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Coleção de Histórias Mulheres Lutadoras contando suas histórias de vida através da Moda


Entre miçangas, bordados, bainhas e linhas, essa é a essência que compõe o projeto Coleção de Histórias. Mulheres que não desistiram de um sonho relatam suas histórias através da moda. Entre agosto de 2010 e março de 2011, a Ação Comunitária do Brasil do Rio Janeiro (ACB/RJ) junto com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, do Governo Federal conseguiu realizar esse sonho para essas mulheres, Na ocasião Após da realização do desfile “Metáforas”, no evento comemorativo do dia Dia Internacional da Mulher, na estação Leopoldina, tivemos participações especiais, como


das estilistas Cristina Eastwood e Fátima Léo, onde mais uma vez foi comprovado o sucesso dessa iniciativa.As modelos das comunidades estavam envolvidas com a coleção desde o preparo, onde exibiram peças de vestuário e acessórios carregados de significados simbólicos que diziam respeito a histórias de vida e experiências acumuladas de moradores de Cidade Altae Vila do João (Complexo da Maré), onde a ACB/RJ, onde tem centros de cidadania há mais de 30 anos.


A Ação Comunitária do Brasil do Rio de Janeiro é uma Organização Não Governamental com mais de 40 anos de existência que teve sempre como foco principal a qualificação profissional de populações de baixa renda visando à melhoria de sua qualidade de vida via geração de renda, seja por meio da respectiva inserção no mercado formal de trabalho, seja por meio do seu envolvimento em formas associativas e solidárias de produção e comercialização. Foi, entre 2004 e 2007, entidade-âncora do Consórcio Social da Juventude, do Programa Nacional de Estímulo ao Primeiro Emprego do Governo Federal no Rio de Janeiro, gerenciando


o trabalho de mais de 50 organizações. No período, foram beneficiados mais de 5.000 jovens. Desde 2009, é uma das entidades executoras do Programa Primeiro Passo em função do qual está qualificando e contribuindo para a inserção no mercado de trabalho de mais de 6.000 pessoas beneficiárias do Programa Bolsa-Família. A ONG é uma das pioneiras na área do empreendedorismo solidário, tendo recebido diversas recomendações e prêmios neste sentido. Todos seus projetos e iniciativas contam com dois temas transversais quais sejam: a questão de gênero e a questão da etnia.


É por meio do Núcleo de Moda de Cidade Alta, localizado em Cordovil, que a Ação Comunitária do Brasil experimenta unir um resgate histórico e tecnologia social à indústria da moda e ao mesmo tempo, o qual “tem sido definido como a combinação de uma organização de pessoas, recursos organizacionais, relações e atividades. Ele inclui a cultura, conhecimento, dons, experiência e habilidades dos empregados (nesse caso associados), suas atividades de pesquisa e desenvolvimento, rotinas organizacionais, processos, sistemas, bases de dados e seus direitos de propriedade intelectual, bem como todos os recursos vinculados às suas relações externas.”


“Quando se fala em moda, devese ter em mente uma concepção que ultrapasse o mero usar de vestuários e acessórios relativos às simples noções de ‘bom gosto’. […] a moda possui um forte caráter de identidade […] podendo agir como ferramenta de debate, crítica e expressão, além de funcionar como incubador de quatro grupos produtivos (Modelagem, Corte e Costura, de Artes Visuais, de Serigrafia ou Estamparia em tecidos e de Programação Visual) o objetivo mais geral desse Núcleo é habilitar seus integrantes a produzir, de forma cooperada, peças e acessórios criativos para comercialização visando à sua emancipação.”


O Projeto visou à qualificação profissional (em modelagem, corte, costura, bordado, estamparia e tingimento de tecidos) de mulheres moradoras do Conjunto Habitacional de Cidade Alta e adjacências (Penha, Brás de Pina, Parada de Lucas, Vigário Geral), na faixa etária de 18 a 65 anos, tendo como parâmetro a equidade de gênero e a economia criativa. Visou ainda ao fortalecimento da sua identidade, elevação da auto-estima e da consciência crítica, o que foi traduzido nos artigos produzidos cujo valor imaterial ganhou dimensão especial para além dos valores de uso e de troca. Visou igualmente ao estímulo e promoção do empreendedorismo solidário percebendo nesse uma via alternativa para geração de trabalho e renda que permite o protagonismo e a emancipação de sujeitos historicamente discriminados.


Em função dos grupos de discussão sobre a temática de gênero e cidadania e empreendedorismo solidário; das qualificações profissionais realizadas; dos desfiles da coleção “Raízes” produzida no âmbito do Projeto foram direta/indiretamente beneficiadas por este mais de 500 mulheres de baixa renda e escolaridade. De fato, a produção/exibição da coleção supracitada socializou para essas mulheres a possibilidade de emancipação através da moda; ou seja, da utilização desta prática como mais uma ferramenta para gerar renda e expressar subjetividades diversas as quais traduzem todo um diferencial, valorado economicamente. O que é expresso nas tags que acompanham os produtos daí advindos.


O Projeto Coleção de Histórias fez uso de uma metodologia participativa respeitando e valorizando o saber acumulado de cada uma de suas integrantes. Nesse sentido, as turmas de qualificação profissional foram divididas em duas: iniciação e avançada, as quais contaram com conteúdos teóricos e práticos relativos à educação para a cidadania, a questão de gênero e à cadeia produtiva da moda.


50 mulheres qualificadas profissionalmente em áreas da cadeia produtiva da moda (modelagem, corte, costura, bordado, customização, estamparia e tingimento de tecidos); 500 mulheres conscientizadas dos seus direitos de cidadania; da sua condição de gênero e de ferramentas possíveis para sua emancipação tendo como uma via possível o empreendedorismo solidário; Participação dessas mulheres na Rede de Mulheres Empreendedoras do Rio de Janeiro e no Grupo de Convivência da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro; Volta à escola por parte das mesmas além do respectivo incremento de renda; Produção de uma coleção específica enfatizando a temática de gênero e meio ambiente.


A coleção “Raízes”, concebida pela estilista Fátima Léo, teve como maior diferencial a utilização de algodão cru e de tingimentos naturais para a confecção de peças e acessórios, os quais além de minimizarem os custos de produção permitiram a confecção de artigos com uma clara preocupação de respeito e valorização do meio ambiente. Seus primeiros resultados foram exibidos na passarela do Caxias Fashion, em setembro de 2010. O resultado final da coleção “Raízes” foi exibido em março de 2011, nas comemorações do Dia Internacional da Mulher feitas pela Ação Comunitária do Brasil do Rio de Janeiro.


Diretor-Presidente: Rudolf Höhn Superintendente: Marilia Pastuk Programação Visual: Marcela Escobar Desenvolvimento Institucional:, Vicente Pereira e Neuza Roque Coordenação Núcleo Cidade Alta: Rogério Máximo e Leila Nascimento Coordenação Núcleo Vila do João: Ana Paula Degani e Sergio Barros Comunicação Social: Antonio Gordilho Fotografia: Thiago Ripper Contato: 21 2253-6443


Coleção de Histórias