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Maranduba, Novembro de 2013

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 4 - Edição 55 Foto: Lufe Schubert/4x4 Fun

1º Encontro Nacional 4x4 Fun de Automodelismo Offroad escala 1:10 reúne mais de 70 carros no Sertão da Quina


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Banco do Povo em Ubatuba

COMUNICAÇÃO PMU A prefeitura de Ubatuba informa que a agência do Banco do Povo Paulista funciona normalmente na sede da Secretaria de Cidadania e Desenvolvimento Social, rua Paraná 374-Centro. O banco concede crédito de até quinze mil reais para pequenos empreendedores, pessoa física e avalistas com juros de 0,5% ao mês. Para obter o financiamento o candidato tem de desenvol-

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda. Fones: (12) 3832.6688 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi e Ezequiel dos Santos Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

ver atividade produtiva formal ou informal no município Se for pessoa física tem de residir ou ter negócio no município há mais de 2 anos, ter faturamento anual de até R$ 360 mil, não ter restrições cadastrais. O BPP pode financiar abertura e regularização de empresas, compra de mercadorias e matérias-primas, compra e conserto de máquinas e equipamentos, compra e conserto de automóveis e motocicletas

e compra de animais e insumos agrícolas. As garantias exigidas são avalista (pessoa física, com nome limpo podendo ser parente de primeiro grau que não participe do negócio), alienação fiduciária dos bens (quando se tratar de automóveis ou motocicletas). A ação é uma parceria da Prefeitura Municipal com a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo.


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Encontro de Automodelismo RC Offroad inaugura “Rodrigo Cupaiolo RC Park” Evento realizado no Sítio Santa Cruz (Sertão da Quina) inaugura atração inédita no Litoral Norte EZEQUIEL DOS SANTOS Aconteceu nos dias 9 e 10 de novembro na Pousadas das Cachoeiras (Sertão da Quina) o 1º Encontro Nacional de Automodelismo Off Road 4x4 Fun, organizado pela 4x4 Fun. O evento contou com a participação de 75 carros e quase uma centena de pessoas entre pilotos e familiares. O encontro foi o primeiro na região desta modalidade de hobby que está ganhando espaço entre jovens e adultos.

Na ocasião foi feita uma homenagem a Rodrigo Lourenço Cupaiolo, falecido há cerca de um ano, que era apaixonado pelo hobby. Seu pai Dagmar e seu irmão Beto, proprietários da Pousada das Cachoeiras se emocionaram com a homenagem e ficou decidido que o espaço será denominado “Rodrigo Cupaiolo RC Park”. A atração principal foi a pista de obstáculos Off Road construída no Sítio Santa Cruz para a prática desta modali-

dade. Os participantes puderam enfrentar os desafios com seus modelos elétricos, todos na escala 1:10 de veículos reais, atravessando pontes, lama, gangorras e trechos acidentados. A pista deverá permanecer no local à disposição dos hóspedes da Pousada das Cachoeiras

e também ao público externo que aprecia esse hobby. Além da pista de offroad, uma pista para rally foi construída para quem aprecia essa modalidade, além das trilhas naturais e do percurso entre as pedras das cachoeiras dentro do Sítio Santas Cruz. Muito participantes já

Fotos: 4x4 Fun

confirmaram retorno somente para desfrutar da infraestrutura construída para dar suporte aos praticantes do automodelismo RC. Um próximo encontro já está agendado para outubro de 2014 que, segundo Lufe Schubert (4x4 Fun), espera reunir mais praticantes do hobby.


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1ª Mostra Afrodescendente da Escola Nativa é sucesso de público e crítica EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 19, a escola municipal Nativa Fernandes de Faria, realizou sua 1ª mostra Afrodescendente em comemoração ao dia da consciência negra. O evento começou as 18 horas com palavras da diretora em relação ao dia de homenagem e ao esforço da comunidade negra em nosso país. As atividades apresentadas agradaram pais, alunos, visitantes e curiosos. Até mesmo o corpo escolar admirou-se com os resultados. As crianças se divertiram com as apresentações. O evento mostrou espetáculo dança com representação, ciranda de rodas – canto das lavadeiras, brincadeira cantada de origem africana – Yapo, apresentação de capoeira com o mestre Portes, encenação do dia nacional da negritude e degustação de uma deliciosa paçoca e mungunzá oferecido pela escola. Os pais riam e até se emocionavam de alegria pelo belo desempenho dos filhos nas apresentações. O resultado positivo se deve a dedicação dos envolvidos: professores, auxiliares, funcionários e voluntários. Os pais participaram em massa valorizando assim o trabalho da escola, os esforços dos filhos e da representatividade em que a data se faz importante para a história local, regional e nacional. De forma descontraída e com abordagem didática interessante a escola conseguiu passar em poucas horas a importância da temática negra na escola e os assuntos ligados a áfrica e a miscigenação do povo brasileiro na educação formal à comunidade. O dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo projeto lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. A data trans-

formada em “Dia Nacional da Consciência Negra” pelo movimento negro unificado em 1978 – não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo dos palmares e símbolo da resistência negra, assassinato em 20 de novembro de 1695. Segundo o IBGE, os negros correspondem a 6,8% da população brasileira, mas os chamados “pardos” chegam a um número próximo da metade da população brasileira. Não à toa, escolas e instituições diversas já reconhecem a importância de trabalhar a

cultura negra em seu dia a dia. Por aqui os números impressionam e não é diferente. Ubatuba possui cinco quilombos e uma população negra urbana considerável, porém ainda sofre varias resistências. A educação formal pode ser um caminho de transformação e resgate do olhar diferenciado aos afrodescendentes em se manifestarem em sua cultura original, sem pressões e sem preconceitos das mais variadas ordens. A dedicação e imparcialidade dos professores neste primeiro evento mostrou que tudo isto é possível.


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Moradores resgatam brincadeira de taco de rua EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 10, alguns moradores da Rua Benedito Antonio Elói, no bairro do Sertão da Quina resolveram realizar um campeonato de taco. Na realidade algumas pessoas já estavam praticando ao menos uma semana antes da realização da competição, porém sem a devida organização como forma de campeonato. As crianças que nunca haviam brincado se interessaram pela brincadeira. Também participaram adultos que há décadas não arriscavam alguns arremessos de bolas ao castelo. O evento contou com 12 equipes de crianças e 10 adultos, totalizando 44 participantes, número alto para uma brincadeira que estava em extinção. Começa então o campeonato com direito a árbitros, observadores, técnicos, chaves e muitos palpiteiros. Durante as partidas os atletas de taco tinham de parar por conta dos veículos que passavam no local, alguns, principalmente turistas admiravam a brincadeira, já outros chegaram a descer do carro e arriscar algumas jogadas com os moradores. Em duplas, o jogo é definido entre atacantes e defensores, são realizados círculos que são a base do ataque. Dentro deste circulo é colocada a casinha ou castelo (feita de material disponível como garrafas pet, madeira ou algo similar). O espaço é definido pelos jogadores de acordo com a distancia da rua, do quintal, do espaço disponível para a brincadeira. Para a origem do jogo de taco existem varias versões, porém as mais plausíveis são as que dizem serem criadas por jangadeiros no Brasil durante o século XVIII ou a que

Crianças levam a sério a competição. Foto Elaine Cristina

Participantes organizando as chaves e vencedores no pódio para premiação. Foto Andréia Prado

era praticado por ingleses da Companhia das Índias Ocidentais, que jogavam taco nos porões do navio durante a viagem de travessia dos oceanos. O nome “bets” seria uma homenagem à rainha Elizabeth I. Para essa tradição, o jogo

é descendente do “cricket” britânico. Há de se notar as semelhanças entre os jogos. Os dois, cricket e betes são jogados entre duas bases, onde os jogadores estão a salvo quando em base, protegendo-as. Pontos são marca-

dos da mesma maneira, quando os jogadores alternam-se entre as bases. Uma possível origem do nome betes seria quando a expressão “at bat”, ou seja, no bastão (pronto para rebater). Para “bente-altas”, como é chamado em

partes de Minas Gerais, a expressão seria derivada de “bat’s out”, ou seja o do taco está eliminado, quando há a troca de duplas. Em Belém do Pará o jogo é conhecido também como “castelo”, “casinha” ou “tacobol”. Hoje existem várias regras e maneiras de jogar, conhecidas mais como “Taco de Rua”, mas, ainda tem aqueles que jogam com as regras originais conhecidas como “Taco Profissional”. Por aqui a paixão era tanta que as pessoas roubavam lenha de quem quer que fosse para praticar o jogo. Alguns tacos ficavam famosos pelo seu estilo, forma e facilidade de manuseio. Havia até um cambio negro para compra e venda d os melhores tacos. Assim como a amarelinha, queimada e pula corda, o taco iniciou-se nas antigas escolas, era um dos poucos lugares onde se encontravam a maioria das crianças e jovens a época e assim praticar algumas brincadeiras que já desapareceram como o passa-anel. Geralmente o jogo de taco por aqui acompanha, antecedia ou precedia o jogo de malha, praticados pelos adultos. Era um período em que as pessoas boas, de família é quem ocupavam as ruas. Desta vez os vencedores tiveram direito a foto oficial e entregas de premiação, neste dia o evento foi aberto oficialmente as 14 horas e encerrado as 20 horas. Existe a expectativa de se organizar um campeonato maior a ser realizado na praia. Lá pelo menos existirá a possibilidade de um menor numero de janelas quebradas e bolinhas perdidas, parte da brincadeira.


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Mais Bela Negra de Ubatuba 2013 é do Sertão da Quina EZEQUIEL DOS SANTOS Parte da cultura negra do país foi representada no último dia da Consciência Negra em Ubatuba. A Prefeitura de Ubatuba e a FUNDART preparam varias atrações como capoeira, danças típicas africanas, degustação de comidas típicas, pagode, representações e atividades religiosas entre outras atrações, porém a atração da noite mais esperada foi à promoção do evento intitulado a Mais Bela Negra 2013 de Ubatuba. Participaram do desfile doze belas jovens que abrilhantaram o palco do evento mostrando todo charme da negritude feminina nacional. Com os pais sempre na torcida e na tietagem não faltaram gritos de apoio e dedos cruzados quando cada filha era anunciada. Grande parte é formada por meninas que em seus bairros passam despercebidas aos olhos do público comum, porém no palco mostraram para o que vieram. Com a disputa acirrada a Mais Bela Negra 2013 de

Ubatuba e a grande vencedora foi a jovem Maria Alice. Com apenas 15 anos ela é estudante do 1° ano do Ensino Médio, moradora do bairro do Sertão da Quina, filha do Valtera e Simoni e irmã da Lavínia. Maria Alice participou do evento como candidata de última hora da Região Sul do município, fez bonito vencendo a disputa. “Eu gostei muito de participar de um evento tão importante que nos leva a pensar em nossas raízes e valorizar a raça negra, mostrando que o povo brasileiro é uma mistura de raças e por isso não deveria haver preconceito, e fiquei muito feliz em ter ganhado, pois estava concorrendo com meninas lindas e, mesmo assim, consegui alcançar meu objetivo”, declara a vencedora que fala da sua conquista e da participação neste evento. Os pais e familiares mostraram-se satisfeitos e felizes pela conquista da jovem que quem sabe poderá concorrer no próximo ano.

AGRADECIMENTO Agradecemos a todos os colaboradores do Bazar Beneficente e Mini-Expo Verde realizados pelo Grupo de Voluntários do CRAS, Regional Sul da Prefeitura de Ubatuba, Centro de Integração Rural e Sítio do Gengibre em 16 e 17/11/13, em especial a Ateliê Helenice, Importadora e Confecções Shirai, Confecções Omamori, Semi Jóias Takako, Família Kamiyama, Família Giraud, Flora Obara, Produtores Rurais da Região Sul, Geovana Frediani, Hiramaq Implementos Agrícolas e Comercial Agrícola Yoshida & Hirata, pelas valiosas doações. A Amarildo Pazelli da Silva, Maria de Fátima F. Moreira e suas equipes pela coordenação dos trabalhos. O resultado do evento está sendo revertido em bolsas Escola, cestas básicas e outras atividades assistenciais.

Ane Kamiyama Gengibre de Ubatuba


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Regional Sul abre portas para cursos de qualificação do SENAI EZEQUIEL DOS SANTOS A prefeitura de Ubatuba, através da Secretaria da Educação e Administração Regional Sul efetivou convenio com o SENAI – Serviço Nacional da Indústria para realização de curso de pedreiro e revestidor. Com 18 alunos, o curso acontece nas dependências da ARS todos os dias das 7:30 as 11:30 das manhã na Maranduba. Para que o curso acontecesse houveram tratativas iniciadas em julho deste ano, através do supervisor Paulo da Secretaria da Educação. Com 160 horas e certificação SENAI, os participantes estão satisfeitos com o que aprenderam, alguns apostam inclusive em arriscar serviços maiores. O professor Wellington de Souza, de São José dos Campos, diz que os alunos são dedicados e promissores. Na regional também acontece curso de informática pra duas turmas com 45 alunos inicia-

do em setembro. Através do Centro de referencia de Assistência Social - CRAS também aconteceram curso de artesanato duas vezes por semana

(terças e quintas). O tema aplicado foi o reaproveitamento de materiais, crochê, tricô e pintura em tecido. Também através do ITESP aconteceu

curso de marchetaria. O administrador Damião diz que buscará, na medida do possível, outras parcerias ao atendimento da comunidade.

Os interessados podem procurar a Marcilia na Administração Regional Sul ou informações pelo telefone 3843-8480.

Terceira etapa do Circuiro Adventure Camp acontece em Ubatuba COMUNICAÇÃO PMU Evento disponibiliza workshop no primeiro dia e as corridas de aventura, com distâncias variadas, acontecem no segundo dia Com apoio da Secretaria de Turismo de Ubatuba, a terceira etapa do Circuiro Adventure Camp acontece no final de semana dos dias 7 e 8 de dezembro em Ubatuba (SP). Dedicado aos iniciantes de corrida de aventura, o evento também oferece aulas teóricas e palestras sobre as modalidades: canoagem, trekking, mountain bike e escalada vertical. No primeiro dia, acontece o workshop. As corridas de aventura, com distâncias variadas, acontecem no segundo dia.

Atletas profissionais são bem-vindos, já que o intuito é mesclar experiências. Os atletas serão distribuídos em categorias conforme o nível de conhecimento nas modalidades. Cada prova é desenvolvida cuidadosamente para que os mais experientes testem suas habilidades em uma corrida contra o tempo. Os iniciantes experimentam uma forma divertida e desafiadora de desenvolver o corpo, o raciocínio lógico e o espírito de grupo em um ambiente de harmonia com a natureza. Inscrições Para obter mais informações e fazer sua inscrição, acesse o site www.adventurecamp.com.br.


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Integrantes do Centro de Pesquisas e História Natural de SP EMILIO CAMPI Nem as constantes chuvas do último final de semana atrapalharam a visita dos integrantes do Centro de Pesquisa e História Natural de São Paulo. Vindos direto da capital eles desembarcaram na Maranduba, lá foram realizadas as boas vindas ao município, as apresentações formais e um breve relato dos lugares, dos perigos, das possibilidades e dos limites da atividade que iria ocorrer, principalemnte em tempo chuvoso. Em seguida o grupo rumou para realizar a visitação, observação e pesquisas propostas meses antes. A equipe visitante era formada por 24 dos 40 integrantes que pretendiam realizar a visita. Dentre eles vários profissionais da saúde, da engenharia, da biologia, da botânica, do turismo entre outros e que segundo eles vários curiosos e entusiastas da natureza. Tudo começou com as incursões do produto Gengibre de Ubatuba as várias localidades deste país. Num determinado momento o produto e seus colaboradores começaram a se encontraram em feiras, exposições e apresentações, da qual se estreitou os laços entre os descendentes de japoneses que participavam dos vários eventos desta natureza. Conhecendo as possibilidades e o potencial de visitas a nossa região o contato foi realizado através de Annie Kamiyama, do Sitio Recanto da Paz , que estendeu o convite à Promata para compor uma parceria à recebê-los. Após as conversações, representantes do CPHN estiveram visitando o Sitio Lama Mole para verificar seu potencial de pesquisa. Neste dia

algumas plantas nativas, as de produção frutífera e agrícola chamaram a atenção dos pesquisadores, principalmente a laranja mexerica e o cará roxo. Após combinado a data, os dois lados foram realizando os preparativos para a visita. Foram estudados os inventários da localidade e possíveis trilhas para esta atividade. Por e-mail e telefone as equipes foram se ajustando ao objetivo. A equipe do CPHN é composta por pessoas de grande experiência profissional e acadêmica, boa parte é turista de terceira idade e que viajam muito em busca de conhecimento. Outra curiosidade foi saber do grupo que quanto mais fechado a mata e a trilha melhor para matar a curiosidade sobre a flora e a cultura local. No dia da visita os cientistas foram levados até o bairro do Araribá. O caminho do Sitio Lama Mole foi recheado de informação sobre flores, frutos, sementes, coloração das plantas, DAP (diâmetro de altura e peito), famílias, gêneros, espécies, formação e muito mais. Os cinco sentidos eram poucos para matar a sede do saber. Era muita informação por metro quadrado. O interessante foi a interação com os membros mais experientes da Promata que trocavam informações a todo o momento. As duvidas dos dois lados eram sanadas nas conversas sobre as plantas vistas, observadas e catalogadas. Para os condutores foi uma experiência única e muito valorosa, pois em campo, daquela forma, foram sanadas, através destas aulas particulares, as duvidas e mitos sobre

muitas espécies conhecidas. Por outro lado os pesquisadores ouviram atentamente os nomes populares, seus usos e costumes antigos, quem os conhecia, como foi para naquele lugar e a importância histórica, cultural e até antropológica daquele espécime. Mesmo com o terreno molhado, entre as varias subidas e descidas, a vontade da equipe de caminhar na floresta empolgou integrantes do Promata. A equipe do CPHN fez uma pausa na casa sede para um obentô (lanche), em seguida foi dividida em grupos, uns foram até o final da trilha, alguns ficaram na roça do meio do caminho e outros ficaram em local aberto próximo a sede do sitio. A eles foram mostradas arvores centenárias como um Paud´alho que a todos impressiona pelo diâmetro de seu tronco. Varias folhas, flores e frutos foram

fotografados a fim de incrementar pesquisas ou apenas matar a curiosidade do povo. Com capa sobre os ombros e guarda-chuvas a turma não desanimou dando uma aula de persistência e vontade de conhecer. O volume de informações sobre a biodiversidade de nossa região foi enorme e mesmo com as chuvas foi gratificante para os dois lados. Ao final, todo o grupo, visitantes e visitados, interagiam como se já haviam se conhecido há tempos.

Na despedida foi informado ao grupo do CPHN que era a primeira vez em que a região, talvez Ubatuba recebia um grupo para a pratica do turismo cientifico. Para isto a Promata realizou uma capacitação através da UFSCAR ( Universidade Federal de São Carlos) em parceria com o Parque Estadual da Serra do Mar-Núcleo Picinguaba sobre turismo cientifico. A visita terminou no sábado por volta das três e meia da tarde, depois todos se recolheram a Pousada Ondas do Mar.


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realizam Turismo Rural e Científico na região sul de Ubatuba

O domingo começou cedo, mesmo com as chuvas a equipe de pesquisadores foram até o Sitio Recanto da Paz para uma atividade de Turismo Rural. Lá chegando foram apresentados aos parceiros e colaboradores, receberam as boas vindas da proprietária do lugar e como primeira atividade uma palestra proferida pelo professor Doutor em geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Antonio Guerra e pelo mestrando Leonardo dos Santos Pereira, também da UFRJ, a qual falaram sobre o diagnóstico

ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Maranduba, que tem a participação da mestranda e pesquisadora Maria do Carmo, nativa do bairro do Araribá e também da UFRJ. A palestra chamou a atenção dos convidados, pois tratava da importância de se entender como a hidrografia e os solos trabalhavam para acontecer o que todos haviam visto, sentido e tocado no dia anterior, da importância do solo e da água para as plantas, fungos e principalmente dos dados e das curiosidades regionais em relação aos outros tipos de

terrenos, climas e vegetação. Falou da formação das montanhas de mata atlântica, da sua composição e porosidade, além das suas varias particularidades. A palestra também foi muito importante aos moradores e freqüentadores da região, vista a qualidade das informações sobre nossa região. Leonardo que é orientado pelo professor Guerra explicou sobre a importância do estudo que é realizado no Sitio Recanto da Paz à região. Explicou sobre os problemas de solo degradado, sua maior incidência, as propostas de

prevenção e recuperação das áreas, os estudos em trilhas e da difícil tarefa que realizam para manter estes dados. Após a palestra os professores ficaram a disposição para tirar as duvidas levantadas pela platéia, em seguida caminharam até o local do experimento para ser mostrado no local como, porque e quando funciona, sua importância e principalmente sobre o volume de água que vem ocorrendo na região. No retorno, como chovia muito o Sitio preparou uma atividade coberta, uma farta

mesa de produtos da roça, grande maioria a base de gengibre carro chefe da propriedade. Até tapioca de gengibre foi oferecido. O sorvete de gengibre e o gengibre com chocolate foi um dos mais comentados. Sucesso também foi a degustação de um tira gosto feito com o coração da banana. Os sucos de frutas como Cambuci não ficou para trás, o caldo de cana estava presente. Além de belo, a mesa era tão farta que não dá para descrever todo seu conteúdo. Os visitantes receberam mudas de plantas e alguns aproveitaram para fotografar flores dentro da propriedade. Ao final todos rumaram para o Sito Boca Larga para um almoço caiçara. Lá foi servido um peixe com banana verde. Antes, porém todos apreciaram a caracterização do lugar e as explicações sobre a origem do prato e o porquê de sua existência. O grupo Promata se apresentou e serviu os convidados como se estivessem em sua casa. Ao final foi distribuído um brinde do artesanato local - um peixinho de palha confeccionado pelo Promata João Donizete. O evento contou com as parcerias dos Sitos Recanto da Paz, Lama Mole, Boca Larga, Gengibre de Ubatuba, Auto Posto Maranduba, Regional Sul, Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadora Rurais de Ubatuba, Pousada Ondas do Mar e Promata. Na despedida ficou a saudade e a certeza do retorno, também a criação de mais um laço fraternal e quem sabe profissional com estes pesquisadores que tem tanto conhecimento sobre a cobertura vegetal de nosso país.


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Divulgada a Ata da criação do Conselho Estadual de Educação Escolar Quilombola/CEEQ-SP EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia19 circulou na internet a Ata da 1ª Reunião de formação do Conselho de Educação Escolar Quilombola da Secretaria Estadual da Educação. Junto com ela também a Resolução SE 51/2013 (estadual) que dispõe sobre a criação do Conselho de Educação Escolar Quilombola e a Resolução Federal que trata das diretrizes curriculares nacionais para a educação escolar quilombola. Segundo publicação do Secretário da Educação, a criação da resolução e do conselho se baseia na necessidade de assegurar o acesso e a permanência na escola, do aluno quilombola como cidadão que preserva sua identidade cultural e o conhecimento, na plenitude das condições indispensáveis à preservação de seu grupo culturalmente diferenciado. O texto acompanha vários dispositivos legais começando pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Declaração e no Programa de Ação da Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001, da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, sobre Povos Indígenas e Tribais, promulgada pelo Decreto federal nº 5.051, de 19.4.2004, mais outros vários dispositivos federais constitucionais, resoluções, decretos e por fim na Resolução CNE/ CEB nº 08/2012, relativa ao Parecer CNE/CEB nº 16/2012 que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola. No decreto que cria o conselho

é definida como finalidade o acompanhamento, colaboração e apoio à proposta da educação escolar quilombola, nas escolas públicas do Estado de São Paulo. O Conselho será coordenado pelo diretor do Núcleo de Inclusão Educacional – NINC, do Centro de Atendimento Especializado – CAESP, da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica – CGEB, que terá a responsabilidade de adotar as providências necessárias ao aprimoramento das propostas implementadas, observada a legislação pertinente. Nas atribuições do conselho estão a de colaborar, acompanhar e sugerir ações voltadas à política da educação escolar quilombola, garantindo a implementação

das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na educação básica. Busca de parcerias Na ata fica claro que o desejo e objetivos de todos é atender plenamente o que está disposto no texto das Diretrizes Nacionais para Educação Escolar Quilombola, o que, segundo o documento, ainda vai demorar alguns anos para ser cumprido em sua plenitude, porém fica claro que o desejo da equipe é atender o maior número de demandas possível em curto e médio prazo, com solidez. O texto mostra a necessidade da participação de todos os que trabalham com as comunidades, importante frisar que o essencial para o conse-

lho é consultar os interessados, os próprios quilombolas, diz a ata. Os conselheiros citaram varias dificuldades e alguns resultados positivos. Do Litoral Norte a comissão foi informada que movimento negro está enfraquecido, os que visitaram a comunidade da Fazenda da Caixa perceberam a força das igrejas neopentecostais nestas comunidades quilombolas e que esta influencia vem prejudicando e apagando a cultura genuinamente negra destas comunidades, como os tambores, danças e cantos. Alguns destacam como uma esperança de fortalecimento a Educação Escolar Quilombola, pois alguns alunos têm vergonha de assumir a sua identidade.

As pessoas da cidade, até mesmo os professores, desconhecem a existência das comunidades quilombolas na região, comentam. O ITESP que faz parte do conselho destaca que os produtos produzidos pelo órgão como mapas e gráficos estão disponíveis para utilização nas escolas. Informou que ao se pensar na implementação das políticas públicas para as comunidades quilombolas é importante se considerar as comunidades que são reconhecidas pelo ITESP e não apenas que já possuem a titulação. Assinando pelo Litoral Norte constava o nome de Amador Marcondes da Diretoria de Ensino Caraguatatuba. A ata está em analise e poderá receber alterações.


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Gastronomia histórica nacional no Dia da Consciência Negra na Caçandoca

EZEQUIEL DOS SANTOS Na hora do almoço do último dia 20, quilombolas da Caçandoca ofereceram uma feijoada a comunidade e convidados. O esforço entre moradores e colaboradores da causa resultou na degustação de um belo e suculento prato típico da gastronomia nacional de origem negra escrava. A feijoada, um dos pratos mais famosos da culinária brasileira, se originou por meio dos costumes dos escravos africanos. Resumidamente o prato consiste na mistura de feijão preto, carne de porco, farofa, entre outros ingredientes. Porém na época da

escravidão, os senhores de escravos não comiam as partes menos nobres do porco, como orelhas, rabos ou pés, eles atiravam tais partes aos seus escravos. Como a alimentação dos mesmos era baseada apenas em cereais, como milho e feijão, resolveram pegar as partes do porco que eram rejeitadas e juntá-las com o feijão, cozinhando tudo em um mesmo recipiente, além de adicionar água, sal e pimentas diversas à mistura. Assim criou-se um dos pratos mais famosos e apreciados do mundo. Ano que vem tem mais, vamos aguardar.

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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 25

SEGUIDINHO - ( adv. ) - com muita freqüência. SEM GRAÇA - ( adj. ) - ficar sem graça ; ficar envergonhado ; perder o fio. SEM-FIM - ( s.m. ) - espécie de pássaro noturno. SENTOU-LHE - ( v.t.d. ) - mesmo que pregou-lhe;aplicou-lhe com violência. “ Sentô-lhe a mão nos cornos do outro . “ SERRACIMANO - (adj.) – romeiro ou aquele que vem da região das serras. SETE-CORES - ( s.m. ) - espécie de pássaro. SETE-SANGRIA - ( s.f.) - nome vulgar de uma planta medicinal. SéVA - ( s.f. ) - lugar onde, costumeiramente, se coloca alimentos para atrair a caça e habituá-la a comer ali, e, posteriormente surpreendê-la a abatê-la a tiro, de cima do trepeiro construído sobre uma árvore que domina o local. SEVá - ( v.t. ) - ralar a mandioca na roda de sevá. Esta operação consiste em submeter a mandioca já raspada, ao processo de ralação, que é feito por meio de um engenho, composto de engrenagens, que impulsionadas pelo veio, manivela em espiral, movimenta uma roda de madeira de 0,50m. de diâmetro, contornada por uma lâmina de ralo. Este dispositivo está erguido do chão cerca de 0,80m., e a roda é encaixada no banco de sevá, encimado pelo caIxote, que evita a dispersão das partículas demandioca, encaminhando a massa ralada para o cocho, que fica rente ao chão. Uma pessoa vira e a sevadêra seva. SEVADEIRA - (s.f. ) - pessoa,

geralmente mulher, que, no fabrico da farinha de mandioca, coloca as raízes na chapa da roda para serem raladas. Ë a mulher que seva, pois no fabrico da farinha, esse é um dos serviços mais leves. SIMBORA - (adv. ) - vamos simbora; vamos embora. SIMPATIA - ( s.f.) - ritual supersticioso usado para prevenir ou curar certos males. SINHIFICá - ( v.t. ) - significar. SIRGA - ( s.f.) - corda com que se puxa a embarcação ao longo da margem. SIRIRI - ( s.m. ) - lenha em gravetos; lenha ruim. SISGá, SIRGá - ( v.t. ) - sirgar; conduzir a canoa , ao longo da margem, puxada por uma corda. SOBEJá - ( v.i ) - sobrar; exceder. “ Quando sobejava do gasto, eu vindia “ . SOBRECU - ( s.m. ) – mesmo que curanchim e sambiquira; apêndice triangular que recobre as vértebras caudais das aves, onde se inserem as penas da cauda. SOCÁRIO- (s.m.)- socairo – corda feita de cipó que, enroscada em um tronco de madeira, serve de apoio para “ desvarar ” a canoa. È uma variação do termo náutico socairo. SOLêRA - ( s.f.) – soleira; fundamento da casa de pau a pique, que consiste num alicerce de pedras ou de cerne de madeira, onde se apoiam as varas pauapicadas; parte inferior da porta ; que está ao nível do piso. SOLITáRIA - ( s.f.) - verme intestinal. SONSO - (adj.) - dissimulado; disfarçado ; ruim da cabeça. SORDA - ( s.f.) sorda ou açorda; espécie de papa de miolo de pão ensopado em leite quente, ovos e açúcar; mesmo que açorda, comida típica de Portugal na região de Além Tejo; comida feita de miolo de pão misturado na caneca com café ou leite quente. SORUMBáTICO - (adj.) - triste; sombrio. SOVA - ( s.f.) - surra. SUMBARê - ( s.m. ) - planta donde se extrai excelente cola, muito utilizada na confecção da viola caipira. SUMITUMA - ( s.m. ) - o con-

junto de buracos feitos pelo tatu ; as tocas do tatu. SUNDARA - ( s.f.) - veja suindara; coruja; pássaro noturno. SUNUNGA - ( s.f.) - trovoada com ventos fortes, vindo do mar ; tempo ruim. SURéCO - (adj.)- rabicó; ave sem rabo; suro. SURFERINO - ( s.m. ) - solferino; a cor escarlate ; entre o encarnado e o roxo. SURGI - ( v.int. ) – surgir, deixar ferver demais e derramar fora da vasilha.“ Fique de olho no leite prá ele não surgí. “ SURUCá - (v.int. ) - afundar; atolar; desaparecer; cair em um buraco. “ Não pise nessa lama que tá surucando até o joelho. “ SURUCUá - ( s.m. ) - espécie de pássaro. SURUí – ( adj.) – farinha de mandioca de má qualidade, mesmo que manêma; provavelmente este vocábulo venha do tupi-guarani. SURURU - ( s.m. ) - barulho; confusão; rolo. SUSPIRO - ( s.m. ) - doce feito de clara de ovo batida com açúcar. SUSTANÇA - (s.f.) - o que ha de suculento ou nutritivo nos alimentos. TABIQUE - ( s.m.) - parede de madeira, divisória de quartos. TABÔA - ( s.f.) - espécie de bambu ou junco. TABóCA - ( s.f.) - espécie de taquara ; bambu. TABOCUUVA - ( s.f.) - espécie de madeira. TACANIÇA - ( s.f.) - viga que é usada nos telhados de quatro águas. TAFETá - (s.m.)- tecido de seda, lustroso e armado. TAIá - ( s.m. ) - mesmo que taioba. TAINHOTA - ( s.f.) - espécie de tainha pequena. TAIPA - ( s.f.) - parede de barro ou cal e areia, com armação de pequenos pedaços e madeira, em forma de treliça. TAJARANA - ( s.f.) - espécie de arbusto silvestre. TAJOARA - ( s.f.) - monte de paus velhos, dentro d’água, que vira pesqueiro. TAJóVA - ( s.f. ) - diz-se da

mandioca, do aipim quando esta apodrecendo, estragando, ficando já passado. TALAGADA - ( s.f.) - quantidade de bebida que ser toma de uma só vez. TALHA - ( s.f.) - vaso de barro, de grande bojo. TAMBURUTACA - ( s.f.) - espécie de lagosta. TAMBIJUá – ( s.m. ) – inseto de coloração verde ou marron, semelhante a uma barata e que tem um odor fétido. TAMéM - (adv.) - também. TAMPUME - ( s. m. ) - diz-se do dia nublado; sem sol, com ameaça de chuva. “ O dia hoje amanheceu que é um tampume só; não se vê a cara do sol . “TANAIS – ( s.m .) – espécie de pinça ou tesoura feita de bambu, para apanhar carangueijos. TANCHãO - ( s.m. ) - esteio ou estaca de madeira. TANINO - ( s.m. ) - substância da casca de algumas árvores e de frutos verdolengos, que “ apertam “ quando em contato com a boca. TAPERA - ( s.f.) - habitação rural abandonada; lugar feio e ruim.

TAPIOCA - (s.f. ) - fécula decantada do caldo verde da massa sevada da mandioca; biju de tapioca temperado com erva doce ou coco ralado. “ Pá fazê a tapioca é fáci, dêxa aquele cardo da massa secá na gamela, aí bota no forno é tapioca. ” TAQUARA - ( s.f.) - espécie de bambu. TARéCO - ( s.m. ) - utensílios de pouco valor; coisas velhas. TARIMBA - ( s.f.) -estrado de varas, usado como cama ou prateleira; cantareira. TARRAFA - ( s.f.) - espécie de rede de pesca circular, com chumbos nas bordas e uma corda ao centro, pela qual o pescador a retira fechada da água,depois de havê-la arremessado aberta. Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947-Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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Artista de região recebe prêmio em evento de automodelismo EMILIO CAMPI O encontro de automodelismo RC realizado no Sítio Santa Cruz não teria sido o mesmo sem a participação do artista e artesão local Sérgio “Filé”. Bem antes do encontro, enquanto ainda se construía o circuito off Road, Filé soube do evento e se apresentou como voluntário para auxiliar no serviço. Dotado de uma criatividade fora do comum, sugeriu vários detalhes que ajudaram a enriquecer o visual e o realismo da pista. Com sobras de madeira e outros matérias recicláveis, Filé construiu várias maquetes em escala que foram distribuídas ao longo do circuito por onde passariam os carrinhos: posto de gasolina, igreja com cemitério, banheiros rústicos e até um Night Club com dançarinas, luzes coloridas e musicas próprias para o ambiente se tornaram cenários concorridos entre os participantes que fotografavam e filmavam seus modelos diante desses cenários.

Tal esforço foi reconhecido ao final onde o organizador do evento, Lufe Schubert (4x4 Fun), concedeu ao artista o troféu “Espírito de Equipe”, não só pelos cenários, mas como também pela atuação que Filé demonstrou enquanto pilotava pela pista, auxiliando outros participantes nos trechos mais difíceis. Parece que o artista tomou gosto pelo hobby, tanto que já está dedicando parte de seu talento na pintura de bolhas (como são conhecidas as carrocerias dos modelos) personalizadas. Seu primeiro trabalho foi uma F350 escala 1:10 pintada com o tema “Vulcano”, onde a carroceria tem aspecto de rochas vulcânicas expelindo lavas incandescentes e fumaça. Animado com o resultado, Filé afirma que não faltarão ideias e criatividade para enriquecer ainda mais tanto o circuito como futuras “viaturas” que ainda terão suas pinturas personalizadas.

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A cutia, o mundéu e o saci JANGO Era normal as pessoas da época de meus pais e meus avós buscarem proteínas nas carnes de animais silvestres que por aqui existiam. Para o caiçara havia tempo pra tudo, pra caça, pra pesca, pra roça, pras festas, pros resguardos, pro descanso, pra namorar, pra casar, pra tudo. Porém havia alguns períodos em que a natureza pregava algumas peças e os “tempos” não funcionavam. Às vezes era tempo das roças, mas as chuvas não colaboravam, o tempo passava e a roça não era feita. As pessoas como eram muito humildes dividiam o pão e o vinho com os compadres e teve alguns momentos em que não havia nada pra compartilhar, daí batia o desespero, pois o que todos faziam pensavam na sua família e nos outros. Quando isto acontecia às pessoas apelavam ao que acreditavam, uns aos santos, outros a “Virgi Maria”, os mais revoltos pediam ao saci ou coisa parecida. Foi o que aconteceu com o Luiz Gago, esposa de Bertolina, pais de Tiana Luiza – a benzedeira e parteira. Os camaradas iam

à floresta para buscar carne e nada. Depois de uma “somana” nada, de duas “somanas” também nada. Era arapuca, séva, laço, bate, mundéu, espingarda espera-que-lá-vou, bodoque, estilingue e nada. Teria que ser naquele tempo, pois depois era a tempo de deixar os bichos criarem. Pois bem Luiz Gago zangado fez uma “combinação” com o saci, disse que se ele ajudasse a pegar alguma caça o mundéu (armadilha) seria dele, do saci. Falou a esposa em tom de brincadeira que chegou a propor ao saci seu mundéu, mas disse que falou na raiva, era brincadeira. De qualquer jeito continuou a procurar caça, estava terminando a temporada de proteína animal e ele estava preocupado. Num dado momento ao caminho de um mundéu percebeu que a armadilha havia desarmado, correu mais “adiente” e viu que tinha pego uma Cutia.

“Ah home Lhei só! Vo tê uma carne pra levar pra mulhé cume hoje!”. Luiz “soverteu” pra casa com o bicho na mão, lá foi alegre mostrar pra esposa que o indagou sobre a combinação com o saci: - Home de Deus, bóis num déste os mundé pro saci?. - Mulhé... eu dei o mundé e não a cutia, ele que coma os paus e as pedras do inferno do mundé que a cutia e minha lhéi só!

Cantinho da Poesia Therezinha Como é bom poder falar sem barreiras Sem policiamento, sem freios, sem censuras Com a certeza de que palavras não vão deixar esteiras E conversando fazer de palavras proibidas as mais puras Colocar numa prosa velhos silêncios guardados Fazer da memória um doce momento presente Trazer para hoje velhas passagens arquivadas Dando-nos a liberdade de dizer o que nos vem à mente Confiança é de todos o amor mais puro Palavras são como o pó soprado pelo vento São pensamentos proibidos buscando lugar seguro Entre o carinho, a compreensão, à cata de um alento Almas gêmeas se encontram no tempo e no espaço Com a pureza de sentimentos na pele aflorando Sentimentos que formam de duas vidas um laço Que não se desata ainda que a vida esteja se acabando Manoel Del Valle Neto

Um Caso Perdido

À Leticia Soares (nunca deixou de ser um bom poema) Oh Louca, porque não me levas a sério? Porque, teus tapas já não mais causam dor? Porque de uma vez, não quer meu amor? E porque teu sorriso permanece um mistério? Não vê que te quero? Do seu jeito, mas sim! Não vê que sem tu do meu lado, Os segundos passados é um martírio sem fim? Porque esse jeito Pirata de me conquistar; Já passou, a muito de ser brincadeira. E se a coerência acabar e for tudo besteira, Dos momentos silenciosos é que vou me lembrar! Repara-te, oh moça como é simples o meu desejo, E verás que minha mente sã, não delira. Pois só o que peço da boca Vampira: Um único beijo! Guy Jann Terra 16 anos – Sertão da Quina


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Coluna da Adelina Campi

Casualidade Michelly Kinai

Uma tarde se encontraram, em um desses becos da vida, onde olhares foram cruzados, sorrisos trocados e depois dos cumprimentos, dos “de onde você é?” e ” o que você faz?” surgiu algo há mais entre meros desconhecidos. Ele era bonito, encantador pode-se dizer; ela, lhe fitava com seu ar misterioso, seus cabelos cor de fogo que brilhavam ao sol; tinha um charme natural, inegável, daqueles que te laçam a alma e você nem vê. Se esbarraram algumas vezes, ele sempre lá a procurá-la na mesma mesa de bar, a personificando em cada pessoa, sonhando em revê-la, se iludindo com as lembranças que ela deixava à cada gole de cerveja. Ela, que sumia sem motivo aparente, do nada ressurgia para confundir seus pensamentos, embaralhar, exaltar, inundar qualquer sentimento que ele por ventura viesse a ter. Não parecia justo, um jogo em que a balança sempre pendia pra um lado só, onde ele se doava, ela fugia, ele se doía, ela lhe arranhava. A moça o tinha por carência, mais uma meia pra lhe aquecer os pés num dia frio, uma entre tantas outras guardadas numa gaveta, que usava e desusava a hora que bem entendesse. Certa noite, com o coração batendo forte, a viu sentada num canto do bar sozinha,

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inquieta a olhar o relógio, e quando finalmente tomou coragem de ir em sua direção, viu um moço, de cabelos dourados sentar ao lado dela, até ele tinha de admitir que o sujeito não era de todo ruim, melhor do que ele próprio até temia. Enraivecido de ciúmes, estufou o peito e cego, foi tomar satisfações. Eis que ouviu ” nós não temos nada, eu gosto de você, mas não sou de ninguém”. Ah! Ele não podia acreditar no quanto ela era banal. Vadia sem coração, tão fria…Como algo tão meigo e atraente não passava de uma armadilha pra trouxas? Que encantava, desencantava sem a menor culpa e que agora o quebrava com tais palavras, desfilando com outro alguém, lhe fazendo querer morrer com cada toque, cada palavra, cada sussurro que não era em seu ouvido, mas de outro. Com o passar do tempo, ela continuou, perdida entre tantos amores, iludindo um dia cá, outro lá, ocupando seus dias com romances que eles chamam de “estação”.

Ele, humilhado, desiludido, ainda procurava algo pra preencher o vazio dos seus dias e enquanto não achava, se sustentava nas memórias do dia em que se conheceram. Ás vezes fechava os olhos e em um segundo era como se novamente pudesse ver seu vestido azul bordado, o sorriso tímido de quando se viram pela primeira vez e formalmente se apresentaram: Ele - “Oi, meu nome é Amor e o seu?” Ela - “É Casualidade.” * * *

Ministério Público Federal organiza agenda positiva no quilombo Caçandoca EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 14, a Procuradora do Ministério Público Federal, Drª Maria Rezende Capucci reuniu-se com INCRA, ITESP, Prefeitura, Policia Ambiental e Câmara Municipal de Ubatuba na sede da associação daquela comunidade. Em pauta informações e esclarecimentos sobre o atendimento e andamento de processos relacionados a qualidade de vida, bem estar dos quilombolas e principalmente sobre as possíveis soluções a que os moradores vem reivindicando há tempos. Temas como estrada, luz, transporte, saúde, educação e licenciamento de roças foram debatidos em busca de soluções rápidas e viáveis ao desenvolvimento daquele povo. Capucci ouviu varias reclamações sobre todos os temas e propostas, alguns exemplos bem sucedidos outros nem tanto assim, mas todos foram colocados a mesa. Um deles foi o entendimento positivo entre os órgãos ambientais e a comunidade quilombola do Vale do Ribeira sobre o licenciamento de roças, que poderá orientar os processos nesta região. Foram propostas palestras e capacitações relacionadas ao uso e manejo dos recursos naturais no território e outras informações sobre o que pode e o que não pode mais ser realizado por impedimentos ambientais.

Às autoridades foi lembrado que tudo por ali foi roça e que só não continuou por falta de reconhecimento das atividades tradicionais e pelo congelamento do território num passado recente. Foram solicitadas novamente informações sobre a titulação do território e que moradores propuseram que sejam retirados do processo de discriminatória os casos em que já tem quilombolas na área, isso agiliza o processo de titulação. Um dos objetivos da reunião foi à proposta de determinar aos envolvidos datas para apresentação das tarefas, o que surtiu resultado positivo entre os moradores. Segundo Capucci, a associação tem de cobrar o que foi acordado entre os órgãos nesta reunião, caso um deles não cumpra a sua parte ela (associação) poderá contatá-la pra formalizar uma reclamação. Órgãos que não puderam comparecer ou naquele momento não faziam parte das negociações serão oficializados pelo MPF a fornecer subsídios e informações às resoluções propostas, cada um dentro das suas competências. Ao final ficou bem claro que a procuradora vai cobrar resultados. No geral, quem participou viu que a conversa foi aberta, franca e objetiva. Resta agora aguardar o andamento das agendas.

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Jornal Maranduba News #55