cessa de buscar aqueles que não correspondem a Ele; conquista aqueles que correspondem a Ele, e então aqueles que não haviam correspondido inicialmente a Ele. O amor de Deus nunca entra em repouso. O seu amor enriquece todos os homens; ele os redime; ele os transforma. Ele é incansável. Cristo é o Filho de Deus, e coisa alguma está fora do alcance do seu poder. Cristo faz dos homens filhos de Deus e seus próprios irmãos. Deus criou os homens como filhos, e isso é o que eles são. Jesus toma isso ainda mais real, em seu ato salvatício, o qual é poderoso, sempre progressista, nunca em repouso, sempre eficaz. I. A liberdade radical, outorgada por vontade de Deus aos homens, significa que eles podem pecar e, de fato, pecam. A maldade é um fato. Os homens falham, não cumprindo os propósitos de Deus, mas eles nunca são abandonados e a batalha nunca se perde. O poder de Deus está sempre disponível mediante a graça divina, a qual é perfeitamente real. A graça divina nunca falha, embora o homem possa falhar. A graça divina sai-se vencedora, a longo prazo. A graça está sempre à nossa disposição. Ela nunca se esgota; ela nunca diminui. A graça é conquistadora, e sair-se-á vencedora. m. A criação nunca foi e nunca será um produto acabado. Antes, é um processo dinâmico. Ela tem alvos, e então mais alvos ainda. Todos os fins acabam sendo novos começos. De fato, um fim é apenas um instrumento para um novo começo. Jamais poderemos olhar para as coisas para então dizer: "Assim é que as coisas vieram a ser, para sempre serem". Não existe tal coisa como a estagnação. n. Desígnio. Nossas vidas e todos os aspectos da criação, sob hipótese alguma estão envolvidos no caos, ou em algum vôo da fantasia. Não há qualquer salto absurdo no escuro. Deus está em tudo e está operando através de tudo. Retrocessos temporários e fracassos não estabelecem o curso das almas eternas. Há desvios, mas todos esses desvios são reparáveis,

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TEOLOGIA - TEOLOGIA DO A.T. o. Critérios Finais. Os evangélicos fundamentalistas encontram sua palavra final na Bíblia, que usam como uma mina de onde extraem as suas verdades. Infelizmente, quando extraem alguma verdade que não gostam, distorcem-na para que se tome alguma coisa que eles gostam, ou então ignoram-na. Daí é que se originaram as muitas denominações protestantes e evangélicas, todas elas reivindicando ser melhores intérpretes das Escrituras do que as demais. Para os eruditos liberais, talvez o critério mais essencial seja a experiência religiosa, geralmente, governada pelo método empírico, por meio da influência exercida pela ciência. Mas o critério final da teologia de processo é: Deus é amor. Deus faz tudo ajustar-se dentro desse conceito, e todos os atributos de Deus estão alicerçados sobre esse grande fato. Em Jesus Cristo encontramos uma magnificente manifestação desse amor divino. Ele é o Sol que faz moverem-se as estrelas do céu espiritual. O poder de Deus está atuando por detrás do seu amor, possibilitando-se fazer um esforço decente para obedecermos à palavra do Senhor: Ama ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, alma e mente; e ama ao próximo como a ti mesmo. O mais significativo de tudo é que Deus é o exemplo supremo desse tipo de completo amor, e podemos ter a certeza de que o Criador de todas as coisas sempre agirá com justiça, e essajustiça significa o bem para todas as almas humanas. (C COB OG PI WT) TEOLOGIA DIALÉTICA Ver Dialética, Teologia da. Ver também, Barth, Karl. TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO Ver o artigo geral sobre o Antigo Testamento, o qual, naturalmente, aborda suas idéias essenciais. O presente artigo apenas reenfatiza alguns importantes aspectos da questão. Esboço: I. A Teologia dos Começos 11. Conceitos Primitivos da Natureza Metafísica do Homem Ill. Independência da Teologia Bíblica da Teologia Dogmática IV. Distinção Entre a Religião e a Teologia do Antigo Testamento V. Diferenças Quanto à Metodologia e ao Ponto de Vista VI. O Poder Profético do Antigo Testamento-as Promessas de Deus VILA Ética do Antigo Testamento Observações Preliminares A teologia do Antigo Testamento levanta muitas questões, a começar por definições dessa disciplina. Os teólogos sistemáticos não mostram paciência com qualquer coisa que não se adapte à ordem esperada adredemente. Porém, no caso do Antigo Testamento, é claro que não estamos tratando com um documento unificado. Antes, temos ali uma evolução, um desenvolvimento tal que há muita variedade que não se presta a uma perfeita harmonia entre suas partes constituintes. Assim também, todas as grandes fés da humanidade foram desen-volvimentos, incluindo-se aí o judaísmo e o cristianismo. A vontade de Deus opera em conjunto com o processo histórico, e não à parte do mesmo, ainda que, ocasionalmente, haja intervenções divinas que alteram esse curso. Os teólogos sistemáticos não estão mentalmente treinados quando enfrentam pontos que não se harmonizam facilmente entre si, tão grande é

a necessidade que sentem de não deixar fios soltos sem nó. Assim, a teologia sistemática (apesar de suas óbvias utilidades), obscurece o estudo simples da teologia do Antigo Testamento. Mas, uma vez que os eruditos chegam a reconhecer que a teologia sistemática nem sempre descortina a história inteira, e que ela chega mesmo a obscurecer o quadro, libertam-se de rígidos métodos aprendidos, permitindo-lhes isso encararem o Antigo Testamento naquilo que ele é, e não em termos daquilo que eles gostariam que o mesmo fosse. I. A Teologia dos Começos Nosso primeiro problema consiste em entendermos que os hebreus na verdade tinham uma cosmologia que difere radicalmente daquilo que a ciência tem descoberto quanto à natureza do universo físico. Os teólogos têm "cristianizado" os primeiros capítulos de Gênesis, e assim têm obscurecido o seu verdadeiro sentido tencionado. Eles também têm "modernizado" esses textos, "atualizando-os", segundo poderíamos dizer, a fim de que os leitores modernos da Bíblia vejam neles a exatidão científica. Entretanto, os eruditos ainda não conseguiram tal exatidão científica, embora agora saibamos muito mais que os antigos hebreus, Todavia, não expando aqui essa questão, porque o que tenho a dizer a respeito aparece nos artigos intitulados Criação; Cosmologia e Cosmogonia. 11. Conceitos Primitivos da Natureza Metafisica do Homem Quando um cristão lê o trecho de Gên. 2:7: " ....Deus... soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida, e o homem tomou-se alma vivente ..." naturalmente pensa que, nesse ponto, Deus criou a alma humana, unindo-a ao corpo físico do homem. Porém, os eruditos do hebraico informam-nos que não havia qualquer noção de uma alma humana imaterial, nessa altura da teologia dos hebreus, e nem havia então qualquer conceito de uma existência após-túmulo, com os galardões ou castigos prometidos, o que, naturalmente, acompanha essa idéia. A lei de Moisés, apesar de bastante intrincada, nunca promete uma bem-aventurada vida após-túmulo aos obedientes; e nem ameaçou aos desobedientes com algum tipo de julgamento na vida após-túmulo. A ausência total de tais ensinos certamente mostra-nos que os estudiosos estão com a razão quando afirmam que, no Antigo Testamento, a noção da alma só aparece mais claramente já nos Salmos e nos livros proféticos. Em conseqüência disso, fica ilustrado que até mesmo doutrinas importantes podem resultar de um desenvolvimento teológico. Mas a teologia sistemática gostaria de forçar sobre nós um conceito da alma "desde o começo" da revelação bíblica, ao passo que a teologia bíblica segreda-nos: "Isso só surgiu mais tarde". 111. Independência da Teologia Bíblica da Teologia Dogmática Em 1787, J.P. Gabler iniciou, historicamente, a distinção entre a Teologia Bíblica e a Teologia Dogmática. A Teologia Bíblica (e, portanto, a teologia do Antigo Testamento) limita-se àquilo que "encontramos na própria Bíblia", em vez de sentir a necessidade de nos ajustarmos a algum sistema. Na Teologia Bíblica não há qualquer senso da necessidade de harmonização, e todas as idéias e verdades podem emergir, porquanto a harmonia não é a base de tudo. Naturalmente, muitos daqueles que escrevem teologias bíblicas ainda assim são sistematizadores no coração, e continuamente procuram forçar uma harmonia, nem que seja ao preço da honestidade. Porém, isso é uma corrupção da verdadeira teologia bíblica, e não uma autêntica expressão da mesma. Outro vício dos

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TEOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO sistematizadores é a tentativa de sempre verem o Novo Testamento oculto, no Antigo Testamento, ou, então, forçarem o Antigo Testamento a concordar com o Novo. Após Gabler, surgiu, com base em seus escritos, um renovado interesse pela história, pela linguagem e pela cultura dos hebreus, as quais desvencilharam-se de conceitos bitolados, próprios da teologia dogmática. Além disso, a ênfase passou a ser posta sobre a experiência religiosa, a antropologia e a psicologia religiosa, como aspectos importantes da antiga experiência dos hebreus. Os profetas de Israel também passaram a ser apreciados como homens dotados de experiência e gênio religioso, e não somente como homens que constituíram sistemas. E isso suavizou o choque que muitas pessoas até então sentiam ao perceberem contradições reais e aparentes no Antigo Testamento. I\Z Distinção Entre a Religião e a Teologia do Antigo Testamento O. Eissfeldt (1926) preocupou-se com essa distinção. Ele salientava que a teologia do Antigo Testamento trouxe à tona verdades imorredouras que prosseguem válidas através de todas as vicissitudes da vida. Por outro lado, grande parte da religião do Antigo Testamento foi ultrapassada e tornou-se obsoleta. Apesar de que os rabinos não se sentiriam felizes ante tal distinção, Paulo a reconhecia, embora sem dar-lhe os títulos dados por Eissfeldt. Se ele tivesse expressado tal distinção, provavelmente teria dito algo como: "A teologia veterotestamentária foi incorporada no Novo Testamento, ao mesmo tempo em que grande parte da religião do Antigo Testamento foi abandonada". Um exagero desse modo de pensar foi a tentativa de mostrar que o Antigo Testamento, do começo ao fim, serve de testemunho direto de Jesus Cristo e sua obra expiatória. Apesar desse testemunho ser forte (ver o artigo Profecias Messiânicas Cumpridas em Jesus), aqueles que se interessam por questões teológicas têm claramente exagerado em suas definições. Assim, L. Kohler, na tentativa de defender a fé hebraico-cristã de um crescente paganismo, publicou sua obra, com título em alemão, Das Christuszeugnis des Alten Testaments (1942), que encerra esse exagero, mas que serviu ao propósito de desfraldar o pendão cristão em um momento crítico. Tais esforços achavam-se também à base de sua Teologia Dialética. Ver o artigo Dialética, Teologia da. Obras importantes no tocante à teologia do Antigo Testamento foram escritas por Eichrodt, Vriezen, von Rad e E. Jacob. O último desses contemplava essa teologia do ponto de vista dos atos de Deus, mais ou menos aos moldes de Kohler. Desnecessário é dizer que aqueles que contribuíram literariamente para esse campo, assumiram vários pontos de vista sobre o quanto o Novo Testamento foi realmente antecipado no Antigo. F. Baumgartel criticou a exagerada cristianização de Jacob em seu livro Verheissung ("Promessa"), publicado em 1952. v. Diferenças Quanto à Metodologia e ao Ponto de Vista W. Eichrodt, em seu livro, com título em alemão Theologie des Alten Testaments, asseverou que o tema dominante e a motivação do Antigo Testamento, que lhe emprestavam unidade, era a aliança entre Yahweh e o povo de Israel, o que se foi desenvolvendo até que Yahweh desejou ter comunhão com todos os homens. Von Rad, por outra parte, acreditava que a chave para a compreensão do Antigo Testamento é a reportagem, ou seja, o relato da história-da-salvação de Israel (Heilsgeschichte). James Barr adicionou uma importante discussão sobre a relação entre a história e a revelação. Von Rad encarava a

revelação do Antigo Testamento como um certo número de atos distintos e heterogêneos, em contraste com a grande e única revelação de Deus, no Antigo Testamento, através de Jesus Cristo. Sem dúvida, temos nisso um certo exagero de sua parte, mas algo que deve ser considerado em relação ao propósito mais amplo do Novo Testamento. Pelo seu lado negativo, ele parece ter subestimado a unidade do Antigo Testamento. Ao que parece, Rad também não apreciou o papel da história na revelação. A revelação e a história, porém, podem cooperar uma com a outra sem qualquer contradição. A ênfase demasiada sobre a reportagem poderia levar-nos a um mito, e não ao registro divino de como Deus interveio na história humana, desvendando o seu propósito remidor. Eichrodt exortava-nos a reconhecer o testemunho da fé da comunidade do Antigo Testamento. A invasão pessoal de Deus no espírito humano teria produzido uma fé viva, onde também podemos encontrar a compreensão da história de Israel do ponto de vista do Antigo Testamento, e por extensão, a compreensão da história da própria humanidade. Também não deveríamos considerar mitológicos os fatos externos da história, onde esse drama se desenrolou. VI. O Poder Profético do Antigo Testamento -As Promessas de Deus Quanto a esse ponto, encontramos extremos. Alguns intérpretes têm pensado que o alegado poder profético do Antigo Testamento existe somente na mente dos intérpretes que vêem ali algo que, realmente, não está lá. Por outro lado, há quem tenha exagerado o elemento profético do Antigo Testamento, encontrando Cristo e o cristianismo em todas as suas páginas, em todo tipo de pronunciamento, em todos os salmos, etc. Von Rad defendeu o autêntico poder profético do Antigo Testamento, como antecipação do Novo Testamento. Mas há intérpretes que negam a idéia de que o judaísmo precisava ter cumprimento no cristianismo, como se fosse um torso que precisasse de uma cabeça. Mas há outros que estão certos de que o judaísmo, sem o cristianismo, é como um torso sem cabeça. Baumgartel e Bultmann mantinham que o Antigo Testamento não é diretamente relevante para o cristão, embora, por analogia, haja relevância para ele. As promessas do Senhor a Israel teriam um papel nas promessas de Deus à Igreja. Judeus e cristãos contam com o mesmo Deus prometedor, pelo que estão unidos de certa forma. De acordo com Baumgartel, as promessas feitas a Israel foram feitas somente a Israel, não podendo ser aplicadas a nós. Contudo, temos a ver com o mesmo Deus que fizera aquelas promessas a Israel. O problema do homem jaz na devida apropriação das promessas; e isso depende de sua espiritualidade interior. Entretanto, isso é muito pouco, ainda que seja útil. Não é preciso grande fé para alguém crer que a principal promessa de Deus a Israel era, afinal de contas, o próprio Cristo, o Filho de Abraão e Filho de Davi. E, naturalmente, Cristo também foi o Segundo Adão, ou seja, o Salvador de toda a humanidade. Teologia é teologia, e não vida. Não obstante, os teólogos têm a tarefa de cuidar para que seus estudos iluminem as questões da vida e da morte; e em Cristo é que achamos a vida. As teologias que se reduzem a meras histórias religiosas e sociológicas talvez tenham contribuições a fazer ao pensamento e à maneira de viver dos homens; mas é como se tivessem perdido a principal corda da vida, ou seja, a alma imortal do homem. De outra sorte tais estudos não merecem o título de teologia. E melhor darmos a esses estudos os nomes que realmente os definem: histórias, mitologias, psicologias, sociologias, teorias políticas.

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO - TEOLOGIA EMPÍRICA VII. A Ética do Antigo Testamento Ver o artigo separado sobre esse assunto. Bibliografia. Além das obras mencionadas no corpo deste artigo, ver também AND C 10 VR WC.

e de idéias helênico-gnósticas que, de algum modo coagulou-se em tomo do nome de Jesus de Nazaré, mas acerca de Quem, na verdade, disporíamos de bem pouca informação genuína. Ver o artigo sobre Crítica da Bíblia.

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO Outros artigos são apresentados nesta enciclopédia, oferecendo a essência dessa teologia. Ver, por exemplo, o artigo chamado Paulo Apóstolo. No começo desse comentário aparece uma longa lista de artigos que examinam, com detalhes, os temas paulinos doutrinários. Em sua segunda seção, quinto ponto, são examinados os principais conceitos paulinos. Ver também os artigos João Apóstolo; Teologia e Novo Testamento. O artigo intitulado Novo Testamento (Pacto) acrescenta outros detalhes, que mostram que o Novo Testamento é uma graduação acima do Antigo Testamento, na economia de Deus. Ver também sobre Pedro (Apóstolo) e Problema Sinôpttco. O artigo chamado Novo Testamento (Coletânea de Livros) contém um sumário de todos os livros do Novo Testamento, com explicações acerca de seus temas principais. Os ensinos dos evangelhos repousam, essencialmente, sobre as palavras de Jesus. Ver sobre Jesus, em sua terceira seção,

TEOLOGIA DOGMÁTICA; A DOGMÁTICA A dogmática é a apresentação formal de dogmas, formando um sistema coerente. Ver o artigo geral sobre o Dogma. A dogmática é uma espécie de tentativa para construir uma ciência da fé cristã, mediante agrupamentos e explicações em ordem. À base da dogmática cristã temos o conceito da verdade revelada, mas essa verdade precisa de definição e sistematização. Cada geração acrescenta alguma coisa à definição; e algumas chegam a supor que verdades externas à revelação cristã devessem ser adicionadas, ao menos para propósitos de comparação. A Bíblia é a principal fonte da teologia dogmática; mas, visto que a Bíblia não sistematiza os seus conceitos, toma-se necessário que os eruditos e autores cristãos façam essa sistematização, com propósitos didáticos. Ver sobre a Teologia Sistemática. Com o surgimento dos processos críticos históricos, após a Iluminação, a dogmática não permaneceu em terreno exclusivamente bíblico. Foram feitas tentativas para evocar evidências culturais, religiosas, históricas e científicas, para a obtenção de uma melhor definição da verdade, ou mesmo para trazer à tona outras verdades. Essas outras verdades podem definir melhor a verdade bíblica, ou podem ser verdades extrabíblicas.ou mesmo verdades antibíblicas, usadas por alguns. Em outras palavras, haveria verdades que realmente são verdades, em contraste com erros que se encontrariam na própria Bíblia. Desse modo, abriu-se um sério abismo entre os simples eruditos bíblicos e os teólogos dogmáticos. Estes últimos acusam os primeiros de falta de interesse pelo avanço da verdade, dependendo em demasia de idéias não examinadas. A Dogmática Eclesiástica de Kar/ Barth. Esse teólogo é o autor do mais impressionante tratado dogmático do século xx. Apesar de ele não se ter mostrado inteiramente indiferente para com os chamados historiadores científicos, ele se mostrou essencialmente indiferente a eles e a muitas de suas conclusões. Para ele, a fé religiosa deve estar alicerçada sobre a fé e os milagres. Entre os teólogos existencialistas de nossos dias, no movimento denominado "nova hermenêutica", acredita-se que a atividade de interpretação é a principal tarefa dos eruditos bíblicos. Contudo, entre outros, há ainda uma forte ênfase sobre outros fatores além da mera interpretação. O estudo crítico é necessário para o descobrimento da verdade, o que pode ir além da mera interpretação da Bíblia. Conforme entendo a verdade, precisamos de todos os métodos e atividades de estudo ao nosso alcance. A simples interpretação de passagens bíblicas tem produzido a fragmentação que testemunhamos atualmente na Igreja cristã. A verdade jamais será simples assim. (C E)

Ensinos. Consideração Introdutória à Teologia do Novo Testamento: A expressão "Teologia do Novo Testamento" tem sido usada de quatro maneiras diferentes: 1. Um Método Descritivo, Histórico e Informático. As doutrinas do Novo Testamento são declaradas e descritas sem qualquer crítica, sem adição de opiniões pessoais, de uma maneira simples, destituída de problemas. Nenhuma tentativa especial é feita para examinar os ensinos do ponto de vista da teologia sistemática ou da dogmática. Muitas questões são deixadas sem exame, e são evitadas as controvérsias teológicas. 2. Uma Teologia Bíblica (vide) pode ser extraída da Bíblia, dando a entender que os hebreus e os cristãos primitivos tinham uma maneira homogênea de pensar, e que uma mensagem teológica específica pode ser extraída das Escrituras. E as porções da Bíblia que não cabem dentro desse sistema são interpretadas de modo tal que o leitor não toma consciência de problemas. 3. Método Pessoal e Existencial. O investigador lê o Novo Testamento com a finalidade de encontrar uma mensagem geral ou mensagens que se revistam de significado para ele. O investigador não está interessado em intermináveis controvérsias sobre várias questões. Antes, está atrás de algum beneficio pessoal. Uma versão modificada desse modo de investigação é aquela que acrescenta evidências de natureza histórico-crítica. E quando isso é feito, a pesquisa não é necessariamente impedida. De fato, ela pode ser enriquecida, contanto que o ceticismo não se manifeste de modo exagerado. 4. Método Cético-Crítico. Os estudiosos de um extremo liberalismo, juntamente com céticos de toda sorte, com freqüência, assumem um ponto de vista destrutivo quando estudam o Novo Testamento, e propositadamente tentam lançar tudo em dúvida, incluindo a própria existência de Jesus como figura histórica. E mesmo que admitam a sua existência, ainda assim não têm certeza se podem encontrar nele qualquer coisa de significativo, pois atribuem o Novo Testamento a pessoas que viveram depois de Jesus, dotadas de mentes preconcebidas, cheias de invenções e fantasias. Assim, para exemplificar, Bultmann fazia da teologia do Novo Testamento um mero conglomerado mitológico de idéias judaico-apocalípticas

TEOLOGIA EMPÍRICA Ver o artigo sobre Religião e Ciência. O liberalismo teológico tem levado os homens a pensar sobre as questões religiosas em termos diferentes do que quando se pensa nelas através de textos de prova bíblicos. Esse modo de pensar já vinha sendo experimentado na teologia, quanto às suas possibilidades. Em outras palavras, foi demonstrado que há certos aspectos da teologia que ultrapassam e até contradizem a teologia bíblica, visto que a busca pela autoridade não cessa com a Bíblia. Dentro desse contexto, a teologia empírica foi

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TEOLOGIA EMPÍRICA capaz de surgir em cena, no começo do século Xx. À base do pensamento teológico liberal e empírico, encontra-se a crença de que a revelação, embora seja uma maneira possível de se tomar conhecimento das coisas, em si mesma é imperfeita, por ser incompleta e que nossas maneiras de tomar conhecimento das coisas precisam ser complexas, porquanto a própria verdade é complexa. Se quisermos extrair a verdade de toda essa complexidade, precisaremos de experimentação, de exame e de um longo processo de separação entre o bem e mal. E, quanto a muitos pontos, chegamos a certas conclusões tentativas e temos de dar prosseguimento às nossas experimentações. Portanto, a teologia transforma-se em uma outra ciência, em vez de ser a rainha dogmática, perfeita, inquestionável das ciências. Os teólogos empíricos estavam ocupados em uma nobre inquirição, apesar dos erros que porventura tenham cometido. Estavam tentando responder às perguntas feitas pelo ateísmo e pelo humanismo. Empregavam métodos histórico-críticos e sistemático-construtivos e mostravam-se essencialmente apologéticos. A tarefa deles consistia em interpretar o cristianismo de tal modo que viesse a tornar-se inteligível e eficaz em uma época científica-industrial. Todas as tentativas nesse sentido, sem importar o bem nelas embutido, terminaram em exageros e pontos débeis. Em primeiro lugar, não há como submeter uma pessoa extraordinária e poderosa como Jesus Cristo a testes de laboratório. Ele está acima da ciência. porque existem poderes espirituais que zombam da infantil idade do nosso conhecimento científico. Vero artigo sobre Satya Sai Baba, quanto a um exemplo moderno do que estamos dizendo. Além disso, alguns desses teólogos empíricos inclinaram-se demasiadamente para a esquerda, em sua teologia, pondo em dúvida muito da tradicional teologia bíblica e. assim, injetaram forte ceticismo em seus sistemas. Tinham-se deixado influenciar indevidamente pelos pragmatistas, como Peirce, James e Dewey (ver os artigos a respeito deles). Um dos principais centros de teologia empírica foi a Divinity School da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos da América do Norte, encabeçada por Shailer Matthews (1861-1941). Ele formou-se no Colby College e no Newton Theological Institute e deu prosseguimento a seus estudos de história e de economia política na Alemanha. Em 1894, ele começou sua carreira na Universidade de Chicago. no campo da história do Novo Testamento. Mas, posteriormente, transferiu-se para a teologia histórica e para a teologia sistemática. Serviu como deão da Divinity School desde 1908 até que se retirou das atividades, em 1933. Ele suspeitava de qualquer autoridade religiosa padronizada e preferia continuar experimentando com idéias, à la Dewey. Para exemplificar, em seu livro, The Atonement anti the Social Process (1930), ele tentou demonstrar que os pontos de vista de uma pessoa qualquer, sobre esse assunto, são influenciados pelas posições culturais e teológicas da época particular em que ela vive. Isso significa que. na realidade, seriam produtos da cultura humana, estando sujeitos a modificações. à proporção que as culturas vão mudando. Por igual modo, em seu livro, The Growth of the Idea of God, ele demonstrou, essencialmente, que o homem cria um Deus de acordo com a sua própria imagem humana, em consonãncia com suas experiências sociais. enquanto esforça-se por integrar as forças da natureza e da vida. Outra importante figura dessa escola foi Henry Nelson Wieman (1884~ ). Ele formou-se no Park College e no San Francisco Theological Seminary, estudou na Alemanha e recebeu seu doutorado na Universidade de

Harvard, E.U.A. Dez anos mais tarde (1927) uniu-se ao corpo docente da Universidade de Chicago. Ele defendia a abordagem teocêntrica, em contraste com a abordagem antropológica. Em seus livros, Religious Experience and Scientific Method (1926) e The Wrestle ofReligion with Truth, ele afirmou que a nossa busca pelo conhecimento de Deus deve ser como qualquer outra, ou seja, através da observação científica e da razão. Ele definia Deus como a origem dos valores destacados na experiência. E. em seu livro, Source ofHuman Good, ele tentou demonstrar que o seu pensamento religioso estava dentro da tradição cristã, tendo procurado desenvolver várias posições cristológicas, escatológicas e eclesiológicas. Quanto à salvação. para exemplificar. ele afinnava que a mesma vem através de Jesus Cristo e consiste na transformação da vida do individuo. o que seria conseguido, não através da inteligência humana, mas por meio de certos acontecimentos históricos que giraram em tomo da vida do homem Jesus de Nazaré. Douglas Clyde Macintosh (1877-1948) foi outro pensador dessa mesma escola. Ele recebeu o doutorado em Chicago, mas ensinava na Yale Divinity School. Macintosh foi um filósofo da religião. Por um lado. ele insistia sobre a abordagem empírica à fé religiosa; mas, por outro lado. pensava que devemos permitir que outras crenças façam parte do nosso sistema, para efeito de melhor estruturação e abrangência. Essas crenças precisam ser razoáveis e úteis, ajudando-nos a viver conforme deveríamos viver. Apesar de serem essas crenças destituídas de prova, não deveriam ser contrárias àquilo que temos podido descobrir empiricamente e tudo deveria ser sujeitado à revisão e à alteração, quando o nosso método empírico nos levar além desse ponto. O seu livro, Theology as ao Empirical Science (1919) é considerado a expressão clássica desse tipo de teologia. Seu ponto de vista de Deus era uma espécie de otimismo moral, no qual ele descrevia Deus como uma personalidade de suprema inteligência e bondade. Ele argumentava em favor da imortalidade pessoal. Procurava provar a existência de Deus de acordo com as linhas de pensamento aceitas pelas religiões históricas e pensava que nisso tudo deve estar envolvida uma nova e regeneradora experiência, mediante a qual a pessoa experimenta a existência de Deus e não a defende apenas com proposições intelectuais. Ele acreditava que se pode demonstrar objetivamente uma base divina para a fé. Eugene W. Lyman educou-se em Amherst e em Vale. com estudos de aperfeiçoamento na Alemanha. Tomou-se professor do Union Theological Seminary, de Nova Yorque. Em seu livro, Theology anti Human Prob/ems (1910), ele argumentava em prol de um pragmatismo de tipo postulado por William James, para definir as verdades e as crenças religiosas. Em sua obra principal, intitulada The Meaning and Truth of Religton (1933), ele declarou-se em favor do principio da intuição (que vide) como o principal modo de conhecermos as coisas, embora uma intuição de uma variedade que possa ser rigorosamente testada por meios científicos e outros. De conformidade com ele, a intuição encontra a verdade e a razão a submete a teste. Ele ocupou-se de obras sociais. acreditando que a fé religiosa deve ser prática e aplicável à sociedade. Nisso ele compartilhava de um terreno comum com aquela escola inteira de pensamento. Esse movimento influenciou a maneira de pensar de muitos estudiosos que não aceitavam plenamente os pontos que ele defendia. Geralmente, esse é o uso que emerge de novos movimentos e maneiras de pensar.

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TEOLOGIA FEDERAL - TEOLOGIA MORAL Alguns pensadores, assim influenciados, penderam para idéias neo-ortodoxas. Reinhol e R. Richard Niebuhr (ver os artigos sobre eles) atacaram as bases da teologia empírica, enfatizando a fé pura como a base do pensamento e da ação religiosos. (C) TEOLOGIA FEDERAL Essa variedade de teologia também se chama Teologia dos Pactos. Ver sobre Pactos. Teologia dos. A palavra "federal" refere-se a Adão como cabeça federal da raça humana perdida, ao mesmo tempo em que Cristo é o cabeça federal da raça humana redimida. Tanto a condição de perdição como a condição de salvação são questões comunitárias e não somente questões individuais, embora, por outra parte, também sejam isso. Essa perspectiva teológica segue as descrições do capítulo quinze de I Coríntios e do capítulo cinco de Romanos: "Porque assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo" (I Cor. 15:22). Adão, como cabeça da raça humana fisica, aparece primeiro. E Jesus Cristo, como cabeça da raça humana espiritual, aparece em último lugar (ver I Cor. 15:45), embora também seja chamado de "segundo homem" (I Cor. 15:47). Ver o artigo separado sobre Dois Homens, Metáfora dos. Algumas Discussões Teológicas Sobre a Questão: 1. Sobre o Pecado Original. O pecado de Adão realmente foi a causa que levou todos os seus descendentes a tomarem-se pecadores? Alguns teólogos, como Pelágio (vide), têm negado isso, além de muitos pensadores arminianos. Alguns arminianos admitem a herança pecaminosa, mas não da culpa, argumentando que os homens devem levar, cada um, a sua própria culpa, por seus próprios atos. E alguns arminianos aceitam ambos os fatos, da herança pecaminosa e da culpa, derivadas de Adão. 2. Assim como há uma real imputação da culpa de Adão sobre os seus descendentes, assim também há uma real imputação da retidão, juntamente com o dom da vida eterna, por meio de Jesus Cristo. Adão não foi apenas um mau exemplo que influencia os seus descendentes para o erro; e nem Cristo foi meramente um bom exemplo da boa conduta, conforme alguns têm argumentado. 3. Extensão da Imputação da Retidão. Os universalistas têm argumentado que visto que a imputação do pecado e da culpa, por meio de Adão, foi universal, assim também deveria ser no caso da imputação da retidão, por meio de Cristo, sob pena da analogia ser quebrada. Outros, porém, afirmam que o potencial disso é universal, mas não a sua aplicação. Mas, esta última posição quebra a analogia, e desagrada aos universalistas. Porém, se admitirmos que a missão de Cristo afetará, afinal, todos os homens, conforme lemos em Efésios 1:9, 10, e que a sua descida ao Hades (ver I Ped. 3: 18 - 4:6) implica nesse fato, o que está vinculado à ascensão de Cristo, com esse mesmo propósito (ver Efé, 4:8 ss), então também teremos de supor que, pelo menos de maneira secundária, os perdidos sejam beneficiados pela missão de Cristo. Isso significaria que os perdidos obterão, por assim dizer, uma glória secundária, embora não a vida divina (a participação na natureza divina), conferida aos eleitos. Mesmo assim, o fato de que a missão de Cristo beneficia a todos os homens, significa que a imputação da retidão é universal, embora aplicada em diferentes graus. De acordo com essa linha de raciocínio, o próprio julgamento divino deve ser visto como remedial, e não apenas como retributivo. É precisamente o que afirma o trecho de I Pedro 4:6. Ver o artigo geral sobre a Restauração.

TEOLOGIA FORMAL E FUNDAMENTAL Ver Formal e Fundamental, Teologia. TEOLOGIA GERMÂNICA Alguém foi autor dessa obra do século XIV d.C., embora desconheçamos o seu nome. Trata-se de uma série de preleções dirigidas ajovens religiosos, por parte de um padre que era professor na Casa da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos de Frankfurt, Main, na Alemanha. Esses escritos são essencialmente morais e práticos, promovendo o crescimento espiritual, seguindo o exemplo de Jesus e recomendando "o caminho médio", ou seja, aquele entre a vida ativa e a vida religiosa contemplativa. Podemos classificar essa obra como de "misticismo prático", um tanto semelhante à filosofia dos Amigos de Deus (vide). Essa obra foi publicada pela primeira vez em 1516 (uma edição parcial). E então foi publicada em sua forma completa em 1518, por Martinho Lutero, que lhe deu o título pelo qual acabou sendo conhecida. Nada menos de vinte edições foram publicadas em alemão, além de muitas em francês e em latim, no século XVI. TEOLOGIA JOANINA Ver João Apóstolo, Teologia (Ensinos) de. TEOLOGIA LUDENSIANA Ver sobre Lund, Teologia de. TEOLOGIA MíSTICA Ver o artigo geral sobre o Misticismo, que é bastante detalhado. A expressão teologia mística é usada para indicar a atividade de descrever, analisar e sistematizar as experiências misticas. Os informes obtidos pelas experiências místicas formam a substância sujeitada à sua análise. Essa expressão foi usada, pela primeira vez, por Dionísio, o Areopagita, (vide), no século VI d.C., em sua obra, Teologia Mistica. Para ele, o ponto da questão era conhecer a Deus através de experiências místicas. Teresa de Avila usava a expressão por semelhante modo, conforme se vê no décimo capítulo de seu livro, Vida. Ali afirma ela: "Esse senso da presença de Deus possibilitou-me a não duvidar que Ele estava em meu interior. Acredito que a isso se denomina teologia mística". A expressão, pois, é usada em contraste com a teologia ética e com a teologia dogmática. TEOLOGIA MORAL No seu sentido mais lato, essa teologia é o estudo da conduta humana, em relação aos preceitos da crença teológica. A expressão é um sinônimo virtual da ética cristã, visto que, nessa forma, as proposições teológicas são naturalmente importantes como base e norma da conduta ética. Segundo o uso moderno, contudo, a teologia moral é separada da ética cristã. O caráter distinto da teologia moral foi expresso por K.E. Kirk como segue: "A teologia moral preocupa-se não tanto com os mais elevados padrões da conduta cristã (o que talvez seja a província da ética cristã), mas com o padrão minimo a que essa conduta deve atingir, se tiver de ser julgada como digna do nome cristão" (Study of Theology, pág. 363). A lei canônica surgiu a fim de prover os padrões básicos dessa conduta. Elementos da Teologia Moral. Os principais elementos são como a vontade divina relaciona-se ao homem no tocante à conduta ideal; com a chamada lei eterna; com a lei natural e com outras leis que os homens observam;

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TEOLOGIA NATURAL - TEOLOGIA REVELADA prioridade é dada à vida espiritual pessoal do indivíduo que está sendo treinado; ao seu treinamento nas Sagradas Escrituras; ao desenvolvimento da sua sensibilidade às necessidades das pessoas; às habilidades com as quais poderá servir bem ao próximo; ao lado prático do ministério para com os enfermos e outros, em cooperação com agências sociais e governamentais; à efetivação de cultos normais e especiais, como a ministração de ordenanças, casamentos, funerais, etc. Além disso, a arte de pregar (Homilética, vide) é um aspecto importante desse treinamento. Há publicações evangélicas especializadas que servem de manuais quanto a essa questão. Uma delas é o Baker's Dictionary ofPractical Theology. As seções dessa obra, que sugerem coisas importantes para a teologia pastoral, são: Pregação; Homilética; Hermenêutica; Evangelismo-Missões; Aconselhamento; Administração; Trabalhos Pastorais; Mordomia; Adoração; Educação Cristã.

com o destino do homem no tocante às leis e propósitos divinos; com o comportamento humano em relação à lei divina; com o estudo de casos (casuística), com suas várias teorias acerca do que deveria ser abordado.

TEOLOGIA NATURAL Essa expressão é usada para contrastar com aquela outra, teologia revelada (vide). A teologia natural alicerça-se sobre a razão e sobre aquilo que pode ser deduzido da Natureza, sem qualquer intervenção direta do poder divino, quando formula seus pontos de vista. Destarte, a razão e a observação substituem a revelação, sendo esta última a base da teologia revelada. Esse conceito adquiriu proeminência especial nos séculos XVII e XVIII. Isso não significa, todavia, que os seus defensores estivessem rejeitando necessariamente as reivindicações da teologia revelada. Alguns as rejeitavam, mas outros não. William Paley, por exemplo, deu muita importância à teologia natural, como em seu famoso argumento em prol da existência de Deus, com base na analogia do relógio. O artigo intitulado Relógio apresenta seu argumento de forma completa. Contudo, Paley era um clérigo inglês que não rejeitava a fé revelada. Seja como for, sua obra, de nome Teologia Natural, chegou a exercer considerável influência. No primeiro capítulo da epístola aos Romanos, encontramos alguma exposição da teologia natural. O apóstolo Paulo partia do pressuposto de que há uma adequada revelação de Deus, na Natureza, de tal modo que os pagãos ficam sem desculpas quanto às perversões que costumam amontoar para si mesmos, nos terrenos da idolatria e da imoralidade. Fica entendido que a Natureza apresenta uma espécie de lei moral que pode ser entendida pelo homem, intuitiva e racionalmente. Paulo usa um argumento parecido com esse, no segundo capítulo de sua epístola aos Romanos. Agostinho pensava que não há tal coisa como um conhecimento não-revelado de Deus (uma teologia natural insuficiente, abrindo caminho para a teologia revelada); mas Tomás de Aquino estabeleceu certa distinção entre essas duas modalidades de teologia, dando o devido valor à teologia natural. Podemos inferir certas coisas acerca de Deus, de sua existência, de sua natureza, de seus requisitos, tudo com base pura naquilo que podemos observar na Natureza, talvez com alguma ajuda dos nossos poderes intuitivos. Todavia, não há que negar que é a revelação divina que nos fornece conhecimento sobre os mistérios cristãos, a distintiva fé cristã. A palavra natural foi usada por Platão, e pelos filósofos estóicos em alusão às coisas que estão sujeitas aos poderes racionais do homem, e essa foi a idéia aproveitada e desenvolvida pelos teólogos cristãos. A Natureza obedece aos ditames da Razão Divina (o Logos), ou seja, está sujeita aos poderes racionais do homem. A Natureza reflete a Razão, e o ser humano tem afinidade com essa razão. TEOLOGIA NEGATIVA Ver sobre o Pseudo -Dionisto, primeiro ponto, e Via Negationis.

TEOLOGIA PASTORAL A teologia pastoral também é conhecida como pastoralia, o seu nome técnico, derivado do latim. Trata-se de um dos ramos da educação teológica que se preocupa com os labores pastorais teóricos e práticos. Varia consideravelmente, dependendo de cada denominação ou instituição de ensino teológico. A

TEOLOGIA PAULINA Ver o artigo geral sobre Paulo, que oferece uma revisão das mais importantes doutrinas paulinas, com lista detalhada de títulos de artigos que desenvolvem os temas paulinos mais destacados. TEOLOGIA PRÁTICA Esse termo designa formalmente aquela parte da educação teológica que inclui disciplinas como a homilética, a adoração, os cuidados pastorais, a administração eclesiástica, o governo eclesiástico, as boas obras de todas as variedades, das quais a Igreja cristã ocupa-se, e como um ministro pode mostrar-se eficaz na promoção dessas atividades. Informalmente, o termo refere-se ao lado prático da fé e da prática religiosa, em contraste com a dogmática. Ver o artigo chamado Religião Prática. TEOLOGIA RABÍNICA Ver o artigo geral sobre o Judaísmo. TEOLOGIA RADICAL Ver o artigo intitulado Morte de Deus, em sua quarta seção. TEOLOGIA REVELADA Essa expressão deve ser contrastada com aquela outra, teologia natural (vide). Quando um profeta recebe uma visão que serve de veículo de revelação, e cuja visão, subseqüentemente, vem a concretizar-se como parte de um livro sagrado, o que a preserva, então a teologia revelada está em operação. Por outra parte, quando os homens dependem das evidências colhidas da Natureza, mediante a razão ou a intuição, sem qualquer revelação do alto, temos aí a teologia natural. As duas expressões são contrastadas, mas não estão necessariamente em conflito. Os capítulos primeiro e segundo da epístola aos Romanos dão um certo espaço à teologia natural, mas a Bíblia favorece fortemente a teologia revelada, por ser aquela que leva os homens ao conhecimento da salvação, em Jesus Cristo, ao passo que a teologia natural só permite que os homens tomem consciência dos "atributos invisíveis" de Deus, como o seu eterno poder e a sua própria divindade, no dizer de Paulo (ver Rom. 1:20). Só a teologia revelada nos fala sobre o plano gracioso de salvação que Deus traçou em torno dá pessoa do Cristo, o Senhor Jesus. Isso demonstra a necessidade da revelação escrita, a Bíblia Sagrada.

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TEOLOGIA REVELADA - TEOLOGIA SISTEMÁTICA Esses dois aspectos da teologia - o aspecto natural e o aspecto revelado - complementam-se. Porém, há teólogos que distinguem radicalmente um aspecto do outro, chegando mesmo a negar qualquer validade à teologia natural. E que têm pouca confiança no poder revelador da Natureza, ou na capacidade da razão e da intuição humanas. Mas essa é uma posição tão extremada quanto à daqueles que não aceitam a revelação bíblica, pensando que basta a revelação natural. Entretanto, de acordo com o próprio ensinamento bíblico, cada um desses dois aspectos tem sua própria função e utilidade. A revelação natural torna os homens indesculpáveis diante de Deus, quando não admitem a sua existência e nem o glorificam como Deus (ver Rom. I :20,21). E a revelação bíblica conduz os homens daí por diante, conferindo-lhes o conhecimento da eterna salvação em Jesus Cristo. Os limites que os homens impõem ao conhecimento são os limites de suas próprias mentes, não sendo limites autênticos. Na vasta criação de Deus, há pleno espaço tanto para a teologia natural como para a teologia revelada, guardadas as devidas proporções e funções. TEOLOGIA SISTEMÁTICA Temos apresentado um bom número de artigos sobre vários tipos de teologia, nesta Enciclopédia, que o leitor deverá ter interesse em examinar. Alguns desses artigos estão diretamente relacionados à questão da "teologia sistemática": Ver, especialmente, os seguintes: Teologia; Teologia Blbltca; Dogmática; Teologia Dogmática. Esboço: I. Definição 11. Caracterização Geral III. Conteúdo IV.Esboço Histórico I. Definição O termo português teologia procede de duas palavras gregas, theôs, "Deus", e logia, "estudo", "conhecimento". Na filosofia, a teologia é um dos três ramos principais de estudo. Os outros são a antropologia (o estudo do homem) e a cosmologia (o estudo do Universo). A teologia é o estudo de Deus ou das realidades e forças divinas. Um sinônimo comum para "teologia sistemática" é dogmática, porquanto muitas teologias abordam a questão por meio dos dogmas eclesiásticos, que usualmente são aceitos como verdadeiros, sobre a base da autoridade bíblica, e não através de meios experimentais. Ver o artigo Dogma. "Literalmente, a teologia é um 'discurso sobre Deus', conforme o termo é usado, a crença acerca de Deus e outras crenças cognatas. A teologia sistemática diz respeito às crenças em uma apresentação lógica, em sua relação com o pensamento e a vida contemporâneos" (E). 11. Caracterização Geral As fontes informativas da teologia cristã são as Sagradas Escrituras, o testemunho cristão através dos séculos, e até os pronunciamentos dos concílios eclesiásticos. Além disso, devemos levar em conta o labor específico de teólogos que se tornam exímios intérpretes da doutrina cristã. As teologias sistemáticas conservadoras mais antigas pouco mais eram do que a teologia bíblica estruturada. A Strongs Systematic Theology (três volumes) contém vinte e sete páginas de referências bíblicas no seu índice, em quatro colunas, o que demonstra até que ponto a Bíblia influiu nessa obra, e como a interpretação da Bíblia é a essência mesma dessa obra teológica. E o indice de passagens bíblicas da Teologia Sistemática de Charles (autor presbiteriano, enquanto aquele citado antes foi batista)

cobre doze páginas, em quatro colunas, exibindo a mesma

ênfase. Mas alguns teólogos mais liberais, que apelam para as especulações, enfatizam menos a suprema autoridade da Bíblia, incluindo outras autoridades. Apesar disso, qualquer obra de teologia sistemática cristã depende pesadamente do texto biblico. Todavia, pelo menos uma parcela das obras mais liberais reinterpreta ou mesmo nega a autoridade da Bíblia, em certos lugares. As mentes seminais da teologia cristã foram os escritores sagrados do Novo Testamento. Mais especificamente ainda, a autoridade apostólica, ou mediante os próprios apóstolos, ou através de seus discípulos mais chegados. E verdade que os apóstolos não produziram teologias sistemáticas, mas suas produções literárias inspiradas prestam-se facilmente para elaboração de obras dessa natureza. Antes do Iluminismo (vide), os teólogos católicos e protestantes partiam do pressuposto de que as proposições das Escrituras fossem, coletivamente e em sua totalidade, uma revelação divina. A análise crítica, então, era empregada principalmente para arrumar essas proposições em sistemas aceitos, e não tanto para distinguir a verdade do erro, possivelmente existente nas Escrituras. Mas, desde o Iluminismo, tornou-se impossível para alguns teólogos considerar que a tarefa da teologia seja meramente a da sistematização das proposições bíblicas. E isso porque essas proposições, por úteis que sejam, dificilmente representam a totalidade da verdade de Deus. E alguns chegam a pensar que nem todas as proposições da Bíblia sejam expressões da verdade. Tudo isso tem suscitado intensos debates sobre questões como a inerrância ou infalibilidade da Bíblia. A julgar pelos argumentos dos teólogos, o conflito está longe de ficar resolvido. Parece tratar-se muito mais de uma questão de fé do que do alinhamento de argumentos pró e contra. Na exposição do assunto, nesta Enciclopédia, a questão tem sido ventilada a partir dos debates teológicos, sem se manifestar muito em prol desta ou daquela posição. A maciça obra de Karl Barth, Church Dogmatics, constitui a mais impressionante teologia sistemática desde a famosa obra de Calvino, Institutas da Religião Cristã. Embora a maioria dos teólogos atuais prefira o termo dogmática, uma notável exceção a isso é a obra de Paul Tillich (em três volumes), simplesmente intitulada Systematic Theology; em sua versão inglesa. Todavia, essa obra, embora retendo uma terminologia cristã tradicional, em vários casos ultrapassa o sentido normal dos vocábulos-chaves, para que signifiquem outras coisas. E assim uma visão da realidade é apresentada, a qual é bastante diferente da visão do cristianismo tradicional. 111. Conteúdo Alicerçando-nos na Teologia Sistemática de Strong (batista), e tendo em visão a brevidade, podemos dizer o seguinte: Primeiro Volume: Parte I - Itens Introdutórios: como definições iniciais, propósito, autoridade, fontes informativas da teologia; método de ensino da teologia; bibliografia. Parte II - Teologia Propriamente Dita. Existência de Deus: provas teológicas e filosóficas; idéias errôneas acerca de Deus. Parte III - Como as Escrituras revelam Deus; "provas" bíblicas; a inspiração das Escrituras; união de elementos divinos e humanos na revelação. Parte IV - Natureza, decretos e obras de Deus; atributos de Deus; a pessoa de Deus; doutrina da Trindade. Strong fez uma erudita apresentação, incluindo boa parcela de raciocínios filosóficos, o que não se dá com

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TEOLOGIA SISTEMÁTICA autores mais conservadores, que se prendem mais à Bíblia, que pouco exploram além daquilo que chamamos de verdadeira Teologia Bíblica (vide). Segundo Volume: Esse volume dá prosseguimento ao exame das obras de Deus, ou seja, a execução de seus decretos. Um completo estudo é apresentado quanto à definição e a doutrina da criação; teorias opostas e a doutrina bíblica são apresentadas com detalhes. Estão inclusas as doutrinas da preservação e da providência, no tocante à criação. A doutrina dos anjos dá-se bastante atenção, com um tratamento completo. Parte V - Antropologia, ou doutrina do homem. A "teologia" propriamente dita ficara concluída no primeiro volume. Temos aqui estudos sobre a criação do homem; a unidade da espécie humana; natureza essencial do homem; existência, natureza e sobrevivência da alma; a queda no pecado; como a queda relaciona-se à lei de Deus; a natureza do pecado; a universalidade do pecado; uma discussão sobre a relação entre Adão e o problema do pecado; conseqüências da queda; imputação do pecado de Adão; várias teorias de imputação, colhendo opiniões dos chamados pais da Igreja. Parte VI - Soteriologia, ou doutrina da salvação. Preparativos históricos; a missão de Cristo; a pessoa de Cristo; suas duas naturezas; seus estados; seus oficios; teorias de expiação; obra intercessória de Cristo; o oficio de Cristo como Rei. Terceiro Volume: Prosseguem os estudos sobre a relação entre o homem e as missões de Cristo; a reconciliação; a eleição; a chamada; a união com Cristo; a regeneração; a conversão; a justificação; a santificação; a perseverança e a preservação. Parte VII - Eclesiologia, ou doutrina da Igreja; definições; organização; governo eclesiástico; oficios ministeriais; disciplina eclesiástica; relações entre as igrejas locais; ordenanças, cada uma delas explicada por sua vez. Parte VIII- Escatologia, ou doutrina das coisasfinais: a morte física; o estado intermediário; a parousia; a ressurreição; o julgamento final; estado final de justos e injustos. Seguem-se então elaborados índices: de assuntos; de autores; de textos bíblicos; de textos apócrifos; de vocábulos gregos e hebraicos. A orientação é bíblica do começo ao fim da obra, mas há muitas citações que apresentam um amplo leque de idéias e interpretações. Alguns eruditos menores são apenas bíblicos, faltando-lhes a profundidade de erudição e de lastro formativo que Strong exibe. Contudo, este tradutor sente que a teologia de Strong, que reputa muito boa, não tem qualquer tratamento separado sobre o Reino de Deus; um capítulo que deveria ter sido encaixado entre a eclesiologia e a escatologia, porquanto a escatologia trata das predições bíblicas que mostram como o reino de Deus haverá de tomar-se uma realidade palpável. Isso posto, ela precisa ser complementada. Aliás, esse silêncio é típico de muitas teologias sistemáticas. I\-: Esboço Histórico I. A Base. As Escrituras do Antigo e do Novo Testamento são as principais fontes informativas e de autoridade, embora parte do Antigo Testamento tenha sido anulado pelo Novo (sua legislação ritual). 2. A Autoridade Apostólica. Reveste-se de suprema importância para a teologia sistemática. Não obstante, o Novo Testamento inclui alguns escritos não-apostólicos,

como a epístola aos Hebreus (e talvez o evangelho de Marcos, se é que o mesmo não reflete o parecer do apóstolo Pedro), que não se originaram diretamente de algum apóstolo de Cristo. 3. As Declarações de Cristo. Formam o alicerce da autoridade apostólica. A vida de Cristo dá sentido à teologia, e não somente sua morte e ressurreição. Ele foi um exemplo vivo da verdade divina, e sua natureza e vida são oferecidas aos homens (ver II Ped. 1:4; Rom. 8:29; 11 Cor. 3: 18), O que empresta à teologia uma importância vital. Não se trata meramente de um "estudo acerca de" alguma coisa; também é um poder transformador que faz os remidos tomarem-se dignos membros da família divina. 4. Os Pais da Igreja. Não demorou muito para que o cristianismo primitivo tomasse alvo dos ataques dos poderes e religiões pagãos. Vários dos pais da Igreja tiveram de ser defensores da doutrina e tomaram-se cristãos apologistas. Obras como ade Irineu (Adversas Haereses), de Tertuliano (De Praescriptione Haereticorum) e a de Orígenes (Contra Celsum) foram antigas teologias que procuraram defender o cristianismo, embora tais obras não deixassem de ser maculadas por alguns erros. De resto, toda teologia arquitetada pelo homem erra, nem que seja por omissão. Certa obra de Orígenes, De Principiis, é considerada a primeira verdadeira teologia sistemática da Igreja cristã. 5. No Oriente, além de Irineu e Orígenes, outros nomes importantes de homens que escreveram obras teológicas são Atanásio (escola de Antioquia), os dois capadócios e, então, João Damasceno (já no século VIII d.C.). 6. No Ocidente, os grandes nomes da teologia foram Agostinho, Anselmo e Tomás de Aquino. Apesar de que todos esses foram filósofos, tendo atuado como tais, a Bíblia, ainda assim, para eles era a principal fonte da teologia. A filosofia foi usada por eles como criada da teologia, principalmente como modo de expressão, ou então para exame de pontos de vista alternativos. "Os conceitos de Platão (neoplatonismo) e de Aristóteles jazem lado a lado com as crenças e as metáforas escriturísticas, formando uma maciça concórdia da Razão com a Fé" (E). A Summa Theologica, de Tomás de Aquino, é uma obra imortal. 7. A Reforma Protestante. Esta renovou uma teologia mais bibliocêntrica, tendo repelido um uso excessivo do raciocínio filosófico, com todas as suas influências obscurecedoras. Lutero e Calvino foram grandes mentes teológicas. As Institutas, de Calvino, foram a maior teologia sistemática da sua época, apesar de alguns pontos de vista rígidos e exagerados. As igrejas reformadas, pois, desenvolveram-se dentro da atmosfera da teologia bíblica. 8. A Renascença eclipsou para muitos a teologia, provocando vastas mudanças nas idéias, e a razão pura, o materialismo e o ceticismo obtiveram importantes vitórias. Até mesmo nos círculos religiosos, a filosofia e a psicologia da religião recebiam maior atenção do que a própria teologia. O espírito científico destronou a rainha das ciências (a teologia). 9. No século XIX a teologia retomou triunfalmente, através de Schleiennacher e Ritschl, embora não em seu sentido fundarnen-talista. O liberalismo germânico alterou a fisionomia da teologia, excetuando no caso dos eruditos mais conservadores. Karl Barth, já em nosso século XX, reagiu contra os abusos do liberalismo, do que resultou a sua neo-ortodoxia (vide). De acordo com essa última posição, a Bíblia continua desempenhando papel central, mas não deixada sem um exame crítico. Contudo, Karl Barth guindou a fé a uma posição suprema. Bibliografia. AM B BART C CHA E ST

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TEONOMIA - TEOSOFIA TEONOMIA Vocábulo português proveniente do grego, theôs, "Deus", e nomos, "lei". Essa palavra indica que os padrões morais dependem da vontade divina, expressa nas leis por Deus instituídas, e não daquilo que os homens vão experimentando em sua vivência diária. A teonomia fala sobre uma ética absoluta, com padrões absolutos, em contraste com as éticas empírica e pragmática, como se dá nos casos do utilitarismo e do pragmatismo. O termo também faz contraste com o vocábulo "autonomia", que dá a entender, entre outras coisas, que um homem impõe a si mesmo as suas próprias regras; e com o vocábulo "heteronornia", onde leis alheias são impostas a alguém. Qualquer sistema ético pode incluir, legitimamente, essas formas, pelo menos até certo ponto. Nem tudo quanto um homem faz requer o apoio da vontade divina expressa Há muitas coisas que se revestem de natureza meramente pragmática ou convencional. Porém, certas leis nos são transmitidas mediante a vontade de Deus, e essas devem ser consideradas absolutas. Ver o artigo geral Ética. TEORIA CAUSAL DA PERCEPÇÃO Essa é a idéia de que apesar de nunca podermos familiarizar-nos diretamente com mais do que o mero véu das aparências, as coisas materiais, a despeito disso, podem ser conhecidas conforme as concebemos hipoteticamente como causas dos informes dados pelos nossos sentidos. Alguns, ao darem um sentido mais positivo a essa teoria, simplesmente asseveram que as coisas materiais são as causas de nossa percepção, e que, através de nossos sentidos físicos, entramos em contacto direto com as coisas materiais e com os eventos, sem interferências ilusórias. TEORIA DO CONHECIMENTO Em inglês, a teoria do conhecimento chama-se epistemology, "epistemologia"; em português, essa palavra alude à teoria do conhecimento científico e, quanto à teoria do conhecimento em geral, é empregada a palavra gnosiologia. Ver o artigo detalhado intitulado Conhecimento e a Fé Religiosa, O. Ver também sobre Epistemologia (Gnosiologia), que é um dos seis sistemas tradicionais da Filosofia (vide). Outros artigos de interesse em relação à teoria do conhecimento, são Conhecimento e a Ética,O; Conhecimento, Conhecer; Conhecimento Espiritual e Conhecendo a Deus. TEORIA PRAGMÁTICA DA VERDADE Ver o artigo geral chamado Conhecimento e a Fé Religiosa.O, seção 11. Teorias da Verdade: Critérios, ponto décimo primeiro, Pragmatismo. Ver também o artigo geral sobre o Pragmatismo. TEORIA REPRESENTATIVA DAS IDÉIAS (REPRESENTACIONALISMO) Essa é a noção de que a mente só pode conhecer a realidade através da mediação das idéias, e não mediante a direta apreensão por meio dos sentidos. Essa posição tem sido exposta, de diversas maneiras, por Descartes, Malebranche, Hobbes, Locke, Berkeley e os realistas críticos. TEORIAS DA VERDADE Ver o artigo Conhecimento e a Fé Religiosa, O, em sua segunda seção, Teorias da Verdade, onde aparecem treze dessas teorias.

TEOSOFIA Termo que vem do grego, theõn, "Deus" e sóphos, "sabedoria". Quando é aplicado frouxamente, esse termo pode referir-se a qualquer sistema de pensamento que se afirme possuidor da sabedoria divina. Porém, o uso especializado do termo está associado à Sociedade Teosôfica, fundada em 1875 pela madame russa Blavatsky. Tal como no caso de várias seitas, essa sociedade afirma-se possuidora de uma "antiga sabedoria", derivada de dimensões espirituais e dos avatares (vide). Idéias: I. A revelação divina é um fato, e há agentes especiais da mesma. 2. A realidade é uma só. E esse Um é a fonte originária de toda a existência, estando envolvido em processos cíclicos de emanação e de evolução espiritual. 3. A salvação humana pode ser adquirida mediante a disciplina, a resignação, a purgação e a evolução, enquanto o homem vai subindo pelos vários níveis da existência O homem seria ajudado pelo mundo dos espíritos, e pelos mensageiros divinos enviados da parte daquele mundo. Mestres especiais reencarnam-se, porquanto a reencarnação (vide) é um elemento essencial dos ensinamentos da Sociedade Teosófica. 4. A realidade é uma presença viva, embora possa parecer, para nós, como algo material e espiritual. Naturalmente, temos aí uma forma de panteísmo (vide). 5. Há uma forte ênfase sobre a idéia de fraternidade, bem como o desejo de unificar, finalmente, todas as fés religiosas. 6. A tolerância para com todos é encorajada, incluindo os intolerantes. Todas as religiões são ali tidas como expressões da sabedoria divina, embora não, necessariamente, na mesma pureza e intensidade. 7. É preciso remover a ignorância, e não puni-Ia, sendo essa a idéia básica sobre a qual se alicerça o espírito de tolerância. Todas as religiões merecem ser investigadas, porquanto podemos encontrar nelas elementos úteis, que podem ter sido olvidados em nossos próprios sistemas. 8. Paz é a palavra-chave deles, e verdade é o seu alvo. 9. Todas as almas estão identificadas com a Sobre-Alma Universal, que seria um aspecto da Raiz Desconhecida. A alma seria uma fagulha da grande Sobre-Alma, e acha-se em peregrinação. 10. A lei do karma governaria a peregrinação de todas as almas, as quais passariam por muitas reencarnações, em sua inquirição pela verdade. 11. homem é imortal, e o seu futuro não tem limites quanto ao seu resplendor. Experiências alternadas de prazer e de dor são úteis para a evolução espiritual. A sabedoria brilha através das experiências humanas, conduzindo o indivíduo em sua ascensão para novas alturas. A reencarnação e o karma garantiriam a obtenção da sabedoria, ainda que, no caso de alguns, isso possa envolver um tempo muito longo. 12. Os adeptos ou mestres são indivíduos aperfeiçoados que atingiram um elevado grau de sabedoria. Algumas vezes reencamam-se a fim de serem líderes espirituais; e sobre eles pesa a responsabilidade de ensinarem àqueles cujas realizações não são tão altas. Esses mestres deixaram para trás o ciclo das reencarnações, em seu desenvolvimento espiritual; mas reencarnam-se a fim de ajudar a outras pessoas. Em espírito, formam uma grande irmandade; e alguns poucos dentre eles reencarnam-se, mui ocasionalmente, a fim de ajudar a outras pessoas, com missões especiais. Os mestres (não reencarnados) também têm missões celestes, e podem ser contatados mediante

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TEOSOFIA - TERAFINS experiências místicas, por meio das quais podem dar instruções, inteiramente à parte de sua aparição pessoal entre os homens, mediante vidas encarnadas. 13. O Lagos em suas manifestações. Haveria três logoi ou manifestações do Logos: O Primeiro Lagos seria a raiz de todo o ser; o Segundo Lagos manifesta-se mediante a aparente dualidade que conhecemos, formada por espírito e matéria (esses são os dois pólos da existência que governam nossa atual experiência de vida); e o Terceiro Logos é a Mente Universal, a fonte do ser, conforme o conhecemos, e na qual existem todas as coisas, arquetipamente falando. A Sociedade Teosófica tem sido organizada em mais de cinqüenta países. Pessoas de outras religiões com freqüência pertencem a essa sociedade, aumentando ass im o número de seus membros. Casas publicadoras e bibliotecas são importantes aspectos de sua expressão. História Antiga da Palavra "Teosofia Foi Amônia Saccas quem cunhou o termo teosofia, a fim de exprimir certos sistemas de pensamento provenientes do Oriente, e que frisavam os poderes psíquicos. Madame B1avatsky (Helena Petrovna B1avatsky) tomou a palavra por empréstimo. A mais notável líder norte-americana da Sociedade Teosófica tem sido Annie Besant. Madarne Blavatsky. Suas datas foram 1831-1891. Seu nome original era Helena von Hahn. Nasceu em Dnepropetrovsk, na Rússia. Por um tempo, foi espírita. Esteve nos Estados Unidos da América em 1873. Fundou a Sociedade Teosófica em 1875. Naturalizou-se cidadã norte-americana. Foi à India e estudou com mestres do Hinduísmo. Naquele país, em Madras, estabeleceu um centro teosófico, que foi muito influenciado pelas doutrinas esotéricas do budismo e do hinduísmo, combatendo o ceticismo e o materialismo. Tomou-se conhecida por causa dos fenômenos paranormais que ocorriam em sua presença, mas assumia a atitude budista diante dos mesmos, ou seja, que tais fenômenos não devem ser enfatizados. Já há muito misticismo barato neste mundo, e muitas pessoas andam à cata de sinais, que aceitam, equivocadamente, como a substância mesma da fé religiosa. Ela escreveu vários livros: Isís Unve iled.: The Key /0 Theosophy; The Voice ofSilence e The Secret Doctrine. Essas obras sempre tiveram larga distribuição. Madame Blavatsky faleceu em Londres, Inglaterra, a 8 de maio de 1891. li.

TEQUEL Ver sobre Mene, Mene, Tequel, Ufarsim, TERÁ No hebraico, "giro", "duração" ou "vagueação", na Septuaginta, Thárra. Terá era o pai de Abraão (Gên. II :24-32). Em adição à alusão a Terá, no livro de Josué (24:2), ele aparece nas listas genealógicas de I Crônicas I: 26 e de Lucas 3 :34. Além disso, Estêvão refere-se ao pai de Abraão, em Atos 7:2. Terá teve três filhos, que, no livro de Gênesis são chamados de Abrão, Naor e Harã, Isso corresponde à época em que Terá vivia em Ur, uma cidade que a maioria dos eruditos modernos identifica como AI-Muqayyar, no curso inferior do rio Eufrates, já próximo do golfo Pérsico. De Ur, pois, Terá migrou para o norte, cerca de oitocentos quilômetros, ao longo do rio Eufrates, até a cidade de Harã, local izada cerca de quatrocentos e quarenta quilometros a nordeste de Damasco. Embora o nome de Abraão ocorra em primeiro lugar, não se deve concluir daí que, necessariamente, ele fosse o filho mais velho de Terá. E possível que Harã, que morreu

antes da família ter-se mudado mais para o norte, tivesse sido o filho mais velho. Foi o filho de Harã, Ló, quem finalmente, acompanhou Abraão até à Palestina. De acordo com o trecho de Josué 24:2,15, Terá era idólatra. A principal divindade adorada em Ur era Nannar (em semítico, Sin). E isso também acontecia na cidade de Harã, durante os dias de Terá. Talvez por esse motivo, igualmente, foi que o Senhor, quando quis conceder a Abraão experiências espirituais, recomendou-lhe: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação..." (Gên. 12:1,2). Isso precipitou a formação do povo de Israel, cuja finalidade principal foi servir de berço para o Messias. " ...deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém" (Rom. 9:5). A graça de Deus operou toda essa transformação, desde o idólatra Terá até o próprio Filho de Deus humanizado, o Salvador do mundo. TERAFINS Ver também Serafins (Terafins). Há várias opiniões quanto ao significado dessa palavra, desde "nutridores" até "coisas vis". Por esse motivo, alguns estudiosos preferem pensar que o termo é de sentido incerto. O que é certo é que os "terafins" eram ídolos domésticos, que iam desde aqueles de pequenas dimensões (Gên. 31 :34,35), até aqueles de tamanho quase natural (I Sam. 19: 13,16). Recentes descobertas arqueológicas, feitas em Nuzi, no Iraque, têm iluminado a função e a significação desses ídolos. A posse de um terafim indicava quem era o líder da família, com todos os direitos dai provenientes. Quando Raquel furtou os terafins de seu pai (ver Gên. 31: 19), isso foi uma tentativa que ela fez de conseguir tal liderança, para seu marido, Jacó, embora tal direito pertencesse por direito, aos irmãos dela. A irritação de Labão, pois, fica esclarecida por meio desse detalhe. Ao que parece, durante grande parte de sua história os israelitas não pensavam que a possessão de tais ídolos era incoerente com a adoração a Yahweh, cf Juí. 17,18, mas, especialmente, o trecho de I Sam. 19:13,16, onde se aprende que havia terafins até mesmo na casa de Davi. Foi a partir da época de Samuel (ver I Sam. 15:23), e daí até os dias de Zacarias (ver Zac. 10: 2), que os terafins começaram a ser desaprovados. A função dos terafins que os profetas mais combatiam era a função da adivinhação. Nessa qualidade de objetos de adivinhação, os terafins são freqüentemente mencionados juntamente com estolas sacerdotais, também usadas nas adivinhações (Juí. 17 e 18; onde parecem ser objetos separados dos ídolos; e também Osé, 14). Entre as coisas e as atividades que foram expurgadas durante a reforma instituída por Josias, parece que os terafins foram reunidos juntamente com os médiuns e os bruxos. Lemos que o rei da Babilônia costumava consultá-los (Eze. 21 :21), mas o profeta Zacarias declarou que eles eram faladores de "causas vãs". Nessa passagem do livro de Ezequiel, novamente vemos a designação "ídolos do lar". Oséias referiu-se, esperançoso, ao tempo futuro quando Israel, dependendo totalmente de Deus, será capaz de viver sem apelar para os terafins (Osé, 14). Alguns estudiosos têm sugerido que a função de adivinhação dos ídolos do lar talvez explique o uso obscuro da palavra hebraica elohim, que pode ser compreendida como "Deus" ou como "deuses", em Êxodo 21 :6 e 22: 7-10. Ver também sobre a Idolatria.

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TERAPEUTAS - TERCEIRO CÉU TERAPEUTAS Essa palavra portuguesa, diretamente derivada do grego, significa "curadores", mas também "servos" e "adoradores". Refere-se a uma seita monástica que existia quando o cristianismo veio à existência. Todavia, não se conhece a sua origem, e nem há qualquer registro histórico acerca de seu desaparecimento. Nossa fonte informativa sobre os terapeutas são os escritos de Filo. Ele descreve-os em sua obra A Vida Contemplativa. A seita contava com seguidores de ambos os sexos. Eles consagravam-se individualmente à contemplação, às orações, à adoração e a ritos diversos, e só se reuniam aos sábados; mas também tinham uma convocação de noite inteira a cada cinqüenta dias, onde havia um sermão, uma refeição comunal, cânticos e danças corais. Parecem ter sido uma expressão estranha do judaísmo helenista. Não tinham nenhuma conexão com os essênios (vide), outra seita judaica monástica que também já existia quando o cristianismo teve começo. Eusébio classificava-os como antigos convertidos cristãos. Talvez alguns deles o fossem, mas seus argumentos em favor dessa classificação geral não têm conseguido impressionar aos historiadores. E alguns deles têm pensado que a obra intitulada A Vida Contemplativa não foi obra autêntica de Filo, e, sim, de data posterior; mas também tem havido aqueles que defendem vigorosamente a autoria filônica. Seja como for, naquela obra Filo elogia aos terapeutas por suas vidas santas e devotadas. Talvez devamos entender o título grego dessa seita como "adoradores". TERCEIRO CÉU Paulo foi ao terceiro céu, 11 Coríntios 12:2. Intensa discussão se centraliza em torno dessa questão, principalmente porque, no cristianismo moderno, na maior parte das secções da Igreja, a "multiplicidade" de céus foi eliminada pela teologia dogmática, bem como pela versão popular dos lugares celestiais. Por conseguinte, na opinião do cristianismo moderno, em sua quase totalidade, não pode haver qualquer "terceiro céu", como se o céu fosse realmente "céus", isto é, uma série de gradações de esferas ou mansões espirituais. Para um judeu, entretanto, não existia esse problema, porquanto os judeus, tradicionalmente, falavam em sete céus, conforme se pode atestar em muitos trechos da literatura rabínica, num conceito igualmente aceito pelo islamismo (ver o Alcorão, Sura ixvii), Entre os intérpretes cristãos, Grotius sugeria que os três céus subentendidos em II Cor. 12:2 fossem a atmosfera terrestre, as estrelas e a habitação de Deus, na porção mais elevada. Depois dele, sem investigarem se assim realmente diziam as idéias judaicas, vários outros estudiosos têm aceito tal pensamento. Na realidade, porém, nos escritosjudaicos não há nenhuma evidência clara em favor disso. John Gill (em II Cor. 12:2) menciona duas referências que poderiam ser assim interpretadas (Targum sobre II Crô. 6: 18); mas essas referências são bastante obscuras, ao passo que aquelas que se referem a "sete" céus são tão claras quanto numerosas. Isso é admitido e demonstrado por virtualmente todos os intérpretes, sobre a passagem de 11 Cor. 12:2. Assim é que Bernard (in loe.) comenta: " ...tem sido motivo de disputas se as escolas rabínicas reconheciam sete céus ou apenas três. Entretanto, é questão atualmente bem resolvida que, em comum com outros povos antigos (como, por exemplo, os persas, e, talvez, os babilônicos), osjudeus reconheciam a existência de sete céus. Esse ponto de vista não somente aparece na literatura pseudepígrafe, mas igualmente nos escritos de alguns dos pais da Igreja, como, por exemplo, Clemente

de Alexandria. Sua exposição mais detalhada se encontra no Livro dos Segredos de Enoque, um apocalipse judaico escrito em grego, no primeiro século de nossa era (e que atualmente só resta na versão eslavônica), No oitavo capítulo dessa citada obra, descobrimos que o paraíso é explicitamente situado no "terceiro céu', que é o ponto de vista aqui reconhecido pelo apóstolo Paulo" (ver II Cor. 12:4). O terceiro céu, apesar de aparecer como lugar elevadíssimo, não é visto neste texto como o lugar do trono de Deus, embora muitos cristãos modernos gostassem de pensar que o presente texto diz exatamente isso, simplesmente por causa da noção de que céus múltiplos não é familiar a seus ouvidos. Na realidade, porém, aqueles mais familiarizados com os conceitos do N.T. não deveriam estranhar isso, porquanto o próprio Senhor Jesus falou sobre habitações, subentendendo muitas esferas da existência espiritual. (Ver João 14:2). Também se pode notar que Paulo não fala de um céu, no singular, em seus escritos ordinários, e, sim, sobre os "céus", quando descreve a habitação dos crentes. A expressão usualmente empregada por ele é "lugares celestiais". (Ver as notas expositivas a esse respeito, em Efé, 1:3 no NTI). E quando Paulo usava a palavra "céu", no singular, se referia ao reino celestial, como uma unidade. Por semelhante modo, nas páginas do AT encontramos o termo tanto no singular como no plural. O templo terreno seguiu por modelo aquele santuário existente nos céus. (Ver Heb. 9:23,24). Podemos observar, no vigésimo terceiro versículo dessa mencionada passagem, que os céus serão purificados. Cristo ascendeu a Deus Pai. Ele entrou no "templo celestial", tendo atravessado as várias esferas inferiores, e assim Se assentou à mão direita de Deus Pai, no Santo dos Santos celestial. Esse trecho bíblico parece ensinar-nos que existem vários níveis ou esferas de habitações celestes, tal como o templo de Jerusalém estava dividido no átrio dos gentios, no átrio das mulheres, no Santo Lugar e no Santo dos Santos. Todo esse conjunto, entretanto, compunha a casa de Deus, sua habitação terrena, embora nem todas essas porções tivessem a mesma glória ou os mesmos propósitos. Esse ensinamento baseado no "tipo simbólico" subentende um céu dividido em vários níveis. E a objeção a esse conceito é de natureza essencialmente emocional, porquanto sugere que nem todos os crentes ficarão na presença imediata de Deus, em seu Lugar Santo, embora fiquem em sua "casa", em seu "templo". Na simplicidade moderna da doutrina cristã, a possibilidade de que os galardões envolvam esferas de existência tem sido ignorada; todavia, isso era comum na teologia judaica, tendo sido sustentada por diversos intérpretes primitivos, no próprio cristianismo, como Clemente e os pais alexandrinos da Igreja, além de Lange e outros comentadores notáveis de tempos mais recentes. "Estar com Cristo" significa estar nos lugares celestiais, em sua habitação, aos cujos níveis temos acesso; não significa, necessariamente, viver a um quarteirão de distância de Cristo. Paulo gravitou ao "terceiro céu", até onde sua alma pôde subir, de conformidade com seu grau de desenvolvimento e transformação, segundo a imagem de Cristo. E inútil imaginarmos que a maioria dos crentes gravitará até aquele lugar de glória. Aquele é também um lugar onde Cristo se encontra, pois os "céus" inteiros são sua morada. Alguns dos pais da Igreja viam a necessidade de certas diferenças nos corpos ressurrectos dos santos, o que lhes possibilitaria habitar em níveis mais baixos ou mais

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TERCEIRO CÉU - TERESA e cinqüenta Ave-Marias. A prática de repetir orações, expressada pelo verbo "rezar", vem desde o século IV d.C. Sozomem menciona o eremita Paulo, do século IV d.C., que lançava uma pedrinha ao chão, cada vez em que recitava cada uma de suas trezentas rezas diárias. Não se sabe com certeza quando a ajuda mecânica do rosário teve começo. Tomás de Cantimoré, que escreveu em meados do século XllI d.C., foi o primeiro a usar a palavra "rosário", em alusão ao suposto jardim de rosas de Maria. Ficar multiplicando rezas é característico do paganismo. Em certos países do Oriente existe uma roda das rezas que facilita tudo. O fiel nem precisa repetir as orações. Basta girar a roda por muitas vezes! (Yér Roda de Orações). Como é evidente, o espírito do cristianismo primitivo não tolera a prática. Ensinou Jesus: "E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que, pelo seu muito falar, serão ouvidos" (Mat. 6:7).

elevados das esferas celestiais; e é bem provável que essa seja uma maneira certa de pensar. O certo é que nos céus jamais haverá qualquer estagnação, pois a grande inquirição de sermos transformados na imagem de Cristo é uma busca eterna, que sobe de glória em glória, até que os remidos cheguem à perfeição de Deus Pai, com a participação na natureza divina, conforme vemos claramente ensinado no trecho de 11 Ped. 1:4. As obras de Deus jamais poderão sofrer estagnação. Isso é contrário à própria natureza de Deus. Por conseguinte, estaremos perenemente crescendo na direção de suas perfeições, participando positivamente de sua bondade, de seu amor, de sua justiça, etc., todas elas virtudes positivas. Nosso aperfeiçoamento não consistirá apenas em nos transformarmos em seres impecáveis, porque isso é apenas o passo inicial que nos permitirá entrar nas esferas da glória. Naturalmente, em tudo isso, não devemos imaginar a existência de sete esferas reais. Esse é apenas um número usado para indicar multiplicidade e gradação de glória, mas que deve incluir diferentes esferas. Na realidade, não sabemos quantas esferas celestiais existem, ainda que bem provavelmente sejam muito numerosas. E Cristo Jesus é o Senhor de todas elas, ficando bem sabido que o Senhor vive. Talvez o número "sete" fosse usado pelos rabinos como alusão às perfeições que imperavam no reino celestial. As Escrituras, contudo, apesar de indicarem multiplicidade de esferas, não determinam nenhum número especifico delas. Quanto à "pluralidade de céus", nas páginas do AT, provavelmente levou os rabinos a procurarem determinar certo número, que finalmente ficou firmado em "sete". Ver os trechos de Deut. 10: 14; 1 Reis 8: 27; Nee. 9:6; Sal. 68:33 e 148:4).

TEREBINTO Essa palavra aparece em Isaias 6: 13 e em Oséias 4: 13, como tradução do vocábulo hebraico al/on, o qual, em todas as suas outras ocorrências, é traduzido por "carvalho" (ver Gên. 35:8; Isa. 2:13; 44:14; Eze. 27:6; Amós 2:9 e Zac. 11:2). O nome cientifico da espécie é Pistacia terebinthus palaestina. É espécie bastante comum na Palestina, chegando até uma altura de dez metros. Alguns estudiosos têm pensado que o "vale de Elá" (Sam. 21:9), onde Davi matou o gigante Golias, seria recoberto de carvalhos, razão pela qual o gigante não conseguiu evitar a pedrada projetada pela funda brandida por Davi. Naturalmente, apesar disso ser possível, é apenas uma especulação. Talvez Golias não tivesse conseguido evitar a pedrada nem mesmo em campo aberto, em pleno meio-dia. Nossa versão portuguesa diz "terebinto", em Isaías 6: 13 e em Osé. 4: 13, onde outras versões dizem "carvalho". O mesmo se deveria fazer em Josué 24:26, onde a palavra é um cognato, mas lemos "carvalho", o que é uma discrepância. Uma outra palavra hebraica muito parecida é corretamente traduzida por "carvalho", nos trechos de Gên. 35:8; Isa. 2:13; Amós 2:9 e Zac. 11:2. A palavra hebraica traduzida corretamente como ''terebinto'' indica uma árvore de madeira dura. Presume-se que os israelitas ofereciam sacrifícios aos idolos sob árvores de terebinto porque elas projetavam uma sombra compacta, como se fosse um esconderijo.

TERCEIRO DIA, AO Ver Dia da Crucificação, ponto 9. TERCEIRO DIA, O DIA DA RESSURREiÇÃO Ver sobre Dia da Crucificação, Sexta-Feira, nono ponto. TÉRCIO No grego, Tértios. Essa palavra vem do latim, e significa "terceiro". O homem com esse nome é mencionado exclusivamente em Rom. 16.22. Ele foi o escriba ou amanuense para quem Paulo ditou a sua epístola aos Romanos. Entre as saudações enviadas pelo apóstolo dos gentios aos cristãos de Roma, o amanuense da epístola adicionou algo de seu próprio punho: "Eu, Tércio, que escrevi esta epístola, vos saúdo no Senhor" (Rom. 16:22). Alguns eruditos identificam-no com Silas, um dos companheiros de Paulo, em suas andanças de evangelismo. Isso porque o termo hebraico correspondente, shalish, é o vocábulo hebraico que significa "terceiro", que corresponde a tértius, no latim. Mas outros pensadores conjeturam que ele teria sido um cristão romano, que residia em Corinto. Parece que Paulo costumava ditar suas cartas a algum amanuense, adicionando uma saudação de próprio punho, como"...sinal em cada epístol a..." (11 Tes. 3: 17). TERÇO Assim chamado em português por ser uma terça parte do rosário. O rosário consiste na recitação de quinze Padre-Nossos e de Glórias e de cento e cinqüenta Ave-Marias, orações bem conhecidas da Igreja Católica Romana. Portanto, o terço consiste em cinco Padre-Nossos e Glórias,

TERES Há quem pense que o nome significa reverência. Outros opinam por "severidade". Seja como for, Teres era um dos dois eunucos que serviam ao rei Assuero, da Pérsia, e que atentaram contra a vida do monarca. O outro eunuco chamava-se Bigtã (vide). Seus nomes aparecem juntos em Ester 2:21 e 6:2. Mordecai, (vide), primo e pai adotivo de Ester, esposa de Assuero, descobriu o plano dos eunucos, e a vida do monarca foi salva, e os dois eunucos foram então enforcados (Est. 2:21-23). TERESA, SANTA Suas datas foram 1515-1582. Era freira carmelita, nascida em Ávila. Tomou-se mística de elevada ordem. Seguia idéias agostinianas. Sua prática da contemplação, sem dúvida em paralelo com poderes psíquicos naturais, resultou em um misticismo de elevada ordem. A princípio, isso foi negado pela Igreja Católica Romana, à qual ela pertencia. Mas, finalmente, ela foi aceita como genuína.

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TERESA - TERRA Em parceria com João da Cruz, ela fundou as Carrnelitas Descalças. Suas experiências lhe permitiram descrever os vários estágios do misticismo e da ascensão da alma, em sua busca por Deus e pela iluminação. A Visão Beatifica (vide) ocupava uma posição intricada em suas considerações. Seus escritos vieram a ser uma importante fonte de informações sobre o misticismo (vide). Finalmente, Teresa veio a estabelecer e supervisionar dezesseis conventos e catorze mosteiros. Seus escritos, A Vida por Si Mesma; O Caminho da Perfeição e O Castelo Interior, além de sua importância como obras sobre o misticismo, estão repletos de instruções éticas, espirituais e práticas. A última porção de sua vida foi passada viajando de uma para outra instuição que ela havia fundado. Nessas viagens ela levava um bordão, uma cruz e um rosário. Foi acometida por sua última enfermidade no lugar pertencente à duquesa de Ávila, mas solicitou ser transportada para seu convento, em San José, uma petição que lhe foi concedida. Ali ela faleceu, cercada por suas amigas e discípulas. O papa Gregório XV a canonizou, em 1622, e a data de 15 de outubro foi designada como seu dia festivo. A obra completa de Teresa foi traduzida para o inglês, com o título de Complete Works of'St. Teresa (três volumes). TERMINISMO

Essa palavra deriva-se de terminus, "término", "fim", "limite". Algumas pessoas, na pressa que mostram para que Deus condene às almas, e a fim de emprestarem à sua mensagem evangelística um maior poder psicológico, têm imaginado que Deus estabeleceu um LIMITE para cada alma, ou seja, o fim da oportunidade de arrependimento e salvação. Essa doutrina é aplicada de modo absurdo por teólogos que a aplicam à vida presente, de tal modo que se alguém rejeitar a mensagem do evangelho, de maneira obstinada, esse imaginário e temido dia de limite poderá vir a surpreendê-lo. A Igreja Ocidental estabelece esse término na morte biológica; mas a Igreja Oriental tem ensinado, tipicamente, que a oportunidade prossegue, mesmo no mundo intermediário, após a morte biológica, dizendo que até no hades as almas podem ser alcançadas pelo amor de Deus. E isso, por sua vez, significa que hades, tal como a terra, é um lugar de atividades missionárias. Se alguns estudiosos assinalam a parousia (vide), ou seja, a segunda vinda de Cristo, como esse ponto terminal, há aqueles que acreditam que tal término não pode ser determinado, acreditando que as obras de Deus não podem sofrer estagnação, sem importar se estão em pauta os remidos ou os não-remidos.

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TÉRMINO DO EVANGELHO DE MARCOS

Ver sobre Marcos, Término do Evangelho de. TERRA

Os povos antigos não tinham idéia segura sobre o formato e sobre as dimensões do globo terrestre. Em nosso artigo intitulado Cosmogonia, temos ilustrado a questão, incluindo antigas idéias dos hebreus, que não são reiteradas neste verbete. 1. Palavras hebraicas. Dois vocábulos estão envolvidos: a. Eretz, que geralmente denota a superficie da terra ou a terra como uma entidade, fazendo contraste com os céus. Para exempIificar, ver Gên. 1:1,2, 1O~ 12; 2: 1; 4:12; Êxo. 8:17; 10:5; Lev. 11:2,21; Núm. 11:31; Deu. 4:18,26; Jos. 2:11; Juí, 3:25; 1 Reis 1:31; Esd. 1:2; Jó

1:7; 2:2; Sal. 12. A leitura desses exemplos demonstra que a palavra tinha grande variedade de aplicações. b. Adamali, que apontava mais diretamente para 1'010, para o barro, etc. Para exemplificar: Gên. 1:25; 4:11; Exo. 10:6; Deu. 4:10; 1 Sam.4:12;Nee.9:1;Sal.I04:30.Estaúltima palavra hebraica é de ocorrência bem menos constante do que aquela, mas também tem grande variedade de aplicações, de tal modo que as duas palavras são intercambiáveis. 2. Outras idéias são indicadas pela tradução "terra" a fim de indicar os habitantes da terra (Gên. 6: 11; 11:1). As nações gentílicas são distinguidas da terra de Israel (II Reis 18:25; 11 Crõ. 13:9). As terras emersas são contrastadas com o mar (Gên. 1:10). A palavra "terra" também indica algum terreno (Gên. 23:15). 3. No Novo Testamento. O termo grego ge é usado de várias maneiras, podendo indicar desde o próprio globo terrestre como também o solo, alguma região, algum país, os habitantes da terra ou de uma região qualquer e também a idéia de terra ou território. Esse vocábulo grego é empregado por duzentas e cinqüenta e duas vezes no Novo Testamento. Ver os seguintes exemplos, com certa variedade de sentidos: Mat. 5:5,13,18; 10:34; 11:25; 17:25; Luc. 2:14; 12:49; 23:44; 24:5; João 17:4; Atos 1:8; Rom. 9:17,28; 10:18; I Cor. 8:5; Efé. 1:10; Cal. 1:16,20; Apo. 1: 5,7,10; 5: 3; 9:1,3,4; 10: 2, 5; 14:3; 21:1,24. A forma grega composta epigeios significa "terreno" (João 3:12; 11 Cor. 5:1), bem como "terrestre" (I Cor. 15:40). Vasos de cerâmica são chamados ostrakinoi; conforme se vê em 11 Cor. 4:7 e II Tim. 2:20. Em certo sentido espiritual, a palavra ge é usada para denotar coisas que são terrenas e carnais, em contraste com as realidades espirituais. Ver João 3:31 e Col. 3:2,5. Nosso dever moral e espiritual é fixar nossos pensamentos nas coisas celestes, e não nas terrenas. 4. A Existência da Terra. Essa realidade, com o resto da criação, é a base de dois argumentos, o cosmológico e o teleológico (ver sobre ambos) em favor da existência de Deus, o qual é o Criador e o Planejador de todas as coisas. Usos Literais: A Bíblia usa a palavra "terra" em vários sentidos: 1. os continentes, em contraste com os mares (Mal. 23:14).2. Um país particular, ou alguma região de um país, ou mesmo os seus habitantes (lsa. 37: 11). As terras aráveis (Mal. 9:26; Gên.26:12). Usos Figurados: 1. Canaã era a terra de Emanuel, isto é, a terra de Yahweh. Era uma terra prometida (Heb. 11:9). Era a terra, a Terra Santa. Conforme muitos dizem até hoje, ela é santa demais, em face dos contínuos conflitos armados que a perturbam. Ver Isa. 26: 1O. 2. A terra da promissão, protegida por Deus, pelo que não precisava ser protegida pelos homens. No tocante ao milênio, será chamada de "a terra de aldeias sem muros" (Eze.38: 11). 3. O Egito aparece como a terra da tribulação e da angústia, porquanto ali o povo de Israel sofreu a servidão (Isa. 30:6). 4. A Babilônia era uma terra de "imagens de escultura", em face de sua generalizada idolatria (ler. 50:38). 5. A terra dos vivos é este mundo físico, onde vivem os homens mortais (Sal. 27: 13 e 117:6). 6. O sepulcro é a terra da escuridão e da sombra da morte (ló 10:21,22). 7. O sepulcro também é a terra do esquecimento. Quão

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TERRA - TERREMOTO prontamente os homens são esquecidos, assim que são sepultados! Quantas pessoas sabem qualquer coisa sobre os seus bisavós? VerSal. 88:12. Mas Deus nunca se esquece, e preserva intactos todos os valores humanos. 8. A terra simboliza a matéria. 9. A Mãe Terra é a origem de toda a vida biológica, 10. Há o arquétipo da Grande Mãe, que inclui o conceito da Mãe Terra. Esse é equivalente feminino do Sábio Idoso ou Profeta, no caso do homem, Representa a inteireza potencial, a completa sabedoria, a espiritualidade consumada. 11. A terra representa firmeza e provisão, em contraste com o mar, que representa a instabilidade e os poderes misteriosos e destrutivos. 12. a subsolo aponta para as profundezas misteriosas da alma ou do oculto, as regiões infernais. No desenvolvimento espiritual, uma pessoa pode atravessar essas camadas inferiores da existência, antes de atingir níveis mais elevados. O subsolo, naturalmente, também alude à morte e à sepultura.

TERRA BAIXA DE HODSI Essas palavras aparecem no texto de 11 Sam. 24:6, segundo a Edição Revista e Corrigida da Sociedade Bíblica do Brasil. Todavia, na Edição Revista e Atualizada no Brasil, da mesma Sociedade Bíblica, que usamos como base para esta enciclopédia, o texto é inteiramente diferente: "na terra dos heteus". O próprio texto bíblico nos informa de que era um distrito entre Gileade e Dã-Jaã (vide), que foi visitado no decurso de um dos recenseamentos efetuados em Israel, no tempo de Davi. Há muitas dúvidas se realmente existiu a "terra baixa de Hodsi", porquanto a mesma não é mencionada em qualquer outra fonte informativa, bíblica ou extrabíblica. Nossa versão portuguesa segue de perto a tentativa de solução dada na Bíblia inglesa da Revised Standard Version, que, por sua vez, segue a sugestão de Wellhausen, Este crítico pensava que o texto pode ser explicado sobre bases paleográficas, como se fosse uma menção a "Cades, na terra dos heteus", precisamente o que encontramos em nossa versão portuguesa. Se Wellhausen estava com a razão, então a alusão é a Cades sobre o Orontes, até onde chegava a fronteira do reino de Davi, no auge de seu poder, na sua porção norte. As modernas traduções e versões em inglês também estão divididas, quanto à questão, entre essas duas opções. TERRA DOS FILHOS DO SEU POVO Uma terra perto do rio Eufrates, onde Balaque, rei de Moabe, mandou buscar Balaão, a fim de amaldiçoar a Israel. O trecho de Núm. 22:5 é a única referência bíblica a respeito. As traduções variam aqui. Algumas lêem Amá, mas a Septuaginta serviu de base para a nossa versão portuguesa. Alguns manuscritos da Vulgata dizem "Terra dos filhos de Amom". Amó incluía Petor, a cidade de Balaão, e Emar, que era sua principal cidade. O nome Amó tem sido encontrado em algumas inscrições que datam dos séculos XVI e XV a.C. TERRA ORIENTAL No hebraico, "terra da fronteira oriental". O trecho de Gên. 25:6 registra que Abraão enviou suas concubinas para aquela terra. Presumivelmente ficava a sudeste da Palestina, e faria parte da Arábia. Ver o artigo sobre Oriente, Filhos do.

TERREMOTO Esboço: I. Definição 11. Magnitudes Ill, Distribuição dos Terremotos IV. Os Lugares Bíblicos e os Terremotos V. Sons e Ondas Sísmicos VI. Referências Bíblicas a Terremotos VILEstamos na Geração do Terremoto? VlIl.Ansiedadee Preparação para os Terremotos I. Definição Um terremoto é o abalo, a mudança, o irrornpimento e a vibração da terra, em áreas rochosas subterrâneas, com reflexos correspondentes à superfície do planeta. Isso pode ocorrer sem que os homens nada sintam. Outras vezes, os abalos sísmicos são sentidos, mas sem que haja qualquer dano material. Às vezes, porém, são destruídas tanto propriedades quanto vidas humanas. A maioria dos terremotos nunca é sentida senão exclusivamente pelos cientistas que se ocupam em registrar a intensidade e efeitos desses abalos. 11. Magnitudes Um sismólogo norte-americano, Charles F. Richter, criou, em 1935, uma escala para medir a intensidade dos terremotos. Ele atribuía a essa intensidade um número que pode ser usado para efeito de comparação. De acordo com essa escala, um terremoto da magnitude 2,5 tem a energia de menos de 1O(17) ergs, mais ou menos a quantidade de energia liberada pela queima de 3.800 litros de gasolina. Esses abalos são considerados miniterremotos e são de ocorrência bastante freqüente. Um terremoto da escala de 4,5 tem 10(20) ergs e pode causar danos de pouca monta à superflcie da terra. Um terremoto da escala Richter 6 é potencialmente perigoso. Cerca de cem abalos sísmicos anuais têm essa potência. Os terremotos que atingem a escala 7 de magnitude (10(25) ergs) representam abalos de grande poder destrutivo, ocorrendo a uma média de vinte e cinco abalos desses, a cada ano. Talvez um ou dois abalos de magnitude 8 ocorram anualmente. O mais poderoso terremoto já registrado, desde a criação dessa escala, atingiu a magnitude 8,6. Ocorreu na China, a 15 de agosto de 1950. a grande terremoto do Alasca, de 27 de março de 1964, atingiu a magnitude 8,5. 111. Distribuição dos Terremotos Na média, a cada ano há um terremoto verdadeiramente grande, dez principais, cem destruidores, mil que produzem algum dano, dez mil abalos de pouca intensidade, que produzem danos desprezíveis, e cem mil choques que só os aparelhos científicos são capazes de registrar. N a verdade, a terra estremece o tempo todo. Por essa razão, se qualquer abalo sísmico, por menor que fosse, pudesse ser considerado um terremoto, então teríamos um total de mais de um milhão de terremotos todos os anos. Existe um cinturão de terremotos no oceano Pacífico, bem como outro que começa na área do mar Mediterrâneo e segue para o Oriente, atravessando o continente asiático. O cinturão do oceano Pacifico concorre com oitenta por cento de todos os terremotos; e o cinturão do mar Mediterrâneo concorre com outros quinze por cento. Portanto, somente cerca de cinco por cento de todos os terremotos ocorrem fora desses dois cinturões. Entretanto, os terremotos sempre deixam os homens perplexos, porquanto áreas que todos pensavam estar isentas dessa atividade sísmica, subitamente, sem a menor explicação, produzem algum grande terremoto. Em qualquer região onde já houve algum terremoto poderá haver outros. Na

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TERREMOTO verdade, não existe região do planeta que possa ser considerada imune a esse fenômeno. IV. Os Lugares Bíblicos e os Terremotos O vale profundo do rio Jordão conta com diversas falhas geológicas importantes, como a falha do vale do Jordão, a falha de Zarqa Ma'in, a falha Hasa, a falha Risha e a falha Quweira. Essas falhas estão vinculadas ao cinturão do mar Mediterrâneo e prolongam-se por diversas centenas de quilômetros. Há evidências geológicas que sugerem que o atual mar Mediterrâneo seja apenas o remanescente de um grande oceano que existia antigamente entre a Eurásia e a África. Grandes terremotos do passado, provavelmente ligados a alguma mudança dos pólos, rearrumaram as áreas de terras emersas e de mares, provavelmente por centenas de vezes. Ver o artigo sobre o Dilúvio, seções segunda e sexta, quanto a uma discussão completa sobre esse fenômeno. Os místicos modernos adiantam que estamos às vésperas de uma outra mudança dos pólos. E, se isso vier a suceder, sem dúvida fará parte da grande Tribulação (que vide). O profundo vale do rio Jordão é apenas parte de uma grande zona de falhas geológicas que se prolongam na direção norte, desde a entrada do golfo de Acaba, por mais de mil e cem quilômetros, até o sopé das montanhas do Taurus. Há evidências geológicas que indicam que, nos últimos poucos milhões de anos, tem havido um movimento de afastamento que já chegou a cento e oito quilômetros, na região do mar Morto, associado à separação entre a península árabe e o continente africano. Os místicos modernos predizem um terremoto realmente forte, na área de Jerusalém, para um futuro não muito distante. Isso ajudaria os árabes em seu conflito contra Israel, precipitando os eventos da grande Tribulação e da batalha do Armagedom, quando a própria existência de Israel estará em jogo. Os trechos de Zac. 14:4,5 e Apo. 16: I 8, 19 predizem um vastíssimo terremoto que acompanhará o segundo advento de Cristo. E isso poderia estar associado à mudança dos pólos predita pelos místicos modernos. Tanto estes quanto os estudiosos da Bíblia concordam que tudo isso não pode estar muito distante de nós. Quem for sábio, que se prepare! V. Sons e Ondas Sísmicos Referimo-nos a um assunto realmente espantoso quando falamos sobre os ruídos e as ondas de choque produzidos pelos terremotos. Essas coisas são realmente assustadoras. Grandes vibrações sacodem a terra quando algum terremoto ocorre. No caso dos grandes terremotos, esses abalos liberam forças maiores que a explosão de muitas bombas atômicas ao mesmo tempo. Tal atividade subterrânea pode ser ouvida como ruídos cavos e profundos. Além disso, podem-se ouvir estalidos poderosos, quando grandes massas de rochas racham e se partem, mediante pressões inacreditáveis. A distância, um terremoto pode ser ouvido como se pesadíssimos veiculos estivessem passando, ou como se estivessem sendo arrastadas imensas caixas pela superficie da terra. Ou então, podem ser ouvidos sons como se grandes trovões ou como se grandes canhões estivessem disparando. Vários tipos de ondas de choque se precipitam do epicentro de um terremoto. Essas ondas são transmitidas pelo deslocamento de partículas, e podem levar consigo um tremendo poder de destruição. Algumas dessas ondas assemelham-se às ondas de choque sobre a superficie da água, quando algum objeto é lançado na mesma. Outras ondas como que se agitam de lado para lado, ou então para frente e para trás. Vários tipos de ondas de choque podem ter lugar simultaneamente. Essas ondas de choque

propagam-se em diferentes velocidades, dependendo da resistência encontrada à sua passagem. Uma onda dessas pode percorrer 160 km em vinte segundos. Um único terremoto pode enviar diferentes tipos de ondas ao mesmo tempo, que se propagam a diferentes velocidades. Essas ondas podem viajar por milhares de quilômetros, dependendo tudo da magnitude de cada terremoto. VI. Referências Bíblicas a Terremotos Há uma palavra hebraica e uma palavra grega que precisam ser consideradas neste verbete, a saber: I. Raash, "tremor", "abalo". Termo hebraico usado por cerca de trinta vezes, conforme se vê em 1 Reis 19:11,12; Isa. 29:6; Amós 1:1; Zac. 14:5. 2. Seismós, "abalo". Essa palavra grega figura por catorze vezes no Novo Testamento: Mal. 8:24; 24:7; 27:54; 28:2; Mar. 13:8; Luc. 21:11; Atos 16:26; Apo. 6:12; 8:5; 11:13,19; 16:18. Durante o reinado de Uzias (Amós 1:1) houve um grande terremoto, que Josefo vinculou à iniqüidade, incluindo sacrilégios, que caracterizaram aquele reinado e aquele período da história de Israel. Ver II Crô. 26: 16 ss. E mencionado um terremoto em conexão com a crucificação de Jesus (Mat. 27:5 l-54), e outro em conexão com a ressurreição (Mal. 28:2). Também houve um terremoto que abriu as portas da prisão onde se encontravam Paulo e Silas (Atos 16:26). Um terremoto acompanhou a morte de Coré (Núm. 16:32) e um outro seguiu-se à visita de Elias ao monte Horebe (1 Reis 19: 11). Josefo refere-se ao terremoto devastador que atingiu a Judéia em 31 A.C. (Anti. 15:52). As predições bíblicas dizem-nos que um terremoto de gigantescas proporções acompanhará a parousia ou segunda vinda de Cristo (Apo. 16:18,19 e Zac. 14:4,5). Os místicos modernos estão predizendo uma nova mudança dos pólos para estes nossos tempos, e essas referências bíblicas bem podem estar fazendo alusão a essa mudança dos pólos. Sentidos figurados e espirituais. Os terremotos são uma das armas que Deus usa para a destruição da iniqüidade. Muitos psíquicos de nossos dias acreditam que a maldade humana, que produz vibrações adversas, pode ser uma causa contribuinte dos terremotos. Isso significaria que uma atividade dessa espécie poderia ser produzida, pelo menos em parte, quando os homens perdem de vista os valores espirituais. Seja como for, os terremotos simbolizam o juízo divino (Isa. 24:20; 29:6; Jer. 4:24; Apo. 8:5). A derrubada violenta de nações é comparada a um terremoto (Ageu 16,22; Apo. 6: 12,13; 16: 18, 19). Porém, essas referências bíblicas parecem incluir aquele terremoto literal que fará parte desses eventos. VII. Estamos na Geração do Terremoto? As predições relativas à nossa época indicam que, à medida que o fim de nossa era for se aproximando, os terremotos ir-se-ão tomando o horror dos homens. Os místicos estão falando sobre terremotos mortiferos, alguns dos quais poderiam atingir até mesmo o grau 12 da escala de Richter. Dizem-nos que esses imensos terremotos ocorrerão como pré-choques da mudança dos pólos que já se avizinha. Jeffrey Goodman escreveu um livro que foi publicado com o título em inglês, We are the Earthquake Generation (Somos a Geração do Terremoto). Goodman é um arqueólogo profissional. Ele tem recolhido evidências que falam sobre um período extremamente atribulado, que se iniciaria dentro de pouco tempo, e que incluirá muitos terremotos. Ele prediz um período de vinte anos de catástrofes dessa natureza. Os cristãos há séculos falam sobre a vinda da grande Tribulação para breve. Ver

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TERREMOTO - TERRORISMO o artigo sobre a Tribulação, a Grande. Não há como duvidar que os terremotos serão uma parte importante dessas tribulações. VIII. Ansiedade e Preparação para os Terremotos Tememos essas coisas. Temos absoluta certeza de que elas já se aproximam. Queremos a paz, mas sabemos que todas as eras anteriores da humanidade encaminharam-se para a sua destruição, sendo substituídas por outras eras. Não há razão para pensarmos que o milênio (que vide) ocorrerá através de uma transição pacifica. Só há uma preparação que está ao nosso alcance e que é eficaz, a saber, a preparação espiritual. Há pessoas que se têm mudado de áreas que, segundo dizem os místicos, serão mais pesadamente atingidas. Porém, os ímpios dificilmente serão protegidos somente por terem mudado de cidade. Além disso, se justos perecerem em algum grande cataclismo (e muitos homens justos padecerão tais coisas, naturalmente), bastar-nos-á pensar novamente sobre o valor da alma e da vida eterna. Sócrates estava certo de que nenhum dano final pode sobrevir a um homem bom, o que representa uma verdade espiritual permanente. Muitos evangélicos crêem que o arrebatamento (que vide) haverá de livrar a Igreja cristã de grande parte dos desastres finais. Também sou um dos que já acreditaram nessa idéia; mas agora penso que a Igreja passará pela tribulação. Todavia, não acredito que os nossos teólogos já tenham resolvido todos os problemas envolvidos. Penso que ninguém sabe, com certeza, quanto da tribulação a Igreja terá de passar, antes de seu arrebatamento. Também acredito que a grande Tribulação prolongar-se-á por um total de quarenta anos, dos quais os famosos sete anos bíblicos seriam a parte principal. Ver o artigo sobre Quarenta. Escrevi um livro que reflete essa crença, intitulado Profecias para o Nosso Tempo: Quarenta Anos Finais da Terra? Esse livro foi publicado pela editora Nova Época, de São Paulo. Nesse livro, procuro demonstrar que o período que nos aguarda com as suas tribulações representa um outro quarenta (o número simbólico para tribulações), porquanto, há muitos períodos atribulados na Bíblia, representados pelo número quarenta. Como já dissemos, os sete anos das predições bíblicas farão parte especial de um período maior de quarenta anos. Esses sete anos diriam respeito à nação de Israel. Seja como for, é fácil os crentes mostrarem-se apreensivos diante de todas essas possibilidades para o mundo futuro. Nós, como crentes individuais, poderemos desfrutar ou não de proteção, em meio às tribulações finais. A conservação da vida física nem sempre é a questão que mais importa. O que importa é que vivamos corretamente, dentro do período de tempo que nos foi dado, cumprindo a nossa missão na terra. E digno de consideração que se fomos postos no mundo, nesta época particular, então é que há alguma razão especial para estarmos aqui, relacionados especificamente às tribulações que haverão de sobrevir ao mundo. Nas experiências perto da morte, quando um homem passa pelos primeiros estágios da morte fisica, quando a sua vida é posta em revista, uma das perguntas feitas pelo Ser de Luz é como ele amou durante a vida, bem como o que aprendeu. As duas grandes colunas da espiritualidade são o amor e o conhecimento. Deveríamos cultivar ambas as coisas, em nossa vida, com todo o afã. Ver o artigo sobre as Experiências Perto da Morte. Se assim fizermos, nada teremos a temer do futuro. Deus é nosso refúgio e fortaleza Socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que a terra se mude,

E ainda que os montes se projetem para o meio dos mares; Ainda que as águas rujam e espumem. Ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Selá. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, O Lugar Santo das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; Não será abalada. (Salmos 46:1-5). Bibliografia. AM GOOD WHI Z TERRORISMO Podemos classificar esse diabólico fenômeno social em três categorias: I. Criminosos que pretendem estar trabalhando em prol de alguma idéia política, utilizando-se de atos violentos, mas que, na verdade, não são motivados por tal idéia. Esses desculpam seus atos sobre essa base. Eles falam em termos de "restaurar dinheiro ao povo", quando furtam os "bancos capitalistas". Mas eles consideram "povo" somente a eles mesmos. 2. Também existem os verdadeiros terroristas políticos, cujos atos de violência têm por escopo debilitar as instituições governamentais existentes. Esses usam o dinheiro porventura, adquirido com seus atos, para fomentar outras atividades. 3. Finalmente, há terroristas religiosos, que atuam contra governos ou instituições que consideram hostis à sua causa Infelizmente, há livros sagrados que transpiram violência, não sendo difícil achar neles textos de prova que toleram o terrorismo com todos os crimes daí redundantes. Que Israel adquiriu o seu território mediante atos de terror fica claro nos próprios registros bíblicos, embora isso pareça chocante para muitos. Orlgenes entendeu isso, e a1egorizou os trechos envolvidos, a fim de tentar descobrir neles algum sentido espiritual, não desejando admitir que Deus, realmente, tenha enviado homens para matar brutalmente a outros. Muitos cristãos fundamentalistas não sentem dificuldade em adorar a um Deus Guerreiro; mas há muitos, na Igreja cristã de nossos dias, que simplesmente consideram isso um conceito "primitivo" de Deus, que o cristianismo reteve em vários pontos. Não posso deixar de emitir aqui minha opinião, pois é nisso que acredito. Mas, quando falo contra esse conceito de Deus, estou apenas negando a validade desse conceito, e não desejo blasfemar o nome de Deus. É possível alguém rejeitar um conceito de Deus, sem blasfemar-lhe o nome. De fato, há alguns conceitos de Deus que são blasfemos, e não hesito em destacá-los. Por outro lado, esses conceitos não aparecem somente na Bíblia. O Alcorão é notoriamente violento, e Maomé conseguiu impor-se mediante a espada desembainhada, forçando muitas populações a aceitar a nova fé islâmica. Os árabes fundamentalistas ou ortodoxos de nossos dias continuam a contemplar o mundo com seus olhos injetados de sangue, acreditando que o morticinio é correto, contanto que sejam mortas as pessoas certas. A moderna escalada do terrorismo reflete uma maneira doentia e impensada de tentar produzir a mudança social. Insensatos atos de violência, como a destruição de bibliotecas, o terrorismo aéreo e a matança praticada contra pessoas inocentes, como os turistas (que não podem ser confundidos com soldados) têm assinalado as ações terroristas. E assim aquilo que os terroristas imaginam ser atos promotores da justiça, não passam de atos covardes. Muitas pessoas sentiram-se ultrajadas quando terroristas palestinos atacaram e mataram a onze atletasjudeus durante a Olimpiada de 1972, em Munique, na Alemanha; m~ muitos outros ao redor do mundo aplaudiram o ato. E

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TERRORISMO - TÉRTULO evidente que o ódio sem motivos reais e mentes patológicas estão envolvidos nesse tipo de atividade. Agências governamentais que impõem a ordem, com freqüência, são alvos especiais dos terroristas. Em certo manual revolucionârio, Carlos Marighella, antigo membro do Partido Comunista do Brasil, disse: "Toda guerrilha urbana só pode manter a sua existência se estiver disposta a matar policiais". Talvez declarações assim façam sentido para indivíduos de tendências violentas, mas é impossível entender por que igrejas e templos também possam ser objetos do terror. O homicídio continuará sendo homicídio, sem importar se os homens o rotulem de qualquer outra coisa; e podemos estar certos de que tais assassinos haverão de sofrer a pena correspondente aos seus atos. TERTULIANO

Suas datas aproximadas foram 155 - 222 d.C, Nasceu na província romana da "África" na cidade de Cartago. Filho de pais pagãos, tomara-se bem versado em filosofia, direito e literatura, antes de converter-se a Cristo. Retomando a Cartago, serviu como presbítero. Foi o mais vigoroso e intransigente dos primeiros apologistas cristãos. Atacava incansavelmente o paganismo; mas, no fim da vida, tomou-se membro do movimento montanista, que a corrente principal da cristandade considerava uma heresia. Parece que suas pronunciadas tendências ascéticas foram um fator básico em sua ligação àquele movimento. Seja como for, Tertuliano deixou sua marca na história da Igreja e aderiu à teologia ocidental, tendo influenciado outros a fazerem o mesmo. Ele era casado, mas isso não o impediu de ser ordenado sacerdote, pois então ainda não havia o celibato obrigatório para os ministros, conforme mais tarde surgiu em alguns segmentos da cristandade. Ao abraçar o montanisrno, Tertuliano passou a atacar a Igreja estabelecida com o mesmo vigor com que antes tinha atacado o paganismo. Jerônimo menciona várias de suas afrontas ao clero romanista. Ao atacar o paganismo, também atacava a filosofia, e isso por meio de argumentos nitidamente filosóficos. Por essa razão, os filósofos nunca o perdoaram. Tertuliano era homem dotado de natureza arrebatadora, um extremista. Como tantos outros extremistas, deixou uma impressão duradoura, mas agia como um jumento que empaca. Os próprios montanistas não puderam tolerá-lo por muito tempo, pelo que ele criou a sua própria seita, que veio a tornar-se conhecida como os tertulianistas . Temos aí um antigo exemplo de cristão causador de divisões, um homem de forte personalidade, que se mostrou extremista em seus atos. Os cristãos fundamentalistas de hoje especializaram-se nesse tipo de atitude. Lutemos pelos fundamentos da fé, mas não como jumentos teimosos. Quase todas as obras escritas de Tertuliano são de natureza polêmica, e nelas brilha um intelecto de primeira grandeza. Ele era dotado de grandes e vastos conhecimentos e escrevia como homem inspirado. É justo declarar que sua literatura religiosa aparece como um dos mais brilhantes espécimes literários do latim. Foi o exemplo deixado pelos mártires que primeiro atraiu a atenção de Tertuliano para o cristianismo. No entanto, uma vez convertido ao cristianismo, vivia em uma contínua atitude de violência mental e literária. Pode ser considerado o pai inspirador de todos aqueles que usam sua fé cristã como se fosse um acampamento militar hostil, que desfecha ataques contra todos ao redor. A despeito disso, sua contribuição literária foi considerável, se conseguirmos desconsiderar sua língua continuamente

peçonhenta contra outros. - Ver o artigo intitulado Tolerância. Idéias: 1. Apesar de ser um intelectual, Tertuliano assumia uma postura antiintelectual em sua fé religiosa. Ver sobre o Antiintelectualismo. Ele dizia: "Creio, por ser absurdo", porquanto pensava que as doutrinas da fé não fazem sentido diante da razão humana. Quanto a isso, ele diferia do método usado pela maioria dos apologistas cristãos, os quais lançavam mão de bem arquitetados raciocínios e de eficazes argumentos filosóficos em favor da fé cristã. Ver o artigo separado intitulado Apologetas (Apologistas). 2. Como ilustração da aplicação de seu princípio anti intelectual, ele aceitava o ponto de vista de que o Filho de Deus morreu, porquanto nessa própria declaração há uma contradição. E aceitava a doutrina da ressurreição de Cristo, por ser isso impossível para o homem. 3. A contradição, e não a harmonia, deve ser um fator constante de fé religiosa. E isso porque as doutrinas aceitas pela fé ultrapassam as limitadas capacidades da mente humana. Visto que a filosofia repousa sobre a razão humana, as atividades filosóficas são, ao mesmo tempo, sem finalidades e perniciosas, de acordo com Tertuliano. 4. Uma curiosidade da doutrina de Tertuliano era a adoção que fez da idéia estóica da existência da chamada substãncia espiritual. Ele afirmava que Deus e os espíritos são de substância material, ou "matéria espiritualizada". O mormonismo é o único grupo cristão de nossos dias que segue essa noção, embora dificilmente eles a tenham pedido por empréstimo de Tertuliano. De conformidade com a teologia mórmon, a substãncia espiritual é uma forma de matéria refinada, diferente, mas não externa à esfera atômica. É possível que se Tertuliano tivesse tido conhecimento da física moderna, ele também tivesse pensado em tal explicação. 5. Tertuliano foi o primeiro teólogo cristão a usar a fórmula trinitariana para explicar, tentativamente, a relação que há entre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. 6. No estoicismo ele foi buscar a sua doutrina do traductonismo (vide). Essa doutrina ensina que o homem e a mulher, no ato procriador, por serem criaturas de natureza dupla - espiritual e material - transmitem aos filhos que geram tanto a parte espiritual quanto a parte material do ser humano. Ele acreditava que a concepção incluía uma "semente que produz a alma", e não meramente o corpo fisico. Essa idéia deve ser confrontada com as noções do criacionismo e da preexistência da alma. Ver o artigo chamado Alma, em sua primeira seção, Origem da Alma, onde são discutidas as principais teorias a esse respeito. Essas questões também são ventiladas em verbetes separados, nesta Enciclopédia. Escritos: To Martyrs; Apologies; Against the Gnostics; Against Marcion; Against Valentinus; Against the Marcionites; Against Praxeas; On the Body of Christ; On the Resurrection ofthe Body; On the Soul. Além dessas obras, ele escreveu mais de duzentas outras, refletindo suas crenças rnontanistas e seu envolvimento no grupo. TÉRTULO

No grego, Tértullos, forma diminutiva do termo latino tertius, "terceiro". Poderíamos, portanto, traduzir seu nome por "terceirinho", que é o sentido exato dessa palavra. Esse foi o orador profissional, contratado pelos judeus para declarar o caso deles contra o apóstolo Paulo, perante Félix, governador romano da Judéia. Ver Atos 24: 1-9. A julgar por seu nome latino, ele poderia ter sido um romano,

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TÉRTULO - TESOURO apesar do fato de que nomes latinos eram comuns entre os gregos e os judeus. Outros opinam que ele seria um judeu, porquanto identificou-se com os seus clientes. Não obstante, era costume os advogados assim agirem, pelo que aquele detalhe não significa muita coisa. Com a tradicional cortesia, ele começou sua astuta retórica lisonjeando ao governo de Félix de uma maneira que não combinava com os fatos. Ele atribuiu o levante havido em Jerusalém à agitação provocada por Paulo, que seria o cabeça de uma seita ilegal. Por isso é que Paulo teria sido detido em custódia pelos judeus, porquanto tentou "profanar o templo". Com essa acusação, Paulo parecia ser inimigo da tranqüilidade pública e da religião judaica, que Félix estava na obrigação de sustentar. Entretanto, o discurso de Tértulo deveria ser comparado com a narrativa real, que se lê em Atos 21 :27-40, com a carta enviada pelo tribuno Lísias (Atos 23:26-30), e com a réplica do apóstolo Paulo (Atos 24: 10-21).

TE8BITA 1. Nome. Este é o nome de uma pessoa que nasceu ou habitou a cidade chamada Tisbe, como Elias (I Reis 17.1). Ver também 21.17, 28 e 11 Reis 1.3,8; 9.36. Parece que o nome significa "recurso". 2. Identificação e Localidade. Estritamente falando, o local é desconhecido e sua localização continua um mistério, mas adivinhações colocam-no no território de Naftali, ou Gileade. Não há confirmação arqueológica da cidade nem sugestão de sua antiga localidade. 3. Alguns estudiosos pensam que a palavra Tisbe ou Tesbita é de fato relacionada à Jabes-Gileade de I Sam. 11.1, 3,5, e 31.12, de forma que Elias poderia ter sido chamado de jabesita em vez de tesbita, Ver o artigo sobre esse local para maiores detalhes. 4. Outras Identificações. Talvez esteja em vista Listibe, do leste de Gileade, conjectura baseada na similaridade da palavra Tisbete com o árabe el-/stibe. O livro apócrifo Tobite (1.2) refere-se a Tisbe, que estava localizada ao sul de Cades, no território de Naftali. Talvez Elias tenha nascido naquela área, mas então se mudou para Gileade. Elias não tem uma associação com Gileade do Norte, no lado leste do rio Jordão, como sabemos com base em 1 Reis 17.2-7. Talvez o ribeiro de Querite tenha sido um pequeno afluente de Jabes, que desemboca no Jordão, Tais especulações podem levar-nos à verdade, mas não temos como fazer uma afirmação com confiança. TESES, NOVENTA E CINCO Ver o artigo geral sobre Lutero, em seu terceiro ponto. O quarto ponto desse mesmo artigo mostra os resultados a longo prazo dessas teses. TESOURARIA DO TEMPLO 1. Antigos santuários e templos muitas vezes eram usados como locais de depósito de objetos valiosos, como se fossem "bancos sagrados". Sabemos que o Panteão, por exemplo, tinha seu opisthodomos, ou tesouraria sagrada, que provavelmente servia como fonte para o pagamento de despesas da atividade do local. Os templos hebraicos tinham seus locais para armazenar presentes de ouro e prata, além de outros objetos valiosos que eram doados ao ministério (I Reis 7.51). Uma fonte de tal riqueza eram as ofertas do povo, mas não temos dúvida de que saques feitos durante as guerras compunham a maior fonte. E o dinheiro não era usado só para os cultos dos templos. Era uma grande fonte de riqueza que os reis usavam para seus projetos de construção e para enriquecimento pessoal, é claro.

2. Localização. Alguns estudiosos acreditam que o templo não era o local para o tesouro, mas isso parece improvável. Logicamente, havia outras tesourarias e depósitos de riqueza além do templo. Estudiosos continuam a disputar exatamente onde estava localizada a tesouraria nos templos. 3. Administração. Pelo menos antes do templo de Herodes, os administradores eram os levitas, depois os sacerdotes, isto é, levitas que descendiam diretamente de Arão, filho mais velho do levita Anrão e de Joquebede (Êxo. 6.20; Núm. 26.29). Ele era irmão de Moisés. Arão estava na terceira geração depois de Levi, pelo que teríamos Levi, Coate, Anrão e Arão. Outros descendentes de Levi tomaram-se levitas, mas não eram levitas sacerdotes. Na época de Jesus, o sumo sacerdote assumiu essa função. Sob ele trabalhavam os principais tesoureiros (katholikoi) e sete curadores (amarkalim), mais três gerentes (gizbarim) que compartilhavam o trabalho e a responsabilidade. 4. Um Objeto de Ganância e Assaltos. O tesouro do templo passou a possuir considerável riqueza, abrigando, como fazia, o maior banco do pais. Naturalmente tomouse objeto de ganância e assaltos. Exércitos invasores não o ignoravam. Ver I Reis 14.26; 11 Reis 24.12 ss.; I Macabeus 1.20-24; 11 Macabeus 3.1-13. Como sempre ocorre na política, os próprios reis de Israel às vezes metiam as mãos no depósito de riqueza do templo para obter vantagens pessoais ou para comprar favores políticos. Ver 1 Reis 15.16 ss.; II Reis 12.17 ss. Às vezes o tributo pago a poderes estrangeiros vinha do tesouro do templo (lI Reis 18. 13 ss.). 5. Referências no Novo Testamento. João 8.20 parece indicar que tesouraria era um lugar popular para reuniões públicas. Ver ainda Mar. 12.14 ss. em conexão com isso. Haviam umas na forma de trombetas para o recebimento das ofertas do povo. Mas Herodes, o Grande, tinha muito dinheiro e muito poder, e podemos ter certeza de que ele mantinha o tesouro e seus bolsos cheios.

TESOURO Esboço I. Os Termos 11. Tipos de Tesouros Ill, Aspecto Monárquico dos Tesouros IV. Tesouros de Davi e Salomão V. Tesouros dos Reis de Israel VI. Tesouros como Tropeços Espirituais VII. Sentido Figurado de Tesouro no Antigo Testamento VIII.Tesouros no Novo Testamento I. Os Termos No hebraico, temos nove vocábulos e, no grego cinco, neste verbete, a saber: I. Otsar, "tesouro", "coisa depositada". Palavra hebraica usada por setenta e uma vezes com esse sentido, conforme se vê, por exemplo, em Deu. 28:12; 32:34; I Reis 7:51; 15:18; 11 Reis 12:18; 14:14; 24:13; I CrÔ. 26:20,22,24,26; 11 Crõ. 5: 1; 8:15; 36:18; Esd. 2:69; Nee. 7:70,71; J6 38:22; Pro. 8:21; 10:2; Isa. 2:7; 30:6; 316; 45:3; Jer. 10:13; 15:13; 17:3; Eze. 28:4; Dan. 1: 2; Osé. 13: 15; Miq. 6: 10. Também há a formaatsar, como em Nee. 13:13 e Isa, 23:18. 2. Ginzin, "tesouros". Palavra hebraica empregada por três vezes: Esd. 5: 17; 6: I; 7:20. 3. Chosen, "riquezas", "força". Palavra hebraica utilizada por três vezes: Pro. 15:6; 27:24; Eze. 22:25. 4. Matmon, "coisa oculta". Palavra hebraica usada por quatro vezes: Gên, 43:23; J6 3:21; Pro. 2:4; ler. 41:8. 5. Mikmannim, "tesouros". Termo aramaico usado por uma vez apenas, em Dan. II :43.

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TESOURO 6. Miskenoth, "tesouros", "armazéns". Vocábulo hebraico usado por uma vez com o sentido de "tesouros": Êxo. 1:11. 7. Athud, "tesouro", "preparado". Palavra hebraica usada por uma vez com o sentido de "tesouro", em Isa. 10:13. 8. Saphan, "coisa coberta", "tesouro". Palavra hebraica que ocorre por uma vez com esse sentido, Deu. 33: 19. 9. Gedaberin, "tesouros". Palavra aramaica usada por uma vez, em Dan. 3:2,3. 10. Thesaurôs, "tesouro". Palavra grega usada por dezessete vezes: Mat. 2: 11; 6:19-21; 12:35; 13:44,52; 19:21; Mar. 10:21; Luc. 6:45; 12:33,34; 18:22; 11 Cor. 4:7; CoL 2:3; Heb. 11:26. lI. Thesaurizo, "entesourar". Verbo grego usado por oito vezes: Mat. 6:19,20; Luc. 12:21; Rom. 2:5; 1 Cor. 16:2; lICor. 12:14; Tia. 5:3; 11 Ped.17. 12. Gáza, "tesouro" (uma palavra derivada do persa), que aparece somente por uma única vez, em Atos 8:27. 13. Gazophulâkion, "tesouro". Palavra grega usada por quatro vezes: Mar. 12:41,43; Luc. 21:1; João 8:20. 14. Korbanãs, "lugar das ofertas". Palavra grega transliterada do hebraico, usada somente por uma vez: Mat. 27:6. 11. Tipos de Tesouros Na Bíblia, um tesouro consiste no dinheiro, nas jóias, no ouro, na prata, nos vasos, nos ungüentos, nas especiarias, nos armamentos, nos cereais, nas moedas ou em quaisquer outras possessões materiais que um governante, um monarca ou um indivíduo rico conservava em lugar seguro, fora do alcance de ladrões e assaltantes. Os vasos sagrados e os móveis do templo de Jerusalém, ou mesmo dos templos de divindades pagãs, eram considerados tesouros (ver I Crô. 32:27-29; Esd. 1:9-11; Nee. 7:70). Visto que, nos tempos antigos, as riquezas estavam concentradas nas mãos dos monarcas ou dos templos, o termo tesouro veio também a significar "armazém" ou "tesouraria", o que se reflete nas traduções em geral. Na antigüidade, quando as forças inimigas invadiam um país, geralmente, dirigiam-se ao palácio real ou ao templo central, em busca dos tesouros ali guardados; e esses tesouros, juntamente com os cativos de guerra, eram os despojos que o adversário vitorioso levava. Visto que os tesouros garantiam o suprimento das necessidades básicas das pessoas que os possuíam, com freqüência, o vocábulo "tesouro" foi empregado, pelos profetas do Antigo Testamento e até pelo Senhor Jesus, para indicar as possessões e riquezas espirituais, apontando para coisas como a sabedoria, o amor, o céu e o evangelho (ver Pro. 10: 2; Isa, 33:6; Mar. 10:21). 111. Aspecto Monárquico dos Tesouros O conceito de tesouro ou de "armazém", nas páginas bíblicas, indica o aspecto monárquico da cultura e da economia dos povos do mundo antigo, no sentido de que todas as grandes riquezas ficavam concentradas nas mãos do rei, do templo sagrado, de sumos sacerdotes ou de pessoas eminentemente ricas. No entanto, o povo comum dispunha pouquíssimo dessas riquezas, e nem ao menos ambicionava possuí-las; mas, essas pessoas reverenciavam o rei ou o templo, por estarem guardando em segurança as riquezas do pais. Isso posto, havia uma abastança incalculável, concentrada nas mãos de alguns poucos, e uma pobreza extrema entre os cidadãos comuns, que formavam as multidões. E por esse motivo que, com freqüência, os profetas do Antigo Testamento identificavam as riquezas com a iniqüidade, e a pobreza com a piedade. Também lemos nas Escrituras que "Aceitai

o meu ensino, e não a prata, e o conhecimento antes do que o ouro escolhido" (Pro. 8:10). Entretanto, nos palácios reais e nos templos não havia caixas - fortes ou cofres, onde os tesouros fossem trancados em segurança. Ver sobre Bancos. Mas os tesouros guardados nos templos, onde as multidões por muitas vezes se congregavam, eram defendidos por muitos homens armados. E os individuas ricos escondiam suas possessões materiais em suas casas, em cavernas, ou nos campos. Muitas guerras estouraram por causa desses tesouros (ver I Reis 14:26). E um dos métodos das nações se apossarem das riquezas consistia em pilhar as cidades e os templos de outras nações. Assim, quando Jerusalém caiu diante dos exércitos invasores, provenientes do Oriente, todos os tesouros ai i existentes foram transportados para aqueles países estrangeiros. É fato bem conhecido que muitos imperadores, reis e rainhas, como no Egito, eram sepultados juntamente com suas possessões materiais, em túmulos de difícil acesso, como era o caso das pirâmides. De fato, essas pirâmides são o exemplo mais notável desse antigo costume. No templo de Jerusalém, o aposento onde eram guardadas as caixas para recolher as oferendas, era chamado de "gazofilácio", ou "tesouraria", conforme se vê em Marcos 12:41 e Lucas 21: 1. Essas caixas para recolhimento das ofertas tinham o formato de trombetas. Uma das primeiras alusões a um tesouro, nas páginas do Antigo Testamento aparece no episódio em que os irmãos de José foram comprar alimentos no Egito, durante o periodo de escassez, quando José pôs novamente nas sacas deles o dinheiro com que haviam pago o cereal. Foi, então, que José disse aos seus assustados irmãos: "Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai vos deu tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim"(Gên. 43:23). IV. Tesouros de Davi e Salomão Os reis Davi e Salomão tomaram-se conhecidos pelas imensas riquezas que conseguiram amealhar em seus palácios, ou então, no templo do Senhor, em Jerusalém. Os tesouros do templo, em Jerusalém, consistiam nos vasos, no altar de ouro, na mesa de ouro para os pães da proposição, no candeeiro de ouro, nas lâmpadas e seus utensílios, nas bacias e prato para incenso, e até mesmo nas portas do edificio. O próprio templo era recoberto com placas de ouro. Lê-se em I Reis 7:48-51: "...fez Salomão todos os utensilios do Santo Lugar do Senhor: o altar de ouro, e a mesa de ouro ... os castiçais de ouro finissimo... as flores, as lâmpadas e as espevitadeiras, também de ouro; também as taças, as espevitadeiras, as bacias, os recipientes para incenso, e os braseiros, de ouro finíssimo; as dobradiças para as portas da casa interior... e as das portas do Santo Lugar do templo, também de ouro. Assim se acabou toda a obra que fez o rei Salomão para a casa do Senhor; então trouxe Salomão as cousas que Davi, seu pai, havia dedicado, a prata, o ouro e os utensíl ios, ele os pôs entre os tesouros da casa do Senhor'. V. Tesouros dos Reis de Israel Algumas vezes, os tesouros dos palácios dos reis de Judá e de Israel correram perigo, quando das guerras locais que atingiram a Palestina. Para exemplificar, quando Baasa, rei de Israel, e Asa, rei de Judá, combateram um contra o outro, este último enviou todos os tesouros da nação a Ben-Hadade, rei da Síria, a fim de estabelecer um acordo com ele. Segundo essa aliança, os sírios atacariam Baasa, de tal modo que J udá seria deixada em paz. " ... Asa tomou toda a prata e ouro restantes nos tesouros da casa do Senhor, e os tesouros da casa do rei, e os entregou nas mãos de seus servos; e o rei Asa os enviou

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TESOURO a Ben-Hadade... dizendo: Haja aliança entre mim e ti, como houve entre meu pai e teu pai. Eis que te mando um presente, prata e ouro; vai, e anula a tua aliança com Baasa, rei de Israel, para que se retire de mim" (l Reis 14:18,19). E, por ocasião da reconstrução da nação de Israel, nos dias de Esdras e Neemias, continuava a ser usado o mesmo método de juntar grandes riquezas na casa do governante e no templo, conforme se vê em Esd. 2:69; Nee. 7:70,71; 10:38 e 12:44. Quando os sírios invadiram a nação do norte, Israel, o rei Acaz solicitou de Tiglate-Pileser, rei da Assíria, para vir livrá-lo do poder da Síria. Para animar o rei da Assíria a fazer essa intervenção, Acaz tomou a prata, o ouro e todos os tesouros da casa do Senhor e os enviou como presentes ao rei. E, então, os assírios chegaram, mas em vez de livrarem a Judá, puseram o rei Acaz em aperto. Ver 11 Crô. 28: 16-21. Um incidente similar ocorreu nos dias de Ezequias, quando Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu Judá. A compensação requerida pelo rei da Assíria foi a prata e o ouro que estavam guardados na casa do Senhor. E o fato de que o rei da Babilônia, tempos mais tarde, levou Jeoaquim, de Judá, como prisioneiro, tendo transportado para a Babilônia todos os tesouros da casa do Senhor, mostra-nos, mais uma vez, que o templo de Jerusalém era uma espécie de tesouro das riquezas da nação, que vinham sendo amealhadas desde os dias de Salomão. Ver II Crô. 36:6,7. Os tesouros existentes no templo de Jerusalém vinham sendo recolhidos desde os dias de Davi, com as ofertas que ele e muitos outros israelitas haviam dedicado. Quanto a isso, examinar I Crônicas 29: 1-9. Além disso, grupos especiais e famílias ficaram encarregados de guardar os tesouros da casa do Senhor, segundo se aprende em I Crô. 26:22-28. No decorrer dos séculos, houve muitos outros donativos polpudos, recolhidos em certas oportunidades históricas, que aumentaram ou restauraram as riquezas do templo. Devido às guerras e invasões, esses tesouros foram pilhados por mais de uma vez. Mas o povo de Israel não demorava muito a reconstituí-Ios com suas generosas ofertas. Um caso desses é historiado em Esd. 2:68,69, onde está escrito: "Alguns dos cabeças de famílias, vindo à casa do Senhor... deram voluntárias ofertas para a casa de Deus, para a restaurarem no seu lugar. Segundo os seus recursos deram para o tesouro da obra, em ouro sessenta e uma mil dracmas, e em prata cinco mil arráteis, e cem vestes sacerdotais". A isso poderíamos acrescentar os dízimos dados pelo povo, que engordavam ainda mais os tesouros ali armazenados. VI. Tesouros como Tropeço Espiritual Por outro lado, os homens espirituais de Israel nunca deixaram de perceber que as riquezas materiais, devido à debilidade humana, podem servir de tropeço e ameaça ao bem-estar espiritual dos homens. Um exemplo dessa cautela e sabedoria, que é um reflexo do temor ao Senhor, ou piedade, aparece, por exemplo, em Provérbios 15: 16: "Melhor é o pouco, havendo o temor do Senhor, do que grande tesouro, onde há inquietação". O profeta Isaías refere-se a riquezas que eram transportadas em corcovas de camelos, para indicar o rico comércio que se fazia por meio das caravanas. Ver Isaías 30:6. Jeremias, por sua vez, dá testemunho do fato de que as riquezas das nações antigas eram guardadas em suas capitais, onde ficavam as sedes dos respectivos governos. Diz ele: Também entregarei toda a riqueza desta cidade, todo o fruto do seu trabalho, e todas as suas coisas preciosas; sim, todos os tesouros dos reis de Judá entregarei na mão de seus inimigos, os quais hão de saqueá-los, tomá-los e levá-los a Babilônia"(Jer. 20:5). O rei Ezequias, de Judá, dispunha de grandes tesouros

acumulados, no tempo em que reinava em Jerusalém: "Ezequias se agradou dos mensageiros (do rei da Babilônia) e lhes mostrou toda a casa do seu tesouro, a prata" o ouro, as especiarias, os óleos finos, o seu arsenal e tudo quanto se achava nos seus tesouros..."(ll Reis 20:13). O fato de que os reis invasores levavam as riquezas dos países invadidos para suas capitais, depositando-as em seus templos e palácios, indica que esse costume não prevalecia somente em Israel. Daniel 1: I, 2 é trecho que nos mostra isso: "No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei de Babilônia, a Jerusalém, e a sitiou. O Senhor lhe entregou nas mãos a Joaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus; a estes levou-os para a terra de Sinear, para a casa do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus".

VII. Sentido Figurado de Tesouro no Antigo Testamento Com freqüência, o termo "tesouro", ou "casa do tesouro", é usado em sentido figurado no Antigo Testamento. Como exemplo disso, em uma terra com poucas chuvas, como era o caso da Palestina, as chuvas eram consideradas um autêntico tesouro. "O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda obra das tuas mãos; emprestarás a muitas gentes, porém tu não tomarás emprestado"(Deu. 28: 12). As últimas palavras desse citado versículo mostram como essas chuvas, caídas no tempo certo, podiam transformar-se até em tesouros literais. A sabedoria, sobretudo aquela de cunho espiritual, também era considerada um grande tesouro, entre os antigos, quando eram dotados de entendimento espiritual: "Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os desperdiça" (Pro. 21:20). Um outro quadro simbólico comum, encontrado nas Escrituras, é que o temor ao Senhor constitui-se em autêntico tesouro para aquele que o possui, conforme Isaías predisse acerca do povo de Israel: "Haverá, 6 Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do Senhor será o teu tesouro" (Isa. 33:6). E o profeta Ezequiel reverbera o mesmo sentimento, quando escreve: "...pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste o teu poder, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros" (Eze. 28:4), embora ali falasse em relação ao rei de Tiro e, por conseguinte, em um sentido negativo.

VIII. Tesouros no Novo Testamento 1. Quadro Diferente Quando chegamos ao Novo Testamento, o quadro mental é bastante modificado. Pois, se no Antigo Testamento um tesouro dava a idéia de vastas riquezas concentradas nos palácios reais ou nos templos, nas páginas do novo pacto um tesouro (no grego. thesaurôs) é concebido muito mais em termos individuais, como propriedade de algum ricaço. O Novo Testamento, logo no começo, refere-se a tesouros que os magos, vindos do Oriente, trouxeram para presentear ao menino Jesus. "Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra" (Mal. 2: 11). Por que motivo a sagrada família precisava desses tesouros, é que alguns têm indagado. Lembremo-nos, porém, que dentro de poucos dias eles haveriam de descer ao Egito, onde ficariam até que Herodes falecesse (ver Mal. 2: 19·21). Sem dúvida, aqueles recursos os sustentariam naquele país estrangeiro, impedindo que fossem reduzidos à mendicância, por terem fugido praticamente sem levar bens volumosos. 2. Tesouros Espirituais Em Hebreus 11:26 também há menção aos tesouros do

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TESOURO - TESSALÔNICA Egito, que Moisés desprezara, por amor ao seu próprio povo. Se meditarmos que Moisés era "filho da filha do Faraó", então poderemos compreender que ele não desistiu de pouca coisa, nem de pequena posição na escala social, e nem de remotas possibilidades de tomar-se um importante vulto no Egito-talvez até mesmo um futuro Faraó. Mas é que Moisés também tinha visão espiritual, pelo que "...considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito ..." No Novo Testamento, porém, a idéia de "tesouro", na maioria das vezes, aparece dentro de um contexto espíruual, pelo que é empregada em sentido metafórico. Para exemplificar, mencionamos uma parábola do reino, que o compara com "...um tesouro oculto no campo..." (Mat. 13:44). Por igual modo, o Senhor Jesus admoestou aos seus discípulos e a todos nós: "...mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam; porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mat. 6:20,21). Portanto, o nosso tesouro, no dizer de Jesus, é aquilo a que damos maior valor. Nós, os servos do Senhor, não somos instruídos a empobrecere a mendigar; mas antes, a trabalhar com as próprias mãos, até para podermos contribuir para as necessidades dos que padecem por carência. Ver I Tes. 4: 11,12 e Efé. 4:28. Paralelamente a essa industriosidade e generosidade, porém, o crente é ensinado a valorizar, acima de todas as riquezas terrenas, as riquezas celestiais. " ...buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas (as possessões terrenas) vos serão acrescentadas" (Mat. 6:33). 3. Tesouros do Coração Acresça-se a isso que o Senhor Jesus também empregou o vocábulo tesouro. a fim de designar o bem ou o mal que se ocultam no coração de cada indivíduo: "O homem bom tira do tesouro bom cousas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira cousas más" (Mat. 12:35). Isso equivale a dizer que as virtudes cristãs devem ser reputadas como um de nossos tesouros, da mesma maneira que os ímpios entesouram as suas perversidades morais. 4. Tesouros nos Céus O amor cristão e as obras impulsionadas pelo amor são tesouros que acumulamos no céu, conforme Jesus disse ao jovem rico: "Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me". No entanto, o jovem rico não estava disposto a trocar as riquezas terrenas imediatas, pelas riquezas celestiais, as quais, para ele, pareciam muito remotas. "Tendo, porém, o jovem ouvido esta palavra, retirou-se triste, por ser dono de muitas propriedades" (Mat. 19:21,22). Essa é a atitude de muitas pessoas, que se julgam práticas e pragmáticas. Mas, no fim, o seu prejuízo é incalculável. Diferente é a sorte daqueles cujos olhos são abertos para perceberem o valor das riquezas espirituais. Foi acerca desses que Jesus falou, depois que o jovem rico e tresloucado se afastou: "E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou campos, por causa do meu nome, receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna". (Mat. 19:29). 5. A Palavra do Senhor O Senhor Jesus também se referiu à sabedoria espiritual como um "tesouro", quando declarou: "Por isso todo escriba versado no reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu depósito causas novas e cousas velhas" (Mat. 13:52). O apóstolo Paulo secundou essa noção, dizendo que o evangelho de Jesus Cristo é um tesouro que transportamos conosco: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus,

e não de nós" (11 Cor. 4:7). Para o crente, o valor maior, o tesouro mais prezado é o Senhor Jesus Cristo: "Por isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será de modo algum envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade..." (I Ped. 16,7). E isso é assim, para nós, porque é em Cristo que encontramos o que mais nos é caro, isto é, a salvação final, a natureza divina. Ver 11 Ped. 1:4. Sim, podemos encerrar esta exposição sobre os tesouros celestiais citando novamente o apóstolo Paulo: " ...para que u::o

:>Io:U5

corações sejam corrfortados, vinculados juntmncntc

em amor, e tenham toda riqueza da forte convicção do entendimento, para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Cal. 2:2,3). TESOURO DE MÉRITOS A expressão latina correspondente é Thesaurus Meritorum. Esse é o nome do dogma católico romano de que há um tesouro de méritos espirituais, acumulados a partir da satisfação prestada por Cristo pelos pecados do mundo, um ato infinito em seu valor, mas aumentado com base nos méritos superabundantes dos santos, uma espécie de "méritos excedentes" além daquilo de que precisavam pessoalmente para a sua salvação, e agora postos à disposição de almas de menor porte. Dentre esse tesouro de "méritos excedentes" é que poderiam ser conferidas as indulgências (vide), para remissão dos castigos temporais devidos por pecados cometidos. Um aspecto desse dogma é aquele que afirma que a Igreja Católica Romana é a guardiã desse tesouro, e também a agência que o utiliza. Doutrinas dessa natureza deixam furiosos a protestantes e evangélicos, para dizermos o mínimo. TESSALÔNICA Esta cidade, à qual Paulo escreveu duas cartas (ver I e 2 Tessalonicenses), era capital da Macedônia, essencialmente o território ocupado pela Grécia moderna. De fato, quase todo o ministério de Paulo na Europa estava situado em cidades que pertenciam ao território ora conhecido como Grécia. 1. Geografia. Esta cidade estava localizada no golfo Termaico, a oeste de Calcidice. Uma importante estrada a ligava a todas as cidades da Macedônia, a qual se chamava Via Egnatia. Hoje o golfo se chama Saloniki, o qual é parte do mar Egeu. 2. Nome. O lugar chamava-se originalmente Therma e recebeu depois o nome do golfo no qual se achava situada, atualmente denominado Saloniki. Foi intitulado Tessalônica provavelmente por Cassandro, empregando o nome de sua esposa, filha de Filipe 11. Ou, possivelmente, foi assim chamado para comemorar sua vitória sobre os tessalonicenses (habitantes de Tessália). Esse nome parece estar relacionado a thalassa, palavra grega para mar, a qual provavelmente se baseia em hals, que significa sal. Se essa conjetura for correta, faz Tessalônica significar "situado pelo mar" ou "pertencente ao mar". A tradição diz que o romano Cassandro fundou (reconstruiu) a cidade por volta de 315 a.C. 3. Algumas Notas Históricas. A cidade foi fundada ou reconstruída por Cassandro, o que não marca seu início como uma área povoada, mas lhe deu uma entrada patente nos registros da história. Veio a ser uma das quatro divisões da Macedônia. A cidade recém-fundada incorporou vilas circunvizinhas, como Terma, Anea, Cisso e Chalastra. Tomou-se uma grande base naval macedônica, substituindo Pela como o porto principal (Lívio XLIV 10,45; XLV29).

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TESSALÔNICA - TESSALONICENSES Depois de dominar a área, os romanos dividiram Macedônia em quatro seções e fizeram de Tessalônica a capital de uma delas. Quando a Macedônia se tomou uma província única (em vez de quatro), esta cidade passou a capital de todo o território. No tempo da guerra civil romana, uma das facções guerreiras, encabeçadas por Pompeu, usou a cidade como quartel-general daquela região. A cidade tinha elevado grau de autonomia durante o tempo do Império Romano e floresceu em todos os sentidos possíveis, muito mais que as outras cidades da província. 4. Arqueologia. As inscrições comprovam a exatidão do uso da palavra politarchai (encontrada em Atos 17:6, 8) em referência aos magistrados, e o uso que Lucas faz da palavra é o único existente na literatura. Pouco se tem escavado referente ao período grego, mas o arco romano permanecia ali em 1876. Sobre esse arco, uma inscrição usava a palavra politarchai. Outro uso semelhante foi encontrado nas inscrições na área. São ainda visíveis partes da Via Egnatia, uma estrada que percorre a área de noroeste a sudeste, ligando as cidades da província. Há extensas ruínas dos tempos bizantinos, inclusive igrejas, porém a maioria delas foi destruída pelo fogo que destruiu a cidade em 1917. 5. A Igreja Primitiva e Tessalônica. Paulo visitou o lugar em sua segunda viagem missionária e terminou escrevendo duas cartas à igreja que ali estabelecera. Essas cartas vieram a fazer parte de nosso Novo Testamento. Paulo, segundo seu costume, primeiro visitou a sinagoga do lugar e ganhou alguns conversos (Atos 17:2-4). O lugar, pois, se tomou uma valiosa sede para a missão (grega) européia da igreja primitiva. Uma turba atacou a casa de Jasom, onde Paulo se hospedara, e então ele e Sílas se viram forçados a fugir para a Beréia (Atos 17:5-10). A igreja, porém, prosperou em sua ausência, e provavelmente Paulo regressou ao local onde visitou a área (Macedônia), segundo está registrado em Atos 20: 1-3. Compare I Tim. 1:3; 2 Tim. 4:13; Tito 3:12. Os conversos dali, mencionados nominalmente, são Jasom (Atos 17:5-9), possivelmente Demas (2 Tiro. 4: 10); Gaio (Atos 19:29); Segundo e Aristarco (Atos 20:4). As cartas de Paulo à região são conhecidas por suas classificações escatológicas quanto à Segunda Vinda de Cristo, o arrebatamento da igreja e a atividade do anticristo, TESSALONICENSES, Primeira Epístola de Paulo aos Esboço: L A Igreja em Tessalônica 11. Autoria Ill. Data e Proveniência IV. Motivo e Propósitos V. Temas Centrais VI. Conteúdo VII. Bibliografia Ver comentários sobre o corpus paulinus no artigo sobre Romanos, primeiros parágrafos da seção 11. Normalmente, tem-se pensado ser correto situar I e 11 Tessalonicenses no início da tabela cronológica da coletânea paulina; mas existem bons argumentos para que situemos a epístola aos Gálatas nessa posição, porquanto é quase certo que ela foi escrita antes do concílio de Jerusalém, talvez tão cedo quanto 48 d.e. (Ver o artigo sobre Gálatas). Pelo menos I e 11 Tessalonicenses são anteriores a muitas outras epístolas; e mesmo que não tivessem sido os primeiros Iivros sagrados escritos de Paulo, devem ter sido grafadas depois de Gálatas,

que foi a primeira de todas as epístolas paulinas. Portanto, podemos propor a seguinte ordem das epístolas paulinas, com suas datas respectivas: I. Gálatas, em cerca de 48 d.e. 2. I e li Tessalonicenses, em 50-51 d.C. 3. Então o grupo formado por Colossenses, Efésios e Filernom, em cerca de 54 d.e. 4. Após, I e II Coríntios e Romanos, em 54 - 57 d.C. (embora alguns estudiosos situem esse grupo tão cedo quanto 52 d.e.) 5. Filipenses, pois, caberia dentro do período do primeiro aprisionamento, c. de 61 a 63 d.C. 6. E as epístolas pastorais, isto é, I Timóteo, Tito e 11 Timóteo, nessa ordem, caberiam dentro do período geral do "segundo aprisionamento", em 65-68 d. C. I. A Igreja em Tessalônica A história da fundação da comunidade cristã de Tessalônica se acha em Atos 17: 1-14. Paulo fundou essa igreja durante aquilo que chamamos de sua "segunda viagem missionária", tendo partido precipitadamente de Tessalônica, talvez no verão do ano 50 d.C., após ter conquistado certo número de convertidos. Em Tessalônica, Paulo, Timóteo e Silas sofreram severas perseguições da parte dos judeus incrédulos e, debaixo de pressão, foram forçados a abandonar a cidade. Dali partiram para Beréia; depois, para Atenas. Mas a retirada precipitada dos obreiros do Evangelho deixou os membros da igreja de Tessalônica um tanto menos alicerçados nos ensinamentos cristãos, especialmente no que conceme às questões escatológicas, o que não podia satisfazer ao apóstolo dos gentios. Dessa circunstância, portanto, é que surgiu a necessidade desta epístola, porquanto também os problemas surgiram na comunidade cristã de Tessalônica assim que partiram dali os pregadores cristãos. No trabalho evangelístico ali desenvolvido, Paulo fora acompanhado por Timóteo e SUas, e a epístola escrita aos Tessalonicenses mostra que todos os três apresentam a saudação, como aqueles que a enviavam; portanto, provavelmente"...esta epístola foi escrita não muito depois da partida do grupo evangelizador. O grupo viera de Filipos para Tessalônica, pois em Filipos já haviam sido acossados por várias perseguições. No entanto, chegaram com bom ânimo, dispostos a trabalhar, não demorando muito para que contassem com um pequeno grupo de convertidos, também em Tessalônica". Durante o período de evangelização em Tessalônica, o grupo se sustentou através de um trabalho manual árduo (ver I Tes. 2:9 elITes. 3:7b-8). (No tocante ao trabalho de Paulo como fabricante de tendas, ver as notas expositivas no NTI em Atos 18:3). Aquela área não gozava de economia tranqüila, tendo a sua população passado por um período recente de fome; e a vida ali não era fácil. Mas Paulo não exigiu dos convertidos, como também nunca exigiu de quaisquer outros, o sustento financeiro, embora seja esse o direito dos ministros do Evangelho (verlCor. 9:7-12,14). Todavia, Paulo e seus companheiros foram ajudados, em duas ocasiões, enquanto se encontravam em Tessalônica (ver Fil. 4: 16); e a epístola aos Fil ipenses é, essencialmente, uma carta de agradecimento por isso. Tessalônica ficava cerca de cento e sessenta quilômetros de distância de Filipos, na Via Inácia, que corria diretamente para oeste, de Tessalôníca para Pela, a capital e cidade provincial da terceira divisão daquela província, o que significa que as comunicações entre esses dois centros eram boas. Apesar de que Tessalônica contava com numerosa população judaica, contudo, a igreja primitiva dali se compunha principalmente de pagãos que tinham abandonado os ídolos para abraçarem a fé cristã. Os trechos de I Tes. 1:9; 2:14,16; 4:5,9,10; 11 Tes. 2:13,14

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TESSALONICENSES demonstram isso. As passagens de Atos 17: 1,2,4 e 18:4 mostram-nos que também alguns poucos judeus creram no Senhor, acompanhados por um numeroso grupo de gregos, além de muitas mulheres das melhores classes sociais. Isso despertou o ciúme e a inveja dos judeus incrédulos, que, finalmente, se lançaram em severa perseguição contra Paulo, contra seus colegas de evangelismo e contra a comunidade cristã em geral. A severidade dessa perseguição, pois, forçou o apóstolo a abandonar a cidade muito antes do que tinha planejado. Não sabemos dizer por quanto tempo Paulo ficou em Tessalônica. A narrativa do livro de Atos nos dá a impressão de que o período foi curtíssimo (cerca de três semanas); mas o fato de que houvera tempo de Paulo se ocupar de seu ofício (ver I Tes. 2:9), e também de receber donativos dos crentes filipenses por duas vezes (ver Fi!. 4: 16), mostra-nos que sua permanência ali deve ter coberto pelo menos alguns meses. Pode-se observar em tudo isso, como em muitos incidentes similares, que a cronologia lucana, no livro de Atos, não tem o intuito de ser exata; além do que faltam muitos detalhes, que podem ser supridos mais acuradamente pelas próprias epístolas de Paulo. E que Lucas não fora testemunha ocular de muitos dos acontecimentos das viagens missionárias de Paulo, tendo de depender de fontes informativas que lhe davam informes abreviados, os quais não serviam para registrar dados cronológicos exatos. Outro bom exemplo sobre isso é a viagem feita por Timóteo, de Atenas para Tessalônica, sobre o que ficamos sabendo em I Tes.3: 1-8. Foi em face do relatório um tanto adverso de Timóteo que esta epístola foi escrita para os crentes tessalonicenses, onde Paulo recomenda que permaneçam firmes em Cristo, mas onde, por semelhante modo, procurou solucionar alguns problemas que tinham surgido na igreja local, acerca do que Timóteo informara o apóstolo. No entanto, o livro de Atos omite tudo isso. Com base nesse livro, poderíamos tão-somente supor que Timóteo e Silas foram deixados primeiramente em Beréia, enquanto Paulo partiu para Atenas, e que, mais tarde, ajuntaram-se a ele em Atenas, mas sem qualquer idéia de uma viagem paralela a Tessalônica. (Ver Atos 17: 14-16). (Ver o artigo sobre Tessalônica). 11. Autoria Os quatro grandes livros paulinos clássicos, que todos acolhem como autênticos, são Gálatas, Romanos, I e II Coríntios. Após essas epístolas temos Colossenses, Filipenses, Filemom e I Tessalonicenses, como quase indubitavelmente paulinas. EC. Baur supunha que esta primeira epístola aos Tessalonicenses tenha sido escrita por algum discípulo de Paulo, com o propósito de reviver o interesse pela doutrina da "parousia" ou segundo advento de Cristo; e que esse discípulo atribuiu a autoria da mesma a Paulo, para emprestar-lhe maior autoridade. Mas isso tem sido reputado como uma curiosidade da história da crítica textual, que não é levada a sério pela vasta maioria dos eruditos. A própria epístola tem em seu subtítulo os nomes de Paulo, Silvano (Silas) e Timóteo; porque esses três haviam sido os fundadores daquela igreja, e continuavam juntos quando a epístola foi escrita, embora Paulo fosse o autor real da mesma. Nada existe na própria epístola, como conteúdo, estilo ou vocabulário, que nos sugira autoria não paulina. Por isso mesmo, sua autenticidade tem sido tão geralmente reconhecida, nos tempos antigos e modernos, que se torna supérflua qualquer discussão detalhada a respeito. A segunda epístola aos Tessalonicenses, por outro lado, encerra algumas coisas difíceis de explicar, sobretudo à base de

certas doutrinas escatológicas que não parecem concordar com os pontos de vista gerais do apóstolo dos gentios. (Ver o artigo sobre Tessalonicenses, Segunda Epístola de Paulo aos, sob o título Autoria). O cânon do NT, em seus primeiros passos, mais ou menos pela metade do segundo século da era cristã, já continha esta epístola. O cânon mais primitivo consistia de cerca de dez das epístolas paulinas e dos quatro evangelhos. (Ver o artigo separado sobre Cânon). 111. Data e Proveniência Em contraste com outras epístolas paulinas, não é difícil determinar a data da escrita desta epístola (embora se admita pequena margem de erro). É mister associá-Ia às circunstâncias registradas em I Tes. 11:7, em vinculação com Atos 17: 13-16 e com o começo do décimo oitavo capítulo desse livro. É provável que no começo do verão de 50 d.C., ou mesmo antes, Paulo e seus eompanheiros tenham deixado Tessalônica apressadamente, sob a pressão dos perseguidores. A comunidade cristã dali não fora ainda bem firmada. O grupo evangelizador dirigiu-se a Beréia, e dali partiu para Atenas. Paulo enviou Timóteo de volta a Tessalônica (ver I Tes. 3:1-7), enquanto ele mesmo gostaria de tê-lo feito; mas foi impedido de retornar. (Ver I Tes. 2:18). A alusão de Paulo à "Acaia", em I Tes. I :7, indica que ele se encontrava naquela região quando escreveu esta epístola (isto é, achava-se em Corinto, uma das principais cidades do território). Timóteo foi ajuntar-se a Paulo em Corinto, trazendo-lhe o relatório das circunstâncias adversas em Tessalônica, o que motivou a escrita desta epístola. Podemos julgar, pois que esta epístola foi escrita em Corinto, em cerca do fim de 50 d.C. ou começo de 51 d.C. se excetuarmos a epístola aos Gálatas, pois, essa foi a primeira de todas as epístolas do NT. Há boas evidências de que Paulo chegou em Corinto na primavera de 50 d.C; ou um pouco mais tarde, e que esta epístola aos Tessalonicenses foi escrita pouco depois. As evidências arqueológicas dizem-nos quando Gálio apareceu em Corinto. Relacionando a sua chegada à permanência de Paulo na cidade (ver Atos 18:12) podemos obter uma data relativamente segura para essa questão, a única data diretamente firmada pela arqueologia para os acontecimentos do livro de Atos. IV. Motivo e Propósitos O que dizemos acima indica, de maneira regularmente clara, qual o motivo que ocasionou esta epístola. A retirada apressada de Paulo de Tessalônica não lhe permitiu firmar a comunidade cristã dali conforme ele desejava fazê-lo. Paulo havia ensinado àqueles crentes algumas doutrinas, incluindo a doutrina da "parousia" ou segundo advento de Cristo; e isso criara entre os tessalonicenses um vívido interesse. Também lhes ensinara algo sobre a ética cristã; mas não houvera tempo de desviá-los completamente dos vícios pagãos. Portanto, muito ainda havia a ser feito quanto a esse ensino. Não sendo capaz de ir pessoalmente a Tessalônica, Paulo enviou Timóteo para ver como aqueles crentes estariam progredindo. E se sentiu muito animado pelas notícias que Timóteo lhe trouxe na volta; talvez estivessem se conduzindo melhor do que ele esperava, sob tão duras circunstâncias. Mas os tessalonicenses crentes estavam sendo vítimas das perseguições, e isso provocou ansiedade no apóstolo, pois temia que se desviassem de Cristo em meio às dificuldades prementes. Ouvindo, pois, o relatório trazido por Timóteo, tendo tomado conhecimento da situação dos tessalonicenses, de suas vitórias e fraquezas, Paulo escreveu a epístola. Esta epístola procura consolar os crentes de Tessalônica na tribulação; procura, igualmente, modificar seus pontos

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TESSALONICENSES de vista sobre a lassidão nas questões sexuais; procura também instruí-los acerca da realidade e do significado da parousia ou segunda vinda de Cristo, além de procurar fornecer-lhes instruções morais sobre assuntos gerais, para que pudessem viver de uma maneira digna de sua vocação cristã. Entre outras coisas, também parece que, na ausência de Paulo, alguns elementos haviam procurado solapar a influência de Paulo em Tessalônica (ver I Tes. 2: 15-18); e essa atividade pode ser atribuída a adversários judeus do apóstolo. Assim sendo, o próprio Paulo assegurou-lhes que ele desejara retomar a Tessalônica e que não os estava negligenciando, mas que fora impedido por Satanás em seu propósito, através de circunstâncias fora de seu controle. Por conseguinte, enviou-lhes a Timóteo, para substituí-lo. (Ver I Tes. 3:1 e ss). O tom "apologético" desta epístola transparece especialmente em I Tes. 2: 12, onde Paulo se defende de várias acusações, como se ele fosse insincero e usasse de palavras de lisonja a fim de obter suas finalidades, como se ele fosse mercenário e impuro. Essas serão sempre as formas de acusação que os inimigos assacam contra os pregadores do Evangelho, esperando destruí-los.juntamente com sua influência. Paulo nega a verdade de qualquer dessas coisas; e apresentar sua negativa foi um dos propósitos motivadores desta epístola. Paulo apela para a memória dos crentes tessalonicenses acerca de tudo quanto ele e seus companheiros tinham feito entre eles, a fim de refutar tais acusações. V. Temas Centrais Paulo queria se defender de falsas acusações (ver I Tes. 1:9 e 2: 1-13). Também queria encoraj ar aos crentes tessalonicenses sob a perseguição (ver 1 Tes. 2:14 assegurando-lhes que também vinha sendo perseguido. E queria instruí-los acerca de questões morais, mormente aquelas que se relacionam ao sexo e seu uso apropriado. Os pagãos rejeitavam aqueles costumes dotados de mentalidade judaica, devido à sua lassidão sobre todas as questões acima, não sendo tarefa fácil fazer aqueles que vinham do paganismo adotar um ponto de vista sério sobre os pecados de natureza sexual. A maioria dos pagãos nada via de errado nas relações sexuais anteriores ao matrimônio; e apesar de que o adultério era condenado entre eles, mesmo assim era comumente praticado. Além disso, havia perversões comuns entre eles, como o homossexualismo, o que não era condenado em termos bem definidos, nem mesmo pelos melhores filósofos e moralistas pagãos. O trecho de Rom. 1: 18 até o fim, nos fornece um vívido quadro sobre o estado aviltado da moralidade pagã. Paulo, pois, exortou aos crentes tessalonicenses que buscassem uma santificação sincera. Além disso, os crentes de Tessalônica haviam compreendido mal a natureza e a significação da parousia ou segunda vinda de Cristo. Alguns deles pensavam que aqueles que tinham morrido, não tendo podido resistir até o retomo de Cristo, haviam desaparecido para sempre. E Paulo teve de mostrar-lhes que a segunda vinda de Cristo envolverá a ressurreição de todos os remidos, que nenhuma vida crente se perderá, mas antes, que todos os discípulos de Cristo obterão novo significado e nova estatura espiritual naquela oportunidade. (Ver I Tes. 4:13-18). Com base na doutrina da segunda vinda de Cristo, os crentes tessalonicenses são convocados a não "dormir", como os outros, os quais praticam obras próprias das trevas, visto que eram filhos da luz e que estavam aguardando a grande Luz dos Céus, a saber, Cristo Jesus. Desse pensamento, pois, Paulo faz depender todas as suas instruções finais sobre a moralidade. (Ver 1 Tes. 4:4-28).

Esta epistola se reveste de tom altamente pessoal, pois satisfaz as necessidades locais. Por isso mesmo, não inclui grandes e elevadas declarações doutrinárias paulinas, como ajustificação pela fé, por exemplo, com o apoio de textos extraídos das páginas do AT,principalmente porque o antigo problema do legalismo ainda não chegara a perturbar os crentes tessalonicenses. VI. Conteúdo I. Saudação (I: 1) 11. Ação de Graças e Defesa (1 :2-3: 13) 1. Ação de graças pela fé e constância deles 2. Trabalho de Paulo e conduta recente (2:1-12) 3. Ação de graças pelo progresso do evangelho em Tessalônica (2: 13-16) 4. Desejo de revisitar os tessalonicenses (2; 17-20) 5. Timóteo lhes seria enviado (3:1-10) 6. Oração de Paulo quanto a eles (3: 11-13) Ill, Exortações e Instruções (4;1-5:28) 1. Pureza e amor (4:1-12) 2. A parousia e sua significação (4: 13 18) 3. Subitaneidade da vinda do Senhor (5: 1 - lI) 4. Ética prática (5: 12-22) 5. Oração pela igreja (5:23,24) IV. Saudações e Bênção Final (5:25-28) VII. Bibliografia: AM E EN IB 10 LAN MOF NTI TI TIN VIN RO Z M

TESSALONICENSES. Segunda Epístola de Paulo aos Esboço: I. A Igreja em Tessalônica lI. Autoria, Autenticidade e Relação com I Tessalonicenses m. Data e Proveniência IV. Motivos e Propósitos V. Temas Centrais VI. Conteúdo Vll.Bibliografia

MI6),

Posto que as duas epístolas aos Tessalonicenses foram escritas na mesma época, em geral dotadas de muito do mesmo conteúdo, o presente artigo não pode ser reputado completo sem a leitura do artigo sobre a primeira epístola aos Tessalonicenses, devendo ser considerado apenas como um suplemento. O leitor é levado a lembrar-se das afirmações introdutórias que tratam sobre as várias epístolas da coletânea paulina, procurando situar essas duas epístolas entre as mesmas no que concerne tanto à seqüência cronológica como no tocante à sua autenticidade. Deve-se notar que, com a exceção possível da epístola aos Gálatas, essas duas epístolas são os escritos mais antigos do apóstolo Paulo, o que também faz delas os livros mais antigos do próprio NT. I. A Igreja em Tessalônica Este tema é igualmente a primeira questão a ser discutida na introdução à primeira epístola aos Tessalonicenses. O estado geral daquela comunidade cristã continuava estacionado, pois certamente Paúlo escreveu esta segunda carta pouco tempo depois da primeira, quando ainda se achava em Corinto, onde passou dezoito meses. Todavia, a julgar pelo conteúdo desta segunda epístola, pode-se perceber que certos problemas, em vez de tenderem para a solução, se tornaram mais graves. Por exemplo, os "ociosos" e "desregrados", que procuravam viver às custas da igreja local ou de seus parentes, não procurando emprego, desculpando-se de sua indolência em face da proximidade do segundo advento de Cristo, o que tomaria desnecessário o trabalho - se tinham tomado

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TESSALONICENSES ainda mais desordeiros. Por conseguinte, foi mister que Paulo os censurasse ainda mais severamente do que fizera na primeira epístola, tendo chegado a ordenar à igreja local que negasse comunhão com aqueles elementos. Mui provavelmente, aquela gente começara a viver de forma tão desordenada que tinha revertido às suas antigas bebedeiras e boemias pagãs, além de outros pecados de excessos. (Comparar isso com I Tes. 4: II e ss, e com li Tes. 3: 10 e ss, para que se note a diferença nas atitudes, que haviam piorado). Mas aquela comunidade cristã continuava mantendo vívido interesse pelo segundo advento de Cristo para breve. Entretanto, parece que alguns de seus membros tinham pervertido esse ensinamento apostólico, dizendo que tal acontecimento já ocorrera, ou que era de se esperar para dentro de um período excessivamente curto. E isso, evidentemente, provocara alguma agitação na igreja de Tessalônica. Paulo, pois, escreveu esta segunda epístola aos Tessalonicenses a fim de acalmar as águas agitadas. Talvez o ponto mais importante a notar, no tocante à igreja de Tessalônica, em face dessas duas epístolas de Paulo, seja a teoria exposta por Adolph Harnack CDas Problem des zweiten Thessalonicherbriefs" Berling: George Reijer, 1910). Essa teoria estipula que a primeira dessas epístolas foi dirigida, principalmente, ao ramo gentílico da igreja, ao passo que a segunda foi escrita à seção judaica. As narrativas de Atos 17: 1,2,4 e 18:4 mostram-nos que havia, realmente, um grupo judaico. Essa teoria foi proposta a fim de explicar algumas dificuldades atinentes à teoria, sendo abordada com maior amplitude na seção seguinte a esta introdução. Se essa teoria está ao lado da verdade, ficaria provado o fato de que aquela comunidade cristã se compunha de dois elementos bem distintos, e também que o elemento judaico tinha considerável poder, por ser numericamente forte. Por outro lado, a falta total do problema "legalista" (que era uma praga em Corinto, em Roma e na Galácia), e que provocara as longas explicações paulinas sobre a doutrina da justificação pela fé, além de várias reprimendas contra seus oponentes, parece sugerir-nos que o elemento judaico na comunidade cristã de Tessalônica era pequeno e essencialmente destituído de influência, a menos, naturalmente, que aqueles judeus convertidos tivessem ficado inteiramente convencidos sobre a veracidade da doutrina de Paulo. Porém, isso não é muito provável, pois em nenhuma outra localidade Paulo conseguiu conquistar para seus pontos de vista, mui facilmente, os judeus, depois de muitos anos de lealdade às tradições judaicas. 11. Autoria, Autenticidade e Relação com I Tessalonicenses A primeira epístola aos Tessalonicenses tem sido aceita de modo virtualmente universal, e em todos os séculos, como livro de autoria paulina. E essa aceitação também era conferida a esta segunda epístola aos Tessalonicenses, até os tempos modernos, quando várias dificuldades foram levantadas pelos estudiosos, as quais são expostas em forma de esboço, como segue: A. Para começar, temos de considerar o problema mais dificil de todos, a ênfase escatológica dessas duas epístolas. O trecho de I Tes. 4: 13 e ss declara que a Parousia (vide), isto é, a segunda vinda de Cristo (ver I Tessalonicenses 4: 15), era esperada para breve, se não para imediatamente, sem quaisquer sinais precedentes. Mas a passagem de li Tes. 2:1-12 declara, de forma igualmente enfática, que aquele dia não seria cumprido imediatamente, mas antes, que seria precedido por vários sinais e acontecimentos, como, por exemplo, o aparecimento do Anticristo. Pelo

menos superficialmente, esses dois ensinos são claramente contraditórios. E apesar desta segunda epístola aos Tessalonicenses assim mesmo indicar que o segundo advento de Cristo é para breve, pois o "mistério da iniqüidade" é visto como algo que já opera, todavia, essa vinda não pode ser encarada como "iminente". E diversos métodos têm sido empregados para explicar essa diferença sobre pontos de vista escatológicos, conforme a apresentação dessas duas epístolas, a saber: 1. Talvez a explanação mais popular da Igreja evangélica de hoje em dia consista em dizer que a primeira epístola aos Tessalonicenses aborde a questão do "arrebatamento da Igreja", que seria realmente iminente, não requerendo qualquer sinal antecedente, ao passo que na segunda dessas epístolas, o "segundo advento de Cristo, em glória", a fim de julgar, estaria em foco, o qual seria precedido por diversos sinais, incluindo o período da tribulação e a vinda do Anticristo. A dificuldade com esse ponto de vista é que o exame dos termos usados em ambas as epístolas são idênticos, e que a única diferença se dá dentro do elemento do "tempo", isto é, se a segunda vinda de Cristo deve ser reputada como iminente ou não. A passagem de li Tes. 3:2 usa as palavras dia de Cristo, que é uma expressão comum para indicar a "parousia", aplicada por toda a parte para indicar a expectação dos crentes. (Ver Fil. 1:10 e 2: 17, por exemplo). A passagem de I Tes. 5:2 usa a expressão "dia do Senhor". Poderíamos esperar que essa expressão fosse usada para aludir ao dia do juízo, pois, no AT, ela é seguidamente usada com esse significado. No entanto, quando examinamos essas expressões, como o dia de Cristo (ver Fil. 1:1O), "dia de Jesus Cristo" (ver Fil. 1:6) e "dia do Senhor" (ver 11 Tes. 2:2), percebemos que elas foram utilizadas como expressões sinônimas. Além disso, pode-se observar o modo de usar a expressão "dia", nos capitulas quarto e quinto da primeira epístola aos Tessalonicenses, onde não se nota qualquer distinção no que esse dia se aplica aos crentes ou aos incrédulos, quanto ao "período de tempo" em que o mesmo ocorrerá, a despeito das imensas diferenças de seus "efeitos". Um mesmo dia apanhará alguns sonolentos e outros despertos. Na verdade, a distinção quanto ao "tempos" surgiu na mente dos estudiosos nos últimos cento e cinqüenta anos. A questão inteira é discutida com abundância de detalhes, com argumentos favoráveis e contrários, nas notas expositivas em I Tes. 4: 15 no NT!. (Ver o artigo sobre a Parousia). Pode-se asseverar, portanto, que a distinção entre o "arrebatamento da Igreja" e a "segunda vinda de Cristo", como explicação para as diferenças sobre pontos escatológicos, entre a primeira e a segunda epístola aos Tessalonicenses, não é muito adequada. (Ver o artigo sobre Dia do Senhor). 2. Outros eruditos supõem que a primeira epístola aos Tessalonicenses tenha sido escrita para a porção gentílica da Igreja, e que a segunda dessas epístolas tenha sido escrita para a porção judaica. Porém, mesmo admitindo ser isso uma verdade - embora não haja real motivo para aceitar tal idéia - o problema de por que Paulo teria ensinado uma escatologia para os gentios e outra para osjudeus permanece um mistério. Que não havia problemas legalistas na comunidade cristã de Tessalônica é prova suficiente de que a divisão judaica ali existente era pequena e relativamente destituida de poder de influência. 3. Além disso, poderíamos supor que o próprio Paulo tenha mudado de maneira de pensar, ou que talvez tivesse duas opiniões ao mesmo tempo, hesitando entre uma e outra; ou então, poderiam ter-lhe sido dadas algumas

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TESSALONICEN8E8 revelações adicionais sobre o Anticristo, depois que escreveu a primeira epístola aos Tessalonicenses, o que modificou suas opiniões sobre a iminência do retomo de Cristo. Se não admitirmos tal modificação, então, simplesmente, ficamos abraçados com um mistério sobre por que ele expôs dois pontos de vista diferentes para a mesma comunidade cristã. 4. Há intérpretes que simplesmente vêem uma solução na idéia de que algum discípulo de Paulo ou um cristão de séculos posteriores compôs em seu nome a segunda epístola aos Tessalonicenses, em um período da história quando os crentes começaram a perceber que a vinda de Cristo não ocorreria "imediatamente"; e assim esta segunda epístola teve por intuito corrigir o ponto de vista da primeira. Alguns crentes provavelmente começaram a pensar que a outorga do Espírito Santo, o a/ter ego de Cristo, fora, realmente, a vinda prometida. 5. A solução mais satisfatória, porém, para vários estudiosos que se aferram à autoria paulina desta segunda epístola aos Tessalonicenses é que nada há de tão estranho assim em um autor sagrado defender duas opiniões aparentemente contraditórias, expressando uma delas numa oportunidade, para em seguida, oferecendo-se ocasião para tanto, começar a expor a outra opinião, também por razões adequadas. 6. Para mim existe uma explicação ainda mais provável do que qualquer daquelas apresentadas acima. Luz do Velho Testamento: E claro, nas escrituras do "Y.T., que diversos profetas apresentam a primeira e a segunda vindas de Cristo sem qualquer distinção cronológica. Eles não compreenderam que estavam descrevendo dois acontecimentos. O avanço do processo histórico-espiritual e o cristianismo trouxeram o conhecimento de que o plano de Deus incluiria dois adventos. Paulo, estando longe do tempo do Segundo Advento, não tinha uma compreensão muito exata sobre os aspectos cronológicos daquele acontecimento futuro. Pode ser, então, que a vinda de Cristo para a Igreja, e a vinda para julgar o mundo, foram separadas por algum tempo, sem que as escrituras do Novo Testamento fizessem isto muito claro. Paulo, portanto, podia esperar o arrebatamento da Igreja como se fosse sem sinais. Mas esta esperança foi um sentimento, não um dogma. Os cristãos do primeiro século, de modo geral, compartilharam este sentimento. I Tes. descreve o sentimento de iminência. 11 Tes. tem informação mais exata que assume a forma de um dogma. A informação é que a Igreja deve enfrentar o Anticristo. Naturalmente, isto quer dizer que certos sinais devem anteceder a vinda de Cristo para a Igreja (o arrebatamento). 11 Tes. e Apocalipse mostram que a Igreja deve enfrentar o Anticristo e, portanto, passar pelo menos parte da Grande Tribulação. Se a vinda de Cristo para a Igreja acontecer antes daquela para julgar, então a Igreja pode ser arrebatada antes dos sete anos tradicionais da tribulação. Mas a própria tribulação, quase certamente, durará bem mais do que estes sete anos, provavelmente 40 anos, o número místico e simbólico de provação. Os sete anos constituirão uma parte dos quarenta, e terão uma aplicação especial para a nação de Israel. A substância do meu argumento é, então, que em I Tes. Paulo antecipava o arrebatamento da Igreja sem sinais, portanto, potencial e iminentemente. Mas esta esperança foi um sentimento, não um dogma. Em 11 Tes., Paulo demonstra um conhecimento mais avançado. A Igreja deve enfrentar o Anticristo. Este conhecimento toma-se um dogma. O Apocalipse confirma a verdade do dogma.

B. O próprio caráter da segunda epístola aos Tessalonicenses, em seu segundo capítulo, tem deixado os intérpretes perplexos, levando alguns deles a duvidar da autoria paulina. A forma de abordar a questão do Anticristo se destaca como absolutamente sui generis nos escritos de Paulo. Entretanto, a maioria dos eruditos rejeita a idéia de "interpolação", porquanto tal capítulo se encaixa perfeitamente dentro da epístola, fazendo P:rrte integral da mesma, e não sendo uma excrescência. E possível, a despeito disso, que certas doutrinas, até mesmo doutrinas importantes, pudessem encontrar caminho apenas uma vez para o interior de um grupo de epístolas, as quais, afinal de contas, foram apenas algumas dentre muitas. Pelo menos não há razão por que isso não poderia ter acontecido. As passagens de 1 João 2:18 e ss, e 11 João 7 mostram-nos que a tradição sobre o Anticristo já existia na Igreja primitiva. Alguns elementos da Igreja primitiva pensavam que Nero seria o Anticristo; e muitos deles, mesmo depois da morte daquele imperador romano, imaginavam que o Anticristo seria o Nero redivivo, ponto de vista esse defendido por alguns até hoje. Outros explicam a presença dessa seção do segundo capítulo da presente epístola como um pequeno apocalipse cristão, mas não composto por Paulo e, sim, apenas incorporado nesta sua epístola, e que encerrava algum pensamento contraditório com o daquele apóstolo, expresso em sua primeira epístola aos Tessalonicenses. Todavia, isso não passa de conjetura - provavelmente incorreta. C. Para alguns eruditos, a evidência forte, contrária à autoria paulina, não consiste nos problemas escatológicos, mas antes, na extrema semelhança de estilo e de linguagem entre a primeira e a segunda epístolas aos Tessalonicenses. Pois essas cartas são por demais parecidas em seu conteúdo, a ponto de despertar suspeita, excetuando o caso do pequeno apocalipse, constituído pelo segundo capítulo desta segunda epístola. Isso poderia indicar que um autor posterior copiou grandes porções daquela primeira epístola, ficando assim produzida uma epístola que é quase uma duplicata daquela; mas esse autor desconhecido teria acrescentado o que é agora o segundo capítulo desta segunda epístola e que versa sobre a segunda vinda de Cristo, a fim de contrabalançar a idéia da iminência de seu retomo. E aqueles que aceitam esse argumento como veraz salientam que a duplicação é quase sempre verbal, embora lhe falte algo, a saber, o calor normal e a afeição das expressões de Paulo. Assim teria sido criada uma "imitação", com algumas modificações vitais, feitas por razões dogmáticas, e talvez em adaptação aos sentimentos cristãos de um período posterior, no tocante ao elemento do "tempo" da "parousia", ou segundo advento de Cristo. Naturalmente, isso se dá no caso de todas as cartas forjadas, que com freqüência incorporam porções extensas de escritos genuínos conhecidos do autor verdadeiro, para facilitar a imitação. (Ver Laodicenses, Epístola aos. Essa epístola forjada contém muitos elementos da epístola aos Filipenses, tendo sido ainda incorporadas idéias que aparecem em outros escritos paulinos, que nos são bem conhecidos, não passando de uma carta obviamente forjada). Mas a diferença de tom tem sido explicada com base na teoria de que a primeira epístola aos Tessalonicenses foi dirigida à Igreja cristã gentílica, ao passo que a segunda epístola do mesmo nome foi dirigida à seção judaica da Igreja. Mas essa teoria não oferece solução adequada, pois por que razão Paulo seria tão obviamente caloroso para com os crentes gentios, e frio para com os crentes judeus, de urna única comunidade cristã? Além disso, a grande

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TESSALONICENSES semelhança entre uma e outra dessas epístolas pode ser melhor explicada pelo pensamento de que Paulo empregou tipos esterotipados de expressão, visto que escrevia novamente para o mesmo grupo e já que falava sobre o mesmo assunto, com esclarecimentos mais profundos. Não é de admirar, pois, que tivesse usado as mesmas formas de expressão. Se o que dissemos no fim deste parágrafo é verdade, então ficaria demonstrado, pelo menos, que um grande autor ou um grande pregador, pode cair no mau estilo das repetições cansativas. D. Finalmente, tem sido salientado por alguns eruditos que as fortes tentativas de afirmação de genuinidade, conforme se vê em 11 Tes. 2:2,15, onde "epístolas anteriores" do apóstolo Paulo são mencionadas; vinculando esta àquelas, ou como o trecho de 11 Tes. 3: 17, que é uma afirmação direta da autoria paulina, são tentativas artificiais e exageradas; e isso sob a alegação de que Paulo não tinha razão alguma para mostrar-se tão "apologético" acerca dessa questão, ante os crentes de Tessalônica. Portanto, esses críticos consideram essas tentativas de autenticação como esforços feitos, por algum escritor posterior, que teria escrito em nome de Paulo, e que queria que sua epístola fosse aceita mais facilmente com base na reconhecida autoridade daquele apóstolo. No entanto, há eruditos que vêem nessas tentativas exatamente sinais da autoria paulina, pois, se tais tentativas não fossem genuínas, facilmente teriam sido reconhecidas cama artificiais pelos seus primeiros leitores. E. Quando se trata de cartas tão curtas como I Tes. é fácil cair na armadilha de exagero sobre questões de estilo, conteúdo e vocabulário, fazendo mais de tais coisas do que uma quantidade tão pequena de matéria permite. Acreditamos que certos eruditos têm visto demais numa quantidade de matéria tão pequena, e seus argumentos contra a autoria paulina não são convincentes. A despeito das dificuldades, a maioria dos estudiosos modernos continua defendendo a autoria paulina desta segunda epístola aos Tessalonicenses; e esta Enciclopédia trata essa epístola como um dos escritos genuínos de Paulo. 111. Data e Provienência (Quanto a esse particular, ver uma discussão sobre a mesma questão, na seção 1IIdo artigo à primeira epístola aos Tessalonicenses). A maioria dos eruditos acredita que a data não pode ser fixada em muito depois da primeira epístola àquela comunidade, e que ambas foram escritas em Corinto, pelas razões aludidas nas notas referidas. Entretanto, alguns estudiosos têm chegado à estranha conclusão de que a segunda epístola aos Tessalonicenses foi escrita antes da primeira, tendo sido enviada àquela comunidade de Beréia, antes da viagem de Paulo para Atenas, e daí para Corinto, Entretanto, esse ponto de vista tem recebido pouquíssima atenção, sendo algo altamente conjecturaI, com pouca evidência sólida em seu favor. E muito dificil entendermos o trecho de II Tes. 2: 1-12, exceto como tentativa de "corrigir" determinadas idéias que a comunidade cristã de Tessalônica chegou a ter, por causa da primeira epístola aos Tessalonicenses, a qual não foi bem entendida, sobretudo em seu estudo sobre a "parousia" ou segundo advento de Cristo. As referências de 11 Tes. 2:2 e 13 parecem referir-se ao retomo àquela primeira epístola. Além disso, a exposição acerca dos desordenados, em II Tes. 3:10 e ss, parece ser um ponto mais avançado na menção do mesmo problema, feito em I Tes. 4: 11, problema esse que, aparentemente, se tomara ainda mais crítico desde que fora escrita aquela primeira epístola. Estamos aqui manuseando os escritos mais

antigos do apóstolo dos gentios, e também os escritos mais antigos de todo o NT, com a exceção única e possível da epístola aos Gálatas. Provavelmente a primeira e a segunda epístola aos Tessalonicenses podem ser datadas em cerca do ano 50 d.C., isto é, cerca de vinte anos passados da cena da crucificação e da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. IV. Motivos e Propósitos (Quanto ao material do pano de fundo sobre este particular, ver a exposição sobre o mesmo tema, na seção IV da primeira epístola aos Tessalonicenses). Após ter sido enviada a primeira epístola aos Tessalonicenses, cujo intuito foi o de corrigir certas idéias errôneas, bem como alguma conduta imprópria da parte de certos crentes tessalonicenses, Paulo continuou a receber, em Corinto, relatórios perturbadores acerca das condições daquela comunidade cristã. A questão da "parousia" ou dia do Senhor (a sua segunda vinda), continuava a ser tema intensamente referido, mas do qual alguns abusavam ou expunham pontos de vista errôneos. É bem provável que alguns daqueles crentes tivessem começado a dizer que o retorno de Cristo já ocorrera, podendo ser talvez identificado com o dom do Espírito; mas outros persistiam em exagerar sobre sua iminência, recusando-se a trabalhar e vivendo às expensas da igreja ou de seus parentes, além de se comportarem de forma desordenada. E verdade que aqueles crentes tessalonicenses tinham sido bem instruídos acerca dessa questão escatológica (ver o trecho de 1 Tes. 5: I ,2; e ver igualmente II Tes. 2: 5); mas as idéias errôneas persistiam. mesmo depois de haver sido recebida a primeira epístola aos Tessalonicenses. Por isso é que Paulo escreveu a presente segunda epístola aos Tessalonicenses, a fim de aclarar certos pontos expressos na primeira, dizendo ele que o dia de Cristo ainda não ocorrera, e que, apesar do retorno de Cristo ser para "breve" (provavelmente Paulo retinha a idéia que isso ocorreria estando ele mesmo ainda vivo na carne), não seria esse advento para "já", pelo que também todos os crentes deveriam continuar a trabalhar normalmente. Foi também em face disso que Paulo incorporou a importante seção acerca do Anticristo, porquanto considerava o aparecimento do iniquo como um acontecimento necessário para antes do aparecimento do "dia de Cristo". (Ver a seção 11 deste artigo, quanto a uma discussão sobre as dificuldades da suposta "contradição", criadas pela primeira epístola aos Tessalonicenses, e por causa do que alguns eruditos têm chegado a duvidar da autoria paulina desta segunda epístola aos Tessalonicenses. Ver também os trechos de 11 Tes. 2: 1-12 e 3: 10 e ss, acerca de evidências em favor desses "motivos" da escrita desta segunda epístola). "Parece (com base em 11 Tes. 3: 11) que todas essas questões haviam sido relatadas ao apóstolo, oralmente, por alguns daqueles que, na época, iam a Tessalônica e voltavam (ver 1 Tes. 1:7,9 e II Tes. 1:4), ou então da parte do portador desconhecido da primeira epístola aos Tessalonicenses (comparar com 1 Tes. 1: 1 e 3:6), ou mesmo mediante uma carta recebida por eles (conforme é sugerido por James E. Frame). Não estamos certos acerca do canal ou canais informativos; mas as condições e as necessidades propriamente ditas são perfeitamente claras". (Bailey, na introdução ao seu comentário sobre esta segunda epístola aos Tessalonicenses). V. Temas Centrais A intensa ênfase escatológica prossegue, destacando-se sobretudo a volta de Cristo para breve, embora agora seja antecedida por certos acontecimentos,

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TESSALONICENSES - TESTAMENTO que servem de sinais, deixando assim de ser absolutamente iminente. A esse quadro profético é acrescentado o "pequeno apocalipse", constante do trecho de 11 Tes. 2:1-12, que na realidade forma o tema central desta segunda epístola inteira. A ênfase sobre a necessidade de "santificação" continua; pois aqueles crentes viviam em meio a uma sociedade pagã, precisando eles ser constantemente relembrados acerca dessa particularidade. (Comparar os trechos de I Tes .4:3 elITes. 2: 13 entre si). Lemos agora que a santificação é o meio de salvação, porquanto a salvação realmente se vai concretizando através da santificação. Sim, pois ninguém verá ao Senhor Deus sem a "santidade" (ver Heb. 12:14); e isso como urna possessão real do indivíduo, e não meramente como questão "forense". A ênfase sobre a ética prática, mediante o amor, tem prosseguimento (ver 11 Tes. 3:1·5); em seguida, a fortíssima reprimenda contra os "ociosos" e "desordeiros" (ver 11 Tes. 3:6 e ss) desenvolve o mesmo tema que é mencionado na passagem de I Tes. 4: 11 e ss. O tema do "consolo debaixo das perseguições" é o tema da introdução, o que também se verifica no caso da primeira epístola aos Tessalonicenses. (Comparar 11 Tes. 1:4 e ss, com 1 Tes. I :6,7 e 3:3 e ss).O fortíssimo tom apologético que transparece na primeira dessas epístolas, onde Paulo se defende de certas críticas que faziam a ele na comunidade cristã de Tessalônica, entretanto, se faz ausente nesta segunda epístola. VI. Conteúdo I. Saudações (l: 1,2) 11. Ação de Graças e Encorajamento (l :3-12) I. Elogio à fé, ao amor e à constância (1:3,4) 2. Juizo de Deus contra os perseguidores e impios (1:5-7a) 3. Aparousia (l:7b.l0) 4. Oração de Paulo por eles (1:11,12) 111. O Anticristo e os Eventos Anteriores à Parousia (2: 1-17) L Repreensão contra os falsos ensinos (2:1-3a) 2. Descrição sobre o Anticristo (2:3b-l0) 3. Castigo dos que amam o erro (2:11,12) 4. Ação de graças pela chamada divina dos tessalonicenses (2:13-15) 5. Oração em prol da constância deles (2: 16,17) IV.Instruções e Oração Final (3: 1-18) L Pedido de orações da parte deles (3: 1,2) 2. Confiança de Paulo neles (3:3-5) 3. Severa advertência aos ociosos e desordenados (3:615) V. Bênção (3: 16-18) VII. Bibliografia. AM E EN I IB 10 LAN MOF NTI TI TIN VIN RO Z

TESTA Há urna palavra hebraica e urna palavra grega envolvidas neste verbete: I. Metsach, "testa", termo hebraico usado por onze vezes: Isa. 48:4; Êxo. 28:38; 1 Sam. 17:49; 11 c-e. 26:19,20; Jer. 3:3; Eze. 3:8,9; 9:4. 2. Métopon, "testa", "lugar entre os olhos". Palavra grega usada por oito vezes, sempre no livro de Apocalipse (7:3; 9:4; 13:16; 14:1,9; 17:5; 20:4; 21:4). Literalmente, a palavra grega envolvida significa "acima do olho". No Antigo Testamento encontramos os seguintes sentidos da palavra: 1. No sentido literal (Êxo. 28 :28), Aarão foi instruido a usar urna placa de ouro puro, sobre a testa, quando estivesse oficiando corno sumo sacerdote. Em I Sam. 17:49 e II Crô, 26: 19,20, a palavra

"testa" é mencionada em conexão com os sinais da lepra, ali deixados. 2. No sentido figurado, em Eze. 3:8,9, que menciona a direção em que a pessoa volta a cabeça, indica determinação ou desafio. Em Eze. 9:4·6 aprendemos que a letra hebraica "T" (que tinha a forma de uma cruz, nos tempos antigos), era marcada sobre a testa daqueles que lamentavam por causa das abominações de Israel. Todas as referências neotestamentârias à testa de alguém dizem respeito às marcas, selos ou nomes que serão postos ali, para identificar quem é servo do Senhor, nos últimos dias. Mediante esses sinais, haverá a distinção espiritual entre os que são e os que não são servos de Deus. Ver Apo. 7:3; 9:4; 13:16; 14:1 e 20:4. Também sabemos que as antigas prostitutas faziam-se conhecer através de alguma espécie de marca posta na testa. Ver Jer. 3:3 e Apo. 17:5. No livro de Ezequiel, as marcas sobre a testa eram feitas com tinta; mas, no livro de Apocalipse, essas marcas são selos. No Êxodo, as marcas na testa eram devidas a pragas. Além disso, os israelitas religiosos, a mando do Senhor, usavam ftlactérias (vide) sobre a testa Usos Figurados: Entre os itens acima mencionados, há sentidos figurados. Poderíamos alistar, especificamente, os seguintes: 1. A atitude de desafio ou de determinação pode ser indicada pela direção em que o rosto ou testa se volta (Eze. 18,9). 2. Ter a testa selada ou assinalada pode indicar identificação, proteção (Eze. 9:3; Apo. 7:3). 3. Ter o nome de Deus inscrito na testa identifica a pessoa com o ser divino e subentende a obediência às leis de Deus, bem como notável serviço prestado ao Senhor (Apo. 14:I ; 22:4). 4. Uma testa ou fronte de prostituta (ler. 13; cf Eze. 3:8) indica obstinação contra Deus e a idolatria, com todos os tipos de pecados pagãos combinados. 5. Aqueles que receberão a marca da besta (ver sobre o Anticristo] estarão irremediavelmente assinalados como seus servos, e serão os instrumentos especiais da rebelião e da corrupção mundiais, encabeçadas por ele (Apo. 13:16; 20:4).

TESTAMENTO No grego, diathéke, um vocábulo que figura por trinta e três vezes no Novo Testamento: Mal. 26:28; Mar. 14:24; Luc. 1:72; 22:20; Atos 3:25~ 7:8; Rom. 9:4~ 11:27 (citando Isa. 59:21); I Cor. 11:25; lICor. 16,14; Gál. 3:15,17; 4:24; Efé. 2:12; Heb. 7:22; 8:6,8 (citando Jer. 31:31); 8:9 (citando ~er. 31 :32); 8:10 (citandoJer. 31:33); 9:4,15-17,20 (citando Exo. 24:8); 10:16,29; 12:24; 13:20 e Apo. 11:19. Na tradução da Septuaginta, do hebraico para o grego, terminada em cerca de 200 a.C., o termo hebraico berith, "acordo", "pacto", foi comumente traduzido pelo termo grego diathéke, "testamento", o que mostra que aqueles tradutoresjudeus compreenderam que o Antigo Testamento era mais do que um simples acordo ou aliança entre duas partes: entre Deus e o povo de Israel; antes, seria a publicação da soberana vontade de Deus, visando à salvação do homem. Nos dias do Novo Testamento, o sentido primário da palavra grega diathéke havia chegado a uma evidência tal que a idéia secundária de "acordo" quase havia desaparecido. De fato, na literatura grega não-bíblica, esse vocábulo grego dava a entender única e tão-somente como "última vontade", "testamento". Paulo usou essa palavra com esse sentido, em Gál, 3:15~17: "Irmãos, falo como homem". Ainda que urna aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta

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TESTEMUNHA OCULAR - TESTEMUNHO testificado por Ele no mundo. Testemunha fiel porque tudo quanto ouviu do Pai, tornou-o fielmente conhecido de seus discípulos. Testemunha fiel porque Ele ensinava o caminho de Deus em verdade, não mostrando respeito humano. Testemunha fiel porque Ele anunciou condenação contra os réprobos e salvação para os eleitos. Testemunha fiel porque confirmou, por meio de milagres, a verdade que ensinava com suas palavras. Testemunha fiel porque não negou, nem mesmo diante da morte, o testemunho do Pai a seu respeito. Testemunha fiel porque Ele dará testemunho, no dia do julgamento, a respeito das obras boas e más" (Richard of St. Victor). TESTEMUNHA OCULAR Uma testemunha ocular é muito importante nos casos em que se requer autenticação. Ver o artigo geral sobre a Historicidade dos Evangelhos, onde esse fato é enfatizado. O trecho de Luc. 1:2 frisa o fato de que o relato de Lucas estava alicerçado sobre narrativas de testemunhas oculares. A passagem de Atos I :21 mostra que somente uma testemunha ocular da vida de Jesus podia substituir Judas Iscariotes, para completar o número de doze apóstolos. O trecho de I João 1: 1 ressalta a importância da narrativa do testemunho ocular dos apóstolos. Eles tinham visto e acompanhado ao Senhor. Sabiam sobre o que estavam falando. O trecho de 11 Pedro I :16 é especialmente instrutivo: "Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade". Paulo aludia, principalmente, à transfiguração do Senhor Jesus, diante de três de seus discípulos. Ver Mat, 17: 1 ss, TESTEMUNHAS DE JEOV Á Quanto às idéias distintivas e às informações adicionais sobre essa seita religiosa moderna, ver os artigos separados sobre Russell, Charles Taze; Russelismo; Alvorecer do Milênio e Rutherford, J.F 1. Algumas Idéias. Esse é o nome de um grupo religioso de tendências exclusivistas pronunciadas, que se diz inspirado nas palavras de Isaías 43: 10: "Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor (no hebraico, Yahweh)..." As suas doutrinas distintas incIuem sua ênfase sobre Jeová (vide) como o único verdadeiro Deus. Cristo, para eles, teria sido uma espécie de mera divindade secundária. Eles interpretam e traduzem João 1: I como: " ... e a Palavra era deus" (Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas), embora concedam que Ele será o Rei do prometido novo mundo milenar. Na qualidade de Rei celestial e terreno, Cristo virá destruir todos os ímpios da Terra por ocasião da batalha do Annagedom. E o fiel remanescente que obedece a Jeová haverá de sobreviver a essa batalha, vivendo para sempre sobre a Terra, no novo mundo. Desse modo, a promessa de salvação teria uma natureza essencialmente terrena, e não celestial. Os artigos acima mencionados fornecem outros detalhes. 2. Extensão da Organização e Ênfase sobre a Literatura. Há cerca de um milhão e meio de membros espalhados por cento e noventa e sete diferentes países. Eles têm quase trinta mil salões do reino. Um quinto desse número acha-se nos Estados Unidos da América do Norte. Os membros de cada congregação reúnem-se várias vezes por semana, para estudo bíblico, e para o treinamento de evangelistas e ministros. Há grande ênfase sobre a literatura. A cada ano, são distribuídos cerca de vinte milhões de itens de literatura. A publicação principal é a revista chamada Torre de Vigia, com publicação

quinzenal, em mais de setenta idiomas diferentes. Há uma circulação mensal de cerca de seis milhões de cópias. Despertai é o título de outra publicação, impressa em cerca de trinta idiomas, com uma circulação que também chega perto de seis milhões de cópias mensais. Além dessas revistas, muitos livros têm sido publicados por essa seita, com uma circulação total de mais de um bilhão de cópias, em mais de cento e sessenta idiomas. 3. Assembléias Internacionais. Essa seita é muito ativa na promoção de grandes assembléias, em muitos países, com o propósito de reunir as pessoas de algum país especifico, que trabalham nessa organização. As assembléias em países particulares também são freqüentadas por grupos provenientes de outros países. Quase duzentas mil pessoas têm freqüentado algumas dessas gigantescas reuniões, e os batismos em massa adicionam um colorido pitoresco a essas reuniões. 4. O Apelo à Antigüidade. Os membros fiéis e convictos desse grupo supõem que eles podem traçar suas raízes denominacionais até Abel, filho de Adão! E típico de todos os grupos, até mesmo evangélicos, tentarem encontrar raízes antigas, o que, na mente de tais membros, retira o estigma de seu grupo ser uma seita recente. Mas, poderíamos indagar: Onde Deus estava operando, antes desta ou daquela seita em questão ter vindo à existência? Vários grupos religiosos, portanto, alimentam mitos que têm o propósito de estabelecer raízes pseudo-antigas. Seja como for, a organização das Testemunhas de Jeovâ começou na década de 1870, em resultado das atividades de Charles Taze Russell, Eles vieram a ser conhecidos como russellitas, em face do nome de seu fundador. As obras literárias originais, a Torre de Vigia e a Sociedade de Tratados, foram oficializadas em 1884. A sede principal está localizada em Columbia Heights, Brooklyn, Estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América do Norte. Há mais de cem escritórios filiais, espalhados por muitos países ao redor do mundo. Esses são centros que promovem o ensino e o evangelismo, através da prédica, de conferências e de farta literatura. TESTEMUNHO Há três palavras hebraicas envolvidas e três gregas, a saber: L Edah, "testemunho". Termo hebraico que é usado por vinte e seis vezes, conforme vemos, para exemplo: Deu.4:45;6:17,20; Sal. 25:10; 78:56 93:5; 99:7; 119:2,22,24,46,59,79,95,119,125, 138,146,152,167,168; 132:12; Jos. 24:27; Gên. 21:30; 31:52. 2. Ed, "testemunho". Vocábulo hebraico usado por sessenta e nove vezes. Exemplos: Gên. 31 :44,48,50, 52; Êxo, 20:16; Lev. 5:1; Núm. 5:13; Deu. 5:20; 17:6,7; 31:19,21,26; Jos. 22:27,28,34; Rute 12:5; 1 Sam.12:5;JÓ 10: 17; Sal. 27: 12; Pro. 6: 19; 12: 17; 25: 18; Isa, 8:2; 19:20; Jer. 29:23; Miq. 1:2; Mal. 15. 3. Teudah, "testemunho". Palavra hebraica que ocorre por três vezes: Rute 4:7; Isa, 8:16,20. 4. Martúrion, "testemunho". Substantivo grego usado por vinte vezes, por exemplo: Mat. 8:4; 10: 18; 24:14; Mar. 1:44; 6:11; Luc. 5:14; 9:5; 21:13; Atos 4:33; 7:44; 1 Cor. 1:6; 2: 1; 11 Cor. 1: 12; 11 Tes. I: 10; 1 Tim. 2:6; 11 Tim. 1:8; Heb. 3:5; Tia. 5:3; Apo. 15:5. A forma marturia, "testemunho", aparece por trinta e sete vezes: Mar. 14:55,56,59; Luc. 22:71; João 1:7,19; 3:11,32,33; 5:31,32,34,36; 8:13,14,17 (citando Deu. 19: 15); 19:35; 21 :24; Atos 22: 18; 1 Tim. 17; Tito 1:13; 1 João 5:9,10, li; 11 João 3:6, 12; Apo. 1:2,9;6:9; li: 7; 12:1I,17; 19: 10e

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TESTEMUNHO - TESTEMUNHO DO ESPÍRITO 20:4. O verbo, marturéo, "testificar", aparece por setenta e três vezes; exemplos são: Mal. 23:31; Luc, 4:22; João 1:7, 8; 15,32,34; 4:39,44; 5.37,39; 7:7; 10:25; 12:17; 13:21; 18:23,37; Atos 6:3; 10:22,43; 13:22; 14:3; 15:8;26:5; Rom. 3:21; 10:2; I Cor. 15: 15; 11 Cor. 8:3; GáL 4:15; Cal. 4: 13; I Tim. 5:10; 6:13; Heb. 7:8,17; 10:15; I João 1:2; 4:14; 5:6,7,9,10; 11 João 16,12; Apo, 1:2; 22:16,18,20. 5. Diamartúromai, "testificar amplamente". Verbo grego usado por quinze vezes: Luc. 16:28; Atos 2:40; 8:25; 10:42; 18:5; 20:21,23,24; 23:11; 28:23; I Tes. 4:6; I Tim. 5:21; 11 Tim. 2:14; 4:1; Heb. 16. 6. Epimarturéo, "testificar além", verbo grego usado somente por uma vez, em 1 Ped, 5: 12. Com certa variedade de significados na Bíblia, a palavra testemunho e os seus cognatos verbais, dependendo do contexto, significam: a. testemunho; b. evidências em prol de alguma coisa; c. as tábuas de pedra sobre as quais foram gravados os dez mandamentos; d. a arca da aliança; e. o livro inteiro. da lei; f. a Palavra de Deus dada a algum profeta; g. o Evangelho cristão; h. as Escrituras, em sua inteireza. Vejamos alguns exemplos desses significados: a. O primeiro desses sentidos é visto em 11 Tirn. 1-8, onde Paulo exorta a Timóteo a não se envergonhar do testemunho dele (martúrion), em favor de Cristo. b. Um exemplo do segundo sentido encontra-se em Atos 14:3, onde nossa versão portuguesa diz: " ...0 qual confirmava a palavra da sua graça..." c. Em certo número de casos, no Antigo Testamento, a palavra "testemunho" (na Septuaginta, marturía) refere-se ao decálogo, como clara afirmação da vontade de Deus (por exemplo: Êxo. 25: 16,21), de onde nos chega a expressão "tábuas do testemunho" (Num. 31:18; 32: 15; 34:29). d, Nesse mesmo contexto, le-se acerca da "arca do testemunho" (Êxo. 25 :22; 26:33,34; 30:6; 31:7, etc.), ou, simplesmente, "testemunho", onde a arca da aliança está em pauta (Êxo. 16:34; 27:21; Lev, 16:13). e. A expressão "testemunho" passou então a indicar o livro inteiro da lei dê Deus (Sal. 19:8; 78:5; 81:5; 119:88; 1214). f. Em algumas instâncias, "testemunho" quer dizer a Palavra de Deus dada a algum profeta (Isa, 8:16,20). g, Nos trechos de Apo. 1:2,9; 12:17, etc., a palavra marturía é usada para indicar o Evangelho de Cristo. Em Apo, 12: 17, essa palavra aponta para o Evangelho, no sentido de um testemunho em favor de Cristo. h. A revelação inteira de Deus ao homem algumas vezes está em foco' quando a palavra "testemunhos" é empregada (ver Sal. 119:22). Nesse salmo esse uso reitera-se por várias vezes. Ver também o artigo intitulado Testemunha.

TESTEMUNHO DO ESPÍRITO Todo testemunho pressupõe alguma pessoa, ou objeto, ou conteúdo ou acontecimento acerca do qual é conferido o testemunho. O Novo Testamento deixa claro que o Espírito de Deus dá testemunho, primariamente, sobre Jesus Cristo, e não sobre si mesmo ou sobre qualquer conjunto de doutrinas (ver João 14:26; 15:26; 16:7-15; cf. Mal. 16:16 e I João 2:20-22). Diz João 15:26: Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim.. Embora o Espírito Santo concentre o seu testemunho sobre a pessoa e as realizações de Cristo, ele parte desse ponto cêntrico para outros pontos, também muito importantes para nós, como: a totalidade dos atos salvatfcios de Deus, em favor dos homens; a autoridade intrínseca e instrumental das Sagradas Escrituras; a natureza do homem caído no pecado e suas reações diante de Deus; e,

finalmente, um ministério de instrução e de sustento, no caso daqueles que pertencem ao Senhor Jesus. Mas, como já dissemos, o âmago da revelação neotestamentária, com o testemunho convencedor do Espírito de Deus, envolve a pessoa de Jesus. E isso como Senhor e Cristo. Lemos em Atos 2:36: "Esteja absolutamente certa, pois, toda a casa de Israel, de que a este Jesus, que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo". Esses dois fatos sobre a pessoa de Cristo precisam ser melhor esclarecidos, se quisermos perceber todo o impacto do testemunho do Espírito. "... Deus o fez Senhor e Cristo". O primeiro desses títulos, "Senhor" (no grego, kúrios), fala sobre a deidade plena de Jesus de Nazaré. Kúrios é a tradução, para o grego, de dois nomes hebraicos de Deus, que lhe são dados no Antigo Testamento: Yahweh e Adonai. O primeiro desses nomes indica Deus como Salvador, e o segundo, como Senhor e Rei. Por conseguinte, o Espírito de Deus testifica: Jesus é o próprio Deus; é o verdadeiro e único Deus! Essa primeira parte do testemunho do Espírito já havia sido dada, profeticamente, desde o Antigo Testamento. Lemos, pois, em Isafas 9:6: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte...", Vale dizer que aqueles que ainda não puderam aceitar a plena deidade de Jesus de N azaré, é que ainda não acolheram, em seus corações, o testemunho do Espírito. O outro fato do testemunho do Espírito sobre Jesus de Nazaré é que "Deus o fez ... Cristo". Isso aponta para o fato de Jesus ser o Ungido de Deus - o grande sacerdote, Profeta e Rei, o Herdeiro de todas as coisas, o Representante de Deus entre os homens, a Manifestação visível do Deus invisível. Ver o artigo intitulado Jesus Cristo. Cristo é transliteração do termo grego Christôs, que, por sua vez, é tradução do termo hebraico Messiah, "ungido". Em sua conversa com a mulher samaritana, lemos que Jesus foi interpelado por ela: "Eu sei; respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado Cristo; quando ele vier nos anunciará todas as cousas". E Jesus lhe respondeu: "Eu o sou, eu que falo contigo" (João :25,26). E sabemos que o Espírito de Deus testificou sobre isso no coração daquela mulher, pois, saindo ela à cidade, disse a certos homens: "Vinde comigo, e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?" (vs. 29). E o resultado de tudo isso foi: "Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher, que anunciara: Ele, me disse tudo quanto tenho feito" (vs, 39). Assim, o testemunho do Espírito resultou em salvação eterna de muitos. Quem recebe o testemunho do Espírito Santo, sobre Jesus Cristo, é salvo. Quem não o recebe, continua perdido. Vocêjá aceitou o testemunho do Espírito, prezado leitor? Entretanto, essa é a verdade central que o Anticristo negará, juntamente com todos aqueles que, em espírito, lhe são os seguidores. Mas os crentes afirmam, juntamente com o apóstolo João: "E vós possuis unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento. Não vos escrevi porque não saibais a verdade, antes, porque a sabeis, e porque mentira alguma jamais procede da verdade. Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem, igualmente, o Pai" (I João 2:20-23). Cf. Mal. 16:16,17 e Rom. 10:9, IO. Nessa confissão, houve a atuação poderosa do testemunho do Espírito, no tocante à significação do programa redentivo de Deus, diante do qual,

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TESTEMUNHO DO ESPÍRITO - TEUDAS então, são abertos os olhos do entendimento daqueles que crêem". Ver I Cor. 2:10-16; 11 Cor. 3:12-18. Tendo impulsionado homens escolhidos, para deixarem em registro escrito a verdade revelada de Deus (ver 11 Tim. 2: 16 e 11 Ped. 1:21), o Espírito acompanha isso, agora, pela iluminação interna, que capacita os seres humanos a apreciarem devidamente a revelação objetiva como a verdade de Deus; e apreendem assim o sentido profundo da mesma (ver I Cor. 2: 10-16; II Cor. 3: 12-18). Paralelamente a isso, o Espírito convence os homens do pecado que têm cometido e da retidão, advertindo-os sobre o julgamento vindouro (ver João 16:8-11). O Espírito de Deus dá prosseguimento ao seu testemunho, no caso daqueles que -se deixam salvar por Cristo, assegurando-lhes que agora estão em um eterno relacionamento com Deus, que jamais poderá ser ab-rogado (ver Rom. 8:15,16 e Gá!.4:6), o que se manifesta nos corações deles sob a forma de segurança na salvação; e, finalmente, confere-lhes discernimento espiritual (ver 1Cor. 2:15,16; cf. Rom. 12:2; Fi!. 1:10; Cal. 1:9). Ver o artigo Segurança na Salvação. Quão rico e proveitoso, por conseguinte, é o testemunho do Espírito, a respeito de Jesus de Nazaré. Começa encontrando o homem, em seu estado de justa condenação, diante da lei de Deus, e o conduz seguramente até à glória com base exclusiva nos méritos e realizações de Jesus, Senhor e Cristo!

TESTUDO INIMIGO Essa expressão encontra-se em Naum 2:5. O hebraico diz sakak. Essa palavra é de significado incerto. Os estudiosos têm aventado os mais variegados sentidos. Algumas traduções dizem "defesa". Tradução parecida é a da NIV, "escudo protetor". A Berkeley Version, em inglês, diz "mantlet", que indica um abrigo usado pelos soldados em tempo de guerra. E por aí que devemos interpretar essa palavra hebraica. A raiz da palavra hebraica significa "entretecido". Os baixos-relevos assírios mostram escudos de cipó entretecido. Os arqueiros ficavam por detrás de tais defesas, aguardando sua oportunidade de atacar. Talvez seja isso que os revisores de nossa versão portuguesa queriam dizer com "testudo inimigo". O que não devemos imaginar é que fossem soldados de testa grande! A Edição Revista e Corrigida, em português, diz "amparo". TETE Nona letra do alfabeto hebraico. Aparece, no original grego, no início de cada verso, no nono bloco do Salmo 119. TETRAGRAMA Esse é o nome que se dá às quatro letras que representam o inefável nome de Deus, Yahweh, ou seja, yhwh. Esse nome nunca foi e nunca é pronunciado pelos judeus, embora suas vogais tenham sido emprestadas dos nomes Adonai ou Elohim. Uma corruptela de criação gentílica é Jeová, que nada significa para o povo hebreu. Quando estudei o hebraico, na Universidade de Chicago, os estudantes judeus sempre distorciam o som do nome Yahweh, quando liam o texto bíblico em voz alta, a fim de não se tomarem culpados de pronunciá-lo. Ver o artigo geral sobre Deus, Nomes Biblicos de, que inclui maiores informações sobre esse nome divino. TETRARCA No grego, tetrárches ou tetraárches. Essa palavra é formada por duas outras palavras, tetra, "quatro", e arché,

"chefe". Portanto, significa "líder de uma quarta parte". No Novo Testamento, o título foi dado a Herodes Antipas, governador da Galiléia e da Peréia (ver Mal. 14:1; Luc. 3:19; 9:7 e Atos 111). Originalmente, o título era conferido ao governante da quarta parte de uma região qualquer. Finalmente, porém, esse sentido original dissipou-se, e o título passou a ser empregado para indicar algum príncipe dependente, títere, de autoridade inferior a de um rei. Essa designação foi dada a Herodes Ântipas não somente nas páginas do Novo Testamento, mas também por diversas vezes em inscrições e nos escritos de Josefo (vide). O verbo grego correspondente, tetrarchéo, "ser tetrarca", ocorre por três vezes no trecho de Lucas 3: l: "No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da lturéia e Traconites, e Lisãnias tetrarca de Abílene...". Quando Herodes, o Grande, faleceu, em 4 a.C., as terras sob o seu domínio foram divididas em três porções. Arquelau ficou com a Judéia (juntamente com a Iduméia e a Samaria), tendo recebido o título de etnarca (vide). A Ântipas e a Filipe foi dado o título de tetrarca. Mas este último governou sobre diversos territórios na parte nordeste da Palestina. Posteriormente, Lisânias, acerca de quem bem pouco se sabe, foi nomeado tetrarca de um minúsculo distrito, chamado Abilene, a nordeste do monte Hermom. Em Marcos 6: 14,26, Ântipas é designado rei, em vez de tetrarca. Visto que um tetrarca era um rei vassalo, podia ser intitulado "rei" como uma deferência (no grego rei é basiléus). Ântipas possuía uma jurisdição com a qual oficiais até mesmo do império relutavam em interferir (ver Luc. 217). Quanto a isso, dois outros fatores deveriam também ser considerados. Em Roma, era costume chamar todos os governantes orientais pelo titulo popular de "rei"; e Marcos estava escrevendo, principalmente, para os crentes romanos. Além disso, os habitantes da Galiléia também costumavam referir-se a seus governantes com o título de rei.

TETZEL, JOÃO Suas datas foram, aproximadamente, 1450 - 1519. Ele foi um frade dominicano. Era homem ativo e ambicioso, e exagerava em seus métodos de venda das indulgências (vide), o que provocou a indignação de outro frade, agostiniano, Lutero. Portanto, os atos de Tetzel provocaram uma reação que terminou por trazer à tona a Reforma Protestante (vide), embora devamos levar em conta outros fatores, não só de ordem religiosa, como também política. TEUDAS I. Nome. Esta é uma forma abreviada da palavra grega Theodoros, que significa um "presente de Deus". As mães judias, pagãs e cristãs tradicionalmente consideraram seus filhos como dádivas de Deus, o que revelam muitos nomes próprios. 2. Notas Históricas. Teudas foi um rebelde mencionado por Gamaliel em seu discurso diante do Sinédrio, quando os apóstolos foram levados perante aquela augusta corporação governante a fim de responder pelos "crimes" de perturbação do povo com suas novas doutrinas e organização facciosa (a igreja). Ver Atos 5:35-39. Era um tipo de revolucionário político-religioso, o qual arrastou atrás de si cerca de 400 adeptos. Segundo a cronologia, provavelmente ele tentou livrar-se do poder romano e estabele-

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Códex 2, Século XII, Joio 20:29 88, -Cortesia, Umversitaetsbibliothek, BueI (Ms usado como base do Téxtus Receptus, mostrando o manuscrito de

Erasmo nas margens.

I'


C贸dex 2, S茅culo XII, Lucas 6:21 ss., (fonte do Textus Receptus), mostrando o manuscrito de Erasmo nas margens, - Cortesia Universitaetsbibliothek, Basel


TEUDAS-THÁNATOS cer seu próprio reino. De qualquer maneira, Teudas e seus 400 homens foram massacrados, dos quais apenas alguns escaparam. O relato de Josefo (Ant. xx.5.) nos dá dimensões mais amplas de seu movimento. Ele conseguiu reunir grande multidão de discipulos, e em certa ocasião disse-lhes que o seguissem até o rio Jordão, asseverando que abriria as águas com uma ordem, como ocorreu nos dias de Josué. Ele foi apenas outro profeta louco, enganado por visões e sonhos patológicos, que não foi capaz de cumprir o que prometeu. De qualquer maneira, os romanos enviaram tropas contra ele e encerraram sua carreira antes mesmo que houvesse chance de reação. 3. Lição de Tolerância. Gamaliel arrazoou que o Sinédrio devia ser tolerante com os apóstolos e sua igreja cristã, visto que, se algo não vem de Deus, logo desaparecerá, esmagado por seu próprio peso. Em outros termos, Garnaliel deu seu voto em prol da tolerância para com a pessoa que pensa diferente, a menos que, secretamente, ela seja meio-cristã que não tenha ainda revelado a nova fé. E tradicional que grupos religiosos sejam intolerantes em relação a pessoas, seitas e grupos religiosos que jazem fora de sua esfera, o que resulta em muita perseguição fisica, econômica, social etc. Os fanáticos sempre crêem que estão certos. Ver o artigo detalhado sobre Tolerância, na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. TEURGIA Palavra portuguesa que vem diretamente do grego, theós, "Deus", e êrgon, "trabalho", literalmente, "obra de Deus", A alusão é a arte oculta que envolve ritos, encantamentos, a atuação de espíritos, sacerdotes e médiuns, visando à instrução e ao bem dos homens. A teurgia era praticada pelos filósofos neoplatônicos menores. Porfirio praticava essa espécie de expressão reiigiosa, antes de haver-se encontrado com Plotino. Proclo encarava a questão como parte da sabedoria divina, que transcende à razão e às capacidades humanas. Imblico promovia a teurgia. e escreveu a respeito. Mas Plotino opunha-se à prática em geral, juntamente com os "mistérios" inventados pela mesma. Agostinho referiu-se à suposta "curiosidade criminosa" que motivava as pessoas a explorarem esse tipo de coisa. Naturalmente a Igreja crista opunha-se às práticas teúrgicas, e, ai pela Idade Média, pouco restava ainda da teurgia organizada. Mas, durante a Renascença houve um breve reavivamento da teurgia. TEXTO TIPO BIZANTINO Alude ao tipo de texto posterior e combinado de manuscritos do Novo Testamento, também chamado koiné, Recebeu o nome de texto tipo bizantino porque desenvolveu-se na porção bizantina da Igreja cristã. Foi com base em manuscritos desse tipo que foi compilado o Textus Receptus, o primeiro Novo Testamento grego a ser impresso e publicado, por Erasmo, em 1516. Ver o artigo sobre Manuscritos do Novo Testamento. TEXTOS BÍBLICOS, CRÍTICA DOS Ver o artigo Manuscritos Antigos do Antigo e Novo Testamentos, onde certas porções ilustram a crítica textual ou "baixa critica", conforme alguns a denominam. As seções nona e décima desse artigo abordam, especificamente, o Antigo Testamento. E as seções sexta, sétima e oitava examinam detalhadamente a questão, no que conceme ao Novo Testamento, com ilustrações.

TEXTOS E MANUSCRITOS BÍBLICOS Ver Manuscritos Antigos do Antigo e Novo Testamentos. TEXTUS RECEPTUS Esse foi o texto que Erasmo de Roterdão compilou, com base em manuscritos gregos do final da era medieval, de que ele dispunha, e com base nos quais imprimiu o primeiro texto grego do Novo Testamento. Ofereci informações detalhadas acerca do Textus Receptus, no artigo denominado Manuscritos Antigos do Antigo e Novo Testamentos; e a parte que aborda os Manuscritos Antigo do Novo Testamento, seção VIII, acha-se às páginas 96 e 97, do quarto voI. Essa seção apresenta o Esboço Histórico da Crítica Textual do Novo Testamento, enquanto que o seu segundo ponto narra como Erasmo preparou o texto do Textus Receptus, e quais manuscritos ele usou com essa finalidade; TEXUGO; DUGONGO No hebraico tachash, Nossa versão portuguesa diz "animais marinhos" (ver Exo. 25:5; 26:14; 35:7,23; 36:19; 39:34 Núm. 4:6,8,10-12,14,25; Eze. 16:10). Outras versões portuguesas dizem, por exemplo, "golfinho". Porém, "animais marinhos" é muito vago, é o golfinho, de acordo com muitos estudiosos, não é natural do Oriente Próximo e Médio. Mui provavelmente, está em pauta o texugo, de cujas peles foi preparada uma cobertura para o tabernáculo (ver Exo. 25:5 ss), para protegê-lo quando Israel estivesse em marcha. Otrecho de Núm. 4:5,6 indica que uma coberta desse tipo era posta sobre a arca da aliança, nessas ocasiões, E, desse mesmo material, eram feitos vários itens de uso pessoal, como sandálias (ver Eze. 16:10). Essas peles eram bastante grandes (sem dúvida costuradas umas às outras), servindo para o propósito em questão. Em conexão com a arca, parece que bastava uma dessas peles; mas, no tocante ao tabernáculo, sem dúvida era mister a costura, pois o tamanho necessário teria de ser de cerca de 4 m x 13,5 m. Há intérpretes que pensam estar em foco peles de cabras; mas outros opinam peles de foca ou de algum tipo pequeno de baleia. Apesar de haver um tipo de golfinho nas águas do mar Vermelho, sua pele não era apropriada para ser curtida e tomar-se um couro. E possível que o animal em questão fosse o dugongo, a única verdadeira espécie marinha da ordem Serenia, que ainda existe até hoje nos mares da região e que antes era muito abundante no golfo de Acaba. Um dugongo adulto chega a ter 3 m de comprimento, e suas dimensões torná-lo-iam apropriado para o propósito descrito. Mas ninguém pode ter certeza quanto à identificação do animal em questão. THÁNATOS Temos aí a palavra grega que significa "morte". Na mitologia grega, assim era o nome do deus da morte. Os romanos identificavam-no com Marte. Nas idéias de Freud (vide), thânatos é descrito como um dos instintos humanos mais fundamentais. Imaginando Eros, ou prazer, como o instinto de viver, Freud pôs a seu lado, e em competição com o mesmo, o instinto de morrer, thánatos. Freud fez importantes considerações sobre o que tem sucedido, na história da humanidade, em resultado desses dois instintos básicos. É possível que o suicídio (vide) resulte, em muitos casos, simplesmente desse instinto, sem quaisquer condições adversas prementes, sem quaisquer condições psicológicas opressivas.

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THEÓTOKOS - TIAGO (LIVRO) THEÓTOKOS Palavra grega que significa "portadora de Deus". Essa expressão, usada pela Igreja Oriental, é usada em distinção à popular compreensão ocidental a respeito da Mater De i, "mãe de Deus". A Virgem Maria, ao dar à luz ao Cristo divino (o Logos encarnado), por assim dizer trouxe Deus ao mundo, embora ela mesma não seja mãe de Deus (pois Deus não tem mãe e nem principio de existência). Naturalmente, na teologia ocidental séria (não em sua compreensão popular) a expressão Mater Dei não indica que Maria, em qualquer sentido, tenha sido a genitora de Deus, ou que tenha dado à luz a Deus. Mas somente se entende ali que Maria deu à luz a Jesus, o homem no qual o Logos se tornou, mediante o milagre único da encarnação. Assim, Christótokos teria sido uma palavra grega melhor, ou seja, "portadora do Ungido", evitando o popular mal-entendido em tomo daquele vocábulo. Foi Cirilo quem cunhou a expressão theótokos, menos passível de mal-entendido que sua expressão latina correspondente, Mater Dei. Ver também os artigos sobre Cristologia; Mariolatria e Mariologia. THERAVADA Esse termo significa, em sânscrito, "anciãos". Essa palavra é usada para designar ,uma das três principais escolas do budismo hinayana E a mais antiga das três. As outras duas são a Sarvastivada (vide) e a Sautrantika (vide). Ver também o artigo geral sobre o Budismo. THESAURUS MERITORUM Ver Tesouro de Méritos. THOREAU. HENRIQUE DAVID Suas datas foram 1817 - 1862. Ele foi um naturalista e um filósofo norte-americano. É contado entre os transcendentalistas da Nova Inglaterra. Deixava-se influenciar poderosamente pela Natureza, onde ia buscar seus conceitos de integridade e espontaneidade. Talvez ele tenha sido uma espécie de místico da Natureza. Também dava apoio ao conceito da desobediência civil, asseverando que os governos só merecem ser obedecidos quando promovem corretos principios de justiça. Ganhava a vida escrevendo artigos para revistas. Produziu inúmeros artigos, ensaios e discursos. Tornou-se conhecido por seus perceptivos artigos acerca da Natureza, com suas pungentes observações filosóficas. Abominava uma existência na qual os homens só trabalham para ganhar dinheiro. Escreveu dramaticamente: "Quantas pobres almas imortais tenho conhecido, quase esmagadas e queimadas debaixo de sua carga, arrastando-se pela estrada, empurrando um celeiro de 20 x 12 metros, seus estábulos nunca limpos, com cem acres de terra arando, segando, dando pasto, cortando lenha". Qualquer pessoa que tem tido um emprego do qual não gosta, meramente para ganhar algum dinheiro ou para "progredir" um pouco, poderá entender essa declaração. Mas, quantas pessoas têm mais do que isso nesta vida física? Thoreau reconhecia, intuitivamente, a lição de que, a despeito das adequações fisicas, a alma anela por alguma outra coisa. THORN. CONFERÊNCIA DE Inclui este pequeno artigo por descrever o ridículo conflito que se fere entre os cristãos, por motivo de diferenças doutrinárias. A conferência de Thorn foi convocada pelo rei Ladislau IV, da Polônia, em 1645. O propósito era o de impedir conflitos entre católicos romanos, luteranos e calvinistas, no interior das fronteiras

polonesas. Representantes de cada uma dessas divisões fizeram-se presentes a fim de exporem (e imporem, naturalmente) os seus pontos de vista, Ficaram discutindo durante três meses, insultando e soltando exclamações indignadas. Os ataques mais ferinos caracterizaram a cena. E a única mudança que a conferencia produziu foi o agravamento da situação dos protestantes da Polônia. E na Alemanha, a conferência também rendeu um resultado: as igrejas luteranae reformada também ficaram amarguradas uma contra a outra. Na verdade, a conferência de Thorn continua sendo editada até hoje. TIA

Tradução de um vocábulo hebraico que significa carinhoso, dando a entender a irmã do pai ou a esposa do tio. Aparece em três lugares, Êxo. 6:20; Lev. 18: 14 e 20:20, todos abordando problemas incestuosos, o termo carinhoso provavelmente veio a ser usado como palavra de afeto, usada pelas crianças, o que, nesse caso, veio a ser aplicada a um grau especifico de parentesco. (S Z) TIAGO Ver os artigos sobre Tiago (Livro) e Tiago (Pessoas). TIAGO (LIVRO) Ver Tiago (Pessoas), pontos I e 2. Esboço: I. Confirmação Antiga e Autenticidade 11. Autoria rn. Data, Proveniência e Destino IV. Fontes e Integridade V. Tipo Literário e Relações VI. O Cristianismo Judaico VII. Paulo e Tiago VIII.Propósitos e Ensinamentos IX. Linguagem X. Conteúdo Xl. Bibliografia

Tiago é um dos livros problemáticos do NT, em que quase todos os seus principais aspectos têm sido disputados. Não há um consenso geral acerca da natureza da maioria dos itens alistados nesta introdução. A principal dificuldade tem sido a indisposição dos intérpretes de examinar o livro com honestidade, porquanto têm sentido ser necessário harmonizar Tiago com Paulo. Essa tentativa de harmonização tem obscurecido os propósitos e os ensinamentos de Tiago. Quão facilmente os intérpretes cristãos deslizam para a defesa da teologia sistemática a qualquer preço! Certamente deve ter ocorrido à maioria dos intérpretes que Tiago é um documento que representa o "cristianismo legalista"; mas esse "pensamento-chave", que poderia servir para que se compreenda claramente o livro, tem sido negligenciado pela grande maioria dos intérpretes. Eles pensam que o livro, na realidade, não pode contradizer a Paulo; e passam a expressar muitas interpretações dúbias e errôneas de seu conteúdo. Ter-nos-íamos esquecido que, no primeiro século, o problema legalista nunca foi solucionado, e que uma boa porção de igreja cristã, que sofria a influência do judaísmo, nunca abandonou seus antigos caminhos, porém buscou incorporar o novo nos antigos? Ter-nos-íamos esquecido que o décimo quinto capítulo do livro de Atos mostra claramente que muitos crentes, em áreas judaicas, chegavam a crer que a circuncisão era necessária para a salvação, subentendendo que a lei era igualmente necessária? Até mesmo nas áreas gentílicas, os iudaizantes

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Rockefe~er-McÇo~ck.~uscrito ilustrado, primeira págtna de Tiago. Cortesía, Uníversíty of Chicago, the Joseph Regenstein Library


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VERSICULOS-CHAVES DE TIAGO

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:Meus irmãos, que aproveita. se alguéu1 disser q-..:18 tem :fé, e não tiver as obras? Porventura.,

a

pode salvá-lo? (2:14)

Assi.:I::J:::I. 't&TDbéIn. a :fé, se não tiver as obras,

á :J:O.orta

eD1

si D1e&D3.a. (2: 1 7)

Vedes en.tA.o que o hOD1eD1 é justificado pelas obras e não sornent.8 pela :fé. (2:24)

... a l1ngu..a. é UD1 pequeno D1eznbro, e glorie-se de grandes coisas. Vede quão grande bo9Q.ue UD1

pequeno :fogo in.eende1&.. (3:5)

Sede pois, :irIn.Aos, pacientes até à vinda do Senhor. (5:7) A oraçAo da :fécsa1vará O doente, e o Senhor o lev&netará; e se houver coD1etido pecados, ser-lhe-Ao perdoados. (5:15-) Saiba qu.e aquele que fizer converter do erro do seu c a m i n h o '1"~:c;~or, saJ.".arã. da D10rte 'JTD& alTOa e c o b · UID.8. TD;u.ltid.ão de pecados. (5:20)

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TIAGO (LIVRO) obtinham notáveis progressos e chegaram a controlar até mesmo igrejas gentílicas, constituídas, essencialmente, de elementos gentílicos. A epístola de Paulo aos Gálatas é prova disso. Até mesmo a igreja em Roma contava com os seus judaizantes, que exerciam grande autoridade, como o conteúdo da epístola aos Romanos certamente o indica. E outro tanto se dá no caso da primeira e da segunda epístolas aos Coríntios, onde uma das principais facções era aquela que fazia de Pedro o seu herói, e que, não há que duvidar, tinha uma atitude "legalista". A mesma coisa ocorria na igreja dos filipenses, a julgar pelo trecho de Fil. 3: 1-8. Afastados agora tantos séculos daquele agudo conflito (embora ele esteja bem vivo na Igreja, até hoje), esquecemo-nos da sua magnitude. É fato brutal que Paulo nunca foi aceito pela Igreja cristã judaica, mas antes, sempre foi encarado com suspeita, como destruidor da verdadeira religião. Isso ficamos sabendo através de Atos 21 :21 e ss. É verdade que alguns dos líderes principais reconheciam a sua missão e o seu oficio apostólicos (ver Gál. 2:9 e ss), mas é destituída de fundamento a suposição de que a sua aceitação se tornou generalizada. O partido da circuncisão (ver o artigo Circuncisão, Partido da, e Atos 11 :2), tinha um poder grande demais para permitir que sua reputação fosse outra coisa senão algo totalmente negativo ou duvidoso para os membros comuns da Igreja judaica. Os caminhos e costumes antigos fenecem mui lentamente; e sempre será verdade que novas verdades não triunfam por conquistarem a geração contemporânea, mas porque conquistam uma nova geração, até que a antiga, finalmente, pereço. De fato, conforme disse Alfred North Whitehead: "Se voltarmos a atenção para as novidades do pensamento em nosso próprio período de vida, veremos que quase todas as idéias realmente novas se revestem de certo aspecto de insensatez, quando são apresentadas pela primeira vez". Havia muitos cristãos judeus que recebiam sinceramente a Cristo como seu Messias e Salvador, crendo no valor expiatório de sua morte, bem como no poder vivificador de sua ressurreição, mas que tinham plena certeza de que essas crenças podiam ser injetadas no judaísmo antigo, cuja lei (excluindo-se os sacrifícios) e cuja circuncisão, conforme eles, continuavam plenamente em vigor, sem interrupção ou abrandamento. Ver o artigo sobre Legalismo. Assim sendo, muitos pensavam que a idéia paulina de ,Justificação exclusivamente pela fé era uma perversão da verdade, e não um degrau mais alto da verdade. Apesar de reconhecerem a importância e até mesmo a necessidade da fé vital, viam isso como um acompanhamento da fé e, de fato, como uma maneira de cumprir a lei, e não como algo que suplantava a lei, exatamente conforme está expresso no livro de Tiago 2: 14-26, que é uma linguagem plenamente legalista, tão clara como se poderia encontrar em qualquer documento judaico e não cristão. Por que se pensaria ser estranho que vários autores tivessem deixado documentos, expressando as idéias da facção judaica da Igreja primitiva, e que um desses documentos, a epístola de Tiago, por causa de suas qualidades inerentes, finalmente tivesse vindo a fazer parte do NT? É a aceitação desse pensamento que facilita a interpretação da epístola de Tiago, eliminando a necessidade de se buscar uma harmonia desonesta com os escritos de Paulo. A epístola de Tiago não era conhecida e nem foi usada na Igreja cristã durante três séculos; e mesmo depois disso sempre foi um livro disputado, e isso pela razão simples de que muitos reconheciam, sem evitá-lo,

o verdadeiro problema, que consiste em como reconciliar Paulo com Tiago, fazendo com que, no NT, tenhamos um documento legalista que, quanto a certos aspectos, está fora de lugar.Bem entendido, está fora de lugar para vários grupos protestantes, apesar de ser alegremente aceito, exatamente como está, na Igreja Católíca Romana, que retém aspectos legalistas em sua doutrina. Qualquer outra abordagem a esse livro, além daquela que aqui é sugerida, envolve o intérprete em desonestidade, ainda que creia pessoalmente estar exercendo bom juízo e não tenha consciência de que perverte certos versículos. Lutero escreveu: "Em suma, o evangelho de João e a sua primeira epfstola, as epístolas de Paulo, sobretudo aquelas aos Romanos, aos Gálatas, aos Efésios, e a primeira epístola de Pedro - esses são os livros que mostram Cristo e nos ensinam tudo quanto é necessário e bem-aventurado conhecer, embora não vejamos ou não ouçamos qualquer outro livro ou doutrina. Portanto, a epístola de Tiago é uma epístola de palha, em comparação com aqueles, porquanto não exibe o caráter do evangelho". (Lutero, Introdução à Epistola de Tiago). Todavia, embora ele tivesse essa baixa opinião sobre o caráter doutrinário do livro, nem por isso o rejeitou completamente, e nem proibiu o seu uso, dizendo: "Por conseguinte, eu não o terei em minha Bíblia entre seus principais livros, mas nem assim critico as pessoas que querem colocá-lo ali e exaltá-lo como melhor lhes convier, pois contém muitas coisas boas". Assim sendo, em sua Bíblia impressa, Lutero separou a epístola aos Hebreus, juntamente com Tiago, Judas e Apocalipse, atribuindo-lhes um lugar no fim do volume, e não os fazendo figurar na tabela de conteúdo. Dessa maneira, na Bíblia em alemão, impressa através dos séculos, essa ordem acabou sendo conservada, embora, finalmente, recebesse lugar na tabela de conteúdo. O autor desta Enciclopédia acredita que Lutero designou uma posição baixa demais a Tiago e falhou no reconhecimento do lugar vital que ocupa no "Cânon" cristão. Podemos não apreciar certos aspectos da teologia de Tiago, nem tão pouco a maneira com que expressa determinadas coisas, influenciado, como foi, pelo legalismo, mas o que acaba por dizer é uma mensagem de importância tão extrema, que podemos desculparo modo de expressão.Tiago merece lugar no "cânon" porque levanta um importantissimo problema - o da relação entre as obras e a fé, reconhecendo intuitivamente que há um sentido em que as obras fazem parte da salvação, embora o livro não expresse com exatidão como isso pode ser. A fé é um princípio vital, que produz obras, e não um produto, mas uma auto-expressão da graça; porquanto as "obras", espiritualmente compreendidas, na realidade, são produtos ou frutos do Espírito Santo em um homem, a auto-expressão do prineípío dá graça, operante no íntimo. De acordo com definições espirituais, por conseguinte, as obras e a graça são sinônimos, já que ambas as coisas são divinamente inspiradas e infundidas no ser humano. O autor desta Enciclopédia acredita que o judaísmo, tal como Tiago, que foi apenas um porta-voz de idéias mais antigas, reconhecia intuitivamente esse princípio. Mas, faltando-lhe uma melhor revelação, expressava o princípio sem habilidade, isto é, legalisticamente, e não "misticamente" (o Espírito é o autor das verdadeiras obras espirituais, mediante o seu contacto genufno com os homens). A expressão desse princípio é o cerne mesmo do judaísmo. Infelizmente, a Interpretação legalista obscureceu a verdade. Mas nos escritos de Paulo, essa verdade é

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TIAGO (LIVRO) claramente expressa, em Fil. 2: 12~ e o principio da graça divina transparece com clareza em Fi!. 2: 13: "Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença... desenvolvei a vossa salvação... porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer, como o realizar, segundo a sua boa vontade". O décimo segundo versículo expressa a verdade das "obras"; e o décimo terceiro expressa a verdade da "graça". Não podemos interpretar o décimo segundo versículo como "desenvolvei aquilo que já foi operado em vós", como se tudo quanto estivesse em foco fosse "expressar com ações externas" a graça que opera no íntimo. Essa é uma interpretação errônea. Antes, é-nos ordenado que "efetuemos" nossa própria salvação, tornando-a real. Isso depende de buscar o Espírito e de permitir-lhe produzir seu fruto em nós, santificando-nos e transformando-nos segundo a imagem de Cristo, que expressa a salvação em sua inteireza. O termo grego envolvido na idéia de "efetuar", é katergadzomai, que significa "obter", realizar, "produzir". Em sentido real, pois, produzimos a nossa própria salvação, isto é, da maneira que acaba de ser sugerida. Não obstante, isso seria impossível a menos que sejamos inspirados pelo Espírito de Deus, que nos capacite a tanto primeiramente, desejando-o, e então, realizando-o. O valor da epístola de Tiago, pois, tem o mesmo valor que havia no judaísmo. Um homem sabe intuitivamente que deve fazer algo, ser algo, produzir alguma coisa, a fim de que tenha uma busca espiritual válida. Esse discernimento é expresso de forma legalista no judaísmo e na epístola de Tiago, o que é um equívoco; porque tal verdade deveria ser expressa misticamente, ou sej a, através da submissão e do cultivo do poder do Espírito Santo em nós, para operarmos, nos esforçarmos e efetuarmos ou pôr em funcionamento a nossa própria salvação. Porém, o próprio fato de que Tiago tenta expressar essa verdade, ainda que desajeitadamente, é razão suficiente para aceitarmos essa epístola no "cânon"; pois a verdade assim ressaltada é vital, e certamente não deve ser olvidada na Igreja evangélica moderna, com a sua crença fácil. Portanto, que soe a mensagem de Tiago; e que, com a ajuda de Paulo, possamos fazer com que seu tom seja alto e claro. Tendo dito isso, atribuímos à epístola um elevado lugar, e muito mais importante que aquele que lhe foi atribuído por Lutero. A intuição. Intuitivamente reconhecemos que a salvação deve incluir o ser e o fazer, e não a mera anuência a um credo. Pela revelação bíblica sabemos que há graus diversos de glorificação, que dependem de nossas obras (ver 11 Cor. 5: 10); e a glorificação é o nível mais elevado da salvação (ver Rom. 8:29,30). Portanto, se forem corretamente entendidas, as "obras" estão plenamente envolvidas na salvação. Mas essas obras não são legalistas; são misticamente produzidas, como a auto - expressão da graça divina, que opera sobre a alma humana. E na direção dessa intuição que Tiago dirige a sua mensagem, embora de uma maneira com a qual não possamos concordar inteiramente. O próprio fato de que a epístola aponta para essa verdade é motivo suficiente para lhe conferir uma parcela importante na nossa literatura e pregação, ao mesmo tempo em que melhoramos alguns de seus pontos, com o auxílio de revelações maiores e melhores, extraídas dos escritos dos apóstolos Paulo e Pedro. O paradoxo. A maioria das principais doutrinas do cristianismo apresenta algum paradoxo. Como é que Cristo pode ser, ao mesmo tempo, Deus e homem, é algo em que cremos, mas que não temos maneira fácil e clara de explicar. Como é que o determinismo e o livre-arbítrio

se encontram nas páginas do NT é algo em que igualmente cremos, mas sem podermos reconciliar esses princípios. Por semelhante modo, a fé e as obras, apesar de parecerem princípios contraditórios, quando nos referimos a "meios" de salvação, são apenas dois lados de uma grande verdade; mas, como harmonizá-los, não sabemos dizê-lo, embora façamos algumas sugestões, como aquelas que aparecem nos parágrafos acima. Os paradoxos resultam de nossa falta de compreensão; e a falta de compreensão resulta de nossa atual baixa posição, como espíritos aprisionados em corpos. Contudo, algum dia os paradoxos serão explicados, e deixarão de ser paradoxos. I. Confirmação Antiga e Autenticidade Apesar de que, normalmente, nesta Enciclopédia, as questões de autoria e data são discutidas em primeiro lugar, no caso da epístola de Tiago, é mais sábio iniciarmos O estudo com o problema da confirmação antiga, que influenciará o que acreditamos sobre outras questões. A discussão abaixo procura mostrar que Tiago é um tratado ou panfleto religioso (na forma de epistola, e não de uma missiva comum), que escapou à atenção de todas as seções da Igreja primitiva por quase dois séculos. Orígenes, na primeira metade do século III d.C., foi o primeiro dos pais da Igreja a identificar expressamente o livro, conferindo-lhe importância. Não é livro citado pelos pais da Igreja anteriores a ele. É incrível (segundo alguns intérpretes) que se Tiago, apóstolo e irmão de Jesus, tivesse escrito alguma coisa, que tal escrito tivesse sido desprezado por tantos decênios, ao ponto de permanecer no olvido até os dias de Orígenes! I. Clemente e os primeiros livros Nos escritos dos mais antigos pais da Igreja, como Clemente de Roma, Inácio, Policarpo e Justino Mártir, bem como nos escritos dos apologistas do segundo século, não há qualquer referência clara ao livro de Tiago. E nem se acha citado ou claramente aludido nos primeiros escritos, isto é, 11 Clemente (escrita em nome de Clemente de Roma, embora não fosse realmente de sua autoria), a Epístola de Barnabé, o Ensino dos Doze Apóstolos e a Epístola a Dioneto. Nos escritos de Clemente de Roma há temas similares que envolvem o estudo sobre Abraão, nos capítulos décimo, décimo sétimo e trigésimo primeiro, e sobre Raaca, no décimo segundo capítulo. Existem coincidências de expressão nos capítulos treze, vinte e três, trinta, trinta e oito e quarenta e seis. Porém, em todos esses casos, as similaridades são do tipo que se encontram na literatura judaica da época, expressões e idéias que foram reproduzidas, e que não eram originais e nem distintivas nesta epístola a Tiago, pelo que não se pode demonstrar qualquer dependência dos escritos de Clemente aos escritos de Tiago, o que certamente Clemente teria feito, se tivesse conhecido e usado esta epístola. Muitos eruditos modernos concordam ser fraco o argumento de que Clemente usou a epístola de Tiago. Tal posição é insustentável. 2. Policarpo, Inácio e Justino Mártir As evidências de que qualquer desses conhecia e usou a epístola de Tiago ainda são mais fracas que no caso de Clemente. Similaridades ocasionais são devidas ao uso de idéias e expressões comuns aojudaísmo helenista. Não há coisa alguma, nos escritos desses pais da igreja, que possa ser claramente derivada da epístola de Tiago. 3. O Pastor de Hermas (cerca de 150 d.C.): Esse foi uni trabalho literário simbólico, cujo intuito era o de despertar uma igreja lassa e chamar ao arrependimento os crentes que houvessem pecado. Alguns segmentos da igreja aceitavam essa obra como canônica, e ela aparece

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TIAGO (LIVRO) no codex Sinaiticas do NT. Essa obra tem vários pontos de semelhança com a epistola de Tiago, muito mais do que os livros e os pais acima mencionados. Porém, quando esses pontos de semelhança são examinados, vê-se que sob hipótese alguma este livro reflete algo exclusivamente pertencente ao livro de Tiago, o que certamente teria ocorrido, se seu autor tivesse usado essa epístola. Por exemplo, nada aparece acerca da famosa passagem sobre a justificação, em Tia. 2: 14-26. E até mesmo quando há certo paralelismo de idéias, a linguagem e a atitude são diferentes. Assim, pois, nenhum empréstimo diretamente feito de Tiago pode ser demonstrado, mesmo ao ser apresentado material semelhante. O paralelo mais notável é em Hermas Mand. ix, onde aparece o tema da "duplicidade de propósitos". AIi somos informados de que devemos orar sem "dúvidas" e sem "hesitações". Também nos é prometido que Deus responderá à oração da fé, porquanto Deus não guarda ressentimentos. Tudo isso é paralelo ao trecho de Tia. 1:5-8; mas o mais provável é que esse tipo de estudo sobre a oração era comum nas exortações do judaísmo, podendo ser ouvido em muitas sinagogas. Um outro notável exemplo pode ser achado se compararmos Mand. VIII, com Tia. I :27. E há outros exemplos de segunda ordem, em grande número, embora sem qualquer instância de qualquer coisa peculiar a Tiago. Apesar de que alguns eruditos têm aceitado o uso da epístola de Tiago pelo autor do Pastor de Hermas, a maioria dos eruditos modernos concorda que o caso está longe de ser demonstrado. 4. Irineu (século 11 d.e.) As únicas passagens que poderiam ser evocadas são as de Contra as Heresias iv. 16 (ver Tia. 2:23); iv. 13 (ver Tia. 2:23) e v.I (ver Tia. 1:18,22). Dentre essas instâncias, somente ade iv.l6 (com Tia. 2:23) é notável; e, além disso, o paralelismo se dá apenas quanto às últimas cinco palavras. As outras semelhanças são por demais superficiais para merecerem exame. Portanto, é evidente que Irineu não conheceu e nem usou a epístola de Tiago. 5. Tertuliano Nenhum trecho dos escritos de Tertuliano demonstra qualquer dependência à espístola de Tiago. O seu De orat. 8, concernente à oração do Pai Nosso, e o fato de não ter citado Tia. 1: 13, quando isso teria sido tão conveniente, mostra-nos que o mais provável é que ele não conhecia essa epístola Os trechos de Adv. Jud., 2 e De Orat. 8 contêm similaridades com algumas das expressões utilizadas por Tiago, mas existem casos, como esses, discutidos nos parágrafos anteriores, que são meras similaridades, mas sem que haja qualquer reflexo realmente distintivo da epístola de Tiago. 6. Clemente de Alexandria Coisa alguma, em seus escritos, parece indicar a familiaridade com a epístola de Tiago. Mas Eusébio, em sua História Eclesiástica vi. 14 parece indicar que Clemente conhecia o livro. Contudo, não sabemos quão exata é essa informação, porquanto entre Clemente e Eusébio havia um espaço de cinquenta anos. Admitindo-se a exatidão de sua declaração, mesmo assim não se obtém qualquer testemunho direto em favor de Tiago, até os primórdios do século 111 d.C. Todavia, um escrito latino, intitulado Adumbrationes Clementis in Epistolas Canônicas aceito como tradução das "Hypôtyposes", feita sob a direção de Cassiodoro, no sexto século de nossa era, das epístolas católicas, incluindo somente 1 Pedro, Judas, 1 e 11 João, dá-nos a entender, pelo menos com base nessa tradição, que Clemente não aceitava a epístola de Tiago como canônica, embora aceitasse tal livro como digno de ser usado nas igrejas. O fato de que Orígenes, seu sucessor,

conhecia e aceitava essa epístola como canônica, mostra-nos, pelo menos, que é provável que Clemente tivesse consciência de sua existência. Quanto valor ele atribuía a essa epístola, entretanto, é algo duvidoso, pelo menos enquanto maiores provas não forem colhidas. 7. Origenes e a Igreja Grega Orígenes faz muitas e indisputáveis citações da epístola de Tiago. A sua data é 181-251 d.C; pelo que ele nos leva bem dentro do século III d.C. Na sua obra, C ommen. Joann. xix., capo 23, ele cita diretamente a passagem de Tia. 2:14, mencionando diretamente tanto a ele como à sua "epístola". Também menciona Tiago diretamente em sua Select in Salmos 30, 65, 117, em sua seção sobre Êxodo 15, em seu fragmento do Comentário de João 6, além dos fragmentos 38 e 126. Clemente chamou esse Tiago de "apóstolo", embora não o tivesse identificado ainda mais exatamente, como "irmão do Senhor", como filho de Zebedeu, de Alfeu, o "menor", ou de qualquer outro. E ainda que tivesse feito qualquer identificação dessa natureza, visto que estava distante dele por mais de duzentos anos, duas declarações expressariam meras opiniões. Ao falar sobre Tiago, o irmão do Senhor, em seu comentário sobre Mal. 10: 17, ele deixa de mencionar que esse é o Tiago que escreveu a epístola com esse nome. Por conseguinte, é bem provável que ele não fizesse tal identificação. Não obstante, isso poderia ser um descuido. As evidências que temos, pois, é que Orígenes foi o primeiro de todos os pais da Igreja a aceitar como canônica à epístola de Tiago não a tendo classificado como inferior aos demais livros do NT. Os pais da Igreja que se seguiram imediatamente a Orígenes, na igreja grega, usaram a epístola de Tiago mui raramente; mas não há qualquer indicação de que a tenham rejeitado. Assim o fizeram Gregório Taumaturgo, Dionísio de Alexandria (ambos em cerca de 270 d.C.), e Metódio de Olimpo (311 d.C.). Eusébio (falecido em 340 d.C.), o famoso historiador eclesiástico, utilizou-se abundantemente da epístola. (Ver História Eclesiástica 11.23:25e 111.25:3). Suas declarações, no entanto, falam sobre as dúvidas dos pais mais antigos da Igreja, e de como a epístola de Tiago era um dos livros disputados, sem jamais ter obtido larga aceitação na Igreja, conforme sucedia aos demais livros do NT, por essa época O Catalogus Claromontanus (século VI d.C.), que alguns estudiosos acreditam ter sido composto em Alexandria, no século IV d.C., incluía a epístola de Tiago, como também o faziam os catálogos preparados por Atanásio (falecido em 373 d.C.), por Cirilo de Jerusalém (falecido em 386 d.C.), por Epifânio (falecido em 403 d.C.), por Gregório de Nazianzeno (falecido em 390 d.C.) e por Crisóstomo (falecido em 407 d.C.). A essas testemunhas poderíamos adicionar Marcário do Egito (391 d.C,), o concílio de Laodicéia (60 cânon, do século IV ou V d.C,), Cirilo de Alexandría (século V d.C.), e todos os pais alexandrinos que se seguiram. 8. A igreja armênia Todos os manuscritos em armênio (com data de cerca de 430 d.C.) contêm essa epístola. 9. A igreja síria A prime ira tradução da epístola de Tiago para o siríaco data de cerca de 412 d.C. Dali veio a ser aceita no Peshitto, o texto sírio oficial. Antes de 412 d.C., entretanto, nenhuma das epístolas universais obtivera total aceitação na igreja síria. O cânon neotestamentário dessa igreja, composto em cerca de 400 d.C.; incluía somente os quatro evangelhos, o livro de Atos, as epístolas paulinas (com hebreus e uma terceira epístola aos Coríntios), mas excluía as epístolas universais e o

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TIAGO (LIVRO) livro de Apocalipse. Assim sendo, os primeiros pais sírios da igreja, como Afraates (345 d.e.) e Efraem (378 d.C.) não mostram qualquer indicio claro da aceitação da epístola de Tiago. A aceitação final dessa epístola parece ter sido devido à influência da igreja grega, mas muitos, ainda assim, duvidavam de sua autenticidade, conforme o fazem Teodoro de Mopsuestia, Tito de Bostra, Severiano de Gabala e o tutor das Constituições Apostólicas. Essa opinião de alguns sírios continuou até mais tarde na história daquela igreja. Os nestorianos rejeitavam as epístolas universais (ou católicas) em sua inteireza, e isso era comum na porção síria da Igreja, até bem dentro da Idade Média. 10. A Igreja Ocidental A história da epístola de Tiago no Ocidente se parece muito com a que se pintou no tocante à igreja síria; e, nesse caso, sua aceitação também se deveu à influência da igreja grega. O cânon muratoriano (Roma, 200 d.C.) a omite. Conforme temos visto, lrineu e Tertuliano não se utilizaram dela, se é que a conheciam. Cipriano, embora tivesse usado inúmeras citações, nunca citou Tiago (falecido em 258 d.Ci). Outro tanto se pode dizer com respeito a Novaciano (252 d.C.). Em 359 d.C., o Católogo Monseniano, de origem africana, omite o livro de Tiago; e Ambrósio (397 d.C.) nunca citou diretamente o mesmo. Nos textos do codex Corbeiensis, o pseudo Agostinho Speculum (350 d.C.), essa epístola é incluída, mas evidentemente como se fora um panfleto patrístico, e não como parte de qualquer NT em latim. De fato, nenhum manuscrito latino contém essa epístola, senão já cerca de uma geração mais tarde. O exemplo mais antigo de citação da epístola de Tiago, em latim, é o de Hilário de Poitiers, de trino iv. 8 (358 d.C.), e mesmo assim apenas como parte de vários textos que os arianos perverteram para suas próprias finalidades, embora não cite o livro de Tiago de modo a autenticá-lo, e nem demonstre qualquer respeito especial pelo mesmo. Ambrosiastro (382 d.C.) demonstra ter conhecimento do livro, como também o fez Prisciliano (386 d.C.). As primeiras traduções da Vulgata Latina que incluíram Tiago datam de 384 d.C. e depois. O fato de que Agostinho (430 d.Ci) e Jerônimo (420 d.C.) finalmente aceitaram o livro como canônico, fez a Igreja Ocidental seguir a prática; e assim, os líderes cristãos subseqüentes dessa parte do mundo passaram a aceitar a epístola, embora certas vezes emitissem dúvidas, aqui e acolá. (Isidoro de Sevilha, em 636 d.C., menciona a existência de tais dúvidas). Não obstante, a autoridade do livro prevalecia de modo geral, diferentemente do que sucedia na igreja síria, onde sempre houve protestos vociferantes contra tal inclusão. 11. Na história posterior Na Reforma. Os comentários acima demonstram a natureza da história da epístola de Tiago desde o século V até à época de Erasmo. Na igreja grega, não havia disputa; na igreja ocidental, menos ainda; na igreja síria continuava havendo forte resistência contra sua inclusão; nos dias imediatamente antes da Reforma, Erasmo novamente levantou a questão da autenticidade do livro, sua canonicidade e seu direito à autoridade, entre os escritos sagrados. Erasmo revisou as antigas razões para a reserva acerca da epistola de Tiago, e acrescentou algumas razões pessoais. Ele argumentou principalmente com base em questões de linguagem e estilo e indagou, com razão, se qualquer dos apóstolos (judeus galileus) poderia tê-Ia escrita. Não obstante, aceitava-a, talvez como filho obediente da Igreja. No tocante à Igreja Católica

Romana, as opiniões de Jerônimo e Agostinho eram seguidas de maneira geral, pelo que nunca foram coerentemente levantadas objeções sérias. Todavia, no Concilio de Trento, alguns falaram acerca da incerteza, de sua autoridade apostólica. A despeito disso, a 8 de abril de 1546, por decreto do citado concilio, a epístola de Tiago foi aceitajuntamente com os outros vinte e seis livros de nosso presente NT. Outrossim, seu autor foi declarado "apóstolo". Esse decreto foi confirmado pelo Concílio do Vaticano, de 24 de abril de 1870. No Concílio de Trento, entretanto, surgiu certa distinção (que continua a ser observada entre os católicos romanos), entre aqueles livros tidos como sempre aceitos e aqueles cuja aceitação foi gradual. Dentro dessa última categoria, naturalmente, foi situado o livro de Tiago, Mas isso é mera distinção histórica, que não visa atribuir valores diferentes aos livros. No Lado Protestante. Posto que o protestantismo não foi forçado a concordar sobre o que dizia a hierarquia de organizações eclesiásticas, e nem de aceitar automaticamente as opiniões dos primeiros pais da Igreja, houve muito maior oposição à inclusão da epístola de Tiago no cânon. As epístolas de Hebreus, Tiago, 11 Pedro, 11 e III João, Judas e Apocalipse sempre foram livros disputados, - e isso continuou sendo até dentro do período da Reforma. Lutero fez o evangelho de João, I Pedro e Romanos o seu "padrão" de julgamento; por essa causa, rejeitava a epístola de Tiago como canônica e autoritária, chamando-a de "epístola de palha" (na sua Introdução à Epístola de Tiago), embora nem por isso tivesse proibido outros a usarem-na ou a pensarem dela o que bem entendessem. Em sua Biblia vertida para o alemão, ele a colocou, juntamente com Hebreus, Judas e o Apocalipse, no fim da coletânea dos livros do NT, não dando a esses livros posição na tabela de conteúdo. A Bíblia alemã preservou essa ordem, mas, finalmente, alistou-os em sua tabela de conteúdo. Carlstadt, o ciumento opositor pessoal de Lutero, admitia que o livro era disputado e de menor dignidade, mas nem por isso o excluiu do "cãnon" de livros autoritários. Melancthon pronunciou-se em favor dele, sem limitações pessoais, embora reconhecesse que outros líderes demonstravam escrúpulos sobre a questão. Após o ano de 1600, porém, a maioria dos luteranos admitia a autoridade da epístola de Tiago. Calvino, Zwinglio e Beza aceitavam a epístola de Tiago como canônica, mas disputavam a sua autoria. Na Inglaterra, os pontos de vista de Lutero exerceram influência. Assim, no NT, de Tyndale (1525 d.C.), foi adotado o arranjo da Bíblia em alemão, até o ponto de não haver número das páginas dos Iívros disputados, na tabela de conteúdo. O próprio Tyndale aceitava a epistola, mas não ignorava a aura de dúvidas que a rodeava. As bíblias de Coverdale (1535), Matthew (1537), Tavemer (1539) também preservaram a ordem de livros da Bíblia alemã. Mas as biblias Grande (1539), "Bispos" e King James preferiram a ordem de livros que apareceria na Vulgata, ignorando a disputa. As bíblias em holandês, em dinamarquês, em sueco (do século XVI) e suíço, seguiram a ordem apresentada por Lutero. A igreja anglicana, nos seus Trinta e Nove Artigos (artigo VI), e a Confissão Westminster (1647), aceitaram a epístola de Tiago sem disputa. Ver artigo sobre Cânon do NT. Pode-se ver, com base nisso, bem como com base na discussão anterior, que, depois do livro de Apocalipse, a epístola de Tiago foi o livro mais disputado do NT, e com grande hesitação é

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TIAGO (LIVRO) que recebeu lugar no "cânon", no período pós-apostólico, nunca lhe tendo sido atribuída autoridade nos dois primeiros séculos da história da Igreja. 11. Autoria Tendo visto claramente as dificuldades que circundam este livro, no tocante à sua autoridade e canonicidade, podemos mais facilmente dizer algo de significativo sobre a questão do próprio autor. O livro identifica algum "Tiago" como seu autor. Mas, qual Tiago está em foco, que nos seja conhecido no NT? Ou tratar-se- ia de um Tiago desconhecido? Ou seria este livro uma pseudepígrafe, isto é, escrito em nome de um famoso Tiago do NT, mas não na realidade? Essa prática era comum nos primeiros séculos da era cristã, havendo mais de cem escritos dessa natureza que chegaram até nós, supostamente de famosos cristãos primitivos, mas certamente sem que isso seja verdade. E esses são os escritos acerca dos quais temos algum conhecimento, pelo menos através de fragmentos, ou títulos mencionados por outros pais da Igreja. Deve ter havido um número muito maior de casos. Tal prática não era reputada desonesta, naqueles dias; era uma prática comum, usada tanto na literatura profana como na sagrada. Os Vários Tiagos do Novo Testamento I. Tiago, filho de Zebedeu, irmão de João, incluído em todas as quatro listas sobre os doze apóstolos. Foi decapitado a mando de Herodes Agripa I, em 44 d.C. ou pouco antes. (Ver Atos 112). 2. Tiago, filho de Alfeu, um dos doze apóstolos. (Ver Mar, 10:3; Mar. 3:18; Luc. 6:15 e Atos 1:13). 3. Tiago, irmão do Senhor. (Ver Gál. 1:19; 2:9,12; I Cor. 15:7; Atos 12: 17; 15: 13 e 21: 18). Ficou convicto do caráter messiânico de Jesus, evidentemente através de aparição pessoal a ele, após a ressurreição de Cristo. Subseqüentemente, tomou-se o líder principal da igreja de Jerusalém, uma figura de estatura sumo sacerdotal, muito respeitado entre judeus e cristãos, igualmente. 4. Tiago, o Menor (uma alusão à sua pequena estatura, a fim de distingui-lo de outros personagens do mesmo nome). (Ver Mar. 15:40; Mal. 27:56; Luc. 24:10). Muitos identificam esse Tiago com o filho de Alfeu. 5. Tiago, pai ou irmão de Judas, um dos doze apóstolos (ver Luc. 6:16 e Atos 1:13). Em vez desse Judas (não o Iscariotes), nas listas dos evangelhos de Marcos (capítulo terceiro) e de Mateus (capítulo décimo), aparece o nome de Tadeu, o Labeu. 6. Tiago, autor da epístola, que possivelmente, pode ser identificado com um ou outro dos Tiagos mencionados acima. 7. Tiago, irmão de Judas (ver lud. 1), por meio de quem a epístola de Judas teria sido escrita. Dentre esse número, os Tiagos de posição primeira, segunda, terceira e sétima têm sido identificados como o autor da epístola. Os argumentos típicos contra a Idéia de que qualquer Tiago do NT escreveu este livro: I. E uma provação de fé, e não um ponto de fé, supormos que qualquer figura importante, e até mesmo apóstolo de Cristo, pudesse ter escrito alguma coisa e isso ficasse inteiramente desconhecido na Igreja cristã, até os tempos de Orígenes, isto é, já nos meados do século III d.C. 2. Seria virtualmente impossível a qualquer dos apóstolos, aldeões e pescadores galileus como eram, ter produzido uma obra em grego dotada de tal linguagem e estilo. Os aldeões galileus simplesmente não poderiam ter conhecido e usado o grego dessa maneira. Poder-se-ia argumentar que escreveram em aramaico, e que alguém,

ato continuo, traduziu a obra. Mas as traduções sempre trazem sinais de serem tradução. Não há mesmo qualquer indicio de que temos aqui uma tradução. Pelo contrário, trata-se de um escrito original, com um grego de tão alto naipe que só perde para a epístola aos Hebreus, em todo o NT . Também se poderia argumentar que o Espírito Santo ajudou esse Tiago a ter um grego impecável. Mas esse mesmo Espírito não ajudou a Marcos ou ao autor do livro de Apocalipse a escrever em grego superior ao "grego de rua", o que explica seus barbarismos. Nas páginas do NT se encontram muitos níveis de grego, alguns se aproximando do clássico (como a epístola aos Hebreus), e outros em bom estilo literário koiné (como os escritos de Paulo), havendo outros de qualidade inferior. É um argumento eivado de preconceitos aquele que afirma que, neste único caso (na epístola de Tiago), um autor foi ajudado pela inspiração para "escrever acima" de sua capacidade no idioma. Acresça a isso o fato de que o autor estava familiarizado com minúcias de estilo helenista, com artificios retóricos, com aliterações, com diatribes e com a terminologia dos filósofos éticos estóicos e cínicos da época, o que dificilmente poderia fazer parte do vocabulário de judeus da Galiléia. O que queremos asseverar é que o autor sagrado exibe os sinais de ter sido homem bem educado na tradição helenista. A farnilia imediata de Jesus e os seus discípulos, dificilmente teriam recebido educação tão formal. 3. Ademais, note-se que Tiago é o "menos cristão" e o mais judaico de todos os livros do NT. Há quase total ausência das doutrinas distintivamente cristãs, e o próprio Jesus é mencionado apenas por duas vezes (em Tiago I:1 e 21). É impossível crermos que qualquer apóstolo que tivesse passado tanto tempo com Cristo, e especialmente um irmão seu, pudesse ter escrito tão pouco sobre a sua pessoa. 4. A data da epístola certamente deve ser assinalada depois do tempo de Tiago, filho de Zebedeu, que foi martirizado em 44 d.C, (Ver as notas expositivas sobre a "Data", desta epístola, na seção I1I). Assim, esse Tiago fica eliminado ao menos devido a essa consideração. 5. Qualquer declaração em prol da autoria de qualquer desses três personagens é pura conjectura. A própria epístola não identifica o Tiago. Qualquer identificação deve residir na tradição; e, nesse caso, a tradição é distintamente contrária à idéia de que qualquer um deles tenha sido o autor, a menos que admitamos aquela tradição iniciada em meados do século III d.C. Todavia, a tradição do próprio século III em diante se contradiz consigo mesma. Aqueles que conjecturavam que Tiago, irmão do Senhor, é quem escreveu essa epístola, meramente conjecturavam, e isso é verdade no tocante às demais identificações específicas. Não há qualquer evidência de que qualquer deles escreveu o livro. A observação de que há algum acordo verbal entre esta epístola e o discurso de Tiago, no décimo quinto capítulo do livro de Atos - Atos 15:23 com Tia. 1:1; Atos 15:17 com Tia. 2:7; Atos 15:14,26 com Tia. 2:7 e 5.10,14; Atos 15:14 com Tia. I :27 e Atos 15:19 com Tia. 5: 19,20não é mais convincente do que dizer que o mesmo autor escreveu a primeira epístola de Pedro, por causa de uma lista similar de semelhanças, que se pode traçar entre esses dois livros, a saber: I Ped. 1: 1 com Tia. I: 1; I Ped. 1:6 com Tia. 1:2; I Ped. 1:23 com Tia. 1: 18; I Ped. 1:24 com Tia 1: 10; I Ped. 2:1 com Tia. 1: 1; 1 Ped. 4:8 com Tia. 5: 20; I Ped. 5:5 com Tia. 4:8 e 1 Ped. 5:9 com Tia. 4:7. A epístola de Tiago exibe semelhanças assim em relação a vários outros escritos, totalmente não cristãos.

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TIAGO (LIVRO)

o Tiago desconhecido. É possível que um Tiago inteiramente desconhecido tenha sido o autor da epístola. Contra tal opinião, porém, talvez corretamente se possa dizer que o simples titulo, "Tiago", tinha por intuito ser reconhecido como autoritário. Isso está de acordo com o costume da época, quando alguém poderia escrever um livro, "no nome" de outrem, a fim de garantir tanto o prestigio como a distribuição de sua obra. Pode-se supor, pois, que o autor sagrado queria que seus leitores pensassem em uma figura "apostólica", ao lerem o livro, como se tivesse sido escrito sob a autoridade de tal personagem, promovendo a sua doutrina. Ou Tiago, o apóstolo, filho de Zebedeu, ou então Tiago, irmão do Senhor, poderiam ser assim indicados. Trata-se (alguns dizem) de uma pseudepigrafe, Em outras palavras, foi escrita a epístola sob o nome de Tiago, filho de Zebedeu, ou sob o nome de Tiago, irmão do Senhor (não sabemos dizer qual deles o autor sagrado queria dar a entender). Na realidade, entretanto, o autor não foi nem um e nem outro. Essa era uma prática comum naqueles dias; e isso explicaria por que os primeiros pais da Igreja não lhe deram qualquer atenção. Sem dúvida, por onde quer que a epistola fosse distribuída e conhecida, era reconhecida não como produção de um verdadeiro apóstolo e, portanto, sem autoridade. Somente em época posterior é que gradualmente começou a ser reconhecida" devido a certos elementos de valor próprio, intrínseco. E natural que quando a epístola adquiriu certo prestígio, que tivesse solidificado essa vantagem adquirindo autoridade apostólica. É posição de muitos intérpretes modernos que, embora a epístola certamente não seja de origem apostólica, nem por isso deixa de merecer lugar no cânon neotestamentário, somente por causa dos problemas de critica que ela levanta; antes, merece tal posição devido ao fato de ser uma digna composição literária. Evidentemente foi escrita por um homem altamente espiritual, que tinha discernimento suficiente para merecer nossa atenção, mesmo que possuísse uma revelação inferior àquilo que, de modo geral, fora revelado ao apóstolo Paulo. Mui provavelmente era ele um judeu, embora treinado na cultura helenista, sendo homem de consideráveis habilidades literárias. Os cansativos esforços de alguns intérpretes, por descobrirem quem teria sido o Tiago que escreveu esta epístola, têm sido baldados, porquanto lhes falta qualquer apoio na Igreja apostólica e imediatamente posterior, onde os demais I ivros do NT são abundantemente autenticados.O resultado líquido desses esforços se resume em quem devemos supor que escreveu o livro. Em outras palavras, os autores desses estudos meramente querem que suponhamos que um certo famoso "Tiago" escreveu o livro. E a autoridade do mesmo, pois, que esses autores desejam trazer para detrás do livro, sendo perfeitamente possível que ele houvesse apresentado fielmente os pontos de vista desse Tiago. Argumentos em favor do caráter genuíno de Tiago (com isso se entende que, de fato, foi escrito ou pelo apóstolo Tiago, ou por Tiago, irmão do Senhor, o que significa que tem autoridade apostólica e deve ser considerado como livro canônico): Primeira discussão, extraída do comentário de Lange: A. Informes que pressupõem existência remota e o acolhimento da epístola em Clemente, Romanus, Ep. 1, capo x; no Pastor de Hermas, Stmiltt. VIII. 6; em Irineu, AOV. Haeres, IV. 16; Abraham amicus Dei Vacob 1f.23); em Tertuliano, adv. Judaeus, capo lI; Abraham amicus Dei... (Deve-se admitir que a maioria dos estudiosos vê agora

que as supostas "citações" acima, extraidas de Tiago, não passam de coincidências verbais, pois nada contêm distintamente pertencente a Tiago). B. Testemunhos. A antiga versão siríaco Peshitto contém esta epístola. Clemente de Alexandria a conhecia, conforme Eusébio, História Eclesiástica vi.14. Ele também alude a Tia. 2:8 em Stromat. VI. Orígenes menciona a epistola de Tiago em Rom. 19 sobre João, e ocasionalmente a chama de divina Jacobi Apostoli Epistola. Homl, 13 em Gên, etc. Dionísio de Alexandria apela para ela em vários lugares, e Dídimo de Alexandria escreveu um comentário a seu respeito. Cirilo de Alexandria e Jerônimo, Cal. 3, consideravam-na genuína. (Após, descrever dúvidas, antigas e modernas, sobre Tiago, o citado comentário tenta falar de modo favorável, respondendo, em parte, as dúvidas levantadas). A circunstância da epístola não ser geralmente conhecida pela Igreja antiga em qualquer data remota, pode ser explicada pelas seguintes considerações: 1. Foi dirigida a judeus cristãos, pelo que já figura na versão Peshitto, porque na Síria, em particular, havia muitos judeus cristãos. 2. A epístola, em sua tendência, apresentava apenas poucos pontos dogmáticos, ao passo que a Igreja antiga reverteu especialmente para pontos dogmáticos. 3. A ausência da designação apostólica no titulo e coisas similares. Lange alude a uma discussão feita por outro autor. Usualmente, acerca da suposta "humildade" do autor, que seria o "irmão do Senhor" levou-o a omitir tal declaração e, embora não fosse um "apóstolo" no sentido estrito, ele foi uma figura apostólica. Alford: "No seu todo, sobre quaisquer principios inteligíveis deacolhimento canônico dos escritos antigos, não podemos negar a esta epístola lugar no cânon. Que tal lugar lhe foi dado desde o principio em porções da Igreja; que apesar de muitas circunstâncias adversas, gradualmente obteve aceitação em outros lugares; que, quando devidamente considerada, é coerente e digna de seu caráter e da posição daquele cujo nome ela traz; que ela está assinalada por tão forte linha de distinção de outros escritos e epístolas que nunca tiveram lugar no cânon - todas essas são considerações que, embora não sirvam mais de demonstração do que em outros casos, contudo, fornecem, quando combinadas, uma prova dificil de ser resistida, de que o lugar que ela ocupa agora no cânon do NT é merecido, pois a providência divina guiou a Igreja para atribuir-lhe tal posição". Segunda discussão, extraída do comentário de Jamison, Fausset e Brown: "Canonicidade: Não é de admirar que epístolas não dirigidas a igrejas particulares (particularmente a de Tiago, aos crentes israelitas dispersos) fossem menos conhecidas por algum tempo. A primeira menção à epistola de Tiago, por seu nome, ocorre no começo do século III d.C., em Origenes (Comentário sobre João IS, 4, 306; nasceu cerca de 185 e morreu em 254 d.C.). Clemente Romano (primeira epístola aos Corintios, capo x; comparar com Tia. 2:21,23; capo XI; cf. Heb. 1I:31 e Tia. 2:25) a cita. Assim também o faz o Pastor de Hermas, que cita 4:7. Irineu (Heresias vi. 16:2) parece aludir a Tia. 2:23. Clemente de Alexandria comentou sobre a mesma, de acordo com Cassiodoro. Efraem Siro (Opp. Grac. IlI.51) cita Tia. 5:1. Uma forte prova de sua autenticidade é dada na antiga versão siriaca, que não contém qualquer outro dos 'livros disputados' (Antilegomena, Eusébio I1I.25), exceto a epístola aos Hebreus. Eusébio diz que os livros disputados são 'reconhecidos pela maioria' (gnorima homos tois pollois). Diz ele que a epístola de Tiago era lida

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TIAGO (LIVRO) publicamente na maioria das igrejas como obra genuína. Nenhum pai latino, antes do século IV d.e., a cita; mas logo depois do concílio de Nicéia, ela foi admitida como canônica, pelo Oriente e pelo Ocidente, e foi especificada como tal nos concílios de Hipona e Cartago (397 d.C.). Isso é o que já se poderia esperar, um escrito que a princípio era conhecido apenas em parte, até que subseqüentemente obteve circulação mais lata; e tomou-se melhor conhecida nas igrejas apostólicas, onde havia homens dotados de discernimento de espíritos, que os qualificava para discriminar entre escritos inspirados e disputados, passando a ser universalmente aceita (ver I Cor. 14:37). Embora postos em dúvida por algum tempo, pelo menos os livros disputados (Tiago, II e 1IIJoão, Judas e Apocalipse) foram universalmente aceitos... A objeção de Lutero ... se deveu a idéia equivocada, de que o segundo capítulo se opõe à justificação pela fé, não segundo as obras, ensinada por Paulo. Se a epistola foi escrita por Tiago, irmão do Senhor, sua data deve ser fixada antes de 62 d.C., pois é evidente que, naquele ano, ou perto de seu término, esse Tiago tinha sido martirizado por apredrejamento. Poucos consideram que essa epístola foi escrita pelo apóstolo Tiago, martirizado em 55 d.e. Conclusão I. Já que o livro não identifica o Tíago que é chamado seu autor, e já que não nos é possível descobrir que Tiago está em pauta, para todos os propósitos práticos, o livro é anônimo. Supor que uma figura apostólica é frisada, não passa de sugestão. Nenhuma prova contra ou a favor, em absoluto, pode ser oferecida. 2. De modo nenhum, pois, a aceitação ou rejeição do livro como "apostólico" pode servir de base de ortodoxia ou heterodoxia, e nem pode isso servir de prova de fé cristã. O próprio livro não afirma ser apostólico. Podemos apenas supor que seu autor queria que entendêssemos que o livro se baseia sobre a tradição apostólica. Tiago, o irmão do Senhor, não foi um apóstolo, estritamente falando, embora fosse uma figura apostólica, um poder apostólico. 3. Lutero dizia: " ... para dar minha opinião franca, embora sem preconceitos para com outrem, não suponho que seja o escrito de um apóstolo. E estas são as minhas razões: ... opõe-se diretamente a Paulo e a outras Escrituras, ao atribuir a justificação às obras, ao passo que Paulo ensina que Abraão foi justificado pela fé, independentemente das obras, esse Tiago nada faz além de impor-nos a lei e suas obras, escrevendo de modo tão confuso e desconexo que a mim parece que algum homem piedoso se apossou de certo número de declarações dos seguidores dos apóstolos e as lançou no papel; ou provavelmente foi escrito por alguém, conforme a pregação do apóstolo" (Prefácio a Tiago e João). Não são poucos os intérpretes protestantes que têm seguido essa avaliação de modo geral. Cremos que tende a subestimar o valor de Tiago, embora enfrente com franqueza certos problemas apresentados por este livro, o que alguns comentadores modernos só têm feito com relutância. 4. O problema real.O problema crítico que enfrentamos, quando consideramos esta epístola, não é "qual Tiago a escreveu?" Aceitamo-Ia como canônica e inspirada, pelo que aquele que fez mover-se a pena, afinal, foi a próprio Espírito Santo. Contudo, Ele não movimentou homens deixando de lado as suas idéias e expressões naturais. Portanto, em expressão, o autor contradiz a Paulo. Mas, quanto à "essência do significado", ele dá apoio a uma importantíssima doutrina paulina: é mister que o crente

seja transformado najustificação e na santificação; a mera crença não basta. Se o autor se encontrasse com Paulo, certamente haveria um debate. Ele era bom representante dos crentes judeus. de Jerusalém, isto é, dos "legalistas". Estes jamais concordariam com certas crenças paulinas. Mas, por detrás da controvérsia, destaca-se a grande verdade que a graça deve transformar; que a "crença fácil" é uma mentira. Tiago mostra ser uma coluna contra a mentira e o engodo da crença fácil, mesmo que o autor não se tenha expressado conforme Paulo faria, se falasse sobre o tema. O problema real que enfrentamos aqui, portanto, é: "Temos entendido o absurdo que é a crença fácil!" Tiago, sem importar quem foi ele, compreendeu isso, e faríamos bem em buscar discernir a sua idéia. Sob a seção VII deste artigo, - temos mostrado que Paulo e Tiago discordam do mesmo modo, e acerca das mesmas coisas, como fazem o "sistema da graça" e o "sistema legalista". Tiago representa o ponto de vista legalista da fé religiosa. Lutero viu isso claramente, e muitos bons intérpretes não têm temido destacar o fato. Contudo, de um ponto de vista da compreensão espiritual, não há contradição entre Tiago e Paulo, tal como não há diferença entre as "obras" e a "graça" , quando ambas são entendidas de um ponto de vista realmente espiritual. A graça em ação é esse tipo de obras onde há salvação. Tiago talvez tenha visto isso. E fariamos bem em vê-lo também. 5. Se nossa disposição é aceitar o testemunho da maioria dos antigos pais da Igreja, então cumpre-nos rejeitar a autoridade apostólica deste livro. Se aceitarmos a opinião da Igreja, a começar do século III d.C., afirmaríamos que Tiago, irmão do Senhor, o escreveu, ou então que seu autor foi o apóstolo Tiago; e nesse caso aceitaríamos o livro como canônico. Apesar do que pensamos sobre sua autoria, não há motivo para rejeitar sua autoridade e canonicidade. Ele nos apresenta importantíssima mensagem. O antinomianismo tem como fruto a "crença fácil", e esse sentimento é muito mais generalizado na Igreja moderna do que ousamos admitir. Tiago se opõe a tal desenvolvimento, e sua mensagem deve ser ouvida. 111. Data, Providência e Destino Porquanto a questão de autoria é indefinida; é difícil afirmarmos qualquer coisa, de forma absolutamente certa, sobre essas questões. Pelo menos, podemos eliminar algumas idéias "piores", chegando a uma espécie de aproximação da verdade. Data. O que se acredita sobre esse particular varia desde uma data não fixada, a.e., até 150 d.e. A própria data mais antiga poderia ser correta, se Tiago não fosse um documento cristão, que tivesse sido adotado para uso cristão, com o acréscimo de alguns toques cristãos, como a menção do nome de Cristo, em Tia. I: I e 2: 1. O nome "Tiago" e o nome "Jacó" na realidade procedem de um só nome hebraico, pelo que esse tratado "não cristão" poderia ter sido intitulado "Discurso de Jacó", com base em idéias sugeridas pelo quadragésimo nono capítulo do livro de Gênesis, ou algo similar. (Ver a explicação dessa teoria, com maiores detalhes, na seção IV, que envolve a "integridade" da epístola). Contrariamente a essa idéia temos o fato de que a passagem central do livro, Tia. 2: 14 e ss, é definidamente um ataque contra certas idéias de Paulo, ou contra certa forma corrompida das mesmas, que foram surgindo na Igreja, na era pós-paulina Isso é mais que um toque cristão; é o coração, o âmago mesmo da epístola, e só poderia ter sido escrito depois que os ensinamentos de Paulo tivessem se propagados. No judaísmo, não havia qualquer debate que pusesse em choque a fé e as obras. Não pode haver dúvidas de que os

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TIAGO (LIVRO) pensamentos que Paulo trouxera à fé religiosa estão em pauta, naquele capítulo. Por conseguinte, a epístola tem de ser pós-paulina. Poderíamos supor que a passagem de Tia. 2: 14 e ss é obra de um editor cristão subseqüente; mas, apesar disso ser perfeitamente possível, tal idéia nunca obteve grande aceitação entre os eruditos do NT. Seria o livro mais antigo do N. T. Alguns eruditos raciocinam que a epístola a Tiago é o livro mais antigo do NT, mormente porque lhe faltam as grandes revelações cristãs, o que significaria que "deve" refletir uma data recuada, antes das revelações mais profundas se terem tomado ensinamento comum da Igreja primitiva. Porém, a mesma objeção que é levantada contra a teoria pré-cristã pode ser aplicada aqui. O trecho de Tia. 2: 14 e ss, combate conceitos paulinos; portanto, a epístola deve ser de data pós-paulina. Seria um panfleto religioso pôs-paulino e posterior a Tiago. A epístola foi escrita após ter sido escrita a epístola aos Romanos (porquanto se opõe principalmente a seu quarto capitulo); e também após a morte do apóstolo Tiago, irmão do Senhor, porquanto é improvável que alguém presumisse escrever em seu nome, enquanto ele ainda vivesse. Tiago faleceu em cerca de 60-66 d.C. Portanto, devemos apontar para um data logo posterior a isso. Se a escolha do autor de um nome sob a égide de quem escreveria, foi influenciada pelo livro de Atos, então ele deve ter escrito após o ano 70 d.e. Se a datarmos em 70-90 d.C., provavelmente não estaremos longe do alvo. Os trechos de Tia. 5: 1-6 e 8,9 indicam que as expectações apocalípticas continuavam bem vivas, e o retomo de Cristo ainda era esperado para breve; por conseguinte, poderíamos supor que o período de "esfriamento", no tocante a esses eventos, que ocorreu do segundo século da era cristã em diante, ainda não chegara. Providência. Não há maneira de determinarmos "de onde" essa epístola foi escrita. Alguns defendem Roma, outros, Jerusalém e outros ainda, Alexandria. Cesaréia também tem sido conjecturada, na suposição de que esse ou algum outro lugar fora da corrente principal do cristianismo tenha sido o lugar de sua composição, o que explicaria o fato de que o tratado permaneceu desconhecido até à época de Orígenes, que o redescobriu, e por meio de quem adquiriu prestígio na Igreja grega, que, por sua vez, influenciou, primeiramente, as igrejas ocidentais e, então, a Igreja síria, para que o aceitasse. Um bom alvitre é Jerusalém, especialmente se pensarmos que Tiago, irmão do Senhor, foi seu autor genuíno. Há indícios, na própria epístola, que demonstram que o autor estava familiarizado com a vida à beira mar (ver Tia. 1:6 e 3:4), que ele vivera em uma terra onde abundava o azeite, a vinha e os figos (ver Tiago 3: 12), estando familiarizado com o sal e com as fontes amargosas (ver Tia. 3: 11,12). Além disso, ele vivera em uma região onde a chuva e o estio eram questões de vital importância (ver Tia. 3: 17,18), e ele alude às primeiras e às últimas chuvas do ano (ver Tia. 5:7). Tudo isso parece indicar a região da Palestina. Porém, apesar de que escreveu com as condições daquela região em vista, isso não indica que ele estivesse necessariamente no local quando escreveu, e nem essas condições de vida se reduzem exclusivamente à Palestina. A habilidade do autor, em seus escritos helenistas, cheios de artiflcios próprios daquela cultura, pode indicar um erudito centro do judaísmo, fora da Palestina, como Alexandria. Destino. Alguns estudiosos têm argumentado que não havia destino expresso no caso desta epístola; nenhuma comunidade especial está em vista. Isso, provavelmente, é

correto. Tiago é, verdadeiramente, uma epístola "católica" ou "universal", que visa a Igreja cristã inteira. O endereço, as "doze tribos" (ver Tia. 1:1), pode ser reputado como indicação de "cristãos judeus"; mas há quem pense qu~ isso significa a "Igreja cristã", e não o povo de Israel. E verdade que estão ausentes "problemas gentílicos" distintivos, nas várias repreensões e exortações existentes neste tratado. Não há qualquer alusão à idolatria, a escravos, à lassidão sexual - em suma, os perigos e vícios do paganismo, conforme poderíamos esperar em uma epístola dirigida para cristãos gentílicos, ou mesmo para a igreja em geral, onde havia a mistura de elementos judeus e gentios. Essa observação favorece a idéia que toma a expressão "doze tribos" como suposição de que a epístola foi Iiteraimente escrita a judeus da dispersão. Notemos, em Tia. 2:2, que a palavra "sinagoga" é usada, em vez de "igreja"; e bastaria isso para mostrar-nos a mentalidade 'Judaica" do seu autor e, talvez, a mesma coisa, por parte dos endereçados da epístola. Outrossim, a própria epístola tem numerosas alusõesjudaicas, que um autor não haveria de esperar que gentios compreendessem, mas somente os judeus. A ênfase sobre as esmolas (ver Tia. 2: 14-16) e sobre a visita dos anciãos aos enfermos (ver Tia. 5: 15 e ss), são toques tipicamentejudaicos, talvez visando principalmente os crentes judeus. A despeito dessas coisas, alguns bons intérpretes contendem pela verdadeira catolicidade ou universalidade da epístola, isto é, por toda a parte, onde estivesse a Igreja cristã, composta de judeus ou de gentios, era destinada a epístola. A epístola não indica condições calamitosas, não havendo qualquer alusão à destruição de Jerusalém, o que quase certamente ocorreu antes de sua composição. Isso pode indicar um lugar distante de Jerusalém e, talvez, fora mesmo da Palestina. A escolha parece ficar reduzida a: 1. crentes judeus da dispersão, que seriam seus principais endereçados; 2. a igreja universal, composta de judeus e gentios. Seja como for, nenhuma comunidade local parece estar em foco. Não há saudações e nem informes pessoais. IV. Fontes e Integridade A escolha de idéias parece girar entre duas possibilidades: 1. O livro é um documento cristão, dotado de forma essencialmente como foi originalmente escrito; mas com muitos empréstimos e citações diretas, além do refraseado segundo moldes judaico helenistas, e tudo revestido nas formas retóricas do grego. 2. Ou o livro, em sua maior parte (se falarmos do volume total ali contido), é não cristão, uma composição judaica anterior aos tempos cristãos, mas que foi refraseada por um editor cristão. Neste caso, também teria sofrido a influência da erudição e da retórica gregas. Consideremos, em primeiro lugar, a segunda dessas possibilidades. Ambas as possibilidades dizem respeito à "integridade" da epístola, que é um termo usado pelos eruditos para falar sobre o estado intocável e sobre a "unidade" de uma obra literária qualquer. A epístola se encontra segundo a sua forma original, ou sofreu modificações, desde que foi escrita originalmente? A epístola é produto de um único autor, ou algum editor combinou uma ou mais fontes, juntamente com suas próprias adições? As evidências textuais favorecem o argumento que o livro é conhecido, hoje em dia, tal e qual foi originalmente escrito; mas é possível que incorpore algum documento judaico, e que a isso várias porções foram acrescentadas por algum editor cristão. Nos fins do século XIX, o erudito francês L. Massebieau (UL 'épitre de Jacques est-elle I'oeuvre d'un Chrétien? págs. 249-283) levantou a questão se a epístola de Tiago conta ou não como um documento judaico que a escuda.

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TIAGO (LIVRO) Escrevendo independentemente, o erudito alemão Friedrich Spitta (Der Frief des Jacobus, 1896) levantou idêntica especulação; e ambos supunham que a leve adição, em Tia. 1:1 e 2: 1, que menciona o nome de Cristo, fez desse documento um tratado cristão. De fato, no trecho de Tia. 2: 1 surge uma grande dificuldade gramatical (ver as notas expositivas no NTI, in loc.), "que seria solucionada de pronto se supuséssemos que esse versículo foi uma interpolação feita por algum editor posterior. Sem essas duas interpolações, esses citados escritores encaravam o documento como próprio da literaturajudaica, e nada mais. Porém, tal posição recebe golpe fatal com o trecho de Tia. 2: 14 e ss, que é a porção central do tratado, em torno do qual a questão inteira é edificada, e que foi especificamente escrita para combater ou certas idéias de Paulo ou certa perversão de idéias paulinas, o que significa que a epístola deve ser pós-paulina. A mensagem ou perversão do quarto capitulo da epístola aos Romanos certamente está em foco nessa mencionada passagem, com o que concordam praticamente todos os eruditos modernos. Tal teoria, apesar de manuseada com respeito, não conseguiu obter aderentes. Então, Arnold Meyer (Das Ratsel des Jabusbriefes, 1930) não somente reviveu a idéia geral, mas também a elaborou. Ele observou que os nomes "Tiago" e "Jacó" na realidade, são apenas duas formas diferentes de um só apelativo hebraico, "Jacó". Portanto, a saudação poderia ser lida como Jacó servo de Deus, às doze tribos da dispersão, "saudações". O editor, portanto, teria acrescentado somente as palavras "servo do Senhor Jesus Cristo". Meyer concordou com os dois eruditos acima mencionados, no sentido de que os trechos de Tia. 1:1 e 2: I envolvem interpolações; mas adicionou a idéia de que o trecho de Tia. 5: 12,14 também pertence a essa natureza. Poucos eruditos modernos o têm seguido com exatidão; mas certo número deles tem adotado, pelo menos, a sua idéia de documento judaico como teoria básica. É possível que a principal contribuição de Meyer tenha sido a sua tentativa em explicar o estilo literário da epístola, em sua possível forma original. No capitulo quarenta e nove do livro de Gênesis encontramos o discurso de Jacó acerca das doze tribos e, com base nesse "precedente", o autor sagrado pode ter desenvolvido o seu livro. Naquele citado capítulo cada tribo de Israel é devidamente caracterizada, suas virtudes e seus vícios particulares são descritos. Filo seguiu essa sugestão, equiparando cada tribo com alguma virtude ou vício especial. Meyer cria que, de maneira bem mais sutil, cada tribo também recebe seu louvor ou repreensão, no tratado de Tiago. Abaixo encontramos a descrição de como ele via essa questão: Tia. I :2-4 falaria de Isaque como "Alegria", de Rebeca como "Constância" e de Jacó como "Perfeição" mediante as tribulações; Tia 1:9 falaria de Aser como "Rico", que seria um mundano; Tia. I: 12 falaria de Issacar como homem de Deus, pleno de boas obras; Tia. 1:18 falaria de Rúbem como as "Primícias"; Tia. I: 19,20 falaria de Simeão como "Ira"; Tia. 1:26,27 falaria de Levi como "Religião"; Tia. 3:18 falaria de Naftali como paz; Tia. 4:1,2 falaria de Gade como Homem de Guerra e de Lutas. Tia. 5:7 falaria de Dá como "Aquele que aguarda a salvação" e como "Paciente"; Tia. 5: 14-18 falaria de José como "Oração"; Tia. 5:20 falaria de Benjamim como "Morte e Nascimento". Além disso, haveria algumas alusões mais obscuras, adicionadas em Tia. 1:22-25, em que Levi apareceria como o "Ativo", isto é, homem de ação; em Tia. 2:5-8 teríamos Judá como o "Majestático"; em Tia. 5:12 teríamos Zebulom como um "Juramento".

Por conseguinte, a "epístola de Jacó" (supostamente a porção principal do livro que atualmente denominamos epístola de Tiago), na realidade, era um documento judaico, servindo de meio para louvar ou repreender as doze tribos de Israel. E possível que Meyer tenha obtido essa idéia das comparações ao observar que há muitos paralelos de idéias e expressões entre os Testamentosdos Doze Patriarcas e a epístola de Tiago. Alguns desses paralelismos aparecem no ponto terceiro da seção V deste artigo. Essa teoria, a despeito de atrativa, certamente é por demais elaborada, não podendo ser submetida a teste; mas, por ser tão sutil, torna-se imediatamente suspeita, segundo o conceito da maioria dos eruditos. De modo algum podemos eliminar o elemento "cristão" da epístola com o simples expediente de apagar da mesma os trechos de Tia. 1:1; 2:1; 5:12 e 5:14. Alguns estudiosos modernos, seguindo, em termos gerais, o que foi explanado acima, descobrem ainda outras interpolações feitas pelo suposto "editor" cristão, especialmente na passagem de Tia. 2: 14 e ss. Se a teologia judaica discutia as relações entre a fé e as obras, nunca houve uma polêmica que pusesse em campos opostos a "Fé" e as "obras"; pelo que também a passagem de Tia. 2: 14 e ss, é distintivamente, um produto da era cristã. Eruditos posteriores têm salientado passagens como Tia. 1:1,2; 1:6~8 e 2:7,8,12 como outras possíveis interpolações. Alguns deles frisam que essas adições têm um único objetivo, ao passo que o "resto do livro" que teria "fundo judaico", se comporia de muitas declarações misturadas, mais ou menos ao estilo do livro de Provérbios. O quadro se toma ainda mais confuso devido à suposição de que algumas das porções judaicas foram, na realidade, adicionadas pelo editor cristão, embora se tivesse alicerçado em material pré-cristão, principalmente de fundo judaico. Outrossim, até mesmo as chamadas "porções judaicas" poderiam ter sido elaboradas e reescritas pelo editor, para dar à totalidade da epístola (que mais se parece com uma colcha de retalhos) a aparência de unidade e de solidariedade. Entretanto, esse alvo não foi conseguido com perfeição, pelo que nos grupos diversos de declarações, conforme se vê nos capitulas terceiro, quarto e quinto (mas, especialmente, neste último), não há sequência na apresentação do assunto, de um versículo para outro, mas antes, o livro salta de um tema para outro bruscamente. A própria complexidade das diversas teorias nos deixa inteiramente no terreno das especulações. Quando muito, as teorias dessa natureza poderiam apoiar a asserção que garante que o livro que chamamos de Tiago é formado de diversos blocos de material tomados por empréstimo de uma ou mais fontes judaicas. Entrar em maiores detalhes do que sugerir quais passagens talvez refletissem esses empréstimos, é algo precário, talvez não sendo uma especulação muito frutífera. A maioria dos eruditos defende a idéia de que o livro é, essencialmente, um documento cristão, dotado de forma tal e qual foi originalmente escrito, embora contenha muito material emprestado, como citações diretas e refraseados de material judaico helenista, revestido nas formas retóricas gregas. Nada existe no livro que não possa ser explicado segundo essa teoria geral. Portanto, sendo seu autor um cristão, deixou de lado questões legalistas como preceitos dietéticos, ritos judaicos, circuncisão e os muitos regulamentos sobre a vida diária que os fariseus acrescentaram a um ritual já bastante complicado. Um documento puramente judaico certamente teria alguns desses aspectos. Obviamente, poder-se-ia argumentar que

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TIAGO (LIVRO) o editor cristão apagou tal material, existente na obra original. Portanto, sem importar a teoria proposta, podem ser levantadas várias objeções. Mas, se tivermos de escolher entre "teorias", aquela apresentada neste parágrafo é a mais provável do que as anteriores. Em adição a empréstimos judaicos, o autor sagrado poderia ter tomado emprestado material estóico cínico, acerca dos pecados da língua (ver Tia. I: 11,12), porquanto tal passagem conhece paralelos naqueles escritos éticofilosóficos, e o autor sagrado, evidentemente dotado de educação grega liberal, assegurou-nos que estava familiarizado com as várias escolas éticas filosóficas dos seus dias. O estudo abaixo, sobre Tipo Literário e Relações, dá-nos um quadro ainda mais nítido sobre as fontes possíveis. V. Tipo Literário e Relações I. A diatribe é um desenvolvimento baseado na retórica grega. Esse método de ensino e de discursar se derivou dos sofistas, dos filósofos pragmáticos da época de Sócrates. De fato, o próprio Sócrates, que tendo começado sua carreira com eles, posteriormente os abandonou, preservou algo desse método de discursar, segundo se vê em certas porções dos diálogos de Platão. A diatribe se caracteriza por exortações e repreensões severas, do que, algumas vezes, abusa. Nos escritos dos filósofos helenistas estóicos e cínicos, esse método é muito usado. Sêneca e Epicteto são os mais famosos entre tais filósofos. As sátiras de Horácio, Pérsia, Juvenal, as orações de Dia de Prusa, os ensaios de Plutarco, os (tratados de Filo, todos contêm esse elemento. Paulo, em Atenas ver o décimo sétimo capitulo do livro de Atos), talvez tenha procurado imitar propositadamente as diatribes dos filósofos, para obter a atenção de seus ouvintes. As diatribes incorporavam perguntas retóricas que o próprio autor passava a responder, ou que deixava sem resposta declarada, quando esta era óbvia (Ver Tia. 2: 18 e ss e 5: 13 e ss quanto a esse estilo). Além disso, as di atribes, com freqüência, começavam com expressões como "Não vos enganeis" (verTia. I: 16), "Queres saber ... 7" (verTia. 2:20), "Vedes" (ver Tia. 2:22), "Que proveito ..." 1- (Ver Tia. 2: 14, 15), "Pelo que diz". (ver Tia. 4:6, apresentando citações), "Eis que" (ver Tia. 14,5 e 5:4,7,8, 11). Assim sendo, na epístola de Tiago, as transições são feitas do mesmo modo em que os escritores usavam diatribes, isto é, levantando alguma objeção (ver Tia. 2:8), fazendo alguma pergunta (ver Tia. 2: 14; 4: I e 5: 13), ou por age (termo grego que significa "ir para", em Tia. 4: 13 e ss). Os imperativos são abundantes nas diatribes, pelo que, na epístola de Tiago, em cento e oito versículos, há sessenta imperativos. Os que usavam diatribes lançavam mão das metáforas de negociantes, ricos, pobres, remadores, etc., bem como ilustrações baseadas em vidas de pessoas famosas (como Tiago, Abraão, Raabe, Jó e Elias). As diatribes com freqüência empregam um paradoxo para introduzir uma idéia, conforme se vê em Tia. 1:2, 1O e 15, ou falam com ironia, segundo se vê em Tia. 2: 14-19 e 5:1-6. Todos esses artificios, naturalmente, se encontram em toda e qualquer literatura, mas a reunião de todos, em um único documento, é o que caracteriza a diatribe. Não se pode duvidar que nas sinagogas, nos tempos helenistas, pelo menos alguns se utilizavam dessa maneira de discursar. A literatura judaica dos tempos helenistas se utilizou do método; mas não com a intensidade com que o vemos na epístola de Tiago. O primitivo ensinamento cristão, todavia, abunda do mesmo; e isso era apenas natural, pois a igreja cristã se desenvolveu em lugares onde a maneira

de falar em público era desse caráter. (Ver Crisóstomo, Homilia sobre João 13, como um exemplo). 2. O protréptico ou panfleto perenético. A primeira dessas palavras se deriva do termo grego protrepo , "persuadir", "exortar". A segunda vem do vocábulo grego paraineo "avisar", "recomendar", "aconselhar". Esse estilo literário, portanto, consiste essencialmente de uma fileira de exortações e conselhos. Os primeiros exemplos que temos desse método se encontram nas obras de Sócrates (até 338 a.C.), em suas obras "Ad Niccoclem" e "Nicoles", Esse tipo de literatura tende por preservar muitas declarações sábias e espirituosas, com freqüência em uma serie, sem qualquer conexão especial entre elas, mais ou menos como se vê em porções dos capítulos terceiro, quarto e quinto da epístola de Tiago. Posidônio, Aristóteles, Galene, e vários dos filósofos estóicos produziram obras dessa natureza. Os filósofos morais escreveram "folhetos" que eram, essencialmente, convites a que seus leitores adotassem meios filosóficos sérios na sua vida, que eram formas do estilo literário "protréptico", 3. Tiago e a literatura de sabedoria do AT. Apesar do estilo de Tiago ser diferente do da literatura de sabedoria, contudo, há muitas idéias e afirmações que parecem ser tomadas de empréstimo desta última. Por isso, há coisas que se assemelham com Provérbios, com Eclesiástico e com a Sabedoria de Ben Siraque. Tia. 4:6 cita Pro. 3:34, e outros paralelos podem ser encontrados, como: Tia. 3: 18 (ver Pro. 11: 30); 1: 13 (ver Pro. 19: 3); 4:13 (ver Pro. 27:1); 1:3 (ver Pro. 17:3 e 27 :21); 1:19 (ver Pro. 29:20). Os paralelos com a Sabedoria de Ben Siraque e com Eclesiástico são ainda mais numerosos. É possível que o autor sagrado não conhecesse qualquer dessas obras; mas certamente estava familiarizado com a prédica, nas sinagogas, que empregavam as idéias e as declarações ali achadas. Há tópicos, no livro de Eclesiástico, que são paralelos próximos daqueles selecionados por Tiago. Assim é que Ecl. 19:6 e ss; 28: 13 e ss; 35:7 e ss; falam da sabedoria como um dom de Deus (ver Tia. 1:1-10); Ecl. I :27 alude às orações feitas por um coração dividido (ver Tia. I: 16); ao orgulho, em Ec\. 10: 7-18 (ver Tia. 4:6); à incerteza da vida, em Ecl, 10:10 e 11:16, 17 (ver Tia. 4: 14), ao lançar a culpa em Deus, em Ec\. 15: 11-20 (ver Tia. 1: 13 e ss). Os deveres para com as viúvas, para com os órfãos e as visitas aos enfermos, que figuram em Ec\. 4: 10; 7:34 e 13: 19 e ss, têm paralelos em Tia. 2:14 e ss, e 1:27. O livro Sabedoria de Salomão conta com alguns paralelos menos notáveis na epístola de Tiago, a saber, Sab. 1:11 corresponde a Tia. 4:11 e 5:9; Sab. 2:4 corresponde a Tia. 4: 14; Sab. 2: I 0-20 corresponde a Tia. 5: 1 e ss e 5: 13, repreendendo o orgulho e as riquezas. No entanto, em nenhum desses casos, fica subentendida a dependência, apesar de que o autor sagrado pode ter usado diretamente outras porções do livro de Eclesiástico. Além desses casos, paralelos de idéias e expressões abundam, com base nos escritos de Filo; havendo também algumas similaridades com o quarto livro de Macabeus. Clemente de Roma e Hermas exibem empréstimos similares e métodos de expressão, ainda que também possam ter sofrido a influência indireta, de alguma fonte, como sucedeu no caso do autor da epístola de Tiago. Apesar do autor da epístola de Tiago ser mais educado que o autor dos Testamentos dos Doze Patriarcas (100 a.C.], podem ser observados alguns paralelos de idéias, com algumas coincidências verbais. Por exemplo, sobre Benjamim, o Tes. 6:5 se parece com Tia. 1:9,10; sobre Nafali, o Tes, 8:4 se parece com Tia. 4:7; sobre Daniel, o Tes. 6:2 se parece com Tia. 4:8; sobre Zebulom, o Tes. 8:3 se parece com Tia. 2: 13; sobre José, o Tes. 2:7 se

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TIAGO (LIVRO) parece com Tia. I :2-4 e sobre Benjamim, o Tes. 4: I se parece com Tia. 5: l l . 4. Tiago e outros livros do NT A maior parte dos eruditos concorda sobre o fato de que Tiago não parece ter feito empréstimos diretos de qualquer dos livros do NT. Naturalmente, há material similar. Os trechos de Heb, 11:8,10,17-19 e 1I:31 falam sobre Abraão e Raabe, tal como se vê nas epístolas aos Romanos e de Tiago; mas não há qualquer "dependência" entre uns e outros. A influência mais notável é a exercida pelo quarto capítulo da epístola aos Romanos, sobre a Justificação, e que Tia. 2: 14 e ss reverte enfaticamente, em vez de confirmar. Mas o autor desta epístola poderia estar combatendo certas idéias que tinham surgido na Igreja por influência de Paulo, sem estar combatendo a Paulo diretamente, através de sua epístola aos Romanos. A relação mais próxima entre a epistola de Tiago e qualquer outro livro do NT, é com a primeira epístola de Pedro. Esta última, dentre todos os livros do NT, é a que mais se assemelha com aquela, dentre todos os livros nãopaulinos. A epístola de Tiago e a primeira epístola de Pedro mostram pontos curiosamente idênticos, quanto a frases e idéias, a saber: I Ped. I: I (ver Tia. I: I); I Ped. 1:6 e ss (ver Tia. 1:2 e ss); I Ped. 2: I (ver Tia. 1:21); I Ped. 4:8 (verTia. 5:20); I Ped. 5:5 ess, (verTia. 4:13); 1 Ped. 5:9 (ver Tia. 4:7). Dentre essas passagens, I Ped. 1:24; 4:8 e 5:5 são citações extraídas do AT,a saber, respectivamente, de Isa. 40:6-9; Provo 10:12 e 3:34, pelo que não se pode pensar que Tiago as tomou por empréstimo da primeira epístola de Pedro, ou vice-versa. Seja como for, não se pode provar ter havido qualquer dependência. Tudo quanto se pode demonstrar é que tanto o autor da epístola de Tiago como o autor da primeira epístola de Pedro se basearam em influências religiosas e literárias idênticas. 5. Tiago e o Antigo Testamento. Tal como qualquer livro do NT, Tiago citou diretamente ou fez alusões ao AT. Por exemplo: Tia. 1:5 (ver Pro. 2:16); Tia. I :10(ver Isa. 40:6,7); Tia. I: 12 (ver Dan. 12:12); Tia. I: 19 (verEcl. 7:9); Tia. I: 26 (ver Sal. 34:13); Tia. 2:8 (ver Lev. 19:18); Tia. 2:9 (ver Deut. 1:17); Tia. 2: li (ver Êxo. 20: 13); Tia. 2: 12 (ver Deut. 5: 17,18); Tia. 2:21 (ver Gên. 22: 10,12); Tia. 2:23 (verGên. 15:6 e 11 Crô. 20:7); Tia. 2:25 (ver Jos. 2:4, 15 e 6: 17); Tia. 3:8 (ver Sal. 140:3); Tia. 3:9 (ver Gên. 1:27); Tia. 4:5 (ver Êxo, 20:3,5); Tia. 4:6 (ver J6 22:29); Tia, 4:8 (ver Zac. 1:3 e Isa. 1:16); Tia. 4:13 (ver Pro. 27:1); Tia. 4:14 (ver Sal. 39:5, II)~ Tia. 5:3 (ver Pro. 16:27); Tia. 5:4 (ver Lev. 19:13; Deut. 24: 14; Mal. 3:5; Isa, 5:9 e J6 31 :38-40); Tia. 5:6 (ver Pro. 3:34 e Osé. I :6); Tia. 5:7(ver Deut. 11:14; Joel 2:23; Zac. 10:1 e ler. 5: 24); Tia. 5: II (ver Dan. 12:12; J6 I: 21,22; Sal. 103:8 e IHA); Tia. 5:13 (ver Sal. 50:IS); Tia. 5:16 (ver I Reis 17:1); Tia. 5:18 (ver I Reis 18:42); Tia. 5:20 (ver Sal. 51: 13 e Pro. 10: 12). VI. O Cristianismo Judaico A epistola de Tiago certamente é um documento que representa o cristianismo judaico; e não erramos por dizer, representa o cristianismo legalista. Esse pontojá foi frisado e discutido amplamente, na declaração introdutória, no começo mesmo do presente artigo. Por que se pensaria ser estranho que ao menos um dos documentos legalistas finalmente tivesse vindo fazer parte do cânon do NT? Uma vez que admitamos que isso é exatamente o que sucedeu, a interpretação do trecho de Tia. 2: 14 e ss, se toma clara, não havendo qualquer necessidade de reconciliar essa passagem com os escritos de Paulo, mediante interpretações engenhosas, mas nem por isso menos infrutíferas e até mesmo desonestas. Esse livro, provavelmente, representa fielmente o que a maioria dos membros da igreja de

Jerusalém pensava sobre a Justificação. Paulo jamais foi aceito por esse seguimento da Igreja, e as suas doutrinas da justificação pela fé. e da "graça divina", como instrumentos da salvação, na real idade nunca foram bem compreendidas e nem aceitas. É verdade que alguns dos principais líderes cristãos aceitavam-nas, mas mesmo assim as misturavam com questões legalistas, embotando o seu brilho (segundo se depreende de GáI. 2: 12). No texto de Gál. 2: 12 não temos o direito de pensar que aqueles que vinham da parte de Tiago agiam por sua própria autoridade, e não por autoridade de Tiago. E o décimo quinto capítulo do livro de Atos mostra-nos que muitos cristãos nunca viram bom senso nas doutrinas paulinas distintivas, nunca lhes tendo prestado lealdade. Esses viam Jesus como o Messias, talvez como o maior de todos os profetas; criam na ressurreição como prova da validade de sua missão divina; mas jamais imaginaram que Moisés seria removido, juntamente com sua lei, sua circuncisão e seu cerimonial. Portanto, consideravam Paulo um herege perigoso, porquanto seus ensinamentos da graça e da fé se opunham à lei e seu cerirnonialismo. A passagem de Atos 21 :18 e ss mostra-nos isso claramente, e a história do período apenas confirma tal verdade. Paulo jamais convenceu ao segmento judaico da Igreja sobre o fato de que Cristo ultrapassou e substituiu a Moisés, incorporando em si mesmo tudo quanto realmente se revestia de significado espiritual em Moisés e seu sistema. Pode-se notar que, em Atos 21 :20, os crentes de Jerusalém são descritos como "zelosos da lei". Isso mostra, claramente, sem necessidade de maior elaboração, onde se colocavam aqueles crentes sobre as questões dajustificação, da fé e das obras, etc. O vigésimo primeiro versículo mostra-nos que eles continuavam a circuncidar a seus filhos, sem dúvida crendo que isso era um ato meritório, e que lhes conferia as bênçãos próprias do pacto abraâmico. As novas idéias nunca triunfam porque conquistam as mentes da geração mais idosa; antes, vencem cativando as novas gerações, enquanto a geração mais antiga falece. Assim também sucedeu entre os cristãos primitivos, no tocante às doutrinas paulinas distintivas; no entanto, até mesmo na Igreja cristã moderna, um maior número crê na necessidade de obras para a salvação do que aqueles que não crêem. Mesmo admitindo a plena força do concílio de Jerusalém, isto é, que Lucas não fez o quadro mais risonho do que realmente era, deveríamos observar que as concessões feitas no décimo quinto capítulo do livro de Atos foram para os gentios e não para a comunidade cristã judaica. Não há razão para supormos que foi conseguida qualquer grande diferença senão muitas gerações mais tarde. Não há que duvidar que muitas das comunidades cristãs judaicas encaravam as concessões feitas aos gentios como "heresias pecaminosas", como se fossem transigências a novidades destruidoras. A amargura com que Paulo escreve em Gálatas (ver também FiL 3: I e ss), mostra-nos com que vigor ele era combatido nas igrejas gentílicas que contavam com um forte elemento judaico. Portanto, nem mesmo todas as igrejas gentílicas eram paulinas. Quando o autor da seguida epístola de Pedro (ver 11 Ped. 3:16) falou sobre coisas dificeis de entender, nas epístolas de Paulo, falava em prol de um grande segmento da Igreja. As inovações de Paulo eram encaradas com suspeita, aceitas com cautela e rejeitadas com malícia. Naturalmente, a epístola de Tiago não toma a posição mais extrema contra Paulo, promovendo a circuncisão e a continuação da lei cerimonial. Contudo, postava-se definidamente do lado legalista do campo. Pensar que Paulo somente fala acerca da lei cerimonial de Moisés,

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TIAGO (LIVRO) como algo que foi eliminado em Cristo, é negar ou ignorar os claros ensinamentos das epístolas aos Romanos e aos Gálatas. Aquelas epístolas tratam de questões de "salvação", e não de ritos e observâncias religiosas; portanto, a lei moral. está em primeiro plano; pois era na base da obediência aos mandamentos centrais que os judeus esperavam obter a salvação. Outrossim, a distinção moderna entre as leis morais e cerimoniais seria algo totalmente estranho para os judeus. Para eles, as leis cerimoniais eram perfeitamente morais, e algumas de suas provisões eram consideradas tão importantes quanto o próprio decálogo. A circuncisão aparecia em primeiro lugar, entre essas questões. Mas havia outras questões, como a fimbria das vestes usadas pelos homens (de uma certa tecedura e cor), as lavagens cerimoniais, os batismos, etc., que eram reputadas de extrema importância entre os judeus, como se fossem questões imperativas. (Ver os artigos sobre Circuncisão, Partido da e Legalismo). VII. Paulo e Tiago É apropriado que agora alistemos vamos modos como os escritos e as idéias de Paulo têm sido tentativamente reconciliados com a epístola de Tiago: I. Obviamente as palavras são contraditórias. Comparar Rom. 4:1-5 com Tia. 2:14,21. Pouca dúvida há de que Tiago foi escrito para refutar idéias paulinas específicas, contidas no quarto capítulo da epístola aos Romanos, sem importar se essa epístola era conhecida ou não do autor. Não admira, pois, que as duas epístolas se contradizem entre si. Os intérpretes que se recusam a reconhecer isso, supõem que Paulo e Tiago possuem diferentes definições para as palavras-chaves "Justificação", "obras", "fé" e várias outras. 2. Segundo nos dizem, a "Justificação", na epístola de Tiago, incluiria o processo inteiro da salvação, ao passo que, em Paulo, indica somente a retidão inicial, imputada. (As notas expositivas no NTI em Rom. 3:24-28 mostram que o uso que Paulo fez da palavra Justificação é tão amplo quanto o de Tiago). A justificação é devida (ver Rom. 5: 18), o que certamente inclui mais do que mera declaração forense de retidão. Tanto Tiago como Paulo se preocupam com a "correta posição" diante de Deus, o que resulta em salvação. A justificação é a "declaração" de uma correta posição diante de Deus, em Cristo, mas essa correta posição também outorga ao crente a santidade que ratifica aquela posição e a toma eternamente válida. Seja como for, na epístola de Tiago, ser 'Justificado por obras" não significa que "a fé deve produzir obras, como seu resultado", conforme a questão é popularmente esclarecida. Para ele, segundo se vê claramente afirmado no texto, isso significa que é necessária a combinação de "fé-obras" para a justificação, e que a fé não pode fazer sozinha o seu papel. A fé é aperfeiçoada pelas obras da fé (ver Tia. 2:22); pelo que um homem é justificado por obras e não somente por fé. (verTia. 2:24); e isso significa que afê sem obras é morta (ver Tia. 2:26). 3. Segundo nos dizem, afê é um termo que indica coisas diferentes para Paulo e para Tiago. Para este último seria o mero monoteísmo, conforme se pode subentender de Tia. 2: 19. Mas os intérpretes que assim fazem não observam que o resto do estudo sobre a fé não se limita a isso. A fé é um principio ativo, copulada às obras que produzem a justificação. "Abraão creu em Deus"; e essa fé lhe foi "lançada na conta" como retidão (ver o vigésimo terceiro versículo). Certamente não é fé aquela que não vai além de crer que "só existe um Deus". No judaísmo helenista não havia conflito entre a fé e as obras. Não temos razão de supor que Tiago vai além do contexto judaico-helenista, o

qual via tanto a fé como as obras como algo necessário para a obtenção do favor diante de Deus. Para os judeus, a fé nunca consistia na mera aceitação da crença monoteísta. É verdade, porém, que Tiago não focaliza a fé na expiação feita por Cristo, ou não focaliza a fé como uma dotação divina, mediante o Espírito Santo (ver Rom. 5: li; Gál. 5:22 e Efé. 2:8 no tocante a esses elementos, nos escritos de Paulo). Paulo tinha uma visão mais ampla da "fé" do que Tiago; mas, para Tiago, a fé era uma outorga ativa às mãos de Deus, como um princípio espiritual (conforme se deu no caso de Abraão), e não apenas uma crença de qualquer natureza. Assim sendo, se algumas diferenças podem ser vistas quanto ao prisma como a fé é reputada, nos escritos de Paulo e de Tiago, as considerações acima não solucionam a controvérsia, pois a idéia central de fé transparece nos escritos de ambos. Tiago simplesmente ensina que a fé deve vir ligada às obras; e com isso ele entende a lealdade e a obediência à lei mosaica (ver Tia. 2:8, Lev. 19:19; 2:9, Lev. 19: 15; e 2: li, Êxo. 20:13,14). A posição de Tiago é que o judaísmo ordinário nunca contemplou a doutrina que diz "fé somente". A história da teologia deles é uma prova clara sobre isso. Por que se acharia estranho que Tiago tenha tomado a posiçãojudaica comum sobre essa questão? É óbvio que esse ponto de vista teológico normal do judaísmo não estava de acordo com a teologia paulina, Por que acharia estranho, pois, que Tiago tenha contradito a Paulo? Se o judaísmo contradizia a Paulo (e quem pode duvidar disso?), então, igualmente, Tiago contradizia a Paulo. 4. Alguns dizem que Paulo e Tiago usaram diferentemente a palavra obras. Novamente, Paulo tinha um discernimento mais profundo sobre a natureza das "obras", mas tanto ele como Tiago usam o termo normalmente, indicando obediência à lei mosaica e suas implicações. Tiago insiste em que isso faz parte da salvação; Paulo afirma o contrário. Tiago assume a posição judaica normal do "mérito" adquirido pelas obras; Paulo já havia abandonado tal posição; quando recebera suas revelações superiores da parte de Cristo; mas ambos os escritores usam o vocábulo "obras" da mesma maneira. Em Fil. 2: 12, Paulo usa a definição "espiritual" das "obras", isto é, "aquilo que o Espírito Santo realiza em nós"; e, nesse caso, o termo se torna simples sinônimo da graça ativa. Essa idéia é explicada no NTI em Efé, 2:8, bem como na referência que acabamos de dar. Porém, se Paulo tinha um ponto de vista mais aIto acerca das verdadeiras obras espirituais, por outro lado não é com esse sentido que ele aplica a expressão nas seções polêmicas de Romanos e de Gálatas. Ali ele falava sobre os "méritos" da obediência legalista; e foi exatamente assim que Tiago usou o termo, em sua epístola. Esse era o ponto de vistajudaico normal acerca das obras; eles criam sinceramente que um homem obtém o favor de Deus mediante a obediência à sua lei; Tiago compartilhava dessa crença. Faltavam-lhe as revelações cristãs superiores, que poderiam ter modificado sua maneira de pensar. A definição paulina das "obras", que faz delas um sinônimo da graça, foi um discernimento do qual não participa a epístola de Tiago. Assim sendo, Tiago não ensina que pela operação íntima do poder do Espírito Santo forma-se no crente a natureza moral de Jesus Cristo, que então se expressa na forma de boas obras. Antes, dizia ele que a obediência à lei produz mérito. Suas "obras", pois, que justificam, eram "obras de observância da lei", e não as operações místicas do Espírito no íntimo, chamadas de "fruto do Espírito", em Gál. 5:22,23. 5. A contradição era apenas aparente, segundo

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TIAGO (LIVRO) afirmam alguns, e com base na falta de melhor entendimento dos escritos paulinos por parte de Tiago. Isso faz supor que Paulo aceitava a posição de Tiago, de que a obediência à lei obtém favor diante de Deus, o que é um absurdo. Não tenhamos dúvidas, entretanto, que essa é a posição tomada por Tiago, nesta epístola. Supostamente, incorporado na fé de Paulo, havia o princípio das obras; e isso é verdade mesmo que façamos alusão à atuação mística do Espírito. Porém, será algo totalmente falso se aludirmos a obras como a fé se expressa, levando a pessoa a agradar a Deus mediante obras legalistas, que era a posição de Tiago. 6. Antes, a contradição é real, porque as posições teológicas dos dois são diferentes, tal como Paulo, em contraste com o judaísmo normal, era diferente. Nem pode isso ser explicado com base nos ataques de Tiago contra as "perversões" feitas nos ensinamentos paulinos, uma espécie de liberalismo e antinomianismo exagerados, e não na verdadeira doutrina paulina. E bem possível que muitos pervertessem os ensinamentos de Paulo, como os gnósticos, que pensavam que o que faziam com seus corpos não fazia qualquer diferença, pois o espírito ficava livre de toda a mácula, "por causa da expiação de Cristo". Certamente Tiago ataca esses extremistas, não havendo, porém, provas de que atacasse somente a eles. Antes, atacou a todos quantos supunham que "basta a fé", como se a obediência aos princípios morais da lei de Moisés fosse algo desnecessário e não meritório quanto à salvação. Se ao menos pudermos ver que a epístola de Tiago representa o judaísmo, no que concerne à fé e às obras, sendo também uma expressão do cristianismo legalista, então todos os problemas de reconciliação, os mistérios e as dificuldades de interpretação seriam imediatamente solucionados. Por que suporíamos que quando Tiago escreveu sobre essas questões, dizendo as mesmas coisas que se acham nos documentos judaicos (aqueles citados nas seções IV e V desta introdução), que ele queria dizer algo diferente do que eles diziam? Ora, se ele dizia as mesmas coisas que eles, então discordava de Paulo, que abandonara a teologia judaica quanto a esse particular. O maior problema de todos, e que os intérpretes falham em solucionar, é que tentam harmonizar Tiago e Paulo, quando a verdade é que Tiago discorda de Paulo, pondo-se ao lado da teologia judaica. Portanto, como poderia alguém dizer que Tiago discorda da teologia judaica, se diz as mesmas coisas que disseram vários escritores judeus? Porventura ele poderia dizer as mesmas coisas que eles disseram, sem concordar com eles? Ele disse as mesmas coisas simplesmente porque defendia os mesmos pontos de vista teológicos. E, defendendo a mesma teologia, automaticamente ele contradizia a Paulo. De fato, ele escreveu para deixar bem clara essa contradição. 7. A questão é claramente delineada. Ou Paulo estava com a razão, ou a razão estava com Tiago. A salvação inclui ou não as observâncias e ritos legalistas da lei mosaica. Nisso é que consistia toda a disputa. (Ver Atos 10:9, quanto ao "problema legalista" da primitiva Igreja cristã). 8. O ponto de vista paradoxal. De alguma maneira, tanto Tiago como Paulo estariam com a razão. A salvação é pela fé somente, mediante a graça de Deus, segundo ela é demonstrada em Cristo. Contudo, as obras são essenciais a ela e como esses pensamentos podem ser reconciliados entre si, não sabemos dizer. As grandes tradições religiosas têm representado ambos os lados, e bem fartamos em respeitar a ambos. 9. Não há contradiçãofinal. Podemos afirmar que Tiago levanta uma questão vital: sabemos, intuitiva e

racionalmente, bem como através da revelação, que "devemos ser algo: devemos fazer algo". Sabemos que a fé religiosa deve ser ativa, produtiva e frutífera. Sabemos que a fé deve ser a fonte do caráter justo e das ações, pois, do contrário, não será a verdadeira fé, pois esta consiste na outorga da própria alma aos cuidados de Cristo, para que possamos ser transformados segundo sua imagem moral, em primeiro lugar, e então, em sua imagem metafísica (ver Rom. 8:29 e 11 Cor. 3:18), mediante o que chegaremos a participar de toda a plenitude de Deus (ver Efé. 3: 19) e da própria natureza divina (ver II Ped. I :4). Assim, apesar de que Tiago de fato contradiz a Paulo, porquanto lhe faltavam as revelações recebidas por este último, não tendo ainda sido desvinculado de Moisés e do legalismo judaico comum, sabemos intuitivamente, todos nós, que deve haver "obras" de alguma ordem, uma revolução e uma renovação moral e espiritual, sem a qual não haverá salvação sob hipótese alguma Tiago expressou essa intuição sem grande maestria, já que seguia as expressões legalistas a que estava afeito, através de anos de treinamento. As obras, quando são reputadas como as obras do Espírito, insufladas no intimo, são vários aspectos de seu fruto (ver Gál. 5:22,23), são necessárias à salvação. E desse modo as obras se mesclam com a "graça", porquanto esses tipos de obras são meras expressões da graça ativa. Silo expressões, mas também são a alma mesma do princípio da graça, atuante no íntimo. Portanto, as "obras" de natureza espiritual não são apenas resultados da fé, conforme popularmente se diz; fazem parte da natureza inerente da graça, que tem como seu objetivo a transformação do ser humano na natureza moral de Cristo, de forma que os homens podem vir a participar da mesma santidade e das mesmas perfeições de Deus (ver Rorn. 3:21; Heb. 12:14 e Mal. 5:48). Podemos dizer, pois, que Tiago contradiz a Paulo porque tinha um ponto de vista legalista sobre as obras, e não uma idéia "mística". Faltava-lhe o discernimento que encontramos em Fil. 2:12,13. Contudo, enquanto lhe faltava esse "discernimento", não lhe faltava a intuição que as "obras", segundo determinadas considerações, são necessárias para ajustificação e para a salvação. Podemos desculpá-lo por sua expressão desajeitada dessa intuição, porquanto levantou ele uma questão vital, de que muito se precisa na igreja evangélica moderna, onde domina a "crença fácil". Deveríamos aprender, da epístola de Tiago, ainda que não concordemos com seu modo de expressão, que um homem precisa assumir a imagem de Cristo, duplicando a vida de Cristo em sua própria vida; é mister que Cristo viva por seu intermédio; é preciso que consiga a vitória moral; é necessário que seja transformado, porquanto, de outra maneira, nem ao menos ter-se-á convertido. Não basta alguém aceitar certo credo para imaginar, tolamente, que isso obriga Deus a aceitá-lo, por causa de sua "correta opinião". Precisamos possuir aquela fé que transforma a vida inteira, espiritualizando-a segundo os moldes de Cristo, formando em nós a vida de Cristo (ver João 5:25,26 e 6:57). É como se Tiago houvesse dito em tons sarcásticos: "A correta opinião a ninguém pode salvar" (Comparar com Tia. 2: 19). Somente a vida transformada nos pode conduzir realmente à salvação (ver II Tes. 2: 13). 10. Paulo, Tiago e Jesus. Talvez o problema mais vexatório do NT é o que indaga: -Onde ficava Jesus, nessa controvérsia?- Visto que Ele falou antes do surgimento da mesma, não há qualquer Escritura a respeito. Apesar de que, nas citações que temos de Jesus, em regra geral parece que Ele tomava a posição judaica comum sobre o meio de salvação, devemos supor que não lhe faltava a

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TIAGO (LIVRO) compreensão paulina sobre as obras espirituais. em contraste com as "obras legalistas". Portanto, apesar de que não usou a exata terminologia empregada pelo apóstolo dos gentios, quanto às idéias, podemos ter a certeza de que Cristo concordava com a abordagem paulina. E já que Paulo pôde afirmar que os demais apóstolos concordavam com ele, no tocante à natureza do Evangelho (ver Gal, 2;2 e ss), precisamos crer que Pedro

e os demais apóstolos não viam qualquer contradição básica entre o que Paulo e Jesus ensinavam. Sem dúvida, se Paulo tivesse entrado em qualquer contradição relativa a Jesus, Pedro e os demais ter-se-iam colocado ao lado de Jesus e contra Paulo. Portanto, Paulo deve ter ensinado de acordo com a realidade das obras espirituais, contradizendo o sistema judaico comum de "méritos". Sendo essa a verdade, continua sendo um fato que Paulo trouxe à luz diversos conceitos da verdade espiritual que Jesus nunca explanou para os seus discípulos originais. Esses conceitos aumentam grandemente o nosso entendimento acerca do destino daqueles que se acham em Cristo, acerca da glória ali envolvida, acerca da magnitude do poder e do desenvolvimento espirituais que isso representa. Nas revelações dadas por meio de Paulo, o cristianismo deu um prodigioso salto para a frente, em comparação com o pensamento judaico e com a experiência espiritual. A graça é a livre dádiva de Deus para nós, por intermédio de Cristo. Quando olhamos para a salvação como dom de Deus, estamos falando sobre a graça divina. Porém, à graça em nós operante, ao poder do Espírito no íntimo, chamamos de "obras". Portanto, a graça divina, vista do ponto de vista diferente, pode ser chamada de "graça" ou de "obras"; mas, seja como for, tudo procede da parte de Deus, embora deva haver uma reação humana favorável. O legalismo vê um dos lados da questão com diáfana clareza; sabe que a espiritual idade deve produzir algo. Essa foi a contribuição do legalismo. Confronta a "crença fácil" e a chama de "fingimento". Porém, o legalismo é míope, tendendo para a superficialidade, porquanto normalmente diz que quando obedecemos aos mandamentos da lei, obtemos o favor de Deus. Esse é o grande erro do legalismo, e contra isso é que Paulo se opunha amargamente. O legalismo tem a tendência de se escorar no braço da carne, fazendo da salvação uma questão de conta corrente de méritos e deméritos, em vez de reconhecer a total espiritualidade do processo da salvação, que envolve a transformação de alma, e não meramente a bondade que se poderia acumular através de observâncias minuciosas. VIII. Propósitos e Ensinamentos As notas acima nos indicam a maior parte dos propósitos e ensinamentos desta epístola. Consideremos, entretanto, ospontos seguintes: 1. Um de seus propósitos é puramente polêmico. Ele procura refutar as inovações acrescentadas à teologia paulina; isso ele faz na ignorância, entretanto, por faltar-lhe as revelações mais profundas de Paulo. E o autor da epístola exibe umajusta indignação, pensando que fazia o bem, ao assim combater aquelas idéias. E verdade que tinha certo discernimento, mas se expressou desajeitadamente, mediante uma terminologia e uma mentalidade nitidamente legalistas. Certamente a passagem de Tia. 2: 14 e ss, é uma refutação às idéias do quarto capítulo da epístola aos Romanos, ou é mesmo um assédio direto contra as idéias ali expostas. (Ver a seção VII deste artigo quanto a notas expositivas completas sobre a questão).

2. Porém, a intenção do autor sagrado foi boa. Ele queria que soubéssemos (e nisso estava com a razão), que opiniões corretas sobre as verdades cristãs não são suficientes; deve haver uma vida espiritual vital, pois, do contrário, a fé estará morta. 3. Além disso, ele desejava fornecer instruções éticas concretas, que envolvessem muitos pontos. Este livro constste, essenctalmente, em um tratado qUl: visa ual instruções morais. Assim sendo, ele aborda a questão da tentação. Alguns indivíduos punham a culpa em Deus por seus próprios erros e pecados, supondo, virtualmente, que Deus assim os "fizera" (ver Tia. 1: 12 e ss). Tiago refuta, violentamente, esse conceito. Também exortou à oração e à mentalidade espiritual (ver Tia. 1:5); repreendeu a ira e o mau gênio (ver Tia. 1: 19 e ss); insistiu sobre a prática das boas obras (ver Tia. 1: 22 e ss). Assim nos deu uma das nossas definições centrais acerca da verdadeira religião (ver Tia. 1:27). A verdadeira religião, pois, consiste na pureza pessoal, bem como em atos de bondade para com o próximo. Tiago também repreende a soberba (ver Tia. 2: 1 e ss) e o favoritismo, na mesma passagem; mostra como a atividade moral deve incluir a lei inteira, e não meramente alguns pontos da mesma, e cria ser isso possível para os homens (ver Tia. 2: 10 e ss). Também repreendeu vivamente os pecados da I íngua (ver Tia. 3: 1 e ss); denunciou o mundanismo (ver Tia. 4: 1 e ss); advertiu os ricos acerca da dependência às suas possessões e aos seus excessos (ver Tia. 5: 11 e ss). A leitura da própria epístola realmente serve de observação sobre os muitos mandamentos morais do autor sagrado, e o que expomos aqui é apenas um exemplo. 4. Seus propósitos não eram essencialmente teológicos, com exceção da passagem de Tia. 2:14 e ss. Lutero tinha razão ao reconhecer a "esterilidade" do conteúdo teológico dessa epístola. Nada tem das elevadíssimas doutrinas cristãs que se acham nos escritos de Paulo, exceto que o ensino sobre a "parousia" (a segunda vinda de Cristo) é reputado como algo que poderia acontecer em breve (ver Tia. 5:7). Por essa razão é que Lutero a chamou de "epístola de palha", porquanto, para ele, não podia eq uiparar-se com as epístolas de Paulo, especialmente Romanos, ou com a primeira epístola de Pedro e o evangelho de João. Ele sumariou o seu ponto de vista ao dizer: "Louvo à epístola de Tiago, e a considero boa, porquanto não ensina qualquer doutrina humana, e afirma severamente a lei de Deus" (Introdução à Epístola de Tiago). Talvez esse seja um sumário tão bom quanto qualquer outro que se possa fazer acerca do caráter dessa epístola. "Sempre que a fé não resulta em amor, e o dogma, por mais ortodoxo que seja, aparece desvinculado da vida diária; sempre que os crentes são tentados a aceitar uma religião centralizada no próprio homem, tomando-se eles esquecidos das necessidades sociais e materiais de outros; ou sempre que negam, com a sua maneira de viver, ao credo que professam, e parecem por demais ansiosos por serem amigos do mundo, mais do que de Deus, então a epístola de Tiago tem algo a dizer-lhes, e que só rejeitam com perigo próprio". (fyndale N.T. Commentary, Introdução à Epístola de TIago). Há vários abusos contra os ensinamentos da epístola a Tiago, segundo se vê nos pontos seguintes: 1. Alguns vêem um certo apoio à idéia medieval da "extrema unção, em Tia. 5:14,15; 2. Outros vêem a idéia que a justificação é ajudada mediante obras legalistas, em Tia. 2:14 e ss; 3. e outros são encorajados e levados a permitir extremismos

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TIAGO (LIVRO) - TIAGO (PESSOAS) na prática da confissão pública de pecados, com base em Tia. 5:16. IX. Linguagem Quanto às características literárias, a epístola de Tiago demonstra afinidades com o tratado aos Hebreus, embora nunca se mostre tão eloqüente como O mesmo. Foi escrita em grego excelente, que demonstra conhecimento das delicadezas das habilidades retóricas do grego, como a aliteração, a diatribe, etc., além de demonstrar excelente escolha das palavras. Sua seleção e uso dos modos dos verbos gregos são superiores à de qualquer dos demais livros do N.T. Quanto à sua prática da aliteração, ver as três palavras proeminentes em Tia. 1:21, começando com a letra grega "delta". O autor sagrado exibe a prática de introduzir cada sentença de uma série de cláusulas ou sentenças interrelacionadas com a mesma palavra, o que se denomina "paranomásia" ou "assonância". Com freqüência ele situa duas ou mais palavras em íntima justaposição, com o mesmo som ou sons finais, conforme se vê em Tia. 1:7,14; 2:16,19 e 5:5,6. Suas sentenças são francas e vívidas, dotadas de uma certa concisão epigramática. Alguns estudiosos consideram o grego usado na epístola de Tiago segundo apenas em relação à epístola aos Hebreus, em todo o NT. Não há qualquer indício de que esse trabalho é uma tradução, o que sem dúvida, não poderia ocultar, se assim fosse. Portanto, é duvidoso que qualquer dos discípulos originais de Jesus, ou um irmão seu, um aldeão galileu, tivesse podido escrever essa epístola. Ainda que o seu autor fosse bilíngüe, é extremamente duvidoso que ele pudesse ter adquirido bastante educação formal, da variedade helenista, para poder expressar-se com as delicadezas da retórica grega. E possível, todavia. que Tiago (irmão do Senhor, ou outro do NT), pudesse ter tido seu trabalho cuidadosamente revisado (e modificado em alguns lugares) por um discípulo cuja linguagem nativa foi o grego. O vocabulário da epístola de Tiago se reduz cerca de quinhentas e setenta palavras. Dentre essas, setenta e três não aparecem em qualquer outra porção do NT, mas somente vinte e cinco não se encontram no AT grego (Septuaginta), e somente seis não se acham nem no Antigo e nem no Novo Testamentos. O autor sagrado conhecia e usou a Septuaginta (tradução do original hebraico do AT para o grego, completada bem antes da era apostólica), conforme se vê em Tia. I: 10 e ss, (ver Isa. 40:6 e ss); Tia. 2:21 (ver Gên, 212,9); Tia. 4:6 (ver Pro. 3:34); Tia. 5:6, (ver Pro. 3:34). Os hebraísmos são poucos, entre os quais podemos encontrar os de Tia. 5: 10, 14. Isso não inclui, naturalmente, suas citações extraídas do AT, as quais podem conter hebraísmos, por razão do fato de que a Septuaginta os exibe. X. Conteúdo I. Saudação (1: 1) 11. O Teste da Fé (l :2-4) III. Deus Responde à Oração e dá Sabedoria (l :5-8) IV. A Futilidade das Riquezas (1:9-11) V, Promessa aos Vencedores (1:21) VI. A Tentação ao Mau não Vem de Deus (l: 13-15) VII. Todas as Coisas Boas Procedem de Deus (1:16-18) VIII. Contra a Ira e o Mau Temperamento (1: 19-21) IX. O Fazer Adicionado ao Ouvir (l :22-25) X. O Abuso da Língua (1:26) XI. Definição da Verdadeira Religião (1 :27) XII. Contra o Respeito Humano (2: 1-13) XIII. Fé e Obras, Opostas e Unidas (2: 14-26) XlV. Os Males da Língua (3:1-12)

XV. A Sabedoria Mundana (3: 13-18) XVI. Reprimenda Contra os Desejos Mundanos (4: 1-10) XVII. Mais Males da Língua (4: 11,12) XVIII.Confiança na Providência (4: 13-16) XIX. O Pecado de Omissão (4:17) Xx. Desgraça Espiritual dos Ricos (5: 1-6) XXI. A Parousia e a Paciência Cristã (5:7-11) XXII. Contra os Juramentos (5: 12) XXIII.Conduta na Tristeza e na Alegria (5: 13) XXIV,Sobre a Enfermidade (5:14-18) XXv, Bem-aventurança de Quem Converte ao Errante (5:19,20) XI. Bibliografia AM BK E EN 1IB 10 LAN LAN MIT NTI TI VIN RO OZ TIAGO (PESSOAS) O Nome. No hebraico temos a palavra Yaakov (Jacó). O grego é Iákobos. A Vulgata Latina diz Iacobi. A Bíblia portuguesa, no Novo Testamento, traduz esse nome por Tiago; e a Bíblia inglesa por James. É diflcil entender por que isso sucedeu, pois a forma mais normal e direta de traduzir o nome seria por Jacó. Quanto a uma completa explicação sobre o significado da palavra hebraica, ver sobre Jacó, primeira seção. 1. Apóstolo, filho de Zebedeu, irmão do apóstolo João; pescador galileu; chamado por Cristo para ser apóstolo (ver Mal. 4:21). Parece ter sido um dos três discípulos favoritos de Jesus tendo estado em sua companhia quando da ressurreição da filha de Jairo (ver Mar. S:37) e quando da transfiguração do Senhor (ver Mar. 9:2). Ele e seu irmão, João, receberam a alcunha de "Boanerges", que significa "filhos do trovão", por causa da disposição explosiva e violenta dos dois. Demonstraram essa disposição impetuosa ao sugerirem que Jesus destruísse uma aldeia dos samaritanos, que havia repelido os seus mensageiros (ver Luc, 9:54). Eles, a mãe deles, ou todos os três, pediram a Jesus posições e privilégios especiais no reino que Jesus estava prestes a estabelecer, e, em vez disso, foi-lhes prometido que participariam do seu batismo, o que envolvia morte violenta por amor a Ele. Nesta altura da narrativa do NT o cumprimento dessa predição de Jesus tem lugar, pelo menos no caso de Tiago. A natureza veemente natural a Tiago muito provavelmente se evidenciou em seu zelo evangelistico (embora Lucas nada nos diga sobre o ministério de Tiago, após a ressurreição de Cristo), e isso talvez tenha sido uma das causas de haver sido separado para receber a coroa do martírio. Sem dúvida ele deve ter sido uma figura diflcil para os judeus e para Herodes, o que teria apressado o seu martírio, embora não encontremos qualquer informação exata no NT sobre essa particularidade. Há uma tradição, preservada nos escritos de Eusébio (História 119), que é apresentada como originada por Clemente de Alexandria e nos informa que o acusador de Tiago se converteu, ao observar a sua fé e paciência em sua grande provação, em face do que confessou publicamente a sua fé em Jesus Cristo, tendo sido levado à execução em companhia do apóstolo, que lhe conferiu a bênção de despedida: "Paz seja sobre ti!" Morte por Decapitação. Este Tiago, irmão de João, foi decapitado por Herodes (Atos 12:2). Sua morte foi legalmente executada, de acordo com as leis romanas, pois, com Herodes Agripa, a dinastia herodiana voltou quase com a mesma parcela de autoridade que tivera sob Herodes, o Grande. Cláudio nomeou Herodes Agripa sobre a Judéia

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TIAGO (PESSOAS) - TIAGO, APOCALIPSE DE e a Samaria. Foi esse o "rei Herodes", que dessa maneira teve autoridade para executar Tiago e aprisionar Pedro, sem qualquer consulta com as autoridades romanas, segundo era necessário os judeus fazerem, mediante o representante do governo romano, quando queriam aplicar contra alguém a punição capital. O fato de que foi decapitado mostra-nos que foi executado por sentença de um governante civil, pois, se porventura houvesse sido julgado por blasfêmia ou heresia, por parte do sinédrio, teria morrido por apedrejamento. Naturalmente, por detrás da acusação civil, sem importar qual tenha sido ela, na realidade havia uma acusação religiosa, provavelmente mais no caso de Tiago do que no caso de João Batista, que morreu, da mesma maneira, por ordem de Herodes Ântipas, tio de Herodes Agripa. Os judeus consideravam a morte por decapitação unia maneira vergonhosa de morrer (ver Mal. 14: 10). Essa maneira de executar Tiago, sem dúvida, agradou aos judeus incrédulos. João Batista contava com muitos seguidores, pregava a inauguração de um novo "reino" e, segundo nos revela Josefo, o grande historiadorjudeu, era considerado um rival político por Herodes. Por isso, Herodes Ântipas tinha muitas razões para querer se livrar dele. Herodes Ântipas, entretanto, apesar de ter agido por motivos políticos, não tinha qualquer acusação válida, política ou civil, para justificar a sua ação. Meramente pensou ser boa medida política mostrar-se favorável aos judeus, e o sacrificio da vida de um homem inocente pareceu-lhe preço pequeno a ser pago, contanto que obtivesse as suas finalidades astuciosas. 2. Tiago, filho de Alfeu, outro dos doze apóstolos (ver Mat. 10:3 e Atos 1:13). Ele é usualmente identificado como Tiago, o Menor, filho de Maria (ver Mar. 15:40), a fim de ser distinguido do outro Tiago, irmão de João. O titulo, "o Menor", dizia respeito ou à sua idade (isto é, mais jovem que o outro Tiago), ou à sua estatura (isto é, mais baixo do que Tiago, irmão de João). O mais provável é esta última possibilidade. Diz-se que o Tiago aqui em vista foi morto por ordem de Ananias, o sumo sacerdote dosjudeus, durante o reinado de Nero. E surpreendente quando observamos quão pouca informação temos sobre certos apóstolos de Jesus, ao passo que figuras secundárias, como Estêvão e Filipe (que eram diáconos e evangelistas), recebem um espaço consideravelmente maior, no relato neotestamentário. Tiago, filho de Alfeu, é mencionado somente por quatro vezes em todo o Novo Testamento Mal. 10:3; Mar. 3:18; Luc. 6:15 e Atos 1:13. Embora ele não seja destacado entre os demais, sabemos, contudo, que ele participou da maioria das experiências do Senhor Jesus, descritas nos evangelhos. Tiago, filho de A1feu, encabeça a lista do terceiro grupo de quatro apóstolos cada. Mateus e Marcos vinculam-no a Tadeu, ao passo que Lucas e Atos ligam-no a Simão, o zelote. Visto que Mateus também é chamado filho de A1feu (comparar Mal. 9:9 e Mar. 2:14),é possível que Mateus e Tiago, filho de Alfeu, fossem irmãos. Se isso era verdade, então, é admirável que esses dois homens nunca apareçam associados em qualquer sentido nos relatos dos evangelhos, conforme se vê, para exemplificar, no caso dos filhos de Zebedeu, Tiago e João. Por isso mesmo, alguns estudiosos opinam que Alfeu, pai de Tiago era um, e que A1feu, pai de Mateus, era outro. Antigas tradições dizem que Tiago, filho de Alfeu, era da tribo de Gade, E essas tradições também dão conta de que ele foi apedrejado pelos judeus, por haver pregado o Evangelho cristão, tendo sido sepultado em um santuário, em Jerusalém.

Se esse Tiago era o mesmo que, noutros trechos, é chamado Tiago, o Menor, então sua mãe, Maria, era uma daquelas mulheres que estiveram presentes à crucificação de Jesus (Mal. 27:56 e Mar. 15:40), bem como na ocasião em que se descobriu que o túmulo de Jesus estava vazio (Mar. 16:1 e Luc. 24: 1O). Alguns têm-na identificado com a Maria que era esposa de Clopas (João 19:25). Todavia, as palavras "de Clopas" poderiam indicar "filha de", conforme diz a versão árabe do evangelho de João. Se ela fosse esposa dele, então como reconciliar Clopas e A1feu como o pai de Tiago? Talvez esse homem fosse conhecido por dois nomes diferentes. O que, sem dúvida, era claríssimo para os discípulos de Jesus, para nós tomou-se obscuro, por falta de maiores informações. 3. Tiago, irmão do Senhor Jesus, que é mencionado em companhia dos outros irmãos de Cristo, Joses, Simão e Judas. (Ver o artigo sobre a Família de Jesus). E patente que nenhum dos irmãos de Jesus aceitou a sua autoridade, antes de sua ressurreição (ver Mar. 3:21). Depois de já ressurrecto, quando Jesus lhe apareceu, Tiago se tornou líder da igreja de Jerusalém (ver Gál. I: 19; 2:9 e Atos 12: 17). A tradição faz dele o primeiro bispo ou pastor de Jerusalém, supostamente nomeado pelo próprio Senhor Jesus (ver Eusébio, História Eclesiástica VII. 19). Parece ter presidido o primeiro concílio, em Jerusalém, o qual foi convocado para considerar as condições de admissão dos gentios na Igreja cristã. Tiago, pois, ajudou a formular os decretos de liberdade que foram promulgados em beneficio das igrejas cristãs de Antioquia, Síria e Cilícia (ver Atos 15: 19-23). Continuou, entretanto, a ter fortes simpatias para com O judaísmo, o que se demonstra pela sua solicitação de que Paulo tomasse voto, segundo o costume judaico, a fim de agradar aos irmãos de tendências legalistas de Jerusalém, como igualmente, é quase certo, outros judeus fizeram, conforme vemos no registro de Atos 21: 18 e ss. (Ver também Gál. 2: 12, onde há outra indicação das tendências para o legalismo, desse Tiago, irmão de Jesus). De conformidade com Hegesipo, citado por Eusébio (História Eclesiástica, 11. 23), ele era chamado de "o Justo" por causa de sua estrita aderência à santidade cerimonial judaica e de sua austera maneira de viver. Sofreu martírio por apedrejamento, às mãos do sumo sacerdote judeu Anano, durante um intervalo de falta de autoridade civil, após a morte do procurador Festo, em 61 d.C., de acordo com o que anotou Josefo (ver Antiq. xx.9). O perdido evangelho apócrifo segundo aos Hebreus tinha uma narrativa sobre uma aparição especial de Jesus a Tiago, o que, mui provavelmente, não passa de uma lenda. Sabemos disso nos escritos de Jerônimo. "De viris ilustribus 11". Esse Tiago, irmão de Jesus, é tradicionalmente o autor da epístola de Tiago, onde se refere a si próprio como "...servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão..." (Tia. 1:1). Mas essa autoria é posta em dúvida por muitos (Ver o artigo sobre Tiago, Epístola de, sob o título "Autoria"). 4. Há um Tiago mencionado nos trechos de Luc. 6:16 e Atos 1: 13, que, em algumas traduções, aparece como irmão do apóstolo Judas (não o Iscariotes). Porém, o original grego diz tão-somente "Judas de Tiago", o que, mui provavelmente, poderia ser mais acertadamente traduzido por "filho de". Assim sendo, Tiago seria o genitor do apóstolo Judas. TIAGO, APOCALIPSE DE Ver sobre Apocalipse de Tiago.

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TIAGO, ASCENSÕES DE - TIAGO, PROTO EVANGELHO TIAGO, ASCENSÕES DE Ver Ascensões de Tiago. TIAGO, PROTO EVANGELHO DE Esboço: L Caracterização Geral n. Data m. Autoria IV Integridade V Texto Vl.Conteúdo

I. Caracterização Geral Esse é mais antigo e mais bem conhecido de todos os evangelhos da infância de Jesus, os quais, alegadamente, fornecem-nos informações sobre a vida de Jesus, antes daquilo que é descrito nos evangelhos canônicos. Uma das tendências da literatura apócrifa era tentar preencher os hiatos que aparecem nos livros da Bíblia, sobretudo quanto à vida de Jesus. Além disso, a impressionante vida de Cristo excitava a imaginação de muitos, levando-os a escreverem descrições literárias genuínas, e também cenas inteiramente fictícias. Os evangelhos da infância de Jesus compõem uma parte dos Livros Apócrifos de Novo Testamento (vide). O proto-evangelho de Tiago, juntamente com o evangelho de Tomé, tomaram-se a base da coletânea dos evangelhos da infância de Jesus, que incluíam o evangelhos da infância em árabe e armênio, evangelho do pseudo-Mateus, além de outras obras semelhantes. Todos eles contêm alguma informação extraída dos evangelhos canônicos, juntamente com lendas, algumas das quais talvez tenham alguma base nos fatos, embora distorcidos. Porém, podemos ter plena certeza de que o conteúdo desses livros, em sua maior parte, não passa de fantasia. O proto-evangelho de Tiago, provavelmente, foi composto em algum tempo do século 11 d.C, refletindo a veneração em que Maria era tida entre os cristãos antigos. Exerceu forte influência sobre o desenvolvimento de uma mariolatria (vide) mais elaborada, que foi surgindo no decurso dos séculos. Esse prato-evangelho usa vários motivos veterotestamentários, especialmente extraídos da vida de Samuel. Cita, imita e refraseia os evangelhos canônicos. Mas também há ali suplementos, alguns dos quais podem ser autênticos, embora a maior parte, como já dissemos, seja fantasiosa. Assim, Jesus nasceu em uma caverna, conforme diz esse livro? A criação de Maria também é ali descrita, incluindo muitos pseudomilagres. É evidente que o autor desse livro não era bem instruído quanto aos costumes judaicos. Ele incorre em vários erros básicos no tocante a esses costumes. Ele diz que Maria foi criada no interior do templo de Jerusalém, algo impossível do ponto de vista da mentalidade judaica; e Joaquim foi presumivelmente impedido de fazer oferendas, porquanto não tinha filhos, o que, sem dúvida alguma, é outra tolice. O nascimento virginal é um ponto enfaticamente defendido. Sabemos que Jesus foi gerado pelo poder do Espírito Santo, sendo Maria uma virgem; mas o proto-evangelho de Tiago chega ao artifício de apelar para o testemunho de outras fontes que estão fora dos evangelhos canônicos. 11. Data Visto que esse documento foi escrito algum tempo antes do século IV d.C., conforme é evidenciado pelo fato de que a coletânea de papiros Bodmer, do século III d.C.,

continha essa obra. Ao que tudo indica, Orígenes conhecia esse livro, o que também pode ser dito acerca de Clemente de Alexandria. Justino refere-se à caverna onde, alegadamente, Jesus teria nascido, embora ele não tivesse tomado a idéia, obrigatoriamente, dessa obra. Visto que essa obra faz uso dos evangelhos canônicos (cujo cânon ficou estabelecido no século 11 d.C.), a obra não pode ser datada antes disso. Provavelmente, pois, foi escrita durante o decurso do segundo século da era cristã; mas não poderia ter sido escrita depois do terceiro século cristão, considerando-se as evidentes citações que procedem daquele tempo. IH. Autoria O caráter apócrifo, posterior e não-apostólico desse livro demonstra que não há qualquer chance de que a autêntica tradição apostólica tenha alguma coisa a ver com essa obra. As lendas extraneotestamentárias que ali estão contidas mesmo assim poderiam estar parcialmente baseadas em fatos. Pois era próprio dos livros apócrifos do Novo Testamento procurar alguma autoridade, mediante a utilização do nome de algum crente antigo, do primeiro século cristão, incluindo os apóstolos. Também era prática comum da época fazer-se isso na literatura secular. Por essa razão, naquele período histórico foram produzidos muitos livros pseudepígrafos, tanto de natureza secular como de natureza religiosa. Mas, não há como determinar quem foi o autor do proto-evangelho de Tiago. Sabe-se, entretanto, que seu autor deve ter sido um cristão intensamente religioso, interessado em promover as bases miraculosas de sua fé. Se, porventura, esse autor era judeu, então nem deve ter estudado o sistema do judaísmo, devido aos crassos erros das coisas que ele disse acerca das crenças e dos costumes dos judeus. Ver a primeira seção, acima. O parágrafo final do livro afirma que o mesmo foi escrito por Trago, talvez o irmão do Senhor ou o filho de Zebedeu; mas nenhuma identificação maior é dada. IV. Integridade A palavra integridade, quando aplicada a obras literárias, refere-se à unidade da composição de um livro qualquer. Um livro qualquer foi escrito por um único autor, ou mais de um escritor esteve envolvido, com a cooperação de algum editor ou autor-editor, em sua compilação final? Diversas unidades de um livro podem evidenciar o fato de que suas porções constitutivas foram escritas em ocasiões diferentes, pelo que certas dessas porções podem ser mais antigas do que outras. A unidade envolve, igualmente, o problema de várias edições de uma mesma obra. Um livro pode ter aproveitado algum material ao longo do processo de sua transmissão, em subseqüentes edições. Alguns dos proto-evangelhos de Tiago aparecem com passagens onde fala a primeira pessoa, ao passo que outras passagens não trazem tal pessoa, como é o caso de 18:2 desse livro. Isso poderia indicar uma mudança de autor. Orígenes refere-se à história da morte de Zacarias; mas, na forma em que conhecemos esse livro, ali não consta essa história. Isso poderia sugerir que essa cópia continha coisas que edições subseqüentes perderam, ou então que, desde tempos bem remotos, a obra foi lançada sob duas ou mais formas diferentes. O manuscrito Bodmer do livro contém um texto abreviado, omitindo parte do diálogo, no episódio de Salomé e sua criada A tendência dos escribas antigos era a de embelezar os textos que copiavam, e só mui raramente resumiam-nos. Par isso mesmo, usualmente os textos mais breves, de qualquer documento, são os mais antigos. Isso se aplica tanto aos manuscritos no Novo Testamento como a todos os manuscritos antigos que têm chegado até nós. Acresça-se

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TIAGO, PROTO EVANGELHO - TIATIRA a isso que certas porções de muitas obras são consideradas pelos eruditos como adições posteriores, sem falar no fato de que até mesmo um documento original pode ter. sido feito por compilação. Assim, parece ter havido três documentos principais que foram reunidos para formar a base do livro que estamos estudando: I. a Natividade de Maria (caps. 1-7); 2. um apócrifo de José (caps. 18-20); e 3. um apócrifo de Zacarias (caps. 22-24). E possível que os capítulos vinte e três e vinte e quatro tenham sido interpolações posteriores. Alguns estudiosos dizem que essa abordagem ao livro não é válida, supondo que o texto Bodmer, mais breve, seja um resumo. E possível que isso tenha sucedido, embora dificilmente sucedesse na transmissão dos textos antigos. V. Texto 1. O papiro Bodmer V, do século III ou IV d.C. 2. Alguns poucos manuscritos gregos posteriores. 3. Manuscritos latinos fragmentários, além de porções desse livro que têm sido preservadas mediante citações em obras latinas e outras. Há um número suficiente de cópias latinas para mostrar que, a certo ponto da história, o livro circulou largamente nesse idioma. 4. Manuscritos posteriores em armênio, etiópico, georgiano e outras línguas também existem. Strycker, que muito estudou os manuscritos desse livro, afirma que a tradição do mesmo é notavelmente homogênea e contínua, pelo que a forma que temos do mesmo é, essencialmente, digna de confiança. VI. Conteúdo A história de Jesus começa em seus anos mais verdes, nesse evangelho, do que se vê nos evangelhos do cânon cristão. Aparece a história do nascimento de Maria. Assemelha-se ao relato sobre Abraão e Sara, ou sobre ospais de João Batista. Ana, mãe de Maria, era estéril; Joaquim, seu pai, sentindo o opróbrio de ser um homem sem filhos, saiu ao deserto para meditar e lamentar por quarenta dias (o que os faz lembrar dos dias de Jesus no deserto), além de outros períodos bíblicos de provação que envolveram quarenta dias. Um anjo foi informar Ana de que ela teria uma criança. Assim, nasceu Maria. Com três anos de idade, foi residir no templo de Jerusalém, e passou a ser alimentada como uma pomba, recebendo alimentos das mãos de um anjo. Ao atingir os doze anos (lembremos o incidente da vida de Jesus, com essa idade) foi deixada ao encargo de José, um viúvo, a fim de ser cuidada por ele. Enquanto ele trabalhava como carpinteiro ela ficava tomando conta da casa. E ajudava tecendo véu do templo. Foi então que teve lugar a anunciação quando Maria tomou consciência de seu futuro papel de mãe do Messias. Uma vez grávida, Maria foi visitar Isabel (um paralelo do segundo capitulo do evangelho de Lucas). José acabou descobrindo o fato de que Maria estava grávida, o que representa outro paralelo, dessa vez de Mateus 1:18 ss, completo até mesmo com a informação sobre a virgindade de Maria, dada por um anjo. O sumo sacerdote ouviu falar sobre o caso, e José e Maria foram submetidos à prova, para ver se estavam dizendo a verdade; e, naturalmente, foram ambos aprovados. Diante do edito de Augusto, o casal vai a Belém da Judéia. José localiza uma caverna e ali deixa Maria, enquanto ele sai à procura de uma parteira. Na ausência de José, Jesus nasce no interior da caverna. Em seguida, vários incidentes são descritos, como a chegada tardia da parteira, a incredulidade de Salomé, a visita dos magos, a matança dos inocentes (um evento que leva Maria e José a removerem a criança para uma mangedoura, a fim de que ficasse melhor protegida). Além disso, João e Isabel são

miraculosamente salvos de serem mortos, Zacarias, pai de João, é morto diante do altar (o que faz dele a pessoa mencionada em Mat. 23:35). O parágrafo final identifica o autor com um Tiago não identificado, presumivelmente um dos irmãos de Jesus (o qual, alegadamente, foi o autor da epístola de Tiago, que faz parte do Novo Testamento), ou então o filho de Zebedeu, irmão de João, que tinha esse nome. Nesse livro, José aparece como um viúvo que se tomou guardião e protetor de Maria, mas não seu verdadeiro marido. Essa idéia é incluída para promover a noção da perpétua virgindade de Maria. A Igreja Católica Romana encontrou outra forma de preservar a perpétua virgindade de Maria, fazendo dela noiva perpétua de José, mas nunca esposa autêntica, porquanto continuou sendo virgem antes, durante e depois do parto de Jesus, ao mesmo tempo em que os irmãos de Jesus (ver Mar. 6:3) sê-lo-iam apenas por parte de José, que os teria gerado de sua primeira mulher. Como é claro, nada disso concorda com os ensinamentos do Novo Testamento. Na verdade, o casamento de José e Maria foi verdadeiro. Lemos em Mateus I :24,2S: "Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor, e recebeu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz o filho, a quem pôs o nome de Jesus... As palavras não a conheceu, enquanto ela não deu à luz o filho " deixam entendido que, após o nascimento de Jesus, José e Maria tomaram-se um casal normal; e geraram quatro filhos é varias filhas. Ver o artigo intitulado Irmãos de Jesus. (CH HEN SMID Z) TIAMATE A referência é o mito semítico e babilônico no qual as Águas Primitivas fornecem o material do qual os deuses, homens, os céus e a terra apareceram. Neste mito da criação, a mãe primitiva (Timate) está associada a um pai primitivo (Apsu). Eles são os pais dos deuses. Em um desenvolvimento posterior do mito, Marduque é o deus da vida e a luz, enquanto Timate é a personificação dos poderes da escuridão e do caos. Ela é representada como águas caóticas e como uma serpente enfurecida, um temeroso monstro dragão. Um estágio mais avançado dos mitos que cercam Timate são seus esforços com Marduque e depois Asur. Timate é morta e seu corpo é dividido no cosmo inferior e superior. A história é contada no épico nacional, Enuma elis. Alguns vinculam essa história com as descrições de Gên. 1.2, a versão hebraica do relato da criação, mas alguns estudiosos bíblicos a rejeitam com base lingüística. TIARA No hebraico mígbaoth, "turbantes", palavra que ocorre por quatro vezes no Antigo Testamento: Êxo. 28:40; 29:9; 39:28 e Lev. 8:13. Fazia parte da vestimenta do sumo sacerdote de Israel. Era feita de linho, e, aparentemente, tinha um formato cônico. Porém, não existe qualquer representação artística autêntica dessa peça, pelo que a sua natureza exata permanece duvidosa para nós. TIATIRA No grego, Thuteíra. Tiatira ficava cerca de trinta e dois quilômetros a suleste de Pérgarno, em uma estrada na planície aluvial entre os rios Hermo e Caico. Tanto nos dias da liderança de Pérgamo sobre a Ásia Menor, como posteriormente, quando a política internacional atraiu os romanos para a grande península, essa cidade derivava sua riqueza e influência do fato de que era um ponto central de comunicações. Essa cidade foi fundada

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TIATlRA por Seleuco I, um dos generais de Alexandre, o Grande. Foi Seleuco I quem, de todos os seus herdeiros, herdou o território mais extenso. O reino de Seleuco ia desde além de Antioquia da Síria até o vale do rio Hermo, onde suas fronteiras chegavam bem perto das de Lisímaco, o qual mantinha nas mãos parte do antigo litoral jônico da Asia Menor. Seleuco implantou ali um grupo de veteranos desmobilizados de Alexandre. Esses macedônios deveriam formar uma barreira contra todas as tentativas de perturbar as suas fronteiras. Em 282 a.C., rebelou-se Filetero, e foi fundado o dinâmico Estado de Pérgamo, destinado a perdurar por um século e meio. O novo Estado era uma área tampão entre Seleuco e Lisímaco. Porém, um Estado fundado sob tais circunstâncias não podia ser militarmente alerta; e Tiatira, um posto avançado na estrada para o Oriente, impedia qualquer agressão possível que partisse do Leste. A história do lugar, alinhavada, precariamente, com base em ruínas e moedas, sugere que Tiatira, em suas sempre flutuantes fronteiras, com freqüência, mudava de mãos, ao sabor da sorte nas armas das forças sírias ou de Pérgamo, que faziam avançar ou recuar as fronteiras. Tiatira, tendo de desempenhar permanentemente esse inevitável papel de posto militar avançado, não contava com uma acrópole poderosa, como se dava com Sardes e com Pérgamo. A cidade ficava em uma pequena colina. E só era valiosa, estrategicamente falando, porque uma confiante força de defesa, ali postada, era capaz de quebrar o ímpeto de qualquer assalto hostil, enquanto que uma defesa mais decisiva era organizada mais atrás. Esse dever militar impunha sobre aquela vulnerável cidade um estado de prontidão. Seus habitantes sabiam enfrentar o perigo e lutar, sem dependerem de qualquer defesa natural, mas contando exclusivamente com a sua coragem pessoal. A religiosidade refletia ali essa atitude de dever. Os soldados macedônios que a principio foram ali estabelecidos, adotaram a adoração a um certo herói local, que lhes servia de patrono, e que aparece nas primeiras moedas cunhadas ali, representando um guerreiro montado, armado de machado de guerra. E isso talvez explique o simbolismo do Cristo ressurrecto, na carta apocalíptica de João. As tropas romanas apareceram com toda a sua força na Ásia Menor, após terem derrotado a Síria de Antíoco, em 189 a.c., quando então a região passou, permanentemente, para o controle romano, quando o último dos monarcas de Pérgamo, intuindo os rumos da história futura, doou o seu reino à nascente república, em 133 a.c. Juntamente com a tranqüilidade da "paz romana", houve a aceitação da cidadania romana. Sob o imperador Cláudio, Tiatira começou a cunhar novamente as suas próprias moedas, após um lapso de nada menos de dois séculos. A abundância dessas moedas cunhadas em Tiatira, que continuaram sendo produzidas até o século III d.C., sugere um vigoroso comércio. A primeira pessoa a se converter a Cristo, sob o ministério de Paulo, foi Lídia, uma mulher de Tiatira, que vendia panos de púrpura em Filipos, a centenas de quilômetros longe de sua terra natal. A tinta púrpura ou carmesim, dos tecidos vendidos por Lídia, era uma manufatura local, extraída das raízes da planta chamada garança, um rival mais barato que o corante fenicio, extraído de um molusco, o murex. A prosperidade comercial atraiu uma minoria judaica respeitável para Tiatira, pois os judeus, antes dedicados às atividades agrícolas, começaram a se interessar pelo mundo dos negócios e do comércio, no exílio. De fato, esse tipo de atividade haveria de tomar-se uma das marcas registradas dos filhos de Israel, na dispersão. Famosos artigos de

exportação, de Tiatira, eram tecidos e vestes tingidos, além de armaduras de bronze. Uma moeda de Tiatira exibe Hefesto, o ferreiro divino, amoldar um capacete na bigorna. E a palavra grega chalcolibanos, "bronze polido" em nossa versão portuguesa (ver Apo. I: 15 e 2: 18), pode ter sido um nome comercial próprio de Tiatira, usado para emprestar certo colorido local à carta do Senhor Jesus à igreja cristã ali localizada. Realmente, é possível que as atividades comerciais fossem a questão crucial dos problemas dos cristãos da cidade. Não têm sido encontradas inscrições em grande quantidade, mas as poucas que ali têm sido descobertas falam em trabalhadores em lã, linho, couro e bronze, além de oleiros, padeiros, tintureiros e comerciantes com escravos. Cada um dos grupos profissionais contava com a sua guilda particular, como a dos ourives de Êfeso. As epístolas de Paulo aos crentes de Corinto servem de clara indicação de que as guildas comerciais, com sua exigente vida social, com seus ritos pagãos e com suas festas periódicas, haveriam de ser problemas sérios para os cristãos fiéis que, por motivo de consciência, quisessem repelir a licenciosidade do mundo ao redor deles. Era dificil alguém se abster das festividades das guildas sem perder alguma coisa no mundo dos negócios, em termos de aceitação e prestígio social. Por outro lado, ajustar-se a tais costumes era expor-se à licenciosidade dos ritos pagãos, que assinalavam os banquetes das guildas. Aquela seção da Igreja cristã, com ritos de sua pureza, buscava alguma forma de transigência Estamos falando sobre os nicoláitas (vide). Parecem ter sido liderados por uma habilidosa mulher, a quem João chamou de Jezabel. Esse apelido foi escolhido deliberadamente, com base no casamento de Acabe, rei de Israel, com Jezabel, filha do rei de Tiro. Esse casamento fora um compromisso, com o intuito de fomentar o comércio entre Samaria e os fenicios. Tal matrimônio foi um grande desastre, conforme Elias demonstrou. João, autor do Apocalipse, denunciou essa mulher, proferindo contra ela uma horrível condenação: "Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam dasobras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações e vos darei a cada um, segundo as vossas obras" CApo. 2:22,23). Uma Inscrição encontrada por Ramsay, em Tiatira, mostra que ali, nos festejos públicos, as mulheres eram segregadas dos homens. Portanto, que as vitimas daquela pervertida mulher a abandonassem, deixando-a cair na condenação que inevitavelmente lhe sobreviria. Essa forma de heresia estava destinada a tornar-se generalizada na Igreja antiga, conforme a última carta de João, III João, o demonstra. Talvez esse tipo de heresia tivesse começado em Tiatira. E a exortação da carta do Senhor Jesus aos crentes de Tiatira conclui como segue: "Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as causas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; tão somente conservai o que tendes, até que eu venha" CApo. 2:24,25). O simbolismo existente nessa carta a Tiatira é local e muito chama à atenção. Em Apocalipse 2: 18, Cristo aparece como quem tinha os pés semelhantes ao "bronze polido". Ora, o bronze era um dos produtos mais conhecidos de Tiatira. A promessa de Cristo, nos versiculos 26 e 27, também reflete a natureza militar dessa cidade. Jezabel é uma personagem extremamente simbólica, desde o Antigo Testamento, falando em transigência e apostasia, por amor ao comércio, devido à sociedade firmada com um poder pagão.

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TIATIRA (IGREJA E CARTA À) - TIBERÍADES TIATIRA (IGREJA E CARTA À) Ver Apo. 2:18-29 Historicamente, houve uma igreja em Tiatira, com as condições aqui descritas. Em qualquer época, em alguma situação local, existem tais condições, pelo que essa carta também tem uma mensagem "universal", de importância perene. Portanto, ela envolve símbolos e lições espirituais que são aplicáveis a qualquer época. Profeticamente, pensa-se que Tiatira representa a Idade das Trevas, de 500 a 1500 d.C., durante a qual triunfaram as posições de Balaão e dos nicolaitas (ver Apo. 2:6,14,15. Ver os artigos sobre Balaão e os Nicolattas. Ver Apo. 1:4 quanto ao significado" e simbolismo das "sete igrejas" do Apocalipse). O vidente João escolheu um "círculo" de cidades, para as quais escreveu. Começando por Efeso, e seguindo os locais mencionados, até voltar a Efeso, consegue-se um círculo geográfico, embora mal traçado. Portanto, naquelas igrejas está refletida a Igreja cristã de todos os séculos, pelo que tais cartas jamais poderão perder a sua aplicação. A carta à igreja de Tiatira é, ao mesmo tempo a mais longa e a que mais fortemente reflete uma condição de total corrupção. Há um único versículo que "elogia" o que havia de bom ali; mas há cinco versículos que descrevem seus males e trazem advertências necessariamente severas (ver Apo. 2:20-23,27). A carta mostra-nos que a igreja pode decair a um nível baixíssimo, e, apesar disso, ser chamada uma igreja. Mostra o triunfo do paganismo na Igreja, especialmente no tocante aos seus padrões morais, no tocante aos costumes sexuais, que vieram a ser tolerados no cristianismo, e que dominaram até mesmo os líderes da Igreja. Tiatira era uma cidade da província romana da Ásia, área agora ocupada pela parte ocidental da moderna Turquia. Foi fundada como guarnição fronteiriça por Seleuco I, da Siria (século IV a.C. ) Posteriormente, tomou-se uma guarnição da fronteira oriental do reinado de Pérgamo. Juntamente com aquele reino, passou para as mãos dos romanos, em 133 a.C, Era junção importante no sistema rodoviário dos romanos, estando situada na estrada que vinha de Pérgamo, a capital da província, para Laodicéia e, dai, para as províncias orientais. Comercialmente, era próspera (indústria de tintas, fabrico de roupas, cerâmica e objetos de bronze), mas, politicamente, nunca conseguiu grande importância, sendo a menos importante das sete cidades para onde o livro de Apocalipse foi originalmente enviado. Tal como na maioria das cidades daquela região, nos tempos neotestamentários, Tiatira tinha muitos templos dedicados a vários deuses. Havia o templo de Apoio, o de Tirimanios, o de Ârternis e um santuário a Sambate, uma sibila (ou oráculo oriental). A Igreja cristã não medrou ali por longo tempo. Logo tornou-se um dos centros do montanismo (ver Epifânio, Haer. 1i.33), uma seita carismática e apocalíptica cristã. Essa seita era ardorosamente antimundana, pelo que muitos foram atraídos por ela, incluindo o famoso Tertuliano, o grande teólogo africano. Contudo, a corrente principal da Igreja repeliu a essa seita, sobretudo devido aos seus excessos. Pelos fins do segundo século de nossa era, não mais havia ali qualquer Igreja cristã. A primeira convertida européia de Paulo, Lídia, era de Tiatira, sendo bem possível que ela fosse uma agente da indústria fabril de Tiatira. Em Filipos ela vendia suas mercadorias de púrpura., suas lãs tingidas. Mas foi à beira do rio que ela se encontrou com Cristo, e a missão européia estava a caminho, ao passo que o Oriente foi gradualmente rejeitando a fé cristã, o que tem sucedido desde então.

Na carta presente, podemos distinguir várias características de Tiatira. A descrição de Cristo, "olhos de fogo", talvez reflita a adoração a Apolo, o deus-sol; os seus pés, como "bronze polido", podem ser alusão à indústria de bronze da cidade. A linguagem "militar", como "a execução" dos filhos de Jezabel (vigésimo terceiro versículo), e o governo do poder de Cristo sobre as nações, mediante a conquista universal (ver os versículos vinte e seis e vinte e sete), pode ser uma alusão à história militar de Tiatira, e como guarnição de fronteira. Jezabel, embora tenha sido, sem dúvida, uma personagem histórica, uma mulher que causava dificuldades na igreja, "representa" a tendência natural da igreja em terras pagãs, primeiramente tolerando e então "misturando" elementos pagãos dentro da fé cristã. Historicamente falando, certamente o "gnosticismo" é aqui referido, o qual anunciava um falso evangelho, destituído de imperativo moral. Profeticamente, é retratada a Igreja da Idade das Trevas, que de muitas maneiras se tomou inteiramente paganizada. E outros símbolos são explanados, à medida que vão sendo encontrados em cada versículo. Atualmente, uma ampla aldeia, de nome Akhisar, está situada no mesmo local da antiga cidade.

TIBATE No hebraico, "extensão". Essa cidade, capital de Hadadezer, rei de Zobá, só é mencionada na Bíblia por uma vez, em I Crônicas 18:8. A cidade foi despojada por Davi, juntamente com a cidade de Cum. Havia, na antiguidade, duas outras cidades, com nomes semelhantes, como Tebata, na porção noroeste da Mesopotâmia, e Tebeta, ao sul de Nisilbis. Grande parte do bronze usado nos móveis e utensílios usados no templo de Jerusalém veio de Tibate. O trecho paralelo de II Samuel 8:8 diz Betá, mas alguns estudiosos pensam que houve inversão de sílabas, e que deveríamos ler ali "Tebá", O local dessa antiga cidade é desconhecido. TIBERÍADES 1. Nome. Herodes Antipas assim nomeou a cidade em honra de Tibério, imperador reinante. Seu nome era Tibério Cláudio César Augusto, o segundo imperador de Roma e governante nos dias do ministério de Jesus Cristo. Originalmente, o nome significava "pertencente ao rio de Ttberis (Tiber)", e portanto fazia referência aos cidadãos romanos (ou seus ancestrais) que viveram perto daquele rio. A cidade foi fundada entre 18 e 22 a.C. 2. Localidade. Era uma de nove cidades localizadas ao redor do mar da Galiléia, situando-se no litoral ocidental daquele lago. Localizava-se na orla da antiga cidade murada chamada Racate (Jos. 19:35). Foi construída sobre um cemitério, e os judeus, por causa disso, evitavam passar por ali. Tudo indica que Jesus também evitou o local, visto não haver menção de nenhum ministério que porventura tivesse exercido ali. É provável que sua esquivança se baseasse na mesma razão, ou talvez Jesus visitasse o lugar, mas os escritores dos Evangelhos, não querendo ofender os judeus, omitiram de seus livros qualquer menção a tal ministério. 3. Herodes, ignorando o tabu, construiu no local uma de suas residências régias (Josefo, Ant. XVIII.ii.3). Os romanos fizeram dela uma cidade tipicamente romana. Ergueu-se ali uma sinagoga, que evidentemente nunca foi usada. O boicote que os judeus fizeram ao lugar levou Herodes a povoá-lo de gentios. Curiosamente, depois da destruição de Jerusalém em 70 d.C., o lugar veio a ser um centro de culturajudaica, e com isso a história do cemité-

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TIBÉRIO - TIGLATE-PILE8ER TIevÁ No hebraico, "esperança". Esse é o nome de duas personagens do Antigo Testamento, a saber: 1. O sogro da profetisa Hulda (11 Reis 22:14). Em 11 Crônicas 34:22, entretanto, ele é chamado de Tocate. Era pai de Salum (vide). Viveu em tomo de 640 a.C. 2. Pai de Jascias (Esd. 10:15). Seu nome também ocorre no livro apócrifo de I Esdras 9:14. Jaselar, (vide) foi um daqueles que se ocuparam na alistagem dos judeus que se tinham casado com mulheres estrangeiras. Viveu por volta de 445 a.C.

rio aparentemente perdeu seu vigor. Em 150 d.C., o Sinédrio teve ali uma sede e os primórdios do Talmude e do texto massorético ocorreram ali. 4. Referências Neotestamentárias. O mar da Galiléia era também chamado "de Tiberíades" por causa da proximidade daquela cidade ao lago e da importância que ela granjeou segundo o uso que Herodes fez dela. Ver João 6: 1, 23 e 21: 1.

TIBÉRIO A única referência bíblica a este homem, o segundo imperador romano, está em Luc. 3: 1. Seu nome completo era Tibério Cláudio César Augusto, proveniente de seu pai Tibério Cláudio Nero. O nome de sua mãe era Lívia. Sua importância para o estudo da Bíblia reside no fato de ele ter sido o imperador romano durante o tempo do ministério de Jesus. Para o significado do nome Tibérto, ver o artigo sobre Ttberlades, cidade que lhe foi designada e que estava situada no litoral ocidental do mar da Galiléia. A duração de seu governo foi de 14 a 37 d.e. Nasceu em Roma em 16 de novembro de 42 a.C. Antes de tornarse imperador, Tibério se distinguiu como hábil comandante militar. Também demonstrou inusitada habilidade como governante e orador civil. Esses ingredientes o tomaram bom candidato para o mais elevado oficio do Império Romano. Augusto, seu padrasto, entusiasticamente o favoreceu na sucessão, porém não existia uma relação familiar mais estreita. Por isso, forçou Tibério a divorciar-se da esposa a quem amava e a casar-se com Júlia, sua filha. O casamento foi infeliz; logo Júlia e seus dois filhos de um casamento anterior tiveram morte prematura Augusto não teve alternativa real senão reconhecer Tibério como seu herdeiro e sucessor. Augusto também o adotou como filho para tomar a relação mais intima Quando Augusto morreu em agosto de 14 d.e., Tibério foi feito imperador. Uma vez imperador, Tibério não demonstrou seu poder anterior, tomando-se, antes, indolente e de mente flutuante. Despótico, perdeu apoios importantes. Passou a cometer crimes cruéis e vingativos, porém permaneceu no poder vinte e três anos e morreu aos 78 anos de idade. João Batista começou sua carreira em seu quinto ano, sendo esta uma afirmação cronológica importante que nos ajuda a determinar com alguma precisão o tempo do nascimento de Jesus. TIBNI No hebraico, inteligente. O nome desse homem ocorre somente por duas vezes em todo o Antigo Testamento, a saber, I Reis 16:21,22. Nesse trecho aprendemos que ele era filho de Ginate. Alguns dentre o povo queriam que ele fosse, o sucessor de Onri, no trono de Israel. Os dois lutaram entre si durante quatro anos. O conflito só terminou com a morte de Tibni. TIçÃO No hebraico, ud "tição". Palavra usada por três vezes: Isa. 7:4; Amós 4:11; Zac. 12. Essa palavra refere-se a uma extremidade queimada de um pedaço de madeira, que não permaneceu queimando, mas ficou parecendo um pedaço de carvão, embora continue fumegando por algum tempo. Um tição podia ser meramente uma vara para remexer no meio das brasas. Israel foi tirado do fogo como um tição (o que equivale a dizer que estava próximo à destruição). O ato de ter sido tirado do fogo representa a misericordiosa proteção de Deus.

TIDAL No hebraico, "esplendor", "renome". Seu nome aparece somente em Gênesis 14: 1,9. Ele era rei de Goim. Confederou-se com Anrafel, Arioque e Quedorlaomer, em sua guerra contra o rei de Sodoma e seus aliados, nos dias de Abraão. Viveu por volta de 1910 a.c. Parece que "rei de Goim" era mais um titulo honorifico, comum nos anais acadianos. Mas outros identificam Goim com Gutium, na Mesopotâmia Os chamados textos de Mari usam a palavra ga 'um para indicar um grupo ou bando. Isso talvez sugira que Tidal era o chefe de uma tribo nômade, sem fronteiras fixas. O nome Tidal parece corresponder a Dudalias I, um governante hitita que, segundo pensam alguns, foi o sucessor de Anitas. Todavia, a identificação é incerta, pois o nome pode ter sido improvisado por algum escritor hebreu. Uma figura de um passado tão remoto quanto ele os outros nomes ligados a ele, no trecho de Gênesis 14, não pode ser identificada com facilidade. TIFSA No hebraico, "passagem", "vau". Os estudiosos opinam que a identificação provável é a cidade de Tapsaco (Anfipolis, nos tempos dos monarcas selêucidas) e nos tempos modernos, Bibsé, um importante ponto de travessia do rio Eufrates. É asseverado, em I Reis 4:24, que o reino de Salomão, a "era áurea" da nação unida de Israel incluía territórios que chegavam até a essa estratégica cidade de caravanas. Porém, não dispomos de meios para saber por quanto tempo os israelitas conseguiram conservar essa fronteira remota. Uma grande rota comercial entre o leste e o oeste, que seguia o chamado Crescente Fértil (vide), tinha em Tifsa um de seus postos. Xenofonte mencionou a localidade (ver Anabasis 1:4, 11). A Tifsa mencionada em 11 Reis 15:16, e que foi atacada por Menaém, rei de Israel, pode ter sido a mesma localidade. Mas alguns eruditos, sem qualquerjustificação nos princípios da crítica textual, têm emendado o nome, nesse trecho, para Tipuá (por exemplo, a Revised Standard Version, à margem). TIGLATE-PILESER 1. Nome. No assírio, "minha confiança é o filho de Esarra", uma das divindades daquele povo. A forma assíria é Tukulti-apil-esharra. O nome do deus era Ninib. O nome bíblico desse homem é Pul (ver o ponto 2). 2. Pul é o nome no Antigo Testamento para TiglatePileser IIl, que governou a Assíria entre 745-727 a.e. É provável que Pul (que significa forte) tenha sido seu nome pessoal, enquanto Tiglate-Pileser fosse um titulo real. Ver as seguintes referências de Pul: 11 Reis 15.19; I Crô. 5.26; Isa. 66.19. Essa referência posterior menciona um povo e um país africano, mas é provável que Pute tenha sido o nome deles, sendo essa a versão que algumas traduções fornecem. A terra desse povo era a Libia. 3. Importância para o Estudo do Antigo Testamento.

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Fabricação _ Cortes" de t ""íiolos la , Levant Photo Service


N么mades fazendo tijolos, c. 1900 A.C. Cortesia, Biblical Archeologist


TIGLATE-PILESER - TIJOLO Esse foi o rei que assediou Israel antes da queda da Samaria em 722 a.c. Ele não viveu para ver a queda de fato, mas fez muito para prepará-Ia. 4. Seu Reino. Ele sucedeu Asur-nirari Ill, um rei um tanto fraco, mas o mesmo não pode ser dito sobre TiglatePileser. Pul reinou apenas entre 745-727 a.C. A arqueologia ilustrou seu reino, principalmente por meio das inscrições que foram desenterradas. Esse homem foi um dos maiores conquistadores da Assiria, cujas campanhas militares fizeram grandes varreduras e cujo terror atormentou muitos povos, inclusive os israelitas. Na campanha de 733-732, seus exércitos marcharam ao oeste e em uma série de ataques ele conquistou a Filístia, na costa do Mediterrâneo, destruiu Damasco e transformou Gileade e a Galiléia em províncias assírias. Tudo isso aconteceu na época de Peca, rei de Israel, finalmente morto por Oséias. Esse último foi forçado a pagar tributos à Assíria para evitar o pior. 5. A Morte de Pulo Ele morreu em 727 a.C. e o trono passou a Ululai, governador da Babilônia que se tomou Salmaneser V (11 Reis 15.19,29; 16.7, lO; I Crô. 5.6; 11 Crô. 28.20.21). Ele assediou a cidade de Samaria (a capital) por três anos, mas, quando a cidade caiu em 722 a.c., foi Sargão 11 que terminou o trabalho, matando milhares de israelitas e levando a maioria dos sobreviventes à Assíria. Assim ocorreu o cativeiro assírio. Ver o artigo sobre Salmaneser (I, 11, Ill, IV e V). Pul é lembrado como um administrador hábil, mas brutal. Ele conquistava e exilava povos incansavelmente, e aqueles que ele não destruiu em sua prática de genocídio, sujeitou à tributação. Cativos tomam-se escravos, cujo trabalho barato foi responsável por muito de seus programas de construção. Os melhores cativos foram empregados em seu exército, para ajudá-lo a continuar seu programa de devastação.

TIGRE Este rio, juntamente com o Eufrates (ver a respeito) formava a planície aluvial da Mesopotâmia. O rio localizase no leste daquele que hoje é conhecido como o Iraque. Sua extensão total é cerca de 1.900 km. Junto aos seus barrancos situavam-se muitas cidades antigas de destaque. Ele surge nas montanhas de Zagros e nas montanhas do oeste da Armênia e do Curdistão e, finalmente, desemboca no Golfo Pérsico. O rio formou o limite leste de Sumer, Hidequel (ver sobre ambos os termos), Esse foi um dos rios que banhavam o jardim do Eden (Gên. 2.14). E provável que esse fosse o nome hebreu (original) do rio. Críticos, contudo, consideram o trecho de Gên. 2.14 poesia e não acreditam que nada significativo seja dito sobre o Tigre ali. O Tigre ficava ao nordeste do Eufrates. Seu fluxo estende-se na direção sudeste até que finalmente ele se junta com o Eufrates antes de chegar ao Golfo Pérsico. O rio não é gigantesco pelos padrões brasileiros. Sua largura nunca excede os 200 m, exceto em épocas incomuns de pesadas chuvas e neve. Nos últimos 320 km antes de unirse ao Eufrates, o rio foi intersectado por passagens de água artificiais e ocupou leitos de rio, como o Shat-elhie, ou o rio Hie. Nesse distrito há ruínas de várias cidades antigas sobre as quais sabemos praticamente nada hoje. Mas uma delas, Ur, foi bem ilustrada por escavações arqueológicas e por descrições literárias. O rio corria pela Armênia e por Assir e então separava a Babilônia de Susana. Em um período posterior, formou um limite entre os impérios romano e Partiano.

TIJOLO No hebraico, lebenah, "brancura", provavelmente devido à corda argila escolhida para o fabrico de tijolos. O termo hebraico, no sentido de tijolos, aparece por catorze ,::ezes: Gên, 11: 3; Êxo. 1: 14: 5:7,8,16,18,19; Isa 9:10; 65:3; Exo. 5:14. 1. Origens. A primeira menção a tijolos, na Bíblia, diz. resp-eito à construção da torre de Babel (Gên. 11:3). O trecho de Êxodo 5 fornece-nos uma vivida descrição dos labores de Israel, quando fabricava tijolos no Egito. Ao que parece, tijolos de barro apareceram, pela primeira vez, nas regiões da Mesopotâmia, em cerca de 3500-3000 a.c., nas áreas montanhosas do que, mais tarde, veio a ser a Pérsia. Com o tempo, passou a ser um material comum de construção, em todas as civilizações. A principio, os tijolos eram feitos de argila endurecida; depois, passaram a ser fortalecidos com palha. Assim eram feitos os tijolos para a torre de Babei, ou aqueles feitos por israelitas, no trabalho escravo a que foram sujeitados no Egito. O uso de tijolos crus, queimados ao sol, tomou-se universal no Baixo e no Alto Egito. Cativos estrangeiros ficavam encarregados desse duro labor, e os tijolos assim produzidos eram usados em todo o tipo de construção, feitas pelos ricos e pelos pobres. Tijolos queimados vinham sendo usados desde tempos remotos, segundo nos indica o trecho de Gênesis 11:3. 2. Vitrificação. A técnica do fabrico de tijolos vitrificados já era conhecida no século XL a.C., tendo sido criada pelos egípcios. Dali, o método propagou-se para outras culturas. Há evidências desse tipo de tijolo em lugares tão distantes do Egito quanto Creta, Siria e Assíria. No templo de Nabu, em Corsabade, construído por Sargão, temos a técnica de tijolos assentados sobre betume. A Babilônia, conforme foi reconstruída por Nabucodonosor, exibe o uso de tijolos queimados e de tijolos vitrificados. 3. Traves de madeira eram empregadas nas construções de tijolos, tanto para efeito de alinhamento, como para fortalecer a construção. As áreas ocupadas pelos hititas mostram essa técnica. Esse tipo de construção também foi utilizada na construção do templo de Salomão (I Reis 6:36 e 7: 12), bem como em Megido, nessa mesma época. Outro tanto se dava em regiões da Siria, onde também se praticava o acabamento por meio de reboco. 4. Fornos para cozimento de tijolos (no hebraico, malben) eram usados em Israel, nos dias de Davi (11 Sam. 12:31). Naum, com grande sarcasmo, disse aos habitantes de Nínive que pisassem bem a massa (para o fabrico dos, tijolos), mas que, a despeito disso, não conseguiram evitar a queda da cidade (Naum 3:14). Isaías (9: 10) repreendeu o orgulho dos samaritanos, que se jactaram em substituir suas muralhas de tijolos por novas muralhas, de pedra. 5. Sentido Metafórico. Construir com tijolos simbolizava ir adicionando, pouco a pouco, às realizações pessoais, até que se fizesse algo digno de ser mencionado. Também indicava um labor paciente e diligente. Nos escritos de Aristóteles, a construção de uma parede é usada para ilustrar a sua noção de substância. Portanto, quanto às causas envolvidas, temos os seguintes pontos a serem considerados: a. material: a argila, que compõe a substância básica do tijolo; b. o que é formal, isto é, o plano que existe acerca da construção a ser feita; c. o que é efetivo, ou seja, o poder que lança mão dos tijolos, a saber, o construtor ou pedreiro; d. o final, que aponta para o produto, uma vez terminada a obra, o alvo mesmo de todo o labor efetuado. Todas as coisas podem ser concebidas como que produzidas por essas quatro causas, e essas causas são os modos de ação das substâncias. (AM EPFRA UN)

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TIL - TILLICH TIL No grego, keraia, "chifre", "projeção", "extremidade" Traduzida por "til". em dois trechos do Novo Testamento: Mal. 5:18 e Luc. 16:17. Isso ocorre dentro da declaração de Jesus de que nem a mínima porção da lei deixaria de ser cumprida: "Até que O céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra" (Mat. 5:18). Em Lucas 16:17 há menção somente ao "til". A menor letra do alfabeto grego é o iota (em português, "i"), que corresponde, em dimensões, ao yod do alfabeto hebraico, o que, provavelmente, foi a palavra dita por Jesus, naquela declaração, pois então ele não estava falando em grego. Jesus quis dizer que até os menores detalhes e conceitos da lei teriam cumprimento completo, dentro do plano de Deus e nas vidas dos homens, com o que ele ensinou a eternidade da lei e sua aplicação. Até onde diz respeito a graça divina, precisamos afirmar que a lei cumpre-se no crente por atuação do Espírito Santo, pelo que ela é incorporada no sistema da graça. A entrada da graça não significou o êxito da moralidade, mas somente que a moralidade passou a ser aplicada de maneira real e diferente do que vinha sendo aplicada sob a dispensação da lei. A declaração de Jesus reflete antigos sentimentos dos judeus a respeito da lei, visto que temos declarações similares na Tora Ali é dito que nem mesmo um yod poderia ser removido da lei, pois, se isso viesse a suceder, o próprio mundo deixaria de existir, face ao desprezo divino. Ver as notas sobre a Graça e como a graça e a lei podem ser consideradas sinônimas. A lei do Espírito inclui os princípios da lei, que se tornam uma realidade para os crentes, mediante o poder impulsionador do Espírito Santo (Rom. 8:2).

TILLICH, PAUL Suas datas foram 1886-1965. Ele nasceu e foi educado na Alemanha, mas passou a maior parte de sua vida profissional nos Estados Unidos da América, no Seminário Teológico União, em Harvard e na Universidade de Chicago. Foi um dos principais representantes do existencialismo religioso (vide). Nesse artigo, forneci algumas informações a respeito dele. Sendo ele um dos principais teólogos de nosso tempo, ele assume lugar ao lado de Karl Barth e Schleiermacher. Apesar de não ter tentado construir uma teologia sistemática ou racionalmente dedutiva, e apesar de que via o campo teológico através de olhos filosóficos, ele falou de modo compreensível sobre cada questão teológica. Duas coisas caracterizavam continuamente a sua abordagem à filosofia-teologia: 1. Seu método de correlação. Ele procurava unir questões humanas, correlacionando-as com respostas divinas propostas. 2. Ele usava uma linguagem teológica simbólica. Suas correlações também envolviam a economia, as ciências e outros campos do empreendimento humano. Idéias: 1. A teologia conservadora sofre do efeito casulo. Ela correlaciona-se praticamente a nada, exceto Aquilo que ela considera revelação divina. Pressupõe erroneamente que esse método fornece somente a verdade, sem qualquer erro, além de ser completa. Porém, não há nem uma dessas coisas na teologia. A teologia e o empreendimento humano precisam ser unidos como algo multifacetado. Uma teologia unilateral certamente labora em erro. É mister correlacionar a teologia à ciência, à política, A ética, à estética, à sociologia, A antropologia, etc. A teologia sistemática precisa ser contrabalançada pela teologia apologética, que começa com uma análise da situação

humana e então aplica à mesma ao Evangelho. 2. Nosso Idioma Usa Símbolos. Ele não é uma força todo-poderosa em si mesmo. A mensagem divina nos é transmitida por meio de parábolas, tal como Jesus ensinava. O símbolo pode ser mais poderoso do que as declarações diretas. Tais declarações, embora santificadas mediante o título de "inspiradas", podem ser apenas débeis esforços humanos para dizer algo significativo. Os símbolos são palavras ou grupos de palavras que apontam para a realidade; mas esses símbolos nunca são perfeitos, nunca completos, nunca finais. Os símbolos cristãos desvendam algo da realidade; mas, em si mesmos, não são essa realidade, e nem podem solucionar os grandes mistérios que nos circundam. Em uma busca interminável, tentamos resolver os grandes mistérios, mas o nosso conhecimento será sempre fragmentado. 3. No kérugma cristão ou pregação cristã, o Jesus histórico é o símbolo do Cristo divino. Jesus é o símbolo da realidade que é Cristo. Palavras como o "céu" e "inferno" apontam para realidades, mas é tolo depender de descrições literais, como se elas pudessem exprimir as realidades tais como elas são. 4. Em seus estudos filosóficos sobre a Bíblia e os dogmas religiosos, ele afirmava que aquilo que se chama de "vida" e de "morte" pode ser correlacionado ao Ser e ao Nada platônicos. A queda no pecado é interpretado em termos daquilo que os existencialistas chamam de ansiedade e individualização. A fé seria a coragem de existir. A redenção seria um novo ser. 5. Divisões Básicas de sua Filosofia-teologia a O homem, a existência, Deus. A questi'lo do secou do não-ser, ou seja, a questão da vida e da morte. E a resposta é Deus, como Base do Ser. b. Alienação, salvação, Cristo. O pecado consiste na alienação; a ansiedade é alienação; o dilema humano é a alienação. A resposta a isso é o Novo Ser em Cristo. c. Sociedade, ambigüidade, espírito. Nossa sociedade é plena de ambigüidades e coisas sem sentido. Nossas idéias participam dessas mesmas inadequações, e também nossas vidas; e até nossa sociedade está imersa nesses elementos. O juízo de Deus na história trata dessas questões. A resposta a essa situação é a Vida Nova no Espírito. 6. Religião. Essa atividade é objeto de um interesse fundamental, por parte tanto da filosofia como da teologia. Ambas as disciplinas dizem respeito às questões ontológicas, à estrutura e ao significado do ser, bem como à futilidade do nada. 7. A Filosofia e a Religião. Essas duas disciplinas diferem em sua abordagem. A filosofia tende por buscar respostas em termos universais. A teologia procura respostas em termos existenciais. Essa abordagem apela para a revelação como sua principal fonte informativa. Essas disciplinas não estão em conflito, embora alguns pensem que elas são adversárias uma da outra. 8. As Correlações e os Pares. Temos aqui assuntos que têm pólos que podem parecer contraditórios. Ver sobre Polaridade. Alguns desses pólos são individualização e participação, liberdade e destino, dinâmica e forma, ser e não-ser, finito e infinito. 9. Formas de Razão: a. Razão heterónoma. O indivíduo aborda a verdade raciocinando com base em coisas que toma por empréstimo, externas a ele mesmo. b. Razão autônoma. O indivíduo aborda a verdade com base naquilo que acha em si mesmo, em sua própria razão e intuição. Mas essa forma de razão pode terminar em um vácuo e na tautologia.

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TILLICH - TIMNA (PESSOAS) c. Razão teônoma. Essa abordagem alicerça-se sobre o Ser divino, sendo essa a maneíra mais poderosa para conhecermos as coisas. 10. Deus. Ele usava a expressão Ser Por Si Mesmo, quando outros normalmente diriam Deus. Deus é o Grande Ultimo e o Grande Mistério na direção do qual sempre nos devemos esforçar, embora nunca o atinjamos de qualquer maneira definitiva. Deus é a Conquista Eterna. Schelling perguntou o que muitos de nós devem ter perguntado com freqüência: Por qual razão existe qualquer coisa? Por que nada existe? Tillich respondia: "Porque há um conceito autovalidante de existência, o Ser Por Si Mesmo". Ora, o que poderia ser mais misterioso que isso? l l , Símbolos Religiosos do Ser Por Si Mesmo. Ao falarmos acerca de Deus, somos forçados a usar palavras, usando de expressões antropomórficas. Por isso mesmo é que o chamamos de "Senhor", "Pai", "uma Pessoa", etc. Porém, todas as nossas palavras e expressões são meros símbolos daquilo que sentimos no tocante ao Mysterium Tremendum (vide). As religiões antropomórficas fracassam miseravelmente em suas tentativas de conhecer a Deus, criando apenas um divino super-homem. 12. A Morte dos Símbolos. À medida que avança o nosso conhecimento, os símbolos, como todas as demais coisas, acabam morrendo. Nesse processo, novos estados substituem antigos estados, e nossos conceitos de Deus vão sendo continuamente revisados. Aquelas fés religiosas que preferem ficar com os antigos símbolos (especialmente aqueles de natureza antropomórfica) invariavelmente preservam um conceito primitivo de Deus, de mistura com muitas imoralidades que atribuem à idéia de Deus, mas que com freqüência apenas fazem parte de sua tola imaginação. 13. Modos de Buscar o Vítima. Precisamos de coragem "para ser uma parte" para ceder à individualidade e de nos utilizarmos da mesma para avançarmos. Precisamos de coragem para sermos nós mesmos, e não ficarmos sempre olhando ao redor para ver quanta aprovação podemos obter da parte de outros. Precisamos da coragem do desespero, da coragem de enfrentar o nada e todas as suas ansiedades, e nisso encontraremos o ser. 14. O Princípio Protestante. O uso que Tillich fazia desse princípio nada tinha a ver com O protestantismo. Antes, o princípio protestante "protesta" contra o mau hábito dos homens que identificam a divindade com qualquer criação humana, sem importar se tal criação acha-se nos escritos bíblicos ou na teologia da Igreja. Esse princípio faz oposição absoluta ao antropomorfismo, embora igualmente condene e proteste contra as invenções teológicas que dizem "isto é Deus", quando, na verdade, quase tudo quanto é dito ali seja invenção humana Em outras palavras, TiIlich não acreditava que possuímos, tanto no presente como em algum dia futuro, uma definição verdadeiramente adequada de Deus. Isso não significa, porém, que nosso conhecimento não possa expandir-se. Esse crescimento é a inquirição eterna. A sabedoria dessa atitude parece suficientemente clara, embora não seja clara para os teólogos sistemáticos. (AM EPH)

TILOM No hebraico, "escárnio", "zombaria". Esse homem pertencia à tribo de Judá e era filho de Simão. Descendia de Calebe, filho de Jefuné, Viveu em cerca de 1400 a.C. O seu nome é mencionado somente em I CrÔ. 4:20. TIMÃO No grego,Timon. Ele foi um dos sete homens cheios do Espírito e de sabedoria, que foram escolhidos para

aliviar os apóstolos do trabalho de distribuir alimentos aos cristãos pobres de Jerusalém. Ver Atos 6:5. O nome é tipicamente grego, embora seja possível que ele fosse um judeu por nascimento, visto que somente Nicolau, entre os sete, é referido como um prosélito. No grego, seu nome é uma forma plural derivada do adjetivo timi os, "precioso", "honroso".

TIMEU No grego, Timaios. Ele foi o pai de Bartimeu, o esmoler cego de Jericó, que o Senhor Jesus curou (ver Mar. 10:46). Acerca de Timeu nada mais se sabe a seu respeito, senão que era pai de Bartimeu. No hebraico, "bar" é um prefixo que significa "filho de". TIMINATE-HERES, TIMINATE-SERES No Hebraico, "porção do sol". Esse local é mencionado somente em Jui. 19. O lugar foi herdado por Josué, e ali ele foi sepultado. De conformidade com esse texto biblico, ficava "na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás". O texto da Septuaginta diz Thamnathares; e uma antiga tradição dos samaritanos identificava esse local com a moderna Kafr-Haris, cerca de dezenove quilômetros a sudoeste de Nabus, e apenas a onze quilômetros de Siquém. Porém, há bem poucas evidências arqueológicas em confirmação dessa opinião. Dentro das tradições rabínicas, usualmente, era vinculada ao lugar onde Josué ordenou que o sol parasse em seu trajeto (ver JÓs. 10: 13). A diferença entre esse nome e a forma que aparece em Josué 19:50 e 24:30, "Timnate-Heres" (vide), pode ter por base uma simples metátese. Porém, o fato de que a palavra tem sentido em ambas as passagens, bem como testemunho da Septuaginta, indica que o mais provável é que o nome mais antigo dessa cidade era Timinate-Heres, e que o outro nome, Timnate-Seres, só apareceu mais tarde. Timnate-Seres significa "porção restante". TIMNA (CIDADE) No hebraico, "partilha". A forma dessa palavra, no hebraico, é levemente diferente do nome pessoal que, em português, também é escrito como Timna (vide). Nas páginas do Antigo Testamento há duas cidades com esse nome, a saber: 1. Uma cidade de Judá, atualmente conhecida por Tibné, cerca de três quilômetros a oeste de Bete-Semes, e entre esta e Ecrom. É mencionada por seis vezes no Antigo Testamento: Gên. 38:12-14; Jos. 15:10,57 e II c-e. 28:18. Visto que o nome dessa cidade é grafado, no original hebraico, de duas maneiras diferentes, alguns estudiosos têm pensado que seriam duas cidades, e não uma só. Todavia, é muito dificil que houvesse duas cidades diversas dentro de uma área tão pequena como a que havia entre Bete-Semes e Ecrom. 2. Uma cidade do território de Dá, já perto da Filistia. Essa cidade é mencionada por três vezes, no décimo quarto capitulo do livro de Juizes (vs. 1,2 e 5), e por mais uma vez em Jos. 19:43. Ver Minas do Rei Salomão. TIMNA (PESSOAS) No hebraico "restrição". Há dois homens e duas mulheres com esse nome próprio, no Antigo Testamento: 1. Um chefe de Edom, descendente de Esaú, filho de Isaque e irmão de Jacó. O seu nome aparece por duas vezes no Antigo Testamento: Gên. 36:40 e I Crô, 1:51. Viveu em tomo de 1500 a.c.

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TIMNA (PESSOAS) - TIMÓTEO 2. Um filho de Elifaz, filho de Esaú. O seu nome ocorre somente em I CrÔ. 1:36. Viveu em tomo de 1700 a.c. 3. Urna concubina de Elifaz, filho de Esaú. O nome dela só aparece em Gén. 36: 12. Viveu em tomo de 1700 a. C. 4. Uma filha de Seir, o horeu, e irmã de Lotã (vide). O nome dela é mencionado por duas vezes no Antigo Testamento: Gên. 36:22 e 1 Crô. 1:39. Ela viveu por volta de 1700 a.c. TIMNITA Esse adjetivo pátrio indica algum nativo ou habitante da cidade de Timna (vide). O sogro de Sansão é descrito como tal, em Juizes 15:6. Interessante é observar que por todo o relato bíblico do casamento frustrado de Sansão com essa mulher filistéia, o nome dela não é mencionado nem uma vez sequer. Ela é caracterizada, quando muito, como "a mulher de Sansão" (ver Juí. 14: 15). TIMOCRACIA Esse termo vem do grego timé, "honra", e krátos, "governo", "poder", dando a entender o governo dos honoráveis ou dignos, um governo baseado no critério da honra ou do valor pessoal. Esse era um dos cinco tipos de governo concebidos por Platão. Ele salientou que esse tipo de governo usualmente degenera em uma oligarquia (governo de poucos), com base no poder que o dinheiro ou as forças militares podem dar aos homens. E também há outras corrupções dessa forma de governo; e uma delas é que honrarias são prestadas sobre os poderosos e os ricos que buscam receber favores. Ou então membros do governo recebem presentes, propriedades, etc., de tal maneira que sejam influenciados a fazer certas coisas em favor de grupos ou indivíduos interessados. Ou então aqueles que são honrados (e são governantes) provocam ciúmes em outros, que assim passam a trabalhar contra eles. Nesse caso, a honra não é considerada tanto como um mérito deles, mas algo que deve ser invejado. As Formas de Governo Concebidas por Platão: Aristocracia. O governo dos melhores (seu tipo preferido de governo, que concebia um rei-filósofo, que governasse com a ajuda de assessores capazes). Timocracia. Governo daqueles honrados por alguma razão, mas que geralmente é uma forma degenerada de aristocracia. Oligarquia. Essa é uma degeneração a partir da timocracía, indicando o governo de uns poucos que, na realidade, não são os melhores, e em que o dinheiro usualmente é o fator preponderante. Democracia. A revolta contra a oligarquia produz a democracia, um governo daqueles que são populares, que obtém o apoio das massas, mas que somente em casos raríssimos são os melhores. Platão considerava a democracia um caos feliz, durante algum tempo (pois em seguida viria o caos infeliz). TIMOM DE FLIO Suas datas aproximadas foram 320-230 a.C. Ele foi um filósofo grego que estudou com Estilpo, em Megara. Também estudou com Pirro, em Elis. Inclinava-se para o ceticismo; escreveu poemas satíricos, peças cômicas, poesias e tragédias épicas. Seus principais escritos foram Imagens e Sátiras, dos quais restam apenas fragmentos. TIMÓTEO Nome No grego, Timótheos, "honrado por Deus". Seu nome ocorre por vinte e quatro vezes nas páginas do Novo Testamento: Atos 16:1; 17:14,15; 18:5; 19:22;20:4; Rom. 16:21,1 Cor. 4:17; 16:10; 11 Cor, 1:1,19; Fil. 1: 1; 2:19;

Col. I: 1; 1 Tes. 1: 1; 3:2,6; 11 Tes. 1: 1; 1 Tim. 1:2,18; 6:20; 11 Tim. 1:2; File. 1; Heb. 13:23. Atos 16: 1: Chegou também a Derbe e Listra. E eis que estava ali certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia crente, mas de pai grego; Um discípulo chamado Timóteo. Provavelmente ele era um dos convertidos de Paulo, conquistados durante a primeira viagem missionária naquela área, ocasião em que devia ser umjovenzinho de não mais de treze anos. Paulo deve ter estado afastado da região por nada menos cerca de seis anos. Dessa maneira, Timóteo deveria ser um jovem entre os dezoito e os vinte anos de idade, quando aqui o encontramos. Cerca de doze anos mais tarde (na passagem de I Tim. 4: 12), a sua juventude é ainda referida. Durante o tempo em que Paulo esteve ausente dessa região, Timóteo, sem dúvida, fora crescendo na fé e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo. (Ver os artigos separados sobre Derbe e Listra). Eram antigas cidades da Galácia. Quando Paulo ali voltou, Timóteo já havia adquirido maturidade suficiente para ter sido imediatamente reconhecido por Paulo como um ministro potencialmente valoroso. Foi dessa maneira que Timóteo se tornou companheiro do apóstolo no ministério, talvez começando na mesma posição que fora ocupada por João Marcos, quando da primeira viagem missionária, isto é, como assistente do apóstolo. Podemos observar, em 1 Ped. 5: 12, que tanto Marcos como Silas, posteriormente, se tomaram companheiros do apóstolo Pedro, mui provavelmente em Roma. Timóteo era filho de uma mulher judia, e seu pai era gentio. Vinha sendo instruído nas Santas Escrituras desde a sua meninice. Evidentemente.jamais fora um autêntico prosélito do judaísmo, porque, do contrário, não teria sido encontrado incircunciso por Paulo, segundo somos informados neste capítulo. (Ver o trecho de 11 Tim. 1:5 no NTI, onde há informações sobre a sua família, onde se aprende que tanto a sua avó, Loide, como a sua mãe, Eunice, eramjudias devotas). Evidentemente Timóteo era nativo de Lístra, e não de Derbe, o que se depreende pelo simples fato de que, neste versículo, o seu nome aparece em maior proximidade ao nome de Lístra do que ao nome de Derbe. Outros estudiosos, entretanto, têm pensado, com base na passagem de Atos 20:4, que a sua cidade nativa era Derbe. Desde a sua juventude Timóteo se notabilizou por seu exemplo como jovem crente (ver Atos 16:2). Desde o principio de sua vida adulta que Timóteo deve ter demonstrado considerável habílidade como pregador, e era possuidor do dom profético (ver I Tim. 4: 14 e 11 Tim. 1:6). A primeira incumbência de Timóteo foi a responsabilidade de encorajar os crentes perseguidos em Tessalônica. E por essa razão que também o vemos associado a Paulo e Silás nas saudações de ambas as epístolas dirigidas aos crentes dali. Timóteo também esteve presente quando do trabalho de Paulo em Corinto. (Ver11 Cor. 1:Q). Vemo-loem seguida, durante o ministério de Paulo em Efeso, quando foi enviado, com Erasto, em outra missão especial à Macedônia, de onde, posteriormente, foi a Corinto (Ver I Cor. 4: 17). Aparentemente, Timóteo era de disposição tímida, porquanto Paulo achou necessário exortar aos crentes de Corinto a deixá-lo à vontade, não desprezando a sua pessoa (ver I Cor. 16:10 e 4:17 e ss). Também não se há de duvidar que Timóteo foi enviado a Corinto na qualidade de embaixador de Paulo, na tentativa de corrigir algumas

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TIMÓTEO - TINTA das dificuldades que a igreja dali enfrentava, mas a segunda epístola aos Coríntios revela-nos que ele não foi bem-sucedido nessa missão. Por essa razão é que Tito foi enviado, para realizar função similar (Ver 11 Cor. 12: 18). Isso pode indicar que ou Tito tomou o lugar de Timóteo, como representante de Paulo, ou então chegou a fim de ajudar a Timóteo nessa obra em Corinto. Quando Paulo escreveu a epístola aos Romanos, de Corinto, Timóteo continuava ali, ajudando o apóstolo em seu trabalho (Ver Rom. 16:21). Timóteo também seguiu em companhia de Paulo, na viagem a Jerusalém, levando a coleta recolhida para os santos pobres daquela cidade (ver Atos 20:4,5). E óbvio que Timóteo acompanhou Paulo a Roma e, pelo menos durante algum tempo, esteve em sua companhia, quando o apóstolo se encontrava aprisionado. Ver Fil. I: I. A epístola aos Filipenses foi enviada da prisão, em nome de Paulo e Timóteo. As epístolas aos Colossenses e a Filemom também foram escritas em nome de Paulo e Timóteo. Após o primeiro período de aprisionamento de Paulo, parece-nos que esse apóstolo deixou Timóteo em Éfeso, a fim de cuidar da questão dos falsos mestres, e também com a finalidade de supervisionar a adoração pública e providenciar para a escolha de oficiais eclesiásticos. Com base nesses fatos, alguns intérpretes bíblicos supõem que Timóteo se tomou o principal líder da igreja de Éfeso e, finalmente, seu pastor ou bispo. O próprio Timóteo, finalmente, tal como já havia sucedido a Paulo, sofreu aprisionamento, conforme nos indica o trecho de Heb. 13:23. Quando Paulo foi aprisionado pela segunda vez, oportunidade em que, por fim, sofreu o martírio, Timóteo recebeu do apóstolo a solicitação que viesse a seu encontro urgentemente; mas não sabemos se ele chegou a Roma a tempo, antes de Nero ter mandado executar o grande apóstolo dos gentios (Ver 11 Tim. 1:4; 4:11,21). Nenhum outro líder cristão, dentre os companheiros de trabalho do apóstolo Paulo, foi tão recomendado por ele como Timóteo, especialmente em face de sua lealdade (ver I Cor. 16:10; Fil. 2:19 e ss e 11 Tim. 3: 10 e ss), e sem dúvida a última das epístolas escritas por Paulo lhe foi dirigida, isto é, a segunda epístola a Timóteo. Contrariamente à idéia de tantos, nenhum homem é uma ilha, auto-suficiente e completo em si mesmo. Paulo precisava de um assistente. Segundo já vimos, o pai de Timóteo era grego, isto é, gentio, ao passo que sua mãe era judia. Casamentos mistos dessa natureza, embora raros em Jerusalém e cercanias, repelentes para o sistema religioso judaico, e que muitos rabinos nem ao menos reputavam vál idos, eram, a despeito de tudo, muito comuns em regiões distantes de Jerusalém, sobretudo nas áreas gentílicas, onde, apesar de haver alguma populaçãojudaica, as sinagogas não exerciam toda a influência que tinham naquele principal centro do judaísmo. Timóteo é mencionado em todas as epístolas de Paulo, exceto em Gálatas. Foi ele um dos mais constantes e fiéis companheiros de Paulo, até o fim. Juntamente com Silas, Timóteo acompanhou o apóstolo dos gentios em sua segunda viagem missionária, dessa maneira tendo ficado associado a fundação da igreja em Tessalônica. Com freqüência é ele chamado de irmão (ver 11 Cor. I: I; CoI. 1:1; I Tes. 3:2 e File. I). Em Fil. I: 1 é chamado de servo (ou escravo) de Cristo., o que indica a sua elevada dedicação. Paulo encarregou-o de diversas missões especiais.

TÍMOTEO, EPÍSTOLAS A Ver sobre Epistolas Pastorais. TÍMOTEO, I e 11 (LIVROS) Ver o artigo sobre Epístolas Pastorais. TINDAL; MATTHEW Suas datas aproximadas foram 1653 - 1733. Ele foi um jurista britânico, educado em Oxford. Foi um cristão deísta, que exerceu grande influência, em sua época, sobre questões religiosas e políticas. Seus escritos despertavam a controvérsia. Algumas de suas obras escritas foram condenadas pela Câmara dos Comuns e queimadas, em 1710. Porém, seu livro final e mais importante passou por muitas edições, tendo provocado nada menos de cento e cinqüenta réplicas. Se ele apreciava controvérsias, então deve ter-se sentido no Céu, estando ainda na Terra. Sua peça mais bem-sucedida foi o Cristianismo é Tão Antigo Quanto a Criação. Idéias: 1. O Estado deveria governar supremo a Igreja. Contudo, deveria haver liberdade de expressão, tanto verbal como de imprensa. A tolerância deveria ser ampla, não beneficiando somente os ateus. Aos governos falta autoridade para compelir a conformidade. 2. A perseguição contra os não-conformistas, apesar de às vezes gozar do apoio das leis humanas, é algo contrário à lei natural, que protege a dignidade e a liberdade de todos os homens. 3. A verdadeira religião é eterna, universal, simples e perfeita, e, acima de tudo, promove o conceito de dever a Deus e aos homens. Ele fazia da ética o principal aspecto de sua filosofia. 4. Tindal também procurou demonstrar que a religião perfeita é o cristianismo, argumentando que aquilo que é perfeito deve ser eterno, ainda que possamos determinar um tempo em que o perfeito teve começo. Esse conceito, naturalmente, ignora aquilo que realmente costuma acontecer. Todas as idéias evoluem e melhoram, conforme nossa compreensão se aprimora. Por essa razão, quando examinamos a história passada, e comparamos idéias e religiões, vemos crescimento, e não perfeição. Alguns Escritos de Tindal. Essay of Obedience to the Supreme Powers; Essay on the Power ofthe Magistrate and the Rights of Mankind in Matters of Religion; Reasons Against Restraining the Press; A Defence ofthe Rights of the Christian Church; Chrtstianity as Old as the Creation. TINHA Ver Coceira. TINTA Muitas tintas de escrever, fabricadas na antiguidade, eram de excelente qualidade. Não fora isso, não teria havido a preservação de textos antigos, tanto da Bíblia quanto de outros documentos importantes para a humanidade. A palavra hebraica correspondente é deyo, que ocorre por apenas uma vez, em Jer. 36: 18. E o termo grego é mélas, "negro". que aparece por três vezes com o sentido de tinta: 11 Cor. 13; 11 João 12 e I1I João 13. As tintas antigas eram feitas de substâncias como carvão vegetal pulverizado, ou negro de carvão, misturado com goma e água. Esse tipo de tinta perdurava indefinidamente, se o material escrito com o mesmo fosse mantido seco; mas, caso se umedecesse, logo a tinta se

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TINTA - TIPOS, TIPOLOGIA dissipava. O trecho de Núm. 5:23 alude ao fato de que tintas dessa espécie podiam ser apagadas, o que se fazia com o uso de uma esponja e água. As tintas antigas não eram tão fluidas como as nossas. Demóstenes repreendeu a Esquines por trabalhar tanto para pulverizar os ingredientes que entravam no fabrico de suas tintas, mais ou menos como os pintores esforçam-se por produzir as suas tintas. Uma tinta encontrada em um antigo tinteiro, em Herculano (cidade sepultada sob as cinzas do Vesúvio, juntamente com Pompéia, na Itália), mostra ser como um óleo ou tinta grossa. Certas tintas antigas, que continham ácidos, chegavam a corroer o papiro ou mesmo as peles de animais, usados como material de escrita. Exemplos disso podem ser vistos nos manuscritos da biblioteca do Vaticano, das obras de Terêncio e Vergílio. As letras comeram o papel ao ponto de terem penetrado até o outro lado das folhas. Tintas metálicas eram preparadas para uso em papiro; e sabemos que em Israel, desde o século VI a.C., tais tintas já eram usadas. As cartas de Laquis (de cerca de 586 a.C.) foram escritas com esse tipo de tinta. Alguns manuscritos entre os do mar Morto, foram escritos com tintas de carbono. A carta de Aristeas afirma que uma cópia da lei, enviada a Ptolomeu lI, fora escrita com tinta feita de ouro dissolvido. Os egípcios usavam tintas de escrever de muitas cores, conforme os papiros egípcios descobertos bem o demonstram. Corantes vegetais e minerais eram empregados na produção dessas tintas. As cores incluíam o dourado, o prateado, o vermelho, o azul, e o púrpura. Os materiais de escrita eram guardados em vários tipos de sacolas e caixas. Origem da Tinta de Escrever. Até onde o nosso conhecimento nos permite recuar (o que geralmente não retrocede tanto quanto deveria ser), as tintas de escrever foram usadas inicialmente no Egito e na China, onde já são encontradas desde cerca de 2500 a.e. Tintas de carbono eram bastante resistentes, visto que essa substância resiste aos efeitos degenerativos da luz, do ar e da umidade. As tintas modernas usam soluções de água e corantes, ou então água e químicos orgânicos como glicol propileno, álcool propil, tolueno e glicoésteres, que os antigos desconheciam. Quase todas as tintas de escrever modernas contêm também outros elementos como resinas, preservativos e agentes secantes. Algumas tintas são feitas para serem absorvidas pela superficie do papel. Outras formam uma espécie de filme que se forma sobre a superficie do papel, mas não é absorvido pela mesma. TINTEIRO (TINTUREIROS) No hebraico, qeseth. Essa palavra ocorre por três vezes: Eze. 9:2,3,11. Os tinteiros antigos consistiam em um longo tubo onde eram guardadas as penas de escrever. Esse tubo ficava preso ao cinto. Eram feitos de bronze, cobre, prata ou madeira dura. Podia ter cerca de 25 cm de comprimento por 5 cm de espessura. O que chamaríamos hoje de tinteiros (não confundir com o qeseth dos hebreus) eram receptáculos feitos de vários materiais, como argila, metais e pedra. Esses receptáculos para tinta, feitos de terracota ou de bronze, têm sido encontrados nas ruínas dos escritórios da comunidade de Qumran (vide). A arte de tingir era generalizada, e de grande importância no mundo antigo. O povo de Israel aprendeu a arte no Egito, tendo-a usada até mesmo durante as suas vagueações pelo deserto, conforme vemos em Êxo. 26:1 e 28:5-8. Até mesmo as tribos nômades costumavam tecer e tingir seus próprios têxteis. Entretanto, com o tempo

houve a comercialização dos panos tingidos, e assim surgiu a profissão dos tintureiros. A arqueologia tem descoberto' tecidos elaboradamente tingidos, teares de madeira e cubas de tingir. Essas descobertas incluem aquelas realizadas em Laquis (que vide), no sul da antiga Judá, além de muitos outros lugares. Os cammeus, antes mesmo da época de Abraão, sabiam tingir panos com maestria. Materiais e utensílios usados nesse mister foram encontrados em Tell Beit Mirsim (QuiriateSefer). Também houve descobertas similares em Ugarite. Os cananeus extraíam um corante de cor púrpura, das conchas do Murex. A cidade de Biblos (que vide), às margens do mar Mediterrâneo, notabilizou-se em face de suas duas principais indústrias: a manufatura de folhas de papiro e de panos. Na Surnéria eram predominantes as profissões dos tecelões e dos tintureiros. O Egito notabilizava-se pela produção de linhos finos, e exportava tecidos finíssimos, quase transparentes, nas cores azul, amarelo e verde pálido. Eixos usados pelos tecelões (ver I Saro. 17:7) têm sido encontrados em vários locais mencionados na Bíblia. Os corantes eram feitos de animais marinhos e também de insetos, substâncias vegetais, a casca da romãzeira, as folhas da amendoeira, a potassa e as uvas. A lã era o tecido mais comum nos tempos bíblicos, porquanto absorvia os corantes com grande facilidade. A lã natural na verdade já vinha em várias cores, como branco, amarelo, cinza claro e marrom. Cores tipicamente masculinas eram, portanto, obtidas com pouco trabalho para os tintureiros (Sal. 45: 14). Jáo linho era mais diflcil de tingir. Contudo, havia métodos adequados, e o tabernáculo, p-roduzido no deserto, contava com seus linhos tingidos (Êxo. 35:6), o que também ocorreu, naturalmente, no caso do templo de Jerusalém, edificado muitos séculos mais tarde (11 Crô. 2:7). O algodão, por sua vez, era facilmente tingido, havendo vários centros de produção de tecidos de algodão. O algodão é originário da lndia. Na época da rainha Ester, o algodão era tingido na Pérsia (Est. 1:6). A seda era tingida no Extremo Oriente e exportada para o mundo inteiro conhecido. E também havia couros de qualidade, devidamente tingidos. Os melhores exemplares dessa arte, pertencentes às terras bíblicas e aos tempos do Antigo Testamento, são aqueles descobertos em Quiriate-Sefer, identificado com o moderno Tell Beit Mirsim. Seis plantas diferentes, usadas na tinturaria antiga, e cerca de trinta instalações diferentes, ocupadas nessas atividades, foram ali encontradas. O tamanho das cubas ali encontradas indica que os fios é que eram tingidos, e não o tecido já manufaturado. Quanto a outros detalhes sobre a questão, ver o artigo geral sobre Artes e Oficios, 4.b. TINTUREIROS Ver Tinteiro (TINTUREIROS). TIO Ver o artigo sobre FamHia. TIPO Ver sobre Tipos, Tipologia. TIPOLOGIA Ver sobre Tipos, Tipologia. TIPOS, TIPOLOGIA Ver Tipos, Tipologia no Índice onde uma lista extensiva é apresentada.

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TIPOS, TIPOLOGIA Esboço: L Definição e Caracterização Geral

lI. Termos Empregados Ill. Inspiração Dessa Forma de Interpretação IV.Legitimidade da Tipologia e Oposição à Mesma V. Características dos Tipos VI.Como Evitar Exageros I. Definição e Caracterização Geral A tipologia é uma técnica, associada bem de perto à alegoria, mediante a qual pessoas, eventos, instituições ou objetos de qualquer espécie passam a simbolizar ou ilustrar a pessoa de Jesus Cristo, ou então aspectos da fé, da doutrina, das práticas, das instituições cristãs, etc. Paulo e o autor da epístola aos Hebreus muito tiraram proveito do Antigo Testamento, visto que eles acreditavam que o Antigo Testamento prefigurava (por ato de Deus) o Novo Testamento, como também Cristo foi o cumprimento de inúmeros tipos ou símbolos do Antigo Testamento. Um tipo assemelha-se a uma alegoria, mas, visto que tem melhores bases bíblicas, tem ocupado um sucesso maior, retendo um importante papel dentro da interpretação cristã. Ver sobre Alegoria e Interpretação Alegórica. Há algumas alegorias nas páginas da Bíblia, mas o Novo Testamento exibe um número muito maior de tipos do que de alegorias. 11. Termos Empregados São todos vocábulos gregos: Túpos, "tipo" (ver Rom. 5:14; 1 Cor. 10:6,11). Skiâ, "sombra" (verCol. 2:17; Heb. 8:5; 10: 1). Hupôdetgma, "cópia" (ver Heb. 8:5; 9:23). Semeion, "sinal" (ver Mal. 12:28). Parabolé, "figura" (ver Heb. 9:9; 11:19). Antitupos, "antitipo" (ver Heb. 9:24; 1 Ped. 3:21). Todos esses vocábulos envolvem o uso de tipos para efeitos didáticos, e as passagens ilustrativas acima oferecidas provêem exemplos dessa atividade no Novo Testamento. Esses tipos provêem sombras ou vislumbres de verdades que são melhor desenvolvidas e expostas no Novo Testamento, em contraste com o Antigo Testamento. Na verdade, o Antigo Testamento é usado como uma espécie de tesouro de onde são extraidas todas as formas de antecipações de Cristo, de sua Igreja ou de sua doutrina, mediante o uso de pessoas ou coisas que são usadas simbolicamente. Os tipos muito enriquecem o estudo das Escrituras, ainda que possamos questionar a validade de alguns deles, porquanto pode haver exageros de interpretação. Na primeira instituição teológica na qual estudei. houve um curso de um semestre que só tratou do assunto da tipologia, o que mostra como esse assunto é considerado importante em alguns círculos. 111. Inspiração Dessa Forma de Interpretação Os rabinos amavam símbolos, tipos, alegorias e parábolas. A tipologia tem um pano de fundo judaico, e era extremamente popular entre os rabinos. O material escrito dos Manuscritos do Mar Morto (vide) provê ilustrações tanto da interpretação alegórica como da interpretação tipo lógica. Foi apenas natural que os autores do Novo Testamento (quase todos elesjudeus, acostumados com o estudo do Antigo Testamento) tivessem visto tipos claros no Antigo Testamento. Assim, Cristo tomou-se o Segundo (ou último) Adão (Rom. 12); a primeira páscoa ilustrava Cristo como nossa Páscoa e a eucaristia (1 Cor. 5:6-8); o cordeiro pascal antecipava o Cordeiro de Deus (João 1:29); Israel no deserto antecipava certos aspectos da vida cristã (I Cor. 10: 1-11). Acresça-se a isso que a epístola aos Hebreus é, virtualmente, um estudo de tipos bíblicos, do princípio ao fim. Não se pode duvidar que tipos enriqueceram a teologia cristã. Porém, algumas vezes,

um tipo é obtido ignorando-se o contexto, ou então através de uma fértil e exagerada imaginação. Por isso mesmo, tipos podem ser abusados, tornando-se fantasias subjetivas. IV. Legitimidade da Tipologia e Oposição à Mesma. A legitimidade do uso de tipos alicerça-se, essencialmente, sobre o fato de que os autores do Novo Testamento usaram livremente esse método. A inspiração das Escrituras então insiste que esse uso é inspirado pelo Espírito de Deus. Do ponto de vista histórico, salienta-se que o cristianismo nasceu dentro do judaísmo, e que o Novo Testamento foi o desdobramento natural e necessário do Antigo Testamento. As íntimas correlações entre os dois Testamentos exigiam que o Antigo se tornasse tipo do Novo Testamento. Além disso, a tradição profética tem um papel a desempenhar aí, pois há predições sobre Cristo em muitas passagens, pelo que era inevitável que o documento de predições também contivesse tipos da Figura sobre a qual predizia. Ver sobre Profecias Messiânicas Cumpridas em Jesus. Oposição. Esta procede, essencialmente, de três setores: 1. Os rabinos objetavam ao uso tipológico de seus Livros Sagrados, visto que rejeitavam a Pessoa e à Fé religiosa que, alegadamente, estavam sendo tipificadas. Também objetavam à cristianização do Antigo Testamento, o que eles consideravam uma perversão, e não umuso legítimo. 2. Os teólogos liberais objetam aos excessos e abusos a que os tipos são sujeitados; e os mais radicais entre eles objetam à própria prática, como uma cristianização do Antigo Testamento que vai além do que a razão permite. Assim, a crítica da Bíblia (que teve início no século XIX, na Alemanha), nunca deu muito valor aos tipos, e acabou desaparecendo ali. 3. Os céticos concordam com os rabinos e com os estudiosos liberais mais radicais, supondo que a prática da cristianização do Antigo Testamento envolve uma falsidade, repleta de fantasias e exageros piedosos. V. Caracterfstíeas dos Tipos 1. Eles estão alicerçados na história e na revelação sagradas (Mal. 12:40). 2. São proféticos (João 3: 14; Gên. 14, comparado com Heb.7). 3. Fazem parte integral da história sagrada e da doutrina cristã, e não pensamentos posteriores, inventados por rabinos e cabalistas (ver I Cor. 10: 1-11). 4. São cristocêntricos (Luc, 24:24,44; Atos 3:24 ss). 5. São excelentes para instrução e edificação. Cada tipo provê uma espécie de janela que permite a entrada de luz sobre o assunto ventilado. O livro aos Hebreus é o supremo exemplo neotes-tamentário de como funcionam os tipos bíblicos. VI. Como Evitar Exageros Alguns intérpretes cristãos têm pensado ver tantos tipos no Antigo Testamento que perdem de vista o valor histórico e religioso do Livro Sagrado. De maneira geral, encontrarno-nos em terreno firme quando aceitamos aqueles tipos que nos são apresentados no próprio Novo Testamento, ou quando suspeitamos daqueles que não contam com tal confirmação. Entretanto, alguns intérpretes exageram, ao verem muitas coisas nesses tipos. Alguns intérpretes vêem algum simbolismo em cada peça do mobiliário do tabernáculo, e até mesmo nos materiais empregados na confecção dos mesmos, como ilustrações de algo sobre a pessoa e a obra de Cristo. Mas se o relato acerca de Jonas certamente ilustra a ressurreição de Cristo, o retorno de Jonas à sua terra natal não ilustra, necessariamente, a restauração de Israel aos seus territórios, conforme alguns têm dito. Detalhamentos demasiados devem ser evitados,

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TIPOS, TIPOLOGIA - TIRANIA portanto. Alguns tipologistas têm-se atrapalhado com pormenores sem base, encontrando tipos dentro de tipos. Devemos procurar pela verdade essencial, não tentando escrever um livro com base apenas sobre um tipo, que é apenas uma ilustração. (B C E 10)

TIPOS DE RELIGIÃO Ver sobre Religião, seção terceira. TIPOS IDEAIS Ver sobre Weber, Max e sobre Spranger; Edward. TÍQUICO 1. Seu Nome. Esta palavra grega significa "fortuito", "acontecimento casual", possivelmente uma referência ao fenômeno comum de uma criança nascer de forma surpreendente, ou chegando a seus pais, por assim dizer, "por acidente". Porém, o nome poderia significar "afortunado", ou seja, a "fortuna" ou "sorte" lhe sorriu, como quando a sorte vem a uma pessoa por acidente. 2. Sua Pessoa. Segundo se acha registrado em Atos 20 (especialmente no vs. 4), este homem acompanhou pelo menos parte da terceira viagem missionária de Paulo. Somos informados de que ele era natural da Ásia Menor. Trófimo estava na companhia dos dois naquela ocasião. Ele prosseguiu com Paulo rumo a Jerusalém (Atos 21 :29), porém Tíquico ficou para trás em Mileto (Atos 20: 15, 28). Ele atendeu Paulo, visitando-o na prisão em Roma (Cal. 4:7, 8; Efé. 6:21, 22). Mais tarde, quando Paulo estava a caminho para Nicópolis, enviou Ttquico a Chipre para tomar certas providências (Tito 3: 12). Paulo foi preso pela segunda vez (antes de seu martírio), e naquela ocasião enviou Tíquico a Éfeso a fim de dar assistência às igrejas daquela região. Conjetura-se que ele, Trófimo e Tito estiveram envolvidos na arrecadação de uma coleta entre as igrejas em favor dos cristãos pobres da Judéia, o que se acha registrado em 2 Cor. 8: 16-24, mas onde seus nomes não são mencionados. 3. Uma Missão Menor, Porém Importante. Tíquico era um homem que se mantinha constante na obra, sempre ajudando Paulo e sempre apto nos compromissos que recebia. Era um "irmão amado, fiel ministro e conservo no Senhor" (Col. 4:7). Com esse apreço da parte do grande apóstolo dos gentios, qualquer pessoa se sentiria contente. TIQUISMO Essa palavra vem do termo grego tuchê, "fortuna", "acaso", "sorte", um vocábulo cunhado por Charles Peirce, a fim de referir-se a acontecimentos que ocorrem inteiramente ao acaso, em contraposição ao conceito do Determinismo (vide). De acordo com o princípio do tiquismo, os eventos são totalmente imprevisíveis. Isso posto, o livre-arbítrio (vide) seria uma realidade. Ver também o detalhado artigo chamado Chance. TlRACA Nos registros egípcios, o nome desse homem aparece como Taraca. Está em questão um faraó da época em que a dinastia etíope governava o Egito. Alguns identificam a dinastia como a 20", mas outros dizem que era a 25". Em 11 Reis 19.9 esse homem é mencionado como alguém que se revoltou contra Senaqueribe quando esse rei da Assíria invadiu Judá (701 a.Ci), Mas quando a dinastia etíope governava o Egito, o líder do governo era Shabaka, não Tiraca, que não tomou o poder até 691 a.Ci, cerca de 12 anos depois. Talvez Tiraca agisse por parte de Shabaka,

seu tio, e, como general do exército, tenha recebido, erroneamente, o nome de "rei" em 11 Reis 19.9 e em Isa. 37.9. Essa explicação parece uma visão melhor e mais simples do que a de que Senaqueribe executou duas campanhas, uma envolvendo a oposição de Shabaka, e outra envolvendo oposição de Tiraca. Em todo caso, não há muito valor prático em tentar harmonizar os anais do Egito, da Assíria e das poucas referências bíblicas que existem, e apelar para o "silêncio", pois inventar uma campanha de Senaqueribe não parece uma forma lógica de harmonizar os relatos. Tiraca obteve algumas vitórias iniciais, como aquela feita contra Esar-Hadom, filho de Senaqueribe, mas apenas três anos depois (670 a.C,] ele foi expulso de Mênfis e nunca retomou ao Egito, tendo voltado ao seu Sudão nativo, isto é, à cidade de Napata, onde morreu. Suas aventuras deram maus resultados.

TlRADORES DE ÁGUA As pessoas empregadas na tarefa de tirar água dos poços pertenciam às classes humildes, excetuando as donas de casa, que prestavam esse serviço para suas famílias, como parte de suas tarefas diárias. Era uma tarefa manual, geralmente entregue a mulheres (Gên. 24: 13; 1 Sam, 9: 11). Porém, rapazes também realizavam a tarefa (Rute 2:9). Algumas vezes, inimigos subjugados eram reduzidos a "tiradores de água", conforme se vê em Josué 9:21 ss. Essa tarefa era necessária devido à ausência de qualquer sistema de transporte de água, na maioria das cidades, sem falar no fato de que os poços e os mananciais ficavam situados - distantes - das residências o que obrigava as pessoas a andarem um pouco para tirarem água. A água era transportada em boa variedade de vasos, incluindo aqueles feitos de metal, de madeira ou de peles de animais. Quem puxava a água também a transportava aos ombros, ou então a punha sobre o lombo de animais de carga. Os tiradores de água aparecem entre os mais humildes daqueles que entraram em aliança com Deus. (Deu. 29:11). Muitas pessoas estão ocupadas em tarefas desinteressantes e até mesmo humilhantes, completamente destituídas de qualquer desafio. São os modernos "tiradores de água". Mas até mesmo esses podem entrar em aliança com Deus, no que encontram grande valor espiritual. Isso aumenta imensamente o interesse da vida. O apelo dos sistemas políticos ateus, em favor somente do corpo fisico, nunca beneficia em coisa alguma a alma. Ao mesmo tempo, porém, os teólogos não deveriam mostrar-se indiferentes para com a situação de pessoas humildes, cujas vidas, do ponto de vista fisico, têm pouco ou nenhum ponto de interesse. Essa preocupação deveria encontrar avenidas de expressão que não se olvidem de Deus ou da alma, pois, do contrário, a miséria final será pior do que a miséria que se tinha procurado resolver. Isso faz parte do ABC da espiritual idade. TIRANÁ No hebraico, "gentileza". Esse homem era filho de Calebe e de sua concubina, Maaca (I Crô, 2:48). Viveu por volta de 1440 a.c. Tinha um irmão de nome Seber (vide). TIRANIA Essa palavra vem do grego, túrannos, "tirano". Está em foco uma forma de governo absolutista, de um homem só, cujos desejos são traduzidos como lei, sob a égide da violência e da intolerância. Para Platão, a tirania era a mais degenerada de todas as formas de governo. Ele alistava cinco tipos fundamentais de governo: aristocracia,

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TIRANIA - TIRO timocracia, oligarquia, democracia e tirania. Explicamos o significado desses vocábulos no artigo sobre Platão. Por sua vez, Aristóteles pensava que a tirania é uma forma degenerada de monarquia. Para ele, a monarquia é uma das formas aceitáveis de governo, contando que não seja acompanhada por abusos. E as outras duas formas aceitáveis seriam a aristocracia e a democracia. Essas três formas degeneram em formas inaceitáveis: a monarquia, na tirania; a aristocracia, na oligarquia; e a democracia no governo do proletariado. Ele concebia ainda a politia, uma democracia constitucional, uma forma aceitável de governo. A palavra tirania, no seu uso moderno, tem um sentido negativo. Mas não havia, necessariamente, na antiguidade, esse significado, pois o termo podia significar, simplesmente, "governante". Alguns tiranos antigos foram grandes edificadores e patrocinaram as artes; mas podemos ter a certeza de que um de seus defeitos era não permitir qualquer medida de liberdade a seus súditos. Quase sempre os tiranos chegavam ao poder mediante a violência, governando de forma absoluta, sem o abrandamento de qualquer forma de constituição. Na Grécia, muitas tiranias governaram no século VII a.c., uma forma natural de governo no caso de pequenas cidades-estados, onde políticos enérgicos podiam facilmente apossar-se das rédeas do mando. Cipselo de Corinto e Ortágoras de Sicio foram bem conhecidos tiranos da história grega primitiva. Psístrato foi um bom tirano, que demonstrou interesse pelo bem-estar do povo, além de ter realizado muitas obras públicas e edificações. Na República, de Platão, o sábio e benévolo rei aparece no alto da hierarquia de governantes, ao passo que ao tirano se dá o último e miserável lugar. Quando um único homem, ou um governo totalitarista, rouba a liberdade do povo, sempre será apropriado dar a tal forma de governo um miserável último lugar.

TIRANO . No grego, Túrannos, "tirano". Ele era um cidadão de Efeso, em cuja escola Paulo apresentou conferências do Evangelho (ver Atos 1~:9), pelo espaço de dois anos. Quando os judeus de Efeso se opuseram ao ensino de Paulo na sinagoga, onde o apóstolo havia pregado corajosamente por três meses, acerca do reino de Deus, ele e os seus seguidores passaram a fazê-lo na escola de Tirano. Aquele versículo diz: " ... Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano". A isso o chamado texto Ocidental acrescenta as palavras "da hora quinta: à décima", o que corresponde, segundo a nossa maneira moderna de marcar as horas, das onze da manhã às quatro horas da tarde. Se essa adição está com a razão, então Paulo tirava vantagem das horas mais quentes do dia, quando quase todas as pessoas estavam descansando, após a refeição do almoço. O salão da escola, normalmente, estaria vago, e talvez o aluguel fosse mais barato, depois que Tirano, ou quem quer que fosse o professor, tivesse ensinado ali durante as horas matinais, mais frescas. Ver Marcial 9.68; 12.57; Juvenal 7.222-226. Isso também permitiria que Paulo trabalhasse em seu próprio negócio, como fabricante de tendas, durante as horas próprias para negócios (ver Atos 20:34; I Cor. 4: 12). Mas depois, em vez de descansar, Paulo ocupava-se na sua missão evangelistica e apologética, quando então as outras pessoas descansavam um pouco, e estavam dispostas a ouvir ao apóstolo. Em resultado disso, Lucas foi capaz de escrever: " ... dando ensejo a que todos os habitantes da

Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos" (Atos 19: 1O). Não há certeza quem era esse Tirano. Em todas as cidades gregas havia algum salão de conferências, em ginásios, onde filósofos, oradores e poetas expunham seus pontos de vista ou apresentavam peças e recitações, Tirano talvez fosse um retórico grego que vivia em Efeso, nesse tempo, e que ali ele contasse com sua própria escola ou salão de conferências. Meyer, entretanto, pensa que Tirano era algum rabino judeu, em cuja sinagoga particular o apóstolo podia anunciar a sua mensagem cristã em maior segurança do que poderia fazê-lo na sinagoga pública. Ver H.A.W. Meyer; Handbook to the Acts ofThe Apostles, in loco O texto ocidental acrescenta as palavras certo Tirano, indicando algum indivíduo em particular. Também é possível que "a escola de Tirano", conforme diz a nossa versão portuguesa (ao passo que outras versões dizem "o salão de Tirano"), fosse um edifício que Tirano alugasse. Nesse caso, o edifício tinha o nome de seu proprietário. Também poderia ser a residência particular de algum homem que tivesse querido cooperar desse modo com os esforços do apóstolo. Mas, sem importar qual tenha sido o caso, o fato de que Paulo usou regularmente o local, pelo espaço de dois anos, sem ser molestado, e com tantos ouvintes, indica que o lugar era espaçoso e bem situado na cidade.

TIRAS O filho mais novo de Jafé, que também deu nome aos seus descendentes (Gên. 10:2 e I Crô. 1:5). Vários pontos de vista sobre a identidade desses descendentes têm sido conjecturados, mas nenhum deles tem merecido aceitação universal. Alguns escritores têm-nos identificado com os trácios (Josefo, Anti. 1:6, 1); outros com os piratas Turusa, que invadiram a Síria e o Egito no século XIII a.c. Outros têm-nos vinculado a Tarso, na Cilícia, a Társis, na península ibérica, e, finalmente, aos progenitores dos etruscos, da península itálica. Talvez a razão mais forte para esta última hipótese seja o fato de que bem ao lado da península itálica há o mar Tirreno. Além disso, os estudiosos têm averiguado forte ligação entre os etruscos e os mais antigos tursenoi, referidos pelos gregos, embora os gregos também dessem esse nome a certos povos da Asia Menor, além dos etruscos. Mas isso não obstáculo intransponível, pois todos os povos europeus vieram da Ásia, quando os descendentes de Noé, através de seus três filhos, Sem, Cão e Jafé, começaram a se espalhar pela face da terra, partindo das regiões-do monte Ararate, que hoje fica entre a União Soviética, a Turquia e o Irã. é

TIRATITAS Um das famílias de escribas, pertencentes à tribo dos queneus, que viviam em Jabez. As outras famílias são os simeatitas e os sucatitas (vide). Eles são mencionados exclusivamente em I Crô. 2:55. TIRIA No hebraico, "alicerce", "fundação". Era filho de Jealelel, da tribo de Judá (I Crô. 4: 16). Viveu por volta de 1400 a. C. TIRO 1. A Palavra No hebraico, tsur, "rocha". No grego, Túros. Esse foi um famoso porto marítimo da Fenícia, situado cerca de quarenta quilômetros ao sul do porto irmão de Sidom, e a vinte e quatro quilômetros ao norte da fronteira entre o

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TIRO Líbano e Israel. Portanto, ficava perto de uma fronteira geográfica natural. 2. Geografia Por detrás da cidade de Tiro, o espinhaço contínuo da cadeia montanhosa do Líbano já começa a baixar para tomar-se uma região de colinas confusas, e que continua para o sul até formar as terras altas da Galiléia. Só há uma interrupção nessas colinas, a saber, a planície de Esdrelom, antes de se chegar à região montanhosa de Efraim e de Judá. Aproximadamente dezenove quilômetros ao sul de Tiro, certas colinas e promontórios, que avançam na direção do mar, formam uma espécie de muralha natural. Isso assinala a fronteira moderna, no sul do Líbano, e cerca de trinta quilômetros ou pouco mais, para o sul, fica o grande porto israelense de Haifa, Tanto Tiro quanto Sidom continuam funcionando como portos marítimos; mas as ruínas de Tiro são muito mais extensas, tendo sido alvo de grandes investigações e escavações arqueológicas. 3. Fundação O historiador grego, Heródoto (cerca de 490-430 a.C.), datou a fundação de Tiro em uma data tão remota como cerca de 2740 a.c. Mas Josefo falava em uma data como 1217 a.C. Devido a grande discrepância nos dados históricos, quanto à data da fundação dessa cidade, lança em suspeita a ambos esses historiadores. Provavelmente, Heródoto está mais certo do que Josefo quanto aessa data; porém, o informe perdido, em todas essas datas, é o tempo exato da chegada dos fenícios na faixa litorânea entre os montes do Líbano e o mar. Escavações feitas em mais de um ponto de ocupação, nessa faixa litorânea, revelam uma camada do período neolítico, debaixo da massa de ruínas fenícias. E estas, por sua vez, são pesadamente recobertas por ruínas gregas, romanas, e, algumas vezes, da época dos cruzados da era medieval, um fenômeno que pode ser verificado desde Biblos até Tiro. 4. Política Fenícia Os fenícios, tal como os gregos, nunca formaram uma unidade nacional, e jamais conseguiram fundar qualquer coisa parecida com uma unidade política. À semelhança dos gregos, eles também estavam organizados em cidades-estados. E diferentes historiadores podem fixar de modo diverso o começo significante de alguma cidade, o que explica aquela discrepância acerca de datas de fundação, como é o caso de Tiro. 5. Colônia de Sidom O trecho de Isaias 23 :2,13 parece dar a entender que Tiro começou como uma colônia de Sidom. De acordo com esse profeta, Tiro era uma "oprimida filha virgem de Sidom"; e as palavras "bens sidônios", usadas por Homero, talvez dêem. a entender que Sidom era a mais antiga das duas cidades. Interessante é observar que Homero mencionou Sidom por diversas vezes, sem nunca haver mencionado Tiro. Porém, nos autores latinos, o adjetivo "sidônio" com freqüência, é vinculado a Tiro. Para exemplificar, Dido, filha de Belo, de Tiro, é chamada por Vergflio de "a Dido sidônia", E as cartas de TeU el-Amarna, que procedem a época de Josefo, contêm um apelo, feito pelo governador local de Tiro, que deve ser datado em cerca de 1430 a.Ci, onde ele solicita ajuda, pressionado como estava sendo pelos "habiri" (hebreus?) invasores. Mas, sem importar quem tenham sido esses invasores, o apelo, dirigido ao Faraó Amenhotepe IV, demonstra que o poder do Egito, havendo penetrado até tão para o norte, fraquejava nas costas da Fenícia, por estarem distantes demais do Egito. Josué entregou Tiro aos homens da tribo de Aser; porém, não parece provável que a invasão dos hebreus tenha

chegado a uma localidade tão nortista quanto era Tiro (ver Jos. 19:29; 11 Sam. 24:7). 6. No tempo de Hirão Durante os próximos três ou quatro séculos, não encontramos claros registros históricos a respeito de Tiro. A história só nos fornece informações claras a precisas no tempo de Hirão, rei de Tiro, e amigo de Davi. Hirão parece ter desfrutado de um reinado extremamente longo, pois ele foi mencionado pela primeria vez quando enviou madeira de cedro e artífices especializados a Davi (11 Sam. 5: 11). E, de acordo com I Reis 5: 1, ele fez a mesma coisa nos dias de Salomão. Tiro parece ter sido o centro do poder fenício, na época, porquanto os sidôni