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Tecnas__Puc-Rio 2013.2__Marcella Mazzoni__Zoy Anastassakis e Flavia Nizia


Agradeรงo a Luisa Fosco, fotรณgrafa e Bruna Magalhรฃes, modelo.


sumário tecnas

01. introdução 02. referência_ suzana queiroga 03. referência_ mana bernardes 04. referência_ cristian zuzunaga 05. público alvo 06. sistema_ processo 08. processo_ estampa guia 09. estampa tarde 10. estampa manhã 11. estampa noite 12. processo_ estampa quadra 13. estampa quadra 14. processo_ estampa bloco 15. desenho vetorizado 16. botões 17. colar

18. colar_ experimentação da forma 19. colar monocromático 20. colar bicolor 21. colar pingente unico 22. brincos 24. joias 25. joias_ prata 925 26. coleção_ desenhos 27. saia paete 28. saia neoprene 29. vestido longo 30. blusa 31. carteira de mão 32. coleção_ fotos 59. conclusão 61. bibliografia


introdução tecnas

Esse projeto buscou experimentar como tecnologias gráficas (como corte a laser e sublimação digital) funcionavam aplicadas em diferentes materiais, afim de gerar uma comunicação visual instigante. A fusão da técnica com material e o suporte, é aplicada no vestuário com o intuito de criar uma linha de objetos, que instigue a curiosidade do olhar, promovendo uma reflexão estética sobre o pensamento projetual. Para essa investigação, trago conceitualmente a temática das imagens de satélite, que por si só já geram um novo ângulo de visualização, pois promovem uma visão vertical do mundo; uma imagem orgânica vista por uma interface digital com diferentes níveis de aproximação e definição. Paul Claval, em “A Paisagem dos Geógrafos” diz que conceber a paisagem como interface, transforma as maneiras de analisálas (CLAVAL, 2004). Toda imagem gerada a partir de uma representação da paisagem, é fruto de

uma escolha, mesmo a captada por satélites. Isto é fácil de perceber quando comparamos a resolução das imagens de diferentes partes do globo. Existe, portanto, uma dimensão subjetiva na representação da realidade. O corpo é uma galeria em movimento, um mecanismo de comunicação visual de longa distância. onde o usuário consegue transmitir um pensamento/ intenção ao observador. O objetivo é sensibilizar através de outro contato, com novas formas de enxergar (novos olhares) uma mesma imagem. As roupas/acessórios resultantes desse estudo não seguem uma tendência. Fogem da moda, em uma tentativa de dialogar com a arte. Trata-se de interpretar um conceito, explorando materiais e técnicas em busca da atemporalidade do objeto. Além de propor o fortalecimento da relação entre arte e design, tecnologia e manufatura, moda e arquitetura, como meio de expressão, comunicação

e sensibilidade estética.Também objetiva funcionar como contraposição à tendência da padronização, a partir da criação de peças únicas e originais. Nesse projeto escolhi trabalhar com o corte a laser e a sublimação digital, procuro experimentar diferentes materias retirando os de seu contexo original e como eles reagem ao serem expostos a tais tecnologias.Uso tela de cerca de fibra de vidro e pvc de cozinha para serem o suporte de peças de acrilico espelhado em uma carteira de mão, é um exemplo dos diferentes materias usados na geração das peças. Com esse objetivo desenvolvi um sistema onde cada imagem é retirada da aproximação de sua mesma representação e interpretada em um objeto, criando assim uma colecão toda gerada a partir da mesma região. Essa coleção consiste de roupas, bolsas, colares e brincos. 01


referências suzana queiroga o enquadramento fixo, posto que podia não só se mover (como aviões, naves e câmeras), como também aparecer em planta, qual um mapa, e em diversos outros enquadramentos. O contraste entre formulações tão divergentes sobre a representação da paisagem nos mostra que os meios técnicos e os repertórios que constituem a produção de imagens variam consideravelmente a cada cultura, e nos diversos períodos da história.Vistas de cima, em planta, sem a profundidade do horizonte, essas paisagens apresentam- nos fragmentos da superfície terrestre. Os Velofluxos vão além do campo estritamente ótico, característico da série de pinturas

Stein und Fluss (2004), já que transbordaram da percepção para o mundo (mapas).A mostra Velofluxo trata não só dessa outra paisagem, como também a expande para espaços fora do quadro. Cerca de 30 desenhos e pequenas pinturas, profusamente coloridos, estão expostos sobre bancadas que permitem ao público vê-los em planta, tal como se vêem mapas, e, no percurso proposto, acompanhar, ainda que de modo resumido, os precedentes imediatos dos Velofluxos e seus desdobramentos essenciais no plano pictórico.

suzana queiroga _ trabalho velofluxos

Fernando Cocchiarale curador, professor, filósofo e crítico de arte escreveu o texto “ Velofluxos do espaço-tempo ” nele comenta sobre os trabalhos de Suzana Queiroga, em particular o Velofluxos. “Baseados em plantas de espaços urbanos reais (Londres, Berlim, Milão, Rio de Janeiro, Brasília, etc.), sem, contudo, descrevê-los, os Velofluxos são trabalhos sobre redes de fluxos (análogos às malhas urbanas) e suas irradiações no tempo. Mas eles são, sobretudo, paisagens pintadas segundo pressupostos bastante diversos daqueles das cenas ao ar livre que se descortinavam através da janela pictórica renascentista. Um dos mais importantes gêneros da história da pintura, a paisagem foi concebida pela arte do Ocidente como o enquadramento, em retângulos horizontais, de cenas ao ar livre. Muitos ainda supõem que essa concepção seja uma decorrência natural e lógica da existência perceptível da linha do horizonte. Mas em realidade ela manifesta uma invenção histórica e, portanto, relativa. A construção da perspectiva partia da demarcação do horizonte, para o qual fugiam as projeções de todos os objetos situados no primeiro plano do quadro. Sua vigência, ao longo de quatro séculos, terminou por atribuir a esta linha imaginária um papel vital para a organização espacial da pintura européia e, conseqüentemente, determinante para a expansão horizontal do quadro. As viagens aéreas, espaciais, e as imagens do micro e do macrocosmo, registradas pelas novas tecnologias da imagem, contribuíram para a emergência de um novo olhar sobre a paisagem. Doravante ela pôde transbordar

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referências mana bernardes

Mana Bernardes é designer mas e considerada uma multiartista por se expressar tão bem através da poesia arte, design. Em suas “Joias Cotidianas” (recebe esse nome por usar materiais que nos cercam no nosso dia a dia como palitos de dente, agulhas, garrafas PET), Mana valoriza o material pelo pensamento que ele carrega quando se transforma. Ao coloca-lo em outro uso, como uma outra evidencia gerando novas sensações e olhares sobre aquele material ele se torna “valioso” uma joia. Mana tem um acervo de joias feitas com lantejoulas em diferentes formatos cortadas de cartões telefônicos, acetato e PET. Seus 70 modelos de joias são produzidas em pequena escala e vendidas em museus: no MAM de São Paulo e do Rio, em Inhotim (MG), no MoMA (Nova York), além de alguns pontos de venda na França (Maison Collete), Alemanha e Portugal.

mana bernardes _ joias cotidianas

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referências cristian zuzunaga

cristian zuzuznaga _ trabalho de estampas aplicados no design de superficie texti

Designer espanhol que circula livremente entre as artes plásticas e a moda. Seu trabalho sempre teve inspiração na arquitetura e nos cenários urbanos. Quando ainda era um estudante Cristian passou a estudar e explorar o uso de pixels para produzir paisagens únicas, feitas de cores. Segundo ele: “We live in the digital era, conditioned by the pixel, the icon of our time (Vivemos na era digital, condicionada pelo pixel, o ícone de nosso tempo)”. Encantou-se com a imperfeição da impressão tipográfica e a partir de macro-zoom em suas próprias fotografias, que resultam em uma compilação de pixels, inspira-se para criar padronagens para diversas aplicações. Em 2006, uma viagem para Xangai despertou o interesse de Zuzunaga para o trabalho em tecidos, uma cultura rica envolvida por arquitetura ultra-contemporânea rendeu uma nova visão ao seu trabalho. “My work focusses on the symbiotic relationship that exists between mankind and its urban environment (Meu trabalho é focado na relação simbiótica existente entre o homem e o ambiente urbano)”. Suas estampas pixelizadas derivam da aproximação de imagens, até que os pixels se tornem visíveis, segundo ele “o pixel é o emblema da noção de que o todo é maior que a soma de suas partes. A imagem só existe por causa de sua pixelização, da mesma forma que uma cidade só o é porque trata-se de uma combinação de edifícios e pessoas que compõem esse todo.” Hoje fornece suas estampas pixelizadas para grandes empresas como Nani Marquina, Moroso, Kvadrat, entre outras. Teve também seu trabalho exposto em diversas galerias e museus, além do Salone Internazionale del Mobile (Milão) em 2010.

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público alvo tecnas

São pessoas interessadas em arte contemporânea e ligadas em moda, gostam de originalidade e buscam exclusividade, tanto em eventos quanto na forma de se vestir. Com esse pensamento procuram usar coisas diferentes das tendências atuais que movimentam o mercado consumidor da moda (“maistream”). Assim querem mostrar que pertencem a um grupo seleto de pessoas e ser identificado como. Esse público tem aumentado visto ao número crescente de mercados alternativos que incentivam a produção informal em pequena escala de designers, estilistas e artistas como, Mercado Mistureba, O Grito Bazar, Sala de Estar, Bazar Noir e O Mercado que estão em destaque na mídia.

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sistema processo

estampa guia

Nesse sistema elejo uma região do globo que gera uma estampa inicial, partindo dessa imagem delimito um espaço regional, da onde todas as outras imagens são extraídas a partir de diferentes níveis de aproximações. As estampas são criadas com experimentações gráficas em cima dessas imgens. Nessa primeira coleção escolhi o oriente médio. 06


sistema processo

estampa guia

1 aproximação

2 aproximação

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processo estampa guia

A estampa “guia é criada com uma colagem de screen shots. Uma imagem screen shot feita em uma tela de 33 cm de 1280x 800 pixels, possui 25 x 45 cm em um arquivo de 300dpi. Assim, criei um grid para me guiar no tamanho da arquivo. O tamanho padrão das empresas que fazem sublimação digital em pequena produção é 100 x 140. Nesse caso 4 fileiras com 5 imagens cada.

A estapa “guia” possui três variações de cor. A original nomeada, Tarde. Uma esverdeada nomeada, Manhã e a mais escura nomeada Noite. Remetendo as variações de luz durante o dia e tempo, e como essa incência interfere na região. A própria imagem de satélite passa por constante mutação ao sofrer as interferências tanto do homem, na arquitetura e nas plantações, como do clima, nas secas do verão ou nas nevascos do inverno.

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estampa tarde

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estampa manhĂŁ

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estampa noite

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processo estampa quadra

Trabalho nessa imagem com nivel de contraste mínimo e desenho com nanquim em cima de xerox preto e branco, redigitalizo e trato a imagem para conseguir as nuances de nanquim do desenho original. Depois crio o rapó, mas nesse caso também será estampado em sublimaçao digital, então finalizo o arquivo com 100x140 cm. Essa estampa foi nomeada Quadra.

1 aproximação

desenho de nanquim sobre xerox preto e branco

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estampa quadra

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processo estampa bloco

Seguindo o processo da estampa quadra descrita anteriormente, desenho dessa vez com caneta nanquim em cima de papel vegetal, procuro destacar da imagem xerocada todas as areas de preto. Repito esse processo com várias xerox de diferente screen shots dessa mesma região no mesmo nivel de aproximação, redigitalizo e então os vetorizo ficando somente com outline. Essa estampa foi nomeada de Bloco.

2 aproximação, um dos screnn shots utilizados

detalhe do papel vegel sobre xerox preto e branco

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estampa bloco desenho vetorizado

Esses desenhos serão recortardos no laser em materiais como acrílico, tecido, couro, lona vinilica onde serão utilizados na criação de material de apoio como botões e aplicações para roupas e bolsas além de acessórios como colares e brincos.

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botões processo

Dentre as formas anteriores selecionei as que tivessem o formaro mais proxímo da casa de um botão. Defini três modelos de botões para roupas.

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colar processo

Para a criação do colar, selecionei algumas peças e redesenhei algumas de modo que formasse uma moldura para o pescoço. O colar sofreu diversos ajustes no formato das peças, encaixes, quantidade de furos e na altura.

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colar processo_experimentação da forma 1.

2.

3.

4.

5.

6.

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colar colar monocromรกtico

A partir dos testes realizados,defini dois modelos. Um ideializado para ser monocromรกtico e o outro bicolor.

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colar colar bicolor

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colar pingente único

Uma peça em escala maior e vazada de outras, cria uma forma que será utilizada como pingente único em um colar mais comprido que o anterior.

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brincos processo

Na criação dos brincos escolhi as formas que tivessem movimento e fossem preenchidas possibilitando a sobreposição de outras peças. Desenhei 3 bases e 4 pingentes com 14 outras pecas para as sobrepor. Assim o brinco pode ser montado com diversas combinações.

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brincos processo

acrĂ­lico colorido acrĂ­lico espelhado

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jóias prata 925

Percebendo o potencial para a criação de uma linha de jóias coordenada com as roupas, trago a prata para aperfeicoar o acabamento dos acessórios e valorizar as peças. As jóias desse projeto são feitas de acrílico com prata 925.

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joĂ­as prata 925

pino de brinco 6mm

fecho magnĂŠtico 6mm

corrente rabo de rato 1,5mm

argola aberta 5mm

corrente rabo de rato achatado 4mm

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coleção desenhos

Para o começo dessa coleção desenvolvi cinco peças de roupas. Duas saias, uma de paete e outra de neoprene, um vestido longo, uma blusa e uma carteira de mão

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coleção saia paete

Saia reta estampa Tarde Sublimação digital. Tule com elastano e paete

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coleção saia neoprene

Saia lápis estampa Noite Sublimação digital. Neoprene

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coleção vestido longo

Vestido longo estampa Manhã. Sublimação digital. Cetin de poliester com toque de seda

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colecão blusa

Blusa estampa Quadra Sublimação digital. Crepe de poliester Aplicação de lona vinilica recortada no laser

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coleção carteira de mão

Bolsa feita com pvc de cozinha, aplicação de acrilico e fundo de psai

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coleção fotos

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conclusão tecnas

Acredito ter desenvolvido um sistema funcional onde alcancei meu objetivo. Promovo um reflexão estética mesmo que seja pelo estranhamento e a busca por entendimento. As peças desenvolvidas fixam o olhar. Vejo inúmeras possibilidades e cada vez mais, novos suportes. Aprendi a entender os próprios materiais e como irao reagir a cada processo, os custos de uma pequena produção independente. Encerro a faculdade com um projeto para vida. Esse foi só o começo para uma montanha de ideias ganharem vida. A estilista da Miss Manga, Luisa Daou fechou uma parceria para sua próxima coleção de verão. Miss Manga com botões Tecnas. Continuando na coleção oriente medio, criei ao sistema do grid a estampa Vias. Pretendo fazer um lançamento com as roupas da coleção.

estampa vias 59


conclusão tecnas

. Sinto o potencial da linha de jóias e entrego esse relatório começando uma nova investigação. Experimento como moldar e torcer, derretendo o acrílico recortado, Assim procuro novas formas para “vestir” o corpo melhor, aumentando as possibilidades de adornos.

primeiro experimento realizado com sobras

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bibliografia tecnas

1. Claval, Paul. A Paisagem dos Geógrafos. IN: ROSENDAHL, Zeny & CORRÊA, Roberto Lobato (orgs.). Paisagem, Textos e Identidades. Rio de Janeiro: EDUERJ. p. 13-74. 2004. 2. HARVEY, David. A condição pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 3. ed. São Paulo: Loyola, c1993. 349p. ISBN 8515006790 (broch.). 3. MUNARI, Bruno. Design as Art. Middlesex: Penguin Books. 1971. 4. http://manabernardes.com/ 5. http://www.cristianzuzunaga.com/ 6. http://www.suzanaqueiroga.com/

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Marcella Mazzoni _ Tecnas  
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