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Maranduba, Junho 2017

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 8 - Edição 97

ONG Ubatuba Em Foco (Filial Sertão da Quina) conquista 16 medalhas no 4º Campeonato da Federação Brasileira Olímpica de Taekwondo em Americana - SP


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Editado por: Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3849.5784 (12) 99714.5678 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Editor: Emilio Campi Jornalista Responsável: Ezequiel dos Santos - MTB 76477/SP Editora de Variedades: Adelina Fernandes Rodrigues Consultor Ambiental - Fernando Novais - Engº Florestal CREA/SP 5062880961 Consultor de Marketing - Luiz Henrique dos Santos - Publicitario Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo


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Caminhando e curtindo as belezas naturais com fé Wagner José Nos últimos dias 25 a 28 um grupo de moradores da Região partiu com a comunidade da paróquia do Itaguá a mais uma caminhada a pé rumo a Aparecida do Norte. Foram dezenas de pessoas que transpuseram a serra e os vales em nome da fé. Antes, porém foi realizada a missa do envio e a benção dos cajados. O grupo foi formado por novos romeiros e estava mais frio no litoral do que no vale. Na ocasião foi sentido a ausência de algumas pessoas que costumavam participar da romaria e que falecerem nos últimos meses, estes foram lembrados. Vale lembrar que o trajeto é composto por emoções: o da caminhada, o das descobertas na natureza e o mais importante os das graças alcançadas. Quando se fala em caminha existem dois grupos: um que são os romeiros propriamente ditos e outro composto pelo pessoal que pede orações e equipe organizadora. O padre Marcelo daquela paróquia acompanhou todo o percurso. Foram horas de contato direto com natureza - o que o Papa Francisco chama de “Casa Comum”. Os romeiros foram, como sempre, bem recebidos pelos moradores ao longo do caminho. Mesmo os mais experientes dizem continuar vislumbrados com as belezas naturais e o aconchego dos moradores por todo caminho. A equipe agradece aos colaboradores: pessoal da segurança, da limpeza, da arrecadação de fundos, da alimentação, da saúde, da oração e da torcida pela boa caminhada. Tudo isso reflete um espírito comunitário movidos pela fraternidade e pela fé.

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Ventos fortes assustam comunidade

Foto aérea: Luiz Henrique

Parte de traz da capela do Sertão da Quina perdeu o telhado com a ventania

Moradores acordaram no último domingo, 14, assustados com o resultado do vento que soprou durante as poucas horas de sábado para domingo no litoral. Pela manhã foi possível visualizar os estragos e a mudança no ambiente causado pelo fenômeno natural. Alguns pontos do acesso ficaram interditados até que a Defesa Civil, com apoio de voluntários, moradores e a Regional Sul, liberasse os caminhos. Varias casas amanheceram sem suas cumeeiras e telhas. A parte superior de traz da Capela do Sertão da Quina amanheceu sem as telhas, até mesmo, em tom de brincadeira, circulou nas redes sociais uma imagem da estatua do pescador na entrada da cidade sem seu chapéu. A Defesa Civil informa que realizou durante todo o domingo, 14, uma operação para conferir e minimizar alguns estragos ocorridos devido aos fortes ventos que atingiram a região neste final de semana. Somente na rodovia SP 55 foram retirados um total de 15 árvores que sofreram queda e obstruíram ou dificultaram a passagem de veículos. Além do coordenador da Defesa Civil de Ubatuba, Guaraçay dos Santos, uma equipe composta de oito homens do setor e mais

dois bombeiros civis voluntários participaram da ação. “Realizamos a operação sem maior gravidade e sem nenhum desabrigado ou vítima”, afirma Santos. O coordenador informa ainda que o município foi afetado de norte a sul, sendo que a região sul a mais atingida, apesar de não terem sido registrados casos mais graves e nenhuma vítima. Os maiores danos foram referentes às quedas de árvores. Estima-se que a velocidade do vento tenha chegado a 50 km/h. Num passado não tão distante moradores aproveitavam o resultado dos ventos para estocar lenha para abastecer os fogões de taipa. O vento dispunha de matéria prima para meses de uso, isso porque o fogão, na época, ficava quase que acesso o dia todo. Era comum também, as antigas gerações - movidas pela fé - queimarem palha benta para acalmar o vento. O vento forte deixa a vegetação com poucas folhas, numa sensação que algumas árvores estão nuas, parecendo vegetação de caatinga. O importante é que já passou, mas há o alerta de que senão cuidarmos do meio ambiente será um fenômeno que poderemos enfrentar com maior freqüência.


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Parceria entre UFRJ e a Universidade de Wolverhampton, cujo tema é a região sul de Ubatuba, tem publicação de destaque na Inglaterra O trabalho mais recente realizado no Sitio Recanto da Paz/Gengibre de Ubatuba com crianças da escola Sebastiana Luiza com a UFRJ rendeu na Inglaterra mídia gratuita e especializada através da revista eletrônica University Business. A revista destaca a união de esforços - Brasil/Inglaterra- sobre o trabalho de educação ambiental realizada no Araribá/SP, principalmente sobre solos. A idéia que surgiu na Inglaterra tem como mentor lá o professor Mike Fullen que supervisiona o projeto conjunto de doutorado com foco em geoturismo e erosão de trilhas em Ubatuba. A revista menciona que “três professores analisaram o impacto da erosão do solo estudando duas pesquisas de trilhas - a trilha de Água Branca e a trilha de Sete Praias” cujos dados são recomendados as autoridades tendo em vista a importância da geoconservação local. A revista destaca ainda que a Geomorfologia - o estudo das características físicas da superfície da terra e sua relação com

suas estruturas geológicas - é necessária para promover e gerenciar o geoturismo, que é crítico para o desenvolvimento do turismo sustentável. O professor inglês reforça ainda que “o turismo é economicamente importante para

Ubatuba. Os turistas podem não entender a geodiversidade do lugar que estão visitando, mas eles visitam por causa de suas atrações naturais. Mais de 80% dos turistas vêm entre dezembro e março (o verão do Hemisfério Sul),

A partir do mês de março último uma equipe vinha trabalhando na revitalização do portal sul do município. Inaugurado recentemente causou boa impressão por quem passa neste trecho da SP-55, já que idéia foi valorizar a chegada ao município. Esta foi uma das ações solicitadas pelo prefeito Délcio José Sato (PSD), visando o cuidado com a cidade e a recepção das

pessoas que chegaram ao município. Por muito tempo a estrutura não dizia ao certo para que havia construído embora já o chamassem de portal, que agora toma ares de boas vindas. A realização da melhoria teve incentivo da iniciativa privada - patrocinada pela empresa Atmosfera. Também que “a intenção é realizar coisas simples, mas interessantes, como no caso do portal, onde

foi feita a pintura, a retirada de lona e cobertura e que ainda serão feitas, como a iluminação e o paisagismo”, diz César Abbud, secretário adjunto de Habitação e Planejamento Urbano. No entorno do portal, a equipe da administração Regional Sul promoveu a manutenção e limpeza do local, realizando melhorias como capina, roçada, pintura nos pontos de ônibus entre outras.

e essa concentração de visitantes causou degradação nas trilhas”. A pesquisa conjunta mostra como a compreensão da área pode ajudar no desenvolvimento do turismo sustentável. Fullen trabalhou no projeto de pesquisa com Maria do

Portal da Maranduba já é realidade

Carmo Oliveira Jorge, doutora pelo Departamento de Geografia da UFRJ e o Pesquisador associado do LAGESOLOS (Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação Terrestre) Antonio Guerra, Professor de Geografia da UFRJ.


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Observador de aves da região conquista 1º lugar no estado de SP e 8º no ranking nacional do Global Big Day

No último dia 13, sábado, observadores de aves de todo o planeta foram convidados a participar do Global Big Day promovido pelo laboratório de ornitologia da Universidade de Cornell em Nova York. Os números impressionam. Nesta edição, foram observadas 6.628 espécies, num total de 53.105 listas de aves realizadas por 19.777 participantes em todo o globo num único dia. Só a America do Sul contribuiu com 2.802 espécies observadas por 2.291 participantes. Deste número o Brasil contou com 1.081 espécies observadas – quase a metade de aves listadas no continente sul americano. Só o observador de aves da PROMATA Antonio de Oliveira – Titio- colaborou com 19,24% destes números conquistando o 8º lugar no ranking nacional e

43,33% em todo estado de São Paulo registrando num único dia 208 espécies - das 408 listadas em SP - ocupando o 1º lugar no ranking estadual. O evento é anual e qualquer pessoa pode participar basta um cadastro simples no sitio da internet (http:// ebird.org/content/ebird/ globalbigday/?lang=pt-br), seguir as instruções e participar deste acontecimento internacional de observação de aves. Objetivo Organizadores do evento informam que o objetivo é somar esforços contínuos para ampliar as fronteiras do Big Day. Todos os observadores – profissionais, amadores e simpatizantes - são convidados de honra “a juntarem-se a equipe para participarem do Global Big Day, contribuindo assim para a conservação

das aves no mundo todo”, explica o site The Cornell Lab. É possível baixar um aplicativo – eBird- que permite que você insira as suas observações a partir de qualquer lugar do mundo. O eBird Brasil é administrado por uma equipe de colaboradores que inclui a SAVE Brasil, o Observatório de Aves do Instituto Butantã e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O APP Mobile está completamente traduzido em 8 idiomas e suporta nomes comuns de espécies em mais de 20 idiomas. O feito do PROMATA Antonio mostra que a atividade é agregadora de valores e possibilidades e que traz mídia gratuita a região, que figurará, ao menos por um ano, nas paginas internacionais de turismo, comunidades, observação de aves e meio ambiente mundo afora.

Professor da Universidade de Wolverhampton visita sede da PROMATA no Sertão da Quina

No último dia de abril, a região sul de Ubatuba recebeu o professor Mike Fullen, professor de Tecnologia de Solos na Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade De Wolverhampton – Inglaterra. A visita se deu através da par-

ceria dos professores doutores em geografia Antonio Guerra e Maria do Carmo, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ com a PROMATA. A visita, mais do que cordial, foi marcada por perguntas e respostas sobre a vida, a cultura, a

história e a visão sobre o espaço geográfico e seu uso dentro dos costumes e projetos comuns do ponto de vista de comunidades tradicionais e parceiros. A conversa marcou o inicio de uma grande amizade entre os povos do lado de lá e do lado de cá do atlântico que até pareciam se conhecer a anos. O professor visitou as dependências, a biblioteca e os trabalhos produzidos pelo grupo. Desta vez o guia e interprete foi o professor da UFRJ. Mike Fullen também visitou a capela Nossa Senhora das Graças e se disse impressionado com a beleza e história local. Por email aos professores brasileiros ele comenta que foi uma visita muito proveitosa e agradável que, dentro das possibilidades de agenda, pretende voltar.

Da próxima vez será preciso uma roda de conversas com caiçaras para melhor entendimento da cultura e deleite dos visitantes, por que o pouco que conversaram com o caiçara Zeca Pedro não foi o suficiente para matar a curiosidade sobre a cultura nacional. A visita do professor ao país fez parte de uma série de eventos da universidade carioca onde “Sir” Mike Fullen honrou os brasileiros proferindo uma palestra sobre sua especialidade. Consi-

derado por estudiosos do globo como o “Papa dos solos, meio ambiente, geomorfologia” entre outros, Fullen é conhecido como um estudioso muito competente e uma pessoa muito simples, com um ótimo senso de humor, o que torna a vida e as conversas bem mais fácil. A visita marcou um inicio de tratativas sobre a possibilidade de projetos futuros entre brasileiros e ingleses na região que se efetivar será muito bem vinda.


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Agricultura familiar sobrevive no bairro do Corcovado

No bairro do Corcovado, conhecido apenas pelo pico e suas cachoeiras, um antigo morador ampliou sua produção no modelo de “Pousio Tradicional”. Uma pratica que há tempos não é aplicada e que esta em vários livros de ciência sobre a agricultura sustentável, meio ambiente e na Lei. O lugar, um antigo agrupamento de moradores desde 1915, exibe árvores frutíferas de décadas de uso como área agricultável. Com uma visão belíssima, o espaço é ideal para a prática do turismo rural e pedagógico. Também para mostrar aos que ainda não conhecem como eram as grandes roças da época, onde se primava a qualidade do que se consumia e o respeito com o solo e a floresta do lugar. Na realidade é uma espécie de jardim comestível em escala maior, já que muita desta cultura é consumida pelo morador e suas famílias e o excedente é “barganhado” ou vendido diretamente a consumidores. O local ainda possui a antiga estrada da construção da torre de transmissão de energia erguida em meados de década de 1960. De um lado é possível avistar a Lagoinha e de outro todo o bairro do Corcovado e Praia Dura. É um lugar belíssimo que mostra ser possível proteger a terra, o solo, a vegetação nativa e a produzida nos moldes em que se faziam antigamente – rotacionando a área de produção para sempre ser produtiva e rentável. Como dizem antigos moradores: “é lá (na roça) que tá o nosso banco!”


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Folia do Divino ainda emociona moradores por onde passam No último final de semana, 27 e 28, a equipe da Folia do Divino da FUNDART visitou moradores da região sul de Ubatuba. No sábado, 27, a festa foi no quilombo Caçandoca e no domingo, 28, no Sertão da Quina. Pela manhã, no quilombo, as atividades iniciaram na capela da praia, depois foram cantar e servirem-se do café na casa da Rosa Gabriel e depois visitaram a casa da Maria do Lucas. Continuaram a caminhar pelas casas do morro e na várzea, depois almoçaram na casa da Maria do Altivo. Seguindo os caminhos antigos o povo foi alegrando a comunidade e a cada batida do tambor aumentava o número de moradores para participar deste grande acontecimento. A tarde foi à vez de cantar e tomar café na casa de Dona Izaltina. “Foi perfeito!”, dizem os moradores que chegaram a se emocionar varias vezes com lembranças passada do auge dessa manifestação tão importante a identidade nacional. A noite foi à vez de chegarem à casa do Seu Horacio, lá houve bate-pé, ciranda, fogueira, comida e alegria “as garné”. A janta foi servida e a festa continuou até as 11 da noite. Após o pouso e o café a equipe surgiu para o Sertão da Quina onde outros moradores também se emocionaram com a visita da folia do Divino. Desta vez o maior número de crianças e jovens impressionou, principalmente na Caçandoca. As imagens registradas por moradores, belíssimas por sinal, se tornaram virais nas redes sociais e mostra a resistência identitária nacional da beleza deste reencontro cultural e religioso. Colaboração: Mario Gabriel do Prado e Marlene Giraud

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Fotos: João Paulo dos Santos e Salete Santos


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Comunidades Tradicionais conquistam Conselho Municipal próprio em Ilhabela Demais municípios poderão formar seus próprios conselhos

No último dia 30, a prefeitura de Ilhabela em parceria com o Ministério Público Federal - MPF, Comunidades Tradicionais da Ilha, convidados e defensores das causas comunitárias e sustentáveis prestigiaram o lançamento do Projeto de Criação do Conselho Municipal das Comunidades Tradicionais do município. O evento aconteceu às 14h, no auditório do Paço Municipal, no bairro do Perequê naquela cidade. Comunicação clara e objetiva O objetivo do Conselho Municipal das Comunidades Caiçaras será, entre outras coisas, buscar a criação de um canal oficial de comunicação entre as comunidades participantes e os setores públicos, outras comunidades tradicionais, inclusive de outras categorias e outros municípios, além da formação de um conselho que seja exercido o controle social das políticas públicas voltadas às comunidades caiçaras em Ilhabela e posteriormente, quem sabe, em outras cidades que adotarem o projeto. Parceiros Em nota a prefeitura de Ilhabela informa que o projeto está dividido em duas partes; a primeira é o levantamento da identidade e cultura caiçara dos grupos do arquipélago, e a segunda é a educação jurídica popular para estes grupos com foco nos tratados internacionais e demais legislações que lhes reconhecem direitos e estabelecem deveres correlatos, além de formação externa no sentido fomentar o respeito e valorização da cultura caiçara. A meta é de que em um ano

as duas etapas sejam concluídas para, então, ser criado o Fórum das Comunidades Caiçaras de Ilhabela. O planejamento já conta com a parceria da Promotoria de Justiça de Ilhabela, GAEMA/LN, Defensoria Pública de São Sebastião, Faculdade FAASS, Centro Universitário Módulo, Fórum das Comunidades Tradicionais de Ubatuba, Angra dos Reis e Paraty e várias entidades da sociedade civil organizada. Em sua etapa final, o projeto contará também com o fundamental apoio da Câmara de Vereadores de Ilhabela. Membros da Coordenação Nacional de Comunidades Tradicionais Caiçaras (CNCTC) participaram da mesa e assinaram o compromisso junto com o MPF e a prefeitura. Desterritorialização As comunidades tradicionais caiçaras do litoral norte de São Paulo enfrentam graves problemas de desterritorialização que têm impactado significativamente seu modo de vida e cultura em virtude, dentre outros fatores, da chegada do turismo, da intensa especulação imobiliária e da instalação de grandes empreendimentos na região. Grande parte das belezas originais da Ilhabela, por exemplo, são frutos da interação na geografia, no ambiente, na história e na característica dos usos e costumes das populações tradicionais com o território onde vivem. Em partes, coincidentemente, os pontos de maior visitação são onde se encontram os núcleos de moradores nativos como Castelhanos, Bonete, Búzios e Portinho, por exemplo, dentre outros. Como formadores do pro-

cesso civilizatório nacional, a ciência, a cultura, a sociedade, a história hoje tem muito interesse nos conhecimentos primeiros deste povo, principalmente no que tange as ações sustentáveis e comunitárias que durante séculos manteve a história do país e a biodiversidade de pé, inteira e quase intacta para as futuras gerações. Esses grupos, detentores de tais conhecimentos constituem riqueza cultural de grande importância para toda a sociedade mundial e por isso têm um tratamento especial na legislação nacional e internacional. A criação do Conselho colaborará na proteção deste patrimônio, destas comunidades, em todos os aspectos, um conjunto de pessoas, territórios e cultura, genuinamente nacional.


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Alunos do Módulo no Sito Recanto da Paz

No último dia 13, alunos do Módulo – geologia - participaram de um dia de campo no Sitio Recanto da Paz no Araribá. A visita teve como objetivo conhecer a área de pesquisa da LAJESOLOS (Laboratório de Geomorfologia Ambiental e Degradação dos Solos), a produção natural de gengibre e a mata atlântica do entorno da produção. A palestra e acompanhamento técnico ficou a cargo dos doutorandos do Programa de Pós-graduação em geografia da UFRJ orientados pelo prof. Dr. Antonio Guerra também da UFRJ, professores Aline Muniz Rodrigues e Leonardo dos Santos Pereira, que discorreram sobre a importância dos solos a produção, também sobre sua degradação e composição existentes.

A proprietária, Annie Kamiyama, falou da evolução histórica do gengibre na região, problemas enfrentados e resolvidos e sua importância na saúde, culinária e na cultura local já consolidada. Em seguida, com os professores, foram à estação experimental onde receberam informações sobre o processo dos estudos lá realizado. Depois uma trilha na Mata e na roça, sob a orientação do produtor Amarildo Pazzeli, saber como ocorre a produção de gengibre e suas particularidades no manejo, trato e colheita da planta. Para finalizar uma mesa de degustação com produtos da localidade. Na despedida a certeza que os alunos aproveitaram o dia e a certeza que irão voltar.

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Jornalista e professores Búlgaros visitarão Ilha Anchieta para prestar reverência aos imigrantes falecidos no local

No próximo dia 12, o casal de professores Búlgaros Nicolay Tchervencov e Maria Tchervencova, junto com jornalista Maya Daskalova-Dimitrova e seu neto Vasil Lachezarov Dimitrov visitarão o Parque Estadual da Ilha Anchieta-PEIA para prestar reverencia aos imigrantes falecidos no local. No mesmo dia esta programada uma visita ao prefeito local Délcio José Sato. A história sobre os imigrantes Bessarabianos (Búlgaros e Gagaúzos), embora trágica, como todo processo de imigração no globo, é rica em detalhes quanto a consolidação destes imigrantes no país, no estado de SP e na Ilha Anchieta em Ubatuba. Na realidade a visita é parte de uma extensa agenda brasileira que começa no próximo dia 4 de junho com a 22ª Festa do Imigrante/SP e termina no dia 12 com a visita ao PEIA e ao prefeito. Os visitantes estão em busca de pesquisa sobre a imigração Búlgara e Gagaúza Bessarabiana ocorrida no Brasil em 1926, onde a Ilha possui provas substanciais da passagem deste povo por lá. Os visitantes possuem um vasto currículo e conhecimento em história e comunicação, principalmente, além das condecorações recebidas e a tramitação nos mais elevados órgãos de ciência, comunicação e governamentais o que facilitará no levantamento e divulgação dos dados aqui registrados, principalmente para uma região européia que muito valoriza sua história, seu povo e formação. Ilha Anchieta A história na Ilha tem maior

ênfase num acontecimento especifico e Trágico. Trata da relação póstuma de 151 imigrantes Búlgaros e Gagaúzos que faleceram num período de cem dias por conta da intoxicação por mandioca “brava”, aquela usada exclusivamente para o fabrico da farinha, não recomendável para consumo. Toda história, muito bem documentada, está no livro “Imigrantes Bessarabianos - Búlgaros e Gagaúzos” - do pesquisador Jorge Cocicov que trata da história dessa imigração na Europa, iniciada

por volta de 1787. O livro possui 750 paginas de imagens, documentos, árvores genealógicas e muitos detalhes sobre este êxodo que também chegou ao Brasil e na Ilha Anchieta.


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ONG Ubatuba Em Foco (Filial Sertão da Quina) conquistam 16 medalhas no 4º Campeonato da Federação Brasileira Olímpica de Taekwondo

Fundo Social entrega novas carteiras e cadeiras para ONG

O Fundo Social, través da primeira dama Sandra Sato faz união entre ONG Ubatuba Em foco FILIAL SERTÃO DA

No último dia 07/05 os alunos dá ONG Ubatuba Em foco FILIAL SERTÃO DA QUINA participaram do 4º Campeonato dá Federação Brasileira Olímpica de Taekwondo em Americana, o qual disputaram com atletas de de faixa preta de academias. Como resultado positivo a ONG trouxe 14 medalhas para Ubatuba, tendo em vista que está modalidades de Tae Kwondo Ubatuba não tinha representaçao em campeonatos. Em sua primeira participação foi uma das cidades em trazer maior número de medalhas para o Litoral Norte. O administrador dá ONG Bruno César recebeu do Mestre Pereira dá Federação Olímpica uma medalha de ouro pelo excelente trabalho no incentivo ao esporte, o qual foi honrado pela ONG ser pela primeira vez uma entidade a participar de campeonatos deste tamanho. A Câmara municipal de Ubatuba, através do gabinete do vereador Wellington

QUINA e realiza a entrega das carteiras e cadeira para ONG. Na ocasião Sandra Sato almoça com os atletas na ONG.

Moura deverá entregar nos próximos dias um moção honrosa para alunos e administrador pelo trabalho. A direita: Mestre Carlos Carlos ao lado administrador Bruno César recebendo medalha de ouro pela federação olímpica de Tae Kwondo mestre Pereira

Classificação - Medalhistas

Neucilene Ribeiro Viana (1º lugar medalha de ouro) Gabriela Teixeira Nascimento (2º lugar prata) Max Well Bello Ribeiro Morais (1º lugar ouro) Gabriel Monteiro Siqueira (2º lugar lugar prata) Bruna Leandra Cerqueira Lopes (2º lugar lugar prata) Kauã Kamaitiorê da Costa Penteado (1º lugar duas medalhas de ouro) Pedro Henrique Moraes de Oliveira Barboza (2º lugar prata) Andrei Cavalcante Lopes (2º lugar prata) Brayan Anderson Gonçalves Fiúza (1º lugar ouro) Tiago Alexandre Silva (2º lugar prata) João Vittor Barbosa do prado santos (1º lugar ouro) Christopher Jann Alves Marques (2º lugar prata) Administrador Bruno Borges César Pires (medalha de ouro em reconhecimento pelo trabalho a frente da ONG Ubatuba Em foco Filial Sertão da Quina) Mestre Carlos Assis Palma “Dojang Palma” (uma prata e uma ouro)

Sandra Sato almoça com os atletas na ONG


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Inspiração genuinamente caiçara: moda

Assim como seus antepassados, que costuravam redes de pesca e roupas as suas crianças, a jovem caiçara Sarah Araújo Derghan, 23, adquiriu dom “tupiniquim” para produzir roupas. Vinda, de um lado, de família de pescadores, de outro lado, de comerciantes a jovem se mostra com muito talento, aptidão e gosto ao que faz. Melhor não se envergonha de sua linhagem histórica. Começo Ninguém imaginaria que Sarah, que já recebeu proposta de alta costura até da Nigéria, começou a vida se enrolando em embalagens de ovos de páscoa. A idéia apareceu, “mas o que fazer então, fazer roupas para mim ou costurar para o público?”, suas primeiras dúvidas. Foi um começo complicado, de pouco ou quase nenhum recurso, muitas dúvidas, sem entendimento no assunto, mas vontade não faltou. Com o apoio da mãe coruja, começou simples, fez um cursinho no centro da cidade, confeccionou suas próprias placas, reformou pessoalmente o espaço e colocou a mão nos tecidos. “Errei muito no começo, sofri bastante, comecei trabalhando com reformas de roupas, vestindo os próprios modelos em festas e eventos, hoje produzo peças exclusivas”, comenta a jovem. Exclusividade Tudo é exclusivo no atelier, até sua publicidade é realizada

por Sarah, com ajuda da amiga Camila, conta. O uso contínuo do facebook (atelier da Sarah) e do instagran (@atelierdasarah) bombam nas redes sociais. Só um dos vídeos alcançou 20 mil visualizações. Sarah é uma jovem de um sorriso farto e comunicativa suas opiniões fazem a diferença na busca de modelos cada vez mais exclusivos aos clientes. “Na costura nada se perde, tudo se transforma”, explica à jovem em referencia a um corte errado ou a possibilidade de um mesmo tecido vestir uma família inteira com modelos diferentes. Trabalho Para ampliar seus horizontes fez um curso no SENAC-SP, diz que essa fase ajudou a abrir a mente para a profissão, principalmente sobre modelagem e costura. Além de produzir as peças também trabalha com aluguel. Embora com muito chão pela frente, atende clientes desde a capital paulista, passando pelo Vale do Paraíba e principalmente do Litoral Norte Paulista. Já foi entrevistada pelo SBT e participou do São Paulo Fashion Week como convidada, onde tirou fotos com famosos, dentre eles o estilista Waldemar IODICE, além de uma participação da revista Glamour. Sarah é mais uma caiçara com inspirações vindas do DNA resultado do processo civilizatório nacional colocado em pratica nesta atualidade. Virão outros!

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Criatividade que deu certo Comida oriental com toque brasileiro

Na busca por uma vida e alimentação mais saudável, muitos buscam atividades e uma gastronomia diferenciada, por outro lado, existem empreendedores que se encontram no limiar da criatividade e vontade de oferecer um bom serviço ou produto. O casal Fabiano Elias e Katiane Oliveira foram um deles. Tendo a necessidade como a mãe de todas as invenções, com o casal não foi diferente. Ele, a época desempregado e ela para sair de uma instituição financeira após décadas de dedicação filosofaram sobre o que fazer depois. Foi então que um canal de rede social os salvou. Num vídeo sobre alimentação surgiu a idéia. Primeiro o experimento em casa, depois

serviram os conhecidos até que Katiane pensou em servir as pessoas os pratos orientais que haviam experimentado nesta produção caseira. Foi então que surgiu o Wasabi Sushi Bar na Maranduba. Como uma corrida, muitos “correram” pra fazer igual e destes apenas um chegou. Como dizia o saudoso apresentador Chacrinha “nada se cria, tudo se copia”. Os que copiaram não prosperaram. Faltou o algo a mais que o casal mantém a seus clientes, como no caso do atendimento personalíssimo. Com um cardápio substancial e apetitoso, somados a um ambiente aconchegante e a entrega em domicilio. O lugar esta de portas abertas a partir das 18 horas.

Em apenas dois anos conquistou vários clientes dede moradores até turistas que passam vez ou outra por esta região. Também se preocupam com a qualidade dos produtos e serviços oferecidos. E o próprio casal que faz o atendimento aos clientes sempre atentos a opinião comentada. Katiane não se importa com a brincadeira, pois ela também é conhecida por “Sushiara”, junção de Sushi - peixe cru com Ceará - seu estado natal. Nas conversas de bastidores foi possível descobrir que, em parceria com a academia Parnaso, planejam uma festa julina em estilo familiar (8 de julho próximo) no Sitio Santa Cruz aberta a comunidade e regada a forró pé-de-serra.


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Pousada das Cachoeiras sob nova direção

Restaurante aberto ao público, Day-Use e área para camping são destaques para quem deseja desfrutar da infraestrutura local Jaqueline Martins A Pousada das Cachoeiras localizada no Sertão da Quina lança novos atrativos para quem deseja curtir um ambiente agradável em meio as maravilhas da Mata Atlântica. Sob a direção dos irmãos Eric, Endrigo e Eldrey Scarabeline, a pousada sofreu uma restruturação em vários aspectos. Confira as inovações: Restaurante e Lanchonete – Esses espaços agora são abertos ao público em geral, mesmo não sendo hospede da pousada. Sob o comando do chef Daniel Valverde, oferece deliciosos pratos onde você pode saborear com vista para a mata, além das porções, drinks, bebidas e lanches. Área de Camping – Contando agora com uma área para camping, possui estacionamento para trailers e motor home em meio a mata atlântica. Toda emoção de estar num ambiente selvagem, porém com todo conforto e infraestrutura. Eventos e Festas – O local oferece espaço e infraestrutura necessária para a realização de festas e eventos tais como casamentos, aniversários, confraternização de empresas, seminários e treinamentos. Salas para reuniões, salão de jogos, espaço para meditação e massagem, sala kids, espaço para música, dança e teatro, campo de futebol e quadra poliesportiva, pista para bike, automodelismo, passeios a cavalo e pônei para as crianças. Esportes de Aventura – Além das várias trilhas para as cachoeiras ao entorno da pousada, oferece também tirolesa, ponte de 3 cordas, rapel, sna-

Restaurante e lanchonete a beira da piscina natural de pedra

ck line e arvorismo, tudo isso acompanhado por uma equipe preparada para proporcionar lazer com total segurança. Meio Ambiente – Atendimento a grupos escolares com equipe que oferece estudo do meio ambiente com biólogos, professores, historiadores, contadores de história e monitores aptos a ensinar sobra a história e a cultura caiçara e indígena. Day Use – Essa modalidade oferece a oportunidade de você desfrutar de toda infra-

estrutura da Pousada das Cachoeiras sem estar hospedado. Funciona das 10 as 17h e o valor é R$ 25,00 por adulto. Criança de 5 a 12 anos paga R$ 15,00 e de 0 a 4 anos é cortesia. Mais informações podem ser obtidas através dos fones (12) 3849.5494 e 3849.5331 ou do e-mail reservas@pousadadascachoeiras.com.br. Conheça mais detalhes da Pousada das Cachoeiras em http:// www.pousadadascachoeiras. com.br/

Passeios a cavalo e pônei para as crianças

Perfeita integração com a natureza

Esportes radicais com monitores treinados

Campo de futebol, lago e quadra poliesportiva


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Ubatuba lança Circuito Litoral Norte

AVISTAR - O maior evento de observação de aves da América Latina

Entre os últimos dias 19 a 21 de maio, aconteceu no Instituto Butantã/SP o evento mais importante de observação de aves da América Latina – o AVISTAR. Depois de alguns anos fora do circuito, Ubatuba por meio da Secretaria Municipal de Turismo, editou um folder que marcou presença junto ao stand que lançou o Circuito Litoral Norte de observação envolvendo as 4 cidades do LN. Por conta da importância do evento no circuito sul americano, Luiz Bichof, secretario de turismo de Ubatuba, participou em dois dos três dias do

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AVISTAR marcando sua presença entre os participantes e organizadores. Foram dezenas de palestras com temas científicos e técnicos, divulgando novos destinos e a arte de fotografar aves. No evento Carlos Rizzo representou a PROMATA nos três dias mantendo antigos contatos e buscando novas parcerias para o destino Ubatuba e Litoral Norte. Este ano, mesmo com as fortes chuvas, o evento, cuja inscrição e entrada para visitação são gratuitas, recebeu um numero maior de visitantes do que ano anterior.

Aves da nossa Mata Atlântica – Savacu-de-coroa Foto: Roberto de Oliveira “Pituí”/PROMATA

Com uma dieta composta mais por peixes, caranguejos e invertebrados aquáticos, esta é uma ave que se impõe como bela e interessante. O savacu-de-coroa (Nyctanassa violácea) é um Pelecaniforme (ordem dos pelicanos, das garças, curicaca, guará e afins. Ave de médio a grande porte que vive em regiões com abundancia de água) e membro da família Ardeidae. Seu nome científico, em resumo, significa “rainha da noite cor violeta”= do (grego) nux = noite; e anassa = rainha, senhora; e do (latim) violacea, viola = com a cor de violeta. Também é conhecido como dorminhoco, matrião (algumas regiões da Amazônia), sabacu, tamatião e taquiri (Pará). Medindo entre 50 a 70 cm e pesando 650 gramas, esta

espécie se reproduz de forma agregada, como se fosse parte de um condomínio de grandes colônias com outras espécies que, de certa forma, se ajudam. Podem também, dependendo do ambiente, construir seus ninhos sozinhos. Em alguns casos, o mesmo ninho pode ser utilizado em mais de uma estação reprodutiva. Pode colocar até oito ovos. E comum vê-los nem manguezais, pântanos e várzeas, ou o que sobrou deles, próximos da costa, mas existem informações de indivíduos nas margens de rios e no interior do continente. Seu bico varia de tamanho conforme a área de distribuição de suas presas. Se estas forem grandes, o bico é grande, se forem presas pequenas, os bicos se tornam um pouco

menor. De perto ou com alguma ferramenta que aproxime a imagem o observador verá a beleza da cores que compõe suas penas. Os detalhes impressionam, parece que alguém as maquiou. Vivendo em pares ou grupos numerosos esta ave constrói o ninho com gravetos e galhos, sobre as arvores altas do mangue ou do local alagado. Durante a reprodução pode colocar até oito ovos. É mais ave que merece respeito e paz em seu lugar de vida e reprodução, já que estes lugares diminuem a cada dia. Fonte: Promata, Ubatubabirds, WikiAves, avesderapinadobrasil.com, casados pássaros. net, avescatarineneses, Aves do Brasil - Augusto Ruschi, G1, Instituto ra-bugio.org.br, casadospassaros.net, IBAMA.


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Jornal MARANDUBA News

Junho 2017

“Chacina na Ilha Anchieta - Tiroteio na invasão e retomada da Ilha” Parte 37

Jornais da época enviaram seus melhores repórteres para descrever a maior rebelião do planeta que aconteceu em nossa região, sobreviventes ajudam a contar a história.

Ezequiel dos Santos “Diário da Noite”, com os repórteres Evaldo Dantas Ferreira e Alcides Leonel, enviados especiais a época noticiavam na 2ª edição do jornal de 21/06/1952. Conforme as notícias chegavam a redação os repórteres tomavam pé do grande impacto que o acontecimento iria tomar naquele século. Havia uma correria aos rádios de comunicação, buscavam autoridades para falar do assunto, especialistas das mais variadas áreas, numa época em que a máquina de escrever era o que havia de mais moderno para as notícias. Os repórteres então descrevem que o levante ocorreu de acordo com a descrição feita pelo diretor do presídio, Fausto Sadi Ferreira, ao amanhecer daquele dia, próximo das 7 horas da manhã. Os presos, de surpresa, atacaram a guarda e tomaram as armas. Não se sabe como, estavam eles armados de facas, e logo de início assassinaram vários soldados, bem como alguns funcionários civis, que tentaram alguma resistência. Depois, arrombaram a casa das armas e se apoderaram de 4 metralhadoras, 50 mosquetões, inúmeros revólveres, munição abundante e se tornaram “senhores” da situação. O documento possui partes fracionadas que provavelmente deve estar em outras pastas ainda não encontradas. Mas fala que depois da aquisição do armamento mencionam que a “metralha” começou a ser ouvida por todos os cantos, assinalando-se a luta contra os presos e militares da ilha.

Sobre os combates “cerrados”, as tropas das “Forças de Terra”, mar e ar, continuavam sua caçada pelos fugitivos, que tais forças haviam bloqueado todos os caminhos nas matas e serras. Uma observação aparece dizendo “que o grupo remanescente dos criminosos fugitivos da Ilha de Anchieta está praticamente encurralado em Parati, entre a Serra do Mar e o oceano”. Os textos continuam com sua dramaticidade, até porque as noticias que chegam não são boas e agradáveis. O maior trecho fala dos “100 mortos” que assim se discorre: “Dispostos a vender caro a liberdade que conquistaram a ferro, fogo e sangue, cerca de 70 homens, considerados os mais temíveis criminosos, embrenharam-se pelas

matas virgens e municiados continuam ameaçando as populações das cidades e vilas vizinhas à zona onde eclodiu a revolta de detentos que determinou o sacrifício de mais de 100 pessoas, entre presos, soldados e funcionários civis do famoso presídio. As cenas que se desenrolaram após a retomada da Ilha Anchieta pelas forças militares são indescritíveis, dado o horror estampado nas pessoas que conseguiram escapar com vida e a ingenuidade das crianças, parecia atestar que haviam passado pela Ilha Anchieta legiões de vândalos e não apenas 400 reclusos em revolta contra um regime, contra a má alimentação e contra os maus tratos que vinham sofrendo”. O texto ainda continua, só que na próxima edição.


Junho 2017

Jornal MARANDUBA News

Coluna da Adelina Fernandes

Origem da Festa Junina Existem duas explicações para a origem do termo “festa junina”. A primeira explica que surgiu em função das festividades, principalmente religiosas, que ocorriam, e ainda ocorrem, durante o mês de junho. Estas festas eram, e ainda são, em homenagem a três santos católicos: São João, São Pedro e Santo Antônio. Outra versão diz que o nome desta festa tem origem em países católicos da Europa e, portanto, seriam em homenagem apenas a São João. No princípio, a festa era chamada de Joanina. De acordo com historiadores, esta festividade foi trazida para o Brasil pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). Nesta época, havia uma grande influência de elementos culturais portugueses, chineses, espanhóis e franceses. Da França veio a dança marcada, característica típica das danças nobres e que, no Brasil, influenciou muito as típicas quadrilhas. Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, região de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. Da península Ibérica teria vindo a dança de fitas, muito comum em Portugal e na Espanha. Todos estes elementos culturais foram, com o passar do tempo, misturando-se aos aspectos culturais dos brasi-

leiros (indígenas, afro-brasileiros e imigrantes europeus) nas diversas regiões do país, tomando características particulares em cada uma delas. Comidas típicas Como o mês de junho é a época da colheita do milho, grande parte dos doces, bolos e salgados, relacionados às festividades, são feitos deste alimento. Pamonha, cural de milho verde, milho cozido, canjica, cuscuz, pipoca, bolo de milho são apenas alguns exemplos. Além das receitas com milho, também fazem parte do cardápio desta época: arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, bom-bocado, broa de fubá, cocada, pé-de-moleque, quentão, vinho quente, batata doce e muito mais. Principais tradições As tradições fazem parte das comemorações. O mês de ju-

nho é marcado pelas fogueiras, que servem como centro para a famosa dança de quadrilhas. Os balões também compõem este cenário, embora cada vez mais raros em função das leis que proíbem esta prática, em função dos riscos de incêndio que representam. No Nordeste, ainda é muito comum a formação dos grupos festeiros. Estes grupos ficam andando e cantando pelas ruas das cidades. Vão passando pelas casas, onde os moradores deixam nas janelas e portas uma grande quantidade de comidas e bebidas para serem degustadas pelos festeiros. Já na região Sudeste é tradicional a realização de quermesses. Estas festas populares são realizadas por igrejas, colégios, sindicatos e empresas. Possuem barraquinhas com comidas típicas e jogos para animar os visitantes. A dança da quadrilha, geralmente ocorre durante toda a quermesse. Como Santo Antônio é considerado o santo casamenteiro, são comuns as simpatias para mulheres solteiras que querem se casar. No dia 13 de junho, as igrejas católicas distribuem o “pãozinho de Santo Antônio”. Diz a tradição que o pão bento deve ser colocado junto aos outros mantimentos da casa, para que nunca ocorra a falta. As mulheres que querem se casar, diz a tradição, devem comer deste pão.

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Jornal Maranduba News #97  
Jornal Maranduba News #97  

Notícias da Região Sul de Ubatuba

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