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Maranduba, Janeiro de 2014

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 4 - Edição 57

12ª Corrida de Canoas na Praia do Bonete


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Jornal MARANDUBA News

Passagem de ano em Maranduba

Gostaria de enviar , através deste jornal, os meus cumprimentos pelo maravilhoso espetáculo que foi a queima de fogos em Maranduba. Foi um privilégio para quem esteve lá e olha que já assisti a muitas queimas assim, mas esta de Maranduba esteve

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3832.6688 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi e Ezequiel dos Santos Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

espetacular, de emocionar a gente! Não sou frequentadora de Maranduba, mas este ano, eu e minha família, passamos o reveillon no Edifício Ametista, de frente para a praia. Desejo que a equipe que idealizou e efetuou este es-

petáculo o repita por muitas outras vezes e que o sucesso possa estimular a todos os que devem colaborar para que isso ocorra Um grande abraço! Marilda Raposo Via e-mail


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Ubatuba bate recorde histórico e recebe mais de 1 milhão de turistas no réveillon COMUNICAÇÃO PMU Segundo as estimativas dos setores de Segurança e Turismo da prefeitura, o município de Ubatuba bateu o recorde histórico da quantidade de turistas no município para a passagem de ano. De acordo com os primeiros levantamentos, a cidade recebeu, entre o final de dezembro e o último final de semana, mais de 1 milhão de visitantes. Somente na queima de fogos disparados de uma balsa na baía do Itaguá, a concentração na orla central chegou a cerca de 200 mil pessoas. O advogado Clovis Ferreira, 42 anos, advogado de Guaratinguetá foi um dos que prestigiou o espetáculo e já garantiu a estadia para o próximo verão. “Assistimos a queima de fogos no Praia do Itaguá e meus filhos tiraram muitas fotos para mostrar para os amigos. Nós já pagamos a metade do aluguel para dezembro que vem, não vamos arriscar ficar sem esta casa ou Ubatuba”, conta Clovis Ferreira, 42 anos, advogado de Guaratinguetá, que ficou maravilhado com a queima de fogos. “Assim eu só tinha visto pela televisão”. A estudante de medicina de Campinas, Maria Rosa Chagas, de 23 anos e suas amigas preferiram uma praia mais afastada do centro e ficaram ao norte do município na praia do Ubatumirim. “Esse banho de rio na beira da praia não tem preço. Já tinha ouvido falar muito desta praia, mas não imaginava que a natureza ainda estaria tão intocada. Mesmo com mais turistas do que eu imaginava, o lugar é muito lindo.” Já na região Sul do município, o empresário local Marcelo Cabral dos Reis conta que

nunca um feriado de réveillon foi tão bom para seu negócio. “A praia da Maranduba nunca recebeu tanta gente para a passagem do ano. Os fogos e os cinco dias de shows promovidos pela Prefeitura em parceria com a COMTUR ajudaram para que tanto o turista quanto o morador da região tivessem diversão garantida e com segurança sem precisar se locomover para o centro ou Caraguatatuba. Foi o melhor feriado de todos em doze anos que eu trabalho aqui.” Marcelo ainda falou das trinta mil pessoas que buscaram a diversão noturna. “Praia cheia a gente tá acostumado, mas nunca tivemos tantos shows e famílias se divertindo sem precisar sair da região.” Na praia da Enseada, região centro sul, Jeferson Oliveira de Mogi Guaçu, comentou que há 10 anos ele e sua família vem a Ubatuba e que as praias este ano estão mais limpas e organizadas. “ Nossa filha Yasmim é quem decide para que praia vamos todos os dias. Saímos cedo e aproveitamos muito. Este ano já fomos na praia do Lázaro, no Tenório, na Praia Grande e hoje estamos maravilhados com a Enseada.” De acordo com o website “ Turismo em São Paulo “ vinculado a TUR.SP - Empresa Paulista de Turismo e Eventos, neste verão, entre os 645 municípios do Estado de São Paulo, Ubatuba se encontra entre os 4 mais procurados pelos turistas de todo o Brasil, melhor posição da cidade desde o início da medição virtual. “Este número de turistas que procura Ubatuba como destino, aumentou muito durante todo o ano. Inclusive, neste ano, o Centro de Informações Turísticas - CIT - rece-

beu um número expressivo de turistas estrangeiros buscando informações sobre a cidade, na maioria argentinos, chilenos e holandeses.” comenta o Secretário de Turismo de Ubatuba, Gerson Campos. Para o prefeito Maurício (PT), o planejamento adequado da administração garantiu um acolhimento especial para todos os mais de 1 milhão de visitantes que passaram pela cidade na última semana. “Mais do que o sucesso da programação e da queima de fogos, a administração trabalhou duro nos bastidores para tudo ocorrer bem. Por exemplo, eu achei mais importante ter recebido elogio pela limpeza exemplar de diversas praias do município no dia 01 de janeiro, do que ter conseguido realizar

um espetáculo de fogos inédito na história da cidade”, ressalta o prefeito Maurício, lembrando que o bom diálogo com outros setores públicos do município contribuiu para um réveillon seguro e organizado. “Até quando um fator natural prejudicou nosso planejamento, o trabalho conjunto foi fundamental para superarmos os problemas. Infelizmente uma chuva forte na serra na última madrugada do dia 05 causou o deslizamento de uma barreira. Esse problema gerou de uma só vez a interdição no tráfego rodoviário da Oswaldo Cruz, bloqueio do acesso ao pátio do transbordo de lixo e interrupção do abastecimento de água pela Sabesp na área central. Entretanto, todos estavam atentos e após um dia

de muito trabalho e operações especiais a cidade amanheceu neste dia 6 com todos os serviços normalizados”, ressaltou o prefeito. CIT- Centro de Informações Turísticas de Ubatuba Com o aumento da procura de informações sobre pontos turísticos e lazer, a Secretaria Municipal de Turismo de Ubatuba precisou estender o horário de funcionamento do CIT. São 6 profissionais que passam a receber o visitante entre 08h00 e 19h00 em três línguas, além do português. Lá o turista pode encontrar sugestões sobre todo o tipo de lazer, ecoturismo, passeios, restaurantes com conforto e informação consistente. O CIT fica na Av. Iperoig 214, Centro. (12) 3833 9123


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Virada do ano 2013/14 vista do Pico do Corcovado EZEQUIEL DOS SANTOS Na virada do ano, um grupo de amigos resolveu inovar na aventura. Desta vez foram registrar a virada de 2013 para 2014 no do Pico do Corcovado, um dos picos mais altos do estado de São Paulo. O grupo começou a aventura a tardezinha e chegou ao cume por volta das 21 horas e lá aguardou a grande festa. Claro antes disso fizeram buscas por imagens da fauna e flora noturna. Na hora da virada, segundo o grupo, era possível observar fogos de todas as praias da região sul de Ubatuba da Caçandoca ao Lazaro, passando pela Fortaleza, Praia Dura e Domigas Dias. Também foi possível avistar os festejos realizados por bairros mais afastados do mar. Para os aventureiros foi uma festa muito bonita e contagiante, dava para ouvir o som dos fogos e o ângulo de visão era impressionante, a explosão de cores vista de cima. Eles também criaram pequenos vídeos como registro e de fato o som era de estar ao lado de uma bateria de fogos. Também parecia, num aspecto mais frio e sombrio, sons e imagens de cenários de guerra, daqueles que vimos na TV. Parecia um ataque coordenado de todos os lados, daqueles realizados por porta aviões e aeronaves ao continente. Longe disto, foi uma grande festa esta virada de ano que recebeu um numero recorde de visitantes e pouco incidentes registrados. O fato é que, segundo o grupo de aventureiros, não dá para descrever a emoção de se ver os fogos da virada olhando para baixo e para todos os lados, já que as pessoas comuns costumam olhar para cima para apreciar este espetáculo.

Fotos: Silas Filetto-Promata


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Observação de aves – Uma alternativa sustentável – Parte 2 PROMATA ATIVIDADE Atualmente, os observadores de aves – birders ou birdwatchers – são os praticantes de uma atividade que se resume em “colecionar avistagem” de aves. A atividade é tão instigante que tanto entusiastas, especialistas, estudiosos e comunidades podem se beneficiar da atividade. Melhor, estas pessoas promovem um ganho enorme ao meio ambiente e ao local da avistagem. Esse fato faz com que o guia ou tour leader seja uma peça fundamental desse rentável segmento ecoturístico. É uma das poucas atividades que podem simultaneamente aliar o conhecimento das comunidades locais/regionais complementando os conhecimentos do guia especialista, numa parceria útil e necessária, gerando postos de trabalho em regiões remotas e carentes por alternativas econômicas e um estímulo a preservação do ecossistema e do sistema cultural local. Vale lembrar que esta interação é a mostra real de uma parceria madura e eficiente. As pessoas sérias que atuam nesta atividade com freqüência trocam informações e conhecimento, isto é tanto do lado profissional quanto o amador. Entre os praticantes não existe o melhor ou pior, existem os entusiastas, os apaixonados por natureza, cultura e história; até porque os que fracassaram na atividade foi porque apenas quiseram tirar proveito dos conhecimentos alheios, dos observadores locais, dos parceiros, por isso não emplacaram, por pensar em serem melhores do que os outros. É essa cumplicidade, fraternidade e diferencial de

partilha crescente que faz com que os destinos mais ricos em diversidade de avifauna e especifico no trato cultural e no etnoconhecimento se tornem atrativos para observadores amadores e ecoturistas de todo planeta. Observadores autênticos ou birders, como preferem ser chamados, são bem conhecidos por suportar qualquer sofrimento para “somar” mais uma ave às suas listas de avistagem (conhecida como lifer, expressão originada das listas de avistagem em inglês, life list). Segundo Hector Cevallos-Lascuráin, um pioneiro do turismo de natureza, a atividade, se adequadamente desenvolvida, além de fomentar benefícios econômicos significativos para comunidades locais/ regionais, pode ser importante ferramenta de proteção, conservação do ambiente natural e agente motivador da cultura local. Ela também é muito importante para o turismo peda-

gógico, principalmente quando trata da educação ambiental, outro aspecto importante é a relação com o turismo histórico e cultural a qual proporciona maior interatividade com as comunidades locais e seus conhecimentos tradicionais. Cifras e Mercados Existem centenas de agências e operadores promovendo viagens para observação de aves a praticamente todos os cantos do planeta, a maioria baseada nos Estados Unidos, no Canadá e na Inglaterra. Estima-se que a Inglaterra tenha mais de um milhão de observadores de aves, mercado controlado por operadores e emissores, baseados em Londres. Já países como a África do Sul, Alemanha, Austrália, Espanha, França, Japão e Holanda mostram sinais do aumento de observadores, além de alguns modestos aumentos dos interessados em países como Argentina, Equador, México e Malásia. Trocando em miúdos,

não tão miúdos assim, um exemplo da importância da atividade na economia é saber que as diárias de programas para observação de aves – sem contar a passagem aérea – custam por pessoa, em média, US$ 190 na Austrália, US$ 130 no Equador, US$ 185 no Quênia e US$ 300 na Antártica e Ilhas Falkland. (2000). Em Nebraska, Estados Unidos, oito semanas de temporada de observação da migração de sandhill cranes (Grus canadensis) na primavera despejam cerca de US$ 60 milhões na economia local. Na nossa região dependendo do local e da data inicia-se os trabalhos com diárias a partir de US$ 75, existem os pacotes e os programas específicos que possuem outros preços de acordo com a vontade do cliente. Na realidade as grandes agencias mantém a rentabilidade e volume de clientes em segredo comercial. Mas é possível ter uma idéia da variação da margem estabelecida (ma-

rkup) – que vai de um mínimo de 10% a 50%, podendo chegar ao cliente com o dobro do custo operacional (net price). Por isso muitos ecoturistas e observadores buscam os que trabalham com os formatos de atividades de base comunitária, porque sabem que o valor a ser pago vai além do trabalho do guia, envolve outros atores e atividades, o que é vantajoso para uma comunidade e interessante para o ecoturista. Na pratica essa diferença no estabelecimento de margens de lucro é influenciado por diversos fatores como: perfil e número de pessoas no grupo, conhecimento do destino, categorias de alimentação e hospedagem, período do ano, tradição, experiência e qualidade dos operadores/observadores e a exclusividade dos pontos de observação. Um observador é o turista que não dá trabalho nenhum, é um individuo que quase não aparece, sai muito cedo, volta quando todo mundo saiu e sai de novo à tarde quando todo mundo esta chegando. Geralmente paga a vista e se obteve êxito na avistagem volta e indica para outros observadores. A propaganda de um observador é rapidamente compartilhada no mundo todo, principalmente se avistou algum espécime raro. Sua maior exigência é com o silencio na avistagem e com os horários de visitação à avifauna. Fonte: Ubatubabirds, Carlos Rizzo, Wikiaves, Instituto Ecobrasil, Intituto Bioatlantica, The Internayional Ecoturismo Society, Global Sutainable Concil, National Audubon Society, ONU, Jornal Maranduba, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Turismo.


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Projetos de Compensação Ambiental para pescadores na reta final EZEQUIEL DOS SANTOS Dois dos vários projetos do Programa de Ação Participativa para a Pesca – PAPP encontra-se em fase final de acabamento. O projeto trata-se de medidas ambientais compensatórias exigidas pelo IBAMA à Petrobras do desenvolvimento na unidade de operações da bacia de Santos, e voltados para 22 comunidades do litoral norte paulista localizados na área de influencia do projeto mexilhão (exploração de gás natural e óleo bruto). Ao norte de Caraguatatuba está em andamento a construção de boxes para comercialização de pescados na comunidade de pescadores do Massaguaçu a ser utilizado pela associação de Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha. Outro importante projeto é a construção de box para comercialização de pescados na comunidade de pescadores da Tabatinga que será utilizado pela associação de Pescadores da Tabatinga. Para os representantes das comunidades foi difícil acreditar que os projetos poderiam de fato sair do papel, muito menos que chagariam a este

ponto. Falta ainda, como parte do projeto, uma rodada de capacitação sobre o empreendimento, a fim de fornecer maiores subsídios aos pescadores na administração do espaço e interação entre eles e a atividade. A prefeitura de Caraguatatuba e a Colônia de Pesca Z-8 somaram todos os esforços possíveis e necessários para que o projeto caminhe o mais rápido possível. As obras contam com a participação da Fundespa e das empresas Factus e Metrauc da Maranduba. Perda de Produção Embora seja de grande valia para os pescadores da Cocanha a finalização do projeto, atualmente suas famílias passam por uma fase difícil em suas vidas, tudo por conta de um vazamento de óleo causado pela Transpetro, subsidiaria da Petrobras, no canal de São Sebastião em abril de 2013. Em novembro do mesmo ano a associação perdeu toneladas de cultivo na melhor safra e época do ano para comercialização. As estruturas de cultivo de mexilhão instaladas na Praia da Cocanha foram retiradas do mar e 150 toneladas de mexi-

lhão foram perdidas. Ao todo, 18 produtores de marisco, além de uma equipe de apoio, foram contratados pela Transpetro para fazer o trabalho. A produção de novos mexilhões só deve começar em abril de

2014. A ação civil pública foi movida pela Prefeitura de Caraguatatuba porque desde o acidente ambiental, os produtores não podem trabalhar. Segundo o secretário de meio

ambiente, Auracy Mansano, os produtores estão recebendo dois salários mínimos por mês da prefeitura. Aos produtores basta começar tudo de novo e esperar que nenhum outro acidente cause tanto prejuízos.


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Projeto de Acessibilidade da ONG Caravelas na Ilha Anchieta EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 14, membros da ONG Projeto Caravela desembarcaram na Ilha Anchieta para proporcionar a visitantes mais uma experiência diferenciada. A equipe é integrante de um importante projeto que trata da acessibilidade de pessoas com deficiência à praticar passeios as praias, banhos de mar e até mergulho. A equipe utiliza uma cadeira anfíbia aos interessados em conhecer melhor as águas da Unidade de Conservação. Outros integrantes haviam desembarcado na UC para preparar o terreno aos trabalhos que vem sendo realizado pela ONG. Esse trabalho é bem conhecido e é referencia em varias cidades quando o assunto é acessibilidade. Para o gestor do parque é mais um grupo que para somar

com Ubatuba, “é um trabalho sério em que o governo do estado, através da Fundação Florestal, oferece todo o apoio, comenta Luiz Bitetti“, gestor do PEIA. A ONG destaca que seu objetivo é a prestação de quaisquer serviços a comunidade que possam contribuir com o fomento, racionalização, conscientização e preservação de mananciais, prevenção, tratamento e primeiros socorros com acidentes relacionados à fauna e flora brasileira. É também objetivo da Associação promover a inclusão social de pessoas com deficiência tanto na esfera da saúde e educação, quanto no turismo e lazer. Poderá também divulgar e resgatar as culturas locais, bem como realizar estudos e pesquisas em parcerias com instituições, públicas e ou privadas, nacionais e ou internacionais.

Tempestade de verão deixa moradores em alerta Na última quinta feira, 16, por volta das 14 horas, uma tempestade de verão assustou moradores, visitantes e turistas que freqüentavam as praias do litoral norte paulista. Foram pouco menos de uma hora de chuvas fortes, ventos e raios que deixou um grande prejuízo, transito lento e muita gente assustada, centenas de equipamentos queimados, árvores caídas, quintais e jardins cheios de folhas, lojas que fecharam as portas, terminais eletrônicos sem funcionamentos, problemas na telefonia, lugares alagados e a preocupação com a grande quantidade de raios que podiam ser vistos por todos os lados. A chuva embranqueceu a tarde que logo após começou a virar noite, as ruas secundá-

rias ficaram submersas e isto impediu o trafego por entre os bairros. Foram minutos assustadores, contam os pedestres. O verão, com viradas de tempo bruscas, com tempestades, é a época mais perigosa do ano e com o calor escaldante era esperado algumas tempestades de verão, porém a deste dia surpreendeu a todos. Os moradores mais antigos já haviam alertado para o acontecido e dizem que ainda podem acontecer mais tempestades. O ideal é sair da praia, da água e procurar um abrigo imediatamente. Um dos locais mais seguros é dentro do veículo com os vidros fechados. Em casa tirar todos os aparelhos da tomada. Não são raros os relatos dos antigos caiçaras

falando de tempestades piores ocorridas no passado, daqueles que em vez de dizer que esta relampejando, dizem que o céu

está fuzilando. O verão, com suas viradas de tempo bruscas, rápidas, com suas tempestades, é sempre a

época mais perigosa do ano e sempre é bom relembrar o conselho dos mais velhos: desliga isso menino!


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Praia Grande do Bonete Comemora sua 166ª festa a São Sebastião EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 18, a comunidade da Praia Grande do Bonete, região sul de Ubatuba, realizou a 166ª festa a seu padroeiro - São Sebastião. Foi uma semana mágica e tão próxima das raízes e costumes caiçaras, com extensas atividades que foram elogiadas por turistas, visitantes, convidados e moradores que se fizeram de atores da vida real neste brilhante evento. Com uma receptividade ímpar a festa começou bem antes, no dia 11, com as novenas e o levantamento do mastro ao lado da capela local, que fica também em frente ao tablado comunitário. Na sexta-feira a noite, dia 17, aconteceu um bingo, com variados prêmios, como bolos, pães caseiros, bebidas, brinquedos e o de sempre - muita alegria e simpatia de seu povo. No sábado, dia 18, o evento começou pela manhã, às 10 horas, com a celebração da missa realizada pelo Padre Manoel. Na praia, sobre o teto de um rancho de canoas o grupo “Saíras” expôs seu magnífico trabalho, daqueles dignos de um documentário televisivo. Em seguida, uma partida de futebol entre casados e solteiros. Após um breve intervalo o grupo musical Novos Caiçaras deu um show de musica regional. Foi visível a satisfação dos visitantes que não se fizeram de orgulhosos e dançaram na areia mesmo. Enquanto isso, no meio a tanta beleza e cultura, muitos turistas que visitavam esse paraíso ficavam admirados com o sólido vestígio do processo civilizatório nacional daquele lugar. Outro ponto importante e apreciado pelos visitantes foi

Fotos: Ezequiel dos Santos e Catifó

a estupenda idéia de homenagear seus antecessores. Os organizadores penduraram em algumas casas, ao longo do caminho, ampliação de fotos dos moradores antigos da localidade, como se eles estivessem ali participando do evento que tantas vezes ajudaram a organizar. Na realidade tratava-se de um fim de semana mágico, daqueles ao qual o dinheiro não pode pagar, para os visitantes a certeza de ficar acrescidos dias maravilhosos em suas páginas culturais e reais momentos de aprendizagem daqueles que marcam as pessoas positivamente para sempre. Não acabou por aí, ao final da tarde, a diversão continuou no tablado com o término da novena e a apresentação do grupo “Fandango Caiçara”, que abrilhantou a noite. Também o momento mais esperado, o famoso leilão, que há anos não acontecia. Uma das rodadas do

leilão foi um delicioso pudim muito disputado por sinal, que um visitante arrematou por R$ 85,00 reais. Também uma caixa surpresa, que ninguém sabia o que era, ela foi arrematado por R$ 120,00 reais, dentro havia uma caixa de ovos vazia e um colar para pular carnaval. Já o morador Jorge arrematou uma garrafa de 5 litros pinga

de Salina por R$ 80,00. Para matar a saudade e melhorar ainda mais a noite o Fandango Caiçara tocou ciranda, bate-pé, dança do caranguejo. A festança tava tão boa que nem viram a noite passar, prova disso foi a última música do repertório já no raiar do dia: “Ai! Ai! Aiaiai! Tá chegando a hora! O dia já tá raiando meu

bem, eu tenho que ir embora...”, na realidade já era 6 horas da manhã. A diversão e alegria foram tantas que muitos moradores, e os veranistas permanentes, elogiaram a festa, é que segundo eles, há tempos não se via e que tão pouco participavam de um evento maravilhoso como o que acontecia naquela comunidade.


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12º corrida de canoas na Praia do Bonete Já a tardezinha aconteceu a 12º corrida de canoas caiçara neste pedacinho do paraíso. O evento contou com três categorias de competidores: masculinos dois remos do Bonetinho ao Grande do Bonete; feminino dois remos e masculino um remo. Reservado ao campeão estava uma réplica da antiga canoa “Esperança” que pertencia ao morador Sansão, filho do ilustre e alegre Sr. Ilário, um dos, senão o mais velho caiçara do lugar. Foi lindo ver o trato carinhoso quando seu Ilário chegou à praia e a forma de como ele ainda é atuante, quer participar. Antes, porém todos se enfileiraram as cordas para ver a soltura de duas tartarugas por integrantes do projeto Tamar. As crianças e turistas se deliciaram com este momento, já que muitos deles só viam esta cena por televisão e a milhares de quilômetros de casa. Por problemas técnicos até o final desta edição não conseguimos receber a lista de ganhadores. Como o importante é resgatar a cultura, as

Fotos: Ezequiel dos Santos e Catifó

tradições e ser ator de sua própria história, a comunidade do Bonete Grande mostra que sem luxo e sem frescura é possível manter uma riqueza ímpar de beleza, história, tradição e liberdade. Mostrando que existem elementos que o

homem urbano não é capaz de perceber, que a vida é um palco a se viver e a felicidade, bom! Vá ao Bonete e busque-a se não tiver. Não pode faltar nunca os agradecimentos. A comunidade diz com todas as letras que a festa foi pro-

porcionada pela ilustre caiçara D. Lourdes de Resende, que foi a festeira do ano, mas tudo isso não teria conseguido se não tivesse a ajuda dos grandes colaboradores: Barcoiris, Pirajicasbar, Portes Marcenaria, Projeto Tamar, Prefeitura

de Ubatuba, Secretaria Municipal de turismo, Agnaldo Paparazo, Associação Catifó, artesão João Batista, Jornal Maranduba, Cristina, Jair. O evento foi organizado com muito carinho pelas mãos de uma grande equipe: Cláudia Maria, Ana Rosa, Claudinha, Andreia Souza, Marcelo, Nei Bernardes. Muitos haviam pensado que a festa tinha acabado, alguns foram embora, mas para os organizadores a festa ainda continuou, a eles foi servido um grande pirão de pirajica ao som da viola comandada pelos caiçaras Dito e Thiago Souza. A comunidade agradece a todos que colaboraram. Por outro lado é possível perceber que turistas, visitantes e outros atores agradecem a comunidade pela festa que ofereceram, principalmente daquelas de perder sua identidade com o passar dos anos. Como diz o ditado: “Me digas com andas que te direi quem és”. Eu andei com minha família pelo Bonete e você?


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Caiçara descobre espécie exótica de ouriço do mar CLÁUDIA FÉLIX Na primeira semana de janeiro (2014) o caiçara Benedito Félix, 67 anos, morador da Maranduba, encontrou na águas do Ilhote do Pontal, na Lagoinha um ser diferente do que costuma encontrar quando mergulha. Caiçara nato, com 50 anos de experiência em mergulho, “Dito Félix” na realidade foi coletar “Preguaí” (Strombus pugilis), um tipo de molusco marinho muito apreciado na culinária caiçara, no lugar do conhecido molusco foi surpreendido por uma centena de ouriços desconhecidos. Para ele, “depois de décadas de mergulho, nunca tinha visto nada igual, já encontrei uma variedade de espécimes de todos os tamanhos e cores, porém desta vez encontrei algo que de fato chamou minha atenção”. O intruso, que tem o tamanho de um pêssego e de coloração clara, fez com que o experiente mergulhador observasse com maior cuidado e ao coletá-lo nos descreve que a sensação era de pegar uma bolacha-da-praia (mellita quinquiesperforata). Dentre os encontrados havia muitos mortos, comenta o caiçara. Busca na identificação Por e-mail e através de fotografia o biólogo Prof. Dr. Camilo de Lellis Santos da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) ajudou a identificar o espécime, que pode se tratar de um ouriço-do-mar conhecido como “heart urchin”, a qual não foi possível encontrar a tradução correta, porém descobriu-se que deve ser conhecido por ouriço-do-mar-coração, esclarece Camilo que não é zoólogo mas sim fisiologista. Pertence a ordem Spatangoida e faz parte de um grupo de ouriços onde a simetria radial (em forma de

bola) características desses animais não está presente, mas, sim bilateral, pois a boca e o ânus estão separados no eixo. É preocupante saber que são encontrados no litoral de Singapura, mas também no sul da Argentina. Se ele não pertencer a nossa fauna, pode ter sido trazido por água de lastro de um navio ou uma corrente vinda da Argentina, suspeita o biólogo. Para uma das filhas de Dito a surpresa desagradável foi descobrir que ao pegá-lo na mão ele conseguiu expor os espinhos de modo bem furtivo, já que os espinhos não aparecem. Assim ele fura a pele fazendo-a sangrar sem que haja percepção, até que seja visto o sangue escorrer do local atingido pelos espinhos. O biólogo reforça a atenção e cuidado para os banhistas, pois como esses animais se camuflam na areia devido à cor branca, pode haver acidentes com resultados mais severos, tais como inflamação e infecção. APA MARINHA No ultimo dia 03, a Promata entrou em contato com a APA MARINHA LN através do serviço Fale Conosco descrevendo o acontecido e o que foi encontrado. O retorno foi o agradecimento pelo contato e pela iniciativa em ajudar no monitoramento do meio ambiente e a preocupação com as águas territoriais do Litoral Norte. A s fotos solicitadas foram enviadas no último dia 06 para que fosse possível buscar mais informações sobre o organismo. Porém foi realizada uma busca rápida inicial na lista de espécies invasoras do Ministério do Meio Ambiente-MMA, mas não encontraram nenhum registro de ouriços exóticos no Brasil. Com as fotos, buscam

refinar a pesquisa. Direito do Mar Uma das responsabilidades da MMA expressa no Artigo 8 (h) no texto da Convenção sobre Diversidade Biológica, assinada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada na cidade do Rio de Janeiro, no período de 5 a 14 de junho de 1992 é: “Impedir que se introduzam, controlar ou erradicar espécies exóticas que ameacem os ecossistemas, habitats ou espécies”. A Convenção sobre o Direito do Mar das Nações Unidas de 1982, ou Convenção de Montego Bay, que, no seu Artigo 196, trata do “Uso de Técnicas e Introdução de Espécies Exóticas” a qual requer dos países membros a adoção de todas as medidas necessárias à prevenção, redução e controle da introdução intencional ou acidental de espécies exóticas em ambiente marinho. A esse esforço intergovernamental, soma-se, ainda, a Agenda 21 Internacional que, em seu Capítulo 17.30 (a) que trata de Oceanos e Mares, a orientação aos países a considerarem a adoção de regras apropriadas à descarga de águas residuais visando à prevenção da disseminação de organismos exóticos (não-nativos). Em resposta a essas e outras demandas, a Organização Marítima Internacional - OMI adotou, em 2004, a Convenção Internacional para o Controle e Gestão da Água de Lastro de Navios e Sedimentos Associados, da qual o Brasil é parte signatária. Resta saber se essas regras estão sendo cumpridas. Prejuízos Especialistas apontam que as espécies exóticas invaso-

ras contribuíram, desde o ano 1600, com 39% das extinções de animais cujas causas são conhecidas. Mais de 120 mil espécies exóticas de plantas, animais e microorganismos já invadiram os Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, Índia, África do Sul e Brasil. Embora saibamos que em nosso país a globalização começou antes dos inventos tecnológicos que conhecemos, por exemplo, com a vinda dos mercadores de escravos às nossas terras, estudiosos dizem que os primeiros registros de espécies exóticas marinhas no Brasil remontam às décadas de 1930. Com a crescente globalização e o conseqüente aumento do comércio internacional, espécimes aquáticas e terrestres tem sido transferidas acidental ou deliberadamente para áreas fora de sua distribuição geográfica natural onde podem encontrar condições ambientais adequadas à sua sobrevivência, tornando-se mais eficientes que

Foto Cláudia Félix

as espécies nativas no uso dos recursos. O Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) alerta para os custos da prevenção, controle e erradicação de espécies exóticas invasoras e os trabalhos sobre as perdas ambientais anuais relativas à introdução de pragas indicam que o montante ultrapassa os 300 bilhões de dólares. Agora é aguardar e esperar para ver se esse espécime encontrado, ouriço-coração, não se tornará outra praga como o “Achatina fulica” conhecido como caramujo-africano (o nome caramujo é incorreto, já que caramujos são moluscos de água doce - como o Achatina fulica é um molusco terrestre pulmonado, o nome correto é caracol-gigante-africano). O fato é que ainda é muito cedo para saber o que esta espécie poderá causar de prejuízos ambientais e de nocividade a saúde dos outros animais marinhos, aves e dos seres humanos.


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Taxa de ocupação dos hotéis e pousadas de Ubatuba é superior a 80%

COMUNICAÇÃO PMU Cidade permanece repletas de visitantes e taxa de ocupação para este fim de semana será próxima de 100% Depois do feriado de Ano Novo, que contou com a presença de aproximadamente 1 milhão de turistas, Ubatuba, cidade acolhedora por natureza, permanece repleta de visitantes de várias partes do Brasil e do mundo. Um levantamento feito pela assessoria de comunicação da prefeitura indica que a taxa de ocupação dos hotéis e pousadas do município permanece superior a 80% e deve ultrapassar a casa de 95% neste fim de semana. De acordo com os proprietários dos estabelecimentos, chamaram a atenção nesta temporada não só a grande quantidade de famílias em busca de descanso e diversão, como também o aumento significativo na quantidade de turistas estrangeiros. Adriano Bresser Ramos dos Santos, dono de uma pousada na praia de Itamambuca, região norte da cidade, comemora o grande movimento e conta que

houve um rodízio de turistas entre o natal e o Réveillon. “Tenho esta pousada há dezesseis anos e nunca havia alugado todos os quartos para o Natal. Nossa pousada está com 95% de sua capacidade ocupada nesta semana e muitos hóspedes são estrangeiros”, comenta Adriano. Na praia do Itaguá, região central, a ocupação das pousadas por famílias de no mínimo quatro pessoas preenche a maioria dos quartos. A empresária Leyse Couto informa que, em mais de vinte anos no ramo, nunca viu Ubatuba com tanta procura por apartamentos familiares. “Vou precisar fazer ajustes nos apartamentos para atender esta nova particularidade do turista que visita a cidade”. Gilvanete Silva Santos, gerente de uma pousada na praia da Maranduba, região sul da cidade, informa que praticamente todos os apartamentos do estabelecimento encontram-se ocupados. “ A procura está impressionante. O apartamento desocupa e no mesmo dia é ocupado novamente, mesmo passado essa semana de réveillon”, afirma Santos.

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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 27

TRAFICO DE FAZER FARINHA - ( s.m. ) - conjunto composto da prensa, bolandeira, fuzo, tipiti e roca ou roda, utilizado na confecção da farinha de mandioca. TRAIDORIA - ( s.f.) - traição. TRAINEIRA- ( s.f.) - sardinheira; embarcação para a pesca industrial da sardinha. Tem possante motor e procura cardumes, mesmo em mar alto, e em seu camarote, abrigam-se de 5 a 10 tripulantes. TRAJETO - ( s.m. ) - a procissão ou o roteiro seguido pela mesma nos festejos do Divino Espírito Santo em Cananéia SP. TRALHA - ( s.f. ) - conjunto das redes, onde estão acondicionados a cortiça e o chumbeiro. São amarrios que prendem, por cima , a tralha da cortiça e, por baixo, a tralha do chumbeiro. TRALHA - ( s.f.) - conjunto dos utensílios de uma pessoa. TRALHA DA CORTIÇA - (s.f. ) - cordame da rede ou orela, onde estão acondicionadas as cortiças ou bóias. TRALHA DO CHUMBEIRO - ( s.f. ) - cordame da rede ou auréola onde estão acondicionados as chumbadas. TRAMELA - ( s.f.) - peça de madeira, que gira em volta de um prego, para fechar portas e janelas. TRANCOU-SE - (v. t. ) - meteu-se ; enfiou-se. TRANQUEIRA - ( s.f.) - grande quantidade; muitos; grande porção; monte de coisas velhas. TRAQUE - ( s.m. ) - pequeno artefato pirotécnico, usado nos festejos de São João.

TRAQUEJO - ( s.m.) - prática ; experiência ; perícia. TRASTE - ( s.m. ) - móvel ou utensílio velho; pessoa de pouco valor. TRAZI - ( v.t.) - trouxe. “ logo hoje que eu não trazi meus dicumento cumigo. “ TREISANTONTE - ( adv. ) antes de anteontem ; há três dias atrás. TRéLA - ( s.f.) – conversar fiada tagarelice ; dar confiança;corresponder ao namoro. TREMPE - ( s.m. ) - arco de ferro com três pés, sobre o qual se assentam as vasilhas que vão ao fogo. TREPEIRO - ( s.m.) - mesmo que estaleiro; estrado de varas armado sobre uma árvore donde se pode divisar embaixo a caça, que vem à seva, ou que passa pelo carreiro habitual, e onde se pode abatê-la, a tiro, sem perigo de ser atacado TRESANDá - ( v.t. ) - desandar. TRESMALHO, TREMALHO - ( s.m. ) - rede de pesca de largo uso devido à sua polivalencia para diversas modalidades de pescaria. É de malha laça e tanto serve para armar, arrastar e cercar o cardume. Essas redes eram antigamente prefiadas e tecidas em fio de algodão, e , atualmente em fio de náilon. TRESVARá - ( v.i. ) - armar o madeirame da casa de pau a pique, invarando, pauapicando e entroncando. TREVOSO - ( s.m. ) - demônio. TRIBUZANA - ( s.f.) - tempestade ; rolo, confusão. TRIPEÇA - ( s.f.) - banco de madeira, com três pés. TRIPULAÇãO - ( s.f.) -diz-se dos componentes da cantoria na Bandeira do Divino ou a Folia de Reis. TRIPULANTE - ( s.m. ) - membro da tripulação da folia da Bandeira do Divino. TRISTE - (adj.) - tirano; mau; genioso; preguiçoso; vadio. TROÇA - ( s.f.) - zombaria , gozação ; ajuntamento de pessoas. TROMENTA - ( s.f. ) - tormen-

ta. a tromenta veio e aí derrubô o bananá tudinho ,tudinho “ TROMPAÇO - (s.m.) - empurrão; esbarro; bofetada; tapa. TRONCHADA - ( s.f.) - safanão ; empurrão. TROPELIA - ( s.f.) - mesmo que estripulia. TROXE - ( v.t ) - trouxe. TROXé - ( v.t. ) - trouxer TRUCE - ( v.t. ) - mesmo que trouxe. TRUCéSSE - ( v.t. ) - mesmo que trouxesse. TRUCIDO - ( s.m.) - pavio de lamparina, feito de pano torcido ou de algodão bruto. TRUCIDO - (adj.) - mesmo que torcido. TRUXE - ( v.t. ) - mesmo que trouxe. TRUXé - ( v.t. ) - mesmo que trouxer. TRUXéSSE - ( v. t. ) - mesmo que trouxesse. TUCUM - ( s.m. ) - espécie coqueiro espinhoso, cujas palmas são usadas para a feitura de cordas grosseiras e resistentes, que constituem os cabos para as redes de pesca; fruto silvestre, em forma de coquinho . TUCUM BUCHO DE BAGRE - ( s.m. ) - tucum com a polpa mole. TUDO - ( pron./adj. ) - todo . TUDO ELE - ( pron. ) - tudo; todos eles. “ Consertá o pexe nhinguém qué, mas na hora de comê tudo ele vai querê . “ TUFO - ( s.m. ) - espécie de rolha para tapar o orifício por onde se escoa a água da canoa. TUNGA - ( s.m. ) - espécie de bateria usada nos antigos rádios. TUPê - ( s.m. ) - [Do tupi tu’pé, ‘entrançado’.] ;treliça ou esteira feita de madeira ou bambu, usada em cima do fogo, para secar peixes, carnes e outros alimentos; mesmo que fumêro. TURQUESA - ( s.f.) - torquês; ferramenta semelhante ao tenaz, ao alicate. TURRãO - (adj.) - teimoso; birrento. TUTANO - ( s.m. ) - ter tutano; ter inteligência; ter talento, competência.

U UBá - ( s.m. ) - madeira encontradiça na vargem e no mangue, proliferando em touceiras, com pendões semelhantes ao da cana. É muito usada como flecha e haste de gaiola. UNHA DE FOME - (adj.) - indivíduo avarento. UNHANDO - (v.t.) - se unhando ; se estranhando; brigando; se atracando. UPA - ( s.m.)- abraço; pedir um upa ; pedir um abraço para uma criança. URINOL - ( s.m. ) - penico ; vaso para se fazer as necessidades fisiológicas. URRO - ( s.m.) - a garné; a rodo; em grande quantidade. “ tá um urro de tainha lá no Camboriú que só vendo “ URU - ( s.m. ) - ave que habita as ramagens baixas da floresta, de bico recurvado e de cor pedrês-escuro ( carijó, de pena salpicada de preto e branco ) . É menor do que a perdiz e sua carne é muito apreciada. URUTAGUA - ( s.f.) - espécie de ave noturna. USAR DE - ( v.t.) - acostumar-se a; ter o costume de. “ Aqui se usa de fazê pirão do mesmo, qué dizê , a gente pega o cardinho do pexe cuzido, bota em cima da farinha no prato e faiz o tar do pirão que dizem, né . “ USOCAMPEãO - ( s.m.) - usucapião. USURáRIO - (adj.) - mesmo que avarento. UVIRA - ( s.f.) - espécie de cipó. V VA LA QUE VOCE GANHA - ( loc. v. ) - não vá lá que você vai se dar mal . VACUPARI - (s.m.) - fruto silvestre. VAGIDO - ( s.m. ) - choro do recém-nascido. VAI FORA - ( loc. ) - vai ser jogado fora. “ Essa cumidada tudo que sobejô vai fora “ VANZEIRO- ( s.m. ) - sucessão de ondas provocadas pela passagem de uma embarcação; vide banzeiro VARá A CANOA - ( loc. v. ) trazer a canoa deslizando-a

sobre os rolos de madeira, ou pelo lodo, até a parte seca do terreno, na beira d’agua. VARAÇãO - ( v. t. ) - transporte da canoa ou do corte da canoa, por terra , até chegar na beira d’água. VARADO - (adj.) - esfomeado; faminto. VARãO - ( s.m. ) - peça da arataca; viga de madeira grossa, encaixada horizontalmente na virgem, que, funcionando como alavanca, quando forçado pela balança, serve para prensá o tipiti; pranchão; varejão. VARAPAU - (adj.) - pessoa alta e magra; magricela. VAREJãO - ( s.m. ) - o mesmo que varão; pranchão. VARGEDO - ( s.m. ) - seqüência de terrenos planos; varjão. VARIADO - (adj.) - meio doido ; alucinado. VARRIDO - (adj.) - louco ; doido ; sem juízo. VASSUNCE - ( pron. ) - você; vosmecê. VAU - ( s.m. ) - baixio; lugar pouco fundo , por onde empurra a canoa com o remo. VAZANTE - ( s.f. ) - refluxo da maré. VAZIO - ( s.m. ) - diz-se da região inferior do abdome; ilharga. VEIO - (s.m.) - manivela da roda de sevá mandioca, no fabrico da farinha. VENDA - ( s.f.) - mesmo que armazém ; mercearia. VENDAGEM) - (s.f. ) - uma espécie de desconto ou percentagem do preço de venda, em favor de quem compra. VENDER FARINHA - ( loc.v. ) andar com a fralda da camisa à mostra. VENHA VINDO - ( loc.v ) - não venha se achegando; não me venha você com conversa mole. “ Venha vindo, seu lacaio, venha que você ganha pros corno. “ Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947-Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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“Daí rolemo prum lado, rolemo pro outro lhéi só!” EZEQUIEL DOS SANTOS Numa prosa de apenas alguns minutos foi o suficiente para rir a “toa de barde!”. Desta vez a conversa foi com o caiçara Benedito Pedro, 62, mais conhecido por “Bidite Pisca-pisca”. Ele conta algo que muitos já ouviram falar e que aconteceu no antigo armazém do “difunto” Hipólito no inicio da década de 1970, onde hoje é o Bar Recanto dos Amigos, na propriedade do Zéquinha “Giró” (Giraud), em frente a padaria do Gilmar da Mata no Sertão da Quina. Relembrando o episódio Bidite conta que o armazém era daqueles bem sortidos, que possuíam quase tudo: fumo de corda, arroz em palha, grãos de café pra torrar em casa, feijão, biscoito de cangalha, cerveja Antarctica e Brahma quente com rótulos de papel colados na garrafa, pinga Maranduba, Ubatubana e Gran Fina (que era vendida a bochechada), açúcar e macarrão em embalagem de “papé” (papel), pilha do gato, lombrigueira, injeção, sapa-

tos, tamancas de madeira, carne de porco, balas, doces de vela, suspiro, pirulitos em forma de chupetas. Era o sonho dos caixeiros viajantes. Bom! Vamos ao acontecido. Como era rota de passagem pra ir ao Morro da Quina, e próximo ao antigo campo de futebol, muita gente freqüentava o lugar. As tardes eram recheadas de compadres que viam no negócio do Hipólito único lugar para um encontro social, que às vezes não era tão social assim. Uma bela tarde numa brincadeira de “estracação” (baseado no empurra-empurra e nos desafios) entre alguns compadres um começou a enguiçar (desafiar) o outro: - Ocê tem corage ou não? - O compadre sabe se quiser a gente começa já! - Tem certeza? - Oopa! Dúvida? - Vamo que vamo então! - Bigie, bigie (olhe, vigie) que vô pegá o compadre! - Então vamo! Os dois saíram rolando porta fora do armazém. Eram eles os amigos Ramiro Brak e Dalmiro “Azedo”. A brincadeira se tornou meio séria e os dois de fato rolaram caminho abaixo e caminho acima levantando um tantão (bastante) de poeira. Num dado momento os outros apartaram os dois antes que o negócio se tornasse mais sério, assim cada um seguiu às suas casas. Belmiro que era magricela saiu resmungando no caminho. Cheio de poeira e com as roupas todas esgarçadas perguntaram-no o que havia acontecido: - Ah! Não foi nada não! Foi uma briguinha que “fizemo“ no armazém do Hipólito”. - Mas quem ganhou?

- Ah home! Não dá pra sabe, daí rolemo prum lado, rolemo pro outro lhéi só! Uma hora era eu por baixo dele, depois era ele por cima de mim, uma hora era a mão dele no meu cangóte (pescoço), outra hora era meu cangóte na mão dele, adespois foi a mão dele na minha cara, adespois a minha cara na mão dele“. - Mas quem ganhou? Pra não dizer que perdeu, Dalmiro todo esfolado dá a seguinte explicação: - Ah! Não sei não! Foi uma fumaceira só! Tava tudo indo tão bem, mas no meio da fumaceira o pessoal apartô (separou), daí não dá pra saber quem ganhou”.

Por muito tempo esta história real foi motivo de brincadeiras e sarros, que vez ou outra é lembrada por algum morador tradicional que conta de tal forma como se estivesse lá. Sei que muitos ao lerem esta passagem de nossa história local se lembrarão de maiores detalhes deste episódio e outros acontecimentos. Gostaria que as pessoas pudessem guardar, digo escrever para que não se perda mais nada da nossa cultura como vem acontecendo. Não precisa caprichar nas palavras, basta apenas escrever a verdade pura e simples que todos entenderão. Simples assim.


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Projeto Salva Surf acontece em Itamambuca

Gratuito, curso tem objetivo de proporcionar aos surfistas noções de salvamento e primeiros socorros voltados ao afogado

COMUNICAÇÃO PMU Idealizado e desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros, através do Grupamento de Bombeiros Marítimo, com apoio da prefeitura de Ubatuba e da Escola de Surf do Zecão, o projeto Salva Surf acontece no próximo dia 25 de janeiro na praia de Itamambuca, costa norte do município. Gratuito, o curso tem o objetivo de proporcionar aos surfistas noções de salvamento e primeiros socorros voltados ao afogado. Inúmeras vidas já foram salvas por surfistas nessas condições. Segundo Zecão Renó, experiente atleta ubatubense e dono de uma famosa escola de surf em Itamambuca, é importante treinar o surfista por vários motivos. “Eles estão mais próximos das vítimas dentro da água e, em muitos casos, acabam chegando nelas antes dos bombeiros. Ao mesmo tempo, os surfistas cumprem um papel fundamental nas praias mais isoladas ou naquelas que ainda não contam

com cobertura dos Bombeiros”, afirma Zecão. Já o tenente Romano Neto, comandante do Posto de Bombeiros Marítimo de Ubatuba, informa que a intervenção em caso de afogamento só é encorajada se o surfista sentir-se totalmente seguro para tal. Ou seja, para fazer um resgate no mar, é necessário estar minimamente preparado. “Sempre mantendo uma atitude onde não esteja exposto aos riscos presentes no salvamento”, ressalta Romano. Projeto Salva Surf O projeto Salva Surf, idealizado e desenvolvido pelo Corpo de Bombeiros através do Grupamento de Bombeiros Marítimo, é aplicado desde 1996. O público alvo deste projeto não são somente os surfistas. Professores de educação física, atletas e outros grupos também são bem-vindos. Vale destacar: é necessário que os alunos sejam maiores de idade. Exceções devem ser previamente avisadas e torna-se obrigatório o recolhimento

de assinaturas dos responsáveis. As matérias ministradas são: atendimento pré-hospitalar (incluindo manobras de RCP) e maneabilidade marítima para salvamento de vítimas. As instruções duram em mé-

dia 4 horas e o curso acontece no próximo dia 25 de janeiro, a partir das 10 horas, no canto direito da praia de Itamambuca. Vale destacar que os “formados” recebem certificado digital fornecido pelo Corpo de Bombeiros.

Inscrições As inscrições encontram-se abertas e devem ser feitas pelo email: gbmarubatuba@hotmail. com (fornecendo o nome e o RG). Solicita-se que o interessado leve a sua prancha de surf.

IPTU de Ubatuba tem até 20% de desconto para pagamentos em cota única Os carnes do IPTU 2014 foram enviados no começo desta semana e já começam a chegar às residências dos ubatubenses e proprietários de imóveis da cidade. Para pagamento em cota única, que vence no próximo dia 31 de janeiro, o desconto pode chegar a 20%. Já os pagamentos parcelados funcionam da seguinte forma: são dez parcelas, com vencimento todo dia 10, sendo o primeiro vencimento em fevereiro.

Vale destacar que não houve aumento e o reajuste de 5,27% acontece em função do IGP-M, índice que corrige os contratos de aluguel. Pague pelo site O pagamento do IPTU também pode ser feito de maneira virtual. A segunda via dos carnês encontra-se disponível no site da prefeitura. http:// www.ubatuba.sp.gov.br/ O atendimento no Paço Anchieta, sede da prefeitura, funciona de segunda à sexta-feira, das 8 às 16 horas.


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Coluna da Adelina Campi

Prefeito comemora “suspensão” da privatização e propõe municipalização do aeroporto de Ubatuba

Crônica do Amor Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco. Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então? Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora

brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome. Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor voca-

ção para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu

para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor? Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó! Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa. Martha Medeiros

COMUNICAÇÃO PMU O prefeito de Ubatuba, Mauricio (PT), comemorou a revogação da portaria pela SAC (Secretaria de Aviação Civil) da Presidência da República, que autorizava o governo do Estado a conceder à iniciativa privada a gestão do aeroporto Gastão Madeira e de mais quatro aeroportos regionais paulistas. De acordo com o prefeito, a “privatização em bloco” não é melhor caminho para investimentos e melhorias no Gastão Madeira, sobretudo pelo fato do poder municipal ter total condições de gerir e buscar investimentos para o aeroporto. Mauricio informa que já foram protocolados pedidos de audiência com o governador para debater o assunto e que a idéia é pedir ao governo do Estado que exclua Ubatuba da privatização em bloco e delegue ao município a competência.

“Desde dezembro do ano passado tentamos essa reunião e até agora não conseguimos conversar com o governador para explicar nossa situação”, conta Mauricio. “O aeroporto é uma prioridade da nossa gestão. Queremos prepará-lo para receber não só a demanda turística, mas também para receber a demanda do Pré-Sal e temos total condição para isso. Afinal, o valor que a empresa deve investir segundo as regras da privatização está totalmente dentro da realidade do município”, continua o prefeito. “O que não podemos tolerar é que haja um aeroporto, em dos pontos mais nobres da cidade, servindo apenas para recreação de poucas aeronaves e de seus proprietários. Ele deve servir, principalmente, como um dos principais motores de desenvolvimento da cidade”, completa.



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