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Maranduba, Abril 2016

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 7 - Edição 83 Foto: Roberto Pituí/PROMATA

Estrada de Ferro Norte de São Paulo (Ubatuba- Taubaté -1874/1931) que ficou a ver “navios” passou pela região


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Convite Convocação

O Pássaro Cativo Olavo Bilac

Convido a todos a participar de Assembleia Geral para reunião de ideias e discussões sobre os novos rumos e passos a serem seguidos pela Associação da Enseada do Mar Virado a ser realizada em: 07/04/2016 – QUINTA – FEIRA ÀS 19:00h LOCAL: POUSADA ONDAS DO MAR AV. TENENTE MANUEL BARBOSA, 406, MARANDUBA – UBATUBA – SP Contamos com a presença de todos e colocamo-nos à disposição de todos para maiores esclarecimentos sobre a nossa associação Ubatuba, 29 de março de 2016 Atenciosamente, Cecília

“Não quero o teu alpiste! Gosto mais do alimento que procuro Na Mata Livre em que a voar me viste; Tenho água fresca num recanto escuro Da selva em que nasci; Da mata entre os verdores, Tenho frutos e flores, Sem precisar de Ti! Não quero sua esplendida gaiola! Pois nenhuma riqueza me consola De haver perdido aquilo que perdi... Prefiro o ninho humilde, construído De folhas secas, plácido e escondido Entre galhos das árvores amigas... Solta-me ao vento e ao sol! Com que direito a escravidão me obrigas? Quero saudar as pompas do arrebol! Quero, ao cair da tarde, Entoar minhas tristíssimas cantigas! Porque me prendes? Solta-me covarde! Deus me deu por gaiola a imensidade; Não me roubes a minha liberdade... Quero voar! voar!”

Associação da Enseada do Mar Virado

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ANUNCIE AQUI

(12) 99714-5678 (12) 3832-6688

Uma mensagem de poucas palavras enviada via rede social pelo produtor rural Amarildo Pazzeli, do Sitio Recanto da Paz, em relação a proteção das aves:

“Não use Gaiola, plante uma árvore que o pássaro vem!”

Envie seu evento, edital, convocação ou aviso para esta seção atraves do e-mail jornal@maranduba.com.br

Editado por: Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3832.6688 (12) 99714.5678 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Editor: Emilio Campi Jornalista Responsável: Ezequiel dos Santos - MTB 76477/SP Colaborador: Pedro dos Santos Raymundo - MTB 0063810/SP Consultor Jurídico - Dr. Robson Ennes Virgílio - OAB/SP 169.801 Consultor Ambiental - Fernando Novais - Engº Florestal CREA/SP 5062880961 Colaboradora: Adelina Fernandes Rodrigues Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo


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Projeto de agricultura urbana incentiva produção orgânica em Ubatuba Comunicação PMU Para atender a demanda dos moradores e possibilitar a geração de renda, ampliação do acesso e produção de alimentos em Ubatuba, foi elaborado um projeto de Lei que cria o Programa de Agricultura Urbana e Periurbana na cidade. Após a aprovação da propositura pelo Legislativo, que aconteceu no dia 15 de março, será necessária a criação de um decreto para regulamentar o funcionamento da iniciativa no município. “A Lei apenas cria o sistema, mas os procedimentos precisam ser estabelecidos”, esclarece a secretária adjunta de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Carolina Lima. O projeto 10/2016 cria oportunidade para a produção de hortas comunitárias e a garantia de segurança alimentar. “Nesse sentido que criamos a Lei – para permitir a produção de alimentos, geração de emprego e renda, zeladoria da cidade e prevenir os focos da dengue por manter os terrenos limpos”, afirma o secretário de Agricultura, Pesca e Abastecimento, Maurici Romeu da Silva. Onde “É necessário planejar e definir aspectos relativos ao sistema de levantamento e cadastro, culminando em um banco de dados das áreas públicas e privadas apropriadas e autorizadas para implantação do programa”, exemplificou Carolina. Uma das necessidades de se estabelecer uma legislação foi para garantir e preservar os direitos dos proprietários sobre a área, no caso de local privado.

“O primeiro passo é cadastrar os imóveis cujos proprietários têm interesse em ceder para agricultura urbana, por exemplo, para fazerem zeladoria de seu terreno, e assim auxiliar no combate à dengue, porque não vai ter mato crescendo, lixo jogado… É uma questão, inclusive, de saúde pública”, alertou Maurici. Incentivo A Lei estimula outros programas de incentivo. Com a mobilização dos produtores, se organizados em associação ou cooperativa, podem fornecer a colheita para um banco de alimentos – outro projeto de Lei que precisará ser implantado. O Banco de Alimentos consiste em um espaço onde será possível tanto arrecadar alimentos de doação quanto

adquirir de produtores, cujo pagamento é efetuado pela Conab – Companhia Nacional de Abastecimento). “A Conab pode comprar os alimentos de produtores organizados formalmente, porém, eles precisarão se enquadrar na agricultura familiar, possuindo a DAP- Declaração de Aptidão do PRONAF, utilizada como instrumento de identificação do agricultor familiar para acessar diversas políticas públicas, como o Programa Nacional de Fortalecimento a Agricultura Familiar – PRONAF, que é o financiamento para a produção”, pontuou Carolina. Mais um benefício está relacionado às pessoas contempladas pelo programa Bolsa Família – com a produção agrícola, elas também pode-

rão se enquadrar em outros programas, como o Pronafgrupo B e o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos , a partir de agora com o programa Brasil sem Miséria. Agricultura Urbana A agricultura urbana caracteriza toda atividade destinada ao cultivo de hortaliças, legumes, plantas medicinais, plantas frutíferas e flores, produção artesanal de alimentos e produtos de artesanato no âmbito do município. Ressalva Durante discussão do projeto na Câmara Municipal de Ubatuba, em Sessão Ordinária, foi aprovada uma emenda que vetou a criação de pequenos animais, como coelho, codorna, galinha dentre outros – criações que, segundo Maurici, poderiam ser estabe-

lecidas em locais Periurbanos, gerando emprego e renda. “A dúzia do ovo da galinha caipira hoje, custa em torno de R$ 10, o que possibilitaria ampliação da renda além da venda dos vegetais. A Lei é um instrumento que posteriormente é regida por decreto. Então não tivesse sido retirada a produção de pequenos animais, poderia regulamentar quais animais seriam criados e onde. Quando se veta, é retirada a possibilidade de ter um ganho econômico e uma segurança alimentar para essas famílias”, argumentou. O que ainda falta Segundo a secretaria, o próximo passo é a formação do Conselho Municipal de Segurança Alimentar, para consolidar e aderir ao SISAN – Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional, que o possibilitará celebrar convênios e repasses com os governos Estadual e Federal para implantar os programas de Segurança Alimentar e Nutricional. Onde já deu certo Segundo informações do site Portal Brasil, as populações em vulnerabilidade social de 42 municípios brasileiros puderam cultivar hortas comunitárias, beneficiar produtos e até comercializá-los com o apoio do MDS – Ministério do Desenvolvimento Social, com investimento de até R$ 11,1 milhões em 2012. Em Pindamonhangaba, moradores de uma rua do bairro Alto Tabaú se uniram e, com o consentimento do proprietário de um terreno baldio que era depósito de lixo e entulho, limparam o local e transformaram em uma horta comunitária, onde estão disponíveis mais de 20 culturas


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Monitores da região conduzem alunos da escola municipal da Lagoinha no aniversario da Ilha Anchieta

Fotos: Isaura Monteiro Na última terça-feira, 29, quem fez aniversário foi o Parque Estadual da Ilha Anchieta – PEIA, mas quem ganhou o presente foram os alunos da escola municipal Agostinho Alves da Silva do bairro da Lagoinha. A escola recebeu o convite da Unidade de Conservação levando um total de 33 alunos entre a quarta e quinta séries. Lá participaram de palestras, visitaram os prédios históricos, ouviram o histórico sobre o levante com a associação Filhos da Ilha, realizaram plantios de mudas de arvores e lanche. Os monitores foram Carolina Lemos, Gabriel, Jéssica dos Santos e a voluntaria Isaura Monteiro, alguns fazem parte do curso de monitoria que a administração e conselho do Parque promovem. Neste aniversario o PEIA completa 39 anos e foi criado pelo Decreto 9.629, de 29/03/1977. Os alunos não esperavam melhores atividades educacionais e recreativas.

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A Ilha A Ilha Anchieta, assim denominada a partir de 1934, era conhecida inicialmente como Ilha do Porcos. Essa Ilha foi palco de importantes acontecimentos da história brasileira. No século XVI a Ilha foi habitada por Índios da tribo Tupinambás, chefiada pelo cacique Cunhambebe, remontando mais de cinco séculos de ocupação. Atualmente, o Parque Estadual da Ilha Anchieta (PEIA) é um dos principais atrativos históricos e ecoturisticos de Ubatuba.

Sua parte histórica, tombada pelo CONDEPHAAT, possui mais de 2.000 m² de edificações conservadas, juntamente com as ruínas antigo Presídio, Quartel e Vila Civil pertencentes à Colônia Correcional do Porto das Palmas. Em 1945 o Grupo Shindo Renmei foi recolhido à Ilha como prisioneiros políticos. Funcionou como presídio para presos comuns até 1955, quando aconteceu uma grande rebelião de presos. Em 29 de março de 1977 por meio de decretos e leis 9.629, a Ilha se transforma em Parque Estadual da Ilha Anchieta.

Policia Militar divulga resultados da Operação Verão 2015/2016

A Operação Verão 2015/2016 desenvolvida no Litoral Norte no período de 18 de dezembro de 2015 a 15 de fevereiro 2016, teve um balanço positivo, atraindo aproximadamente 01 (um) milhão de pessoas em todo o Litoral Norte Paulista. Alicerçado em um bom planejamento estratégico, na disponibilização de efetivo de reforço, no emprego de 100% de nossos profissionais de Polícia, totalizando 1.130 (mil cento e trinta) do efetivo PMs e ainda 712 (setecentos e doze) PMs do reforço, e ações conjuntas com as Prefeituras locais. O policiamento teve como foco garantir a segurança dos moradores e turistas do litoral norte paulista prevenindo a incidência de delitos. Foram realizadas 05 (cinco) modalidades de Operações Policiais Militares durante este período do sendo Bloqueios, Saturação, Visibilidade, Direção Segura e policiamento ostensivo a pé e motorizado. Como resultado, ocorreram

queda nos indicadores do Litoral Norte neste período, notadamente nos delitos de homicídios. Veículos vistoriados Carros e Motos: de 32.898 para 33.125; Bares vistoriados: de 351 para 762; Quantidade de flagrantes: de 150 para 185; Qtd. de pessoas presas: de 193 para 253; Menores apreendidos: de 70 para 84; Procurados recapturados: de 16 para 37; Armas apreendidas: de 15 para 41. Nesse quesito destaca-se que a estratégia de emprego operacional voltada às abordagens aos bares e operações, refletiu em um considerável aumento da produtividade, números esses que demonstram o sucesso da estratégia operacional adotada na Operação Verão 2015/201. Fonte: Seção de Comunicação Social do Vigésimo Batalhão de Polícia Militar do Interior


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Estudo de pesquisadores brasileiros sobre a região sul é publicado em formato digital de renomada revista inglesa O que seria apenas uma contribuição a ciência sobre o geoturismo dentro dos estudos da geografia mundial se tornou um célebre artigo de uma das mais renomadas revistas sobre o tema na Inglaterra e no mundo – a Geograpy Review. A revista que é uma publicação da Universidade de Manchester - Inglaterra apresenta o estudo de dois pontos de interesses turísticos, geográficos e ambientais deste território: o caminho da Água Branca e a trilha Sete Praias. Muito bem explicado, boa diagramação, fácil entendimento o trabalho tem quatro páginas e é considerada uma conquista significativa a qualquer cientista. Tem como primeira autora a doutoranda Maria do Carmo Oliveira - UFRJ- moradora do Araribá, segundo autor o professor Dr. Antonio Guerra - UFRJ e o pesquisador britânico e especialista em geografia Michael Fullen. Na revista o Geoturismo é apresentado como uma nova ferramenta de transformação social, ambiental e comunitária do ponto de vista ecológico - econômico e cultural. A pesquisadora Maria do Carmo explica que o “Geoturismo é um novo setor no país e que esta atividade permite que as comunidades locais desenvolvam praticas econômicas sustentáveis que possibilitem a conservação da biodiversidade regional, dos artefatos históricos e da cultura local”. Por outro lado ela reitera

que isto também incentiva os visitantes em saber mais sobre o espaço geológico e os processos geomorfológicos, tanto do passado quanto do presente na região. O estudo enfatiza também sobre a transformação das paisagens que não são estáticas, mas sim dinâmicas; isso ajuda todos a entender a geodiversidade e a geoconservação regional. Por Ubatuba viver quase que exclusivamente do turismo, mesmo sendo apenas das belezas naturais – no caso da ausência de infraestrutura, essa visitação causa potencial degradação das trilhas, por exemplo. O estudo publicado mostra como a compreensão da geomorfologia pode contribuir significativamente com o desenvolvimento do turismo sustentável da região, principalmente que se trata de temas ligadas ao conhecimento e ao desenvolvimento de construção conjunta, que chamou a atenção da revista. Aos técnicos de plantão a publicação traz informações privilegiadas e de qualidade sobre a formação do lugar, interessantes desde aos operadores do turismo a gestão pública, principalmente a quem mora na região. Como diz o ditado: respeitamos aquilo que conhecemos - a publicação é uma oportunidade ímpar de conhecer melhor a região, consequentemente respeitá-la cada vez mais já que é ela que dá a todos o pão de cada dia.

PROMATA recebe livros autografados para biblioteca Doraci Dois importantes livros sobre geografia no país foram doados a biblioteca Doracy na PROAMATA. Um deles trata das últimas três décadas de abordagens geográficas sobre Erosão dos Solos e Movimentos de Massa (Antonio José Teixeira Guerra), outro trata da Fitogeografia do Brasil (Orlando Graef). São publicações consideradas chaves a ciência já que o primeiro trata dos problemas ambientais que causam inúmeros prejuízos econômicos, ambientais e sociais – como recentemente aconteceu em Mariana-MG. O livro atenta para problemas que tem tirado milhares de vida nos últimos 30 anos e da preocupação da diminuição de sua intensidade a fim de que a sociedade possa ter melhor qualidade de vida. O segundo

livro estabelece bases para o desenvolvimento das ciências naturais (incluindo a geologia, a geografia e a biologia). É considerado, nas devidas proporções, antecessor dos estudos de Charles Darwin e Alexander von Humboldt, tamanha sua importância ao conhecimento

natural. Os dois livros podem ser considerados guias a qualquer área do conhecimento que deseja entender melhor o sistema natural e as consequências do mau uso, também sobre a formação das belas paisagens naturais que ainda sobrevivem em nossas regiões.


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Pinha - uma fruta para todos os gostos e utilidades Isaura Monteiro PROMATA Moradores tradicionais são verdadeiros conhecedores da fruta chamada Pinha. Era comum encontrar em toda região árvores desta fruta, que pelo perfume que exalava quando caía no chão era fácil de achar seu paradeiro. Além de ser deliciosa, doce e apetitosa, ela é importante ao meio ambiente, principalmente a fauna já que alimenta aves e outros animais. Dizem ainda que possui propriedades medicinais e princípios ativos. Imaginar que tudo começou por causa de uma foto que publiquei no grupo do Watszap da PROMATA sobre a colheita realizada em minha propriedade e a pergunta sobre o que fazer com tanta fruta. Origem Ao que foi apurado, esta fruta (Annona squamosa), também chamada de Fruta do Conde, chegou a Bahia no sec. 17, pertencente à família das Anonáceas, a mesma da graviola. Originária das Antilhas ela está muito bem adaptada em terras brasileiras. A Pinha vem de uma pequena árvore que pode alcançar até 8 metros de altura, que apresenta a casca castanho-acinzentada, pequenas flores brancas e fruto de formato globoso quase esférico. Graças às suas vitaminas e minerais, a pinha proporciona inúmeros benefícios à nossa saúde. Conta à história que no ano de 1626 Salvador ainda era capital do Brasil e a Bahia há pouco tinha sido retomada pelos portugueses das mãos de ingleses e holandeses, que pretendiam usar a região como base para dominar o

Colheita manual da Pinha no sitio traz satisfação e alegria Atlântico Sul. Palco da disputa dos colonizadores europeus, as terras baianas também foram as primeiras a registrar o plantio de uma nova fruteira trazida naquele ano pelo português Conde de Miranda, que acabou emprestando seu título ao nome da fruta. Em São Paulo foi difundida nos anos 60 e se tornou mercadoria importante aos pequenos produtores, já que tudo dela se aproveita, da raiz até as folhas. Usos e utilidades As partes utilizadas desta fruta são as suas folhas, sementes, frutos, casca do tronco e raízes - (folhas: as folhas podem ser usadas no preparo de chás, com a finalidade de acalmar espas-

mos e cãibras, além de tratar anemia, colite e desnutrição; Cascas: as cascas na forma de decocção são indicadas para tratar a colite crônica, além de servir como fortificante para o estômago e intestino; Sementes: as sementes servem para combater a caspa (macerado das sementes pulverizadas em álcool), além de soltar o intestino e produzir vômitos; Raízes: as raízes servem como purgante enérgico e a fruta madura é usada para tratar fraqueza, anemia e desnutrição). Os princípios ativos da fruta do conde são os seguintes: carboidratos; fósforo; ferro; cálcio; proteínas; sais minerais; hidratos de carbono e vitaminas A, B1, B2, B5 e C. A

fruta apresenta propriedades adstringente, diurética, inseticida, aperiente, anti-helmíntica, anti-inflamatória, antirreumática, antiespasmódica, purgantee enérgico. Uma peculiaridade da fruta é a venda apenas in natura, já que a polpa escurece no processo industrial. Com advento da tecnologia, esta fruta, junto a outras, é um potencial de produção e proteção no entorno ou mesmo dentro das Unidades de Conservação. Ela compõe vários projetos sobre a produção de frutíferas em comunidades, como é caso do projeto intitulado “Extensão Rural Pública para Viabilizar Ecoagriculturas Para além da Visão Sistêmica Rumo as Estratégias de Convi-

vência no Cotidiano” do Agrônomo Antonio Marchiori e parceiros da CATI Ubatuba. Sua produção é possível colher até 6 toneladas por hectare/ano. Contraindicações Embora a fruta apresente muitas propriedades benéficas à nossa saúde, esta fruta não deve ser ingerida por diabéticos devido ao seu elevado teor de glicose. Lembre-se sempre da importância de consultar um médico antes de realizar qualquer tratamento, ainda que natural! Apenas um profissional é capaz de orientar sobre estas propriedades. Enquanto isso, como uso culinário é bem vindo no consumo in natura, refrescos, sorvetes, mousses e licores. O mais importante é que a fruta tem sabor de saudosismo, das grandes roças, de fartura, dos caminhos limpos e livres, sabor de infância pra muitos. Que ela é uma delícia, sem dúvida, quem provar dirá. Isaura Monteiro – Gestora Ambiental, Observadora de Aves, Técnica em Turismo Rural, membro fundadora da PROMATA, entusiasta dos saberes culinários regionais, colaboradora do JMN e demais itens da cultura local e regional. Fontes: revistagloborural. globo.com, José Emilio Bettiol Neto, engenheiro agrônomo, pesquisador do Capta - Frutas (IAC), http://redequallyhortifruti.com.br/, remedio-caseiro.com, saudedica.com.br, plantasquecuram.com.br, poderdasfrutas.com, engenheiro agrônomo Antonio Carlos Caetano Marchiori - CATI Ubatuba.


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Sertão do Ubatumirim lança livro que trata do inícioda justiça socioambiental na comunidade depois de décadas de sofrimento No último dia 10, a Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta e Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte lançaram o livro “Planejamento Ambiental da Bacia do Ubatumirim – Instrumento de Justiça socioambiental” nas dependências da UNITAU em Ubatuba. Com 113 paginas e mil exemplares, o livro é interessante não só do ponto de vista técnico, mas também da conquista para o diálogo e troca de experiências, tema que a comunidade buscou desde o inicio da implantação oficial da restrição ambiental sobre suas vidas na década de 1970. Muito bem diagramado, de fácil entendimento, a obra traz belas fotos e interessantes temas que muitos já haviam deixado de imaginar existir. Personagens e temas comuns figuram suas páginas entrelaçadas por depoimentos e textos que falam de uma vida simples, prazerosa e possível, além das informações sobre a vida passada, presente e futura nesta microbacia hidrográfica.

O sucesso da publicação se deu, em grande parte, da parceria de técnicos com os atores da comunidade, que puderam expressar o sentimento de perda do aprendizado dos últimos três séculos de tradição em algumas décadas por conta de uma “tal” conservação fora da realidade regional. Depois da apresentação dos métodos o produto final no capitulo “resultado e produtos” são de uma riqueza de detalhes, tanto que o leitor parece esta lá contando os resultados deste trabalho como se ele já conhecesse o processo. Por outro lado os dados ajudam a planejar melhor o futuro das águas, da vida das pessoas, da cultura secular remanescente e da auto-estima da população local, que em contrapartida receberá com bom olhos os projetos vindouros a bem da comunidade e do meio ambiente como deveriam ser décadas atrás. O livro remete o leitor a uma leitura muito agradável, vale a pena recordar as lutas e conquistas de um povo que se mostrou “cérne”.

“Hoje bem “cidinho” antes do “só despontá” lá naquela serra verdejante que não me canso de “olha” ...Nesse Sertão, do qual não abro mão, vou vivendo de mansinho, escutando os passarinhos e alegrando o coração”

Juninho Caiçara Sertão do Ubatumirim


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Estrada de Ferro Norte de São Paulo (Ubatuba- Taubaté -1874/1931) que ficou a ver “navios” passou pela região – Parte I Texto: Ezequiel dos Santos Fotos: Luiz Pavão Roberto “Pituí” PROMATA Por causa de um pequeno livro de oito páginas estimulou-se a curiosidade em saber mais sobre a “quase” construção de uma linha férrea entre o Litoral Norte e o Vale do Paraíba, que passaria por cima de nossas cabeças. Um companheiro de trabalho da caiçara Saiury Prado Oliveira entregou a ela um algo que talvez o seu pai João Correa de Oliveira – Jango – pudesse matar ainda mais a curiosidade e lapidar melhor seu conhecimento sobre a região. Agora, Jango compartilha com os leitores do JMN algo que estava adormecido por estas paragens. O caminho Como descreve o renomado historiador Capistrano de Abreu em seu livro Caminhos do Brasil, o litoral norte não era algo que pudesse ser esquecido, ele é parte integrante do processo civilizatório nacional e como tal sofre hoje a recusa dos que desconhecem a formação de espaço/tempo/ manejo/ambiente/patrimônios da cultura regional. Este lugar foi muito importante na estratégia do crescimento do Brasil de épocas atrás, haja vista a quantidade de ruínas, caminhos antigos e remanescentes de culturas. Uma delas, a fim de alavancar o desenvolvimento do litoral foi o desejo de governantes, políticos e investidores de se estabelecer um caminho férreo entre o litoral e o território mineiro, através do Vale

Estrutura em pedras onde seriam colocados os trilhos

do Paraíba. Na realidade, sua construção, tamanha vontade e necessidade, tornou-se uma obsessão. Como era financiado por capital privado criaram o Banco de Taubaté. Os trilhos foram importados da Inglaterra e seriam assentados em duas frentes: uma partindo de Taubaté e outra de Ubatuba. Por conta desta importância o projeto da Estrada de Ferro Norte de São Paulo Taubaté – Ubatuba foi criada através do Decreto Imperial, n° 10.150, de 05 de janeiro de 1889, com rubrica do Imperador e tudo. Na realidade era um ramal do projeto da Rodovia D. Pedro II, um projeto de maior grandeza. Traçado O traçado aproximado qual seria seguido pela Estrada de Ferro Norte de São Paulo - EFNSP, a partir de Ubatuba, iniciava-se no cais do porto da Ponta Grossa, promontório quase península, na baía de Ubatuba, ao sul da cidade. Seguia 4 km até o núcleo ur-

bano para seguir a rumo aproximado de 70° SE, em terreno praticamente todo plano até o local que atualmente chama-se estrada do Monte Valério e liga a cidade de Ubatuba até a Praia Dura, rota que segue alinhada até o local no alto da serra do mar (Sertão da Santa até norte da Vila de Santo Antonio) chamado de Mococa, localizado a 854 metros de altitude, onde a serra seria transposta após longo trecho em aclive da EFNSP com inclinação máxima de 3%. O mapa é parte do “Mapa Geral da Viação Férrea do Estado de São Paulo”, publicado pela Superintendência de Obras Públicas do Estado de São Paulo, em 1895. Há pelo menos três décadas atrás alguns funcionários da antiga Sudelpa e prefeitura retiraram partes dos trilhos que ficavam entre o Colégio Anchieta e o posto de combustível Kamome chagando na cidade, parte desta estrutura ladeava o rio próximo que hoje esta sufocando.

Inauguração do tunel da Mantiqueira - Visita da Familia Real. Todos aguardavam um evento desses em Ubatuba

Partindo de Cruzeiro a Minas Gerais - no meio do caminho haveria de encontrar os trilhos a Ubatuba


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Por aqui, o lugar ficou conhecido como “rodage” Nesta região, o caminho aberto na floresta para inicio das obras é chamado pelos antigos de “rodage”, conta o caiçara Zeca Pedro, 76 anos. Ela serviu depois como ponto de referencia pra tudo, da caça a busca de matéria-prima. “Num certo local havia um inicio de um túnel, onde o pessoal mais velho deu o nome de “tune””. Zeca Pedro tem toda razão já que nos registros de engenharia da ferrovia consta que o traçado aprovado previa a perfuração de 48 túneis, dos quais 43 em rocha e cinco em terra. O morador fala ainda que foi encontrada no trecho uma panela de ferro que servia para preparar alimento aos camaradas que lá trabalhavam. Esta peça esta próxima a uma baixada perto do Morro do Peixe-Galo ao lado de uma cachoeirinha pequena. “Antes da Garganta do Taquarussu, a gente varava num trecho da “rodage”, andava um pouco e saia na panela de ferro”, descreve o caiçara. Acrescenta ainda que “essa trilha era

grande, uns trechos estreitas e outras bem largas, no final ela chega debaixo da Cachoeira do Tombo da Mococa, perto daqui”, acrescenta Zeca Pedro. Ele acredita que após uma grande tempestade de chuva que assolou o lugar em meados das décadas de 1970, muito da estrada foi destruída, outros a floresta já se recompôs e outros já foram esquecidos. Ele afirma que se a chuva não tivesse acontecido poderia ser observadas ao longe as marcas do trabalho braçal do pessoal, “seria o melhor caminho pra andar na floresta” finaliza Zeca Pedro. A história é longa e muito interessante e tudo por causa de um pequeno livro, em preto e branco. Até a próxima. FONTES: APA, Coleção de Leis da República do Brasil –Tipografia Nacional, Rio de Janeiro, 1901 http://ubatubense.blogspot. com.br/ http://cihe.fflch.usp.br/ http://www.al.sp.gov. br/repositorio/legislacao/decreto/1897/decre-

O que sobrou de uma ponte por onde passariam os vagões, que em linha reta sairam no Pico do Corocovado.jpg

to-469-14.08.1897.html www.revistas.usp.br http://www.anpf.com.br/ cia-sp-rj http://www.paraty.com.br/ caminho_do_ouro.asp http://saopaulotremjeito. blogspot.com.br/ http://redescobrindoovale. blogspot.com.br/

Tunel de escoamento de agua

Por onde passaria a estrada Ubatuba-Taubaté. Alguns trechos são velhos conhecidos na região sul

Autografado Onde tudo começou


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Gírias do Surf pra galera que está começando a pegar onda Ubatuba foi tão importante que embora houvesse alguns campeonatos de surf em 1965 em São Vicente e 1967 no Guarujá, foi em 1972 que aconteceu o primeiro evento nacional, um marco na história do surf brasileiro, foi o Campeonato de Ubatuba de 1972. Ubatuba e o país não estavam tão avançados quanto Havaí, Califórnia, Austrália e Peru, mas já tinha moral e ondas para um campeonato de ponta. Era o despontamento e oportunidade de trocas de experiências, já que o surfe engatinhava nas mídias. Sem um circuito brasileiro ainda consolidado, seus vencedores, conquistavam respeito de “Campeão Nacional de Surf”. A sensação entre as feras do surf da época é que esta moral valia muito mais que a grana que é distribuída hoje. Os cartazes não passavam de cartolinas e eram distribuídas em fuscas pelos points e comércios nos centros das cidades do litoral. Pelo jeito funcionou... Bom! Vamos ao dicionário, quem sabe alguém arrisca alguma história da época por nossa região.. Expression Session - Campeonato onde todos os surfistas entram na água e o vencedor é aquele que realiza a melhor manobra entre os competidores. Flat - Mar liso, sem ondas. Floater - Manobra em que o surfista flutua, quase sem contato, com a crista da onda, quando ela já está quebrando. Free surfer - Surfista que não entra em campeonatos regularmente. Surfa por puro

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prazer e de preferência, longe do crowd. Front side - é quando o surfista pega onda posicionando-se de frente para ela. Grab rail - Manobra que o surfista coloca a mão na borda da prancha para pegar um tubo de back side. Goofy - Surfista que pisa com o pé direito na frente (base Goofy). Gun - Prancha grande, para ondas grandes. Haole - Expressão havaiana para surfista de fora do local onde está surfando. Inside - Qualquer lugar dentro da arrebentação, ou seja, a própria arrebentação. ISA - International Surfing Association. Kaô - Papo furado. Larica - Qualquer tipo de comida de preparo instantâneo ou pronta que mate sua fome após o surf ou outras atividades. Leash - Corda utilizada para prender a prancha ao pé do surfista. Leque - Manobra na qual o surfista sobe ao lip da onda e quando puxa a prancha com toda força faz com que a mesma destrua o lip jogando água fazendo a forma de um leque. Lip - Crista da onda. Localismo - Espécie de rincha entre os surfistas, responsável por muitas brigas e confusões dentro da água, nas disputas pelas ondas. Os surfistas locais (moradores) pensam que têm mais direito ao oceano. Long John - Roupa de borracha para proteger do frio. Mar Gordo - Quando o mar está com onda largas, que são difíceis de pegar quando se está muito perto do início

da mesma. Maral - Vento que sopra do mar em direção a areia, geralmente aumenta o mar. Marola - Parte mais rasa do mar e com ondas menores. Maroleiro - Surfista que gosta de ondas pequenas. Merreca – Onda com condições ruins para o Surf. Merrequeiro - Surfista que só pega ondas pequenas. Morra - onda grande e gigante. Terral - Vento lateral da terra para o mar. Outside - Qualquer local para fora da arrebentação. Pico - Mesmo que Point, local bom para ser freqüentado / Parte mais alta de uma onda. Pipocar - amarelar, ficar com medo de um mar grande ou similar. Point - Qualquer local ou lugar que as pessoas considerem interessante. Point Break - Praia com fundo de pedra, ondas de pico. Prego - Surfista que não sabe pegar onda muito bem. Pro - Surfista profissional, competidor e que ganha dinheiro com o esporte. Rabeador - Surfista que dropa no rabo da onda de outro. Quebra-coco - Onda oca e rápida que se forma depois da onda principal estourando bem próximo da praia. Quilha - dá segurança a prancha, direcionando-a na onda e proporcionando manobras. Quiver - pranchas. Rabear - É quando um surfista entra na frente da onda de um outro surfista que já está dropando a mesma e acaba por quebrar o lip. Fonte: Atalaia Click Surf – blog do Dragão

Prefeitura melhora acesso após moradores tomarem iniciativa

No último dia 8, quem passou pela estrada municipal do Sertão do Ingá, puderam observar moradores e usuários realizando o reparo nos pontos mais críticos da estrada, eles empreendendo por iniciativa próprias melhorias emergenciais. Famílias inteiras amanheceram o dia na tentativa de amenizar a situação caótica em que se encontrava a estrada. Outros trouxeram suas próprias caminhonetas para ajudar em outros pontos. O esforço foi por conta do tempo em que o acesso se encontrava deficitário, sendo em alguns pontos intransitáveis.

As chuvas colaboraram com o agravamento da situação. Se houvesse o reparo imediato ao estrago não estaria tão ruim o acesso, conta um morador que trabalhou no local. Os entrevistados dizem sentir falta de um profissional que não existe mais – cantoneiro - profissional que mantinha o acesso em boas condições, principalmente trabalhando na prevenção. Apenas duas semanas após a iniciativa popular a prefeitura mandou nivelar o acesso, cobrindo assim alguns buracos e falhas que tornavam o acesso desanimador para seus usuários.


Abril 2016

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Aves da nossa rica Mata Atlântica – Araçari-poca

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Ajude a APASU!

Latinhas descartáveis ajudarão no bem estar dos animais da Região Sul. Local para entrega: Boêmio Bar

Foto: Aguinaldo José PROMATA Segundo moradores antigos, pode-se dizer que esta bela ave faz parte do sistema natural de meteorologia. É que quando eles promovem sua algazarra, batendo o bico é sinal que o tempo vai virar, é comum as pessoas que frequentam a floresta ou mora no entorno delas saber do tempo também através desta ave. Típica da Mata Atlântica, ela apresenta penas bastante coloridas. O macho é ainda mais vistoso, com penas amarelo-vivo, verdes, pretas e vermelhas. Seu bico longo e curvado revela seu parentesco com o tucano, uma vez que ambas as aves pertencem à família Ramphastidae. O Araçari-poca (Selenidera maculirostris) costuma habitar a copa de florestas úmidas, em seu interior e nas bordas. Em poucas palavras seu nome científico significa “ave da lua com colar e bico manchado”, basta admira-lo pra ver porque

este nome. Quando o araçari canta, o som que ele emite é muito engraçado, algo como “kulik-kulik-kulik”, sempre pela madrugada ou à tarde. Esta ave é um importante dispersor de sementes nas florestas. Ela ao comer o fruto cospe a semente para suas árvores possam desenvolver e recuperar áreas florestais. Alimenta-se de brotos e insetos, também são temidos “pilhadores de ninhos”. Quando atacam uma colônia de Guaxos (Cacicus haemorrous) só param de comer seus ovos e filhotes quando “empanturrados”, fazendo assim um grande estragofilhotes de outras aves. Seus ninhos são construídos nas cavidades das arvores, põe de 2 a 4 ovos brancos. A incubação é realizada pelo casal e dura em média 16 dias. Mede cerca de 33 cm de comprimento e pesa por volta de 170 g. O macho apresenta cabeça, garganta e peito pretos, os quais são marrons na fêmea. Tem de três a cinco riscos tranversais no bico, que variam

de formato de indivíduo para indivíduo. Tem um tufo de penas pós-oculares de cor amarelo-ouro. Possui uma grande mancha escura na íris, anterior e posterior à pupila, comum ao gênero Selenidera. Os Araçaris, assim como os tucanos, são facilmente reconhecidos pelo público em geral por uma característica singular e inconfundível: o enorme bico; que, aliás, apesar de forte é muito sensível, sendo também de grande eficiência, podendo trabalhar até com pequenos frutos, mostrando uma incrível destreza da ave. Duas características suas servem para identificar as espécies desta família: o grande bico e o vôo “reto” com o bater de asas intercaladas com uma rápida parada, retomando logo em seguida. Quanto mais Araçaris, mais árvores teremos, principalmente as frutíferas. Fonte: Wikiaves, Coaves, Ubatubabirds, Promata, Projeto A Ultima Arca de Noé. http:// diretodareserva.tumblr.com/


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Abril 2016

“Chacina na Ilha Anchieta - Tiroteio na invasão e retomada da Ilha” Parte 24

Jornais da época enviaram seus melhores repórteres para descrever a maior rebelião do planeta que aconteceu em nossa região, sobreviventes ajudam a contar a história.

Ezequiel dos Santos “Revista Igarati – Ano 1 – nº 10 – Ubatuba, outubro de 1993, página 13”, Cabo Sudário continua a contar sua experiência, amarga por sinal. Diz que depois de gritar e ser apanhado por um barco amigo seguiram para a Praia do Saco da Ribeira, no continente. Sudário corre para a estrada na esperança de encontrar algum meio de ir ao centro para avisar do ocorrido. Não havia nenhum meio de comunicação na época para este momento. Um caminhão de romeiros que se preparava para ir a Aparecida do Norte foi a sua salvação. Ordenou ao motorista que dirigisse a Caraguatatuba. Chegando lá telegrafou a Taubaté solicitando reforços. Na dúvida se o reforço poderia chegar, continuou a seguir em direção ao Vale do Paraíba. Na altura de Paraibuna encontrou um contingente. Lá relatou os fatos ao seu superior imediato e foi avisado que seu aviso havia chegado ao quartel em Taubaté. Naquele momento os reforços desciam pela estrada que hoje conhecemos como Rodovia Oswaldo Cruz em direção a Ubatuba. Na Ilha o levante seguia seu curso, segundo relatos, uma mulher estava em trabalho de parto naquela noite em meio ao caos, ela sentia as dores do parto, seu filho estava pra nascer. Imediatamente os presos improvisaram uma parede de camas (colocando-as em pé), fizeram o parto, contam que a criança nasceu saudável, bem e sem problemas. Uma turma de presos, chefiada por Faria Júnior, reco-

Carneiro da Fonte usado para a fuga até Ubatumirim

lheu as famílias dos funcionários a um dos pavilhões, detentos armados guardavam as portas para evitar que fossem molestados. Em meio ao inferno Pereira Lima tomou a embarcação Carneiro da Fonte, que servia de transporte ao pessoal da ilha. Eram sessenta homens num barco com capacidade para vinte. Durante a fuga alguns foram jogados na água, para diminuir o peso. O que sobrou na embarcação conseguiu chegar a Praia do Ubatumirim, lá o barco afundou e os homens embrenharam mata adentro. Dizem que a intenção original era fugir em outra embarcação – Ubatubinha – que atracava as sextas-feiras por volta das onze horas da manhã e trazia víveres do continente para a ilha. Mas algo deu errado no caminho e a barca chegou mais cedo à baía da ilha, o capitão ouviu os tiros e se evadiu do lugar. De volta ao continente, comunicou as autoridades.


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Fundação Florestal publica Portaria que trata de Observação de Aves em Unidades de Conservação em todo Estado

A Fundação Florestal publica no Diário Oficial do Estado Portaria Normativa FF/DE 236/16 que dispõe sobre os procedimentos para realização da atividade de observação de aves nas UCs da FF. A portaria, de nove páginas e 12 artigos vem acompanhado de três anexos, uma declaração e uma recomendação - o termo de reconhecimento de risco, o de responsabilidade, o cadastro de observador de aves, a declaração de ciência e conhecimento das normas e procedimentos da atividade dentro da UC e as recomendações de conduta para o ob-

servador. Vários atores contribuíram com o tema, de discussões acaloradas, trocas de gentilezas, centenas de propostas, tudo contribui para a formatação final do produto. Segundo Mauro Castex do Núcleo de Negócios e Parcerias para a Sustentabilidade da FF, “trata-se momento procuramos atender da melhor forma possível os documentos de gestão das unidades com as necessidades dos observadores de aves. Esse será nosso ponto de partida, e seu aprimoramento virá com sua aplicação no dia

a dia das unidades” comenta através de e-mail. Por enquanto a Portaria estabelece procedimentos transitórios e deverão ser ajustados conforme trabalho participativo que está sendo desenvolvido junto aos principais atores do segmento de observação de aves. Por isso é muito importante que o observador de aves e demais atores comentem e participem a Unidade de Conservação de sua opinião e sugestões para aprimorar o processo, tanto para amadores, profissionais ou comunitários. Discussões a parte quem tem que ganhar são as aves, que proporcionam aos seres humanos esta vivencia diferenciada e um prazer sem medidas. “Simbora” fazer uns registros?


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Baleias-de-bryde são avistadas TV da Infância Missionária e paroquianos homenageiam Pe. Daniel em seu aniversário no entorno do Parque Estadual No último dia 24, na capela de Nossa Senhora das Graças – Sertão da Quina, a comunidade católica da região sul se reuniu pra homenagear 40º aniversario de Padre Daniel Inácio. A celebração correu bem e nos minutos finais o padre é avisado que a comunidade havia preparado uma surpresa a ele. Apagam-se as luzes e a produção começa a chamar os atores mirins. O grupo da Infância Missionária mostrou mais uma vez sua performance desenrolando num fictício programa de televisão uma entrevista com o religioso aniversariante. O padre teve até assessoria particular contendo maquiadores e pessoal de apoio exclusivo. A TV contou com cabo man, câmeras, dois repórteres, diretora, platéia, garçom, figurantes, equipe de apoio, operador de áudio e vídeo, cenário entre outras atividades. Enquanto ocorria a entrevista um grupo de covers se preparava na sala atrás do altar. Num dado momento aparece a versão miniaturizada de Raul Seixas e suas backing vocals para dublar a musica “metamorfose ambulante” sucesso de Raul curtida pelo padre na época em que era roqueiro e agora também. Ao final o aniversariante ganhou uma caneca com sua foto. O acontecimento foi acompanhado pelo Padre Manoel e Padre Beto, também pelos seminaristas. Foi mostrado no telão o depoimento das várias lideranças pastorais que englobam a paróquia da região. Depois da entrevista, todos

Ilha Anchieta em Ubatuba

foram convidados para um jantar a frente da cantina, após os comes e bebes foi

cantado o tradicional parabéns pra você e servido bolo com refrigerante.

Radarlitoral No último mês, dois indivíduos de baleias-de-bryde (Balaenoptera edeni) foram avistados no entorno do Parque Estadual da Ilha Anchieta, dentro do território da Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Norte (APAMLN). Segundo os técnicos da Unidade de Conservação, estes avistamentos têm sido muito comuns nas últimas semanas, para quem percorre o caminho até o Parque. A explicação para a visita ilustre é que no período entre o verão e o outono, os cardumes de sardinha-brasileira (Sardinella brasiliensis) – um dos alimentos da baleia-de-bryde - aproximam-se da costa, em busca abrigo em regiões próximas a ilhas e costeiras para se alimentar e

crescer. Por ser uma área de exclusão de pesca no entorno da ilha, o local se torna propício à sobrevivência das sardinhas e, consequentemente, à aproximação das baleias nesta época do ano. A baleia-de-bryde A baleia-de-bryde (Balaenoptera edeni) pode chegar a 15,5m, chegando a pesar 16 toneladas. Seus filhotes nascem com cerca de 4m, após 11 meses de gestação. Ela pode consumir até 660 kg de sardinha em um único dia. Esta espécie não costuma se reunir em grandes grupos e não fazem grandes migrações. Seus hábitos ainda são pouco estudados, não sendo conhecidas ainda informações como a sua longevidade e padrões de deslocamento


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Encenação da Paixão de Cristo

Coluna da Adelina Fernandes

Outono: tempo de perdas e ganhos Se prestarmos mais atenção aos detalhes da natureza, perceberemos que cada estação do ano traz mensagens e convites específicos. No entanto, muitas vezes não conseguimos enxergar esses sinais porque insistimos em achar que não somos parte integrante do meio ambiente. Cada estação do ano nos convida a novas posturas e nos oferece uma série de aprendizados para a vida. O outono, é uma época especialmente recheada de significados que podem enriquecer nossas percepções. Esse período chega logo após o verão, aquela estação de tempo quente, aberto, de plena luz e em que nossos movimentos tendem para o mundo externo. Não é à toa que para chegar a uma estação intermediária precisamos das “águas de março”, uma chuvinha persistente que vai resfriando o tempo aos poucos. O outono é uma época de transição entre os extremos de temperatura verão-inverno. Qual é a principal imagem que lhe vem à mente quando pensa em outono? É bastante provável que a maioria das pessoas responda a essa pergunta lembrando da clássica imagem das árvores perdendo suas folhas. Mas você sabe por que acontece essa perda? Se as árvores não as deixassem ir, não sobreviveriam à próxima estação. As folhas se queimariam com o frio do inverno e, assim, os ciclos de

respiração da árvore se findariam bruscamente, o que resultaria no fim da vida. A natureza nos mostra mais uma vez a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante. O que a princípio pode parecer uma perda é na verdade um ganho: ela ganha mais tempo de vida, e chega renovada às próximas estações. Reflita a partir disso: o que você precisa deixar ir, do que você precisa abrir mão para seguir firme para os próximos ciclos, para continuar a crescer? O outono é também estação de amadurecimento dos frutos. É o tempo de deixar ir inclusive os resultados de nossos esforços, para que novas forças possam gestar outros futuros projetos. Durante essa época é válido observar quais elementos em você precisam ser sacrificados para que o mais sagrado para sua vida seja preservado ou resgatado. Pense na palavra sacrifício a partir de sua etimologia: é um sagrado ofício, um trabalho, uma ação que possui um caráter sagrado, para além do superficial, que transcende o banal, que tem um significado maior. ABRA-SE AO NASCER DE UM NOVO TEMPO No outono, é importante questionar se o medo e a dúvida estão impedindo seus ideais maiores de serem reali-

zados. Reflita se alguns comportamentos repetitivos lhe afastam do seu real potencial criativo. Talvez seja chegado o momento de tomar consciência e assumir uma atitude de compromisso consigo, desapegando-se daquilo que não lhe serve mais, daquilo que esteja impedindo seus passos rumo às próximas estações de seu crescimento. Não é simples, nem fácil, mas também não é impossível. Como tudo na natureza, nossos processos de mudança carecem de tempo para se instalarem. Tempo para ir amadurecendo, até que seja o momento da colheita. Passo a passo, reflita sobre os pesos desnecessários que podem estar atrasando seu caminhar, vá se desapegando e deixando ir. Lembro agora as palavras de Tom Jobim: “São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração”. Mesmo que as águas pareçam dar fim ao melhor da festa do verão, na verdade, elas estão nos mostrando que a vida segue e novas estações virão! Acredite: observando a natureza podemos concluir que depois da noite sempre vem o dia. Acredite que vale a pena se libertar para deixar nascer um novo tempo. Por: Juliana Garcia http://www.personare.com. br/outono-tempo-de-perdas-e-ganhos-m1327

COMUNICAÇÃO PMU Com apoio da Fundação de Arte e Cultura da Prefeitura de Ubatuba, a Encenação da Paixão de Cristo aconteceu na última sexta-feira (25) na Praça da Matriz. O evento é uma união de forças do poder público com a sociedade civil, através da Pastoral Fé e Cultura da Pa-

róquia Nossa Senhora de Fátima, no Ipiranguinha, com apoio da Paróquia Exaltação à Santa Cruz e direção de Adriano Corrêa. Apesar da chuva fraca, o público compareceu em bom número para prestigiar a apresentação, que mais uma vez emocionou os presentes. Fotos: Disney Ferreira / PMU

Instituto Argonauta e Estação Ecológica de Tupinambás realizam “Operação Rede-Fantasma” no Litoral Norte

Radarlitoral Nesta semana, a pedido do Analista Ambiental da ESEC Tupinambás Geraldo Ottoni, o Instituto Argonauta através da equipe embarcada do Projeto Monitoramento de Praias PMP-BS, prestou apoio náutico e operacional para a retirada de uma rede fantasma que estava na área da Estação Ecológica, localizada no Litoral Norte. A operação foi realizada com sucesso e a rede de 140m de extensão por 2m de altura foi retirada da água. Os animais que

foram encontrados ainda com vida foram soltos pela equipe que realizou a operação. As redes perdidas, abandonadas ou descartadas no oceano são chamadas de “Redes fantasmas” e representam uma grande ameaça à vida marinha. A ESEC de Tupinambás abrange os municípios de Ubatuba e São Sebastião e tem por objetivos a preservação da natureza, a realização de pesquisas científicas e Educação Ambiental.



Jornal Maranduba News #83