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Do mesmo autor do best-seller Símbolos da Nova Era

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"Intrigas familiares, perdas repentinas e problemas profissionais ocorrem diariamente à sua volta e podem estar ligados a fenómenos espirituais'

Para andar em território inimigo é preciso estar preparado.


Do mesmo autor do best-seller Símbolos da Nova Era

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"Intrigas familiares, perdas repentinas e problemas profissionais ocorrem diariamente à sua volta e podem estar ligados a fenómenos espirituais'

Para andar em território inimigo é preciso estar preparado.


Todos os direitos cedidos em definitivo à Editora:

Capa: Igor Braga

A. D. SANTOS EDITORA Al. Júlia da Costa, 215 80410-070 - Curitiba - Paraná - Brasil + 55(41)3207-8585 www.adsantos.com.br editora@adsantos.com.br

Diagramação: Manoel Menezes Acompanhamento editorial: Priscila R. Aguiar Laranjeira Impressão e acabamento: Gráfica Exklusiva

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) SILVA, Milton Vieira da Demónios Territoriais/Milton Vieira da Silva-Curitiba: A. D. SANTOS EDITORA, 2012. 120 p. ISBN-978.85.7459-284-8 CDD220 1. Estudos Bíblicos CDD299.6 1. Religião da África Negra

2. Interpretação Bíblica 2. Religiões comparadas 3. Doutrina

2a Edição: Janeiro / 2013 - 3.000 exemplares. Proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios a não ser em citações breves, com indicação da fonte.

Edição e Distribuição:

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SANTOS E D I T O R A


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KTES DELIRA.

p ste é um livro polémico. Uns vão gostar; outros, detestar. Uns vão concordar com o que lerem, outros vão discordar radicalmente e ainda execrar o autor. É bom que hajam outros pontos de vista, pensamentos diferenciados. O fundamental é que todos concordem que há, entre céus e terra, mais mistérios do que se pode imaginar. Por isso, não há como afirmar ou negar fenómenos do mundo sobrenatural, sua influência no mundo natural e seus efeitos. O que está aqui exposto, é resultado de estudos, pesquisas, experiências próprias, observações, opiniões de especialistas e, acima de tudo, naquilo que diz a Bíblia sobre o tema. Cabe a você tirar suas próprias conclusões, mas o meu desejo é que você seja esclarecido e seja verdadeiramente livre de toda a influência demoníaca, pois foi para a liberdade que Cristo nos criou. S. V. Milton


PREFÁCIO a primeira edição do meu livro Demónios Familiares1, tenho sido abordado por grande número de pessoas que me fazem uma série de perguntas sobre vários aspectos da demonologia. A maioria deseja saber mais sobre o modo de operar das várias castas desses seres sobrenaturais, como atacam no mundo visível das formas e como podem influenciar nas vidas das pessoas. Ao me propor escrever algo sobre este grupo de representantes dos poderes das trevas, estabeleci como objetivo principal mostrar onde mais se concentram essas facções do exército satânico e como agem quando acionados pelos despachos2 nas encruzilhadas, cemitérios, matas, pedreiras, cachoeiras, rios, mares e outros locais indicados para arriar3 oferendas. A partir dos locais em que exercem influência, os demónios territoriais passam a interagir com seus semelhantes nos lares, nas escolas, nos lugares públicos e até nas igrejas, aumentando seu poder de "fogo" contra pessoas ou grupos facilmente influenciáveis, sem vida espiritual ativa, e que não professam o Senhor Jesus como único Salvador. As energias negativas que estes seres infernais expandem nos locais em que se con1 2 3

Editora A.D. Santos Ltda. Curitiba-Pr Oferenda aos espíritos depositada em lugares previamente indicados pelas entidades. Ato de colocar as oferendas, depositar. 111


centram, podem ser percebidas por pessoas mais sensíveis, geralmente mais espirituais, detentoras de um conhecimento mais avançado do mundo sobrenatural. Os espíritas, e particularmente os médiuns, por exemplo, sentem o que chamam de "fluidos" dos espíritos e até podem saber quais estão entocados no local para atacarem os incautos. Os verdadeiros cristãos, alicerçados no conhecimento e sabedoria da Palavra de Deus, também sentem esta "presença" maligna, têm poder espiritual para rejeitar quaisquer influências negativas, e podem anular eventuais "setas" atiradas contra eles numa autêntica batalha espiritual. Quando a pessoa não tem conhecimento das Escrituras, não professa uma vida cristã definida e nem acredita ser uma vítima em potencial dos ataques demoníacos, mais constantemente recebem em cheio estas más influências. Começa então a acontecer-lhe coisas estranhas, como a perda de negócios praticamente feitos, perdas inexplicáveis de bens, prejuízos financeiros, desentendimentos repentinos com a família, sócios e amigos, "enganos" inexplicáveis nas contas e previsões orçamentarias, além de uma série de fatos que deixam as pessoas boquiabertas, sem entenderem como puderam errar em coisas tão corriqueiras, o que nunca acontecera antes. Tenho consciência de que a simples leitura será insuficiente para convencê-lo de que poderá ser alvo de ataques dos demónios territoriais. É preciso uma atitude mais determinada para a pessoa se convencer de que a coisa está feia e que é necessário procurar ajuda espiritual para anular as influências negativas (e poderosas), que impedem a vítima ter um raciocínio mais lúcido, criativo e positivo em sua vida. Esta é uma das principais características da ação dos demónios territoriais. A Bíblia diz que eles atuam em blocos e

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influenciam na perda da percepção da lógica que os seres humanos têm em seus raciocínios. No caso do endemoninhado gadareno, narrado nos evangelhos (mais adiante falaremos sobre isso), observa-se como estas castas são poderosas, atacam a consciência, provocando a perda do "eu" e dando a impressão de uma loucura incurável e cruel que dura até matar a vítima de sofrimentos e terror. Isso acontece porque a maioria dos seres humanos está desprovida do amparo e proteção do remissor sangue de Jesus, não atentando para o poder que há no mundo subjetivo, oculto e totalmente fora do compreensível pelo raciocínio lógico. Basta uma passada rápida diante de um despacho arriado na porta de um cemitério para atrair a malignidade daqueles espíritos que foram invocados no local. Estas não são historinhas que a tradição popular sustenta através dos tempos, mas situações reais vividas por milhares de pessoas ao redor do mundo, cujas vidas se resumem numa tristeza profunda, pobreza, infelicidade e constantes lamentações. Pessoas que moram próximas a cemitérios, a locais onde anteriormente foram zonas do meretrício, lugares de rochedos e pedras, matas e florestas, estão sujeitas a estas influências. Não é necessário ser especialista em especulação imobiliária para saber que terrenos e casas próximas a cemitérios, valem bem menos que em outros lugares. Não pelos mortos, que não podem mais fazer bem ou mal, mas pelo miasma que fica no ar, não visto, mas sentido, rejeitado inconscientemente, levando a lembrar o fim trágico do corpo em sua última morada. Ninguém deseja ligar o seu dia a dia a uma "paisagem" constantemente lembrando o fim, a morte e tudo que se não deseja na vida terrena.


Quem não conhece a passagem da tentação de Jesus no deserto? O que o Filho de Deus teria ido fazer naquele local? A Bíblia diz claramente que ele fora para ser "tentado". Claro, havia lá um número significativo de demónios territoriais que costuma habitar os lugares áridos (Leia Mt 12.43). Era lugar propício para Satanás aparecer e desencadear o grande debate cósmico entre Jesus, o Ungido de Deus, Príncipe da Luz e da Paz, e o príncipe das trevas, senhor dos poderes destruidores do mal. O que Jesus ensina sobre "espíritos imundos" que vagam pelos lugares áridos? O que ele diz sobre "casa limpa"? Os que conhecem a Bíblia sabem que a consequência da indiferença com as questões espirituais, o desconhecimento das causas das influências malignas, é um constante ataque ao espírito e ao físico por demónios que vagam pelos campos, matas, pedreiras, cemitérios, desertos e outros "lugares áridos", mas não gostam disso, preferindo os corpos das pessoas onde se alojam para se expressarem. O texto em análise leva a duas conclusões fundamentais que devem ser atenciosamente observadas. A primeira é a de que a pessoa sem vida espiritual ativa está sujeita a um ataque de espíritos malignos das trevas, à escravidão a uma vida medíocre, sem presente nem futuro, prisioneira dos vícios, da miséria e da infelicidade constante, sem contar as doenças físicas e psicológicas, severas algozes de quem está longe de Deus e suas misericórdias, únicas armas imbatíveis contra o poder do mal no plano invisível. A segunda é a de que o cristão sincero, conhecedor do potencial que tem contra os poderes malignos pela graça do Espírito Santo, pode lutar contra as maquinações do diabo e vencer. Não pelo merecimento humano, mas pelo plano cós-

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mico de Deus através da sua eterna Justiça, consolidada pela obra de Jesus na cruz, beneficiando todos que crerem nessa Providência. Demónios territoriais, os familiares, as diversas castas que povoam o mundo invisível das trevas estão sob o domínio de Deus, que concedeu a primazia do poder a Jesus Nazareno, provada e comprovada pela sua vitória no deserto e o ressurgimento depois da morte na cruz. A instrumentação usada por Satanás na tentativa de anular o único poder capaz de vencê-lo em quaisquer terrenos é nula, foi uma tentativa vã. Os demónios continuam suas ações nefastas, mas só alcançam os incautos de espiritualidade dúbia, que rejeitam o conhecimento do "manual do fabricante", a Bíblia Sagrada. Em que território é a sua "briga" contra os demónios? Talvez você tenha um desejo sexual incontido, quem sabe, propensão ao homossexualismo, pode ser que seja viciado em bebidas alcoólicas? Muitos outros desejos extremamente prejudiciais poderão estar ameaçando a sua felicidade. Isso tem quase todas as chances de ser ataque de demónios. Você pode estar vivendo em um mundo desconhecido e perigoso, mas há esperança. Existe uma saída!

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ÍNDICE Introdução

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1. Em terreno inimigo, todo cuidado é pouco

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2. Quem são os demónios territoriais

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3. Demónios das nações e reinos

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4. Fatos do plano invisível

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5. Onde moram os piores demónios

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6. As armas da sua luta não são carnais

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7. Lembrete oportuno na guerra espiritual

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8. Como reconhecer sintomas de ataque

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9. Livre-se disso enquanto pode

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10. Não volte ao espojadouro

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11. Antes de encerrar...

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Conclusão

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Livros pesquisados e recomendados

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INTRODUÇÃO um lugar mal-assombrado numa enorme fazenda de cafeicultura no norte do estado do Paraná, nos anos 1960. Numa depressão entre dois morros, deixaram em pé um fechado bosque de árvores nativas e cortado por um caminho estreito, só possível atravessar a pé ou a cavalo. A mata media aproximadamente, um quilómetro em sua largura, mas era muito comprida, chegando à divisa da propriedade. Era voz corrente em toda a região que, à noite, no interior do bosque, ouviam-se vozes humanas, gemidos e lamentos. Os que juraram ter ouvido essas manifestações do além, acrescentaram que sentiram arrepios da nuca aos calcanhares. Outros garantiram ter ouvido sons diferentes vindos do interior da mata e pouquíssimos se arriscavam atravessar o local à noite, temendo os ataques das assombrações noturnas. Eu conheci o local, durante o dia, naturalmente. Ouvi as histórias de muitos antigos moradores do local, já muito diferente do que era antes, cada um contando a sua e uma mais horripilante do que a outra. A causa de todo aquele assombro teria sido o assassinato de uma mulher pelo marido ciumento, que a matou a facadas, desconfiado de que estaria sendo traído. O espírito dela, segundo diziam, não tinha encontrado sossego no além e vagava à noite pelo bosque pedindo justiça para a sua alma descansar em paz.


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É interessante observar-se estas histórias do folclore popular. Algumas narrativas percebem-se fantasiosas, recheadas de ingredientes muito pouco digeríveis pela mente racional, mas alguns lances dão mesmo o que pensar, embora não se devam conceber tais narrativas como verdades sem o amparo da pesquisa historicamente comprovada, o que é muito difícil em relação ao sobrenatural. Entretanto, quando se trata do oculto, não deve ser descartada nenhuma possibilidade, a mais comum é a de que o local sirva de morada às castas demoníacas, aproveitando-se da crença popular em consequência de tragédias reais, como o assassinato brutal daquela mulher, cujo marido nem tinha certeza da sua traição. Mesmo que tivesse, isso não lhe daria o direito de tirar a vida da esposa, um ato totalmente comandado por demónios obsessores. Eles não "largam" suas vítimas enquanto não as convencem de cometerem loucuras, incompreensíveis à apreciação do raciocínio lógico. Essas histórias muitas vezes são reforçadas por "exemplos" impossíveis de serem contestados. São testemunhados por pessoas sérias, que não costumam inventar estórias para "boi dormir", como popularmente se diz. Alguns afirmam que "o cavalo de fulano refugou e não passou pelo local". Apontam um "seu Zé" das quantas, que ainda mora na casa tal até hoje. O homem apontado confirma a história com entusiasmo vivo, acrescenta novos dados e ainda apresenta o cavalo vidente. Isso não é uma prova concludente, mas o bicho está lá, por via das dúvidas. Não é bom, no processo investigativo, descartar essas histórias como pura fantasia, sem nenhuma lógica. Satanás aprecia muito quando não se acreditam nele e em suas ações malignas, impostas para prejudicarem pessoas criadas à ima-


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gem e semelhança de Deus. Assim, ele poderá agir à vontade, acobertado pela incredulidade que impede a busca de proteção contra os males espirituais. Folclores existem, histórias deslavadas, espalhando um monte de bobagens, mas a realidade está tão próxima da fantasia que, às vezes, ambas se confundem a ponto de não se saber onde termina uma e começa a outra. Uma dessas fantasias que se confundem com a realidade é a crença generalizada de que os espíritos dos mortos podem encarnar-se nos corpos dos vivos e se manifestarem através da mediunidade. A Bíblia afirma categoricamente que os mortos não estão cônscios de nada e nada podem fazer de bom ou de mal (Gn2.17; 3.19; Ez 18.4). Se é assim, como explicar o transe mediúnico? A Bíblia também é enfática nesse particular: São espíritos de demónios territoriais (IJo 5.19; Ap 12.9). São estes que se manifestam em locais tidos como mal-assombrados, causando arrepios nos mais sensíveis, gemendo e emitindo sons lúgubres que os animais percebem mais facilmente -veja o caso dos demónios que Jesus permitiu a invocação numa manada de porcos (Mt 8.30-32). Somente o espírito é capaz de discernir a diferença entre fantasia e realidade com clareza, sem nenhuma confusão gerada pela dúvida como consequência do desconhecimento. Essa ideia de que espíritos de mortos ficam vagando é pura fantasia. Jesus disse claramente que são os demónios que vagam sem rumo, prontos a "encarnarem" no primeiro médium que abrir a sua mente para recebê-los. Mortos também não reencarnam como crêem os cardecistas e adeptos de diversos segmentos do espiritismo e de outras formas de ocultismo. Muito menos se "apossam" dos corpos dos vivos, são os demónios que fazem isso, quase sempre os territoriais, que imitam vozes dos falecidos, revelam "segredos" só conhecidos pela família como for-


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ma de identificação. São estes mesmos que produzem energias negativas e escravizam pessoas com doenças e crueldade. A presença demoníaca e tão real e perturbadora que Jesus considerou Satanás como "governante deste mundo" (Jo 12.31; 14.30; 16.4). Que mundo seria esse ao qual Jesus de referia? O mundo real, palpável, tangível, concreto, visível em suas formas e conteúdos, o qual está em oposição à verdade de Jesus, à Justiça de Deus e aos ensinos da tolerância que leva à paz pelo amor verdadeiro. Este é o mundo tenebroso onde o ódio suplanta o amor, com os poderosos sempre "engolindo" os menos favorecidos, causando guerras e mortes sem fim, um caos eterno. Satanás tentou Jesus oferecendo-lhe "todos os reinos deste mundo" (Mt 8.4-10). Alguém poderá oferecer a outro o que não tem? A propriedade da matéria é, por enquanto, das hostes ocultas do mal porque todo bem material é finito. Deus permite que a matéria seja manipulada pelo diabo no mundo visível, conforme se observa numa passagem conhecida do livro de Jó, capítulo primeiro. Por isso, quem está sob influência dos demónios, sente os primeiros efeitos de seus ataques nos bens, nos "valores deste mundo", conforme aconteceu comjó. Se Jesus não soubesse que Satanás realmente poderia dar-lhe todos os reinos do mundo, a oferta não constituiria uma tentação. Conclui-se que o diabo é o "deus deste sistema de coisas" (2 Co 4.4), ou seja: o mundo injusto e tenebroso em que pode movimentar-se, manifestar-se e tornar real a sua presença em lugares de sua preferência, como aconteceu no deserto nos tempos de Cristo e continua acontecendo hoje, ocasiões em que os próprios demónios, usando médiuns como instru-


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mentos, ordenam despachos e oferendas, conforme as "falanges"4 que se pretendam agradar. Por que alguns lugares, conhecidos como "imantados"5 pelos ocultistas são preferidos pelos demónios? É uma estratégia de guerra muito comum, a ocupação de territórios que ofereçam segurança, comida farta, água e facilidades para um ataque com grandes possibilidades de vitória. A Bíblia diz que Satanás não governa seu mundo sozinho, nem manipula pessoas no mundo real sem o seu exército de súditos, prontos para agirem seguindo suas ordens. O apóstolo Paulo, na conhecida passagem de Efésios 6.12, esclarece uma característica destes demónios: "Mantenham-se firmes contra as maquinações do diabo porque nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os governantes deste mundo" (Leia o texto todo). Esta é uma revelação do Espírito Santo a Paulo, fundamental na guerra espiritual que se trava no dia a dia contra os poderes das trevas. O apóstolo foi um homem privilegiado com as orientações de Deus e especialmente escolhido para repassar estes onhecimentos às futuras gerações. A Bíblia diz que cristãos autênticos não pertencem a este mundo (Jo 17.14). E, se este mundo é governado pelo diabo, cristãos de toda terra estão em território inimigo, tornando-se necessário implantar aqui o reino de Deus, até que Jesus prenda Satanás e suas hostes para sempre no lago de fogo e enxofre, vindo finalmente reinar com a sua Igreja em a nova Jerusalém celestial. O texto das páginas a seguir pretende mostrar as consequências nefastas para a vida espiritual e material de pessoas sem Deus e que resistem à verdade. Ninguém poderá vencer 4 5

Grupos de demónios comandados por um "chefe", seguindo uma hierarquia. E chamado de imã objetos que, segundo crêem os ocultistas, atraem energias positivas.


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ou desviar-se das armadilhas sutis do mal sem orientação segura do Espírito Santo através da Palavra de Deus. Para isso, é fundamental conhecer o inimigo, suas estratégias e poder de fogo, assim como também saberá que armas poderá usar nesta guerra sem tréguas, utilizando o poder disponível no mundo invisível da luz em que tudo é claro e perceptível pela revelação divina. M


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INIMIÇO, TODO CUIDADO s E Pouco

p xistem verdades que a humanidade devia conhecer e praticar a milénios, mas permanecem escondidas pela cegueira de homens e mulheres que preferem ignorar a realidade de um mundo hostil e cruel. Por exemplo, diante da pergunta "quem realmente governa o sistema mundano, sua organização social, política e económica?" A maioria das pessoas, sem dúvida, responderia que "Deus está no comando, dirigindo tudo com sabedoria e bondade". Parece uma verdade inquestionável, mas Deus realmente está no comando somente das vidas das pessoas que O amam e procuram seguir seus ensinamentos. Um número incontável


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de pessoas está sempre questionando: "se Deus está no comando, por que permite a fome, a miséria, a morte de criancinhas por inanição, as guerras cruéis e tudo que não presta neste mundo de horrores?" A resposta a esta pergunta milenar e existencialista está na narrativa bíblica do início da civilização humana. O livro de Génesis revela que Deus fez um mundo bom e tudo que há sobre a Terra era muito bom e continua sendo. A deturpação da bondade não é obra de Deus. Então, como pode Satanás governar um mundo criado perfeito por Deus, bom e abençoado? Pela lógica, seria impossível essa apropriação indébita pelo diabo, mas as escrituras fazem uma revelação estarrecedora: o mundo foi criado para o homem e tudo que nele há santificado para seu proveito, mas ele, pessoalmente, passou uma procuração ao diabo, dando-lhe direitos totais sobre a Terra e toda a criação de Deus. Entretanto, o ser humano, coroa da criação de Deus, não assumiu a responsabilidade pelo erro e, questionada sobre a sua imprudência, Eva se justificou com uma afirmação que ecoa ainda hoje e ecoará pela eternidade: "A serpente me enganou..." (Gn 3.13). É incrível como homens e mulheres não aprenderam como a história se repete todos os dias. A "serpente" continua enganando, cegando, tapeando, levando de roldão a maioria da humanidade, geração após geração. Os humanos continuam sempre fazendo as vontades da serpente, no erro, na rejeição de todo bem que Deus lhe deu. O mais interessante dessa história fantástica de desobediência e entrega é que, ao homem Adão, Deus não atribuiu culpa por "ouvir a serpente", mas por "dar ouvidos à mulher" (v. 17). O diabo, transfigurado em serpente, havia feito uma negociação, literalmente rasteira, com Eva, sabendo que a ordem de não comer do fruto fora dado a ele, Adão, antes mesmo do surgimento da mulher no cenário


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do planeta. Mais trágico ainda, criada a partir de uma costela dele. O fato é que homens continuam errando por si mesmos na guarda de segredos e execução de suas responsabilidades e, muito mais, por "darem ouvidos às mulheres", sem atentarem para aquilo que Deus falou e contínua falando. Adão e Eva se colocaram sob o comando do diabo por livre e espontânea vontade e não por falta de aviso. Não é de causar espanto que o mundo esteja sob a maldição da desobediência do Éden, e que Satanás faça suas estripulias em toda extensão terrena, usando homens e mulheres que livremente se colocam como seus "cavalos" para satisfazerem sua ordenança, espalhando a dor e o sofrimento onde inicialmente seria o paraíso, criado para a felicidade e deleite desta obra prima de Deus. Desde então, homens e mulheres estão diuturnamente à mercê dos poderes das trevas nos domínios do inimigo. No mesmo verso 17 de Génesis, Deus diz: "Maldita a terra por causa de ti; (Adão) com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão até que tornes à terra porque dela fostes tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás" (W. 18,19). Se você prestar atenção à ênfase "maldita é a terra por causa de ti", entenderá porque o sistema de governo terreno é diabólico e os governos humanos estão aí para massacrarem. Todos governam sob a égide das trevas como resultado desta terrível maldição. Entretanto, e apesar dela, Deus abriu uma porta de escape para os que entenderem isso e aceitarem essa realidade: a Providência para a restauração da criatura humana como ser, inicialmente criado bendito e bom.


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Naquele distante dia no deserto, Jesus mostra a Providência do Pai e toda extensão da Sua misericórdia. É como se Jesus estivesse dizendo à humanidade: "coragem! Vocês não estão sozinhos. A minha vitória é a de vocês porque não poderiam vencer sozinhos. Suas armas não serão as espadas e lanças, mas o meu exemplo de amor e fé". Resumindo, a "guerra" é espiritual, com poder dado por Deus através de Jesus Cristo. Isso não dispensa a eficiência do treinamento dos soldados que devem estar atentos às armadilhas do inimigo. A estratégia dele é minar o vigor espiritual das pessoas, atacar o físico e o psicológico, destruindo a vida, dom mais precioso de Deus. Neste embate no plano espiritual, "dar ouvidos à mulher", não representa um homem frouxo, manipulável, mas "ouvir conselhos de homens" em termos espirituais. Eva foi a mãe de toda humanidade (Gn 3.20) e esta (a humanidade), passa por uma das dispensações em que Deus trabalha com a Igreja na continuidade do seu plano salvífico até à nova Jerusalém no final dos tempos. Esta caminhada é possível pela graça e na força do Espírito Santo, mas a guerra contra o mal é necessária sempre, sem tréguas, para que os salvos continuem firmes com Jesus e, os que ainda não entenderam a mensagem cristã, abram os olhos para Verdade e entendam que a "casa paterna" não é deste mundo e nem lá entram a carne e o sangue contaminados. Na batalha espiritual é necessário resistir ao engano de Satanás, não dar ouvidos aos homens enganadores, pregadores de falsas religiões, mentirosos, soberbos e sem amor a si e aos outros. Esta é a pior das armadilhas de Satã aos que não crescem spiritualmente, ela captura milhões e leva para o abismo sem piedade. O que entristece ainda mais os que amam a Justiça, é que a Bíblia diz que as pessoas conhecem o bem e o mal

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(Gn 3.22), mas continuam praticando o que não convém, num desafio e afronta direta ao Criador.

1.1. "N A TOCA DO J^m Israel e toda região havia uma pequena serpente conhecida como áspide, muito venenosa e traiçoeira. Diz a lenda que a rainha do Egito, Cleópatra, se fez picar por uma delas, cometendo suicídio. Elas viviam em tocas comumente existentes em barrancos. Ali, capturavam e matavam pequenos roedores, insetos e pássaros que se aventuravam entrar na toca (Is 11.8). As crianças aprendiam desde cedo a não enfiarem a mão nas tocas para não se arriscarem a uma picada quase sempre fatal. A pior ameaça desses animais era a capacidade de se tornarem quase invisíveis aos olhos humanos, ficando difícil enxergá-los antes do ataque, o que os tornava ainda mais perigosos e temidos, ainda mais ante a grande possibilidade de encontros inesperados, quase sempre desvantajosos para os seres humanos. O terreno preferido para as serpentes eram os desertos, sob pedras e em restos de árvores secas (Pv 30.19). No livro de Jeremias (8.17), os inimigos de Israel são comparados às serpentes e o próprio Satanás é chamado de serpente em Apocalipse (12.9 e 20.2). Os jornaleiros experientes jamais facilitavam em terrenos suspeitos e muito menos se arriscavam diante de uma toca qualquer, temendo desagradáveis surpresas que poderiam esconder-se em seu interior. Na luta espiritual, a mesma prudência é fundamental. Poderá evitar um confronto desnecessário, com grandes chances de ser desastroso para quem se arriscar por si mesmo, acreditando em seus próprios poderes.

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É necessário à humanidade (e aos cristãos em particular), desenvolver a consciência de que seu verdadeiro inimigo é o diabo. Ele pode fazer o possível e o impossível para destruir homens e mulheres, levando suas almas para o inferno. Lamentavelmente, existem pessoas que não acreditam na existência do inferno, mas existe uma grande possibilidade de serem estes os primeiros a chegarem lá. Este é o destino do mundo maldito, condenado por Deus. Ele sim tem como única preocupação salvar pessoas para um tempo novo levando-as para um lugar novo, transformando-as em novas criaturas enquadradas no plano de salvação em Jesus. Por estar em território inimigo, cristãos se deparam a todo o momento com a áspide ameaçadora, pronta para o bote e inocular seu veneno mortal. Por isso, todo cuidado é pouco, exigindo máxima atenção aos menores sinais da ação inimiga, muita oração e jejum, leitura da Palavra, vigor espiritual e muito esforço para não dar brechas às hostes invernais do mundo invisível, entocadas em lugares onde campeia o pecado, observando tudo com olhares malignos, prontos para assaltarem na primeira oportunidade. Isso é fácil compreender quando lemos o que escreveu o apóstolo João em sua primeira carta, capítulo 5, verso 19: "Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo jaz no maligno". A Bíblia ensina que Satanás nada tem de bom para oferecer às pessoas e, se o mundo inteiro compactua com o maligno, salve raras exceções, entende-se que suas organizações não estão estruturadas no plano de Deus, e que todo sistema é hostil aos que crêem e desejam seguir os ensinamentos do Mestre. Este mesmo apóstolo (João) escreveu na mesma carta, capítulo 2, verso 15: "Não ameis o mundo e nem o que no

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mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele". É preciso entender que "mundo" a que se refere o apóstolo, não é o planeta Terra, mas o sistema de governo, o sistema social injusto implantado pelo homem, as concupiscências da carne que existem, a cobrança para a prática do mal, o sistema económico cruel que favorece uns poucos em detrimento de muitos e onde a medida do ter nunca enche. Este é o mundo mal, governado do invisível por Satanás e seus exércitos de demónios. Ele (este mundo) está morto para Deus, estava para o apóstolo Paulo, e deve estar também para todas as pessoas sensatas. Neste sistema, a guerra maior do cristão se trava na defesa da sã doutrina, livrando-a dos equívocos e engodos satânicos, fazendo sobressair suas convicções, a sua fé e o poder de Deus contra as injustiças de um sistema falho e falido, incapaz de estabelecer a verdadeira paz, trazendo a felicidade tão desejada por homens e mulheres através da história. Caso sejamos capazes de discernir esta realidade, certamente seremos bons soldados, não em defesa da Ecologia, causadora de tanta preocupação terrena, mas de algo muito mais abrangente e profunda: a salvação das almas, a derrota dos planos malignos de Satanás e o estabelecimento do reino que se concretizará com a entronização de Jesus como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Desembainhe sua espada espiritual, sua guerra é no âmbito do sobrenatural.

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1.2. rNVADrNDO AS FORTALEZAS INIMIQAS. Demónios territoriais são mais agressivos e determinados nos grandes centros urbanos onde se concentra maior número de pessoas. Consequentemente aumenta a promiscuidade e tantas outras práticas pecaminosas em virtude da quantidade de casas noturnas, bordéis, boates gays, bares, inferninhos, prostituição de rua, vícios, violência de todo tipo, blasfémia, feitiçaria, idolatria e rituais demoníacos, prática de diversas organizações ocultistas que lidam com a magia de um modo geral. Não é difícil perceber-se que os ataques das hordas demoníacas são mais terríveis nos maiores centros urbanos, basta ouvir os noticiários que diariamente informam crimes bárbaros (muitos em consequência de rituais de magia negra). Um caso desses chocou o país com a morte, desfiguração e esfolamento de uma senhora com aproximadamente 50 anos de idade, num local costumeiramente usado para esse fim numa cidadezinha do interior de São Paulo. Uma história macabra, estarrecedora e que foge ao entendimento do grande público leigo, desconhecedor do que esta casta de demónios é capaz de fazer, induzindo seus súditos a satisfazer-lhes a insaciável sede de sangue e terror. Um dos ataques mais comuns, muito noticiado e, ainda assim, divulgando apenas uma minúscula parte do que realmente acontece, é a prática da pedofilia. Demónios territoriais se unem às castas familiares e, nas matas, encruzilhadas, pedre-

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iras, cemitérios, terrenos baldios, lixões a céu aberto e outros locais propícios, praticam o mal que se ouve quase diariamente. Em lugares fétidos, ermos, escuros e lúgubres, onde ninguém se atreve ir, acontecem os estupros, crimes de todo tipo, consumo de drogas, práticas imorais e condenáveis pelas leis de Deus e da sociedade. Esses locais ficam carregados com a presença diabólica, o ar fica pesado e pessoas mais sensíveis sentem necessidade de saírem logo dali em consequência da repulsa causada pela sensação dessa "presença" maligna. Trata-se de algo que repugna, traz mal-estar que se percebe não ser de origem física, mas espiritual, sobrenatural e incrivelmente perturbador. Isso acontece também nos espaços ao redor de boates, clubes noturnos, zonas do meretrício ou onde funcionaram casas de prostituição e até nas ruas onde prostitutas fazem o seu "trottoir" noturno em busca de sexo, dinheiro e prazer. Frequentemente, pessoas desavisadas que passam por esses locais são vitimadas por influência maligna. Sentem-se mal, perdem a disposição para o que iam fazer, experimentam um desânimo momentâneo, tontura, uma leve dor de cabeça. Alguns são despertados em seus desejos sexuais (mesmo que não estivessem pensando nisso), resolvem fazer um "programa", atendendo aos apelos de uma força inconsciente que impele à prática de atos ilícitos e pecados de toda natureza. Nas pessoas com vida espiritual efetiva, consagrada à santidade e um proceder puro e correto, esses ambientes e cenas de sensualismo e volúpia, causam asco e rejeição imediata porque há um choque interior entre os poderes da luz e os das trevas. Infelizmente, a realidade com a qual se depara neste mundo tenebroso é esta, a ausência total de Deus nas vidas das pessoas e um número incontável delas entregues à prática das von-

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tades satânicas da carne, como escreveu Paulo em sua carta aos Romanos (1.21-31). Leia todo o texto e observe que, na civilização romana, ainda na antiguidade, já os demónios se manifestavam nos centros de maior concentração popular e na elite de uma sociedade corrupta, pagã, imoral e libertina. Esse caráter devasso dos romanos e da sociedade em geral até nossos dias havia preocupado o apóstolo porque ele era o evangelizador dos gentios, responsável por levar Jesus aos corações daqueles cidadãos, embrutecidos pela pecaminosidade reinante, inclusive com dois agravantes terríveis, verdadeiras afrontas à santidade de Deus: idolatria e homossexualismo (W. 23-27). Roma era o centro do mundo, mas também morada de demónios de onde emanavam todos os malefícios para uma região assolada pela violência, intolerância, preconceito e ódio incontido, onde a vida das pessoas valia muito pouco. Paulo invadiu as fortalezas inimigas, não só em Roma, mas também em outros diversos grandes centros, locais de moradas do terrível exército satânico. Este escolhido de Deus provocou inúmeras baixas entre as fileiras inimigas, mas sofreu na carne as consequências dos desafios constantes as esse poder humanamente invencível do mundo sobrenatural. Ele, Paulo, que fora separado diretamente por Deus para a missão de desbravar o mundo dos gentios e semear o amor de Cristo, não conseguiu livrar-se das maquinações diabólicas, sendo castigado com tentações, açoites, apedrejamento e prisões. Invadir as fortalezas do diabo requer coragem, fé inabalável, disciplina e comunhão total com o Pai na busca incessante de poder espiritual. O grande desafio hoje continua sendo o grande poder de fogo do diabo e seus anjos. Eles sabem aproveitar muito bem a

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boa vontade daqueles que o servem e sentem prazer no pecado. Induzidos ao ódio, à vingança e cegos à prática da Justiça de Deus, homens e mulheres se voltam contra todo o sagrado, perseguem os emissários da Palavra e tentam sabotar a mensagem genuína do evangelho. Conheci grupos que faziam trabalhos evangelísticos alternativos junto a drogados, prostitutas, homossexuais e outras minorias. Quase todos esses grupos se desfizeram com pouco tempo de atuação, apesar de terem obtido bons resultados. Invadir as fortalezas do diabo requer mesmo muito poder espiritual, consagração e santidade. Conheci um pastor que confessou em público ter sido vítima de um demónio do homossexualismo por seu trabalho nesta área. Para livrar-se do poder maligno, teve que valer-se da intercessão de uma junta de obreiros da sua igreja durante uma semana inteira de jejum, orações e devocionais para vencer o inimigo. Uma moça, que trabalhava com um grupo nas madrugadas evangelizando prostitutas nas ruas, veio aconselhar-se comigo e pedir oração para anular uma forte atração por um homem casado. Li vários textos bíblicos sobre libertação, orei e a aconselhei a jejuar. Depois de alguns dias, confessou-se aliviada daquela opressão e percebeu que tudo não passava de uma obsessão causada por demónios. Nos locais de maior influência dos demónios territoriais, eles são mais dominadores, poderosos e agressivos. Conheci um pai-de-santo que se converteu a Jesus. Em seu testemunho, ele dizia que, para facilitar-lhe a entrada em cemitérios, madrugadas a dentro, os cadeados dos portões abriam-se sobrenaturalmente pelo poder das trevas. Lá dentro, faziam barbaridades em rituais de magia negra, cultos satânicos e bacanais regadas a álcool e sexo sem limites.

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Em suas próprias fortalezas, territórios onde se entrincheiram para atacar todos que se descuidam da vida espiritual, esses demónios resistem nas batalhas até onde podem. Contra atacam os invasores da luz com grande ímpeto, causando até males físicos instantâneos, como dores nas juntas, estômago, cabeça e tonturas. Muitos são os que saem mancando depois de uma luta em oração ou expulsão de demónios. Às vezes, aparecem dores inexplicáveis na hora ou no dia seguinte, moleza física resultante da falta de energia, o que exige oração de anulação do poder das trevas porque, Super-Homem e Mulher Maravilha, só no cinema e histórias em quadrinhos. Se você é um crente recrutado para o ministério de libertação, é bom saber que é um alvo em potencial das forças ocultas do mal. Constantemente está sob vigilância nos locais de preferência dos demónios. Poderá sentir os efeitos de suas setas inflamadas depois de uma volta pelos campos, banhos de cachoeiras ou na volta de um sepultamento. Quem está neste ministério não pode descuidar-se da oração e do fortalecimento espiritual através da meditação e leitura bíblica, além de receber constante intercessão da sua equipe ou da igreja. O poder desses espíritos malignos se potencializa tanto em suas próprias casas que, nos despachos de encruzilhadas, cemitérios, pedreiras, cavernas e outros, os conteúdos das garrafas de oferendas secam sem que sejam abertas e o cheiro da bebida desaparece do interior das vasilhas. Galinhas assadas e carnes de porcos endurecem como pedras ao serem sugadas por legiões de demónios que se contam aos milhares. Pessoas que passam nesses locais sentem logo algo esquisito, uma coisa desagradável, indefinida, que persiste o dia todo, trazendo indisposição no trabalho, levando-as a cometerem erros inexplicáveis em tarefas simples e corriqueiras.

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Se você é novato no ministério de libertação, ainda não tem experiência mais profunda em lidar com o poder satânico, não negligencie sua vida espiritual, não menospreze o poder invisível das trevas, não seja afoito(a) demais, acreditando-se imbatível por si mesmo(a). Demónios podem minar a resistência física dos humanos, criar desânimo repentino e persistente que afasta dos cultos e, aos poucos, escasseiam-se as orações, a leitura bíblica e o devocionais até que abandonam de ve2 o ministério e a vida espiritual. Seja humilde, o âmbito do espírito é muito misterioso e incompreensível mesmo para os veteranos nos trabalhos de libertação e intercessão. Estude e leia bastante, submeta-se às orientações dos mais experientes, receba orações e ore você mesmo(a) para proteger-se contra os eflúvios do mal. M

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QUEM SÃO osDEMCJNIOS >; TERRITORIAIS X^--—C .S*^- -~**

s demónios territoriais foram muito cultuados nas civilizações pagãs antigas. Sacerdotes, servidores dos templos e religiosos respeitavam-nos muito. Sabiam que a presença do sobrenatural era mais intensa em alguns locais como ruínas, beira de rios, praias, montanhas e bosques. Por isso, concentravam cultos com oferendas e sacrifícios nesses locais onde erguiam altares e os declaravam como territórios sagrados. No Antigo Testamento há vários exemplos dessa servidão aos deuses, principalmente nos livros de Juizes, Reis e Crónicas, onde se narram as histórias de Judá e Israel, antes e depois da divisão das doze tribos em dois reinos distintos. A propósito disso, fica claro ao estudante que esta separação foi motivada pelos demónios da inveja e da discórdia. Eles se encarapitaram 21


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nas costas de Jeroboão, que se tornou rei de Israel e de Roboão, que foi rei de Judá e filho de Salomão. Um dos exemplos mais notáveis da presença dessa casta maligna no Velho Testamento está na atuação do rei Josias, em Judá, onde começou a reinar aos oito anos de idade (2Re 22.1). Ele foi um bom governante, fiel a Deus e abominou o paganismo idólatra muito praticado antes dele, mandando eliminar sacerdotes e adoradores de deuses estranhos. Observe o que fez Josias em relação aos demónios que se alojavam nos bosques próximos a Jerusalém: "Semelhantemente, quebrou as estátuas, cortou os bosques e encheu o seu lugar com ossos de homens" (2Re 22.14). Este rei não permitiu a prostituição religiosa em todo o seu reino. Ele sabia que todo altar e estatuária em homenagem aos deuses eram, na verdade, dirigidos aos demónios e por eles incentivados. Assim, também estendeu suas ordens à cidade de Betei, onde havia um altar pagão no alto de um morro em meio a um bosque. Mandou derrubar o altar e cortar as árvores, conforme está escrito: "E também o altar que estava em Betei e o alto que fez Jeroboão, filho de Nabate, que tinha feito pecar a Israel, juntamente com aquele altar, também o alto derribou; queimando o alto, em pó o desfez e queimou o ídolo do bosque" (22.15) Repare no detalhe do texto: queimou o ídolo. Ele representava o demónio chefe que era cultuado e adorado como um deus daquela localidade. Interessante um estudo desse trecho do capitulo 22 até o versículo 20, falando do repúdio do rei Josias ao ocultismo pagão e de como agiu de maneira radical. Cavou sepulturas de pessoas que ali haviam sido enterradas (costume da época), e queimou os ossos. Até as casas que havia em torno do local mandou derrubar, fazendo uma limpeza 22


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geral, inclusive na cidade de Samaria, onde também se cultuavam os demónios dos morros, provocando a ira do Senhor. O texto diz que o rei sacrificou todos os sacerdotes pagãos dos altos e queimou os ossos dos homens que adoravam naquele local, voltando depois ao seu governo em Jerusalém. Não poderia (e não pode ainda hoje) haver tolerância aos demónios. O poder das trevas corrompe o ser humano, destrói a sociedade e acaba com uma nação. Atente para o fato de o rei Josias destruir as sepulturas e queimar os ossos dos esqueletos que jaziam nelas. É uma ideia um tanto lúgubre, mas necessário, porque nos lugares altos, além do culto aos demónios também se instalavam cemitérios nos locais, construíam casas e formavam uma comunidade religiosa que tendia a aumentar com o tempo, intensificando a idolatria. Era impossível desalojar aqueles demónios sem destruir toda a estrutura, queimar a fogo os mortos e matar os vivos, apossar-se do território para purificá-lo e rededicá-lo ao Deus verdadeiro. Estas e outras histórias do velho testamento devem ser lidas por quem desejar conhecer mais sobre o mundo oculto das trevas e como lidar com suas hostes infernais, sem contemplação e de maneira decisiva.

2.1. ÍDOLOS DE CEMITÉRJOS HOSPEDAM DEMCTNIOS. rei Josias queimou o ídolo do bosque onde estava o cemitério. Desde os tempos antiguíssimos, o costume de se fazerem ídolos e colocarem sobre túmulos com intuito de proteger os

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mortos são práticas pagãs, absorvidas pelo cristianismo primitivo e que o catolicismo romano substituiu por imagens de santos, imagens de homens e mulheres piedosos da história cristã. O fato de não representarem deuses e nem serem alvo de adoração, não muda o fato de serem imagens, feitas por mãos de homens e serem a representação de pessoas mortas. Por isso, se tornam hospedeiras de demónios. Toda adoração, devoção, reverência e sagração de mortos, sem vida e, consequentemente sem poder, é terrível abominação ao Senhor, porque Ele é o Deus da vida que ressuscitou Jesus para interceder pelos vivos. Embora homens e mulheres possam ter sido mártires e se entregado pela causa de Cristo, isso não os diviniza e nem os tornam poderosos intercessores pelos vivos, suas canonizações são obras de homens, não encontram respaldo bíblico e é puro espiritismo, colocando esperança na crença de receber a proteção, ajuda e amparo dos mortos desde o além. Os corpos sepultados nada significam mais porque a vida estava no espírito. O destino deste, depois de desencarnado, só Deus sabe. As pessoas da atualidade continuam colocando estátuas nos túmulos por pura tradição, não conhecem as origens desse costume e não param para raciocinarem. Colocam a imagem de um homem crucificado sobre a lápide fria sem refletir que Jesus, há mais de dois mil anos, não está mais na cruz, ressuscitou e a gora é nosso advogado junto ao Pai nos céus, nosso único e suficiente intercessor, não aquela imagem rude, feições crispadas de dor, derrotado, ainda pregado no madeiro pelos pecados dos homens. Cristos de cemitérios em bronze, gesso, madeira ou barro são apenas peças ornamentais, mas totalmente inadequada por ser um ídolo sem nenhum valor espiritual.

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2.2. JESUS EXPULSA DEMCWIOSTSÍO CEMITEKJO. (j-adara era uma cidade distante cerca de 10 quilómetros do mar da Galileia. No tempo de Jesus, era a principal cidade da região conhecida como Decápolis, onde ficava também a pequena Gerasa. Os moradores de Gadara eram conhecidos como gadarenos, mas por causa da proximidade com Gerasa foram chamados também de gesarenos nos evangelhos de Marcos e Lucas. Aquele local, pouco depois das margens do grande lago, foi palco de uma das mais extraordinárias passagens do Novo Testamento, narrada nos três evangelhos sinóticos: a expulsão de uma legião de demónios territoriais dos cemitérios que havia aprisionado um homem e o escravizaram. Torturando-o dia e noite. Para fins de estudos, recomendamos as leituras das três narrativas, considerando que Marcos é o mais abrangente e oferece mais detalhes. Jesus expulsou daquele homem cerca de dois mil demónios e permitiu que encarnassem numa manada de porcos, fato que até hoje impressiona cristãos e estudiosos da Bíblia. Os textos oferecem detalhes esclarecedores da geografia do local, situando o fato nos limites da cidade de Gadara, próximo ao lago de Genesaré, ou mar da Galileia, numa elevação onde ficava um cemitério. Morada de demónios, o local estava recebendo Jesus que acabava de chegar num barco procedente da Samaria, depois de ter apaziguado uma tempestade que os surpreendera no meio das águas.

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Chegando à margem, já na província dos gadarenos (o texto diz que muitos outros pequenos barcos o seguiam), Jesus nem bem acabou de desembarcar e já lhe saiu ao encontro um homem nu, vindo dos sepulcros e aparentemente fora das suas perfeitas faculdades mentais. Mas o texto é extremamente objetivo e claro: aquele homem estava possuído por um espírito imundo, tão possesso que nem correntes o poderiam prender, às quais fazia em pedaços. O homem parecia mesmo louco. Marcos escreve que não existia pessoa capaz de amansá-lo, tal a sua fúria permanente, dia e noite, ferindo-se com pedras e vagando pelos montes e sepulcros. Diante de Jesus, Senhor e Salvador de todos que o desejarem, tudo foi diferente. Os demónios (eram muitos) reconheceram o Filho de Deus e já chegaram com respeito, toda aquela fúria havia desaparecido como por encanto. Jesus mandou que saíssem do homem, mas repare que eles não desejavam abandonar sua morada, sair daquela província onde dominavam o espaço invisível aos milhares (dois mil no endemoninhado). Apontaram logo uma alternativa: invocarem numa manada de porcos que pastava próximo dali, um destino adequado aos espíritos imundos. Jesus atendeu ao pedido daquelas entidades das trevas. Os porcos imediatamente enlouqueceram e saíram em disparada, sem freio e nem direção, precipitaram-se todos do alto do morro para as águas do lago, morrendo afogados. O acontecimento inusitado alvoroçou toda a província. Havia espanto, admiração e receio entre o povo que não compreendia o que havia acontecido. Fato marcante depois deste encontro sem precedentes, era a presença do ex-endemoninhado, vestido, cheio de vida, saudável e tranquilo, ouvindo Jesus e testemunhando o milagre a quantos se dispusessem ouvi-lo.


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O evangelista Lucas afirma que Jesus havia expulsado os demónios porque sentiu pena do homem, ao qual espíritos imundos escravizavam há muito tempo. No verso 29 do capítulo 8, ele afirma: "Porque tinha ordenado ao espírito imundo que saísse daquele homem; pois já havia tempo que o arrebatava. E guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas, quebrando as prisões, era impelido pelos demónios para os desertos".

2.3. LIÇÕES DE UM EKCCTNTRP INUSITADO. y\lguém disse que a Bíblia é o "manual do fabricante". Não poderia haver definição mais exata. Ela é realmente um livro de ensino por excelência com lições práticas, indispensáveis para a vida e que mostra a homens e mulheres o caminho correto em que devem andar. Neste encontro entre Jesus e um homem possesso de demónios, aprendemos diversas lições para vida cotidiana, basta observar diversas circunstâncias do acontecimento, como Jesus conduziu o entrevero com sabedoria, objetividade, tranquilidade e compaixão. Abaixo, dez lições que devem ser aprendidas e praticadas nas vidas de todos os cristãos: l. Muitos males físicos e psicológicos não são de origem física. Satanás e seus demónios podem lançar seus dados inflamados contra pessoas, apossarem-se delas e fazê-las enfermar, sentindo no corpo o efeito de males que comumente são confundidos com diversas doenças, mas médicos

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não descobrem exatamente o que é e não conseguem cura através de remédios e dos conhecimentos da ciência. 2. Todas as pessoas sem vida espiritual definida estão sujeitas aos ataques de demónios, obsessão e até posse corpórea. Muitos podem, realmente, terem a vida em sociedade comprometida, tornando-se incapazes no trabalho e na convivência familiar. Os possessos podem se tornar verdadeiros farrapos humanos, zumbis sem consciência da realidade que os cerca, abandonados à própria sorte. Os demónios se apossam ou perturbam, não necessariamente, pessoas más, embrutecidas, sem religião, que fatalmente poderiam ser vítimas em potencial, mas o poder das trevas não escolhe, ele ataca a todos indistintamente, exigindo que cada um se cuide com suas devoções e fé inabaláveis em Deus e em Jesus cristo. 3. Única autoridade que os demónios temem nos planos visível e invisível é a do Senhor Jesus (Lc 8.28). Toda entidade maligna reconhece que Jesus é o Filho de Deus, prostra-se diante dele, mas não O aceita como Senhor e Salvador, rejeitando seu senhorio sem submeter-se ao poder da luz. "Que tenho eu contigo Jesus, Filho do Altíssimo?" Foram as primeiras palavras que disseram ao avistarem Jesus descendo do barco em Gadara, deixando patente sua condição de inimigos, rebeldes, irreconciliáveis e sem capacidade de conviver com o luz que, para eles, é um tormento. 4. Durante o processo de expulsão, Jesus foi extremamente objetivo. Ele não gastou tempo dialogando com os demónios, não ponderou sobre o fato de rejeitarem-no logo de início, não argumentou com eles porque queriam invocar-se nos porcos e nem porque desejavam permanecer na província dos gadarenos. Eles sabiam que não tinham alter-


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nativa se não deixarem o corpo do homem, pediram e Jesus permitiu. Os porcos morreram e eles tiveram que sair do mesmo jeito, voltando a vagarem pela região até acharem outra vítima. 5. Jesus sabia que aquele homem não estava possesso de apenas um demónio, mas perguntou-lhes o nome para que a multidão soubesse da cruel realidade da situação. Isso não quer dizer que o exorcista deva perguntar o nome de todos os demónios que expulsa. Esta não é uma regra que Jesus usava, um método aplicado, mas uma ação ocasional para que os presentes e as gerações futuras aprendessem um pouco mais sobre o mundo oculto e a ferocidade das entidades malignas que povoam o sobrenatural. 6. No verso 31, Lucas escreve que os demónios "rogavam-lhe que Jesus não os mandasse para o abismo". Abismo no grego significa lugar de trevas, frio e escuro (Jd 1.6), habitat natural das entidades do mal. Apesar disso, eles não desejam morar nas extensões abismais, querem e necessitam estar no espaço do mundo real, perto das pessoas porque precisam de corpos para se expressar e trabalharem em suas maquinações contra a criação divina. Demónios vêm, originalmente, dos planos siderais para onde voltarão no final dos tempos, conforme anuncia o livro do Apocalipse (20.10-14), local denominado biblicamente como lago de fogo e enxofre. 7. Toda ação de Jesus em sua caminhada terrestre visava apontar o reino dos céus e revelar a si mesmo como Filho de Deus, o Salvador pessoal e remissor dos pecados dos homens. O episódio do exorcismo repercutiu como uma bomba naquela região densamente povoada. O ex-endemoninhado se tornou testemunha incontestável do fato e Jesus

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ordenou que ele ficasse ali mesmo, divulgando a nova realidade de um tempo novo às pessoas que certamente acorreriam ao local para ouvi-lo. Toda graça recebida pelos cristãos em todo o tempo, deveria servir para engrandecer o nome de Jesus e proclamar seu senhorio sobre céus e terra. 8. Muitas vezes é mais gratificante estar acompanhado de Jesus, ficar a seus pés adorando-O, mas Ele quer que os cristãos sejam testemunhas fiéis onde estiverem ou onde Ele mandar. Muitas vezes, os que recebem a graça se acomodam e se tornam meramente contemplativos, usufruindo da presença de Jesus, mas se negando ao engajamento verdadeiro na obra para tornarem-se produtivos ceifeiros na seara do Mestre. 9. Os primeiros a receberem o testemunho cristão deverão ser os da própria casa (v. 39). Jesus sabe que é mais difícil levar à conversão os parentes e os mais chegados, exigindo, na maioria das vezes, verem com os próprios olhos a ação do poder de Deus nas vidas das pessoas queridas. Isso é natural porque parentes e amigos conhecem o proceder de quem está anunciando o evangelho, o seu testemunho e se é, verdadeiramente, ele próprio digno de crédito. 10. O melhor testemunho sobre Jesus é mesmo mostrar quem ele é e o que faz pelas pessoas ainda em nossos dias. Ele continua salvando almas sedentas, curando, batizando com o Espírito Santo, repreendendo e expulsando demónios e fazendo os mesmos milagres que fazia nos tempos antigos. Ele ressuscitou dos mortos e deu autoridade sobre o mundo invisível a todos que crerem no poder do seu nome. Esta é a principal lição de um encontro inusitado na história humana: o embate frente a frente entre o Filho de Deus e uma legião de demónios.

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2.4. OUTRO ATAQUE DOS DEMCTNIOS TERRITORIAIS. Galileia nos tempos de Cristo era um território infestado de demónios e Jesus teve muito trabalho libertando diversas pessoas, vítimas de possessão. A Palestina toda vivia um tempo de opressão sob o domínio romano em meio a ódios intestinos, rancores de morte, traições, desconfiança, idolatria e uma selvageria sem igual, atraindo para o lugar todo tipo de maldade do plano oculto. Lucas (13.10-13), narra a história de uma mulher que tinha um demónio alojado em sua coluna. Por isso, andava encurvada há mais de dezoito anos. É uma passagem conhecida pelos leitores do Novo Testamento, mas alguns detalhes sempre passam despercebidos, impedindo maior compreensão do texto. Um exemplo que passa despercebido é que aquela cura através da expulsão do demónio da enfermidade fora desejada por Jesus porque ele sabia tratar-se de um espírito maligno. O texto mesmo informa as circunstâncias em que ocorreu o fato: Jesus ensinava na sinagoga no sábado, dia em que era proibido curar, considerado um trabalho como qualquer outro. Mulheres não podiam frequentar a sinagoga, mas Jesus acaba vendo-a e a chama, declarando-lhe a cura. Na época, homens judeus não falavam com mulheres nas ruas, principalmente uma aleijada, desprezada pela sociedade como se esquecida de Deus. O Mestre rompe o preconceito porque este é também uma arte do diabo, através do qual instila o veneno do ódio e eternos rancores.

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O preconceito torna-se evidente quando o chefe da sinagoga, indignado pelo ato de Jesus, repreende a multidão. Ele era um religioso convencional, cego espiritualmente, incapaz de ter percebido que houvera no plano invisível uma terrível batalha entre as forças do bem e do mal, dando lugar à hipocrisia da tradição do judaísmo, sem nenhum valor prático. Jesus estava enxergando o mundo sobrenatural, sabia que estava num local infestado de entidades incorpóreas, ameaçadoras e prontas para matar, roubar e destruir. Ele precisava mostrar a sua autoridade ao povo e aos demónios, mandou a tradição religiosa às favas e declarou a mulher livre da enfermidade (demónio) e ainda passou um sabão no principal da sinagoga por sua manifestação hipócrita, totalmente preconceituosa, zelo desnecessário pela tradição, coisas muito vistas e apreciadas em algumas igrejas de hoje. O texto não diz o motivo (ou os motivos) para o demónio ter-se alojado naquela mulher. Ela era uma religiosa (filha de Abraão, praticante do Judaísmo). Assim mesmo, sofria nas garras de uma entidade espiritual maligna há quase duas décadas. Deduz-se pelas evidências dos textos, que em alguns lugares e regiões inteiras, os ataques de demónios são mais constantes e mais severos. São espaços onde habitam em maior número e intensificam as ações com mais rigor, oprimindo pessoas. Isso normalmente acontece em locais em que se observam ódios mais acirrados, idolatria, contendas, pecados de toda natureza, falta de vida religiosa consciente, efetiva e afetiva, isenta de compromisso. Estas situações são potentes atrativos para os demónios ocuparem um território e se apossarem dele, permanecendo ali tempo indefinido, perturbando o ambiente e escravizando homens e mulheres sem Deus e sem amor.

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No verso 16 do texto, Jesus faz uma revelação que resume todos os fatos que facilitavam a presença do demónio há tanto tempo no corpo daquela mulher. Orgulho, soberba, auto-suficiência, confiança em si mesmo em questões espirituais, indiferença com o sofrimento humano, valorização dos animais mais do que pessoas, verdadeiras portas abertas para entrada e domínio satânico. Jesus esclarece: "E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa?" As palavras chave desta frase são: prisão, sábado, filha de Abraão, Satanás e dezoito anos. Era uma prisão espiritual à qual muitos hoje estão submetidos, sem alento e sem esperança. Sábado era (e contínua sendo para algumas facções cristãs), a menina dos olhos da religiosidade hipócrita praticada pelos judeus. A guarda do sábado estava acima do amor e da misericórdia, deixando-se o exercício da caridade e atendimento às pessoas em segundo plano, muito aquém das convicções religiosas. Jesus desafia esse ranço de preconceito e coloca o ser humano acima de tudo. Filha de Abraão era sinónimo de judia, nascida e criada na religião judaica, mas desconsiderada como participante da mesma fé, necessitada de apoio, compreensão e amor fraterno. Satanás contracena com Jesus nesse episódio de drama espiritual arquitetado no plano invisível, mas real, de consequências funestas, só compreendido pelos que têm lucidez de espírito. Dezoito anos é um espaço de tempo que delimita a prisão, a pena, a condenação imposta pelo diabo só pelo prazer mórbido de ver pessoas sofrerem. Um tempo de ação permitida por Deus para mostrar Sua glória através de Jesus. Dezoito anos é uma eternidade para quem sofre, mas os fariseus não estavam preocupados com isso, a guarda do sábado, uma obri-

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gação há muito ultrapassada pela apostasia, era considerada mais importante do que a libertação de um ser humano. M

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DEMÔKIOS DAS CAÇÕES E REINOS

os tempos antgos as nações, mesmo as menos expressvas, tinham seus deuses e deusas como padroeiros a quem confiavam a guarda e proteção contra os inimigos. Colocavam ídolos simbolizando seus protetores nos pórticos de entrada das cidades, nos montes e nos templos, prostravam-se diante deles, prestavam-lhes culto e os adoravam, numa infindável mística politeísta, pagã e sem resultados para uma espiritualidade autêntica. Entretanto, as nações continuavam sendo invadidas e destruídas, debalde a devoção de seus moradores, que eram mortos sem piedade ou feitos escravos, situação que não lhes dava a mínima esperança de um dia voltarem e reconstruírem suas vidas. Entre as nações que floresceram no Antigo Testa35


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mento, era comum cada uma cultuar se próprio deus, mas os profetas de Israel, mais tarde também os de Judá, sinceros homens de Deus, não se cansavam de denunciar tal prática como condenável aos olhos de Jeová. Em primeira Crónicas 16.26, por exemplo, há um alerta sobre deuses das nações "Porque todos os deuses das nações são ídolos, mas o Senhor fez os céus e a terra". Significa que os ídolos (deuses) não fizeram nada e nem poderão fazer. Esta mesma denúncia se repete em Salmos 96.5: "Porque todos os deuses dos povos são coisas vãs; mas o Senhor fez os céus". Apesar da clareza e objetividade dos textos bíblicos, cidades, estados e nações continuam hoje na idolatria, confiando o protetorado a padroeiros e padroeiras humanos, entronizados como deuses e deusas através da estatuária, obras das mãos de artífices, sem nenhum poder. Você poderá pensar que isso é coisa do passado e que hoje tudo mudou. Esse posicionamento humano não mudou e nem poderá mudar o que Deus determinou desde a fundação do mundo. Leia o que escreveu Isaías: "Congregai-vos e vinde; chegai-vos juntos os que escapastes das nações; nada sabem os que conduzem em procissões as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar" (Is 45.20). Este é um equivoco comum aos espiritualmente indoutos. A Bíblia diz que, em Deus, não há sobra de variação e que ele é o mesmo ontem, hoje e sempre. Não se deixe enganar pela astúcia de Satanás. O motivo da continuidade dessa prática é a falta de conhecimento da Palavra de Deus. Há falta de esclarecimento porque faltam instrutores. Muitos governantes de nações e reis podem até conhecerem a verdade, mas preferem ignorá-la para não arriscar a desagradar o povo e serem apeados do poder.


DEMÓNIOS TERRITORIAIS

Ignoram, todos eles que, quem atua através dos ídolos são os demónios territoriais, conforme ensinam as Santas Escrituras: "Sacrifícios e adoração se oferecem aos demónios, não a Deus, aos deuses que não conheceram..." (Dt 32.17). Praticantes de rituais espíritas, mormente os procedentes da África, sabem que os espíritos dos deuses estão por trás dos ídolos e em todos os altares e terreiros são colocados em lugares estratégicos nos congás6. Sempre ombreando, lado a lado, com imagens de santos e santas do catolicismo romano, numa perfeita sincretização de práticas, misturadas em um só caldeirão para demonstrar que "Deus é o mesmo e a fé uma só". Não é necessário ser "santo" e nem sábio para se perceber ser este um dos maiores enganos na vida espiritual das pessoas. Deus é um só, mas abomina as práticas animistas que trocam a adoração ao Deus verdadeiro pelo culto à criatura através do transe mediúnico. O que mais entristece o cristão fiel, conhecedor da Palavra, é o fato de que, mesmo não cultuando e adorando ídolos (demónios), os povos das nações, de um modo geral, são participantes destes altares pela permissão deles em seu meio, como diz a Bíblia. O apóstolo Paulo, quando escreveu sua primeira carta aos cristãos de Corinto, alertou-os para o fato de permitirem sacrifícios em seu meio, bem como os altares estranhos, afirmando: "Mas que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demónios e não a Deus. Não quero que sejais participantes com os demónios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demónios;

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Altares onde se colocam imagens dos orixás africanos ao lado de "santos" do catolicismo romano. 37


S.V.MlLTOTM

não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demónios" (ICo 10.19-21). O entendimento falho das pessoas as impedem de enxergar a verdade. Estátuas no alto dos morros servem de moradia aos demónios territoriais. Eles são a causa de acidentes inexplicáveis, desavenças, brigas, assassinatos e tudo que não presta que acontece nas cidades. Aproveitam a índole má de homens e mulheres, sugerem em seus ouvidos, penetram nos cérebros, usam-nos como instrumentos do mal. Toda essa ação tenebrosa é atribuída às injustiças sociais, problemas de saúde pública, desarranjos de ordem psicológica, psicopatias, revoltas e diversos "ganchos" para justificar o que de mais terrível acontece em meio à sociedade hodierna. Poucos cristãos autênticos se arriscam a dizer que a maioria das desgraças acontece pela ausência do Deus verdadeiro, de maneira efetiva, nas vidas das pessoas, praticantes de uma espiritualidade vazia, sem convicção, sujeitas aos ataques de toda natureza promovidos pelo diabo e seus exércitos infernais.

3.1. EXEMTLOSTSÍATÉRSIA E ["_, fundamental entender a organização do reino das trevas, como domina nações inteiras, dividindo-se numa hierarquia em que o comando fica por conta dos príncipes, geralmente comandantes em chefe dos exércitos. Estes podem assumir seu lugar na guerra espiritual pela posse de territórios, onde submetem a jugo toda uma população, atrapalhando até o contato de crentes com Deus e o atendimento das orações. A Bíblia mostra diversos exemplos dessa intervenção maligna e que os próprios chefões estão na ativa, comandando 38


DEMÓNIOS TERKITORJAIS

o mundo visível a partir do invisível, poder muitas vezes insuperável pela força meramente humana e capacidade intelectual de discernir os acontecimentos. No livro de Daniel há um exemplo clássico desse embate no sobrenatural no espaço invisível da nação persa, onde um dos príncipes das trevas impede o atendimento às orações do jovem Daniel. A narrativa diz que Daniel estava orando para que Deus lhe desse a interpretação de uma visão que havia tido dias antes. O profeta entrou em êxtase quando sentiu alguém tocar-lhe e olhou espantado a aparição, mas ouviu palavras de consolo e revelação: "Não temas Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-se perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras" (Dn 10.12). Depois dessas palavras tranquilizadoras, o anjo fez uma revelação interessante e muito esclarecedora sobre os demónios que atual nas nações e reinos: "Mas o principal do reino da Pérsia se opôs defronte de mim vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me. E eu fiquei ali com os reis da Pérsia" (V. 13). Este embate aconteceu no plano invisível. Um dos príncipes daquela facção de demónios do reino da Pérsia, nação de um povo pagão, idólatra, embrutecido e mal, era tão arrojado que o enviado de Deus para atender as súplicas de Daniel não pode vencê-lo, necessitando ajuda do arcanjo Miguel depois de vinte e um dias de peleja. O versículo diz ainda que o emissário de Deus a Daniel ainda ficou ali, envolvido com os reis da Pérsia, não governantes humanos, mas os maiorais dos demónios que dominavam o império. Observe que a guerra entre o bem e o mal é cósmica, não se dá aqui, no mundo das formas, mas é sobrenatural, um

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governo determinado, organizado, que não dá tréguas e procura dificultar a comunicação entre homens fieis piedosos e o Deus Altíssimo para atrapalhar seus planos de resgate dos pecadores. No verso seguinte (14), o personagem enviado de Deus revela a Daniel a sua missão e o faz entender acontecimentos futuros ligando a nação de Israel com o Messias, o Cristo, que haveria de vir para salvar os homens. Veja que o príncipe dos demónios da Pérsia tinha razão de estar enfurecido, pois estava sendo preparado no plano cósmico o maior acontecimento de todos os tempos e que transformou a humanidade para sempre. O anjo continua conversando com Daniel e, mais à frente (v. 20), faz outra revelação mostrando que esta guerra sideral é uma constante: "Eu tornarei a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o príncipe da Grécia". Você, por pouco que conheça das Escrituras, entendeu que a batalha espiritual é eterna, diuturna. Aquele guerreiro que trouxe a mensagem a Daniel era um defensor do espaço invisível sobre a Pérsia contra as hordas das trevas. Repare que ele informou a sua missão de lutar também contra o príncipe dos demónios da Grécia. Nenhum cristão que lê a Bíblia com a constância necessária para alimentar o espírito, ignora que a Grécia se tornou uma grande nação, a civilização clássica que até hoje influencia a cultura pelo mundo afora. Conquistou a Palestina, submeteu o reino de Judá a seu jugo e impôs ao povo horrores nas garras dos sucessores ao trono de Alexandre, o Grande. Essa é outra história, mas é bom saber que o plano invisível comanda o visível e os fatos aqui na terra não acontecem aleatoriamente, tudo se desenvolve num plano superior em que se move incontável número de

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DEMÓNIOS TER.RJTORJAIS

entidades espirituais, lutando sempre umas contra outras, o bem contra o mal. Encerrando, leia o verso 21: "Mas eu te declararei o que está escrito na Escritura da Verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles; a não ser Miguel, vosso príncipe". A quem se refere o anjo quando diz "aqueles?" Certamente aos príncipes das trevas, sempre a postos para impedirem a ação do bem. Toda história dos reinos antigos, ações de seus governantes, guerras, mortandades e conquistas ambiciosas, não tiveram Deus como promotor de tantas barbaridades. Foi (e continua sendo), arquitetado pelo reino das trevas que só busca, constantemente, a morte e a destruição.

3.2. BABILÔTSTIA, MORADA BE DEMCTNIOS. A Bíblia é clara ao informar quem, realmente, governava o grande império babilónico da antiguidade. Os reis das civilizações, Babilónia como a principal delas, sempre foram inspirados por Satanás e seus súditos. A sociedade que constituía aquela nação era tremendamente belicosa, cruel, sanguinária, idólatra, escravagista e seu prazer era torturar inimigos e tantos quantos não concordassem com o sistema de governo. A devassidão tomava conta dos movimentados dias no poderoso império, promotor de constantes festas em que não havia limite, tudo era permitido, inclusive espetáculos de tortura e mortes em público, muito comumente em homenagem a deuses e deusas, num oferecimento incessante de libações e holocaustos, com homens e mulheres se inflamando em sensualidade e volúpia onde perdiam toda dignidade humana.

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Toda população de demónios territoriais que povoava os ares da Babilónia, vivia radiante com a situação, se deleitando com o caos implantado pela falta de moral e dos bons costumes, coisas raras numa sociedade sem Deus, em que as leis não existiam para os poderosos. Entretanto, os dias do fabuloso império estavam contados. Deus já não suportava mais o mau cheiro daquela nação apodrecida, o verdadeiro flagelo da Mesopotâmia em que floresceram as mais ricas civilizações. Nem as belezas da cidade, que encantavam pelo frescor de seus jardins suspensos ou o sereno marulhar das águas do rio Eufrates, atravessando célere sob suas muralhas, foram capazes de deterem o juízo de Deus sobre aquele povo rebelde e pecador. Mene, mene, Peres, tequel e parsim - escreveu na parede do palácio de Belsazar a mão misteriosa da Justiça. Transcorria ali um banquete sem precedentes, mais de mil convidados da elite babilónica ocupava o grande salão, bebendo e fazendo enorme algazarra como um bando de araras, todos sob os eflúvios do álcool. O rei, como todos da antiguidade, era um homem impiedoso, cruel e que não conhecia limites para suas ações nefastas. Resolveu, uma vez mais, extrapolar seu desdém pelo Deus verdadeiro. Tomou os objetos sagrados que seu pai, Nabucodonosor, havia trazido do templo em Jerusalém e os profanou, bebendo neles o vinho da ira de Deus, ele, seus grandes, suas mulheres e concubinas, oferecendo louvores a seus deuses (Dn 5.1-5). Mene — Contou Deus o teu reino e acabou. Tequel - Pesado foste na balança e foste achado em falta. Peres — Dividido foi o teu reino e deu-se aos medos e aos persas. No instante em que Daniel terminou de interpretar as palavras misteriosas, caiu um silêncio pesado e profundo no 42


DEMÓNIOS TERRITORIAIS

imenso salão. Poder-se-ia ouvir a respiração acelerada e medrosa de cada um dos presentes, certamente fadigados pela noitada e assolados pelo receio de um terrível castigo do sobrenatural, inevitável por meios naturais e poderes terrenos. Não demorou muito, tropas medos-persas comandadas por Dario invadiram a cidade de surpresa, passando a fio de espada homens e mulheres, os grandes do império e o próprio rei Belsazar, o portentoso rei dos caldeus. É bom lembrar que os babilónios estavam completamente seguros numa cidade-fortaleza, considerada inexpugnável. Não poderiam eles sequer imaginar que inimigos tão ferozes poderiam entrar em seu interior e apossar-se daquela que era o orgulho de uma civilização. Não sabiam que aquele mesmo Jeová dos judeus, a quem afrontavam sempre, havia determinado juízo inexorável e que os medos-persas, guiados por inteligência sobrenatural, haviam usado o leito seco do grande rio Eufrates, orgulho e beleza da cidade, represando-o quilómetros antes para determinar o fim do poder e opulência de Babilónia, a cidade eterna. "Caiu! Caiu a grande Babilónia, e se tornou morada de demónios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível". (Ap 18.2). Os demónios territoriais gostam muito de ocupar ruínas de antigas cidades, construções abandonadas, sítios arqueológicos, antigas escavações de minas e velhas igrejas sem uso, conservadas como relíquias históricas. Babilónia é o símbolo da espiritualidade prostituída, do sistema de governo mundial injusto e condenado, do paganismo e do sistema maligno que opera desde o mundo das trevas para os corações dos homens maus. Babilónia é o sistema atual das nações sobre as quais também está determinado o juízo de Deus no final dos tempos e da era da Igreja. 43


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A Babilónia material foi destruída e suas ruínas se tornaram morada de demónios. A Babilónia espiritual, representada por todo conjunto de religiões não cristãs e cristãs apenas nominais, caminha também, rapidamente, para o seu fim, como está determinado em Apocalipse 18.20: "...porque Deus já julgou a vossa causa quanto a ela". No capítulo 19 está registrada a queda futura da babilónia espiritual, ou o fim do sistema mundano dos governos seculares e religiosos, encerrando a era da adoração falsa e corrompida desde o Éden impedindo a concretização plena do plano de salvação em Jesus. Como dizem os versos 6 e 7: "...Aleluia! Pois já o Senhor, Deus Todo Poderoso, reina. Regozijemo-nos e alegremo-nos, e demos-lhe glória, porque vindas são as bodas do cordeiro e já sua esposa se aprontou". Então, a Babilónia, tanto material como espiritual, será substituída pela nova Jerusalém que descerá dos céus. (Ap 21.9-10). M

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FATOS DO TLANO INVISÍVEL

milhares de pessoas pelo mundo afora batem no peito e dizem convictas: "Só acredito no que vejo!" Pobres tolos! Não percebem que o concreto, visível e palpável surgiu do invisível, sobrenatural, incompreendido e ilógico pelo raciocínio simples e limitado. Como se explicaria todo universo estendido no infinito onde nem a imaginação mais fértil alcança? O inexplicável é mais real que a realidade do mundo finito, mortal e frágil em que vivemos, haja vista as constantes previsões do final de tudo que aqui está numa hecatombe sem precedentes. Os espiritualmente céticos temem o fim físico do planeta e lutam para manter o equilíbrio ecológico, mas não se conscientizam de que o final está determinado a partir do mundo invisível, metafísico, apontando o último e definitivo acerto 45


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de contas entre os poderes do bem e do mal pelo Criador Universal e também com toda sua criatura rebelada. Observando o mundo atual em comparação com as verdades bíblicas, o estudioso da Palavra de Deus pode compreender o sistema iníquo que opera na sociedade humana, totalmente divorciado e equidistante daquilo que preconiza o "manual do fabricante" para uma vida plena. Há uma ignorância absurda sobre o sagrado e o transcendental, com a maioria se contentando com uma fé apenas superficial, descomprometida com a realidade. Homens e mulheres se consideram sábios e cheios de razão, corretos em seus raciocínios medíocres sobre a verdade espiritual, desdenhando do Juízo, na plena certeza de que "Deus é bonzinho", mas ignorando que Ele é também justo e opera a sua Justiça. A carta que o apóstolo Judas escreveu é uma das mais curtas do Novo Testamento, tem apenas um capítulo, mas é um texto áureo, cheio de ensinamentos indispensáveis para quem deseja cultivar vida espiritual abundante. São conselhos de sabedoria e orientação. Ele fala sobre estas pessoas que se acham muito sabidas enquanto deixam perder suas almas na soberba de seus entendimentos. Leia: "Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem". Não admira que cidades e nações se tornem morada de demónios encalacrando-se nos corações empedernidos de homens e mulheres néscios, mas arrogantes em seus parcos entendimentos. Judas fez uma revelação de proporções cósmicas no verso 9 da sua carta. Trata-se de algo real, espantosamente verdadeira, mostrando exemplo de fatos que acontecem no mundo sobrenatural, e que a pessoa comum nem imagina. Observe: "Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e dis-


DFMÒNIOS TERRITORIAIS

putava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juÍ2o de maldição contra ele, mas disse: o Senhor te repreenda". Você já leu sobre o arcanjo Miguel nas páginas anteriores e sabe que ele é um guerreiro contra as hostes de Satanás no mundo invisível. Agora, preste atenção num fato: enquanto pessoas que se autodenominam sábias volteiam em torno de si mesmas neste mundinho limitado, coisas tremendas acontecem no mundo sobrenatural. Imagine, a ousadia e pretensão do diabo em reivindicar a posse do corpo do grande patriarca Moisés. Ele não podia ter a alma do homem, mas queria o corpo e brigava por ele, talvez temendo que Deus o ressuscitasse dos mortos e o levasse para o céu em carne e osso. Miguel era e ainda é uma grande autoridade espiritual, mas humilde como todos os verdadeiramente grandes, reconheceu o seu lugar de subalterno e a autoridade suprema de Deus, rogando-lhe que repreendesse o diabo em sua pretensão maligna. Imagine se Satanás é atrevido o suficiente para tentar a posse do corpo de Moisés, um homem especialmente escolhido e amado de Deus, o que não faria em relação a pessoas comuns como eu e você se não cuidarmos da nossa vida espiritual? Pense na desconsideração que se dá ao mundo sobrenatural, pessoas estribando-se em seus próprios conhecimentos e poder, o diabo usufruindo total liberdade de ação neste universo de ilusões fúteis e efémeras. Judas tinha toda a razão e também uma definição para os que se julgam religiosos sinceros e bons: "Estes são manchas em suas festas de caridade, banqueteando-se convosco e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água, levadas pelo vento de uma para outra parte; são como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas" (v. 12).


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Há uma possibilidade real de que você e eu ouçamos isso no dia do Juízo final. Pense e examine-se espiritualmente. A Bíblia Sagrada oferece a seus leitores muitas pistas sobre o mundo invisível, espiritual e intangível. O livro de Jó, por exemplo, independente de ser um texto piedoso, motivador, um estilo literário da época, com uma história de consolação, traz uma revelação interessante sobre fatos do universo além do entendimento humano. Em algum lugar do infinito, entidades espirituais se reuniam, confabulavam com Deus e até Satanás participava dessas assembleias pouco convencionais, mas que o autor situa no reino invisível, com sua organização hierárquica de onde se determinam a vida na terra, seus acontecimentos e destino. No capítulo primeiro, verso 6 desse livro, há uma afirmação daquilo que certamente acontece no cotidiano de um reino: "E vindo o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás com eles". Argumentos sobre o texto e especulações à parte, o verso mostra duas realidades fundamentais. Primeira: Deus é o governante universal do mundo visível e invisível. Como todo bom executivo, promove reuniões periódicas com o seu "staff' para tratar assuntos de interesse. Segunda: A morada de Satanás e seus demónios é no espaço terrestre e nos locais onde lhe dão brechas. Entretanto, prefere ficar rondando aqui e ali, observando todos, aos quais conhece pelo nome e sabe quem são e o que fazem. Observe o que diz Jó 1.7 e 8: "Então, o Senhor disse a Satanás: de onde vens? E Satanás respondeu ao Senhor e disse: de rodear a terra e passear por ela; e disse o Senhor a Satanás: observaste meu servo Jó?..." Quem conhece o livro de Jó sabe o que aconteceu depois desse encontro convencional entre Deus e o diabo em algum

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DEMCXNIOS TERRITORIAIS

lugar do espaço. Contudo, o que interessa não é esta fantástica saga de um homem justo como era Jó, mas a essência é a de que as coisas espirituais se governam pelo mundo espiritual e cujas decisões influem na vida do mundo visível. Esse mundo além do real não pode ser compreendido pela razão simples porque está muito além da percepção racional. Demónios e seres do mundo metafísico não são apenas personagens dos contos de fadas concebidos pelo consciente cognitivo de seus autores, como afirmava Jung7, mas é o fundamento da estrutura de tudo que existe no mundo real das formas. Não restam dúvidas de que se recebe na Terra o que é determinado no plano superior, seja bom ou mal, mas sempre alcança os seres humanos.

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Cari Gustav Jung, psiquiatra suíço, introdutor da psicologia analítica, contemporâneo de Freud. 49


ONDE MORAM osPIORES *DEMÓNIOS

pessoas mais sensíveis, quando passam próximo a um "despacho", em locais comumente utilizados e escolhidos pelos próprios espíritos, sentem um arrepio, o ar pesado ou uma "presença" ruim, dando a impressão que há alguém naquele lugar. Os espíritas chamam essa sensação de fluidos8 dessas entidades sobrenaturais. Elas podem ser mais fortes em uns locais mais que em outros, dependendo da falange invocada ali e que recebeu a oferenda.

Energia supostamente emanada pelos espíritos. É característica e diferente entre eles, mas exclusiva. Médiuns acostumados a receberem incorporação identificam esses fluidos e podem discernir a quem pertencem. Essa manifestação dos sentidos comumente é acompanhada por vibrações características de orixás que incorporam o médio. 51


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Os Exus, mais conhecidos no Brasil através do ritual afro, são tidos como a principal representação dos espíritos de "esquerda" e se manifestam em quaisquer lugares, mesmo quando se invocam outras entidades, eles atrevidamente comparecem. É bom esclarecer que todos os espíritos do plano astral que se manifestam na Terra, incorporando ou não, independente do nome que se dê a eles, são demónios e não são "espíritos do bem" como muitos, equivocadamente, pensam. Esse "bem" atribuído a essa ou aquela entidade, é só um engodo porque mais dia, menos dia, o "bem" se revela uma cilada e é "cobrado" de maneira trágica (observe como foram as mortes de conhecidos médiuns). Os "espíritos de luz", como dizem, são os mesmos que dão com uma mão e tiram com a outra. Os anjos e outros seres celestiais, bem como o Espírito Santo, não "invocam" nas pessoas, não se "expressam" em corpos humanos e nem exigem oferendas, muito menos perfumes, flores, comidas, charutos, bebidas de diversos tipos, que são comumente colocados em pontos estratégicos previamente determinados pelos "guias"9 nos rituais em terreiros afros. Em todos os locais preferidos de moradia demoníaca, há sempre uma organização hierárquica comandada por um "chefe" que é sempre o homenageado nos "centros" espíritas em dias marcados num calendário anual. Durante o ritual, sob o ritmo de músicas especificas para cada entidade, incorporam nos médiuns, dão ordens, fazem exigências e determinam as "obrigações"10 repassadas aos consulentes, indicando o local 9

Espíritos que incorporam médiuns para darem "consultas". Quase sempre são Exus e pedem oferendas. 10 Receitas de banhos de ervas, perfumes e outros ingredientes. Também há obrigações em oferendas.

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DEMÔ~NIOS TERRJTORJAIS

onde deverão ser colocadas. Quando o pedido é atendido seguindo as instruções, o chefe que recebeu a oferta convida seus subalternos e, eventualmente, outros grupos para apreciarem o despacho. Nos locais, milhares de demónios ficam horas alvoroçados, ocupando todo espaço próximo, mas nunca se afastam totalmente dali. Pessoas que não crêem e nem se preocupam com a vida espiritual, que costumeira ou ocasionalmente passem no local, recebem toda carga negativa e, quiçá, podem até serem vítimas de incorporação, além de correrem o risco de herdarem os mesmos problemas das pessoas que fizeram os despachos, sejam físicos, emocionais, psicológicos, de relacionamentos ou de trabalho.

5.1. TERJ^ENOS IMANTADOS E AMALDIÇOADOS. número muito grande de pessoas não acredita nesta história de maldição que podem "pegar", um feitiço, uma praga, ou que suas vidas possam ser atrapalhadas pelos espíritos ou demónios, mesmo sabendo que a fé professada não seja das mais legítimas. Não pretendemos aqui fazer um estudo mais demorado da questão, mas se torna necessário entender alguns aspectos do assunto e como a maldição envolve o sobrenatural. É algo que funciona desde a antiguidade e, apesar da modernidade, da sociedade humana ter se afastado bastante das crenças mitológicas, a vida espiritual e seus mistérios continua a mesma e nenhuma negação poderá anular seus efeitos.

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A maldição pode ser entendida como algo rejeitado, que traz maus resultados, desprovido da graça, incapaz de receber a bênção de Deus. Maldição é algo que soa mal aos ouvidos das pessoas e todos fogem dela. Entretanto, a Bíblia diz que ela pode ser uma questão de escolha. O ser humano pode receber o impacto de uma praga lançada sobre ele ou poderá ser impactado por um mal que ele mesmo atraiu sobre si através de ações moralmente condenáveis e graves do ponto de vista da conduta ética. As más escolhas levam a resultados indesejados, nunca resultam em bênçãos, sendo estas uma exclusividade de Deus. Em Deuteronômio 11.26, Deus determina que o povo de Israel escolha a bênção ou a maldição. Leia: "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição". O estado de maldito resulta da desobediência às leis de Moisés e o consequente afastamento de Deus e sua graça: "Porém a maldição se não ouvirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno para seguirdes outros deuses que não conhecestes" (v. 28). Em relação aos terrenos amaldiçoados também há referências interessantes na Bíblia. Neste mesmo capítulo 11 de Deuteronômio, verso 29, está escrito algo curioso sobre o assunto. "E será que, havendo o Senhor teu Deus introduzido na terra a que vais possuir, então pronunciará bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal". As maldições lançadas do monte Ebal eram contra os israelitas que desobedecessem as leis de Deus e praticassem abominação religiosa. Esse monte ficava antes do rio Jordão, na terra dos cananeus. Deus ainda reforça a ordem para que proferissem a condenação com suas próprias bocas: "Tende, pois, cuidado em fazer todos os estatutos e os juízos que eu hoje vos proponho" (v. 31).


DEMÓNIOS TERRITORIAIS

O monte Ebal, com mais de 900 metros de altura, tornou-se realmente um terreno onde se lançavam maldições ao povo, conforme narrativa do capítulo 27 de Deuteronômio. Leia o texto e conheça os tipos de maldições ao longo de 26 versículos. Além disso, observe também o capítulo 28, versos 16 a 18, inclusive estendendo a maldição a terra, à produção agrícola e pecuária. Hoje, o conceito de maldição é muito variado, mas conserva-se a mesma ideia de algo repulsivo, tanto que ninguém gosta de morar em casas ou terras onde aconteceram assassinatos, suicídios e outras formas de desgraças, considerando um local de energias negativas ou mal assombrado. Este comportamento popular (de fugir desses locais) tem confirmação de estudos e da própria Bíblia (caso da Babilónia é um exemplo clássico), que aponta locais onde houve violência e mortes como morada de demónios, espargindo energias maléficas para todos os lados. Locais onde foram presídios, fortalezas militares, salas de torturas, bordéis, zonas do meretrício, fazendas que utilizavam trabalho escravo, onde se impunha toda sorte de flagelos físicos e casos de mortes à míngua por fome e maus tratos. Também terrenos de grandes indústrias abandonadas e até locais considerados turísticos podem se tornar casas de demónios, terrenos malditos em que muitas pessoas não se sentem bem pelos eflúvios emanados no ar. Um exemplo é a grande extensão de terras onde estão as Cataratas do Iguaçu. Não são raras as pessoas mais sensíveis que sentem algo "diferente" ao percorrerem as trilhas no meio da mata. Os médiuns e pessoas que frequentam centros espíritas sabem do que se trata, mas os leigos não compreendem as sensações experimentadas e não dão importância ao fato, mas

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isso comprova que o sobrenatural é uma realidade e que há no ar muito mais que nuvens, aviões e urubus. Os terrenos chamados "imantados" são aqueles que espíritas e ocultistas em geral julgam energizados, magnéticos e depósitos de boas energias, que "ajudam" contra os poderes maléficos que pairam nos ares. Os mais procurados e, por isso mesmo, mais valorizados, são os depósitos de camadas de rochas de cristal com grandes extensões. No Brasil, podem ser localizados em diversas regiões, como no Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e outros estados da Federação. São locais muito procurados pelo turismo religioso e há até boas estruturas para receber esse pessoal e incentivar o aumento dessas crenças e práticas. Entretanto, é bom que fique claro que, na terra, todas as coisas foram criadas, tudo pertence à criatura de Deus, não têm nenhum poder divinal que possam modificar uma realidade, causando bem ou mal aos homens. E verdade que pode haver algo estranho nesses lugares e mesmo uma "energia" que pode ser sentida, mas ela não emana de cristais, de estruturas inanimadas, e sim dos espíritos territoriais que ali ficam espreitando, à espera dos incautos. Há, em muitos desses locais, sedes de organizações esotéricas, como o Vale do Amanhecer em Brasília. Seus dirigentes e frequentadores sabem que o local está carregado com a presença de entidades de outro plano, promovem rituais e o contato mediúnico com a maioria delas, "intercedendo" a favor de muitos que acreditam na imantação ou atração de energias benfazejas. H

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As ARMAS DA SUALUTA £ SÃO

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CARNAIS

"Porque a carne luta contra o espírito e o espírito contra a carne, e estes se opõem um ao outro para que não façais o que quereis" (Gl 5.17). [_)epois de tudo o que você leu até aqui, concluo que deve ter entendido que a minha vida, a sua, a de todos os seres humanos que povoaram a terra até aqui e os que hão de vir, foram comandadas, estão sendo e ainda serão, pelo mundo sobrenatural, lugares onde se travam incansáveis batalhas entre o bem e o mal. Isso acontece exclusivamente pela posse e controle de pessoas e coisas que existem no planeta.


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O leitor e a leitora perceberam que o espírito deve suplantar a matéria (carne), mas ela é demasiadamente rebelde e não se submete com facilidade à disciplina que a vida espiritual exige como disse o apóstolo Paulo, estando ambos em constante oposição. Homens e mulheres precisam compreender o óbvio: seres humanos precisam compor as fileiras na luta pelo bem, mas isso não se faz ancorados no conhecimento filosófico (o que é bom), nas descobertas científicas ou na força física e inteligência, porque o poder espiritual só é discernido pelo Espírito de Deus, como escreveu Paulo em sua primeira carta aos Coríntios: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente" (2.14). Entretanto, segundo Paulo, "o homem espiritual discerne bem tudo e ele de ninguém é discernido" (v. 15). O que significa isso, a não ser que a humanidade, desde os tempos antigos, nunca entendeu que pessoas são carne e espírito e que, a primeira, para nada serve, apodrece e desaparece; mas o espírito é que vivifica a carne e é ele que voltará para Deus depois de deixar o corpo. Então, homens e mulheres continuam compondo a história humana, mas cegos como sempre foram, tentando entender o sobrenatural com olhos da carne e o limitadíssimo raciocínio lógico. Quando as coisas não vão bem, correm para as igrejas, para os altares, para os centros espíritas e para as encruzilhadas, ignorando totalmente que todo ser humano tem em si potencial para lutar e vencer o poder das trevas dado por Deus através de Jesus Cristo na graça do Espírito Santo. Além disso, a maioria só procura Deus quando se esgotam todos os recursos materiais, quando percebe que a experiência, o conheci-

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mento e a capacidade meramente humanas já não resolvem mais. A humanidade sofre porque há uma generalizada descrença que ela é filha de um Pai Todo-poderoso, o Altíssimo, Senhor do Universo e de todos os poderes dos mundos visível e invisível. Por que crianças, juvenis e jovens se apegam tanto às peripécias de super-heróis? Fazem de suas aventuras uma mina inesgotável aos editores e cineastas. É porque eles, os super-heróis, representam ter em si todo poder do próprio Deus, são imortais, inteligentes, fortes, invencíveis e lutam sempre contra o mal. São o alter ego das pessoas, o que inconscientemente, todos gostariam de ser, apesar de saberem que tudo não passa de fantasia. Detalhe: os super-heróis não precisam de Deus, resolvem tudo pela força bruta, ficam com a mocinha no final e dão gargalhadas desdenhando o poder das trevas. É isso que as pessoas gastariam de fazer em suas vidas cotidianas, sem precisar de Deus, disciplina, compromisso, tolerância, paciência, compreensão e amor. Mas, felizmente para uns e infelizmente para outros, as coisas não são assim. É preciso humildade para aceitar e submeter-se a um poder maior em obediência, entender que a vida não foi criada e nem a morte determinada por homens, tudo acontece independente da vontade da matéria, egoísta, exclusivista e sem limites para os desejos e prazeres. Como diz o apóstolo Paulo em sua primeira carta aos Coríntios: "Ou não sabeis que vós sois o templo de Deus e que o espírito Santo habita em vós?" (v.16). A maioria ignora isso e vive como uma caixa oca ou deposita em seu interior toda crença, vaidades, orgulho, superficialidade, não priorizando o que de mais sagrado há neste ser controverso e surpreendente. M

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LEMBRETE OPORTUNO -NA ÇUERRA P ESPIRITUAL

y ocê pode ser uma pessoa boa para os padrões humanos, tentar ser justo em suas ações, irrepreensível em sua conduta, mas diante dos espíritos das trevas, você nunca tem razão, é só mais uma vítima em potencial. Todo bom cristão, comprometido com a verdade, é um guerreiro contra os demónios, mas para vencer precisa de santidade, conforme ensinou Paulo: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder" (l Co 2.4). O segredo do apóstolo era demonstração da presença inquestionável do Espírito de Deus em seu ministério. Este é, também em nossos dias, o segredo de todos que vencem os ataques do diabo e vivem vida abundante no espíri61


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to. Está escrito na Bíblia, e todos sabem por experiência, que todo erro traz consequências no mínimo desagradáveis, faz sofrer, decepciona e cria desânimo. Entretanto, homens e mulheres demoram muito para abandonarem os erros, corrigi-los e iniciar uma nova etapa. É mais fácil persistir no erro, acreditar que poderá dar certo, mas sempre se acaba derrotado por eles (os erros), ou desiste-se da luta antes da hora. Não persista no erro, não dê chances para o diabo, espere ajuda de amigos em intercessão na luta contra as hostes da maldade, assuma suas culpas e espere pelas misericórdias de Deus. Você pode ser um feixe de puro músculos, malhados em academia, mas de nada valerá se não tiver autoridade espiritual e isso você só recebe se desejar, tiver interesse em ser mais do que ter, criando músculos espirituais, malhados em exercícios de oração, infatigáveis, prontos para entrarem na luta. Toda autoridade de Deus não vem por acaso ou merecimento e Ele não se interessa pelos covardes e mortos espirituais, que cruzam os braços e ficam a lamentar a situação. Entre nessa guerra, desenvolva vida espiritual vigorosa, persevere. Conheça o Deus verdadeiro, mas saiba também quem são seus adversários, isso aumentará a sua fé sabendo em quem tem crido e colocado suas esperanças. Saiba o quanto é superior àqueles que te aborrecem e avalie com precisão o potencial de carga de seus inimigos. Não seja uma pessoa crédula em mitos, a verdade é única, está revelada na Palavra de Deus, fortificante para o espírito, o que for além disso é de procedência maligna. A verdade é a luz que permite enxergar por trás da matéria, abre os olhos e dá discernimento, como está escrito: "As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam", (lCo 2.9).

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DEMÓNIOS TERRITORIAIS

7.1. FAÇA isso E VENÇA! 1. Feche as portas na cara do diabo - Se você é um homem ou uma mulher casado(a) ou tem vínculo conjugal, cuidado com as tentações do sexo. Olhares cobiçosos, conversas com duplo sentido, indiretas, insinuações, são portas abertas para a entrada de demónios nas vidas das pessoas. O adultério é um pecado terrível contra o cônjuge, traz consequências funestas ao traído e ao traidor e os mais sensíveis podem desenvolver males físicos e psicológicos complicados durante anos ou ainda, fraqueza espiritual pelos ferimentos que jamais cicatrizarão. 2. Zele com carinho da sua vida financeira - Pessoas que negligenciam a área de finanças em seu cotidiano dão brechas ao diabo, fica devendo, não consegue se equilibrar, torna-se mau visto, perde o crédito e começa negligenciar seus deveres para com a família e a sociedade. Gastar sem limites e sem juízo poderá ser uma obsessão demoníaca. Em relação ao dinheiro, toda sensatez é pouca. Vá devagar, pense antes de gastar, faça as contas, jamais pense que "amanhã dará um jeito". Isso é pura falta de responsabilidade e poderá levá-lo para o abismo. 3. Palavras não cumpridas são verdadeiros imãs na atração do mal — Seja um homem ou uma mulher de caráter. A Palavra de Deus diz que a palavra do homem deve ser sincera, sim, sim; não, não. Ninguém confia em pessoas que não cumprem o que dizem. Uma hora fala uma coisa; outra hora fala outra, sem firmeza, como macacos pulando de galho em galho, sem objetivo. Os demónios gostam disso! 63


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Pense duas vezes antes de prometer. Se não tiver certeza de poder cumprir, não assuma compromissos, principalmente financeiros. 4. Seja um bom exemplo para a família e a sociedade Muitas pessoas são folgazãs, levam a vida sem seriedade, divertida, fazendo galhofas sobre tudo que vê e acham que nada tem nada, ninguém repara no seu jeitão de irresponsável. É um erro grave de conduta. Pessoas assim parecem inconfiáveis, gente séria não se sente bem ao seu lado, parecem incapazes e as oportunidades fogem delas e são, comumente, taxadas de "doidivanas". Não seja demasiadamente sisudo (a), mas demonstrar seriedade é fundamental. 5. Mantenha seu caráter intocável — Emprestou? Devolva! Prometeu? Cumpra! Seja responsável em tudo que fizer. Cumpra horários. Relógios existem para lembrarem os distraídos. Não abra a boca para falar bobagem, não bajule as pessoas, principalmente superiores. Muitos elogios soam falsos e ninguém gosta de bajulação. Pessoas assim demonstram fraqueza de caráter, dão a entender que podem ser facilmente manipuláveis e estão sempre sujeitas a receberem propostas indecentes, se "vendem" por qualquer coisa e são lisas como "bagre ensaboado". 6. Os demónios adoram os fofoqueiros e as fofoqueiras — Cuidado com a língua. Quem fala muito dá bom dia a cavalos. As coisas nem sempre são o que parecem. É preciso ter certeza, olhar, medir, sopesar os fatos, o que realmente aconteceu, antes de sair falando o que não é real. Mesmo algumas verdades não devem ser divulgadas. Sair atraqueando é falta de ética, desrespeito às pessoas, magoa e cria inimizades, fere e causa machucaduras que nunca cicatrizam. Não caia na armadilha do diabo, boca fechada não entra mosquito.


DEMCTNIOS TERJIJTORJAIS

7. Cuidado com os bons "conselhos" - Não os dê se não estiver apto. Não os siga se não tiver certeza. Já ouviu o ditado que diz "Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia". Certamente você conhece pessoas que gostam de dar conselhos, orientar, sugerir, "ajudar", mas quase sempre nem sabem o que estão falando. Seus conselhos são armadilhas, veneno que pode levar seus ouvintes a um buraco sem fundo. Analise os conselhos e sugestões, verifique se vale a pena segui-los, procure conhecer quem os está dando, se é pessoa capacitada, experiente, séria, se tem conhecimento na área e realmente sabe o que está falando. 8. Mantenha a idoneidade moral - Existe um número incontável de pessoas totalmente imorais, depravadas, tudo maliciam, debocham e acham que todos os outros são como elas. Péssimas companhias vêem maldade em tudo e, como são imorais, não confiam em ninguém, acreditando que todos são da mesma laia. Para esse tipo de gente, não há ninguém bom, falam mal de quantos conheçam, achando defeitos, tecendo críticas infundadas. Sabem tudo e querem impor suas opiniões, sem se deixar ouvir. Pessoas imorais trazem energias muito negativas, são nocivas à sociedade e estão sempre carregadas pelos fluidos demoníacos. 9. Jamais julgue o seu próximo - Com o juízo que julgares, também serás julgado. Jesus tinha toda razão quando afirmou isso. Um juízo sempre tem todas as possibilidades de ser enganoso. O ser humano é demasiadamente falho, limitado em sua visão e na capacidade de perceber o que está por trás dos fatos, deixando transparecer uma certeza que não existe. Quantos cometem erros de julgamento e se lamentam pelo resto da vida, choram amargamente e se arrependem, mas tardiamente, sem chances de volta. Até

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mesmo juizes experientes muitas vezes erram. Abstenha-se de julgar. 10. Procure ser justo(a) - Injustiças são portas escancaradas para ataques de demónios. O que te vier à mão para fazer, pense bem antes de começar e faça perguntas a si mesmo. É justo para todos? Criará satisfação geral? Estarei com a consciência tranquila se fizer isso. Não favoreça uns mais que outros. Amizades, favores recebidos, parentesco não justificam um favorecimento injusto, em detrimento a outros que mereçam ou estão mais capacitados. Seja fiel nas partilhas, dê a cada um o seu quinhão, sem desmerecer ninguém ou reter para si parte daquilo que não te pertence. Bens e objetos de posse indevida sempre atraem maldição e resultam em nada. M

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COMO

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SITSíTOMAS DE ATAQUE

casta de demónios tem uma maneira própria de agir, conforme a sua natureza, o lugar que ocupam e a hierarquia no reino das trevas. O Novo Testamento apresenta muitos casos diferentes de ataque, havendo demónios que torturam suas vítimas, lançando-as até mesmo em fogueiras (Mt 17.15). Outros causavam doenças físicas, outros psicológicos e há os que provocavam distúrbios sexuais, levando ao adultério, sexo ilícito, como a pecadora Maria Madalena (Lc 8.2). Demónios que vivem nos cemitérios, por exemplo, gostam de causar doenças e até a morte se não houver cuidados espirituais com exorcismo eficiente e definitivo. Omulu (ou Obaluaiê) nos cultos afros, sincretizado com São Lázaro do catolicismo é um exemplo desses demónios, os mesmos que atacaram o velho 67


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Jó, cobrindo-lhe o corpo de pústulas e feridas, às quais limpava com um caco de telha (Jó 2.8). Integrantes de castas de maior malignidade, aqueles que logo matam e destroem como os que mataram a família de Jó e destruíram seus bens, não sinalizam antes de causarem danos, arrebentam as vítimas, sem chances de reação. Outros como os que agem nos lares, entre as famílias, são mais comumente obsessores, causando desvio de personalidade, desavenças, adultério, intolerância, rebeldia, desobediência aos pais, indisciplina e uma série de transtornos que, não raramente, acabam com a família, separa, cria inimizades entre irmãos, negativa de perdão e um ambiente insuportável, carregado de energias ruins. Os demónios que rondam as famílias, via de regra, são cínicos, disfarçados, persistentes, maliciosos, arrogantes, desdenhosos e chegam devagar, causando um desconforto aqui, uma intriga ali, um prejuízo mais adiante, levando a vítima a considerar os fatos como casualidade, coincidência. Enquanto isso, eles vão ficando, comendo pelas bordas, como se faz com um prato de sopa quente. Entretanto, não é difícil reconhecer e diferenciar ataques demoníacos dos acontecimentos naturais. Existem alguns sinais que, apesar de poderem ser confundidos, indicam que algo não está dentro do que seria normal, como fatos recorrentes, prejuízos que persistem, desejos censuráveis constantes, principalmente em relação ao sexo, nervosismo sem explicação, relacionamentos que repentinamente se tornam tumultuados, pessoas mansas e tranquilas que passam a agir com brutalidade, dando respostas bruscas, fazendo cobranças fora do contexto e inadequadas e pessoas ativas que, sem explicação plausível, se tornam macambúzias, pensativas, preferem a soli-


DEMÔT-JIOS TERRITORIAIS

dão como se estivesse em eterna meditação. Esses sintomas, parecidos com problemas de ordem psicológica, diferenciam porque são constantes, não melhoram e nem pioram com remédios, mas podem aliviar depois de uma visita à igreja ou orações específicas. O investigador, para saber se as causas são mesmo espirituais, deve procurar saber se a pessoa andou por lugares onde se arriam despachos, se passou próximo a um deles, se chutou, mexeu com o pé ou com as mãos ou mesmo desdenhou do ato ou de quem o fez, considerando uma ignorância sem lógica. Outra informação importante que deve ser considerada é se algum dia ou recentemente o obsedado recebeu passes em centros espíritas, frequentou rituais afros, fez "recomendações" indicadas pelos "guias", recebeu benzimentos, fez simpatias, usou patuás ou símbolos de "santos", esotéricos ou de práticas ocultas como bruxarias e encantamentos. Todas essas ações são portas de entrada, mas não se pode esquecer que os demónios são atrevidos e maus, podem arquitetar ataques sem nenhum motivo, gratuitamente, ou por um pequeno deslize qualquer, um pensamento censurável, uma ideia má. Tudo é possível e oportuno no mundo das trevas.

8.1. OS FFJJTOS DA CARJÍE SÃO ABUNDANTES. demónios atacam a carne de olho no espírito, sedentos por levarem-no para o inferno. Por isso, quanto mais promoverem a carnalidade e evitarem o desenvolvimento espiritual das pessoas, mais chances terão de ganhar as almas para suas

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fileiras, único objetivo de suas malfazejas existências. Por essa razão, Paulo não se esqueceu desse particular em suas cartas e ensinos, repetidamente, recomenda cuidados com os desejos da carne, abstenção de seus prazeres e resistência a seus caprichos. É conhecidíssimo entre os cristãos leitores da Bíblia, o texto da carta aos Gaiatas (5.19), que fala sobre os frutos da carne e frutos do espírito. Não é difícil compreender que pessoas essencialmente carnais são mais susceptíveis às influências dos demónios, alvos mais fáceis e caem mais rapidamente nas armadilhas colocadas para atrai-los. O apóstolo Paulo nomeia vários frutos da carne que, sem dúvida nenhuma, devem ser evitados a todo custo. Não é necessário às pessoas serem um génio para entenderem que nenhuma das práticas enumeradas podem ser indicadas para uma vida decente. Entretanto, são incontáveis os que não se enxergam e nem percebem que passaram dos limites, necessitando uma correção de conduta urgente. Prostituição, impurezas, lascívia, idolatrias, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonaria e coisas semelhantes a estas, soberba, tapeação e adultério. Paulo esclarece que "os que praticam tais coisas, não herdarão o reino dos céus" (Gl 5.21). Creio ser desnecessário quaisquer comentários sobre o que Paulo coloca como inimigos de um viver saudável, portas e janelas escancaradas para o diabo "deitar e rolar", impedindo inclusive, salvação da alma. As pessoas precisam deixar de se verem como "boazinhas", acharem-se "santas" e que todos os defeitos só estão nos outros. É preciso a elaboração de uma análise sincera, uma introspecção profunda para trazer à tona tudo que uma pessoa e, o que tem dentro de si para corrigir as falhas, indicar saídas, atentar para comportamentos adequados

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e correção de rumos. Quem não se convence de suas limitações, recusa-se a mudar e a encarar a realidade, não poderá se livrar de defeitos de personalidade e caráter prejudiciais a uma vida plena, física e espiritualmente, ficando à mercê do diabo. Além dos frutos da carne, há outros sinais que podem ser observados e muito bem avaliados na perspectiva de serem de origem sobrenatural. Para isso, o investigador precisa contar com a colaboração total da pessoa atingida, de algum parente que a conheça bem e que seja gente séria, não afeita às "fantasias", sensacionalismo barato e fé centrada no cristianismo autêntico. Abaixo, alguns dos principais sinais cuja percepção poderá ajudar bastante. E lembre-se: paciência é fundamental. Toda precipitação será condenada. 1. Atitudes inexplicáveis da pessoa. Começa a fazer coisas que antes abominava como jogar coisas no chão, surto de raiva repentino e passageiro, torna-se negligente com o asseio do corpo e das roupas, perde horários e não se preocupa mais com seus compromissos, parecendo alheia a tudo que acontece à sua volta. Esquece rapidamente o que acabou de ouvir ou falar e volta a fazer a mesma pergunta diversas vezes. 2. Quando tudo estava muito bem e, de repente, parece desmoronar. Acontecem coisas estranhas em atividades triviais como errar uma receita, esquecimentos de atividades do dia a dia como desligar o fogão, dores que surgem repentinamente, sem explicação, em diversas partes do corpo, irritação, vontade de largar tudo e "sumir", falta de ânimo e motivação, sonolência ou insónia, tudo pode indicar um desequilíbrio de energias oriundo do plano espiritual. 3. Pessoas que têm parentes espíritas aos quais foram pedidas intercessões. As que moram com um ou mais 71


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praticantes do espiritismo e não observam uma vida espiritual ativa. Permissão de orações de invocação de espíritos em casa ou trabalhos espíritas, oferendas e "benzimentos". Também pessoas que trabalham em ambientes carregados onde se queimam incenses, oferecem-se "mimos" aos espíritos para agradar-lhes, pedem-lhes a "proteção" e praticam cultos não cristãos. E ainda: gente que trabalha em matadouros, casas de jogos de azar, boates e "inferninhos", locais carregadíssimos de más influências. 4. Desejos condenáveis que chegam com força ao íntimo e vão se tornando cada vez mais fortes, ficando quase impossível resisti-los. Vontade de apossar-se indevidamente de um bem alheio, dar um golpe financeiro, passar cheques sem fundos, desejar a mulher (ou o homem) do vizinho ou da vizinha, qualquer desejo torpe, censurável e imoral poderá indicar presença maligna. Isso requer investigação com cautela e bom senso. 5. Pensamentos constantes, fixos, que não desaparecem naturalmente, ou vão e voltam, principalmente sobre coisas ruins, doenças, sensação de que vão acontecer acidentes graves com parentes e amigos, morte, receio infundado de perdas financeiras ou de bens, medos de demissão, de sair de casa e recusas de participar de uma confraternização entre parentes e amigos. 6. Falta de prazer e alegria nas coisas de Deus. A pessoa não quer saber de oração, ouvir pregações, rejeita a leitura bíblica e arranja toda desculpa para não ir à igreja. Já não cantarola em casa os hinos que antes gostava tanto, perde o ânimo de orar e às vezes, comenta com alguém a situação sem entender os motivos, mas consciente de que algo não vai bem em sua vida espiritual.

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7. Insatisfação constante nos afazeres corriqueiros do dia, tanto no lar como no trabalho secular, bate uma insatisfação repentina e inexplicável, parece enjoado(a) de tudo, cai numa apatia sem precedentes, parecendo-lhe que seu trabalho não justifica, é infrutífero e sem razão. 8. Repentinamente começa a gostar de tudo que antes detestava. Jogos de cartas e outras modalidades, filmes "apimentados" ou pornográficos, bailes, paquera fora do casamento, pequenas mentiras, sentir prazer em ver pessoas sofrerem achando que bem merecem; judiar de animais domésticos que antes eram o "xodó" da casa. Pensamentos em algumas ocasiões como "deixar de ser boba" e agir de maneira diferente em seus relacionamentos. 9. Pessoas que estão constantemente magoadas e sentem-se feridas por qualquer bobagem, sempre entendem mal as intenções dos outros em relação a ela. São ultra-sensíveis, receiam se relacionar e estão sempre de prontidão para defender-se, fugir a qualquer sinal de ameaça à sua estabilidade emocional. Olham sempre com desconfiança, com o canto dos olhos, estão sempre sozinhas e exigem muito tato e cuidados para se lidar com elas. Qualquer descuido poderá afastá-las para sempre. 10. Desejo sexual ardente e incontrolável. Falta de entusiasmo nos relacionamentos. Sexo fora de casa, em adultério ou entre solteiros. Esta prática é uma das mais facilitadoras de ataques do poder das trevas e onde mais ele tem prazer, sendo mais difícil de anular. Um desejo sexual que se revele incontrolável em homens ou mulheres que nunca tiveram problemas, principalmente uma "gana" por pessoas bem mais novas, poderá revelar um distúrbio oriundo do mundo sobrenatural causado por entidades malignas. Ao contrário,

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quando a pessoas sem justificativa, perde o entusiasmo por um relacionamento, seja conjugal ou de outra natureza. Às vezes, até mesmo a própria pessoa acha estranho esse esfriamento, mas acredita ser normal, que está envelhecendo e outras justificativas, e vai levando até uma possível separação ou rompimento de laços de boas amizades. Existe mais, entretanto, o que está aqui já dá uma boa ideia daquilo que os assaltos do invisível podem causar nas vidas das pessoas espiritualmente negligentes. H

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LIVRE-SE DISSO FNQUANTO ~~^^ PODE

enhurn ser humano precisa ou merece estar preso nas garras do diabo. Entretanto, muitos são os que sofrem, buscam ajuda médica, não percebem melhora, mas nem desconfiam que o problema possa ser de cunho espiritual e não procuram ajuda. Se alguém insinua essa possibilidade, ficam exaltados e não aceitam em hipótese alguma. Não experimentam qualquer alternativa de cura e seguem firmes na sua ignorância. Apesar disso, a Palavra de Deus é incisiva e afirma categoricamente que o Senhor é o libertador, Ele cura males físicos e espirituais, então, porque não procurar ajuda de alguém que pode ser útil, interceder em oração, exorcizar o mal, aconselhar, caminhar junto, dar apoio e estudar a Bíblia juntos? Isso é muito salutar, é uma boa saída. Pelo menos mantém acesa a 75


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esperança e leva a pessoa a novas descobertas na área espiritual que poderá mudar radicalmente a sua vida para melhor, muito melhor. Há algumas situações em que pessoas não se libertam porque não atentam para os motivos que as mantêm presas a uma situação de penúria, quer física, espiritual ou material. Frequência e práticas de religiões exóticas, ioga, seguir doutrinas estranhas e outros costumes, não liberam a pessoa para receber as Bênçãos de Deus. A Bíblia é muito clara nisso. Seus ensinos proíbem o culto e a adoração à criatura, "santos" e "santas" canonizados ou não, ensinos ocultistas e esotéricos. Veja o que diz Paulo em sua primeira carta a Timóteo: "Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrina de demónios" (4.1.). O que significa "doutrinas de demónios, se não as crenças heréticas ensinadas por muitos, como a doutrina da reencarnação, que não encontra apoio nas escrituras, anula a missão de Jesus, o descredencia como Salvador e ainda contraria totalmente a crença no juízo universal. Paulo foi excelente conselheiro e continua sendo através de seus escritos, um homem experiente e sábio, usado por Deus para ensinar, revelar a sadia doutrina e alertar para as práticas condenatórias. Ele, como bom pastor, ensina o jovem Timóteo a "rejeitar as fábulas profanas e de velhas, exercitar-se a si mesmo em amor" (4.6). Ótimo conselho! As pessoas precisam acreditar em algo sólido, inabalável como a Palavra de Deus e não em fábulas bobas inventadas pela literatura fantasiosa, cheia de especulação sem nenhum fundamento. E Paulo ainda insiste: "Esta palavra (a de Deus) é fiel e digna de toda a aceitação" (4.4).

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Você está com problemas que possivelmente sejam de origem espiritual, obviamente, precisa se livrar deles. Entretanto, antes de qualquer atitude, examine-se, faça uma análise das suas práticas na vida cotidiana, avalie a sua religiosidade, o seu vigor espiritual, atente para o que anda fazendo. No livro do apocalipse há uma condenação terrível para quem participa de cultos espíritas e se prosta diante de médiuns incorporados, afirmando categoricamente que tal ato é um culto a demónios. Quer ler? "Por três pragas foi morta a terça parte dos homens, pelo fogo, fumaça e enxofre... não se arrependeram das suas obras para não adorarem os demónios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra ou madeira, que não vêem, não ouvem e não andam" (Ap 9.18-20). E não é só isso. Muitos insistem e alegam ter recebido graças através de orações diante de imagens ou prostrados diante dos congás11, frente aos orixás. Conheço muitas pessoas que realmente receberam "ajuda", curas milagrosas e outras graças. Entretanto, observe o que diz o mesmo livro do Apocalipse: "Porque são espíritos de demónios que fazem prodígios, os quais vão ao encontro dos reis de todo o mundo para os congregar para a batalha naquele grande dia do Deus Todo Poderoso" (16.14). Por trás daquelas mesmas estátuas dos terreiros, também do catolicismo romano, estão os mesmos demónios que vão lutar contra Deus no Grande Dia. Portanto, são inimigos de Deus, mas também fazem milagres e maravilhas. Pense também no que escreveu Paulo em sua segunda carta aos Coríntios: "E não é maravilha, porque o próprio satanás se transforma em anjo de luz" (11.14).

11 Altares erigidos nos terreiros de cultos afros onde são colocadas as estátuas dos orixás africanos e santos do catolicismo romano. No congá concentra-se toda energia do local, tornando-o sagrado. 77


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Observe que o diabo e seus anjos também fazem milagres para enganar as pessoas e conservá-las fieis ao poder das trevas. Ele, Satanás, é o pai da mentira, do embuste, da tapeação, do engodo. Ninguém recebe de Deus prostrando-se diante de ídolos, imagens de santos, dos orixás e outros seres menos cotados na religiosidade humana, mas ajoelhado ao pés de Cristo, contrito, sincero e sem coxear entre uma doutrina e outra, ficando "em cima do muro", acendendo uma vela para Deus e outra para o diabo. A propósito de velas, também a prática de acendê-las para os defuntos ou nos altares é um costume inteiramente pagão e sem significado no cristianismo. No paganismo antigo acreditava-se que as chamas iriam iluminar o caminho do morto para o paraíso. Eles mesmos acreditavam que seus mortos estavam na escuridão e na incerteza. Uma das maiores maldições lançadas do monte Ebal, está no livro de Deuteronômio 27.15: "Maldito o homem que fizer imagens de escultura ou de fundição, abominação ao Senhor, obra da mão do artífice, e a puser num altar escondido". Não é preciso muito raciocínio para entender isso, fórmulas piramidais para a compreensão de mensagem tão simples. Deus abomina a elaboração de quaisquer tipos de imagens com o fito de adoração ou colocá-las em algum altar, em nichos especiais, sobre criados-mudos, em salas de orações, cabeceiras de camas ou sobre mesinhas de centro. Além disso, Deus abomina também os pedidos de proteção às entidades ou personagens reproduzidas em estátuas, pedido de apadrinhamento de países, estados e cidades, propriedade rurais, indústrias e propriedades móveis usados em transportes de cargas ou passageiros. Aborrece também as súplicas aos ídolos e a devoção a eles porque tudo é criação das mãos dos homens, não há neles poder nem divindade, não

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podem atender pedidos e necessidades. Se houver nestes atos algum resultado, ele certamente virá dos demónios que se escondem por trás de falsos deuses, sempre interessados em tirar algum proveito, mantendo o fiel enganado, nas trevas espirituais. Livre-se disso! Deus tem coisas maravilhosas para você e está pronto para concedê-las. Como disse anteriormente, é uma questão de escolha. Jesus veio tornar possível o acesso direto ao Pai. Ele mesmo é o único intercessor entre Deus e o homem, não precisa de "ajudantes" depois do terrível sacrifício na cruz do Calvário, o qual ninguém pode fazer. Observe o que escreveu o autor da carta aos Efésios: "Bendito o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (1.3). Isso não basta? Para que procurar em outras fontes depois d garantia do próprio Deus em Jesus Cristo, que pagou o alto preço e ainda "nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito da sua vontade" (v. 5). E não se esqueça do Salmo 68.2: "Como se impele a fumaça, assim tu os impeles; como a cera se derrete diante do fogo, assim perecem os ímpios diante de Deus; mas alegrem-se os justos, e se regozijam na presença de Deus e folguem de alegria". Por que se arriscar? As pessoas todas têm diante de si as portas do céu escancaradas e ficam procurando tranqueiras para obstar sua caminhada espiritual sadia. A rebeldia é um fruto da carne que Deus abomina. A insistência na procura de outros intercessores entre o homem e Deus além de Jesus, abre caminho uma para vida espiritual danosa, sem resultados e sem esperança. Muito pouco se poderá fazer para ajudar alguém que não abre mão das suas convicções erradas, acreditando piamente que estão certos. A insis-

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tência num caso desses poderá criar inimizades, raiva e uma resistência ainda maior em permanecer naquilo que acredita, às vezes, mesmo na dúvida e insatisfeito(a). Mas, se você é pessoa inteligente, embora praticante de alguma religião ou ritual equivocado, entendeu a mensagem bíblica. Afaste-se do mal e da aparência do mal, livre-se disso enquanto pode e tem tempo. Fazendo isso, você vai beneficiar-se com três coisas fundamentais para uma vida espiritual abundante e cheia de alegria: a) — Fará descobertas incríveis sobre o prazer de conhecer a Palavra de Deus, algo inusitado que nunca experimentou; b) - Sofrerá uma transformação milagrosa em sua vida, no seu modo de conduzir-se, causando espanto entre familiares e amigos; c) - Sentirá um prazer enorme em testemunhar para os outros o que aconteceu com você e o que poderá acontecer com todos que seguirem pelo mesmo caminho.

9.1.TSÍÃO rNSISTA~NO pessoas podem errar (e até têm esse direito), mas enquanto não conhecem a verdade. Depois de saberem que não estão certas, continuar insistindo, dizem, é falta de inteligência. A Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que foram severamente castigadas por continuarem errando por pura rebeldia, prazer de contrariar, tumultuar, perturbar. É preciso entender, entretanto que essa rebeldia e permanência no erro pode não ser por vontade própria de quem está errando, mas é possível existir uma força oculta que a impulsiona a fazer o que não gostaria de estar fazendo. Essa energia sobrenatural é tão intensa que cega, estimula, cria vícios, coloca dúvidas, embota o racio80


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cínio, impede uma tomada de posição mais arrojada. Muitos sofrem e choram, mas não conseguem abandonar os erros, dar meia volta e seguir em frente. Como o objetivo aqui não é julgar, fuja da retórica popular e muito própria para os casos difíceis: "Este não tem jeito, vai morrer assim. Já tentei de tudo". Na realidade, para lidar com pessoas renitentes, teimosas, ignorantes e compulsivas, "tentar de tudo", às vezes é mais nocivo do que benfazejo. O que se deve fazer é aplicar o que dá resultado e não se perder em "conselhos". As pessoas já sabem de cor e salteado o que devem ou não fazer. Os alcoólatras, por exemplo, sabem muito bem as consequências do alcoolismo, não é preciso ficar "buzinando" em seus ouvidos. Isso irrita muito e não dá resultados práticos. O que menos as pessoas envolvidas em coisas erradas precisam é de conselhos. Para que alguém deixe de insistir no erro, o primeiro passo é tentar conscientizá-lo(a) das consequências funestas para si mesmo, se continuar teimando. Em segundo lugar, essa pessoa deve compreender o porquê deixar seus erros e procurar um novo rumo. Muitos se convencem de que não podem mais continuar no mesmo caminho e mudam de uma hora para outra, por esforço próprio. Outros vão devagar, levantando, caindo, voltando às velhas práticas, deixando-as novamente, até a conscientização total da necessidade de mudança. Isso, tanto em relação aos erros envolvendo vícios e conduta reprovável como em referência às práticas religiosas equivocadas e longe da verdade bíblica. A única coisa necessária para uma pessoa fazer uma conversão radical é inteligência. Isso, pouco ou muito, todos têm. Finalizando, cada individuo é o único que deve realmente estar preocupado com a sua vida, o seu futuro e o destino da

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sua alma. A sua maneira de conduzir-se, o que faz no seu cotidiano vai refletir até onde sua influência alcança, na família, nos parentes, nos amigos, nos irmãos da igreja, no trabalho, na escola e onde mais conviver e atuar. A pergunta que se deve fazer a si mesmo é: "Qual a influência que estou deixando para as gerações futuras? A de uma pessoa que persistiu no erro a vida inteira, ou de alguém que aprendeu, lutou, venceu e deu a volta por cima? A escolha é sua, bênção ou maldição? Escolha hoje, pois, a bênção. Ela está reservada para você, ao alcance da sua mão, basta um pouco de boa vontade e dar chance para uma avaliação precisa da sua vida através do raciocínio inteligente. H

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"NÃO VOLTE

AO ESPOJADOURO

^\ possibilidade de recaída de uma pessoa que resolveu iniciar uma nova caminhada é muito grande. São muitos que voltam aos vícios e se tornam piores que antes. Voltam ao banditismo, às cadeias, penitenciárias e até as antigas práticas religiosas, feitiçarias e rituais ocultistas da magia negra ao sabath12. O indivíduo conquista uma grande vitória, apossa-se dela e vai muito bem durante um bom espaço de tempo. De repente, cai novamente nos mesmos erros e práticas anteriores, com mais ímpeto e dedicação. É uma decepção para a família, amigos e a igreja. Porque acontece essa volta ao passado abominável, povoado de angústias, cheio de tristezas e mágoas? Um dos motivos 12 Ou missa Negra, um ritual antiguíssimo original das úmidas e escuras florestas de Europa, no início da Idade Média, envolvendo rituais de bruxaria e lançamentos de maldições através da invocação de demónios. Alguns estudiosos afirmam que o sabath era um congresso de bruxas realizado anualmente.

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fundamentais da queda é o excesso de autoconfiança. A pessoa se sente segura, começa a negligenciar a prática da religião, afasta-se da igreja e vai aos poucos perdendo a devoção e a fé, abre a guarda novamente para o diabo e, quando percebe, já caiu novamente. Aí, para se levantar, fica terrivelmente mais difícil ou até impossível. A grande probabilidade de queda de um "convertido" a Jesus Cristo, ou de alguém que abandonou vícios é algo já previsto em todo processo de mudanças radicais. Na própria Bíblia há muitos exemplos de personagens que retrocederam e pagaram alto preço. Apóstolos do passado e evangelistas sempre alertaram para esse perigo, real e ameaçador, como Pedro em sua segunda carta: "Porquanto, se depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nela e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro" (2.20). Está vendo? O endemoninhado, prisioneiro do diabo de antes, volta em pior estado, parece ter saudades dos velhos tempos, não havia se livrado totalmente dos malefícios de Satanás e não resistiu aos seus acenos. Deve-se lembrar sempre que esta é a estratégia de Satã é ficar sempre esperando a volta daqueles que um dia se foram dele, mas não se preocupa com os que vêm. É como banqueiro de casa de jogos, não se importa que o jogador ganhe, e até gosta disso, porque o anima e o torna "freguês" da casa, perdendo muito mais do que ganhou nas próximas partidas. O diabo age assim: acena, faz lembrar os tempos do passado, não deixa apagar de tudo as memórias do passado, como marcas de pregos que foram arrancados da madeira. Mas Pedro alerta e diz muito bem: "Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da

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justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado" (2Pe 2.21). Nada mudou desde que o impulsivo Pedro percebeu o grande número de "desviados" da Igreja de Cristo. Ele, naturalmente, como apóstolo que andou com Jesus, se preocupou com a massa ignara e sem nenhuma convicção, conhecimento ou consciência daquilo que estavam fazendo. Se aquelas pessoas nunca tivessem se convertido, ainda teriam chances de fazê-lo, mas a segunda oportunidade pode não mais aparecer e muitos são os que ficam "vacinados" contra o evangelho, endurecem os corações e permanecem longe de Deus para sempre. Sofrer enquanto não se conhece a verdade é compreensível, mas voltar ao sofrimento depois de conhecer o bom caminho é coisa do diabo mesmo, como diz outra vez o velho Pedro: "...Porque de quem alguém é vencido, do tal se faz também servo" (2Pe 2.19). Se você um dia acreditou que se "converteu", deixou o mundo miserável em que vivia sob o jugo do capeta, frequentou uma igreja, talvez tenha até sido um oficial ou quem sabe, até um pastor, e agora, por uma desilusão qualquer, está achando que nada daquilo valeu a pena, você está sendo severamente tentado. Procure livrar-se da presença maligna e leia o que Pedro escreveu para você e tantos outros na mesma situação. "Deste modo, sobreveio-lhe o que por um verdadeiro provérbio se diz o cão voltou ao seu próprio vómito; a porca lavada voltou ao espojadouro de lama" (2.22). Imagine a intensidade da comparação de Pedro, igualando o desviado ao cachorro que novamente come o vómito, um nojo sem comparação. Este capítulo era necessário num livro sobre demónios territoriais. É o epílogo encerrando um conhecimento de fundamental importância para uma vida abundante. Ele visa reba-

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ter o prego do outro lado da madeira para não soltar sob pressão porque não faltarão emissários do diabo para demover o convertido do seu propósito. Entretanto, o mundo está cheio de gente feliz da vida por ter descoberto o quanto é bom deixar o caminho das trevas para seguir Jesus, amá-lo e comprometer-se com ele. Minha preocupação como autor não é com os críticos de plantão que nunca escreveram uma só linha, mas estão sempre com o machado levantado, prontos para decepar cabeças e, sim, com o que esta mensagem vai fazer nos corações de quem precisa dela.

10.1. FAÇA isso E TERJVÍA-NEÇA I_)esde o início da civilização a humanidade nunca descartou a real possibilidade da existência a ação de seres espirituais invisíveis na terra, procedentes de outra dimensão. Quer os homens os tenham chamado de deuses, espíritos de luz ou espíritos imundos, demónios ou orixás, o fato é que eles sempre causaram medo, rejeição, indiferença ou esperança, despertando a imaginação das civilizações através da História desde a antiguidade. Algumas entidades se destacaram mais que outras, conquistaram popularidade, ganharam mais força e devotos, chegando aos nossos dias com fôlego suficiente para ir muito mais longe, principalmente deuses e deusas do panteão afro, sincretizados com os "santos" do catolicismo romano. São eles, e outros menos cotados, que continuam dividindo a fé humana, disputando preferências e, não raramente, eficientemente confundindo multidões. 86


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1. Nunca pense que a galinha do vizinho é mais gorda. Olhe para o que há de melhor no seu quintal, ou seja: dentro de si mesmo. Contente-se com o que Deus lhe deu, isso é sempre o melhor que Ele tinha para você. Talvez a sua igreja não tenha o melhor pregador, nem os melhores cantores, mas é lá que você deve estar para ajudar, caminhar junto, repartir tarefas, fazer a diferença. É possível que você tenha sido o escolhido para fazer as coisas acontecerem onde você esteja. 2. Não desenvolva a doença moderna da superficialidade. Mergulhe fundo, deseje todas as experiências possíveis, estude, aprenda, descubra, vá ao máximo que puder. Quem sabe mais poderá ser mais útil, manda e comanda. Nenhum zero à esquerda faz a diferença no lugar onde está; mas quem sabe, faz e desfaz, muda e transforma. Aí, todos vão pedir para você ficar. 3. Não ande como barata tonta daqui para lá e de lá para cá. Demonstre firmeza, assuma um lugar onde possa atuar, fazendo algo que beneficie a todos. Pedra que muito rola não cria limo. Torne-se indispensável. As pessoas são produtos de seus atos e julgadas pelo que fazem e dizem. Essa ideia moderna de que as pessoas precisam mudar de um lado para outro para ganharem experiência, não é boa para firmar alicerces. No trabalho, na igreja em todos os lugares, seja firme. 4. Não procure defeitos no lugar onde estiver, você vai achar. Na Terra, nada do que é feito por mãos de homens é perfeito. Sempre haverá discordâncias, sempre existirão motivos para descontentamentos. Deve-se querer sempre o melhor, mas nunca o perfeito, ou certamente haverá decep-


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coes e, possivelmente, desistência. Lembre-se: tudo que fizer, também não será totalmente perfeito. Por isso, não exija perfeição dos outros porque, certamente, arranjará encrencas. 5. Procure a simplicidade. O trivial bem feito é melhor do que a sofisticação defeituosa. Nem todos têm o mesmo gosto e podem acompanhá-lo naquilo que você faz. Use a singeleza e faça com carinho, enfeite com arte, mas esqueça as lantejoulas. Todos vão gostar e estarão sempre dispostos a ajudarem. 6. Da firmeza de suas decisões, dependerá o seu futuro. Não seja volúvel, suas decisões precisam ser pesadas, medidas e contadas para evitar o máximo de dúvidas quanto ao acerto. A maioria se decepciona, desanima e desiste porque não ponderaram o suficiente na hora de decidir, foram mal desde o início. Vida espiritual, comunhão com a igreja são coisas sérias e sábias, não podem depender de escolhas irresponsáveis que poderão comprometer o futuro. Fazendo isso, dificilmente alguém desejará voltar ao espojadouro. Amém? 7. Cuidado com as companhias. Os "amigos" nem sempre são bons conselheiros. Se a pessoa não estiver firme, qualquer empurrão vai derrubá-la. Seja seletivo em suas amizades, gente que não ajuda construir, gosta de destruir porque não lhe custa nada, não têm pela causa verdadeiro apreço. M


11 ANTES DE ENCERg^R^.

arcos de Souza Borges, o Coty, escreveu no seu livro Padrão de Aconselhamento na Libertação (2011), a seguinte afirmação: "Toda autoridade demoníaca se fundamenta na transgressão humana em relação aos mandamentos de Deus". "A verdadeira libertação é sempre inspirada pelo temor de Deus que glorifica a cruz de Cristo". Essa teologia encerra todo entendimento sobre demónios e libertação. Os pecados autorizam a ação demoníaca sobre o pecador e a liberdade desse jugo só acontece quando o impenitente passa a temer mais o castigo de Deus do que sentir o prazer do pecado. Toda libertação deve ter em mira a glorificação do nome de Jesus e o enaltecimento do seu sacrifício vicário. Todo milagre testemunha o senhorio de Cristo, a sua supremacia sobre os mundos visível e invisível. Aproveitamos mais uma afirma-

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cão oportuna de Coty: "Muitas perseguições ou infestações demoníacas se dão através dos espíritos de enfermidade. Em alguns textos bíblicos observa-se a presença destes três conceitos: doenças, enfermidades e demónios, mostrando como eles podem se associar". Embora esteja biblicamente comprovado que possessão demoníaca, seguida ou não de enfermidades físicas, não escolhe vítimas, não se pode isentar pessoas da responsabilidade pelos ataques. Muitos procuram chifres na cabeça de cavalo e acham. Observei um moço sentado à mesa da calçada de um bar. Fazia-se acompanhar por dois meninos de aproximadamente quatro e seis anos. Pediu uma cerveja para si e uma Coca-cola para os garotos e ficou ali, sorvendo a sua bebida. Pouco depois apareceu outro rapaz, pediu mais uma cerveja e ambos sentaram-se para conversar e beber. Não é difícil prever que aqueles dois meninos têm bons exemplos para se tornarem assíduos frequentadores de bares e exímios bebedores de cerveja e outras bebidas, talvez até alcoólatras. Exemplos é o que determinam comportamentos futuros. Aqueles garotos estavam tendo um ensinamento muito eficaz de como se fazem homens viciados em bares e botecos, beberrões, viciados em diversos jogos disponíveis nesses locais de passa-tempo insalubre e impróprio para quem deseja levar uma vida equilibrada e abundante. Muitos são vítimas de demónios pela irresponsabilidade de adultos. Eles não percebem o mal que fazem dando péssimos exemplos às crianças e jovens. Muitos, ainda na infância, estão trilhando caminhos de horror por influência de adultos sem consciência, verdadeiros bichos na forma humana. Recentemente houve uma "limpa" num local denominado "Cracolândia", promovida pela polícia de São Paulo. A tele90


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visão mostrou o grande número de viciados dispersos pela cidade, andando sem rumo como zumbis13 ambulantes, totalmente desprovidos de vida física e espiritual. Havia uma quantidade lamentável de crianças no meio deles. Andares trôpegos, olhares desprovidos de brilho, opacos e perdidos, sem um mínimo de esperança, totalmente nas garras de terríveis demónios que agem em meio à miséria e ao vício. Demónios também se aproveitam da irresponsabilidade social dos governantes, da indiferença de quem poderia fazer algo, do interesse escuso de traficantes, ávidos pela riqueza fácil. Demónios se alojam em prédios e casarões abandonados e ficam ali, zumbindo como um enxame de abelhas, aos milhares, promovendo o inferno na sociedade, enfraquecendo-a em sua moralidade e anulando totalmente o futuro de jovens, muito mais próximos da morte do que da cura para os vícios malditos. No Brasil, por sinal, demónios territoriais encontraram terreno fertilíssimo e, talvez, seja aqui um de seus lugares preferidos, cada vez mais feroz, encarapitada nos governos, escolas, organizações sociais, clubes esportivos e até nas igrejas.

II.I.DEMCTNIOSÍRASILEIRPS SÃO MAIS PERVERSOS. enhum demónio é bom, mas em alguns lugares, são piores. Os que atuam no Brasil estão autorizados a darem o máximo da maldade pelo poder das trevas. Não é preciso ser um grande conhecedor da matéria para concluir-se que, em solo 13 Mortos-vivos. Segundo a crença vodu, eram cadáveres ambulantes sem espíritos que se movimentavam como robôs por um poder sobrenatural. Era uma espécie de maldição. Os zumbis nunca morriam.

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brasileiro, os demónios "deitam e rolam" por uma série de circunstâncias que facilitam o trabalho infame dessas entidades que, aos milhões, tornam a nação reduto das mais diversas castas. Matam, roubam, destroem, tiram a paz, promovem a desgraça social, incentivam a libertinagem, o malcaratismo, a corrupção, a imoralidade e todo tipo de desgraça que paira sobre esta terra de Vera Cruz. Neste país de gente folgazã, festeira, carnal e carnavalesca, onde a religiosidade meramente superficial aflora em milhares de lugares "sagrados", alguns até difíceis de entender como interior de grutas, úmidas e escuras, onde estátuas contemplam seus fieis com olhares piedosos, mortiços, mas com muita compaixão pelos que ali vão depositar suas esperanças. Qualquer pessoa que conheça um pouco da cultura brasileira e a história da sua religiosidade sabe que esta terra nem sempre foi "gentil", às vezes, nem "pátria amada". Aqui, o sangue de inocentes jorrou das veias de escravos negros, mataram-se índios como se abatiam animais peçonhentos. O país foi "descoberto" sob a égide da idolatria e para cá vieram as piores espécies da sociedade colonizadora decaída. Ladrões, assassinos, espertalhões, enganadores, traidores, alcoólatras, prostitutas, oposicionistas do governo e desterrados de toda espécie aqui aportaram, trazendo em suas bagagens tudo de condenável numa conduta ímpia, imoral, devassa, ambiciosa, injusta e cruel. O pensamento geral sempre foi o da exploração até à exaustão de toda riqueza possível, com a submissão à força dos fracos pelos fortes, como sanguessugas insaciáveis que só largam a presa quando morrem estufadas. Mais de cinco séculos depois, os brasileiros continuam com sua cultura extremamente idólatra. Grande número pratica a religião dos antepassados negros escravos, mas sem

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conhecerem seus fundamentos, origem, propostas, doutrinas e crenças. Os não praticantes, são simpatizantes. Vez ou outra buscam alento, "sorte" e proteção nos terreiros e fazem "obrigações" na esperança de realizarem desejos, satisfazer necessidades e concretizar sonhos. O Brasil é o país onde mais se matam e morrem no trânsito. É o lugar onde mais morrem jovens entre 19 e 28 anos assassinados, mas são também vítimas em potencial dos desastres automobilísticos, brigas de rua e acerto de contas no tráfico. É o local de maior descarga de drogas produzidas no mundo inteiro e abriga um dos mais significativos números de viciados entre as nações. É um país em que a ignorância e o analfabetismo campeiam. Uma República de iletrados, onde menos se lê no mundo. A terra do "jeitinho", da esperteza malandra, da "lei de Gerson", onde não levar vantagem é burrice. Com isso, o brasileiro é tido no exterior como um povo mal educado, irreverente, porcalhão, sem ética, faz necessidades físicas nos cantos dos muros, é muito mal visto fora do país, onde a polícia vigia de perto quem chega e dá graças a Deus quando vai embora. O sistema de ensino é péssimo, recebe as menores avaliações dos órgãos competentes internacionais, ficando na traseira de nações menores e menos expressivas. Aqui, o vandalismo não é punido com o rigor da lei, destroem-se o património público por pura ignorância, como um bando de selvagens sem educação, com um prazer mórbido em destruir o que custou o dinheiro de todos. Isso sem contar que, aqui, a injustiça impera de maneira terrível. As áreas social, económica e política sofrem com a indiferença e desacertos de quem poderia acenar com alguma esperança, mas prossegue sempre a péssima distribuição de renda, escrava de uma das maiores cargas tributárias do mun-

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do. Em 2011 foram mais de um trilhão e meio de reais, uma verdadeira fábula, mas o povo que depende da saúde pública é tratado como animais e continua morrendo nas portas dos hospitais. Enquanto isso, classes privilegiadas, políticos mais acentuadamente, ganham fortunas e têm privilégios de reis, tudo do bom e do melhor, restaurantes, hotéis de luxo, carrões, voos internacionais, hospitais de alto nível, médicos altamente especializados, seguros de toda espécie, moradia gratuita, aposentadorias milionárias e precoces e o povo, como dizia aquele humorista: "que se exploda!" Analisem e concluam por si mesmos se este não é um país que dá brechas às mais diversas castas de demónios que dominam áreas estratégicas usando pessoas, promovendo um dos maiores índices do mundo entre os crimes bárbaros, onde a punição é amena e a impunidade quase uma cultura, incentivando a transgressão, a contravenção e a ilegalidade. Tudo agravado pela religiosidade extremamente superficial, descompromissada, totalmente mística, burra e sem profundidade espiritual que exige conhecimento suficiente para mudar vidas e transformar realidades. Um país onde se bebe cada vez mais, homens e mulheres, jovens e crianças aprendem a apreciar o álcool desde tenra idade, tornando o Brasil um mercado em constante crescimento, empurrando índices de alcoolismo para a estratosfera. Poder-se-ia falar muito mais sobre motivos e razões de tanta desgraça que aflige este povo pacato, mas nem sempre ordeiro. Entretanto, isso poderá parecer a muitos como despeito, o extremo do pessimismo, um prazer mórbido em criticar sem atinar para o que de bom há por aqui. Mas, como o risco é o penhor da liberdade, deixemos registrado aquilo que muitos sabem, a maioria finge ignorar e, alguns poucos, não se confor-

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mam com isso e se empenham para mudar realidades que incomodam e afligem.

11.2. O QUE F AZERJSÍESSA BATALHA? o que diz respeito à moral e a ética, uma boa educação é urgente, com rompimento da cultura atravancadora do progresso e a implantação de uma nova realidade, priorizando a transformação através da observação de um comportamento mais civilizado, adequado a uma nação que deseja ser líder, cerrando fileiras entre as mais desenvolvidas do planeta. Isso não é fácil, requer o envolvimento total dos governos, da mídia em geral e das forças vivas da sociedade, numa união sem precedentes, movida pela determinação de realmente alcançar um novo porvir. Na área espiritual, cabe às igrejas cristãs autênticas encabeçarem a luta contra o domínio sobrenatural das trevas. A Igreja é depositária legítima da confiança de Deus e levantada exclusivamente para combater (e vencer), as forças satânicas. A luta que se trava no plano invisível é muito mais renhida, exige mais dos guerreiros que nela se engajam. A exigência rígida e obrigatória que se faz no alistamento a esse exército, onde muitos são chamados e poucos os escolhidos, há uma temeridade em relação ao preparo que a Igreja de hoje oferece aos seus recrutas. Implantar no mundo o verdadeiro cristianismo, remissor e transformador requer o uso do poder genuíno atuante na Igreja primitiva, total e não em partes, como hoje, onde se oferece apenas aquilo que agrada o povo sedento de algo mais consistente e profundo. Isso se compreende porque a organização eclesiástica reflete o que vai pela sociedade.


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O que ela vê, pensa e faz, adentra pelos templos, exigindo uma adequação ao atual, moderno, tecnologia de ponta que rejeita tudo que é considerado ultrapassado. Há, inquestionavelmente, um plano superior de resgate do pecador operando hoje como nunca, o que motiva a luta, incentiva a batalha e renova certeza de que o bem sempre vence o mal. Esse é o fato. Mas o momento atual é de uma reflexão mais profunda sobre os rumos da Igreja no mundo do século 21, caracterizado por um sistema globalizado14, onde as liberdades individuais ultrapassam o bom senso. Esse modernismo sem fronteiras não respeita o que de melhor havia no passado, tudo deve ser substituído pelo novo. Ele invade a Igreja como um tsunami, levando de roldão velhas e sadias convicções e costumes nunca questionados. A permissividade se tornou uma estratégia para reter jovens e adolescentes, inocentes joguinhos com personagens dos desenhos da televisão compõem o acervo didático das escolas dominicais para crianças e os hinos e canções tão espirituais e apreciadas no passado, embalando a fé de tantas gerações, já não servem mais. Essa caminhada de conformismo com o mundo está sufocando a espiritualidade nas igrejas e o que se observa é uma indiferença cada vez maior em relação ao sagrado, às coisas do espírito, ao conhecimento da Palavra e o prazer nas coisas de Deus. Observam-se hoje um número cada vez maior de jovens e crianças que se desligam dos sermões durante os cultos para se entreterem com seus celulares através de jogos e mensagens. A responsabilidade de um ensinamento cristão mais eficaz cabe à Igreja como corpo de Cristo, respaldada pela auten14 Palavra moderna para nomear o que é mundial, experimentado e conhecido por toda a humanidade ao mesmo tempo, disponibilizando conhecimento simultâneo de todas as coisas que acontecem para todo planeta. 96


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ticidade de suas mensagens, do comportamento resultante da santidade que a reveste, mas organizações eclesiásticas que alcançaram a grande mídia, podendo usá-la na busca da adoração genuína, perde-se em seus discursos mirando a arrecadação financeira e procurando agradar mais do que converter através do oferecimento de curas milagrosas, prosperidade sem limites, vida faustosa e livre dos problemas comuns aos mortais. As pessoas precisam de emprego, de libertação e, mais ainda, da salvação de suas almas pelo conhecimento transformador das Santas Escrituras e o abandono do mundanismo. A Igreja precisa voltar à sua verdadeira missão, a de criar uma consciência de santidade entre os cristãos modernos e modernosos, despertando um desejo mais intenso de se aprofundarem no conhecimento do cristianismo e seu postulado. Isso, com estratégias que dão prazer ao aprendizado, levando ao interesse para sufocar o desinteresse, inimigo número um do progresso intelectual e espiritual. Russell Shedd, em seu clássico O Mundo, A Carne e o Diabo (1991), diz que "a carne é inconsciente e lenta na luta para o bem", e que esta luta exige capacitação, sendo exatamente esta falta que preocupa cristãos engajados e líderes conscientes. É quase impensável o número de "evangélicos" que não conhecem a Bíblia, lêem de vez em quando um versículo aqui e outro ali, sem entenderem o contexto, e refratários a uma preparação mais profunda, totalmente indiferentes à necessidade de treinamento e a aquisição de um conhecimento mais denso e esclarecedor. Isso forma soldados frouxos e medrosos, despreparados para a grande batalha que se trava nas regiões invisíveis. O pastor Shedd encontra um exemplo

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em Davi, que rejeitou a armadura do rei, e valeu-se da ajuda do Espírito de Deus para vencer a força iníqua ameaçadora. Para assegurar-se da vitória, o cristão deve revestir-se da armadura de Deus que nunca mudou, mortificando os desejos da carne, muito presentes nesses momentos de extremos desafios, das liberdades sem porteiras, da preguiça espiritual, dos conteúdos da Internet, paralisadores dos sentidos e do raciocínio. Somente uma retomada de rumos pela Igreja cristã, uma volta a compreensão real do que seja transformação do ser, com abandono da onda de transformismo, poderá por novamente em relevo a atuação do Espírito Santo no interior dos templos. Estes são lugares adequados para os debates sobre estratégias e ações no combate efetivo às forças malignas que assolam o género humano num sistema de governo material e espiritual bruto e injusto. Entretanto, Deus não desiste dos seus planos. A verdadeira Igreja, noiva imaculada de Cristo, continua no mundo, vai cumprir a sua missão, vai continuar lutando até ser arrebatada deste sistema de coisas para participar da vitória definitiva contra as hostes satânicas no Armagedom, apesar da superficialidade e falta de compromisso de hoje. O experiente pastor Shedd fala sobre quatro estratégias bíblicas na luta contra a carne, e consequentemente, contra os assaltos do diabo e seus dardos inflamados, constantemente disparados contra homens e mulheres, crentes e descrentes, velhos e moços, indistintamente, sem tréguas, matando e destruindo (pg. 77). l. Destrua a fonte de sustento da concupiscência carnal. Sufoque todo desejo que possa compuscar a saúde do espírito, verdadeiro e único depositário da força sobrenatural capaz de vencer o inimigo. 98


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2. Afaste-se das paixões infames. Os extremos são perigosos quando fogem do controle da razão. A carne morta continua respirando e aspirando, ela quer prazer, liberdade sem responsabilidade e detesta que a forcem a um comportamento mais recatado. 3. Mate os "feitos" da carne. Ela gosta de bajulação, de "aparecer", de ser paparicada e de estar sob "luzes de holofotes". Tire a vitalidade das paixões que o atormentam. Paulo disse que os feitos do corpo matam (Rm 8.13). 4. Faça viver intensamente o espírito, despojando-se do velho homem. Revestir-se quer dizer tornar a vestir, trocar de roupas. No sentido bíblico, tornar-se uma nova criatura, um novo homem, despojado dos velhos costumes, antigos pensamentos, cultura ultrapassada, tornando-se irrepreensível aos olhos de Deus e do mundo. Este é um assunto praticamente inesgotável. Seria muita pretensão minha querer ir além do que já fui, mas se o texto lido serviu para "mexer" com você, dou-me por satisfeito, embora não acomodado, esperando que isso baste para mudar os rumos daquilo que, no meu ponto de vista, não está correto em relação à Igreja de Cristo, como corpo místico, imaculada e também como organização terrena, falha e necessitada. Jesus e Paulo atribuem a Satanás o título de "deus deste mundo", não gratuitamente, porque o príncipe das trevas faz jus a esse título por sua ação na guerra conta os escolhidos de Deus, colocando no interior dos templos todo mundanismo que é capaz de criar. Pense e Aprofunde-se no conhecimento das suas armas e entre nessa luta.

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OKCLUSAO

[ alvez eu não tenha sido suficientemente claro em algumas ideias, nem bastante explícito e objetivo em alguns pensamentos e posso também não ter sido feliz em algumas colocações ou ter cometido algum equívoco, mas sei que os leitores vão aprender o fundamental sobre demónios territoriais, guerra espiritual, ocultismo, espiritismo, doutrinas cristãs e outros assuntos não menos empolgantes. Na demonologia aqui exposta, abordamos aspectos sobre o "modus operandis" dessa casta iníqua, sua natureza, seu modo de agir, seus locais preferidos, seu trabalho nefasto no mister de tragar todo o planeta e acabar com a humanidade. Sei também que, como cristãos, pensarão um pouco mais na sua caminhada, em tudo que não fez e poderá fazer pela genuína espiritualidade. Quero colocar algo que julgo de extrema importância. A primeira consideração é que o mal deixa marcas que dificilmente se apagam para sempre, cicatrizes que não desaparecem, ficando sempre a lembrar que o perigo ronda, o inimigo está à espreita e pronto para reabrir as feridas, trazendo à tona dores e mágoas, ferramentas que constantemente usa na sua guerra. A segunda é como lidar com isso. O passado de sofrimentos e dores deveria, mesmo, ser totalmente esquecido, varrido da mente apagadas as lembranças tristes, mas o diabo não quer isso, ele é torturador, seu prazer é o eterno sofrimento do ser humano. Essa índole diabólica exige cuidados especiais das 101


famílias e pessoas que convivem com alguém que já esteve no extremo de um mundo tenebroso. Não se pode esquecer de que aqui na terra, estamos todos em recuperação permanente, podendo haver queda a qualquer momento, anulando todo esforço, dedicação e trabalho empenhados num processo de transformação, deixando a impressão de inutilidade e de uma efémera duração. Por causa disso, é necessário um estado de alerta constante. Pessoas há que, a uma simples discussão, costuma "Jogar na cara" de outros as mazelas do seu passado, coisas que já causaram suficientes desgostos e que ficaram para trás, mas alguém sempre faz questão de lembrar, parecendo um castigo imposto por um algoz cruel, sempre pronto para o golpe fatal. Pode crer que isso não é coisa de Deus. Ele faz tudo novo, tira os pregos da madeira e ninguém tem o direito de lembrar suas marcas. Essa prática poderá ser torturante, magoa profundamente e pode tornar-se porta de entrada para o maligno, empurrando a pessoa a um retrocesso ao mundo das trevas em que vivia anteriormente. Não raramente, é isso que acontece mesmo, embora a pessoa conheça muito bem a realidade do seu passado de dor e sofrimento. Conheci um jovem homossexual que se converteu a Cristo, deixou sua prática e passou a dar testemunho do que Jesus havia feito em sua vida, tornando-se um pregador que reunia multidões para ouvi-lo. Numa conversa informal entre mim e ele, confessou-me que a sua maior tristeza era encontrar com amigos do passado e estes ficarem lembrando-o de fatos e pessoas que marcaram um tempo de impiedade e devassidão. A pessoa, mesmo transformada, vivendo uma nova realidade espiritual, é extremamente frágil em sua estrutura psicológica, abalada por traumas, receios, insegurança e incertezas pelas

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lembranças retidas no inconsciente e que podem aflorar, causando perturbações desnecessárias, que podem facilmente serem evitadas. Essa insistência em lembrar o passado tenebroso acontece entre a humanidade desde o início da História. Guerras, sangue, tristezas e dores são testemunhas eternas das barbaridades cometidas ao longo de séculos e séculos, provam a ação maligna que sempre comandou o mundo obscuro das trevas, pleno de desgraças. A marca da presença da destruição e morte permanece na memória humana e, de vez em quando, vem à tona através de discursos inflamados, ódios que se reacendem, mágoas que ficam nos corações pelas posturas racistas do passado e atuais, pelas perseguições políticas, torturas e mortes, pelas diferenças ideológicas, tudo promovendo um avivamento de monstruosidades que só os demónios têm prazer nelas. Além disso, há também o testemunho mudo das ruínas ainda em pé, não permitindo à humanidade esquecer o quanto foi selvagem, ignorante, distanciada da verdadeira graça de Deus. O Coliseu de Roma é o melhor exemplo da lembrança de um tempo extremamente mau que a própria História insiste em lembrar. Quem contempla aquelas ruínas (morada de demónios), tem a impressão de ainda ouvir os gritos da turba enlouquecida, sedenta de sangue, exigindo a morte de homens e mulheres, cujos crimes foram tornarem-se seguidores das ideias de um homem meigo, justo e santo, pregador da verdade que muitos não gostam de ouvir, chamado Jesus. É possível, ainda hoje, fechar os olhos e ouvir os gritos dos cristãos sendo estraçalhados por leões famintos, bestas feras de garras poderosas, com instinto assassino e objetivo único de matar e comer.

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São mágoas que permanecem acesas sob as cinzas de algo que passou, mas que basta um sopro para reavivá-las e voltarem a queimar. Se você é cristão sincero, esqueça definitivamente um passado que não vale a pena lembrar. Enquanto se perde tempo remoendo coisas que já se foram, deixa-se de ver e aproveitar excelentes chances para promover o futuro, prepará-lo para dias melhores, introduzindo a tão almejada felicidade que todo ser humano procura desde a fundação do mundo. Ficar lembrando o passado e, pior, jogá-lo na cara de alguém atribuindo culpas, fazendo cobranças, censurando, é certamente o mais indecente pecado que se comete contra um ser humano, é essencialmente demoníaco e maior fonte de desavenças, desentendimentos, separações, avivamento de mágoas, sofrimento e tristezas. Se você entendeu isso e a necessidade dessas considerações, minha conclusão foi com chave de ouro. As boas recordações fazem bem à alma e você, com certeza, as tem muito. Não torture alguém que você ama tocando-lhe nas feridas. Aproveite ao máximo tudo de bom que as pessoas queridas possam lhe oferecer, guarde a língua, afaste a ignorância, a vida é curta demais para que se dê lugar às maquinações do diabo. Muitos deram a própria vida para que o mundo fosse melhor, sofreram dores terríveis na carne, foram torturados, mas não renegaram seus ideais e crenças na possibilidade de um novo amanhecer. Não torne a morte desses homens e mulheres em vão, dê a sua parcela de contribuição para que os sonhos deles, naquilo que acreditaram, se tornem realidade um dia. Obrigado pela sua leitura.

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PESQUISADOS E LIVROS RECOMENDADOS

BORGES, Marcos de Souza (Coty). Padrão de Aconselhamento na Libertação, Jocum, 2011, 235pp. BOYER, O. S. Enciclopédia Bíblica, CPAD, Rio de Janeiro, 1987, 810pp. HURLBUT, Jesse Lymann, História da Igreja Cristã, Vida, São Paulo, 2ed., 1986, 255pp. ITIOKA, Neusa. Os Deuses da Umbanda, ABU, São Paulo, led., 1988,235pp MACKEY, Albert G., O Simbolismo da Maçonaria, Universo dos Livros, São Paulo, 2008, led., 160pp. MILTON. S. V. Demónios Familiares, A.D. Santos, Curitiba, 2010, laed, 104pp. OLIVEIRA, Raimundo F. Seitas e Heresias, Um sinal dos Tempos, CPAD, Rio de Janeiro, 1987, laed, 256pp. PACAUT, M. As instituições Religiosas, Difusão Europeia do Livro, São Paulo, 1966, Ed. Única. SHEDD, Russel. O Mundo, a Carne e o Diabo, Vida Nova, São Paulo, laed., 1991, 126pp. ARTIGO: Você melhor, o mundo melhor, Seleções do Readers Digest, Rio de Janeiro, Maio de 2009. 105


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Devocionais para abençoar a sua vida e a de sua família Vinde Amados Meus Meditações Este livro poderoso tocou incontáveis leitores lembrando o convite do Senhor. "Vinde amados meus e experimentem o meu cuidado e a minha provisão". Deus o ama e quer falar-lhe as palavras que você quer e precisa ouvir. Autora: Francês J. Roberts Formato: 1 4 x 2 1 cm Número de páginas: 224 ISBN: 978.85.7459-158-2

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A Viagem do Outro Cristão Este maravilhoso guia oferece pensamentos que poderão mudar a sua caminhada diária. Ampla variedade de tópicos como integridade, disciplina, significado da vida, vida abundante e a vontade de Deus. Uma ferramenta que apontará para JESUS - o alvo final desta vida. Autora: Francês J. Roberts Formato: 1 4 x 2 1 cm Número de páginas: 11 8 ISBN: 978.85.7459-183-4

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VINDE AMADOS MEUS!

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Meditações sobre o amor de Deus Da mesma autora de VINDE AMADOS MEUS aborda questões da vida. Oferece ensinamentos bíblicos, encorajamento e desafios espirituais para ajuda-lo a crescer em seu conhecimento e compromisso com Deus. Uma experiência revigorante! Autora: Francês J. Roberts Formato: 1 4 x 2 1 cm Número de páginas: 240 ISBN: 978.85.7459-277-0


RR1TOR1AÍ Este é um assunto polémico, mas irresistível, pois é certo que existe muito mais no mundo espiritual do que podemos imaginar.

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Demónios existem? Podem nos influenciar? Eles têm poder? Podem nos atingir? Por que tantos são indiferentes a este assunto? Por que tantos são atingidos?

sobre os anjos caídos e os territórios que eles tentam dominar. "O homem passou pelo local abandonado. Ele sentiu um arrepio na nuca, sentiu medo, mas pior que isso, sentiu que algo tremendamente maligno o observava. Aquele local estava tomado por demónios e ele precisava afastar-se dali o mais rápido possível..." Em Demónios Territoriais S. V. Milton mostra mais uma vez sua habilidade em misturar suspense, fatos bíblicos com fascinantes informações sobre <

^SANTOS j l D l l O RA 1

9"788574"592848"


Demonios territoriais s v milton