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SALVADOR SEGUNDA-FEIRA 26/8/2013

Bel Pedrosa / Divulgação

VISUAIS A mostra Gil70, que já passou por três cidades, chega ao Palacete das Artes

A diversidade da obra de Gilberto Gil na visão de vários artistas MARCELO ARGÔLO

Gilberto Gil faz parte do grupo de artistas que, no ano passado, completaram 70 anos, mas continuam em plena atividade. Por isso, a exposição em homenagem ao aniversário de Gil, pensada pelo designer André Vallias, tinha como objetivo fugir da perspectiva histórica. A ideia era buscar refletir a diversidade da obra do baiano. “A exposição não é um balanço da carreira do Gil, é na verdade uma espécie de mosaico que reflete um pouco a diversidade da obra dele através de artistas das mais variadas gerações e trabalhando com os mais variados suportes”, conta Vallias. Depois de passar pelas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, a exposição Gil70 chega a Salvador. A mostra, que fica em cartaz no Palacete das Artes, será aberta amanhã, às 19h30. A visitação segue até 27 de outubro, de terça a sexta, das 13 às 19 horas, e sábado, domingo e feriados, das 14 às 19 horas. A inauguração conta com a presença do curador André Vallias e do homenageado Gilberto Gil e será aberta ao público.

Variedade de suportes

Uma característica da exposição é a diversidade de suportes. Entre os 23 trabalhos que a com-

põem, há pintura, grafite, vídeo, fotografia, escultura, poesia visual e instalação. “O objetivo de usar os variados suportes era justamente espelhar a própria diversidade dos interesses do Gil”, diz o curador. As obras são de 27 artistas que dialogam com as diferentes formas de expressão artística. Arnaldo Antunes, Adriana Calcanhotto, Augusto de Campos, Lula Buarque de Hollanda e Caetano Veloso são alguns dos nomes que expõem trabalhos. A tecnologia é um dos temas mais trabalhados na exposição. Não por acaso, é também um tema muito presente na obra do cantor e compositor. “O tema sempre foi muito presente na obra do Gil, na maneira como ele sempre abraçou as novas tecnologias e refletiu sobre isso”, afirma Vallias.

Linha do tempo

Um dos principais atrativos da exposição é a linha do tempo. Ela foi construída pelo próprio curador e funciona como uma espinha dorsal da exposição. “A ideia foi fazer uma linha do tempo bastante detalhada e ao mesmo tempo também colocar fatos da História do Brasil e do mundo. E relacionar isso com as coisas que aconteciam na vida do Gil”, conta Vallias. Quatro tótens multimídias

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1. Videoinstalação Gondwana, de Andrucha Waddington, Lula Buarque de Hollanda e Gualter Pupo 2. Obra de Vivian Caccuri: um estúdio sonoro batizado de Sala Dub (Quarto mundo) 3. Poema-instalação Gilberto misterioso, obra produzida por Caetano Veloso

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3 Divulgação

A exposição tem tablets com 70 músicas, além das letras e comentários de Gil sobre as canções

acompanham a linha do tempo. Neles há trechos de vídeos com depoimentos de Gilberto Gil sobre sua vida, desde a infância até o tempo depois de ser ministro da Cultura. Os conteúdos dos tótens estão dispostos em uma ordem cronológica de assuntos. Além dos tótens, a exposição também conta com tablets com

70 músicas compostas por Gil sem parceiros. Os tablets ainda têm a letra e comentários de Gil sobre as canções. “Escolhemos músicas das mais emblemáticas e também músicas que alguns artistas usaram como referência. Uma canção, que não é tão conhecida, mas foi usado por algum artista como referência para a sua obra,

está nos tabletes. Na obra a gente coloca uma legenda com o número do tablet que tem a música para ouvir”, conta o curador. GIL70 / ABERTURA: AMANHÃ, ÀS 19H30 / VISITAÇÃO: DE TERÇA A SEXTA, DAS 13H ÀS 19H; SÁBADO, DOMINGO E FERIADOS, DAS 14H ÀS 19H / PALACETE DAS ARTES / ENTRADA FRANCA

Walter de Carvalho / Ag. A TARDE / 28.10.2005

LUTO

Escritores baianos lamentam morte de Sonia Coutinho, premiada com dois Jabuti VERENA PARANHOS

O corpo da escritora baiana Sonia Coutinho será cremado hoje, às 11 horas, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. Sonia faleceu sábado, aos 74 anos, em decorrência de uma parada cardíaca. O corpo foi velado ontem, no Cemitério São João Batista, também no Rio, onde vivia desde o final da década de 1960. Sonia Coutinho nasceu em Itabuna, em 1939, e era filha do poeta simbolista Nathan Coutinho (1911-1991), que foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa da Bahia. Seu primeiro livro, O Herói Inútil, foi lançado em 1964, em Salvador, pela Ed. Macunaíma. Romancista, contista e tradutora, Sonia ganhou duas vezes o Prêmio Jabuti de Literatura. Em 1979, com Os Venenos de Lucrécia, e em 1999, com Os Seios de Pandora. Em 2006, a escritora recebeu o Prêmio Clarice Lispector, da

Biblioteca Nacional, para o melhor livro de contos com Ovelha Negra e Amiga Loura. Entre outros títulos da autora, destaque para Uma Certa Felicidade, Mil Olhos de Uma Rosa (2001), O Caso Alice (1991) e O Jogo de Ifá (2001).

Perda

Sonia Coutinho foi casada com o poeta, escritor e jornalista Florisvaldo Mattos, com quem teve uma filha, a psicóloga Elsa de Mattos. “Ela foi uma pessoa de muita qualidade criativa e muito preparo cultural. Foi para o Rio de Janeiro e lá se realizou como uma das grandes de sua geração”, diz Florisvaldo Mattos. Ruy Espinheira Filho, jornalista e membro da Academia de Letras da Bahia, recebeu com surpresa a notícia do falecimento da amiga, com quem esteve há pouco mais de um mês, em Salvador. “É uma pena que isso tenha acontecido, é uma grande perda

para a nossa literatura. Sonia era uma das melhores ficcionistas brasileiras, tem um trabalho muito bom”, afirma. Segundo Espinheira Filho, na conversa que tiveram recentemente, a escritora estava bem e animada em continuar produzindo. “Ela estava planejando ir a Paris lançar um livro” , contou em entrevista por telefone. A escritora participou de várias antologias nacionais e internacionais e teve sua obra também publicada nos Estados Unidos, na França e na Alemanha. Seu conto Toda Lana Turner Tem Seu Johnny Stompanato, publicado originalmente em seu livro O Último Verão de Copacabana, foi incluído na antologia Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Italo Moriconi. Em 1994, a escritora ganhou o título de mestre em teoria da comunicação com a tese-ensaio Rainha do Crime — Ótica Feminina no Romance Policial.

A escritora baiana Sonia Coutinho morreu sábado e o corpo será cremado hoje, no Rio de Janeiro

A autora ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura (1979 e 1999) e o Prêmio Clarice Lispector (2006)

“Pessoa de muita qualidade criativa e preparo cultural, uma das grandes de sua geração”

“É uma grande perda para a nossa literatura. Era uma das melhores ficcionistas”

FLORISVALDO MATTOS, escritor e jornalista

RUY ESPINHEIRA FILHO, escritor

Exposição gil  
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