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Maranduba, 01 de Julho de 2010

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano I - Edição 10

Destaque:

A festa de São Pedro não é mais dos pescadores Notícias:

Moradores da Caçandoquinha participam de Romaria na Bahia Agricultor é atendido com extensão de rede elétrica Crianças se divertem no Sitio Santa Cruz Moradores do Araribá recebem vacina em bairro vizinho Região apresenta maior variação climática Turismo:

Caçandoca: belezas naturais e história num só lugar História de sofrimento, lutas e conquistas no litoral paulista Gente da Nossa História:

Ivo Cursino dos Santos: o homem do pão Cultura:

Aniversários comemorados a moda antiga atraem gerações Música regional: pioneiros que influenciaram uma época História:

A Paz de Iperoig: diplomacia e traição na Terra Tamoia Um breve período de paz antecede a traição Filhos da Ilha rememoram o maior levante do mundo


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Jornal MARANDUBA News

Editorial

Cartas à Redação

Enquanto a Região Sul continua desprezada e relegada a segundo plano, a semente da emancipação começa a germinar nos corações dos moradores e empresários locais. Duas reuniões com secretários municipais foram marcadas e canceladas na última hora, mostrando que realmente os anseios e necessidades da região não têm muita importância para a adminstração municipal. Enquanto isso continuamos a não ver navios, pois os mesmos insistem em passar longe da baía do Mar Virado, se exibindo somente aos expectadores da enseada de Ubatuba, como Itaguá, Cruzeiro e Perequê Açu. Porém o pessoal do centro (que pode ver navios), este ano ficou sem ver a tradicional procissão marítima do padroeiro dos pescadores. Houve apenas uma pequena movimentação de barcos que sairam, manobraram e voltaram para a barra dos pescadores, tudo sob o olhar atento de São Pedro, que do alto do morro da prainha, observava calado, com os olhos fixos talvez na barraca da tainha, ali na praça de eventos. Mas é Copa do Mundo e nós somos brasileiros, e como bons brasileiros, não desistimos nunca. Viva Brasil! Emilio Campi Editor

Comunicado A Comunidade do bairro da Lagoinha através deste precioso meio de comunicação da nossa região, avisa que do dia 08 de Julho até 13 de agosto não haverá atendimento na associação de bairro do SALAN (Salão da Mia) e na Igreja Católica, devido férias de alguns funcionários do PSF Lagoinha. Entretanto, estaremos à disposição da comunidade no Posto Maranduba. Enfermeira Marcia e equipe Lagoinha O canto e a dança do Tangará Dependentes do humor e das inspirações platônicas dos burocratas e pseudo-ecos, certamente vindas das observações (pela janela lacrada) do transito caótico das marginais e pelo forte fedor exalado dos rios (Pinheiros e Tietê) ficamos aguardando, passivamente, quais as (novas) condições que nos darão, para que possamos viver nas áreas que determinam como de restrições ambientais e de “preservação”. Quais são as alternativas econômicas sustentáveis, que as restrições ambientais impostas nos propõem? Estas alternativas são “rentáveis”? São rentáveis e suficientes para proporcionar uma vida digna a nossa crescente e carente população? Claro que não! É muito fácil (longe da nossa realidade) ditar leis e normas para cumprirmos.

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3843.1262 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: quinzenal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos, Uesles Rodrigues, Camilo de Lellis Santos, Denis Ronaldo e Fernando Pedreira Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Aqui, as restrições ambientais que normatizam a ocupação dos espaços e as atividades humanas, são muito pertinentes, porém, não prevêem o mais importante: A adequação realística, para atender a demanda do crescimento populacional migratório (recorde brasileiro), o vegetativo e, o mais pernicioso vilão, responsável pelo fomento dos recordes migratórios, o destramelado, sazonal e, imprevisível, veraneio. Para se obedecer a restrições legais de ocupação de um determinado espaço é preciso que haja limites quantitativos de suas populações; sem contar, com as determinantes da capacidade ambiental deste espaço de suportar tais, quantas e, quais “populações”. Creio que estas poucas considerações são mais do que suficientes para esclarecer e, convencer, que necessitamos voltar e fixar o rumo para a nossa verdadeira vocação. Preservar, manter e defender o nosso meio ambiente é questão de sobrevivência. O nosso meio ambiente é o nosso sustento. É também, o nosso único capital econômico. Quem quiser ter o nosso, como seu (também), que assuma, como nós, todos os ônus intrínsecos a esta postura. Chega de poesia e, de cortesias com os nossos chapéus. Chega de nos usarem para justificarem seus empregos. Oras bolas. Vão catar carrapatos na Ilha Anchieta! Ronaldo Dias Ubatuba, SP

Erramos: Na edição n° 08 página 08, na matéria da Praia da Tabatinga, lê-se “vestígios do que seria um armazém ainda do século XIV”, corrigindo a data é dos séculos XVII e XVIII. Na edição 09 pagina 08, na matéria da Confederação dos Tamoios, lê-se no segundo parágrafo a data “25 de janeiro de 1954”, corrigindo a data é 25 de janeiro de 1554. JORNAL

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Tradicional Festa de São Pedro Pescador valoriza a cultura caiçara EZEQUIEL DOS SANTOS

No último dia 25, na praça de eventos da Avenida Iperoig, centro da cidade, aconteceu a 87º Festa de São Pedro Pescador, que atraiu um maior número de visitantes, até mesmo por conta do feriado e dos jogos da copa do mundo. O evento que foi até o dia 29, terça-feira, dia do santo, apresentou muitas atrações culturais. Dentre elas a apresentação das bandas Demônios da Garoa, Rastapé, grupo Samba e Ousadia, grupo Naco e Daniel & Banda, grupo Baque do Vale, grupo Anti Danos, grupo Razambu Jazz , grupo Nó na Cabeça, Juventude do Samba e Sertanejo Local. As atrações tradicionais também foram destaque, quem foi ao evento pode ver corridas de canoas, Rainha dos Pescadores, grupo de Dança da Fita do bairro do Itaguá, as belas músicas de Luiz Pereque e Sexteto Caiçara.

Não faltou foi a famosa tainha na brasa, acompanhada com arroz, maionese e farofa. Infelizmente este ano não aconteceu a tão esperada procissão terrestre e marítima do santo padroeiro dos pescadores. Até o fechamento desta edição não tínhamos a informação oficial do motivo pelo qual a procissão não ter ocorrido, mas boatos apontam que se deve ao descontentamento dos pescadores por não terem tido oportunidade de explorar a barraca das tainhas, cedida este ano a Santa Casa (vide matéria abaixo). Para quem perdeu o espetáculo desta festa tradicional, basta aguardar para o próximo ano, enquanto isto pode ir namorando as fotos e informações sobre um evento que tem ligação direta com a formação do povo do litoral e quem tem muito valor histórico, já que foi aqui que se deu os primeiros passos para formação de nosso país.

A procissão marítima, um dos pontos altos da festa, não aconteceu este ano

A festa de São Pedro não é mais dos pescadores CARMEN GRAMMONT

Numa atitude arbitrária, a Prefeitura quebrou uma tradição de oitenta e seis anos Os pescadores de Ubatuba (SP) estão revoltados com a decisão da Prefeitura que, num gesto ditatorial, tirou deles a Festa de São Pedro Pescador, para destinar os míseros recursos para a Santa Casa. Eles não acreditam que a arrecadação da festa faça qualquer diferença nas finanças do hospital, cuja dívida ultrapassa os vinte e cinco milhões de reais. De acordo com o presidente da Colônia Z-10, Maurici Romeu da Silva, o problema da Santa Casa foi a má administração que levou a instituição ao caos. Em assembléia, na última segunda-feira, os pescadores se

posicionaram contra a participação da categoria na procissão e, em passeata, seguiram até a Prefeitura, onde foram recebidos pelo vice-prefeito, Rui Teixeira Leite. A deputada estadual, Ana do Carmo esteve presente no ato e participou de todas as atividades dos pescadores, no decorrer do dia, incluindo uma conversa com o presidente da Fundart, Pedro Paulo Pinto. A justiça deu parecer desfavorável aos pescadores, que tentaram uma liminar para reverter a situação. A decisão saiu dois dias antes do início da festa, o que impossibilitou o recurso em segunda instância. Mas, eles não desistem e já estudam a possibilidade de se fazer outra festa para a categoria, ou na primeira quinzena de julho, ou no mês de setembro. “Depois

de 86 anos passando por várias administrações, nunca os pescadores sofreram tal afronta. Mas vamos ter a nossa festa e, desta vez, tomaremos as devidas providências. Vamos patenteá-la e a Santa Casa já está convidada a participar”, desabafou Maurici. O presidente da Colônia disse ainda, que a Prefeitura se equivoca ao desvalorizar os serviços da entidade. “Afinal, a importância da Colônia está na intermediação, zelando pelo bom funcionamento da política pública entre governo e sociedade, viabilizando benefícios, direitos, deveres e obrigações de todos os pescadores com a Prefeitura, Ministério da Pesca, INSS, Marinha do Brasil, Banco do Brasil, Receita Federal, Ministério do Trabalho, IBAMA, Secretaria

Barraca da tainha assada, explorada pela Santa Casa de Agricultura e Abastecimento Para o representante dos pese do Meio Ambiente do Estado cadores, tirar dinheiro da Colônia de São Paulo. A causa é muito e investir na Santa Casa é “desnobre para ser entendida como vestir um santo para vestir outro e alvo de perseguições e picui- depois, em que ajudariam alguns nhas. Infelizmente, o Executivo reais para quem tem um saco sem desta cidade não pensa assim, fundo e uma dívida tão alta?”. porque não sabe conviver com Maurici ainda levanta uma dúvida: a adversidade, nem respeitar a “Será que a totalidade arrecadada instituição democrática e de di- na festa chegará à Santa Casa, ou reito”, concluiu Maurici. a barraca será terceirizada”?


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Moradores da Caçandoquinha participam de Romaria na Bahia

Dep. Federal Luiz Alberto-PT da Bahia, vice-prefeito Hildebrando de Bom Jesus da Lapa, Mário Gabriel do Quilombo Caçandoquinha, Luiz Eduardo Chagas Barreto do INCRA da Bahia. No evento o deputado Luiz Alberto fez duras criticas a aprovação do estatuto da igualdade racial e disse que lutarão para que o presidente Lula vete a aprovação do estatuto.

O vice-prefeito de Bom Jesus da Lapa Sr. Hildebrando, Maria Bernadete Lopes ex-diretora de Patrimônio da Fundação Cultural Palmares Mário Gabriel presidente, o Antunes Tesoureiro, Neide vice-presidente, Nailton diretor financeiro, Maria Gabriel conselheira, Zenaide advogada.

Nos dias 18 e 19 últimos, a comunidade de Quilombo Caçandoquinha estive na II Romaria Quilombola em Bom Jesus da Lapa na Bahia. Caçandoquinha participou com sete representantes, que ficaram deslumbrados com a beleza do local. Parte do evento foi na comunidade de Araça-Cariacá, com danças típicas e troca de experiências com outras comunidades. Recebidos pelas autoridades locais, moradores ficaram impressionados com o tratamento recebido. “O vice-prefeito ficou nos aguardando na entrada da cidade, e nos guiou pela cidade”, disse Neide Antunes de Sá vice-presidente do Quilombo Caçandoquinha. O Presidente da Associação, Mário Gabriel do Prado, participou das palestras e exposições com as autoridades como o Vice-Prefeito Hilde-

brando de Bom Jesus da Lapa, o Dep. Federal Luiz Alberto, do INCRA da Bahia Luiz Eduardo Chagas Barreto e a ex-diretora de Patrimônio de Fundação Cultural Palmares Maria Bernadete Lopes. A primeira I Romaria Quilombola, em Bom Jesus da Lapa, versão não oficial, se deu 13 de Junho de 1888, um mês após a assinatura da Lei Áurea. Nessa ocasião, os negros se juntaram em grupos e vieram em Romaria para gruta do Senhor Bom Jesus da Lapa, e chamavam-no de lemebe-furame, ofertava moedas como forma de celebração a esta liberdade. Algumas moedas não tinham mais valor, já haviam saído de circulação, no entanto contritos reverentes depositaram aos pés do altar do grande senhor a pouca valia de seu dinheiro, porém de muito reconhecimento e humildade.

Por esse motivo, de acordo com professor Antonio Barbosa em seu “Livro Bom Jesus da Lapa”, escrito baseado em resenha histórica de Monsenhor Turíbio Vila Nova, construiu um sino, que simboliza o sen-

timento de liberdade para os negros, segundo o Professor Antonio acreditava que, queria Monsenhor Tiribio por certo eternizar o gesto de grandeza de milhares de negros, os quais durante a escravidão suaram e verteram seu próprio sangue na labuta diária, na lavoura, na cozinha, no engenho, no pastoreio de gado na tabua de roupa, perdendo noites de sono para velar os filhos de seus senhores, nas estradas com chuva, na escu-

ridão da noite ou sobre o rigor do sol, quando não submetidos a cruéis castigos físicos, no tronco, no chicote, na peia, alguns queimados com ferro. Por isso, quando toca-se o sino, ecoa a voz do povo liberto. Sino este que ira fazer parte da II Romaria Quilombola, ecoando novamente o grito de liberdade. O evento teve como enfoque a cidadania, historicidade, fortalecimento, políticas públicos e direitos das comunidades tradicionais.

Agricultor é atendido com extensão de rede elétrica EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 17, o agricultor Adenildo Domingos da Maranduba foi atendido com a implantação de rede de energia elétrica em sua propriedade. A obra vai atender três propriedades e é do Programa Luz Para Todos solicitado em Abril. O agricultor atendido participa de um programa do CNPq realizado pela Agencia Paulista de Tecnologia do Agronegócio-APTA em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral-CATI. Considerada a segun-

da maior na região, a obra só perde para a realizada no bairro da Caçandoca. A solicitação foi realizada através do gabinete do vereador Rogério Frediani ao programa federal, que só na região atendeu 200 famílias. “Falta muito ainda para atender e estamos trabalhando para alcançar a demanda”, comenta Frediani. Segundo o agricultor, sua felicidade é poder dar continuidade as suas atividades. “Dá para melhorar muito a produção, veio em boa hora”, termina Adenildo.


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Crianças se divertem no Sitio Santa Cruz

No último sábado, 19, 130 crianças das comunidades da Praia Dura, Araribá, Tabatinga, Sertão da Quina, Fortaleza e Lagoinha participaram de dia de recreação e espiritualidade. O evento é parte da programação anual da Paróquia Nossa Senhora das Graças que tem trabalhado de forma diferente a catequese paroquial.

Participaram ainda os catequistas: Edite Vieira, Natalina Marcolino, Marlene Amorim, Cleuza Cardoso, Aparecida Adolfo, Maria de Fátima e Claudia Amaro. Interessante e divertido foram as encenações apresentadas pelos grupos de crianças sobre os temas das parábolas. O lanche foi de forma comunitária e agradou a todos.

O evento foi supervisionado pelo padre Inocêncio Xavier e pelo seminarista Carlos Eduardo - Kadú. A comunidade e os membros da catequese agradecem ao Sr. Roberto Cupaiolo pelo espaço cedido para o evento e aos funcionários do Sítio Santa Cruz que atenderam bem a todos.

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Moradores do Araribá recebem vacina em bairro vizinho

No último dia 16, grupos de moradores do bairro do Araribá se deslocaram em pequenos grupos para o posto de saúde do Sertão da Quina para receberem a vacina da gripe H1N1. O deslocamento se deu pela falta de informação sobre a existência ou não da vacina no Araribá. Neste dia cerca, os primeiros dez moradores reclamaram que foram avisados as 10:30 hs. de que a vacina seria aplicada no bairro vizinho e acabaria as 11 horas da manha. Após serem atendidos no OS Sertão da Quina, populares voltaram a tarde do mesmo dia no Araribá para saber se haveria vacinação no dia seguinte e não obtiveram resposta. “Por que a vacina do Araribá não foi aplicada no posto do

Araribá? Por que fomos encaminhados ao posto do Sertão da Quina? Por que o nosso posto não tem telefone? Por que faltam critérios para as coisas, para os procedimentos?”, reclama o morador José Amorim, 49, que completa sua indignação ressaltando o abandono em que o bairro se encontra. Para Amorim, parece ser uma questão pequena, porém sempre há o descaso com os moradores da localidade e isto causa um sentimento de revolta. O bairro do Araribá foi um dos mais importantes exportadores de gengibre do Brasil, teve ainda um importante produto a base de cana, que é o Néctar Araribá e foi importante produtor de banana e café, além de manter os laços familiares e da cultura da formação do país.

Região apresenta maior variação climática Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Esalq, da Universidade de São Paulo, USP, avaliou o impacto das variações climáticas sobre a agricultura. O engenheiro agrícola Gabriel Constantino Blain, relacionou as chuvas e as temperaturas máximas e mínimas do Estado de São Paulo, nos últimos sessenta anos. “O melhor conhecimento da probabilidade de ocorrência de valores de temperatura do ar e precipitação pluvial bem como de possíveis tendências e variações

climáticas presentes nessas séries meteorológicas ajuda a reduzir os efeitos adversos do clima na produção agrícola”, explicou o pesquisador. O grau de urbanização apresentou grande influência, segundo as conclusões do engenheiro. “De forma geral, as análises estatísticas utilizadas no trabalho indicam marcante influência de fatores de escala local, tais como o elevado grau de urbanização ocorrido no Estado”. Essas alterações foram mais severas em Campinas, Cordeirópolis,

Ribeirão Preto e, especialmente, Ubatuba. No entanto, em todas as localidades as temperaturas observadas ao longo do mês de abril apresentam data inicial de elevação no início da década de 1980″, disse. As costas Leste e Oeste da região Sul do continente sul americano, na região de Ubatuba, apontaram os maiores indícios de elevação na temperatura do ar. Foram mapeadas também as temperaturas em Piracicaba, Jundiaí, Mococa, Pindorama e Monte Alegre do Sul.


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A Paz de Iperoig: diplomacia e traição na Terra Tamoia EZEQUIEL DOS SANTOS

As negociações aconteceram ainda no Brasil nascente. Os portugueses estavam sendo ameaçados. A Confederação dos Tamoios estavam fortalecendo alianças. Após o susto em Piratininga, Nóbrega e Anchieta resolveram agir. Os jesuítas partem de Bertioga rumo à aldeia do cacique tamoio Coaquira, em Iperoig. Em 5 de Maio de 1563 Anchieta e Nóbrega chegaram à Aldeia de Iperoig. Lá chegando, foram rodeados de canoas e deram de cara com Coaquira e Pindabuçu. Os jesuítas ouviram um rosário de queixas dos tamoios e eles propõem um acordo de paz. Coaquira hospedou os embaixadores na Aldeia, que foi o sitio das negociações. Tudo parecia ir bem quando Aimberé, considerado por Anchieta o mais cruel, se posicionou contra a paz com os colonizadores. A primeira assembléia da Confederação foi tumultuada, havia muitas queixas contra os portugueses: atrocidades, traições, incêndios, intrigas, capturas dos índios tratados a fogo e a ferro. Aimberé, bravo e de voz alta pediu: “A liberdade de todos os Tamoio (“Tamuya” quer dizer “o avô, o mais velho, o mais antigo”, por isso essa Confederação de chefes chamou-se Confederação dos Tamuya, que os portugueses transformaram em Confederação dos Tamoios) escravizados e a entrega dos caciques que se uniram ao inimigo “peró”). Anchieta se pos contra e Aimberé o ameaçou com seu “tacape”. Tumultuada a sessão, nenhum acordo havia sido fechado. Aimberé tinha razões de sobra para não confiar nos portugueses, pois eles

Ganhar a confiança dos índios era primordial para o acordo

o tinham aprisionado junto a seu pai, também a sua mulher que foi feita escrava. Tudo isto se agravava, uma vez que Anchieta traiu um segredo de confissão ao revelar o plano de ataque dos índios a Piratininga (São Paulo), plano este confesso por Tibiriçá, contado por seu sobrinho Jogoanhara, filho de Araraí. Jogoanhara havia visitado o tio Tibiriçá e havia lhe entregue a noticia dos Confederados, através de Aimberé, que queriam a volta de Tibiriçá a seu antigo povo, com isto contou ao tio que no prazo de três luas haveria um conflito, um ataque aos portugueses. Sem paz consigo mesmo, Tibiriçá procurou o jesuíta para se confessar, lá contou da visita do sobrinho e do conflito futuro. Temendo assim perder o apostolado e a vida, Anchieta viola o segredo de confessionário. Nóbrega, com os nervos a flor da pele, propõe uma

nova assembléia. Os índios estavam divididos, uns eram a favor da paz, outros queriam a guerra começando pela morte dos padres. Enquanto o desfecho para a segunda assembléia não saía, o Padre (abaré) José de Anchieta, num ambiente tenso e com uma guerra iminente escreve, pedindo proteção, nas areias da praia de Iperoig, o poema a Virgem Maria, que compunha sentimentos e superstições, costumes e perfis indígenas descritos na composição de 5.902 versos ( de Beata Virgine Dei Mater Maria). Iniciaram-se os entendimentos, mas os índios, cautelosos e desconfiados, exigiam provas concretas de sinceridade por parte dos padres. Vale lembrar que como fator agravante da situação já por si só delicada, alguns franceses foram inseridos na vida tribal e na decisão do possível acordo. Os Confederados,

povo de muitas armas e astúcias por excelência, eram dez mil arcos com que passou o francês a contar sobre os próprios recursos, que já seriam suficientes para enfrentar os portugueses em qualquer emergência. Até então, nunca haviam sido razoáveis sequer as relações entre portugueses e tamoios. Por isso o acordo era tão importante. O Padre Manoel da Nóbrega era dotado de extraordinária visão política. Sabia ele e com fundadas razões que o índio insistiria no ataque. Refeito do sofrimento, reaparelhado nos seus petrechos de guerra - o índio voltaria, para a desforra. E o faria sucessivamente, cada vez com mais raiva até que levasse o desânimo ao bloco civilizado. Era da natureza do índio defender suas terras e suas tribos, já que não temia a morte. Sobre isso não mantinha ilusões o Padre Manoel da Nóbrega. Que fazer, no entanto? Noites intermináveis

No cativeiro, Anchieta escreve seu poema nas areias de Iperoig História do Brasil, ed. Folha de São Paulo, 1997, S.Paulo/SP (reprodução de Vida Ilustrada do Padre Anchieta, padre Frota Gentil, Rio de Janeiro/RJ)

de ansiedade e insônia povoavam de trágicas visões a mente do genial jesuíta, responsável, perante Deus e perante o Rei. De repente, teve uma fantástica idéia, porque não tentar a paz. Pesou-lhe os prós e os contras. Amadurecida a idéia, despertou José de Anchieta, seu. Aprovado pelo discípulo o plano do mestre, puseram-se os dois a caminho de São Vicente, como já relatado no inicio deste texto. Empenhados sempre estiveram na luta em prol da preservação da unidade da pátria em formação, assim como os dizeres em latim do brasão de Ubatuba: Manteve a Unidade da Fé e da Pátria. A segunda assembléia não foi fácil, Nóbrega e Anchieta ouviram muitas reclamações. Anchieta, em tom alto e calmo, falou da necessidade da paz e toda a Confederação o ouviu atentamente. Anchieta dizia que realmente os Tamoios eram os donos da terra e que os portugueses, aos faltarem com a lei de Deus, as condições do Tratado seriam punidos. Falou ainda de que todos teriam que trabalhar como irmãos, os “perós” fariam escolas e ajudá-los com os doentes e os índios poderiam plantar e caçar. Aimberé, ainda desconfiado continuava a exigir a libertação dos cativos e a entrega dos traidores como Tibiriçá e Caiuby. A fala deste Chefe recebeu apoio de todos, que deixaram os padres sem saber o que fazer. Para ganhar tempo, Anchieta concorda e diz que teriam de consultar o Governador e para que isso se confirmasse, Nóbrega regressaria a São Vicente, levando Cunhambebe, enquanto Anchieta permaneceu em Iperoig como refém.


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Um breve período de paz antecede a traição As condições foram impostas por Aimberé, desconfiado das intenções portuguesas. Cunhambebe resolve partir para São Vicente acompanhado de Nóbrega para certificar-se do cumprimento das reivindicações feitas. Anchieta como refém cativa a todos passando a celebrar missas diárias ensinando hinos em tupi às crianças. Os índios se impressionavam, pois os pássaros, pousavam no ombro do sacerdote. Uma conversa foi reproduzida por Antonio Torres, quando cativos e temendo sobre suas vidas entre os Tamoio. Nóbrega havia aceitado as condições impostas pelos índios como um modo de atrasar a ação de ambas as partes. Nestas negociações Pindabuçu chegou com fome de matar os padres, que fugiram para uma igreja de palha. O líder indígena e Anchieta por alguns minutos se olharam. O beato tocou nos ombros do chefe e lembrou-o das glórias da tribo e que estavam ali para negociar a paz e não promover mais sangue e que ambos deveriam ter gestos nobres ante o que acontecia. Pindabuçu cede ao apelo de Anchieta. Aimberé retorna para Uruçumirim, lá sua filha Potira havia dado a luz a seu neto. Ele aproveitou para consultar alguns franceses sobre a proposta dos padres. Na volta a Iperoig, Aimberé está à frente de 40 canoas com alguns franceses a bordo. Araraí, da tribo dos Guaianases, próximo do colégio dos jesuítas em Piratininga, queria a continuidade da guerra. Ouros chefes também queriam a guerra, mas também queriam viver, mas

Os dois lados comemoraram o tratado, porém a paz durou pouco: os índios foram traídos.

com a garantia de serem respeitados em suas terras. Aimberé se mostrou compreensivo e entendeu a necessidade da viagem e decide partir junto. Ele enfrentou com bravura as negociações em São Vicente e em Piratininga. Suas conclusões fizeram os brancos a ceder aos pedidos e em troca, isto é, para selar o acordo de paz, queriam a volta do jesuíta que tinha ficado em Iperoig. Aimberé desconfia dos “pêros”, discussões acalorados transformam as negociações em caos. O jesuíta Luiz de Grã intervém e sugere que um dos padres fosse a Piratininga e outro continuasse em Iperoig até que todas as partes se entendam. Desta forma Manuel da Nóbrega foi escolhido para a última etapa de negociações. Para Piratininga, Aimberé levou seu jovem cunhado Parabuçu e um chefe Aimoré muito respeitado, Araken. A falta de noticias deixaram os confederados agitados em Iperoig, aumentando as hostilidades entre os Tamoio e o jesuíta, que não foram

mortos por intervenção de Cunhambebe e Coaquira. Nóbrega foi então levado para o centro das negociações. De São Vicente desembarcou em Bertioga (Buriquioca), de lá foi a Piratininga. Nóbrega que estava doente se recuperou e selou o acordo de paz entre Aimberé e as autoridades portuguesas. Diante do acordo as autoridades portuguesas mandaram expedições de soldados às fazendas para libertar os cativos, todos acompanhados por Aimberé. Na realidade Aimberé estava à procura do amor de sua vida, a jovem Iguaçu, que não foi encontrada na fazenda de Eliodoro Eoban. Triste e desconsolado Aimberé retorna a Iperoig, lá viu obras realizadas por Anchieta como agricultura, pecuária, alimentação. Com isto ganhou respeito da tribo de Coaquira. De volta a sua aldeia, Aimberé é recebido com festa, mas festa mesmo foi quando descobriu que Potira o aguardava, ela havia sido resgatada por seus amigos, capturando seus raptores, antes que ele

tivesse chegado à fazenda de Eliodoro. Anchieta volta a São Vicente com a escolta de nada mais nada menos que Cunhambebe, chefe da Confederação mais famosa das Américas. Cunhambebe mandou soltar todos os cativos nas aldeias e retornando a sua aldeia fez um balanço positivo do Tratado da Paz de Iperoig, em 14 de setembro de 1563. Um breve período de paz aconteceu após a “assinatura” do tratado. Tudo que é bom dura pouco e um ano depois das negociações os portugueses romperam o acordo, voltando a sujeitar os índios capturados a trabalhos escravos, com isto a guerra começou onde tinha acabado um ano antes, em Iperoig. Lá houve a invasão das duas aldeias de Coaquira, que foi morto. Depois destruíram as de Araraí. Os portugueses não só escravizavam para os engenhos, mas também para as expedições de ouro. Anchieta por determinação da Coroa muda seus interesses, e inflama o governador

geral do Brasil, Men de Sá na sua empreitada de retomar seus interesses patrimoniais. O governador cria o Comando das Operações de Extermínio dos Confederados, de forma a liquidar o poder que os índios haviam conquistados de forma diplomática. No dia 8 de janeiro de 1567, com o reforço de três galeões vindos de Portugal e dois navios de guerra bem armados, Men de Sá dá inicio a chacina. A matança foi encerrada no dia 20 de janeiro do mesmo ano, dando por fim a cruzada contra os índios. Ao que se sabe, os Tamoio nunca cederam à quebra do tratado, mantiveram-se fiéis ao que tinha sido acordado com os “pêros” e aos “mairs” - franceses que mantinham um melhor relacionamento com os índios do litoral. Men de Sá, que solicitou a intervenção de um tratado, agora massacrou os índios que a muito tempo foram considerados os “Filhos da Terra”, que eram homens destemidos, indomáveis na guerra, mas de palavra, sensíveis às negociações, compreensivos no trato dos acordos. O massacre é pouco divulgado, mas quem procura saber da história descobre a traição dos “pêros”. O Tratado de Paz passou a figurar na História do Brasil como a “Paz de Iperoig”, o primeiro tratado de Paz das Américas e o primeiro trabalho de acordo concluídos em terras americanas, que assim pode ser entendida na iniciativa de seu destino histórico: marco inicial da generosa política brasileira de resolver pendências através de tratados, na mesa, no caso especifico - na Óca das conferências.


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Caçandoca: belezas naturais e história num só lugar EZEQUIEL DOS SANTOS

Partindo da Rodovia Manoel Hipólito (SP- 55), na Maranduba, num trecho de três quilômetros em direção a barra do rio Maranduba, o visitante deve saber que a estrada em seu início era parte do trecho da rodovia que ligava Caraguatatuba a Ubatuba, havia uma ponte de madeira e antes dela o Hotel Picaré, o primeiro da região. À frente temos belas imagens do rio que encontra o mar, lá vemos pescadores realizando a manutenção de seus barcos, lanchas e por vezes algum peixe pulando sobre as águas. Vemos ainda muitos pescadores de final de semana, num relaxante encontro com a natureza. Antes da subida, existem casas dos descentes de Francisco Lopes de Araújo, mais conhecido como Chico Romão, patrimônio da localidade. Seguindo o trecho temos o cemitério da Caçandoca, lá estão sepultados os descobridores de toda a região. O cemitério é considerado um dos mais antigos do litoral norte paulista, mas o Sr. Fidencio Zacarias, 103, nos revela que aquele ainda é novo, segundo ele um pouco mais acima já existia outro cemitério, que depois foi mudado para o atual. Um pouco mais acima temos a visão de toda a baía da Maranduba, lá podemos ver as ilhas, as praias e toda a enseada. O local poderia ser feito um belvedere, ponto de parada obrigatório para fotos e descanso. A imagem que se tem do lugar é tão bela que parece ser possível tocar com o dedo em toda sua extensão. Não, não estamos falando de nenhum roteiro de produção cinematográfica ou documentária, trata-se apenas da beleza nua e crua da região.

A frente, antes da entrada da Praia do Pulso, temos uma construção que parece um castelo medieval europeu, é patrimônio da Sunrise Holmes e não é aberto a visitação, entre a guarita do pulso e o castelo existe uma trilha, que foi mudada por conta das obras. Da trilha é possível avistar a ilha Anchieta, a do Mar Virado a do Tamerão, o mar de fora, como dizem os pescadores e abaixo a praia do Pulso, muito bem guardada por vigilantes particulares. Possível ver ainda a fazenda de mexilhão do Sr. Antonio Antunes. Voltando a estrada descobrimos um pequena bica para abastecer os cantis. A frente é possível ver o que foi uma pedreira, usada para abrir a estrada. A vegetação ainda vislumbra os observadores de pássaros e da flora, bromélias e caraguatás se fazem presentes em todo o trecho. Onde a especulação imobiliária não deformou a mata, pode-se diferenciar o tipo de floresta e toda a biodiversidade nela existente. Por entre as laterais da estrada podemos ver trilhas, que outrora foram de caça e estradas da praia aos sertões que seguem mato adentro, utilizadas hoje pelos funcionários da Sucen. Supersticiosos dizem que ouvem os gritos dos escravos que lá trabalhavam. Na descida já é possível ver algumas casas e uma outra estrada à direita, passando pela sede da ARCQC (Associação dos Remanescentes da Comunidade do Quilombo da Caçandoca). Atrás da sede, no rio que deságua no mar, um poço de meia profundidade atrai a todos para um relaxante mergulho. As trilhas lá existentes nos levam as casas por entre a mata, muitas destas têm origem ainda

Vista de parte da baia da Maranduba a partir do mirante existente na estrada da Caçandoca

no auge da fazenda e esconde muitas histórias e mistérios. A floresta para as comunidades negras, indígenas e tradicionais é considerada extensão de seu corpo, as pessoas se sentem mais humanas, mas próximas de suas divindades e mais preparadas para a vida, além de manterem seu elo com o passado e aprendizado para o futuro, mantendo reciclado seu etnoconhecimento, é um caso de paixão natural. O local já foi visitado por várias autoridades federais, estadual e municipal. A continuidade do trecho parece ser de fazenda do interior, a frente se dá o encontro da praia que tem o nome da fazenda. Em seu canto esquerdo, canto bravo, o turista pode ver uma loja de artesanatos locais: palha, fibra de bananeiras, conchas, madeira, indispensável é a bica de água doce próximo a lojinha. No final do trecho, a praia, no seu canto esquerdo o final da trilha por quem desceu entre a guarita do Pulso e do castelo, lá também tem uma bica de água puríssima da serra. Os quiosques oferecem os mais variados pratos de praia, também é possível realizar passeios de banana boat, barcos de pesca, caiaques. As

árvores a beira mar oferecem sombra. O balé das ondas é espetacular, a água por vezes quente, por vezes mais fria não deixa de oferecer um relaxante descanso para o corpo e para alma. A frente, do lado direito da praia uma capela construída pelos descendentes dos quilombolas. Atrás da capela, voltando existe uma unidade escolar, em seguida a esquerda um acesso que vai em direção a mata, lá está a sede da Associação dos Remanescentes do Quilombo da Caçandoquinha, Raposa, Saco das Bananas e Frade. Mais a frente, na praia, avistamos a barra do rio, que oferece descanso e divertimento principalmente as crianças. No entorno, entre as árvores, lugar propicio para um cochilo e descanso, estas arvores parecem que foram plantadas de propósito, assemelham-se a enormes guarda-sóis que nos abrigam do sol forte e do vento. A pedra do outro lado da barra do rio nos leva a praia da Caçandoquinha e continuando a trilha chegamos a Tabatinga, divisa com o município de Caraguatatuba. No meio, entre a praia e a estrada é possível avistar ninhos de coruja e outras aves. Mas

de onde veio nome Caçandoca (com dois “s” ou com “ç”), segundo estudiosos, apesar de ter relacionamento a palavra casa, devido ao sufixo “oca” (casa em tupi-guarani), significa “gabão do mato” numa referencia ao país do centro-oeste africano, o Gabão. No caso da Caçandoca, a comunidade limpa e preserva para que o visitante tenha um lugar mais agradável, o lugar não possui coleta de lixo, os moradores é quem fazem o serviço. Agora você conhece mais um ponto de visitação deste paraíso, cuide bem deste patrimônio e não deixe lixo no lugar. Paraíso não combina com desrespeito e sujeira.

Artesanato em palha disponível na lojinha na praia da Caçandoca. Ao fundo, quiosque oferece deliciosos petiscos a beira mar.

Fotos: Emilio Campi


01 Julho 2010

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História de sofrimento, lutas e conquistas no litoral paulista EZEQUIEL DOS SANTOS

A escravidão dos negros no Brasil, durou mais de 300 anos. Durante este período houve resistência, os que fugiam formavam os mocambos ou quilombos como são mais conhecidos. A escravidão só teve fim no ano de 1888, mas muito tempo antes os negros já lutavam por sua liberdade. Depois da fuga foi preciso aprender a viver em comunidade na mata desconhecida, enfrentar diversas expedições de recaptura e morte de negros. A luta foi árdua, mas foi vencida, é esta a parte da história e da herança passada de pai para filho, netos e bisnetos, a história dos remanescentes de quilombos, como é no caso da antiga Fazenda Caçandoca. Ao que se sabe Carlos Grace, um londrino branquelo chegou a estas paragens em 1818. O imigrante teve como ocupação inicial ser lavrador proprietário desta fazenda e consta em arquivos que teve terras adquiridas na 2ª. Companhia das Ordenanças que englobava os bairros das Toninhas, Ilha dos Porcos, Flamengo, Fortaleza, Lagoinha Cassandoca (isto mesmo com dois “s”, assim que se escrevia na época), Ribeira, Rio das Ostras e Brejahimirinduba. O crescimento da mão de obra escrava aumentou a partir de 1830 e em 1836, dos quatro maiores senhores de escravos da vila de Ubatuba, três eram imigrantes. Embora a tentativa de extinguir a escravidão fosse através da Lei Euzébio de Queiroz em 1850, percebe-se que antes disso (1833-34) as autoridades do Governo de São Paulo já determinavam severas ordens contra o trafico negreiro. Mesmo assim o comércio clandestino continuou estendendo-se por muito tempo depois. Os

O belo cenário da Caçandoca encobre muito sofrimento e trabalho árduo dos escravos

negros desembarcavam nas praias afastadas do centro da vila, uma delas foi a Cassandoca (com dois “s”). Lugares propícios para subir com os negros por entre a mata até o planalto, na região sul existem ainda dois caminhos originais ainda deste período. O que sabemos é que tudo começou com os tataravós dos remanescentes do quilombo que lá existe, por volta de 1855 onde estes primeiros construíram a fazenda com suor, sangue e lágrimas sobre os olhares do Senhor José Antunes de Sá. A fazenda tinha uma casa sede e um engenho, sendo dividida em três núcleos administrativos, cada um administrado por um filho de José Antunes: Isídio, Marcolino e Simphonio Antunes de Sá. Isidio era o mais temido e carrasco dos filhos. Certa vez, na Praia da Lagoinha Isidio viu os negros da fazenda Bom Descanso passarem a rede como era de costume, capturaram uma quantia considerável de peixes, então Isidio or-

denou que um dos escravos o desse alguns pescados, que foi negado pelo escravo, os peixes seriam para o nosso senhor, se referiam ao Capitão Romualdo, dono da fazenda na Lagoinha. Irritado, pois nunca havia sido contrariado, foi até o capitão para lhe oferecer rios de dinheiro pelos escravos pescadores, o que também foi negado. Furioso voltou à praia e disse aos negros que a sorte era o Capitão Romualdo, pois desejava levá-los a Cassandoca para matar a todos. Os filhos de José Antunes tiveram vários filhos bastardos, além dos legítimos filhos, de casamentos com mulheres brancas. Com o falecimento do pai em 1881, o filho Izidio Antunes de Sá casou-se com uma escrava de nome Tomázia e alforriou seus escravos doando a terra, não só na palavra, mas com documentos comprobatórios. A fazenda produzia café e aguardente de cana, ela foi desmembrada no ano da morte do seu feitor, data do primeiro inventário do local. Os ex-escravos

deram origem as famílias que hoje formam o quilombo Caçandoca. O quilombo da Caçandoca foi reconhecido, em laudo antropológico em 2000, mas as atividades são ainda do período militar, onde, por conta da especulação imobiliária e a construção da rodovia federal inflamou a cobiça de poderosos. Muitos invadiram o local de forma violenta e traiçoeira, destruíram a casa de farinha, incendiaram casas, destruíram roças e ruínas, queimaram documentos tentando apagar da memória a história de luta e conquistas. Muitos outros detalhes de covardia merecem ser retratados em filme ou em um livro, já que tamanha covardia não caberia nas páginas deste periódico. Hoje os 890 hectares foram reconhecidos com área dos remanescentes, filhos, netos e bisnetos de quem escreveu esta história com sangue. O quilombo da Caçandoca é mais antigo do litoral norte e encontra-se num dos lugares mais belos do Bra-

sil. Em visita ao quilombo, o ex-governador Geraldo Alckmin se espantou com tanta beleza. “Nunca tinha visto um lugar tão bonito quanto este”, comentou o ex-governador. A cultura caiçara do litoral norte preserva varias tradições africanas, neste universo, a cultura da região só enriqueceu e é proveniente da cultura banto, negros vindos da região centro ocidental do continente africano como Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique. O negro banto era prisioneiro preferido dos traficantes de escravos, já que eles detinham várias técnicas de agricultura, com experiências no cultivo do café e da cana-de-açúcar, caracterizada pelo espírito agrário e religioso que protege e defende a vida humana em todos os sentidos. Na cultura banto, um negro sem a comunidade, transforma-se num ser sem vitalidade, o individuo sempre se afirma a partir da comunidade: “Pertenço, logo sou”. Daí o grande principio da cultura banto: “Eu sou porque vós sois, e porque vós sois, eu sou.” Trata-se da auto-pertencença. Embora existam desentendimentos entre as duas associações que os representam, a história de luta e resistência destas pessoas não limita fronteiras e graças a este espírito de luta que surgiram mais quilombos como a do Cambury, da Fazenda da Caixa e da Casanga, que realmente faziam parte de nossa história. Basta agora o entendimento entre as associações para a aplicação das melhorias a todos e a preservação real e necessária da cultura quilombola na região. Precisamos da vitalidade desta história para continuar existindo como um povo que fez, que faz e fará história neste rico pedaço de chão brasileiro.


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01 Julho 2010

Aniversários comemorados a moda antiga atraem gerações EZEQUIEL DOS SANTOS

Nos dias 05 e 18 de junho, dois aniversários foram destaques na região, não pela data e sim pela forma como foram organizados e desfrutados. A semana que antecedia as festas foi tomada por um imenso movimento, para as preparações não faltou bambu. Ferramentas foram bem utilizadas, enquanto isto na parte mais importante da casa, a cozinha, as pessoas se deliciam no preparo dos quitutes que darão cor e sabor a farta mesa. Os aniversariantes ansiosos se preparam, experimentam a roupa, mas no final escolhem sempre aquela mais confortável, do tipo: Nessa idade me encher de frescura! Quero ir com do jeito que eu gosto!. Foi mais ou menos o movimento que antecedeu os aniversários de casamento de Antonio Pereira dos Santos e Benedita Prado de Oliveira Santos e de vida de Maria Gaspar dos Santos. As festividades foram rodeadas de cuidados e preparação. No Ingá os noivos trocaram alianças na capela do bairro, após a cerimônia

religiosa, já em casa, a mesa posta de delicias com sabor de infância. No Sertão da Quina, os filhos e os netos até se vestiram a caráter, dançaram quadrilhas e tomaram quentão. As festividades têm em comum o fortalecimento da família e a continuidade das tradições caipiras, aquelas que reforçam os laços fraternos. Não faltou foi conversas sobre a família, sobre a comida e sobre os aniversariantes, coisas que eles já fizeram ou coisas engraçadas. Todas as gerações comparecerem em peso, pra ver a festa aos avós, lá se deliciaram com os doces, os bolos e com as conversas. No sertão a dança da quadrilha foi o ponto alto do aniversário. No Ingá os parabéns aos noivos não faltou risos e descontração. As festas reforçam a amizade e a confraternização tão sumida atualmente e o mais importante presente dos aniversariantes não foi nada embalado com fita luminosa e sim a presença dos familiares, amigos e convidados. O homem do campo sabe o

Várias gerações participaram do aniversário de 81 anos de Maria Gaspar dos Santos valor das coisas, por isto as festividades foi um sucesso. A família, os amigos e convidados se sentiram no passado, um não tão distan-

te, aonde todas as gerações participaram do evento, de modo a conviver e aprender as tradições e costumes que compartilham a felicidade e a

descontração, mostrando um outro valor à vida, não aquele mercantilista e egoísta. Quitutes a parte, parabéns a todos e muitos anos de vida.

Fotos: Evair dos Santos Antonio Pereira e Benedita Prado (esquerda e acima) comemoram 50 anos de casamento, marca que Tião Pedro e Maria Gaspar completaram a décadas. Parabéns!


01 Julho 2010

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Música regional: pioneiros que influenciaram uma época AMILTON SOUZA

É com enorme prazer que participo desse jornal, que resgata a origem de toda a nossa região sul e tudo o que realmente há nela, nas linhas abaixo tentarei contar a história musical de uma maneira divertida e informal. Falarei, de forma descontraída, dos “Pioneiros da música” da nossa região, aqueles que iniciaram a vocação musical, que foi e é intensa e rica. Se hoje temos bons (e ruins) músicos, devemos muito aos Pioneiros, que introduziram o primeiro violão, o primeiro baixo, a primeira guitarra, a primeira gaita de fole e etc. Por isso, segundo o “Y-górpe”, temos hoje cerca de 4.000 músicos só no Sertão da Quina (isso quer dizer que tem mais músico aqui do que gente). Quero falar de uma banda, criada no fim dos anos 80 e início dos anos 90, formada com integrantes exclusivamente dessa região - os “Aborígines”. Sua formação original contava o empresário Manoel Miguel de Oliveira, conhecido no meio artístico como Mané Preá (por ser um empresário muito astuto) e com Jair do Prado (assessor de imprensa). A banda assim era formada: João Topete na percussão e bateria, depois, devido à sua carreira “solo”, substituído pelo jovem Isaac Leal, na Guitarra Solo estava Haroldo Oliveira, tendo como influência Mané Custódio e Zéca Pedro (estes últimos ícones caiçaras em solos e arranjos respectivamente), Isaltino Leal nos vocais e Violão e Adílson no Baixo, mais conhecido como “Dilsinho” (demasiadamente conhecido no meio artístico como CABELO DE FOGO), o Maestro da banda, com todo o seu conhecimento musical. Mais tarde, vendo que o gru-

Musicos se reuniam na casa de seus integrantes para ensaiar Folia de Reis, festas, casamentos, missa e rodas de conversa e música.

Em 1956, a segunda geração de musicos com Zeca Pedro (viola), Mané João (banjo) e no pandeiro ainda estamos pesquisando quem é o artista.

po não conseguia acompanhar o seu nível, “Dilsinho” resolveu seguir carreira “solo”, com isto convidou um menino que acompanhava a banda desde o início, Everaldo Prado (filho do lendário “Cara de Onça”). Everaldo era um adolescente na época e compôs a formação definitiva da banda que tocou em diversos bares e festas da região, como o”Bar da Júlia”. A banda participou ainda de vários festivais, tais como o de “Gramado”, o de “Campos”, sendo ambos de futebol. Também tocaram em Laje (rua da). O grupo contava com um belo fã-clube com mais de 5.000 integrantes só no Sertão da Quina, era sem dúvida um “sucesso de crítica”. Infelizmente, hoje em dia, pra nossa história local, esta banda, pioneira em nossa região, serve de influência para todas as outras bandas que surgiram e que surgirão. A banda não existe mais e seus integrantes, apesar de ainda tocarem esporadica-

mente, seguiram carreira em outros ramos e o único que seguiu a vida de músico foi o garoto Everaldo, que hoje, sem sombra de dúvida, assim como este que vos escreve, está entre os “3600 melhores músicos do Sertão da Quina”, graças à oportunidade dada pelo grande Maestro “Dilsinho”, que foi o Pioneiro no baixo em nossa região. Valeu pessoal, gozações à parte, até a próxima, em que pretendo continuar contando a história dos pioneiros musicais da região, além de dicas sobre instrumentos e afins, se Deus quiser. Fui... Amilton Souza - Caiçara da 5ª geração da Família Souza (Paterno) e da Família Santos (Materno),Músico e Professor de contrabaixo e violão licenciado pela IB&T e IV&T em Caraguatatuba e Região, discípulo do Maestro “Dilsinho” e já tocou no Boteco do Povo. amilton-sergio@hotmail.com Cel. (12) 9768-4174

A quarta geração de musicos seguindo os passos de seus antecessores

Integrantes da quinta geração de musicos chegaram a participar de eventos oficiais. A esquerda, o folclorista Nei Martins prestigia os músicos.


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01 Julho 2010

Ivo Cursino dos Santos: o homem do pão EZEQUIEL DOS SANTOS

Natural de Caçapava, interior de São Paulo, nascido aos vinte e seis dias do mês de setembro de 1950, filho de um pipoqueiro, vendedor de algodão doce e bexigas, com oito irmãos dividiam os sofrimentos e alegrias de uma infância pobre. Filho de Geraldo Cursino dos Santos e Maria Joaquina dos Santos até certa idade teve uma infância comum. Quando entrou para o colégio de padres formou-se em teologia, filosofia e sociologia. Rodou o Brasil em colaboração das comunidades pobres, principalmente no nordeste. Adorava o trabalho missionário e as ações humanitárias, coisa que o fazia muito bem. Trabalhou muito tempo com frei Vitório Fantini. Ivo era adepto das coisas simples e naturais, desde a comida que parecia estranha como melancia e caqui com farinha, a fruta era a desculpa para comer farinha, que gostava muito. Gengibre não podia faltar nos pratos doces e salgados. Ivo desde cedo honrou sua formação humana e religiosa, recebeu várias propostas contrárias a sua formação, todas elas apenas para ganhos em dinheiro, não para o trabalho real de evangelização. Gostava de todas as leituras, em seus últimos dias no hospital, leu com a família “Quem Ama Educa” e “ O Segredo do Pai Nosso”. Seu maior dilema era formar e educar. Em 1977 conheceu uma jovem que veio a ser sua esposa, Rosa Sandeski Karnoski, do Paraná, pelo nome já se sabe que tem origem européia. Com Rosa teve duas filhas: Karina e Maribela, a belinha. Pai presente, homem bom, marido compreensivo, quem conheceu Ivo via sempre um

homem calmo e sua marca registrada era o sorriso fácil. Tudo ele dizia: Sim, Sim, Sim! balançando também a cabeça em sinal de positivo. Na ocasião do batizado de Karina, Ivo estava na Bahia em missão, mas quando pode enfim encontrar a filha se derreteu em emoções e deliciosos abraços. Ivo tinha algo diferente. Ele cativava as pessoas antes mesmo de conversar com elas. Suas palavras suavam doce e seu jeito calmo também acalmava o ambiente.

Pronto a atender as pessoas foi ele quem conduziu o padre Sérgio Lucio quando veio assumir a paróquia, parou o que estava fazendo e o levou até a Matriz. Ivo adora plantas e flores, era membro do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ubatuba participando de vários cursos e palestras, tanto na região quanto no centro da cidade. Ivo nunca escondeu que gostara muito do curso de holericultura orgânica, orquídeas e estava cursando Técnico em Turismo Rural na Caçandoca. Lá alegrava a turma, acabou ganhando o apelido de “tiozinho”, tanto pelo respeito que todos tinham por ele, quanto

pela idade e experiência que tinha. No almoço, no curso, não poderia faltar farinha de mandioca, depois do almoço aquele cochilo. De tudo ela fazia, pintava, aparafusava, cortava, media, só não levantava peso. Gostava de uma boa roda de conversas. Fez amizade fácil, era muito respeitado e respeitador com todos. Sua calma alcançava longos objetivos. Uma coisa todos sabem, era homem trabalhador, não tinha tempo ruim para ele. Nos três anos e meio que ficou na Casa de Emaús começou a vender de casa em casa pães, panetones, ovos de páscoa e massas de pizza. Andava sempre com uma bicicleta de carga e duas cestas, uma na frente e outra atrás. Era o homem do pão. Quantas vezes Ivo havia trocado pães com bananas e até com abobrinhas, principalmente a quem tinha criança em casa e não tinha dinheiro para pagar. Simples como era não esbanjava luxo, mas tinha muita sabedoria na hora de lidar com as dificuldades. Ivo tinha uma frase preferida: “A gente só é útil, não é necessário!” Infelizmente Ivo sofreu um acidente quando podava uma arvore no jardim de uma praça administrada pelo chalé que trabalhava, foi uma queda e quem chamou o ajuda foi uma cadela que cuidava há dez anos. Ela latia na porta do chalé e desta forma chamou a atenção da esposa e da filha. Caído, imóvel há algum tempo, foi socorrido. Desesperada a esposa moveu tudo que podia para salvar Ivo, em Taubaté travou sua última batalha. No lado de cá, os amigos em oração pediam sua volta. No hospital Ivo conversou com Karina e a ela exprimiu um

desejo, se sobrevivesse: “O pai tá com a cabeça muito boa, a mão também, eu penso em escrever um livro, escrever sobre o pai e sua mãe, depois você vai traduzir para outras línguas”. Mesmo em meio a tanto sofrimento, manteve-se sereno e nunca reclamou das dores que sentia, apenas se ouvia alguns gemidos e quando a dor era maior ainda, as lágrimas denunciavam seu sofrimento silencioso. Infelizmente no dia 11 de junho de 2010 ele se foi. Foi com a certeza do dever cumprido, enquanto choráva-

mos sua partida, o céu se alegrava com a sua chegada. Na missa de sétimo dia, todos os amigos que puderam estar lá, estiveram e lotou a Matriz Cristo Rei, próximo a sua casa. Depoimentos e homenagens emocionantes tomaram o lugar. Só podemos dizer que as vezes ainda é possível ouvir a sua voz de tanto que ela é doce, sincera e amiga. Não sabemos se fomos amigos o suficiente para você, mas sabemos que você foi o amigo que por vezes até não merecíamos. Ivo muito obrigado por conhecê-lo.


01 Julho 2010

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Filhos da Ilha rememoram o maior levante do mundo EZEQUIEL DOS SANTOS

No ultimo dia 26, na Ilha Anchieta, aconteceu o XIII Filhos da Ilha, encontro anual dos remanescentes da rebelião do presídio da Ilha Anchieta, que aconteceu em 20 de junho de 1952. O evento é organizado pela prefeitura de Ubatuba e pela Associação Pró-Resgate Histórico da ilha Anchieta e dos Filhos da Ilha. Atividades como conversas com os filhos da ilha e sobreviventes além de uma missa campal, visitas aos pontos do motim e encenações foram um dos atrativos dos Filhos da Ilha. Neste dia não se faz importante a ilha parada como área de preservação, importante é saber da sua história, de seu passado glorioso, dos dias de movimento e de real serventia a sociedade. O evento que antes era motivo de tristeza, agora é parada obrigatória para o conhecimento da história regional e nacional. O evento na época tomou proporções internacionais considerada por todos os jornais como “A maior evasão do mundo”. Marcado por emoções fortes, o encontro marca a solidariedade e paz entre os familiares do ocorrido. Na época viviam cerca de 100 famílias na ilha, que eram dividas em duas vilas, uma civil e outra militar. O presídio abrigava 453 detentos obser-

Ruínas do presídio: testemunhas silenciosas de sangrenta rebeliao ocorrida em junho de 1952

vados por 54 policiais militares e 51 funcionários civis, sob o comando do Tenente Edvaldo Silva. Na rebelião 132 presos entraram em confronto com os policiais, destes oito morreram junto com dois funcionários civis, morreram ainda alguns detentos. Da rebelião foram recapturados 90 detentos e 20 foram considerados desaparecidos. Nem só de tiros morreram os amotinados e policiais, alguns foram mortos a paulada, comenta o Soldado reformado José Salomão das Chagas, que tinha 22 anos no dia do motim e vivia com a mulher e a filha na ilha, hoje

com 90 anos relembra emocionado do o trágico dia. Apaixonado pela história do levante o Tenente da reserva Samuel Messias de Oliveira vem junto com os filhos da ilha, recuperando a história, daquilo que foi considerado o maior evento das Américas depois da Confederação dos Tamoios e da Paz de Iperoig. Existem vários livros que contam a passagem do levante, um filme produzido pelo Estúdio de Vera Cruz também foi realizado. O encontro “Filhos da Ilha” representa um resgate espiritual, psicológico e social, onde histórias vêm à tona, as má-

Após a rebelião foram recapturados 90 detentos e 20 foram considerados desaparecidos

goas são dissipadas e o que predomina é a emoção e a solidariedade. Muitos moradores têm lembranças do evento, ou se lembra de alguém que trabalhou no lugar. As emoções são muito fortes mesmo para quem não tenha participado do motim, é que lembramos de verdadeiros heróis aqueles que deixaram seu nome na história através de suas vidas e que merecem respeito e nossas saudações aos familiares. A Ilha Anchieta é marcada por histórias belíssimas, desde os índios Tupinanmbá, passando pelo colonizador até a rebelião. Para quem não pode ir este ano a este evento histórico, basta se programar para o próximo ano. Vale a pena saber mais um pouco de nossa rica história e verdadeiros heróis.

Jornais deram grande repercussão do acontecimento


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Chapeuzinho Vermelho na Imprensa

Como seria a história da Chapeuzinho Vermelho nas manchetes das principais revistas e jornais do Brasil hoje:

JORNAL NACIONAL (Willian Bonner): Boa noite. Uma menina de 7 anos foi devorada por um lobo na noite de ontem. (Fátima Bernardes): ;... mas graças à atuação de um caçador não houve uma tragédia. FANTÁSTICO (Glória Maria): ... que gracinha, gente, vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo...? BRASIL URGENTE (José Luis Datena): ... onde é que a gente vai parar, cadê as autoridades ? Cadê as autoridades ?! A menina ia para a casa da avózinha a pé e sozinha! Não tem transporte público ? Não tem segurança! Onde estava o secretário de segurança e os engenheiros da CET ? E foi devorada viva..... Sim VIVA!!! Um lobo, um lobo safado, calhorda. Põe na tela ESSE ANIMAL!! Porque eu falo mesmo, não tenho medo de lobo mau. Daqui a pouco eu volto nesse caso. PROGRAMA DA HEBE Que gracinha, gente. Vocês não vão acreditar, mas essa menina linda aqui foi retirada viva da barriga de um lobo, não é mesmo? PROGRAMA DA UNIVERSAL (Pastor) Isso é encosto! Agora meu irmãos vamos todos juntos levantar as mãos e dizer: SAI CHAPEUZINHO VERMELHO, SAI DESSE CORPO QUE NÃO TE PERTENCE. SUPERPOP Chapeuzinho é convidada para desfilar no programa só de lingerie vermelha. (Luciana Gimenez) - Nossa, que corpo , hein garota? Muita bonita mesmo até eu no lugar do Lobo não iria deixar escapar essa menina!! BIG BROTHER (Pedro Bial) Fala meu Lobo, Quem você vai eliminar hoje? (Lobo) Hoje eu vou eliminar a Chapeuzinho Vermelho, porque ela tá de complô com o Lenhador , que eu acho ao meu ver, que estão ao nível de me eliminar e isso não está fazendo bem para o Ambiente da casa.

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O APRENDIZ (Roberto Justus); Chapeuzinho , o que você foi fazer na casa da vóvozinha?; (Chapeuzinho) ; Fui levar uns doces para ela; (Justus) De graça ?, mas você não tinha um Planejamento para isso ? Achou que era o marketing mais correto? Qual seria o retorno? Que tipo de postura teve seu líder? Que providências você tomaria ? DISCOVERY CHANNEL Os Caçadores de Mitos determinam se é possível uma pessoa ser engolida viva e sobreviver. REVISTA VEJA Lula sabia das intenções do lobo. CLÁUDIA Como chegar na casa da vovozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho. NOVA Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama. MARIE-CLAIRE Na cama com um lobo e minha avó, relato de quem passou por essa experiência. JORNAL DO BRASIL Floresta: Garota é atacada por lobo - Na matéria, a gente não fica sabendo onde, nem quando, nem mais detalhes. O GLOBO Petrobrás apóia ONG do lenhador ligado ao PT que matou um lobo pra salvar menor de idade carente. ZERO HORA Avó de Chapeuzinho nasceu no RS. AQUI Sangue e tragédia na casa da vovó. FOLHA DE SÃO PAULO Legenda da foto: Chapeuzinho, à direita, aperta a mão de seu salvador;. Na matéria, teremos um box com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Chapeuzinho foi devorada e depois salva pelo lenhador. O ESTADO DE S.PAULO Lobo que devorou Chapeuzinho seria afiliado ao PT. PLAYBOY (ensaio fotográfico com Chapeuzinho no mesmo mês do escândalo) Veja o que só o lobo viu.

SEXY (ensaio fotográfico com Chapeuzinho um ano depois do escândalo) Essa garota matou a fome do lobo !!! CARAS (ensaio fotográfico idem) Na banheira de hidromassagem na cabana da avozinha, em Campos do Jordão, Chapeuzinho vermelho (18) reflete sobre os acontecimentos: ‘ até ser devorada, eu não dava valor para muitas coisas da vida, hoje sou outra pessoa’, admite. ISTOÉ Gravações revelam que lobo foi assessor de José Dirceu. CAPRICHO Esse Lobo é um Gato! G MAGAZINE (ensaio fotográfico com lenhador) Lenhador mata o lobo e mostra o pau. GIL GOMES Esta meninaaaa.....Esta pooobre meninaaa...Estava caminhando sozinha a casa da vovozinha... Quando. de repente.....De repenteee... Um looobooo...um grande loboo apareceu, e ele a devorou, sim ele devorou a menininha, a pobreee da menininhaaa.

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01 Julho 2010

Página 15

Jornal MARANDUBA News

Coluna da

Túnel do Tempo Por Adelina Campi

Sonhar pelo lado positivo Eu estava sentada na minha cama, navegando na internet enquanto meu marido dormia. Sentada ali, parei para pensar que, em nossas vidas, as vezes não temos tempo nem para nós e nem para nossos filhos. Fiquei pensando: a vida passa tão depressa que as vezes esquecemos que somos pessoas, que temos nossos amores e desamores. Sugiro que reflitam no que vocês estão fazendo para que a vida de cada um venha valer a pena. Por isso chore, dance, ria e viva intensamente. Seja você mesmo, pra que nossa estada

nesse mundo seja tranqüila e que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de partir, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que ficarem. Então vamos descruzar os braços e tentar vencer o medo e ir em busca dos nossos sonhos. Irradie simplicidade, seja simpático e não se espante se você for uma pessoa mais feliz. Tenho certeza que será maravilhoso. Só assim não teremos tantas tristezas no mundo. Acho que vale apena sonhar pelo lado positivo da vida, vocês não acham?

Nossos Velhos Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos. Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá prá implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 80 anos. Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida. É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação.

Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigí-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça? Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis. Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi. Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.

1983 Folia de Reis em passagem pela região sul de Ubatuba

1988 Difícil foi juntar essa turma para a foto da juventude

1931 A segunda geração de moradores do Sertão da Quina em frente a duas das seis casas que existiam na época

2004 Zeca Pedro, Rosana, Alix e Cidinha ensaiando para um show

1975 Caminho que levava até a igrejinha do Morro da Quina

1959 Maria Ballio mostra lula de mais de 2 quilos. Que porção!

1937 Casamento na capela da praia de Benedito e Benedita Rosa



Jornal Maranduba News #10