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Rio de Janeiro

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CAROL W: Meu reino por um caramelo!

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E mais: Entrevista com ANDRE ARRUDA


Sumรกrio Meu Reino por um Caramelo! Entrevista - Andre Arruda

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Exposição / Carol W Meu Reino por um

Caramelo!

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erônimo é um menino simples, que brinca de pé no chão pela vizinhança. Ele tem um Reino Imaginário, só dele, que criou em sua imaginação de criança livre. Ele visita esse reino todos os dias, depois de colocar sua coroa de papelão (que para ele reluz como ouro). Lá, príncipe, ele decreta leis, luta com dragões, corre e voa com seu poderoso cavalo, conquista a mais bela princesa...

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Nessa exposição, Jerônimo nos mostra uma pouco desse reino mágico, lúdico e totalmente possível. Uma rainha com o estranho hobby de colecionar borboletas vivas, um rei que pega

carona em pássaros de pernas longas, um desbravador de terras que tem rodas no lugar de pernas, pássaros que conduzem carruagens... A imaginação de uma criança não tem limites!

Mas Jerônimo adora caramelos. E hoje especialmente, ele está com uma vontade imensa de comer muitos deles. Ele até se contentaria com um só. Jerônimo não tem nenhuma moeda e a vontade é tanta, mas tanta mesmo, que hoje, sem pensar muito, ele teria a

coragem e o desprendimento de trocar todo esse lindo reino que é só dele, toda essa fantasia onde todo dia ele se refugia, por um caramelo: - Meu Reino por um Caramelo! Anuncia Jerônimo, sentado em seu trono real.

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“A imaginação de uma criança não tem limites!”

Carol W

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Entrevista

Andre Arruda

C

arioca, formado em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo Audiovisual, o fotógrafo Andre Arruda já trabalhou em jornais importantes, como o Jornal do Brasil e O Globo. Atualmente trabalha na área publicitária e editorial, mas

sem deixar de lado o trabalho autoral, onde tem liberdade de expressar sua criatividade em ensaios como o Fortia Femina e no livro 100 coisas que cem pessoas não vivem sem. Suas fontes de inspiração são as mais váriadas.

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Como foi o seu primeiro contato com a fotografia e como foi a decisão de se profissionalizar?

Como surgiu a oportunidade no meio editorial?

AA. Antes tive um experiência AA. Meu pai tinha uma TLR BeautyFlex, amarguíssima. Fui em um determinado imitação japonesa da Rolley, e fiz jornal levando meu humilde portifolio, algumas fotos com ela quando criança. basicamente um ensaio sobre Cheguei inclusive a tentar fazer uma Copacabana. Depois de dias tentando, estória em quadrinhos com avioes consigo uma hora para conversar com da II guerra, modelos de montar o editor. Chego lá, quem me atende Revell, que é claro, não ficaram é um coordenador, que abre a pasta, técnicamente boas. Me lembro até hoje folheia as fotos com o desdém de um da imensa sensação de dificuldade delegado de polícia, e ainda vira pro daquela tarefa. Um dia a câmera lado, falando com outra pessoa: “O teu pifou e não tinha conserto. Como a vascão ontem, hein?” Joga a pasta na família não tinha recursos, ficou-se mesa e diz secamente: “Serve não”. sem equipamento mesmo. Depois, Volto pra casa com a pasta “pesando somente na faculdade tive contato com uns 100 kg” e com uma decepção fotografia, numa aula de fotojornalismo. knock down. Uns dois anos depois, já Nos foi mostrada uma série de fotos na lida do jornalismo, encontrei o sujeito de HCB e aquela imagética foi como do “serve não” numa cobertura qualquer se eu tivesse aprendido uma língua e o pessoal foi almoçar e ele não tinha nova instantaneamente. No curso de grana: acabei pagando o almoço dele. jornalismo comecei a me interar da O ensaio que não serviu ganhou um fotografia e pouco tempo depois resolvi prêmio na Funarte, outro da UFF e foi ser fotógrafo. Mal sabia da fria em que publicado em quatro páginas na Revista estava me metendo. de Domingo, do JB, o principal encarte do Rio naquele tempo. Mas voltando: Um amigo trabalhava no extinto Jornal do Brasil e disse que tinha vaga lá. Marquei uma hora com o editor, o caladíssimo Rogério Reis, que viu o portfolio “inútil” e me admitiu. Depois de um ano tentando entrar lá, consegui. Ainda tive a sorte de estar no fim da era de ouro do fotojornalismo, que no JB era capitaneado pelos editores Rogério Reis e Flavio Rodrigues, um período intenso e de muita cobrança, de salários baixos mas de muita criatividade, onde a editoria de fotografia era composta por um time de feras. Impossível não 8


ter saudade daquela época, onde nem se sonhava com a internet. Fiquei lá de 92 a 98 e em outro jornal de 98 a 2000, mas nunca me senti o repórter per se, sempre gostei de features, de fotografia mais “pensada”. Qual a importância de um trabalho autoral para quem trabalha apenas comercialmente? AA. É fundamental, absolutamente. Eu creio – na maioria dos casos - o trabalho comercial deve financiar o trabalho autoral, pois este irá nortear a carreira do fotógrafo. O fotógrafo deve estar atento para não se tornar mais uma peça dentro do mercado.

vendi uma única cópia para coleção. O “100” nasceu da idéia de fazer um livro de retratos, mas não queria um tomo que fosse um compilação de fotos de gente, isso o medium visual está repleto e sinceramente acho repetitivo e um tanto tedioso. Como toquei baixo muitos anos, tive bandas e escrevi muitas letras, creio que títulos/temas são tão importantes quanto a obra. Nome é destino. Comecei a brincar com a idéia de número, de rima, de ritmo, de pessoas e que o conceito de uma pergunta instigaria o leitor. Depois de muita elocubração, veio o título, cujo paradoxal conceito é “arqueologia instantânea”, conhecer um pouco as pessoas pelos seus objetos. E desde agosto de 2005 venho fazendo o “100”, um desafio logístico muito pesado. E bancado integralmente por mim.

Como é a concepção do trabalho autoral e como funciona o seu processo de criação? AA. No momento tenho dois trabalhos de minha inteira concepção, “Fortia Femina” e um livro chamado “100 Coisas que cem pessoas não vivem sem”. O “Fortia” é um ensaio sobre mulheres adeptas da musculação, em preto e branco, de viés livre de publicação ou lucro. São imagens que não residem num limbo preferencial: ou se ama ou se odeia. Até agora não 9



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