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contra a morte

Revista

a gente trama, na cama

marc berth

se esparrama

carwal m.machado

A vida

Leah Bianco Lima Barreto Cruz e Souza

pela Ăłtica

Cartola

poĂŠtica

Poesia em

Revista


Revista 1

Editorial

marcberth

poesiaemrevista@hotmail.com

sĂł fins poĂŠticos

2017


Vamos passar em revista a velha e boa poesia. Traremos do velho e do novo, do já consagrado e, esperamos, do que se consagrará. Em tudo pode haver poesia, se o leitor e leitora ofuscarem o crítico e libertarem o artístico.

A foto ao lado foi tirada no caminho do trabalho. Em meio a um tronco semimorto, surge a vida, ainda embrionária! mas vida. Surgirá uma mariposa negra ou uma borboleta das mais coloridas? O que idealiza o divino criador? Ousar-se-á dizer que não há aí a mais bela poesia?

Poesia é descoberta dos limites transcendentais do homem, que não somos só trabalho e diversão, mas imaginação criativa que idealiza.

Em tempos tão sórdidos, ásperos e frios, que tal descobrir que da poesia pode fruir calor, sutileza e pureza?

Sejam todos bem vindos!


A chuva caĂ­a mansa, fria, viva; O sol vacilava, a treva que o engolfava.

Tuas palavras jorravam duras, mornas, semimortas; meu coração oscilava, o despeito que o solapava.

Ocasos em figuras


Gotas findavam a data, inconsciente, sólida; a luz em nova jornada, o breu que a dispensava.

Tuas forças esvaíam, ultimada, cônscia, lassa... minha razão em nova revoada, o medo que a libertava...

carwal


Prostrado nesta enxerga, sinto a vida Ir, pouco e pouco, procurando o nada; Pra mim não há mais sol de madrugada, Mas sim tremor da luz amortecida.

Prazeres, onde estais? Longa avenida De amores, que trilhei nesta jornada? Tudo acabou. E justa esta pousada, Antes que dobre o sino da partida. Feliz quem tem família! Tem carinho De mãe, de esposa, e, em derredor do leito, Não sofre o horror de achar-se tão sozinho. Porém ao meu destino estou sujeito; Devo, batendo as asas, sem ter ninho, Buscar, quem sabe? um mundo mais perfeito?

Poesia recitada pelo personagem ’Marramaque’ em ‘Clara dos Anjos’ de Lima Barreto - 1


1922


Num apartamento estava, alguém me acompanhava, mas quem poderia ser, se não a amada do meu ser? Olhávamos do alto, o tempo ao fundo fechado, um sentimento vago, o mundo demudado. Ela com o celular, tentando fotografar do apê, virava pra lá e pra cá, eu a falar sei lá o quê. Meu olhar preso por anzóis, olhava seus caracóis, sua mão vacilou, o danado despencou...

Esta no


Abri a resmungar, só pra me vingar, ela pra variar, calma a me fitar. Ela correndo a resgatá-lo, eu debruçando-me à sacada, vi que alguém o agarrara, senti-me de todo desolado...

oite sonhei... m.machado

Acordei, examinei, entendi, estremeci... Te conto depois - que tal? se for do teu agrado; ocorre a todo casal, que vive enamorado.


Meus dias sĂŁo teus!

Vi-te ontem com tin era tua vida po

Nuvens negras s lisĂŁ eram teus recei em v

Acobertou-se eram teus cab

Estrelas a eram teus olho rar

Montes ao fundo ar eram tuas curva dar

Um frio ser era teu corpo

Tudo o mais e Era teu peito

Abrupto e sil Fundimo-nos s

Vi o sol pela era teu sorris dir


mo luz vesperna, or mim vivida.

súbitas em coão, ios projetados vão.

o negro céu, belos ao léu.

cintilar, os a me devor.

o a se deliner, as a me convir.

reno caiu, o em arrepio.

em deserção, em convulsão.

lêncio total, sem igual...

janela abrir, so a me invar.

marc berth


Dama Mariana de Lama A ti, Mariana, Rompido teu encanto, Ora envolto em lama, Dedico este pranto. Manchado o sorriso, Soterrada a esperanรงa,

Pouco compromisso, Muita intemperanรงa. Uns em abastanรงa,

Muitos a penar, Alguns a dormitar, Tantos a rezar.

Rompimento da barragem da Samarco em 5 de novembro de 201 gues, em Mariana, na regiรฃo Central de Minas Gerais. A lama cheg mineiros e do E


Qual dama em boa fama, A lhe espreitar o algoz, Sua virtude profana, Afoga-lhe a voz. Agora luta por se limpar, Seus traumas dissolver, Sua vida retomar,

O coração reaquecer. Inda que a justiça amoleça, Da pobre moça se esqueça,

Deus contudo se alçará, Sua sorte não enjeitará.

marc berth

15, causando uma enxurrada de lama no distrito de Bento Rodrigou ao mar pelo Rio Doce, depois de ter passado por municípios Espírito Santo.


Bate outra vez Com esperanças o meu coração Pois já vai terminando o verão Enfim

Queixo-me às rosas Mas que bobagem As rosas não falam Simplesmente as rosas exalam O perfume que roubam de ti

Cartola


As rosas não falam álbum 1974

Volto ao jardim Com a certeza que devo chorar Pois bem sei que não queres voltar Para mim

Devias vir Para ver os meus olhos tristonhos E, quem sabe, sonhavas meus sonhos Por fim


A gente em lençóis Na vida a gente se amotina, Na lida se limita; Sem sorte a gente se lança, Quiçá alguma coisa alcança; Contra a morte a gente trama, Na cama se esparrama...


marc berth

Em lençóis multicor, Amanso a minha dor; Na ânsia do ardor, Liberas teu fragor; Dos males o menor, A nós restou o amor...


I Cabelos

Cabelos! Quantas sensações ao vê-los!

Cabelos negros, do esplendor sombrio, Por onde corre o fluido vago e frio Dos brumosos e longos pesadelos... Sonhos, mistérios, ansiedades, zelos, Tudo que lembra as convulsões de um rio Passa na noite cálida, no estio Da noite tropical dos teus cabelos. Passa através dos teus cabelos quentes, Pela chama dos beijos inclementes, Das dolências fatais, da nostalgia... Auréola negra, majestosa, ondeada, Alma da treva, densa e perfumada, Lânguida Noite da melancolia!


A Grécia d’Arte, a estranha claridade

II Olhos

D’aquela Grécia de beleza e graça, Passa, cantando, vai cantando e passa Dos teus olhos na eterna castidade.

Toda a serena e altiva heroicidade Que foi dos gregos a imortal couraça, Aquele encanto e resplendor de raça Constelada de antiga majestade, Da Atenas flórea toda o viço louro, E as rosas e os mirtais e as pompas d’ouro,

Odisseias e deuses e galeras... Na sonolência de uma lua aziaga, Tudo em saudade nos teus olhos vaga, Canta melancolias de outras eras!... Primeiro par do conjunto de sete sonetos que cantam as partes do corpo, agrupados na obra póstuma ’Faróis’ de Cruz e Souza


carwal

Minha vida eu guio, Mais pelo peso do brio, Rumo a um vil destino, Que tĂŁo Ăłbvio atino.

Avessos por lĂĄ chegar, Bastando contudo caminhar, Seguimos presto e sempre, Distraindo nossa mente.

Muitos ficam pelo caminho,

A vida promet

Outros pensam ultrapassar,

Como rio a rum

Uns saudosos do ninho,

Mas o passo ir

Mas todos no mesmo vagar.

Quando a mo


te continuar,

morejar,

rรก cessar,

orte nos tragar.

A vida promete continuar


Encerrados em nossos castelos,

vão sonhos cheirando a mofado, corações ecoando martelos, vidas em desagrado.

Vivemos a construir as mais doces ilusões, visando a garantir íntimas projeções.

Erguemos

arrogante

cumprime

palav


Nossos quartos tĂŁo escuros,

por dentro arrombados, muros tortos,

e argamassa,

entos mornos,

vra lassa.

pensares escusos, afetos desordenados. A varanda fica exposta, mil flores a enfeitar, sempre um tolo a admirar, tanta hipocrisia imposta.


Leah Bianco

Eu desejo, Tu amas, Ele cobiรงa. Nรณs vivemos, Vรณs sepultastes, Eles herdarรฃo.

A vida conjugada

A vida pela ótica poética  

contra a morte a gente trama, na cama se esparrama

A vida pela ótica poética  

contra a morte a gente trama, na cama se esparrama

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