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Maranduba, Agosto 2016

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 7 - Edição 87

Tocha Olímpica em Ubatuba

Caiçara Nelson Domingos Batista representando a cultura mãe


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Campanha de vacinação antirrábica começa em agosto

Cento e um postos de vacinação, entre locais fixos e itinerantes, sediam a Campanha de Vacinação Antirrábica 2016 da Prefeitura de Ubatuba. A ação começa no dia 1º de agosto e vai até o dia 1º de outubro. Dos 63 postos volantes, 54 devem atender de segunda à sexta-feira a partir das 8:30 e os 38 postos fixos juntamente com os outros nove móveis restantes serão distribuídos em oito sábados dos meses de agosto, setembro e outubro, das 8:30 às 16:30. O objetivo é que sejam vacinados 11.542 cães e 2.046 gatos – totalizando 135.88 animais imunizados. A Raiva é uma doença causada por um vírus e compromete o sistema nervoso

central levando à morte em poucos dias. A adesão da população às campanhas de vacinação antirrábica tem mantido a maioria dos municípios do Estado de São Paulo livres da Raiva em humanos, cães e gatos. Proteja sua família vacinando seus animais.

A vacinação começa pela região Norte, segue para a Oeste, Centro e termina no Sul. Confira o cronograma completo em anexo ou no link http://www.ubatuba. sp.gov.br/sem-categoria/ campanha-de-vacinacao-antirrabica-comeca-em-agosto/

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Editado por: Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3884.0913 (12) 99714.5678 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Editor: Emilio Campi Jornalista Responsável: Ezequiel dos Santos - MTB 76477/SP Colaborador: Pedro dos Santos Raymundo - MTB 0063810/SP Consultor Jurídico - Dr. Robson Ennes Virgílio - OAB/SP 169.801 Consultor Ambiental - Fernando Novais - Engº Florestal CREA/SP 5062880961 Colaboradora: Adelina Fernandes Rodrigues Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo


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Eventos movimentam Ubatuba no mês de agosto

Programação faz parte do calendário turístico e tem como objetivo fomentar o turismo durante todos os meses do ano COMUNICAÇÃO PMU O calendário turístico de eventos da Prefeitura de Ubatuba está com uma programação recheada de atrações. Durante todo o mês, o Projeto Tamar realiza diversas atividades que fazem parte do Mês da Cultura Popular. Em sua 6ª edição, o evento conta com uma programação especial, repleta de apresentações musicais, danças, oficinas, contação de histórias e exposições, todas realizadas no Centro de Visitantes do Tamar, que acontecem de 1 a 31 de agosto. De 12 a 14 de agosto, é a vez da comunidade Picinguaba,que promove a 3ª Festa Caiçara. O

evento contará com barracas de comidas típicas, salgados, doces e brincadeiras, além de um espaço especial da AMBPAssociação dos Moradores do bairro Picinguaba com resgate cultural por meio de exposição de arte, fotos, pesca e maricultura, historias e arrecadações. Organizado pelo Ubatuba Iate Clube e constante no calendário turístico municipal, a regata Ele e Ela Iate Club acontece no sábado, dia 20 de agosto. A prova, que consiste em uma regata de percurso, já é tradicional no município e é aberta para velejadores de oceano. A competição leva esse nome pois coloca casais para velejar juntos.

Entre os dias 26 e 28 de agosto, a 11ª Festa da Cultura Popular Caiçarada reúne moradores e turistas na Ilha dos Pescadores e tem por objetivo promover uma reflexão sobre a situação cultural e socioambiental das comunidades caiçaras e, principalmente, valorizar a beleza e a riqueza das culturas tradicionais da região. A programação do evento conta com diversas atrações, entre elas o Festival de Viola “João Alegre”, corrida de canoas, o Encontro de Contação de Causos “João de Souza”, torneio de truco, além de barracas de comidas típicas e apresentações de grupos de cultura tradicional da região.

11ª Festa da Cultura Popular Caiçarada reúne moradores e turistas

Caraguá retoma parceria e recebe atrações do Circuito Cultural Paulista FUNDACC Caraguatatuba retoma neste mês, por meio da Fundacc – Fundação Educacional e Cultural de Caraguatatuba, a parceria com o Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura, para receber a programação do Circuito Cultural Paulista, programa executado pela APAA (Associação Paulista dos Amigos da Arte), que tem como missão ampliar o acesso à cultura de forma descentralizada. Ao longo do ano, cada cidade parceira recebe um espetáculo por mês, de março a junho e de agosto a novembro, de forma a compor temporadas artísticas que movimentam a vida cultural dos mais de 100 municípios participantes, valorizando os teatros e centros culturais locais, além de espaços alternativos. A qualidade e a variedade

dos espetáculos norteiam a programação do Circuito. Entre música, dança, circo, teatro adulto e programação infantil, o público tem acesso ao melhor do que está sendo produzido nos palcos de São Paulo e do Brasil – de nomes consagrados a criações experimentais. Aos artistas, o Circuito dá a chance de visitar várias regiões e de encontrar um público diversificado, aberto ao novo e ao diálogo entre as linguagens artísticas. Por tudo isso, o Circuito Cultural Paulista é um dos mais importantes programas de difusão cultural e de formação de plateias dentre os mantidos pela Secretaria da Cultura, que tem o enorme prazer de dar início à temporada 2016, sempre em parceria com os municípios. Mais informações: (12) 3897.5661.

Programação Caraguatatuba Show “Toca Raul” – Lucas Santtana - Dia 12 – sexta-feira – às 20h30 – Praça do Caiçara l Centro Considerado um dos maiores nomes do rock brasileiro, Raul Seixas ganha homenagem especial do músico baiano Lucas Santtana. O artista revisita o repertório de Raul e toca os sucessos do roqueiro baiano em versões originais de reggae. O roteiro do show foi pensado e montado de forma que a plateia possa relembrar e curtir desde as músicas mais conhecidas até as que não chegaram a ser grandes sucessos, mas que contribuíram para a formação do rock feito no país. FICHA TÉCNICA: Voz e Guitarra: Lucas Santtana. Baixo: Klaus Sena. Bateria: Beto Gibbs. Teclados e Sintetizadores: João Leão.


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Praça Santa Cruz do Sapé na Maranduba: muita história para contar Ezequiel dos Santos Assim como o nascimento de toda comunidade, esta nasceu pequena e baseava sua posição estratégica nas condições climáticas e geográficas e seu calendário no modelo natural e religioso das épocas: “épa da pesca, das “prantação”, das caçadas, épa das chuvas, épa das festas” e assim vai. Neste período todos se tratavam de compadre e comadres tamanho respeito entre eles. A imagem retrata o que um dia foi a Praça Santa Cruz do Sapé na Maranduba na década de 1950. Pela imagem dá pra perceber porque o local ficou conhecido como Sapé. Dizem que por ali os ramos de mandioca não se desenvolviam como deveria acima do solo, mas ao retirar as raízes para consumo a surpresa – tinha mandioca pra mais de metro. Primeira Capela O Cruzeiro perto da areia da praia já existia. A sua frente o que viria ser a destruição do povo caiçara – o início da rodovia. Na foto se vê ao centro a primeira capela de onde o caiçara Manoel Gaspar dos Santos afirma que há 69 anos foi crismado. Recorda que o chão era de areia e ao entorno da capela havia um baldrame de tijolos Maranduba pelo menos 80 cm para segurar a maré. Ao fundo a casa do João Pimenta e a primeira rua a ser aberta na época – a Rua do Eixo. O padre quando vinha vestia-se de preto e quando ia ao Sertão pelo “carreiro” tinha que levantar a batina para não encharcar com o orvalho. Na capela aconteceu o casamento do João Hilário, celebração esta realizada pelo cônego alemão Bail – João Bail ou João Bayle como se falam. Este vi-

nha de barco e trazia consigo um órgão que para seu deslocamento contava com homens da comunidade para amarrá-lo em madeira e transportar nos ombros aos vários locais para a missa A venda Do lado direito uma casa e um telhado com duas portas grandes – era a venda do Hidomeu, que depois foi do Ângelo Zacarias. Lá vendia o básico: sal, “criosena” (querosene), gordura de porco – que servia como alimento e para passar no cabelo – biscoito em lata, bala “rebuçada” portuguesa – que vinha numa lata quadrada e era tão doce que colocavam no café para adoçar. Tinha também farinha de mandioca, café e outros gêneros para vender a quem não tinha roça. Casa do telégrafo Do lado oposto, onde hoje é a farmácia o prédio da Casa do Telégrafo. La trabalhou Anastácio Mesquita, outros que não foram lembrados os nomes e Deolindo, último a operar a tecnologia de ponta da época. Ainda existem perdidos alguns postes da rede antiga. Escola da Rita Carlota Ao fundo na imagem, parte superior da foto, é possível pra ver uns descampados. Lá moravam a família Carlota, gente da professora Rita Carlota, uma escola mista onde estudava gente da “préia” e do sertão. Dentre eles estudava Zeca Pedro, 76, que saudosamente relembra de alunos da época. “Me alembro de estudar com Dito Felix, Pedro Felix, Antonio Pereira, Zé João, Moisés, Tião Félix, Margarida Ramiro, Catarina Branca, Nanzinho, Zezinho Cida Balio e Tião Balio, Nair

Chegada de Portugal da réplica da imagem da Santa em 1925 na Praia do Sapé a ser levado ao Morro da Quina

e Lurdes (filhas do Pimenta), Neuza-Maria e Erli (filhos de Mané Salomão), a Maria do Chico Romão, Irene (filha do Hidomeu), Maria Carlota e Mané Carlota Filho (filhos de Mané Carlota), Néco (filho da Rita Carlota), Elias (Filho do Jorge da Mata) e tem mais,” conta o caiçara. Diz que as aulas começavam às oito da manhã e parava meio dia. No meio caminho deixavam a marmita (peixe seco, feijão, arroz e um “cuí” de farinha) no meio do caminho pra comer na volta, já que não havia merenda escolar. Trilha A praia era o caminho para se chegar a Vila de Santo Antonio ou a cidade de Ubatuba. Depois da Lagoinha se usava o caminho do telegrafo que era mais curto. Zeca Pedro lembra muito bem quando viu uns homens pela primeira vez a marcar o carreiro onde hoje é a rodovia. “Muita gente uns camaradas fazendo piquete por lá”, comenta. Lembra ainda da primeira vez que enxergou ao longe o que parecia uma caminhonete e que ao pedir pro balseiro – Antonio do Prado – pra atravessar o Rio

Alunos da escola de Rita Carlota que se refere Zeca Pedro - Toninho Pereira, Moisés, Ze´ João, Tonico e companhia proximo a casa de Mario Fava

Maranduba, este não o fez e Zeca Pedro, Pedro Félix, Toninho Pereira e Zé João ficaram na verdade a ver navios. O lugar ainda esconde muita história a ser descoberta e tem muita gente, tanto da “préia quanto do sertão” que ainda tem o que falar, pena que não cabe nesta pagina.

Vista aérea da Praça Santa Cruz do Sapé por volta de 1950

Casamento de Benedito Rosa na Capela da Praça do Sapé, ao fundo o Cruzeiro


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Alunos do Nativa representam escolas municipais na passagem da tocha olímpica No último dia 27, as crianças do projeto Pedala Leitura, da escola municipal Nativa Fernandes de Faria do Sertão da Quina foram convidados pelo prefeito municipal a representar as escolas no evento organizado para a passagem da tocha olímpica por Ubatuba. Do projeto participaram alunos, professores e também ex-alunos que foram pedalar ao lado da equipe da tocha. As crianças e os adultos que lá estavam aproveitaram ao máximo este momento. Os momentos que antecederam a saída foram os mais tensos – a ansiedade e a vontade de participar deste encontro deixaram as crianças agitadas, mas ao final deu tudo certo. O projeto Pedala Leitura nasceu para romper as barreiras da tradição dos muros da escola e pedalar rumo a uma proposta desafiadora de inserir o ciclismo como conteúdo da Educação Física Escolar e iniciar um trabalho de interdisciplinaridade envolvendo as disciplinas de Língua Portuguesa e Arte.

Cultura caiçara se faz representar no evento Os alunos, pais, professores e funcionários criaram a estampa para a própria camiseta do projeto, sob orientação da professora de Arte. Representando a cultura caiçara e tendo como ponto alto do evento da passagem

Caiçara Nelson Domingos Batista representando a cultura mãe

da tocha olímpica a chegada do caiçara Nelson Domingos Batista, 65, dentro lendária canoa Maria Comprida a Praça de Eventos da cidade. Segundo a prefeitura desde década de 70 é a segunda vez que a canoa Maria Comprida vai para água. Ela foi especialmente restaurada e pintada para a passagem da Tocha. Ubatuba foi a última cidade do estado de SP por onde passou a tocha. A solenidade também contou com apresentações da Banda Lira Padre Anchieta, além do Coral da Aldeia Indígena Boa Vista e do Fandango Caiçara, que valorizaram a cultura local. Muita gente aproveitou a oportunidade para registrar este momento.

Sai da frente que queremos passar, festa organizada para um momento impar

A PROMATA Carolina Lemos não perdeu a oportunidade e registrou seu momento no evento Equipe do Pedala Leitura poda para foto antes da saida


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1ª Festa do Agricultor de Ubatuba recebe elogios do público Jaqueline Martins Organizado pelo Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ubatuba – STTR em parceria com a Colônia de Pescadores Z10, CATI e APTA, a 1ª Festa do Agricultor tinha tudo pra começar tímida, mas isso não aconteceu. A festa, realizada na Ilha dos Pescadores no centro de Ubatuba, foi sucesso absoluto superando seus objetivos deixando o público com um gostinho de quero mais. A festa, que começou no último dia 28 e programada para finalizar no sábado dia 30, estendeu até o domingo por conta da solicitação do público. Elogiado em todas as formas os organizadores não esconde a satisfação em promover um evento importante a uma categoria que se qualifica e se adapta cada dia para atender a mesa do brasileiro com produtos saudáveis e de elevada qualidade. O evento foi sinônimo de qualidade no se refere a produtos, serviços e atividades ligados a terra e seus povos. Dentro da programação havia bingo, show musical, comes (caldinhos, cuscuz, churrasco, produtos de gengibre, doces, bolos de açaí, bolinhos salgados, saladas, tainha assada, galinhada de galinha caipira, costela com mandioca, fritas de mandioca) e bebes ( vinho quente, quentão, suco de açaí), artesanatos, hortifrutigranjeiros, farinha de mandioca, mudas de arvores, cultura da melhor qualidade como a apresentação do Fandango Caiçara e a interpretação do Cio da Terra na voz de Milton Gonçalves realizada pela Tenda da Cultura. O evento não deixou de homenagear homens e mulheres que enfrentam sol,

chuva e movimentos contrários a aqueles que amam a terra e tiram dela seu sustento, movimentam a economia e promovem a saúde através da mesa dos brasileiros. Organizadores explicam que o evento tem por objetivo “beneficiar uma classe de trabalhadores que vivem da terra e produzem alimento orgânico de qualidade para benefício de todos. A festa mostra o trabalho desses homens e mulheres, bem como comidas típicas da região, da cultura caiçara, artesanato local, Economia Solidária e diversão para todos”, finalizam. O evento contou com as duplas Nako & Rafael, Ternura, Nikolas & Germano, violeiro Miranda, Viagra Boys. O apoio ficou por conta da Fetaesp, Polo Produtivo, Radio Mega Fm Ubatuba, ITESP,

Cooperfamília, Promata, Rede Agroecológica Caiçara, Feira Ecosol, Quilombos e Indígenas de Ubatuba. Agradecimentos ao comércio local da região sul de Ubatuba com as tradicionais prendas de festa – Laticínios Litoral, deposito Nossa Senhora das Graças, vidraçaria Sertão da Quina, Comercial Blessa, Super Tem Tudo, Padaria da Matta, Eco Bar Hostel, Adega Dmenor, Casa de ração A Arca, Sergio Filé- Pinturas Especiais e Casa de Farinha do Quito - Pedacinho de Ubatuba. Mais do que um evento foi um grande encontro de gerações de familiares – das famílias de agricultores e das pessoas que buscam o melhor a saúde das pessoas, as comunidades, a economia solidaria e sustentável e a um meio ambiente respeitoso e equilibrado na pratica.

Comunidade festeja celebração de aniversario sacerdotal de Pe. Daniel

Foto: Mateus Amorim No primeiro dia de agosto, a comunidade paroquial da região sul de Ubatuba comemorou na capela Nossa senhora das Graças o 7º aniversario de devoção sacerdotal do padre e pároco local Daniel Inácio. Há dois anos na comunidade Pe Daniel até tirou risos dos paroquianos, mas na maioria do tempo falou sério sobre a importância de estar ali, da escolha que fez em 2009. Sem óculos e com a igreja cheia ele agradece a oportunidade de conduzir o rebanho. Fala ainda da sua fidelidade com a igreja através das emoções que sente nas celebrações que realiza. “Choro de emoção junto com os noivos quando eu realizo um casamento”, comenta. “Não é fácil, nas dificuldades vou buscar a comunhão com minha comunidade”, reitera. Também fala que ninguém

deve idolatrar o padre, que o padre é um homem que sente as mesmas coisas que outros sentem. Pe. Daniel falou das vezes que arrumou as malas pra ir embora, para largar o sacerdócio, mas foi só pensar nas pessoas da comunidade para desistir e continuar a jornada. “A comunidade é minha grande família”, descreve. Por três vezes agradeceu o carinho que tem recebido da comunidade. Ao final as crianças da Infância Missionária entregaram ao padre cartinhas com os mais variados dizeres, mas com certeza havia muito carinho e agradecimentos dentro. Em seguida paroquianos entregaram presentes. Após a celebração a tradicional festa de aniversário com refrigerantes, salgados, bexigas e o bolo de aniversario com parabéns a você e tudo.


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Morador do Araribá, especialista em geografia da UFRJ, profere palestra on line sobre bioengenharia como forma de recuperação de solo No último dia 7, o professor da UFRJ e morador do Araribá, professor Antonio Teixeira Guerra proferiu palestra utilizando a internet para mais de mil pessoas inscritas no Brasil e no exterior. O evento durou uma hora e foi recheado de perguntas, algumas delas não puderam ser respondidas on line por falta de tempo, mas o professor as respondeu após a palestra encaminhando aos e-mails dos interessados. A palestra que foi gratuita, de fácil entendimento e num formato leve e compreensível tornou acessível em sua linguagem e explicação a todos. O tema abordou tópicos relacionados á formação dos solos, diferentes fatores responsáveis por processos de degradação, incluindo erosão dos solos e movimento de massa, além de um modelo possível a ser trabalhado que não só agrega valor a área degradada como a comunidade que participa diretamente. Foram ainda apresentadas diferentes formas de recuperação de áreas usando técnicas de bioengenharia. Para o professor, se referindo ao símbolo do ano Internacional dos Solos (2015) promovido pela FAO (órgão das Nações Unidas para a agricultura e alimentação), “ao meu ver foi uma iniciativa muito interessante e importante, mas todo ano deveria ser o ano internacional dos solos. Sem solo saudável, não temos um ambiente saudável, não temos pessoas saudáveis, não temos seres vivos saudáveis, não temos água em qualidade e quantidade para atender todas as necessidade

que temos”, comenta o especialista. O projeto que mais chamou a atenção foi o de utilização de fibras vegetais, onde as mulheres das comunidades eram responsáveis pela fabricação da trama da fibra que depois eram transformados e módulos e fixados no solo para segurar a grama. Material e técnica que pode ser utilizada em todo território nacional tendo em vista a vasta possibilidade de material. Para as explicações de áreas degradadas o professor utilizou inclusive uma imagem a qual mostra um modelo de área em degradação de Ubatuba.

O público alvo era o mais diverso tendo em vista a importância do tema e do profissional responsável, porém destinado a profissionais e estudantes, bem como técnicos envolvidos com diagnóstico de danos ambientais e recuperação de áreas degradadas, com técnicas de bioengenharia. Interessou diretamente a geógrafos, geólogos, biólogos, engenheiros civis, agrônomos, ambientais e florestais, arquitetos e demais profissionais envolvidos nas questões a serem apresentadas. A palestra foi organizada pelo site Oficina do Texto. Agora é aguardar o próximo.


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Casa de Farinha da “Casa do Quito” é reativada após 10 anos

Fotos e texto: Jéssica dos Santos Motivados pelo curso de Turismo Pedagógico No Meio Rural promovido pelo SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) em parceria com a FETAESP (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de São Paulo) e o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ubatuba – STTR com apoio da PROMATA, alunos decidiram reativar um patrimônio material e imaterial que já foi muito comum na região, uma casa de farinha, desta vez a escolhida foi a da casa do Quito. Durante o curso, ministrado pela professora e mestra em hotelaria e turismo Cândida Baptista, os alunos aprenderam sobre o atendimento ao turista nos moldes pedagógicos e educacional dentro de propriedades rurais. Cada grupo então, ao final do curso, escolheu uma propriedade para recepcionar os “turistas”. Nesse caso alunos do mesmo curso em Ilhabela – Praia de Castelhanos e Bonete. Idéia e pratica A idéia partiu de um dos alunos. Gabriel, conhecido por “argentino” comentou que depois de ouvir as histórias da família teria vontade de ver aquele espaço “cheio de goma novamente”. A idéia foi colocada em pratica com o aval da equipe de alunos e da família do Quito. Na apresentação da propriedade, a história da família do Quito e da cultura caiçara, bem como os artesanatos feitos pelo mentor e suas ferramentas de uso diário foram contadas como parte da tradição oral. Depois os alunos foram à casa de farinha e lá puderam ver e sentir

Na roça buscando matéria prima

Ralando a mandioca

Tipiti do Seu Quito volta a se encher de orgulho, quer dizer mandioca ralada

Massa da mandioca

como esta estrutura funciona. Claro que também participaram de alguns processos da produção da farinha, como cevar a mandioca. Lá puderam aprender como funciona todo o “viamento” como a prensa, o tipiti e tudo mais. Mirante Os alunos tiveram a oportunidade de conhecer a trilha do Mirante, que dizem ser um dos pontos do caminho antigo do processo civilizatório local, por onde passaram os primei-

ros moradores destas bandas. O visual chamou a atenção por sua beleza e especificidade já que deste ponto é possível avistar toda baía do Mar Virado. Para fechar com “chave de ouro” um delicioso café caiçara (ouro negro) foi servido: café de cana – café encorpado- suco de mexerica, bolo de mandioca, de fubá e farofa de ovo. Tudo que na época era facilmente encontrado no quintal, produtos de qualidade e natural de verdade.

Dona Eugenia na pratica

Hora de cada pegar o seu quinhão

Farinha daqui na festa de lá, sucesso


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Curso coloca em prática o processo, moradores já fazem pedidos

Clima familiar O clima não podia ser diferente, a alegria contagiante transformou esta sala de aula a céu aberto num encontro aconchegante. Familiares, amigos e alunos do curso ajudaram em todo o processo, desde colher a mandioca no sítio do Zé da Alzira que doou a mandioca em troca de farinha - até ralar, cevar a mandioca, fornear, preparar o café, decorar tudo, criar o logotipo, fazer crachá, ufa! Foi uma trabalheira só, porém muito gratificante e reconfortante. O clima fraternal de união e boas lembranças que vieram à tona ao reviver a Casa de Farinha feita pelo Vô Quito trazem maravilhosas recordações. Vê-la novamente funcionando e com aquele cheirinho bom é só para quem pode, já que em algum momento da vida, viveu este sublime momento e poderá dizer do que se trata. Curso coloca em prática o processo, moradores já fazem pedidos Na última semana do curso em andamento, com objetivo de ensinar os alunos a promover e montar seus produtos para a venda. A equipe colocou em pratica todo processo novamente, desta vez é para valer. O objetivo foi produzir a farinha para levar o produto na 1ª Festa do Agricultor de Ubatuba que começou em 28 de julho. Todo o processo só foi possível com a assessoria, colaboração e orientação das caiçaras Ana Lúcia e Dona Eugênia que apoiaram o projeto desde o início. Mesmo após 10 anos em inatividade da casa de farinha, mãe e filha deram um espetáculo na hora de produzir o produto, que, diga-se de passagem, deram um show na hora de fornear produzindo

Forneando

um produto impecável. A festa foi um sucesso e a farinha da Casa do Quito também, tudo foi vendido com a ajuda da PROMATA Jaqueline. A associação de observadores de aves cedeu sua barraca aos alunos para o evento. Deu tudo tão certo que já temos vários novos pedidos, agora é só começar a plantar mandioca e torcer pelos clientes aguardarem o tempo certo para essa farinha ficar pronta! * * * Jéssica dos Santos Formada em Educação Física, Guia de Turismo, Caiçara do Sertão da Quina, neta do Vô Quito e apaixonada pela cultura caiçara.

Atentos e de olho pra não perder nenhuma etapa

Ferramentas essenciais

Dona Eugenia, só de olha. pra ver se esse povo faz direito


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Imbiruçu impressiona pelo porte

Uma base forte que chama atenção

Foto: Roberto Pituí O observador de aves da PROMATA Roberto “Pituí” acostumado a encontrar grandes árvores na floresta não perdeu tempo em registrar este espécime que imediatamente chamou a atenção pelo tamanho. Imbiruçu, ou Embiruçu (Pseudobombax grandiflorum), cujo nome popular não lhe falta - paineira-rosa; paineira-do-cerrado; paineira-lisa; paina-de-arpoador; cedro-de-água; paina-do-campo; paineira-branca - é uma planta ainda encontrada na Mata Atlântica. Este ser costuma chegar a 20 m de altura, porém imagina-se que algumas chegam a quase 25 metros como a do registro. Segundo o observador ao menos são necessários

Paina do Imbiruçu

umas quatro pessoas para abraçar a árvore. No caso esta encontrada foi no município vizinho dentro do Parque Estadual da Serra do Mar- Núcleo Caraguatatuba. Ela encontra-se na mata aos fundos de um condomínio próxima a duas lagoas existentes. Trata-se de uma planta heliófila, isto é, que exige muita luz para desenvolver e não tolera regiões frias. Particularidades Florescendo entre os meses de maio e agosto e frutificando entre agosto e novembro, suas flores têm coloração branca e destacam-se pelo tamanho, beleza e quantidade de estames (aqueles prolongamentos presentes nas folhas com uns pontinhos pretos nas pontas, onde são pro-

duzidos os grãos de pólen). O cheiro é adocicado e sua intensidade varia de acordo com a abertura da flor. Já os frutos são do tipo cápsula e, quando se abrem, expõem as pequenas sementes em um emaranhado de fios (paina) de coloração marrom claro. As comunidades tradicionais não tinham esta arvore em seu cardápio de sobrevivência, recomposição e interação com o meio. Sua madeira é considerada mole, suscetível a ataques de cupins. O que mais era utilizada era a casca para produção de “imbira”, por isso o nome Imbiruçu. Essa coleta era a retirada de uma faixa de casca para produzir um material que substituía a corda, por exemplo, a ser utilizada para os vários motivos: amarração, acabamento, adorno, reforço e apoio. Fora destas comunidades há quem a use para fabricação de caixotes e miolos de compensados e portas. Para a indústria de transformação de celulose, contudo, a madeira tem boa aceitação. A paina, que envolve as sementes, pode ser usada para preenchimento de colchões, almofadas e travesseiros. É leve e muito agradável ao tato. Outro aspecto que deve ser considerado é a importância dessa planta para as abelhas, pois, suas flores produzem quantidades apreciáveis de néctar e abrem-se no inverno, época de escassez de flores. De tão alta ela forma “uma outra” floresta em sua copa, geralmente preenchidas por cipós, bromélias e caraguatás o que atrai um seleto grupo de anfíbios, animais, insetos e aves. Moradores antigos comentam que a casca tam-

bém era utilizada para tratar de inflamações das vias urinárias, a tal “dor de urina”. A planta nova tem sua raiz utilizada como alimento para o tatu, teiú (lagarto), não que o homem saiba que eles sintam “dor” de alguma coisa e o consumam. Mais do que observar esta pérola da natureza o observa-

dor diz que maravilha mesmo é observar todo o conjunto para entender como a natureza de fato faz sentido, o que ela nos proporciona e oferece. Daí partimos a entender o nosso papel no meio ambiente. Como dizem por aí quem conhece respeita e quem respeita sabe usar e sabendo usar não vai faltar.


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Entidades realizam 1º Levantamento de Áreas de Manguezais de Ubatuba Região sul recebe duas expedições

No último dia 30/07, entidades, instituições e voluntários organizados pela APPRU (Amigos na Preservação, Proteção e Respeito à Ubatuba), se mobilizaram para mais uma etapa de ações para atividades voltadas a manutenção do berçário marinho - a preservação dos Manguezais – ecossistemas que são encontrados sempre na foz de um rio, tendo influencia da água do mar (maré), responsável por 80% das espécies que dependem dele de alguma forma. No último dia 25 de junho esteve na Praia da Ponta Aguda, Figueira e Lagoa. Desta vez voltaram com mais equipamentos e ferramentas. A meta é adquirir mais informações sobre esse ecossistema desta região. O que se tinha até então eram informações superficiais, agora existe o detalhamento do sistema. Ubatuba possui detém a maior quantidade desse ecossistema no litoral norte, cerca de 45% do total. In Loco A atividade busca formar um “Raio X” da situação. Com estas visitas é possível traçar um panorama específico das condições dos mangues de norte a sul do território municipal. Com isso dá para saber seguramente onde de fato é mangue e onde só existe vegetação. A iniciativa é considerada inédita. Um dos exemplos destes dados foi a descoberta, na Praia da Figueira, de Mangue Branco, que cujas sementes ficam vagando no mar por mais de um ano até achar um local adequado para germinar e se instalarem. Já na Ponta Aguda, embora considerado pequeno, foi encontrado um ecossistema completo. Não havia só árvores como mangue

branco, preto e vermelho, vestígios de vida própria como a de caranguejos vermelhos, peixes e aves. Mas a lama e suas águas ainda limpas mostram seu pleno processo de funcionamento. Parcerias positivas O Levantamento é uma parceria entre a Ong APPRU, Câmara Municipal de Ubatuba, Policia Militar Ambiental, APA Marinha LN, Secretaria Municipal de Meio ambiente, PROMATA, Verde Bus e Ong Guardiões do Mar. Outras entidades já se manifestaram favoráveis a futuras parcerias. Um dos objetivos dos trabalhos é buscar parceiros locais conforme percorrem o litoral da cidade.

Propostas e ações Nas ações de campo, os profissionais de cada instituição em sua área de atuação oferecem suas contribuições - biólogos analisam a fauna e flora, os fotógrafos fazem os registros, o policiamento faz a coleta das posições no GPS, voluntários dão apoio a essa equipe, a ideia é canalizar todas essas instituições e pessoas no objetivo de maximizar a coleta de informações, assim também determinar para aquele local ações futuras e limpezas, por exemplo. Mesmo com tempo ruim e previsão de ressaca a equipe não desanimou. O acesso por terra quase impraticável e os botes por mar nem pensar. Desta vez

contaram com a o apoio de dois caiaques, dois biólogos com câmeras GoPro e GPS constataram onze pontos de mangue branco dentro da Lagoa existente na praia de mesmo nome. Também foi registrado um pequeno bosque classificando um manguezal. Tudo foi fotografado e marcado no GPS. Lixo e mais lixo Para as tarefas desse dia duas equipes foram formadas: trilha e praia. O objetivo foi coletar o lixo depositado neste paraíso. Na trilha a coleta foi pequena, mas na praia cerca de 300 kg de material foi coletado, sendo o isopor o campeão, seguidos de sacolas plásticas e garrafas pet. A organização dos traba-

lhos diz que já é possível montar um banco de dados sobre todos os aspectos que poderá servir futuramente na aplicação de políticas publicas condizentes com a estrutura natural de cada lugar. Parceiros O Levantamento é uma parceria entre a Ong APPRU, Câmara Municipal, Policia Militar Ambiental, APA Marinha LN, Secretaria Municipal de Meio ambiente, PROMATA, Verde Bus, Ong Guardiões do Mar, Aquário de Ubatuba, Projeto Preservação Manguezais de Caraguatatuba, Projeto Guaiamum Caçandoca, Esquina das Modas Magazine, Opinião Calçados e Adega Portal Tabatinga. Contou ainda com guias de Turismo de Ubatuba, Ubadesklimp, Universitários da UNIMODULO, ETEC Tancredo, representantes da Ong APPRU de Caraguatatuba e São Sebastião, além dos parceiros citados na organização do 1º Levantamento das Áreas de Manguezal de Ubatuba. Segundo o presidente da APPRU, Antonio Augusto de Oliveira Neto, “é uma satisfação muito grande ver todas essas pessoas e instituições se dedicando voluntariamente na busca de mais informações dessas áreas, para que no futuro, possamos cuidar melhor desses locais, garantindo o equilíbrio ecológico e a oportunidade das futuras gerações conhecerem esses ecossistemas”. As ações podem ser acompanhadas pelas páginas no facebook - Manguezal Berço Ameaçado ou APPRU Ubatuba. O evento acontece todo último sábado de cada mês. O próximo será o manguezal da Caçandoca


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“Chacina na Ilha Anchieta - Tiroteio na invasão e retomada da Ilha” Parte 28

Jornais da época enviaram seus melhores repórteres para descrever a maior rebelião do planeta que aconteceu em nossa região, sobreviventes ajudam a contar a história.

Ezequiel dos Santos “Lendas & Outras Histórias - Seu Filhinho. A partir da pagina 106 deste livro o autor – Washington de Oliveira – continuando suas narrativas ao qual pouco se fala sobre o inicio do presídio. Após a descoberta do lugar chega o Dr. Luiz Antonio Teixeira Leite que trazia da capital os obreiros especializados que dariam inicio a construção da colônia. O projeto era o do então renomado arquiteto Ramos de Azevedo, que há pouco tempo havia desenhado o projeto da Penitenciaria do Estado, o Carandiru. Depois dos trabalhos, Teixeira Leite adquiriu varias glebas de terras em Ubatuba, tudo para alimentar ainda mais suas pretensões políticas. As compras eram em parceria com Ramos de Azevedo e Ernesto de Castro. Segundo seu Filhinho, estas terras mais tarde foram alienadas a Elias Gibran e irmãos Cotait, atualmente, na época da publicação do livro, pertence aos herdeiros do Cel. Sousa Aguiar. Em 1908 foi colocada a frente da entrada do presídio uma lapide de mármore branco com os seguintes dizeres: “Colônia Correcional do Porto das Palmas. Mandada construir pelo Gov erno do Estado de São Paulo, sendo o Presidente do Estado o Exmo. Sr. Dr. Jorge Tibiriçá; Secretários da Justiça os Exmos. “Snrs.” José Cardoso de Almeida e Washington Luis Pereira de Sousa. Projecto do engenheiro Ramos de Azevedo. Construtor e engenheiro Luiz Teixeira Leite.” Embora com uma placa deste porte, todos ainda continuavam a chamá-la de Colônia Correcional da Ilha dos

Porcos. Na primeira fase do presídio a vida corria tranquilamente, a mesmice tomava conta de todos. Só foi interrompida quando o preso Paulo Lopes de Siqueira, improvisando um estilete, matou um companheiro de cela durante a noite. A época o primeiro diretor era o coronel Henrique Ferreira, substituído logo depois pelo capitão Sebastião Lorena. Como médicos do local atuaram Dr. Raul de Frias Sá Pinto (mais tarde diretor da Assistência Publica e deputado estadual) e o Dr. Campos da Paz e João Severiano de Miranda (posteriormente capitão-médico do exército e professor da extinta Escola de Farmácia e Odontologia de Pindamonhangaba. Já em 1916 o governo do estado resolveu desativar o presídio. Segundo as autoridades da época o preço de se manter esta estrutura era muito alto. Com isso transferiu a colônia para Taubaté.


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Aves da nossa rica Mata Atlântica: Saíra Sapucaia Considerada em seu estado de conservação com o vulnerável na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) e Lista Nacional do Ministério do Meio Ambiente (MMA) de 2014, esta ave cujo registro para alguns é considerado muito difícil e até mesmo raro, foi encontrada em nossa região. O registro aconteceu no entorno da residência do PROMATA Manoel Cabral no bairro do Sertão da Quina. Isso significa que o ambiente por lá esta de acordo com o que esta e outras espécies precisam. Segundo o Wikiaves, esta ave em seu nome científico (Tangara peruviana) significa: do (tupi) Tangará = dançarino; ata = andar; e carã = em volta; e de peruviana = referente ao Peru, país da América do Sul. Dançarino do Peru. Apesar de em seu nome científico constar outro país da América do Sul, é uma ave endêmica (fenômeno no qual uma espécie ocorre exclusivamente em determinada região geográfica) brasileira. Curiosamente o nome peruviana se deve a um erro onde se confundiu o Peru com o Brasil. De tão bela é comum ver suas imagens em exposições, mostras fotográficas e workshops sobre o tema. Quem é? Da família das saíras é considerado a mais colorida possuindo em todo corpo tons de coloração suaves que se complementam para formar esta bela espécie que parece estar emoldurada em uma obra de arte: marrom claro, creme, verde-água, azul claro, preto e cinza. A Saíra Sapucaia possui manchas pretas no dorso,

Foto: Aguinaldo José/PROMATA

isto a diferencia do macho da saíra-preciosa (Tangará preciosa). As fêmeas são menos coloridas só possuem

a cabeça marrom claro e o resto do corpo em tons esverdeados. Jovens e filhotes são pardos com asas e cau-

da esverdeados. Em média com 15 cm, tem em média 2 ninhadas por estação com 3 ovos cada uma. Alimenta-

-se de frutos, mas também de insetos e aranhas. Com a escassez de alimento em épocas do ano ou em lugares em que seu habitat sofre intervenção danosa ela ocasionalmente busca comedouros para aves. Esta ave se revolta quando perde a liberdade, ela quando se vê presa no alçapão, arranca suas próprias penas, em um surto de raiva. Onde vive É habitante de um ecossistema que tem sido destruído pela especulação imobiliária - a restinga (planície arenosa costeira, de origem marinha, incluindo a praia, cordões arenosos, depressões entre-cordões, dunas e margem de lagunas, com vegetação adaptada às condições ambientais), de matas primárias e secundarias. Especialistas em aves dizem que sua extrema beleza e raridade não são páreos para o avanço dos condomínios no litoral “devorando” porções cada vez mais significativas de vegetação litorânea. Sua população residente habita desde o litoral de São Paulo até Santa Catarina. Parte desta turma costuma migrar no inverno, alcançando o litoral norte de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Foi em Peruíbe - litoral sul de SP - que foi realizado o primeiro registro de reprodução dessa espécie. * * * Fonte: Wikiaves, Ubatubabirds, IBAMA, Coaves, Ubatubabirds, Promata, Projeto A Ultima Arca de Noé, passarinhar.com, G1, ornithos.com. br, avescatarinenses.com.br, unicentro.br, naturezabrasileira.com.br, unisanta.br/artes, infoescola, zonacosteira. bio.ufba.br, MMA, IUCN.


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Casal recebe Benção Apostólica do Papa Francisco pelas décadas de matrimonio

Grupo de combate a dependência química se apresenta a paróquia

Foto: Rogério Manoel

Pe Daniel le em alto e bom tom as felicitações de Papa Francisco

O casal Manoel Gaspar dos Santos (80) e Luzia Felix dos Santos (79) da comunidade Nossa Senhora das Graças receberam direto do Vaticano um documento que felicita o casal pelas Bodas de Diamante (60 anos de matrimonio). O documento se trata de um papel oficial com dizeres simples porem compensador ao casal que aniversaria esta data. O pedido havia realizado pelos filhos através de carta ao Sumo Pontífice, que respondeu e assinou não só a este casal, mas a outros que comemoravam a data em todo Brasil. Padre Daniel havia feito as honras na celebração do último dia 17 de julho tendo como testemunha os paroquianos locais. Para a família trata-se de um dos maiores presentes que os pais pode-

riam receber. Aos amigos e familiares a mostra que os anos de convivência valeram a pena. Para a comunidade o reconhecimento pela manutenção da tradição da fé original. Ao casal a satisfação do dever cumprido. Ao padre o privilégio e a emoção de ser o porta voz desta tão nobre benção. O casal lembra que mais do que comemorar o aniversario de casamento é a renovação das promessas trocadas entre o casal no altar perante Deus, receber tão sublime e importante reconhecimento é fechar com chave de ouro, quer dizer de diamante a consolidação desta união. Bodas de diamante Dentre uma lista que vai até 100 anos de casamento – bodas de Jequitibá – as bodas de diamante são as

mais festejadas. Dizem que quando o casal alcança estas bodas significa que nunca mais este relacionamento terá fim, será eterno como um diamante. A indestrutibilidade do diamante é uma das características que mais é associada ao sexagésimo ano de matrimônio, quando todos os obstáculos já foram ultrapassados pelo casal, que se manteve unido para superar todos os desafios. Mas calma, melhor não ter pressa para chegar a este patamar, senão não chega. Como dizem os antigos, devagar com o santo que o andor é de barro. Agora em matéria de experiência é só buscar com quem esta ou já passou por este aniversário. Manoel e Luzia dão o exemplo.

No último dia 30, ao final da celebração na Matriz Cristo Rei na Maranduba, o Grupo Esperança Viva Santa Cruz – GEV falou sobre os trabalhos que vem realizando na recuperação de dependentes químicos e bebida. O grupo é uma extensão da Fazenda da Esperança no Vale do Paraíba. Na ocasião um “libertado” das drogas deu um testemunho emocionado, disse se sentir a vontade em falar aqui já que é de Caraguatatuba, falou de como as drogas o prendia a uma vida desumana e como principalmente destruía sua família. Ele conta que foram 16 anos de agonia e sofrimento. Os pais também falaram sobre o filho antes e depois do tratamento. Uma moça também deu seu testemunho e diferente do primeiro o parente estava lá há poucos meses. Duas voluntárias também falaram sobre como foram chamadas a trabalhar com o grupo. Já na terça feira, na Capela Santa Cruz no Sapé, acontece a primeira reunião com familiares e dependentes químicos que buscam se livrar deste mal. Historicamente a Fazenda da Esperança tem ajudado mui-

tos dependentes e co-dependentes de vícios que afligem não só a pessoa mas toda uma estrutura familiar, destruindo muitas vidas. O GEV está presente em muitas paróquias da Diocese de Caraguatatuba e também busca parceiros que possam colaborar com esta obra. A Fazenda da Esperança é uma comunidade terapêutica com mais de 30 anos de experiência na recuperação de jovens dependentes químicos. Avaliada como a maior obra da América Latina desenvolvendo essa atividade e ajudando milhares de famílias, atualmente se encontra em 15 países do ocidente ao oriente. Seu trabalho se baseia no tripé: convivência em família, trabalho como processo pedagógico e espiritualidade para encontrar um sentido de vida. As pessoas que neste estilo de vida encontram suas vocações formam a Associação Internacional de Fiéis chamada Família da Esperança que tem como missão “levar a Esperança, Jesus Cristo, ao maior número de jovens do mundo inteiro”, dada pelo papa emérito Bento XVI. Seja voluntario!


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Coluna da Adelina Fernandes

Dia dos Pais - Tempo para filhos Conta a lenda que, certa vez, um pai chegou do trabalho tarde, cansado e irritado, quando seu filho de 5 anos perguntou: - Pai, quanto você ganha por hora de trabalho? - Mais ou menos oito reais por hora, se considerar o salário mensal. Mas por que essa pergunta? - Não é nada, não, estava só pensando... , respondeu o menino. Passaram-se alguns minutos, e o menino voltou ao assunto, quando o pai já se preparava para entrar no banho. - Pai, você me empresta três reais? Preocupado e tenso por problemas no trabalho, o pai respondeu: - Por que você não disse logo que queria dinheiro? Para que vir com essas perguntas bobas? Não percebeu que eu só quero descansar? Enfim, se é para me livrar de aborrecimentos, toma logo aqui o dinheiro que você precisa, e vai ver televisão, porque tenho que tomar banho e jantar. Algum tempo depois, já mais relaxado, o pai voltou a perguntar ao filho, que cochilava no sofá: - Mas por que é mesmo que você me pediu esse dinheiro? - É que eu tinha juntado cinco reais, e com os três que você me emprestou fico com oito, e posso pedir que você chegue uma hora mais cedo para brincar comigo... É apenas uma história à toa, essa com que começo esse

texto. Mas também é verdade que desejo refletir, nesse dia dos pais, especialmente com aqueles que não têm tempo para os filhos. Pais têm tempo para tanta coisa, são tantas as preocupações, sobra tanto mês no fim do dinheiro que mal dá tempo para olhar para os filhos. Não estou dizendo ver, porque para ver basta ter olhos sadios, estou me referindo a olhar, ver além das aparências, prestar atenção. Apesar de, com maior ou menor freqüência, dizerem que amam os filhos, muitos pais acreditam não ter tempo suficiente para vê-los crescendo, ajudá-los a crescer de forma saudável e feliz. Pensam, muitos pais, que sua maior missão é trabalhar para que nada falte aos seus filhos; então, por esse motivo trabalham ano após ano, horas extras, feriados e domingos, para que possam suprir a casa e as crianças com tudo o que, talvez, lhes tenha faltado na sua própria infância. O que fica esquecido, porém, é que nem sempre os filhos precisam de todas as coisas materiais que os pais acreditam que eles necessitem... eles apenas precisam de um abraço, uma história antes de dormir. Eles precisam mais de uma companhia para jogar futebol que de um campo de futebol inteiro dentro de casa, e um pai que não tem tempo para jogar com os filhos. No fundo, pais sabem que essas são desculpas para driblar

a consciência, enquanto vão semeando filhos que crescem sem a sua companhia. Crianças que tornam-se adolescentes, jovens e adultos que têm que sobreviver num mundo que não entendem muito bem, porque tiveram que decifrá-los quase sozinhos. A verdade é que os filhos só aparentemente se importam com as maravilhas tecnológicas (caras e muitas delas desnecessárias) que as horas passadas longe deles podem comprar. Crianças e jovens, em sua maioria, preferem jogar bola ou pescar com o pai, passear com ele num domingo, assistir a um filme e comer pipoca. Sozinho com o papai.

Importante é aquilo que se é, muito mais que aquilo que se tem, e apenas ser é muito mais, para seus filhos, que todo o “ter” do mundo, ainda que eles não saibam muito bem explicar isso. O pior é que os filhos percebem. Eles sabem que, no fundo, os pais têm tempo, sim, o tempo que eles dizem não ter. Têm tempo para conversar com os amigos, para tomar cervejinhas com eles, para reuniões em quase todas as noites, para pescar com colegas no final de semana. Como diz Vinícius de Moraes, em um de seus poemas, “os bares estão cheios de homens vazios”. Bem como os clubes, os campos de futebol, os jardins, no interior, nas manhãs de domingo. Filhos querem contar algo que aconteceu na escola, ou dizer da briga com o colega da esquina. Ou, ainda, perguntar de algo que ouviram mas não entenderam bem, e que “é coisa de homem”... mas agora não dá tempo, qualquer outra coisa se impõe, depois a gente vê, depois conversamos. Um depois que não vem nunca, que talvez nunca aconteça. Pais, nesse momento, perdem oportunidades importantes de conhecer seus filhos - e só se dão conta disso quando eles estão adolescentes, e já não querem contar. Não querem mais conversar, não sabem mais como se faz isso. Agora, eles é que não têm tempo. To-

mara que agora não seja tarde demais. Dia 13 é Dia dos Pais. Olhe para os seus filhos, pode ser que ainda dê tempo. Você é responsável pela vida dele, então cabe-lhe ensinar sobre o amor, a alegria, o sofrimento e a morte. Pais são aqueles que, em todo o tempo possível, devem estar ao lado dos filhos, ajudando-os a crescer, ouvindo suas histórias, ainda que pareçam bobas e “coisas de criança”... Se você for um pai assim, tenha certeza de que, quando seu filho estiver passando por um momento importante, de problema, grandes alegrias ou dificuldades, é a você que ele irá procurar, com certeza é em seu ombro que ele repousará a cabeça, talvez já adulta. Fazer um filho é fácil. Na maioria das vezes, é bom; em outras é problemático. A missão, porém, não está em fazê-lo, só isso seria muito simples. O seu grande desafio de homem, se quiser que seu filho escreva Pai com letra maiúscula, é prepará-lo para a vida. E depois sair de cena, ficar à margem. Deixá-lo partir, quando estiver pronto. Isso dá muito trabalho, dura toda uma vida, mas também é, talvez, a mais bela tarefa de um homem que quer ser chamado de Pai. * * * Fonte: Maria Rita Lemos http://www.cronicadodia. com.br/2008/08/dia-dos-paistempo-para-filhos-maria.html



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