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ESCOLHAS BEM FEITAS EXIGEM CONHECIMENTO Já é de longa data que, na indústria calçadista, as principais inovações têm acontecido por iniciativa dos fornecedores de componentes, tecnologia e insumos, que a cada nova temporada disponibilizam aos fabricantes um leque de opções atualizadas para facilitar a criação de coleções ainda mais atraentes e desejadas pelos consumidores. Mas o que significam essas atualizações, como elas impactam nos produtos acabados e, antes disso, em cada etapa da linha de montagem? Longe de ter a pretensão de esgotar este assunto, que se mostra como uma grande oportunidade para um franco debate envolvendo as diferentes partes da cadeia de valor, a Tecnicouro preparou para esta edição uma reportagem e um artigo que trazem à luz a necessidade de um olhar mais técnico sobre o processo de decisão pelo uso de um ou outro material, de forma a garantir o apelo visual, mas, acima de tudo, preservar as propriedades que vão resguardar a qualidade mínima para que o calçado cumpra a sua função de acordo com a proposta de uso. Novas tecnologias e materiais alternativos estão surgindo a todo instante, cada um acompanhado por promessas de vantagens que podem ser determinantes para a competitividade das empresas no mercado. Entretanto, como sabemos, cada calçado é o resultado de um projeto que envolve conhecimentos em várias áreas, como engenharia, composição dos materiais, biomecânica do pé, tendências de moda, o que exige uma boa formação dos profissionais envolvidos em cada etapa - da criação ao acabamento final -, pois uma única escolha mal feita ou a não observação de algum detalhe na preparação pode botar a perder todo um trabalho que levou meses para ser concluído. Neste processo o setor de compras, que muitas vezes é pressionado pela opção pelo menor preço, é fundamental. A notícia boa é que existem normas técnicas que norteiam a adequação dos materiais a serem utilizados em cada tipo de calçado e a maioria dos fornecedores disponibiliza espontaneamente aos fabricantes as informações necessárias para garantir a boa performance do seu produto. Também é necessário ressaltar que temos no Brasil um cluster muito bem estruturado, onde a inteligência, as indústrias de base, os centros de formação de mão de obra e institutos de pesquisa e desenvolvimento garantem a qualificação dos recursos humanos e tecnológicos necessários para a evolução do setor. O IBTeC, por exemplo, é uma instituição que valida, através de laudos e certificações, a qualidade e adequação dos produtos e seus componentes. E a indústria calçadista brasileira realmente evoluiu muito nas últimas décadas, passamos de uma condição de sermos comprados para outro patamar em que os produtos nacionais hoje são embarcados para o exterior com marcas próprias. Porém as exigências no mercado internacional estão cada vez maiores, a exemplo normas que regulamentam as substâncias restritivas e obrigam os fabricantes de insumos, materiais e componentes a buscar soluções alternativas para a adequação dos produtos às normas e legislações internacionais, o que pode resultar em necessidades de ajustes também na linha de montagem. Este entendimento sobre as especificidades do que está sendo utilizado em cada parte do calçados é necessário e deve ser de domínio de todos os envolvidos no projeto e na montagem. Não basta saber quais são os materiais disponíveis no almoxarifado, mas como usar cada um deles da melhor maneira possível, considerando as necessidades de combinações. É olhando para a parte técnica, sem deixar de lado o design e também os aspectos financeiros é que se vai chegar a resultados melhores, sem desperdícios e garantindo a qualidade desejada.

Claudio Chies Presidente do Conselho Deliberativo

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MERCADO Criações das indústrias de base

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EXPEDIENTE

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AGENDA

REPORTAGEM É preciso saber usar os materiais

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NOTAS

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OPINIÃO

INSTITUCIONAL Certificações em couro avançam

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ARTIGO

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GUIA

TECNOLOGIA Normas ABNT norteiam o setor

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CADERNO

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SEINCC 18, 19 e 20 São João Batista/SC www.sincasjb.com.br

FIRE SHOW - INTER.FAIR 3, 4 e 5 São Paulo/SP www.fireshow.com.br

INSPIRAMAIS 17 e 18 São Paulo/SP www.inspiramais.com.br

Setembro SEMANA DO CALÇADO 23, 24, 25, 26 e 27 Novo Hamburgo/RS www.semanadocalcado.com.br

Novembro ZERO GRAU 19, 20 e 21 Gramado/RS www.feirazerograu.com.br

Agosto FETECC E FEMICC 1, 2 e 3 Juazeiro do Norte/CE www.femicc.com.br

Outubro FISP 3, 4 e 5 São Paulo/SP www.fispvirtual.com.br

2019 Janeiro COUROMODA 14, 15, 16 e 17 São Paulo/SP www.couromoda.com

Julho FRANCAL 16, 17, 18 e 19 São Paulo/SP www.feirafrancal.com.br

Obs.: o calendário de feiras é elaborado com informações obtidas através dos sites das organizadoras e pode sofrer alterações.

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IMAGEM LUÍS VIEIRA

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COMPONENTES

er como objetivo ser a maior distribuidora de soluções têxteis da América do Sul não é para qualquer um, e é justamente esta a visão que a Hak Soluções Têxteis tem para o seu negócio. Para isso os investimentos em tecnologia e inovação são constantes, fazendo com que a empresa avance como importante fornecedora de aviamentos e componentes baseados em fios e tecelagem para diversos segmentos. O setor de calçados e bolsas, por exemplo, tem à disposição artigos como cabedais, viras e enfeites. Um dos destaques é uma tira feita em uma mescla de viscose e algodão, com uma montagem bem diferenciada que resultou em uma fita trançada cheia de movimentos ondulados. O gerente de desenvolvimentos, Felipe Santos, ressalta que o acabamento trouxe uma grande versatilidade para a peça, que pode ser aplicada tanto em tiras e cabedais de calçados, quanto em alças de bolsas e, inclusive, se transformar em cintos. “Para enfatizar ainda mais o efeito, misturamos diferentes cores, e o resultado disso tudo é que a peça atrai

FOTOS LUÍS VIEIRA

com técnica e criatividade T

muito a atenção dos designers e estilistas que estão à procura de diferenciais para aplicarem nas próximas coleções que desenvolverão”, comemora. Segundo ele, hoje o artigo é oferecido em cinco combinações de cores com tons de preto, azul, vermelho, laranja e marrom.

Solados sustentáveis

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KS Solados iniciou suas atividades produzindo solados em PU e TR, mas logo expandiu seu mix de produtos, passando a trabalhar também com saltos em ABS, e tacos em TPU, tornando-se referência na sua área, atendendo clientes por todo o Brasil. O gerente de desenvolvimento, Alcides Hulek, conta que um desenvolvimento que está se sobressaindo frente às indústrias calçadistas é o solado em poliuretano mais sustentável produzido com a gestão de substâncias restritivas, com o cuidado de substituir algu-

mas substâncias controladas por outras alternativas ou, na falta de um substituto que garanta a manutenção das propriedades desejadas, diminuindo a presença delas na formulação. “A busca por poliois vegetais, por exemplo, é uma meta permanente para substituir os poliois solventes, e para isso a empresa trabalha em parceria com fornecedores certificados”, explica o gerente. Outro destaque da KS são os solados com materiais reciclados a partir de sobras da produção, que em outras épocas seriam naturalmente descartadas. Este artigo está

disponível inicialmente em mistura de 30% de material reciclado e a meta é aumentar a concentração gradativamente até que no final do ano atinja os 80% desejados.

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TECIDOS LEVES

para calçados R

Laminados com alta performance

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Intexco, tradicional fornecedora de materiais, representa três marcas consagradas de indústrias que produzem matérias-primas para a indústria calçadista. Uma delas é a Brisa, que desenvolveu um laminado transparente de PU em sua linha Ecocrystal. O gerente comercial, Jairo Korndoerfer, conta que a iniciativa visa a atender a uma demanda das indústrias de calçados, que cada vez mais buscam por cabedais transparentes em materiais substitutos ao PVC. “A nossa solução apre-

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eferência no segmento de confecções para praia, fitness, lingerie e moda, sendo considerada uma das maiores do ramo na América Latina, a Advance Têxtil vem com tudo para ganhar cada vez mais espaço também no ramo calçadista. Com tecnologia avançada para variadas técnicas de malharia e uma infinita oferta de cores em estamparia rotativa, grofada, digital e sublimação, a empresa disponibiliza aos seus clientes um amplo portfólio de tecidos próprios, como stretch, jacquard, metalizados e veludos nobres. Entre as opções para calçados, estão as microfibras poliamida com fios de elastano para proporcionar conforto. Nesta linha, o stretch surge com força até mesmo em canos de botas, dispensando o uso de fecho pela possibilidade de moldar a perna. A coordenadora de marketing Giseli Destro e o representante Régis Firmino destacam que esses materiais, além de muito leves, podem ser dublados sem perder a flexibilidade e a elasticidade naturais, tendo ainda a possibilidade de receberem acabamentos especiais, como propriedades bactericidas, antimofo, proteção contra os raios UVA e UVB e impermeabilizantes.

senta vantagens, como ser um material com maior translucidez e que não tem a toxicidade quando comparado ao PVC, e que não muda de cor ao passar por um processo de queima a laser”, observa. Outra linha é a Ecoform Plus, um laminado em PU em espessura 1.5, com a cor também presente no fio. É um material que traz um avesso com toque macio, o que, de acordo com o gerente, dispensa a necessidade de dublagem/forro, proporcionando menos custo de produção para a indústria.

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COLUNA EPIs A visão argentina sobre EPIs Marcos Braga de Oliveira

Técnico químico da divisão de EPIs - Luvas e Vestimentas do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC)

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uitas vezes limita-se a visão conhecendo apenas uma versão dos fatos, contudo, entender o outro lado ajuda no julgamento das práticas adotadas a fim de não cair no erro das verdades absolutas. Deste modo surge uma questão: como os outros países tratam os equipamentos de proteção individual (EPIs)? Na Argentina, caso trazido nesta coluna, o mercado de EPIs é regido pela Resolução 896 de 1999 e apresenta tanto diferenças quanto similaridades com o Brasil. Da mesma forma que a nação brasileira proíbe a comercialização de EPIs sem o Certificado de Aprovação (CA) concedido pelo Ministério do Trabalho (MTb), a Argentina só permite a venda com a marcação de conformidade (um pictograma de seguridade válido no território argentino). O processo para a autorização e comprovação da proteção concedida pelo EPI ocorre através da Cámara Argentina de Seguridad (CAS) em conjunto com o único laboratório do país, o Shitsuke. A CAS considera os EPIs a última instância da prevenção de lesões. Para que sejam considerados plenamente assegurados, os equipamentos devem ser aprovados no Shitsuke pelas normas elaboradas pelo Instituto Argentino de Normalización (Iram), regionais do MercosuL (NM) e europeias (EN) ou internacionais (ISO). Esse processo pode ocorrer com as fabricantes de EPIs em solo argentino passando por uma auditoria de fiscalização, na qual

a linha de produção deve atender a uma norma da qualidade, como a ISO 9001, já bastante conhecida no mercado, certificando-se assim o produto que é ensaiado em laboratório apenas uma vez. Outro método é por lote, ou seja, cada novo lote do produto é enviado ao laboratório para ser ensaiado. Esse segundo método é o único permitido no caso de EPIs oriundo de fora no país. Analisando essa última informação, conclui-se que o sistema é bastante semelhante ao funcionamento dos Organismos de Certificação de Produtos (OCPs), porém, ao invés de ser aplicado a uma lista fechada de produtos como ocorre no Brasil (por exemplo, luvas de utilização médica), na Argentina esse processo de controle e fiscalização é destinado a todos os EPIs comercializados. Entretanto a própria CAS reconhece que devido à demanda por produtos de menor preço, em muitos casos, não há a busca por certificação e por colaboração de profissionais de segurança, por exemplo, técnicos de segurança do trabalho, na hora da compra, o que faz com que muitos EPIs sejam comercializados sem a devida certificação. Apesar das diferenças, as semelhanças com o mercado brasileiro de EPIs se sobressaem. Analisando este cenário em comparação a Europa e os Estados Unidos, nota-se uma tendência mundial para que todos falem a mesma língua quando se trata de EPIs.

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VERNIZ

em evidência N

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o segmento de couro para artigos de moda, um acabamento que sempre encontra boa aceitação junto aos apreciadores dessa matéria-prima é o verniz. E o curtume Natur destaca justamente esta linha, que é oferecida em opções com estampas animais, como o croco e a cobra ou liso, disponível tanto em cores sóbrias quanto nas mais vibrantes. Um dos destaques é o Verniz Show, que é batido no fulão, evidenciando as quebras naturais. Outro artigo em evidência é o Verniz Box, que é um brush off em estampas animais com toque extremamente macio e o Box, mais tradicional, com brilho por escova, com a predominância do preto. Na coleção, além das cores sóbrias, prevalecem tonalidades como rosa e fúcsia.

Estamparia e dublagem

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specializada em estamparia de ponta e focada principalmente no atendimento ao mercado de moda feminina, a Sprint Têxtil disponibiliza todo o know-how e tradição das empresas do grupo Primor, que está presente há 70 anos no mercado oferecendo em seus serviços atualização e qualidade aos seus clientes. Tendo como diferencial lançar coleções de estampas e colorações exclusivas em tecnologia digital e rotativa, trabalha com tecidos de produção própria e também em bases importadas para atender as necessidades do segmento de confecção, e agora também o de artefatos e calçados.

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A gerente de vendas e produtos, Marília Barros, explica que há sete anos foi aberta a marca de estamparia para o segmento da moda, que há dois anos se consolidou fazendo o acabamento de tecidos para encorpar, que hoje abrem espaço para novos produtos dentre o setor calçadista. Embora não tenha uma meta definida, a marca projeta crescer paulatinamente, na medida em que atende as expectativas do setor. Para isso, traz uma coleção com estamparia e dublagem feitos na própria empresa, o que diminui os processos dos seus clientes. “Além da logística simplificada, os clientes são benefi-

ciados com a redução de custos, pois eles escolhem a estampa desejada e recebem o material pronto para ser aplicado no produto final”, explica Marília.

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SOLUÇÕES

novação sustentável é foco cada vez maior da Artecola Química, que destaca algumas novidades oferecidas ao mercado. Uma delas se trata dos laminados termoplásticos extrusados Artefirm 3503 para couraças e contrafortes. A inovação está na fórmula exclusiva, que garante versatilidade (pode ser aplicada como couraça e contraforte em calçados femininos, e contraforte em masculinos). Com isso, o cliente reduz itens de compra, simplifica processos e tem ganho competitivo. A nova linha também apresenta desempenho superior com menor espessura (economia mínima de 10% em matéria-prima), oferece colagem eficiente em uma ampla gama de materiais, além de ser 100% reciclável.

A linha 3503 utiliza resíduos termoplásticos de diversos setores como parte de suas matérias-primas. “Cada 100 mil pares de couraças e contrafortes produzidos representam cerca de 1 tonelada de resíduos reaproveitados”, ressalta o diretor do negócio indústria, Evandro Kunst. “Esse produto traduz bem o conceito de inovação sustentável que trabalhamos, oferecendo melhor desempenho para a indústria calçadista ao mesmo tempo em que reduz passivos ambientais, destinando uma nova aplicação ao que seria descartado como resíduo em outros setores”, salienta. Outro exemplo de sustentabilidade é o conceito 3R: Recicle - Reuse - Reduza. “Os produtos da Artecola são desenvolvidos pensando nesse conceito, para que

possamos reutilizar cada vez mais o que seria descartado, reciclando materiais e reduzindo a geração de resíduos”, enfatiza Evandro Kunst.

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sustentáveis I

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COMPOSTO TERMOPLÁSTICO

com tecnologia inovadora A

O produto Tubox é feito em placas de diversas espessuras, para atender da melhor maneira a necessidade de cada cliente. A empresa também reaproveita todo o material de sobra de seus clientes, transformando novamente em produtos de sua linha, o que a torna totalmente sustentável. “O benefício é para o meio ambiente e a e economia é para o cliente”, conclui o diretor. FOTO DIVULGAÇÃO

empresa Tubox foi estabelecida no ano de 2004 pela Magma a partir da invenção e patente de um novo processo produtivo e produto revolucionário - o Tubox -, que serviu também de inspiração para o nome da nova organização. Responsável por reciclar materiais compostos de difícil reaproveitamento que terminariam em aterros sanitários, o sistema é um composto termoecológico produzido com tecnologia inovadora e sustentável que pode ser laminado em EVA ou espumas para posterior utilização em palmilhas, contrafortes e couraças. De acordo com o diretor Fernando Nicory, uma das maiores preocupações do grupo Magma é o compromisso com o meio ambiente. Por este motivo, desde o início das atividades, a empresa procura minimizar o desperdício e o impacto ambiental através da reciclagem de toda embalagem plástica produzida pelas fábricas e lojas. “Com a transformação desses resíduos são produzidos os produtos da linha Tubox”, pontua Nicory, salientando que, além de reduzir a mão de obra na indústria calçadista, os produtos apresentam também outros benefícios, como maior durabilidade, flexibilidade, e leveza, ser termomoldável e reciclável, proporcionar melhor aderência na colagem de tiras, ser à prova d’água, de fácil manuseio e livre de substâncias restritivas.

Em promoção ao uso de adesivos base água

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Covestro investe na promoção e ampliação do uso de adesivos base água no mercado calçadista. Com novas tecnologias e produtos já conhecidos do mercado, a empresa realizou, no mês de março, uma série de visitas no Brasil com a técnica chinesa Winnie Wei, responsável pelo desenvolvimento de aplicações em adesivos para calçados. A vinda da especialista se pautou na continuidade do suporte aos projetos em andamento junto a grandes fa-

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bricantes locais e na promoção do uso de adesivos base água fabricados com a matéria-prima da Covestro Dispercoll U. Além da agenda com os fabricantes de calçados a Winnie Wei visitou, ainda, a feira Fimece e fabricantes de adesivos brasileiros. Também fez uma apresentação na Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) para promover o uso dos adesivos aquosos. Tecnologia que tem se demonstrado altamente sustentável

para o meio ambiente e para a competitividade do setor calçadista no Brasil e no mundo. “A visita da Winnie representa um marco importante no desenvolvimento das tecnologias em adesivos base água e da expansão do Dispercoll U no Brasil. Trata-se de um passo à frente na parceria com os fabricantes de adesivos e da cadeia produtiva calçadista”, comenta a técnica responsável pelo mercado na América Latina, Helga Wysocki.

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BACTERICIDA E FUNGICIDA

Braschemical desenvolveu o Micropel, um bactericida e fungicida para laminados sintéticos, compostos PVC e EVA, espuma de PU, adesivos ou silicones. A coordenadora de laboratório, Tatiane Zanotello, e a diretora e marketing, Liliane Leite, contam que há dois anos a empresa vem trabalhando no sentido de trazer estas propriedades para materiais plásticos, sendo que a introdução no setor calçadista aconteceu há aproximadamente um ano, de forma gradativa. Durante todo esse tempo, foram feitos diversos estudos complementares para testar a viabilidade dessa aplicação em materiais para calçados, principalmente os elaborados a partir do PVC, tendo como um dos principais objetivos o combate aos odores. O setor calçadista já representa, em faturamento, o terceiro maior mercado da empresa, que com este produto pretende dar mais um passo ao objetivo de crescer a sua receita em torno de 15%. Sempre preocupada em trazer soluções de impacto para o mercado, a empresa destaca outras opções lançadas recentemente, como produtos termocrômicos

que mudam de cor pelo calor; materiais fluorescentes sem a presença de formaldeído na sua composição e que apresenta uma resistência superior na coloração, e soluções fotocrômicas que mudam de cor de acordo com a luz do sol. FOTO DIVULGAÇÃO

para sintéticos A

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tuando no mercado têxtil, na fabricação de etiquetas bordadas, tecidos e fitas, a Etibor investe para uma expansão qualitativa, baseada no uso de tecnologia avançada, visando a contribuir com a imagem final dos produtos oferecidos aos consumidores. Marcelo Vieira e Maria Antônia Ficher, ambos do setor de criação e desenvolvimento, contam que a cartela de produtos é muito ampla, e que as principais novidades estão na linha jacquard em tecnologia italiana com lurex, trazendo mais detalhes e refina-

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mento ao acabamento final. O material é oferecido em metragens de 1,60 metro sem dublagem ou 1,45 metro com dublagem, possibilitando melhor aproveitamento. Ainda de acordo com eles, o carro-chefe da empresa hoje são as etiquetas feitas com as especificações técnicas do cliente, inclusive sobre a gestão das substâncias restritivas. Mas as fitas sublimada frente e verso com diferentes estampas bordadas com até oito cores e em alta definição têm ganhado muito espaço dentre o volume de pedidos.

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Mais beleza e qualidade aos calçados

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FOCADA E

produtiva O

Grupo Amazonas busca fortalecer o relacionamento com clientes oferecendo um amplo portfólio de produtos destinados na área de componentes para calçados. De maneira bastante focada e produtiva, apresenta novidades na linha de solados e placas de borracha Personare, além do adesivo base água AM - 1115 e as recentes inovações introduzidas no mercado: um polarizador permanente para substratos de TR e SBR, e um promotor de adesão em EVA. O gerente nacional do negócio de calçados, Lidmor Carvalho, destaca que a linha Personare se trata de um novo processo de personalização de solados e placas de borracha. A vantagem é que, ao escolher um artigo já existente no portfólio do Grupo Amazonas, o cliente não precisa investir em novas matrizes. “São mais de 20 opções de estampas que atendem a variadas tendências da moda, agregando valor aos calçados diferenciados”, salienta Carvalho, lembrando que entre os diversos estilos e cores estão estampas camufladas, florais, com formas geométricas e animal print, que possibilitam ao fabricante reforçar a personalidade de sua marca. O AM–1115, por sua vez, é um adesivo base água de alta performance. Livre de isocionato, atende às atuais exigências quanto à sustentabilidade com a redução de compostos orgânicos voláteis no ambiente produtivo. Segundo o gerente, o componente apresenta excelente aplicação a pincel ou

spray, facilidade de reativação, bom track pós-reativação e alta resistência à hidrólise. Já o Pae Amazonas é um promotor de adesão em EVA, que elimina o processo de cura UV na colagem de substratos em EVA, o que favorece a racionalização dos processos, proporciona ganho de desempenho e otimiza mão de obra. Isento de tolueno, é indicado para colagem de solados femininos, masculinos, infantis e de alta performance. O Promo é um polarizador permanente para substratos de TR e SBR, que possibilita a substituição do processo tradicional de limpeza e halogenação de solados - temporário e com curta validade - pelo permanente e de alta eficiência na colagem. “Desta forma, além de inverter a polaridade dos substratos de TR e SBR dispensando a tradicional solução com alta concentração de cloro, elimina a necessidade de limpeza dos substratos, pois já faz em um único processo a polarização e a limpeza dos mesmos”, explica.

Atacadores em materiais diversos

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CA Santos conta com total estrutura para produção de diversos tipos de atacadores em algodão, poliester e poliamida. Atacador é uma corda utilizada para fechar e apertar as peças de calçado, ajustando-as ao pé do utilizador. O cordame dos atacadores é composto por um determinado número de fios longitudinais e transversais. Quando solto, o ca-

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darço tem a finalidade de ajudar na hora da colocação; já reforçado e amarrado na forma de nó, mantém o sapato ajustado ao pé. Este componente pode aparecer com secção transversal chata ou circular, e com a parte extrema revestida de metal ou plástico na ponta, o que ajuda no transpasse do fio pelos buracos ou ilhoses, chamado de ponteira.

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INDÚSTRIAS DE BASE

ajustam seus materiais D indústrias de transformação, devido a uma série de fatores, como o volume de substâncias listadas, a quantidade de regulamentações existentes e a falta de padronização entre as normas. A partir dessas dificuldades, a empresa buscou o apoio do IBTeC para a realização do treinamento dos seus parceiros. “Estamos presentes em mais de 70 países, portanto temos perfil exportador. Mas queremos ser de fato uma marca infantil globalizada e para isso precisamos que todos os nossos fornecedores estejam comprometidos e alinhados com essa evolução que vai gerar a todos novas oportunidades de negócios no mercado externo”, salienta. A Usaflex, por sua vez, já vem desde o ano passado fazendo este treinamento com os seus fornecedores. No dia 27 de março foi a vez de contemplar o grupo de construção inferior. O diretor de suprimentos da Usaflex, Samuel Lauck, afirmou que a empresa está muito satisfeita com a adesão dos seus parceiros, pois cada grupo treinado significa um passo a mais rumo ao objetivo de ajustar os seus produtos às mais importantes normas internacionais. “A

O foco é a gestão das substâncias restritivas nos componentes usados em calçados

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Usaflex, com o apoio deste programa, está crescendo no competitivo cenário mundial e quer ser ainda mais agressiva nesta conquista de novos mercados. Para isso precisamos atualizar a nossa cadeia de fornecimento e a presença deles em cada etapa desse treinamento demonstra que nossos parceiros também querem evoluir, o que é extremamente positivo para todos”, contextualiza. O vice-presidente do IBTeC, Dr. Valdir Soldi, que também é gestor do comitê interno sobre substâncias restritivas no Brasil, observa que o sistema coureiro-calçadista está se adequando a esta nova realidade imposta pelo mercado, e que este alinhamento não é opcional, mas sim obrigatório, e que aquelas empresas que já estão ajustadas começam a colher resultados pelo diferencial que oferecem, principalmente para quem exporta. A gestora de projetos do Sebrae, Carolina Rostirolla, lembra que o projeto tem várias etapas e o Sebrae atua junto das micro e pequenas empresas oferecendo subsídios financeiros para as consultorias e ensaios necessários.

FOTOS LUÍS VIEIRA

urante o mês de março, o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizaram a entrega de cartilhas a fornecedores das empresas Klin e Usaflex, em sequência ao programa de gestão das substâncias que têm restrições de uso em calçados e seus materiais componentes. No dia 23, foi a vez da Klin iniciar o seu programa de conscientização das indústrias de base sobre a importância de ajustar os seus materiais, garantindo dessa forma que os calçados da marca estejam de acordo com as exigências internacionais que regulam uma série de substâncias que podem causar algum dano ao meio ambiente ou à saúde das pessoas. O gestor de suprimentos/planejamento da empresa, Cléuvis Comparoni, salientou que a Klin busca oferecer ao mercado produtos que tenham embarcados atributos de conforto percebidos pelos consumidores, e que nesse viés está incluída a gestão das substâncias restritivas, que se transformou em um grande desafio para as

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SOLUÇÕES PARA O CONTROLE Ipel fornece ao mercado produtos, processos e serviços de controle microbiológico, sendo que o setor coureiro-calçadista - para o qual desenvolve produtos como conservantes a bactérias e fungos, leveduras e outros - responde por cerca de 12% dos negócios totais da empresa no Brasil. Enquanto o diretor de marketing e negócios, Luiz Pereira Leite, comenta que os materiais em base aquosa usados nos calçados trazem na sua composição algum tipo de biocida - e essa é uma das áreas em que a empresa está presente-, o gerente de vendas nacionais, Marcelo Mentz, destaca que as propriedades antimicrobianas podem garantir aos fabricantes de calçados hospitalares, por exemplo, que os profissionais usuários dos seus produtos não carregam em seus EPIs microorganismos contaminados, e assim se evita a proliferação de agentes causadores de infecções. Segundo os profissionais, o uso de biocidas teve uma evolução em seus ativos e hoje os sistemas de controle con-

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tribuem para que sejam lançados produtos com baixos níveis de toxicidade e que não agridem o meio ambiente, sem que percam a eficiência. Além dos produtos para o controle microbiológico, a empresa também se destaca pelo fornecimento de sistemas para medir a proliferação de elementos patogênicos. FOTO DIVULGAÇÃO

microbiológico A

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SISTEMA DE INJEÇÃO urante a feira Fimec, realizada no último mês de março, a Basf apresentou um sistema para a injeção direta de PU no cabedal para dois tipos de calçados produzidos no Projeto Fábrica Conceito: uma bota feminina juntamente com a Ramarim e um sapatênis masculino em conjunto com a Kildare. A inovação resulta em mais versatilidade, performance e qualidade diferenciada para a indústria calçadista, eliminando a complexa etapa de colagem, garantindo ainda um processo mais eficiente de fabricação. Além da redução de etapas, a empresa garante que o sistema proporciona mais liberdade para o design, durabilidade e, principalmente, contribui para o conforto do usuário do calçado. A gerente sê-

nior de negócios da divisão de Materiais de Performance da Basf para América do Sul, Letícia Mendonça, conta que esta foi a primeira vez que o sistema teve a sua aplicação em um modelo de calçado feminino, sendo que fazer isso ao vivo, durante uma feira, contribuiu para mostrar novas possibilidades para a indústria. Em seu estande, a Basf apresentou outras inovações da companhia, incluindo o tênis Levitate, da Brooks, o primeiro calçado fabricado com a entressola DNA AMP feita a partir de um novo material, o Elastopan Light Sports. Ao refinar a fórmula, modificando o poliuretano em nível molecular, a entressola DNA AMP oferece maior conforto e durabilidade aos corredores, possibili-

tando o retorno de 72% de energia para cada quilograma-metro de força. FOTO LUÍS VIEIRA

direta de PU D

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ESCAMAS

Arte da Pele, curtume especializado em peles exóticas para vestuário, calçados e acessórios, traz um couro de pirarucu com um novo acabamento que recebeu o nome de esmerilhado. O diretor Luis Bocchi conta que a matéria-prima foi arranhada até que se formassem franjas nas escamas, proporcionando assim um novo aspecto visual ao produto. “A inspiração para o uso dessa técnica veio da observação de que roupas e bolsas desfiadas se destacam como apelo visual, e então resolvemos testar como isso funcionaria em nosso material que, dependendo da espessura, pode ser utilizado para a fabricação de artefatos, sapatos ou roupas”, conta Bocchi. O fato da pele de peixe ter as suas escamas arranhadas até o aparecimento de franjas já é bem inusitado, mas a transformação não para por aí. Para tornar o visual ainda mais impactante, foi feito um acabamento tamponado com a utilização de diferentes

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cores. Neste caso, foram misturadas cores como o azul, o rosa e o amarelo e após ainda teve a aplicação de um pigmento prata em alguns pontos da peça, o que criou um efeito bem interessante. FOTO LUÍS VIEIRA

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DESIGN COM

alta tecnologia D

Os projetos termoplásticos completos (fullplastic) e também os solados são desenvolvidos em tecnologia 3D, o que garante ao cliente executar o molde em qualquer lugar do mundo, mantendo o padrão de projeto desenvolvido anteriormente através do protótipo. Um dos avanços são os cabedais Knit, que por já virem prontos oferecem vantagens produtivas em setores estratégicos da produção, como os de corte e preparação, além de dispensar o uso de ilhoses, couraça, contraforte e a realização do cambre. “É uma tecelagem técnica com pontos específicos de flexão, rigidez, travamento e estrutura de perfuros, que já vem, inclusive, com a lingueta interna tecida na própria peça, garantindo conforto pela leveza e estabilidade ao pé, além das propriedades de respiração e transpiração”, explica Dal Pizzol. O próximo passo é levar esta tecnologia, hoje disponível aos calcados esportivos e de moda, para o mercado de segurança. “A intenção é agregar leveza, conforto e estética aos EPIs, sem deixar de lado as propriedades de segurança e proteção”, finaliza.

FOTO LUÍS VIEIRA

esde 2006, a Top Shoes Brasil atua no mercado calçadista como um estúdio de design e criação, sendo referência em estrutura e qualidade para a orientação das coleções de seus clientes. Realizando desde a pesquisa de tendências até o posicionamento da marca e o pós-venda, passando por toda a rotina criativa e a produção, a empresa oferece os serviços de prototipagem, maquetaria, programação 3D e gestão da produção e da qualidade. O diretor criativo da empesa, Gustavo Dal Pizzol, comenta que as maquetes visuais são fabricadas com um processo diferenciado que permite o uso de materiais flexíveis, gerando um protótipo muito próximo ao sapato real. Com essa técnica, afirma, é possível calçar o produto e avaliar todo o detalhamento de anatomia, perfil e qualidade do calce antes de dar início ao desenvolvimento das matrizes. Além disso, a Top Shoes possui sistema próprio de maquetaria que possibilita o máximo detalhamento para uma melhor avaliação de desenho, linhas, materiais, parte técnica e calce.

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SUSTENTABILIDADE E

apelo de moda O

proporcionando um visual ainda mais atraente, mas com o cuidado necessário ne não interferir na capacidade de biodegradação. Ainda nessa pegada sustentável, a empresa também oferece tecidos biodegradáveis para o setor de confecções. Outra linha apresenta tecidos em tecnologia Rhodia com bioativos que transformam o calor natural do corpo em raio infravermelho. Usados em palmilhas ou em confecção (especialmente shorts), podem ajudar na melhor circulação sanguínea proporcionando ganhos ao desempenho esportivo. O diretor Gilmar Haag salienta que o Grupo Cofrag há 30 anos segue as principais tendências da moda e nessa missão, muitas vezes, as soluções envolvem mudanças na tecnologia utilizada. “Procuramos manter em nossos lançamentos a alta qualidade já reconhecida pelo mercado, mas estamos sempre em busca do que os clientes estão necessitando para poder ofertar as melhores soluções, como a sustentabilidade, que é um caminho sem volta”, pontua.

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cabedal Ecofrendly Biodegradável não é apenas um produto com grande apelo de moda lançado pela Cofrag. Trata-se de um desenvolvimento elaborado com tecnologia Rhodia em fio de poliamida e espuma de poliol também biodegradável. Vinicius Boniatti, do setor de desenvolvimento, assegura que se fosse feito com materiais tradicionais o produto demoraria em torno de 50 anos para degradar, enquanto nessa nova formulação o processo de decomposição acontece em um período aproximado de três anos após o descarte. “Podemos garantir essa informação com base em laudos técnicos divulgados pela fornecedora”, assegura o profissional. Além disso, por ser um cabedal pronto, ajuda a diminuir a quantidade de processos ao longo da linha de produção, tais como costura e a própria dublagem, e também reduz o volume de resíduos gerados. O aspecto de moda fica por conta do processo de sublimação em material que brilha na luz UV

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PACIFIC SHOES CONQUISTA

certificação ABVTEX A

tificado é a garantia de que a empresa busca atender os preceitos básicos de implementação de soluções e ações na área de responsabilidade social, e que ofereçam aos seus colaboradores condições de trabalho que denotem a preocupação com sua segurança e bem-estar. Para receber a certificação, a indústria precisa comprovar que cobra de seus fornecedores a implantação de sistemas semelhantes. A gestora do projeto no Sebrae, Carolina Rostirolla, afirma que a meta da instituição é certificar até dezembro todas as indústrias participantes. O presidente executivo do IBTeC, Paulo Griebeler, lembra que “os consumidores estão cada vez mais conscientes e exigem das marcas a comprovação, através de certificações, de que elas atendem a premissas básicas em áreas como sustentabilidade, responsabilidade social e preocupação com o ambiente de trabalho, aspectos contemplados pelo programa”. FOTO DIVULGAÇÃO

Pacific Shoes, fabricante da grife de calçados femininos Guilhermina, tornou-se a primeira empresa do projeto Indústria na Moda - ABVTEX criado pelo Sebrae RS a receber a certificação do Programa de Qualificação de Fornecedores para o Varejo desenvolvido pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX). Hoje, 30 empresas do sistema calçadista participam desse programa, que foi implantado no RS pelo Sebrae, numa parceria com o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC). A certificação objetiva aplicar uma qualificação única que permita aos varejistas desenvolver, monitorar e apoiar seus fornecedores e subcontratados quanto ao cumprimento dos aspectos ligados à responsabilidade social e as relações de trabalho, segundo critérios estabelecidos pela própria ABVTEX. Com validade de um ano, a partir da data da aprovação em auditoria, o cer-

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CERTIFICAÇÃO INTERNACIONAL

para toxicidade de couros O segmento da moda é sempre o centro das atenções quando o tema é sustentabilidade, colocando as marcas na mídia para discutir outros assuntos além de tendências e estilo. Atualmente, a mais nova preocupação está relacionada à toxicidade de produtos químicos que podem causar danos às pessoas e ao meio ambiente. Em junho de 2011 o Greenpeace lançou a campanha Detox com o objetivo de retirar dos produtos e dos processos de produção de têxteis, até 2020, 11 classes de substâncias químicas consideradas perigosas para a saúde das pessoas e para o meio ambiente. Paralelo a essa iniciativa, no mesmo ano foi lançado o Programa ZDHC (Zero Discharge Hazadours Chemicals) que também contempla uma lista de substâncias químicas restritas para têxteis, calçados e limites para efluentes líquidos. Por ser uma matéria prima muito utilizada no mundo da moda, a Associação Oeko Tex estendeu o trabalho que já realizada na indeustria têxtil, para a indústria do couro e lançou recentemente uma certificação Leather Standard by Oeko Tex que availa a presença de substâncias químicas nocivas presentes em artigos de couro, em todos os níveis de produção. A primeira certificação lançada pela Oeko Tex foi em 1992, a Oeko-Tex Standard 100, principal rótulo ecológico do mundo para têxteis. Os produtos certificados são testados por laboratórios reconhecidos internacionalmente em relação às substâncias nocivas e ecologia humana. Portanto, os têxteis, e agora os couros, que apresentam a certificação Oeko-Tex são bons para o bem-estar e saúde dos usuários. Para certificar os produtos, as empresas podem submeter um pedido ao

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Citeve Brasil, homologado da Associação Oeko Tex no País, que dará encaminhamento ao processo que inclui ensaios de laboratório em amostras dos produtos e auditorias nas instalações fabris. Ao conquistar o certificado, a empresa passa a ser habilitada para utilizar a marca OEKO-TEX nos meios de comunicação e nas transações comerciais que envolvem as famílias dos produtos certificados. O Citeve é um centro tecnológico que trata de assuntos como orientação setorial e tecnologia têxtil, com vários departamentos e áreas de atuação no segmento do vestuário - testes laboratoriais, certificações de processos e produtos, sustentabilidade, economia circular, design de moda, formação de mão de obra, sistemas de empreendedorismo, normatização, indústria 4.0, suporte para a entrada em novos mercados e consultoria internacional. O Centro de Certificação da Toxicidade dos Produtos Têxteis e Couro atesta produtos e processos de mais de 18 mil empresas pelo mundo afora, compreendendo desde insumos, processos usados na fabricação dos produtos e até os produtos acabados. No caso do couro, podem ser certificados os semiacabados em wet-blue, os couros acabados e também compósitos de couro e artigos de vestuário confeccionados em couro.

Processo para a certificação - envio do pedido e das amostras para a análise - ensaios segundo a lista de critérios - elaboração do relatório de ensaio - entrega da declaração de conformidade - emissão do certificado O certificado vale por um ano e as renovações são por períodos de três anos, mediante a realização de auditorias.

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EXPANSÃO

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lém do investimento recente de mais de R$ 15 milhões em pesquisa, desenvolvimento e inovação em produtos que supram as necessidades da indústria calçadista, a FCC planeja a expansão no mercado europeu. O gerente comercial Marcelo Garcia explica que a inserção da empresa no continente deve ocorrer até o final do ano, contando com um investimento inicial de R$ 0,5 milhão com remessas de amostras e viagens. ”Inicialmente, os distribuidores da FCC atenderão o mercado português e o espanhol, além de já estarem em tratativas com um distribuidor da República Tcheca”, explica. A atuação da empresa nestes países ocorrerá através de distribuidores com amplo conhecimento do mercado, inclusive com o deslocamento de fornecedores chineses. De acordo com Garcia, a FCC prevê um retorno do investimento já no segundo ano de atuação. “Nosso produto já está consoli-

dado no ramo calçadista brasileiro e não necessita de adaptações para o mercado europeu, o que facilita esta inserção”, destaca o gerente comercial. Atualmente, a empresa conta com duas unidades produtivas em território brasileiro (Campo Bom/RS e Conceição do Jacuípe/BA), além de unidade no Uruguai e escritórios comerciais em São Paulo/SP e no México. A tecnologia desenvolvida pela FCC faz parte do dia a dia das pessoas e está presente em todas as grandes marcas de carros produzidas no Brasil e nas principais marcas globais de calçados esportivos. É a principal fabricante de argamassa polimérica para assentamento de alvenarias, vedação para silos e carrocerias da América Latina. Seus produtos também fazem parte da construção de casas, móveis, eletrônicos, utensílios de higiene pessoal, utilidades domésticas, equipamentos médicos e muito mais.

Cores e acabamentos diferenciados

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Cipatex apresenta nos seus laminados sintéticos uma coleção caracterizada pela mistura de cores e acabamentos diferenciados, proporcionando uma finalização homogênea e equilibrada a calçados, roupas e artefatos, tendo como ponto de partida referências internacionais. A partir dessa premissa - explicam o gerente de marketing Silvio Martins e o designer Rafael Bonvicini - se criou uma ampla possibilidade de combinações dos materiais, permitindo aos designers mais versatilidade nas criações para atender a diferentes estilos. Além do aspecto visual, se sobressaem as propriedades visando ao conforto do usuário, como a alta flexibilidade, e as vantagens técnicas para os fabricantes, como dispensar a necessidade da aspirar. Na linha casual masculina, por exemplo, se destaca o Strong - um material gravado com visual perfurado que tem a aparência de couro. Já o segmento de calçados esportivos recebe o Expanflex, que traz como diferenciais o efeito holográfico no acabamento e o tratamento com adesivo termoativado, que permite reduzir processos na produção. Outro desenvolvimento é um coverline fosco com aparência de nobuck e aspecto de formas geométricas, também termoadesivo.

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SICC 2018 CONECTECH

o varejo conectado com o futuro C onectar o varejo de calçados e artefatos com temas que são cada vez mais importantes para a sociedade moderna, como sustentabilidade ambiental, saúde e conforto das pessoas e inovação tecnológica é o objetivo do ConecTech. O projeto foi pensado como uma forma inovadora de falar diretamente com o lojista sobre assuntos que são extremamente relevantes para o consumidor e se forem aplicados no ponto de venda podem gerar bons resultados nos negócios. Localizado em uma área com 352m2 no Módulo 4 nos pavilhões do Serra Park, o projeto é realizado em conjunto pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Merkator Feiras e Eventos e Seta Digital durante o Salão Internacional do Couro e Calçado (Sicc), que acontece em Gramado/RS de 21 a 23 de maio. “Muitas vezes as empresas investem grandes somas

para realinhar os processos, melhorar seus produtos ou até mesmo lançar soluções inéditas que proporcionam benefícios importantes para a qualidade de vida dos usuários, mas a informação se perde e o consumidor sequer fica sabendo disso. As lojas são um importante canal para levar esse conhecimento até o consumidor final, e o que se busca é trazer informações estratégicas que ao serem propagadas no ponto de venda agreguem valor ao usuário”, pontua o presidente-executivo do IBTeC, Paulo Griebeler. Mas este é somente um dos motivos para unir as diferentes pontas da cadeia de valor, pois quando fornecedores, fabricantes e lojistas conversam entre si, cada parte tem uma melhor percepção sobre as necessidades e expectativas do outro e, a partir desse entendimento, pensar sobre novas formas de interagir tendo um objetivo comum a ser alcançado.

O que é o ConecTech? No projeto, o IBTeC divulga duas frentes de trabalho que realiza em conjunto com as indústrias. Uma delas é a utilização da Biomecânica para o desenvolvimento e aprimoramento dos calçados visando a proporcionar mais saúde e proteção ao usuário através da implantação de atributos de conforto e performance. Outra é a Gestão das Substâncias Restritivas para adequar os produtos para o mercado, tendo como ponto de partida as principais legislações mundiais que limitam o uso de substâncias com potencial para causar danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. As empresas apoiadoras do projeto têm espaço destinado para mostrarem aos visitantes os respectivos compo-

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nentes e calçados mais inovadores e conceituais por elas oferecidos. Dentro do projeto também está presente a M Store - Loja Inteligente, que é uma tecnologia criada pela SetaDigital para facilitar a gestão e o processo de compra dentro de uma loja. Nessa sinergia para gerar informação qualificada, no centro do ConecTech há uma ilha para discussões onde ocorrerão palestras em formatos pockets durante os três dias de evento, com assuntos relacionados à moda, ao varejo e à indústria. No espaço também acontece o Exclusivo Debates, numa parceria com o Jornal Exclusivo. Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feiras e Eventos, salienta que a realizadora do Sicc trabalha há tempos na consolidação do

conceito negócio e turismo, que é a base dos eventos por ela promovidos. Mais recentemente, ampliou a filosofia agregando a necessidade da informação qualificada. “Estamos trabalhando para termos sempre assuntos e discussões de realidades novas e diferenciadas em nossas feiras. E nesta edição do Sicc nos dedicamos a prestar um serviço para o varejo. Receberemos os principais representantes deste segmento e pensamos transformar a feira mais rica para eles. Então decidimos reunir os conhecimentos de vários parceiros, gerando sinergia para a qualificação do varejo. E também pensar a cadeira como um todo, percebendo como a indústria pode auxiliar o varejo na concretização de vendas”, assinala.

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FIMEC 2018 TEVE A MELHOR EDIÇÃO

dos últimos anos A 42ª Fimec, que aconteceu em Novo Hamburgo/ RS de 6 a 8 de março, foi marcada pela sensação de que o setor realmente começa a se recuperar no País. Esta foi a avaliação feita pelos dirigentes das entidades setoriais apoiadoras e pelo próprio diretor-presidente da Fenac - organizadora da feira -, Marcio Jung, durante a coletiva com a imprensa para apresentar o balanço final do evento. Segundo Jung, a mostra teve a sua melhor edição dos últimos anos, além de confirmar a união da Fenac com as entidades do setor calçadista. “Nos unimos para fazer essa feira acontecer de uma forma impecável e conseguimos”, afirmou ele, comentando ainda sobre a qualidade da visitação, em especial a presença de empresários de grandes marcas brasileiras, indicando que investimentos serão realizados pelos fabricantes de calçados e artefatos, o que significa a geração de negócios para a indústria de base. Assim como o Jung e os gestores das demais entidades, o presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC), Paulo Griebeler, também destacou a importância da presença dos tomadores de

decisão na feira, pois dessa forma mais vendas são realizadas - tanto in loco quanto nas próximas semanas após o evento. Griebeler também salientou que o mundo passa por uma revolução digital e tecnológica e que isso é cada vez mais presente em inovações lançadas na Fimec. “É uma oportunidade ímpar para quem quer e precisa investir na sua empresa, pois a feira expõe o que há de melhor em termos de tecnologia, sustentabilidade e inovação”, sintetizou Griebeler.

Lideranças Setoriais A coletiva ainda contou com a presença de prefeita de Novo Hamburgo, Fátima Daudt; p r e s i d e n t e - e x e c u t i vo da Abicalçados, Heitor Klein; presidente da Assintecal, Milton Killing; presidente-executivo do CICB, José Fernando Bello; presidente da AB-

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QTIC, Alexandre Finkler; presidente da ACI-NH/ CB/EV, Marcelo Lauxen Kehl; presidente da AICSul, Moacir Berger; responsável pela pesquisa e desenvolvimento de produto do Studio10, Christian Tomas e Luis Coelho, da Coelho Assessoria Empresarial.

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Agenda positiva para o IBTeC e a Tecnicouro

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á na véspera da feira, durante o jantar de confraternização realizado anualmente pela Assintecal, o clima de celebração se iniciou com a conquista do Prêmio Primus Inter Pares Assintecal/Braskem, na categoria Imprensa, pela reportagem Substâncias Restritivas: um desafio a ser encarado, veiculada na edição de maio/junho de 2017 da Revista Tecnicouro. O assunto tem sido amplamente debatido pelo setor e é indispensável, principalmente para quem exporta ou pretende exportar. A recepção aos 500 convidados é um dos maiores encontros de empresas e parceiros na agenda do setor coureiro-calçadista.

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IBTeC recebeu, tanto na sua sede, quanto no estande institucional na feira, comitivas de empresários e entidades do Brasil e do exterior visando à divulgação das oportunidades de parcerias para futuros projetos em conjunto. A presidência do instituto participou também de uma série de eventos oficiais. Iniciou com a solenidade de abertura da Fimec 2018, junto das

demais lideranças empresariais e políticas do setor, bem como dos principais formadores de opinião e com a presença do governador do RS, José Ivo Sartori, que considerou a Fimec como um exemplo do Rio Grande que dá certo. “É a maior feira da América Latina e a segunda maior do mundo apresentando as mais avançadas tecnologias em máquinas, componentes, serviços e insumos para o setor

do calçado e artefatos”, destacou ele, lembrando que é preciso ter otimismo ante um cenário desafiador. Instigou os empresários a investir nos seus negócios e citou, na pessoa do presidente executivo, Paulo Griebeler, o IBTeC como uma instituição voltada à inovação para o setor. Também falou sobre ações do seu governo em benefício do segmento industrial, como a redução das alíquotas de exportação.

Muitas atividades durante os três dias da feira

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Fórum Fimec

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urante o Fórum Fimec - Moda e Negócios, a presidência e a equipe do instituto assistiram a diversas palestras realizadas nos dois primeiros dias da feira. O IBTeC foi um dos apoiadores da iniciativa, criada para divulgar conteúdos relevantes no contraturno da mostra. No primeiro dia, os participantes receberam de Luana Lanzini, Fashion Designer & Trendforcaster e de Luana Savadintzky, Fashion Directions informa-

ções sobre moda através da palestra Herança & Consistência Criativa - A moda não é mais efêmera?. Logo em seguida, subiram ao palco o estilista de moda Alexandre Herchcovitch - que para falou sobre os novos caminhos e momentos da moda, abordando a moda sem estação, multigênero e sustentável - e a influencer e curadora fashion, Claudia Bartelle, que contou um pouco de sua trajetória no mundo da moda.

Prêmio Lançamentos Fimec Ainda no primeiro dia da feira aconteceu o Prêmio Lançamentos Fimec, realizado pelo Jornal Exclusivo/Revista Lançamentos. O IBTeC assinou a premiação na categoria Inovação, e o presidente Paulo Griebeler fez a entrega do troféu para o projeto vencedor, desenvolvido numa parceria entre a Máquinas Sazi e a Killing.

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negócios em pauta

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s palestrantes do segundo e último dia do Fórum Fimec: Moda e Negócios muniram os expectadores com informações sobre mercados referência no setor calçadista, estratégias e conceitos dos processos com a ideia de inspirar e motivar a aplicação dos mesmos no cenário brasileiro, na busca de maior competitividade no cenário mundial. Larissa Dalto, supervisora comercial marketplace do Mercado Livre, ministrou a palestra Marketplace como ferramenta para vender mais e melhor. Outra palestra foi do Chief Operating Officer da Camuto Group, Julio Martini, que falou sobre Brasil x Mundo, onde estamos em termos produtivos no cenário global?. O palestrante colocou em questão a forma como o Brasil produz calçados, fez comparações com os demais países e falou sobre o futuro da exportação do País. Para encerrar o evento, o vice-presidente executivo de manufatura da New Balance Estados Unidos, John Wilson, ministrou a palestra Adaptando-se a um novo cliente e a realidade de varejo - A necessidade de reinventar modelos operacionais. Ele falou sobre os processos de produção da organização e ressaltou a valorização do design dentro da empresa, que inclusive possui uma escola para treinar seus funcionários.

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Encerramento

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a manhã do terceiro dia da Fimec teve o Workshop Empreendedorismo Feminino, realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couros, Calçados e Artefatos (Assintecal) e o programa AL-Invest 5.0 - que é financiado pela União Europeia. Primeiramente palestrou Angela Hirata - presidente da Japan House e responsável pela internacionalização das Havaianas. Logo após, aconteceu um

talk show com líderes do setor, como Ana Carolina Grings (Piccadilly), Simone Leite (Federasul), Elda Maria Aumondi Kautzmann (Rollafio) e Fátima Daudt (prefeita de Novo Hamburgo). A ação busca formar uma rede de mulheres empreendedoras para trocas de experiências, apresentação de casos de sucesso e abordar questões importantes sobre estabelecer a liderança corporativa, no mais alto nível, com sensibilidade à igualdade de gênero.

ara o instituto a feira foi concluída com o encerramento das atividades da Fábrica Conceito, que contou com a parceria da Ramarim, na confecção dos modelos femininos, e Kildare nos calçados masculinos. O Senai participou com a confecção de uma linha se sapatilhas feitas pelos alunos da Escola Técnica de Calçados. Ao todo foram envolvidas 75 empresas parceiras para a fabricação de cerca de 2.200 pares de calçados masculinos e femininos. Para isso, foram contratados 67 trabalhadores, sendo que boa parte desses era formada por profissionais que estavam fora do mercado de trabalho e tiveram a oportunidade de mostrar o seu conhecimento aos empresários que visitaram o projeto, tendo com isso a possibilidade de virem a ser contratados novamente. Como é de costume, parte deste montante de calçados produzidos tem como destino a doação para entidades de assistência social cadastradas, para que possam transformá-los em recursos necessários. Esta foi a 9ª edição realizada em conjunto com a Fenac e a Coelho Assessoria Empresarial. “Este ano buscamos novos parceiros para apresentarmos tecnologias inovadoras e montamos o maior e melhor projeto dentre todos já realizados, tendo ainda a vantagem adicional da localização na área mais nobre, por onde passam todos os visitantes da feira. Com isso obtivemos uma grande visibilidade durante os três dias da Fimec, o que nos deixa muito satisfeitos”, comemorou o presidente executivo do IBTeC, Paulo Griebeler.

Happy Hour Durante a tarde, foi realizado o tradicional encontro com clientes e parceiros, simbolizando a entrega da mais recente edição da revista Tecnicouro ao mercado, tendo como ponto de partida a Fimec. Na ocasião também foi feita uma homenagem à Couromoda que, em 2017, completou 45 anos.

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40 GRAUS PROPORCIONA NEGÓCIOS

para datas especiais C

rindo as datas especiais como impulsionadoras de vendas. A empresária Samantha Becker, que fabrica sandálias da marca Color Be com pedrarias diferenciadas, afirmou que a feira é importante para o desempenho da empresa. “É uma ótima vitrine para nós aqui na região. Viemos em praticamente todas as edições da feira”, finalizou. A 40 Graus conta com o apoio do Sindicato da Indústria de Calçados de Estância Velha, Sindicato da Indústria de Calçados de Ivoti, Sindicato da Indústria de Calçados de Igrejinha, Sindicato da Indústria de Calçados de Novo Hamburgo, Sindicato da Indústria de Calçados de Parobé, Sindicato da Indústria de Calçados de Sapiranga e Sindicato da Indústria de Calçados de Três Coroas. A Merkator Feiras e Eventos e os sindicatos realizam anualmente também o Salão Internacional do Couro e do Calçado (Sicc), e a feira Zero Grau – Salão de Tendências em Calçados e Acessórios, ambas em Gramado/RS, nos meses de maio e novembro respectivamente.

FOTO ABNER ALVES

om foco no varejo setorial das regiões Norte e Nordeste do País, a 40 Graus - Feira de Calçados e Acessórios aconteceu em Natal/RN no último mês de março, consolidando negócios importantes para a indústria e o ponto de venda. “Estamos felizes porque o lojista sai daqui com compras para as principais festas de suas regiões e o calçadista garante uma produção que vai movimentar a sua fábrica”, disse Frederico Pletsch, diretor da Merkator Feira e Eventos, realizadora da feira. O diretor comercial da Usaflex, Rafael Laux, confirmou a venda de produtos para o Dia das Mães e as festas juninas. “Como o nosso calçado tem o foco no conforto o apelo de venda dele nestas datas é muito bom e tem uma forte comercialização”, salienta. Já o gerente comercial da Dakota, Flávio Lamb, comentou que a empresa expôs lançamentos específicos para a feira. “Trouxemos novidades em seis de nossas marcas a fim de oferecer diversas opções para os lojistas”, assegurou ele, também refe-

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FEIRAS PROMOVEM O ENCONTRO DA MODA

do Cariri com a tecnologia O FCEM - Febratex Group realizará, em parceria com o Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro do Norte e Região (Sindindústria), as feiras Fetecc Fashion 2018 - Feira de Calçados e Acessórios da Região Nordeste e Femicc 2018 - Feira de Máquinas para a Indústria Coureiro-Calçadista, de 1º a 3 do próximo mês de agosto, no Pavilhão do Sebrae, em Juazeiro do Norte/CE. O objetivo das feiras integradas é agregar os elos da cadeia produtiva: máquinas, componentes, produtos acabados e serviços, proporcionando aos expositores, visitantes e compradores a oportunidade ideal para realizar negócios em uma mostra com as principais tendências, tecnologias e produtos do setor. Na avaliação do presidente do Sindindústria, Abeli-

to Sampaio, a realização de eventos em simultaneidade é muito importante para o desenvolvimento do Cariri e região. “Estas ações integradas fortalecem o setor calçadista como um todo, tornando-o ainda mais competitivo interna e externamente”, pontua. O diretor-presidente do FCEM, Roberto Pompeo Madeira, salienta que a mudança da Femicc de Fortaleza para Juazeiro do Norte se deu numa parceria com o Sebrae e essa transferência vai proporcionar mais oportunidades de negócios. “Será uma oportunidade única para visitantes e expositores da região realizarem bons negócios com praticidade e racionalização de custos, em duas mostras simultâneas que reunirão as principais tendências, tecnologias e lançamentos para o setor calçadista”, declara.

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NOTAS ATITUDE SUSTENTÁVEL A Osklen faz um obstinado trabalho com foco no desenvolvimento de matérias-primas e processos eco-friendly, design autoral e inovação. Com foco na redução do impacto ao meio ambiente, envolvendo mão de obra de comunidades e geração de renda. A marca é pioneira no uso do couro de pirarucu para criação de bolsas, acessórios e calçados, que se tornaram um ícone da marca.

URBANO

NOVO CLÁSSICO A Arezzo lança o scarpin Nina, eleito o mais novo clássico da marca.Com salto quadrado e amarração no tornozelo, o modelo é supercharmoso. A novidade mal chegou às lojas de todo o Brasil e já se tornou hit entre celebridades e fashionistas. Nina está disponível em couro nobuck nas cores preto, rubi, new dijon, caqui, cobalto, toasted nut, suflair.

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Maria Fernanda Sodré sempre buscou novas experiências. É o nome por trás da marca A Mafalda e uma importante figura na moda brasileira. Em parceria com Fernanda Yamamoto, Maria Fernanda foi responsável por desenvolver para o desfile da SPFW dois modelos exclusivos de sapatos, que variam entre 36 cores distintas. A grife carrega consigo inspirações do cotidiano urbano, permitindo que os sapatos transmitam elegância e modernidade. São feitos com couro de alta qualidade e fazem sucesso no mundo de artistas e influenciadores por conta do seu design único trabalhado artesanalmente. Feitos totalmente à mão, os detalhes são priorizados, a fim de resultar em um modelo agradável e cheio de estilo.

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IMAGEM LUÍS VIEIRA

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NEM SEMPRE O MATERIAL MAIS BONITO

é aquele que vai dar certo

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Revista Tecnicouro traz nesta edição um artigo elaborado pelo prof. Dr. Luiz Carlos Robinson, que trata das normas técnicas para a qualidade dos materiais usados na parte superior do calçado. Porém, mais do que alertar sobre a importância de se conhecer as normas que determinam atributos minimamente desejáveis aos componentes, de acordo com o tipo de calçado em que eles serão utilizados (uso militar; equipamento de segurança e proteção no trabalho; para a prática de esportes; uso casual; modinha etc.), a pesquisa ressalta também a necessidade de se ter no ambiente industrial técnicos capacitados a reconhecerem as propriedades de cada matéria-prima e insumo e também como eles interagem ao serem utilizados, garantindo assim que o calçado esteja em conformidade com o projeto inicial atendendo às necessidades do usuário. Nesse processo, um ponto fundamental é a relação entre o fabricante e a sua rede de fornecedores, pois são esses parceiros - as indústrias de base - que detêm o conhecimento sobre as propriedades e características de cada material e podem orientar precisamente como obter melhores resultados, usando adequadamente os recursos disponibilizados, de forma a também evitar o surgimento de problemas técnicos nas diferentes etapas existentes ao longo de toda a linha de montagem. Em complemento ao artigo, esta matéria busca fornecer mais detalhes sobre o assunto, bem como apresentar dois casos - um de uma fornecedora de materiais e outro de uma fabricante de calçados femininos - que além de

relatarem os cuidados para garantir a melhor performance dos produtos lançados no mercado ilustram esta preocupação exemplificando como o sistema de parceria fabricante/fornecedor pode ser fundamental para o sucesso de um produto em desenvolvimento. De acordo com o pesquisador um dos grandes problemas para se avançar na aproximação das organizações que estão no início da cadeia produtiva daquelas que se encontram ao final é a falta de confiança de alguns industriais em abrir aos seus parceiros as dificuldades enfrentadas no dia a dia da empresa. Principalmente por temerem que eles tentem interferir demais nos seus sistemas de produção já consolidados. “Às vezes as dicas ou sugestões fornecidas são recebidas como se o parceiro quisesse ‘ensinar’ como fazer o calçado, quando na verdade o que se busca é orientar sobre a maneira correta de utilizar um determinado material ou insumo, para que este proporcione os benefícios propagados”, contextualiza o Dr. Robinson. Ele complementou, lembrando que, por outro lado, quando um fornecedor ou até mesmo um consultor consegue resolver um problema pontual, a empresa geralmente se sente à vontade para mostrar mais um pouco da sua sistemática de trabalho e expor os seus problemas na busca de novas soluções. “O que poucos sabem é que muitas das necessidades que perduram no processo fabril já poderiam ter sido superadas com produtos, equipamentos e técnicas já disponíveis no mercado, e esse desconhecimento se deve ao fato de as partes interessadas não estarem conversando”, lamenta.

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Mudanças não são necessariamente associadas a aumento de custos

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s normas que tratam da qualidade dos materiais usados nos calçados são publicadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), através do trabalho desenvolvido no âmbito do Comitê Brasileiro de Couro, Calçados e Artefatos de Couro (CB-11), cuja participação é voluntária e aberta a todos que se interessem pelo assunto, desde os profissionais da cadeia de produção, as indústrias de base, os fabricantes e até mesmo o consumidor final. As diretrizes determinadas pelo comitê seguem para Consulta Nacional e novamente a participação com sugestões de melhorias é estendida a todos os interessados, para só então, após todas as considerações serem avaliadas, se tornarem uma norma a ser publicada. Além de criar novas normas, o grupo faz revisões nas já existentes, para que elas estejam sempre atualizadas, conforme o setor evolui em suas tecnologias e sistemas de fabricação, e também para garantir o cumprimento das legislações, que por sua vez também passam por mudanças periódicas. Durante esses encontros, quando técnicos, fabricantes e fornecedores estão frente a frente debatendo sobre alguma situação específica, não é raro surgirem ideias interessantes sobre melhorias a serem implantadas pelas empresas em seus materiais, equipamentos ou processos, e quando isso acontece o setor como um todo acaba ganhando. “Num primeiro momento, quan-

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do da aplicação de alguma mudança, é normal que surjam resistências por temor ao impacto que isso vai gerar nos custos da empresa e em consequência no valor final do produto. Mas, via de regra, os investimentos iniciais se diluem quando a inovação entra em escala de produção e o impacto, em algumas situações, chega a ser quase imperceptível, principalmente quando essa mudança resulta em valor percebido pelo consumidor”, salienta Robinson. Há também que se considerar que em algumas situações, para se obter o melhor desempenho de um material, não são necessários novos custos, mas sim um aperfeiçoamento na forma de se trabalhar com ele na linha de montagem. Neste sentido, dentre as maiores dificuldades está a adaptação do profissional a novas matérias-primas introduzidas no processo. No caso de uma empresa que só usava couro, por exemplo, e em determinado momento decide usar também material sintético em seus produtos, o técnico, o designer, enfim, todos os profissionais cujas atividades estejam de alguma forma associadas ao processo produtivo precisam aprender a lidar com essa matéria-prima. “Por ainda não ter qualquer experiência com o uso de laminado sintético, o profissional dessa empresa que decidiu implantar o material alternativo talvez tente trabalhar com a nova matéria-prima como se fosse couro. Os laminados sintéticos conhecidos como TPU, por exemplo, necessitam

de cuidados adicionais no processamento, principalmente em relação às temperaturas utilizadas no processamento (menores), remoção da camada plástica (não chegar totalmente até a borda) e em relação à limitação da flexibilidade deste (em peças inteiras de calçados flexíveis ele pode separar a camada de TPU da camada de acabamento). O especialista aponta ainda uma série de diferenças entre os materiais que precisam ser levadas em conta tanto pelo pessoal técnico quanto pela equipe de desenvolvimento. “O couro, por exemplo, cede muito mais que o tecido. Enquanto um couro pode ter o seu tamanho alongado em torno de 35%, ou até mais, o tecido alonga entre 10 e 15%. E é necessário saber disso antes de se determinar quais serão os materiais aplicados em cada parte do calçado, pois isso impacta em diversos fatores, como durabilidade e aparência do produto e propriedades de conforto e segurança ao caminhar”, cita. Respeitar o tipo de adesivo bem como a forma e a quantidade a ser aplicada, a temperatura máxima e mínima a que o material deve ser submetido em cada etapa do processo, cuidar para a espessura estar de acordo com a parte do calçado em que será usado e também do tipo de calçado que será feito, conhecer a capacidade de maleabilidade e a forma correta de se preparar cada material são fundamentos necessários para o sucesso de um projeto.

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Os materiais interagem

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as não se pode apenas olhar cada material isoladamente. No almoxarifado de uma indústria de calçados existe sempre um grande número de matérias-primas, insumos e componentes que são fornecidos por diferentes fabricantes, sendo que cada um deles procura oferecer as melhores propriedades nos seus artigos. Porém, os problemas costumam surgir quando acontecem as junções deles nas diversas partes do calçado. Quando o estrago acontece, o mais comum é o fabricante procurar o responsável pelo fornecimento do material que ele julga ser o causador do defeito. “Um exemplo clássico é o caso de um fabricante que comprou um laminado em verniz e depois providenciou a dublagem do mesmo com um tecido preto. Quando o material retornou o verniz havia escurecido. O industrial então tentou devolver para o fornecedor alegando para isso a baixa qualidade. Ocorreram aí dois problemas: o primeiro é que não se usa forro preto a não ser que o material tenha sido previamente avaliado quanto à migração de cor e ao manchamento de contato, tudo de acordo com as normas da ABNT, o segundo, é que tem que se tomar o cuidado de não enrolar o material enquanto ele ainda estiver quente. São conhecimentos técnicos básicos que os profissionais devem ter para que não aconteçam problemas dessa na-

tureza”, exemplifica o professor. Outra situação cada vez mais comum é com relação às substâncias restritivas. Pois, com o aumento das exigências nas legislações mundo afora, os fornecedores estão sendo obrigados a mudar as formulações dos seus produtos. A indústria de adesivos, por exemplo, teve problemas com o uso de tolueno precisou implantar adaptações. “O erro, neste caso, é que uma empresa usou inadequadamente em um material sintético um adesivo desenvolvido para couro. Como funcionou numa matéria-prima e não na outra, pensou-se que o problema era da qualidade do sintético, só que não era este o caso. Foi preciso uma investigação, mas enquanto isso acontecia o calçado já estava no mercado, e as devoluções poderiam macular a imagem da marca no mercado”, ilustra ele, destacando que este tipo de situação extrema é cada vez mais rara, mas mesmo assim se surpreende com o fato de que isso ainda ocorra. “Se o técnico tivesse tomado cuidado isso não aconteceria. Aliás, se o fabricante conhecesse todas as possibilidades presentes em cada uma das matérias-primas adquiridas ele vislumbraria novas chances para faturar mais e se incomodar menos. Mas infelizmente há muitos recursos nos materiais que são desconhecidos pelos compradores”, lamenta.

Conteúdo de apoio Existem várias publicações, lançadas desde a década de 1980, que tratam das especificações dos materiais de acordo com a classe do calçado. Em 1987 o IBTeC, que na época se chamava CTCCA, publicou uma cartilha sobre o assunto; em 2004, foi a vez do Senai criar a sua publicação; em 2011, a empresa Caimi & Liaison imprimiu um material neste sentido e, já em 2016, a Assintecal elaborou uma cartilha virtual para ser baixada. Todas essas iniciativas têm como propósito auxiliar os fabricantes sobre a forma correta de usar os materiais. Os próprios fabricantes, pelo menos alguns deles, oferecem etiquetas nos produto com orientações sobre o que se deve ou não fazer para garantir as propriedades mecânicas dos materiais. Hoje, avançamos nas discussões sobre os conceitos da indústria 4.0 no setor calçadista e, na visão do Dr. Robinson, a falta de conhecimento sobre o real potencial dos materiais e as possibilidades de trabalhar com eles são entraves a serem superados. “É preciso olhar para o calçado de uma forma mais objetiva para torná-lo ao mesmo tempo mais prático de ser feito e que o resultado seja um produto bonito, ambientalmente correto e comercialmente interessante”, conclui.

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As normas são uma orientação segura para os fabricantes

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ara o técnico de laboratório e adesivos da Ramarim, Eliandro Teles, as normas técnicas são essenciais para garantir a satisfação do cliente, em ter um produto confortável, seguro e de qualidade. “Elas nos orientam sobre como avaliar os componentes para o calçado antes de ser produzido e depois do produto pronto. Hoje o mercado é muito competitivo e através do trabalho realizado em nosso laboratório interno podemos buscar no mercado produtos que tenham um custo baixo e de boa qualidade, e as normas nos orientam sobre a forma correta para validar isso”, assegura. No laboratório próprio são realizados vários testes físico-mecânicos que avaliam se os componentes adquiridos estão de acordo com as normas técnicas. No espaço os materiais são testados para determinar resistência, abrasão em solas e tecidos, flexão contínuas em couros e sintéticos, fixação de pigmento, elasticidade de couro, flexão em calçado pronto, solidez dos materiais à luz, envelhecimento, hidrólise, fadiga do salto, deformação dinâmica, migração de corantes. Os equipamentos são calibrados, mas mesmo assim a empresa submete seus produtos a testes em laboratórios externos independentes, especificamente no Senai e no IBTeC, onde seus produtos são submetidos também a testes químicos e alguns ensaios específicos, como por exemplo, tração e alongamento antes e após fadiga. “Quando não temos equipamentos para realizar os testes ou quando é a avaliação

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solicitada por alguma companhia de exportação encaminhamos os calçados para serem avaliados por um desses laboratórios credenciados que possuem credibilidade no mercado”, explica Teles. O profissional lembra que há algum tempo a Ramarim sentiu a necessidade de diminuir o custo do processo que envolvia colagem em sola de TR e, com ajuda do fornecedor de adesivo, conseguiu baixar o custo da preparação em R$ 0,50 no par, sem perder as propriedades e a qualidade no produto final. “Os resultados puderam ser comprovados através de ensaios de rasgamento feitos no dinamômetro, com orientação e valores estabelecidos pela norma específica”, pontua o técnico. A gerente da qualidade da Endutex, Carolina Klein, também avalia que as normas para componentes e os requisitos existentes são importantes para garantir a qualidade nos componentes utilizados nos calçados. “São uma diretriz para desenvolver os componentes a serem utilizados nos calçados e servem como um guia para a estrutura dos componentes, garantindo a entrega de produtos melhores, com maior resistência e durabilidade, resultando em um produto final com melhor desempenho e uma relação de competitividade mais justa tanto para os fornecedores quanto os fabricantes de calçados”, pontua ela, complementando que o consumidor é o maior beneficiário. A Endutex também tem um laboratório interno para fazer os testes que avaliam se os componentes estão

de acordo com as normas técnicas. Lá são realizados ensaios físicos de matéria-prima e também de material acabado, os quais são submetidos a testes de resistência a hidrólise, solidez da cor UV, tração/alongamento/ rasgamento, gramatura/espessura, colagem e adesão da camada, abrasão, fricção, flexão e perspirômetro. “Temos contratos com empresas que garantem a calibragem dos equipamentos de acordo com as normas e comprovam as aferições com a apresentação de laudos”, destaca ela lembrando que os testes externos são realizados para a gestão das substâncias restritas, fungos e bactérias, absorção e permeabilidade, entre outros. Além desses, a empresa também procura apoio externo quando encontra alguma divergência nos resultados dos seus próprios ensaios. “A certificação de terceiros é a garantia extra da nossa credibilidade de qualidade dos produtos”, considera. Para finalizar, cita duas parcerias da Endutex para o desenvolvimento de artigos. Uma delas aconteceu há alguns anos e é relacionada a calçados esportivos de PU. “No Brasil não existia uma laminadora que produzisse laminado de PU para a linha esportiva e a Endutex, junto com uma empresa parceira, foi a pioneira em desenvolver e aprovar produtos para atender as grandes marcas esportivas no País. Mais recentemente lançamos a linha TPU para aplicação em cabedal de tecido/nylon também para atender os novos lançamentos das marcas esportivas no Brasil”, lembra.

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SBBC: ciência, tecnologia,

moda e sustentabilidade

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Colaborou Raquel Guimarães

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Dr. Darren Stefanyshyn (Calgary/Canadá) foi o primeiro palestrante. Em sua apresentação Prescrição de calçados especializados para osteoartrite do joelho ele divulgou estudos para confirmar se é realmente possível desenvolver calçados funcionais que protejam as articulações desse tipo de lesão durante a marcha. Segundo ele, somente no Canadá existem 2,5 milhões de pessoas com a doença - uma degeneração de cartilagem - que avança na medida em que o indivíduo envelhece. A intensão com os estudos é encontrar, através do calçado, formas de atrasar o processo degenerativo para o qual ainda não há cura. “Há diversas maneiras de amenizar as dores sintomáticas, e no caso dos calçados é comum a implantação de palmilhas com cunhas laterais para corrigir o posicionamento do pé. O problema é que na maioria das vezes não há qualquer comprovação científica de que tal medida produza algum

Dr. Darren Stefanyshyn

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benefício real ao usuário”, argumentou. Segundo ele, o que se está receitando são palmilhas iguais para pessoas diferentes. Se por um lado é notório que a forma de caminhar muda ao se utilizar tal componente, por outro não existem nos consultórios equipamentos para medir aspectos biomecânicos que confirmem se a mudança provocada pelo sistema implantado no calçado é boa para o paciente. “Fazer esta medição no consultório é muito difícil, caro e nada prático do ponto de vista clínico”, ponderou. Preocupado com esta situação, o pesquisador desenvolveu um sistema patenteado que simplifica este tipo de análise em clínicas, para que o médico e o paciente possam ter mais segurança sobre os potenciais benefícios da palmilha modificada.

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celerometria: efeito das vibrações no corpo humano foi o tema abordado pelo Dr. Milton Zaro (IBTeC|Ufrgs/ RS). O palestrante falou sobre medi-

Dr. Milton Zaro

FOTOS LUÍS VIEIRA

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X Simpósio Brasileiro de Biomecânica do Calçado e I Workshop de Tecnologia e Inovação no Calçado realizado pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC) em Novo Hamburgo/RS, nos dias 25 e 26 de abril, reuniu 14 palestrantes que apresentaram pesquisas e desenvolvimentos para melhorar a performance dos produtos e proporcionar mais conforto e proteção aos pés, além da apresentação de casos de sucesso. ção da absorção de vibrações mecânicas em calçados infantis através da técnica da acelerometria tibial. A técnica consiste em posicionar um acelerômetro na parte medial da tíbia para medir os picos de aceleração para cada passada. Ele também explicou sobre o Índice de Absorção de Vibrações (IAV) que compara os picos de aceleração obtidos com o indivíduo calçado e descalço. “O simples ato de caminhar já produz vibrações e impactos no corpo humano e isso é normal. Porém, em algumas situações, os níveis dessas vibrações são muito elevados e, se essa condição for continuada ao longo do tempo, pode ser prejudicial para o sistema musculoesquelético”, ilustrou. Para medir o nível das vibrações durante a marcha e saber de que forma impactam no corpo humano, foram feitos testes com três modelos de calce com o uso da acelerometria, sendo que os indivíduos testaram 17 pares de calçados. Neste estudo se comparou a caminhada de cada um com ou sem o uso de calçados, tendo em vista analisar o quanto cada calçado influencia no amortecimento do impacto produzido pelo contato do pé com o solo durante a passada. Foi desenvolvido também um sistema de aquisição e análise de dados de acelerômetro de forma a diminuir as incertezas e a tornar a pesquisa o mais confiável possível. O estudo teve a parceria da indústria de calçados infantis Klin, que usou a metodologia para desenvolver calçados que amortecem até 60% o impacto do pé.

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a palestra Coordenação motora e controle dos movimentos do antepé e retropé na marcha de crianças, o professor Dr. Luís Mochizuki (USP/ SP) abordou aspectos como a descrição da cinemática e a coordenação motora dos movimentos de crianças ao caminhar. A intensão das suas pesquisas é comparar como os fatores de estabilidade, complexidade e coordenação interferem no andar das crianças com desenvolvimento típico e das que têm problemas neurológicos. “A estabilidade é a tendência de manter um certo comportamento quando o corpo sofre uma interferência. A complexidade é a capacidade de usar diferentes estratégias para realizar uma tarefa. Já a coordenação se refere a como as variáveis se inter-relacionam num mesmo movimento”, contextualizou o palestrante. O estudo comprova que as crianças com desenvolvimento típico mostram padrões de coordenação diferentes em movimentos de flexão e extensão do quadril e do joelho das com problemas neurológicos, bem como nos movimentos do antepé e retropé. Também foi observado que meninos e meninas apresentam padrões diferentes de coordenação e que o apoio completo do pé muda conforme a criança vai se desenvolvendo. Outra pesquisa tratou sobre o pé torto congênito. Neste caso o que se observou é que durante a marcha as crianças com pé torto congênito movimentam mais o antepé, enquanto isso, as com desenvolvimento típico movimentam mais o retropé. Também foi verificado que a agilidade e a estabilidade do pé estão associadas ao tamanho e amplitude dos movimentos de suas partes. “Quanto menor for a amplitude dos movimentos maior será a estabilidade nos padrões de coordenação motora no antepé e no retropé. Por isso, as crianças típicas apresentam um padrão de coordenação mais complexo que as com problemas congênitos, que têm movimentos mais estáveis”, explicou.

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Dr. Sizinio Hebert (Santa Casa de Misericórdia/RS) abordou na palestra Evolução ortopédica da criança: desenvolvimento normal e patológico e a discussão quanto ao uso do calçado os aspectos ortopédicos da evolução da criança, chamando a atenção para algumas patologias frequentes, contemplando o uso do calçado neste contexto. Ele observou que a malformação do pé torto congênito acontece nos três primeiros meses da gestação, enquanto as deformações por compressão surgem no último trimestre da gravidez, e estas últimas são passíveis de se corrigirem naturalmente na medida em que a criança cresce. De acordo com ele, de cada 20 recém-nascidos um sofre com alguma malformação. Destas, 60% são congênitas e 40% se tratam de deformidades posicionais, mas há também problemas que surgem durante a fase de crescimento. “É preciso entender as diferenças para não submeter a criança a tratamentos desnecessários ou errados”, destacou. Cerca de 40% das crianças, segundo o pesquisador, sofrem de hipermobilidade articular e isso pode causar um achatamento do pé. “Este é um caso típico em que o diagnóstico pode ser equivocado, pois a aparência leva a crer que se trata de pé chato, quando na verdade é apenas uma flexibilidade excessiva dos músculos, nervos e ligações”, acentuou. Sobre o uso de calçados por crianças, o palestrante alertou que pés descalços sempre serão bem-vindos, principalmente nos primeiros meses de vida. “Somente após o nono mês é que o calçado se torna necessário, mesmo assim é preciso que tenha propriedades de resistência, flexibilidade, ventilação, amortecimento de impacto e antiderrapante. O contraforte precisa ser rígido o bastante para dar sustentação ao pé e é necessário ainda uma boa palmilha de sustentação”, ensinou. Ele concluiu lembrando que é fundamental cuidar para que a numeração seja a correta para o pé. “Se for maior deixa o caminhar instável e se for menor vai apertar o pé e causar lesões”, terminou.

Dr. Luís Mochizuki

Dr. Sizinio Hebert

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alçados esportivos: performance, qualidade e mercado foi o tema discutido no painel de encerramento da programação do primeiro dia, sob a coordenação do Dr. Rudinei Palhano, do Laboratório de Biomecânica do IBTeC. O Mestre em Biomecânica, Eduardo Würst, também do Laboratório de Biomecânica do instituto, mostrou o trabalho inédito no Brasil feito pelo instituto para a revista Go Outside - Guia de Equipamentos, com avaliação de 33 modelos de calçados específicos para a prática de corrida. Ele chamou a atenção para o fato de que no Brasil existem hoje em torno de 6 milhões de praticantes de corridas, entre amadores e profissionais, e explicou que a premissa básica é que os tênis para essa prática precisam suportar cargas maiores do que os calçados casuais. “Consequentemente, a forma de avaliar estes calçados em laboratório é diferente, mais complexa, pois enquanto uma pessoa caminha, o calçado recebe carga de 1,2 vez o peso da pessoa. Já na corrida, a carga recebida varia de duas a quatro vezes o peso corporal”, considerou. Esta foi a primeira vez que o guia teve análises quantitativas, que é a tradução da percepção dos corredores em números a partir de ensaios biomecânicos. Os resultados das avaliações mostraram que boa absorção de impacto e bom amortecimento resultam em diminuição da performance na prática do esporte. Já os calçados que têm menos amortecimento

Eduardo Würst

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do impacto da pisada oferecem melhores resultados de performance. Também ficou claro que os calçados com mais estabilidade oferecem melhores resultados de performance.

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diretor da World Tennis, Luis Maia, apresentou panorama internacional com o histórico da Evolução dos calçados esportivos. De acordo com seu levantamento, em 1972 a indústria apresentou o primeiro solado com pinos de borracha na sola e melhor flexão do metatarso. “Foi quando a indústria descobriu que o corredor queria amortecimento”, afirmou. Em 1975, foi usado EVA na entressola pela primeira vez - até então era borracha expandida. O primeiro tênis com controle de torsão surgiu em 1977, quando uma cunha inserida na parte traseira do calçado garantia a estabilidade. Em 1989, a Adidas lançou o primeiro calçado de corrida com a icônica placa de controle de torsão. Inovações de impacto voltaram a acontecer somente em 2004, quando os fabricantes se uniram à indústria química para buscar soluções que resultassem em melhoria da performance dos desportistas. Em 2017, foi lançado o primeiro tênis com 4% a mais de resposta na prática de corrida, a partir do uso do PEBAX expandido, o que está sendo um marco para a prática do esporte. Luis Maia salientou ainda que os

Luis Maia

maiores estudos de inovações em calçados esportivos se concentram nos EUA, onde o segmento tem um PIB anual de US$ 19,6 bilhões.

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gerente de comunicação da Vulcabras Azaleia, Katia Burriol, falou sobre a realidade da Olympikus, marca de calçados esportivos totalmente desenvolvida no Brasil, com tecnologias nacionais, e que em 2017 foi a marca mais vendida no País. Na opinião da gestora de comunicação, a conquista do ano passado é o resultado de um histórico de participações na vida do esporte brasileiro. Entre os apoios está o patrocínio do Comitê Olímpico Brasileiro através do qual, ao longo de 12 anos, vestiu mais de 15 mil atletas e forneceu mais de 1,2 milhão de peças para as equipes que representaram o Pais neste período. Lembrou ainda os 19 anos como marca oficial da Confederação Brasileira de Vôlei. “Foi uma das parcerias mais vitoriosas da marca”, considerou. Katia também deu ênfase à parceria com o IBTeC, lembrando que todos os tênis Olympikus são testados nos laboratórios do instituto, o que contribuiu para o crescimento da marca no mercado. “Hoje, a Olympikus é uma das grifes de tênis mais conhecidas no Brasil, com o diferencial de que é apontada em pesquisas como uma marca que vale o que custa”, comentou.

Katia Burriol

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ncorporação de fibras naturais para produção de calçados sustentáveis foi assunto para a professora e pesquisadora da Unifesp/SP, Dra. Cristiane Martins. Ela falou das pesquisas em andamento relacionadas com a indústria de calçados, bem como sobre a preocupação deste segmento com a sustentabilidade. Inicialmente diferenciou os conceitos Produto Ecológico (oriundo da biodiversidade), Linha Verde (a partir dos cuidados da empresa com a redução de impactos como um todo) e Produto Sustentável (além dos cuidados com a natureza trata das questões sociais e leis trabalhistas). Em seguida citou alguns produtos reconhecidos no mercado pela preocupação com as questões ambientais, tais como as sandálias Goóc cujas solas são produzidas a partir de borracha de pneu reaproveitada, as sandálias Ipanema elaboradas em processo de fabricação que minimiza o consumo de energia e as sandálias Eco Rubber feitas de resíduos gerados na própria fábrica. Sobre o seu trabalho, destacou a parceria com a Rhodia em uma pesquisa visando ao desenvolvimento de solados e palmilhas 100% em fibra de coco além de um solado impregnado com fibra de bananeira. Durante o projeto foram avaliados o uso do material no mercado de solados e suas vantagens com relação as propriedades e processos. Também falou sobre outras linhas de pesquisa para a obtenção de nanofibras de coroa de abacaxi e a incorporação do material em filmes biodegradáveis. Ela explicou que a motivação para trabalhar com fibras vegetais é por vários fatores. “Se no Brasil temos abundância destes materiais que são muito resistentes, biodegradáveis e costumam ser rejeitados, por que não testar o uso para agregar novas propriedades aos materiais?”, questionou, complementando que as pesquisas são no sentido de substituir fibras sintéticas por fibras vegetais que possuem menos densidade e provocam menor desgaste do que as sintéticas nos equipamentos convencionais de processamento de polímeros.

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palestra do Dr. Marcus Tartaruga (UFPR/PR) intitulada Relações entre trabalho mecânico e aspectos biomecânicos da corrida focou na economia energética com o uso de calçados esportivos. De acordo com o palestrante a bibliografia disponível no mercado descreve a importância da intensidade fisiológica no comportamento dos aspectos biomecânicos da corrida, todavia as complexas relações entre essas variáveis ainda não estão bem compreendidas. Ele explicou que a pessoa com mais massa corporal apresenta também maior taxa metabólica, quando comparada com um sujeito com menor massa. Entretanto, existem variáveis que quando confrontadas podem produzir resultados diferentes. O especialista apresentou um estudo comparando picos de força durante a caminhada ou corrida e enfatizou que um dos principais objetivos do calçado esportivo é absorver o impacto para evitar lesões crônicas nas articulações. Foram avaliados 16 corredores em uma esteira com variadas inclinações, com o objetivo de calcular o trabalho mecânico interno e externo em questões como velocidade da passada e ângulo de inclinação. Em outro estudo foram comparados dois tipos de calçado de corrida em montanha - um minimalista e outro normal - para entender como cada um influencia na economia de energia, na fatiga muscular e na coordenação biomecânica.

Dra. Cristiane Martins

Dr. Marcus Tartaruga

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Dra. Andrea N. Onodera

Ms. Cristina Orsolin Klingenberg

urante a palestra A contribuição da biomecânica no desenvolvimento de calçados de corrida na indústria, a Dra. Andrea N. Onodera (Grupo Dass) destacou que o estudo da biomecânica traz valiosas informações sobre as forças que atuam sobre o corpo do corredor durante a prática esportiva e apresentou exemplos práticos a partir da construção de um laboratório na própria empresa equipado com câmeras infravermelhas, plataformas de força e sistema de palmilhas sensoriais, e como isso agrega qualidade aos calçados. Um dos questionamentos mais comuns, segundo ela, é como posicionar os canais de flexão no solado para melhorar o calce e o conforto do usuário. Neste sentido, apresentou um caso da marca Try On, para a qual foi realizado um estudo sobre a anatomia dos pés com o intuito de se verificar as áreas com maior flexão em pés com diferentes formatos. Dessa pesquisa resultou a sola Tecnofit que traz como diferencial canais de flexão curvos. “O melhor feedback é que em virtude do conforto proporcionado pelo sistema - que trouxe mais suavidade na progressão da passada - os modelos montados com esta sola foram os mais vendidos dentre toda a coleção”, observou. Ela também falou sobre o processo de desenvolvimento do tênis Kenya Racer, da Umpro, que envolveu testes de percepção de calce realizados com corredores profissionais quenianos que não conheciam a marca, com corredores cegos (possuem maior sensibilidade nos pés) e também profissionais que tinham por hábito usar calçados de outras marcas. A partir do retorno desses profissionais foram feitos ajustes e o calçado foi lançado com boa aceitação no mercado.

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Eng. Ms. Ismael Sgarabotto

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Painel Indústria 4.0 teve como mediadora a Dra. Susana Kakuta (Governo do RS). A profª. Ms. Cristina Orsolin Klingenberg (Unisinos/RS) apresentou o tema Indústria 4.0, a indústria flexível. Ela observou que o ciclo de vida dos produtos está cada vez menor, pois o mercado exige produtos diferentes, dificultando a flexibilização da produção para atender pedidos em pequenos lotes, sendo este um dos objetivos da indústria

4.0, tornando o custo de produção para nicho semelhante ao custo para a produção em massa. “Há poucos anos, a indústria fonográfica era completamente diferente. Quando uma pessoa gostava de uma ou duas músicas de um LP precisava adquirir o álbum completo, mas hoje as empresas vendem música por unidade. É preciso atender as massas, mas também suprir as necessidades dos indivíduos”, ilustrou. Ela enfatizou que a indústria 4.0 pressupõe um novo estágio de produção cujas tecnologias utilizadas interligam não apenas os serviços realizados dentro de cada empresa, mas conectam as próprias organizações umas com as outras. Neste contexto, os negócios não competem somente com os habituais concorrentes dentro do seu mercado, mas também com organizações de outras áreas. “A indústria do calçado pode ser impactada por um agente externo que inclusive ainda está por existir. Basta que alguém pense em algo diferente e que funcione melhor do que hoje existe no mercado”, alertou.

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a apresentação do Case Prático de Inovação 4.0 - Intelligent System Sazi, o Eng. Ms. Ismael Sgarabotto (Grupo Sazi) contou que para oferecer as melhores soluções para os seus clientes, a empresa aposta, cada vez mais, no sistema de co-criação, onde tanto os seus clientes quanto seus fornecedores são agentes ativos nos projetos. “Já não se pode ter só o portfólio tradicional e esperar ser comprado. É preciso estar atento ao que o mercado realmente busca e encontrar maneira de ajudar a solucionar cada problema”, destacou. Ele considerou ainda que neste contexto as pessoas precisam assumir novas posições e os clientes, em algumas situações, chegam inclusive a mudar o seu sistema de produção para introduzir as inovações desejadas. Em seguida apresentou o Intelligent System da Sazi, que é personalizado para cada empresa e busca a eficiência e assertividade nos processos através de controles automáticos com dados de produção precisos que facilitam a tomada de decisão de gestores e operadores no processo de manufatura.

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Painel Moda & Design: tendências de mercado teve como mediadora a jornalista Roberta Pschichholz (Grupo Sinos). Rafael Andrade, que é coordenador de design e inovação do CICB/Brazilian Leather, curador-chefe do projeto Design na Pele e articulador para parcerias internacionais do sistema Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB) destacou no painel Parcerias internacionais & design colaborativo o couro como elemento de inovação global em produtos e união entre setores internacionais, estando na vanguarda da sustentabilidade mundial. Segundo ele o setor do couro já trabalha muito bem - e há bastante tempo - com sistemas de parcerias entre empresas, profissionais e instituições, buscando criar inovações para a matéria-prima. “A indústria do couro é a força motriz da indústria da moda no mercado mundial de alto luxo”, defendeu ele ao apontar que há 10 anos os acessórios feitos em couro representavam 18% do total dentre os artigos do mercado de luxo e hoje o percentual chega a 27%. Quanto ao uso do material em calçados no mercado brasileiro, ele explicou que há uma grande diferença entre os artigos com design autoral, onde o couro realmente se faz presente, e a produção em alta escala para o consumo de massa, com o uso predominante de outros tipos de matérias-primas. “Existe um verdadeiro abismo entre esses dois nichos”, considerou.

Logo em seguida falou sobre o projeto Design na Pele, que une curtumes, indústrias de produto final e designers para valorizar a imagem dos produtos feitos em couro, num formato de design colaborativo. Para isso se utilizam diferentes ferramentas de comunicação integrada e em plataformas múltiplas, além da participação das principais exposições mundiais com o perfil de inovação, alta qualidade e diferenciais de moda, gerando mais oportunidades de negócios para todos os envolvidos. Ele finalizou salientando o programa de certificação do couro brasileiro (CSCB), que foi idealizado pelo CICB e é uma garantia de que as empresas detentoras desta chancela preenchem uma série de rígidas normas para a produção de um couro sustentável, cumprindo também quesitos de responsabilidade social e fiscal, em conformidade com as respectivas leis e normas. A novidade neste caso é a pareceria de reconhecimento mútuo estabelecida com a entidade equivalente da Itália, que também tem um sistema de certificação - o ICEC.

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o tratar sobre Pesquisa de comportamentos aplicada ao desenvolvimento de produtos o estilista Christian Thomas (Studio 10), além de falar sobre a identificação do consumidor e seu comportamento, deu dicas sobre como aplicar essa pesquisa, aumentando a assertividade no desenvolvimento de produtos. Ele

Rafael Andrade

enfatizou que as tendências de moda não são uma adivinhação e nem se tratam de copiar o que já foi feito, mas são fruto de um minucioso trabalho de pesquisa de campo através do qual é investigado o comportamento dos consumidores. O resultado desse estudo é transformado em orientações para a criação da moda através de cadernos de tendências. “É o comportamento do consumidor que vai proporcionar as informações que vão nos dar a condição para sermos mais assertivos nas decisões”, sublinhou. Ele apontou alguns tipos padrão de consumidores, dentre eles os extravagantes - que não sentem culpa por consumir, gostam de exageros, primam por materiais nobres e extravasam em seu comportamento, um perfil de clientes de marcas como a Dolce & Gabbana, por exemplo. Outro grupo são os urbanos, que procuram adquirir roupas mais confortáveis, sapatos sem salto alto e fino, e buscam por materiais com alta durabilidade, que estão mais em sintonia com grifes como a Herchcovich. “Infelizmente na moda feita no Brasil ainda há muita interferência do que já foi apresentado na Europa. Tem que pesquisar de verdade, pois o que acontece na rua não necessariamente confirma o que está na vitrine”, instruiu. Logo em seguida ele apresentou um cronograma de trabalho que julga ser o ideal para a criação de um produto de moda, o qual inicia com a pesquisa de mercado e se estende até o pós-venda.

Christian Thomas

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ITÁLIA E BRASIL UNIDAS POR COUROS

certificados e sustentáveis D ois líderes mundiais do setor de couros, Brasil e Itália, uniram conhecimentos em produção sustentável e transparência com a assinatura do Acordo de Parceria (PA) Setor de Couros - Programa de Certificação de Sustentabilidade. O documento foi oficializado em Hong Kong, no dia 13 de março, durante a reunião do órgão mundial de representação da indústria, o International Council of Tanners (ICT), estabelecendo um novo marco no setor, com o objetivo central de aprimoramento de processos e garantia de práticas responsáveis na produção. Detalhes da parceria foram divulgados na coletiva de imprensa da feira APLF. O acordo foi assinado pelo Instituto Italiano de Certificação de Qualidade para o Setor de Couros (Icec) e pela Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB) com o apoio dos respectivos membros no ICT: a União Nacional da Indústria Curtidora Italiana (Unic) e o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). A intenção do documento é o reconhecimento mútuo das certificações, consideradas referências no fornecimento de garantias robustas e completas para o setor de couros em relação a questões de sustentabilidade.

A diretora do Icec, Sabrina Frontini, explica que o esforço expressa a série de processos em sustentabilidade desenvolvidos e aplicados à indústria do couro. “As certificações representam um ponto importante sobre a qualificação do setor de couros. O acordo é focado em três áreas diferentes, que tanto o Icec quanto o CSCB já atendem em seus serviços: ambiental, social e econômica na produção de couros”, destaca. Para José Fernando Bello, presidente executivo do CICB, o acordo enriquece a pesquisa para uma indústria cada vez melhor, estabelecendo de forma clara ao mundo os atributos do couro e sua natureza recicladora. “Os curtumes trabalham sob um regramento rígido e temos uma grande preocupação sobre as questões da sustentabilidade. Com o acordo, colocamos nosso compromisso em um novo estágio de relacionamento e transparência, mostrando aos consumidores o papel do couro no mundo”, destaca. Outros objetivos da colaboração entre Icec e CSCB são o desenvolvimento de modelos relacionados à rastreabilidade de matérias-primas, bem-estar animal e proteção ambiental, aprimorando a percepção sobre este material junto aos clientes da indústria e o consumidor final.

Certificações já são realidade O presidente executivo do CICB, Fernando Bello, fez a entrega do primeiro certificado nível Ouro conquistado FOTO LUÍS VIEIRA

Também neste mês de março o CSCB contemplou o Curtume Courovale by BCM com a entrega do primeiro selo nível Ouro conquistado por um curtume auditado pelo programa. A chancela atesta a adoção das melhores práticas pela empresa no tripé economia, sociedade e meio ambiente, segundo a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT NBR 16296 Couros - Princípios, critérios e indicadores para produção sustentável, mediante auditoria por meio de organismo independente, acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Antes do Courovale/BCM, a empresa Fuga Couros havia conquistado o nível Prata. Atualmente, 18 curtumes do Brasil estão em processo para chegar à auditoria de verificação do atendimento à norma.

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JAIR KRUMMENAUER É ELEITO

o dia 1º de março, foi realizada a solenidade de posse da nova diretoria da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (Aicsul), que passa a ter Jair Krummenauer como presidente do Conselho Diretor, sucedendo Eduardo Fuga, que por sua vez recebeu do presidente executivo da entidade, Moacir Berger, um agradecimento pelos seus seis anos de dedicação à entidade. Eduardo afirmou que foi um período de muito aprendizado e de atuação política na luta pelas causas comuns a todo o setor, pois a indústria de calçados merece todo o apoio da cadeia de suprimento, seja de couro, sintético, tecido ou outro material. “Deixo o cargo em ótimas mãos, Jair dirige uma empresa de 107 anos de atividades e tem grande conhecimento na área tributária, que é muito importante para as nossas empresas”, destacou. Este aspecto foi enfatizado também pelo próprio Jair Krummenauer. Ele lembrou que trabalha há 48 anos na empresa em que é diretor financeiro, sempre focado nas questões financeiras e tributárias. “Pretendo contribuir com esta experiência para que, respeitando a lei, possamos encontrar caminhos que tragam bons resultados para as nossas empresas”, salientou.

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Ao fazer o seu pronunciamento durante o encerramento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry, lembrou que muitas vezes as leis surgem prejudicando o setor empresarial. “É uma falácia, por exemplo, dizer que um trabalhador custa menos no Brasil do que em países desenvolvidos, porque a legislação brasileira faz com que ele fique muito caro para as empresas”, pontuou. Quanto às eleições presidenciais, observou que nunca se teve um quadro tão indefinido quanto aos postulantes ao cargo. “Temos responsabilidade neste processo. Precisamos eleger quem está alinhado com as nossas ideias”, defendeu.

FOTOS LUÍS VIEIRA

presidente da Aicsul N

O novo dirigente promete atuação forte na área tributária

Publicação Antes da posse, aconteceu o lançamento do livro Para sempre a Escola... 50 anos bem curtidos, escrito pela jornalista Beatriz Franken, que relata a história da Escola de Curtimento do Serviço Nacional de Apoio as Indústria (Senai), nascida a partir do sonho de curtidores gaúchos que ansiavam por tecnologia e conhecimento. O IBTeC prestigiou a cerimônia com a presença do presidente executivo Paulo Griebeler, e o vice-presidente executivo Dr. Valdir Soldi.

O presidente da Fiergs, Gilberto Petry, prestigiou a transmissão do cargo

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VAREJO DISPOSTO A COLABORAR PARA

bancos de dados coletivos O

estudo The Commerce Data Opportunity: How Collaboration Levels the Retail Playing Field - realizado pela Criteo S.A. (NASDAQ: CRTO), empresa líder em tecnologia para commerce marketing - revela que o uso de dados em larga escala é fundamental para entender os consumidores e para que marcas e varejistas continuem competitivos. E as empresas não só percebem o potencial dos dados, como entendem a colaboração como um caminho para agregar valor aos negócios. A pesquisa foi baseada em um estudo realizado pelo Forbes Insights, com 504 executivos de marketing de empresas de mais de US$ 50 milhões e de vários segmentos, incluindo lojas de departamento, moda e vestuário e alimentos e bebidas, com a participação mais de 500 CMOs, diretores e altos executivos de marketing de empresas do varejo e também marcas originárias da França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, 71% dos varejistas estão dispostos a contribuir com bancos de dados,

sendo que dos entrevistados, três quintos já são parte de uma cooperativa. Entre os benefícios gerados pela colaboração, o aumento de receita é mencionado por 72%. Entretanto, o relatório também evidencia que, apesar de ter mais acesso a dados que as marcas, muitos varejistas ainda não conseguem utilizar essas informações de forma estratégica a fim obter uma vantagem competitiva. “Diante de um cenário em que as gigantes físico-digitais ganham espaço e os consumidores estão cada vez mais exigentes e voláteis, a colaboração é a chave para que marcas e varejistas consigam entregar experiências relevantes aos seus clientes. Disseminar o valor da colaboração e o potencial dos dados é justamente o objetivo do ecossistema de Commerce Marketing criado pela Criteo, uma rede com milhares de varejistas, marcas e publishers centrados em tecnologia de marketing integrada, construída para o comércio e alimentada por machine learning”, explica o diretor geral da Criteo para o Brasil e América Latina, Alessander Firmino.

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SETOR CALÇADISTA PERDE

competitividade O mais recente Relatório Setorial da Indústria de Calçados, lançado em abril pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), aponta para dificuldades do setor. O documento apresenta, por meio de pesquisas oficiais cruzadas de um minucioso levantamento de produção realizado com associados da entidade - que respondem por mais de 70% do total produzido pelo segmento -, números de produção, exportação, importação, emprego, uso da capacidade instalada, entre outros. Um dos dados que chamam a atenção é a discrepância entre o crescimento da produção mundial e os números da produção nacional de calçados. No mundo, conforme dados levantados, foram produzidos 21,4 bilhões de pares em 2017, quase 4% mais do que em 2016. Analistas ressaltam que o crescimento foi, basicamente, impulsionando pelo consumo interno nos países. No ano passado, foram consumidos 19,6 bilhões de pares, 3% mais do que em 2016. Já no Brasil, que produziu 908,9 milhões de pares no período, houve um incremento de apenas 1%, na produção, ao passo que o consumo chegou a 805,5 milhões de pares, somente 1,2% maior do que em 2016, quando já havia despencado mais de 2%. Segundo o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, a indústria calçadista brasileira, assim como a de manufaturados em geral, está com dificuldades devido a problemas estruturais que formam o Custo Brasil, obstáculos que somados à retração na demanda doméstica causa grandes danos ao segmento.

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“O que salvou a indústria de um resultado pior em 2017 foram as exportações, que aumentaram 1,2% em volume e 9,3% em receita gerada (127,1 milhões de pares por US$ 1,09 bilhão)”, avalia. Por outro lado, o executivo ressalta que a discrepância entre o crescimento do volume e do valor gerado pelos embarques é preocupante, pois denota o aumento de preços no exterior, explicado pela valorização da moeda brasileira sobre o dólar. “O câmbio, muitas vezes, é um compensador das nossas fraquezas estruturais. Ele compensa o problema que é se produzir e ser competitivo com uma das maiores cargas tributárias do planeta, além de todos os problemas estruturais que enfrentamos no dia a dia, como uma logística precária, os custos com mão de obra, entre outros”, comenta Klein. Segundo o dirigente, no ano passado, os principais destinos do calçado brasileiro foram EUA, Argentina, Paraguai e Bolívia. “Com o preço mais elevado, em função da defasagem cambial, perdemos espaço nos Estados Unidos, sendo que no primeiro trimestre desde ano - dado que não consta no relatório -, os norte-americanos já foram ultrapassados pela Argentina.”

O Relatório Setorial da Indústria de Calçados é um documento com 58 páginas de dados estatísticos detalhados e análises de especialistas no assunto, inclusive com projeções de curto e médio prazos. O material pode ser baixado, gratuitamente, em https://drive.google. com/file/d/18atEww9qvlQeMu3EutWURtHdTcXFNCnQ/view.

Segmentação No documento também é listada a produção por segmento e tipo de material, em que, de longe, figuram no topo do ranking os calçados de plástico/borracha, chinelos, com 46% do total dos 908,9 milhões de pares produzidos. Os chinelos despontam, ainda, nas exportações, representando 52,5% do total embarcado. “O calçado de couro, que possui um valor agregado maior e que, portanto, traz mais divisas para o Brasil, vem perdendo força a cada ano. Em 2017, apenas 13,7% dos produtos embarcados eram desse tipo de material”, avalia Klein.

Capacidade instalada Em 2017, o nível de utilização da capacidade instalada da indústria (NUCI) ficou em 75%. Apesar de uma leve alta ante 2016 (72,1%), o número ainda está bem abaixo da média história do setor (81,1%, medido entre 2000 e 2017). Segundo Klein, o dado aponta que, apesar de uma leve retomada conquistada no ano passado, o setor ainda está longe de performances anteriores, especialmente aquela antes da crise de 2008/2009.

Emprego As dificuldades do ano passado refletiram no nível de emprego do setor, quando pela primeira vez foi rompida, para baixo, a barreira de 300 mil postos gerados na atividade. Naquele ano, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as mais de 7 mil empresas do setor terminaram dezembro gerando 279 mil postos, 2,2% menos do que em 2016.

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INDÚSTRIA QUÍMICA REDUZ CONSUMO

de água em 25% O setor industrial se mostra cada vez mais participativo na economia nacional. Após uma queda na produção em 2016, o segmento registrou uma elevação de 2,5% no índice no ano passado. Além disso, projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam previsão de aumento de 3% do PIB industrial em 2018. Para manter essas atividades, porém, o setor precisa utilizar bastante água. De acordo com Agência Nacional de Águas (ANA), a indústria de transformação, por exemplo, é o terceiro segmento que mais utiliza o recurso, ficando atrás da agricultura irrigada e do abastecimento urbano. No entanto, o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Mauro Machado Júnior, afirma que, ao longo do tempo, o setor tem se preocupado cada vez mais com a economia da água e a preservação da natureza. Ele explica que práticas adotadas dentro da própria associação são exemplos do uso consciente do recurso no setor produtivo. “Nós temos um indicador específico, que é a quantidade de água consumida pela quantidade de produto produzido. Se nós compararmos os números de 2006 para 2016, nós conseguimos uma redução de 25% nesse consumo. Isso significa que, para produzir, hoje, uma

tonelada de produto, eu consumo 25% a menos de água do que eu consumia em 2006”, disse Machado Júnior. Uma das instituições que defende o uso racional da água é a The Nature Conservancy (TNC), organização internacional, especializada na conservação da biodiversidade e do meio ambiente. O gerente de água da ONG, Samuel Barreto, afirma que nenhum setor precisa ser privado da utilização da água. Na avaliação do especialista, equilíbrio é a palavrachave para atender demandas sem desperdiçar esse bem tão escasso. “Tem um campo de melhoria para todos, desde a indústria, a agricultura e o uso doméstico. É possível melhorar o padrão de uso racional para todas essas áreas. A questão não é não usar, mas é usar de forma inteligente, é usar de forma racional. Investindo em conhecimento, investindo em tecnologia, investindo na redução de perdas e trazendo para essa equação de segurança hídrica”, destaca Barreto. Além do manejo econômico da água, a Associação Brasileira da Indústria Química estima que entre 2006 e 2015 houve redução de 31% na geração de efluentes, nome dado aos resíduos descartados pela indústria. Segundo a associação, os fatores que contribuíram para isso foram a redução de vazamentos e as melhorias nos ciclos de lavagem dos equipamentos e segregação de descartes.

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CENÁRIOS ECONÔMICO E POLÍTICO

são temas de palestras A s duas palestras apresentadas na noite de 12 de abril, em Novo Hamburgo/RS durante a Análise de Cenários - numa realização conjunta entre a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) e o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) - proporcionaram reflexões para o setor calçadista. Na primeira apresentação, o PhD em Economia e professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), André Cunha, destacou que o mundo passa por um processo de desglobalização, com um grau de intervenção maior na economia. “Embora o comércio mundial esteja em crescimento, com variações positivas, não podemos enxergar uma estabilidade quanto à solidez da economia global”, apontou, destacando os movimentos políticos, especialmente dos EUA, que são contra a liberdade do mercado. No âmbito interno, Cunha aponta que, desde a década de 1980, o Brasil passa por um processo de desindustrialização, com o aumento da dependência das commodities e a regulação internacional de preços desses produtos. “Em 1980, o País respondia por 2,5% de toda a produção da manufatura mundial. Hoje esse número é de 1,5%”, comentou o economista, ressaltando que o mercado foi perdido, sobretudo, para os asiáticos. “O Brasil perde dinamismo justamente quando o mundo passa por um processo de integração, com os avanços tecnológicos mais significativos”, acrescentou. Ele citou, ainda, a queda brusca da participação da indústria no PIB brasileiro. “Nos últimos anos, o Brasil passou por um processo de grande expansão no consumo, sem o acompanhamento do investimento. Essa falta de sincronia é o motivo principal dos nossos problemas. Hoje somos o 7º maior mercado consumidor do mundo e apenas o 10º maior investidor (em estruturas físicas, maquinários etc.)”, afirmou o especialista, ressaltando que, não por acaso, a China é o mercado que mais investe. Por fim, propôs uma reflexão ao empresariado brasileiro. Segundo ele, é preciso estar atento aos investimentos, especialmente em pessoas qualificadas e na tecnologia. “Existem tendências latentes que o Brasil precisa estar atento: Indústria 4.0 é uma delas”, concluiu. A segunda parte do evento foi dedicada ao setor

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calçadista e projeções para as eleições presidenciais. O consultor setorial e doutor em Economia, Marcos Lélis, destacou a queda nas taxas de crescimento da produção de calçados no primeiro semestre de 2018. “Isso se dá, sobretudo, pela base forte do primeiro semestre de 2017, quando o setor avançou 4,9%”, disse. No primeiro bimestre do ano, conforme Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o avanço foi de apenas 0,9%. Ele aponta que 86% dos calçados produzidos no Brasil são para o mercado interno, que tem influência direta na dinâmica do setor. “O mercado interno brasileiro passa por uma retração, com queda na massa de rendimentos e no poder de compra, e essa queda é reflexo do desemprego (que deve fechar o ano em 11%) aliado à perda de salários dos trabalhadores”, contextualizou o palestrante alertando para o fato de que o controle inflacionário, verificado ao longo de 2017, ajudou na demanda, mas não deve se repetir em 2018, com o IPCA se mantendo na casa dos 3%. Lélis ainda projetou que o PIB brasileiro deve crescer 2,8% em 2018, apenas 0,3% mais do que a média histórica, o que será pouco para reverter o quadro de queda dos anos de 2015 e 2016 (7%). “A saída está sendo muito lenta. Nesse ritmo, só voltaremos aos patamares pré-crise, de 2014, no ano de2021”, comentou, ressaltando que existe um ambiente de “muito confete e pouca festa acerca da recuperação econômica”. Segundo o economista, para aumentar o ritmo de crescimento, é preciso conquistar uma taxa menor de desemprego e o incremento de renda. Para Lélis, a eleição de 2018 deve ter reflexos importantes no rumo da economia. “Hoje, temos 14 candidatos declarados, número que deve fechar em 22 até as eleições. É um quadro nebuloso e que deve refletir na economia ao longo de 2018”, concluiu o economista. Durante o encontro também foi lançado o Relatório Setorial 2017, com uma análise dos dados do setor calçadista brasileiro - produção, exportação, emprego, segmentação, consumo etc.

Apoio O evento contou com o apoio Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), Associação Brasileira das Indústrias de Artefatos de Couro e Artigos de Viagem (Abiacav) e Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (IBTeC).

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PARCERIA BENEFICIA

cadeia produtiva A

to dos requisitos do Programa Abvtex - esforço setorial da moda no Brasil em prol da responsabilidade social, do cumprimento das leis e normas e da promoção do trabalho digno, combatendo o uso de trabalho análogo ao escravo, infantil e estrangeiro irregular ao longo de toda cadeia produtiva -, bem como consultorias técnicas para aumento de produtividade, qualidade do produto, sustentabilidade ambiental, redução de custos e com a possibilidade de criação de novas iniciativas. O gerente do Senai Cetiqt, Fabian Diniz, ressalta a importância da parceria. “Reforça nosso papel como provedor de soluções para a indústria, nesse caso específico, para o setor têxtil e de confecção. Juntamente com as empresas, podemos criar alternativas para o aumento da produtividade da indústria de confecção brasileira”, ressalta. O projeto tem capilaridade nacional por meio da Rede Senai com 58 Institutos de Tecnologia e Inovação (ISTs) em todos os estados, podendo proporcionar soluções integradas para toda a cadeia da moda, confecção e têxtil. FOTO DIVULGAÇÃO

Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex), firmou parceria com o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil (Senai Cetiqt), um dos maiores centros latino-americanos de produção de conhecimento aplicado à cadeia produtiva, em prol do desenvolvimento da indústria de confecção nacional que, segundo o diretor executivo da Abvtex, Edmundo Lima, passa por desafios relacionados aos ganhos de volume de escala, gestão do negócio e outros. “Quando se pensa em competitividade de uma cadeia de alta complexidade como a têxtil, fica evidente que o modelo fragmentado de produção traz diversas dificuldades ao desenvolvimento de milhares de fornecedores, majoritariamente micro, pequenas e médias empresas, com subcontratação de serviços de costura, lavanderia, estamparia, bordados etc.” considera. O acordo entre as duas instituições viabiliza a promoção de programas de consultoria e capacitação para o desenvolvimento das empresas do setor de confecção no atendimen-

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OPINIÃO Colunista As desventuras de João:

como a tributação brasileira trata dos “Joões”

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contracheque o desconto de tal “imposto ste espaço vem sendo utilizado de renda retido na fonte”, embora isso, às para relatar uma saga - embora invezes, dava-lhe até certo orgulho, porque verídica - completamente factível, já ouvira falar que imposto de renda era em um imaginário país dos trópicos. Nele “coisa de rico”. Além disso, era descontado residia nosso herói (Johnny - outrora João), do seu salário INSS, na alíquota de 9%, sem que, de advogado que adquirira e mantio qual, segundo lhe diziam, quando chenha um jatinho a margem da tributação, gasse sua vez não se aposentaria; não obsfundara uma nova religião (non mortis), e tante, falavam seus vizinhos, nos últimos com ela usufruiu a completa imunidade fistempos, que a Previdência Social estava cal. Depois disso, investiu seus recursos em “quebrada” e que João precisaria trabalhar uma mineradora que, “por obra do acaso”, até mais de 60 anos para, enfim, descandestruiu um rio, sem que também tivesse sar. Isso incomodava um pouco ele, pois que se preocupar com tributos, pois exporo fazia lembrar que seus pais e avós destava a totalidade dos minérios extraídos. Dr. Marciano Buffon cansaram bem antes disso...para sempre. Naquele mesmo país, porém, ha- doutor em Direito, advogado tributarista, da Unisinos Não conseguia compreender, sovia alguém que outrora fora seu ho- professor marciano@buffonefurlan.com.br bretudo, como o Atacadão informava mônimo, muito embora com vidas dium percentual tão alto de tributos inciferentes desde o berço. Nascera João e João continuava a ser. Depois de concebido, poucas notícias dentes sobre as compras que efetuava. Claro que João nem se sua mãe tivera de seu pai. Alguns anos depois, soubera que ele importava com isso, afinal de contas, não era ele quem desemhavia morrido de bala perdida (ou achada), após uma longa bolsava os valores dos ditos ICMS, IPI, PIS, COFINS etc., os quais, noite de aguardente, em um bar do subúrbio da capital. Pou- um dia escutara, eram cobrados sobre as mercadorias que adco instruída, sua mãe dedicou-se as lides domésticas alheias, quiria. João não acreditara nisso, pois não entendia e não os via. Mesmo com tais dificuldades, nosso personagem comprara sendo inclusive bem tratada pelos patrões. A avó cuidara dos primeiros anos da vida de João até “os anjos a chamarem”. um carro usado, em 60 meses, fazia dois anos. Também não comA vida escolar de João esgotou-se no ensino fundamental. Sa- preendia muito bem aqueles cálculos que resultavam um valor bia ler, mas não gostava lá muito das letras, especialmente quando final a pagar, duas vezes maior do que o valor à vista, mas tamformassem frases difíceis de serem lidas. Aos vinte e poucos, João bém não se importava com isso, afinal de contas tinha seu “carritrabalhava, há alguns anos, na construção civil. Começara como nho” e a prestação cabia no orçamento, mesmo que, nos últimos servente e havia ascendido a pedreiro. Recebia dois salários mí- tempos, estava cada vez mais difícil encher o tanque com gasonimos e meio por mês. Já encontrara o amor da sua vida. Junto lina. Claro que, todos os anos, aparecia o tal de IPVA para pagar, com ela concebera dois filhos e adotara um cachorro (só para ficar o que fazia seu mês de abril ficar bem mais “apertado”, mesmo igual ao personagem daquela música sertaneja, que tanto sua mu- que seu carro, hoje, estivesse avaliado em menos de dez mil reais. Antes de abril, porém, havia janeiro, onde começava a preolher gostava de cantar). Infelizmente, os netos não chegaram a conhecer a avó, que fora tragada precocemente à companhia de sua cupação com o IPTU, pois, como ocorre com todo e qualquer conmãe, sem um motivo aparente, senão o implacável destino. Porém, trato de aluguel, João obrigara-se ao pagamento desse imposto para esta estória, isso tudo é de menos importância, posto que se ao Município, sem perceber muito como a prefeitura lhe retribuía, está a relatar como a tributação cuidava dos “Joões” naquele país. posto que, há tempo, não havia lâmpada em frente à sua casa, a João não entendia como o dinheiro mal dava para alu- pracinha fora abandonada e sua rua, embora ainda pavimenguel, água, luz, gás e para o “rancho mensal” no “Atacadão” tada, parecia mais um campo, outrora minado, que explodira. A vida seguia difícil naquele tempo, mas ele não se lamendo bairro vizinho. Longe de ser uma vida de luxo, havia ainda as despesas do ônibus, de umas roupas e, mesmo que sua tava. Entendia que nascera João e que havia um papel a cumesposa o ajudasse nas contas, como cuidadora de crianças prir, como se vivesse num roteiro de filme, em que o cineasta numa improvisada creche perto de sua casa, o dinheiro aca- (que no caso pensava ser Deus) havia pré-definido o destino de bava todos os meses, antes que o próprio mês tivesse um fim. todos os personagens e prometera um prêmio para aqueles Achava muito estranho que, ao receber seu salário, havia no que passivamente aceitassem o papel que a vida lhes reservara.

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e inovação A

Ampla traz inovação para o mercado coureiro-calçadista em soluções que proporcionam a estilistas e designers uma infinidade de possibilidades de criação por meio de impressões realizadas diretamente a partir de um arquivo de imagem digital. As soluções para o mercado de laminados sintéticos, filmes termo adesivos e sublimação têxtil, que vão ao encontro das novas demandas em impressão digital dos curtumes, da indústria calçadista, de assessórios, estofados e decoração são proporcionadas por equipamentos modernos como as impressoras New Targa XT e TX-MAX. O diretor de negócios, Ricardo Augusto Lie, considera que é cada vez maior a valorização do segmento de moda, seja pela customização ou personalização de peças únicas e exclusivas. “A Ampla entrega aos estilistas, designers e ao setor coureiro-calçadista em geral impressoras digitais equipadas com a mais moderna tecnologia global aplicada para atender a esta demanda”, garante. Conforme o gerente, a New Targa XT possibilita a impressão de uma única peça ou de centenas de milhares de produtos com custos estáveis e lineares. Imprime utilizando tecnologia jato de tinta, uma técnica de impressão sem contato, permitindo ao equipamento estampar em diversos tipos de substratos, como laminados sintéticos, couro e filmes termoaderentes. O arquivo

de imagem digital é impresso diretamente sobre o substrato desejado, com uma alta qualidade de resolução real, o que permite a reprodução de imagens fotográficas e infinitos padrões gráficos. A tecnologia também reduz os impactos ambientais uma vez que elimina a necessidade da produção de matrizes como chapas, cilindros de impressão ou telas serigráficas. Além de seu hardware inovador, a impressora possui um software, baseado em um scanner, que possibilita a impressão somente na área do couro, eliminando um desperdício de tinta que chega a 30% do total. O equipamento registra ainda baixo consumo de energia quando comparado aos sistemas de impressão convencionais. A Impressora Digital de Sublimação Ampla TX-MAX é, de acordo com Ricardo Lie, a resposta para as empresas que buscam iniciar no mercado de estamparia digital ou expandir o universo de atuação de seus negócios. Seja produzindo estampas únicas e exclusivas para a indústria têxtil e de confecções ou peças publicitárias sob o novo conceito do soft signage, a TX-MAX é a escolha ideal para agregar ainda mais valor aos produtos e serviços oferecidos. Com largura de 1,90m, conta com duas cabeças DX5, produz até 32m²/h e entrega em uma resolução de 1.440 dpis, ganhou uma tinta original, desenvolvida para garantir uma melhor performance do equipamento e um resultado superior de contraste e de gamut de cor para atender às necessidades do mercado.

Jaqueta em couro customizada pela impressora New Targa XT Solvente da Ampla

Impressora TX-Max

New Targa XT

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A NOVA FÁBRICA DE CALÇADOS:

A FÁBRICA COMPLEXA CAPÍTULO 1/6: AS EXIGÊNCIAS DOS MERCADOS CONSUMIDORES MODELAM AS ESTRUTURAS DOS SISTEMAS PRODUTIVOS PELA COMPLEXIDADE MS Eng. Fernando Oscar Geib

1 - Compreendendo a complexidade dos sistemas produtivos A Nova Fábrica de Calçados (NFC), como todas as organizações proativas, busca enfaticamente tornar-se contínua e plenamente sustentável, ou seja, as cinco dimensões desta condição essencial - a política, a econômica, a social, a tecnológica e a ambiental - são desenvolvidas e operadas em elevados níveis de desempenho e de modo simultâneo. Ao promover e consolidar esta condição, a organização sapateira torna-se uma geradora de inéditos níveis de competitividade em seus mercados atuais e potenciais, pois se utiliza de sua operacionalidade simultanear para assim agir. Por outro lado, em função de suas características operacionais singulares resultantes do fundamento da simultaneidade operacional, esta fábrica avança e convive continuamente com a complexidade dos ambientes onde opera, ou seja: a Nova Fábrica de Calçados (NFC) é uma organização de operacionalidade complexa, não podendo ser esquecida a exigência de que a complexidade dos mercados migra para o interior da fábrica, mais exatamente para o seu sistema produtivo. Os seus operadores, portanto, devem estar preparados e conscientes para esta exigência essencial: a convivência contínua e intensa com a complexidade, afetando a simultaneidade operacional desta organização. Verifica-se, porém, que a sociedade e as suas organizações, por não estarem atentas para o fator simultanei-

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dade que as envolvem, também não estão preparadas para conviver com este fator essencial e pouco observado: a complexidade. Tal comportamento organizacional nos dá a impressão de estarmos sempre nos “escondendo”, para dominá-lo e então simplificar a estruturação dos sistemas operacionais produtivos das organizações produtoras, no nosso caso, de calçados. Na organização sapateira foco de nossas considerações, a simultaneidade e a complexidade são irmãs siamesas: uma não vive sem a outra. É como a Terra e a Lua, se estas não “colaborarem entre si’, ambas desaparecerão. Igualmente isto acontece com os seres humanos, que devem interagir com as outras pessoas, com os objetos, com o conhecimento e com as ciências, sem ser esquecerem da presença da simultaneidade e da complexidade. A partir destas correlações da simultaneidade com a complexidade que nos cercam, surgem os avanços inéditos e as melhorias dos ambientes onde as pessoas vivem e as organizações atuam. Estas colocações servem igualmente para a organização sapateira, foco de nossas colocações. O domínio da simultaneidade somente será efetivo se houver a compreensão e domínio da complexidade, pois a simultaneidade e a complexidade sustentam a efetividade operacional e a conquista contínua de mercados por esta sapateira, tema das considerações que vem sendo apresentadas neste veículo gráfico de educação em produção de calçados. De igual modo, o domínio da complexidade será

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efetivo quando este proporcionar a interpretação efetiva e adequada dos desejos e necessidades dos mercados e dos consumidores que se manifestam continuamente nos mercados de consumo. Os mercados, mesmo sendo naturalmente complexos, devem ser monitorados com uma máxima precisão.

2 - Quando a Simultaneidade e a Complexidade dos sistemas produtivos se integram sistemicamente: a lógica da aceleração da competitividade da fábrica Algumas características fundamentais da lógica de aceleração da competitividade aplicada aos sistemas de produção simultânea de calçados: - A natureza de simultaneidade dos sistemas de produção da Nova Fábrica de Calçados (NFC) é o fator intrínseco e essencial para a produção simultânea que carrega consigo a complexidade operacional. - Não há como pensar em uma produção simultânea para a Nova Fábrica de Calçados desconhecendo que a sua estruturação é complexa e o seu comportamento é quântico. Estas afirmações introduzem um termo ainda não apresentado nesta longa caminhada de descrição da Nova Fábrica de Calçados (NFC): a natureza quântica de suas estrutura produtivas. - É válida também a afirmação de que a produção simultânea acrescida da natural complexidade operacional será sempre e necessariamente uma produção quântica. Se as afirmações colocadas anteriormente não forem válidas e efetivas, o fundamento essencial da simultaneidade não será real e, mais ainda, a capacidade competitiva da fábrica decrescerá significativamente ou até desaparecerá. Mais colocações podem ser desenvolvidas para explicar a diferença entre produção simultânea como já foi cansativamente descrito em textos anteriores e produção simultânea de natureza quântica. Os sistemas de produção simultâneos quânticos são como um automóvel de alto desempenho para se viajar, com altas velocidades, com máxima segurança de se chegar ao destino desejado e planejado, com baixo consumo de combustível e com a certeza de se alcançar o destino planejado.

3 - A Nova Fábrica de Calçados (NFC) é competitiva por ter o domínio da complexidade gerada pela simultaneidade dos seus processos produtivos Em função das afirmações e colocações essenciais feitas em capítulos anteriores descrevendo a Nova Fábrica de Calçados (NFC), inicia-se um novo ciclo de conceituação e de fundamentação, para demonstrar

que esta fábrica de calçados vai além do fundamento da simultaneidade e de estruturas produtivas geradoras desta condição. Uma nova lógica fundamental precisa ficar clara e ser praticada para que esta organização sapateira seja efetivamente uma organização de operacionalidade simultânea com alta competitividade. Não devemos esquecer de que a Simultaneidade é complexa. Os operadores desta fábrica devem, portanto, estar preparados intelectual e emocionalmente para conviver com a complexidade inerente à simultaneidade, pois ela é uma nova lógica de operacionalidade dos sistemas produtivos de alta efetividade. Esta condição exige ações de caráter essencial: I - Criar e institucionalizar um processo que estimule o aprendizado coletivo e individual permanente sobre o fundamento da simultaneidade focado na complexidade: O aprendizado coletivo deve gerar um comportamento de participação permanente de todos os membros da fábrica em descrição. Todos os níveis da fábrica devem ser envolvidos. A produção simultânea exige uma vigilância constante e continuada e um processo de tomada de decisões inteligente. A participação permanente e ativa dos operadores e dos gestores da fábrica em descrição é absolutamente necessária para a funcionalidade contínua dos processos produtivos fundamentados na simultaneidade que é complexa. A participação de todos os operadores e gestores da fábrica na operacionalidade da produção simultânea é absolutamente necessária para minimizar os efeitos não desejados da sua complexidade. A complexidade operacional deve dirigir as mentes de todos os seus membros, pois eles devem estar conscientes de que a complexidade - mesmo sendo de difícil operacionalização - representa uma longa vida para esta organização sapateira. II - Uma nova lógica de pensamento deve ser aplicada para a produção contemplando a complexidade, pois esta será sempre o fundamento de uma competitividade efetiva insuperável. Os gestores da Nova Fábrica de Calçados (NFC) devem estar preparados, atentos e convencidos que a complexidade que emerge da simultaneidade lhes é benéfica e dificilmente imitada pelos concorrentes. III - Os gestores da Nova Fábrica de Calçados (NFC) devem demonstrar continuadamente para os operadores que, mesmo sendo mais difícil e complexa de ser operada, ela é uma produtora de calçados de alta efetividade, competitiva sendo, portanto, de longa vida nos mercados por consolidar sua marca nas mentes dos consumidores e dos mercados.

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ARTIGO Técnico

ESTUDOS DA UTILIZAÇÃO DAS NORMAS DA ABNT PARA AVALIAÇÃO DE PROCESSOS E PRODUTOS DA INDÚSTRIA DE CALÇADOS Prof. Dr. Luiz Carlos Robinson Universidade Feevale

Resumo Desenvolvimento e fabricação de um produto, como calçados. A adoção de normas de qualidade, como as da ABNT, são uma garantia a mais para as empresas e todos os envolvidos, visto que são elaboradas e discutidas com grupos selecionados e competentes e que agregam no processo toda a experiência envolvida na cadeia de produção. O Vale do Rio dos Sinos é um importante complexo coureiro-calçadista brasileiro e mundial. Na região, situada no Rio Grande do Sul, são produzidos insumos da cadeia industrial, equipamentos e máquinas para curtumes e fábricas de calçados, produtos químicos e demais componentes para calçados. Em razão disso, ocorre uma enorme oferta de produtos e serviços, agregados ao design e a processos de fabricação diferenciados, apresentando diferentes interações durante o processamento dos calçados. Neste sentido também surgem problemas diferenciados, ligados normalmente a processos e a materiais e que necessitam de soluções a fim de evitar prejuízos às empresas. Neste momento entram os ensaios de controle da qualidade que, aliado a normas específicas para cada situação, podem prever e/ou identificar possíveis problemas evitando custos desnecessários e desperdícios às empresas envolvidas. Neste contexto, as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), mais especificamente ligadas ao Comitê Brasileiro de Couro, Calçados e Artefatos de Couro (CB-11), podem orientar e beneficiar todos os envolvidos. Neste artigo é apresentada uma série de relatos vivenciados pelo autor nos últimos anos em situações reais e nas quais foram aplicadas as normas da ABNT. Os resultados da aplicação das normas e das análises demostram que o conhecimento das normas e a correta aplicação delas pode prevenir e/ou identificar os problemas, evitando assim desperdícios de tempo, matéria-prima e produtos em processamento e/ou prontos.

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1 Introdução A normatização e a utilização de normas técnicas são fatores relevantes para o desenvolvimento e para a elevação da competitividade das empresas, tanto no mercado interno quanto no mercado externo. As empresas muitas vezes têm dificuldade de identificar e entender como as normas técnicas afetam diretamente as suas atividades, sendo que muitas não sabem que existem normas que se aplicam aos seus produtos (processos e/ou serviços) e muito menos que outras normas as afetam, seja porque se aplicam aos seus processos, seja porque se aplicam aos seus fornecedores ou aos seus clientes, refletindo-se naturalmente nas suas próprias atividades. Segundo publicado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE, 2013), “[...] o desconhecimento da utilização das normas e dos organismos reguladores pode trazer prejuízos as empresas, tanto os originados no processo de produção quanto os decorrentes da devolução de produtos não conformes”. Atualmente, como podemos observar, somente o fato de termos o conhecimento da atividade não nos assegura que não teremos problemas futuros, visto a evolução tecnológica dos materiais e processos e também das exigências impostas pelo mercado para as diferentes necessidades (grau de solicitação, substâncias restritivas, meio ambiente, custos, entre outros).

2 Normas ABNT: CB-11 Instalado junto à sede do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTeC), em Novo Hamburgo/RS, o CB-11 é responsável pelas ações de diversos grupos de estudos que se dedicam a revisão e adequação das respectivas normas. Entre esses grupos podemos citar: - Comissão de Estudo da Construção Superior do Calçado; - Comissão de Estudo de Insumos e Resíduos Líquidos; - Comissão de Estudo de Adesivos para Calçados e Correlatos; - Comissão de Estudo do Calçado; - Comissão de Estudo de Ensaios Físicos e Químicos em Couro; - Comissão de Estudo de Ensaios Biológicos em Couro. No âmbito destas comissões, ainda existem grupos que discutem assuntos específicos ligadas ao setor. Fazem parte destas, representantes do IBTeC, das empresas fabricantes de calçados e de componentes, dos prestadores de serviço e consultorias e demais interessados, sendo que a participação é voluntária, o que permite uma atualização permanente e também um ganho em conhecimentos para o setor.

3 Características gerais do setor calçadista O setor calçadista representava uma indústria de tecnologia simples, utilizando-se de processos repetitivos e sem a necessidade de equipamentos com grandes recursos tecnológicos (FRACASSO, 1995), uso intensivo de mão de obra e organizada especialmente em razão de sua cadeia produtiva. Atualmente diversas indústrias do setor investem em novas tecnologias e outras tantas também estão migrando para a automação de equipamentos, principalmente para as operações de maior importância e de grande uso de mão de obra. Historicamente, em 1920, a cidade de Novo Hamburgo tinha aproximadamente 1.180 empregados no setor calçadista, distribuídos em 66 indústrias onde se produziam principalmente sandálias vendidas para todo o País. Entre os anos de 1930 a 1950 a indústria calçadista se estendeu pelas cidades do Vale do Sinos. A partir do final da década de 1960, o setor foi impulsionado pela criação da Feira Nacional do Calçado (Fenac) e entrou em franca expansão. A partir do final da década de 1960, o setor coureiro-calçadista gaúcho passou a atuar no comércio exterior. Entre 1973 e 1984, ocorreu um grande incremento na exportação de calçados, couros e componentes, incentivadas pelos governos federal e estadual por meio de benefícios fiscais, como isenção de Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) e Imposto sobre Produtos Industrializados. (VECCHIO, 2003). Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) (2017), os principais polos fabricantes de calçados no País se situam no Rio Grande do Sul (Vale do Sinos e Paranhana), em Santa Catarina (São João Batista), em São Paulo (Birigui, Jaú e Franca), Minas Gerais (Nova Serrana), Paraíba (Campina Grande); Ceará (Crato, Sobral e Juazeiro do Norte, além de cidades em diversas partes do estado) e da Bahia.

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ARTIGO Segundo o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI, 2015), em 2012, os países asiáticos respondiam por aproximadamente 75% da produção mundial de calçados, liderados pela China com 56,4% e Índia com 12,5%. Neste período o Brasil era responsável por 4,6% deste volume total. Segundo este mesmo estudo, o setor apresentou em 2012 um crescimento de 4,1% em relação ao ano anterior (2011). Já em 2013, o Brasil tinha aproximadamente 8 mil empresas fabricantes de calçados com um faturamento anual de aproximadamente 1,1 bilhão de reais. Segundo dados disponibilizados pela Agência Brasileira de Calçados de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex Brasil, 2013), a fabricação de calçados é uma atividade industrial presente no desenvolvimento econômico brasileiro e mundial. No Brasil, este segmento industrial contribui com a geração de empregos e renda, além de colaborar com novos investimentos no setor e de participar efetivamente da balança comercial, visto que as exportações representam quase o dobro em relação as importações de calçados. Em 2012 os calçados femininos responderam por 57,1% do mercado brasileiro de calçados, seguido pelos calçados masculinos, com 21,8% e os calçados infantis e bebês com 21,1%. (IEMI, 2015). A Figura 1 apresenta as características gerais dos calçados produzidos no País em 2012.

Figura 1: Gráfico com a distribuição da produção de calçados em razão do tipo de matéria-prima principal Fonte: adaptado pelo autor de IEMI (2015)

De acordo com os dados destacados na Figura 1, 43,5% dos calçados produzidos no Brasil se utilizam de uma maior quantidade de componentes e processos, necessitando também de uma maior atenção quanto ao controle da qualidade destes.

4 Metodologia A metodologia utilizada consistiu em apresentar problemas recorrentes na indústria de calçados, com diferentes materiais e processos, e nos quais a aplicação das normas da ABNT relativas a cada caso ofereceram uma solução para os problemas, antes ou após o surgimento dos mesmos.

5 Análise dos resultados da aplicação da normas da ABNT Nesta seção serão apresentados cinco (5) estudos de caso nos quais a aplicação das normas da ABNT referentes ao processo e/ou material foi fundamental para a identificação e/ou a resolução do problema. Nestes estudos não foram identificadas as empresas envolvidas, somente os problemas e a relação com as respectivas normas.

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5.1 Rasgamento do material de cabedal quando da montagem do calçado A empresa em questão utilizava um material de forro em laminado sintético dublado com uma sarja de algodão como cabedal de um calçado feminino. No momento da montagem dos calçados o mesmo, a partir do segundo lote de material adquirido, começou a romper rente a área de montagem. Para esta situação, utilizaram-se as normas ABNT NBR 10588:2015 Tecidos planos - Determinação da densidade de fios e ABNT NBR 10591:2008 - Materiais têxteis - Determinação da gramatura de superfícies têxteis para avaliar a densidade de fios e a gramatura do material de dublagem utilizado. Realizou-se o ensaio de Determinação da resistência à continuação do rasgo conforme a norma ABNT NBR 14553:2012 Construção superior do calçado - Laminados sintéticos para identificar as diferenças entre os lotes em relação a estas propriedades. Após a realização dos ensaios, identificou-se alteração na densidade de fios (a menos), da gramatura (para menos) e diferenças significativas entre a resistência ao rasgo, sendo que o material que não apresentava problemas estava de acordo com as especificações recomendadas pela Norma ABNT NBR 15.642:2014. O que apresentou problemas estava abaixo, contribuindo com o defeito apresentado. 5.2 Alterações da cor do material de cabedal no calçado pronto Este caso se trata de um calçado produzido em laminado sintético com acabamento em verniz, do qual algumas tiras que originalmente eram pretas começaram a ficar em tons de azul marinho. Identificou-se neste calçado que as tiras que alteraram a cor possuíam um reforço interno com uma fita de reforço na cor branca. Neste caso, utilizou-se a norma ABNT NBR 16322:2014 Calçado e artefatos - Determinação da migração do pigmento e/ou corante entre materiais para avaliar a interação entre a fita de reforço e o material de cabedal. Após a realização do ensaio verificou-se que as amostras em que a fita de reforço estava presente apresentou alterações similares as do calçado pronto, e o teste em branco não apresentou alterações nas amostras ensaiadas. 5.3 Couro com baixa resistência à distensão Um couro disponibilizado para uma determinada empresa fabricar uma bota feminina de cano baixo e de bico fino apresentou valores abaixo do recomendado quando realizado o ensaio de Resistência à distensão pela Norma ABNT NBR 11669:2005 - Couro - Determinação da ruptura e da distensão da flor - Lastômetro. Para minimizar e/ou evitar o problema optou-se por utilizar uma couraça com suporte de materiais têxtil e que apresentou um alongamento entre 10 a 12% (inferior a distensão do couro). Do total de 5.000 pares do lote, somente quatro pés de calçados apresentaram problemas, nenhum ligado ao defeito previamente identificado no couro. 5.4 Material com acabamento em verniz perdendo a cor durante o processamento na indústria de calçados Diversos calçados produzidos por uma marca específica apresentavam diferenças de tonalidade após serem processados, principalmente na região de fixação da couraça. O material foi submetido ao ensaio de solidez a luz solar conforme a norma ABNT NBR 14392: 2013 - Calçados e componentes - Determinação da solidez (estabilidade) da cor à luz natural, ao calor, ao calor após exposição à luz natural e com lâmpada de ultravioleta e solidez ao calor após o ensaio de solidez a luz. A avaliação foi realizada conforme orientações da norma, com o auxílio da escala de azuis e escala de cinzas. Em ambos, a perda de cor apresentou um grau de desbotamento entre o grau 4 e 5, ou seja, muito leve. Identificou-se, então, que a empresa utilizava uma couraça não adequada para este tipo de material, pois para a fixação desta era necessária uma temperatura superior a 150 graus, o qual escurecia o acabamento. 5.5 Degradação do laminado sintético de poliuretano em calçados prontos Em determinados lotes de calçados produzidos com o cabedal e/ou o forro em laminado sintético de poliuretano alguns fabricantes começaram a ter problemas de devolução dos seus produtos devido a degradação destes materiais. Foi realizado o ensaio de hidrólise em lotes destes materiais conforme a norma ABNT

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ARTIGO NBR 14190:2013 Calçados e componentes - Verificação do envelhecimento por hidrólise e após submetidos ao ensaio de Adesão da Camada Plástica conforme a norma ABNT NBR14551:2012 - Construção superior do calçado - Laminados sintéticos - Adesão da camada plástica ao substrato, no qual foi verificado que o material não apresentava problemas após o ensaio. A partir desta constatação, prepararam-se novos corpos-de-prova, retirados de calçados prontos recém fabricados e os ensaios foram repetidos. Constatou-se, então, que, nos calçados prontos, o problema da interação com outros produtos (que foram identificados com outros ensaios) foram determinantes para que ocorresse a degradação em tão curto prazo. Em contato com os fornecedores destes materiais, desenvolveram-se novas matérias-primas e foram feitas novas avaliações até que os mesmos apresentassem resultados adequados a estas propriedades.

6 Considerações gerais

A realização de ensaios de controle da qualidade na própria empresa, em terceiros ou em laboratórios certificados fornece uma segurança adicional a todos os envolvidos. O desconhecimento da aplicação destas normas é um problema a ser resolvido pois implica no aparecimento de transtornos e discussões desnecessárias e, na maioria das vezes, tirando o foco da empresa. É de suma importância, portanto, que as empresas se inteirem das normas da qualidade a que seus produtos estão submetidos e participem, sempre que possível, das discussões que envolvem a criação e atualização das mesmas, pois é somente desta forma que poderão se certificar de que estão atentas as mudanças de mercado, fabricando e desenvolvendo produtos adequados ao consumidor final.

Referências bibliográficas ABICALÇADOS. Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. Cartilha Estatística 2011. 2012. Disponível em www.abicalcados.com.br e acessado em março de 2018 ABDI. Relatório de Acompanhamento Setorial: calçados. 2008, volume I. Disponível em http://www.abdi.com. br/Estudo/Couro%20e%20Cal%C3%A7ados%20-%20mar%C3%A7o2008.pdf. Acessado em 11/02/2015 ABNT NBR 14553:2012 - Construção superior do calçado - Laminados sintéticos - Determinação da resistência à continuação do rasgo ABNT NBR 10591:2008 - Materiais têxteis - Determinação da gramatura de superfícies têxteis ABNT NBR 10588:2015 - Tecidos planos - Determinação da densidade de fios ABNT NBR 16322:2014 - Calçado e artefatos - Determinação a migração do pigmento e/ou corante entre materiais ABNT NBR 11669:2005 - Couro - Determinação da ruptura e da distensão da flor - Lastômetro ABNT NBR 14392: 2013 - Calçados e componentes - Determinação da solidez (estabilidade) da cor à luz natural, ao calor, ao calor após exposição à luz natural e com lâmpada de ultravioleta ABNT NBR 14190:2013 - Calçados e componentes - Verificação do envelhecimento por hidrólise ABNT NBR 14551:2012 - Construção superior do calçado - Laminados sintéticos - Adesão da camada plástica ao substrato APEX BRASIL. Notícias. Disponível em www.apexbrasil.com.br Acessado em 11 de março de 2017 ASSINTECAL. Cartilha de Adesivos. 2015, Assintecal. Disponível em http://www.assintecal.org.br/files/downloads/assintecal-cartilha-gupo-de-adesivos-portugues-2015-v2.pdf. Acessado em fevereiro de 2018 FRACASSO, E. Apresentação. In: FERSTERSEIFER J. (Org.) O complexo coureiro-calçadista em perspectiva: Tecnologia e Competitividade. Porto Alegre; Ortiz, 1995, p 7 e 8 IEMI. Brasil Calçados 2014. Disponível em http://www.iemi.com.br/biblioteca/publicacoes-setoriais/brasilcalcados-2013/ e acessado em 11/02/2015 SEBRAE. Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Acessado em março de 2018 VECCHIO, R. A. Autonomia para a competitividade: o futuro da indústria coureiro calçadista no Rio Grande do Sul. Revista Eletrônica de Administração. Porto Alegre. UFRGS. Ed ed 31 v. 9 n 1 jan-fev 2003

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A ABNT 11 3017.3638 www.abnt.org.br pág. 39 ALTA TRANÇADOS 11 2618.2203 www.altatrancados.com.br pág. 17 B BRASCOURO 51 3445.7043 brascouro@hotmail.com pág. 27 BRISA EMBALAGENS 51 3546.1617 www.brisaembalagens.com.br pág. 71 BRITÂNNIA TÊXTIL 32 3339.6100 www.britannia.ind.br pág. 30 C CAIMI & LIAISON 51 3204.3400 www.caimiliaison.com.br pág. 32 CICB 61 3224.1867 www.cicb.com.br pág. 09 COLORGRAF 51 3587.3700 www.colorgraf.com.br pág. 49 COMELZ 51 3587.9747 www.comelz.com pág. 05 COMLASA 51 3593.5435 www.comlasa.com.br pág. 36 CONFORTO ART COUROS 51 3561.2801 www.conforto.com.br pág.34 COUROMODA 11 3897.6100 www.couromoda.com pág. 57 COVESTRO 11 2526.3137 www.covestro.com pág. 02 D DÜRKOPP 11 3042.4508 www.durkoppadler.com pág. 21 F FCC 51 2129.2200 www.fcc.com.br pág. 23 FIMEC 51 3584.7200 www.fimec.com.br pág. 89 FISP 11 5585.4355 www.fispvirtual.com.br pág. 41 FOAMTECH 19 3869.4127 www.foamtech.com.br pág. 100 FORMELLO 51 3585.1519 www.formello.com.br pág. 46 FRANCAL 11 2226.3100 www.francal.com.br pág. 50 G GUIA ASSOCIADOS 51 3553.1000 www.ibtec.org.br pág. 75 I ISA TECNOLOGIA 51 3595.4586 www.isatecnologia.com pág. 25 ITM 54 3261.0700 www.itmtextil.com.br pág. 07

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L LAB. BIOMECÂNICA 51 3553.1000 www.ibtec.org.br pág. 72 M MAGMA 11 3322.4444 www.magmatextil.com.br pág. 19 MÁQUINAS MORBACH 51 3066.5666 www.morbach.com.br pág. 31 MARCOMAQ 16 3403.1000 www.marcomaq.com.br pág. 26 METAL COAT 54 3215.1849 www.metalcoat.com.br pág. 29 N NKS 51 3034.8700 www.nks.com.br pág. 33 O ORISOL 51 3036.4774 www.orisol.com.br pág. 35 OTB 16 3722.8302 www.otbpen.com.br pág. 67 P PRIME CHEMICAL 16 3720.7330 www.primechemical.com.br pág. 38 PROAMB 54 3085.8700 www.proamb.com.br pág. 15 R RR COMPONENTES 51 3546.3705 www.rrcomponentes.com.br pág. 69 S SAZI 54 3261.9900 www.sazi.com.br pág. 28 STICK FRAN 16 3712.0450 www.stickfran.com.br pág. 10 T TECHPUR 51 3541.5287 www.techpur.com.br pág. 47 U USAFLEX 51 3549.8100 www.usaflex.com.br pág. 99 Z ZERO GRAU 51 3593.7889 www.feirazerograu.com.br pág. 37

ENTIDADES DO SETOR ABEST (11) 3256.1655 ABIACAV (11) 3739.3608 ABICALÇADOS (51) 3594.7011 ABINT (11) 3032.3015 ABLAC (11) 4702.7336 ABQTIC (51) 3561.2761 ABRAMEQ (51) 3594.2232 ABRAVEST (11) 2901.4333 AICSUL (51) 3273.9100 ANIMASEG (11) 5058.5556 ASSINTECAL (51) 3584.5200 CICB (61) 3224.1867 IBTeC (51) 3553.1000 FEIRAS DO SETOR BRASEG (11) 5585.4355 COUROMODA (11) 3897.6100 EXPO EMERGÊNCIA (11) 3129.4580 EXPO PROTEÇÃO (11) 3129.4580 FEBRAC (37) 3226.2625 FEIPLAR (11) 3779.0270 FEMICC (85) 3181.6002 FENOVA (37) 3228.8500 FIMEC (51) 3584.7200 FISP (11) 5585.4355 FRANCAL (11) 2226.3100 GIRA CALÇADOS (83) 2101.5476 HOSPITALAR (11) 3897.6199 INSPIRAMAIS (51) 3584.5200 PREVENSUL (51) 2131.0400 40 GRAUS (51) 3593.7889 QUÍMICA (11) 3060.5000 SEINCC (48) 3265.0393 SICC (51) 3593.7889 ZERO GRAU (51) 3593.7889

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TRABALHOS APRESENTADOS NA

40ª Fecurt D

urante o último mês de novembro, aconteceu a 40ª edição da Fecurt - Feira de Ciência e Mostra Tecnológica do Instituto Senai de Tecnologia Couro e Meio Ambiente. Já em março, durante a Fimec, feira de máquinas, componentes, insumos e serviços para o sistema coureiro-calçadista, os alunos

que tiveram seus trabalhos premiados na Fecurt puderam expor suas pesquisas aos visitantes. A redação da Tecnicouro visitou o local e, com o apoio da coordenação do Senai, e especialmente da professora Janete Schneider, apresenta os resumos destes trabalhos contemplados e de outros participantes.

Utilização de Ácido Cítrico em Diferentes Etapas do Processo (Prêmio Destaque) Alunos: Diego Copello, Mathías Cedrés Orientadores: Antônio Pederzolli, Janete Schneider

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sustentabilidade é uns dos principais objetivos da indústria do século XXI. No Brasil, no que refere ao ramo curtumes, há longa data, é temática principal de congressos, onde se debatem as principais características que deve ter um curtume sustentável e como atingir as mesmas. O objetivo deste trabalho é utilizar um produto que possa melhorar alguns processos de curtimento visando à melhoria dos mesmos com a intenção de continuar avançando para um curtume sustentável. A proposta é a redução ou eliminação do nitrogênio nos efluentes dos

processos de desencalagem mediante a substituição total ou parcial dos produtos até agora mais utilizados por ácido cítrico, que é um produto de origem natural e de fontes renováveis. Também é objetivo o melhoramento no esgotamento do cromo dos efluentes de curtimento com a utilização de citrato de sódio e a diminuição da demanda química de oxigênio no esgoto de recurtimento aniônico, sobretudo no tingimento com a melhoria da qualidade deste processo, utilizando como fixador de tingimentos o ácido cítrico. A metodologia utilizada começou por uma pesquisa exploratória das características do ácido cítrico e seus sais para depois realizar uma pesquisa experimental nos processos onde se poderia influenciar na melhoria

dos mesmos. Os experimentos foram realizados nas instalações do Instituto Senai de Tecnologia do Couro, sob a supervisão dos orientadores Antônio Pederzolli e Janete Schneider. O produto mostrou ser eficiente nos processos de desencalagem e tingimento, porém no processo de curtimento não apresentou diferenças significativas em termos quantitativos. Embora não tenham sido analisadas em profundidade as vantagens econômicas da utilização deste produto deixou-se uma porta aberta à investigação mais especifica das qualidades e vantagens que este produto apresenta para estes ou outros processos nos quais poderia ser utilizado, continuando com a construção de uma indústria competitiva, com menor impacto ambiental, um curtume sustentável.

Avaliação da Eficiência de uma ETE Utilizando Eruca Sativa e Lactuta Sativa em Testes de Germinação (Prêmio Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento Experimental) Alunos: Gustavo Curt Heiden da Cruz, Rafael Amaral Câmara Orientador: Horst Mitteregger Junior

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ste trabalho foi elaborado com o objetivo de avaliar a estação de tratamento de efluentes do Instituto Senai de Tecnologia Couro e Meio Ambiente utilizando culturas de Eruca sativa (rúcula) e Lactuca sativa (alface) como 92 bioindicadores • maio | junhodo efluente. A metodologia de de toxidade

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análise foi baseada na coleta do efluente durante o tratamento bruto, primário, secundário (biológico) e tratamento final. A metodologia de análise teve como base o teste de germinação onde às cultiváveis foram dispostas 25 sementes em quadruplicata e mantidas durante sete dias a uma temperatura média de 20ºC com 12 horas de luz e 8 horas no escuro. Os resultados apresentados indicam o melhor desenvolvimento das culturas quando expostas a amostras com maior carga orgânica, como o observado no tratamento biológico.

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Píquel Ecológico (Prêmio Inovação Tecnológica de Processo) Alunos: Danrlei Ebani, Gabriel Fornielis, Jonathan Lauck Büttenbender Orientador: Antônio Pederzolli

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projeto de pesquisa tem por base informar sobre os estudos realizados referentes ao desenvolvimento de um processo de desencalagem e píquel compactos e ecologicamente corretos, incluindo uma análise crítica dos resultados encontrados com base nos objetivos da equipe. Sendo que o objetivo maior é a adequação dos métodos e produtos atualmente

utilizados, com isso garantindo melhor ou iguais características nos produtos finais, conciliando com menor impacto ambiental e redução de custos tanto no processo quanto no tratamento de efluentes, obtendo menor demanda por produtos químicos e redução de tempo de processo. Partindo dessas ideias, foram processadas as amostras laboratoriais para realização das análises físico-químicas, e assim se obter comprovações dos resultados nas amostras processadas no curtume e também realizadas

análises visuais, com objetivo de observar o comportamento no processo. Para acompanhamento dos resultados todos os procedimentos foram devidamente registrados, bem como as informações referentes a peso de amostra, tempos de cada etapa, cálculos de porcentagens, produtos utilizados e resultados dos controles no processo. A análise de dados e comentário crítico sobre os resultados obtidos encerra a etapa da pesquisa dando as hipóteses como comprovadas ou refutadas.

Resíduo de Café: Uma Nova Alternativa Curtente (Prêmio Inovação Tecnológica de Produto) Alunos: Luiz Felipe Gonçalves Pereira, Rodrigo Lopes Amoriello Orientadores: Antônio Rogerio Pederzolli, Janete Schneider

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os dias atuais já se sabe de inúmeras maneiras de se reaproveitar a borra de café descartada, utilizada em cafeteiras ou filtragem normal de café. Além de diversos benefícios proporcionados pelo reaproveitando desse tipo de resíduo, essa também é uma atitude ecológica, pois, quando jogado no lixo, esse material se decompõe e libera metano, cujo efeito é 20 vezes mais potente do que o dióxido de carbono (CO2) como gás do efeito estufa. (BAYER JOVENS, 2014). A partir destes dados, teve início uma ideia de utilização da borra do café como uma nova alternativa para extração de um curtente vegetal. O qual é aplicado no processo de curtimento e recurtimento, para que se possa avaliar as

características apresentadas ao couro com a sua utilização. Este novo insumo introduzido no processo de curtimento e recurtimento de amostras de couros visa a uma produção mais limpa para o setor coureiro. Com base nos resultados obtidos, é possível utilizar este produto nos processos, mesmo contendo baixos teores de substâncias tanantes, alcançando-se assim uma nova opção de produto curtente vegetal, através do reaproveitamento de um material descartado, o qual é destinado ao lixo na grande maioria das vezes. Para dar continuidade ao projeto, há a intenção de se criar uma cooperativa ou ONGs junto às cafeterias da cidade de Estancia Velha/RS para o recolhimento da borra de café produzida, com proposito de uma visão social. E também realizar o levantamento de custo de produção para o novo produto, pois não foi possível nesta etapa do projeto.

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A Real Necessidade da Purga em Processos Enzimáticos Alunos: Alberto Bellotto, Diego Rambo Orientador: Neimar Barronio

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purga é um processo da etapa de ribeira utilizado comumente pelos curtumes. Ela consiste no uso de enzimas para remoção de gorduras e limpeza das fibras, podendo causar o afrouxamento destas. Para que a purga ocorra de maneira eficiente, são necessários diversos controles tais como: pH, temperatura, concentração e tempo. A ausência destes controles pode causar inibição da ação enzimática ou uma degradação excessiva das fibras da pele. Dito isso, buscou-se um processo alternativo, através do qual a etapa de purga fosse desnecessária, pela aplicação de enzimas proteolíticas e lipolíticas nas etapas de remolho e depilação, para que houvesse uma limpeza completa da estrutura logo no

início do processamento. Os experimentos foram realizados adotando-se a técnica de meios gêmeos, sendo que sobre os meios esquerdos foram aplicadas as formulações testes e sobre os meios direitos foram aplicadas as formulações padrão. No primeiro experimento, para a formulação teste foi adotado um remolho enzimático, no segundo experimento, foi adotada uma depilação enzimática e, no terceiro experimento, foram adotados para o teste um remolho e uma depilação enzimática. Foram realizados cortes histológicos em amostras de couros produzidos para avaliar a limpeza das peles e verificar se a etapa de purga é realmente necessária, e os resultados obtidos demonstram ser possível a não realização da purga em processos onde houve atuação conjunta de enzimas nas etapas de remolho e depilação.

Nova Alternativa para Reuso de Óleo de Soja: Óleo Sulfitado para o Processo de Engraxe Alunos: João Eduardo Ferreira Vasconcellos, João Pedro Cerezini Andrade, Régis Patrício Silva Carvalho Orientadora: Janete Schneider

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s pessoas geralmente têm dúvidas sobre o que fazer com o óleo de soja que usam em suas cozinhas e o resultado dessa falta de conhecimento, na maioria das vezes, é o despejo desse rejeito no ralo ou até no lixo. O problema é que quando isso acontece, ocorre a contaminação de córregos, riachos, rios e solo, além de danificar o encanamento da casa. Quando o óleo chega ao córrego, ele não se mistura com água, formando uma camada na superfície que impede a oxigenação, se tornando um problema ambiental. Proporciona o aumento do efeito estufa, já que o contato da água contaminada pelo óleo, ao desembocar no mar,

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gera reações químicas, liberando gás metano, que é um componente muito agressivo. Quando atinge o solo, acaba o impermeabilizando, dificultando o escoamento da água das chuvas, assim facilitando as enchentes. Estimativas indicam que apenas 1% do óleo usado no mundo é tratado. Uma única gota de óleo torna 25 litros de água impróprios para o consumo, e um litro de óleo é suficiente para contaminar um milhão de litros de água, que é o consumo médio de uma pessoa durante um período de 14 anos. Com o objetivo de proporcionar ao óleo de soja um fim nobre após sua utilização, o mesmo foi tratado quimicamente pelo processo de sulfitação, a fim de adquirir características necessárias para sua utilização para a indústria curtidora, onde é aplicado como engraxante de couros.

Ao ser aplicado ao couro na forma de emulsão, os resultados obtidos foram maciez, enchimento, igualização e flor firme. A aplicação do óleo foi realizada no processo de engraxe do couro para napa vestimenta, onde as características do óleo sulfitado são mais evidentes, fazendo posteriormente as devidas análises de resultados obtidos e assim concluir se as características desejadas foram alcançadas. Realizadas análises químicas com o óleo sulfitado e análises físico-mecânicas nos couros produzidos, os mesmos foram aprovados pelo fato de se enquadrarem nos parâmetros exigidos. Ficou comprovada assim a viabilidade da reutilização do óleo de soja, para a produção de óleos engraxantes para couros, já que sua matéria-prima é um material indevidamente descartado amplamente em todo o mundo.

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A Interferência da Utilização de Purga Ácida na Resistência Final do Artigo Napa Moveleira Alunos: Cleyton Moreira Lima, José Divino da Silva Saturno, Marcos Antônio Vasconcelos Orientadores: Gerusa Giacomolli, Tatiana Link

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abendo da exigência atual do mercado no que se refere a couros cada vez mais macios e resistentes para estofamento mobília, se decidiu testar a interferência da utilização da purga ácida na lavagem inicial do artigo napa moveleiro. A finalidade é desenvolver uma formulação cuja eficiência de sua aplicação traga mais benefícios ao artigo sem prejudicar sua resistência físico-mecânica e os aspectos vi-

suais do mesmo, podendo desta forma atender as exigências do mercado de maneira prática e objetiva com provável baixo custo. Expostas as ideias, começaram as discussões sobre possíveis probabilidades do trabalho, como por exemplo os aspectos a serem analisados, o desenvolvimento de formulações a serem aplicadas, os produtos utilizados, a escolha da matéria-prima etc. Ficou definido a partir de então, que para tal trabalho deveriam ser realizados testes referentes ao artigo mobília, e o presente trabalho deveria ser aplicado de forma comparativa em todos os aspectos desde a escolha das

formulações até a realização dos testes. Assim, tendo todos os parâmetros, as formulações, os métodos de aplicação e o cronograma estabelecidos, partiu-se para a execução do trabalho em si. Após todo o trabalho prático realizado foram efetuados então os devidos testes e, após a conclusão dos mesmos, também foi realizada uma análise critica dos resultados obtidos. Esses resultados foram debatidos e considerados pela equipe como não satisfatórios tendo em vista que não houve grandes alterações no comportamento do artigo napa moveleiro nas questões levantadas.

A Interferência de Diferentes Tipos de Taninos Vegetais no Rendimento Tintorial de Corante no Artigo Vegetalizado, Avaliação Espectrofotométrica Alunos: Daniel Adriano Becker, André Ferreira Orientadores: Gerusa Giacomolli, Tatiana Link

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desenvolvimento deste trabalho foi baseado em analisar a intensidade do tingimento de cor de um corante em couros vegetais com diferentes tipos de taninos vegetais. Para esse trabalho foi utilizado um couro wet-blue dividido de cinco amostras em partes iguais e recurtido com cinco tipos de taninos vegetais, desde o pó mais claro ao mais escuro selecionado. No processo de tingimento foi selecionado um corante de coloração escura, para analisar a intensidade da cor em relação rendimento tintorial. As amostras foram avaliadas por análise química com o espectrofotômetro. A partir dos dados obtidos através da análise química, podemos afirmar

que, numericamente, os taninos interferem muito pouco no poder tintorial das amostras, mas se analisarmos as amostras visualmente, se pode notar que as amostras apresentam uma diferença considerável entre a cor mais escura e a mais clara. O trabalho apenas demonstra números reais na diferença de tonalidade que se obtém nos couros, em relação à coloração do pó do tanino vegetal, concluindo que isto tem certa interferência com o poder tintorial do artigo. Para um entendimento entre essa relação é importante que esse projeto prossiga, possibilitando assim que se possa avaliar o quanto mais de corante seria necessário a ofertar para que todas as amostras fiquem com o a mesma tonalidade, e como ficaria o esgotamento do banho através de uma análise química.

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Valorização dos Subprodutos da Indústria Curtidora Alunos: Djenifer Eduarda Pereira Martins, Leonardo Schneider, Pâmela Fabiana Barcelos Ferreira Orientadores: Filipe Santarini, Neimar Barronio

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setor de curtumes é um dos ramos industriais com maior geração de resíduos sólidos. Sabese que para cada tonelada de pele processada, são gerados cerca de 115kg de aparas curtidas, por exemplo. Desta forma, visando a aumentar o aproveitamento da proteína animal, testou-se um novo modelo de apara retangular, baseado na eliminação das regiões de patas, barriga e parte da culatra. Sendo assim, duas peles foram processadas até a etapa de caleiro, a partir desse processo uma delas fora recortada de forma a eliminar

as regiões geradoras de maior parte dos resíduos sólidos, gerando uma pele aparada no formato retangular. Nos demais processos as peles seguiram até a etapa de acabamento, com a quantificação de resíduos sendo realizada individualmente. Comparativamente, a pele teste (aparada) apresentou menores quantidades de resíduos gerados, bem como facilitou a operação em máquinas como descarnadeira, divisora, enxugadeira, rebaixadeira e o vácuo. Em relação às aparas de wet-blue, a amostra de teste apresentou 38,5% menos geração, comparada à amostra padrão. A partir deste projeto piloto, foi possível verificar que o recorte em forma de retângulo pode propiciar benefícios econômicos, ambientais e operacionais à indústria coureira.

Estudo Preliminar da Absorção de Cromo pela Acácia Mimosa Através do Plantio em Substrato Enriquecido com Lodo de Curtume Alunos: Izaine Letícia Haag, Ketlin Letícia Rodrigues Petter Orientador: Filipe Bühler Santarini

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ma das características da indústria do couro é a geração de resíduos com potencial poluidor elevado, em função da presença de metais pesados, sendo que entre eles merece destaque o cromo, pois os lodos gerados no tratamento dos efluentes de curtume comumente apresentam elevada concentração deste elemento. Uma alternativa à produção de couros com cromo é a utilização de curtentes vegetais, que são produzidos a partir de taninos extraídos de plantas, sendo uma das principais a acácia mimosa. No entanto couros produzidos com curtentes vegetais não apresentam tão boas propriedades físicas quanto aqueles curtidos ao

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cromo. Este projeto visa à aplicação de lodo de curtume na cultura de acácia mimosa com vistas à absorção de cromo pela planta e posterior extração do tanino. Foram efetuadas diferentes misturas de lodo de curtume e solo em proporções que variam da ordem de 0% a 25% de lodo de curtume em 100% a 75% de solo. Mudas de acácia foram selecionadas e plantadas nestes substratos e cultivadas durante um período de cerca de cinco meses, sendo verificado o desenvolvimento e a presença ou não de efeitos fitotóxicos nas mudas. Após este período, as mudas e os substratos foram encaminhados para análises químicas, com o objetivo de verificar as taxas de cromo absorvido pelas plantas. Parâmetros como pH e taxa de cromo foram analisados nos

substratos e nas plantas. Após avaliação dos resultados obtidos nas análises químicas e através da observação do comportamento das mudas, evidenciou-se que a proporção mais adequada ao desenvolvimento das plantas e à absorção de cromo situou-se na faixa de 5 a 15% de lodo incorporado ao solo. Pôde-se observar aumento do pH do substratos e das plantas e aumento do cromo incorporado às mudas quanto maior a presença de lodo. Sendo assim, foi comprovado que houve absorção de cromo e o projeto segue para a fase de aplicação, que necessitará de um período maior de implementação. O lodo de curtume será aplicado a plantios de acácia em maior escala e o tempo de maturação para extração de tanino será de, pelo menos, sete anos.

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Comparativo de Resistência Física em Napa Calçado e o Uso de Óleo Cru no Final do Engraxe Alunos: Anderson Carlos Sauer, Bruno Lopes, Pedro Altmann Orientadores: Gerusa Giacomolli, Tatiana Link

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á faz muito tempo que o óleo cru vem sendo usado no engraxe de artigos para calçados com a intenção de aumentar a resistência física. Mas se considerarmos os avanços da indústria de

produtos químicos para curtume e a variedades de óleos sintéticos e combinados, a pergunta que fica é se um produto tão simples como esse é realmente insubstituível? No desenvolvimento desse trabalho se discute este tema com a pretensão de responder esta questão. Serão feitas cinco amostras com a única variável de quantidades

de óleo cru no engraxe. Estas amostras serão submetidas a testes físicomecânicos de ruptura da flor e resistência ao rasgamento progressivo. Posteriormente, os resultados serão analisados com o objetivo de que se chegue a uma conclusão sobre a eficiência deste óleo para aumento de resistência dos couros produzidos com eles.

Estudo de Diferentes Tipos de Concentração de Tintas de Acabamento e seus Resultados na Aplicação dos Couros Alunos: Fabrício Chiarelo Dalenogare, José Guilherme Cerezini Andrade Orientadores: Filipe Santarini, Tatiana Link

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ste trabalho tem por objetivo identificar qual a interferência da diferença nas concentrações das tintas de acabamento em relação ao acabamento de couros, seus resultados de desempenho de cobertura e testes físico-mecânicos. Para a obtenção das tintas teste, foram elaboradas formulações e pesagem das mesmas sendo estas aplicadas no acabamento com pistola. Foi possível observar após as aplicações que

as concentrações diferentes das tintas testes mudaram o aspecto visual em relação ao seu poder de cobertura do acabamento, pois as tintas de concentrações mais elevadas cobriram a superfície com mais facilidade. Ao término das aplicações foram encaminhadas as amostras para realização dos ensaios físico-mecânico, com o objetivo de se verificar a interferência das diferentes concentrações das tintas de acabamento no desempenho à flexão a seco e adesão seca e úmida. A partir dos resultados foram evidenciadas as interferências das concentrações de tintas de acabamento no desempenho quanto à resistência do mesmo.

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Extração e Utilização de Tanino de Eucalipto para Curtimentos Alternativos Alunos: Gabriel Moraes, Marcos Esquivel Orientador: Antônio Rogério Pederzolli

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couro pode ser utilizado como insumo por diferentes indústrias, desde fabricação de calçados até os segmentos automotivo e moveleiro. Para atender esta demanda, outro setor industrial é muito importante e decisivo: a indústria química e seus produtos. Estas indústrias de base da cadeia produtiva representam números significativos nos investimentos e no meio ambiente, tanto para si, quanto para os curtumes que utilizam seus produtos. O desafio proposto é de desenvolver um tanino vegetal base-

ado em uma matéria-prima em que não seja necessária a extração da árvore para obtenção da sua essência funcional. O projeto tem como finalidade descobrir os potenciais da casca de eucalipto para aproveitamento de seu tanino para curtimentos alternativos, tendo em vista o tempo para crescimento da árvore e os ciclos de trocas de cascas. E com isso gerar alternativas sustentáveis para minimizar a derrubada de grandes florestas de árvores específicas para extrair taninos vegetais, bem como, através do resíduo das cascas de eucalipto, fornecer poder calorífico para caldeiras em empresas e curtumes.

Avaliação das Propriedades da Planta Bambuseae como Biocida Natural Alunos: Ailton Mesquita, Natália Alves, Vitória Costa Orientadores: Antônio Rogério Pederzolli, Horst Mittereger Júnior

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este trabalho é apresentada a avaliação das propriedades antibacterianas da madeira do bambu, testando

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o mesmo em diferentes modos de aplicação. Os experimentos foram avaliados como bactericida no processo de remolho de pele salgada e como fungicida no wet-blue, aplicando-se o pó da madeira de diferentes maneiras nas amostras. Após os processos, foram realizadas análises

microbiológicas das amostras, identificando se houve eficiência do produto. Os resultados preliminares não comprovaram sua eficiência como um biocida natural, no entanto alternativas na metodologia de extração ainda podem ser investigadas em trabalhos futuros.

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Edição nº 306  

Maio / Junho - 2018

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