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Maranduba, 28 de Junho de 2013

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 4 - Edição 50

Um olhar caiçara sobre as maravilhas naturais do Poço Verde


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Jornal MARANDUBA News

Cartas a Redação MAIS UMA VEZ NA PRAIA Como dissemos no texto enviado anteriormente, diariamente vemos coisas degradantes em nossas praias. Antes de narrar o que vimos nesta semana, que tem duas faces, a boa e a ruim, vou voltar àquela Sra. dos cães, que são tantos que me enganei no número dizendo que eram quatro, mas na verdade eram cinco. Lá na Lagoinha, o segurança particular fez com que se retirasse da praia, o que mostra que uma simples fiscalização pode resolver muita coisa. Esta semana nos deparamos com o Professor Ricardo de Educação Física do Áurea com uma trena e alguns cones desenhando na areia uma pista de atletismo com vários jovens ajudando e aguardando para iniciar seus trabalhos. Um País que quer promover uma Olimpíada, não pode deixar que seus jovens não tenham a mínima estrutura para treinarem. São ações que deveriam já desde a concepção da Olimpíada no País através de uma parceria quádrupla, Governo Federal, Estadual, Municipal e Iniciativa Privada investir e dar condições para que nossos atletas possam disputar com um mínimo de condições tempos olímpicos de classificação.

Parabéns ao Prof. Ricardo que não mede esforços para atingir seus objetivos. A grata surpresa é que temos aqui jovens interessados no atletismo, no esporte em si, uma das formas de atividades que além de formar cidadãos os afastam dos maus pensamentos. Nossa felicidade aumentou quando então vimos outros jovens ocupando a tribuna da Câmara na Manifestação de Ubatuba, a mais linda de todas, talvez a única com os jovens ocupando uma tribuna em uma Câmara Municipal no Brasil, porém sem a divulgação, pois como todos sabemos, Ubatuba está fora do Mapa das emissoras de televisão, no nosso caso a Globo, para quem tem SKI, e pode ver a Vanguarda, que no Litoral Norte só conhece uma Praia a Martin de Sá. Tanto a Olimpíada como a Copa no Brasil ao nosso entender são eventos de muita importância e que trazem retornos significativos ao País e por conseqüência a sua população. Pode não ter sido bom para a África do Sul, mas foi excelente para a Alemanha, que dobrou a atividade turística depois da Copa. O Que está errado, não é o Padrão FIFA, pois este é o padrão para o Turismo, principalmente o Internacional, mas

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

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Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi e Ezequiel dos Santos Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

Dia do Brincar são os planejamentos feitos de forma política resultando em “elefantes brancos” que por aí ficarão, não é o investimento alto, mas sim o superfaturamento, a corrupção que assola este País. Além disto, os investimentos na área de Saúde, Educação, Segurança e Mobilidade Urbana, também acabaram não se realizando, ou seja, o planejamento não foi cumprido e obviamente o lado bom, bem como o retorno do capital investido acabarão comprometidos. Vamos portanto amargurar prejuízos assim como a África do Sul. Para a Copa, com certeza não temos mais tempo para a realização destes planejamentos, mesmo porque Educação não se faz do dia para a noite. Mas para a Olimpíada ainda temos algum tempo, claro que para a Educação é pequeno, mas com um plano bem elaborado dá para se promover algumas mudanças de comportamento. Voltando as manifestações, acredito que tenham vindo num momento muito propício, principalmente para nós que temos um governo novo, que temos um governo que se comprometeu com a nossa população na melhoria da Cidade, na melhoria da qualidade de vida de nossas comunidades e obviamente na me-

lhoria e organização de nosso turismo, pois este é a única maneira que temos para que tudo melhore. Ora! Se estes compromissos estão em andamento, e pelo que conhecemos de Mauricio Moromizato, não temos dúvidas disso, gostaríamos que fossem divulgados num pronunciamento oficial do Executivo em que pé estão os andamentos dessas metas, desses objetivos. Quais os projetos encaminhados nas áreas de Saúde, Educação, Esportes, Cultura, Turismo, Segurança, Urbanização e Saneamento. Se já temos alguma resposta e com essas informações as comunidades poderão detectar o que foi esquecido, o que não foi lembrado, para que possam então providenciar estes encaminhamentos. O que vimos na praia esta semana nos remete ao esporte, nos remete à Olimpíada, e gostaríamos de saber do nosso Secretário de Esportes o amigo e carismático Papp o que providenciou e se em nossa região sul estão previstas algumas ações, principalmente pela necessidade aqui exposta. Fernando Pedreira Maranduba Via E-mail

A Escola Municipal Agostinho Alves Da Silva comemorou com muita alegria o dia do brincar. Por falta de espaço preparamos uma área externa próxima à escola onde as atividades foram desenvolvidas. As copas das árvores serviram de cobertura e em seus galhos construímos balanços. Criamos cantinhos lúdicos como a casa do Pedrinho e do narizinho, espaço para futebol de campo e basquete, cantinho da arte. Quando as crianças chegaram foram contagiadas pela música. Podia-se perceber no rosto de cada uma delas a surpresa e a alegria. Pressentindo que seria um dia muito especial às crianças se deslocaram livremente pelo ambiente e escolhiam onde e como queriam brincar e assim puderam dar asas a imaginação. As mães colaboraram com um delicioso lanche que foi partilhado por todos. Os alunos da EJA não ficaram fora desse dia e como crianças brincaram com muita alegria em atividades planejadas especialmente para eles pelo diretor de esportes, professor José Ronivan. Assim este dia terminou trazendo a certeza que através do brincar poderemos construir um mundo melhor para nós e para nossas crianças.


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Comunidade do Ingá se organiza em encontro festivo EZEQUIEL DOS SANTOS Num clima de festa entre famílias, moradores do bairro do Sertão do Ingá se reuniram para promover sua organização em forma de Associação Cultural de Amigos e Moradores do Bairro do Ingá. O encontro aconteceu na casa do Toninho Nicodemo e foi regado a gastronomia típica regional como farofa, quentão, bolos, tortas e muito mais. O evento caminha para o encerramento das conversações, já que preliminarmente ocorre-

ram alguns encontros para sua formalização final. O intuito é trabalhar no resgate cultural, histórico e antropológico desta microrregião enaltecendo as virtudes, a capacidade de desenvolvimento sustentável, geração de emprego e renda e a qualidade de vida e no saber e fazer dos povos antigos da região. Também promover o resgate da cidadania e das melhorias ao bairro e sua população. As reuniões foram bem discutidas entre seus integrantes, que no

Araribá inaugura biblioteca comunitária

No primeiro dia de junho deste ano, moradores, colaboradores e simpatizantes da literatura inauguraram no bairro do Araribá a primeira biblioteca comunitária da região. Intitulada de “Biblioteca Comunitária Doraci” o projeto foi elogiado por todos. O local foi o primeiro espaço escolar há décadas atrás e Doraci, a dona da residência havia realizado uma parceira coma prefeitura na época para alugar a um preço bem camarada para que o bairro pudesse ter enfim uma escola. Doraci foi mu-

Foto: Wiliam Onofre

inicio dirimiram suas duvidas, buscaram exemplos positivos e por ventura o surgimento de alguns problemas com membros de outras associações que já se encontram encaminhados. A criação da associação tem 100 por cento de apoio das outras comunidades, organizadas ou não. Os nomes foram tirados desta comissão no último dia 1 de junho e no evento também discutiram as duvidas restantes sobre a competência e a responsabilidades de seus membros.

lher de uma geração onde estudar era muito difícil, foi homenageada então na sua própria casa, sendo assim a ela a realização de um sonho antigo que servirá as futuras gerações. Com apoio dos filhos, amigos, professores e da comunidade o local vem recebendo livros e material para compor esta biblioteca. Por enquanto a biblioteca abre as segundas, quartas (com contação de história) e sextas-feiras. Nestas datas o público pode também entregar doações de livros e demais materiais que o espaço esteja precisando. A secretaria da escola Tiana Luiza também está recebendo doações de livros para compor a biblioteca. Vários foram os elogios aos idealizadores, colaboradores e simpatizantes do projeto e principalmente a família que levou adiante o sonho da matriarca da família. Lembre-se não jogue livros fora, encaminhe para alguém que possa usufruir do conhecimento e da boa leitura. Dona Doraci agrace.

1ª Festa Junina no Sertão

No último d ia 15, a direção da escola Nativa Fernandes de Faria realizou a 1ª Grande Festa Junina no Sertão da Quina. O evento contou com a grande maioria de pais e alunos, convidados e turistas. Houve bingo, sorteios, entregas de prêmios aos alunos, quitutes costumeiros desta época. A rua praticamente tomada por famílias que vieram prestigiar o evento. Recorde de publico a festa contou com a animação de Tino e companhia. O que chamou a atenção foi as apresentações das quadrilhas que contou com vários grupos de idades diferentes. Desde as criancinhas até a melhor idade. As danças

ofereceram um algo a mais na festa, animando e descontraindo a todos. As crianças deram o ar da graça na apresentação, uma de quadrilha tradicional e outra segurando uma espécie de lamparina nas mãos. Já a garotada se apresentou de uma forma diferente mostrando uma mistura de quadrilha caipira com performances mais atuais, o que agradou os expectadores. Já o pessoal da melhor idade esbanjou disposição, graça e alegria. O evento contou com a colaboração de todo corpo docente e já deixa saudades de uma festa em que as famílias se sentiram a vontade.


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Livro do quilombo da região é lançado na capital Promata no Festival da Mata Atlântica O livro reportagem “Nas terras de Quilombo”, de José Ortega e Iara Souza, foi lançado no dia 28 de março, às 19h, na Casa das Rosas. A obra revela o cotidiano dos moradores de uma das mais importantes comunidades quilombolas do Brasil, o quilombo de Caçandoca. Localizado em Ubatuba, litoral norte de São Paulo, Caçandoca é o único quilombo reconhecidamente situado em terras da marinha brasileira. José Ortega e Iara Souza mergulharam na história da sociedade quilombola e seus costumes para apresentar uma realidade quase esquecida. Diversos aspectos do quilombo são abordados no livro como sua história, cultura, religião, culinária e luta para manter as tradições. Cercada pela natureza exuberante da região, a comunidade vive em constante ameaça de despejo. Além disso, os moradores de Caçandoca sofrem com problemas de infraestrutura, como falta de água encanada, saneamento básico e iluminação elétrica. Por meio de personagens reais e pela luta dos quilombolas de Caçandoca, o jornalista José Ortega e Iara Souza documentam as raízes de um povo de relevância histórica para o Brasil. Os organizadores do evento pretendem lançar o livro em Ubatuba. O evento

esta sendo discutido com os interessados do setor e o poder público municipal. Os idealizadores do projeto frisam que a publicação do livro é sem fins lucrativos, os autores do livro e a secretaria da cultura não farão a venda desse livro. A idéia do projeto é fazer

a entrega de 400 exemplares para que as comunidades possam realizar a venda e reverter os recursos em melhorias ou projetos a própria comunidade. As comunidades quilombolas e seus apoiadores aguardam o lançamento do livro em Ubatuba.

FESTA JULINA DO INGÁ

Dia: 06 de julho de 2013 - sabado - Horário: 19 horas - Local: Capela do Ingá Festa em prol das melhorias da Capela do Ingá Bingo de um fogão, DVD, Microondas e muitos outros prêmios. Quentão de garapa, doces, salgados, vinho quente e muito mais. Ainda a reinauguração gastronômica do caldinho de cará com carne seca-uma delicia!

Participem e tragam os amigos!

No último dia 27 de maio, Dia Nacional da Mata Atlântica, os Promatas compuseram o rol de entidades publicas e privadas mobilizadas para prestigiar datas comemorativas como o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio), o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) e o Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho). No evento os integrantes do Promata apresentaram alternativas de geração de emprego e renda como a observação de aves, que além de preservar o meio ambiente, promove o respeito a interatividade dos moradores locais e renda digna a esta população. O evento teve como principal organizador a Ong APPRU – Amigos na Prevenção, Proteção e Respeito à Ubatuba – que preparou ações de conscientização sobre a importância de se preservar o meio ambiente, além de várias apresentações culturais, muita música com o cantor caiçara, Julinho Mendes, Banda Praieira, entre outros. A comemoração contou com a presença de dezenas de alunos das escolas municipais e estaduais e inúmeras entidades ligadas ao tema. A concentração aconteceu na Praça 13 de Maio, onde foram instaladas as tendas com muitos cartazes e com voluntários à disposição

para dar orientações às pessoas interessadas. Entre as atividades, foi promovida uma blitz ambiental, com a participação dos alunos que entregaram, à população, folhetos explicativos sobre a Mata Atlântica e a importância de sua preservação. Além disso, houve distribuição de sementes, de mudas de árvores e a pintura de um símbolo – um peixe azul – nas bocas de bueiro, atividade muito apreciada pelos escolares. Ubatuba é um dos municípios brasileiros que possui maior área de mata atlântica preservada e o evento vem para celebrar e também conscientizar a população sobre a importância da preservação.. O Festival é realizado para a população, turistas e interessados em conhecer e preservar o meio ambiente. Ao todo, são 24 parceiros oferecendo atividades gratuitas. Houve atividades diárias para públicos variados em diferentes locais, entre eles, plantio de árvore, tour para observação de árvores, várias exposições com palestras no auditório do Casarão da Fundart, limpeza de praia, festa do jundu, mesa redonda na Câmara Municipal, passeios, e uma programação especial para escolas. O calendário contou também com apresentações musicais e dois shows.


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Horticultores de Ubatuba visitaram a HORTITEC em Holambra Prefeitura de Ubatuba, CATI e APTA apoiaram a iniciativa. Produtores de Ubatuba estiveram na última semana visitando a HORTITEC, no Pavilhão da Expoflora, em Holambra, que reuniu cerca de 30 mil visitantes. A demanda do mercado por produtividade e qualidade atraiu produtores brasileiros e estrangeiros para a 20ª edição da Hortitec Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas. Segundo os organizadores os negócios realizados foram da ordem de 95 milhões de reais. A iniciativa teve apoio da Prefeitura de Ubatuba, por meio das Secretarias de Educação e Agricultura, Pesca e Abastecimento e também da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios). A proposta é orientar e apoiar os horticultores a diversificar sua produção para atender o mercado local nas feiras e quitandas e no fornecimento para a alimentação escolar. A Hortitec é a vitrine de expositores nacionais e internacionais para apresentar as inovações agrícolas a produtores dos diferentes setores do agronegócio: flores, frutas, hortaliças e produtos florestais. A Hortitec é considerada a maior feira de horticultura da América Latina, com mais de 400 expositores nas áreas de tecnologia agrícola, ferramentas, estufas, embalagens, vasos, telas, defensivos, fertilizantes, ir-

rigação, sementes, mudas, substratos, climatização, biotecnologia e assessoria técnica. A participação no evento foi uma grande oportunidade para o produtor ter contato com as principais novidades do setor e também trocar experiências com uma grande variedade de profissionais ligados à horticultura. Os produtores de Ubatuba que participaram da visita técnica foram selecionados entre os fornecedores da alimentação escolar e alunos do quarto curso de Olericultura Orgânica que está sendo promo-

A participação no evento foi uma grande oportunidade para o produtor ter contato com as principais novidades do setor

vido pelo STTR de Ubatuba (Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais) com apoio do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Entre os produtos vistos na feira chamou a atenção a quantidade e diversidade de produtos já existentes para a Agricultura Orgânica. Um dos stands que chamou mais a atenção foi o que mostrava insetos utilizados no controle biológico de pragas por meio de um microscópio ligado a uma TV. Em vasos feitos de material transparente era possível visualizar o efeito do uso de fungos e bactérias benéficas para melhorar o crescimento das raízes quando comparados com os vasos “testemunha” – em que os insumos ecológicos não tinham sido aplicados. Para Pedrinho Ramos, do STTR de Ubatuba, a viajem veio a confirmar que hoje o mercado oferece diversos produtos para melhorar a nutrição das plantas e proteger os cultivos sem agredir o ambiente ou prejudicar a saúde das pessoas. Para Elisabeth Mourão, Presidente do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Pesqueiro nos dias de hoje só usa veneno quem quer. Para os extensionistas da CATI em Ubatuba, José Carlos dos Santos e Antônio Marchiori a realização de visitas de intercâmbio é fundamental para que o serviço de extensão rural seja mais eficiente e promova as mudanças que o setor necessita.


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III Arraiá da Melhor Idade na Lagoinha Na noite de quinta-feira, 21 de junho, o grupo da terceira idade da região sul promoveu no salão ao lado da igreja da Lagoinha o III Arraiá da Melhor Idade. O evento, que foi um sucesso de público e critica, teve seu ponto alto na apresentação da tradicional quadrilha caipira. Vestidos a caráter não faltou disposição e alegria a qual contaminou os expectadores. Os convidados riam e se divertiam com as performances apresentados pelos integrantes na dança da quadrilha. A festa contou com barracas de doces, salgados, caldinho, quentão, muitos outros quitutes e bingos, também com centenas de moradores e turistas. O grupo conta com 48 integrantes sendo que destes 30 participam da dança típica. O evento tem o apoio do padre Carlos Alexandre e suas edições são marcadas pelo ambiente familiar e pela dis-

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posição de seus preparadores. A quadrilha foi conduzida pelo amigo Tonhão da Lagoinha e embalada pela disposição contagiante da professora Lu. O prefeito Mauricio Moromizato prestigiou o evento a final tirou fotos com integrantes da

Papa Francisco nomeia novo bispo para diocese de Caraguá

quadrilha e outros moradores. Os organizadores agradecem a presença de todos e também aos colaboradores que vem acompanhando o trabalho destes ilustres moradores. Agora é só esperar o próximo ano para uma festa família.

Diretores de TV visitam Capela do Sertão da Quina No último dia 8 de maio, acompanhado do prefeito Mauricio Moromizato, integrantes da rede Vanguarda de televisão, afiliada da Rede Globo no vale do Paraíba, estiveram em visita a Capela de Nossa das Graças e do Morro do São Cruzeiro (Emaús) no bairro do Sertão da Quina. A ilustre visita se deu por volta das 17 horas daquele dia e começou com os olhares voltados para o interior da capela. Os padres Carlos e Manoel estiveram o tempo todo acompanhando os visitantes esclarecendo todas as duvidas sobre o local e sua história. Também acompanhou o morador Manoel Celestino que mostrou fotos antigas da capela e da festa em sua homenagem.

Estava presente Luiz Carlos de Carvalho e Dimas Santos da diretoria comercial da TV, a diretora geral Irany de Castro e seu esposo Fabio de Castro. Irany se encantou com a arquitetura do local, com as disposições das artes sacras

e com a imagem original de Nossa senhora das Graças. Ela, em conversa com padre Carlos, confessou que havia estado em vários santuários no mundo e que não sabia que existia um tão perto dela. Iracy que é devota de Nossa Senhora de Fatima.

DIOCESE CARAGUATATUBA O Papa Francisco nomeou nesta quarta-feira (19) Dom José Carlos Chacorowski, 56 anos, como bispo da diocese de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. A data de posse deve ser informada nos próximos dias. Chacorowski irá substituir o Dom Antônio Carlos Altieri, que foi nomeado arcebispo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, em setembro de 2012. Desde então, a diocese era administrada temporariamente pelo Padre Inocêncio Xavier. A nomeação de Dom José Carlos Chacorowski é a segunda do Papa Francisco envolvendo religiosos da região. No final de abril, o pontífice

argentino nomeou o bispo de São José dos Campos, Dom Moacir Silva, de 59 anos, como arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto (SP). Dom Moacir se despediu dos fiéis com uma missa na última sexta-feira (14). José Carlos Chacorowski ocupava o cargo de auxiliar da Arquidiocese de São Luís do Maranhão. Chacorowski nasceu em 1956, em Curitiba (PR) e durante seu ministério pastoral atuou na formação da diocese de Palmas (PR), em atividade missionária no Congo e também na equipe da pastoral rodoviária. Também atuou como pároco na diocese de Paranaguá (PR) e foi diretor das Filhas da Caridade da Província da Amazônia.


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Região descobre campeão da canoagem oceânica EZEQUIEL DOS SANTOS Em frente a SP-55 na altura do bairro da Maranduba existem vários comércios importantes que atende toda região. Num destes, a Central Tintas, trabalha o atleta Humberto Nepomuceno Santana, 44 anos de vida, dos quais os 26 últimos dedicados a canoagem oceânica. Boa pinta, atencioso, educado, natural de Caraguatatuba, Humberto mostra todo seu fascínio pelo esporte que escolheu. Ainda desconhecido do grande público ele recheou esta região e o município com vários prêmios importantes, sendo só com as primeiras colocações foram mais de 60 premiações. Com um currículo extenso e invejável, foi por varias vezes foi Campeão Brasileiro e da Copa do Brasil, dos campeonatos paulistas perdeu a conta, das provas festivas então não tem mais idéia. Um exemplo prático da dedicação e profissionalismo de Humberto foi na conquista de duas, das três edições, da travessia Caraguatatuba-Ilhabela. Casado, pai de três filhos Humberto conta com total

apoio da família e atualmente por falta de tempo e mais patrocínio treina em casa seis vezes por semana. Para isso criou seu próprio equipamento de treino, é dele a invenção de uma engenhoca batizada de Simulador de Caiaque. Quando perguntado qual competição chamou mais atenção, a resposta demora a sair indicando por ele que cada competição é única e insubstituível, porém ele lembra com entusiasmo da prova que realizou na cidade de Juiz de Fora-MG, onde segundo ele, as corredeiras de lá eram muito radicais, diferentes. Em Brasília-DF disputou a Travessia das Pontes, total de 25 km, porém informa que seu forte são as travessias de 50 km, que costuma durar até quatro horas de prova. Ele explica que as competições normais reúnem cerca de 170 caiaques, as de 50 km apenas 30 unidades. Pelo que se lembra das quatro provas existentes de 50 km venceu todas, uma delas chegou a ser campeão no geral, o que é considerado pelos atletas muito improvável.

No balcão da loja onde trabalha ele conta que experimentou a atividade aos 18 anos, de lá para cá não parou mais, foi paixão a primeira vista. Lembra ainda que a família, além de apoiá-lo, percorre com ele as varias competições que realiza dentro do Brasil e o mais curioso, seu parceiro de remo é de Santarém do Pará. Além de atleta Humberto se faz as vezes de professor Pardal, há quinze anos traba-

lha também com a confecção de caiaques de todos os tamanhos e estilos, duplos e individuais. O maior produzido por ele possui 7,35 metros de comprimento, informa que fabrica também canoas de fibra por encomenda. Hoje conta com o apoio da Forccis e se houvesse mais patrocínio poderia trazer medalhas internacionais, tendo em vista o potencial e a determinação irradiado por este ilustre caiçara brasileiro.

Títulos * * * * * * *

40 vitórias em competições festivas Tricampeão da Competição de 50 km - Angra dos Reis Decacampeão do Colégio Naval - Angra dos Reis Bicampeão da Travessia Ilhabela/Caraguá 11 vezes Campeão da Escola Naval - Rio de Janeiro Tricampeão Paulista 9 vezes Campeão Brasileiro


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Promata nas discussões sobre Populações Tradicionais do eixo Rio/São Paulo Jorge Inocêncio Alves Junior Ezequiel dos Santos

No último dia 30 de maio, no quilombo do Campinho da Independência, em Paraty, os promatas Rosa Sandeski, Maria do Carmo e Antonio de Oliveira (tio) participaram da 1ª reunião da Câmara Temática de Populações Tradicionais e Uc’s (Unidades de conservação) em 2013. Também participou Danilo Santos da Silva, Gestor do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar da Fundação Florestal em Ubatuba. Esta câmara foi criada a partir do conselho consultivo do Mosaico Bocaína, que conta com representantes de Ubatuba em várias frentes: ongs, prefeitura (norte),quilombos e comunidades caiçaras. O grupo participou a convite de membro do Forum de Populações Tradicionais composta por membros das comunidades que lutam há anos por seu reconhecimento. No evento foram realizadas a apresentação dos temas propostos, sua contextualização e definição de trabalhos. Em grupo foi realizado um planejamento de ações para um ano de trabalho em seguida, após a apresentação dos resultados, os encaminhamentos finais e avaliação dos trabalhos realizados. Para os integrantes da Promata foi um evento único e revitalizador das causas verdadeiras, Segundo eles, aprenderam muito e puderam observar a beleza do local mantida pelos quilombolas do lugar. O mosaico Bocaína foi instituído pela Portaria MMA nº 349, de 11 de dezembro de 2006 e trata-se de um espaço que deve ser aproveitado

pelos caiçaras, pois a necessidade de aberturas democráticas destes e outros conselhos não devem servir de “mero cumprimento de tabela”, porém, servir para validar, acatar reconhecer e solucionar as questões que envolvem o cotidiano desta cultura secular (populações tradicionais), que muitas vezes não tem conhecimento destes acontecimentos, a qual fica refém de uma situação criada para atender apenas um lado, não podendo opinar a respeito de seu próprio futuro, na roça, na floresta, na pesca, na musicalidade, na fé, enfim, no seu cantinho único e tradicional. Especialistas e estudiosos apontam a qualidade ambiental de boa parte do litoral brasileiro como conseqüência do manejo próprio e da vivencia tradicional de seus povos. Trabalho este que é realizado de geração

em geração e que, em tese, deveria ser respeitado e reconhecido pelos governos, políticos, ong’s, e até organismos internacionais. Manejo este interrompido e corrompido pela ganância da especulação imobiliária e pela criação de unidade de conservação, que desassociou meio ambiente da cultura original do Brasil, destruiu famílias inteiras, interferiu e feriu no golpe mais profundo os modos de vida destas pessoas. Porém não contaram com uma ferramenta essencial destes povos desde sua origem com os índios que aqui habitavam, existe uma ação local em cada área, onde estas populações se mostram fortes e unidas, resistentes e que pretende levar a riqueza de seus conhecimentos ás futuras gerações, também na pratica são capazes de propor soluções a interação homem-

-natureza e não mais problemas. Comissão Nacional Caiçara: A vida caiçara em pauta O que se percebe nas discussões nas diversas esferas de participação das sociedades ligadas aos conselhos de unidades de conservação são as mais variadas formas de interesses de classes. Por um lado, as Uc´s se estruturando principalmente por conta da copa e do turismo que advém deste evento e não no interesse primeiro que são os temas ligados aos povos que moldaram o processo civilizatório nacional, desassociando mais uma vez o povo da floresta e do mar como algo exótico, talvez invasor, fora do contexto natural de cada microrregião e sua história. Por outro lado, as comunidades lutam, uma, por desafetação dos parques, por adequação em planos de

manejo, recategorização de unidade, por respeito, contra covardes intentos de aumentar as fronteiras da especulação imobiliária apoiada por “lobistas” (alguns oficiais), e até mesmo os quilombolas e indígenas, com legislação de apoio próprio e pertinente enfrentam grandes dificuldades burocráticas, administrativas, políticas e estruturais de toda sorte. Mas o enfrentamento e a denúncia de um sistema de conservação que despreza o principal ator, que é a comunidade, vêm tomando força e clareza frente aos poderes constituídos. Mostra clara disto é a movimentação em torno do avanço da Comissão Nacional Caiçara, na busca de se beneficiar dos direitos garantidos às suas populações e o que ela pode contribuir à sociedade, ao meio ambiente e a economia local, regional, nacional e global.


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A importância da caracterização das Comunidades Tradicionais A caracterização destas comunidades perante o governo nacional, de forma única e consciente, no intuito de seu reconhecimento, culturalmente colaboraram ainda mais para que nossa região tenha uma melhor qualidade ambiental admirada pelo mundo inteiro, isto é, sua manifestação cultural é imprescindível para tal caracterização, embora muitos digam ao contrario. Esta forma de solução pacifica e ordeira é parte do patrimônio natural das populações tradicionais. O trabalho do Fórum de Populações Tradicionais tem sido um forte canal de atuação das comunidades, criando voz e valorização para várias comunidades com situação social variadas, porém, com similaridades, principalmente nos quesitos que trata do uso do território tradicional (englobando terra e mar), conflitos criados por unidades de conservação implantadas em cima das comunidades seculares, dificuldades de cobrança por melhorias e respeito às atividades tradicionais destas comunidades e dos mais variados processos administrativos e judiciais que carregam por conta de perseverar no ensino de seus hábitos às futuras gerações. O fórum se destacou a partir de 2007 com a união de lideranças e comunidades de Paraty, Ubatuba, Angra, Cunha e região, com o intuito de lutar pelos direitos dos caiçaras, quilombolas, indígenas e caipiras de nossa região. Por conta dos temas sempre envolverem problemas entre comunidades e unidades de conservação. Em Ubatuba as comunidades mais atuantes nestes fóruns até hoje foram o Sertão do

Ubatumirim, Sertão da Fazenda, Picinguaba e Camburí. Nas áreas cariocas de conflitos destacam se dentre outras as comunidades: a de Trindade, Campinho, Sono, Pouso da Cajaíba, e aldeias. São comunidades que lutam em busca da sua própria sobrevivência cultural, histórica, religiosa, antropológica, física, psicológica e moral. As lideranças tradicionais tem deixado seu recado: as comunidades não mais abrirão mão de lutar e buscar o direito de seus povos, que deveriam receber o Premio Nobel por sua considerável contribuição à qualidade de vida mundial e a manutenção da espécie humana em parceria com a floresta. Todo este trabalho esta sendo observado pela Comissão Nacional de Povos e Populações Tradicionais, ligadas comissão nacional da Política Nacional de Apoio aos Povos e Populações Tradicionais do governo federal. Onde está o território do Mosaico Bocaina O território deste mosaico abriga importantes maciços florestais totalizando 222 mil hectares, sob condições especiais de manejo e proteção legal, já realizadas pelos primeiros povos tradicionais que conviviam pacificamente com a floresta e o mar. Este território reúne unidades de conservação, de âmbito federal, estadual e municipal e suas respectivas zonas de amortecimento sobre áreas de inúmeras comunidades seculares como os caiçaras, caipiras, indígenas e quilombolas localizadas no Vale do Paraíba do Sul, litoral norte de São Paulo e litoral sul do Estado do Rio de Janeiro compondo 14 municípios (Rio e São Paulo), 18 uni-

dades de conservação, 5 terras indígenas e 4 quilombos. Esta imensa faixa de terras integra o Corredor da Biodiversidade da Serra do Mar, um “hotspot”, uma das áreas mais ricas em biodiversidade em toda Mata Atlântica. A prova maior destas populações interadas de seu território há séculos são as várias descobertas de sítios arqueológicos e sambaquis com materiais de toda espécie para uso e costumes dos povos antigos nesta área. Hotspots O conceito Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para monitorar quais as áreas mais importantes para preservação neste planeta. Ao observar que a biodiversidade não está igualmente distribuída no planeta, Myers procurou identificar quais as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou essas regiões de Hotspots que é, portanto, toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido

mais de 3/4 de sua vegetação original. No Brasil há dois Hotspots: a Mata Atlântica e o Cerrado. Portaria MMA 349/06 Necessidade de bom censo e apoio ao caiçara Trata-se de uma portaria federal de reconhecimento do Mosaico Bocaína a qual abrange varias áreas protegidas e suas zonas de amortecimento. São elas: Parque Nacional da Serra da Bocaina, nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, Estação Ecológica Tamoios, no Estado do Rio de Janeiro, Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, no Estado do Rio de Janeiro, Área de Proteção Ambiental de Tamoios Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul, Parque Estadual Marinho do Aventureiro, Parque Estadual da Ilha Grande, Parque Estadual Cunhambebe, Reserva Ecológica da Juatinga, Área de Proteção Ambiental de Mangaratiba, Área de Proteção Ambiental Baia de Parati, Parati-Mirim e Saco do Mamanguá, Núcleo Picinguaba do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Santa Virgínia do Parque Estadual da Serra do Mar, Estação Ecológica do Bananal, Área de

Proteção Ambiental Silveiras, Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte, Parque Estadual da Ilha Anchieta, Terra Indígena do Bracuí, em Angra dos Reis, RJ, Terra Indígena Parati-Mirim, em Paraty, RJ, Terra Indígena Araponga, em Paraty, RJ, Terra Indígena Boa Vista do Promirim, em Ubatuba, SP, Campinho da Independência, em Paraty, RJ. A portaria, no parágrafo 1º, deveria discutir a pretensão de reconhecer como parte integrante dos territórios do mosaico os bairros, vilas, municípios e ilhas, nas quais existam populações tradicionais, pois são contempladas pelo Decreto 6.040/2007. No se parágrafo 2º o Conselho que será formado deverá reunir esforços para obter do Estado o reconhecimento dos territórios tradicionalmente ocupados por estas populações, de forma a existir um mecanismo jurídico aceito por ambas as partes e que atendam com êxito as necessidades socioeconômicas e culturais para aas populações reconhecidamente suprimidas. O Conselho Consultivo poderá ser assessorado por colaboradores de órgãos governamentais, não governamentais e pessoas de notório saber, para contribuir nas discussões e trabalhos do Conselho. Outras discussões estão sendo realizado no intuito de se fazer um equilíbrio justo entre as partes, a bem do homem tradicional e da natureza, que não ocorreu nas últimas quatro décadas. Esta resolução poderá mudar na pratica a vida de muita gente, sendo que umas poderão até sair de seu estado de miséria (social, ambiental, econômica, cultural) por conta da falta de seu reconhecimento.


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Um olhar caiçara sobre as maravilhas naturais do Poço Verde PROMATA Fotos: Roberto de Oliveira Sylas Fileto Fernando Novais Após uma semana de preparação com desgaste de uma caminhada de quatro horas de esforço moderado, integrantes do Promata foram desbravar o outro extremo da cachoeira do Poço Verde, lá pelos lados da região norte de Caraguatatuba, bem na divisa com Ubatuba. O caminho que é antiqüíssimo é o que faz a volta para a Serra Velha e foi passagem dos antigos moradores que a usavam como trajeto usual antes da construção das primeiras estradas de que conhecemos. Por ali desciam fumo de corda e galinhas caipiras e subiam óleo de baleia e peixe seco. Ainda com clima de mistério e suspense aquele perímetro esconde vestígios da primeira civilização que lá viveu se posicionando estrategicamente entre o mar e o planalto. A região conta com vários braços de rios onde qualquer desavisado pode se perder facilmente. Após levantar acampamento e preparar os petrechos foi realizado um levantamento para o perímetro de segurança, após os primeiros procedimentos saíram em expedição pelo lado contrario ao costumeiro para os objetivos propostos à expedição. O local, em sua grande maioria é desprovido de sinal de satélite, antenas e rádios, para qualquer contato com a civilização existe a necessidade de transpor uma das montanhas do local para conseguir comunicação, exceto pelos meios tradicionais que utiliza som, sinais ou fumaça. No perímetro do objetivo foram encontrados vários braços de rios, onde um deles levou a equipe a uma cachoeira conhecida como cachoeira da Andorinha que se assemelha a da nossa Santa Maria da Água Branca no Sertão da Quina. As outras somadas contabilizam cerca 15 cachoeiras desconhecidas entre 5 e 70 metros de altura.

A idéia foi restabelecer o contato com aquele ponto adormecido da história regional. Foi por ali que os primeiros desbravadores de nossa história viram canhões do império apontados para o litoral da época do trafico de escravos no Brasil, dizem os antigos. No caminho a admiração sobre a fauna, flora local e específica. Bastaram duas noites ouvindo os sons da natureza, as melodias produzidas pelos sons das águas, o perfume das flores, o entardecer e o amanhecer com a soma de todas as belezas naturais, o registro de cavernas que parece ter sido feito a mão. Uma delas era provida de um salão com saída pros fundos indicadas por uma luz da existência do outro lado, mesmo assim, por dentro, havia a necessidade de usar lanterna, dentro cabia cerca de 20 pessoas confortavelmente. Debaixo das pedras saia uma água e aos fundos um buraco, dentro da caverna a grata surpresa - várias pegadas de animais e aves indicando os caminhos utilizados por cada espécime. Tudo isto despertou o DNA, isto é, o verdadeiro instinto de tetraneto de caiçara formador do processo civilizatório nacional, volte a trabalhar. No passado, desde os primeiros registros conhecidos de atividades por aquelas bandas, os pais alertavam os filhos para o perigo eminente de se perder naquele trecho. Segundo os promatas o local oferece risco real à falta de orientação,

trata-se de um local ermo e de difícil visualização a pontos específicos de referencia, tudo lá é igual e diferente ao mesmo tempo, o que confunde os despreparados para seguir caminho. Lá foi levado um kit médio de sobrevivência e alimentação da gastronomia tradicional. Nas andanças foi registrado a presença de macaco prego, macuco, cobras, aves diversas, sapos e aranhas, além de belas flores e frutos daquela biodiversidade. Na ocasião houve a oportunidade de testar um equipamento para fotos noturnas conhecida como Câmera Bushnell Trophy XLT. O equipamento mostrou-

-se eficiente com os registros esperados pela equipe e para o deleite de nossos leitores algumas fotos poderão ser publicadas. O som das cachoeiras não silenciou o barulho que outros animais faziam como o macaco Bugio, as aves Araçari Banana a Alma de Gato e o estardalhaço dos catetos (da família dos porcos selvagens) que passaram próximo ao acampamento neste local quase totalmente selvagem. A vantagem da caminhada são os temas históricos que trata do patrimônio material e imaterial, dos dizeres e fazeres deste povo primeiro, que são mantidas pela tradição

oral reproduzidas pelos antepassados da região. O trabalho de reconhecimento rendeu frutos durante o dia e a noite tamanha diversidade encontrada e pena que não é possível mostrar todos os registros. A tradição oral da forma que é realizada treina os ouvidos destes moradores para separar os sons específicos dos comuns. Ensinamentos estes que visam facilitar a separação dos perigos das belezas apresentadas pela natureza. Vivenciar esta beleza viva, sentida e tocada é uma experiência única e inenarrável, que para muitos não há dinheiro que pague.


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Studio Silvia Martinês ganha 5 prêmios para Ubatuba em festival de dança Fotos: Luiz Pavão

O grupo de dança Studio Silvia Martinês, trouxe 5 premiações para a Ubatuba, com sua participação na 10ª Edição do festival Dança Paraty. Representado pelas bailarinas Silvia Martines, Desireé Vigneron, Ana Pavão, Izabela de Souza, Amanda Gregório, Aline Pilz, Andreza Pavão e a professora e coreógrafa Evilene Bordini, o grupo levou ao total 6 coreografias para o festival e contou com o apoio cultural da Pousada Rosa Café, de Paraty e do fotógrafo Luis Pavão. Na categoria de dança do ventre profissional, o grupo ficou em segundo, terceiro e quarto lugar, com as coreografias “Egiptian Night”, “Baladi” e “Entrance of the Stars”, respectivamente. No solo dança do ventre profissional, a bailarina Silvia Martinês que apresentou a coreografia “We Will Rock You”, ficou em segundo lugar e a bailarina Aline Pilz em quarto, com a coreografia “Hayat”. Para a coreógrafa do grupo, Evilene Bordini, “Participar desses festivais é muito prazeroso pois há uma integração e troca por meio das diversas modalidades de dança encontradas ali. Além da cumplicidade e companheiris-

mo que é desenvolvida entre as bailarinas, que estão unidas pelo propósito de dançar e propagar a equipe e a arte que é a dança do ventre”. Ela parabenizou as bailarinas e fez questão de destacar “O esforço e dedicação de cada uma foi fundamental para essa conquista”. Festival O Dança Paraty, comemorou 10 anos de realização, consolidando-se uma referencia em festival de dança. O festival é um projeto da Allegro Studio & Produções, realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Paraty, sendo de autoria da bailarina e coreógrafa Mathilde Mathias. Nesta edição foram recebidos mais de 800 bailarinos vindos de 32 cidades e 5 estados. Studio Silvia Martinês O Studio Silvia Martines é uma escola especializada em dança oriental, que vem desenvolvendo seu trabalho desde 2009 na cidade de Ubatuba. Escola credenciada do Método Acadêmico Suheil de Ensino, tem por principio proporcionar estudo e aprendizado de qualidade dessa arte milenar. A escola é coordenada pela bailarina, professora de dança e coreógrafa Evilene Bordini.

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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 20

PACAUM - ( interg. ) - expressão que imita o som de um corpo caindo na água; som que as pernas e os braços fazem ao movimentarem-se dentro da água ou no lodaçal. “ Ele caiu da canoa e fez tibum n‘água; naquele breu que táva, só iscuiteimo aquele pacaum, pacaum , pacaum dele nadando prá terra “ PACHOLA - (adj.) vaidoso; elegante ou apurado no trajar. PACHORRA - ( s.f.) - paciência. PAÇOCA DE CARNE SECA - ( s.f.) - carne seca ou cozida, desfiada e socada ao pilão, com farinha de mandioca e banana. PACUéRA - ( s.f.) - fressura do boi ou porco. PADIOLA - ( s.f.) - espécie de tabuleiro retangular, montado em cima de quatro varas e utilizado para transporte ; diz-se também do carrinho de mão. PAGãO - ( s.m. ) - tipo de roupa de recém-nascido. PAI-AVO - ( s.m. ) - espécie de pássaro. PAINÇO - ( s.m. ) - grão da planta do mesmo nome, que serve de comida para pássaros. PALAMENTA - ( s.f.) - equipamentos ou objetos acessórios indispensáveis a uma embarcação, tais como remo, vela, leme, etc... PALHA - ( s.f. ) - folha seca de jiçára, brejaúva, palmito, guaricana ou outro tipo de palmeira, que tecidas, formam a cobertura da casa de pau-a-pique e barro. “ Corta a palha, tece ela, né e despois larga ela em cima da casa, pronto, já cubriu. “ PARMA BENTA - ( s.f.) - folha de palmeira ( Palma de Santa

Rita ) benzida na igreja, e que se queima no fogo, como simpatia contra trovoada. PAMONHA - ( s.f.) - (adj.) espécie bolo de milho verde, cozido em folha de banana; indivíduo moleirão. PAMPARRA - ( s.f.) - às pampas; às pamparras; à beça ; em grande quantidade ou intensidade. PAMPEIRO - ( s.m. ) - aguaceiro: rolo, confusão. PANAGEM - ( adj. ) - pano da rede, sem a chumbada e a bóia; rede de pesca amontoada dentro da canoa. PANAPANá - (adj.) - diz-se da pessoa de cor pálida ; é tbém um tipo de borboleta. PANARÍCIO- ( s.m. ) - mesmo que panariz; inflamação que deixa a pele avermelhada. PANCA - ( s.f.) - dar panca ; causar admiração pela beleza ou elegância no vestir. PANCãO - ( s.m.) - pancão de chuva; aguaceiro; pararaca. PANCUDO - (adj.) - indivíduo com panca. PÂNDEGO- (adj.) ( s.m. ) - gozador ; farrista. PANDULHO - ( s.m. ) – estomago;estar de pandulho cheio; de estômago cheio. Pedaço de pano forte, cosido em forma de chouriço e cheio de pedras miúdas, que se cose na tralha inferior das redes de pescar, a fim de lastrá-las. “ Tá repunando a comida porque tá de pandulho cheio. “ PANEIRO - ( s.m.) - espécie de tabuleiro de pôr peixes, usado nas canoas; bancada disposta horizontalmente no centro da canoa, de tal maneira que sobre ela se possa acondicionar carga. Assim a água, que eventualmente entra no bojo da embarcação, passa por baixo desta tábua, sem molhar as mercadorias. PANO DE REDE - ( s.m. ) partes da rede de pesca, que consiste nos fios tecidos em malhas, sem a chumbada e a cortiça; mesmo que panagem. PANO DE VELA - ( s.m.) - vela; tecido desfraldado sobre um mastro, no centro da canoa, que inflado pelo vento, conduz a embarcação. PANO- ( s.m. ) - pititinga; titin-

ga; doença caracterizada por manchas brancas, sobretudo no colo e nos braços, causando comichões intensos, sendo transmitida pelo contato. PANTáNO - ( s.m. ) - pântano. PãO-SOVADO - ( s.m. ) - pão feito de massa sovada, batida com força sobre a mesa. PAPA-ANJO - ( s.m. ) - indivíduo que gosta de namorar pessoa mais nova. PAPAGUéLA – ( s.m. – fruto silvetre, de cor arroxeada,comida de pássaros PAPA-OVO- ( s.m. ) - cachorro que rouba e come os ovos da galinha. PAPO - ( s.m. ) - bócio; ( hipertrofia da glândula tireóide ) . PAQUINHA - ( s.f.) - espécie de grilo de cor escura ; grilo-toupeira. PARADEIRO - ( s.m. ) - falta de movimento comercial; crise. PARAMBIJU- ( s.m. ) - espécie de peixe do mar. PARARACA - ( s.f.) - pancada de chuva ; chuva rápida ; aguaceirada. PARARACA DE CAMARãO - ( s,f. ) - camarão cozido com sal e limão, logo na chegada da pescaria. PARATI-GUAÇÚ - ( s.m. ) - peixe; espécie de parati. PARATI-PUA - ( s.m. ) - peixe; espécie de parati . PARATIPEMA - ( s.f.) - peixe; espécie de parati. PARCé - ( s.m.) - parcél; laje à flor da água ou meio submerso; recife. PARDá - ( s.m. ) - diz-se das horas do final da tarde. PARDAVASCO - (adj.) sujeito de cor amulatada; filho de negro com mulato. PARDAZINHO - ( s.m. ) - diz-se das horas do fim da tarde. PAREDE DE PAU A PIQUE - ( s.f. ) - vide pau-a-pique; parede de ripas de jiçára armadas veticalmente na construção da estrutura de madeira das paredes da casa de pau-a-pique, fazendo um xadrêz com as ripas invaradas. PAREDE FRANCESA - ( s.f.) - parede de taipa; parede de barro ou cal e areia, com armação de pequenos pedaços de madeira, em forma de treliça.

PAREDE-MEIA - ( s.f.) - parede divisória entre duas casas, pertencentes em comum aos proprietários dos prédios contíguos. PARELHA - ( s.f.) ) - conjunto formado por dois arrastões, ou seja, barcos de pesca que operam um tipo de rede denominada rede de arrasto. PARELHO - (adj.) - semelhante; igual; parceiro; par. PARENTADA - ( s.f.) - os parentes ; a família. PARENTAJE - (s.f.) - os parentes ; a família. PARMITEIRO - ( s.m.) - pessoa que trabalha no corte de palmito no sertão; palmeira silvestre ( jiçára ) que fornece o palmito no gomo terminal de seu caule. PARPATEAR - ( v ) - andar tropego; andar arrastando os pés; PARRUDO- (adj.) - baixo e grosso; sujeito baixo e gordo. PARVO- (adj.) - tolo ; idiota. PASMADO - (adj.) - apalermado; sem vivacidade. PASSA-FORA - ( interj. ) - expressão de repulsão ou desprezo usada para enxotar cães ou pessoas. “ A mulher pegô eles robando as fruitas e deu o maior passa-fora neles “ PASSADEIRA - ( s.f.) - tapete longo e estreito em escadas ou corredores. PASSADO - (adj. ) - encabulado; sem graça. PASSADO TEMPO - ( loc. adv. ) - de vez em quando; às vezes. “ passado tempo ele se remanéce por aqui “ PASSAMENTO - ( s.m. ) - morte; falecimento. PATA- CHOCA - ( s.f.) - mulher gorda, de andar pesado e movimentos vagarosos. PATACA - ( s.f.) - moeda antiga de prata, no valor de 320 réis. PATACãO - ( s.m. ) - relógio de bolso muito grande;rótula do joelho; moeda de 40 réis. PATACOADA - ( s.f.) - bazófia ; mentira; disparate ; brincadeira de mau gosto. Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947-Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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Entre joãos e marias não tem josés Carlos Rizzo Nas andanças pelas matas temos, além das aves, a oportunidades de conhecer pessoas e novos saberes. Sempre me interessou os nomes caiçaras das aves da nossa região. O nome popular contém história e razões de cada local. No Sertão da Quina beija-flor-preto (e branco), é chamado de beija-flor-das-almas. Como ele é migratório, costuma aparecer em novembro, mês que temos o feriado de finados. O gaturamo-ferro-velho aqui é chamado de arcaide (com variações) cuja origem é do espanhol, talvez do árabe “alcaide”. Estudando os nomes populares das 1800 e tantas aves brasileiras o que mais chama a atenção é a quantidade de joãos e marias. Do joão-arredio, passando pelo joão-bobo, joão-porca até o joão-velho são 101 nomes. Entre as marias são 180 nomes, desde maria-acorda, passando por maria-com-a-vovó, até maria-viuvinha. E, por incrível que possa parecer, entre todos os nomes, do primeiro que é o abre-asa-da-capoeira ao último que é o zorro, não encon-

trei nenhum josé. Coisa rara em listas de nomes no Brasil! Entre os joãos o mais famoso é o joão-de-barro, e entre as marias a mais famosa é a maria-já-é-dia. A grande maioria dos nomes comuns das aves brasileiras é onomatopaico isto é, tal qual bem-te-vi, quando o nome traduz em palavras a vocalização da ave. Outros expressam os hábitos das aves, como é o caso do joão-de-barro, do joão-chique-chique ou o primeiro da lista que é um dos vários abre-asas. Outros nomes indicam o tipo da plumagem como é o caso do último da lista que é o zorro. São 118 nomes para as 29 espécies de saíras; 115 nomes comuns para as 45 espécies de pica-paus e, 122 nomes para as 79 espécies de beija-flores conhecidos no Brasil. Aliás as 1820 espécies de aves brasileiras recebem no total 6834 nomes, em média, mais de três nomes diferentes para cada ave. São dois estudos distintos: os nomes comuns com as razões de cada lugar e as aves. É muito agradável descobrir as origens dos nomes populares, mas para se entender quando

se fala de aves é mais produtivo o nome científico, são exatamente 1820 nomes para as nossas 1820 espécies. *• jesus-meu-deus, tico-tico, salta-caminho, titiquinha, ticão, gitica, mariquita-tio-tio, tiquinho, piqui-meu-deus - Zo-

notrichia capensis

*• joão-besta, socozinhosocó-estudante, soco-í e socó-mirim, socó-mijão e socó-tripa. - Butorides striata *• joão-bobo,capitão-de-bigode, chacuru, chicolerê, colhereiro, dormião, dorminhoco, fevereiro, jacuru, joão-tolo, jucuru, macuru, paulo-pires, pedreiro, rapazinho-dos-velhos, sucuru e tamatiá. - Nystalus

chacuru

*• joão-de-barro,barreiro, Maria barreira, forneiro, pedreiro, oleiro, e amassa-barro - Fur-

narius rufus

piolhinho - Phyllomyias fasciatus

*• maria-acorda, guaracava maria-é-dia, maria-já-é-dia, bobo, caracutada, cucuruta, cucurutado, guaracava-de-crista-branca, maria-acorda, maria-tola, marido-é-dia e joão bobo- Elaenia flavogas-

ter

*• maria-com-a-vovó, João-teneném-castanho - Synalla-

xis rutilans

*• maria-viuvinha, viuvinha, viúva, viuvinha-tesoura e freirinha-da-serra - Colonia co-

lonus

*• passarão, cabeça-seca, cabeça-de-pedra, jaburu-moleque, trepa-moleque e padre. - Mycteria americana *• zorro, bico-de-veludo -

Schistochlamys ruficapillus

saíra-militar, saíra-de-lenço, saíra-de-pescoço-vermelho, soldadinho e verdelim - Tanjoão-de-barro- Furnarius rufus

lavadeira mascarada - Fluvicola nengeta

gara cyanocephala *• piolhinho - Phyllomyias fasciatus


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LEMBRA, EMÍLIO?

Alunos do IF preparam Blog da Promata

Namoro na Mantiqueira (Arquivo JRS)

José Ronaldo dos Santos De vez em quando me ponho a pensar em situações que parecem estar tão longe... Resolvo escrevê-las e me dou conta que estou fazendo algo de encontro ao que disse o poeta Heine, um alemão que adorava salsichas: “É moeda antiga, refundida por ti e novamente lançada à circulação com outro cunho e outro brilho”. Por estes dias, saindo dos Correios, encontrei o Emílio Campi, um amigo de infância dos bons tempos da Praia do Perequê-mirim. O ramo dele é comunicação, com destaque para o jornal Maranduba News. Em meados da década de 1970 a Família Campi se mudou para Ubatuba, foram morar numa chácara que pertencia à família, ao tio Aldo, nas imediações da família Barreto. A mãe, a saudosa dona Helena, foi a primeira motorista que eu conheci. Fazia sucesso em sua Kombi. O cachorrão preto tinha o nome deTerremoto. Tilinha e Hermínia eram as irmãs do Emílio. Um dos irmãos Campi tinha uma propriedade no Sertão do Perequê, próximo do rio. Seus vizinhos eram o Bráz, o Dionísio e a dona Júlia. Como era lindo por ali! Quanto ingá-feijão eu não debulhei por ali!? Numa ocasião, precisando de alguém para roçar o mato pelas divisas, ele contratou o Dito Costa, um caipira que morava perto do

Dito Funhanhado. Explicou-lhe todo o trabalho ao mesmo tempo que conversava com a carinhosa esposa. Esta o tratava por “benzinho”. “Benzinho, explica para o seo Dito que não pode cortar as helicônias”. “Benzinho, chama o seo Dito para tomar um suco”. “Benzinho, vai até o açougue do seo Antônio Valério e pede para o Zé Canela tirar uma peça inteira de picanha para eu assar”. “Benzinho, dá uma passada na praia e vê se o Itagino pescou carapau”... Depois das instruções e de um lanche reforçado, o Dito Costa pegou as ferramentas e se embrenhou no mato. Um cachorro vira-lata era a sua companhia; de vez em quando abocanhava um preá e deixava aos pés do dono para ser depositado no embornal. Umas cobras padeceram na roçadeira. De repente bateu uma dúvida: será que o terreno continua depois do rio, morro acima? Preocupado em não fazer serviço mal feito, o jeito era voltar até a casa do patrão e perguntar a respeito disso. O nome do homem era diferente, mas... “gente rica escolhe o nome que quiser; tudo fica chique”. Conforme avistou o paulistano gostosamente desmontado na espreguiçadeira em cafunés com a amada, o Dito tascou: - Seu Benzinho, faz o favor de tirar uma dúvida: onde é mesmo a divisa da terra do senhor?

Alunos do 3º módulo do Curso Superior de Tecnologia em Processos Gerenciais do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de São Paulo (IFSP) do Campus de Caraguatatuba produziram um trabalho acadêmico a qual se resume na apresentação de um Blog para a associação de moradores e turismo de base Comunitária Promata-Sertão da Quina. Este trabalho foi elaborado após sugestões da professora doutoranda Marllette Cassia Oliveira Ferreira, que orientou o aluno Antônio de Oliveira (integrante da associação) em seu Trabalho de Conclusão de Curso, sobre a PROMATA. O Blog apresenta partes do trabalho e da missão do Promata a bem da comunidade e principalmente a observação de aves e turismo de base comunitária. Os alunos participantes do trabalho foram Alex Nagahashi, Raquel Ferreira, Ingrid Miranda, Caroline Moreira e Maribela Karnoski. Marlette Cassia diz que “é um orgulho ver o processo de ensino-aprendizagem sendo realizado pelos alunos do 2º ano do Curso de Processos Gerencias. Espero que outros alunos se interessem por empresas que atuam na região, para ajudar a desenvolver e a tornar as empresas mais competitivas no mercado global”. A Aluna Maribela karnoski explica que para isso “foi desenvolvido um e-flyer que poderá ser exibido nas redes sociais e em fóruns de sites e blogs especializados em ecoturismo e observação de pássaros. Além do

e-flyer, criamos um blog para a PROMATA, pensando numa ferramenta mais interativa em que fosse possível transmitir de uma maneira ampla informações sobre a associação e suas atrações. No blog, são disponibilizadas informações a respeito da história da PROMATA, sobre a ave símbolo, que é o Tangarazinho, informações para contato com a associação, e claro, a exposição de fotos da natureza local e dos pássaros da região, tiradas pelos integrantes da PROMATA. Ainda serão criadas novas páginas no blog, com mais informações a respeito da associação, da comunidade e com novas fotos”. Alex Nagahashi comenta que o trabalho acadêmico tinha que ser voltado para alguma empresa ou associação e, conhecendo a PROMATA por meio do trabalho do Antonio, resolvemos abraçar a ideia sugerida pela professora. Para Raquel, “Vimos na PROMATA, uma associação nova, ainda em fase de criação, que precisa ser conhecida. E para nós, nada melhor do que poder ajudar um negócio que beneficiará a nossa região do Litoral Norte, trabalhando com a natureza e trazendo melhorias para a população local”. Já aluna Ingrid diz que O trabalho consistiu no planejamento de uma campanha para a divulgação da associação, com o objetivo de incentivar as pessoas a conhecer mais a fauna e flora do litoral norte paulista, despertando o interesse delas em cursos sobre Educação Ambiental e de Observação de Pássaros, além

de promover as trilhas da região. Caroline explica que tiveram como ideia a criação de veículos de comunicação, que pudessem ajudar a PROMATA a tornar-se conhecida como um exemplo de associação onde o ecoturismo é praticado de forma sustentável, preservando a fauna e flora local, assim como a cultura caiçara. Assim, além da página na rede social que já possui e pela divulgação boca-a-boca, procuramos desenvolver outros meios pelos quais as pessoas poderão conhecê-la. Alex Agradece aos integrantes da associação, em especial ao Antonio, Ezequiel e Cláudia, que disponibilizaram os conteúdos que precisávamos para a elaboração do trabalho e esperamos que de alguma forma tenhamos contribuído para o desenvolvimento e sucesso da associação. No final dos comentários os alunos agradecem a professora doutoranda, Marlette Cássia, responsável pela indicação e idéia, além dos incentivos nos ajudou a realizar este trabalho. A Promata em sua reunião semanal elogiou o trabalho dos alunos, agradecendo pela escolha e colocando-se a disposição destes e de outros alunos interessados, já que caberá a esta nova geração a continuidade do trato e carinho com as atividades comunitárias, principalmente aquelas que preservam o meio ambiente, garante geração de emprego e renda e respeita as culturas e seus povos. http://promatablog.wix.com/ promata


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Cantinho da Poesia

Coluna da

Ao meu querido amigo Carlão Adelina Campi

Uma vida, duas vidas, um sorriso Foi durante a guerra civil na Espanha. Antoine de Saint-Exupéry, o autor de O pequeno príncipe, foi lutar ao lado dos espanhóis que preservavam a democracia. Certa feita, caiu nas mãos dos adversários. Foi preso e condenado à morte. Na noite que precedia a sua execução, conta ele que foi despido de todos os seus haveres e jogado em uma cela miserável. O guarda era muito jovem. Mas era um jovem que, por certo, já assassinara a muitos. Parecia não ter sentimentos. O semblante era frio. Vigilante, ali estava e tinha ordens para atirar para matar, em caso de fuga. Exupéry tentou uma conversa com o guarda, altas horas da madrugada. Afinal, eram suas últimas horas na face da Terra. De início, foi inútil. Contudo, quando o guarda se voltou para ele, ele sorriu. Era um sorriso que misturava pavor e ansiedade. Mas um sorriso. Sorriu e perguntou de forma tímida: Você é pai? A resposta foi dada com um movimento de cabeça, afirmativo. Eu também, falou o prisioneiro. Só que há uma enorme diferença entre nós dois. Amanhã, a esta hora eu terei sido assassinado. Você voltará para casa e irá abraçar seu filho. Meus filhos não têm culpa

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da minha imprevidência. E, no entanto, não mais os abraçarei no corpo físico. Quando o dia amanhecer, eu morrerei. Na hora em que você for abraçar o seu filho, fale-lhe de amor. Diga a ele: “Amo você. Você é a razão da minha vida.” Você é guarda. Você está ganhando dinheiro para manter a sua família, não é? O guarda continuava parado, imóvel. Parecia um cadáver que respirava. O prisioneiro concluiu: Então, leve a mensagem que eu não poderei dar ao meu filho.

As lágrimas jorraram dos olhos. Ele notou que o guarda também chorava. Parecia ter despertado do seu torpor. Não disse uma única palavra. Tomou da chave mestra e abriu o cadeado externo. Com uma outra chave abriu a lingueta. Fez correr o metal enferrujado, abriu a porta da cela, deu-lhe um sinal. O condenado à morte saiu apressado, depois correu, saindo da fortaleza. O jovem soldado lhe apontou a direção das montanhas para que ele fugisse, deu-lhe as costas e voltou para dentro. O carcereiro deu-lhe a vida e, com certeza, foi condenado por ter permitido que um prisioneiro fugisse. Antoine de Saint-Exupéry retornou à França e escreveu uma página inesquecível: Uma vida, duas vidas, um sorriso. *** Tantas vezes podemos sorrir e apresentamos a face fechada, indiferente. Entretanto, as vozes da Imortalidade cantam. Deus canta em todo o Universo a glória do amor. Sejamos nós aqueles que cantemos a doce melodia do amor, em todo lugar, nos corações. Hoje mais do que ontem, agora mais do que na véspera quebremos todos os impedimentos para amar.

Carlão, meu jovem e velho amigo: A vida nos prepara mil surpresas E a gente não sabe onde começa o perigo. Cabe-nos, dos problemas, separar da vida as belezas. Um segundo, um átomo, muda uma vida. É preciso se ter plena consciência dessa mudança, Talvez uma mudança não pretendida Mas que nos incute no íntimo uma esperança. Esperança de vida, de amor, de felicidade! Mais vale estar vivo com algum problema Do que com a grande viagem deixar uma saudade. Nesta tênue vida, este é o sistema. Procure viver intensamente cada minuto. Da somatória desses minutos é feita a existência. Alguém lá de cima lhe sinalizou que nada é absoluto E apenas a Ele cabe, no final, nossa clemência. Manoel Del Valle Neto

Causo: Óvnis e cobra torrada Pedro A. Tincani Algumas atividades desaparecem no tempo diluídas pela modernidade que se encarrega de criar outras tantas. Carvoeiro, garrafeiro, toneleiro, canteiro e motorneiro, só em fotos, então me pergunto: Contador de causo também se extinguiu? Lembro-me do seu Ivo, gaúcho de vasto bigode, chimarrão na mão (não largava nem para tomar banho). Era um amigo do meu finado pai (ambos mecânicos), meu pai liberal, Ivo radical. Para Ivo, motor que não fosse diesel eram motorzinho e bomba de chimarrão que não fosse de prata era canudinho. Numa ocasião uma febre de boatos sobre aparições de Objetos Voadores Não Identificados geravam comentários de todos os tipos, inclusive do gaúcho Ivo que nos afirmou: - Bah tchê, isso não é novidade! Não entendo porque tanto alvoroço do povo. No Paraná avistei um óvni pousado nas margens da rodovia. Fui levado para dentro da nave e o ser que pilotava se comunicou comigo explicando que a nave estava com um defeito. Fiz o reparo e em agradecimento ele me levou para um voo sobre Toledo, Cascavel, Marechal Rondon e toda aquela região. São amigos, tchê!

Notei que meu pai franzia e testa e fazia bico. Eu pensava em silencio que o óvni deveria ser algum modelo antigo equipado com motor diesel. Eu perguntei qual foi o termo de garantia dada, mas meu pai ralhou comigo enquanto Ivo pegava novamente a mareta para golpear um velho e sujo motor e cheio de vazamentos. Era um mecânico de força bruta. Alguns meses depois teve uma grande divulgação na mídia de todo Brasil o incidente em Varginha. Teria sido a mesma nave que apresentou problemas no Paraná? Teria o seu Ivo utilizadas peças não originais? O alienígena que dizem ter sido avistado por três jovens estaria procurando pelo mecânico? O serviço naquela ocasião teve garantia? Perguntas que talvez seu Ivo pudesse esclarecer. Recentemente descobri um contador de causos, simpático vendedor de uma grande e bonita de loja materiais de construção da Maranduba. Ele contou o causo da cobra que morreu torrada na rodovia, tal o calor do asfalto naquele dia de sol escaldante. - Estrebuchou, pulou, rastejou e morreu tostada no meio da pista. Eu juro! Triste final para o réptil vitimada na rodovia, não atropelada, mas torrada.



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