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Maranduba, 20 de Novembro de 2011

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Disponível na Internet no site www.jornalmaranduba.com.br

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Ano 2 - Edição 31 Foto: Emilio Campi

Praia da Maranduba

Tradição, modernidade e potencial num só lugar


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20 Novembro 2011

Jornal MARANDUBA News

Editorial:

Um chumaço de algodão já resolveria... Vemos pela TV o desenrolar das ações do poder público na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Mas “maravilhosa” mesmo foram as atitudes dos governos municipal, estadual e federal que se juntaram para sanar um problema que atinge grande maioria dos municípios brasileiros. Maravilhosa foi a atitude em não olhar o próprio umbigo e pôr a mão na massa para valer. Isso mostra que quando há vontade política, união de poderes, ações coordenadas e objetivo definido, as coisas podem acontecer. O mais curioso é que eles não fizeram nada mais do que suas obrigações como governos constituídos. Segurança é uma obrigação do estado, assim como saúde, educação, obras públicas, saneamento básico e outros direitos do cidadão. Curioso também é que quando o poder público resolve trabalhar a população dá sua contrapartida, no caso do Rio de Janeiro foram as maciças denúncias e colaboração com as forças de ocupação na favela da Rocinha. Imagine se um vento noroeste vindo das bandas cariocas resolve trazer uma nuvem com partículas dessa vontade política, dessa união de forças

PARA ISIS

(07/05/2007 - 03/11/2010)

Isis... Poderosa, guerreira, princesa Querida, fofa, lindona... Um presente de Deus No mês de maio nasceu Muita alegria nos deu Pouco tempo viveu Conosco tão pouco ficou Mas lições de vida nos deixou Lições de amor e persistência De sofrer sem reclamar Pela vida sempre lutar Ter paciência e saber suportar E um dia... Tudo triste ficou Nos braços de Deus foi morar Com os anjos foi brincar

aqui para as terras de Coaquira? Como não temos favelas para invadir, essa nuvem poderia despertar ações mais modestas, como por exemplo, o problema dos moradores de rua, mendigos e desocupados que infestaram nossa cidade. Basta sair a noite e tentar estacionar em locais como a feirinha Hippie, a Av. Iperoig e alguns trechos da Leovegildo no Itaguá. Chegam a vir em bandos para pedir dinheiro, tomar conta do carro e outras intimidações veladas que só quem passa por isso sabe como é. Essa nuvem também poderia pairar sobre as péssimas

Editado por:

Litoral Virtual Produção e Publicidade Ltda.

Caixa Postal 1524 - CEP 11675-970 Fones: (12) 3832.2067 (12) 9714.5678 / (12) 7813.7563 Nextel ID: 55*96*28016 e-mail: jornal@maranduba.com.br Tiragem: 3.000 exemplares - Periodicidade: mensal Responsabilidade Editorial:

Emilio Campi Colaboradores:

Adelina Campi, Ezequiel dos Santos e Fernando A. Trocole Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião da direção deste informativo

condições que as ruas e estradas do município apresenta. Falta de iluminação, calçadas deficientes, praças sem limpeza e condições de se frequentar dignamente. Não precisaria muito. Um “chumacinho de algodão” vindo daquelas bandas com a tal vontade política já resolveria bastante os nossos problemas. Vamos torcer para que os daqui parem de olhar o próprio umbigo e preste mais atenção ao céu, pois vai que um chumaço de algodão vindo de lá acerte alguém de cá. Emilio Campi Editor

Deixou de sofrer... E no céu como estrela foi brilhar Já faz um ano que você nos deixou Mas sua presença sempre ficou Sinto saudades do seu pé de bisnaguinha Da sua mão gorducha e macia De sua bochecha rosada De tudo que é seu e todo dia Fico a te procurar Em cada estrela a brilhar Ainda está difícil aceitar E a saudade teima em machucar Penso em você a todo momento E a sua lembrança não sai do meu pensamento No meu coração você vai sempre estar Pois nunca vou deixar de te amar Da vovó Tibinha para Isis com carinho.


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Padre Antonio Maria celebra tradicional missa no Morro do Emaús EZEQUIEL DOS SANTOS No último dia 8, o Padre Antonio Maria celebrou a tradicional missa a Nossa Senhora das Graças no bairro do Sertão da Quina. Cerca de 4.200 pessoas presenciaram este ato de fé. Padre Alessandro Coelho, Padre Carlos, Padre Xavier, Padre André, Diáconos João Marcos, Manoel e Carlos, seminarista Bruno a as irmãs da Congregação Filhas de Maria Serva dos Pequeninos também estiveram presentes. Num momento de inspiração o padre Antonio Maria falou da “Deusdência” e não coincidência de que uma das meninas daqui se chamava Iria e dois anos mais tarde, em 1917, lá em Fátima, Portugal, outra Iria recebeu também a visita da Virgem. Falou também da importância da obra física a Maria e da felicidade em estar naquele momento participando de um momento tão importante a Deus. O convite partiu do Padre

Carlos que esteve o Padre Antonio no Vale do Paraíba. À tarde, no mesmo dia, acompanhado do Padre Carlos, realizou uma visita as reforma da Capela de Nossa Senhora das Divinas Graças e ouviu atentamente o relato da visita das meninas que viram a Jovem Aparecida neste lugar. Crianças ofereceram e entregaram de presente obras em artesanato de palha, relembrando os áureos tempos das décadas de 1910 a 1960, depois o padre Carlos foi quem entregou lembranças da comunidade e da paróquia. A sua chegada ao monte santo causou uma correria para tocá-lo e vê-lo de tão perto. No final da missa, acompanhado da banda da Capela, cantou músicas de seu trabalho, algumas inéditas e outras conhecidas cantadas pelos antigos moradores num passado recente. Antes do encerramento da celebração houve uma

apresentação realizada pelo Grupo de Jovens da região.Durante a celebração muitos fiéis aproveitaram para fotografá-lo, sendo assim, nesta década a personalidade mais fotografada na região. Simples, bem humorado e atencioso com todos recebeu no altar crianças e adultos pedindo suas bênçãos. Ao final da celebração a “tietagem” de fiéis foi inevitável, visitantes e turistas que presenciaram a missa aproveitaram a oportunidade. Um grupo de moradores do centro de Ubatuba realizou o trajeto a pé, saindo pela manhã e chegando pouco antes do início da celebração, a peregrinação se deu por uma graça alcançada. Padre Antonio Maria recebeu vários agradecimentos, elogios e convites para retornar. Padre Carlos informa que ele gostou muito da região e seguramente irá voltar. Nesta noite, em 1915, após a reza do rosário (19 horas aproximadamente)

apareceu pela primeira vez na casa do Capelão Luiz Félix uma jovem mulher “vestida de lua e calçadas das estrelas” e que neste dia de 2011, tem-se a sensação de que as quatro me-

ninas agraciadas por Deus e de mãos dadas com a Virgem Nossa estavam observando esta festa tão natural e parecida com aquelas que aconteciam há quase um século.

Projeto que trata da valorização da familia é aprovado na Câmara Municipal Na sessão do último dia 01, foi aprovado por unanimidade projetos do vereador Rogério Frediani-PSDB que tratam do resgate dos valores familiares e de melhorias ao meio ambiente. O Projeto de Lei nº 55/11, institui no município de Ubatuba o Programa de Resgate de Valores Morais, Éticos e Culturais. O Programa deverá envolver diretamente a comunidade escolar, a família, lideranças comunitárias, empresas públicas e privadas, meios de comunicação, autoridades locais e estaduais e as organizações não governamentais e comunidades religiosas, por meio de atividades culturais, esportivas, literárias, mídia,

entre outras, que visem à reflexão sobre a necessidade da revisão sobre os valores morais, sociais, éticos e espirituais. O Poder Executivo deverá firmar convênios e parcerias articuladas e significativas, com Órgãos Governamentais e sociedade civil, no sentido de possibilitar a execução do cumprimento desta lei. Na realidade o projeto tem como objetivos promover o resgate da cidadania, o fortalecimento das relações humanas, valorização da família, da escola e da cultura como um todo. O projeto prevê ainda ações essenciais que contribuam para uma convivência saudável entre pessoas, estabele-

cendo relações de confiança e respeito mútuo, alicerçada em valores éticos, morais, culturais, sociais, afetivos e espirituais, como instrumento capaz de prevenir e combater as diversas formas de violência. Como exemplo Frediani se lembra da falta que faz o “bom dia” como cumprimento entre as pessoas, o que hoje é raro. O projeto também tem relação direta com os princípios dos Direitos Humanos Universais. “Na realidade trata-se de uma nova visão do que já existe e foi esquecido, é uma forma de estimular o respeito entre as pessoas e principalmente em favor das famílias”, finaliza Frediani.


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Bonete realiza melhorias na captação e distribuição de água Irmãos se encontram pela primeira vez após 40 anos de sofrimento e espera EZEQUIEL DOS SANTOS

Depois de várias peregrinações a associação de moradores da Praia Grande do Bonete consegue iniciar os trabalhos de melhorias na captação e distribuição de água de todo bairro. Num total de quatro quilômetros de mangueiras, quatro reservatórios de vinte mil litros cada, bases de concretos, ferramentas e muito trabalho, a idéia é atender a distribuição de quase a totalidade de residências da localidade - 101 casas e comércios entre moradores e turistas. Com as bases prontas, as caixas em seus lugares, moradores já deram inicio a abertura de canalização para a colocação das mangueiras. A prefeitura intermedia o projeto que teve recurso do governo federal conseguido através do ex-senador Aloísio Mercadante totalizando R$ 128 mil reais para a melhoria. Mercadante possui uma residência no Bonete e recebeu

insistentemente a visita de moradores para que a verba não fosse devolvida aos cofres federais e todo o trabalho perdido. A comunidade busca ainda a instalação de um filtro para melhorar a qualidade da água nas residências. Após o encerramento das obras haverá uma discussão sobre a recuperação e limpeza dos rios, para que eles voltem a ter curso normal sem a

obstrução de mangueiras, como ocorre atualmente. Existe ainda a intenção de realizar estudos ao que se refere ao tipo de fossa a ser implantado na comunidade para assim encerrar o ciclo de melhorias ambientais e qualidade de vida. Com isto o solo, a quantidade e qualidade de água na comunidade possam suportar mais dois séculos de existência e rara beleza.

Ilustres recebem Título em Sessão Solene No último dia 28, em Sessão Solene a Câmara Municipal de Ubatuba realizou a entrega dos Títulos de Cidadão Ubatubense e Ubatubano Ilustre de 2011. O evento, marco na história do município, comemorou os 374 anos de fundação de Ubatuba. Dentre os agraciados estavam o Bispo Dom Altieri e Antonio Pereira dos Santos, reconhecidos pela Câmara e indicados pelos vereadores Rogério Frediani e Osmar de Souza. O espaço ficou lotado de amigos, familiares e convidados. Foi lido o histórico de cada personalidade, logo após a entrega e a foto oficial cada um fez uso da tribuna para co-

Dom Altieri e Antonio Pereira, homenageados pela CMU mentários particulares. Após o ato oficial foram oferecidos comes e bebes. Esteve presente na entrega o Secretario

Estadual de Turismo Marcio França que neste evento representou o governador Geraldo Alckmim.

Numa história que mais parece de cinema, aconteceu na vida real, no último dia 20 de setembro a moradora do Sertão do Ingá, Aurora Santana dos Santos reencontra o irmão Galdino Santana, 71 anos, que há quarenta anos desaparecido era considerado morto pela família. Galdino foi encontrado na cidade de Senador Amaral, Minas Gerais, o Serviço Social daquela cidade acreditou em sua história e começou a investigar. Lá ele passou pelos cuidados da doutora Amanda, a Assistente Social Regina e a Secretaria Ismaia também do Serviço Social. Através de vários telefonemas e investigações os profissionais de Senador Amaral chegaram ao nome de João Santana na Vargem Grande, este entrou em contato com sua parenta Aurora, irmã de Galdino.

O vereador Osmar de Souza foi procurado e de pronto colocou seu gabinete a realizar os contatos. No dia 20 de setembro, a irmã e o vereador encontram-se com o Serviço Social e de lá vão ao encontro de Galdino. Ele estava numa casa simples e recebia toda a assistência daquele município. Após vencerem os processos burocráticos e administrativos, em seis de outubro Galdino finalmente faz a viagem de retorno ao convívio de sua família. Para o vereador, “este é um caso de muitos que deu certo, muita gente não tem esta oportunidade”, comenta Osmar. A família agradece aos profissionais de Senador Amaral-MG e ao vereador Osmar de Souza que possibilitou que um antigo sonho fosse realizado, o encontro e o retorno de Galdino ao seio da família.

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Esporte Clube Vila Santana é Trabalhos do Grupo Saíras do Bonete vai virar livro homenageado na Câmara Municipal O Grupo Saíras - 12 mulhe-

Na Sessão do ultimo dia 1, o Esporte Clube Vila Santana recebeu das mãos do Vereador Osmar de Souza uma Moção de Congratulações pela conquista do título da terceira divisão de futebol municipal, o que habilita o clube a participar da segunda divisão no ano que vem. como técnico auxiliar guarda varias vitórias como tricampeão da Copa Isaac, bicampeão da Copa do Rio Escuro, campeão da Copa Jurabelo, campeão da terceira divisão da Liga Ubatubense de Futebol e em 2008 considerado o melhor treinador da competição. A homenagem foi aos esportistas fundadores Pedro Marin Filho, treinador nos últimos anos do time principal, dos veteranos e do infantil, hoje, técnico auxiliar, Josias

Rodrigues Ferreira, Lucimar Ferreira da Silva e Mauricio Alves. O documento cita a importância de todo o trabalho e da atividade esportiva realizada pelo clube, dos benefícios para a saúde física e mental e da construção de pontes de amizade, uma rede de relacionamentos entre os moradores sadia e produtiva. Na sessão houve comentários dos vereadores da benesse que o esporte proporciona, foram lembrados os áureos tempos dos campinhos de várzea e outros espaços que abrigavam a pratica do futebol, da importância de se investir não só no futebol, mas em todas as praticas esportivas no município. Na ocasião o Vereador Osmar de Souza convidou o Vereador Rogério Frediani para a entrega da propositura.

“Motóquinha” faz um ano de vida Depois de tanto, tanto, tanto, tanto, e tanto tempo, depois do nascimento da jovem Suelen, nasceu um filho “varão” de Mota e Valéria que aniversariou no último dia 9 completando um ano de vida.

Os amigos esperam que ele realmente puxe a mãe e a irmã. Quando crescer vai ensinar o pai a jogar bola de verdade. Parabéns a Erick Santos Mota. Felicidades.

res da Praia Grande do Bonete vem surpreendendo a todos com suas atividades. Recentemente conseguiram através do ProAC (Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo) a aprovação de um projeto para a confecção de livro que contará com a história de vida e do cotidiano de cada Saíra, o artesanato, os doces, suas aptidões, a “Timbopéva”, a “concertada”, anseios e demais trabalhos daquele belo lugar. Também a pesquisa e resgate das ervas medicinais e seus usos dentro da comunidade no último século. A investida foi realizada pelas coordenadoras Ana Carmem Nogueira e Vera Ferretti que fizeram os contatos preliminares com o projeto. O projeto prevê uma verba de R$ 18 mil reais para estruturar o tão sonhado livro. Ao que tudo indica o material foi enviado, aprovado e a representante do

grupo Renilda Norma Guimarães já realizou a assinatura do contrato. No próximo dia 13 haverá uma reunião do grupo para definir detalhes sobre o livro como o nome a ser dado ao trabalho. A comunidade da região sul aguarda ansiosa tais resultados que aproveitou o melhor desta comunidade-seu próprio povo,

que aliou experiência, juventude, sabedoria e a paciência e que fez deste pequeno grupo de mulheres exemplo a serem seguidas, copiadas e de fato reconhecidas, já que dentro de sua grandeza o livro é um detalhe para este mundo atual de que elas existem e sabem o querem. Se depender delas muitos outros trabalhos ainda surgirá.

Cida Ballio é homenageada no Circuito de Águas Abertas No ultimo dia 30, na Praia da Maranduba, a educadora e caiçara Cida Ballio foi homenageada na 3ª etapa do 15º Circuito Ubatuba de Águas Abertas. Dentre as premiações o Troféu Maria Apparecida do Prado (Cida Ballio) que foi entregue a Maria Luiza Vieira, primeira atleta de Ubatuba a completar os 3.000 metros da prova. Esta etapa contou com cerca de 450 atletas do Litoral Norte, Vale do Paraíba, capital paulista e da Esquadra Brasileira do Rio de Janeiro. Filha da saudosa Maria Ballio, o nome de Cida Ballio foi indicado pelos relevantes serviços prestados à comunidade da região, principalmente na área da educação. Foi a principal responsável pela implantação do ginásio na região. O evento

contou com a organização da Associação de Moradores e Amigos do Sertão da Quina-Amasq, da Associação de Moradores da Região Sul de Ubatuba, da Se-

cretaria Municipal de Esporte e Lazer e de patrocinadores da região sul que colaboraram para que este grande evento pudesse acontecer.


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O cômico dia em que Militares buscavam aeronave perdida em 1984 Foto: Arquivo Dona Chica

EZEQUIEL DOS SANTOS Após uma sucessão de boatos sobre a queda de uma aeronave na Serra do Mar, enfim vem a confirmação de que realmente militares procuravam um avião Cesna, desaparecido entre Parati e Santos. Em alguns locais haviam jogado panfletos anunciando a queda da aeronave com valores para quem indicasse seu paradeiro. Era por volta de dez da manhã, quando um grupo de crianças da escola Tereza dos Santos, Sertão da Quina, correu em direção ao campo de futebol do bairro, lá se juntaram a outros moradores. Enquanto isso, outro grupo de alunos, que faziam aulas de educação física com o professor Caju no Morro do Emaús, “despinguelaram” (desceram sem condições de frear) o morro por entre o sapé, bananeiras, casas de formigas e marimbondos, hibisco (mimo), caindo pela antiga barreira do Zé Leal, parando somente no barranco do campo de futebol. Pela primeira vez um helicóptero da Força Aérea Brasileira havia pousado no local para buscar informações

sobre a floresta e auxilio dos mateiros da região. Ele pousou sobre o gramado cerca de meia hora, tempo o suficiente para matar a curiosidade de todos. Na empolgação e por conta do barulho que se aproximava, o aluno Wilson Isaías empurrou Emerson Leiva que desceu com um dos pés sem tênis, que na correria ficou no cesto de lixo da sua sala de aula. Os que estavam no Emaús chegaram com capim pelos ouvidos, farpas de sapé em todas as pernas, shorts e camisas sujas de barro e os cabelos despenteados e cheios de flores de mato, outros largaram o que faziam naquele horário. Foi uma corrida sem precedentes. Era janeiro de 1984 e não havia noticia de que uma aeronave tinha descido por estas bandas. Conheciam-se apenas os navios que ficavam na baía da Caçandoca, os aviões que desciam no aeroporto do centro, os helicópteros na catástrofe de Caraguatatuba, o carro de combate anfíbio (“tanque de guerra”) que saiu do mar próximo a barra

da Maranduba vindo de São Sebastião, o avião de Hans Maier que descia na Praia da Lagoinha. Mas por aqui neste fundo de vale, era a novidade do momento.

O oficial (tenente aviador) responsável abriu a porta, desceu e esticou seu braço até a orelha de Nico e o levou pendurado até a beira do campo, todos riram principalmente Nico, que levou um “pito” (sermão) daqueles.

Na ocasião um aluno muito bagunceiro de nome Ananias, cujo apelido era Nico, agarrou-se a cauda da aeronave quando este levantava vôo, o helicóptero fez a volta e pousou.

O oficial (tenente aviador) responsável abriu a porta, desceu e esticou seu braço até a orelha de Nico e o levou pendurado até a beira do campo, todos riram principalmente Nico, que levou um “pito” (sermão) daqueles. Depois todos se deram conta do que haviam feito e deixado. Salas de aulas abertas, feijão no fogo, comércio aberto, casa escancarada, bicicleta largada no meio da rua. No morro, todos trataram de correr para procurar camisa, relógio, boné, tênis, meia, bola, apito, mas tudo estava lá. Eram crianças entre 10 a14 e uns de 15 anos e hoje muitos ainda se lembram daquele dia. Ananias tinha um irmão de nome Gedeão, que todos conheciam por Dão. Nico num certo dia, num raro momento de silencio por conta da prova, ele perguntou ao professor Joaquim: “porque que a gente góspe (cospe), esfrega, esfrega o braço e quando vai cheirar tem um “fedô” (mau cheiro) de titica de galinha, professor?”. O professor de imediato o encaminhou ao inspetor de alu-

nos, Seu Heitor, que o levou a diretoria, a saudosa Dona Esther. Foi conversa pra mais de semana. Dentre as crianças lembradas da época estavam o Leiva, Eliziário, Haroldo, Dimas, João Alencar, Guto, Ana Paula, Elizangela, Ana Lucia, Estela, Josebel, Jucele, Benedito Orlando, Manoel, Betinho, Zé Geraldo, Nilo, André, Sandro, Paulo, João Carlos, Julio César, Alessandro, Celina, Adilson, Edmilson, Elizete, Joãozinho, Margarete, Luciano, Renato, Zilda, Eduardo (Duda), Edson, Braz, Mauricinho, Xuxa - irmã do Maurício, Paulo, Edson Obara, Hideo Obara, Rosely, Mario Castanho, Ângela, Roger, Taís, Hilme, Giovane, Jean, Ninico, Carlos, Toninho-Trô, Gordo. A maioria dos meninos “arteiros” (bagunceiros) depois foi a Cachoeira da Renata onde costumeiramente se refrescavam num delicioso banho. A aeronave foi localizada, 27 anos após descer no campo do Sertão da Quina, por um mateiro, neste ano, no fundo do vale de Toque-Toque Pequeno no município de São Sebastião.


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Padaria Pão Nosso adquire forno Projeto Olho D’agua prevê compensação a moradores O Projeto Olho Dágua é, de esteira para esfiha e pizza antes de qualquer coisa, um Para atender a demanda de esfiha e pizza, a Padaria Pão Nosso conta com um novo aliado - sua máquina de esteira. A novidade assa 1.200 unidades por hora e é a caçula dos equipamentos no mercado, da mesma utilizada por grandes empreendimentos em esfiha e pizza. Destaque é para o sabor que é o mais aproximado daquelas assadas em fogão a lenha. Maquina top de linha ela acelera a quantidade de exposição sem perder o sabor e as texturas dos oito sabores de esfiha existentes no cardá-

pio. Caso alguém queira uma diferente basta informar os proprietários.

projeto de incentivo a quem protege as nascentes e as matas em propriedades de terras urbanas ou rurais, de modo a identificar, catalogar e preservar as nascentes de água existentes em seus respectivos terrenos, principalmente os produtores rurais, quilombolas, indígenas e moradores tradicionais. Contrário das punições que vem ocorrendo à proposta de Frediani trata o assunto como parceria, como de interesse de todos. O projeto prevê a catalogação das áreas, a preservação e a plantação de árvores ao entorno das nascentes, tudo de forma espontânea e combinada com órgão municipal responsável pelo setor. Prevê também a aplicação do Bolsa Verde, um incentivo em dinheiro, aos proprietários que aderirem ao programa. Também certificados alusivos e benefícios fiscais aos participantes do programa. “Este Projeto de Lei tem o condão de preservar nascente ou olho-d’água é o local onde o lençol freático aflora, sendo, portanto o berço dos rios e dos cursos d’água e de onde vem a água que bebemos, importante destacar os trabalhos de captação e distribuição de água aonde o poder público não realiza estes serviços”, comenta Frediani. Infelizmente a punição é padrão e tratamento também, porém, não basta somente a proteção das chamadas matas ciliares para garantir a qualidade e a quantidade de uma nascente. A água é captada em todo o terreno ao redor e logo é necessário um trabalho de conservação do solo que evite ou minimize os efeitos da erosão e que

impeça o assoreamento e o carregamento de agrotóxicos ou outros dejetos para o lugar de onde a água vem à tona e para os rios e riachos. O importante é analisar caso a caso para avaliar a situação de uma nascente, quais são os procedimentos corretos para sua conservação além de instruir qual melhor ação naquele local e não chegar com um talão de multa e entregar somente. As ações têm de ser empreendedoras e eficazes. De modo geral, pode-se dizer que uma das maneiras de proteger a nascente é recom-

pondo a vegetação nativa em seu entorno, ou seja, fazendo reflorestamento, mas se for ocaso, tudo de acordo e combinado com os proprietários. O projeto tem caráter voluntário, educacional e instrutivo. Assim sendo, o PL visa apoiar a conservação da cobertura vegetal nativa nos entornos de nascentes e olhos d`águas, mediante pagamento por serviços ambientais aos proprietários e posseiros que já preservam ou que se comprometem a recuperar a vegetação de origem nativa em suas propriedades.


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Maranduba: tradição, modernidade e potencial num só lugar EZEQUIEL DOS SANTOS Cheiros, sabores, sons, temperaturas e texturas é o que de melhor a região pode oferecer. Numa esfera de região praiana que por um lado tem vestígios da formação do povo brasileiro, consegue se modernizar sem perder a leveza das flores e aves que a rodeiam. Por outro lado a roça mantém as tradições caboclas das rodas de viola, do feijão no fogão a lenha, das falas caiçaras e da vontade de liberdade com a natureza que deixa tudo aparente. A Maranduba está localizada a 25 quilômetros do centro e possui vida própria, com centro comercial, quiosques, hotéis, pousadas, trenzinho turístico, saltos de parapente, restaurantes, lojas, postos de gasolina, bancas de jornais e sub-prefeitura. Sua orla disputa com a Praia Grande como point mais badalado da região. Tem vida noturna agitada, barzinhos e quiosques com música ao vivo. Ponto de partida para as praias do Perez, Bonete, Grande do Bonete (ao norte), ao quilombo Caçandoca, Caçandoquinha e do condomínio do Pulso. Ponto de partida para várias cachoeiras no Sertão da Quina como a do Corrêa e Água Branca. Para quem vem de Caraguatatuba, esta é a primeira praia de Ubatuba com acesso direto pela rodovia. Praia com 2 km de extensão, boa para banho, ela forma com a praia do Sapê e a praia da Lagoinha uma das maiores orlas contínuas de Ubatuba, com cerca de 7 Km de extensão e uma bela vista para ilhas da Maranduba e do Pontal.


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Região abriga local de espetáculos da natureza e seu povo A Maranduba até a Lagoinha foi palco de espetáculos sobre o mar e seu povo. Ponto de encontro das comunidades locais foi elo da formação cultural que marcou todas as gerações. Todos têm o que falar desta praia. Nem só de vinho ela viveu, muitos pães amassou para mostrar-se como peça fundamental de desenvolvimento aliado a preservação histórica, cultural e ambiental da região sul de Ubatuba. Seus parentes mais próximos são as outras 29 praias, passando por quilombos, condomínios, comunidades de pescadores, desertas e escondidas. Sua estrutura é pequena, porém caminhando ao profissionalismo de que tanto é necessário para o desenvolvimento ideal. O mais importante é que as instituições privadas é que dão o ar da graça. Suas areias e marés têm diversidade em toda a sua orla. Não só de praia vive a região, em seu interior temos lindas cachoeiras, ruínas espetaculares, flores e frutos ao alcance da mão. As aves dão um espetáculo diferenciado de tudo que você já viu. A região foi o maior exportador de gengibre do Brasil. Tem em suas matas vestígios da única estrada de ferro de um século e meio atrás, tem matas com as maiores formações de bromélias e orquídeas já vistas. Tem canhões e muros de pedras que combatiam as tropas do governo no período do trafico negreiro. Tem artesanato de primeira. Tem opções de estadia, mercado, postos de combustíveis e serviços para todos os públicos. Tem ainda lugares que pararam no tempo. Corridas

de canoas, festas religiosas, atividades esportivas, trilhas, mergulho, passeios de barcos, gastronomia. Muitos pequenos empresários se qualificam por isso se destacam como fazem os produtores rurais e artesãos desta parte do paraíso. A região tem fazenda debaixo dágua, as de mexilhões. Tem praias onde as areias emitem os “ics, ics” tamanha pureza de suas águas e areias. Tem praias que formam verdadeiras lagoas que de tão próximas ao mar dá para ir com um pulo. Águas calmas e por vezes silenciosas. É possível se aventurar na chuva, na fazenda. ou numa casinha de sapé (como diz a melodia) lá pelas bandas dos Sertões da Quina, Arariba ou Ingá. O lugar tem tantas qualidades que poderia ser um município. Ele é tão bom que muitos turistas vêm todo o ano do município vizinho para apreciar nossas belezas. A serra possui uma rede de caminhos e trilhas que outrora foi utilizado pelos índios Tupinambás e reaproveitado pelos negros e depois pelas comunidades tradicionais, dá para ir ao planalto, ao Rio de Janeiro e a Santos. Até óvnis foram recolhidos em nossas águas. A comunidade vai se adaptando as novas tendências, mesmo pagando pelos pecados das grandes metrópoles. Maranduba é assim, uma mulher bonita que vem sendo cuidada aos poucos e que quando estiver pronta surpreenderá muita gente. Gente que ajudou a cuidar deste lugar tão belo e tão importante para as pessoas, as plantas e os animais que aqui habitam e vem nos visitar.


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PM e Moto Clubes realizam 1º Encontro de Intercambio do Litoral Norte EZEQUIEL DOS SANTOS Aconteceu no último dia 25, na sede do 20º Batalhão da Polícia Militar em Caraguatatuba, o 1º Encontro de Intercâmbio – Polícia Militar e Motoclubes do Litoral Norte. A iniciativa considerada inovadora começou da conversa entre o Comandante da Base Comunitária de Segurança da Maranduba, sargento PM Ademir Prado, o ex-comandante sargento PM André Luiz e os motoclubes Dose Letal, Barbados e Cardume do Asfalto da região sul de Ubatuba. O evento tem como objetivo a aproximação das comunidades a partir de grupos organizados como os motoclubes. Participaram deste encontro os dirigentes dos Moto Clubes Dose Letal, Rattos da Praia, Phanton, Tamoios, Puro Veneno, Cães Sem Freio e Kbça de Kone, o empresário Nilton Cardoso totalizando 20 integrantes. Na abertura o Coronel Evandro Rogério Góes, comandante do batalhão, destacou a importância deste encontro e

de seus atores engajados na segurança do litoral norte, com destaque à campanha de educação de transito, principalmente ao que se refere à prevenção de acidentes que envolve veículos ciclomotores. “Os motoclubes são difusores de idéias e de trabalhos em prol das comunidades”,comenta o coronel. Com uma didática especifica exemplos práticos, vídeos e muita descontração foram proferidos instruções sobre os seguintes temas: Segurança no trânsito, uso de capacetes e viseiras, direção negativa, tangencia da curva, acionamento dos freios, pista escorregadia, comportamento em chuva fina, situação dos pneus, campo de visão, retrovisores, postura, vestimentas, equipamentos de proteção, condições do veículo. Muitas dúvidas sobre a legislação de trânsito foram discutidas e sanadas. Outros questionamentos e dúvidas foram desmistificados, uma vez que no passado havia um distanciamento entre a polícia e motoclubes.

Também ficou registrada a diferença entre motociclistas e motoqueiros e a importância do serviço 181-disque denuncia. O trabalho foi realizado pela equipe da ROCAM sob o comando do sargento PM Prior que é fiscalizador e instrutor de trânsito do 20º Batalhão. Do lado de fora aconteceu uma apresentação de praticas operacionais da PM na

abordagem de condutores de ciclomotores. Vários tipos de situações foram apresentados pela equipe da ROCAM. Para os idealizadores do encontro foi uma novidade que resultou na eliminação de duvidas e no conhecimento dos trabalhos da PM. Todos aprovam a idéia que serviu como laboratório e que poderá ser trabalhado outras propostas. Sugestões

Terminada a obra da Sala do Santíssimo da Capela do Sertão da Quina Uma pequena sala a lado e ao fundo do altar na Capela de Nossa Senhora das Graças tem chamado a atenção de fiéis, turistas e visitantes. O espaço que antes parecia ser utilizado para guarda de materiais hoje é um lugar de adoração e reflexão. Na realidade é um das partes mais importantes da capela, um local de recolhimento e oração, onde ficarão depositadas as reservas eucarísticas (Hóstias Consagradas). Para muitos fiéis um local apropriado para a um momento mais íntimo com Deus, um local para realmente adorar ao

Senhor. O ambiente remete o visitante fiel a um momento de silêncio sagrado, o espaço ganhou características inovadoras sem deixar o sentido histórico da localidade. Neste último domingo, dia 6, aniversário do Padre Carlos, fez questão de mostrar o andamento da obra em curso e as já terminadas como a Sala do Santíssimo. O espaço ganhou características aconchegantes e iluminação adequada. Segundo Padre Carlos é uma das peças do conjunto para melhor atender os propósitos de Deus, a comunidade e os visitantes.

como o trabalho nas escolas e temas como combate a incêndio nas estradas foram aceitas. No final aconteceu a entrega do certificado de participação, que sendo o primeiro, terá continuidade como base de aproximação da PM e comunidades, do serviço de segurança comunitária e difusão de boas praticas de trânsito. Jornal Maranduba News

Valorizando a Cultura Caiçara


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A minha rua CRISTINA DE OLIVEIRA A minha rua foi e é uma rua movimentada. Durante a noite um bom observador ainda ouve os sapos e grilos que fazem a festa... Onde o rio faz a volta para desembocar lá no ribeirão, lá pra bandas do Rio do Boi... Tem casinha ladeada de mimeiro, pés de laranja, abacate, roseira, coentro de cheiro e jasmim para aromatizar as casas. Minha rua tem prosa, verso e poema, todos juntos e misturados, basta somente parar para ouvir. Crianças se banhando no rio em tardes quentes, mulheres com samburás pegando Piaba, Lambari e Cará pra mistura e camarão para farofa do café da tarde. Minha rua tem conversa dos compadres e comadres sentados em frente a casa, regada a muito riso, café no bule, bolo e receita de humor, todos iluminados por candeeiros aceso a pavio de algodão. Ah! A rua de minha casa tem namoro, tem chilique e de tudo um pouco, porque na rua de minha casa, tem gente de bem e tem quem desconversa, só não tem asfalto e comércio. Na rua de minha casa ninguém leva nada sem pedir, tem igrejinha, nas casas um altar para rezar e pra tudo agradecer, além de muito cachorro, gambá e galinha. Tem flores e molecada, tem vida e muita história. Foi rua de sitio florido de um simples ranchinho com porta e janela seguro por tramelas. Na mesa um gosto caipira, no canto um forno de alçapão. Do outro lado, atravessando a velha porteira um engenho, uma roça de milho, ao fundo um bananal cuidado por homens com chapéu de palha. Ao lado da casa um puxado de palha para cobrir a tralha de uso roceiro, proteger

o milho e o feijão no esteio do varal, no chão sacas de trigo, farinha de mandioca e a cachaça de qualidade bem guardados para a venda na cidade. A rua tem minha casa, que no passado foi construída de pau-a-pique, com barro vermelho e tabatinga (barro branco), amarrado de imbira e coberta com “empreitada” de Guaricanga. Os cantos erguidos com o “cérno” do Ipê, com cadeiras e prateleiras de tabuas feitas no “traçadô”, no quintal os pés de jambo embelezam o chão com suas flores. Minha casa poderia ser numa rua comum, se não fosse por um detalhe: é o lugar mais lindo que conheço, porque ali cresci, ouvi todas as histórias de minha geração, é todo um orgulho, é a minha rua, que me viu crescer. Nela fazemos vassoura de mato e a limpamos em “bitirão” como os antigos. Foi caminho de servidão dos indígenas de passado glorioso, dos bandeirantes, cafuzos e mamelucos, de meus avôs e seus antecessores, é a rua de muita história formada por “embornás”, samburás, fogão a lenha e pés descalços, também de pés bem calçados. Foi sem dúvida caminhos de gerações, onde a minha se fez

presente e até hoje faz jus a formação história desta rua, da cidade, do estado e do país e muitas vezes pagou e ainda paga caro por isso. Gerações que ouviam o barulho do rio, o canto das aves, que felizmente ainda existe. Eu amo minha rua por que tem paz de verdade e respeito. Aqui quero respirar pureza. Minha rua atravessou épocas e permanece intacta, ela que ajudou a dar o brilho roceiro e caipira, do homem do mato e do mar, de um povo caiçara por aptidão, um brasileiro autentico, esteio de nossa nação e inquilino de Deus deste a formação desta terra. E você valoriza sua rua? Cuida dela? Ainda acha que os outros que tem de cuidar? Na época de meus pais eram os m oradores quem cuidava das ruas, do cemitério, dos caminhos, dos roçados, dos compadres, por isso as coisas funcionavam. A nossa rua é uma extensão do que nós somos, não custa nada ao menos cuidar da frente de casa. Sem ela para onde vamos e quem virá até nós? Não é a rua que gostaria de ter, mas é a que tenho e gosto de deixá-la como gostaria de ser vista.


Página 12 Gente da Nossa História EZEQUIEL DOS SANTOS No canto da Maranduba (canto da “préia”- praia), próximo a subida do morro, indo para a Caçandoca havia uma casa simples como as outras, feita de pau-a-pique, cuja sala grande transformou-se em uma sala de aula, era a escola do Tabatinga, como ficou conhecida. A casa era de seu avô Antonio Zacarias, depois passou ao pai Bazílio Zacarias, que casado com Luzia Bernardino de Oliveira teve seis filhos: Bernardo, Tonico, Dona Santa, Valter, Eliza e o protagonista desta história. A casa estava num local privilegiado, de frente para o mar, sob a sombra da mata, os sons dos riachos e as ondas do mar, o canto das aves e do vento que vinha do lagamar. Naquele ambiente lindo, porém severo, nascia para o mundo Ângelo Zacarias de Oliveira, que mal sabia ele, iria influenciar toda uma geração. Era 10 de março de 1927 e esse menino ainda teria muita história pra contar. A base se sua alimentação era o caldo de peixe, o mingau de farinha de mandioca, banana madura assada no fogão a lenha, café de cana, batata doce cozida, pixé (farinha de milho fina), no “terrero” (quintal) galinhas soltas, patos que se misturam as aves da mata. Cresceu na lida da pesca de arrasto, tresmalho, picaré, espinhel, tendo como vizinho e professor Chico Romão, também desenvolveu as culturas de subsistência a seu redor. Aos poucos conquistou seu espaço na comunidade. Jovem forte e comunicativo enveredou-se a outras paragens como os trabalhos nos bananais em Santos. Com ele os jovens Tião Pedro, Mané Ramiro, Ditinho Marcolino, Messias entre outros. Era por volta de 1948-49, aonde eles iam a pé até Caraguatatuba, dormiam na casa de Pedro do Prado e por volta das cinco da manhã pegavam o ônibus a Santos. Ângelo ia sempre de barco, no Ubatubinha. Também trabalhou na fazenda dos Ingleses lá pelas bandas do Anglo como o amigo Mané Pedro. Os dias de solteiro haviam acabado, ele conhecera Florisbela Prado de Oliveira, que mais tarde viria a ser carinhosamente conhecida por

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Ângelo Zacarias de Oliveira Dona Bela. Ela filha de João Antonio do Prado e Margarida Florisbela do Prado, proprietários de um engenho de pinga onde hoje está o posto de saúde do Sertão da Quina. Aos oito anos levava café para os camaradas. Ela que havia nascido na antiga casa do telégrafo, onde foi a farmácia do Darcy, estudou na escolinha de Joana Carlota, na atual Rua do Eixo. Depois do namoro, chegou a hora do casório, era 24 de abril de 1952. Foi uma verdadeira peregrinação, saíram de canoa da Caçandoca, foram a até a Enseada, depois de carro até o centro, lá tiraram os calçados da “trôxa” (sacola), lavaram os pés no chafariz, calçaram as sandálias e seguiram até a Matriz para a celebração. A festa foi na casa do Pradinho - Antonio Rocha Prado no centro da cidade. Já em casa ficaram quatro dias sem seus móveis, como o mar estava “grosso” (revolto) a loja não pode entregar a tempo da estréia, então o casal dormiu estes dias numa cama de solteiro. Tiveram cinco filhos: Ângelo, Margarida, Luiz Carlos, João e Maria, como dizem os antigos “graças a Deus todos bem encaminhados”. Ângelo montou uma pequena “venda” (comércio) onde era a casa do Calixto, depois foi para a Caçandoca, onde a esposa deu aulas a 40 alunos, lá também o marido montou uma venda. Ele buscava de canoa mantimentos no Maciel da Enseada. Lá ficaram por seis anos, depois voltaram para o canto da Maranduba, próximo ao hotel Picaré, aonde ainda era trecho da rodovia. Quantas vezes dona Idalina, mãe do Tião Pedro, passava por lá com os netos e ganhava um quinhão de mantimentos de Ângelo. Depois voltaram para o Sapê, onde hoje é o bar do Ari, onde ficaram em definitivo. Lá compraram a casa de Joana Custódio. O local era maravilhoso, havia um espaço onde tinham como vizinho o Calixto, o pessoal

Um homem bom de verdade

do Nestor, o Cruzeiro, o armazém do Pimenta, a 1ª Capela, a casa da Quininha, a do telégrafo, a do Idomeu do Prado, de Maria Ballio, a praia, a praça, o pátio e a estrada. Ângelo comprava também a produção local, chegou a adquirir 400 kg de peixes, o que vendia no balcão, vendia. O restante era levado ao Rio do Boi, chamava as mulheres para “consertar” (limpar), lanhar, escalar e salgar os peixes. Trabalhavam nesta empreitada a Maria do Chico “Féle” (Félix), Mariana, Santa, Martinha, Olivia entre outras. Estas pessoas ganhavam o dia e peixes para mistura. Neste dia ela mandava

matar dois frangos para o almoço das mulheres. Era uma época de muita fartura. Os abastados usavam camisa branca de peito pregueado, era chique para a época. Só quem tinha condições de possuir estas camisas eram os Carlotas, os Amorim e os Prados. Ângelo gostava muito de peixe, frango assado, que muitas vezes eram compartilhados com os caixeiros viajantes (vendedores). Dona Bela ajudava no orçamento lecionando, chegou a dar aulas também no Horto Florestal, quando chegava ao centro da cidade uma carroça a levava até a escolinha na fazenda. Ela se recorda bem de uma questão que aplicou numa prova de aritmética: “Uma roseira tinha quatro galhos, cada galho quatro rosas, quantas rosas tinham a roseira?”. Ângelo fornecia para o Moisés Isaías do Sertão da Quina, este buscava os fardos de mantimen-

tos em uma bicicleta verde, cujo quadro possui até hoje. Vendia a caderneta e todos pagavam, era a época do fio de bigode. Ele sabia cativar os clientes, sempre tinha uma surpresa agradável a eles. Gostava das Folias de Reis, das festas do Bito Helói, Mané Pedreira. Na época em que as latas de banha eram cheias de doces de mamão, abóbora, melado de cana. Nunca largou a pesca e sempre com seus amigos passavam, por vezes, noite inteiras na pesca de caçoa. Era tão querido que tinha liberdade com todos, todos o admiravam. Só uma coisa Ângelo tinha medo e não gostava de jeito maneira, de dentista. Certa tarde, com terríveis dores de dente, entrou no banheiro com um alicate e simplesmente arrancou o dente, só para não ir ao dentista. Na época era o jipe do Pacheco que se fazia de ambulância da localidade e dona Bela vivia indo ao hospital acompanhando os enfermos. Mas tudo tem um fim, quem não se lembra daquele homem educado, de fala suave, meigo, agradável, amável, que vestia um jaleco azul claro de comerciante e atendia a todos com muito carinho. Seus amigos e compadres eram o André Pereira, João Rosa, Florindo, Olívio, Tião Pedro, Mané Pedro dentre tantos que o admiravam. Mas no dia 7 de março de 1967, algo de tão belo aconteceu seguido de uma tristeza profunda e muitos “porquês”. Antes de amanhecer a família havia saído para Aparecida do Norte, quem dirigia a Kombi era Oswaldo Rofino. Lá o casal assistiu a missa, subiu de mãos dadas para beijar a Santa, depois vieram embora. Encontraram-se com o Mané Santana no caminho, em São Luiz do Paraitinga, haviam dado carona ao padre Pio. Quando chegou ao Morro do Foge, pararam para dar carona a João Garapa com a namorada, desceu abriu a porta aos dois e voltou ao volante,

de repente ele cai, o trouxeram até a sua casa, ele reanima e diz que não tem nada, na cozinha cai novamente, houve uma correria, levaram-no para o hospital, no caminho, no Lazaro, ele retoma a consciência e pede a esposa um pouco de água, em seguida, nos braços da amada ele fecha os olhos, para sempre. Na cidade, o Padre Pio foi chamado e não acreditava que aquele homem o havia trazido a cidade há poucas horas havia falecido. Tinha ele sofrido um derrame cerebral. Dona Bela nos conta que sente o frio no braço que segurou o esposo até o hospital. Tristeza, emoção, saudades, estes foram os primeiros sentimentos de uma família de toda uma comunidade. Após sua morte, uma firma chamada Aragon, que construía a rodovia deu calote no armazém, foi um duro golpe. Evarista Santos Oliveira, 69, sobrinha de Ângelo, conta-nos que no meio da “somana” ele e a esposa haviam realizado uma visita aos compadres, amigos, familiares como se fosse uma despedida. No quintal de Evarista ele olhou a criação, para o pé de limão galego que possuía, ele tava numa serenidade, comentou que tava cansado e que queria descansar um pouco, ficar mais folgado com sua família. Ângelo Zacarias havia nos deixado aos 49 anos, cedo demais para um grande homem. Não tive a honra e o privilégio de conhecê-lo, mas pelos olhos de quem me contou sua história percebi que é considerado um dos grandes mestres de nossas vidas. Um homem do bem e para o bem. Sua maior arma foi o amor com que fazia as coisas, vi na casa da esposa uma linda foto, onde ele parecia dançar com ela no quintal, pra mim a imagem perfeita de um amor puro e verdadeiro. Talvez por isso Deus o quisesse por perto, um homem preparado e escolhido, por sua lisura, seu amor, seu companheirismo e por seu valor, daqueles raros. Os não escolhidos ficaram para contar a história de um grande homem. Um dia sei que o encontrarei e como sinal de respeito o chamarei como todos, de “Seu Ângelo”. * * *


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Dicionário de vocábulos e expressões caiçaras - Parte 4

BATISTéRIO - ( s.m.) - certidão de batismo na igreja católica ; BATUíRA - ( s.f. )- espécie de pássaro ; BEDêLHO - (s.m.) - meter o bedelho; intrometer-se em assuntos alheios ; BEIÇO - ( s.m.) - lábios ; dar um beiço , passar para trás ; BELISCá(R) – ( v. t. d. ) – mesmo que lambiscar; comer uma pequena quantidade de comida. BERBIGãO - ( s.m. ) - marisco que vive enterrado na areia a 20 cm. de profundidade, sendo comum da região de Santos para o Sul. De concha quase circular, com sulcos longitudinais que partem do ápice, irradiando-se para a periferia em forma de leque, sua coloração varia entre branca, castanho-escura, preta ou rajada. Ë usado na ali-mentação, e foi o principal o principal alimento dos indígenas do passado, constituindo-se por isso, na maior parte dos sambaquís. Sua concha foi usada até o anos cincoenta, para cascalhar as ruas centrais na cidade de Cananéia - SP e, pelo fato de serem retiradas dos sambaquís da região, era comum, depois de uma forte chuvarada, encontrar-se parte de ossos e utensílios indigenas, como pontas de flecha, pedras de tacape,

junto com as conchas lavadas pela água da chuva. É conhecido também co-mo: Em Cananéia é conhecido como PEGOAVA e em outras regiões como sarnambí, cernambí, cernambitinga, maçambique, moçambique, samanguaiá, sapinhanguá, simanguaiá, simongoiá, rala-coco, mija-mija, papa-fumo, sarro de pito, tamati etc... BéRDAMéRDA - (s.m.) - joão-ninguém ; BERERéCA - (s.f.) -espécie de biju de mandioca; BERUANHA ou BIRUANHA – (s.f.) – (tupi mberú ãi) – varejeira: mosca azulada que põe seus ovos em tecidos deteriorados; BESPA - (s.f.) - vespa ; uma espécie de marimbondo ; BIBóCA - ( s.f.) - pequena venda ou armazém ; BICANCA - ( s.f.) - chute de bico, dado com o bico da chuteira ou c/ o dedão do pé. BICHA - ( s.f. ) - lombriga e outros vermes intestinais; “ eu benzo de cobrêro, de impingia,eu benzo de quebranto, benzo de bichas tudo”. BICHêRO - (s.m.) - fisga em forma de gancho; pedaço de barra metal recurvado em forma de anzol, para içar o peixe. BICHO-DE-CONCHA - ( s.m.) - indivíduo solitário, esquivo , esquisito ; BIJú - ( s.m. ) - bolo de tapioca. Subproduto do beneficiamento da mandioca que se obtém mediante o seguinte processo: uma vez prensada a massa da mandioca sevada e escorrido o caldo para uma gamela, decantada a água, fica, em seu fundo, uma fécula alva e fina, que depois de seca, peneirada no forno e torrada, ao ser cortada em talhadas, resulta em bonitas, saborosas e sa-

dias panquecas. As migalhas que sobram fazem também a apreciada farinha de tapioca. ” O biju? Mistura aquela goma e mistura cum massa...”. BILú-TETéIA - ( loc.v.) - mimo que se faz à criança e que consiste em passar o dedo em sua boca dizendo bilú, bilú , bilú laaa tetéia ( apontando para a lua ) BIRRA - (s.f.) -teimosia; amuo; zanga ; obstinação ; BISCA - ( s.f.) - meretriz; pessoa de péssima reputação ; BISCATE- (s.m.) - pequenos serviços; (s.f.) - meretriz ; BIZITá - ( v.t. ) - mesmo que visitar. “ Deisde antonte não tenho ido bizitá meu cerco.Deve de tá atopetado de tainha”; BOBA - ( s.f. ) - veja bouba ; doença da galinha.“deu a bôba na minha criação tudo “ BOBERAGê - (s.f.) - bobagem; bobice; coisa sem importância; “ largai dessa boberagê, sim “ BOCA - ( s.f. ) - largura do bojo da canoa, cujo comprimento deve corresponder a sete vezes e meia a medida da boca. “ É uma canoa bunita, uma canoa com quaje quatro parmo de boca, quaje um metro de boca “ BOCA DA BARRA - ( s.f. ) - lugar onde as águas do leito de barra, se confundem com as águas da praia, acabando o percurso do rio. BOCA DA NOITE - ( s.f.) - crepúsculo; anoitecer ; “ dancemo da boca da noite inté o dia amanhecê “ BOCA DE FORNO - ( s.f. ) abertura do forno de barro por onde se introduz a lenha para ser queimada e aquecer o forno de forneá farinha de mandioca. BOCA DO DIA - (s.f.) - início

do dia; pequenos clarões da aurora ; BODéGA - (s.f.) - taberna ; coisa que não presta ; BODóQUE - ( s.m.) - apetrecho de madeira para atirar pelotes de barro ou pedra, que consiste em um arco de guamiova envergado, de uma cabeça ( corte na extremidade, onde é amarrada a corda ) à outra, por duas cordas cochadas de embira, que têm ao meio uma malha, de quatro cordinhas trançadas, onde se coloca a pedra a ser arremessada.Nas duas extremidades do arco, abaixo de cada cabeça, há o gogó e o pauzinho; correspondentes, que mantém a malha aberta. O arco é flexionado apoiando-se a mão direita no pega-mão , enquanto a esquerda estica as cordas a partir da malha, procedendo-se então ao arremesso, tomando-se o cuidado de sincronizar o ato da mão esquerda largar o pelote da malha com uma ligeira torção da mão direita para o lado direito, afim de evitar atingir o proprio dedo. BOLA DE CAPOTãO - ( s.f. ) antiga bola de couro costurada à mão, para futebol. BOLANDEIRA - ( s.f. ) - peça componente do tráfico de fazer farinha; grande roda que move o rodete de ralar mandioca. BOLéU - ( s.m. ) - aos boléus; aos encontrões; aos trambolhões ; “ parem c’o esse boléu que o pai de voces tá prá chegá “ BOLINA - ( s.f. ) - cabo que sustenta a vela na canoa. Fonte: PEQUENO DICIONÁRIO DE VOCÁBULOS E EXPRESSÕES CAIÇARAS DE CANANÉIA. Obra registrada sob nº 377.947Liv.701. Fls. 107 na Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura para Edgar Jaci Teixeira – CANANÉIA –SP .


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“Haurélho das Louras”‫‏‬ Enviado pela correspondente Cláudia Félix (morena) Abismado: Aquele que caiu num abismo Armarinho: Vento que vem do mar Aspirado: Carta de baralho maluca Assaltante: Um ‘A’ que salta Barganhar: Receber de herança de um bar Barracão: Proíbe a entrada de cachorros Bimestre: Mestre em duas artes marciais Caçador: Quem procura ter dor Cerveja: O sonho de toda revista Cleptomaníaco: Fã de Eric Clapton Coitado: Ví­tima de coito Conversão: Papo prolongado Coordenada: Que não tem cor Democracia: Sistema de governo do inferno Detergente: Ato de prender humanos Determine: Prender a namorada do Mickey Diabetes: Dançarinas do diabo Edifi­cio: Antônimo de ‘É de fácil Eficiência: Estudo das propriedades do ‘F’

Estouro: Touro que virou boi Expedidor: Antigo mendigo Fluxograma: Direção em que cresce o capim Halogênio: Cumprimento a um gênio Homossexual: Sabão para lavar as partes íntimas Luz solar: Sapato com luz na sola Ministério: Pequeno aparelho de som Missão: Missa prolongada Padrão: Padre muito alto Pornográfico: O mesmo que por no desenho Presidiário: Que vai preso todos os dias Pressupor: Colocar preço em algo Ratificar: Tornar-se um rato Regime militar: Dieta feita no exército Suburbanos: Habitantes de túneis do metrô Tripulante: Especialista em salto triplo Violentamente: Viu bem devagar Volátil: Avisa ao tio que vai lá

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Coluna da

Lagoinha usufrui de projeto piloto de reurbanização sustentável Adelina Campi

Moisés e Ramsés

Conta-se que Moisés, o grande líder de Israel, foi “dedurado” ao Faraó, pelo seu primo Ramsés, acusando-o de conceder regalias aos escravos hebreus. O Faraó, imediatamente, mandou chamá-lo e Moisés mandou-lhe dizer que não poderia naquele momento, pois estava muito ocupado, construindo a cidade para o Jubileu - conforme o próprio Faraó o determinara. Indignado e sentindo-se desobedecido, o Faraó foi até o local das obras. Chegando lá, acompanhado de Ramsés, deparou-se com um Moisés totalmente absorto no trabalho que realizava. Naquele exato momento, estava sendo levantado um gigantesco obelisco, que seria o monumento - símbolo do Jubileu do Faraó. Mais de três mil homens- técnicos, gerentes e operativos faziam parte daquele grande projeto. Finalmente o obelisco ficou erguido e, agora, seria necessário, apenas o acabamento para firmá-lo mais ao chão. Começa, então, o interrogatório do Faraó a Moisés: “- É verdade que você deu trigo dos celeiros do templo para os escravos?” ” - É verdade.” Respondeu Moisés. Nesse momento, Ramsés, numa muda torcida, pegou uma pequena pedra e colocou num dos pratos de uma balança e o prato começou a pender. Continuou o Faraó: “- É verdade que você permitiu uma hora de descanso, por dia, para os escravos?” “- Moisés

lhe respondeu: “- É verdade. ” E outra pedra foi colocada na balança, por Ramsés. “- É verdade que você concedeu um dia de descanso semanal para os escravos?” “- É verdade” . Respondeu-lhe Moisés, ao tempo em que Ramsés colocava uma terceira pedra no prato da balança, que baixou totalmente para um lado. “E o que você me diz disso que fez?” Concluiu o Faraó. “- É verdade tudo isso. Mas, é verdade, também que escravos bem tratados, bem alimentados, saudáveis e descansados produzem mais e com mais prazer. ” Respondeu Moisés, colocando um tijolo inteiro no outro prato da balança - que baixou totalmente para o lado dele. * * * O aprendizado que se tira dessa história é que pessoas motivadas são pessoas apaixonadas. Motivação está sendo, cada vez mais, a grande necessidade nos ambientes de trabalho. O processo de motivação é uma postura que depende de cada pessoa, é uma força que vem de dentro: a automotivação. Automotivação é o desejo de se realizar algo, fazendo diferente. É ter iniciativa, fazer mais que o óbvio, ser proativo, sair da mesmice. Motivação é querer, firmeza e determinação caminhando juntos, produzindo força e impulsionando o indivíduo na busca do objetivo desejado.

Com iniciativa inovadora, o condomínio Salga e o arquiteto e urbanista Rinaldo Antonio desenvolveram um projeto de drenagem de águas pluviais para proteção da Praia e do Jundú da Lagoinha. O projeto idealizado em metodologias orientais é de baixo custo e fácil realização. Consiste na construção de bolsões nas esquinas por onde passam a água das chuvas em direção a praia, elas captam até 90% das águas, dos sedimentos e até a sujeira. Após a chuva os sedimentos que ficam por cima da grama são coletados e o local é limpo para receber a próxima enxurrada. Onde está o Jundu hoje foi possível restringir a passagem de pedestres para a proteção do local, aonde a água escorria para a praia foi construído uma espécie de passarela para os moradores e visitantes iram a areia. Como as ruas do litoral têm queda acentuada às praias e muitas delas não está protegida con-

tra as enxurradas, suas ruas, que tem areia em sua base, tiveram de ser aterradas com barro, que são carregadas e suas marcas identificadas nas areias das praias. Tudo isto ocorria por conta de técnicas inadequadas na urbanização dos loteamentos. No caso da Lagoinha, este declive fazia com que as águas ganhassem força retirando as mudas do Jundu de seus lugares, causando a mortandade da espécie, a mudança da coloração das areias e o depósito de sedimentos das ruas nas praias. Todo o projeto foi baseado em no emprego de bambus, britas e Bidin (uma espécie de manta filtradora) como base do processo da construção destes drenos. Na praia foi à colocação de sacos der areias para conter a areia e manter as plantas protegidas. Quem passa pelo local não percebe a obra que fica enterrada, porém percebe que após as chuvas não existem mais manchas na areia, o Jundu cresce com mais

vigor, eliminou-se os barrancos produzidos pelas águas da chuva e os pequenos animais daquele ecossistema voltaram a povoar o lugar. Rinaldo comenta que o projeto ideal seria por começar pelas calhas das casas. Ele lembra ainda que o bambu dentro da terra não apodrece. Este mesmo conceito foi realizado para drenar o campo de futebol do Beira Rio, no bairro do Sertão do Ingá, na mesma região. O processo da Praia da Lagoinha levou cerca de quatro semanas para ficar pronto e o resultado foi 100% satisfatório, superando as expectativas. O processo na realidade faz a comunicação da rua com o solo arenoso facilitando a passagem da água e segurando a sujeira e os detritos que iriam diretamente para a praia. O projeto do Jundu contou com a parceria da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, mas só acelerou quando resolveu o problema das enxurradas com a criação dos bolsões.

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