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Maranduba, 27 de Dezembro de 2011

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 2 - Edição 32

Feliz 2012


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Editorial: Anos luz de atraso no turismo Em 1986 surgiu a necessidade de revitalizar a Festa das Hortênsias, uma festa tradicional em Gramado (RS) que deu origem a Fearte e Festival do Cinema. Precisava existir algum atrativo além das flores e de escolha e coroação de rainha. Dezembro era uma temporada de pouca visitação turística em Gramado que precisava encontrar uma forma de fazer com que as pessoas fossem para lá não só no inverno. Por que não utilizar o NATAL? Seria difícil, já que a comunidade é de tradição ítalo-germânica, com o costume de passar o Natal com a família e na igreja. O então Prefeito Pedro Bertolucci e o seu Secretário de Turismo, Luciano Peccin estudaram diversas formas de aprimorar o turismo em Gramado nesta época do ano. E então surge a pergunta: enfeitamos o pinheirinho de natal todos os anos. Então, porque não enfeitar a cidade? Luciano Peccin havia voltado da Disney e lá viu as luzinhas que circundavam as cumeeiras das casas. Então pensou em fazer isso em Gramado, criando um embelezamento para a cidade no Natal e as-

sim, atraindo turistas. Só com as luzes não teria a conotação de evento, então também surgiu a idéia de sonorizar a avenida e fazer algum espetáculo. Começaram a desenhar o Natal Luz de Gramado com músicas na cidade através de alto- falantes vendidos para as lojas, lâmpadas decorando as fachadas da Av. Borges de Medeiros, postes enfeitados como pirulitos e pinheirinhos naturais dispostos na avenida com topinhos vermelhos. O Maestro Eleazar de Carvalho, titular da OSPA, surgiu como uma pessoa iluminada e montou um grande concerto. Um espetáculo digno do Natal Luz, com um grande coral, poesias e fogos de artifícios. Ali foi dando o primeiro passo da reversão do quadro de ocupação e visitação a Gramado no mês de dezembro. Eis um exemplo de como a

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Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos e Fernando A. Trocole Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

boa vontade, o planejamento e a união de esforços podem render progressos para cidades que se consideram destinos turísticos. Me entrisce muito ver como Ubatuba vem se desvalorizando como cidade turística. Praias maravilhosas, sozinhas, não são equipamentos turisticos. Shows também não. Com mais de 8 mil quilômetros de praias, o Brasil possui muitas outras localidades que souberam explorar suas belezas e explorar o turismo de uma forma economicamente viável, e algumas durante o ano todo.

Enquanto isso vamos nos envergonhando cada vez mais com o ... (me falta adjetivo) ... enfeite natalino pendurado nos postes pintados de azuis pela cidade. Por falar em azul, a fachada da Santa Casa ficou medonha. Emilio Campi - Editor

Cartas a Redação Vergonha Na minha opiniao a praia esta parecendo um super mercado de quinta categoria. Por favor arrume um lugar para os barcos de peixe, barracas de roupas, barraca de milho. etc. Ninguem merece. Estava eu tomando sol em frente a uma barraca, e o mar esta bravo, quase pegando toda a areia, e sobrou um pedaçinho para que eu tomasse meu sol, mas do lado direito um barco cheio de peixe, o qual vendi, limpava e jogava a barrigada na praia... que nojo. Do meu lado esquerdo um a barraca de milho, salada de fruta aquele fogo ligado, e mais a frente duas barracas de roupas, as quais sao roupas todas iguais. Meu Deus quanta ignorancia... Fiquei envergonhada perante o casal de amigos que levei para conhecer Ubatuba. Fiquei sem graça. Será que as autoridades nao conseguem ver isto? Acontecendo no nariz de todo mundo... Coloca esses caras em um espaço só. Desculpe o desabafo, eu precisava falar. Dolores Pink via e-mail História Há quem diga que história não serve para nada. Quem não conhece história, não sabe de nada” Nós fazemos

parte da história desse povo da bela Maranduba. Sem o ser humano não existe hitória. Encontrei a foto da minha avó (1978) no jornal nº 23 na página 15. Trata-se da dona Benedita com seu marido o André Pereira dos Santos que faleceu com mais de 100 anos. Deixou-me alegre e comovido ao ver esta reportagem. Vicente Januário Amorim São José dos Campos SP Estamos perdendo a ultima praia de Caragua O boato é de que vão contruir um condominio de alto luxo na praia da Mocóca. Estão cercando a praia sem respeitar padrões do urbanismo, estreitando as ruas e invadindo limites da servidão pública, ateando fogo numa área que dizem ser de preservação ambiental. O prefeito na época deixou dividir a praia no meio com um condominio de alto luxo que já existe e ninguem fez nada. Será que Antonio Carlos vai deixar perder o resto da praia que sobrou. Aonde estão as autoridades? Luiza Magalhães via e-mail JORNAL

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Município reconhece a pratica da atividade de Observador de Aves EZEQUIEL DOS SANTOS Aprovado por unanimidade na Câmara Municipal de Ubatuba, o projeto de Lei nº 87/11, declara como de Relevante Interesse Social, Econômico, Histórico, Educacional e Ambiental a Prática da Atividade de Observador de Aves e outras atividades a esta prática relacionadas no Município de Ubatuba. O projeto foi apresentado pelo vereador Rogério Frediani e sancionado pelo prefeito virando a Lei 3444 de 14 de dezembro de 2011. Na sessão de Câmara estiveram os alunos da região sul de Ubatuba, organizações em defesa do etnoconhecimento caiçara e do meio ambiente. Para seus defensores a Lei foi um presente de natal antecipado ao município. Para os efeitos desta Lei, considera-se Observador de Aves o indivíduo devidamente capacitado que participa de todo e qualquer o processo científico, turístico, tradicional, histórico, educacional e ambiental à difusão, observação, fotocatalogação, listagem de espécies, mostragem que visem à divulgação e proteção da avifauna no território municipal. No uso da tribuna Carlos Rizzo falou da importância da pratica da atividade e que é parte de um processo que vem levando uma década, desde o lançamento da idéia, dos primeiros livros, das reportagens internacionais e programas de TV, e agora a Lei de reconhecimento. Vários municípios, principalmente o do Cone Leste Paulista, solicitaram cópia para o reconhecimento em suas cidades. Algumas cidades do litoral norte também solicitaram. Na justificativa, o autor do projeto diz que o projeto visa tão somente reconhecer uma atividade crescente no

Saci-Tapera naevia conhecido pela comunidade da região como ”Sem Fim” Foto: Fábio de Souza mundo e que, diferente das outras atividades, consegue colocar numa mesma mesa povos e profissionais interessados em difundir o conhecimento, proteger as espécies e seus habitats, além de desenvolver uma atividade que gera emprego e renda. “Esta atividade é umas únicas ou a única que de fato respeita o etnoconhecimento e que dela busca as parcerias necessárias para transformar o morador tradicional e um profissional realmente qualificado e interessado em trabalhar e manter seu ambiente intacto, pois seu conhecimento adquirido é de grande valia na pratica de observador de

aves”, comenta Frediani. Esta atividade também está relacionada ao ganho social, histórico e ambiental que utilizada para fins turísticos e atraem dividendos a municipalidade. Frediani frisa ainda que didaticamente trata-se de um processo limpo, claro e objetivo de sustentabilidade, proteção e respeito, tanto a natureza quanto ao povo interessado. Trata-se de uma atividade de futuro real e necessário, já que a restrição ambiental não trouxe nenhuma alternativa de ganho e difusão do conhecimento centenário de nossos moradores. Fora de Ubatuba esta atividade é reconhecida como uma

atividade de excelência. Ela já trouxe mídias positivas e foi tema de grandes reportagens sobre as atividades em que a maquina não poderá exercê-la e que é considerada com uma das dez melhores profissões do mundo. A atividade colocou Ubatuba nos melhores livros da ornitologia mundial, na mídia on-line, em sítios da internet especializados, em debates e fóruns nacionais e internacionais. O município é considerado pioneiro nesta atividade e agora tem a primeira Lei no mundo que reconhece esta pratica. Ela é a única a reconhecer e trabalhar os povos atingidos por Unidades de Conservação, pela

restrição ambiental, pela falta de perspectiva e pela falta de formação técnica profissional urbana. É uma atividade promissora ao Meio Ambiente, ao homem e ao futuro de nosso país. Por conta dos excessos das restrições ambientais aos moradores tradicionais muitos deles não se sentiram a vontade em participar do curso, com o evento de encerramento no Sertão da Quina eles já buscaram informações sobre quando o curso se reiniciará. Outro passo importante é de que a partir desta Lei é recomendável que um empreendimento turístico sério busque profissionais devidamente qualificados e certificados para esta prática.


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Frediani vota contra projeto do prefeito que aumenta o IPTU

Ilustre morador comemora 77 anos

Na sessão do último dia 20 de dezembro, o prefeito encaminhou a Câmara Municipal projeto na tentativa de aumentar o IPTU de Ubatuba. Em larga discussão houve a supressão do primeiro artigo para evitar maiores danos ao contribuinte. Para Rogério Frediani é mais uma prova de que o chefe do executivo municipal é o prefeito das taxas. “Foi criado a taxa de iluminação pública, a dos bombeiros e esta, que é mais uma tentativa de lesar o munícipe”, comenta Frediani, que foi contra a tentativa de aumento do IPTU. Frediani comenta que o contribuinte não agüenta mais pagar sem ver o retorno dos serviços, “a cidade perdeu muito com este marasmo, a próxima administração terá de reconstruir a cidade, por onde a gente passa percebe-se a falta de competência da administração, existem reclamações em todos os setores, reclamação de coisas pequenas que já deveriam estar pronto ao atendimento da população, o prefeito sequer

WAGNER JOSÉ Foi com muita alegria que a comunidade da região sul comemorou mais uma primavera para o Sr. Antonio Fernandes morador da Pedra Preta no bairro do Sertão da Quina. As festividades aconteceram no último dia 26/11, acompanhado da esposa Dª. Clarice, seus filhos, netos, amigos onde comemorou 77 anos de vida. O dia realmente foi de festa, todas as atenções foram ao aniversariante e sua esposa. Um delicioso churrasco acompanhou o almoço e após o tradicional parabéns para você, foi servido um delicioso bolo com recheio de coco (prestígio) foi servido. Quebrando o protocolo foi utilizada folhas de bananeiras, que existem em abundancia no local, no lugar do guardanapo. Antonio Fernandes da Silva é um daqueles ilustres moradores que guardam um vasto conhecimento sobre tudo que olhamos, tocamos e sentimos. É considerado um dos últimos desbravadores desta região e suas lembranças impressionam

presta contas do dinheiro investido pelos governos estadual e federal”, fala o vereador reafirmando de que Ubatuba está maquiada precisando de tratamento digno e descente. Outro fator que vem desapontando a população e causando prejuízos a comunidade é a evasão de recursos através do transbordo do lixo, terceirizações, zona azul. “Pra que aumentar o IPTU se nem ao menos o dinheiro será aplicado em benfeitorias no município, cadê o dinheiro das taxas, do lixo, das terceirizações, da zona azul, da iluminação pública, alguém viu alguma melhora depois destas cobranças?”, desabafa Frediani. A atual administração, que não pensou na comunidade, criou mais um dispositivo, que poderia interferir diretamente na geração de emprego e renda e na evasão de recursos pra fora do município, além de deixar os munícipes com mais uma conta para pagar e cada vez mais sem recursos. O aumento do IPTU seria mais um

dinheiro que vai embora da cidade e não possibilita este desenvolvimento econômico, financeiro e da dignidade humana. “Fiz a minha parte e votei contra mais este abuso, eu sou a favor de que Ubatuba volte a sorrir, a resgatar sua auto-estima e a caminhar na direção que todos queremos, sem jogar dinheiro fora e respeitando a população”, reitera Rogério Frediani.

Bullying é tema de atividade no colégio “Áurea” EZEQUIEL DOS SANTOS Com o tema “Bullying: quando a brincadeira perde a graça”, o colégio Áurea do Sertão da Quina apresenta os resultados do projeto à comunidade. Foram intensas as atividades sobre o tema e o resultado foi além do esperado, tanto que os melhores trabalhos ficaram expostos no colégio Capitão Deolindo, no último dia 7, no centro da cidade. Segundo os organizadores o tema do projeto foi proposto pela Diretoria de Ensino de Caraguatatuba a todas as escolas estaduais do litoral norte, onde cada colégio aplicou metas de acordo com as realidades de cada região.

No Áurea foram doze meses de trabalho desenvolvidos por professores e alunos, já as apresentações se concentraram no mês de novembro. Em nota o colégio informa que por se tratar de um tema transversal, interdisciplinar e muito discutido na sociedade, o colégio aplicou várias ferramentas como filmes, livros, palestra, discussão e reflexão sobre o tema. Foram ainda trabalhados as diversas formas de linguagem criadas pelos alunos ao combate ao bullying, não só dentro da escola, mas em toda a comunidade. Os trabalhos foram classi-

ficados em doze categorias: carta ao leitor, cartaz, narrativa de aventura, ilustração, conto, anúncio publicitário, artigo de opinião (I e II), folder, tira, história em quadrinho e charge. Como cada aluno só poderia participar de um trabalho, foram vários os trabalhos que surpreenderam os organizadores. Haverá no 1º bimestre de 2012 a premiação dos trabalhos. Aos interessados, os trabalhos encontram-se a disposição a quem pretende conhecer e aprender um pouco mais sobre este tema, que no colégio Áurea está deixando de ser tabu.

pela lucidez de detalhes sobre mata, agricultura e povo tradicional. Homem de bem, sempre tem um sorriso a oferecer e que por conta desta alegria gratuita e autentica tem muitos fãs. Seu Antonio foi protagonista de documentário sobre a vida caiçara e passou vários ensinamentos originais deste povo que foi da formação do Brasil. E assim com enorme carinho pedimos sua proteção divina, recuperação da sua saúde, paz e bem e tenha muitos anos de vida e muitas histórias para continuar a nos contar. Parabéns Seu Antonio!

Inaugurado novo mercado na região No ultimo dia 3 de dezembro foi inaugurado o Mercado Vila Flor instalado a Rua Padre João Bayle, 1592, no bairro do Sertão da Quina. Na inauguração houve pipoca, algodão doce e preços promocionais de inauguração. O mercado funciona das sete até as vinte horas e domingo até as 14 horas com serviço de entrega em domicilio. Moradores descreveram a satisfação de encontrar no mercado rostos conhecidos da comunidade, o que transformou em um ambiente mais do que agradável, um ambiente familiar. O mercado ainda mostra em

seu interior fotos em tamanho grande de pontos turísticos de Ubatuba. Vale a pena conferir.


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Caiçara guarda relíquias do maior levante do mundo em 1952 EZEQUIEL DOS SANTOS O caiçara Tião Plácido, 76 anos, guardou por muito tempo uma relíquia da história de Ubatuba. Trata-se de um jornal que cobriu todos os acontecimentos da rebelião que aconteceu na Ilha Anchieta em 1952. O jornal fornece detalhes sobre o acontecido e mostra, em fotos preto e branco, a chacina que lá aconteceu. Nas capas os títulos sugestivos “Chacina na Ilha Anchieta e Caçada Humana no Litoral Norte”, já os subtítulos mostram com maiores detalhes a trajetória de uma tragédia anunciada. Os temas escolhidos trazem à tona a maior cobertura que um jornal havia realizado na época. Corajosos foram os repórteres do Jornal “A Hora” que enfrentaram junto com a Força Pública Paulista, ouvindo os refugiados e os que permaneceram neutros, este trágico momento da história mundial. Na realidade trata-se do primeiro caderno da edição 1951, Ano VII, segunda-feira de 23 de junho de 1952, cujo diretor foi Denner Medici, o gerente Lido Piccinini e os repórteres Nelson Gatto, Wilson Machado, Waldir Braga, Amorim Pargas e Rui Costa. Se fosse colorido mostraria com maior fervor o sangue que lá foi derramado. Segundo o Juiz Corregedor da época Antonio de Meira Neto, o levante começou, por causa dos maus

tratos e por falta de comida. Ao que se sabe noventa presos não aderiram a rebelião, do restante um caos total, que movimentou todo o município de Ubatuba, Parati, Angra dos Reis, Taubaté, Caraguatatuba entre outros. Os noticiários internacionais trataram o acontecido como “O maior levante do mundo”. Todos os anos na Ilha Anchieta é realizado um evento com missa campal em homenagem e lembranças dos que morreram em combate. Para abrilhantar o evento os filhos da Ilha se fazem presentes para recordar tão importante evento que aconteceu nesta Terra Tupinambá. Neste evento os visitantes podem encontrar algum sobrevivente por lá como é o caso do Tenente Samuel Messias de Oliveira, que vivenciou o fato e escreveu um livro sobre o tema intitulado Ilha Anchieta, Rebelião, Fatos e Lendas. O livro conta detalhes o que de fato aconteceu naquela década. O livro teve seu lançamento na ilha em uma manhã ensolarada de 1999. Naquele ano foi realizado um casamento e também a criação da Comissão Pró Resgate Histórico da Ilha Anchieta. Toda uma geração de pescadores e moradores de Ubatuba tem um pequeno trecho para contar da Ilha Anchieta que nestes tempos mo-

dernos virou cultura de paisagem, de fotografia por conta da unidade de conservação que lá existe e que para atender uma demanda de outros interesses ceifou os interesses de quem criou a história e a fez viva, o poço caiçara. Pessoas como seu Tião Plácido que sabe da importância da Ilha e que mantém do

seu jeito, da sua forma, como pode, o cerne da história deste episódio tão importante de nossa rica história que deve ser melhor explorada. Ilha Anchieta Ainda como Vila de Iperoig, a atual Ubatuba se funde com a historia da formação do país. Aqui aconteceram eventos memoráveis como o Primeiro

Maranduba inaugura atrativo radical no Morro do Cucuruco De frente a toda a baía da Praia da Maranduba, com uma visão privilegiada, no antigo Morro da Maranduba, foi inaugurado no último dia 17 de dezembro o Pico do Morro do Cucuruco, de onde hoje se pode curtir tanto seu mirante quanto os saltos de vôo livre. O local no passado foi roça de café, abrigou e susten-

tou moradores antigos. O evento de inauguração e confraternização aconteceu no restaurante Recanto da Maranduba, onde rolou música ao vivo de qualidade. Os organizadores convidam os amantes de esportes radicais em descobrir até onde aventura pode te levar. No dia da inauguração estiveram pre-

sentes voadores da cidade de Niterói-RJ e do interior de São Paulo. O local oferece, além de uma visão fora do comum, vôos de parapentes decolando da rampa e vôos sobre a orla da praia. A equipe convida a todos para tirar o pé do chão e experimentar algo novo, a verdadeira sensação de liberdade e

o real contato com a natureza. Surpreenda-se com o visual e venha sentir esta emoção, para entender melhor esta sensação visite o site www.picovoolivre. com.br ou contate a equipe vôo livre pelos telefones: (12) 97550347/8201-3820/9234-0341, ou pelo e-mail: picovoolivre@hotmail.com. Vale a pena conferir.

Tratado de Paz das Américas como a Paz de Iperoig, a primeira confederação de chefes tribais deste continente, a maior arrecadação do período do café, um dos portos mais movimentados, onde ficou o primeiro turista - Hans Staden, onde se mantém até hoje o rico brasão do começo do Brasil.


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Festa na entrega de certificados oficiais da atividade de Observador de Aves EZEQUIEL DOS SANTOS No domingo dia 17, no sitio do Ingá, bairro de mesmo nome, aconteceu a última aula de observação de aves e de fotografia dos alunos da região sul de Ubatuba. A data marcou o encerramento das atividades de ensino e o inicio das ações profissionais do grupo. O curso aconteceu de março a dezembro deste ano e formou 21 moradores e contou com várias parcerias. O projeto é parte das atividades do Programa Escola da Família, do Colégio Áurea Moreira Rachou, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Ubatuba e do Grupo Ubatubabirds, contou também com o apoio da Dravos, da Dacnes e Blofor. Cerca de 70 pessoas participaram do evento que é parte dos trabalhos de Turismo de Base Comunitária onde foi preparado um cardápio gastronômico tradicional caiçara. Pela manhã café de cana, polenta, farofa de torresmo, bolo, virado de banana, farofa

de ovo, farinha de milho, de almoço feijão gordo, galinha caipira com mandioca, caldo de cana gelado, abóbora com carne seca, arroz, salada, frutas, doces e muito mais. Os produtos foram adquiridos de produtores e criadores locais. Tudo regado a música sertaneja de raiz e muita descontração. Após o café as atividades de campo, modos de observação e fotografias e visita a uma “roça de toco” onde é praticado o pousio. Esteve no evento a Mestra de Hotelaria, Turismo e Meio Ambiente Cândida Batista, instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, também o Ubatubano Ilustre Antonio Pereira. Os proprietários do sitio Manoel, Nicodemos e Dito Pedro receberam agradecimentos especiais por disponibilizarem o espaço a este rico evento. Na entrega dos certificados Carlos Rizzo destacou a importância do evento e da participação da comunidade, falou também da satisfação de cer-

tificar a primeira guia mulher de Ubatuba, Cláudia Félix. Em troca recebeu um certificado de gratidão pelo empenho e dedicação ao grupo. O grupo receberá também

certificados pelo curso de fotografia realizado pelos fotógrafos Paulo Sézio e Frederico Candeias da Dravos. Durante a semana o grupo se reuniu para discutir os roteiros e a

Na manhã do último dia 20 de novembro, o Esporte Clube Araribá conquistou o campeonato da segunda divisão do municipal, levando para a arena municipal um clássico contra o Silop E. C., jogo este transmitido pela rádio local e acompanhada com fervor pelos amigos, atletas e apoiadores do futebol. Com o empate no tempo normal, 2X2, o jogo foi para os pênaltis, que em 5X4 o Araribá vence o segundo turno. O resultado foi comemorado com muita emoção e mostrou o trabalho sério, as angústias vividas, a esperança alcançada, mostraram que cada passo no

gramado, cada suor derramado e cada lágrima sentida no decorrer do caminho só fortaleceu o grupo à verdadeira conquista. A vitória rendeu ao clube uma homenagem na Câmara Municipal no dia 13 de dezembro pelo brilhante trabalho e pelo empenho dispensado na conquista. O EC Araribá vem desde 1985 plantando suas sementes com duro trabalho, sempre agregando valor a velha e a nova guarda para formação do caráter, do espírito de grupo, da cidadania e da multiplicação dos valores fraternais e morais de cada

um, aonde serve de exemplo a muitos que não acreditaram no caminhar deste grupo, que agora mostra seu resultado, que mesmo sem campo, mas com muita determinação e garra faz destes homens, pessoas privilegiadas e vencedoras. Segundo os expectadores do jogo, havia tempos em que não se via um clássico desta natureza, um verdadeiro jogo de futebol. Nesta campanha o Araribá conquistou o título da segunda divisão 2011 do municipal, prêmios pelos melhores jogadores, goleiro menos vazado, 1º e 2º melhores

zagueiros, melhor técnico, melhor meia de campo, melhor 2º atacante, receberam também as bolas de ouro e prata, refletindo a satisfação e honra do dever cumprido por todos nesta árdua caminhada. Vários jogadores deram entrevistas às rádios, houve uma confraternização entre diretores, atletas, familiares, amigos e colaboradores do clube. Na homenagem o diretor Valter Pereira da Rocha representou o clube, mostrando toda satisfação de um trabalho bem feito e de um grupo unido e forte. Agora é só esperar o campeonato 2012.

mostra do pré-projeto do livro de aves da região sul de Ubatuba. Após as festividades o grupo se reunirá para dar andamento a seus projetos de Turismo de Base Comunitária.

EC Araribá vence segundo turno e é homenageado pela conquista


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Bióloga tem estudo sobre pescadores da Maranduba exposta na capital EZEQUIEL DOS SANTOS Nos últimos dias 4 a cinco de novembro a bióloga Juliana Ramos de Oliveira teve o seu trabalho de conclusão de curso, da faculdade Módulo, enviado ao XV ENIC- Encontro de iniciação científica, que foi na Unicsul – Universidade Cruzeiro do Sul na capital paulista. Intitulado “Análise e Caracterização da Pesca Artesanal Na Praia da Maranduba”, o estudo possui 32 folhas de dados sobre a situação da pesca e dos pescadores de nossa baía. Nos agradecimentos a pesquisadora destaca todos os pescadores por compartilharem seu conhecimento a realização deste trabalho. A pesquisa foi realizada entre setembro de 2010 a março deste ano e foram realizadas entrevistas apenas com os pescadores artesanais da comunidade pesqueira da Maranduba. Foram entrevistados 10 pescadores com idades entre 34 e 72 anos, sendo que todos os entrevistados são nativos de Ubatuba. O estudo traz dados detalhados sobre a pesca artesanal, histórico do litoral norte do estado de São Paulo, caracterização das ativi-

dades pesqueiras de Ubatuba e proximidades, problemas da atividade pesqueira na região de Ubatuba, o estudo a ser aplicado, as metodologias, áreas de estudo, os equipamentos de produção pesqueira: arpão, linhada, rede de cerco flutuante, rede de espera de fundo, rede de arrasto, embarcações e espécies capturadas na região. Juliana confessa que no inicio teve dificuldades para entrevistar os pescadores, porque pesquisadores anteriores tiveram outras intenções. Na conclusão da bióloga a pesca artesanal ainda continua sendo uma importante atividade econômica na região l, porém, outras atividades complementares de renda têm aumentado principalmente relacionadas com o turismo, e com o tempo isso poderá interferir nas práticas de pesca artesanal. Para ela os pescadores entrevistados demonstraram um vasto conhecimento sobre os peixes capturados, em relação a vários aspectos como: época de reprodução, comportamento, características morfológicas, alimentação, entre outros. Esse conhecimento é adquirido através dos

pais e de atividades relacionadas à pesca artesanal. O estudo aponta ainda que até os dias atuais a pesca é realizada em família, portanto o conhecimento é passado de geração em geração, o que caracterizam a forma como pescam. Os resultados obtidos nessa

pesquisa evidenciam o conhecimento dos pescadores em relação aos recursos pesqueiros que utilizam. Contudo, reitera a pesquisadora que é necessário mais estudos na região, e mostrar para os pescadores, cada vez mais a importância desses estudos. Alguns pescadores la-

mentaram não poder colaborar mais em virtude de pesquisadores anteriores te-los prejudicados em suas atividades, o que é compreensível já que estas interferências os aborrecem e culminam no prejuízo social, econômico, histórico e cultural de seu modo devida.

Região chora perda de moradores ilustres Faleceu no último dia 19, segunda feira, os caiçaras Antonio Manoel do Prado (Jijo), 56, e Maria Apparecida do Prado (Cida Balio), 77, dois ilustres moradores do Sertão da Quina. Cida nos deixou às oito horas da manhã em decorrência de câncer no pâncreas e Jijo, por volta da hora do almoço, de falência múltiplas dos órgãos, também em decorrência de um câncer. Os dois moradores têm muita história para contar e suas habilidades, conheci-

mento e contribuição a comunidade são dignas de um livro. Ela ligada a educação, ao resgate da dignidade, das tradições, da cultura e da musica. Ele era mateiro de carteirinha, exímio conhecedor da avifauna e flora da Mata Atlântica onde nos causos, através da tradição oral, relatava sua experiência na floresta, os usos e costumes dos povos antigos. É uma perda considerá-

vel tendo em vista o quanto são queridos e ajudaram na formação da sociedade da região sul de Ubatuba. Ela filha da saudosa Maria Balio, personalidade feminina mais importante de Ubatuba, e ele, filho de João Rosa, peça chave na montagem da verdadeira história do aparecimento da Santa no Emaús, onde foi testemunha ocular. A comunidade se manifesta em solidariedade as famílias e em respeito aos ilustres que se foram.

Jijo (a esquerda) e Cida Balio (acima) deixam saudades.


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Conheça as principais atrações da Região Sul de Ubatuba Praia da Figueira

Esta praia quase selvagem está localizada em frente da Ilha do Tamandua e é muito apreciada para náutica e mergulho. Acesso por trilha pelo morro da

Praia da Lagoa

Fotos: Emilio Campi

Caçandoca, Caçandoquinha, Saco das Bananas ou de carro pelo lado sul, via praia da Tabatinga. Por este acesso é possível conhecer as praias da Ponta Aguda e da Lagoa.

Praia da Ponta Aguda Um local maravilhoso para se conhecer em Ubatuba. Localizada no extremo sul do município, seu acesso por terra é difícil, porém gratificante. Pode-se chegar a esse paraíso pela tri-

lha que sai da Caçandoca, Caçandoquinha, Saco das Bananas ou pela Tabatinga. No local, ruínas de um antigo esconderijo dos traficantes de escravos ainda resistem ao tempo, porém

Praia da Caçandoca Apesar das dificuldades de acesso, esta magnífica praia possui uma linda vista de Ilhabela. Acesso por trilha

pelo morro da Caçandoca, Caçandoquinha, Saco das Bananas ou de carro pelo lado sul, pela Tabatinga.

Praia Brava do Frade

Aqui a Mata Atlântica chega até a sua orla estreita e desabitada, proporcionando um visual magnífico. Próxi-

mo a um point secreto dos surfistas locais mais conhecido como “Praia do Simão”, com ondas perfeitas.

Quem procura uma praia retirada, tranqüila e com uma deslumbrante vista para a Baía do Mar Virado, deve conhecer a praia da Caçandoca. Situada no extremo sul de Ubatuba, essa praia faz parte de uma antiga fazenda onde os principais recursos eram a pecuária e a lavoura. Atualmente foi transformada em área de quilombo e é preservada pelos descendentes de escravos que habitavam a região há vários séculos. Vizinha a ela, fica a praia da Caçandoquinha, uma prainha menor e muito procurada pelos adeptos do mergulho e pescadores. Vale a pena conhecer o local.

essas ruínas ficam dentro de uma propriedade particular, devendo-se obter permissão do proprietário para visitá-las. Em seu canto esquerdo, uma lagoa de águas calmas é a razão do seu nome.


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Praia da Maranduba: uma bela opção que atende a todos Banhada pela baia do Mar Virado, a praia da Maranduba possui a melhor infra-estrutura entre todas as praias de Ubatuba A Maranduba está localizada entre Ubatuba e Caraguatatuba. Possui vida própria com centro comercial, quiosques, hotéis, pousadas, restaurantes, lojas, postos de gasolina, bancas de jornais, posto policial e sub-prefeitura. Sua orla disputa com a Praia Grande como point mais badalado da região. Tem vida noturna agitada, barzinhos e quiosques com música ao vivo. Com sua vizinha, a praia da Lagoinha, forma uma das mais extensas orlas de Ubatuba. Privilegiada pela sua localização, a praia da Maranduba oferece a seus visitantes várias opções de lazer como passeios de escuna, kaiaques, banana boat, e diversas trilhas. Ponto de partida para várias cachoeiras no Sertão da Quina como a do Corrêa e Água Branca.

Águas límpidas e natureza exuberante são algumas das vantagens que a região sul oferece. Ilhas próximas a praia como a do Pontal (acima) e refrescantes cachoeiras com as do Sertão da Quina (à direira) completam o cenário deste paraíso.

Fotos: Emilio Campi


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Grupo Saíras do Bonete é homenageado na Câmara Municipal EZEQUIEL DOS SANTOS Na sessão do último dia 13, o Grupo de mulheres Saíras do Bonete foi homenageado na Câmara Municipal pela conquista do livro que representa a trajetória das mulheres daquela comunidade, e que, também representa a história de lutas e conquistas das mulheres caiçaras de todo o litoral norte paulista. O livro se deu por conta da valorização de sua própria história e as metodologias que regem suas técnicas de vivencia e manutenção da cultura original dos povos que formaram esta nação, lá com o auxilio de facilitadoras resolveram reunir-se e trabalhar um leque de temas e objetivos que visem a satisfação interior, interpessoal, profissional e íntima nas realizações de sociabilidade e formação dos personagens

reais daquele território nacional. Com objetivos claros e transparentes conquistaram a aprovação de um livro através ProaC-Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo, livro este que contará a história de vida e cotidiano de cada membro do grupo, de cada Saíra, que em conjunto voam as mesmas nuvens, buscam os mesmos céu, trabalham as mesmas ações e traçam os mesmos objetivos. O grupo surpreendeu a todos com seu empreendedorismo e disposição para levar adiante seus objetivos e mostrar que existem e são valorosas. O livro conta de fato “em verso e prosa” o trabalho de 12 mulheres o resultado da manutenção dos laços genealógicos, históricos, familiares, e fraternais de suas experiências nas comunidades, transformando suas ap-

tidões e vivencias em letras e sentimentos onde todos poderão apreciar e entender como

uma comunidade distante pôde aproveitar o melhor da vida e da experiência vivida num belo

Região sul de Ubatuba em revista especializada Com temas ligados ao meio ambiente, belezas naturais e conhecimentos nativos a conceituada Ubatuba e Paraty em Revista, publicou matérias de interesse turístico e ambiental nas edições de aniversario da revista, edição 21, e do município, edição 22 . A maior cachoeira de Ubatuba ganhou destaque na matéria de Ana Pavão nas paginas 12, 14 e 15. A Água Branca, cujo nome original é Santa Maria da Água Branca é descrita pela autora como seu tamanho, 300 metros de queda d’água, sendo incrível e que este tamanho proporciona uma visão de tirar o fôlego, em meio a fascinante Mata Atlântica. Os amantes da natureza local, moradores tradicionais se sentiram orgulhosos com a matéria e que

sua preservação é parte dos trabalhos de pelo menos duas gerações iniciados na década de 1960, aonde vários especuladores tentaram tomar as terras em seu entorno. Outra matéria de suma importância foi a da publicação da Birdwatching, escrita por Carlos Rizzo, intitulado “Mais e mais lugares em Ubatuba”, onde relata os trabalhos iniciados no Sertão da Quina citando os moradores para a qualificação de Observadores de Aves. Com duas paginas fala do entusiasmo daquela população aos olhares para as aves. Descreve que na semana da matéria foi fotografado um espécime raro, das famílias dos pombos a Pararu-azul (Blue Ground-Dove) fotografado pelo observador de aves Ro-

beto de Oliveira. A Pararu possui apenas sete registros fotográficos no estado de São Paulo, sendo, portanto um registro difícil de fotografar. O texto termina ainda convidando a todos para fotografar raridades, bastando falar com o pessoal da aregião sul.

modelo de dedicação feminina em ser avó, mãe, esposa, filha, administradora e mestra.


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Minha primeira Mestra CRISTINA DE OLIVEIRA Entre tantas coisas que me fazem sentir saudades, as recordações maternas de minha infância são as que mais me emocionam. A primeira lição de casa não era aquela que passávamos o lápis nas folhas de pão (bengala), era a do aprendizado da obediência e do respeito aos mais velhos, das bênçãos recebidas e solicitadas a nossos pais, padrinhos, tios, dos exemplos puros e verdadeiros de pessoas de bem. Para sermos alguém temos que respeitar para sermos respeitados. Quando criança acompanhava minha mãe ir lavar roupa no ribeirão, cantando e sorrindo nos ensinava a deixar a roupa “arvinha” (branca). Era assim, ela esfregava a roupa com sabão ou pedrinhas de anil, batiam-nas nas pedras e depois colocavam para coroar no sol. Na vida, tínhamos que limpar as coisas ruins, lavar a sujeira com sabão e muitas vezes bater na pedra para ficarmos ao sol. Sem luxo e sem frescura, meu quintal era ladeado de fruteiras e flores a perder de vista, que, bem cuidada por mamãe, emoldurava minha casa de cores e sabores, às vezes parecia que ela conversava com as plantas. Tudo que cuidamos com muito carinho retorna saboroso e florido, era o que nós percebíamos. Como respeito e aprendizado, hoje, ainda peço a benção a meu pai e de minha mãe, já falecida, como forma de preservar sua memória. Nossa sala de aula era a sala de casa, precisamente no centro. Era na sala que ficava o Oratório, ao lado o quadro do Sagrado Coração de Jesus e Maria, uma imagem de Nos-

sa Senhora Aparecida benzida em Aparecida do Norte, um crucifixo com a imagem do Nosso Senhor morto, um vaso com flores, que trocávamos todos os dias e os terços da família. Tudo isto compunha o tão respeitado local de oração. Neste lugar da casa minha mãe intercedia por nós. Ela agradecia e, muitas vezes, chorava por sentir-se amargurada ou triste. Depois das orações ela se levantava (o corpo e a alma), recomeçava a luta, reagia a tudo com muita energia, com uma garra que nos fazia sentir uma segurança fora do comum. Para mim minha mãe sempre foi uma pessoa iluminada com muita força de vontade, capaz de suportar sua própria dor física. Era uma mulher incansável e que viva para dar exemplos e nos ensinar sobre as coisas simples, a vida na mais pura sintonia com Deus. O fato de ser do mato, roceira, com as mãos cheias de calo, não diminuía nem um pouco sua meiguice de mãe, seus carinhos verdadeiros, que, mes-

mo cansada às vezes, sujas de terra, sempre estava linda, e, igualzinho a mãe de Jesus, que muita gente mal diz, daquela que está no oratório de minha sala, de meu coração e de minha mente, que sempre me fazia ter um baita orgulho de minha mãe, que através das rezas dos terços, das dores do silencio, do carinho incondicional, do amor puro e verdadeiro, do sacrifício real foi, é e será minha primeira mestra. Comece você a lembrar o lado puro e simples da vida, veja quanto ensinamento sua mãe deixou e você não percebeu. Tenha alguém a quem se espelhar, um exemplo claro de amor. Foi uma mãe pura que viu seu filho sofrer na cruz e por puro amor,o mais puro amor acompanhou, chorou, sofreu e ergueu o rosto a ver seu filho ao encontro do pai. Por isso peça à mãe que o filho atenderá, a não ser aos que acreditam que nosso Deus é órfão de mãe. Ela foi a mestras das mestras, na qual minha mãe se espelhava e a nós dava o mais belo exemplo.


Página 12 Gente da Nossa História EZEQUIEL DOS SANTOS Nascido em dois de janeiro de 1946, este ilustre morador não sabia que deixaria sua marca na história local. Sua alegria foi tão contagiante que todo mundo, todo mundo mesmo tem recordações alegres para contar. Quando criança deu muito orgulho e por vezes muito trabalho aos pais, Dona Dorcelina Margarida do Prado e Seu Manoel Luiz de Deus-Tio Santana. De família simples era da época do pedido das bênçãos aos mais velhos, do carinho real e verdadeiro. No seio da família dividia as tarefas e as alegrias com os irmãos Margarida, Aparecida, Luiz e José. Desde de criança gostava de “ bater perna”. Na juventude saía com o time de futebol, quando conheceu ainda pequena quem seria sua doce amada. Ela tinha doze anos apenas quando Benedito a viu atravessar o campo das Palmeiras, disse ele aos amigos: “Óh, é com esta que eu vou casar!”. De fato, depois de muito tempo aconteceu o casório. A família desceu a serra pelo caminho dos tropeiros com carne de porco, travesseiro, roupas, cachorro, papagaio, toda a família, foi uma bela romaria. Antes, porém, o baile doo noivado foi movido a vitrola de pilha levada pelo amigo Mané Fidencio. No dia 5 de fevereiro de 1972, ele com 30 anos, casou-se com Benedita Maria de Deus, com 22 anos, filha de João Teodoro de Campos e Geralda Maria de Campos, todos da Serra Acima. O casório aconteceu pelas mãos e bênçãos do Frei José na Capela do Sertão da Quina. Quase não houve casamento porque a certidão da esposa era feito a mão, escrita a pena. Enquanto rolava o casamento uma mulherada foi fazendo o bolo, outros arrumavam a casa, outros o churrasco, fizeram um mutirão para Benedito casar. O casal veio na tobata do Izu até a casa da dona Dulce. Enfim a festa estava pronta e foi um sucesso.

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Benedito Luiz de Deus (Nanzinho): O alegre diplomata Do matrimonio nasceram os filhos Lucimara, Lucilene, Lucimeire, Cláudio, Jalde, Gisele, Bruno e César. Ainda jovem recebeu o apelido de Nanzinho, como foi chamado até o fim da vida. Dizem que o casamento só de fato aconteceu porque o sogro deu uma intimada depois de nove meses de namoro. Foram muitos cafés no bule, com virado de feijão Ele sempre aprontava alguma coisa, nas idas a Palmeiras sempre aprontavam alguma coisa, quando não era com os bois, eram com os cavalos do caminho. Certa vez tentou domar um cavalo: “É pra cá cavalo, é pro lado de cá que eu quero ir, vamo, vamo!”. Outras vezes olhava para cima e com a ajuda de outros amigos fazia alguém pisar no formigueiro, todos riam da situação. Nanzinho já teve patrão importante, nada mais do que o ex-presidente do Brasil João Goulard. Dizem os amigos que estava ficando preocupado, via os amigos se casarem e ele não queria ficar para traz. Modéstia parte, ele pertencia a um grupo de vencedores, de gente bons de bola. Eram vários os campeonatos que ganhavam. Certa vez eles haviam jogado três jogos em um só dia e como estavam cansados ele e Dito Eusébio resolveram relaxar com os amigos no rio com um santo remédio. Foram molharam as pernas e passaram um bloco que fazia espuma, descansaram e foram ao jogo, ganharam mais uma partida de futebol, só depois que foram saber que estavam passando na perna pedras de sabão, não era remédio ne-

nhum. Pra fazer graça pegava um violão e tocava e cantava “pra móde dizer que era cantadô dos Bão”. Como não sabia as notas tocava as garné. Nanzinho gostava das coisas simples, de novela, de pudim de leite, de galinha caipira e peixe preparado de qualquer jeito. Uma vez tomou uma bronca da esposa porque deixou de buscar um documento na cidade por conta do final da novela. Assistia às novelas

do dia e de todos os canais. Nesse tempo não atendia ninguém. Ele era tão atentado que conseguiu colocar um par de óculos num defunto onde havia ido a um velório na cidade. Em outros ele contava tanto caso que muitos riam das lembranças boas do falecido ali imóvel. Em todos os velórios que ía lembrava algo engraçado pra contar, fazia todos rirem mesmo nesta hora triste. Certa vez com um amigo foi a Taubaté buscar uma grana boa, subiram a serra, chegaram ao banco e ele não ia abrir, então resolveram ir ao um restaurante comeram a doidado e um pensando que o outro tinha dinheiro para pagar. Na porta um cidadão pedira dinheiro para comida e o amigo deu cinco “conto”, dinheirão para a época. Bom

na hora de pagar a conta cadê o dinheiro. Sorte que a esposa do amigo estava por perto, numa cidade vizinha. Nanzino também vinha do Tom Bar por volta das cinco da manha quando a policia cercou o ônibus. Com ele estava o Geraldo, Simão, Mosquito, Dimas, Manézinho na maior farra. Ele se fez de dorminhoco, então a policia fez todos descerem. Geraldo reclamou que se prendesse eles, tinham de prender também o Nanzinho. Este se fez de desentendido e disse que era um homem casado, que não os conhecia e que veio neste ônibus porque não havia outra condução. Todos desceram no Lazaro e vieram a pé, Nanzinho ficou no ônibus e quando eles se encontraram botaram a rir. Ele ainda quando criança quebrou o pilão da mãe para fazer lenha. Num café comunitário ele e o amigo Thomé sentaram, não perguntaram nada a ninguém, começaram a comer os queijos, ao lado um casal comeu poucos pedaços e em seguida foi pagar a um moço, um olhou para o outro e como se dizendo tem que pagar? Sorte que tinham o dinheiro. No sitio do amigo foi ao fundo pegar boldo para um chá quando começou a falar alto demais, segundo ele tinha visto uma assombração e com medo falou alto dizendo que tinha alguém com ele. Na cidade se fez de milionário, comentava que a vida de rico era uma tristeza, que gastava a maioria do dinheiro com seguranças, passava apuro em suas terras, todos queriam roubar-lhe o dinhei-

ro, como falava serio alguns até acreditavam. A esposa havia ganhado um par de tênis feminino, ele não percebeu colocou-o no pé e saiu pra cidade, meia hora depois tirou do pé se mardizendo do calcado e continuou a pé. Nanzinho é um grande companheiro, até multa da policia ambiental era motivo para riso. Qualquer desentendimento era resolvido na maior diplomacia: “Era assim, mas não era bem assim, entende.”, “Aconteceu sim, mas não é para ficar tão assim”. Nanzinho teve o privilégio de jantar com o padre Antonio Maria, Pe. Carlos e Pe. Alessandro como se fosse uma despedida. Adoentado e hospitalizado ele continuava a alegrar a todos no hospital, mas com as esperanças renovadas, a família levou um grande susto. Nanzinho havia partido no dia que em receberia alta médica. Era 25 de novembro de 2011, 6:30 da manhã. Neste fatídico dia ele se foi na frente do filho Jalde. Na hora do banho sofreu uma parada cardiorrespiratória e um acidente vascular cerebral, fixou os olhos na face do filho, apertou seus braços e se foi, o filho pediu socorro, o que aconteceu, mas infelizmente ele havia partido, para sempre. A esposa confessa que no dia anterior havia dito que ele iria, que ia morrer, infelizmente ele estava com a razão. A tristeza foi grande, a falta deste grande companheiro, amigo, homem, pai, avo e vizinho é muito grande. Só a alma para entender as dores do silencio sentido por todos. Este, um verdadeiro homem, que fazia de tudo para achegarmos ao fogão de lenha para um boa prosa, deixa saudades e um legado de alegrias e experiência de vida. Despeço-me sabendo que estas palavras são muito pouco perto do que dele poderia se escrever e agradeço a Deus por ter o privilegio e a honra de aprender e conhecer este que para mim foi um diplomada sorridente e soube como ninguém aproveitar a vida.


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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 4

BOMBORDO - (s.m.) -esquerda do navio, para quem olha da popa para a proa. BONITO-LINDO - (s.m.) - um tipo de pássaro, do porte das saíras, de corpo amarelo e dorso azulado. BóQUE - ( s.m.) - tipo de jogo infantil jogado com bola de gude ( bolinha de vidro ) ou com minguito ( sementes de abricó ) nos boques ( buracos cavados na areia ). BOQUêRA - (s.f.) – boqueira, ulceração nos cantos da boca. BOQUéCA - ( s.f.) - mesmo que moqueca. BOQUINHA DA NOITE - (s.f.) um pouquinho antes do anoitecer ; início da noite. BORDãO - ( s.m.) - cajado; bastão. BORDEJADA - (s.f.) - diz-se da canoa com bordas altas, para pesca no mar alto. BORDOADA - (s.f.) - pancada com o bordão. BOREAL - ( s.m. ) - tolo ; ruim da cabeça ; apalermado. BORéSTE - ( s.m.) -mesmo que estibordo. BORNá - ( s.m. ) – embornal; saco de pano com provisões do farnel. Sacola com alça, que se leva pendida do ombro. BOROCOXô - ( s.m. ) - pessoa mole; fraca ; sem coragem. BORRADO(R) - ( s.m. ) - livro onde os comerciantes anotam suas operações.

BORRADô(R) DE COSTEIRA - (adj.) aquele pescador que não é chegado no serviço pesado, que enquanto os outros trabalham, pescam ele fica apenas dormindo. BORROLãO -( s.m.) - semente do guapiruvu. BOTá(R) ABAIXO - ( loc.v. ) derrubar; demolir. “ no cortá a a arvore, jogô por cima da casa e botô tudo abaxo, pinchô tudo no chão “ BOTá PRá TERRA - ( loc.v. ) tirar algo do mar e puxar para a terra; trazer algo do mar para a praia ou para a costeira. BOTá FORA - (loc. v. ) - jogar; despojar-se de; despreender-se ; “ O tar do Dimirço intão qué isperto, botô fora tudo, o dinherinho que ganhô c’a pescaria “ BOTá NA SEVA - ( loc.v. ) - engordar a criação, fechada no cativeiro. BOTá REPARO - ( loc.v. ) - reparar ; obsevar; ver ; notar; “ das coisa dela não cuida, mas vive botando reparo na dos otro “ BOTECO - ( s.m. ) - bar; botequim. BRAÇA - ( s.f. ) - medida de cordames, madeiras e terrenos, equivalente a 2,20 metros. Obtem-se uma braça, tomando com a mão direita, a ponta inicial de uma corda ou cipó, estendendo-a sobre o peito e, com os braços abertos e inclinados para trás, retomando-a , com a mão esquerda, no ponto onde a corda ou cipó, atinge o grau maximo de abertura natural. Trezentas braças de terra equivalem a cerca de 660 metros ou a uma quarta de alqueire. BRAÇADO - ( s.m. ) - medida

correspondente àquilo que se pode abranger com os braços; uma porção ; uma braçada. “incomendei um cento de lenha pro Firmino, más ele só troxe um braçado, porque não tinha mais “ BRéGUéSSE- ( s.m. ) - coisa indeterminada; pessoa impertinente. BREU - ( s.m. ) - escuridão ; escuro como breu. BROQUEADO - ( adj. ) - atacado pela broca; estado da madeira perfurada por larvas; carunchado; esburacado . “ aquela zinha ali tá perfeitinhazinha , num tem broqueado nem nada “ BROTOEJA - ( s.f. ) - erupções cutâneas concentradas em determinadas partes do corpo, provocando prurido, avermelhamento da pele e coceira. “ aquela zinha minha tá c’uma brotoejada danada na cabeça; deve de sê do calor, intão “ BRUACA - ( s.f.) - meretriz. BRUNIDO - ( adj.) - polido; diz -se do arroz beneficiado. BUCHA - (s.f.) - pedaço de pão ou uma colherada de arroz engolido rapidamente, quando se está com pressa ou não se tem muita fome ; comida sem valor. BUCHO - ( s.m.) - ventre; barriga; estômago. BUCHO DE BAGRE - (s.m.) nome dado à Ankilostomina , antigo lombrigueiro; vermífugo. BUFANDO - ( v.i. ) - encolerizado, enfurecido , raivoso. BULADA - ( s.f.) - bule cheio de alguma coisa ( bulada de café ). BULE - (s.m.) - recipiente com tampa, asa e bico, em que se servem chá, café, chocolate. BULí(R) - (v.t.) - Pôr as mãos;

tocar mexer; tocar; perturbar; provocar verbalmente; “ esse pessoar não tem diciprina; anda bulindo nas coisa dos otros “ BUNDA DE SANTO - (adj. ) pessoa rabisseca; que tem a bunda pequena. BURUCUTú - ( interj. ) - indica movimento brusco; queda repentina; o mesmo que tibum “ pacaum . “ Acabô de armoçá e burucutu na água “ Não dá pra piscá o zolho que ele burucutu, pá dentro “. CABADô - ( s.m. ) - artesão que lavra o corte para a fabricação da canoa; carpinteiro rústico que trabalha com o machado, facão e o enxó, no acabamento da canoa.O corte de canoa é tirado no sertão e carregado pelo rio, ou rebocado pela praia, até o rancho do cabadô. CABEÇA DE NEGRO -( s.f.) um tipo de bombinha das festas juninas. CABEÇA DE ONDA - ( s.f. ) movimento das ondas do mar agitado onde, no contorno dos vagalhões, delineiam-se inumeros montículos. CABEÇA DE PREGO - ( s.f.) um tipo de furúnculo. CABEÇO DE ONDA - ( s.m.) mesmo que cabeça de onda . CABEU ( v.t.i.) – coube; poder ser contido; poder estar dentro, caber,entrar,passar. ” Eu não medi, mas cabeu direitinho dentro” CABO - ( s.m. ) - corda de cipó, algodão ou naylon usada nas lides maritímas . “ quando chegá la fora, a hora que acabá o cabo, mecê faiz a vorta e começa a largá a rede” Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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SOC - Sistema Operacional do Casamento ABERTURA DE CHAMADO Sistema Operacional do Casamento... (Não deixe de ler a resposta do técnico) Prezado Técnico, Há um ano e meio troquei o programa [Noiva 1.0] pelo [Esposa 1.0] e verifiquei que o Programa gerou um aplicativo inesperado chamado [Bebê.exe ] que ocupa muito espaço no HD. Por outro lado, o [Esposa1.0] se auto-instala em todos os outros programas e é carregado automaticamente assim que eu abro qualquer aplicativo. Aplicativos como [Cerveja_Com_A_Turma 0.3], [Noite_De_Farra 2.5] ou [Domingo_De_Futebol 2.8], não funcionam mais, e o sistema trava assim que eu tento carregá-los novamente. Além disso, de tempos em tempos um executável oculto (vírus) chamado [Sogra 1.0] aparece, encerrando Abruptamente a execução de um comando. Não consigo desinstalar este programa. Também não consigo diminuir o espaço ocupado pelo [Esposa 1.0] quando estou rodando meus aplicativos preferidos. Sem falar também que o programa [Sexo 5.1] sumiu do HD.

Eu gostaria de voltar ao programa que eu usava antes, o [Noiva 1.0], mas o comando [Uninstall.exe] não funciona adequadamente. Poderia ajudar-me? Por favor! Ass: Usuário Arrependido RESPOSTA: Prezado Usuário, Sua queixa é muito comum entre os usuários desse programa; mas é devido na maioria das vezes, a um erro básico de conceito: muitos usuários migram de qualquer versão [Noiva 1.0] para [Esposa 1.0] com a falsa idéia de que se trata de um aplicativo de entretenimento e utilitário. Entretanto, o [Esposa 1.0] é muito mais do que isso: é um sistema operacional completo, criado para controlar todo o sistema! É quase impossível desinstalar [Esposa 1.0] e voltar para uma versão [Noiva 1.0], porque há aplicativos criados pelo [Esposa 1.0], como o [Filhos.dll], que não poderiam ser deletados, também ocupam muito espaço, e não rodam sem o [Esposa 1.0]. É impossível desinstalar, deletar ou esvaziar os arquivos

dos programas depois de instalados. Você não pode voltar ao [Noiva 1.0] porque [Esposa 1.0] não foi programado para isso. Alguns usuários tentaram formatar todo o sistema para em seguida instalar a [Noiva Plus] ou o [Esposa 2.0], mas passaram a ter mais problemas do que antes. Leia os capítulos ‘Cuidados

Para melhorar a rentabilidade do [Esposa 1.0], aconselho o uso de [Flores 5.1], [Férias_ No_Caribe 3.2] ou [Jóias 3.3]. Os resultados são bem interessantes! Mas nunca instale [Secretária_De_Minissaia 3.3], [Antiga_Namorada 2.6] ou [Turma_Do_Chopp 4.6 ], pois não funcionam depois de ter sido instalado o [Esposa 1.0] e podem causar problemas irreparáveis ao sistema. Com relação ao programa [Sexo 5.1], esqueça! Esse roda quando quer.

Gerais’ referente a ‘ Pensões Alimentícias’ e ‘ Guarda das crianças’ do software [CASAMENTO]. Uma das melhores soluções é o comando [DESCULPAR.EXE / flores/all] assim que aparecer o menor problema ou se travar o programa. Evite o uso excessivo da tecla [ESC] (escapar).

Se você tivesse procurado o suporte técnico antes de instalar o [Esposa1.0] a orientação seria: NUNCA INSTALE O [ESPOSA 1.0] sem ter a certeza de que é capaz de usá-lo! NOTA: SÃO POUCOS, MUITO POUCOS OS USUÁRIOS QUE CONSEGUEM DOMINAR O PROGRAMA [ESPOSA 1.O] E UTILIZA-LO DE MANEIRA PLENA; É EXTREMAMENTE COMPLEXO. Ass: Técnico


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Coluna da Adelina Campi

Cultive sua Flor Conta-se que, por volta do ano 250 a.C, na China antiga, um príncipe da região norte do País estava às vésperas de ser coroado Imperador, mas, de acordo com a lei, deveria se casar. Sabendo disso, resolveu fazer uma disputa entre as moças da corte, inclusive quem quer que se achasse digna de sua proposta que não pertencesse à corte. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e apresentaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe. Ao chegar à casa e relatar o fato à jovem filha, espantou-se ao saber que ela já sabia sobre o dasafio e que pretendia ir à celebração. Então, indagou incrédula: — Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça. Eu sei que você deve estar sofrendo, mas não transforme o sofrimento em loucura. A filha respondeu: — Não, querida mãe. Não estou sofrendo e muito menos louca. Eu sei perfeitamente que ja-

mais poderei ser a escolhida. Mas é minha única oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isto já me torna feliz. À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio: — Darei a cada uma de vocês uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura Imperatriz da China. A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de cultivar algo, sejam relacionamentos, costumes ou amizades.

vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e da sua dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio na data e na hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, mas todas as outras jovens com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada. Nunca havia presenciado tão bela cena.

O tempo foi passando. E a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisaria se preocupar com o resultado.

Finalmente, chega o momento esperado e o príncipe passa a observar cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anunciou o resultado, indicando a bela jovem que não levara nenhuma flor, como sua futura esposa. As pessoas presentes na corte tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque o príncipe havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara. Usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho; mas cada

Então, calmamente o príncipe esclareceu: — Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma Imperatriz. A flor da Honestidade. Pois, todas as sementes que entreguei eram estéreis.

Nascimento e vida Chego Na hora incerta do que me espera a vida Choro Meu primeiro choro, necessidade incontida Sinto No frio do mundo o calor de mãe num colo Ouço Murmúrios estranhos e com eles me consolo Mexo Meus membros e meu corpo num esforço profundo Sugo De minha mãe os seios sentindo o gosto do mundo Olho Com olhar ainda nebuloso o cenário ao meu redor Vejo Nos olhos de meus pais, não só o amor, mas o amor maior Desejo Ter comigo esse olhar de amor enquanto durar minha presença Espero Que os meus prováveis erros jamais abalem essa doce querença Chego, choro, sinto, ouço, mexo, sugo, olho, vejo, desejo, espero! Manoel Del Valle Neto


Jornal Maranduba News #32  

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