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Maranduba, Maio 2015

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 6 - Edição 72

Foto: Massarico / Calidris pusilla - Roberto Pituí/Promata

Promata realiza registros da vida silvestre


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COMUNICADO IMPORTANTE

APASU – Associação Protetora dos Animais da Região Sul de Ubatuba Todos os moradores do Bairro da Maranduba, bairros vizinhos, comerciantes e turistas foram presenteados com nosso árduo trabalho. Tiramos das praias os animais que, sem assistência, estavam abandonados, doentes, procriavam sem limites e afastavam os turistas. Não temos nenhuma ajuda dos órgãos públicos, seja do nosso próprio Município, Estado ou Federal, e mesmo assim, continuamos nosso trabalho de castração e socorro medico veterinário com vendas de rifas, ação social, jantares, vendas de camisetas, etc. Castramos uma media de 50 (cinquenta) animais/mês que com certeza, sem este procedimento, estariam gerando em três meses, 350 filhotes, por ano, 1.800 mais ou menos. Algumas pessoas, cerca de 10%, arcam com as despesas da castração de seus animais, porém os outros animais são abandonados ou de famílias carentes. Muitos são atropelados ou muito doentes, dependendo exclusivamente da nossa assistência, isto sem contar os filhotes abandonados que também castramos para serem doados.

Editado por: Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3832.6688 (12) 99714.5678 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Editor Chefe: Emilio Campi Jornalista Responsável: Ezequiel dos Santos - MTB 76477/SP Colaborador: Pedro dos Santos Raymundo - MTB 0063810/SP Consultor Jurídico - Dr. Robson Ennes Virgílio - OAB/SP 169.801 Consultor Ambiental - Fernando Novais - Engº Florestal CREA/SP 5062880961 Colaboradora: Adelina Fernandes Rodrigues Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Para não fecharmos as portas, a APASU pede socorro! Estamos pedindo aos comerciantes, pousadas, pousadinhas, chalés, hotéis, e moradores a contribuição a partir de R$ 20,00 (ou mais) por mês, de preferência, (aceitamos também mão de obra voluntária), para que possamos dar continuidade ao nosso trabalho colaborando com o bem estar do turista, da população, dos comerciantes (hotéis, chalés, pousadas, pousadinhas, condomínios, etc.) e dos animais, também. Com esta colaboração, poderemos dar continuidade a um trabalho iniciado há doze anos, já realizamos entorno de cinco mil castrações e atendimentos veterinários. A população atual é testemunha do quanto às praias sofreram uma mudança radical, graças ao nosso trabalho e também com ajuda de algumas poucas pessoas que sabem do nosso árduo trabalho de formiguinha (infelizmente não vencemos, pois todo inicio de temporada a quantidade de animais abandonados é bem grande e, até sua adoção, temos que alimentá-los, em média é consumido 600 quilos de ração ao mês entre cães e gatos), assim pedimos SOCORRO!

Hoje, as praias são limpas, livre de animais famintos, doentes e procriando sem limites. Mas, infelizmente o abandono continua e a falta de informação sobre castração faz com que nosso trabalho não tenha trégua e não podemos parar uma semana sequer. POR FAVOR, COLABOREM! Nossa conta no Banco do Brasil: Agencia 2748-0 C/c – 17 749-0 APASU Associação Protetora dos Animais da Região Sul de Ubatuba CNPJ/MF 09.119.463/000141 As pessoas responsáveis por este compromisso de arrecadação ou maiores informações a respeito, são: Heide - 12 - 99603 6994 vivo Cléa - 12 - 99734 4998 vivo EM TEMPO: com o frio, a cinomose se manifesta. Vacine seus animais com a Vacina V-10. Cinomose traz muito sofrimento e mata. Apasu, desde já agradece a sua colaboração!


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Nas redes sociais, vice-prefeito de Ubatuba anuncia rompimento com atual gestão João Pedro Néia Tamoio News O vice-prefeito de Ubatuba, Sergio Caribé (PMDB), publicou uma nota em seu perfil no Facebook em que declara o rompimento com a atual administração. Caribé afirma se sentir “traído” e “subutilizado”, além de acusar o governo municipal de abandonar a vocação turística de Ubatuba e de não cumprir com promessas de campanha. “Gostaria de informar a todos que, a partir de hoje, com muita tristeza, declaro-me rompido com o governo municipal”, começa o texto. “Promessas de campanha não foram cumpridas e o que seria um governo de coalizão, somando esforços por Ubatuba numa união de esforços e pensamentos, logo mostrou-se um governo protecionista, partidário e exclusivo”, diz. Sobre a falta de incentivo ao turismo, Caribé afirma que “A vocação turística indiscutível de Ubatuba, aliada às promessas de verbas maiores para que a secretaria pudesse promover ações e programas necessários ao pleno desenvolvimento da cadeia turística me fizeram aceitar mais um pedido do Maurício, e assumir a secretaria de Turismo. E mais uma vez nada do que foi acordado foi cumprido.” Ainda segundo a nota, “num município com praias espalhadas por uma costa de cerca de 100 quilômetros, com quilombos, com aldeias indígenas, com comunidades tradicionais caiçaras e tantos atrativos turísticos para serem monitorados [...] a Secretaria de Turismo não possui nenhum automóvel para cuidar desse patrimônio.”

Ao longo da nota, que é extensa, Sergio Caribé revela ouvir reclamações por todos os cantos da cidade, e que não vê obras e nem melhorias em benefício da população. Em certo momento do texto, Caribé revela ter se reunido com amigos e anunciado planos de se candidatar à prefeitura. “Por isso hoje chamei alguns amigos que comungam de meu sonho, e [...] me declarei em campanha para a prefeitura: a partir de hoje vou trabalhar pelo meu sonho, ajudar no que for possível as pessoas que me procuram, e reunir grupos de pessoas, de todos os partidos e que estejam a fim de participarem da vida política de Ubatuba”.

Caribé espera unir pessoas de diversas áreas num “plano de Governo realmente participativo; ao contrário da segregação que vejo hoje, onde somente um partido é o senhor absoluto das competências e dos saberes, perseguindo e tolhendo os demais”. O prefeito Maurício Moromizato respondeu às acusações e lamentou a escolha de Caribé em publicar um assunto tão importante pelas redes sociais. Moromizato ainda questionou o compromisso do vice com a cidade. “Falar em rompimento quando temos, pelo menos, este e o próximo ano de trabalho pela cidade, não me parece uma atitude de quem tenha esperança e compromisso com Ubatuba e

sua população. Pelo contrário, me parece uma atitude de alguém que não vive e mora aqui e aparece só aos finais de semana”, afirmou. Sobre a morosidade nos serviços públicos, como Saúde, Saneamento Básico, Transporte, e outras áreas carentes citadas por Caribé, o prefeito Mauricio rebateu afirmando que “quando se entra em uma prefeitura existe uma certa frustração em perceber que as coisas não podem e não são feitas de forma imediatista. [...] Existe uma série de trâmites, exigências legais e regulações a serem feitas em qualquer processo público e isso precisa ser respeitado se quisermos de fato começar

a mudar a história da gestão pública em Ubatuba.” Moromizato citou também os “avanços significativos na Saúde”, como o “aumento de médicos em todos os postos”, os “maiores repasses da história para a Santa Casa” e a “contratação de empresa especializada para transportes de pacientes oncológicos e de hemodiálise”. O prefeito finalizou dizendo-se decepcionado com Caribé, com quem formou a chapa vencedora das eleições municipais de Ubatuba em 2012. “Ao contrário de você Caribé, lhe escrevo diretamente. Me sinto decepcionado, tanto do ponto de vista político como no sentido de administrar a cidade”, criticou.


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Cooperativa da agricultura familiar já é realidade em Ubatuba Um grupo de produtores da agricultura familiar lançou em Ubatuba a mais nova cooperativa do gênero no país - a COPERFAMILIA. Ela nasce bem acompanhada e dentro uma grande rede de organizações exclusivas da Agricultura Familiar (Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ubatuba - Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado de São Paulo – Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura) que se unem agora não só no litoral, mas em todo estado de São Paulo e no restante do território nacional. Além da venda para a merenda escolar ainda é necessário organizar melhor o setor para venda direta no mercado local, bem como a entrada em outros programas federais e estaduais como o Banco de Alimentos, a Compra Antecipada, o Programa de Aquisição de Alimentos, o Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social, que ainda não chegou ao litoral, por enquanto comentam os organizadores. Por que uma cooperativa? Em Ubatuba a história da Agricultura Familiar é antiga, remonta aos primeiros registros dos índios de língua tupi que aqui viveram. No município os agricultores já forneciam para a merenda escolar antes do Programa Nacional da Alimentação Escolar - PNAE, justamente porque agricultores se organizaram desde 1994 formando um Sindicato da classe. Em se tratando de números a agricultura familiar em Ubatuba represente apenas 1,2% dos empregos no

município, porém a remuneração média é maior que os serviços urbanos ou públicos. Enquanto na roça as pessoas alcançam até R$ 2.500/ mês com um único fornecedor com facilidade, fazendo o que gosta, trabalhando com produtos naturais, organizando o território e sem patrão, na cidade é exigido o mesmo nível de escolaridade para uma remuneração entre R$ 850 a R$ 1.162/mês, por exemplo. Os dados apontam claramente a importância de se criar postos de trabalho na agricultura familiar e ações de políticas públicas municipais para incentivar a produção agroecológica, comenta Tadeu Mendes, administrador do STTR. Lembrar ainda que sozinho o produtor pode entregar apenas R$ 20.000 em produtos a prefeitura. Com a cooperativa este leque aumenta e não existe limites a quantas prefeituras poderá fornecer, podendo chegar ao final do ano com R$ 100.000 de lucro, por exemplo, finaliza Tadeu. Diretoria Três diretores do Sindicato fazem parte da COPERFAMILIA. Ela é dirigida por um Conselho de Administração formado de uma presidente, Elizabeth Meireles - produtora do Taquaral, presidente do Conselho Municipal Rural e Pesqueiro e vice-presidente do STTR, um vice-presidente, Danilo Scarponi - produtor no Puruba também membro do Conselho e o secretário-tesoureiro é Chicão, produtor de alface no Horto. Todas as decisões serão tomadas em Assembléias Gerais. Fazem parte do Conselho

Fiscal, Luciano Seiti produtor no Rio Escuro, Cláudio produtor no Poruba e Maria Rosa que está instalando uma produção agrícola na Ilha do Alagado próximo da cidade. A organização está por conta de Tadeu Mendes também do STTR que poderá ser procurado para informar como participar da cooperativa (tadeudosindicato@gmail.com 997273793). Haverá um vendedor encarregado de oferecer os produtos em hotéis, restaurantes e mercados. Para conter gastos a COPERFAMILIA usará, provisoriamente, uma sala cedida da Fazenda Marafunda e utilizará equipamentos de computação do próprio Sindicato. Para isso as duas entidades firmaram um Convênio. A COPERFAMLIA também participará das chamadas da merenda escolar de outros municípios (Caraguatatuba, Natividade da Serra, São Luiz do Paraitinga, etc) para melhorar os ganhos dos cooperados. Para ampliar a produção a COPERFAMILIA vai contratar assistência técnica de um agrônomo e de um veterinário por conta da ausência de um programa de assistência agrícola no litoral por parte das prefeituras e do estado. “Agora não tem desculpa, em vez de deixar as áreas serem amontoadas com lixo e dengue, está na hora de dar um destino mais nobre e saudável a propriedade, também uma chance as pessoas que merecem produtos mais naturais e de qualidade na alimentação e importante reconhecimento àqueles que tratam com muito carinho do seu alimento”, finaliza Tadeu.

O Brasil quase foi um país bilíngüe EZEQUIEL DOS SANTOS Até o final do século XVII (1601-1700) a língua oficial de nosso país era uma sopa de letrinhas e pronuncias. Era na realidade o tupi guarani misturado com o português. Eram vários dialetos nativos que, a partir dos esforços de José de Anchieta – que viveu em nossas terras por 44 anos por conta da catequese dos jesuítas- foi dada uma padronização, uniformização e simplificação ao falar. Essa língua sintetizada ganhou o nome de “nheengatu” (língua boa), diz a publicação de Carlos Augusto Rizzo “Vocabulário Tupi-Guarani-Portugues” agora em sua 4ª edição, revisada e ampliada. Por aqui, como em todo o país, habitavam como verdadeiros brasileiros estes indigenas, ou os primeiros pelo menos. No litoral (de norte a sul do Brasil) predominava os tupis, nas matas do interior seus primos guaranis, estes povos se dividiam em varias tribos. Quando Cabral por aqui chegou teve contato primeiro com a nação tupi. Daí entra o personagem do religioso, que no trabalho da colonização de nosso território aprendeu a língua mãe com os Guaianazes de São Paulo. Como não era uniforme a língua dos nativos, por que havia diversos dialetos, resolveram então padronizar. Vale lembrar que, na época, de cada três brasileiros, dois só falavam o tupi guarani. A língua portuguesa era só utilizada para o trato oficial até então causava desconforto e era um desconforto aos propósitos de soberania de Portugal e de alguns outros puxa-sacos. Por conta disso em 1759 o diplomata e primeiro-ministro de Portugal, um tal de Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º conde de Oeiras, também conhecido por Marquês de Pombal

tirou de circulação a língua considerada “língua pátria original”. Depois disso a língua ficou esquecida na poeira dos tempos. Alguns intelectuais sonhavam com resgate do nheengatu, mas como vemos até hoje este esforço foi em vão. Não fosse o nobre marques o Brasil hoje seria um país bilíngue e nós seríamos privilegiados, já que foi por estas paragens que tudo começou. Muitas palavras que conhecemos e algumas que até falamos tem origem nesta época. O estudo de Carlos Rizzo com o apanhado desta língua antiga está a disposição da comunidade na biblioteca Doraci na sede da Promata. Vejamos algumas destas palavras: Abapanema – homem azarado Araribá – comida das araras Barapanguera - defunto Bertioga – casa, refugio das tainhas Caipora – que vive no mato Caçandoca – capão de mato Cambucá – árvore frutífera Chapecó – trilha muito usada Cotia – o que come sentado Cunhãcuereyma – mulher virgem Tací- formiga Ipiranguinha – rio vermelho Itaguá – pedra onde as aves comem Itamambuca – pedra furada em forma de cuia Jequitibá - fruta em forma de covo Jundiaquara – lugar do bagres Maranduba – de onde vem as noticias, a divisa Pará - mar Pereque – lugar onde os peixes desovam – açu – grande, mirim – pequeno Picinguba – enseada, lugar de parada Promirim – rio pequeno Rié – barriga, ventre Tobá – cara


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Ação de fiscalização coíbe pesca indevida no entorno do Parque Estadual Ilha Anchieta Além de ser uma Área de Exclusão de Pesca Federal, o território também faz parte da Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte FUNDAÇÃO FLORESTAL Durante as comemorações de Páscoa, o consumo de pescados se intensifica. Visando coibir a atividade de pesca em áreas proibidas, a Fundação Florestal (FF), em parceria com a Polícia Ambiental realizou, no último final de semana, uma operação de fiscalização no entorno do Parque Estadual Ilha Anchieta, que é uma área de exclusão de pesca federal em sobreposição com a Área de Proteção Marinha do Litoral Norte. A ação resultou na autuação de três indivíduos que praticavam pesca subaquática no local. Como resultado imediato, foram lavrados cinco autos de infração e todo o material de pesca foi apreendido: barco, arpões, roupas de neoprene, máscaras e nadadeira. Os infratores irão responder por crime ambiental por pescar em local proibido e por exercer pesca sem a devida autorização e deverão pagar multa cujo valor poderá chegar até 100 mil, mediante laudo técnico que ateste gravidade do dano. O sistema de inteligência da operação foi planejado estra-

tegicamente de acordo com o Sistema Integrado de Monitoramento Marinho (SIM-MAR), com a contribuição da Coordenadoria de Fiscalização Ambiental (CFA/ SMA), Parque Estadual da Ilha Anchieta (PEIA/FF), Área de Proteção Ambiental Marinha Litoral Norte (APAMLN/FF) e da Policia Ambiental Marítima. Atenção, consumidor! De acordo com a lei Portaria SUDEPE n° 24-N/1980, todos os tipos de pesca são proibidas no entorno do PEIA e caracterizam crime ambiental, com exceção da pesca cientifica. Além disso, é proibida a venda do pescado oriundo da pesca subaquática, de acordo com a Instrução Normativa Interministerial MPA/MMA n° 09, de 13 de Junho de 2012. Os consumidores e peixarias podem ajudar a evitar este tipo de crime, certificando-se da procedência dos peixes e frutos do mar, bem como as condições de armazenamento e validade dos produtos. Fonte: http://fflorestal.sp.gov. br/2015/04/01/acao-de-fiscalizacao-coibe-pesca-indevida-no-entorno-do-parque-estadual-ilha-anchieta/

O peixe mero, ameaçado de extinção, é uma das espécies protegidas no entorno do PEIA – foto kadu Pinheiro

O entorno do PEIA é uma Área de Exclusão de Pesca federal e APA Marinha – foto divulgação FF


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Prefeitura de Ubatuba promove cursos de aperfeiçoamento para o setor de Turismo

Bazar Beneficente e Pechincha do Centro de Integração Rural e Sítio do Gengibre Será realizado no dia 24 de maio, das 10 às 17h o Bazar Beneficente e Pechincha do Centro de Integração Rural e Sítio do Gengibre. Lá você poderá encontrar grande variedade de produtos novos, semi-novos e muitas outras coisas interessantes. Toda renda será revertida em ações

beneficentes e filantrópicas junto à comunidade local. O bazar tem o apoio de Asteka Hinomoto, Lojas flórida, Gengibre de Ubatuba e Família Kamiyama. O endereço é no Sítio Recanto da Paz Gengibre Ubatuba, Estrada do Araribá 300. Venha participar!

Disputa acirrada na eleição de diretoria da Associação da Caçandoca

COMUNICAÇÃO PMU Uma parceria da Comtur, Secretaria de Turismo e Senac, promoverá sete cursos de aperfeiçoamento de profissionais do setor de hotelaria e alimentação. As vagas são destinadas a pessoas que já estão no mercado de trabalho e buscam aprimorar suas habilidades. Os cursos ocorrerão entre os dias 4 e 22 de maio, das 8 às 11h nocampus da UNITAU de Ubatuba (Av. Castro Alves, 392 – Itaguá). Datas e Cursos 4 e 11 de maio - Atualização profissional para camareiras 4 e 11 de maio - Conceitos Básicos em manipulação de Alimentos 7 e 8 de maio - Atualização para recepcionistas em meio de hospedagem

7 e 8 de maio - Atualização profissional para garçons e garçonetes 13 a 15 de maio - Instrutor de treinamento para hospitalidade 20 de maio - Imagem pessoal e etiqueta em hospitalidade 21 e 22 de maio – Excelência no atendimento em hospitalidade As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas na Secretaria de Turismo até o dia 27 de abril. Os cursos fazem parte da política de desenvolvimento do turismo em Ubatuba. “Com a capacitação dos profissionais, eleva-se a qualidade dos serviços prestados para os turistas, garantindo a satisfação e criando uma expectativa positiva de retorno

para a cidade”, afirma João Corbisier, secretário de Turismo de Ubatuba. “A excelência nos serviços de atendimento aos visitantes é uma das preocupações da COMTUR e um dos grandes benefícios esperados é a formação dos multiplicadores. A COMTUR está patrocinando essa iniciativa junto a prefeitura”, diz Candido Lindolfo, presidente da entidade. * * * Mais informações na Secretaria de Turismo, na Avenida Iperoig, 214 Centro. O CIT – Centro de Informações Turísticas - funciona de segunda a sexta das 8hs às 18hs e também atende pelo telefone (12) 3834 1550 e no e-mail turismo@ubatuba.sp.gov.br.

No último dia 26, o quilombo Caçandoca começou a receber pela manhã os remanescentes quilombolas para eleição da chapa que irá interceder junto às autoridades os desejos e anseios da comunidade local. Numa disputa acirrada a chapa vencedora conquistou a responsabilidade com a diferença de dois votos apenas. A chapa vencedora é encabeçada por Neymar Lourenço dos Santos – Presidente e Mario Gabriel do Prado como seu vice. Segundo os vencedores a disputa foi importante pra mostrar que as pessoas se interessam pelo território de seus antepassados e que, passados o tempo de transi-

ção e transmissão dos cargos, a luta continua, pois o objetivo é um só. Presidente e vice agradecem a colaboração de todos que participaram deste ato cívico e que agora cabe a todos a caminhada para novas conquistas e manutenção do que já foi conquistado sem exceção.

ERRATA Associação dos Remanescentes do Quilombo Caçandoca

Informamos que a data anteriormente anunciada na edição 71 para a eleição de diretoria da Associação Quilombo da Caçandoca foi publicada errada, onde se lê dia 03/04 altere-se para dia 26/04.


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Associação de Moradores do Corcovado realiza mutirão de limpeza e combate a dengue EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 18, a Associação dos Moradores e Amigos do Corcovado (AMAC) organizou uma ação socioambiental de mutirão de limpeza e combate a dengue em toda extensão da estrada municipal, desde a Praia Dura até o Corcovado. A atividade foi realizada em duas etapas, em primeiro o planejamento, levantamento das informações, os possíveis parceiros e os procedimentos para o êxito da empreitada. Foi realizado também um contato com a prefeitura para o envio de material de divulgação e pessoal para o trabalho no dia. A segunda etapa a execução de todo planejamento - a ação ocorrida no dia. O objetivo é recolher o lixo a beira da estrada e travessas, lavar as lixeiras coletivas em toda sua extensão, eliminar qualquer vestígio de foco de dengue nos seis quilômetros de percurso da estrada. Participaram 20 voluntários diretos. Com a colaboração do Mercado Praia Dura foi servido no dia um café da manhã na sede da AMAC para reforçar os ânimos ao início dos trabalhos. 1ª etapa Em prévia reunião foram definidas as equipes e divididas as ações de cada uma, foi realizado um diagnóstico utilizando mapa da região que aponta a localização de todas as lixeiras do trecho e os pontos de maior acumulo de lixo. As duas equipes tomaram rumos opostos, uma na parte alta da estrada (Corcovado) e outra do ponto mais baixo (Praia Dura). Com o desenrolar dos trabalhos as equipes se encontrariam no meio do caminho, comenta um dos

organizadores. A prefeitura disponibilizou uma equipe de funcionários que realizou preliminarmente panfletagens nas casas de moradores com informações sobre a data, local, horário e objetivo da ação. Na oportunidade as pessoas receberam esclarecimentos sobre falsos boatos referentes a supostos furtos de uniformes de agentes da dengue na cidade que seriam utilizados para roubar casas de moradores. A associação também recebeu 50 sacos de lixos e luvas da Prefeitura. 2ª etapa Durante a atividade a equipe se deparou com muito lixo dos mais variáveis materiais, formas e tamanhos. Foram encontrados e combatidos os vários focos de mosquitos, principalmente em copos plásticos com acumulo de água. Por falta de equipamentos e material apropriados algumas ações localizadas não puderam ser resolvidas como o acumulo de lixo atrás das lixeiras em locais de risco. O que não pode ser realizados no mutirão foi fotografado e será encaminhado ao setor competente da prefeitura. No meio da ação um caminhão da coleta de lixo, que não estava no planejamento do mutirão, apareceu e os sacos de lixos recolhidos foram colocados em seu interior. Infelizmente alguns cartazes da convocação deste trabalho comunitário foram encontrados no lixo, mas não abalou o animo e a disposição dos voluntários e apoiadores. Reconhecimento Os voluntários receberam vários elogios pela ação, os mais importantes foram dos próprios moradores dos bair-

ros que presenciaram na pratica uma ação positiva no atendimento de melhorias à saúde e qualidade de vida dos moradores da localidade. Os que não participaram diretamente da ação, colaboraram com pontos de torneiras para a conexão de mangueiras na captação de água para a lavagem das lixeiras, no decorrer da atividade outros mo-

radores expressaram apoio a ação. Ganhos A ação proporcionou não só uma melhor aparência ao local como a efetiva prevenção da dengue, ao qual é neste momento uma preocupação que assola as comunidades. Outro fator positivo do trabalho foi a maior aproximação entre os moradores, contabili-

zado também o companheirismo e respeito entre seus integrantes que buscam cada vez mais melhorias onde moram e trabalham. A Associação dos Moradores e Amigos do Corcovado (AMAC) agradece o apoio e a colaboração de todos e ao que parece, como o apoio da comunidade, este é o primeiro das muitas ações que poderão vir.


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Região Sul é representada em encontro de Justiça Socioambiental em Paraty Ezequiel dos Santos PROMATA Nos últimos dias 9 e 10 de abril, o quilombo Caçandoca e a PROMATA enviaram representantes no mais importante fórum do país que trata de debates sobre o futuro das comunidades tradicionais e seus territórios. Realizado no Quilombo do Campinho, em Paraty-RJ, o evento contou com a presença de pesquisadores, representantes das comunidades tradicionais, procuradores do Ministério Público Federal, gestores de Unidades de Conservação e órgãos ambientais. Com o titulo de “Encontro de Justiça Socioambiental da Bocaína - Territórios Tradicionais: Diálogos e Caminhos” o evento teve como objetivo contribuir para ampliação, conhecimento e debates para a redução e solução de conflitos relacionados ao acesso dos recursos da biodiversidade nos territórios tradicionais do Mosaico Bocaína de Áreas Protegidas. O Encontro promoveu um novo espaço de interação entre pesquisadores, representantes das comunidades tradicionais, procuradores do Ministério Público Federal, gestores de Unidades de Conservação e órgãos ambientais, impulsionando os atores locais a pensar como unir a preservação ambiental com possibilidades de desenvolvimento social e comunidades das áreas preservadas. Durante as discussões foram mostradas direta e indiretamente as várias realidades enfrentadas por estes povos. Desde a repressão ambiental, inversão de valores, possíveis atendimentos a especulação imobiliária e condomínios,

Fotos: Robson Virgilio/PROMATA

Gestor do PESM Picingua se manifestando sobre a atuação da UC com as comunidades locais massacre psicológico e cultural, a falta do devido atendimento por Unidades de Conservação aos integrantes das comunidades, o descaso de algumas autoridades frente a defesa nos processos realizados pelas comunidades, a discriminação, o racismo e a falta de entendimento e vontade política dos órgãos e entre os órgãos que se conflitam entre proteger a natureza e os patrimônios naturais e culturais ou serem gerentes para outra finalidade estavam latentes neste encontro. Organização e Parceiros em busca de soluções O encontro foi organizado pelo Mosaico Bocaína de Áreas Protegidas em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) de Angra dos Reis (RJ), a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão da Procuradoria Geral da República (PGR), o Fórum de Comunidades Tradicionais Indígenas, Quilombolas e Caiçaras de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), e o Observatório de Territórios

Sustentáveis e Saudáveis da Bocaína (OTSS). O evento, segundo os organizadores, abriu um novo espaço de diálogo entre comunidades tradicionais e unidades de conservação, onde alguns já percebem a importância dos usos e costumes dos territórios da forma tradicional para as gerações futuras. Na abertura do evento foram realizadas homenagens aos mestres Euzébio Higino de Oliveira, caiçara da Praia Barra Seca em Ubatuba (SP), Marciana Paramirim de Oliveira, pajé da Aldeia de Araponga em Paraty (RJ) e o quilombola José Adriano da Silva do Quilombo Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis (RJ). Apresentações culturais de Luís Perequê, o Coral Guarani Itaxi da Aldeia de Paraty Mirim, Jongo dos Quilombos do Bracuí e Campinho e a Folia do Divino Espírito Santo de Ubatuba (SP). Contou ainda com tradução simultânea para o guarani, através de Julio Karai Xiju, liderança da Tribo Indígena Sapukai.

Café da manhã típico regional

Autoridades presentes no encontro


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Diálogo, comunidades não se cansam de tentar

Futuro das terras tradicionais No Brasil, a gestão territorial e o consequente estabelecimento de tensões e conflitos pelo uso do espaço são temas atuais. As Unidades de Conservação, as Terras Indígenas e os Territórios Quilombolas são considerados Áreas Protegidas pelo Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas (PNAP), que prevê estratégias para a gestão compartilhada. A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), prevê que os governos tomem medidas, com a participação dos povos afetados, para proteger e preservar o meio ambiente dos territórios em que habitam. Alguns gestores admitem que seja possível compatibilizar o uso do território com a preservação ambiental, res-

peitando o Plano de Manejo da UC e os modos de vida tradicionais, comenta o gestor da APA de Tamoios e membro da Coordenação Colegiada do Mosaico Bocaina, Vinicius Martuscelli Ramos. Os conflitos gerados podem não apenas se configurar como resultado do processo histórico e da sobreposição de áreas protegidas criadas, mas também como resultado da presença e das práticas de populações tradicionais no interior de unidades de conservação, sobretudo de proteção integral como no caso de Ubatuba. O encontro demonstrou que é possível, e legalmente permitido, o uso compartilhado dos recursos naturais pelas comunidades com o objetivo da conservação, principal objetivo de uma UC.

Pontos de vista chegando ao objetivo Em sua fala o secretario municipal de meio ambiente de Ubatuba, Juan Blanco Prada é categórico em afirmar que no caso de Ubatuba, o poder público municipal reconhece que a sobreposição existente no território desta cidade é a da Unidade de Conservação sobre as comunidades e não ao inverso, já que as comunidades estavam no local primeiro e são partes integrantes da formação do país. “É compatível a dupla afetação de Unidade de Conservação na Comunidade Tradicional, mas para isso é necessário diálogo e bom senso. A divergência é central, mas é nesse caminho que a gente avança, mostrando que no conflito temos a oportunidade de corrigir erros

do passado”, diz Ronaldo dos Santos, quilombola do Campinho e coordenador da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas (CONAQ). “Sabemos que no Brasil, as áreas onde o meio ambiente resiste de maneira preservada são, em grande maioria espaços de convívio de comunidades tradicionais”, pontua Felipe Bogado, procurador do Ministério Público Federal. Bogado destaca a importância de fazer com que a sociedade brasileira enxergue o trabalho desses povos e permita que eles tenham sua sociobiodiversidade preservada. Carta de Paraty e dos povos No encerramento do evento foi produzida e validada em plenária a Carta do Encontro de Justiça Socioambiental da Bocaína. Ela contém 13 itens que ressaltam a existência de marcos legais que garantem os direitos das comunidades tradicionais, bem como a conservação das áreas protegidas, assim como o dialogo ampliado e a manutenção de uma relação positiva entre UCs e comunidades tradicionais. Além disso, será formado grupo permanente com os principais atores da discussão coordenado pelo

Ministério Público Federal, para traçar uma estratégia a debruçar sobre os casos concretos e temáticas específicas de cada situação, visando buscar maneiras efetivas de reduzir esses conflitos no território. A primeira reunião do grupo deve ocorrer já em julho deste ano. “A maior contribuição do evento foi a criação de um espaço permanente de trabalho e diálogo entre as Comunidade Tradicionais e as Unidades de Conservação, fortalecendo o rico patrimônio socioambiental do Mosaico Bocaina”, finalizou Felipe Spina, Secretário Executivo do Mosaico Bocaína de Áreas Protegidas. A organização do evento realizou uma primeira conversa sobre a possibilidade de incluir a PROMATA como organismo de comunidade sobre um futuro roteiro de território tradicional entre os litorais do RJ e SP, ao qual ficará responsável por difundir entre estas comunidades a atividade de base comunitária e sustentável da observação de aves. Também da possibilidade de realizar na região sul de Ubatuba um evento de prestação de contas às populações que sofrem os dilemas levantados no encontro. Fonte e colaboração: mosaicobocaina.org.br

Integração para as futuras gerações


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“Chacina na Ilha Anchieta - Tiroteio na invasão e retomada da Ilha” Parte 13 Jornais da época enviaram seus melhores repórteres para descrever a maior rebelião do planeta que aconteceu em nossa região, sobreviventes ajudam a contar a história.

EZEQUIEL DOS SANTOS “Revista O Cruzeiro - Edição 38, Rio de Janeiro, sábado, 5 de julho de 1952, ano XXVI”. Após serem repassadas as autoridades os detalhes do motim sangrento, algumas delas começam a manifestar suas opiniões. Dentre elas O governador Lucas Nogueira Garcez e o Secretario da Segurança Pública do Estado de São Paulo Elpídio Reale. Na realidade o negocio foi tão feio que mais que depressa estas duas figuras governamentais deram suas declarações ao povo. A promessa era de uma apuração “através de um rigoroso inquérito e seus responsáveis, se houve displicência (disposição daquele que não tem o menor cuidado com as coisas) administrativa, serão severamente punidos”, diz o secretario. A imprensa havia publicado inúmeras impressões de vários estudiosos, um deles foi a opinião Ed o parecer do renomado professor da magistratura paulista da época Soares Mello que havia afirmado dias antes do motim que o presídio encontra-se com as condições “abaixo do mínimo exigível, quer quanto a segurança, quer quanto as instalações”. Outros apontam que a fuga em massa que se sucedeu na ilha é a prova de que o velho presídio exige reformas radicais, quer no setor administrativo, quer no regime penitenciário, também na própria edificação e aparelhagens. Outros, para aumentar o drama dizem que a fuga individual na ilha é comum – “coisa de sempre”. E a continuar as coisas como estão sempre haverá um porta aberta e um convite para os futuros de sangrentas fugas. Outros retrucam que o acontecimento não condiz com a grandeza e civilização de São Paulo. As acusações das responsabilidades das ações dos agentes e da administração do presídio foram chamadas de “Fome, Umbigo de boi e pau

de Araçá”, outras anunciavam que “graves acusações contra a administração do Presídio Anchieta estão formuladas no inquérito policial”, dentro deste inquérito havia registros de espancamentos brutais e irregularidades financeiras. Os repórteres da época anunciam que nem tudo era cor de rosa na ilha, lá eles ouviram depoimentos que contam outro lado da ilha maldita que poucos conheciam e que não divulgavam porque acharam as ações normais. Os inquéritos apuram que métodos medievais de tratamento e um sistema carcerário cruel e desumano foram os elementos que precipitaram a fuga cinematográfica já de conhecimento do mundo inteiro e intitulada como a maior do mundo e uma das únicas que obteve sucesso. Isso porque até a data em que estas informações eram redigidas – 30 de junho – vinte e sete foragidos, tendo a frente os mentores da fuga – Pereira Lima, Alemãozinho, Jerico, China Show já haviam rompido a barreira montada pela polícia, o exército, a marinha e a aeronáutica rumo provavelmente ao Rio de Janeiro. Tendo em vista a possibilidade de sucesso dos chefes a operação que era de caráter militar passou a simples investigação policial e rotineira de capturar um bando de criminosos em fuga.

Novamente o secretario de segurança do estado admite que o sistema penitenciário bandeirante “esta muito além do ideal, ele (o sistema) é arcaico, obsoleto, insuficiente, falho e inconsistente. Ele não andou nestes trinta anos – nem material e nem doutrinariamente e que tem pesar pelo aconteceu e que infelizmente o estado não tem meios para abrigar, na época, os seus detentos que, cujo excesso é dado como dois mil presos. No depoimento dos presos continham relatos de castigos sofridos por chicoteadas nas costas com umbigo de boi ou pau de Araçá, muitas vezes o castigo era por motivo fútil. Bastava um rompimento mínimo do regulamento ou da disciplina e o preso era arrastado a uma praia deserta, de lá voltava geralmente sangrando e sem sentidos. Muitos mostravam as marcas nas costas que eram permanentes – longas listas causadas pelos ferimentos da chibatada. As celas especiais apresentavam um verdadeiro caldeirão de horrores – úmidas, frias, imundas, sem ar, sem luz, sem ar. Local que passavam ser água e sem pão a critério da direção do presídio para atender às vezes uma vontade da administração do lugar. Na próxima edição a polêmica sobre alimentação.


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Trabalho de geoturismo e geoconservação sobre a Região Sul de Ubatuba é disponibilizado em seminário internacional EZEQUIEL DOS SANTOS No último mês de abril os especialistas em geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ, Antonio José Teixeira Guerra e Maria do Carmo Oliveira Jorge, moradores do Araribá e parceiros da PROMATA, disponibilizaram a especialistas ingleses o material ao qual foi objeto de seminário a professores e doutorandos da Faculty of Science and Engineering (Faculdade de Ciências e Engenharia) da Inglaterra. O material mostra e fala das potencialidades e problemas com as propriedades dos solos e das trilhas da região sul de Ubatuba. Em Power Point o trabalho aponta em detalhes as situações enfrentadas pela natureza e pelos homens nas áreas degradadas ou com risco de degradação. As potencialidades e os problemas de não se trabalhar uma política pública

eficiente também são relatados no trabalho, da preocupação dos danos irreparáveis causados ao meio ambiente e dos potenciais prejuízos a moradores e comerciantes. Aos operadores do turismo, seja ele qual segmento for. O trabalho mostra detalhes a serem alterados e ou introduzidos a bem da manutenção dos caminhos e das áreas, possibilitando assim um manejo adequado e sustentável dos usos e utilidades à pratica do turismo ou da educação ambiental. Os ingleses ficaram fascinados com as belas paisagens capturadas pelos especialistas brasileiros no trabalho, foram praias, cachoeiras, mangues, encostas, florestas, trilhas, costões rochosos, sítios e detalhes históricos e culturais ligados ao geoturismo e a geoconservação da localidade. Está previsto, a convite da universida-

Especialistas Antonio Guerra e Maria do Carmo numa self na terra da rainha Elizabeth

de, outro seminário sobre “Land Degradation in Brazil - causes and consequences (A degradação da terra no Brasil - causas e consequências). Os professores aproveitam para enviar um grande abraço aos companheiros brasileiros, para isso enviaram a PROMATA uma self tirada na terra da rainha. Como diz o professor Guerra, “a região ta bem conhecida por aqui, ta ficando famosa”, comenta o especialista. Assim que estiver pronto o próximo trabalho também estará disponível para estudiosos, pesquisadores e população em geral.

Em Power Point o trabalho aponta em detalhes as situações enfrentadas pela natureza e pelos homens nas áreas degradadas ou com risco de degradação


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Promata realiza registros da vida silvestre, alguns foram noturnos A Promata realizou novos registros de animais em nossas redondezas, dos mais variados tamanhos. Os mais interessantes foram os de médio porte durante a noite em lugares estratégicos de passagem de animais de nossa fauna. Foram varias tomadas e muitos animais e aves que aparecerem para dar o ar da graça. Alguns foram tão curiosos que quase colocaram o focinho a frente da câmera. Outros discretos passaram sozinhos e em bandos como se estivessem “com o feijão queimando no fogo”, como os catetos (porcos-do- mato). Alguns nem se importaram de mostrar o traseiro a câmera. Os mais curiosos foram os pequenos animais que se deixaram ser fotografados de todos os lados e posições. Uns comuns outros nem tantos, o que se sabe é que muitos

destes são velhos conhecidos dos antigos moradores, sejam pela beleza ou pela fonte de proteína. Os registros colaboram no levantamento do local que estes animais se aproximam das casas de moradores com mais freqüência, em que parte dos bairros eles estão se aproximando, qual o tipo de publico que mais respeita estes animais e o ambiente em seu entorno e porque, se existem crianças por perto, qual a sensação destes moradores de estar por perto, o que fazem para melhorar a vida destes seres, por exemplo. O fato é que todos podem registrar e compartilhar desta experiência, basta fotografar e socializar esta informação, levantar dados sobre a vida e costumes deste animal e passar adiante para que outros conheçam e respeitem.

Catetos em deslocamento costumeiro

Cutia em seu habitat natural

Massarico rasteirinho - Calidris pusilla

Salamandra de vidro

Jaboti atravessando a pista - haja paciencia


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Promata e PESM Caraguatatuba promovem atividade de observação de aves com alunos de escola pública No último dia 14, a PROMATA e monitores ambientais do Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Caraguatatuba promoveu atividade de observação de aves com alunos da EMEF Bernardo Ferreira Louzada, do bairro do Rio do Ouro, no entorno da Unidade de Conservação. A atividade é parte da ação proposta do Grupo de Trabalho – GT – de Educação Ambiental do Conselho Consultivo do Parque. “A idéia foi mostrar as belezas naturais através das aves e despertar nas crianças a pratica da observação da avifauna local, para quem sabe, este hábito se tornar uma profissão, além de criar um vinculo positivo com a floresta ao redor desta comunidade e da Unidade de Conservação”, comenta o integrante da Promata Antonio de Oliveira. No total participaram inicialmente 17 alunos da 5ª série do Louzada. No comando da atividade estava Amanda Oliveira da Fonseca (Monitora Ambiental), Daniel Assis Barroso (Monitor Ambiental), Dimas dos Santos Galdino (Monitor Ambiental), Antônio de Oliveira (PROMATA), Sandra Chinaia (PROMATA) e Lila coordenadora da escola Municipal Bernardo Ferreira Louzada.

Vida Livre, uma vontade coletiva A atividade iniciou com a entrega aos alunos de uma cartilha elaborada pelo IBAMA e MMA - “Vida livre, um sonho animal” que mostra através dos quadrinhos a importância da liberdade das aves. Realizado sua leitura, os estudantes debateram o tema dentro de seu nível de conhecimento. Em seguida foi apresentada em PowerPoint uma introdução sobre a atividade de observação de aves, o que é, como funciona, para que serve, como é realizado sua a importância, a morfologia, os cantos, como reconhecer as aves, etc. Sem rodeios houve apontamentos dos alunos sobre os questionamentos positivos e negativos sobre a continuação destas espécies para o futuro, levantaram também os hábitos que tinham com aves no cotidiano - captura criação e observação. Demonstraram possuir idéias claras sobre as regras e punições sobre a captura ou a caça de qualquer animal, principalmente da importância a uma biodiversidade saudável e consequentemente a qualidade de vida das pessoas e das florestas com a presença destes seres vivos e livres na natureza para

Fotos:Tio

Surucua-grande-de-barriga-amarela - macho a manutenção da vida na terra e nas águas. Durante a apresentação foram disponibilizados livros, guias e cartilhas de aves de todo país para consulta e familiarização das diferentes espécies. As crianças, naturalmente curiosas, observavam com atenção a diversidade morfológica (estudo da forma dos seres vivos, ou de parte dele - biologia) dos pássaros e sua beleza.

Agradável surpresa Durante a apresentação, um aluno observou um Surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon rufus) empoleirado por entre as árvores ao lado da sala. Todos a observaram e fizeram apontamentos, após apresentado o canto da ave, muitos alunos descobriram que ouvem estes cantos próximos as suas residências. Após a apresentação as crianças foram reunidas em pequenos

grupos de do lado de fora da escola para aprender a manusear o binóculo, também foram apresentados câmera fotográfica instalada com tripé, utilizada por alguns observadores. Por fim solicitado aos alunos a produção de uma redação sobre suas observações expectativas com o projeto de observação de aves. O grupo planeja outras ações e um maior número de atividades com as crianças do entorno do Parque.


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Mãe D’ouro NELSON DE SOUZA Este causo aconteceu há muito tempo, acho que mais menos década de 50. Meu pai, Seu João da Casa Souza, quando era pequeno, tinha mais ou menos uns 10 anos e estudava no Colégio Dr. Esteves da Silva, e morava no bairro do Perequê Açu. Para quem conhece do bairro até a escola, tem uma caminhada de uns 20 minutos e na época era um trecho sem iluminação e um caminho quase sem construções como é hoje. Um dia, ao voltar do colégio no período da tarde e parando para pegar araçás no meio do mato pelo caminho, acabou que se atrasou um pouco e voltou para a casa já anoitecendo... Meu pai, conta que ouviu um barulho muito forte vindo do Morro do Matarazzo e logo em seguida um grande clarão vindo do lado do morro rente ao mar. A curiosidade foi maior que o medo, meu pai foi de encontro com a subida do morro para ver do que se tratava, e tamanho foi seu espanto ao ver algo incrível e assustador. Uma grande bola de fogo,

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mais ou menos do tamanho de um Fusca (foi a referencia que meu pai tinha na época), saía do mar e acendia ao céu de maneira grandiosa e em uma velocidade constante, mas não tão rápida. Essa grande esfera de fogo, foi subindo ao céu, até uma certa altura e logo depois,

seguiu rumo ao Morro do Caizão, sobrevoando todo o mar e logo após percorrer esse trajeto ela foi de encontro novamente com as águas tranqüilas do mar e mergulhou nas profundezas, fazendo um barulho característico de quando você coloca um ferro em brasa na água... tchiiii...

Parece até causo de pescador, né? Então de fato... meu pai também é pescador, como ele mesmo diz: Tarrafeador (pessoa que pesca e utiliza a rede tipo tarrafa), mas o fato da grande esfera de fogo foi confirmada por muitos caiçaras na época e tiveram mais aparições em outros locais. Só sei que meu pai, diz que desceu o Morro dos Matarazzo numa corrida que chegou em casa rapidinho e quase queimou a bunda com os calcanhar... é assim que eles dizem... rsrs. Bem, eu hoje, sei de mais algumas lendas e causos e sei da Lenda da Mãe D’ouro que seria uma entidade que diz aparecer em alguns lugares e vai de um ponto a outro para mostrar onde estaria enterrado ouro. Ela, contam os antigos, aparece nesta forma de esfera de fogo que voa ou ainda no forma de serpente em chamas. Não sei de verdade o que foi que meu pai viu. Mas, como dizem os antigos: “É tudo verdade, como essa luz que me alumeia.” * * *

Decreto Presidencial delega a Ministra do Meio Ambiente prorrogação do CAR

Foi publicado no Diário Oficial da União do último dia 30 de abril, o decreto que delega competência a Izabella Monica Vieira Teixeira – Ministra do Meio Ambiente (MMA) para estabelecer a prorrogação do Cadastro Ambiental Rural – CAR. O Decreto 8.439 de 29 de abril de 2015 não especifica quanto tempo durará a prorrogação em vigor. Segundo palavras do secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, em substituição a ministra em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, no dia 30, o prazo será prorrogado por mais 12 meses para todos os estados brasileiros. Ao que tudo indica apenas o prazo foi prorrogado, as demais competências e as punições para quem não o fizer continuam as mesmas. Até o fechamento desta edição não havia sido realizado o anuncio oficial do novo decreto de prorrogação, data do novo prazo para o cadastramento das áreas. Em Ubatuba e região o ca-

dastramento poderá ser realizado através do Sindicato dos Trabalhadores Rurais enviou a FETAESP um profissional a se credenciar oficialmente como autorizado a realizar o CAR na região do Litoral Norte e Vale do Paraíba, os interessados poderão procurar o Sindicato pelos telefones 12- 997273793 com Tadeu (tadeudosindicato@gmail.com ) ou 12- 98176-2330 com Cleber e estar com os documentos da propriedade em dia, caso não esteja basta procurar o sindicato para atualizá-lo. Quem não realizar o CAR terá problemas para regularizar a situação de suas terras frente aos governos estadual e federal.


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Cantinho da Poesia

Coluna da

Para Ísis Adelina Fernandes

Dez dicas para enfrentar a crise Neste começo de ano marcado pela aceleração da inflação e pela incerteza sobre o cenário econômico no Brasil, a empresa de prestação de serviços Serasa Experian e sua equipe de economistas preparou uma lista de 10 dicas para o consumidor manter seu equilíbrio financeiro. Com planejamento, contenção de gastos e o apoio familiar, é possível superar os momentos de instabilidade, diz a Serasa. Os principais passos são: 1º Planejamento: um bom planejamento com todos os compromissos financeiros existentes listados, mesmo os pequenos gastos do dia a dia, é importante. Uma planilha de orçamento doméstico pode ajudar. A Serasa oferece um modelo para ser usado pelas famílias AQUI. 2º Família: esclarecer a atual situação econômica para sua família é fundamental. Tenha uma conversa franca em família e compartilhe com todos da casa a atual situação econômica. O apoio e a conscientização são fundamentais para encarar qualquer tipo de dificuldade que possam encontrar. 3ª Encare o momento: estabeleça uma sintonia entre a atividade econômica do país e o orçamento doméstico. Evite o quanto puder o consumo de supérfluos. 4ª Corte despesas: pense no que pode ser cortado sem trazer grandes prejuízos

ao dia a dia. Fuja dos gastos desnecessários, centralizando o dinheiro apenas no que for essencial. 5ª Renda: evite comprometer ainda mais a renda com financiamentos e parcelas longas. Com os juros mais altos, já está difícil de pagar todas as dívidas assumidas e o caminho para a inadimplência pode ficar cada vez mais curto. 6ª Cartão de crédito: cuidado com o cartão de crédito. Ao receber a fatura com as despesas já assumidas, faça o pagamento integral, evitando a utilização do crédito rotativo, que tem a taxa de juros mais alta do mercado. 7ª Cheque especial: esta deve ser sua última alternativa para fechar as contas do mês por seu custo elevado. O cheque especial não pode ser um complemento do salário. Se precisar de dinheiro, procure outras possibilidades, como o crédito consignado que, entre as opções de empréstimo pessoal, possui uma das menores taxas de juros. 8ª Alimentos: com os recentes protestos dos caminhoneiros em todo o país, o abastecimento de alimentos

está prejudicado. Tente substituir o que você não encontra para comprar ou que está mais caro por um produto que esteja com melhores condições. Muitos supermercados escolhem um dia da semana para fazer promoções dos produtos de feira, fique atento. 9º Economize: guarde o quanto puder no dia a dia. Faça comparações e veja se é mais vantajoso fazer refeições dentro ou fora de casa, por exemplo. A mesma economia também deve valer para o consumo de água, luz e gás. A energia elétrica já está mais cara em todo o país. Reaproveite a água para utilizá-la na limpeza da casa. Desligar os aparelhos eletrônicos da tomada quando não estiver usando também ajuda a diminuir os gastos com energia. 10ª Inadimplência: se já tiver caído na inadimplência, a orientação é renegociar a dívida, buscando prazos maiores e custos menores. Explique ao credor a sua situação econômica e proponha valores e condições que caibam no bolso. A negociação pode ser feita com comodidade e segurança pela internet no serviço Limpa Nome Online. Basta entrar no site e se cadastrar. Com pequenas mudanças na rotina, observa a Serasa, é possível economizar e evitar comprometer a saúde financeira da família em um momento de dificuldade econômica vivido pelo país.

Quando você nasceu Foi a melhor coisa que aconteceu Quando você foi embora Foi triste, foi doído, meu coração até hoje chora. Faz quatro anos que você se foi Parece que passou uma eternidade Quanto mais o tempo passa Mais aumenta a saudade. Olho sua foto na parede Abraço seu travesseiro Ainda uso seu sabonete Só para sentir o seu cheiro. Só restou seus brinquedos, suas roupas Seu perfume, seu retrato para matar a saudade Daria tudo o que tenho Para que você estivesse comigo de verdade. Você deve ser o anjinho mais lindo Que está no céu morando Me ajude a suportar esta saudade Que cada dia mais vai aumentando. Lembro de tudo que vivemos juntas E agradeço a Deus todo momento Por ter me dado a graça de ser avó Mesmo sendo por tão pouco tempo. Você é minha querida O amor da minha vida No meu coração você vai sempre estar Pois nunca vou deixar de te amar. Da vovó Tibinha com saudades para Ísis



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