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Maranduba, Agosto 2015

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 6 - Edição 75 Foto: Aguinaldo José

Caminhando com Anchieta Itinerário religioso, histórico e turístico de onde teria passado Anchieta


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Parceiros da região recebem turistas orientais para Turismo Rural Nos últimos dias 4 e 5, um grupo de 30 visitantes foram recebidos pelos parceiros Sitio Recanto da Paz e Promata para uma final de semana de turismo rural na região. Embora a chuva tenha ameaçado o roteiro as atividades correram normalmente. No sábado foram recepcionados e atendidos nas dependências da propriedade de turismo rural no Araribá – Gengibre de Ubatuba onde puderam, através de palestra, entender um pouco sobre a região, o que iriam realizar, como funciona o roteiro, aonde iriam. Também Dona Annie, por vezes em japonês e em português, aproveitou a oportunidade para matar a curiosidade dos visitantes explicando sobre o funcionamento da propriedade, a importância do gengibre na economia, na cultura e na geração de emprego e renda, como surgiu à propriedade, os primeiros japoneses a se aventurar na região, as aplicações do gengibre na culinária, na saúde e nas tradições nipo-brasileiras e a trajetória do famoso gengibre da região – Gengibre de Ubatuba. A Promata também se apresentou falando de seu trabalho de base comunitária e dos serviços e produtos que pode

oferecer aos orientais. Em seguida realizaram uma visita de campo a produção de gengibre com o gerente Amarildo, que possui grande experiência na produção. Lá receberam informações sobre sua produção, o trato cultural, o cuidado com o solo e com o meio ambiente, os procedimentos para escolha da muda, plantio, coleta e beneficiamento, da rotatividade da produção. Muitos se encantaram com a visita principalmente porque puderam tocar, cheirar, verificar e aprender um pouco mais com uma raiz recém tirada do solo a potencializar seus sentidos e conhecimentos em relação a planta. Um almoço também foi servido aos japoneses, no cardápio um quase mix da gastronomia nacional e internacional, alguns pratos regionais receberam destaque através da apresentação de sua origem e histórico. Também puderam literalmente experimentar o que há de melhor no quesito valor agregado da produção rural, em relação ao gengibre realizado na propriedade. Foram vários produtos colocados a degustação. Caminhada Com idades entre 40 a 87 anos o grupo esbanjou vitalidade e disposição para uma longa caminhada. Foi realiza-

do o roteiro das sete praias que vai da Fortaleza até a Lagoinha. A Promata foi a responsável pelo grupo e no caminho falou da formação histórica e cultural do lugar, da importância do caminho no processo civilizatório nacional, que foram seus primeiros moradores, dos sambaquis encontrados na ilha do Mar Virado, das comunidades ao longo do caminho, da interação natural dos povos que ficaram isolados depois do declínio do café, das arvores, dos frutos, das flores, dos animais e das aves avistadas pelo caminho. Na comunidade da Praia Grande do Bonete fizeram uma parada no tablado em frente à capela, no caminho puderam admirar de perto algumas frutas como o cambucá e o bacupari típicos de nossa floresta e cultura. Muitos destes visitantes haviam realizado a caminhada de Santiago de Compostela - Espanha e outros, em menor número, visitado o Nepal – Monte Everest. Foram unânimes os elogios pelo passeio dos dois dias e a troca de informações para mais uma experiência vivencial junto as comunidades, a floresta, as praias, a produção, a gastronomia e ao atendimento diferenciado.

Editado por: Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3832.6688 (12) 99714.5678 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Editor Chefe: Emilio Campi Jornalista Responsável: Ezequiel dos Santos - MTB 76477/SP Colaborador: Pedro dos Santos Raymundo - MTB 0063810/SP Consultor Jurídico - Dr. Robson Ennes Virgílio - OAB/SP 169.801 Consultor Ambiental - Fernando Novais - Engº Florestal CREA/SP 5062880961

ANUNCIE: (12) 99714-5678

(12) 3832-6688

Colaboradora: Adelina Fernandes Rodrigues Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

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Instituto Caraguatá e Promata participam de evento internacional sobre Meio ambiente em Havana – Cuba EZEQUIEL DOS SANTOS Entre os últimos dias 7 a 10 de julho, em Havana-Cuba o Instituto Caraguatá – Caraguatatuba/SP, e a Promata – Sertão da Quina, Ubatuba/ SP, através de seu representante Pedro dos Santos Raymundo, participou da X Convenção Internacional de Meio ambiente e Desenvolvimento. O evento ocorre a cada dois anos naquele país e que a cada edição seduz novos pesquisadores mundiais, principalmente os americanos. O evento contou com cerca de mil delegados de 60 países, destaque para México, Argentina, Colômbia e Brasil. Cuba participou com 550 especialistas. Dentro do evento destacaram-se o IV Congresso sobre Mudança Climática, o V Congresso sobre Manejo de Ecossistemas e Biodiversidade e o IX Congresso de Áreas Protegidas, onde participaram as entidades do litoral norte paulista. A Agência Ambiental do Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente da República de Cuba, em conjunto com outras agências e organizações foi quem convidou pesquisadores, funcionários, educadores, especialistas, gestores, empresários, profissionais, produtores e outras pessoas ao redor do mundo que trabalham para a sustentabilidade do planeta, o resultado foi elogiado por todos. Objetivo Com o tema “Por un nuevo modelo de desarrollo mas solidario, justo, equitativo y sostenible” (por um novo modelo de desenvolvimento mais solidário, justo, igualitário e sustentável) os organizadores do evento dizem que o principal

objetivo da convenção - segundo a agencia de noticias Prensa Latina - como refere seu lema central, “é contribuir ao trabalho mancomunado no campo do meio ambiente por um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável”, que já é realizado no litoral norte pelas entidades locais presentes no evento em Cuba.O encontro trouxe a possibilidade de unificar critérios e cooperações, trocar experiências e difundir conhecimentos. Esta edição respondeu à necessidade urgente de construir uma nova visão para o desenvolvimento, que possa conter uma projeção de solidariedade, cooperação e responsabilidade mútua, com base na inclusão plena, onde as pessoas possam ser o centro das suas preocupações, para promover o crescimento econômico sustentável e desenvolvimento social inclusivo, participativo, proteção ambiental e dignidade do ser humano. Várias iniciativas internacionais foram apresentadas. O trabalho das entidades do litoral também entrou nas discussões e participaram destas preocupações. Existe a possibilidade real de o litoral norte receber especialistas e amantes da natureza em busca do algo a mais neste meio ambiente, que algumas poucas comunidades e entidades podem oferecer como a Caraguatá e a Promata. Cultura, criatividade e números crescentes Por conta do embargo americano a ilha de Fidel, o povo teve que usar de sua cultura e de sua criatividade para sobreviver com seus recursos naturais e preservar o que sobrou da administração de Fugencio Batista.

Plenário com os melhores especilistas em meio ambiente do planeta

Com a cultura preservada e o meio ambiente a serviço de suas comunidades e não ao setor privado Cuba recebeu mais de 1,3 milhões de pessoas, na sua maioria europeus e canadenses só em 2015. Quando o assunto é turismo, Cuba bate todos os recordes de visitação pioneira no segmento do turismo cientifico. A cultura do etnoconheci-mento e da etnoproteção dos povos tradicionais é essencial a este segmento. Esta indústria também movimentou cifras respeitáveis. Foram U$ 2,7 bilhões no ano passado e a previsão é que em 2015 o numero alcance U$ 3 bilhões. A ilha conta com 18 redes hoteleiras internacionais que operam 69 hotéis, com mais de 35 mil quartos de 4 e 5 estrelas. Em 2014 Cuba recebeu mais de 20 mil brasileiros. Esse número tende a aumentar com a autorização de novos voos entre Brasil e Cuba.

Professor Pedro Raymundo representanto entidades do litoral norte em evento internacional sobre Meio Ambiente em Cuba

Pedro dos Santos Raymundo – professor, escritor e jornalista, especializado em Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Projetos de Mercado de Carbono, membro da comissão de meio ambiente,

desenvolvimento sustentável e comunidades do Centro Internacional Interdisciplinar Sobre Mudanças Climáticas da América do Sul e Caribe, também colaborador deste informativo entre outros.


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Numero maior de jovens são acolhidos no 5º Thalita Kun No último final de semana dos dias 10,11 e 12 de julho, nas dependências da Escola Nativa Fernandes de Faria no Sertão da Quina, aconteceu a 5ª edição do Thalita Kun – “Levanta-te”, evento que contou com 130 jovens e um batalhão de voluntários, amigos, pais, simpatizantes, religiosos e paroquianos de toda região sul de Ubatuba e fora dela. Alguns colaboradores vieram de Ilha bela e Caraguatatuba. O ápice aconteceu na celebração de domingo, dia da despedida do evento, onde pelos menos 500 pessoas acompanharam o retorno dos jovens as suas casas e as suas famílias. Conselhos Padre Daniel se fez de pai, amigo e conselheiro na missa de encerramento. O encontro é considerado decisivo no direcionamento das tomadas de decisão sobre a vida Jesus na vida dos jovens. Parecendo uma espécie de acampamento organizado os convidados se sentiram em casa, embora haja regras a serem cumpridas. Na celebração pais, mães, convidados e principalmente jovens se emocionaram em vários momentos. O religioso buscou dentro de uma auto-analise perguntas sobre o porquê, o pra que e o para quem os jovens se encontram naquele lugar naquele momento. Fala da superficialidade do mundo atual que sempre passa e que fica a pergunta: e depois? Conversa também com os paroquianos sobre a falta real de identidade afirmando que o maior inimigo do jovem é ele próprio, principalmente neste mundo de inversão de valores. Dos jovens que se preocupam apenas em se vestir de objetos e não da pureza de ser dono do próprio nariz – livre arbítrio

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- comenta o padre. Dos jovens que atendem tão somente as barbáries contidas em musicas que tratam pessoas como coisa, objeto apenas. Explica a todos que o maior músico da história foi Lúcifer e reitera que nem todos os músicos estão a seu serviço, pois a maioria esta a serviço de Deus. Pede para que os jovens se alimentem de fato do que Deus oferece. ”Vocês estão dispostos a colocar toda confiança em Jesus de Nazaré? Vocês entregam sua sexualidade a Deus ou ao diabo?”, pergunta Padre Daniel. Temas variados e atuais Vários foram os temas considerados tabus pela sociedade mercantilista e midiática como vontades mundanas, drogas, sexo, bebidas, musicas desmoralizantes, destruição das famílias que estiveram na pauta de esclarecimentos e na celebração do domingo, nada que tirou a atenção dos jovens que ouviram tudo em silencio. Sempre de forma seria, porém descontraída, até rima o padre usou para falar dos temas propostos aos jovens. Foram varias palestras e conversas durante o encontro, nada que surpreendesse os jovens na celebração. Para este evento os organizadores computaram um maior número de interessados, já que o objetivo do evento foi

preparar seus jovens em busca de um amor verdadeiro. Agradecimentos Temas e musicas de qualidade ajudaram a abrilhantar o evento. Ao final organizadores, voluntários e colaboradores receberam os justos agradecimentos. No encerramento foi colocado a frente as camisetas das edições anteriores. Não faltou elogio ao seminarista Marcelo pelo empenho e dedicação junto aos jovens, aos trabalhos dos eventos anteriores, dos atendimentos na paróquia, aos puxões de orelha que levou e que distribuiu, ao ombro amigo que disponibilizou, ao tempo que doou por exemplo. Padre Daniel comenta que tentará estender os trabalhos do seminarista por mais um ano, mas confessa que será difícil esta empreitada. Por fim Padre Daniel e mais três ilustres – Marcel, Amanda e irmã Patrícia – receberam presentes dos jovens. Depois dos avisos, com o diz a galera, um mega abraço de despedida do evento foi dado no padre. No meio da semana aconteceu um pós encontro e no último final de semana dos dias 17, 18 e 19 Participaram do PHN na Canção Nova. O que se sabe que foram vários dias juntos e muita coisa boa para contar, agora é colocar em dia a conversa.

Rua da Cachoeira fica intransitável após obras da SABESP

A Rua Benedito Antonio Elói, no bairro do Sertão da Quina, encontra-se em estado lastimável de uso e conservação. São muitas as reclamações de quem usa o acesso para os vários motivos. Residentes, turistas e visitantes já não agüentam o descaso e a situação em que se encontra o acesso depois das obras da SABESP. Pelo menos metade do asfalto que existiu se perdeu. O que resta encontra-se todo danificado com ranhuras dos dentes das pás de maquinas, buracos e cortes que ainda não foram recuperados. O leito carroçável da via esta totalmente desnivelada o que causa transtornos aos que necessitam de atendimento de urgência ou emergência. Na chuva a situação piora ainda mais porque a lama e as poças d’água tomam conta de todo o acesso causando constrangimento nas pessoas.

Moradores ouvidos pelo JMN dizem que parece que ocorreu uma guerra na rua, pior sem previsão ou indicação da empresa de quando será recuperada. É comum as pessoas saírem limpas de casa e voltarem com as penas cheias de lama ou barro. Pior terem que andar em cima das poucas calçadas inteiras ou ficarem desviando de lama sendo empurradas até os muros das residências. Também as casas próximas se enchem de pó todo o dia potencializando alergias nas crianças e nos idosos. A rua que era de conhecimento turístico esta descaracterizada assustando os poucos turistas que se aventuram a chegar às cachoeiras da região. Por enquanto a empresa ainda não se manifestou, mas resta o bom senso, antes de qualquer outra ação a realização do reparo e da manutenção do trecho, ao menos como estava.


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Plano de Uso do quilombo já é realidade para acerto de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal Circula entre os quilombolas, entidades representativas, associações de classe, poder público e instituições de representação quilombola um estudo elaborado pelo INCRA que trata do Plano de Uso – PU - realizado exclusivamente como proposta a ser encaminhado ao Ministério Público Federal para acertarem o Termo de Ajustamento de Conduta visando a regularização do território. Foram varias visitas de técnicos e voluntários para a realização do trabalho. O estudo possui 54 páginas e detalha o que era, o que é e o que pode acontecer com o território na sua ocupação futura. Sua situação legal e as intervenções técnicas, políticas e jurídicas já realizadas em toda área. É um documento que será discutido entre a comunidade, mas já tem um formato definitivo aguardando algumas alterações. Muito bem elaborado, de fácil leitura e visualização o documento intitulado de Informação Técnica INCRA-SP/F/quilombos/Nº04/2015 faz um diagnóstico realista e aponta as possíveis soluções dentro das demandas históricas, culturais e ambientais da comunidade. Também traça um breve histórico da vida, dos pedidos, dos processos e dos usos dos territórios antes e agora, trata do licenciamento ambiental tão necessário a regularização das casas, da implantação da energia elétrica, das áreas de cultivo, da proteção das águas, entre outros. Trata da analise das moradias e quintais, do turismo como alternativa de geração de emprego e renda, da disponibilidade de água, seus limites e confrontações. Por fim a proposta de ocupação será

analisada pelo MPF para as futuras deliberações. Ocupações irregulares Um Ouvidor Agrário acompanha os trabalhos dentro do território e observa as intervenções ilegais que vem acontecendo por membros e familiares dos quilombolas, estas ações serão encaminhadas as autoridades que tomarão as medidas, sejam administrativas, cíveis ou criminais das irregularidades já que grande parte da comunidade vem cumprindo o acordo para o acerto final e bom desenvolvimento do território. Tudo aconteceu após a apresentação do TAC pelo INCRA no dia 05/07 no território quilombola, que a partir desta data, aumentaram o numero de ocupações consideradas irregulares porque não possuíam autorização da associação e nem no INCRA. Estas ações culminam na presença de um ouvidor agrário para avaliar a situação, que tem a finalidade principal de fiscalizar a comunidade. De lá para cá já constatou varias áreas sendo roçadas e inicio de algumas construções. Diante

disso irá elaborar um relatório a ser encaminhado ao MPF e

a superintendência do INCRA, destacando que cada vez mais

o poder público agirá com o rigor que a lei manda.


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Serviço de Inspeção Municipal vai gerar emprego, renda e alimentos Comunicação PMU Sabe aquele filé de peixe grelhado que você come no restaurante em Ubatuba? Ele pode ter sido pescado aqui, mas ter vindo de São Paulo! Isso porque hoje em dia não existe um processo de certificação municipal para que o pescador caiçara possa beneficiar seu produto – por exemplo, transformar o peixe em filé – e vendê-lo diretamente aos restaurantes, hotéis, escolas e outros estabelecimentos em conformidade com as normas de saúde. Hoje eles apenas poderiam vender seu produto in natura ou em uma relação direta produtor consumidor. Essa realidade vai mudar. A Prefeitura Municipal de Ubatuba trabalha na implementação do SIM (Serviço de Inspeção Municipal) que permitirá a certificação e garantia da qualidade de produção local. Maurici Romeu da Silva, Secretário Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento, explica que hoje o volume excedente de pescado não vendido in natura é comprado por intermediários, levado para São Paulo, onde é certificado pela CEAGESP – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – para depois retornar ao mercado a um preço que chega ao dobro do valor de venda original. “Isso resulta em perdas para a economia local e, sobretudo, em perda na qualidade do alimento, ao longo de todo esse trajeto. O SIM permitirá que o peixe pescado localmente possa, por exemplo, ser incluído no PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar -, o que beneficiará as crianças com um alimento rico em proteínas, vitaminas e sais minerais. Ele também trará para a formalidade uma parcela de trabalhadoras e trabalhadores que hoje se encontram na informalidade”.

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Carolina de Lima, Engenheira Agrônoma e Secretária Adjunta da Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento, informou que ao longo do ano de 2014 foram 3,728 milhões de quilos de pescado produzidos em Ubatuba (dados do Instituto da Pesca). Esse total correspondeu a 11 milhões de reais brutos de produção, que em sua grande maioria foram destinados a outros mercados fora do município. Ela acrescenta que o SIM valerá também para outros produtos de origem animal, como ovos, frango, carnes e derivados, além do mel, que hoje é certificado em São Luís do Paraitinga, e produtos vegetais como polpa de frutas congeladas, sucos e compotas. “A inspeção certificará que o processo produtivo seja feito respeitando-se as condições de higiene e saúde e de preservação dos alimentos”. Rumo ao SIM A implementação do SIM avança. O primeiro passo foi a elaboração pela Secretaria Municipal de Agricultura, Pesca e Abastecimento do projeto de Lei nº 3845 de 16 de junho de 2015 que cria o Serviço de Inspeção Municipal, sua aprovação pela Câmara Municipal e o sancionamento pelo prefeito Maurício Moromizato. O segundo, a realização do concurso público para a contratação de profissional de medicina veteriná-

ria. O terceiro, explica Maurici, é a elaboração de plantas certificadoras para o pescado e o abate de animais. “Uma das atribuições do profissional a ser convocado é coordenar e executar as atividades de inspeção e fiscalização da agroindústria familiar”, conta Maurici. O projeto envolve também a formação para a inspeção e o processo de assistência e extensionismo, isto é, de multiplicação do conhecimento sobre o processo de beneficiamento e certificação. “O SIM é mais uma política pública que terá impacto muito positivo pois agregará valor à produção, saúde, segurança e soberania alimentar, além de gerar novos empregos e renda para a população local”, destaca o prefeito Mauricio. Do lado dos produtores, é importante que desde já estes se organizem em cooperativas ou associações para quando o SIM estiver funcionando. Jerri Eduardo Morais, presidente da Colônia de Pescadores Z-10, destaca que o SIM vem pra ajudar o pescador a vender sua produção. “É algo que vai garantir mais autonomia para nós, trabalhadores e trabalhadoras da pesca, como foi o caso do PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – que permitiu que eu comprasse meu barco e pudesse viver de meu trabalho de maneira independente”, conta.

Capacitação em promoção e comércio de produtos no Turismo Rural

No último dia 18 foi realizado mais uma etapa do curso de capacitação em promoção e comercialização de produtos do Turismo Rural que aconteceu no Sítio Boca Larga no Sertão da Quina. São cinco dias com intervalos de 15 para preparação do material. As propostas serão confeccionadas em livretos e flyers a serem distribuídos ao público. Participarão inicialmente os sítios da Promata, Jonas, Miguel, Lama Mole e Recanto da Paz. Desta vez o café caiçara foi à

bola da vez, junto com o azul marinho que foi previamente apresentado para elaboração da montagem, apresentação e venda, também sobre valores e condições a ser formatado como produto típico regional de qualidade. O curso é ministrado pela mestre em hotelaria e turismo, professora Cândida Maria e acontece através de um convenio entre o SENAR e Fetaesp e parceria com o STTR, as aulas ainda estão em andamento e vem muito mais novidades por aí.

No dia 22 de Julho de 2015 alguns alunos do Ensino Fundamental e Médio da escola Áurea Moreira Rachou estiveram com os professores Daniel (Arte), José Correia (Filosofia) e Cirleida (Língua Portuguesa) participando do projeto de arte postal: Nós e o Lugar – Impressões Postais, que aconteceu no

Shopping Porto Itaguá de Ubatuba. Foi desenvolvida uma oficina de confecção de cartões postais, usando vários materiais a partir das impressões de cada participante. Parabenizamos e agradecemos ao Coletivo ZMB, responsável pelo projeto de arte postal e à gestão da Escola Áurea pelo incentivo.

Arte Postal em Ubatuba


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Campeão e vice do Cup Ubatuba e Copa Boca Júnior de futebol de base é da região sul

Banda Conversão na 149ª Festa do Divino

Luiz Henrique Amorim Santos

Campeões estampam no rosto a felicidade pela conquista

Pérsio Jordano No último dia 23, a ACE Sertão da Quina conquistou as duas primeiras colocações do pódio na edição 2015 do Cup Ubatuba e Copa Boca Júnior de Futebol de Base. Foram campeões as categorias 1999 – 2000 e vice a categoria 2001-2002. O campeonato foi disputado entre os dias 20 e 24/07. Participaram também as escolinhas do Boca Júnior de Guarujá - SP, Penha SP, Chute Inicial (Corinthians) Tamboré - SP e uma escolinha do Boca Júnior de Brasília- DF.

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A competição foi realizada no estádio municipal, campo da Folha Seca e Maranduba. Os campeões bateram o time do Sumidouro vencendo por um gol. Já os vices perderam por um gol do time do Flamenguinho. Esta final foi realizada no campo da Maranduba. O atleta Ângelo (Tico) é artilheiro do time na competição com 4 gols. O capitão Vicente e o artilheiro tico receberam medalha e troféu do técnico Valdir da equipe do Sumidouro. Depois os atletas se confraternizaram pelo belo campeonato que realizaram.

Categoria vice campeã (2000-2002) posa pra foto histórica

No último sábado dia 18, no centro de Ubatuba, aconteceu o encerramento da 149ª Festa do Divino Espírito Santo na Paróquia Exaltação da Santa Cruz ao lado da Igreja Matriz. A festa recebeu milhares de visitantes e já é considerada uma das mais tradicionais na região do Litoral Norte e Vale do Paraíba. Um evento envolvente cheio de fé, espiritualidade, tradição, cultura e devoção. Tradição esta vinda de Portugal com uma bela história da família real. A festa apresentou diversas atrações culturais, musicais e gastronômicas, uma das atrações foi a presença da banda Conversão para delírio dos visitantes. A festividade celebra a fé cristã com procissões que aconteceram de 10 a 18 de julho, com a saída sempre de frente a Fundart com destino a Igreja Matriz com missas as 19 horas. No primeiro dia o grupo de Folia do Divino de Ubatuba participou da procissão que integra a 149ª edição desta grande festa. O Império do Divino, destaque, no Salão de Exposições do Sobradão do Porto recebeu diariamen-

te religiosos a partir das 19 horas para procissão. A missa acompanhada pela banda Conversão foi celebrada com uma liturgia enriquecida de símbolos e contou com a participação do Diácono Nelsinho Corrêa da comunidade Canção Nova, proferindo uma homilia simples e clara. Após a celebração, o momento mais esperado foi o tão esperado show da banda Conversão com o Diácono Nelsinho Corrêa. A banda é composta por integrantes de várias paróquias de Ubatuba, inclusive da Paróquia Nossa Senhora das Graças da região Sul. Os integrantes são Tato, Guilherme, Luiz, Kilo e Henrique, contou também

com a participação de Thuanne Oliveira. Nelsinho Corrêa animou o público com ritmos animados e canções sempre alegres como samba, forró, pop e rock. A banda foi elogiada pelo cantor religioso por conta de sua pontualidade, determinação, compromisso, qualidade na execução das melodias, acordes e arranjos. Segundo os organizadores ela – a banda- se prepara para alcançar maiores sucessos. Querida por muitos a banda Conversão toca ritmos católicos e havia se apresentado com êxito na última edição da Festa de São Pedro Pescador, fazendo o público pular de alegria. Agora é esperar pela próxima apresentação.


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Fé e turismo “Caminhando com Anchieta” Fotos e texto: Aguinaldo José/PROMATA Que tal ter a oportunidade de andar por um trecho dos caminhos onde os jesuítas passaram séculos atrás com os índios da nação Tupi, catequizando e fomentando a história e cultura do litoral brasileiro? Pois é, um grupo de peregrinos enfrentou entre os últimos dias 26 a 28/07 uma caminhada de 81 km entre São Sebastião e Ubatuba com 89 integrantes só para refazer um pouco dos passos do, hoje santo missionário, José de Anchieta, considerado o primeiro a se aventurar nas florestas em companhia dos primeiros habitantes desta terra. Na contramão do sossego e boa vida a caminhada oferecia, além aventuras nas praias do litoral norte paulista, um tempo para seguir os passos da espiritualidade, da fé e do padroeiro do Brasil. Uma atividade única que junta exercício físico, companheirismo, espiritualidade, gastronomia, turismo religioso e, de quebra, a doce contemplação das belezas das praias mais lindas do país. Para os participantes foi um privilégio já que percorreram um trajeto repleto de história e emoção, pois a rota começa num ícone da história e termina em outro, na praia onde o

missionário escreveu seus poemas a Virgem. Esta caminhada aos religiosos oferece, através da beleza natural e do silencio às vezes, uma ótima oportunidade para as conversas com Deus. Considerado o ponto-chave do evento e talvez o mais interessante e imperdível é a caracterização e aceitação das comunidades da mistura de fé com lazer. A cada saída um bom alongamento, o pessoal do colete amarelo estava lá para o apoio

necessário, principalmente aos caminhantes de primeira viagem. Teve gente que fez o primeiro dia a pé e os dois restantes de bicicleta. Fruta, água acompanhavam os romeiros em todo caminho, um livreto, um documento com as regras da caminhada e o roteiro foram entregues aos participantes. Iniciativa O litoral norte recebeu o evento pela primeira vez e já foi sucesso de público e critica. Esta caminhada é um projeto da Igreja católica cuja iniciativa teve início em 9 de junho - dia de São José de Anchieta no projeto de animação devocional ao Santo canonizado na Catedral Divino Espírito Santo em Caraguatatuba, onde deu-se inicio a peregrinação da imagem e da bandeira criada para o evento. Os ícones passaram por todas as 17 paróquias das cidades, comunidades afastadas, asilos e hospitais também foram re-

cebidos pela equipe. Em 2015 ganhou o status de Peregrinação Religiosa nos mesmos moldes dos Passos de Anchieta. Segundo o padre André Luiz Ouriques, coordenador do projeto Caminhando com Anchieta do qual fazem parte outras iniciativas, a peregrinação incentiva o que sempre se pretendeu na região que é turismo religioso: “Temos uma história de fé com a passagem de São José de Anchieta por nossas praias,

temos a marca de Santo Antonio em Caraguatatuba e ainda uma história pouco conhecida que é a aparição de Nossa Senhora, anos antes do Milagre de Fátima, no Sertão da Quina, em Ubatuba. Tudo isso precisa ser valorizado religiosamente e para ajudar, temos um dos litorais mais lindos para se apreciar. Um grande presente de Deus que pode ser agregado a tudo isso”, disse o padre coordenador da caminhada.


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Itinerário religioso, histórico e turístico de onde teria passado Anchieta

Acolhidas como na época Ao longo dos quilômetros, as comunidades de acolhida estavam preparadas para o pernoite oferecendo refeições, local para banho e descanso comunitário. Os organizadores comentam que foram sempre bem recebidos em todas as comunidades que passaram, também foram cumprimentados nas rodovias e abordados por curiosos que perguntavam do que se tratava. Anchieta foi intitulado pela

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como o segundo Padroeiro do país, junto a Nossa Senhora Aparecida e para visitação apenas duas estatuas em tamanho real estão à disposição do público no município de Ubatuba, uma na Ilha Anchieta e outra na Praia do Cruzeiro. Além de passeio histórico e religioso a caminhada mostrou um pouco das tradições de acolhimento cultural das comunidades por onde passavam principalmen-

te de pescadores. Foram visitadas quase uma centena de praias, monumentos históricos, mirantes, capelas dos mais variados estilos e tamanhos. Tudo como o realizado há séculos atrás por Anchieta e Nóbrega. Itinerário religioso, histórico e turístico de onde teria passado Anchieta Tudo começou dentro da capela Matriz de São Sebastião que possui uma bela história e que recebeu reformas em 2000 por conta de sua importância histórica na formação do município. Outro importante ponto de parada foi o Convento Nossa Senhora do Amparo, que possui uma das igrejas mais antigas da cidade onde em seu interior é possível ver as placas indicativas de pessoas que foram sepultadas ali dentro. Depois foram a Capela Nossa Senhora Aparecida, construída em 1942 no bairro do Porto Novo já em Caraguatatuba.

A capela recebeu do artista plástico Nivaldo Julião de Moura uma imagem da padroeira construída em concreto de aproximadamente 2,50 metros e a disposição dos fotógrafos. Após uma longa caminhada pela praia chega-se a catedral, considerada a igreja mãe do litoral norte, cheia de adereços, artes, ícones, brasões, vitrais e símbolos religiosos confeccionados pelos mais renomados artistas conhecidos. Em seguida na Matriz Santo

Antonio, a capela que resistiu a maior catástrofe do mundo na época. Esta igreja é a mais visitada em época de feriados e temporada devido ao acolhimento e boa localização. No segundo dia a parada é na capela de Santa Cruz, no Massaguaçu, capela completamente reconstruída com uma arquitetura mais moderna, suave, porém também considerada um ícone da história da região. Depois, já em Ubatuba, a visita foi na paróquia Nossa Senhora das Graças onde tradicionalmente a comunidade realiza todo dia 8 de cada mês a reza do terço e a caminhada luminosa ao São Cruzeiro (Morro do Emaús). Em direção ao centro a parada é na Capela Nossa Senhora das Dores, no Itaguá, em seguida ao Marco da Paz – homenagem a Santo Anchieta e depois a Matriz Exaltação da Santa Cruz onde aconteceu a missa de encerramento, presidida pelo bispo diocesano, Dom José Carlos, na presença de todo o clero. Ao final todos receberam certificado de participação e a experiência de entrar para a história do litoral passando por entre os caminhos antigos ainda na época do rei.


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Aulas criativas e inovadoras de professor caiçara é destaque em revista especializada Na última edição do EntreTeses, revista da Unifesp - Universidade Federal de São Paulo - que publica trabalhos de divulgação científica nas categorias perfil, entrevista, ciência no mundo e pesquisa e desenvolvimento publicou em sua edição nº 4 de junho 2015, páginas 89 a 91 o reconhecido trabalho do professor de Ubatuba Camilo de Lellis Santos que fala sobre o uso de criatividade e tecnologias para transformar a aprendizagem em algo mais atraente, com melhor qualidade e didaticamente mais acessível aos alunos. “Tudo em busca de um método capaz de combinar o aprendizado teórico com o prático”, comenta o professor. Sua aula é, segundo a revista Unifesp, “destacada como uma das melhores do mundo pela American Physiological Society (Sociedade Americana de Fisiologia), aula esta replicada na USP, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e na Universidade Federal de Santa Catarina, além de ter sido apresentada pelo professor na Bishop’sUniversity (Canadá)”. Camilo, morador do Sertão da Quina, hoje é docente do curso de Licenciatura em Ciências do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas (ICAQF/ Unifesp) - Campus Diadema e responsável pelo Laboratório de Experimentação e Educação em Fisiologia (LExEF). Lellis diz em entrevista que em 2008, quando ainda era pesquisador no doutorado da Universidade de São Paulo (USP), “já propunha idéias inovadoras para tentar melhorar a qualificação dos professores de ensino básico”. Hoje o professor trabalha na formação de profissionais de ensino e foram suas abordagens di-

ferenciadas que ganharam reconhecimento internacional e destaque na revista. CSI Com espírito inovador o professor destaca um modo inovador de se ensinar sobre fisiologia da glândula tireóidea, um órgão que produz hormônios que controlam o nosso metabolismo. Na aula prática o professor criou um ambiente de mistério como a do seriado norte-americano CSI (sigla de Crime Scene Investigation), onde disponibilizavam ratos de pelúcia com órgãos feitos com massa de biscuit, e os desa-fiou a descobrir qual doença na tireóide cada modelo apresentava. Para isso, eram fornecidos dados como peso, tamanho da tireóide e do coração, gordura visceral, frequência cardíaca e TSH plasmático (hormônio estimulante da tireóide) de cada modelo, omitindo-se, no entanto, um dos dados mencionados anteriormente em um dos três ratos de cada bancada. A partir do que havia sido ensinado em aula, os alunos deveriam integrar todas as informações (apresentadas e omitidas) para chegarem ao diagnóstico final, dessa forma

rompendo o processo nada eficiente de aprendizagem passiva que reina na maioria das salas de aula do país. Artes para o ensino de Ciências Outra marca de Lellis no ensino foi a utilização de outras disciplinas para aperfeiçoar o aprendizado do aluno. Algumas técnicas também foram realizadas como dobradura de papel e musica. Um dos exemplos desta metodologia foi ensinar o funcionamento do sistema cardiovascular, por exemplo, buscando auxílio nas artes. Pediu aos alunos que criassem a dobradura de um coração que pulsa, com anotações dos aspectos físicos do órgão, e que posteriormente poderia vir a ser utilizada nas provas como cola. Depois, deveriam realizar uma “dança do coração”. No final ao som da música Eu Sei (Na Mira)”, de Marisa Monte, que contém o seguinte trecho: “O meu coração é ummúsculo involuntário e ele pulsa por você”, efetuariam a integração de seus co-nhecimentos e percepções artísticas sobre o órgão estudado. Para a revista Camilo diz que “são três momentos diferentes

em que utilizo a arte em uma aula de Fisiologia. Hoje, a tendência no ensino é não fragmentar as áreas. Cada vez mais uma disciplina deve estar associada à outra”, finaliza. Aprendizagem móvel Com o auxilio dos dispositivos tecnológicos a aprendizagem deve ser estendida à modalidade de educação à distância, para que o aprendizado seja em qualquer lugar e em qualquer hora, diz o professor.“A sala de aula terá de se expandir, pois não é mais o único espaço de aprendizagem”, pondera Camilo. O docente encontrou um aplicativo utilizado por maquiladores para decidir o tipo de cosmético mais adequado. Esse programa pode revelar o grau de vascularização na pele do indivíduo e essa informação é valiosa para os cálculos após as atividades físicas.Também um que propõe um sistema de feedback imediato para o professor através de problemas e perguntas aos alunos por meio de celulares e tablets, assim se a porcentagem de respostas corretas dos alunos for inferior a 60% tem algo errado e tema deverá ser retomado. O celular também é bem vindo às aulas, já que, segundo o professor, os alunos podem conversar e também prestar atenção a exposição do professor. Para que os aplicativos venham a ser utilizados, é necessário explicar como funcionam e que estratégias serão selecionadas para ajudar nas ações de ensino. “Esses laboratórios móveis servem apenas para a coleta de dados, pois não disponibilizam todas as explicações, as análises e as reflexões sobre o assunto – estas são feitas pelo professor junto com os alunos, o professor ainda é e sempre

será elemento essencial na educação”, argumenta. Integração entre as disciplinas O professor utiliza dentro de suas habilidades a soma de outras habilidades pedagógicas, para cada vez mais, aumentar as oportunidades de aprendizagem ativa. Para Camilo no âmbito da unidade curricular denominada Integração das Ciências, do curso de Licenciatura em Ciências, procura agregar conteúdos de Física, Química, Biologia, Matemática e Humanidades para formar um profissional capaz de transitar pelas diversas áreas, sempre a partir de um tema nucleador. “Hoje os cursos de formação de professores devem priorizar o ensino interdisciplinar. Cada vez mais os professores deverão ser capazes de dialogar com diversas áreas pois a produção científica do conhecimento deixou o seu lado isolado para uma visão mais abrangente”, completa o professor. Reconhecimento A ex-aluna e atual orientanda de iniciação científica na área de Anatomia e Fisiologia, Juliana da Silva Medeiros, reafirma a ampla preferência pelas aulas inovadoras do professor: “Havia maior engajamento por parte dos estudantes, pois uma aula prática é mais divertida e dinâmica do que apenas acomodar-se e ver slides. Até nas aulas expositivas, o professor procurava trazer imagens diferentes, coisas que ele mesmo pesquisava. Então, ficávamos mais eufóricos quando a aula era dele.” Esse tipo inovador de aprendizagem foi bem aceito pelos alunos e, especialmente, pelos professores, que o utilizam cada vez mais nas aulas. Fonte: Revista EntreTeses


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Nosso amor por Ubatuba Dagmar Oswaldo Cupaiolo Nesta rápida recapitulação da origem do SÍTIO SANTA CRUZ, fazemos referência à chegada de nossa família a Ubatuba, com a fixação da residência de nosso tio-avô , Mario Fava, na praia de Maranduba. A história de nosso amor e admiração pela região envolve, portanto, quatro gerações - Mário Fava (Tio Bisavô) de Roberto Cupaiolo; Oswaldo Cupaiolo (avô de Roberto) e Dagmar Cupaiolo (filho de Oswaldo Cupaiolo e pai de Roberto). É uma longa e marcante relação de vida (mais de meio século) e que ganhou novos contornos com o casamento do Bisavô Mario com uma das pessoas mais admiradas e respeitadas da região D° Maria das Dores Ballio Fava, a primeira vereadora de Ubatuba, cuja conduta em auxílio da população é algo de heroico, incomum, modelar e que já foi alvo de reconhecimento público em varias oportunidades, inclusive em memorável recente sessão da Câmara Municipal de nossa Ubatuba. Inspirados pelos exemplos e pelas condutas de nossos antepassados - Oswaldo e Dagmar promoveram durante muitos anos as festividades de Natal da população do Sertão da Quina e outras localidades, entregando presentes a todas as crianças que acorriam às festividades que promoviam e víveres e alimentos de primeiras necessidade às famílias, sendo lembrados até hoje pelos que viveram esses eventos, os momentos alegres em que as caravanas de Kombi e até caminhões chegavam à Maranduba e ao Sertão da Quina para a entrega dos brin-

quedos e alimentos. É difícil falar sobre essas coisas. A solidariedade, o amor, a caridade, não devem ser alardeados. Devem ser praticados e só. Muitas outras oportunidades de ajudar pessoas surgiram ao longo de tantos anos de convívio e amizade e sempre que possível, procurou-se fazer o que estava ao nosso alcance. Desde os tempos mais distantes a Maranduba era um conjunto de poucas casas, algumas de pau-a-pique, não havia asfalto, nem energia elétrica e a única forma de comunicação mais rápida era o telégrafo, localizado onde hoje está a Farmácia. Era uma casinha de barro (pau-a-pique) e seu operador era o Deolindo, genro de Maria Ballio. O pai de Dagmar e avô de Roberto traziam de São Paulo, um projetor de filmes e caixas de som que ligava na bateria de seu carro, armava uma tela em frente ao armazém do velho Pimenta e projetava para uma pequena multidão que se formava (eram avisados com antecedência), o que seria o primeiro cinema que jamais haviam visto em suas vidas... Foram tempos memoráveis, de outra mentalidade onde havia mais sinceridade e menos malícias e interesses materiais, tempos onde, apesar de tudo, a vida era mais fácil de ser vivida, sem a violência e os percalços da vida moderna. Mas as grandes lições e os exemplos frutificaram e hoje a família, com Dagmar e Roberto (Neto e bisneto do tio-avô Mario Fava) continua a colaborar com as pessoas de todas as formas possíveis. Dentro do Sítio Santa Cruz, criou-se a Pousada das Cachoeiras, gerando empregos para

a população local, e instituindo-se convênios com a Polícia Ambiental e o Parque Estadual da Serra do Mar, para a preservação da maior riqueza da região: as matas, as águas e os animais silvestres. Com a Secretaria da Educação de Ubatuba, formalizou-se parceria propiciando a vinda de milhares de estudantes para lazer e aprendizado (a Pousada instalou Museu da História Local, Casa do Caiçara, com todos os complementos dos tempos antigos, Horta Orgânica, Oficina de Reciclagem de lixo e dispõe de guias-instrutores para conduzir as crianças e adultos por trilhas na mata e receber “In Loco” as tão necessárias lições de ecologia, defesa do meio ambiente, desenvolvimento sustentável e outras noções úteis à vida e ao futuro das pessoas). Estão em pleno curso os convênios realizados com empresas e escolas de São Paulo

e outras localidades (até do exterior) e que têm trazido à nossa cidade centenas de pessoas que passam a conhecer, admirar e recomendar Ubatuba como região ideal de turismo, lazer e investimentos. É um tanto constrangedor falar das ações de assistência às pessoas e instituições de caridade que Deus tem nos propiciados realizar, mas quem nos conhece bem sabe que, sempre que possível, não desperdiçamos a oportunidade de fazer o bem... Temos participado, ainda, de projetos de caráter relevante na defesa da vida e da segurança das pessoas, como na implantação e adequação do Posto Policial da Maranduba (o 1° rádio e a primeira viatura foram conseguidas por nós); reforma e fornecimento de moveis, utensílios e equipamentos do Posto de Guarda-Vidas Bombeiros da praia da Maranduba; reforma dos

postos de proteção da Polícia Rodoviária da Maranduba; colocação de postes e iluminação na área da Travessa da Barreira (estrada municipal onde não havia iluminação). Atualmente estamos empenhados de corpo e alma na implementação de uma Oficina-Escola de Artesanato, que atenderá a população jovem de nossa região, procurando propiciar a eles uma instrução adequada à vida comunitária, conceitos de cidadania e desenvolvimento sustentável e o aprendizado de uma profissão. Enfim, esses são alguns dos pontos que poderíamos abordar quando pretendemos falar de nossas vidas passadas e do muito que ainda pretendemos fazer pelo abençoado privilégio de estarmos em um lugar tão maravilhoso como o nosso Sítio Santa Cruz, nosso Sertão, nossa Maranduba, nossa eterna Ubatuba!


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“Chacina na Ilha Anchieta - Tiroteio na invasão e retomada da Ilha” Parte 16 Jornais da época enviaram seus melhores repórteres para descrever a maior rebelião do planeta que aconteceu em nossa região, sobreviventes ajudam a contar a história.

EZEQUIEL DOS SANTOS “Revista Semanal Manchete Edição nº 11, Rio de Janeiro, sábado, 5 de julho de 1952, página 2 a 7”. Como matéria de entrada a revista carioca estampa o seguinte destaque “Chacina em Anchieta a ilha do inferno” onde registra uma foto em preto e branco dizendo ser o último ato da tragédia onde um detento que volta a ilha escoltado por defensores da lei coberto de sangue e lama. Assim como outras notícias esta também trata o evento como a maior tragédia dos presídios brasileiros, fala que precisamente as 8:10 da manhã, 480 detentos da colônia correcional da Ilha do Inferno, como era chamada, amotinaram-se com uma determinação de fúria sem precedentes na história penitencia do país. A revista trata como a fuga da escória dos presídios paulistas os amotinados que sedentos de vingança metralharam e trucidaram dezenas de pessoas, entre carcereiros e até os próprios companheiros que não quiseram participar da fuga foram mortos na tragédia. Embora destruídas as dependências da colônia, os repórteres ficaram impressionados com o testemunho de um dos sobreviventes sobre o resguardo da vida de crianças e mulheres que estavam lá no dia. Segundo o sobrevivente, Pereira Lima, um dos mentores da rebelião, disse os quatro ventos que “aquele que se meter com mulheres e meninas eu fuzilo. Ninguém vai bancar o tarado aqui”. Todos obedeceram. A revista da detalhes que haviam passados despercebidos na outras revistas como o revide do diretor do presídio Fauto Sadi Ferreira que foi recebido por uma saraivada de balas de metralhadora quando sai de sua casa e vai averiguar o que se passava. Ele havia disparado tiros com arma de curto calibre até ser dominado pelos rebeldes, versão que não é confirmada pelos sobreviventes. Também fala das hurras que deram após a captura de

Sadi. Fala ainda que Pereira Lima portando uma metralhadora grita para o diretor: “Vai-te daqui e fica bonzinho. Nós vamos agora ganhar o mundo. Com você não queremos nada. Com Portugal sim”. Portugal foi o chefe da disciplina trucidado pelos rebelados. Diz que depois desta fala os comandantes, suboficiais e praças foram colocados nos cubículos que horas antes era ocupado pelos presos. A orgia continuava, atearam fogo nas dependências e no cofre metralharam a fechadura, em círculos, na tentativa de abri-lo, o que conseguiram levando cerca de 100 mil Cruzeiros. A revista conta que os rebeldes tentaram se apoderar do barco Ubatuba, que trazia mantimentos a ilha, porém a tripulação percebeu o movimento e evadiu-se do local frustrando a fuga, porém alcançaram a lancha do presídio – Carneiro da Fonte – que tinha capacidade para sessenta presos ficou lotada com mais de 100. Com o medo de que o barco chegue a pique, alguns atiravam e matavam seus companheiros de cela jogando os corpos ao mar ou aos dentes de tubarões que passavam na região. Pereira Lima é apontado como sendo o fugitivo que deu uma rajada de tiros de metralhadoras nos companheiros no barco da fuga onde matou mais de trinta, descreve a revista. Um dos recapturados, o detento Alcides Santos, disse aos repórteres que presenciou esta cena, que Pereira Lima gritava: “Vamos arranjar mais espaço nesta barca. Azar de quem sobrar!”. Fala ainda que foi Pereira Lima e Alemãozinho quem assassinaram o sargento Melquiades Alves de Oliveira, que estava na enfermaria, e o soldado Damásio dos Santos, deformando seu rosto com coronhadas de fuzil gritando: ”Desta vez vai correr muito sangue sem ser do meu!”. Porém nas linhas seguintes da revista o tema foca nos

maus tratos, onde foi a causa principal. “O motivo dominante da sangrenta revolta na Ilha do Inferno foi a vingança! A vingança muito mais que o desejo de liberdade”, disse um dos revoltosos. Os reportes apuram que os maus tratos e o sistema desumano em que os presos eram tratados reinavam no presídio. Recapturados eram unânimes na queixa dos maus tratos, que não havia mudado nada. O que recebeu destaque foi a informação, que depois da rebelião foi levada mais a sério, de que o professor José Soares de Mello havia produzido um relatório, que publicado pela imprensa paulista em maio, dois meses antes da rebelião, criticava os métodos adotados no Instituto Correcional de Anchieta antevendo uma possível rebelião. Embora alguns preferissem a fuga, outros ficaram, porque sabiam que a tal liberdade sonhada pelos revoltosos era precária. A mídia da época pressionava o judiciário a tomar uma atitude imediata quanto o acontecido, em decorrência da grande repercussão ficou a cargo do juiz Corregedor Meira Neto mandar proceder rigoroso inquérito sobre o regime penitenciário da colônia para que os verdadeiros culpados e responsáveis desta por esta barbárie sejam punidos exemplarmente, termina a matéria.


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Homenagens, presentes, emoção e lágrimas na despedida de Pe. João Marcos No último dia 26, foi realizada a última celebração do Padre João Marcos na capela Nossa Senhora das Graças. A celebração foi marcada por fortes emoções para quem fica e para quem vai. A comunidade preparou uma despedida festiva e emocionante ao padre. Já nas narrações um pouco de sua história, sua vida e suas aptidões foram reveladas. Movimentos e pastorais prestigiaram a despedida e ofereceram recordações ao religioso. Sagrado Coração de Jesus, Legião de Maria, Ministros, Terço dos Homens e das Mulheres, Coroinhas e Acólitas, Pastoral da Criança, Cerimoniários, Renovação Carismática, Infância Missionária, Músicos, Liturgia, Seminaristas, Grupo de Jovens lá estiveram para agradecer a presença de Pe. João Marcos neste ano de trabalho nas comunidades da região sul. Um grupo de moradores e, assim por dizer, fãs do padre, realizaram o ofertório. Por vários momentos houve lágrimas sinceras de tristeza e alegria nesta última celebração. Crianças a infância missionária cantaram e se encantaram ao entorno do padre durante a celebração em sua homenagem. Pe. João diz a todos da felicidade de ter trabalhado por aqui, da acolhida recebida e confessa que desde os sete anos é legionário de Maria e se emociona ao

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Pe João não segura a emoção e chora ao receber o inesperado

Sagrado Coração e Legião de Maria ajudaram ao Padre nesta caminhada

Como extensão do povo presente crianças cantam justa homanagem ao amigo

receber um Vicsilio. “Faz parte de meu sacerdócio a Legião de Maria e que levarei pro resto da vida. Deus abençoe a todos que me presentearam”, fala emocionado aos fiéis. “Saio feliz com o dever da missão cumprida depois de um ano

dentro desta paróquia, vou para paróquia Santo Antonio, lá vou lembrar de cada um de vocês, muito obrigado!”, finaliza Padre João. Ao final mais presentes e varias fotos de recordação junto ao padre foram realizadas.

Moradores realizam peregrinação com terço nas capelas da região

No último dia 4, sábado, pelo menos 20 moradores da região sul de Ubatuba, das varias paróquias locais, realizaram uma peregrinação as capelas de toda a região. O objetivo foi atender a um antigo pedido da fé mariana neste território. Acompanharam moradores de vários bairros, uns bem distantes, nada que desanimasse as visitas e o entusiasmo em realizar o terço como era de costume todos os dias há décadas atrás por estas paragens. Desta empreitada participariam solteiros, casados, jovens, adultos, baixos, altos, todos que

tiveram, naquele dia, vontade e disponibilidade de tempo para tirar um dia a Mãe de Deus. No roteiro 13 comunidades constavam na lista com inicio as 6 da manhã e término às 20 horas daquele dia. Por aqui eram comuns as visitas religiosas, principalmente aos doentes, as mães, crianças recém nascidas, aos compadres e as capelas quase que diariamente como compromisso firmado com a fé. A visita tenta afirmar uma tradição de devoção mariana que já foi mais fervorosa e que aos poucos vem conquistando adeptos.


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DECLARAÇÃO

Eu, SEBASTIÃO PEDRO DE OLIVEIRA, brasileiro, casado, 90 anos, aposentado, UBATUNO ILUSTRE conforme Decreto Legislativo nº 03/10, morador tradicional conforme Decreto Federal nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007 – Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - 3ª geração na linha familiar genealógica do bairro do Sertão da Quina, portador do RG nº: 8.405.661-7 SSP/SP e do CPF nº: 799.443.298-00, residente e domiciliado a Rua Hipólito Alexandre da Cruz, nº 86, Sertão da Quina, Ubatuba/SP, vem mui respeitosamente DECLARAR para os devidos fins e de direito que reconhece uma gleba de terra medindo 1.892, 078 m2 (hum mil, oitocentos e noventa e dois metros quadrados e os centímetros anotados) que fora doado pelo Sr. Benedito Antonio Elói (in Memorian) ao Sr. Wladimir Celestino de Oliveira, constante do endereço Rua Santa Eliza, s/nº esquina com a Rua José Pedro de Oliveira, fundos com a minha propriedade e do Sr. Salustiano Félix no ano de 1951 por motivo do apadrinhamento religioso de Wladimir Celestino de Oliveira por Benedito Antonio Elói. Doação esta realizada na data do nascimento de Wladimir Celestino de Oliveira ao qual ficou sobre a tutela do Sr. Pedro Celestino dos Santos – pai do agraciado - até o casamento do recebedor com Sonia Barreto de Oliveira em 1977 ao qual ocupam de forma mansa, pacífica, desembaraçada e em animo de dono até a presente data. Sendo só para o momento. Ubatuba, 13 de julho de 2015. SEBASTIÃO PEDRO DE OLIVEIRA RG: 8.405.661-7 SSP/SP

COMUNICADO

ASSOCIAÇÃO DOS REMANESCENTES DA COMUNIDADE DE QUILOMBO CAÇANDOCA vem por meio desta CONVOCAR TODOS SEUS ASSOCIADOS, para atualização cadastral, acordo de mensalidades em atraso e atualização de árvore genealógica, para finalidade de alterações no estatuto da entidade em favor do novo código civil e por solicitação do Ministério Publico Federal e INCRA. Os membros deverão comparecer a sede da comunidade, sito a estrada Benedita Luiza dos Santos n° 1.474, Praia da Caçandoca todos os domingos das 9:00 hs. as 12:00 hs. a partir de 26 de Julho com prazo de 30 dias. Solicitando também a presença da PRESIDENTE EMÍLIA GABRIEL, para entrega do livro ATA e ficha cadastrais, para registro das atualizações necessárias. Mais informações pelo telefone 12-997250124 ou pelo email apqcaquilombo@hotmail.com. MÁRIO GABRIEL DO PRADO Vice-presidente

ANUNCIE: (12) 99714.5678 - 38326688 Jornal Maranduba News

DECLARAÇÃO

Eu, JOSÉ MANOEL DOS SANTOS, brasileiro, casado, 77 anos, aposentado, morador tradicional conforme Decreto Federal nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007 – Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - 3ª geração na linha familiar genealógica do bairro do Sertão da Quina, portador do RG nº : 15.740.049-9 SSP/ SP e do CPF nº: 017.941.708 – 80, residente e domiciliado a Rua Manoel Gaspar dos Santos, nº 207, Sertão da Quina, Ubatuba/SP, vem mui respeitosamente DECLARAR para os devidos fins e de direito que reconhece a uma gleba de terra medindo 1.892, 078 m2 (hum mil, oitocentos e noventa e dois metros quadrados e os centímetros anotados) que fora doado pelo Sr. Benedito Antonio Elói (in Memorian) ao Sr. Wladimir Celestino de Oliveira, constante do endereço Rua Santa Eliza, s/nº esquina com a Rua José Pedro de Oliveira, fundos com a propriedade do Sr. Sebastião Pedro de Oliveira e do Sr. Salustiano Félix no ano de 1951 por motivo do apadrinhamento religioso de Wladimir Celestino de Oliveira por Benedito Antonio Elói. Doação esta realizada na data do nascimento de Wladimir Celestino de Oliveira ao qual ficou sobre a tutela do Sr. Pedro Celestino dos Santos – pai do agraciado - até o casamento com Sonia Barreto de Oliveira em 1977 ao qual ocupam de forma mansa, pacífica, desembaraçada e em animo de dono até a presente data. Sendo só para o momento. Ubatuba, 13 de julho de 2015. JOSÉ MANOEL DOS SANTOS RG: 15.740.049-9 SSP/SP

DECLARAÇÃO

Eu, JOSÉ MANOEL DOS SANTOS, brasileiro, casado, 75 anos, aposentado, morador tradicional conforme Decreto Federal nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007 – Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais - 3ª geração na linha familiar genealógica do bairro do Sertão da Quina, portador do RG nº: 4.884.723-9 SSP/SP e do CPF nº: 126.916.158-04, residente e domiciliado a Rua Nativa Rosa de Oliveira, nº 152, Sertão da Quina, Ubatuba/SP, vem mui respeitosamente DECLARAR para os devidos fins e de direito que reconhece uma gleba de terra medindo 1.892, 078 m2 (hum mil, oitocentos e noventa e dois metros quadrados e os centímetros anotados) que fora doado pelo Sr. Benedito Antonio Elói (in Memorian) ao Sr. Wladimir Celestino de Oliveira, constante do endereço Rua Santa Eliza, s/nº esquina com a Rua José Pedro de Oliveira, fundos com a propriedade do Sr. Sebastião Pedro de Oliveira e do Sr. Salustiano Félix no ano de 1951 por motivo do apadrinhamento religioso de Wladimir Celestino de Oliveira por Benedito Antonio Elói. Doação esta realizada na data do nascimento de Wladimir Celestino de Oliveira ao qual ficou sobre a tutela do Sr. Pedro Celestino dos Santos – pai do agraciado - até o casamento do recebedor com Sonia Barreto de Oliveira em 1977 ao qual ocupam de forma mansa, pacífica, desembaraçada e em animo de dono até a presente data. Sendo só para o momento. Ubatuba, 13 de julho de 2015. JOSÉ MANOEL DOS SANTOS RG nº: 4.884.723-9 SSP/SP

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“Até a tia “pelá” aquilo!!!”

Coluna da Adelina Fernandes

Carta de um pai ao filho Amado Filho, O dia em que este velho já não for o mesmo, tenha paciência e me compreenda. Quando eu derramar comida sobre minha camisa e esquecer como amarrar meus sapatos, tenha paciência comigo e se lembre das horas que passei te ensinando a fazer as mesmas coisas. Se quando conversa comigo, repito e repito as mesmas palavras e sabes de sobra como termina, não me interrompas e me escute. Quando era pequeno, para que dormisse, tive que contar-lhe milhares de vezes a mesma estória até que fechasse os olhinhos. Quando estivermos reunidos e, sem querer, fizer minhas necessidades, não fique com vergonha e compreenda que não tenho a culpa disto, pois já não as posso controlar. Pensa quantas vezes quando menino te ajudei e estive pacientemente a seu lado esperando que terminasse o que estava fazendo. Não me reproves porque não queira tomar banho; não me chames a atenção por isto. Lembre-se dos momentos que te persegui e os mil pretextos que tive que inventar para tornar mais agradável o seu banho. Quando me vejas inútil e ignorante na frente de todas as coisas tecnológicas que já não poderei entender, te suplico que me dê todo o tempo que seja necessário para não me machucar com o seu sorriso

sarcástico. Lembre-se que fui eu quem te ensinou tantas coisas. Comer, se vestir e como enfrentar a vida tão bem com o faz, são produto de meu esforço e perseverança. Quando em algum momento, enquanto conversamos, eu chegue a me esquecer do que estávamos falando, me dê todo o tempo que seja necessário até que eu me lembre, e se não posso fazê-lo não fique impaciente; talvez não fosse importante o que falava e a única coisa que queria era estar contigo e que me escutasse nesse momento. Se alguma vez já não quero comer, não insistas. Sei quando posso e quando não devo.

Também compreenda que, com o tempo, já não tenho dentes para morder, nem gosto para sentir. Quando minhas pernas falharem por estarem cansadas para andar, dá-me sua mão terna para me apoiar, como eu o fiz quando começou a caminhar com suas fracas perninhas. Por último, quando algum dia me ouvir dizer que já não quero viver e só quero morrer, não te enfades. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com seu carinho ou o quanto te amei. Trate de compreender que já não vivo, senão que sobrevivo, e isto não é viver. Sempre quis o melhor para você e preparei os caminhos que deve percorrer. Então pense que com este passo que me adianto a dar, estarei construindo para você outra rota em outro tempo, porém sempre contigo. Não se sinta triste, enojado ou impotente por me ver assim. Dá-me seu coração, compreenda-me e me apóie como o fiz quando começaste a viver. Da mesma maneira que te acompanhei em seu caminho, te peço que me acompanhe para terminar o meu. Dê-me amor e paciência, que te devolverei gratidão e sorrisos com o imenso amor que tenho por você. Atenciosamente, Teu Velho Autor: Levi da Silva Barreto

ZECA PEDRO Período de colheitas, os homens invadiam a as várzeas e os morros com cestos, balaios, sacos de linho colhendo o tão precioso fruto do trabalho de todos, era tanta fartura que as pessoas trocavam dia para a colheita, assim aperfeiçoava-se os trabalhos, refinavam os laços fraternais e redistribuíam os conhecimentos. Próximo de suas residências as casas de farinha, que estavam a todo vapor. As crianças, que apenas entendiam como brincadeira e algo para passar o tempo, cada qual com uma faquinha, a raspar mandioca para retirar sua casca. Sentavam-se todos em forma de roda, ao centro ou em algum dos lados, a mandioca raspada pronta para ser lavada. As costas destes a mandioca recém colhida a ser retirada a casca. Ali as comadres, alguns compadres também, contavam causos, histórias, contos, acontecimentos, cantos e espalhavam sabedoria, risos, fofocas. De tudo se falava dependendo da situação histórica, geográfica, ambiental, religiosa, ocasional principalmente. Era também o momento de matar as curiosidades, embora as crianças pouco prestassem atenção às conversas, alguns estavam atentos. E numa dessas rodas de conversa com mandioca pra “raspá” uma das comadres – lembrando que as mulheres da época só tinham “malemá” o vestido sem nenhuma roupa extra por baixo – na mudança de perna para descansar o corpo permitiu que um dos sobrinhos visse suas “parte” de baixo. “Ahome! lhéi só!” Foi um escândalo, o menino curioso e assustado na cara de todo mundo

falou: “Tia que “diaxo” de coisa é aquilo que tá no meio das pernas da senhora?” As outras mulheres, embora rindo, saíram em defesa da comadre: “Hã! hã! hã! Deixa de se besta menino?”. “É “quarqué coisa”! Pegue logo sua faca e vá raspando mandioca que você ganha mais, lhéi só!”. Depois de ser vencido nas palavras ele aquietou-se. Porém o “quarqué coisa” não saiu da sua cabeça por muito tempo. Passado um tempo, ele com seu primo na casa da tal tia brincando pelo “terrero”, viu seu tio chegar cheio de escamas com balaio aos ombros cheio de peixes até o tampo. “Bença tio!” – “Deus te abençoe, te guarde e te ilumine meu filho! Quidéle (cadê) bóssa (vossa) tia?” -” Já bórta (volta) já...ela foi digero (depressa) na casa da tia Antonia e já vem!” – “A tá..!”. Chega a tia com um cuí (porção pequena) de sal, curiosos que só as crianças acompanham todo conversa: -“Já chegaste! O que bóis quereis marido?” (o que você quer?) -“Bem! esquente “arguma” coisa para eu comer porque vou lá com o compadre João ajuda os “home” a trazer a tora de “guapurubú” pro tio Janjão entalhá uma canoa.” – “Mas o que faço agora home de Deus?” – “Ah sei lá! “quarqué coisa!”. Foi aí que entrou em cena novamente aquele moleque curioso, que se lembrou do episódio do dia da raspagem da mandioca, rapidamente pegou na manga da camisa do tio dando puxões para baixo e olhando assustado para cima disse: -“Tio se eu fosse o sinhô ía com fome memo! Porque até a tia “pelá” aquilo!!!”



Jornal Maranduba News #75